Pinch me, ‘Cause I must be dreaming!
Autora: Nana B.
Status: Em Andamento
Revisada por: Lui Caminada
Categoria: McFly Fics
Sub-Categoria: Aventura/Comédia - Long Fic
Comentários:
Química. Por que diabos precisamos aprender isso?
Geometria, então.
Se um dia eu virar caixa de Super Mercado, vou usar a geometria onde? Pra saber a vértice da caixa de Omo de cada cliente? Pra saber traçar o plano cartesiano de uma caixa de leite? Enfim, tudo inútil. Mas são coisas inúteis das quais estou atolada de deveres.
- Tô subindo. - avisei a minha mãe, assim que cheguei em casa e subi para meu quarto com a mochila nas costas. Não demorou muito e eu já estava debruçada nos livros, usando meu estojo como apoio para a cabeça enquanto lia pela quarta vez a mesma frase...
"A equação reduzida da circunferência que tem raio R=2 e centro C(-1, 1/2) é obtida substituindo..."
Senti um solavanco e um frio na barriga. Arregalei os olhos na mesma hora, esperando me encontrar jogada no chão do meu quarto. Mas o que eu vi foi uma coisa completamente diferente.
Algo completamente longe da realidade porém, real demais para ser produto da minha imaginação de quem desenha apenas bonecos de pauzinho.
Eu caía por um buraco, não tão escuro graças ao feixe de luz que vinha de cima, e ao olhar para cima, pude constatar ser o meu quarto. Visto de baixo.
Espera, eu estava caindo por dentro do meu quarto? Estava em baixo dele? E esse buraco desgraçado de grande, de onde tinha surgido?
Pois é, o buraco não era tão escuro, mas o que não tinha de escuro, ele tinha de grande e comprido. Era revestido de um papel de parede floral e cheio de relógios cuco. Eu sempre fui louca por um desses, mas o que ganhei foi um relógio digital da Turma da Mônica.
Os ponteiros dos mesmos giravam loucamente, dando a impressão de que eu caía demasiado devagar. Porém os meus olhos secos, ardendo, minha boca aberta e meus cabelos completamente para cima denunciavam o contrário.
Tive a impressão de estar caindo por quase uma hora. Quando meus pés tocaram o chão firme e eu senti aquela tão conhecida dor na planta dos pés.
- AAAAAI! - berrei, aproveitando minha solidão. Minha mãe certamente não apareceria por aquela porta perguntando se eu tinha algum problema, então eu berrei de novo.
- AAAAI! MERDA DE DOR! MERDA DE BURACO! MERDA DE CUCO! - e continuei praguejando, até que me dei conta de que:
Primeiro: Eu tinha acabado de cair de uma altura muito maior do que as torres gêmeas do World Trade Center e estava viva.
Segundo: Eu tinha passado por diversos Cucos e não roubei nenhum.
Terceiro: Se tudo isso estava acontecendo, as probabilidades da minha mãe aparecer por aquela porta gritando comigo eram realmente grandes.
Espera... Por aquela porta?
Caminhei em direção a porta, dando graças a Deus por não ter desligado a luz e ido dormir. Porque caso o tivesse feito, estaria num completo escuro, agora.
Segurei na maçaneta e a girei com força, quase caindo para trás. Quando alguém gemeu.
- Com delicadeza, mocinha. Onde estão seus modos?
Não precisei de muito pra saber que deveria estar com uma cara muito espantada. O muxoxo que a maçaneta deu foi o suficiente pra mostrar que minha expressão não era das melhores.
- Oh, me desculpe. Eu não...
- Eu não... Você não... Nós não... É o que todos dizem, senhorita. Estou cansado desta baboseira. Apresse-se e diga a senha.
- Senha? - Ouvi minha voz sair rouca e falha. - E se eu não souber a senha?
A maçaneta me olhou desconfiada. E se não fosse eu aqui, internaria qualquer um que dissesse "A maçaneta me olhou desconfiada". Na verdade, estou cogitando a hipótese de me internar assim que conseguir sair daqui.
- E se você não souber a senha, você me pergunta? Mas que pergunta descabida, criança! Não vai além deste salão, oras.
Foi quando notei que estava numa espécie de saguão. Tinha algumas mesas e um balcão que lembrava uma recepção de hotel de filmes interioranos.
