Push Up Bloody II
Autora: Vê Inamonico
Status: Finalizada
Revisada por: Vê Inamonico
Categoria: Seriados - The Vampire Diaries
Sub-Categoria: Romance, Drama, Suspense - LongFic
Comentários:
Prólogo.
['s P.O.V.]
Sempre tive medo das consequências. Eu não conseguia me decidir a menos que soubesse cem por cento que estava pisando em solo firme. Mas naquela vez eu estava errada. Gostaria que, com o poder da eternidade também tivesse o poder de voltar atrás, afinal, não havia nada que eu desejasse tanto naquele momento quanto voltar a ser humana. Porque sofrimento eterno, definitivamente, não estava nos meus planos.
['s P.O.V.]
O poder de escolha, agora, me assombrava. Eu escolhera me tornar uma vampira, escolhera passar a eternidade ao lado de meu marido. Para sempre com dezessete anos... e casada! Céus, onde eu estava com a cabeça? Nada restava a mim e à minha irmã que não fosse o sofrimento. Eu desejava poder voltar atrás, nos salvar da condenação. Estava tudo perdido; uma à outra era tudo o que tínhamos agora. Mas como eu deveria saber que tudo acabaria assim?
Capítulo 1.
Outro dia anunciava sua chegada, o sol do lado de fora brilhava forte, típico da primavera. Para , era fácil dizer bom dia ao mundo quando, para ela, havia-se parado no tempo. Mal conseguia acreditar que haviam se passado dez anos! Há dez anos não via seus pais, pelo menos não diretamente, mas ela ainda os olhava dormir durante algumas noites e lhes telefonava com a desculpa de estar viajando pelo mundo. É claro que a dor no coração ficava, porque estava mentindo e por se dar conta de que eles não a veriam nunca mais.
Ela não gostava de pensar nisso, sempre que o assunto vinha em mente, tentava rapidamente mudar o rumo. Afinal, quem gostava de pensar que seus pais logo iriam morrer? É claro que o logo, para ela, seria anos e anos para os pais. Tão injusto não poder transformá-los!
- Por que está tão quieta? - fez uma careta; ela sabia que Damon não resistira e que, provavelmente, estaria vasculhando sua mente naquele momento. Ela aprendera a mantê-lo longe, mas tinha de admitir que por vezes ficava tão distraída que, quando se dava conta, já era tarde demais.
- Não é nada. - suspirou colocando o braço por debaixo do travesseiro. O tecido de algodão roçou em seu corpo nu enquanto ela o apertava contra si. Na curva entre o ombro e o pescoço, ela sentiu o queixo duro e firme de Damon se apoiar, roçando sua pele, fazendo-a arrepiar.
- Eu sei o que é esse seu nada. - ele sussurrou segurando o riso e se virou, o encarando séria. - Meu amor, você sabe que não podemos nos expor. - Damon também ficou sério segurando o rosto da menina em suas mãos.
- Sei disso. - se esquivou, odiava ter aquela conversa com Damon. Droga, ela sabia que não poderia viver com eles para sempre! - Eu vou tomar um banho, você vem? - ela sorriu fraco, levantando-se da cama e pegando o robe de seda azul marinho.
- Agora não, vou enrolar mais um pouco aqui na cama. - o mais velho espreguiçou-se e rolou para o meio da cama arrancando um riso da menina.
- Nesse caso, eu vou caçar depois. Te vejo mais tarde. - ela subiu na cama, engatinhando até o rapaz e roubou-lhe um selinho.
- Não vá se perder na floresta! - Damon disse alto e mostrou a língua fechando a porta do banheiro em seguida. Tão logo ele voltava a dormir.
- Stefan, por que precisamos de mais cereal? - ria enquanto o marido colocava colheradas enormes na boca de cereal com leite.
- Porque é gostoso! - ele riu de boca cheia e a garota fez cara de nojo enquanto desviava o olhar para a porta.
- Não é mais gostoso do que sangue humano... - deu de ombros, virando-se para uma das janelas da cozinha.
- ... - Stefan rebateu em tom de alerta.
- Eu sei Stefan, não precisa me lembrar. Apenas sangue de animal, é assim que a natureza funciona. - repetiu ela para si mesma soltando um suspiro em seguida. Mais rápido do que um piscar de olhos, o mais novo Salvatore estava atrás dela, abraçando-a pela cintura.
- Um dia eu prometo que a deixo provar está bem? Mas só quando tiver mais controle. - ele apoiou o queixo sobre o ombro da menina e em seguida beijou-lhe a bochecha, ambos encarando o nascer do sol.
- Está tudo bem Stefan, eu me satisfaço só em estar com você. - disse ela virando-se de frente para ele. O garoto sorriu maroto, ficando entre suas pernas, prensando-a na pia de mármore.
- É mesmo? - ele murmurou enquanto beijava o pescoço de que assentiu fracamente. Ela nunca se cansava da intensidade das emoções que sentia, era tudo bom demais.
Seus lábios colaram-se, dando início a um beijo calmo e carinhoso. Mas não queria ficar apenas naquilo, então pediu passagem à boca de Stefan e os dois aprofundaram o beijo. Ela deu um impulso e sentou-se na bancada de mármore para ficar da mesma altura que o marido. Era tão bom que, mesmo depois do casamento, as coisas ainda esquentassem entre eles. Seriam para sempre como um casal de namorados jovens, com o desejo e a afeição de dois adolescentes. E isso era o que mais agradava a mais velha.
- Apetite sexual na cozinha? Acho que vocês erraram de cômodo. - ouviram soar da porta uma voz divertida e eles rapidamente se separaram, os olhares baixos de vergonha.
- Bom dia . - Stefan disse enquanto a garota já seguia para a porta principal.
- Dia. Vou caçar, volto mais tarde! - anunciou a mais nova acenando com a mão e batendo o pedaço de madeira em seguida.
- Eu acho que ela tem razão. - Stefan voltou a olhar , com um olhar safado, a menina riu e entrelaçou as pernas na cintura do mais velho, deixando-se ser levada até o quarto do casal.
já havia conseguido quatro coelhos e estava atrás de uma raposa, ou talvez um alce. Seus olhos analisavam a imensidão da floresta fazendo-a parecer pequena, todos os cheiros, todos os sons ela captava minuciosamente. Qualquer sinal de movimento poderia ser motivo para um novo banquete.
Ao virar sua cabeça para o norte, notou uma sombra se movendo, não era baixa o bastante para ser outro coelho, como também era muito maior do que um alce. franziu o cenho, mas logo se deu conta do que se tratava: humanos. Seus lábios repuxaram-se sobre os caninos, a sede quase que incontrolável, mas ela se refreou, mantendo os pés firmes no chão.
Respirou fundo, recolhendo as presas e quando se certificou de que estava de volta ao normal, correu (um pouco rápido demais, diga-se de passagem) e logo estava algumas árvores atrás do humano que havia farejado. Era um rapaz alto, de ombros largos e braços musculosos, levava uma mochila pesada nas costas e tinha uma bússola em uma das mãos.
Um viajante perdido. Pensou consigo mesma, mas dessa vez teve certeza de que mantivera , Stefan e Damon longe de sua cabeça, ou então eles acabariam com a festa. Não foi preciso mais do que três passos para que ela ficasse a menos de um metro do rapaz, é claro que ela não o morderia de imediato, tinha certeza de que ele gritaria. Preferia que ele a achasse, então puxaria uma conversa amigável e o levaria para dentro da densa floresta sem que ele sequer notasse.
- Oh, olá! - enquanto arquitetava seu plano, pôde vê-lo se virar lentamente enquanto olhava para o céu. Talvez tentasse descobrir quanto tempo ainda tinha. - Está perdida também? - ela arqueou uma sobrancelha, sentiu-se como uma criança.
- Não, mas eu posso te ajudar. - ela sorriu inclinando a cabeça levemente para o lado.
- E uma moça tão bonita sabe como andar nessa floresta? - ele perguntou em tom levemente debochado, dando dois passos em direção à menina. Seu cheiro era inebriante, o coração bombeando enormes quantidades de sangue para o resto do corpo. Ele era quente.
Controle-se. Disse uma voz em sua cabeça e seu corpo enrijeceu, não agüentaria por muito tempo.
- Não só sei como venho te seguindo há algum tempo. Você só está penetrando ainda mais na mata. - cruzou os braços. Era mentira, é claro, logo ele se aproximaria do rio que havia ali perto e, então, ficaria bem mais fácil de se localizar e seguir para algum lugar.
- Ótimo. - esbravejou ele, aparentemente com a bússola que tinha em mãos. - Pode me tirar daqui, por favor?
- Não sem antes saber o seu nome. - ela sorriu dengosa, adorava usar seu charme nas pessoas.
- Antony. - ele disse sorrindo galanteador. - E qual o seu, senhorita?
- . - ela se aproximou dele, beijando-o demoradamente na bochecha, sentindo-o estremecer.
Atirada ou não, oferecida ou não, por que ela deveria ligar? Logo ele nem se lembraria dela mesmo... Talvez ela devesse investir mais, pensou enquanto caminhavam lado a lado em silêncio. Ela sorriu consigo mesma e soltou um olhar para Antony o qual ele devolveu sorrindo. Longos minutos de caminhada se seguiram, ela estava mesmo o levando para o centro da floresta, onde apenas ela saberia sair. Vários olhares foram trocados e já começava a se sentir como uma idiota, afinal, qual era o problema dele? Era gay por um acaso?
lançava mais um olhar, tentando esconder a irritação e o tédio crescentes dentro de si pela falta de resposta do rapaz, quando finalmente sentiu uma mão quente fechar em seu pulso e puxá-la para trás. Ele a colocou de costas para uma árvore e seus olhares se cruzaram, sua respiração ofegante batia contra as bochechas pálidas de , ela precisava encenar o susto que supostamente deveria sentir.
- O que você pretende? - perguntou ele urgente, como se estivesse se martirizando todo aquele tempo por uma resposta.
- Tirar você daqui. - esquivou-se inocentemente. Antony balançou a cabeça.
- E o que mais? - sorriu, finalmente ele estava entendendo!
- Tem certeza de que não sabe? Até eu sei o que você quer. - ela inclinou seu corpo para frente enquanto suas mãos ainda estavam presas pelo rapaz contra a árvore.
- O que eu quero, então? - seu tom de voz mudou para um desafiador, ele umedeceu os lábios aproximando seu rosto ainda mais do de . O cheiro invadindo suas narinas era tão bom, e ela estava tão faminta...
Damon levantou e já passava das onze horas da manhã, tomou uma ducha fria e colocou uma roupa folgada. Nada como um jeans surrado, botas e uma camiseta preta básica. Deu uma checada pela casa e sugeriu que encontraria seu irmão e a cunhada na cama. Riu consigo mesmo seguindo para a porta principal. Com sorte ainda pegaria caçando e então eles poderiam se alimentar juntos, ele sabia que o apetite da namorada era quase insaciável.
Com a capacidade de rastreamento, ele seguiu para o meio da floresta correndo rapidamente, passando pelas árvores como uma brisa violenta antes da tempestade. Mas quando percebeu que estava perto de alcançá-la, diminuiu o passo, queria dar-lhe um susto.
Entretanto, quem acabou levando o susto foi ele mesmo; sua namorada estava enroscada entre uma árvore e um humano, aos beijos. Damon sentiu a raiva começar a circular pelo seu corpo, porque, afinal, não era forçado. tinha força suficiente para repeli-lo e ele sabia disso. Era proposital. Por quê? Era a pergunta que ecoava em sua cabeça enquanto ele se controlava para não empurrar a árvore sobre a qual se apoiava, para cima dos dois.
Suspirou tentando se controlar, não havia nada a se fazer, então virou as costas e correu de volta para casa. O que poderia esperar que lhe explicasse? Nada mais do que as explicações clichês que ele já conhecia de cor de todos os filmes românticos melosos. Mas ele pensaria nisso depois.
- Por que nós não saímos logo daqui e vamos para a minha casa? - sugeriu Antony enquanto lhe beijava o pescoço. Sua respiração entrecortada e o suor que lhe escorria pelo corpo davam uma ideia do quanto ele precisava daquilo. lamentou por ele por um instante, depois se separou para poder olhá-lo.
- Porque eu não quero nada com você. - disse simplesmente enquanto o puxava pelo cabelo, fazendo sua cabeça tombar para o lado, deixando seu pescoço carnudo à mostra. Tão logo ela lhe cravou as presas enquanto o rapaz gritava e se debatia, mas não era páreo para sua força sobrenatural. Nem de longe.
Quando se deu conta de que o estava matando, lutou contra sua natureza para deixá-lo viver. Não saberia como lidar com um corpo e ela não poderia pedir ajuda a ninguém. Saiu de cima do rapaz, agora pálido e trêmulo, mas antes de se virar de costas, aproximou-se mais uma vez, o que o fez se encolher de medo.
- Você não sabe quem eu sou e nada aconteceu aqui. Você caiu em cima de um galho que havia no chão. - ela disse captando o olhar do rapaz e fazendo dele o seu olhar. Ele repetiu calmamente a frase e ela sorriu satisfeita, finalmente sumindo pela floresta.
Agora se sentia cheia o suficiente e cada parte de seu corpo latejava de força e poder. Sentia que poderia saltar tão alto que alcançaria a Lua. A casa se aproximou e tão logo se viu atravessando a porta. O silêncio prevalecia, provavelmente e Stefan estariam no quarto fazendo algo que se recusava a pensar no momento; mas e quanto a Damon? Será que ele não havia se levantado ainda?
Correu escada acima animada pela possibilidade de poder acordá-lo, mas seu sorriso murchou ao ver a cama vazia assim que ela abriu a porta. Provavelmente ele havia saído para caçar ou, então, fazer compras no supermercado. De qualquer forma ela precisava descansar, poupar as energias que havia drenado daquele delicioso rapaz. A porta bateu e ela seguiu para o biombo onde havia vários espelhos bem ao lado e começou a se despir. Em um dos espelhos, entretanto, viu uma sombra e ela logo se virou, assustada, mas pronta para o ataque.
- Como foi a caçada, meu amor?
Capítulo 2.
Agachada, as presas se destacavam em seus lábios repuxados, uma posição típica de defesa, pronta para o contra ataque. relaxou quando percebeu que era apenas Damon, parado em pé no canto do quarto, os braços cruzados e a expressão séria.
- Amor, você me assustou. - ela já estava de frente para ele, pronta para beijá-lo, mas ele se desviou.
- Precisa ficar mais alerta, não demora mais do que isso para que um vampiro mais forte te pegue. - ele continuou caminhando de costas para ela.
- Eu sei Damon, eu sempre fico alerta, posso sentir quando um está se aproximando. - justificou-se , a expressão nada feliz.
- Você só o detecta se ele quiser. - continuou no mesmo tom frio que usara desde o começo. se colocou à sua frente.
- Eu sei amor, por que está me dizendo tudo isso? - ela procurou por seus olhos azuis, que não a corresponderam.
- Só para checar. - ele sorriu fraco e desviou-se novamente, agora para se sentar na cama. Quando se deu conta, estava por cima, segurando-o pelo pescoço.
- Não é só isso. - disse ela intrigada. - Vamos, me diga o que aconteceu. - Damon inverteu as posições.
- O que você estava fazendo na floresta com aquele homem? - perguntou ele, os olhos fixos nos de . Ela se desvencilhou de seus braços e se pôs em pé, de costas para Damon.
- Me alimentando? - deu de ombros, mas viu-se encurralada, o mais velho estava diante dela agora.
- Isso é o que você deve ter feito depois que fui embora, mas antes parecia que estava bem longe disso. Sentindo falta de lábios humanos, é? - provocou ele, furioso. bufou.
- Não seja idiota! Faz parte da minha armadilha. - justificou-se elevando o tom de voz. - E se você quer mesmo trazer este assunto, por que não me conta, Damon, com quantas mulheres você já transou só para dar uma mordida, hein? Quantas, antes de mim, Damon? - ela havia se descontrolado, seu peito doía; ela definitivamente não queria saber o número de mulheres que já haviam estado com o seu Damon. Não pôde deixar de se sentir frágil naquele momento, como uma humana.
Sentou-se na cama, por fim, a cabeça escondida entre as mãos trêmulas, agora que havia tocado no assunto, as imagens não saíam de sua cabeça. Estava a ponto de chorar e ela sentia isso cada vez que ouvia seu coração bater, ou pelo menos pensava que ele batia. Não houve palavras, não houve gestos, apenas o bater furioso da porta, e a mais nova se encontrava sozinha no quarto. encolheu-se na cama, abraçando os joelhos e seu rosto se contorceu, deixando que lágrimas rolassem pelas bochechas.
Stefan e enrolavam na cama, haviam tido uma manhã agitada e agora ansiavam por um almoço normal. Era estranho que eles ainda cozinhassem, embora não precisassem disso para comer, mas eles gostavam e se divertiam aprimorando os dotes culinários. Quando saíram do quarto, não foi preciso de muito esforço para escutar a discussão que vinha do quarto de Damon e . suspirou ao ouvir as palavras raivosas da irmã e abraçou Stefan, resolvendo chegarem à cozinha o mais rápido possível. De lá, ouviram Damon deixar o quarto e, em seguida, a casa.
- Vai dar tudo certo. - Stefan disse casualmente. Mas ela sabia que era só uma questão de cordialidade, estava chorando no quarto.
- Às vezes penso que um dia eles ainda vão acabar se batendo. - murmurou distraída arrancando risos do esposo.
- E o que a minha mulher faria para impedi-los? - Stefan a abraçou por trás e rapidamente virou-se de frente.
- Não sou sua mulher Stefan. - ela disse séria e pôde ver os olhos verdes do rapaz se arregalarem levemente. Ela riu consigo mesma. - Sou muito jovem para ser tratada assim. - gabou-se ela e teve seu cabelo bagunçado pelo rapaz que a beijou.
- Eu sei disso, minha linda. - esfregou seu nariz no dela e continuaram a preparar o almoço.
Basta. Foi o que disse a si mesma, enxugando as lágrimas que deixavam traços em sua bochecha. Levantou-se da cama e foi lavar o rosto, ela era uma vampira, forte e independente, não precisava ficar o dia todo chorando com a cara no travesseiro como uma adolescente qualquer. Ela não era uma adolescente qualquer.
Desceu as escadas e se obrigou a parar por um momento para saborear o doce aroma que saía da cozinha. Precisava admitir que a irmã havia melhorado muito na cozinha e tudo isso graças a Stefan. Seu pensamento parou em Stefan... será que ele teria algo terrível em seu passado assim como Damon? Balançou a cabeça livrando-se dos questionamentos. Só porque ela estava triste, não quer dizer que deveria deixar a irmã triste também. Deu as costas às risadas e ao aroma saboroso da cozinha e deixou a casa. Se estava triste, então pelo menos precisava gastar a energia que havia garantido com a caçada daquela manhã.
Optou por seguir para o leste, havia muitas flores naquela época do ano e ela se sentiria melhor acompanhada, do que por um monte de folhas verdes e troncos marrons. Não se preocupou em correr com a super velocidade, foi apenas caminhando, adentrando cada vez mais. A cabeça estava oca, não havia nada em que ela pudesse pensar ali e também não queria. Suas indagações sobre o relacionamento de e Stefan haviam sido deixados para trás, Damon havia sido deixado para trás. Ela tinha vontade de fugir, se afastar daquilo tudo, pular de um penhasco, quem sabe. Enquanto pensava nas maneiras mais grotescas de se matar (como um humano, é claro), mal percebeu o campo de flores que atravessava e o perfume que delas exalava.
Chegou a uma clareira e fechou os olhos, recomeçando a andar. Tudo estava se saindo muito bem, ela sabia quando se esquivar de árvores, galhos e afins. Até que sua sensibilidade espacial não estava tão ruim! Ela não queria se concentrar nos barulhos da floresta porque sabia que seria atraída para a caça, mas em dado momento ficou praticamente impossível de se ignorar uma voz feminina que vinha de algum lugar ali perto. caminhou apressada, a garota parecia murmurar palavras ininteligíveis, o que apenas a deixava mais curiosa.
Esgueirou-se entre duas grandes árvores e inclinou-se levemente para o lado, assim poderia ver o que a moça murmurava. Estava a uma distância segura, é claro, pois não queria ser flagrada. Entretanto, assim que pôs os olhos na cena, desejou que não o tivesse feito. Talvez fosse só um reflexo da cena que ela havia feito mais cedo, mas a dor era inimaginável, excruciante. Uma de suas mãos foi à boca enquanto a outra subia para o peito, em chamas.
Qualquer que fosse o número de mulheres com quem Damon havia dormido, aquela era mais uma para a sua coleção. Ele prensava a garota loira contra uma das árvores, seu corpo cobrindo totalmente o dela. Embora estivessem vestidos, o modo como se beijavam e grunhiam, dava outra impressão.
- Espionando? - ouviu uma voz atrás de si e se virou rapidamente, os olhos arregalados.
- Ai meu Deus você me assustou! - ela sorriu para o rapaz que estava diante dela. Ele era alto, muito magro, o cabelo loiro estava penteado para trás, modelado com gel. Vestia uma regata branca, dando para ver seus braços desenvolvidos, a calça jeans escura entrava em contraste contra sua pele extremamente pálida. Nos pés, um all star surrado completava o look despojado e adolescente; ele realmente não parecia muito mais velho do que ela.
- Pensei que tivesse me ouvido chegar. - ele manteve-se no mesmo lugar, as pernas levemente abertas e os braços para trás. - Não foi isso que o seu namorado disse hoje? Sempre alerta?
- Perdão? - sorriu com a testa franzida, deixando clara sua confusão.
- Você falhou . - ele disse em um tom sério e a menina ficava cada vez mais confusa.
- Não sei do que está falando. - ela tentou dar um passo para trás, mas estava encurralada pela árvore.
- Eu acho que sabe. - ele apontou-lhe um revólver calibre 40 e sentiu seu sorriso murchar, as mãos pareceram congelar e as pernas vacilaram. Não havia nada mais no mundo, apenas ela, o estranho rapaz e a arma. Ele podia muito bem estar blefando, com balas normais, mas pelo seu rosto, as balas eram de madeira. E elas machucavam, sabia que sim. - Não vai dizer nada? Porque não adianta correr, eu sempre estarei na sua cola. - seus dentes trincaram; estava petrificada, chamar ou não chamar Damon? Ah que se dane, concluiu ela, não precisava de ninguém para se defender!
- Olha, você deve estar me confundindo com outra pessoa, eu... - ela deu um passo para frente e a arma automaticamente disparou. Seu corpo de um solavanco, inclinando-se para frente e logo ela caía no chão forrado de folhas. Como ela havia imaginado: balas de madeira. Seu mundo rodou, a dor era insuportável, tentava gritar, mas não achava sua voz para isso.
