O Que É Pra Ser, Será
Autora: Babi Lorentz
Status: Finalizada
Revisada por: Juh
Categoria: Free Fics
Sub-Categoria: Romance - ShortFic
Comentários:
INTRODUÇÃO
Por que chorar por ele sendo que eu poderia estar sorrindo para mim?
Por que sofrer por não tê-lo sendo e não me alegrar por ter-me livrado dele?
Auto flagelação. Eu só poderia mesmo ser uma completa masoquista.
É prazeroso sentir dor? Sentir seu coração se quebrando em mil pedacinhos? Ficar apenas se lamentando pelo que não tem?
Digam-me, por favor, isso é mesmo prazeroso?
Porque, sinceramente, eu não sentia prazer algum. Mas algo parecia me obrigar a gostar daquilo, ansiar por aquilo. Na verdade, a única parte prazerosa da dor é o início dela. Bem, não o início, mas o que leva a dor a acontecer. E esse caminho pra dor, pra mim, era a paixão.
Ou seria apenas uma ânsia pela paixão?
Seria eu viciada em me apaixonar?
EXPLICAÇÃO
Chase, Richard, James, Bob, Paul, Frank e, por último, .
Ele era quem eu considerava responsável pelo meu último sofrimento.
Sim, sofri por causa dele. E, antes de saber o que significava, pensava ter sofrido por amor.
Conheci Chase quando fazia a segunda série do Ensino Fundamental. Ele me deu um selinho e disse que ia se casar comigo. No outro dia, fez a mesma coisa com minha até então melhor amiga. Essa foi a primeira vez que partiram meu coração. E eu sofri.
Richard estudava comigo na quarta série. Na festa de aniversário dele, ele me pediu um beijo de presente. Eu o fiz e, logo depois, ele saiu falando para todos os garotos que eu beijava mal. Meu primeiro beijo, com o cara que eu gostava, foi um desastre. Sofri.
James, bem... James foi meu primeiro namoradinho. Estávamos na quinta série e ele foi cruel. Terminou comigo depois de três semanas, sem explicações, e eu, mais uma vez, sofri.
Bob foi meu primeiro namorado sério – em casa. Ficamos juntos por dois meses até que o desgraçado me traiu. Eu, lógico, descobri. E, de novo, sofri.
Paul tirou minha virgindade. Ele tinha 22 anos e eu 15. Foi um caso de uma noite só. E eu sofri por isso.
Frank e eu namoramos por um ano. Terminamos porque ele dizia não mais gostar de mim. E, adivinhe? Sofri de novo!
Então, quando eu completei 18 anos, apareceu.
Apareceu quando eu mais precisava de alguém e se mostrou disposto a fazer parte de minha vida.
Éramos amigos, confidentes, conselheiros e amantes, mas nunca namorados.
Ele não queria um relacionamento sério.
No início, eu também não, mas, depois de um tempo, essa minha vontade de estar junto a alguém – no caso, ele – passou a ser incontrolável.
Saíamos sempre juntos, andávamos de mãos dadas, ficávamos em festas, restaurantes, bares, pubs, boates, shows, cinema, teatro... Viajávamos juntos. Passamos um fim de semana incrível nas montanhas!
Depois de três meses assim, sem um relacionamento que mais parecia um namoro, quando ele passou na minha turma da faculdade para me esperar para que pudesse me dar carona até em casa e me deu um selinho enquanto ríamos de algo que conversávamos, veio a pergunta:
- Vocês são namorados?
Eu o abracei pela cintura e, juntos, respondemos que não.
Então, a pessoa que havia perguntado, saiu dando risadinhas e a escutamos comentando com a colega:
- Mas vão ser!
No mesmo dia nosso caso acabou.
E, depois de quatro meses sem trocarmos um beijo, eu ainda sentia falta e estava sofrendo.
PENSAMENTOS
O vício está diretamente ligado ao prazer. Se você sente prazer ao realizar uma tarefa, e sempre tem vontade de realizá-la, você é viciado.