- Mas eu não quero ir além. Eu nem queria estar aqui.
- É o que todos dizem, senhorita. - ele repetiu, enquanto eu dava algumas voltas em torno do meu próprio corpo, na esperança de achar uma saída.
- Se eu disser que estou ficando louca, você vai dizer que é o que todos dizem também?
- Certamente que sim.
Bufei e cruzei os braços, numa atitude completamente infantil.
- Eu não sei a senha. - disse por fim, evitando encarar a maçaneta, que soltou seu típico:
- É o que todos dizem, senhorita. Trate de esperar, junto àqueles rapazes, logo mais a frente. - Rapazes? Mais a frente? Então quer dizer que eu não estou sozinha aqui?
- Eu não estou sozinha aqui?
- Não. Creio que eu seja alguém. - a maçaneta retrucou, revirando os olhos.
- Digo, alguém de carne e osso. - acho que ofendi a maçaneta, porque ela me lançou um olhar cortante. - Não que eu tenha algo contra os de ferro.
- Prata. - ele me corrigiu. - Mais a frente, senhorita. - continuou aquele ser bizarro. Só então eu notei que aquela porta não era o limite do salão. Ele tinha mais alguns metros para trás.
- Mas se eu for para lá, estarei indo para trás. - contrapus, levando as mãos à cintura.
- Não do meu ponto de vista.
Certo. Um a Zero para o Mr. Maçaneta.
Girei meu corpo para trás e ameacei começar a caminhar. Isso, ameacei. Porque após conversar com uma maçaneta não sei de mais nada. Nem se sei andar.
- Mas não tem nada que vá para cima? - indaguei, tornando a virar meu corpo para a porta. A qual, para meu alívio, não tinha sumido como em livros infantis. Permanecia ali, sólida e mal-humorada.
- Não. Só pra frente, trás e lados.
- Nenhum elevador? Em que mundo vocês vivem? - soltei, incrédula. Qual é, maçaneta falante e nada de elevador? Ele abriu a boca pra retrucar, mas eu fui mais rápida.
- Mais à frente. Já sei. Já sei.
Andei um pouco para trás e pude reconhecer vozes masculinas ao final do corredor. Apertei o passo, ouvindo coros de aleluia a medida que meus passos se tornavam mais decididos em direção ao final do corredor.
- Mas você é muito burro mesmo. Não vê que aqui diz claramente "Armadilha para troxas"? - Voz conhecida a poucos metros. Isso é uma coisa boa, certo?
Não.
- Mas aí está escrito: Beba-me.
- Cala a boca, Danny.
- Dougie, você não pode beber algo só porque esse algo está pedindo. Não num lugar como este.
- Tom, larga de ser paranóico. A Alice do livro bebeu e não aconteceu nada. - eliminei mais alguns passos, finalmente me encontrando com os "rapazes" que a maçaneta havia me avisado.
- Mas ela é do livro. Nós somos pessoas de verdade, astros do Rock. Imagine quantas fãs ficarão decepcionadas quando descobrirem que o Little Poynter ficou ainda mais "little"?
- Mas quando ela bebe, ela cresce, Tom. - Harry interviu, mostrando seu saber no quesito "contos de fadas". Embora estivesse errado: Beber o faria diminuir.
- Crescer? Vai que é tua, Poynter! - riu Danny, esticando os braços no ar, num ato de comemoração.
- Que seja. Mesmo assim, não vamos ter um gigante na banda. De jeito nenhum. E cala a boca, Danny.
- Quanta tensão, Guys... - Coragem? Eu tenho isso?
- O Tom só está mal-humorado porque ele tentou abrir a porta lá da frente com as chaves do mini dele, e ela as engoliu. - respondeu Daniel Alan David Jones, sem me encarar. Só notando depois, assim como os demais, que havia outro alguém ali. Todos se viraram para me encarar, e eu senti meu sangue todo se concentrar nas bochechas, que deveriam estar quase roxas no momento.
- Quem é você? - Poynter, Mr. Educação, deu o ar da graça antes de qualquer um. Saindo de perto de Tom, sem que este tirasse a garrafinha de suas mãos e vindo em minha direção.
- Meu nome é . . - Soltei a típica apresentação "James Bonde Wannabe" e estiquei a mão para cumprimentá-lo. Não que eu fizesse isso com frequência. Porque veja bem, eu não faço. Mas se estamos num sonho, eu não tenho nada a perder. Tenho?
