O Lúdico no Conhecimento dos Sonhos

Autora: Maria Helena Maran
Status: Finalizada
Revisada por: Hata
Categoria: Fics Internacionais - Blink 182
Sub-Categoria: Acessem: Romântica - ShortFic
Nota pelo desafio: 9,5.



Olhou novamente para o relógio, sentindo a espinha gelar ao constatar que faltavam apenas três minutos para as onze horas. Teve vontade de sair correndo da luxuosa limousine em que esperava por seu sonho, pois o medo tomava conta de seu sangue e a segurança não fazia parte desse momento de sua vida. Lembrou-se do dia em que soube que havia ganho a promoção, seu mundo quase veio abaixo, a alegria irradiou em seus olhos marejados pelo amor.


Flashback


Abriu sua caixa de e-mails nervosa, suando frio e com a respiração falha. Seu computador lento não ajudava em nada no nervosismo que corria até por seus cabelos fazendo-os ficarem arrepiados. Quando enfim a página estava carregada seu grito foi mais alto que o céu, seu pulo foi mais sincero que a vida, suas lágrimas mais puras que a inocência. Sentindo o céu sob seus pés correu até a irmãzinha e lhe abraçou forte, demonstrando toda a felicidade que transbordava em suas palavras:
- Eu ganhei! Eu vou c-conhecer eles!
- Ganhou o que filha? - sua mãe pediu, assustada com os gritos e deixando as panelas sobre o fogão.
- A p-promoção mãe, e-eu vou... vou... - foi interrompida por seu irmão que apareceu pela porta de seu quarto como se já estivesse esperando pelo o que acontecia.
- Ela vai conhecer o Blink mãe...
- Sério? Sério filha? - a mulher abraçou carinhosamente, feliz pela alegria da filha, que sempre fora apaixonada pela banda e crescera com o sonho de conhecê-los.- E quando vai ser? - Secou uma lágrima que corria por seu rosto corado.
- Dia vinte e quatro mãe, daqui nove dias... - dessa vez, sentiu o sangue correr mais rápido por seu corpo, aquecendo-a subitamente.
- Então está esperando o que 'pra entrar em contato com os... os caras que organizaram tudo isso meu anjo?


End Flashback


Deu-se conta de que estava nervosa a ponto de roer as unhas recém pintadas e parou imediatamente, olhando outra vez o relógio: onze e um. Eles estão chegando - pensou, olhando ao espelho, e arrumando o cabelo, que não estava bagunçado. Sentada no confortável banco de couro acinzentado, olhou pra si mesma, como se isso a certificasse de que sua roupa estava impecável.
Penteava as pontas dos cabelos lentamente com a mão, e batia o pé como se assim os segundos passassem mais rápido. Ouviu vozes ao lado de fora do caro, e congelou, sentiu as famosas borboletas no estômago e suas costas voltaram a suar frio. Olhou pela janela, e viu um volto escuro que parecia estar pronto para abrir a porta, e conseguiu reconhecer a voz de em meio as outras, quando se deu conta de que era ele quem abria a porta. Encolheu-se do outro lado do carro, simplesmente por nervosismo, cruzou as mãos sobre as pernas e viu entrar sorridente, olhando-a risonho e sua lingua quase enrolou engasgando-a.
- Oi, ahn né? - disse sentando-se a seu lado e lhe abraçando ingenuamente.
entrou no carro, tirando os óculos escuros e fitando a garota com os olhos gentis e calorosos, e depois encarando como se ele tivesse abusado de .
- Ei linda, por que você tá encolhida ai no canto? - olhou para o amigo fingindo ser ameaçador - Ele te fez alguma coisa?
apenas balançou a cabeça negativamente, sorrindo fraco, ainda tímida, mas relaxou um pouco e soltou os ombros, se sentindo confortável.
- Então o que foi? - insistiu.
- E-eu, nem sei o... - se obrigou a deixar a frase no ar quando sentiu a presença de no interior do carro, também feliz. Ele sentiu o perfume doce que seus cabelos da menina exalavam e ao cruzar os olhos com os dela, sentiu as mesmas borboletas no estômago, sentando-se rapidamente, deixando seu produtor aparecer, apenas com a cabeça pela porta.
- Bom caras, vocês vão para o hotel agora e lá almoçarão. Depois, podem descansar um pouco e, - parou envergonhado por não cumprimentar - desculpem. Essa é , a fã que ganhou a promoção que fizemos, ela vai passar o dia com vocês. Bom, nem preciso explicar né, foram vocês quem ditaram as regras...
- E escolhemos o texto - disse orgulhoso.
- Sim... - Tedy, o produtor riu - vou deixar vocês irem. Nos vemos mais tarde.
- Certo, cara! - disse empolgado, mas ainda sentindo o perfume da fã.
Quando a porta foi fechada, o motorista deu a partida na limousine e o silêncio se instalou por alguns minutos.
- Foi bem legal a história que você escreveu.
- Obrigada, - ela corou.
- Eu gostei da parte que a gente descobre que ficamos milionários com as jóias que achamos que eram falsas - disse mostrando o colar que usava.
- Também é a parte que eu mais gosto - falou, corando mais uma vez.
- Não fica com vergonha, parece que a gente tá usando você - a menina riu do comentário, mas dessa vez os olhou nos olhos, se obrigando a piscar os olhos para afugentar as lágrimas que queriam estar ali.
- A quanto tempo você escuta nosso lixo? - perguntou alegre.
- Desde os dezenove anos... - falou orgulhosa do carinho que sentia por eles - uma amiga cantou uma música de vocês um dia, e eu gostei. Depois disso, eu passei a acompanhar vocês.
- Uhuh, que lindo isso! - falou afeminado, arrancando risos de todos, inclusive do motorista.