Desde a segunda série, quando o Chase me deu um beijinho, comecei a gostar do sentimento que antecede o beijo significativo – o gostar de alguém. Mesmo que eu sofresse no fim, o legal, pra mim, era o início de tudo: o estar apaixonada.
Eu li que a paixão tem prazo de validade: três anos. Se depois desses três anos você ainda sentir algo pela pessoa, parabéns! Você está amando!
Nunca cheguei ao estágio do amor, apesar de ter querido que isso acontecesse com .
Por isso eu o culpava de ter me feito sofrer. Poxa! Ele é o . Não é o Chase, nem o Bob, nem o Frank ou o Paul! É o . E eu não queria que ele fosse mais um, queria que ele fosse o cara, que fizesse a diferença.
Infelizmente não posso escolher. Seria fácil viver por escolhas. E a vida, bem... O que seria da vida, se nela não houvesse desafios?
ARRUMAÇÃO
Dois anos se passaram desde que me dera um “pé na bunda”. Tentei voltar para ele, tentei mostrar que era certo ficarmos juntos, fiz o possível e o impossível e não consegui.
Aí apareceu o Harold, colocando minha vida nos eixos. Ficamos no início do ano passado e terminamos amigavelmente na semana passada. Por incrível que pareça, eu não sofri. Éramos amigos demais para ficarmos juntos, por isso o fim foi inevitável.
E, ontem, me procurou.
Ele ficou todo esse tempo solteiro. Curtido sua quista e bela solteirice. Ser lindo e gente fina é privilégio para poucos. E é privilegiado.
- Queria te chamar pra sair – me disse ao telefone.
- Por que não chama? – Eu ri e ele me acompanhou.
- Passo aí às nove. Você ainda mora no mesmo lugar, né?
- Sim. Vou te esperar.
Isso era um encontro?
Às nove da noite, escutei uma buzina. Pontual como sempre.
E ele ainda estava com o Uno vermelho do irmão. É. Depois de dois anos ele ainda estava com o mesmo carro. Provavelmente o irmão havia passado pra ele, já que eu sempre via o meu ex-quase-cunhado dirigindo um Palio. Antes de descer, me olhei mais uma vez no espelho, checando minha roupa, maquiagem e sapatos.
Passei por meus pais na sala – pois eu ainda morava com eles – e pude perceber que eles me olhavam.
- Algum motivo especial? – Mamãe perguntou.
- Não, mamãe. Só vou sair com um amigo. – Sorri e me virei de novo para a porta.
- Hum... – Ela parecia interessada – Que amigo?
- Ah! – Abri a porta – É só o .
Pude escutar papai engasgando com o copo d’água enquanto seguia o caminho pro portão.
Ele tinha motivo para isso: Enquanto eu sofria por , toda a família sofreu. Principalmente papai, que sempre foi muito grudado em mim. A melhor coisa que me acontecera nos últimos dois anos, para ele, foi ter conhecido Harold. Por mais que fosse o genro dos sonhos, afinal torcia pro mesmo time do papai, diferente de Harold, que torcia pro time rival, ele odiava ver a filha sofrendo. E me fizera sofrer. Papai, com certeza, não gostaria de passar por isso novamente.
Quando abri o portão, estava escorado no carro. Usava calça jeans e, graças ao meu bom Deus, trocara a regata por uma camisa preta. E polo! Eu sorri e fui até ele, mexendo na gola:
- Você tá usando polo! – Murmurei, rindo.
- Ah, qual é? – Ele riu também. – Você não sabe como esse troço incomoda! – Abraçou-me, cheirando meu pescoço. – E você ta com o perfume que eu gosto.
Franzi meu nariz, afastando-me do abraço.
- Eu também gosto dele. – Olhei-o nos olhos antes de sair de perto dele, contornando o carro para entrar nele. – E então? Para onde vamos?
Ele riu.
- Entra aí. Depois eu te conto.
Entramos no carro e ele foi logo mexendo no som.