Pois é, deduzi que isto é um sonho.
- Isto é um sonho, certo? - perguntou Tom, esperançoso, e eu me virei para ele.
- Deduzo que sim. Aliás, a Alice de quem vocês estavam falando agora a pouco... Era "Alice in Wonderland"?
- Sim. O Tom não quer me deixar beber isso, porque acha que é veneno pra troxas que acham que estão em Wonderland. - preciso admitir que o Tom tem razão. E se o Poynter morrer?
- É melhor do que ficar parado aqui, sendo que temos um show no Japão amanhã. - Japão? Tipo, outro lado do mundo?
- O que você acha, ? Eu estou certo, não estou? - Eles se sentem a vontade rápido demais para o meu gosto.
- Como vocês chegaram aqui? - me pareceu mais inteligente não apoiar nenhuma das causas e mudar o rumo da discussão.
- Eu estava deitado nas cadeiras do aeroporto, esperando o avião para o Japão, e quando vi, já estava caindo. - Danny me respondeu com uma expressão confusa. - Não lembro de ter entrado em um buraco.
- Isso é porque a gente não entrou, gênio. - Harry deu um tapa na cabeça de Jones, já que estava mais perto.
- Mas eu caí por um. Você viu. Você estava lá. - ele apontou para Harry, que assentiu com a cabeça.
- Vocês chegaram aqui todos juntos? - perguntei, sentindo minha voz vacilar, assim que me dei conta de que estava numa sala com o McFly.
- Eu e o Jones chegamos primeiro. Logo depois apareceu o Dougie e por último o Tom. - explicou Judd, apontando para os amigos enquanto dizia os nomes. Como se eu não soubesse quem eles eram.
- Tá. Mas e o buraco? Onde entra na história? - Danny parecia ter cismado com o tal buraco. Já Tom, estava cismado com a porta, Dougie com o vidrinho, e queria crescer por algum motivo e o Harry não parecia ligar pra nada.
- Eu estava mexendo no notebook, também no aeroporto. Estava falando com uma brasileira no twitter.
- Eu tava sentado junto com o Danny, ouvindo Beatles. - nós todos olhamos para o Poynter, esperando que ele dissesse o que estava fazendo. Mas ele olhou para cima, fingindo não ver.
- Eu estava estudando química e... Pera, isso é um sonho. Muito real, mas é um sonho.
- Foi o que eu disse. Só não entendi porque estamos no mesmo sonho. - levamos as mãos ao queixo, numa atitude involuntária e muito bem ensaiada, para pensar.
- Oh gosh! Estou atrasada! - ouvi outra voz conhecida. Mas essa não era de nenhum Rockstar. Pelo contrário, era da minha melhor amiga, brasileira e sem qualquer fama de que eu estava falando.
- ? - perguntei, ao ver uma cabeça passando no que deveria ser o começo do corredor. Ela pareceu não me ouvir, porque continuou berrando que estava atrasada, e indo em direção à porta na qual tinhamos sido barrados.
- Falando nisso. Vocês sabem a senha? - indaguei, ao ver que minha amiga se aproximava da porta, consultando um relógio de ouro e sem nenhuma orelha. Graças a Merlin.
- Era isso que eu estava tentando conseguir, antes do Tom dar uma de super-protetor. - Dougie apontou para cima e eu fiquei sem entender, até que tive a brilhante idéia de olhar para onde ele apontava, assim como os outros. Lá em cima, havia uma prateleira de vidro, com um pedaço de papel. Deve ser a senha. BOA, POYNTER!
- Olha gente, achei um biscoito. - comentou um Danny feliz, pronto para colocar o doce na boca. Quando berramos um "NÃO!" em unissono e ele parou na metade do caminho.
- Danny, você não leu Alice in Wonderland, não? - Tom devia gostar mesmo daquele mini, para estar tão estressado.
- E você ainda pergunta? Danny nem deve saber ler. - Harry riu, sendo acompanhado de nós logo após. Foi quando eu me lembrei que a estava aqui, e provavelmente seria barrada pela porta.
- Lógico que li. Sei que tem um coelho atrasado, okay? - retrucou Jones, que parecia não ter gostado muito da brincadeira. Coelho. Coelho atrasado.
ainda repetia "Estou atrasada" enquanto vencia os passos em direção a porta. Ela estava quase lá. E se fez a luz.