O rapaz perverso se aproximou dela depois de guardar a arma, pelo seu olhar, Damon e a humana haviam corrido com o barulho, mas não para a direção certa.
- Chame pelo Mestre quando achar que for a hora. - e logo em seguida ele sumiu. tentou raciocinar, tentou se levantar, mas foi em vão. A bala penetrara de tal forma em seu abdômen que ela mal conseguia manter-se sentada. Não viu outra opção senão rastejar. Rastejou sob o sol por longos metros e, mesmo assim, parecia não estar chegando a lugar algum. As lágrimas escorriam livremente por seu rosto enquanto o lugar onde a bala se alojara ardia feito ferro em brasa.
Quem seria aquele homem? Ou seria um vampiro? Ele parecia saber muitas coisas sobre ela e, pior, sobre Damon. Mas o que mais ele poderia saber sobre Damon, afinal? Não dava para continuar pensando. Sua cabeça era uma bagunça completa, como um vórtice agitado. Ela não sabia por mais quanto tempo conseguiria rastejar, era como se seu corpo estivesse se desfazendo em mil pedaços. Tocou a gargantilha em seu pescoço, a qual levava uma pedra lápis-lazúli e o feitiço que a deixava andar no sol. Até aquilo pareceu queimar seus dedos.
Por que Damon havia corrido para a direção oposta? Como ele não a havia sentido? Por que ele não estava lá para ela agora? Essas dúvidas corroíam sua sensatez tanto quanto a bala parecia corroer seus músculos. Ela soltou um grito desesperado que apenas ecoou pela floresta, voltou a encarar o chão e resolveu dar uma olhada atrás de si, não havia nada mais do que uma trilha de sangue por onde ela havia rastejado.
Sentia-se como em um deserto escaldante, perdida e sedenta. Ou então como a sobrevivente de algum acidente terrível, quando toda e qualquer parte de seu corpo estava presa a ferragens. deitou-se de barriga para cima, ofegando desesperada. Estava sozinha e ferida, não havia quem a salvasse. Encarando as folhas verdes que a circundava, o frescor da brisa que a acometia se viu sem opção a não ser fazer uma última tentativa.
...
Capítulo 3.
largou o prato na pia de forma bruta, fazendo-o se espatifar em cacos. Seu olhar focalizou a janela do lado de fora, perdendo-se imediatamente. Ela ouvira a voz da irmã em sua cabeça, uma voz urgente, dolorida e, pior, desesperada.
- . - murmurou ela saindo em disparada da casa, sem nem dar tempo para Stefan pensar em segui-la. Ela não era guiada por nada mais além do instinto, sentia a pulsação irregular da irmã e, através dela, percorria a floresta em alta velocidade. Não sentia medo, apenas raiva. Raiva de quem quisera machucar sua irmã. Sim, ela sabia que estava ferida, conseguia sentir a dor latejando em suas veias. A ligação entre elas era muito forte.
havia perdido a conta de quanto tempo estivera deitada sob o sol latejante, a dor tornando-se cada vez pior, os soluços eram contidos para tentar amenizá-la, mas nada funcionava. Será que chegaria? Antes mesmo que pensasse em voltar a se arrastar, ouviu um flutuar de folhas próximo e alguém tapou o sol que batia em seus olhos. A mais nova sorriu aliviada, mas sua expressão saiu destorcida pela dor e pelo choro.
- De novo não. - ela ouviu a voz agoniada da irmã que a fez se lembrar de quando ela e haviam sido baleadas no quintal da própria casa. Agora ela podia comparar as dores e concluir que nada superaria a dor que uma bala de madeira proporcionava. Seu corpo foi elevado do solo forrado de folhas e rapidamente ela foi levada. A respiração entrecortada foi suprida pelo vento que batia em seu rosto, ela só desejava chegar logo em casa e remover o projétil.
Stefan estava tão concentrado em recolher os cacos do prato que quebrara que mal havia percebido a sua volta. Foi só quando um grito ecoou vindo da sala de estar que ele se pôs estático na porta do cômodo. estava ajoelhada ao lado de um dos sofás enquanto deitava em um deles, debatendo-se contra a mais velha.
- , eu preciso olhar esse ferimento. - ela dizia calmamente enquanto rasgava a blusa da irmã e, ao mesmo tempo, driblava os tapas que a mesma lhe dava.
- O que aconteceu? - Stefan se colocou ao lado da menina olhando para o abdômen intacto de , exceto por um hematoma preto enorme ao centro, próximo ao umbigo.
- Ela levou um tiro, mas eu acho que a bala penetrou. - alisava a barriga da mais nova o que a fazia espernear.
- Vamos ter que abrir então. Mas eu preciso dela calma, vamos drogá-la. - Stefan levantou-se, mas o segurou pela mão.
- O quê? Abrir? Não, de jeito nenhum! E como diabos se droga um vampiro? - ela tropeçou nas palavras balançando a cabeça, como se assim as ideias fossem se organizar.
- Verbena. - foi tudo o que Stefan disse.
- Eu já volto, meu amor. - passou a mão sobre o cabelo desgrenhado de que concordou trêmula. Ela não tinha mais forças para gritar, não tinha forças para quase nada. A dor era tudo o que lhe restava, o que indicava que ainda estava viva. Mesmo que fosse de forma cruel.
Damon pisou porta adentro e foi tomado pelo cheiro enjoativo da verbena, depois de tanto correr ao ouvir aquele disparo, e depois de drenar parte da jovem que havia encontrado apanhando algumas flores, o que ele menos queria era se sentir enfraquecido. Sua visão apresentava pontos coloridos cada vez que ele piscava e notou que a luz da sala estava acesa, e que de lá vinham gritos... Ele entrou no cômodo e paralisou. Stefan possuía um bisturi em mãos e atravessava a pele do abdômen de enquanto a menina gritava desesperadamente. segurava uma toalha úmida em sua testa e também a mantinha imobilizada.
- Está muito fundo, eu não consigo manter o corte aberto. - Stefan analisava, quase derrotado, o abdômen de que curava seu último corte. A pequena faca pingava sangue, deveria ser o vigésimo ou o trigésimo corte, ele não sabia bem ao certo.
- O que estão fazendo? - a voz de Damon saiu falha ao ver a sua menina sofrendo. Fazia tanto tempo que ele não se encontrava em uma situação daquelas. Havia se esquecido do quanto era tortuoso.
- Ela levou um tiro, a bala se alojou no abdômen e eu não consigo removê-la. Fim da história. - o mais novo Salvatore esbravejou mais para si mesmo do que para o irmão.
- Eu vou pegar mais verbena, você não pode ficar sentindo dor meu amor. - disse enquanto levava uma bacia de porcelana de volta à cozinha.
- Vou ver se tenho algo mais preciso do que isso, algo que corte mais fundo. - Stefan se levantou logo em seguida deixando o cômodo.
- Damon... - sussurrou e ele se aproximou de prontidão, sentando-se na borda do sofá e segurando-lhe a mão. - Me desculpe... - ela soluçou seguindo por um gemido alto de dor. - Eu não... eu não deveria ter feito aquilo hoje de manhã. - ela soluçou repetidas vezes, tentando tomar fôlego.
- Eu... - mas ele estava petrificado, a maneira como ela lhe apertava a mão dizia o quanto estava doendo. - Eu também não fui certo, .
- Eu sei... - ela sorriu fraco enquanto lágrimas escorriam de seus olhos. - Eu estava lá e você correu para o outro lado, Damon; quando o tiro ecoou, eu caía no chão e você corria. - disse a voz amargurada e falha.
- Sinto muito. - beijou-lhe as costas da mão e acariciou o cabelo sedoso da namorada. - Eu sinto muito meu amor. - seus olhos encharcaram-se, mas ele engoliu o choro. era sempre a que sofria.
- Pronto, aqui, isso vai te acalmar. - voltou aos tropeços para a sala e tirou a toalha da testa de . Damon não se mexeu, seus olhos fixos na expressão sofrida da amada. Céus onde ele estava com a cabeça ao ter brigado com ela daquela maneira?
- Eu acho que isso deve servir. - Stefan também voltava com um facão de açougueiro e um espaçador de metal. estremeceu, estava fraca e confusa, perdendo o rumo...
- Vocês devem chamar o Mestre. - ela lembrou-se das palavras que o rapaz havia lhe dito e resolveu fazer delas seu último suspiro.
Damon, e Stefan intercalaram olhares franzindo o cenho. No mesmo momento, ouviram batidas na porta. Os caninos se alongaram e todos eles se puseram em posição de defesa. Stefan seguiu para a porta abrindo-a com cautela.
- Boa noite. - ouviu-se uma voz cordial do lado de fora. O homem não deveria ter mais do que trinta anos, cabelos loiros e olhos negros intensos. Stefan ficou parado olhando-o, se perguntando de onde ele surgira. - Creio que me chamaram. - ele pisou dentro da casa de modo irônico, como se mostrasse que ele não precisava ser convidado.
- Ninguém o chamou. - levantou-se, colocando-se na frente do sofá, protegendo a irmã com o corpo.
- Oh, e não foi essa jovem aí que me chamou? - ele desviou seu tronco alguns centímetros para o lado e pôde, então, ver deitada o encarando. Os olhos cada vez mais opacos e a pele ressecada.
- Mestre? - sussurrou ela com a voz carregada de dor.
- Sim, minha querida, sou eu. - ele sorriu cordial e encarou Damon. - Ela me chamou. - apontou com a cabeça para a pequena Cardigan.
- Não estou gostando disso. - Stefan sussurrou baixo o suficiente para que ele, o irmão e a esposa o ouvissem, mas o homem virou-se para ele.
- Você não precisa gostar meu jovem. - Não havia mais dúvidas, o homem que se autodenominava Mestre era um deles. E, pelo jeito, sabia de muitas coisas. - Creio que todos concordam que ela precisa ser salva. - ele apontou para e Damon retorceu a face em fúria.
- Nós conseguimos fazer isso. - rosnou ele e tudo o que o outro fez, foi rir.
- Tem certeza? Parece-me que ela está há um bom tempo com essa bala alojada. - ele cruzou os braços. - Agora vamos, não temos tempo a perder. Você, - ele apontou para Damon. - carregue-a. - ordenou virando-se para a porta.
- Espera, onde estamos indo? - Stefan o segurou pelo braço e o rapaz o olhou de cima.
- Para o meu palácio, é claro. Lá poderemos cuidar dela. - deu de ombros como se fosse óbvio. Stefan olhou para , depois para Damon e, por fim, para no colo do irmão mais velho. Ele suspirou e passou a seguir o estranho.
Todos entraram em uma limusine preta e o silêncio predominou, exceto pelas exclamações sofridas de que ficavam mais fracas a cada minuto que se passava.
- Sinto que não me apresentei de forma correta. - o homem de cabelos loiros cortou o silêncio de forma tranquila e todos o olharam. - Eu sou Francis, tenho mil e oitocentos anos. - ele sorriu parecendo achar graça.
- Damon Salvatore, estes são meu irmão Stefan, a esposa dele e a irmã dela . - Damon manteve a expressão dura e fria, desconfiada.
- Oh, mas como esses nomes combinam! - ele bateu palmas, animado.
- Como nos encontrou? - Stefan abraçava protetoramente como se, a qualquer momento, algo fosse vir em sua direção e machucá-la.
- Através do chamado da pequena, é claro. - ele sorriu, mas isso não desfez as expressões duras dos três.
- Não foi isso o que perguntei. - o mais novo rebateu. - Por que tenho certeza de que foi você quem atirou nela?
- Ora meu jovem, não me acuse só porque quero ajudar! - Francis riu de modo estridente. - E não faço ideia de quem atirou na pobre moça, nos dias de hoje não se pode mais confiar em ninguém. - segredou.
O caminho parecia interminável, Stefan e estavam tensos, Damon segurava com delicadeza, como se ela fosse quebrar a qualquer momento, mas não podia relaxar. Francis estava olhando muito para ela. Era estranho, eles não podiam negar, todos os seus instintos apitavam de forma treslouca, entretanto eles sabiam que era o único jeito para curar . Nada mais importava.
Estariam eles entrando no caminho errado?
- Convidados por aqui, enferma por aqui. - Francis apontou para direções opostas. Os três que ficaram não protestaram, afinal, estavam embasbacados pela imensidão e beleza da casa do vampiro sênior. - Fiquem a vontade, meus queridos, vou pedir para servi-los. - ele disse seguindo para um dos criados e sussurrando algo e depois o jovem se retirar do salão.
- Ela vai ficar bem, não vai? - Damon perguntou tomando consciência de que estavam lá por e nada mais.
- Claro, e por que não ficaria? - Francis sorriu e apontou para um corredor que havia bem ao lado da escada enorme em espiral. - Por favor, vamos para a sala enquanto ela é curada.
Eles o seguiram em silêncio, a sala deveria ser, pelo menos, seis vezes maior que a dos próprios Salvatore e havia vários artefatos espalhados pelo cômodo, dos mais antigos até os mais contemporâneos.
- Harry, querido, sentiu minha falta? - Francis se dirigiu para outra pessoa que se encontrava presente no cômodo. Era um pouco mais alto que Stefan e Damon, tinha cabelos castanhos escuros e curtos, arrepiados em um moicano, o tronco era bem desenvolvido e, no momento em que ele virou, puderam notar seus olhos azuis. Ainda mais azuis que os de Damon.
- Quase nada. Você só saiu por doze horas! - ele disse de modo tranquilo, porém irônico.
- Minhas desculpas. Harry, estes são meus convidados de hoje, Damon e Stefan Salvatore e ... - ele agitou a mão no ar, tentando se lembrar de algo que a menina não havia mencionado.
- Cardigan. - ela completou cautelosa.
- Isso, Cardigan! E a pequena Cardigan, é claro. - ele disse sorrindo, mas parou ao notar que Harry estava com uma sobrancelha erguida. - Oh, está com Renata. - concordou calmamente e depois seguiu para um canto da sala.
Harry segurava um copo de uísque e virou-se para os três, olhando casualmente para cada um, entretanto, demorando-se um pouco mais em . Seu jeito despojado de se vestir não lhe dava mais do que vinte e quatro anos e não podia negar: havia se sentido atraída por ele. Mas ela era fiel ao seu marido e, naquele momento, à sua irmã. Só queria que ela ficasse bem e que eles dessem o fora de lá o mais rápido possível.
Tudo parecia estar longe de acontecer. Horas e horas se passaram, logo já estava de noite, e nada de aparecer...
- Vou pedir que mostrem seus aposentos, sim?
Capítulo 4.
- Aposentos? - Damon arregalou levemente os olhos, tossindo em seguida, desconfortável.
- Sim, para passar a noite aqui. - Francis disse com a expressão inabalável.
- Ah não, nós precisamos ir embora. - Stefan disse rapidamente. - Quando estará pronta?
- Não antes de amanhã. - o rapaz disse despreocupado.
- Para quê tanto tempo? - franziu o cenho.
- Ela precisa se recuperar totalmente, estava bem desgastada quando a vimos pela última vez. - lamentou ele.
- Sendo assim, aceitamos passar a noite, mas pela manhã iremos embora. - Stefan disse olhando da esposa para o irmão que concordaram.
- Certo, certo, como quiserem! Julian? - chamou e um rapaz baixinho e moreno apontou no salão. - Mostre a eles os quartos. - sorriu. - O jantar será servido em seus aposentos. Boa noite. - dizia ele enquanto os hóspedes se levantavam e seguiam o criado para fora.
- Boa noite. - disseram um após o outro.
- Tem certeza de que é essa a garota? - Harry perguntou observando o enorme pátio que havia fora da casa.
- Não poderia estar mais certo! - Francis deu um tapinha no ombro de Harry e os dois brindaram.
acordou e estava em um quarto, um quarto escuro. A dor dilacerante havia ido embora e ela deitava em algo macio e confortável. Ergueu levemente o tronco e viu que estava em um quarto um tanto quanto pequeno, vestindo uma camisola um tanto quanto estranha. Havia uma cama de casal, na qual ela estava deitada, um pouco para a esquerda havia uma parede inteira envidraçada, logo a frente um armário branco embutido e entre as portas, um espelho que ia do teto ao chão. Por debaixo da porta havia uma luz do que parecia ser o corredor. Ela levantou-se, mas antes que chegasse à porta, um clarão lhe chamou a atenção. Quando deu por si, o espelho havia sumido e, agora, parecia mais como um vidro transparente.
Aproximou-se lentamente e viu um ambiente muito parecido com o qual em que estava, havia uma cama como a sua, mas outra pessoa nela. Damon. sorriu grudando no vidro e bateu levemente para chamar a atenção do garoto. Mas nada aconteceu.
- Damon? - ela chamou franzindo o cenho. Mas ele olhava para um ponto fixo, à esquerda, e não para ela. - Damon? - chamou ela novamente e se afastou um pouco para vê-lo melhor. Ele sorria e esticava o braço, mas não era em sua direção.
Então ela viu. Quatro jovens faziam companhia para ele; todas elas lindas e esbeltas, do jeito que nunca seria. sentiu novamente o aperto no peito e encolheu-se até chegar à cama, onde se sentou de olho na vitrine. Era uma espécie de orgia, ele tinha todas as garotas que queria e poderia fazer tudo o que quisesse. E ela estava lá, sozinha, depois de se recuperar de uma bala de madeira, a qual não havia sido fácil. Sua última memória antes de apagar na sala esterilizada, foi a de que um dos criados de Francis a levara até lá.
Seus olhos não conseguiam se desviar da cena que tinha à frente. Ela já os sentia lacrimejar e suas mãos tremiam. nunca havia se sentido tão sufocada quanto estava se sentindo naquele cômodo. A cabeça dava mil voltas, então ela só se encolheu na cama e deixou de olhar. Da última vez que olhara, duas das garotas estavam seminuas e cheias de marcas de mordidas. Estava tendo o seu pior pesadelo e sequer conseguia sair dele. Sentia-se desnorteada, traída, abandonada. A sensação era horrível e ela só queria se desligar dela, desligar-se do mundo.
Uma batida na porta. desviou os olhos rapidamente para a mesma, assustada. Quem poderia ser? Aproximou-se da maçaneta, o corpo esgueirado sobre a madeira e a abriu com cautela. Um rapaz muito bonito, moreno dos olhos verdes, estava parado ali. Seu sorriso branco chegou à como um holofote. Então ela começou a reparar no resto do rapaz. Vestia um roupão felpudo azul marinho e aparentava ser bem forte por debaixo daquilo. A gola não estava exatamente fechada, o que dava a mais nova Cardigan uma ideia de como sua pele era sedosa e brilhava.
- Boa noite , eu fui enviado como cortesia da casa. - ele adentrou o quarto sem mais nem menos, despindo-se como se fosse a coisa mais normal do mundo. deixou seu queixo cair ao vê-lo de costas, apenas com uma boxer preta. O que era aquilo, afinal, um bordel? Mas quando ele virou-se de frente para ela, o sorriso de canto a canto, ela percebeu: as diversas marcas de mordidas já cicatrizadas que estavam espalhadas pelo seu corpo malhado. Ele era a comida naquela casa. - Podemos? - ele a puxou pela mão só então encarando seu corpo, os olhos desejando-a de repente.
Ajoelharam-se na cama, frente a frente, ele insistiu em segurá-la pela cintura enquanto traçava um caminho de sua bochecha até o pescoço da menina. deu uma última olhada na vitrine de seu quarto e sorriu. Agora era a sua vez.
Damon mal podia acreditar que estava se divertindo tanto. Por um momento havia se esquecido do porque estava lá, o sangue daquelas moças estava tão delicioso... mal havia notado o espelho, praticamente transparente, que havia logo de frente à sua cama. E ele mostrava o outro quarto. Duas pessoas em cima da cama, coberta com um lençol vermelho vivo. Eles se beijavam. Damon sorriu enviesado, pelo menos a diversão não parecia se esgotar.
Mas ele passou a prestar atenção, quando o cara alto desceu os lábios para os ombros da moça e ela o acompanhou com o rosto, enquanto ele deslizava as mãos pelas costas, desabotoando a camisola mais do que transparente dela. O cabelo ainda caía sobre o rosto dela, mas quando sua cabeça se inclinou de prazer, ele finalmente pôde ver. Era ela. A sua .
Que raios estava acontecendo? Por que aquele cara estava ali e não ele? Seria uma alucinação? Um sonho? Não, nunca o trairia. Se bem que ela já havia se enroscado com aquele cara na floresta. O sangue do mais velho borbulhou e ele desviou o olhar para as moças, forçando um sorriso. Tiraria essa história a limpo no dia seguinte, decidiu, mas enquanto o mesmo não chegava, por que não aproveitar as mordomias?
- Stefan e ? - uma garota loira e esbelta e um rapaz alto e “bombado” entraram no quarto logo depois de baterem à porta. e Stefan, que estavam deitados lado a lado na cama, conversando, se sentaram assustados.
- Sim? - respondeu o rapaz um pouco desconfiado.
- Francis nos mandou. - a moça disse com naturalidade vazia, ou seja, deveria estar sob coerção. Desamarrou o robe de seda que vestia e se aproximou de Stefan. o olhou de cara feira e o garoto balançou a cabeça. O rapaz também se aproximou de e a menina se viu tentada. Estava exausta e sedenta por sangue, tinha de admitir, então nada lhe restava a não ser cravar as presas sobre a pele reluzente e morena do forte rapaz a sua frente. Stefan ficou algum tempo admirando a esposa se alimentar, como ela era linda até mesmo enquanto atendia aos seus instintos. Virou-se para a jovem à sua frente e também deixou que seus caninos lhe escapassem, perfurando a pele branquinha da menina que sequer gritou.
O rapaz, que dispensara saber o nome, estava sentado na cama com as costas apoiadas desajeitadamente sobre a cabeceira enquanto as pernas esticavam-se a frente do corpo, sustentando o peso da pequena. mantinha-se sentada sobre o colo do mais velho, sugando-lhe lentamente o sangue através de pequenas perfurações no lado esquerdo do pescoço.
- Até que você tem bastante sede para o seu tamanho. - murmurou o rapaz em uma voz mole e sexy.
- As aparências enganam. Você é delicioso. - a menina separou-se do rapaz e o encarou, o sangue escorrendo pelos cantos da boca.
- Hum, obrigado linda. - ele limpou o traço de sangue que se mantinha no queixo de o que a fez sorrir.
- Eu já estou saciada, querido, sinto que agora preciso descansar. - ela saiu de cima do mais velho, ajeitando-se na cama e voltando a vestir a camisola.