- Não, deixa que eu levo pra você - pegou a mala de e levou-a para dentro do hotel, mesmo sabendo que existiam pessoas para isso.
- Obrigada - disse menos tímida.
- O que você achou de Las Vegas, a cidade da sorte? - perguntou , conduzindo-a com um braço em volta de seus ombros.
- Nunca tinha vindo pra cá, achei muito legal. Muito mais emocionante do que eu imaginava.
- Então você não conhece a cidade? - falou, olhando para os amigos pensativo, que responderam com olhar malicioso.
- N-não - gaguejou.
- Então você vai conhecer. - bateu na cabeça de , que soltou , correndo atrás do amigo até dentro do hotel. O silêncio tomou conta dos outros dois. se sentiu diferente ao lado dela, e não queria parecer estar entediado ao seu lado, pois não estava.
- Eu tenho um cachorro, ele se chama Truffus. - disse sorridente, coçando a nuca, tentando evitar que o silêncio se instalasse.
- Que nome fofinho, Truffus - falou, entrelaçando as mãos atrás do corpo - minha gata se chama Peny. Ela é meio gorda, mas é bem bonitinha...
- Uma gata gorda? Você tem uma gata gorda? - riu.
- É, ela come e dorme o dia todinho, eu já levei ela no veterinário, mas ele disse que isso não interfere na saúde dela - ela riu, dessa vez sem nenhuma timidez em seu rosto, o que fez com que ele pudesse enfim notar a beleza que ali se instalava, notou que seus olhos eram o que a fazia ser ainda mais bonita. Notou que seus cabelos não eram nem lisos, nem enrolados, nem ondulados, mas sim uma mistura de tudo isso, em um tom que combinava perfeitamente com sua pele. Notou que seu corpo não era de adolescente, como parte de suas fãs, possuía um belo corpo de mulher adulta, que provavelmente arrancaria suspiros por onde passasse. Notou que sua voz soava como harpas no paraíso, trazendo calma e desejo ao mesmo tempo. Até que notou, que prendia muito sua atenção. Não sabia o motivo, mas sabia que estava certo.
- Ahn, aconteceu alguma coisa? - parou de andar, olhando-o assustada e com medo de ter dito algo altamente idiota.
- Não, não. Desculpe...
- Tudo bem - respirou fundo, e tentou soar divertida - agora que você sabe da obsessão da minha gata por comer, me conta alguma coisa que nenhuma fã sabe!
- Bom... - fingiu estar constrangido - eu tenho uma cueca rosa. Mas não conta pra ninguém, é segredo - pôs o dedo indicador sobre os lábios, em sinal de silêncio, fazendo-a soltar uma risada gostosa.
Ficaram ali, apenas rindo de piadas idiotas por algum tempo. Talvez mais do que o que imaginaram. Não conseguiam entender o motivo pelo qual se sentiram estranhamente unidos. Chega cara, ela só ganhou uma promoção. Nada demais... - pensou, enquanto aparecia aborrecido para chamá-los para almoçar.
- Anda cara, vocês vão ficar aí nesse belo jardim florido e se alimentar de grama por acaso? Tô com fome sabia?
- Me diz quando você não tá com fome? - provocou o amigo, arrancando mais uma risada alegre da garota.
- Pára de me incomodar e anda mais rápido seu burro.
- Vocês convivem quase todos os dias de suas vidas juntos, brigando desse jeito? Como se aguentam? - perguntou, olhando perplexa para os dois.
- Ah, você sabe que eu te amo né? - disse pulando no pescoço de , que o empurrou devagar.
- É, eu sei! - disse batendo na cabeça do amigo - mas fala baixo, esse era nosso segredo cara! E você - virou-se para - não conte a ninguém! Agora você é nossa cúmplice!
- Pode deixar senhor! - fez sinal de que fechava a boca com zíper, jogando a chave fora.
- Mas então , tem algum apelido que você goste que chamemos você?
- Aham, eu gosto que me chamem de , .
- É, legal. Gostei!
- Ele vai te chamar de pro resto da vida... - sussurrou ao seu ouvido.