- ALI! - eu berrei, apontando a minha amiga, que andava sem tirar os olhos do relógio.
- Wow! Outra garota!
- Não! Ela é o coelho.
- Viu, Poynter? É por isso que te digo pra não comer nada daqui. Vai que você fica tendo alucinações assim? - Dougie concordou com a cabeça e tratou de deixar o vidrinho sobre a mesa mais próxima.
Eu me virei pra eles com raiva, esquecendo por um minuto que eles eram meus ídolos. E que no geral, a gente não espanca nossos ídolos. Mas a voz da me fez desistir de bater no Tom, e me concentrar em passar pela porta.
- Não. Ela é o coelho. Vocês não entendem?
- Pra mim ela é só uma garota. - Harry respondeu, analisando minha amiga por um momento e se voltando para mim com uma cara não muito convincente. Eu devia estar um bagaço. Também, quase uma hora caindo depois de acordar com a cara amassada por livros, eu não devia estar muito bem mesmo.
- Okay. Vocês seguiram algum coelho até aqui? - tentei ser direta, mas minha voz estava saindo esganiçada. O coelho passa pela porta sem problemas. Tínhamos que seguí-la para conseguir a senha.
- Não. - eles responderam num coro.
- A Alice segue um, não? Estava faltando o coelho da nossa história. E aí está ele. Vamos rápido. - apressei-os, gesticulando com as mãos e começando a caminhar de onde tinha vindo. Mas eles continuaram parados me olhando. - Estão esperando o que?
- Eu não quero ir. Se bem me lembro da história, alguém quer cortar a cabeça da menina lá.
- Alice. E é a Rainha. - obrigada, Tom.
- Eu gosto da minha cabeça onde ela está.
- Eu vou com você. É melhor que ficar parado aqui. - Judd se prontificou, ameaçando vir em minha direção. Mas ao invés disso foi em direção à Danny, e arrancou o biscoito da mão do amigo. - Podemos precisar disso.
- Bem pensado. Vocês vem? - após um surto de coragem, todos pareciam estar me seguindo. Dougie pegou novamente o vidrinho, sob a mesma desculpa de Harry. Mas eu sei bem que ele está louco pra beber aquilo.
- Estou atrasada! Muito. Alohomora. - a porta se abriu e a sumiu por ela. Não tinhamos chegado a tempo de passar pela porta enquanto esta ainda estava aberta.
- Droga! - praguejou Tom, quando vislumbrou suas chaves pela fresta aberta que ainda sobrava. - MINHAS CHAVES!
- Alguém ouviu o que ela disse antes da porta abrir? - "Calma" é meu segundo nome.
- Era alguma coisa sobre a Lorro morar. Quem diabos é Lorro?
A porta tinha se fechado completamente agora, e contraiu o "rosto" numa careta no mesmo instante que viu quem fazia o estardalhaço no saguão antes silencioso. E eu não tirava sua razão, os McGuys eram realmente barulhentos. Exatamente como nos home videos deles.
- Sobre a Lorro morar? - repeti, olhando incrédula para Danny. O que dão pra esse garoto comer, céus?
- É. Ela falou rápido. Será que a senha é o endereço dessa Lorro? - estou completamente decepcionada que tenha sido o Jones à ouvir o que a falou. Por que não qualquer outro deles?
- Acho que não. Como ela falou, exatamente? - Quem não tenta, não passa pela porta. É o que eu digo.
- Foi tipo: A-LORRO-MORA!
- Vejo que descobriu a senha, senhorita. - Mr. Maçaneta se dirigiu a mim com o olhar e se abriu. Não pude conter o sorriso que insistia em se formar no meu rosto.
- Alohomora. É um feitiço de Harry Potter, Danny. Não tem nada a ver com uma garota chamada Lorro. - eu simpatizo mais com o Tom quando ele fica de bom humor. E ele só está assim porque sabe que vai ter suas chaves em poucos segundos.
Corri em direção a porta, e ultrapassei o limite entre ela e... um jardim. Um vasto jardim, e eu já não tinha mais certeza de nada. Aquele cheiro de grama recém cortada me fazia sentir totalmente calma e feliz. Aquilo parecia ter o mesmo efeito nos garotos, já que ficaram extremamente quietos por quase dez segundos. Tempo record, diria eu.