- Lembra dessa?
O funk da galinha começou a tocar e eu a rir.
- Fala sério, ! Você ainda tem isso?
Voltando um pouco, no dia em que ficamos, um pouco antes de ele me beijar, estávamos rindo do funk da galinha, que ele tinha como toque de celular.
- Tô brincando...
Ele riu e trocou a música. Relaxei ao perceber que Falamansa tocava (adivinha o que tocava durante nosso primeiro beijo? Não preciso nem dizer, né?). Deitei a cabeça no encosto da cadeira, fechando meus olhos e sorrindo fracamente. ligou o carro e, ao andarmos bastante em silêncio, virei o rosto pro lado esquerdo para olhá-lo.
Ele estava sério, como sempre ficava ao dirigir, com a mão direita no volante e a outra solta, batucando em sua perna no ritmo da música. Ele só trocava as mãos quando precisava passar a marcha.
Todas as suas manias continuavam as mesmas. Até a de colocar o carro em ponto morto ao passar na lombada e desligar o farol quando nos aproximávamos de cruzamentos.
Depois de um tempinho que pareceu uma eternidade para mim, ele virou o rosto pra direita e me encarou.
- O que foi?
- Nada.
Nós sorrimos.
Ele trocou a mão do volante, colocando a direita na minha perna.
Eu nada fiz. Queria que aquilo acontecesse.
Fechei os olhos e senti acariciando minha perna com o dedão.
Era como se nada nunca houvesse nos separado.
- Já posso saber para onde vamos?
- Hum, você já conhece o lugar.
Abri os olhos, encarando-o.
- E que lugar é? – Sorri.
- Forno a Lenha.
- Dessa vez, sem seus primos.
- É. Sem caricaturas também.
Na primeira vez que fomos àquela pizzaria, alguns de seus primos nos acompanharam. O mais velho deles era fera em fazer caricaturas. O resultado daquilo foi que a primeira foto que toda a família dele viu de mim, foi um desenho bem engraçado.
estacionou o carro e nós descemos. Deu-me a mão quando ficamos lado a lado e puxou a cadeira para que eu me sentasse quando chegamos à nossa mesa.
- Obrigada.
Ele apenas sorriu e se sentou à minha frente.
Tivemos uma noite agradabilíssima, rindo da última vez que estivemos ali e lembrando-nos de ótimos momentos que passamos juntos.
Ele ficou puto quando não o deixei beber sua tão amada cerveja.
- Você vai me levar pra casa depois. E eu pretendo chegar viva.
Só quando concordei a acompanhá-lo na água e coco, ele desistiu de beber.
Mais tarde, enquanto voltávamos, fomos parados numa blitz, na qual ele precisou passar pelo teste do bafômetro.
- Escutei alguma coisa? – Perguntei, assim que ele ligou o carro e seguimos o caminho.
- Obrigado.
- Foi um prazer.
Não demorou muito para ele parar em frente à minha casa.
Desligou o carro e me impediu de abrir a porta.
- Antes de você descer... – Ele respirou um pouco, dando-me oportunidade de interrompê-lo.
- Não fale nada que vá estragar nossa noite, por favor.
- Não, não! Não é pra estragar! – Ele sorriu, acalmando-me, e segurou minha mão. Antes de você ir, eu só preciso dizer que isso foi um encontro.
Sorri de volta para ele e aproximei meus lábios de seu rosto, dando-lhe um beijo estalado na bochecha.
- Boa noite.
Abri a porta e desci.
Ele não me procurou por uma semana.
E eu não fiquei apreensiva. Nem sofri, como pensei que aconteceria se algum dia ele voltasse a alimentar minhas ilusões e me abandonasse em seguida.
No sábado seguinte, meu telefone tocou.
- Passo na sua casa às nove.
E o ciclo começou a acontecer.
No sexto sábado ele não precisou ligar para que eu ficasse pronta para sair com ele às nove. Eu já sabia que ele me buscaria. E ele já sabia que eu saberia daquilo.