- Como quiser meu bem. Durma bem. - ele voltou a vestir o roupão e beijou-lhe na testa, saindo do quarto em seguida.
se aconchegou na cama e adormeceu logo em seguida. Sentia-se leve e saciada, tudo agora estava bem.
- Bom dia meus queridos. - Francis disse amigavelmente, abrindo os braços, sentado da ponta da mesa. Damon, e Stefan estranharam o fato de só ele estar presente, mas resolveram deixar as perguntas para depois. Aceitando ao convite do mais velho, sentaram-se à mesa. - Harry estará se juntando a nós em alguns minutos.
- E onde está ? - Damon não pôde evitar o trincar de dentes ao se lembrar da cena que havia visto noite passada, Francis pareceu se divertir com a sua reação.
- É justamente isso que Harry foi verificar. - ele deu de ombros.
- Mas por que não nos chamou? - perguntou controlando o tom de voz para não sair de acordo com sua irritação.
- Ora, não queria incomodá-los em seu sono. Dormiram bem, por acaso? O que acharam do jantar? - Francis apoiou seu queixo em uma das mãos, mostrando total interesse no assunto.
- A noite foi boa, muito obrigado pela hospitalidade. - Stefan sorriu forçado pegando um pedaço de crossaint da mesa e começando a comer. o olhou horrorizada, como poderiam falar sobre si mesmos enquanto eles sequer haviam visto ?
Harry andava calmamente pelo corredor, cumprimentando um ou outro criado que cruzava seu caminho. A verdade era que ele impunha medo nas pessoas e Francis sempre lhe dissera isso. Bem, talvez fosse realmente verdade. Mas precisaria quebrar o gelo se quisesse atingir , e, melhor ainda, precisaria afastar Damon dela. Não importava como tivesse que fazer isso.
Suas mãos tocaram a maçaneta dourada da porta, tentado a abri-la. Mas simplesmente passou a chave que havia tirado do bolso e deu duas voltas na fechadura, tornando a guardar a peça de ferro no bolso e continuando a caminhar pelo corredor com um sorriso no canto dos lábios. Desceu as longas escadas e seguiu pelo corredor, virando à segunda porta direita, a que dava para o salão de refeições.
- Desculpe a demora. - ele disse sentando-se na ponta oposta a Francis que acenou levemente com a cabeça voltando a se concentrar no que dizia.
- Como ela está? - Damon perguntou rapidamente e Harry precisou se segurar para não sorrir.
- Indisposta eu receio. - mas ele manteve a expressão séria e, até certo ponto, fria. - Preferiu ficar descansando em seus aposentos.
- Oh, vamos deixá-la se recompor, tenho certeza de que aparecerá quando estiver preparada.
- Mas vamos embora ainda antes do meio dia. - Stefan disse como ressaltando algo que havia sido esquecido. E de fato havia; Francis tomou um susto, ou pelo menos fingiu muito bem, quando ouviu a palavra 'embora'.
- Tão cedo? Deixem a pequena se recuperar. Vocês estão em casa, podem fazer o que quiserem aqui. Pensem como se estivessem em uma colônia de férias. - sorriu ele simpático e os Salvatore se olharam.
- Por favor, sinto que já os incomodamos demais. - Stefan insistiu, queria dar o fora dali o mais rápido possível.
- Não será incômodo nenhum, vocês nem terminaram de ver a casa. - Harry deu de ombros enquanto passava um pouco de geleia de morango sobre uma torrada.
- Exato! - Francis disse de súbito, assustando levemente.
- E o resto da casa seria...? - encorajou ao ver que a conversa morreria ali.
- Oh querida, não posso estragar a surpresa! - Francis deu uma leve piscadela.
- poderá nos acompanhar? - a garota perguntou animada.
- Assim que ela se sentir disposta, não vejo o menor problema. - garantiu Harry e trocou olhares discretos com Francis que sorriu presunçoso.
- Perfeito. Vou guiá-los mais tarde. - o mais velho sorriu largo e passaram a comer em silêncio.
No segundo andar da casa, quase no meio do longo corredor decorado com finos papeis de parede e portas brancas de maçanetas douradas, em um daqueles quartos estava a mais nova Cardigan. despertava lentamente, espreguiçando-se sobre a enorme cama e comprimindo os olhos antes de abri-los. O colchão macio afundava conforme ela rolava seu corpo de um lado para o outro, rindo baixinho por ter dormido tão bem. Foi até o banheiro e lavou o rosto, escovou os cabelos e os arrumou em uma trança. Olhou para baixo e concluiu que não deveria desfilar pela casa de camisola transparente, portanto voltou ao quarto e alcançou um robe de seda lilás que pendia em um cabideiro que havia no canto do cômodo. Seguiu até a maçaneta e deu de cara com a madeira da porta.
Estava trancada.
Capítulo 5.
virou-se para o restante do quarto, um pouco atordoada. Por que a porta estaria trancada? Ela era uma hóspede, certo? Certo. E ontem aquele rapaz entrara por ali, certo? Certo. Andou até a imensa janela que havia na parede oposta à da porta e olhou o vasto jardim, muito bem cuidado, que preenchia de cores a sua visão conforme o sol as atingia. Deu mais uma volta pelo quarto, sentindo-se agitada, olhou para as portas do guarda-roupa embutido e arqueou a sobrancelha. Resolveu dar uma vasculhada pelas portas.
Abriu a primeira sessão e encontrou várias gavetas, de madeira tão branca quanto a que revestia o móvel por completo. Abriu uma delas e deparou-se com um amontoado de tecidos e rendas vermelhas, pegou uma delas na mão, tinha uma etiqueta onde se via, escrito em dourado, Victoria's Secret.
Seu sorriso entortou um pouco, embora a etiqueta mostrasse que a peça era de seu tamanho, estava descrente de que algo tão minúsculo como aquilo serviria nela. Colocou-a de lado e tirou outra peça de lingerie da gaveta, também vermelha, mas um pouco mais escura e discreta. Todas estavam etiquetadas, novas, e não tinham nenhum sinal de terem sido mexidas antes que a pequena Cardigan as tocasse. Jogou as calcinhas dentro da gaveta novamente e partiu para a de baixo, encontrando lingeries, também, só que na cor azul. Vários tons, vários modelos e todas novas.
Ela tinha razão: aquilo só poderia ser um bordel! Quando que um quarto teria tantas roupas íntimas quanto aquele em que ela estava trancada? Abriu o resto do guarda-roupa e tudo o que encontrou foram baby-dolls, robes de todas as cores, meias sete-oitavos, cintas-ligas, espartilhos. Era quase uma sex shop!
As horas se passaram enquanto ela provava os robes e se divertia com os espartilhos; para , não era mais um problema ficar trancada. Se eles a queriam com poucas roupas, só poderia ser entre quatro paredes mesmo.
- Tudo isso está cheirando muito mal. - Damon comentou com Stefan. Francis os havia deixado no salão de jogos e eles tentavam se distrair na mesa de sinuca. , por outro lado, não desgrudava de uma das janelas que ali havia. Ainda não perdera as esperanças de que podia ver sua irmã novamente.
- É, viu o jeito com o qual acham que estão nos enrolando? - Stefan deu uma tacada encaçapando duas bolas.
- Patético, nem parece que eles têm mais de mil anos. - Damon revirou os olhos bufando em seguida. À sua cabeça voltavam flashes da noite anterior quando vira sua pequena nos braços de outro homem. Não era a primeira vez, mas agora que não poderia tirar satisfações com ela, a culpa parecia acometê-lo cada vez mais fortemente.
- Se Katherine ainda estivesse viva, eu poderia jurar que isso é obra dela. - o mais novo Salvatore disse fazendo com que o irmão errasse a tacada e quebrasse o taco no meio. os olhou.
- E se for? - perguntou ela arrancando um riso sarcástico do mais velho.
- A não ser que ela seja uma fênix e renasça das cinzas, por favor, né, ? - Stefan o olhou duro.
- Será que posso me atrever a perguntar o porquê desse seu mau humor? - perguntou o mais novo abraçando a esposa que também olhava para o moreno de olhos azuis, preocupada e curiosa.
- Vi na noite passada. - disse ele com descaso largando os dois pedaços de madeira sobre a mesa aveludada verde. Os olhos se mantinham na bola branca, bem ao centro da mesa.
- Você falou com ela? Como ela está? - se agitou, como Damon havia deixado aquele detalhe passar? Por que ele não havia confrontado Francis para vê-la?
- Nossos quartos têm uma espécie de ligação, uma vitrine. Eu podia vê-la do outro lado... - seu sorriso tornou-se maléfico. - com outro homem.
- Oh Damon... - tapou a boca com uma das mãos enquanto com a outra apertava a de Stefan.
- Vocês precisavam ver o quanto ela estava gostando, vestida naquela camisola de vadia...
- Ok Damon, - Stefan disse em tom repressor. - já entendemos que você está com raiva dela. Mas, irmão, você a ama! E ela te ama, deve ter alguma explicação e...
- Como estão meus hóspedes adoráveis? - Francis irrompeu na sala, deixando-os, de certa forma, assustados. - Se divertindo?
- Claro. - sorriu forçado e Stefan permaneceu com os lábios pressionados em uma linha fina.
- Na verdade eu não estou não, - Damon virou-se para o vampiro e ficou tensa. Que ele não fizesse nenhuma besteira... - esse taco não foi feito para uma força sobrenatural. - brincou ele sem achar graça, ao contrário de Francis que se desmanchou em risos.
- Oh, sei bem o que quer dizer. Infelizmente não tenho nada mais resistente do que isso. - o homem sorriu com a sobrancelha arqueada, chegando a ser irônico.
- Não que isso seja necessário. - em um movimento rápido, Damon pegou uma das partes do taco e o direcionou sobre o peito de Francis que, ainda mais rápido, revidou o golpe, torcendo o braço de Damon e imobilizando-o de costas, com o pedaço de madeira apontado para seu pescoço. estava agarrada ao braço de Stefan, o qual tinha uma expressão tensa no rosto. Como Damon podia ser previsível às vezes!
- Tem talento, Damon Salvatore. - Francis murmurou próximo ao seu ouvido, fazendo o rapaz bufar frustrado. - Mas não o bastante. - soltou-o bruscamente e sorriu para Stefan e . - Que tal se um dia treinarmos? Posso te ensinar algumas coisas. - ele fez uns golpes no ar, animado. Damon ainda ofegava e voltava seu ombro, deslocado, no lugar.
- Mal posso esperar. - disse ele baixo, a voz afetada pelo orgulho esmagado.
- Excelente. - o rapaz sorriu e se retirou.
- Qual é o seu problema? - Stefan parou na frente do irmão que revirou os olhos. - Nos colocou em risco agora a pouco, sabia disso? Poderia tê-lo feito nos expulsar daqui e nunca mais veríamos !
- Eu não me importo, - Damon afastou-se do irmão, seguindo de costas para a porta, mantendo o olhar nos dois. - eu estou fora daqui. - agitou as mãos no ar e deixou a sala.
- Stefan... - o segurou pela mão quando ele ameaçou deixar o quarto. - Deixe-o ir, ele vai voltar. - embora estivesse com a voz firme, por dentro estava tão temerosa quanto Stefan. A verdade era que seria muito mais difícil do que eles pensavam.
- Eu vou dar o fora daqui. - Damon dizia para si mesmo enquanto seguia pelo corredor principal, já podendo ver a porta ao longe. Sua cabeça estava uma bela de uma confusão; a força que usara com Francis era o melhor que poderia fazer, mas ao menos tentara. Pensava se realmente gostaria de ir embora dali tanto quanto ele, seu irmão e .
E se ela estivesse gostando? Pelo menos era melhor do que ele poderia lhe oferecer. É, ela estava bem, não precisava mais dele, poderia ter qualquer homem que quisesse não é mesmo?
- Vai a algum lugar? - ouviu atrás de si e antes mesmo que virasse, Harry colocava-se a sua frente, entre a porta e ele.
- Sim, embora daqui. - o rapaz disse de mau humor aparente, mas tudo o que o outro fez foi sorrir e colocar uma das mãos sobre seu peito.
- Mas não vai mesmo. - empurrou-o de volta para o corredor, dessa vez para a escada que daria acesso ao primeiro andar. Damon ainda tentou se esquivar, afinal, quem diabos ele pensava que era para tocá-lo daquela maneira? - Aproveite a estadia, Damon. - disse Harry sarcástico jogando-o dentro de seu quarto e fechando a porta em seguida.
Damon tentou abri-la, mas estava trancada, tentou socá-la, mas a mesma parecia indestrutível. Gritou com os nervos à flor da pele. Sentou-se à cama e escondeu o rosto nas mãos, os dedos enroscando-se em seu cabelo. Agora que estava trancado, teria um pouco de paz?
- Damon já foi? - Stefan perguntou quando viu Harry apontar na sala de forma despreocupada. notou o sorrisinho disfarçado do rapaz que rapidamente se recompôs para se dirigir a seu marido.
- Ele mudou de ideia, foi descansar no quarto. - respondeu simplesmente causando olhares surpresos entre e Stefan.
- Tem certeza?
- Claro, eu mesmo o redirecionei até lá. - deu de ombros brincando com as bolas de sinuca que ainda restavam sobre a mesa. - Aceita jogar uma partida? - sorriu olhando para Cardigan, entretanto a pergunta havia sido para Stefan.
- Desde que você não quebre o taco. - Stefan deu de ombros, mais uma vez deixando irritada. Como ele podia ficar tão calmo, agora que, tanto irmão quanto a cunhada, estavam perdidos em algum lugar daquela enorme mansão?
cruzou os braços e saiu da sala, deixando os dois rapazes disputando entre si. Homens poderiam ser tão inúteis quando queriam! Andou pelos corredores da mansão sem direção certa, passando por diversas portas, aberta e fechadas, encontrando vários criados que a cumprimentavam com reverências. Queria, no final de tudo, entender como eles haviam ido parar naquela tremenda furada, se era assim que ela poderia chamar o que estava vivenciando. Só que, dessa vez, não era a única a sofrer; ela e Stefan sofriam por não conseguir fazer nada para ajudar a mais nova enquanto Damon também sofria por vê-la com outra pessoa.
E Francis, havia algo a mais naquele vampiro, algo que nenhum deles conseguira descobrir, ao mesmo tempo em que parecia distraído demais, os analisava até o último detalhe. Ele parecia saber muito mais sobre os Salvatore a as Cardigan do que eles mesmos. Quanto a Harry, sentia que ele tinha um interesse particular nela e na irmã, só ainda não sabia bem o porquê. Mas com certeza iria descobrir, pelo seu próprio bem e o da caçula, não podia simplesmente esperar que Stefan e Damon fizessem toda a investigação.
Divagando em pensamentos, planos e possibilidades, mal notou que havia entrado em uma espécie de biblioteca e escritório que, por sinal estava ocupada.
- Oh, desculpe, eu não... - ela não conseguiu terminar a frase tamanha a vergonha que sentia. Encostado à mesa do escritório estava um rapaz alto e sarado, sem camisa e com a calça mostrando mais da metade da cueca, já que estava aberta. Logo à sua frente, encurralando-o na mesa, estava Francis, os lábios sujos de sangue, assim como seus caninos que estavam alongados e as veias negras saltavam de seus olhos.
- , não vá! - ele disse quando a menina virou-se de costas, ameaçando deixar o cômodo com as mãos próximas aos olhos, se censurando. - Por que não prova um pouco? - ofereceu ele sorrindo e só então a garota pôde se concentrar no aroma delicioso de sangue que saía da ferida aberta do rapaz, próxima à jugular.
- Não estou com fome, obrigada. - ela prendeu a respiração, contraindo os caninos que teimavam em sair. Fechou os olhos com força, como Stefan havia lhe ensinado para controlar a sede e, por um momento, achou que não conseguiria.
- Sendo assim, Alex, terminamos depois. - ele disse para o rapaz que sorriu e deixou a sala, fazendo questão de passar rente ao corpo de , que estava rígido. - Muito bem, querida, o que a traz até aqui? - perguntou ele limpando a boca com um lenço branco.
- Estou certa de que tem respostas para as minhas perguntas. - cruzou os braços, sentindo-se um pouco insegura, mas simplesmente não poderia vacilar. Era a vida daqueles que amava que estava em jogo ali.
- Você definitivamente é um bom jogador, tenho de admitir. - Harry sentou-se em uma das poltronas que havia na sala de jogos enquanto observava Stefan guardar seu taco.
- Não foi fácil te derrotar. - Stefan sorriu e sentou-se ao lado do rapaz. - Mas devo dizer que meu irmão é bem melhor. - cutucou ele, mas o outro apenas sorriu perdendo seu olhar em algum canto do cômodo.
- Um dia vou derrotá-los. - Harry sorriu sombriamente. Stefan havia entendido o duplo sentido daquela frase e não pôde deixar de sorrir. Ele estava tão errado!
Capítulo 6.
- E o que a leva a pensar assim? - Francis pareceu não se abater com a pergunta repentina. Terminou de limpar os lábios e sentou-se na cadeira que havia por detrás da mesa. se manteve estática, tinha quase certeza de que o rapaz desviaria do rumo da conversa pelo silêncio que fazia enquanto a encarava com o olhar petulante, como uma criança contrariada.
- Simplesmente sei. Agora preste atenção: quero ver a minha irmã para podermos ir para casa. Pode ser? - passou o peso de um pé para o outro, não estava gostando da atitude de Francis, ela poderia muito bem acabar com ele.
- Não. - respondeu ele simplesmente com um sorriso mostrando todos os dentes. agiu por instinto e, quando viu, pressionava o pescoço de Francis contra uma das paredes cobertas de papel de parede. - Você não me assusta, . - ele inverteu as posições, sussurrando bem próximo ao seu ouvido. O sangue de ferveu, mas ela apenas bufou, era impossível conversar civilizadamente com canalhas como Francis. Ela simplesmente o empurrou para que se sentasse de volta à sua cadeira e deixou o cômodo, enfurecida.
O rapaz colocou os pés sobre a mesa inclinando a cadeira e juntando os dedos das mãos em frente ao rosto, pensativo, mas com um sorriso estampado. Harry precisava agir o mais rápido possível, ele sabia que os Salvatore não eram bobos e fariam de tudo para arrancar-lhes a pequena e preciosa .
Stefan fechou a porta do quarto que dividia com e a observou sentada na cama, de costas para ele. A cabeça estava levemente abaixada e ele conseguia sentir a sua raiva. Era quase como um campo de força ao seu redor, a respiração descompassada e audível dela deixava tudo mais claro. Ele aproximou-se pé ante pé e sentou-se ao seu lado em silêncio, esperando que ela falasse.
- Não será nada fácil, Stefan, eles querem alguma coisa com a minha irmã. - ela suspirou, a voz vacilante. - Eu não posso deixá-la aqui, ela é tão nova...
- , acalme-se. é uma garota forte e independente, ela sabe se defender!
- Stefan, você não entende, - a menina virou-se para o rapaz com os olhos úmidos. - ela não é párea para eles, vão matá-la!
- De onde você tirou essa ideia, ? - perguntou ele, agora sério.
- Eu simplesmente sei. - cruzou os braços voltando seu olhar para a janela do quarto.
- Acho que devemos ver Damon, vamos conseguir passar por isso, juntos. - Stefan a abraçou de lado e beijou-lhe o topo da cabeça. Não fazia ideia de como conseguiriam vencê-los. Mas de uma coisa ele sabia: precisava provar para Harry que ele estava errado.
mexia no nó de seu robe completamente entediada. Já cansara de se aventurar pelas lingeries finas que havia em seu quarto. Provara vários conjuntos e, por fim, optara por ficar com um azul bebê. Andara de um lado para outro, tentara abrir a porta, olhara para todos os lados, cada canto já havia sido decorado por seus olhos ávidos. Agora seu corpo apenas descansava na cama, sem muito o que fazer.
Até que ela ouviu passos no corredor. Eram leves, porém determinados, o tilintar de chaves os acompanhava e pareciam se aproximar de sua porta. Procurou não parecer muito ansiosa caso a porta se abrisse, então, voltou a se concentrar na fita de seda que amarrava o robe, mas mantendo um sorriso no canto dos lábios. Como imaginava, a chave foi colocada na fechadura e, duas voltas depois, a maçaneta era girada e a iluminação do corredor invadia o quarto, já escurecido pela noite.
finalmente virou seu rosto na direção da pessoa que ainda estava parada à soleira da porta, sabe-se lá esperando o quê. Seu sorriso aumentou, transformando-se em uma expressão safada. Hora do jantar. O rapaz era alto e forte, vestia um roupão azul marinho e tinha as pernas nuas, assim como parte do peito que aparecia sob a gola em V da única peça de roupa que parecia vestir.
- Já era hora. - murmurou ela de forma sexy. - Estava me perguntando quando mandariam a próxima refeição.
Ele sorriu também, desamarrando o roupão e o pendurando em um cabideiro que havia no canto do quarto ficando apenas com uma boxer preta, extremamente sexy na opinião da mais nova. Ela ajoelhou-se na cama, de frente para o rapaz que caminhava em sua direção, a luxúria habitando seus olhos incrivelmente azuis. As mãos grandes dele envolveram a cintura de , ainda por cima da peça de seda que vestia e os rostos ficaram a centímetros de distância, ambos sustentando os olhares provocantes.
- Muito prazer , meu nome é Harry. - ele disse com a voz levemente rouca causando arrepios na menina.
- Eu dispensaria apresentações, mas vejo que já sabe o meu nome. - ela se afastou, mantendo a pose. - Melhor assim. - aprovou com o sorriso safado.
- Estou às suas ordens. - Harry manteve o sorriso canalha no rosto e afastou-se mais um pouco para lhe fazer uma pequena reverência. sorriu presunçosa e o pegou pela mão, puxando-o para subir à cama. Com ele, ela não se sentiria culpada em tirar proveito, seu corpo invejável e hálito maravilhoso a deixavam encantada. Ele realmente estava dando aquela atenção toda para ela?
Harry sentou-se à cama, encostando as costas na cabeceira e deixando que subisse em seu colo. Ele gostava da manha que a mais nova fazia, a deixava incrivelmente sexy. Seus braços se estreitaram à cintura dela, trazendo-a para mais perto e ele finalmente pôde desfrutar de seus lábios jovens e sedentos. Ela sabia, não era como beijar o rapaz da noite anterior, Harry tinha mais fervor, parecia realmente decidido a satisfazê-la. As línguas travavam uma batalha realmente urgente, ele lhe explorava as pernas por debaixo do robe de seda, entretido demais para pensar no quão longe estava indo.