- Okay, onde estamos? - Dougie perguntou me encarando. Tenho cara de guia turístico?
- Ei, a porta cresceu ou nós diminuímos? - Me virei para ver sobre o que Danny falava. A porta, antes pequena e de um tamanho perfeitamente normal, estava gigantesca em comparação a nós.
- Vocês diminuíram, de fato. - respondeu uma maçaneta diferente da anterior, num tom extremamente polido. Eu só sabia que eram maçanetas diferentes porque essa era dourada. - A cada porta, mudam a dimensão, é óbvio. Não se tratam de leigos, certo? A Marquesa de certo não suporta leigos. Correm o risco de terem suas cabeças decepatas com um disparate destes. Oh céus. - ela continuou. E se ao invés de vir parar em Wonderland, eu tivesse ido parar em um desenho do Mickey, certamente teria um enorme ponto de interrogação pairando sobre minha cabeça neste exato momento.
- Com sua licença, madame. - falei educadamente. - Pode me informar para que lado devo ir, para que possa voltar ao meu quarto?
Ela pareceu digerir as informações, e olhou de mim para os garotos, que se mantinham quietos.
- Você e eles, desejam voltar para seus aposentos?
- Não, somente eu. Nos encontramos por coincidência. - tratei de arrumar o mal entendido. Seja lá o que ela tinha entendido.
- Ah sim, por Deus. Homens nos aposentos de uma dama. Você é uma dama, certo? - A risada escandalosa do Danny, que até então eu só tinha ouvido via YouTube, se fez presente e eu sorri involuntariamente.
- De certo que sim. - eu deveria estar realmente um bagaço. Passei a mão pelos cabelos para ajeitá-los. - Mas estávamos falando sobre meu caminho.
- Ah, sim. O gato de Chesire saberá informá-la melhor que um objeto, como eu. Que nunca desertei desta velha porta. - ela riu desconcertada.
- E onde a gente encontra esse cara? - Poynter perguntou, e a Sra. Maçaneta virou seus olhos para ele, analisando-o.
- Na bosque, é claro. Onde mais? - ela retrucou como se aquilo fosse óbvio.
- Bosque? Ta tirando que a gente vai ter que entrar num bosque!? - Danny se desesperou, levando às próprias mãos aos cabelos e alisando os mesmos, em vista ao nervosismo.
- De onde você é mesmo? - Harry virou-se para mim. E só aí eu percebi que não tinha me apresentado tão devidamente assim, afinal, nem disse à eles que era do Brasil.
- Brasil. Eu moro em... - Comecei, mas fui interrompida pelos resmungos do Jones, que haviam se transformado num berro aliviado.
- Que foi? - Tom perguntou ao guitarrista, que apontava para mim com uma das mãos e a outra tampava a boca. Numa imitação muito bem feita de bicha escandalizada. Nada contra homossexuais.
- NÃO VAMOS NOS PERDER NO BOSQUE! - Todos, até a maçaneta, olharam para o Danny com cara de paisagem, no que ele continuava com sua pose.
- Por que? - Poynter fez-se ouvir, fazendo a pergunta que não queria calar.
- ELA É DO BRASIL, ORAS! - Preconceito que os Ingleses tem com o Brasil. Só falta ele vir perguntando se tem macacos soltos nas ruas. - Lá eles tem macacos nas ruas. É quase uma selva. - Okay, foi bem pior do que perguntar. Ele AFIRMOU.
Resolvi não argumentar, porque se tem algo que aprendi em FanFics, é que o Jones é teimoso além de lerdo. Despedimo-nos da Tia Maçaneta e fizemos nosso caminho pela grama verde que a medida que nos aproximávamos do tal bosque, ganhava um tom azulado e escuro. Talvez pela quantidade de árvores altas que fechavam o céu, deixando poucos feixes de luz para que pudéssemos enxergar algo. A verdade é que o tal bosque parecia mais a Floresta Amazônica. Nunca que tinha fim, e era cheio de galhos no chão e tínhamos a impressão de estarmos sendo observados, como o Tom fez o favor de lembrar-me muitas vezes.
