Os Marinheiros Sempre Retornam ao Mar
Autora: Babi Lorentz
Status: Finalizada
Revisada por: Babi Lorentz
Categoria: Free Fics
Sub-Categoria: Suspense, Shortfic
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Era um pequeno marinheiro com sua blusa de gola e seu gorro, na rua deserta que a madrugada já tornava lívida. Talvez não fosse tão pequeno, a solidão da rua é que o fazia menor entre os altos edifícios.
Aproximou-se de uma grande porta e bateu com o nó dos dedos. Ninguém abriu. Depois de uma pausa, voltou a bater.
- Estávamos à sua espera. – Uma mulher, com um longo vestido vermelho e decotado, disse assim que abriu a porta para ele. – Seus pais te aguardam na sala de estar.
- Não dia “seus pais” como se você também não fosse filha deles, . – Tirou seu gorro e bateu a porta. Foi até a sala, abraçando sua mãe com carinho.
- Sentimos sua falta, . Prometa-me que não voltará para lá.
- Perdão, mamãe. Infelizmente não posso prometer-lhe nada. – Olhou o pai, que sorria. – Papai. – Acenou com a cabeça, voltando a abraçar sua mãe. Olhou em volta, procurando sua irmã. – Como vai ? Percebo que ainda se recusa a chamá-los de pais.
- Ela descobriu que é adotada.
- Eu sei. E eu também sou, nem por isso os desrespeito.
Sentou-se num sofá com a mãe, de frente à poltrona do pai.
- Queria entendê-la. – Sua mãe declarou. – Ela era tão carinhosa conosco, ...
- Eu sei, mamãe.
- Revoltou-se quando você embarcou. – Seu pai disse.
- Eu teria ficado se não fosse importante.
- Nós sabemos.
- Vou falar com ela. – Beijou a testa de sua mãe e subiu as escadas, indo até o quarto de , que estava com a porta aberta.
- ? – Chamou-a pelo apelido. Não obteve resposta. – ?
- Quer fazer o favor de sair do meu quarto, ?
- Perdão... – Ele virou as costas e já ia se afastando, quando sentiu as mãos da irmã em seus ombros. Virou-se, encarando os lindos olhos amendoados que apenas ela tinha naquela casa.
Ela o abraçou, sentindo seu perfume – aquele que ela mais gostava e que tanto sentia falta. tinha cheiro de praia e menta. Nenhum outro perfume comparava-se àquele.
- Desculpe-me ter agido assim com eles...
- Nossos pais. – a interrompeu.
- Seus pais. – Ela firmou as palavras. – Meus olhos não mentem. Você se mistura a eles, com seus olhos verdes. Os meus são meramente amendoados. – Ela riu. – , sempre gostei muito de você e temia nunca poder tê-lo por sermos irmãos.
deu um passo para trás, franzindo a testa.
- Nós somos irmãos, .
- Mas eu amo você, , não me entende?
- Não, eu não entendo. Isso é doentio.
- Eu sofri quando você foi porque acabara de descobrir que não éramos irmãos!
- Você é louca!
- Por você.
- Eu vou me casar. Gostaria de vê-la em meu casamento. Como minha irmã.
- Não somos irmãos.
- Fomos criados assim, acostume-se.
- Já tentei!
- Tente mais um pouco. – Dito isso, saiu do quarto, deixando sozinha.
O dia seguinte amanheceu sombrio. Foi encontrado um corpo na praia. tinha a palavra “” escrita à faca em seu braço. Morreu afogada durante a noite. Se ela não o tinha, não havia motivos para continuar a viver. Ela pensou que ele não se importaria.
era um marinheiro. Os marinheiros sempre retornam ao mar. Ele nunca se esqueceria daquilo.
FIM
n/a: Olá, garotas! Mais uma fic minha. Na verdade, não era pra ser fiction. A escrevi para uma atividade avaliativa de LPT (Leitura e Produção Textual) que precisava entregar hoje. Gostei tanto e achei tão diferente do meu comum, que resolvi enviá-la. Espero que também gostem ^^
Os dois primeiros parágrafos não são meus. São do Rubem Braga. Mas como a atividade precisava começar assim, deixei o texto original para enviar pra cá.
Beijos
Babi.