, por outro lado, queria testá-lo. É claro que se ele se empolgasse até o sexo, ela não cederia. Mal conhecia o rapaz e, apesar de achá-lo muito gostoso, não cederia ao primeiro desejo que lhe surgisse. Fazia parte de sua natureza se conter. Desviou seus lábios dos dele descendo pelo pescoço e seguindo para o peito definido e musculoso de Harry. Olhou-o e ele mantinha os olhos fechados, a expressão prazerosa estampava-se em sua face facilmente. Então ele era tão fácil assim de se excitar? A menina soltou um risinho baixo e voltou ao pescoço dele, dando leves chupões. A fome lhe batia, iminente, estava pronta para ceder ao seu desejo, mas sentia que precisava provocá-lo um pouco mais.
Deslizou os dedos finos e delicados pelo tronco do rapaz e atiçou-lhe a boca com a própria, fazendo-o soltar um gemido, mesmo que contido. Sorrindo contente com o êxito, deslizou até seu pescoço novamente, mal havia notado que um perfume incrivelmente gostoso de sabonete emanava de sua pele levemente morena. Os caninos coçavam para sair e ela não perdeu mais tempo se restringindo, deixou que eles apontassem e procurou pelo melhor ângulo para morder. Entretanto, quando ameaçou tocar-lhe a pele virgem, ela rapidamente foi arremessada na cama, sendo segura pelo pescoço nas mãos fortes de Harry que, agora, também tinha seus caninos apontados para fora.
Tudo o que a garota fez foi rir, para a surpresa do mais velho. Ele a soltou, ainda com os dentes à mostra e ela finalmente ajeitou-se na cama, tocando-lhe o peitoral provocante.
- Bela tentativa, Harry, mas eu consigo detectar quando um vampiro está por perto. - ela apoiou-se nos cotovelos e o olhou sarcástica. - Ainda assim me pergunto o que faz aqui. Mas vejamos, você tinha as chaves, então penso que é um dos donos da casa, não é? E você também se apresentou, deve ser realmente importante. - Harry caiu sentado na cama, uma expressão de desgosto precariamente disfarçada fez a menina rir. - Não se preocupe, nada disso afetou a sua beleza e virilidade, pelo o que posso perceber. - ela apontou sutilmente para o meio das pernas do rapaz que olhou para baixo e em seguida para ela.
- Agora eu acho que você está com fome de outra coisa. - ele sorriu de canto. retribuiu, sentando-se sobre o rapaz, seus olhos azuis direcionaram-se para ela e a mais nova decidiu brincar. Seus dedos deslizaram pelas bordas do robe, ameaçando abri-lo, enquanto isso ela reparava nos olhos curiosos de Harry seguirem seus dedos para cima e para baixo. Parou as mãos no nó da peça e o desfez lentamente, enquanto isso as mãos do mais velho pousavam em seus joelhos, a encorajando a acelerar. o olhou bem e abriu o robe lentamente, mantendo os dedos firmes no tecido à altura do busto, mostrando primeiro as alças do sutiã e depois o bojo que modelava seus seios. A seda escorregou por seus ombros indo parar nas pernas de Harry, dando-lhe a visão do conjunto completo.
Ela sorriu enviesada e colocou as mãos sobre o abdômen do rapaz, inclinando o tronco levemente para frente enquanto se "oferecia" para ele. Harry respirou fundo enquanto o sorriso se alargava. Sentou-se na cama, deixando seu corpo a centímetros do de . Tocou-lhe os braços subindo até as alças do sutiã e as desceu sutilmente antes de desabotoar o mesmo. O desejo dele refletia nos olhos da pequena Cardigan, interessada em brincar com ele. Talvez apenas naquela vez seria bom abrir uma pequena exceção.
Damon acordou de supetão, tendo seus ombros seguros por e Stefan. Ele os olhou, confuso, e depois direcionou seus olhos para o ambiente ao seu redor. Infelizmente ainda estava trancado no quarto daquela estranha mansão. Mas não entendia como e o irmão haviam adentrado a fortaleza se a mesma estava trancada.
- Ele está com ela, - foi o que o moreno de olhos azuis disse, lembrando-se do sonho que tivera ainda há pouco. - Harry está com .
e Stefan se entreolharam preocupados. Ou Damon já estava começando a delirar ou ele realmente falava a verdade. Em todo o caso, precisavam conversar, não importava com quem estava naquele momento, eles já haviam se conformado de que não poderiam fazer nada, pelo menos temporariamente.
- Como entraram aqui? - Damon sentou-se, bagunçando os cabelos, mas mantendo a cabeça baixa.
- Habilidades espiãs. - apontou para duas pinças que estavam em uma mesinha ao canto do quarto. Damon riu sem humor.
- E por que não fizeram isso com ? - os três se entreolharam, tensos. engoliu seco.
- Não sabemos onde ela está. - ela disse em um fio de voz. Damon socou o colchão ao seu lado.
- Como assim não sabem? Já não lhes disse que a vi noite passada? Ela está no quarto ao lado do meu! - protestou ele.
- Damon, não pode ser! Ao lado do seu quarto há uma porta, mas é uma espécie de closet. Não tem nenhum quarto ali.
- Tem certeza?
- Absoluta, - Stefan interrompeu. - quando seguíamos para o nosso quarto ontem, vimos um dos empregados limpando ali. É só uma espécie de guarda-roupa com muitos casacos.
- Certo. Então estão me chamando de louco? - ele se irritou levantando-se da cama.
- Não é nada disso. - o enfrentou. - Estou lhe dizendo que essa casa é cheia de truques, estão nos manipulando desde que foi baleada! - o tom de sua voz se elevou.
- O que você sugere, então? - ele virou-se para a garota, mas Stefan entrou no meio.
- Eu sugiro que sentemos e conversemos sobre o que vamos fazer. Está claro que eles não são tontos e muito menos nós. Vamos começar a planejar o contra-ataque, se o seu orgulho e amor à permitirem isso. - ele cruzou os braços calmamente, porém sério. Damon revirou os olhos sentindo o peito doer levemente; ele amava , como pudera se esquecer?
O mais velho abaixou a cabeça e voltou a se sentar na cama. suspirou e Stefan a abraçou, também se juntando a ele. Não seria nada fácil, já estavam instáveis e a tendência era só piorar.
Capítulo 7.
se remexeu na cama, estava com preguiça de acordar, mas a dor de cabeça pela falta de sangue já a estava incomodando demais. Respirou fundo, captando um aroma suave no ar e finalmente abrindo os olhos e surpreendendo-se. Um cafuné gostoso nos cabelos desgrenhados a fez sorrir e se apoiar sobre o peito másculo de Harry, o qual lhe servira de travesseiro a noite toda.
- Achei que iria embora logo depois de eu ter dormido. - ela apoiou uma das mãos no queixo e o olhou com um sorrisinho de canto.
- E perder você dormindo? Já te disseram que você parece um filhotinho enquanto dorme? - ele lhe acariciou o rosto, descendo a mão até o ombro da garota.
- Não, mas essa foi a comparação mais estranha que eu já ouvi. - ela riu levemente e se aproximou dele para lhe dar um selinho.
- Eu só sei disso porque passei algum tempo observando os filhotes dormindo perto de suas mamães logo antes de eu atacá-los para comer.
- Hum, e você vai me atacar? - provocou , deixando que Harry ficasse sobre si.
- Vamos ver... - ele beijou-lhe o pescoço enquanto puxava o lençol que cobria o corpo da menina. Em seguida, desceu para seu colo, provocando suspiros na mesma. - Eu acho que não, você foi uma menina muito boazinha. - o vampiro mais velho se levantou da cama e apoiou-se nos cotovelos o observando enquanto ele seguia em busca de seu roupão.
- Estou com fome. - fez biquinho e alcançou o sutiã, caído próximo ao pé da cama, vestindo-o rapidamente.
- Logo será sua refeição, mi hermosa. - estava logo atrás dele quando se virou e o prensou na parede.
- Não me diga que terei de me comportar para ser alimentada, porque eu não estou acostumada a ser obediente. - grudou seu corpo no de Harry e lambeu-lhe o pescoço.
- Quem diria que, há dez anos, aquela garota que dançava na boate se tornaria essa maravilhosa vampira. - Harry tocou-lhe o rosto, analisando-a minuciosamente com seus olhos azuis.
franziu o cenho e se afastou dele; há dez anos? Ele já a conhecia antes de se tornar vampira? Adentrar sua mente foi inevitável, lá ela viu o que se passava na cabeça de Harry naquele momento. Imagens rodavam, como um pequeno filme, ele estava se lembrando. Ele a via dançando na boate, seu corpo se movimentava enquanto Dance In The Dark tocava ao fundo, ela olhou para ele, então decidiu se aproximar. Dançaram juntos, os corpos colados, Harry mordeu-lhe o lóbulo da orelha, sugeriu um novo lugar para irem.
A pequena Cardigan deu mais um passo para trás, a expressão contorcida pelas memórias, agora vistas sob outro ponto de vista. Harry sorriu levemente, agora vinha sua parte preferida. Eles chegaram à casa, conseguiu ver a placa avisando que ela estava condenada, o que ela não havia visto. Se ele sabia, por que não escolhera outro lugar? Quando eles se beijaram, os olhos dele permaneceram abertos e ele analisava a casa logo atrás de .
A estrutura começou a desmoronar, agora as lembranças de se misturavam com as dele. Não era a toa que ele escapara tão rapidamente, enquanto a pequena Cardigan dependia de suas frágeis e trêmulas pernas, Harry estava do outro lado da rua em milésimos de segundo com a sua velocidade sobre-humana.
se encolheu lembrando-se da dor que sentira no momento, ela nunca havia parado e tentado resgatar a sensação, a qual ela acreditava ter esquecido. Harry escorou-se na porta até alcançar a maçaneta e deixou o quarto em silêncio. Ela permaneceu encolhida, escorregando as costas ao pé da cama enquanto seu rosto distorcia conforme a dor lhe tomava conta. Seu corpo estava enfraquecido pela falta de sangue, a dor era enorme, as memórias de Harry se misturavam com as suas, se encaixando numa espécie de quebra-cabeças do horror.
Harry era Rick, ele estava de olho nela todo aquele tempo, talvez até antes mesmo dela conhecer Damon. Damon... será que ele conseguia ler sua mente agora?
Damon sentiu um aperto insuportável no estômago, como se alguém tivesse acabado de socá-lo ali. Virou-se de lado, tentando achar uma posição mais confortável, mas foi em vão. Seus olhos piscaram enquanto ele controlava a respiração, era uma sensação horrível. Em sua mente, memórias nebulosas começavam a aparecer, eram elas que causavam a sua dor.
e Stefan se entreolharam, não entendiam porque, de repente, o mais velho começara a se encolher na cama, os olhos arregalados e assustados. O mais novo Salvatore ousou adentrar a mente do irmão e tomou um susto, respirou fundo e tornou a invadi-la com o propósito de descobrir de onde todas aquelas memórias vinham.
- O que foi? - segurou a mão do marido, aflita, qualquer que fosse os pensamentos de Damon, ela não queria ver.
- É a sua irmã. Damon está dentro da cabeça dela. Por algum motivo, ela está vendo o que aconteceu quando sofreu aquele acidente da casa há dez anos, lembra-se? - a menina concordou. - Estão conectados, ele sente a dor dela, por isso está assim.
- Faça-o parar, pode ser uma armadilha. - segurou a cabeça de Damon, que insistia em se mexer de um lado para o outro.
- Damon, Damon pare com isso. - Stefan começou a chacoalhá-lo pelo ombro, tentando atrair sua atenção. O rapaz tossiu e piscou mais algumas vezes antes de voltar a realmente encará-los, o olhar entristecido.
- Ela sabe. Sabe o que e como aconteceu quando a casa desmoronou. - ele sentou-se, sentindo-se levemente tonto. - Harry, Harry está por trás disso tudo. Ele era o rapaz com quem ela ficou naquela casa, ele planejou tudo, queria matá-la.
- Damon, respira fundo e conta essa história direito. - franziu o cenho e o segurou no rosto, tentando fazer com que ele parasse de falar rapidamente. O rapaz respirou fundo e bufou irritado.
- Quando foi àquela boate ela ficou com um rapaz chamado Rick, que na verdade era o Harry. Eles foram até aquele terreno onde a casa ficava, só que ela não viu que a casa estava condenada, mas ele sim. Quando tudo começou a desabar, ele chegou ao outro lado da rua em questão de segundos porque ele já era um vampiro, e a deixou lá para morrer. Mas nós conseguimos salvá-la e foi isso, fim da história.
- Aquele desgraçado está de olho em nós há tempos. - Stefan levantou-se visivelmente irritado.
- Ela está sem se alimentar há um dia, já está fraca e com esses pensamentos só piorou. - Damon grunhiu para e a menina mordeu o lábio, com pena ao ver o sofrimento nos olhos do cunhado.
- Damon, vai ficar bem, ela só está em choque porque nunca soube da história como realmente aconteceu.
- Até nós estamos chocados. - segurou na mão do mais velho tentando não sair do quarto e bater em Harry por ela mesma. Sabia que não teria chance com ele e, pior, talvez usasse para atingi-la.
- Eu vou falar com Francis. - Damon levantou-se, mas foi seguro por Stefan.
- Você não vai sair desse quarto, temos que montar o ataque.
- Certo, mas precisamos ser rápidos. - o moreno se levantou e encarou a parede branca que tinha logo à frente de sua cama. Era ali que costumava aparecer para ele.
A pequena Cardigan piscou encarando o teto, a cabeça pesada virou-se lentamente no carpete cinza já encharcado pelas suas lágrimas. Ela não queria se levantar, não queria encarar Harry outra vez. Queria apenas sua família de volta, sua vida normal e pacata. Mas isso já não era mais possível, o destino estava mudado para sempre e não havia como voltar atrás. O jeito era encarar tudo de uma vez, porque dali a cem anos ela olharia para trás e veria que tudo o que ela estava passando teria sido apenas uma fase difícil.
Era duro, não tinha sua irmã para lhe livrar dos momentos difíceis, das enrascadas, não tinha Damon para lhe abraçar e dizer o quanto a amava, não tinha Stefan para lhe dizer que tudo ficaria bem.
Decidiu, por fim, em se levantar e seguiu para o banheiro. Encarou-se no espelho e viu a imagem de uma pessoa que acabara de sair da luta. Os olhos forrados com olheiras quase pretas e manchados de vermelho por causa do choro; a face pálida e abatida além do cabelo armado. Estava um caco, e precisava de um banho.
Enrolada na toalha e com o cabelo já seco pelo secador, marchou de volta ao quarto e revirou os olhos lembrando-se que tinha apenas lingerie e robes para vestir. Vasculhou pela gaveta algo maior para vestir por debaixo do robe preto que optara. Escolheu uma calcinha preta modelo fio dental e um corset com detalhes em renda também preto. Fez o nó no robe de seda e calçou uma sandália de salto. Não se lembrava se Harry havia ou não trancado a porta de seu quarto, por isso, tentou girar a maçaneta. A porta se abriu e ela espiou pelo corredor, estava vazio e silencioso. Seguiu à sua direita, onde parecia menor o caminho, e chegou à grande escadaria.
Seus olhos passeavam pela arquitetura do lugar enquanto descia degrau por degrau da escada. Uma das mãos deslizava pelo corrimão e, quando chegou ao meio da escada, não sabia para qual lado seguir. Um aroma irresistível chegou ao seu nariz e a fez andar mais rápido, queria descobrir de onde vinha aquele cheiro de sangue tão delicioso. Seus passos ecoavam no corredor escuro, estava ficando mais forte, os dedos deslizavam pela parede e sua cabeça girava para ver se alguém a seguia. Cinco portas já haviam passado, a próxima estava aberta, levando um facho de luz ao corredor. Aproximando-se, encostou-se à parede, como forma de se precaver caso alguém a esperasse.
O cheiro estava praticamente insuportável de tão forte, ela não aguentaria por muito mais tempo. Teria de deixar o receio de lado e atacar o quanto antes. Adentrou o cômodo, olhando diretamente à sua direita, sem nem se importar com o que estaria às suas costas.
- Oh, pequena , finalmente resolveu deixar o seu quarto! - ela ouviu a voz de Francis soar atrás de si, mas simplesmente não conseguiu desviar os olhos do rapaz que estava sentado em um divã de tecido vermelho com detalhes em dourado. - Vejo que se interessou por Richard. - agora ele já estava logo atrás de si, as mãos pousando em seus ombros e os lábios próximos a seu ouvido. - Deve estar faminta. - acariciou-lhe o rosto, colocando algumas mechas do cabelo atrás da orelha da menina. - Divirta-se.
não precisou ouvir duas vezes antes de aproximar-se do rapaz que sorriu enviesado ao ver tão bela moça logo a sua frente. Ela sentou-se sobre seu colo, deixando uma perna de cada lado e o fez inclinar sua cabeça para que pudesse ter total acesso ao pescoço. Ele não gritou, não demonstrou nenhuma resistência e começou a sugar. Ele soltou um suspiro satisfeito e ajeitou-se sobre o sofá almofadado, trazendo-a para mais perto enquanto suas mãos lhe adentravam o robe.
Ela tentava se controlar, tentava não drená-lo totalmente de uma só vez, precisava aproveitar o sangue já que não sabia qual seria a próxima vez. É claro que sabia que não conseguiria ficar cheia por muito tempo, mas precisava prolongar o quanto pudesse. Não gostava muito de ser observada enquanto se alimentava, mas procurou não se importar com Francis ali, ele não poderia roubar-lhe o sangue. Sentia seu corpo revigorar-se a cada novo gole, o líquido quente descendo pela garganta era prazeroso, mal conseguia notar as mãos pouco decentes do rapaz que desciam sua única peça de roupa pelos ombros naquele momento. Estava absorta demais para pensar se Francis ficaria encarando seu bumbum ou se estaria ocupado demais observando outras coisas.
O carinho estava bom, não negava, deixava o sangue ainda mais gostoso. Ela só não entendia como o rapaz ainda tinha forças, parecia ter sugado mais da metade de seu sangue e ele ainda permanecia firme e forte, com os dedos ágeis passeando por seu corpo apenas vestido com roupas íntimas.
- Francis, tem um minuto? - Damon entrou meio sem jeito no escritório, era apenas parte do plano que ele, e Stefan colocavam em prática naquele momento. O que ele não esperava, entretanto, era interromper o anfitrião em um de seus momentos de voyeur.
Capítulo 8.
O homem parecia entretido com algo que acontecia no canto do cômodo, mas Damon não se incomodou em olhar. Pelo menos não até ele se manifestar.
- Claro Damon; , meu amor, pode nos dar um minuto? - o olhar de Damon se voltou para o canto que Francis encarava com animação contida. Havia um divã, nele estavam sentados um rapaz de apenas calça jeans e em cima, sentada em seu colo, estava a moça com um conjunto de lingerie preto. Agora Damon percebia que era e ela estava se alimentando dele.
Ao ouvir a voz do mais velho, inclinou a cabeça para trás soltando um murmúrio de satisfação, o rapaz deslizou as mãos pelas costas da mais nova e então ela pegou o robe de seda, amarrando-o jeitosamente. Virou-se contendo a surpresa ao ver Damon parado praticamente a alguns passos dela. Olhou para o rapaz um pouco desconfortável e depois se virou para Francis.
- Devo me retirar? - ela perguntou cordialmente. Francis olhou para Damon.
- Sobre o que queria falar mesmo Damon? - ele franziu o cenho, confuso.
- Ahm...er, nada não Francis. Na verdade eu só queria, erm, ver . Mas como ela está aqui agora, receio que seja só isso. - ele colocou as mãos para trás, sem jeito.
- Muito bem. , docinho, por que não acompanha o Sr. Salvatore até o quarto? - arqueou uma sobrancelha. Afinal, o que Francis estava armando com toda aquela falsa polidez?
- Claro Francis. - ela sorriu educada para o homem e depois acenou com a cabeça para Damon que começou a segui-la.
Subiram para o primeiro andar e Damon parou na terceira porta do corredor, tocando a maçaneta.
- Por que parou aqui? - estranhou e o rapaz estranhou ainda mais.
- Este é o meu quarto. - disse como se fosse óbvio.
- Mas não é no segundo andar? - ela insistiu.
- De jeito nenhum! - Damon negou veemente.
- Então não é possível que... Você ficou com quatro moças? - ela sentiu a pontada no peito voltar de súbito.
- Eu nunca faria isso com você . - Damon engoliu seco, fechou sua mente e segurou em sua mão, aproximando-se dela. Mentir não era a melhor forma, e ele sabia disso, mas precisava dela naquele momento. Como ele sentira falta de seu cheiro, da textura de sua pele e de seus lábios. Sem se importar com mais nada, ele a puxou para perto e seus lábios grudaram-se com urgência.
o empurrou para atravessar a porta que estava fechada, mas só depois se deram conta de que a porta era outra. Eles haviam entrado na do lado, no armário de casacos, exatamente como Stefan e haviam dito, observou Damon. Trancaram e a menina foi prensada contra a porta, erguendo uma perna na altura do quadril do mais velho. Ele desceu para o pescoço dela arrancando-lhe suspiros, não importava que eles estivessem em um espaço apertado, importava o contato físico e a proximidade que há tanto haviam deixado de ter.
Com um impulso, envolveu as pernas ao redor do tronco de Damon e ele arrancou-lhe o robe. tirou a camisa dele enquanto ele lhe beijava toda a linha do ombro até o pescoço. O moreno abriu a calça e empurrou a calcinha de de lado, não esperando muito mais para penetrá-la. O desespero era evidente em ambas as partes, eles queriam muito tornar-se um só e o faziam com força e violência, sem se importar com o que (ou quem) estava do lado de fora. Não se preocupavam em abafar os gemidos, não havia limites. A porta em que se apoiava tremia com os movimentos intensos que eles faziam e a temperatura estava perto da ebulição.
murmurava o nome do rapaz, e o fazia cada vez mais alto quando estava pronta para atingir o orgasmo. E não demorou muito até ele se satisfazer. O corpete escorregou do corpo de enquanto ela recuperava a respiração, a calça e as boxers de Damon já estava no chão. O contato entre seus corpos não foi interrompido, então eles escorregaram até o chão. ficou entre as pernas do mais velho, encolhendo-se em posição fetal, com as costas apoiadas no peitoral dele.
- Eu senti falta disso. - disse ele enquanto beijava delicadamente as mãos da menina que sorriu, encantada.
- Também. - ela apoiou a cabeça no ombro de Damon. A verdade era que não queriam sair dali, não queriam se separar. Damon sentia-se completo agora, e não havia sido só por causa do sexo, ter novamente em seus braços era a melhor sensação do mundo.