Meus pais já estavam acostumados, apesar de papai ainda ter receios porque, bem, eu estava saindo com .
Na sexta que antecedia o nono sábado, eu adoeci. Nem fui trabalhar.
No sábado, ao invés de me esperar lá fora, ele entrou.
Eu escondi meu rosto nas cobertas quando o vi entrar em meu quarto.
- Você não tá me vendo assim. – Murmurei.
- É. É meio difícil ver, já que você se esconde embaixo de suas cobertas.
Senti meu colchão afundar aos meus pés.
- Já deu nove horas? – Perguntei, ainda embaixo das cobertas.
- Em ponto. E eu trouxe um presente. – Ele tentava, delicadamente, puxar minhas cobertas.
Eu as travava.
- Que presente?
- Só te mostro quando te vir.
Continuamos nessa discussão por um tempo até que ele venceu. Eu deixei que ele me visse e ele me entregou minha caixa de Ferrero Rocher.
- Eu trouxe uns filmes.
- Como você sabia que eu não tava bem? – Franzi a testa ao perguntar.
Ele aproximou os lábios de minha orelha e sussurrou:
- Seu pai me contou.
- E por que você sussurrou? – Perguntei, no mesmo tom.
- Porque foi sua mãe quem me disse que seu pai havia pedido pra ela me procurar. Eles pediram para eu não te dizer.
Nós rimos e, depois de um tempo, ele se aconchegou em minha cama ao meu lado e passamos a noite assistindo filmes e comendo os chocolates que ele me trouxera.
Pouco antes das três da manhã ele foi embora.
No décimo sábado, quando eu abri o portão para sairmos, ele me olhou nos olhos, sorriu pra mim e grudou seus lábios aos meus. Nosso primeiro beijo, depois de um pouco mais de dois anos, aconteceu. E o beijo era exatamente como eu me lembrava. Arrepiava-me da cabeça aos pés. Seus braços matinham-se firmes em torno de minha cintura, embalando-me num abraço que tanto me fizera falta. O beijo chegou ao fim e ele passou seu queixo – com a barba por fazer – pelo meu pescoço, da maneira que sabia que eu gostava: eu havia assumido aquilo enquanto ainda ficávamos.
- ! – Tentei repreendê-lo.
Ele riu e continuou. Eu apenas pude me arrepiar.
- Desculpa pelo passado.
Eu pedi que ele se calasse.
- Não, . É sério. Eu não vou falar que eu não sabia do que eu tava fazendo, porque eu sabia. Eu tava sóbrio, eu sabia o que eu queria e o que eu não queria. E eu não queria um relacionamento sério na época.
- Sim, eu sei.
- Lembra-se de quanto eu falei que eu me casaria com minha próxima namorada?
- Lembro. – Afirmei, lembrando-me de quando ele me dissera aquilo, olhando-me profundamente nos olhos.
- Eu não estava e acredito que nem estou pronto para um casamento, mas eu sinto, . Eu sinto que você é a pessoa certa.
Dois anos se passaram e nós ainda estávamos juntos. Os três anos de paixão haviam se acabado. O único prazer que eu gostava de sentir era o de me apaixonar pelo mesmo cara todos os dias.
Eu não precisava mais sofrer.
Sweet as possible.
Adoro quando consigo escrever fics num dia e já enviá-las para a mão da beta.
Confesso que eu não prestei atenção nas aulas hoje por conta da fic e que eu deveria estar escrevendo It Was Better Knowing Nothing, mas simplesmente não consigo me concentrar nela, apesar de já conhecer a estória por completo. Parece haver algo que me impede.
Bem, ultimamente tenho escrito muitas shorts baseadas na minha vida. Na verdade, todas as minhas fics têm um pouco de mim. Não foi diferente com essa.
Foi rapidinha, mas não diria que ficou bobinha. Eu coloquei meus sentimentos nela.
Quero muito mesmo que vocês me digam o que acharam dela.