Dado um determinado tempo de caminhada, pude me ver na entrada de uma clareira, que foi um alívio para os meus pés destroçados dentro do All Star. Já que lá tinham alguns troncos, totalmente sentáveis, onde tive que me segurar pra não sair correndo e aproveitar de um pouco de descanso.
- Dude, meus pés estão me matando. - Harry reclamou, se jogando do meu lado, no que eu tirava os tênis com uma expressão de satisfação assim que meus pés descalços tocaram o chão. Ele sorriu e eu sorri de volta, como nos meus mais doces sonhos.
- Eu ainda acho que estou sendo observado. - Fletcher comentou, enquanto nos imitava e sentava em um dos troncos dispostos em círculos. E ele não estava errado. Atrás dele, surgiu uma língua, que ameaçou lambe-lo, e eu arregalei os olhos.
Depois dessa língua, surgiram dentes, em seguida uma boca. E quando eu menos esperava, a cabeça de James Bourne pairava a poucos centímetros do meu colega Rockstar de viagem. Foi aí que me vi num impasse. Conto ou não para o Tom que a cabeça de um amigo dele está voando?
Não foi necessário, já que o corpo do Bourne apareceu alguns segundos depois, e eu não tive o trabalho de avisar, já que ele soltou um sonoro...
– Iaeeeeeeeeeeeee! - Cumprimentou James, com um sorriso. Não que ele tivesse parado de sorrir por algum segundo, mas descrição é descrição. Ao ver nossas expressões espantadas, ele riu - Cambada, façam suas perguntas porque o Tio Bourne é o dono da parada!
Todos o encararam por um tempo, absorvendo a informação. Isso é porque eles nem o tinham visto surgir, imagine então quanta informação o cérebro desses garotos ia ter que digerir caso o tivessem feito.
- Como saímos daqui? - fui a primeira a quebrar o silêncio. Harry me lançou um olhar cortante e eu logo soltei – Qual é, ele disse pra perguntar.
O Mcguy revirou os olhos, mas deu um sorrisinho.
- Para sair de onde você está, é fácil. - respondeu Bourne balançando a cabeça num ritmo estranho, como se estivesse ouvindo alguma música rápida. Os movimentos dos cabelos loiros e pretos estava me deixando zonza, por isso parei de olhar e me concentrei na resposta dele. Se fosse tão fácil, de certo que eu já estaria de volta à meu quarto.
- Dê um passo pra esquerda. - ele pediu e eu obedeci prontamente, dando o passo pro lado de Danny. - Pronto. Você não está mais onde estava antes. Feliz? - Bourne emendou alargando ainda mais seu sorriso, se é que isso era possível. Embora estivesse louca pra dizer umas poucas e boas para aquelezinho, suspirei longamente antes de tornar a perguntar. - Okay, como eu saio desse mundo paralelo, outra dimensão, o que quer que seja isso. - Bourne gargalhou.
- Outra dimensão? Não nos compare aos seres do espelho. Se há uma dimensão mais amarga que aquela, eu sou louco. - afirmou o do cabelo bicolor, equilibrando sua cabeça no dedo indicador, girando-a. Esta, não tomava mais seu lugar junto ao corpo do rapaz. Havia sido estrategicamente removida e usada de bola.
- Mas você É louco. - dei ênfase no “É” e ele novamente gargalhou. Estou me sentindo uma palhaça, sério.
- Ah sim, é verdade. - ele concordou, mirando sua própria cabeça movendo-se em círculos.
- Todos aqui são como você? - Danny perguntou e a cabeça do gato parou, virando a face para o guitarrista sardento.
- De fato que são. Aqui estão os seres expulsos de outras dimensões por extrapolarem o limite da loucura, se é que me entendem. - James piscou para o amigo, e começou a andar em círculos. - Cá entre nós, eles não são muito normais.
Eu já estava cansada daquela baboseira. Eu queria voltar para meu quarto, longe dessas pessoas que tiram a própria cabeça pra brincar de ping-pong. - Obrigada pela ajuda, Bourne. - agradeci, um tanto de mau humor. O cara só tinha me deixado ainda mais confusa. Ameacei a ir novamente para dentro da floresta, na qual se revelava uma estreita estradinha. Porém um pigarro me fez parar. - Que é?
- Não seguiria por aí se fosse a senhorita. - pelo menos ele é educado. Ia voltar a caminhar, mas minha curiosidade falou mais alto. Droga, droga, droga.