- Por que ele ainda não voltou? Acha que o pegaram? - murmurou sentada sobre a cama de casal. Na outra ponta, Stefan estava em silêncio, as mãos entrelaçadas sobre a nuca faziam sua cabeça pender para frente.
- Eu não faço ideia. Por enquanto temos que manter a calma. Ele vai se sair bem. - o mais novo virou a cabeça, observando a esposa por cima do ombro com um sorriso frio, nada esperançoso.
- Maldita hora em que aceitamos a ajuda de um estranho. Já dizia a minha mãe para não fazermos isso. - sentiu um nó na garganta ao lembrar-se de sua mãe. Ela deveria estar preocupada, afinal, já fazia algum tempo que nem ela muito menos a irmã davam notícias.
- , entenda, se não aceitássemos ela morreria.
- Ela não morreria, Stefan. O tiro acertou no abdômen e não no coração. Nós fomos fracos, fracos. - esbravejou ela, passando a mão pelos olhos já úmidos. Recusava-se a cair em prantos mais uma vez.
- Pode até ser que ela não morresse, mas definharia até virar uma múmia. É isso que você queria para a sua irmã? Que ela sofresse, que ficasse com dor até não poder mais falar nem se mexer? Pelo amor de Deus, , não seja egoísta!
- EU NÃO ESTOU SENDO EGOÍSTA! - gritou ela. - Só estou dizendo que se eu soubesse que nossa vida viraria tal inferno eu nunca teria concordado em vivê-la para sempre.
- Você se arrepende, então? - Stefan se sentiu incomodado. Sabia que a menina só estava irritada, mas temeu que estivesse desabafando algo que, anteriormente, ela não quisera compartilhar. A mais velha Cardigan virou-se de frente para ele, se dando conta do que havia dito. Viu o medo e a incerteza nos olhos do rapaz fazendo-a cair em si. Havia dito uma besteira imensa.
- Não, eu... - como se explicaria? Ela adorava ser imortal, permanecer para sempre jovem e ao lado do rapaz que amava. Mas agora parecia que não era aquilo que Stefan gostaria de ouvir. - Stefan me desculpe, eu só... eu estou tão cansada de ver sofrer. É sempre ela e eu acabo por sofrer junto. Eu não quero essa vida para nós.
- Eu sei, eu sei. - ele a puxou para um abraço, suspirando aliviado. - Me desculpe, eu não deveria tê-la atormentado, sei o quanto está preocupada e estressada. Mas você tem que dar um pouco de crédito a Damon. Ele também ama à sua irmã e vai fazer de tudo para tê-la de volta.
- Tomara. - escondeu o rosto na fenda entre o ombro e o pescoço de Stefan, tentando se acalmar com o perfume que tanto lhe fazia bem.
- Você realmente ficou com aquelas quatro moças, não foi? - interrompeu o silêncio dentro do closet de súbito, em um tom firme. Mas logo depois disso, não se ouvia mais nada a não ser pela respiração dos dois. Foi o suficiente, a menina se levantou irritada e começou a se vestir rapidamente, alcançando a porta. Porém, Damon foi mais rápido e a segurou, impedindo-a de abrir e deixá-lo.
A respiração de estava descompassada, o sangue borbulhando em suas veias. Ela sentia lufadas de ar a atingirem na nuca, indicando que Damon estava mais próximo a ela do que poderia imaginar.
- Me desculpe. - ele sussurrou, se virou o fuzilando com o olhar.
- Não. - disse fria, adiantando-se a completar: - Entendeu, é por isso que não confio em você Damon. Você não consegue parar de mentir, não é mesmo?
- E você, que se engraçou com aqueles dois rapazes e depois com Harry? - contra-atacou ele, irritado enquanto a pressionava contra a porta.
- Em momento algum eu neguei o que tinha feito! - rebateu ela, inconformada. - Ao contrário de você, que insiste em mentir para mim.
- O que está fazendo? - Damon franziu a testa, confuso. - Por que está agindo assim?
- Francamente, Damon, você é tão ingênuo. - o empurrou pelos ombros, revirando os olhos. - Estou apenas jogando conforme o jogo deles porque, caso não tenha percebido, é o único jeito para sairmos daqui. - ela girou a maçaneta, mas antes de abrir a porta, virou-se novamente para ele. - A não ser que queira ficar, é claro. - e deixou o pequeno e abafado cômodo com as lágrimas já lhe umedecendo os olhos.
Correu pelos corredores da mansão até achar uma porta que a levasse para o lado de fora. O jardim era imenso e tudo o que a mais nova queria era se afastar da casa e, achando um banco próximo a uma fonte, ali se sentou, abraçando-se enquanto encolhia-se. No que estava se tornando?
Damon juntou as mãos à cabeça chutando o fundo do closet. Juntou as roupas e correu entrar em seu quarto. Como podia ter sido tão idiota? Agora achava que ele não confiava nela, que tudo o que ele havia dito não passava de mentiras. Seu crédito com a namorada (se é que ainda poderia chamá-la assim) estava esgotado. Vestiu a boxer e a calça jeans e aproximou-se da imensa janela que havia em seu quarto. Lá longe, a alguns metros de distância, ele conseguia vê-la, sentada de costas em um banco.
Andando na direção do pequeno jardim que contava com uma fonte e quatro bancos, o mais velho Salvatore avistou Harry. Ele vestia uma calça jeans clara e camiseta branca, em um dos braços estava com vários braceletes marrons que mais pareciam pequenas bolinhas.
Gay. pensou o vampiro cerrando os punhos. Não demorou muito para que ele se aproximasse de e pedisse por um espaço no banco.
- Hey, o que houve? - Harry viu-se de frente para a menina que mantinha os joelhos dobrados e os soluços abafados. - Por que está chorando? - sentou-se na borda do banco, com o corpo virado para ela. permaneceu em silêncio, não queria compartilhar nada com Harry, principalmente depois do que ele havia compartilhado com ela. - Não vai me contar, não é mesmo?
Ela negou com a cabeça, apoiando o queixo sobre os joelhos dobrados, evitando ao máximo contato com seus olhos azuis e hipnotizantes. O rapaz suspirou, mas não parecia irritado, encostou-se no banco deixando as pernas relaxadas e abertas, as mãos juntas sobre uma das coxas. Sua cabeça virou-se na direção da garota que ainda não o encarou.
- Venha cá. - ele abriu os braços e a pegou delicadamente, puxando-a para apoiar-se em seu peito. apoiou as pernas no encosto do banco enquanto encostava-se no peito do mais velho, deixando que ele apoiasse o queixo no topo de sua cabeça.
Harry remexeu no bolso da calça discretamente tirando de lá o motivo pelo qual realmente viera em sua busca. Em um gesto sutil e silencioso, golpeou a mais nova no abdômen, anestesiando-a de imediato.
- Shhh, está tudo bem. - ele murmurou acariciando-lhe os longos cabelos enquanto a menina murmurava, paralisada. Depois que terminou de injetar tudo, jogou a seringa no gramado mesmo e a abraçou, olhando para baixo e vendo que seus olhos já se fechavam. - Você tem sido uma menina muito desobediente. - ele olhou por cima do ombro, olhando de esguelha na direção onde sabia que Damon os observava.
A cabeça da menina pendeu para trás enquanto o mais velho a ajeitava em seu colo, pronto para seguir de volta à casa. Virando-se, ele fez questão de encarar a janela pela qual o rosto de Damon estava franzido e sorriu.
- Perdeu. - balbuciou ele para que o rapaz entendesse. Logo em seguida, Salvatore desaparecia da janela, furioso.
Capítulo 9.
Harry deitou sobre a cama e deixou o quarto trancando a porta, entretanto, antes que pudesse dar qualquer passo, seu corpo foi puxado para a parede oposta com violência. Ele sorriu com escárnio ao ver quem era.
- O que você fez com ela? - rugiu Damon imobilizando-o pelo pescoço. Não foi preciso muito esforço para que Harry tomasse o controle da situação segurando Damon pelo pescoço e tirando-lhe os pés do chão.
- Por que você se preocupa? Ela não precisa de você, eu tenho tudo o que ela precisa e adivinhe só? Eu não traio. - antes que Harry pudesse soltá-lo, Damon lhe deu um soco no queixo, fazendo-o cair para trás. Enquanto Harry se levantava, o moreno avançou contra ele, imobilizando-o com seu corpo e dando um soco atrás do outro na maçã do rosto ou onde seus punhos furiosos conseguissem acertar.
Era evidente que Harry era mais velho e, portanto, mais forte, por isso foi uma questão de tempo para que a situação se invertesse e Damon não tivesse escapatória. Pensava, entretanto, que merecia todos os socos e pontapés que estava recebendo; era a garota que ele amava e não poderia ficar com ela se não pagasse pelos erros que cometera. Em dado momento, sentiu o peso de Harry ser tirado de cima de si, seus olhos não conseguiam mais focar a paisagem à sua volta. A boca tinha gosto de sangue e o lábio superior ardia. Era preciso muita força para deixá-lo machucado a ponto de não conseguir se curar rapidamente. Ele só se perguntava o que havia acontecido para os socos e pontapés cessarem com tamanha rapidez.
- Você ficou louco? - ouviu pouco depois dos ruídos em seu ouvido cessarem. Um de seus braços foi passado ao redor de algo musculoso e duro e o corpo foi erguido com um pouco de dificuldade. - Ele poderia ter te matado.
- Não seria nada além do que eu mereço. - murmurou ele tossindo em seguida com o sangue que havia se acumulado em sua boca.
- Não seja bobo. - ouviu outra voz do seu outro lado.
- Eu menti para ela. - suspirou ele, os joelhos vacilaram por um momento.
- O que você fez? - a voz de ficou mais distante. Damon piscou os olhos e percebeu que ela havia entrado no banheiro de seu quarto.
- Nós transamos no armário de casacos e ela me perguntou se eu havia ficado com quatro jovens. Elas apareceram no meu quarto no primeiro dia e eu aceitei. Só que não tive coragem de dizer isso a ela e percebeu que eu estava mentindo. - Stefan levantou o tronco do irmão ajeitando-o sobre uma pilha de almofadas.
- Damon, por que você fez isso? Era evidente que ela descobriria, vocês se conhecem há onze anos! - uma toalha úmida foi de encontro ao corte no lábio de Damon fazendo-o gemer.
- Eu só a queria de volta. - murmurou ele fechando os olhos.
- Nós vamos conseguir sair daqui Damon, enquanto isso, por favor, não faça mais nenhuma besteira. - Stefan puxou um de seus braços e o torceu de forma dolorosa, só então o mais velho percebeu que seu ombro estava, agora, no lugar.
- Pode deixar. - sussurrou ele. - Harry a tem agora, ele a drogou logo depois dela me deixar no armário. Precisamos sair daqui o quanto antes ou vai acabar nos matando.
- Sabemos disso. - deu a última palavra e Damon se permitiu sucumbir à luta interna que travava, apagando.
Uma semana depois...
abriu os olhos lentamente, quase os sentia grudados, tamanho foi o esforço para abri-los. Virou a cabeça e percebeu que estava no quarto, as mãos repousadas sobre a barriga que subia e descia lentamente. Sua cabeça estava pesada, há quanto tempo estava naquela mesma posição desacordada? A última pessoa que vira fora Harry e ele não havia sido a melhor das opções, visto que a drogara.
- Pelo menos teve a humildade de me trazer para cá. - murmurou consigo mesma, colocando os pés para fora da cama para se levantar. Seus ouvidos captaram um ruído a mais naquele quarto. Ela não estava sozinha.
Sentou-se rapidamente na cama e não foi preciso passear os olhos pelo cômodo, dando de cara com uma garotinha encolhida no canto, entre seu espelho e o armário. Os olhos esbugalhados e a respiração acelerada a denunciaram de imediato: estava assustada. se aproximou da menina em questão em milésimos de segundo, ajoelhou-se à sua frente e procurou por seus olhos, dando início a hipnose.
- Por que está aqui, criança? - ela perguntou em uma voz suave, porém determinada.
- Os moços me disseram para vir aqui enquanto meus pais e eles conversavam no andar de baixo. - não foi preciso muito para que ligasse os pontos rapidamente: os pais daquela menininha eram o jantar de Harry e Francis. Naquele momento, seu estômago se contraiu de forma dolorosa fazendo-a franzir o cenho. Seus dedos foram até a bochecha relativamente carnuda da menina e a alisaram com cautela.
- Não precisa ter medo. - disse de forma tranquila com um sorriso amigável no rosto. - Você quer ver os seus pais, não quer? - a menina concordou lentamente, quase que de forma mecânica. - Tudo bem, eu prometo que não vai doer. - rapidamente cravou as presas no pescoço da pequena garota sugando todo o seu sangue em segundos.
Deixou o corpo pender para o lado ao se levantar e resolveu tomar um banho. Tantos dias sem uma gota de sangue e parecia que aquela menina não havia preenchido nada. Assim que saiu do banheiro, ignorou o corpo já pálido da garota e seguiu para o seu guarda-roupa. Torceu o nariz para as lingeries, optando por uma camisola longa de seda branca, alças finas e decote em "V" e saiu do quarto a procura de mais comida.
Resolveu seguir pelo caminho oposto ao que estava acostumada pelo corredor e, antes de dobrar à direita para adentrar uma parte completamente nova da casa, o cheiro de sangue a atraiu violentamente. Quase não conseguindo se controlar, adentrou o quarto, de onde vinha o cheiro, de forma silenciosa, quase predadora. Só então viu que se tratava do quarto de Harry, o grande e majestoso cômodo decorado sem maiores exageros, mas ainda assim com classe, deixaria para ser apreciado depois. Ao que parecia, estava acontecendo uma pequena festinha ali. Não havia música, mas as risadas das jovens apenas de conjuntos íntimos e dos rapazes de boxers eram quase como que uma melodia.
Passando despercebida pelo anfitrião, começou a brincar com os humanos, correndo tão rápido por entre eles que mal notavam sua presença, a não ser pela leve ardência que sentiam em seu pescoço. A pequena Cardigan começou a contar, dez, doze, catorze moças já haviam servido de alimento para ela e agora faltavam os rapazes. Harry ainda parecia entretido com um casal, o qual ele mantinha no canto do cômodo, próximo à janela. A fome de era tamanha que chegou a passar até três vezes pela mesma pessoa. Não tinha controle sobre seu instinto, mas se viu anunciada quando os jovens começaram a cair desmaiados sobre o carpete. Antes mesmo que pudesse partir para outra presa, sentiu seu braço ser agarrado por trás.
Virou-se de súbito e deu de cara com um Harry a olhando de forma divertida. Do canto de seus lábios escorria uma leve quantidade de sangue, que teve seu caminho alterado quando ele sorriu. retribuiu o sorriso de forma nada inocente e se aproximou dele. Tinha vontade de arrancar-lhe a cabeça por tê-la dopado, mas sabia que a força de nada adiantaria. Mesmo com todo o sangue recém-consumido, Harry era muito mais velho e experiente, a imobilizaria antes mesmo de pensar no que fazer. Resolveu, então, acanhá-lo.
- Obrigada pelo aperitivo, como adivinhou que eu acordaria faminta? - ela tocou-lhe o peito másculo e ele não perdeu tempo em envolvê-la pela cintura.
- Tenho lá meus instintos. - ele sorriu, com o rosto a milímetros do dela.
- Mas como pode ver, - ela o fez olhar ao redor no quarto. - ainda não estou satisfeita. - negou com a cabeça, desgostosa.
- O que acha de mais um aperitivo? - sussurrou ele ao pé de seu ouvido, deslizando os lábios até o pescoço de , obrigando-a a incliná-lo.
- Se acha que pode selar a minha refeição, então eu topo. - disse ela em meio a suspiros enquanto o mais velho lhe beijada todo o colo, terminando na ponta de seu queixo.
- Não vai precisar de mais nada depois disso. - ele arqueou uma das sobrancelhas com o sorriso enviesado e em seguida puxou a camisola de com força, rasgando-a ao meio.
riu e grudou suas mãos na nuca do rapaz, beijando-o ferozmente. Harry a empurrou na direção da cama, onde eles praticamente se jogaram, disputando para ver quem ficava por cima. Não teriam muito trabalho pela frente, visto que restava apenas a calcinha dela e a boxer dele entre eles. Harry investia nos lábios ágeis que passeavam pelo corpo de , ela, por sua vez, não hesitava em abrir levemente os lábios para anunciar que estava gostando.
- Eu me recuso a parar dessa vez. - ele ofegou já tirando a lingerie de , referindo-se à última vez que haviam se beijado, quando o barrara de despi-la completamente. A garota soltou um riso satisfeito e livrou-lhe das boxers, já um tanto apertadas.
Com uma das mãos, o mais velho passou a alisar a lateral do corpo de , começando a partir do pescoço e descendo, o polegar apontado para dentro arrancou um gemido da menina quando este delineou detalhadamente seu seio direito. Continuou a descer até agarrar-lhe a coxa, trazendo-a consigo até a altura de seu quadril. Harry não hesitou mais e a penetrou.
estava com Stefan, eles estavam chegando à estufa para relaxar e nadar um pouco. Mas a piscina já estava ocupada. Um vulto estava mais para o canto e eles se separaram com a aproximação do casal. estava prensada à borda da piscina e à sua frente estava Harry. Ela estava envergonhada e isso podia perceber. Nadou até a borda da piscina e começou a subir a escada lentamente. O que viu deixou-a chocada. O corpo da irmã, que vestia um pequeno biquíni vermelho, estava repleto de marcas de mordidas. Ela olhou para Stefan que também estava chocado e depois voltou a olhar a irmã. Ela não estava mais lá.
Por mais que os dois quisessem acabar logo com aquilo, também queriam que durasse o maior tempo possível. Harry se movimentava sobre a garota de forma ritmada arrancando gemidos e suspiros da menina. o agarrava pelos bíceps desenvolvidos enquanto seus lábios roçavam devido à rapidez com que se movimentavam. Viu que o mais velho desviou em direção ao seu pescoço e sorriu, soltando mais um gemido quando ele diminuiu os movimentos, tornando-os quase que uma dança lenta.
Se não fosse o prazer jorrando em suas veias, tinha certeza de que ficaria muito irritada. Mas estava bom, ele a mantinha entretida enquanto seu momento não chegava. Sentiu a língua quente do rapaz sobre sua pele já suada e quase tão quente quanto a dele. Mas o que sentiu logo em seguida, teria sido um desastre se não estivesse tão excitada. Lentamente, os caninos de Harry lhe perfuraram a pele do pescoço e começaram a sugar seu sangue; ao mesmo tempo, ele segurou mais firme em sua coxa e retomou os movimentos intensos fazendo-a gemer de satisfação e esquecer a dor latejante no pescoço.
acordou assustada, que pesadelo horrível tivera! Olhou para o lado e Stefan dormia tranquilamente, resolveu checar a irmã, já fazia, no mínimo, seis dias que ela havia sido drogada segundo o que Damon lhe dissera. Talvez já estivesse na hora dela acordar e voltar. Subiu ao segundo andar e, como havia vindo por trás e não pela escadaria principal, parou logo à primeira porta.
De acordo com Damon, seu quarto ficava do outro lado do corredor, mas algo a fez parar ali. Ouvindo murmúrios e agitação dentro do cômodo, resolveu entrar sem bater. Escancarou a porta e seus olhos foram direto para a cama e para quem se encontrava sobre ela.
Capítulo 10.
O maior choque de não foi ver Harry sobre sua irmã, mas sim quando o viu tirar o rosto do pescoço da mais nova e ver seus lábios cheios de sangue. Pensou ainda estar sonhando, mas quando viu a expressão surpresa da irmã, logo se recompôs e o choque deu lugar à fúria.
- Eu quero conversar com você agora. - disse de maneira entrecortada e dura. olhou para Harry e o rapaz saiu de cima da menina, rapidamente se cobrindo com o lençol. Sussurrou que havia um roupão para ela ao pé da cama e a garota rapidamente o vestiu.
Surpreendentemente, não havia deixado o cômodo e tampouco se sentia constrangida ao ver a irmã e o anfitrião em cena tão gritante. Assim que a mais nova passou ao seu lado, agarrou-lhe o braço e deu uma última olhada para Harry que a devolveu com escárnio. Saiu batendo a porta do quarto e levando a menina para o seu. Stefan precisava saber daquilo.
- Eu não acredito no que você está fazendo . - disse à irmã assim que adentraram o quarto. Stefan acordou de supetão, sentando-se na cama. empurrou a menina para dentro, fazendo-a parar no meio do cômodo, de frente para a cama onde o mais velho estava. - Perdeu o juízo foi? - aproximou-se dela e descaradamente estapeou-lhe o rosto de maneira tão forte que a caçula caiu de joelhos, apoiando-se na cama.
- ! - Stefan a repreendeu. apoiou-se trêmula no colchão e, com muito esforço, conseguiu se reerguer. Sentia-se fraca.
- Não sei nem por onde começar! - a mais velha deu as costas e passou a caminhar pelo quarto. trocou um olhar discreto com Stefan. - Acha que dormindo com o dono da casa é a única solução? Pensa que ele gosta de você, que se importa com você?
- , o que aconteceu? - Stefan ainda estava perdido, foi quando a esposa aproximou-se da mais nova e escancarou-lhe a gola do roupão, deixando à mostra a marca da mordida que Harry havia dado em .
- Isso Stefan, foi isso o que aconteceu. Ela deixou que Harry a mordesse enquanto os dois transavam feito dois animais no cio. - praguejou a menina, voltando a virar-se de costas para ambos. tornou a fechar o roupão e deixou a mão próxima ao peito, inquieta. - Enquanto estamos tentando fazer algo para te tirar daqui, você parece estar se divertindo muito na cama do inimigo. - a mais nova permaneceu em silêncio, cabisbaixa. Stefan intercalava os olhares entre as duas irmãs Cardigan, esperando que revidasse. - Tem ideia do quanto eu e Damon estamos sofrendo por sua causa? Ele até brigou com o Harry outro dia, logo depois que ele te envenenou. Quase ficou sem o nariz e demorou dias para se curar. É assim que você nos agradece?
se afastava lentamente enquanto as palavras de a atingiam como balas de madeira, como aquela que a pusera naquela casa. Mas havia ainda algo pior que acontecia dentro de seu corpo. Era como se toda a energia estivesse sendo sugada, os músculos doíam a ponto de parecerem necrosados. Apenas Stefan notou quando ela caiu junto ao chão, o corpo se remexendo em uma convulsão.
- ! - Stefan a interrompeu no meio de seu sermão, o que a deixou furiosa.