Obrigada desde já a cada um que leu e a cada um que comentou. Fico mesmo bem feliz.
Xx, Babi.
Volte ao topo para comentar!
Fechar a janela para voltar ao POP
Por que chorar por ele sendo que eu poderia estar sorrindo para mim?
Por que sofrer por não tê-lo sendo e não me alegrar por ter-me livrado dele?
Auto flagelação. Eu só poderia mesmo ser uma completa masoquista.
É prazeroso sentir dor? Sentir seu coração se quebrando em mil pedacinhos? Ficar apenas se lamentando pelo que não tem?
Digam-me, por favor, isso é mesmo prazeroso?
Porque, sinceramente, eu não sentia prazer algum. Mas algo parecia me obrigar a gostar daquilo, ansiar por aquilo. Na verdade, a única parte prazerosa da dor é o início dela. Bem, não o início, mas o que leva a dor a acontecer. E esse caminho pra dor, pra mim, era a paixão.
Ou seria apenas uma ânsia pela paixão?
Seria eu viciada em me apaixonar?
EXPLICAÇÃO
Chase, Richard, James, Bob, Paul, Frank e, por último, .
Ele era quem eu considerava responsável pelo meu último sofrimento.
Sim, sofri por causa dele. E, antes de saber o que significava, pensava ter sofrido por amor.
Conheci Chase quando fazia a segunda série do Ensino Fundamental. Ele me deu um selinho e disse que ia se casar comigo. No outro dia, fez a mesma coisa com minha até então melhor amiga. Essa foi a primeira vez que partiram meu coração. E eu sofri.
Richard estudava comigo na quarta série. Na festa de aniversário dele, ele me pediu um beijo de presente. Eu o fiz e, logo depois, ele saiu falando para todos os garotos que eu beijava mal. Meu primeiro beijo, com o cara que eu gostava, foi um desastre. Sofri.
James, bem... James foi meu primeiro namoradinho. Estávamos na quinta série e ele foi cruel. Terminou comigo depois de três semanas, sem explicações, e eu, mais uma vez, sofri.
Bob foi meu primeiro namorado sério – em casa. Ficamos juntos por dois meses até que o desgraçado me traiu. Eu, lógico, descobri. E, de novo, sofri.
Paul tirou minha virgindade. Ele tinha 22 anos e eu 15. Foi um caso de uma noite só. E eu sofri por isso.
Frank e eu namoramos por um ano. Terminamos porque ele dizia não mais gostar de mim. E, adivinhe? Sofri de novo!
Então, quando eu completei 18 anos, apareceu.
Apareceu quando eu mais precisava de alguém e se mostrou disposto a fazer parte de minha vida.
Éramos amigos, confidentes, conselheiros e amantes, mas nunca namorados.
Ele não queria um relacionamento sério.
No início, eu também não, mas, depois de um tempo, essa minha vontade de estar junto a alguém – no caso, ele – passou a ser incontrolável.
Saíamos sempre juntos, andávamos de mãos dadas, ficávamos em festas, restaurantes, bares, pubs, boates, shows, cinema, teatro... Viajávamos juntos. Passamos um fim de semana incrível nas montanhas!
Depois de três meses assim, sem um relacionamento que mais parecia um namoro, quando ele passou na minha turma da faculdade para me esperar para que pudesse me dar carona até em casa e me deu um selinho enquanto ríamos de algo que conversávamos, veio a pergunta:
- Vocês são namorados?
Eu o abracei pela cintura e, juntos, respondemos que não.
Então, a pessoa que havia perguntado, saiu dando risadinhas e a escutamos comentando com a colega:
- Mas vão ser!
No mesmo dia nosso caso acabou.
E, depois de quatro meses sem trocarmos um beijo, eu ainda sentia falta e estava sofrendo.
PENSAMENTOS
O vício está diretamente ligado ao prazer. Se você sente prazer ao realizar uma tarefa, e sempre tem vontade de realizá-la, você é viciado.