- E por que não?
- Duas palavras: Lebre de Março.
- Não é por nada não, mas são três palavras.
- Aqui a gente não conta preposição como palavra. - Emendou, disfarçando muito mal seu erro, no que eu revirei os olhos.
- Mentiroso.
- Queira não fugir do assunto, sim? Estávamos falando sobre a Lebre de Março.
- Isso, sobre a Lebre de Março com duas palavras! - caçoou Tom, no que nós rimos e James emburrou.
- Okay, só não diga que não avisei. - ele avisou, começando a sumir devagar e me dando vertigens.
Nos entreolhamos e se estabeleceu um silêncio incômodo. E se a Lebre de Março fosse ruim de algum modo?
- Se ela apenas nos oferecer chá, como no livro, não vejo problema. - Dougie encolheu os ombros. Os outros garotos assentiram com a cabeça, esfomeados do jeito que eram. Ingleses nunca recusam um chá, fala sério.
- Esquecemos de perguntar sobre o outro caminho, droga.
Por meio de votação, na qual minha opinião foi completamente ignorada, “decidimos” ir em direção a tal da Lebre-supostamente-má.
- Ai meu pé... – abri a boca pra reclamar e ver se algum deles se tocava de levar no colo. Não que eu precise [i]realmente[/i] disso, mas não custa tirar uma casquinha dos meus ídolos. Bata três vezes na boca, . Você falou como uma groupie agora.
Foi aí que uma pequena casinha branca, com margaridas amarelas, entrou no meu campo de visão. Dela saía uma fumaça clara pela chaminé e o cheiro era adocicado, como chá de maçã e biscoitos. Biscoito era uma coisa que eu certamente não recusaria agora. Deveria ser o que? Sete horas?
Do lado de fora uma mesa igualmente branca estava posta, e nela dois seres conversavam, fazendo as xícaras de porcelana tilintarem ao que riam de suas próprias piadas.
- Ora, temos visitas, Sr. Chapeleiro. E veja que belas crianças! – Soltou minha mãe, depositando a xícara sobre o pires e nos encarando um tanto interessada.
- MÃE? – Admito que meu tom foi um pouco alto, mas não é todo dia que você vê sua mãe tomando chá com seu professor de Literatura. Ela se voltou para o meu professor, que tirou o chapéu da cabeça, fazendo uma exagerada reverência. Será que ele me odiava também em Wonderland?
- Hm... Interessante. Muito interessante. Não querem um chá? – ele indagou num tom ameno e cuspido. Geralmente ele gritaria comigo por algum alguma vírgula posta errada no meu trabalho. Por mais que seja professor de Literatura, ele adora corrigir meus erros gramaticais também. Entenda isso como trabalho extra.
Não foi preciso uma segunda chamada para que os quatro McGays, digo, McGuys – tenho que parar de ler blogs – estivessem dispostos em quatro, das exatas cinco cadeiras não ocupadas, deixando uma vaga, a qual deduzi que fosse para minha pessoa.
Pareci relutante no começo, mas o cheiro de Muffins Blueberry misturaram-se ao cheiro dos biscoitos e minha relutância desapareceu por completo.
- Estão indo ao jogo de Cricket da Rainha de Copas? – Danny, que tinha quatro biscoitos enfiados na boca, engoliu-os com dificuldade.
- Rainha de Copas? Aquela que corta cabeças? – seus olhos azuis piscina se arregalaram e me segurei para não soltar um “OOOOWN”. Daniel podia ser bem fofo, quando não estava falando coisas sem nexo como um doente desvairado.
- Cortar cabeças? Ah, não. A rainha de copas perdeu essa mania desde que começou a tomar florais. – minha mãe soltou, dando uma risadinha e fazendo um sinal negativo com a cabeça. Deu uma bebericada em seu chá e tornou a falar. – Era muito estresse, entende? A acupuntura certamente deve ter relaxado aquela coroa.
Novamente, ela deu uma risadinha, e meu professor a acompanhou. Aquela cena era mil vezes mais bizarra do que uma execução em massa, pode ter certeza.
Um relógio cuco – como todos naquele lugar - tinha acabado de bater seis horas da tarde; Imediatamente os dois levantaram de suas cadeiras, e pularam para as cadeiras seguintes, nos obrigando a fazer o mesmo.