- O QUE É? JÁ CHEGA? JÁ NÃO AGUENTA...? - ela tapou a boca de imediato quando viu o marido agachado ao lado da irmã mais nova, mantendo seu corpo deitado de lado embora ele se debatesse de forma violenta. Os olhos de se reviravam na órbita, parecendo enlouquecidos, de sua boca escorria uma espuma negra. Nem Stefan nem haviam visto aquilo antes.
Por um momento eles ficaram petrificados, sem saber o que fazer, mas ao verem os pés e mãos de tornarem-se tão pretos quanto o líquido que saía de sua boca, o mais novo Salvatore resolveu agir.
- Rápido, vá buscar ajuda. - ele disse à mulher que tinha lágrimas nos olhos. - Ande , qualquer pessoa, qualquer um dessa casa! - disse ele desesperado. - Está apodrecendo... - fez uma observação para si mesmo.
- ALGUÉM ME AJUDE, AJUDE POR FAVOR! - a mais velha Cardigan saiu correndo no corredor gritando, não demorou muito até que Stefan ouvisse passos. Mas era apenas Damon, que chegava para ver o que acontecia.
- O que está acontecendo? - perguntou ele de súbito ao ver a amada se revirando no chão.
- Harry a mordeu, você se lembra do que Katherine nos dizia não é? Os mais antigos têm veneno em suas presas, capaz até de necrosar um vampiro. É o que está acontecendo com ela, este é o veneno agindo em seu corpo. - a fala de Stefan ficou no ar enquanto os dois encaravam a mais nova sem saber o que fazer.
A mente de Damon ficou aquém de tudo o que aconteceu em seguida, ele não viu quando os criados de Francis adentraram o quarto e colocaram a menina em uma maca, prendendo-a com cintas elásticas enquanto ela ainda se debatia ferozmente. Não viu que Harry estava parado à porta, acompanhando toda a remoção de , assim como também não viu quando a agitação na porta do quarto cessou e se recolheu aos prantos.
Minutos se passaram e eles escutaram batidas na porta. Não conseguiram se mexer, estavam tensos em saber quem poderia ser. O alívio não veio de imediato quando uma das empregadas adentrou o quarto, hesitante.
- Srta. , sua irmã está chamando por você. - o coração de disparou e ela levantou-se da cama tropeçando pouco antes de chegar à porta. Olhou para Stefan e Damon, ambos a encorajando a descer, e deixou o quarto acompanhando a moça.
Desceram para uma espécie de porão, só que estava todo pintado de branco, com azulejos pintados à mão e várias macas, além de aparelhos hospitalares. O que quer que funcionasse ali, poderia muito bem ser confundido com um hospital. A algumas macas de distância, avistou a irmã, ela conversava baixo com uma das aparentes enfermeiras. Aproximando-se ainda mais, percebeu que seus pés e mãos estavam mergulhados em bacias metálicas com sangue para que pudessem se recuperar da necrose. O nó na garganta da mais velha se apertava conforme ela conseguia visualizar melhor a irmã caçula, se ela não tivesse sido tão dura...
- ... - ela murmurou sorrindo fraco. entendia que o veneno também havia prejudicado suas cordas vocais, exigindo dela grande esforço para conseguir falar. - Nos dão licença por um minuto? - ela referiu-se às empregadas que concordaram cabisbaixas e se retiraram cochichando entre si.
- , eu sinto muito... - ela começou, apoiando-se na maca ao lado para que não desmoronasse.
- , não temos muito tempo, por favor, me escute. - a mais velha concordou reprimindo o choro. - Quero que você me prometa que vai pegar Damon e Stefan e sumir daqui o mais rápido possível. Vão embora desta casa enquanto ainda é tempo.
- Mas ... - tentou protestar, mas caiu aos prantos logo em seguida.
- Você não entende, ? É a mim que eles querem. Não farão nada para me machucar, vocês podem ir embora, se salvem dessa enrascada. Quando eu descobrir o que querem eu também vou poder voltar para casa e me juntar a vocês.
- Não, você está errada irmã, eles vão matá-la quando tiverem chance. Eu não posso, não conseguiria viver com essa culpa. - soluçou.
- Acalme-se, - sorriu serena, levando a um momento de inquietação. Eles a haviam drogado? - veja, eu estou bem! Se me quisessem morta eu estaria apodrecendo no andar de cima.
- Eu... me desculpe pelo o que disse... só quero você de volta, a nossa vida de volta. - espremeu-se na beirada da maca.
- Não se preocupe, apenas me prometa que vão sair daqui ainda hoje. - a olhou urgente e a mais velha concordou mordendo o lábio inferior.
- Eu te amo irmãzinha, só quero que fique bem. - beijou-lhe a testa e se afastou um pouco para ouvi-la falar.
- Eu também te amo, , cuide bem deles ok? Se cuide. - ela despediu-se e voltou a recostar-se sobre o travesseiro acompanhando a saída da mais velha com o olhar. Não estava sendo nada fácil, mas precisava sacrificar-se para manter a família, que tanto amava, viva.
- O que ela disse? O que ela queria? - Stefan repetia as mesmas perguntas desde que atravessara a porta, fechando-a em seguida e escorregando até o chão. As lágrimas deixavam seus olhos em uma correnteza, deixando ele e o irmão ainda mais inquietos.
- Ela quer que nós deixemos a casa ainda hoje. - suspirou, os dedos entrelaçados no cabelo e o olhar distante.
- O quê? - Damon olhou para Stefan e em seguida para a cunhada. - Ela só pode estar louca, não vamos deixar a casa se ela não for conosco.
- Não temos escolha, temos que sair daqui enquanto tivermos tempo. Ela me garantiu que não vão machucá-la.
- E como você pode acreditar? Eles sequer nos deixam vê-la, Harry já a drogou, a mordeu. Quem garante que na próxima vez não irá matá-la? - foi a vez de Stefan protestar.
- Você não pode acreditar no que ela disse. - Damon se aproximou de . - Ela está com medo por nós, é verdade, mas também não podemos simplesmente dar as costas e salvar nossas próprias peles. Somos uma família e não deixamos ninguém para trás.
- Ela te traiu Damon, desde que chegaram aqui vocês brigaram e se separaram. Como pode querer salvá-la ainda? - negou com a cabeça inclinando-a para trás.
- Isso se chamar amor, . Eu amo a sua irmã mais do que a minha raiva por tê-la magoado, mais do que minha decepção por saber que ela estava dormindo com o Harry. Eu sou um cego apaixonado e só a quero de volta porque sei que a nossa história é inegável.
- Ah Damon, - o abraçou com força. - como consegue?
- Eu sei que você também consegue, , só precisa despertar a coragem que está aí dentro. - ele apontou para o peito da menina que sorriu entre as lágrimas.
- Muito bem, - Stefan os interrompeu com um pigarro de alívio. - então qual será o plano?
Harry adentrou a sala de recuperação com a expressão séria. estava de olhos fechados, as mãos agora completamente curadas e os pés de volta ao normal. Parou ao seu lado e fechou os olhos adentrando a sua mente. Dela, conseguiu extrair a conversa que ela tivera com e a possibilidade dela e dos dois rapazes escaparem. Ele saiu pisando duro da sala e pediu aos empregados que mantivessem o olho na família Salvatore apenas por precaução. Em seguida, seguiu para os aposentos de Francis.
- Ela os instruiu a deixar a casa. - disse ele colocando as mãos no bolso. Francis estava sentado de costas para ele, observando o jardim do lado de fora.
- Qual foi o êxito na droga que você injetou na caçula? - Harry odiava quando o mais velho mudava completamente o rumo da conversa, parecia que ele não o ouvia nunca.
- Sete dias, exatamente. - pelo reflexo que havia no espelho ele concluiu que Francis sorria.
- Muito bem, então está tudo resolvido.
- Você não entendeu o que eu disse primeiro? - Harry bateu na mesa, furioso, mas o vampiro apenas sorriu debochado.
- Acha mesmo que eles vão deixar a preciosa deles para trás? Ah querido Harry, como você é ingênuo. - ele riu, inclinando-se para trás entrelaçando as mãos atrás da cabeça. - Eles não tentarão nada enquanto tivermos a pequena, apenas relaxe e faça o seu trabalho.
Harry concordou cabisbaixo e se retirou da sala. Francis estava certo, ele precisava se focar em seu trabalho e nada mais. Tudo tinha que estar perfeito, erros não seriam admitidos. Não mais.
Capítulo 11.
Harry estava por cima de , seus corpos se friccionavam sobre a cama enquanto trocavam as posições freneticamente. Ele finalmente conseguiu ficar por cima e desceu até seu pescoço, a respiração entrecortada chegando ao ouvido de . Ela inclinou a cabeça para trás e o arranhou nas costas, era praticamente impossível não sentir a excitação correndo por suas veias.
- Diga que me ama. - ouviu-o sussurrar bem próximo ao seu ouvido e continuar beijando-lhe a carne do pescoço como se, por um momento, não tivesse dito nada. encarou o teto, confusa, era mesmo Harry quem estava acima dela? Ou seria Damon?
acordou de supetão, sentando-se rapidamente. Estava devidamente vestida e em seu quarto na casa de Francis. A última memória que tinha era a de ter adormecido logo depois que sua irmã a deixou na sala de cuidados da casa... aos prantos. Colocou os pés no chão e enrolou-se em um robe verde água antes de sair, caminhando com passos rápidos, descendo até o andar de baixo. Seguiu até o quarto onde Damon uma vez lhe dissera que era dele e abriu a porta. A cama estava arrumada e não havia nenhum sinal de ocupação recente; saiu e andou mais algumas portas, lembrando-se de onde a irmã lhe trouxera pouco antes de passar mal, e também abriu a porta. Não havia ninguém.
O alívio e a angústia disputavam espaço em seu coração naquele momento, colocou uma das mãos sobre o peito e deu passos para trás até encostar as costas na parede do corredor. Escorregou ao chão e sentiu as lágrimas escorrerem por seu rosto, embora não sentisse a garganta apertar em um nó. A dor mesmo se concentrava em seu peito. Estava completamente sozinha, mas desse jeito era melhor, ninguém mais sairia machucado. Damon, e Stefan estavam a salvo, a única família que ela tinha.
Desejava poder voltar atrás, antes de sair na floresta naquele dia, antes de toda a sua briga com Damon. Ele a amava e ela o amava tanto quanto. Mas não era o que tinha demonstrado, deitando-se com o dono da casa. Era nojento e desleal. Poderia ser apenas a namorada do Salvatore mais velho, mas também era a sua amiga, sua companheira. Tantas vezes ele havia a procurado, enquanto ainda era humana, para lhe pedir desculpas, para que pudessem ficar juntos.
Sua mente divagou para a primeira vez em que ficaram de fato juntos, não havia sido uma ida ao cinema e muito menos o baile do colégio como aqueles filmes clichês mostravam. Damon Salvatore não era clichê. Ele era um vampiro. era uma vampira. Tudo para ficar ao lado dele para todo o sempre, sem envelhecer, adoecer ou morrer. Eles haviam feito o voto da eternidade e tudo o que ela fizera havia estragado todo e qualquer momento que eles ainda poderiam ter.
Talvez nunca mais fosse vê-lo novamente, ou porque estaria morta ou porque ele simplesmente não gostaria de vê-la. Ela só desejava poder ter-lhe dito o quanto o amava e o quanto sentia muito. Como sempre, ela era a causa de tudo. Sempre se machucando, bebendo, se encrencando. E quem a salvava de tudo? A sua irmã. não se esquecia do ódio e da amargura presentes no rosto da irmã, sem contar o nojo e o desgosto quando ela a flagrara na cama com Harry. Não era para menos, no que estava se tornando? O tapa que recebera, ela havia merecido, todas as broncas, os gritos... podia tê-la matado. Ela não se importaria.
E quando soube que Damon havia brigado por ela? Seu coração parecia afundar no peito enquanto encolhia-se naquele corredor vazio. Ele só estava tentando protegê-la e acabou machucado. Não só fisicamente como lá dentro, em seu coração. Havia enfrentado Harry, com o risco de acabar morto, tudo porque a amava e porque queria, tanto quanto ela, sair dali. Ela o havia retribuído com um golpe, uma decepção ao traí-lo de forma tão descarada. Sentia-se suja, imunda.
As palavras de Harry a invadiram com força, ela tapou os ouvidos e escondeu a cabeça entre os joelhos murmurando negações. Ouviu passos no corredor e reuniu forças para se levantar e sair correndo. Desceu pelas escadas e correu o mais rápido que pode, sem fazer uso da super velocidade, e chegou à porta principal. Sua mão tocou a fechadura dourada e ela apertou o botão logo acima para abrir a porta. Ansiava por colocar os pés do lado de fora da casa, atravessar os portões de sua propriedade e sentir-se livre finalmente. Livre para ter a sua vida de volta ao normal, com as pessoas a quem ela realmente pertencia.
- Aonde você pensa que vai? - ouviu uma voz masculina vir da porta, mas ela não conseguia enxergar seu rosto, pois o sol batia em seus olhos. Ela caminhou para trás conforme o outro homem caminhava em sua direção. Parou assim que sentiu o corrimão bater em suas costas.
- Algum problema aqui? - Harry apareceu no corredor, a expressão confusa. o olhou, assustada, não havia mais chances dela driblar o homem que parava na porta e correr para a sua liberdade.
- Nenhum. - ela disse com a voz trêmula e o olhou de esguelha.
- Chuck? - perguntou ao rapaz com ar sério e autoritário.
- Problema nenhum, senhor. - respondeu ele e fechou a porta logo em seguida levando com a luz do sol, todas as oportunidades de fugir.
Damon, e Stefan estavam em silêncio havia algumas horas. Não fazia muito tempo que a mais nova havia parado de chorar o que lhe proporcionava espasmos ainda, deixando-a com uma vontade tentadora de se debulhar em lágrimas novamente.
- Ainda não entendo por que pediram para que nós mudássemos de quarto. - Stefan ponderava. Agora eles estavam em uma suíte maior, com uma cama de casal de um lado e uma de solteiro do outro. Pelo visto, eles não ficariam mais separados o que, por um lado, era bom. Daria-lhes mais tempo para pensar em algo.
- Acha que ela pensa que fomos embora? - Damon observou os coturnos que vestia e puxou a barra da calça jeans escura até não conseguir mais. Não queria rasgar seu único jeans.
- Talvez, será melhor para ela se for assim. - suspirou.
- E se fôssemos falar com Francis? - Stefan disse do nada, os olhando com esperança. - Podemos arrancar a verdade dele se estivermos lá, todos nós, usando nossos poderes.
- Está louco Stefan. - Damon bateu com o punho no colchão e levantou-se. - Ele é mais velho do que nós, tudo o que pode fazer é nos hipnotizar e isso nós não podemos permitir.
O silêncio voltou a se instalar e a nostalgia os abateu de maneiras diferentes, tornando-se quase insuportável para .
- Acha que eles estão tentando realizar alguma profecia? - Stefan novamente interrompia a calma (ou nem tanto assim) do quarto.
- Por Deus, Stefan, chega dessas teorias que não nos levarão a lugar algum! - Damon explodiu.
Stefan preferiu não discutir, afinal, sua teoria poderia estar certa como também não poderia. O melhor que tinha a fazer era não levantar falsas esperanças, eles caminhavam por um momento delicado.
- Está tudo bem mesmo, ? Você parece perturbada. - ela e Harry ainda estavam parados no mesmo lugar, a diferença era que as mãos de tremiam e a sua visão estava ficando turva.
- Eu acho que eu preciso... - a voz dela falhou, ela se desequilibrou do último degrau da escada, aonde tinha subido para voltar a seu quarto.
- ? - a voz de Harry estava carregada de preocupação. A menina sentia os degraus sob suas costas, já que havia se sentado e agora deitava-se, o peito doendo.
- Isso não é possível. - sussurrou ela sentindo as têmporas pulsando. A visão se distorcia em uma espiral e cada vez que ela piscava havia pontos pretos que dificultavam ainda mais para ela enxergar.
- O que foi? O que está acontecendo? - Harry ajoelhou-se ao lado dela na escada e ergueu a cabeça de que sustentava um olhar cada vez mais assustado.
- Eu acho que... - gemeu ela, deixando a cabeça pender para trás. - eu acho que estou tendo um infarto. - a confusão no rosto do mais velho praticamente refletia a da menina. Aquilo era impossível, estava morta, não podia estar tendo um ataque do coração. Ou, pelo menos, não deveria.
- Damon! - disse alarmada, ao ver o rapaz cair de costas na cama enquanto segundos atrás mexia nas botas com indiferença. - Damon, o que aconteceu? - ela aproximou-se dele, uma das veias do pescoço saltava enquanto ele respirava acelerado.
- Meu peito... - murmurou ele piscando os olhos com força.
- Stefan, o que está acontecendo com ele? - a voz de saiu falha enquanto ela verificava a temperatura do cunhado e procurava por qualquer ferimento no corpo, mas não havia nada. Nada.
- Eu não sei... - o irmão mais novo o analisou com a testa franzida, uma das mãos do moreno repousava sobre o peito agarrando a camiseta enquanto um urro de dor teimava em deixar seus lábios.
- Espera... - estendeu as mãos para afastar o marido do irmão. - ele está tendo... um infarto?
- É impossível, nós estamos mortos.
- Mas olhe para ele, está com dor no peito e ofegante.
Era difícil imaginar, mas o que nem se passava pela cabeça deles era que no andar de baixo, mais especificamente ao pé da escada, estava na mesma situação sendo amparada por Harry que não sabia o que fazer.
- Quando essa dor vai parar? - gaguejou a menina quase sem conseguir respirar. Será que não seria Harry quem estava pressionando o seu peito e ela estava sendo hipnotizada? - Eu quero a minha irmã... - suplicou. Harry suspirou, complacente, não poderia negar isso à menina.
- Vem, eu te levo até ela. - pegou-a no colo e subiu as escadas. Bem no meio do corredor, abriu uma porta que, num primeiro momento, não estava visível. Fazia muito bem parte da parede e passaria despercebida.
- O que você quer aqui? - disse amarga, mas logo soltou um grunhido desesperado.
- Eu a encontrei no pé da escada. - mentiu Harry depositando a mais nova na cama de casal. - Ela acha que está tendo um infarto. - paralisou, seria algum truque sem graça de Harry? Não parecia pela maneira como a irmã gemia na cama, encarando o teto com os olhos marejados.
- Está tudo bem agora Harry, pode sair. - Stefan dirigiu o rapaz até a porta e fechou na cara dele antes que pudesse protestar ou qualquer coisa parecida.
- Stefan, traga o Damon aqui. - pediu com a voz embargada. Rapidamente Stefan pegou o irmão, apoiando-o em seus ombros e o deitou ao lado de . A menina virou o rosto para encará-lo, as lágrimas lhe tomando as bochechas e aumentando a pressão dolorosa sobre o seu peito.
- O que está acontecendo? - Damon perguntou também se virando para olhar a amada tão ruim quanto ele.
- Eu acho que é a droga... - sussurrou a mais nova fechando os olhos com força.
- Que droga, ? - Stefan sentou-se sobre uma das pernas na cama.
- Ouvi Francis dizendo para uma das enfermeiras lá embaixo, parece que faz o coração voltar a bater. - soluçou embora tenha sentido o peso de seu peito aumentar.
- Eu te disse, é uma profecia! - Stefan disse radiante, mas recebeu um olhar feio de . - Não percebe? Agora fica muito mais fácil descobrir o que eles estão tramando!
- Mas o Damon não tomou nada! - retrucou apontando para o cunhado com as palmas da mão viradas para cima.
- Eles estão ligados, , pelo sangue. Damon é o seu criador. E eles se amam. - Stefan disse analítico. - Sofrerão juntos até que rompam os laços.
- Como? - o olhou curiosa e preocupada.
- Dizendo que amam outra pessoa. - Stefan suspirou e encarou o casal que, por sua vez, se encarava. A dor refletida em ambos pares de olhos e o desespero tomando conta de seus peitos pesados. O pesadelo nunca terminaria?
Capítulo 12.
- Stefan, como fazemos isso parar? - perguntou enquanto observava a dor nos olhos da irmã e o desespero nos olhos do cunhado.
- A droga faz nosso coração bater diferente do que ele está acostumado quando nos tornamos vampiros. Nossos batimentos são muito intensos e por isso a sensação de infarto. Vamos precisar acalmá-los e assim, lidaremos com a dor. - Stefan explicou pegando no rosto de e o virando para si. - , eu preciso que preste muita atenção. Você vai respirar fundo junto comigo e vai clarear a sua mente ok? Esqueça de tudo e de todos, apenas pense neutramente.
- Mas e Damon? - ela perguntou desviando os olhos o suficiente para vê-lo de soslaio.
- Ele vai parar de sentir dor quando você parar. - Stefan mantinha a voz calma. - Pronta? - ao receber um aceno afirmativo da mais nova ele passou a treinar a respiração lenta com a menina.
Os gemidos de dor de Damon pararam assim que conseguiu controlar seu coração. Os olhos se encheram de lágrimas, mas Stefan logo a distraiu para que, assim, a dor não voltasse e ela não se agitasse ainda mais.
- Estamos juntos, aqui, com você. - sussurrou enquanto deixava que a irmã se mantivesse deitada sobre a cama de casal com Damon ao seu lado.
Ela virou-se de frente para o rapaz e respirou fundo para que não chorasse, ele a abraçou deixando que seu rosto se aninhasse em seu peito e logo ela caiu no sono, exausta.
- Minha menina. - sussurrou o mais velho enquanto a ninava em seus braços. Estava muito feliz em tê-la de volta, depois de todos aqueles sustos.
- Eu acho que está acontecendo alguma coisa. - no outro lado do quarto, Stefan ponderava enquanto observava a janela com insulfilm.
- O quê? - quis saber a esposa enquanto cruzava os braços e olhava de relance para o casal deitado na cama.
- Harry está desistindo. - disse o rapaz com pesar, embora por dentro estivesse confiante.
- Então ele vai nos deixar ir? - quis saber esperançosa.
- Talvez seja difícil, ele ainda é muito influenciado por Francis. Temos que esperar para ver e... - ele suspirou. - aproveitar a nossa pequena enquanto não nos é tirada de novo.
Harry estava apoiado na borda de sua banheira enquanto ouvia a mesma encher de água morna. Olhava os pés sem realmente vê-los, enquanto voltava às cenas daquele dia em sua cabeça. O que estava fazendo? Era notável que e Damon tinham uma ligação extremamente forte, não poderia simplesmente fazê-la quebrar o elo que ele jamais conseguiria estabelecer com qualquer outra pessoa.