Desde a segunda série, quando o Chase me deu um beijinho, comecei a gostar do sentimento que antecede o beijo significativo – o gostar de alguém. Mesmo que eu sofresse no fim, o legal, pra mim, era o início de tudo: o estar apaixonada.
Eu li que a paixão tem prazo de validade: três anos. Se depois desses três anos você ainda sentir algo pela pessoa, parabéns! Você está amando!
Nunca cheguei ao estágio do amor, apesar de ter querido que isso acontecesse com .
Por isso eu o culpava de ter me feito sofrer. Poxa! Ele é o . Não é o Chase, nem o Bob, nem o Frank ou o Paul! É o . E eu não queria que ele fosse mais um, queria que ele fosse o cara, que fizesse a diferença.
Infelizmente não posso escolher. Seria fácil viver por escolhas. E a vida, bem... O que seria da vida, se nela não houvesse desafios?
ARRUMAÇÃO
Dois anos se passaram desde que me dera um “pé na bunda”. Tentei voltar para ele, tentei mostrar que era certo ficarmos juntos, fiz o possível e o impossível e não consegui.
Aí apareceu o Harold, colocando minha vida nos eixos. Ficamos no início do ano passado e terminamos amigavelmente na semana passada. Por incrível que pareça, eu não sofri. Éramos amigos demais para ficarmos juntos, por isso o fim foi inevitável.
E, ontem, me procurou.
Ele ficou todo esse tempo solteiro. Curtido sua quista e bela solteirice. Ser lindo e gente fina é privilégio para poucos. E é privilegiado.
- Queria te chamar pra sair – me disse ao telefone.
- Por que não chama? – Eu ri e ele me acompanhou.
- Passo aí às nove. Você ainda mora no mesmo lugar, né?
- Sim. Vou te esperar.
Isso era um encontro?
Às nove da noite, escutei uma buzina. Pontual como sempre.
E ele ainda estava com o Uno vermelho do irmão. É. Depois de dois anos ele ainda estava com o mesmo carro. Provavelmente o irmão havia passado pra ele, já que eu sempre via o meu ex-quase-cunhado dirigindo um Palio. Antes de descer, me olhei mais uma vez no espelho, checando minha roupa, maquiagem e sapatos.
Passei por meus pais na sala – pois eu ainda morava com eles – e pude perceber que eles me olhavam.
- Algum motivo especial? – Mamãe perguntou.
- Não, mamãe. Só vou sair com um amigo. – Sorri e me virei de novo para a porta.
- Hum... – Ela parecia interessada – Que amigo?
- Ah! – Abri a porta – É só o .
Pude escutar papai engasgando com o copo d’água enquanto seguia o caminho pro portão.
Ele tinha motivo para isso: Enquanto eu sofria por , toda a família sofreu. Principalmente papai, que sempre foi muito grudado em mim. A melhor coisa que me acontecera nos últimos dois anos, para ele, foi ter conhecido Harold. Por mais que fosse o genro dos sonhos, afinal torcia pro mesmo time do papai, diferente de Harold, que torcia pro time rival, ele odiava ver a filha sofrendo. E me fizera sofrer. Papai, com certeza, não gostaria de passar por isso novamente.
Quando abri o portão, estava escorado no carro. Usava calça jeans e, graças ao meu bom Deus, trocara a regata por uma camisa preta. E polo! Eu sorri e fui até ele, mexendo na gola:
- Você tá usando polo! – Murmurei, rindo.
- Ah, qual é? – Ele riu também. – Você não sabe como esse troço incomoda! – Abraçou-me, cheirando meu pescoço. – E você ta com o perfume que eu gosto.
Franzi meu nariz, afastando-me do abraço.
- Eu também gosto dele. – Olhei-o nos olhos antes de sair de perto dele, contornando o carro para entrar nele. – E então? Para onde vamos?
Ele riu.
- Entra aí. Depois eu te conto.
Entramos no carro e ele foi logo mexendo no som.
- Lembra dessa?
O funk da galinha começou a tocar e eu a rir.