- E quando eu fiz intercâmbio para a Alemanha, eu aprendi a falar alemão.
- Você conhece muitos lugares !
- É, conheço mesmo. Vocês acreditam que eu tinha perdido contato com uma amiga minha de lá, e esses dias ela me achou no twitter?
- Oww, que legal isso. , se eu me perder você vai me procurar na internet? - perguntou inocente ao amigo.
- Não cara, eu vou deixar você perdido por aí, e acabar com a nossa banda! Deixa de ser burro! - todos riram, menos , que se fingiu chateado por um tempo, mas, logo caiu na risada, pelas provocações dos amigos.
- Ainda bem que você disse isso para nós... - falou sem emoção.
- Por quê? - se sentiu confusa.
- Se fosse outras pessoas, pensariam que você ia achar as perdições de , e isso não soaria bem!
- COM CERTEZA CARA! - fez uma cara de tédio e completou - vocês não sabem, mas nós dois combinamos uma after party e não contamos pra vocês. Nós queríamos aproveitar a sozinhos, sem ter que dividir com vocês...
- E como eu não sabia disso? - fez cara feia, e a puxou para perto pela cintura, fazendo-a sentir seu perfume, e se arrepiar.
- Você queria passar a noite depois do show, justamente HOJE, dia vinte e quatro de julho de dois mil e nove, dia da abertura da nossa turnê sem uma after party pra animar? - falou com olhar malicioso, e penteou as pontas dos cabelos com a mão, evitando demonstrar a vergonha que sentiu.
- Mas eu só tenho até o fim do show com vocês, depois disso tenho que ir pro hotel e pegar o vôo de volta pra casa cedinho amanhã.
- A gente te leva depois! - puxou a garota para perto de si, deixando de mãos abanando.
- Mas as regras foram claras - disse, agora desanimada.
- As regras foram feitas por nós - lembrou - podemos mudar quando quisermos. E queremos. Então vamos mudar.
- Sério? - pulou no mesmo instante no pescoço de , quase derrubando-o - não acredito, meu Deus, que bom!
mantinha os olhos fixos na cena, e sentiu uma onde de ciúmes correr por seu corpo, surpreendendo-o pelo sentimento. O que teria aquela garota de tão especial a ponto de fazê-lo sentir ciúmes de seu amigo? Por que raios, uma pessoa que conhecia a menos de vinte e quatro horas tomava seus pensamentos? Por que estava se perguntando o que ela tinha de mais?
- !! - Teddy gritou do corredor, próximo ao camarim da banda - telefone pra você, é sua mãe...
- Iiih, o que será que ela quer? Ahn, já volto pessoal...
- Ahn, tô com fome. Vou lá no camarim ver o que tem pra comer! - disse, já andando.
O silêncio se instalou mais uma vez. insistiu com a mania de pentear os cabelos com a mão, sem ter o que falar, e com medo de parecer boba.
- Sabe , eu gostei de te conhecer, mesmo.
- Ah, obrigada. Eu também gostei de conhecer vocês. Finalmente consegui realizar o meu sonho.
- Seu sonho era conhecer a gente?
- Sim. Desde quando comecei a acompanhar vocês...
- Sabe, às vezes parece meio estranho quando falam isso... Tem dias que eu acordo, e penso que é uma ilusão.
- Mas você está aqui, eu posso te tocar - cutucou-lhe o braço para demonstrar - então é realidade!
- Uma realidade bem boa por sinal - olhou para ela com cara safada.
- Por que tá me olhando assim? Tem alguma coisa em mim? Um bicho? Tira, tira! - ela indicava o início de uma crise histérica.
- Calma garota! Não tem nada em você! É que... eu... eu queria...
- Não me mata de curiosidade! - voltou a suar frio, e as borboletas no estômago tornaram a rondá-los.
- Eu quero falar com você em particular - ela olhou por todos os lados no corredor.
- Mas nós estamos sozinhos.
- Tá, mas esse não é o lugar - pegou-a pela mão, e quase a arrastou - vem comigo.
Percorreram um considerável caminho pelos bastidores do show, em um silêncio massacrante, como se o silêncio estivesse acompanhando-os há muito tempo, desde antes de se conhecerem. Entraram em uma sala, que parecia ser um pequeno almoxarifado, e a luz era fraca, mas suficiente para que se enxergassem nitidamente.
- O que você queria me falar?
- Eu, acho q-que... - passou uma das mãos sobre o cabelo desajeitado e com a outra puxou-a para mais perto de si, deixando que suas respirações se entrelaçassem docemente - eu não sei o que eu queria te dizer mas sei o que eu quero fazer.
Com medo do que podia acontecer, mas segura por estar ali deixou que ele a conduzisse, tocando seus lábios lentamente, e aquecendo-a de um jeito gostoso. Entrelaçou os braços por seu pescoço, e foi erguida a alguns centímetros do solo. Entregaram-se a um beijo simples, mas com amor. Um amor estranho, mas verdadeiro.