Mas Francis já desconfiava, estava com medo que seu peão falhasse e deixasse que o xeque-mate fosse anunciado. Ele simplesmente não podia continuar com esse jogo. Então as imagens voltaram à sua cabeça, quando entrou com nos braços no quarto onde Francis mantinha sua família, não pode deixar de olhar que Damon se encontrava no mesmo estado que ela. Aquilo, de certa forma, havia mexido com ele.
Entrou na banheira, onde a água já estava gelada, e encostou a cabeça para trás. Ao provar de , enquanto transavam, sabia que ela não teria escapatória, era a vampira necessária para quebrar o feitiço. Sabia no que Stefan estava pensando, que eles queriam quebrar uma profecia, ele não estava completamente errado. Agora seus pensamentos voltavam à Salvatore mais nova, se é que ele poderia chamá-la assim; se ele convencesse ou até mesmo induzisse a lhe dizer que o amava então sua vida deixaria de ser a mesma. O elo entre ela e Damon estaria quebrado para sempre.
- Eu estou com fome... - murmurou remexendo-se entre os braços de Damon que havia pegado no sono. - Eu... - seus caninos saltaram em uma estranha e desesperada necessidade dela se alimentar. Empurrou o mais velho pelo ombro sentando-se sobre sua cintura e farejando seu pescoço.
Nele o sangue pulsava, não pode deixar de notar que estava tão pulsante quanto o seu. Era estranho, ela nunca bebera de Damon antes enquanto vampira, mas sentia que era extremamente necessário. Por isso, sem pensar muito, cravou os dentes próximo à base do pescoço do moreno fazendo-o acordar de súbito e arfante, aprisionando um grito de horror.
- Damon! - e Stefan vieram a seu encontro imediatamente, esticando as mãos para agarrar a mais nova e puxá-la pela cintura para longe dele.
- Não... - arfou ele estendendo a mão para que parassem. - deixem-na. - ele ofegou piscando várias vezes enquanto a boca se mantinha entreaberta liberando sua respiração falha.
- Mas irmão, ela não pode... - Stefan foi interrompido pelo mais velho.
- Eu aguento. - garantiu ele tentando esconder a tremedeira em sua voz. Uma de suas mãos foi até a cintura da menina que se mantinha sobre ele enquanto a outra empurrava-lhe o longo e pesado cabelo para o lado, desobstruindo sua visão parcial que tinha do rosto da mais jovem. - Está tudo bem. - garantiu para o casal que o olhava com preocupação.
estava diminuindo o ritmo, conseguia respirar calmamente agora e já sentia uma nova energia deslizar por seu corpo. Piscou os olhos sem realmente enxergar e se afastou do pescoço levemente dilacerado de Damon. A ferida começou a cicatrizar lentamente e o rapaz arfou atraindo a atenção da menina. A mão que a segurava na cintura subiu até seu rosto, tremendo violentamente pela força de suspender o braço. ainda mantinha o olhar sobre seus olhos azuis levemente apagados sem demonstrar expressão nenhuma. Um arrepio atravessou seu corpo quando os dedos gelados e suados de Damon foram de encontro à sua bochecha.
- Melhor agora, meu amor? - ele sussurrou com a voz rouca e falha. Ela concordou em silêncio e observou os próprios lábios que estavam lambuzados do líquido escarlate e doce que era de seu Damon. - Ótimo. - Damon sorriu e deixou o braço cair pesadamente ao seu lado, mas os olhos se mantiveram abertos.
- Eu nunca vi nada assim. - sussurrou para o marido, ainda petrificada. Stefan a abraçou sem deixar de olhar preocupado para que se mantinha de costas para ele. - Exceto quando ela e Harry... - sua voz morreu não precisando completar.
- Existem vários motivos pelos quais um vampiro pode se alimentar de outro. - Stefan explicou, respirando fundo. - Mas não tem o que se preocupar, Damon vai ficar bem.
- Ele está muito fraco. - disse de braços cruzados encolhida de encontro ao marido. Doía ter de admitir, mas estava com medo da irmã.
- Veja pelo lado positivo... - Stefan se interrompeu ao notar o olhar sarcástico da esposa sobre si. Sorriu e continuou. - eles fortaleceram os laços entre si.
suspirou aliviada, pelo menos isso em meio ao caos. Queria tirar a irmã do cunhado, aquela posição já a estava incomodando. Era como se ela estivesse pronta para atacá-lo a qualquer momento.
- Eu preciso de sangue. - murmurou Damon sem tirar os olhos de . Stefan soltou-se de e caminhou até um pequeno frigobar que havia em um canto escondido do quarto. Abriu a porta e suspirou aliviado ao se deparar com algumas bolsas de sangue. Pegou uma delas e virou-se de volta para a cama, mas deparou-se com o olhar irado de .
- Por que não deu isso a ela? - esbravejou em um sussurro contido. O rapaz deu de ombros e estendeu a bolsa na direção do irmão, mas quem a pegou foi .
- Pode deixar. - ela deu um meio sorriso e rasgou uma parte da bolsa com os dentes. Levantou a cabeça de Damon delicadamente apoiando-a em vários travesseiros e colocou a bolsa em seus lábios secos.
Stefan e se afastaram até a outra ponta do enorme quarto e sentaram-se na cama de solteiro onde Damon supostamente deveria ficar e começaram a conversar assuntos aleatórios. Mesmo porque queriam evitar a conversa que Damon e não estavam tendo, embora terem certeza de que ela sairia a qualquer momento.
- Quer um pouco? - Damon perguntou entre um gole na bolsa e outro olhando diretamente nos olhos de . Sentiu uma pontada ao se dar conta de que estavam opacos e vazios, como se ela estivesse hipnotizada ou então fora de si. A menina piscou saindo do transe e seus olhos voltaram ao normal para o alívio do mais velho. Ela analisou seu rosto e percebeu que os olhos haviam ganhado o brilho cintilante azul de volta o que, de certa forma, a tranquilizou.
- Não. - sua voz soou fria, o que gerou reação em Damon.
- O que foi? - ele perguntou preocupado sem parecer rude.
- Eu estou com medo. - ela sussurrou enquanto soltava um longo e cansado suspiro. - Eu precisava de você para me sentir segura. - ela passou os dedos ao redor dos lábios sujos fazendo menção ao sangue que bebera há pouco. - Precisava de você para me sentir viva de novo.
- Vem, - ele fez um gesto com as mãos para que ela se aproximasse. - beba comigo. - ele deu mais um gole na bolsa, mas não o engoliu. segurou na pontinha do queixo do rapaz e aproximou-se para encostarem os lábios.
Não demorou para que ela entreabrisse os lábios e sugasse o sangue que lhe esperava dentro da boca de Damon. Mas ele não deixou que ela sugasse tudo, por isso travaram uma luta com suas línguas. Ela voltou a ficar sobre ele e seus troncos grudaram-se, as mãos do rapaz deslizaram de encontro à cintura de , mas não permaneceram lá, subindo pelas costas e agarrando sua nuca com uma das mãos enquanto com a outra deslizava para a parte de dentro do seu peito, delineando seus seios de maneira incisiva. Damon soltou-se de seus lábios e os lambeu para tirar o rastro do próprio sangue. A garota não pode conter um gemido satisfeito e um sorrisinho que habitou seus lábios. Porém, durou pouco.
Damon empurrou de volta à cama, ficando por cima da garota de forma ameaçadora. As mãos envolveram-lhe o pescoço delicado e os polegares apertaram bem o meio de seu pescoço, esmagando de leve a traqueia. As pernas da menina se remexeram de forma desconfortável, ela tentou tirar as mãos do rapaz, mas não sem antes piscar várias vezes para checar se aquilo tudo não passava de um pesadelo. Um grunhido deixou seus lábios o que fez sua garganta arder mesmo pressionada. Suas pernas se remexeram mais uma vez, fazendo barulho ao cair de encontro ao colchão.
e Stefan viraram para encarar o casal que havia ficado quieto de repente. Viram os pés de se remexendo de maneira desconfortável assim como notaram que as costas de Damon estavam eretas. Franziram o cenho, eles não estavam há pouco se agarrando?
- Meu peito... - ouviram um sussurro suplicante, falho e áspero deixando os lábios de que não teriam sido captados se eles não tivessem tão boa audição. Stefan se levantou aproximando-se lentamente dos dois e moveu seu corpo para o lado para poder encará-los.
- Damon, pare! - ele gritou, sua voz soando grossa e urgente, como nunca vira. Ela andou em passos apressados e logo entendeu a surpresa e o descontentamento do rapaz. Embaixo do mais velho, grunhia desesperada sem conseguir deixar de encará-lo com os olhos esbugalhados, surpresos e magoados.
- Damon você vai matá-la! - gritou já com lágrimas nos olhos tentando empurrá-lo. A cena era pior do que quando ele sugara quase até a morte, aquilo era diferente. Ele estava fazendo porque queria e não porque estava com fome ou descontrolado.
Stefan finalmente conseguiu agarrá-lo pelos ombros e jogá-lo na direção oposta embora não tenha sido fácil. Ele caiu sobre a cama e começou a gemer com a mão pressionando o ombro que batera violentamente na parede.
- Stefan tem algum tubo, qualquer coisa redonda? - subiu na cama onde as mãos de pairavam sobre seu pescoço como asas de um pássaro agitado. - Eu acho que ela está sufocando.
- Ele pressionou com tanta força, deve ter colado um lado ao outro. - Stefan arrancou um tubo que havia na bolsa de sangue e torceu para ser o suficiente. - Toma.
- Me ajude aqui. - a mais velha disse com a voz tentando soar determinada. Ela retirou os travesseiros que estavam sob a cabeça de , deixando sua cabeça na mesma altura que o resto do corpo. Ela debruçou-se e abriu a boca da menina com cuidado, enfiando o tubo por ela.
engasgou e as mãos agarraram o lençol enquanto as lágrimas lhe escorriam. forçou o tubo mais para baixo e ouviu o som que fazia, tentando vomitar. Ignorou a expressão aterrorizada da irmã que provavelmente não deveria ser muito diferente da sua, e continuou a forçar o tubo de modo até sentir a passagem livre. Deixou o tubo ali por um tempo e depois o retirou sob o engasgo falho da menina. Rapidamente Stefan entrou em seu campo de visão.
- Calma, calma, vamos respirar com calma. - ele entrelaçou os dedos na mão da mais nova que tentou dizer algo, mas nada saiu. - Shhhh, já acabou, já está tudo bem. - ele sussurrou. - Vamos respirar com calma, ok? - ele passou a respirar fundo encorajando a mais nova a acompanhá-lo. - Eu estou aqui com você, está tudo bem.
se afastou, já não estava mais histérica e nem preocupada, Stefan estava no controle agora e tudo ficaria bem. Suspirou e largou o tubo na mesinha de cabeceira caminhando até Damon. Agachou-se na borda da cama até encontrar o olhar vazio e culpado do mais velho. Pegou em seu queixo, fazendo-o olhá-la, mas ele lhe estapeou a mão. Não desistindo, pegou com mais rigidez o queixo do rapaz, apertando os dedos em sua bochecha e virou o rosto em sua direção.
- Por que você a asfixiou, Damon? - a voz dura não chegava nem perto do nervosismo que sentia. O olhar vazio do rapaz a focalizou, mas não parecia realmente vê-la. Quem era ele?
Capítulo 13.
- Responda, Damon, por que você fez isso? - perguntou com mais força na voz e a inquisição subiu a seus olhos, antes assustados. Farejou os lábios entreabertos do rapaz, de onde saía um hálito podre. Balançou a cabeça franzindo o nariz, enojada. Andou de volta à cama onde pegou a bolsa de sangue que vazava um pouco sobre o carpete que cercava o móvel. Procurou ignorar e Stefan, mas não pode deixar de ouvir a voz chorosa e assustada de enquanto lhe contava o que havia acontecido. Farejou novamente, desta vez a bolsa que havia em suas mãos e gemeu desgostosa. Não lhe admirava que quando o marido pegara uma dessas bolsas ela não se sentira atraída.
- É o sangue, Stefan, tem alguma coisa de errada com o sangue. - ela lhe estendeu a bolsa e o rapaz a pegou sentindo o cheiro podre que emanava.
- Meu Deus, o que é isso? - ele disse com nojo. deu de ombros.
- Não sei, mas seja lá o que for, provocou aquilo. - apontou para um Damon em transe, observando a janela sem realmente enxergá-la.
- Ele não fez por querer. - sussurrou, pode notar o grosso no fundo de sua garganta que a incomodava ainda.
- Você bebeu um pouco, não foi? - aproximou-se da menina.
- Sim, mas na hora vi que não era boa coisa. - ela colocou a língua para fora em expressão de nojo.
Os três encararam Damon com expressões diferentes, estava assustada e preocupada, Stefan estava irritado e o olhava com pena. Se tivesse provado um pouco do sangue antes.
- Precisamos esperar agora, até o sangue ser completamente absorvido. - Stefan ponderou voltando a encarar . - Enquanto isso, você vai dormir aqui, entre eu e .
- Você vai isolá-lo? - a ideia pareceu chocar de uma maneira tristonha.
- Poderemos protegê-la dele, mas só se ficar entre nós. - reforçou trocando olhares confiantes com o marido.
- Ele vai ficar insano se o ignorarmos. - tentou dizer, mas a voz saiu entre sussurros e tosses.
- Não vamos ignorá-lo, você só vai dormir conosco. - Stefan garantiu. - Pode deixar que eu lido com ele.
- Tome cuidado, ele não é o Damon. - o alertou e trouxe a cabeça da irmã para deitar em seu colo. - Você me deu um susto e tanto. - suspirou ela com um tom mais aliviado.
- Eu não deveria ter bebido dele em primeiro lugar. - lamentou-se a menina.
- Você só seguiu seu instinto, não há nada de errado com isso. - sua voz soou maternal e tranquilizadora. - Agora descanse, eu vou ficar aqui te protegendo.
suspirou e tossiu mais um pouco, fechando os olhos. Não demorou muito para sentir os dedos suaves da irmã mais velha lhe fazendo cafuné nos cabelos. Ao longe ouvia partes da conversa entre Damon e Stefan, mas logo não ouviu mais nada sendo tomada nos braços do sono e mergulhando no profundo inconsciente.
- Damon, - Stefan estava de joelhos, de frente para o irmão, as mãos envolveram o rosto pálido e inexpressivo do mais velho. - Damon eu sei que você está aí em algum lugar. - ele procurava pelos olhos do rapaz que se desviavam cada vez que ele chegava perto. – Damon, não estamos bravos com você, não foi sua culpa o que aconteceu. - Stefan suspirou, não conseguiria nada dele. - Você a ama, irmão, só não se esqueça disso. - ele bateu levemente no rosto do mais velho e direcionou-se para o frigobar.
Não precisou provar, confiou em seu olfato para identificar as bolsas que tinham algo de podre em seu conteúdo, restando apenas duas bolsas "saudáveis". Ainda assim não confiava, por isso foi até o banheiro e as esvaziou na privada, uma após a outra. Encostou-se na parede ao lado da porta enquanto a água voltava a encher a caixa da descarga e suspirou. A vida deles nunca tinha uma trégua.
ouviu um barulho no quarto e rapidamente despertou. À sua frente, encontrou as costas de e logo atrás de si conseguiu ouvir a respiração tranquila de Stefan. A noite adentrava pelo quarto através das janelas, com um leve brilho cálido do luar. Seus olhos piscaram mais algumas vezes e a cabeça ergueu lentamente tentando procurar pela origem do barulho que ainda ecoava em sua mente.
Ouviu movimentação no lado sombrio do quarto e ela encolheu a cabeça atrás do ombro de Stefan, tentando ver alguma coisa. Quem quer que fosse a estava assustando. Quando sentiu seu pé ser puxado lutou para não berrar principalmente porque sua garganta ainda não estava cem por cento. Lutou contra a mão que a segurava fortemente pelo tornozelo gemendo baixinho de desespero. Mas a irmã e o marido pareciam excepcionalmente apagados a seu lado.
- Calma, calma, sou eu. - ouviu a voz familiar de Damon e logo seus olhos o focalizaram. Os olhos azuis do rapaz cintilavam com a pouca iluminação do quarto e ela respirou aliviada. - Desculpe, não queria assustá-la.
- Tudo bem. - ela escorregou até o pé da cama onde o viu sorrir. - Quanto tempo eu dormi? - ela arrumou os cabelos que caíam sobre o rosto recém-desperto.
- Eu não sei, acabei de acordar. - ele deu de ombros com um sorriso inocente e estendeu-lhe a mão para ajudá-la a descer da alta cama.
- Acabou de acordar? Quer dizer que também estava dormindo? - ela perguntou mais para si mesma do que de fato para ele responder.
- É o que parece. - respondeu tranquilo. - Estava com vontade de te ver. - disse.
- Estou aqui agora. - ela sorriu ainda meio em dúvida, estaria ele livre de todo aquele sangue contaminado?
O rapaz não esperou muito mais, puxou-a a seu encontro e tomou-lhe os lábios com os seus. Beijaram-se ferozmente, caminhando às cegas pelo quarto e tomando o cuidado de não acordar seus outros ocupantes.
Comporte-se. ouviu a voz de Damon ecoar em sua cabeça e não pode deixar de rir durante o beijo enquanto ele a prendia entre a parede de janelas do quarto e ele.
Não sei se consigo com você me beijando assim. Murmurou ela de um jeito manhoso de volta já que sua boca estava ocupada. Ela não se preocupava que Stefan e ficassem a par da "conversa", já que ela e Damon haviam descoberto um jeito de torná-las privativas.
Parece que faz tanto tempo que eu não te toco assim. Damon soltou-se da menina brevemente e acariciou as bochechas de com os polegares. Desceu os lábios até seu pescoço e abriu um pouco o robe que ela vestia para que tivesse acesso ao seu colo e começou a partir dali.
Não deixa de ser cada vez melhor, por isso sou obrigada a ser uma menina muito má. Ele riu enquanto ela inclinava a cabeça para trás. subiu sua perna direita na altura da cintura do rapaz, esperando provocá-lo ao esfregá-la em todo o trajeto, mas soltou um suspiro quando ele a pressionou, mantendo-a naquela altura.
Mas agora você vai se comportar direitinho, não vai gemer e nem gritar, embora eu adore quando você faz isso. Vai simplesmente me deixar possuí-la como eu sei que você gosta.
Você sabe de muitas coisas, Damon, acho que depois eu vou ter que te matar. Seu robe de seda deslizou até o chão e ela o obrigou a tirar a camiseta.
Já estou morto, baby. Pense em outro tipo de punição. Provocou Damon puxando a lingerie da amada para baixo, deixando-a cair a seus pés.
Eu sou a sua punição, Damon. Agora, eu sou todinha sua. Ela o puxou pelo cós da calça rapidamente, deixando o trabalho para ele de se livrar dela.
Não vou pegar leve dessa vez. Damon a pegou no colo, pressionando-a contra as janelas com todo o peso de seu corpo enquanto a penetrava de uma só vez.
A mais nova mordeu o lábio inferior com força contendo um suspiro alto. Suas mãos subiram vacilantes das mãos de Damon, que estavam na altura de seu peito, até o antebraço do rapaz por fim alcançando os bíceps desenvolvidos apertando a carne sob as unhas. teve o pescoço invadido pelos lábios possessivos de Damon que ocupavam-se em chupar cada centímetro de pele conforme a intensidade de seus movimentos, não demorando muito para ouvir a respiração pesada da mais nova em seus braços que tinha tremores por todo o corpo.
- Eu não aguento... - ela sussurrou colada ao seu ouvido com a voz trêmula e um pouco atrapalhada. Damon sentia os caninos apontados para fora e as veias saltadas em seu rosto que roçava o dele.
- Você é forte. - encorajou o vampiro mais velho, ele sabia que quando não podia respirar ruidosamente a fim de controlar o prazer que jorrava com muito mais intensidade em suas jovens veias, as presas saltavam com força e os olhos ficavam vermelhos, cheios de veias saltadas ao redor. Era uma sensação desconfortável que, no começo, chegara a causar muitos desmaios na menina. Agora ele entendia o que ela estava tentando dizer e precisavam acabar logo com aquilo.
- Damon, minha cabeça está latejando. - não se pode dizer que foi um sussurro, já que sua voz falhou.
- Eu sei que você consegue, meu amor, você gosta disso não se lembra? - Damon investiu com mais força o que a fez engasgar em sua própria respiração descompassada. franziu o cenho contendo um gemido quando ele lhe lambeu a pele do pescoço que estava suada e escorregadia, assim como o resto de seus corpos.
Damon... está...chegando. implorou mentalmente enquanto intercalava palavras com as pulsações dolorosas em sua cabeça.
- Shh, shhh, olha pra mim. - ele sussurrou ofegante enquanto empurrava o cabelo atrás das orelhas de que grudava com o suor em seu rosto. Assim que a menina o olhou nos olhos eles se beijaram ferozmente, enquanto o orgasmo se aproximava deles.
Salvatore não se importou que ela lhe mordesse o lábio enquanto o corpo relaxava, em êxtase pelo clímax. Movimentou-se mais uma ou duas vezes até que seu prazer também estivesse garantido e então a soltou. A respiração de estava falha e quando ele permitiu que ela descesse de seu colo, suas pernas não aguentaram o peso. Damon a sustentou nos braços respirando fundo com ela para que se acalmasse, logo as presas estavam recolhidas e o rosto e olhos haviam voltado ao normal.
- Ei, ei, está melhor agora? - o moreno procurou chamar sua atenção e ela tirou o cabelo do rosto com as mãos tremendo mais do que os galhos de uma árvore no meio da tempestade.
- Damon, me morde. - ela pediu enquanto o suor pingava por seu rosto e ela tentava lamber os lábios para que não ficassem mais ressecados. - Eu preciso que você beba do meu sangue. - suplicou erguendo a cabeça para deixar o pescoço livre.
- Não, eu não posso fazer isso, você está exausta. Está exausta meu amor, eu não posso. - disse ele rapidamente procurando pelos olhos coléricos da mais nova.
- Minha pressão sanguínea está muito alta, se você não tirar um pouco do meu sangue eu vou começar a ter aquelas palpitações horríveis.
Damon, relutante, perfurou o pescoço de e bebeu um pouco do sangue que jorrava em sua boca parecendo uma correnteza sem controle. Ele sentiu a mais nova tremer em seus braços e decidiu que era hora de parar, mas antes que tivesse a oportunidade de perguntar a ela se estava melhor, seu corpo se arqueou para trás. Salvatore se ajoelhou com o peso, pego de surpresa, e observou a expressão aterrorizada de enquanto seus olhos piscavam descontroladamente.