- Fala sério, ! Você ainda tem isso?
Voltando um pouco, no dia em que ficamos, um pouco antes de ele me beijar, estávamos rindo do funk da galinha, que ele tinha como toque de celular.
- Tô brincando...
Ele riu e trocou a música. Relaxei ao perceber que Falamansa tocava (adivinha o que tocava durante nosso primeiro beijo? Não preciso nem dizer, né?). Deitei a cabeça no encosto da cadeira, fechando meus olhos e sorrindo fracamente. ligou o carro e, ao andarmos bastante em silêncio, virei o rosto pro lado esquerdo para olhá-lo.
Ele estava sério, como sempre ficava ao dirigir, com a mão direita no volante e a outra solta, batucando em sua perna no ritmo da música. Ele só trocava as mãos quando precisava passar a marcha.
Todas as suas manias continuavam as mesmas. Até a de colocar o carro em ponto morto ao passar na lombada e desligar o farol quando nos aproximávamos de cruzamentos.
Depois de um tempinho que pareceu uma eternidade para mim, ele virou o rosto pra direita e me encarou.
- O que foi?
- Nada.
Nós sorrimos.
Ele trocou a mão do volante, colocando a direita na minha perna.
Eu nada fiz. Queria que aquilo acontecesse.
Fechei os olhos e senti acariciando minha perna com o dedão.
Era como se nada nunca houvesse nos separado.
- Já posso saber para onde vamos?
- Hum, você já conhece o lugar.
Abri os olhos, encarando-o.
- E que lugar é? – Sorri.
- Forno a Lenha.
- Dessa vez, sem seus primos.
- É. Sem caricaturas também.
Na primeira vez que fomos àquela pizzaria, alguns de seus primos nos acompanharam. O mais velho deles era fera em fazer caricaturas. O resultado daquilo foi que a primeira foto que toda a família dele viu de mim, foi um desenho bem engraçado.
estacionou o carro e nós descemos. Deu-me a mão quando ficamos lado a lado e puxou a cadeira para que eu me sentasse quando chegamos à nossa mesa.
- Obrigada.
Ele apenas sorriu e se sentou à minha frente.
Tivemos uma noite agradabilíssima, rindo da última vez que estivemos ali e lembrando-nos de ótimos momentos que passamos juntos.
Ele ficou puto quando não o deixei beber sua tão amada cerveja.
- Você vai me levar pra casa depois. E eu pretendo chegar viva.
Só quando concordei a acompanhá-lo na água e coco, ele desistiu de beber.
Mais tarde, enquanto voltávamos, fomos parados numa blitz, na qual ele precisou passar pelo teste do bafômetro.
- Escutei alguma coisa? – Perguntei, assim que ele ligou o carro e seguimos o caminho.
- Obrigado.
- Foi um prazer.
Não demorou muito para ele parar em frente à minha casa.
Desligou o carro e me impediu de abrir a porta.
- Antes de você descer... – Ele respirou um pouco, dando-me oportunidade de interrompê-lo.
- Não fale nada que vá estragar nossa noite, por favor.
- Não, não! Não é pra estragar! – Ele sorriu, acalmando-me, e segurou minha mão. Antes de você ir, eu só preciso dizer que isso foi um encontro.
Sorri de volta para ele e aproximei meus lábios de seu rosto, dando-lhe um beijo estalado na bochecha.
- Boa noite.
Abri a porta e desci.
Ele não me procurou por uma semana.
E eu não fiquei apreensiva. Nem sofri, como pensei que aconteceria se algum dia ele voltasse a alimentar minhas ilusões e me abandonasse em seguida.
No sábado seguinte, meu telefone tocou.
- Passo na sua casa às nove.
E o ciclo começou a acontecer.
No sexto sábado ele não precisou ligar para que eu ficasse pronta para sair com ele às nove. Eu já sabia que ele me buscaria. E ele já sabia que eu saberia daquilo.
Meus pais já estavam acostumados, apesar de papai ainda ter receios porque, bem, eu estava saindo com .