- MUITO OBRIGADO LAS VEGAS! - gritaram em conjunto, de mãos dadas e erguidas o mais alto possível.
Ouviram-se os gritos da platéia fervorosa, o carinho estava descrito apenas nos fãs cantando e na banda se entregando.
- Esperem pessoal... - pegou um microfone correndo e foi para trás do palco, voltando logo em seguida, trazendo consigo - Pessoal essa é a , ou melhor, - empurrou-a um pouco a frente, mostrando aos fãs. As luzes foram focadas nela, fazendo-a corar levemente, e sentir o vento de verão bagunçar seus longos cabelos, fazendo-a puxar uma mexa para frente e pentear os fios com a mão.
- Ah sim, valeu cara - falou sorrindo sincero - pessoal, essa é a . Ela ganhou a promoçã...
- Cala a boca cara. Não era isso que eu ia falar - empurrou de leve o amigo antes que terminasse a frase, olhando para com um jeito pervertido, o que a fez corar ainda mais. Aproximou-se devagar, sem medo do que poderia acontecer. Parou a poucos milímetros de sua boca, fazendo com que o sangue gelasse, pegou seu queixo gentilmente, levantando-o a altura ideal para um beijo.
selou de leve os lábios dos dois, mas escorregou o desejo para o ouvido da garota, sussurrando lentamente, sem que ninguém mais ouvisse - essa noite você é minha!




FIM




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