Acabei na cadeira de Tom e Danny ficou realmente contente em ver que metade do meu Muffin permanecia intacto no prato.
- Mas se vão ao jogo, certamente deveriam parecer mais apresentáveis. A Rainha não gosta de pessoas... – o “Chapeleiro Maluco" pareceu escolher muito bem as palavras, para não nos ofender. – Que se vestem mal. – pena pra ele que eu já não estava num dos meus melhores dias.
- O senhor insinuou que eu me visto mal? – Okay, pareci uma daquelas patricinhas de filme americano. Mas isso vindo de quem usa o mesmo terno por quatro anos seguidos é realmente um insulto. – Falar que eu não sou boa com letras, eu aceito. Falar que eu não saco porcaria nenhuma de Classicismo ou Romantismo, beleza. Mas falar que eu me visto mal foi a gota d’água. - Qual é, gente. Eu não me visto mal. - Olhei para meu próprio corpo. Calça Jeans vai bem até em Wonderland, se quer saber. E os Beatles ainda são a sensação do momento.
Os olhos dele giraram nas órbitas e nos seus lábios se formou um sorriso doentio. O mesmo aconteceu com a minha mãe, e logo eles, não eram eles. Sr. Língua-presa, pegou uma das colheres de açúcar e subiu na mesa, vindo em minha direção. Não precisa ser um gênio para descobrir que eu quase me fundi com a cadeira, né?
- OLHA AQUI, MOCINHA. REPITA DEZ VEZES: O RATO ROEU A ROUPA DO REI DE ROMA, RESULTADO DO RELAXO DA ARRUMADEIRA. – ele balançava a colher para mim, quase atingindo meu olho.
- O rei de Roma roeu a arrumadeira... – Espera, isso não estava certo. – O relaxo do rato deu resultado... – essas palavras não eram minhas. Eu saberia dizer aquilo dormindo. Harry me encarou sem entender. Devia achar que eu estava brincando com a cara daquele ser bizarro. Arregalei os olhos, como se pedisse ajuda.
- A arrumadeira roupou o rei que... – Harry começou, e logo levou as mãos à boca. O que estava acontecendo conosco? Tom soltou um muxoxo, apoiando o queixo nas mãos.
Danny e Dougie ao notar nosso desespero, principalmente o meu, em vista a proximidade daquela colher à minha íris, começaram a recitar o trava-línguas. É claro que nenhum saia certo. Por mais que pensássemos na frase, ao dizê-la, as palavras se embaralhavam, tomando um outro rumo. Uma hora não era mais possível distinguir o que nós falávamos. Era rato, roupa, rei pra todo lado.
Nisso, a Lebre apareceu do meu lado, com um vestido azul, com babados brancos. Bem ao estilo “Alice in Wonderland.” Então, o papel de Alice era meu? E quanto aos outros quatro?
- Okay, okay. O rato roeu a roupa do Rei de Roma, resultado do relaxo da arrumadeira. Feliz? – Tom soltou, revirando os olhos. O chapeleiro correu, isso mesmo, correu pela mesa, derrubando xícaras, talheres, biscoitos, em direção ao Tom. Encarava o guitarrista com muita indignação. Foi quando seu cenho se descontraiu, dando lugar à um sorriso aberto e convidativo.
- TRAGA O VINHO! Estamos livres do Looping, Lebre! Chega de chá, chega de bolinhos! – comemorava ele, dando um gole no chá e uma mordida no bolinho.
A Lebre, que tinha sumido novamente, deu o ar da graça, trazendo outros vestidos iguais ao meu. Não pude segurar a risada quando ela entregou um para cada integrante da banda.
Aquilo seria muito melhor que vê-los travestidos em Transylvania.
- Eu não vou usar isso! – contrapôs Dougie, erguendo o vestido à altura de seus olhos e logo levando-o ao nariz. – Tem o cheiro da minha avó!
Danny agarrou o vestido do baixinho e num gesto copioso, cheirou a peça. – Pode crer, dude. Isso cheira à avó do Dougie.
- Talvez sua avó o tenha vestido. – sugeriu minha mãe num sorriso meigo. Estava voltando a ser ela. Voltando ao seu normal quando ela não está estressada, eu digo.
O baixista girou o indicador em torno da orelha tentando indicar o que todos já haviam percebido: Eram totalmente loucos.