Na sexta que antecedia o nono sábado, eu adoeci. Nem fui trabalhar.
No sábado, ao invés de me esperar lá fora, ele entrou.
Eu escondi meu rosto nas cobertas quando o vi entrar em meu quarto.
- Você não tá me vendo assim. – Murmurei.
- É. É meio difícil ver, já que você se esconde embaixo de suas cobertas.
Senti meu colchão afundar aos meus pés.
- Já deu nove horas? – Perguntei, ainda embaixo das cobertas.
- Em ponto. E eu trouxe um presente. – Ele tentava, delicadamente, puxar minhas cobertas.
Eu as travava.
- Que presente?
- Só te mostro quando te vir.
Continuamos nessa discussão por um tempo até que ele venceu. Eu deixei que ele me visse e ele me entregou minha caixa de Ferrero Rocher.
- Eu trouxe uns filmes.
- Como você sabia que eu não tava bem? – Franzi a testa ao perguntar.
Ele aproximou os lábios de minha orelha e sussurrou:
- Seu pai me contou.
- E por que você sussurrou? – Perguntei, no mesmo tom.
- Porque foi sua mãe quem me disse que seu pai havia pedido pra ela me procurar. Eles pediram para eu não te dizer.
Nós rimos e, depois de um tempo, ele se aconchegou em minha cama ao meu lado e passamos a noite assistindo filmes e comendo os chocolates que ele me trouxera.
Pouco antes das três da manhã ele foi embora.
No décimo sábado, quando eu abri o portão para sairmos, ele me olhou nos olhos, sorriu pra mim e grudou seus lábios aos meus. Nosso primeiro beijo, depois de um pouco mais de dois anos, aconteceu. E o beijo era exatamente como eu me lembrava. Arrepiava-me da cabeça aos pés. Seus braços matinham-se firmes em torno de minha cintura, embalando-me num abraço que tanto me fizera falta. O beijo chegou ao fim e ele passou seu queixo – com a barba por fazer – pelo meu pescoço, da maneira que sabia que eu gostava: eu havia assumido aquilo enquanto ainda ficávamos.
- ! – Tentei repreendê-lo.
Ele riu e continuou. Eu apenas pude me arrepiar.
- Desculpa pelo passado.
Eu pedi que ele se calasse.
- Não, . É sério. Eu não vou falar que eu não sabia do que eu tava fazendo, porque eu sabia. Eu tava sóbrio, eu sabia o que eu queria e o que eu não queria. E eu não queria um relacionamento sério na época.
- Sim, eu sei.
- Lembra-se de quanto eu falei que eu me casaria com minha próxima namorada?
- Lembro. – Afirmei, lembrando-me de quando ele me dissera aquilo, olhando-me profundamente nos olhos.
- Eu não estava e acredito que nem estou pronto para um casamento, mas eu sinto, . Eu sinto que você é a pessoa certa.
Dois anos se passaram e nós ainda estávamos juntos. Os três anos de paixão haviam se acabado. O único prazer que eu gostava de sentir era o de me apaixonar pelo mesmo cara todos os dias.
Eu não precisava mais sofrer.
FIM
Sweet as possible.
Adoro quando consigo escrever fics num dia e já enviá-las para a mão da beta.
Confesso que eu não prestei atenção nas aulas hoje por conta da fic e que eu deveria estar escrevendo It Was Better Knowing Nothing, mas simplesmente não consigo me concentrar nela, apesar de já conhecer a estória por completo. Parece haver algo que me impede.
Bem, ultimamente tenho escrito muitas shorts baseadas na minha vida. Na verdade, todas as minhas fics têm um pouco de mim. Não foi diferente com essa.
Foi rapidinha, mas não diria que ficou bobinha. Eu coloquei meus sentimentos nela.
Quero muito mesmo que vocês me digam o que acharam dela.
Obrigada desde já a cada um que leu e a cada um que comentou. Fico mesmo bem feliz.
Xx, Babi.