- ? ? - ele tentava chamá-la, mas ela parecia absorta em um transe. - , fique comigo, não desmaie. Eu não devia ter bebido o seu sangue. - lamentava-se ele enquanto a acomodava em uma das pernas. - Meu amor, consegue me ouvir? , o que está acontecendo? - ele disparava as perguntas sem realmente esperar uma resposta, na verdade bem lá no fundo ele esperava que voltasse ao normal e conversasse com ele.
O suor escorria da testa de até ir de encontro à sua nuca, mas os lábios estavam secos. A boca estava seca a ponto de fazê-la engasgar, sua visão estava turva, mas ela podia distinguir a expressão vazia e desesperada de Damon que a chacoalhava em seus braços. Sua boca se movimentava, mas ela só conseguia ouvir uma espécie de estática que deveria ser a voz dele. Por que estava se sentindo tão estranha? A pressão dentro de sua cabeça havia aliviado, mas seu corpo estava mole como quando desabava de tanto beber. Então era isso, ela estava bêbada? Não era possível, um vampiro não conseguia ficar bêbado a não ser que bebesse sangue de um que já tivesse tomado todas.
Seu corpo foi erguido do chão e logo ela sentiu o lençol da cama em suas costas nuas. Aos poucos sua lingerie voltou ao corpo e o robe foi posto ao pé da cama, onde ela sentiu pelos dedos dos pés. A visão ainda estava confusa, mas a audição mostrava melhoras, então ela seguiu os passos de Damon para dentro do banheiro, ouviu-o abrir a torneira, vasculhar armários, umedecer algo e voltar para perto dela. Seu corpo enrijeceu quando sentiu a tolha encharcada e gelada tocá-la na testa.
- Shhh, tá tudo bem. - ela o ouviu sussurrar depois de colocar os dedos em seu cabelo e acariciá-los com cuidado. A sensação era refrescante e logo estava livre da sensação incômoda do suor.
- Deita...comigo? - sua voz saiu arrastada e completamente rouca. - Damon... - ela quis complementar, mas acabou engasgando. A ardência em sua garganta havia voltado, lembrando-a de sufocar.
Capítulo 14.
sentiu o espaço a seu lado afundar e braços pesados a envolverem. Ela os empurrou veemente pelo peito enquanto gemia. Seus pulsos foram agarrados com delicadeza, mas ela não deixou de se remexer.
- Ei, calma, sou eu. - ela ouviu a voz de Damon, mas nem assim ela se acalmou.
- Você me sufocou. - ela murmurou não deixando que ele a tocasse.
- Não, , eu nunca faria isso. Eu te amo. Eu nunca faria isso com você. - Damon ergueu seu queixo trêmulo para que ela pudesse olhá-lo nos olhos.
- Mas fez. - ela soluçou abafado. - Você tentou me matar. Como daquela vez.
- Eu não posso ter feito isso, eu não... - o moreno parou, respirou fundo e tentou mais uma vez, articulando o que sua cabeça enevoada formava. - Eu estava tão feliz de tê-la nos meus braços, como poderia terminar com a minha alegria dessa maneira?
- Você estava bravo comigo. - choramingou ela escondendo o rosto com as mãos suadas.
- Ah meu amor... - ele a abraçou com força embora relutasse um pouco.
- Você não se lembra. - ela relaxou um pouco, mas não deixou de chorar.
- Me lembrar do quê? Do que eu preciso me lembrar? - puxou as mãos trêmulas de Damon até seu pescoço.
- Aqui. - ela sussurrou.
- Eu te beijei aqui, acho que ficou uma marca arroxeada, mas eu chupei também. - ele se explicou enquanto ela negava com a cabeça.
- Foi aqui que você apertou até minha traquéia se fechar. Ela colou, como um canudo amassado. - Damon alisou a pele manchada por seus chupões com o olhar confuso enquanto ouvia continuar. - Stefan e ouviram minhas súplicas, ele o jogou para essa cama e colocou um tubo em minha garganta até conseguir que voltasse ao normal.
- Por que está me contando tudo isso? É para... é para que eu me sinta culpado? - Damon deitou-a na cama para que descansasse e apoiou-se no cotovelo para que pudesse observá-la.
- Damon, desde que chegamos a esta casa eu tenho sido a cobaia deles, já me drogaram, me morderam. Eles estão brincando conosco. - ela o olhou seriamente. - O que quero lhe dizer, Damon, é que não podemos enfrentá-los com raiva, eles podem nos controlar exatamente como fizeram com você. Eu tenho medo por todos nós.
- Mas você tem medo de mim? - Damon alisou seu rosto com cuidado.
- Não. - ela suspirou. - A culpa foi minha, - sentou-se sentindo o quarto rodar por um momento. Ela sentiu as mãos de Damon espalmadas em suas costas para lhe dar equilíbrio. - eu não deveria ter me alimentado de você, você não deveria ter me deixado. Eu ouvi quando você disse para que eles me deixassem, que você aguentava.
- , você estava faminta. Eu realmente queria que você bebesse. Assim poderíamos ficar mais próximos do que nunca.
- Mas você ficou fraco e nós lhe demos aquele sangue contaminado. E depois... - respirou fundo, deixando suas costas penderem um pouco para trás. - depois você não era mais você, Damon. E eu fiquei com medo.
Damon e ficaram em silêncio, o rapaz lhe ofereceu a mão a qual ela aceitou e entrelaçaram seus dedos. Salvatore a trouxe para se deitar de novo na cama, abraçando-a nos ombros enquanto ela se acomodava sobre seu peito. Não demorou muito para que caísse no sono e logo Damon também divagava no subconsciente.
- Deveríamos acordá-la, ela já está chorando e gemendo há mais de uma hora. - ouviu vozes próximas a si. Seus olhos ainda estavam fechados, mas ela sentia do que eles estavam falando. As bochechas estavam molhadas e quentes e os olhos pareciam grudar com os cílios úmidos. Seu corpo tremia e estava dolorido, mas ela queria não ter que abrir os olhos.
- A médica disse que devemos deixá-la acordar sozinha. É melhor depois da noite que ela teve. - a voz masculina parecia soar tão próxima que pensou sentir a respiração dele em sua orelha.
- Eu sabia que ela não deveria ter ido àquela festa. - suspirou nervosa. É claro que ela estaria lá, pensou , tinha ido parar no hospital mais uma vez depois de uma bebedeira.
- , não foi culpa sua. Colocaram drogas na bebida dela, eu sei que não é de se drogar. - Ah e lá estava ele, seu amigo colorido Jace. É claro que eles nunca haviam transado, mas já haviam tido uns amassos pesados. se sentia bem perto dele, Jace era uma ótima companhia.
O rapaz segurou em sua mão e só então teve conhecimento do quanto seus dedos estavam rígidos, duros e gelados em relação à mão dele. Nem se ela quisesse poderia corresponder ao aperto na mão que o garoto lhe dava. As pálpebras tremularam e ela se viu abrindo os olhos, primeiramente incomodados pela luz fluorescente. Deu-se conta de que estava num leito particular do hospital. Era tão típico!
Em um primeiro momento, eles pareceram não notar que ela estava acordada, por isso deu uma boa observada em seu corpo. Estava coberto por um lençol branco e limpo, os braços se estendiam ao longo de seu corpo, em uma das mãos havia a agulha do soro. As mãos estavam endurecidas feito garras e todos os membros de seu corpo doíam.
- Oi amor, como se sente? - não foi possível reprimir um sorriso ao ouvi-lo chamá-la de "amor". Eles não eram nada oficialmente, mas Jace era lindo demais e ser chamada carinhosamente por ele era quase como se estivessem namorando.
- Um lixo. - ela murmurou com a garganta seca. Parecendo adivinhar seus pensamentos, aproximou-se com um copo d'água.
- Foi uma mistura das bravas. - Jace a ajeitou na cama para que não engasgasse ao engolir o líquido. - Você estava inconsciente quando chegamos, mas gemendo de dor. - seu sorriso foi fraco fazendo o peito de afundar.
- Desculpe. - ela murmurou.
- Não há porque se desculpar, princesa. Sabotaram a sua bebida. - os dedos delicados e macios de Jace deslizaram pelo cabelo de , seus olhos estavam apreensivos e preocupados.
- Para se aproveitar de mim? - a ideia, tinha de admitir, a assustava.
- Não, não meu bem, nada disso aconteceu. - respondeu quando o rapaz ao seu lado hesitou. - Você vai se sentir mal por mais um dia, acho que vai ter que ficar aqui.
- Eu fico com você, mas só se você quiser. - Jace sorriu. Seus olhos azuis brilharam de ansiedade e sorriu.
- É claro que eu quero que você fique.
- Jace. - murmurou e abriu os olhos, percebendo que o que havia tido era apenas uma lembrança de sua vida humana. Ela só tinha quinze anos quando começara a beber e menos ainda quando seu rolo com Jace começou. Observou o cômodo ao seu redor, voltando a sentir a cama abaixo de si aos poucos. estava em um ponto do quarto, parecendo distante de acordo com sua visão periférica. Mas quando ela sentiu as mãos da irmã em sua bochecha, percebeu o quanto ela estava perto.
- Você sonhou com Jace? - perguntou ela preocupada. - o que está acontecendo? - sua expressão era confusa e, até certo ponto, desesperada.
- Do que você está falando? - ela tentou se levantar. Bem, tentou mesmo, mas seu corpo simplesmente não respondeu.
- Você está pálida, minha irmã, tão fraca que eu mal posso senti-la aqui perto de mim. O que foi que aconteceu? - lhe tocou a mão e percebeu que seus dedos estavam suados e doloridos.
- Eu bebi do sangue dela. - ouviu uma voz logo atrás delas, parecendo culpada e arranhada.
- Você fez o quê? - outra voz masculina invadiu seus ouvidos. tentou se sentar novamente, dessa vez tendo a ajuda da irmã. As mãos firmes de pairaram em suas costas enquanto seu corpo, mole feio gelatina, se endireitava na cama de casal.
Estava claro lá fora, Damon estava sentado na cama de solteiro, as pernas firmemente apoiadas no chão. Stefan estava em pé, de braços cruzados e apoiado em uma das paredes. A expressão dura, porém preocupada, se voltava para o irmão mais velho. estava tensa ao seu lado, sentada sobre a cama e sustentando o peso da irmã mais nova com as mãos. olhou para a porta do cômodo, onde outro rapaz pairava de pé, mas seu rosto não expressava nada.
Os olhos estavam completamente vazios, perdidos na imensidão verde de suas íris. Os cabelos desgrenhados e morenos contrastavam com a pele levemente bronzeada do tórax e dos braços desenvolvidos dele. Vestia apenas uma calça jeans larga com as barras dobradas para não arrastarem no chão. O cós estava baixo, mostrando o elástico da cueca branca que vestia. Seus músculos estavam contraídos, ele era incrivelmente lindo.
- É para você. - disse ao perceber que a irmã observava o rapaz. - Harry o mandou só para você. Não pudemos encostar nele nem nos alimentar, parece que ele sabia que você estava fraca. - disse como alguém que vislumbrava um brinquedo novo junto com a criança que o havia acabado de ganhar.
- Traga-o para a cama. - ouviu sua voz sibilar, não percebeu que os caninos apontavam para foram, ansiosos para rasgar a pele daquele rapaz.
- Venha. - Stefan cuspiu a ordem, nada satisfeito. O rapaz sentou-se na cama, ajeitando-se com as costas encostadas na cabeceira. Seus olhos encaravam com adoração.
- Deixa, eu consigo daqui. - ela disse para a irmã enquanto arrastava-se do pé da cama para onde o rapaz se encontrava. Quando ela se aproximou o suficiente, ele estendeu-lhe a mão, ajudando-a a sentar-se em seu colo.
- Agora voltando ao velho assunto. - Stefan aproximou-se do irmão, ainda insatisfeito e provavelmente irritadiço. Por mais que tentassem, não conseguiam evitar se sentirem atraídos pelo cheiro de sangue que exalava da ferida que havia acabado de abrir no pescoço forte do rapaz humano. - Por que você bebeu o sangue dela?
Damon estava com os olhos perdidos na silhueta de que, lentamente, era tomada pelos braços fortes do rapaz que gemia entre suspiros. Ela o segurava pelos cabelos a fim de que ele mantivesse a cabeça inclinada e lhe desse total acesso ao seu pescoço, o qual ela sugava com prazer e fome.
- Porque ela me pediu. - disse simplesmente, desviando o olhar para o irmão e sua esposa. - Nós fizemos sexo ontem à noite, enquanto vocês dormiam. No final ela ficou com a pressão sanguínea tão acelerada que, segundo ela, se eu não consumisse parte de seu sangue as palpitações voltariam e eu também seria atingido.
- Mas como você não tentou acalmá-la de outro jeito? Respirando fundo, por exemplo? - cruzou os braços olhando de relance para a irmã. Ela ainda bebia do rapaz, calma e lentamente. Uma de suas mãos estava pousada sobre o ombro dele enquanto as mãos do mesmo procuravam pelo fecho de seu sutiã, trêmulas.
- Vocês não a viram. Ela estava banhada em suor, os lábios estavam secos e seu corpo tremia. Tive de deitá-la na cama e ficar com uma toalha úmida no rosto dela para que não desmaiasse.
- Eu não entendo o que está acontecendo com ela. - suspirou. - Agora mesmo, antes de acordar, estava sonhando com Jace.
- Quem é Jace? - Stefan franziu o cenho.
- Ele foi um grande amigo nosso, mais do que amigo para a . Logo depois que ela começou a beber, ele andava no grupinho dela. Eram ótimos amigos, às vezes ficavam. - suspirou, sentindo falta por um momento de sua antiga vida. Já fazia tanto tempo... - O mais longe que foram foi ela pagar um boquete nele. - disse parecendo despreocupada. Damon cerrou os punhos, com ciúme.
- E como você sabe disso? Ela não parece, sabe, ser do tipo que conta a você sobre sexo. - Stefan tentou soar delicado, mas sorriu amargurada.
- Não foi preciso, eu os flagrei na sala da nossa casa. Nossos pais haviam saído para um jantar e sempre o chamava nessas ocasiões para fazer companhia a ela.
O silêncio perdurou sobre eles, os olhares se voltando lentamente para . Ela ainda bebia com calma, uma surpresa para eles já que deveria estar faminta. O rapaz ainda estava consciente, mas sua respiração já estava falhando. Ele não conseguira soltar o sutiã de , então agora lhe acariciava as coxas.
- Diga que me ama.
Capítulo 15.
se separou do rapaz com um olhar beirando a loucura e sorriu para ele que a observava com total obsessão. Atrás de ela pode sentir os três vampiros rígidos observando a cena.
- Ah Harry, como você é estúpido. - ela disse enquanto acariciava as maçãs do rosto do rapaz que sorria feito um bobo. - Me diga, humano, o que mais você deve fazer aqui? - suas pupilas se dilataram e contraíram, dando início à compulsão enquanto ela mantinha a cabeça do rapaz pressionada contra a parede, deixando seus olhos na mesma direção.
- Fazer com que você diga que me ama e, assim, romper o laço com seu namorado vampiro. - ele disse em um tom mecânico, a expressão ficando séria de repente.
- E o que mais? Eu vi você na orgia do Harry outro dia, você sabe de mais coisas, não sabe? - intimou ela, seu tom de voz ríspido e frio.
- Você é a duplicata da princesa Letizia Yerona, a qual teve o sangue utilizado para selar um feitiço sobre Francis há seiscentos anos. Há quatrocentos anos ele criou Harry para que pudesse sair em busca da única duplicata, mas o que eles não sabiam é que, conforme elas morriam, novas duplicatas iam sendo criadas, você foi a última delas.
- E eles não conseguiram quebrar a maldição com o sangue das outras duplicatas por quê...? - sua voz tremeu um pouco no final, talvez ela estivesse em um beco sem saída.
- Precisavam que a duplicata fosse transformada na idade certa, as outras ou permaneciam humanas ou eram transformadas tardiamente.
- Muito bem, - incentivou, por dentro, o pavor só aumentava. - e os meus amigos ali, o que vai acontecer com eles?
- No início ele queria matá-los, mas depois Francis mudou de ideia. Vai usá-los para que você rompa o laço e assim ele os libertará.
- Como com o truque do sangue contaminado? - ela chamou de volta a atenção do rapaz que se dirigira para os outros três.
- Exatamente.
- Obrigada. - ela sorriu para o rapaz e logo em seguida torceu-lhe o pescoço em um movimento brusco, fazendo-o quebrar.
Levantou-se da cama, sentindo-se completamente disposta e encarou Damon, e Stefan que a observavam com cuidado. Ela apoiou a lateral do corpo em um pilar que ficava bem ao centro do quarto e cruzou os braços na altura do peito. A expressão demoníaca se apaziguava conforme ela se acalmava e o rosto era tomado pelo terror.
- Ok, o que vamos fazer? - ela perguntou, a voz de repente soando ofegante e trêmula. - Ele tem recursos que podem nos dominar.
- Ele é amaldiçoado, é claro que tem. - Damon resmungou voltando a se recostar na cama.
- Querem tomar o resto? - a mais nova apontou com a cabeça o humano desmaiado na cama. - Acho que ainda tem sangue lá. - deu de ombros, seguindo até a janela e parando lá para olhar.
- Você está bem? - Damon aproximou-se dela, apoiando o queixo em seu ombro. - Fiquei preocupado quando acordei e vi que você tinha ido até a cama dos dois.
- Eu fui? - seu rosto se contorceu em surpresa, mas ela não virou para vê-lo. - Não me lembro.
- É claro que não. - o moreno disse com um suspiro. - Eu te achei esparramada no chão, com uma das mãos erguida em direção à cama. - seu tom deu uma leve tremida, hesitante.
- Eu vou salvar todos nós. - ela disse de repente, a respiração controlada e a voz determinada. - Não devem precisar de mim morta, é só um pouco de sangue e poderemos ir para casa.
- Você tem que quebrar o laço para isso. - o moreno a olhou de esguelha, suspirando tristemente. - Um laço enfraquece a essência do sangue.
- Não posso fazer isso! - virou-se para ele, o olhar preocupado. Damon sorriu fracamente acariciando-lhe as bochechas. - Dói, não dói? - seus ombros se encolheram.
Uma vez, ouvira Damon dizer que, quando se rompia um laço amoroso entre dois vampiros, inclusive sendo ele o seu criador, provocava dor. Nenhum deles sabia exatamente como era, mas tinham uma breve noção de que era doloroso e agonizante, mesmo que fosse por alguns poucos minutos.
- Eu não sei. - Damon abaixou os olhos, sério. - Mas se você quer nos salvar, não deve se preocupar comigo, nós reatamos esse laço depois. - ele a encorajou, embora por dentro relutasse veemente.
escorregou até se sentar no chão, as costas escoradas na parede de janelas. Sua cabeça trabalhava arduamente, em busca de respostas para as possíveis opções que lhe restavam. Ela precisaria desfazer seu laço com Damon, um laço tão especial e vital para o relacionamento deles. Desde que Damon a transformara, o laço só se tornara ainda mais forte, assim como o laço de sangue que ela compartilhava com sua irmã, . Mas, ao contrário daquele com o seu namorado, ele nunca poderia ser rompido.
A mais nova estava com medo, medo de que Francis os usasse para que ela se visse sem saída a não ser quebrar o laço. Mas de qualquer forma ela já estava condenada a fazê-lo já que só o sangue puro da duplicata, transformada na idade certa, seria capaz de dar ao vampiro sênior o que ele tanto queria. Ela apenas temia pela família dela, era o mínimo depois de tudo o que estava acontecendo.
e Stefan já haviam terminado com o rapaz morto e o retiravam de cima da cama de casal quando a porta do quarto se abriu. Harry apontou para dentro sendo seguido por três brutamontes, vestidos exatamente como seguranças. Eles carregaram o rapaz e pararam logo depois de atravessarem a porta, no corredor.
- , venha. - ele disse em tom firme e autoritário. A menina se levantou cabisbaixa e começou a seguir na direção do mais velho com passos curtos e contínuos.
Não importa o que acontecer depois que eu sair daqui, eu amo todos vocês. Ela compartilhou seu pensamento urgente, mantendo-o longe de Harry, ao olhar rapidamente para seus entes queridos que confirmaram, cada um à sua maneira.
Chegando ao lado de Harry ele a abraçou pela cintura de maneira possessiva e deixaram o quarto sem mais nada dizer. Damon, Stefan e se entreolharam, era a cartada final.
Estavam de volta ao quarto onde tudo havia começado para naquela mansão. O quarto onde ela tivera o primeiro vislumbre da diversão de Damon, onde ela se envolvera com dois rapazes, um deles o próprio Harry, onde ela passara grande parte do tempo inconsciente e envolta em memórias, onde ela matara uma criança. De repente tudo se apresentava de tal forma que se perguntava se ela não quisera tudo aquilo.
Poderia até pensar que estava ficando louca, já que tanto tempo e tantas novas informações haviam destruído com sua capacidade de julgar o que era normal. Sua vida não estava mais normal. Ela estava presa em uma casa, com dois vampiros muito mais velhos e, aparentemente, alquimistas, capazes de os drogarem de tal forma ser impossível deixar aquela mansão sem que eles concordassem.
- Não sei como você aguentou ficar lá todo aquele tempo, - Harry resmungou jogando-se na cama distraidamente. Embora o quarto estivesse limpo, podia sentir a náusea lhe subir com as lembranças. - tive que mandar um suprimento senão você definharia rápido demais.
- É a minha família, eu morreria por eles. - ela cruzou os braços, parada ao pé da cama, mantendo a expressão séria. - E belo truque com o sangue contaminado, quase fez com que o meu namorado me matasse!
- É mesmo? - Harry parecia lamentar, as sobrancelhas se franzindo de maneira incompreensível. - Não era para ele beber enquanto você estivesse por perto.
- Então eu não teria utilidade morta, teria? - sorriu sarcástica.
- Não, não teria. - o vampiro a encarou de cima a baixo. - Você foi realmente uma menina malcriada por matar Charlie. É claro que antes você tinha que tirar alguma informação dele. - deu de ombros, mas havia incômodo em sua voz. - Agora sabe de tudo, então... o que te impede de tentar me matar? - abriu um sorriso malicioso, apoiando-se nos cotovelos.
- O tempo que levaria para te dominar seria o suficiente para que você matasse minha família, - deu de ombros, caminhando de maneira desconfortável pelo cômodo. - matemática simples, eu sairia no prejuízo.
- Por outro lado, se você romper o laço... - seu sorriso se alargou.
- Acredita mesmo que eu vou romper algo de anos com a única pessoa que eu realmente amei sem nada em troca? Ah Harry, você é tão ingênuo! - riu, sentando-se na borda da cama, ele não perdeu tempo para se aproximar.
- Pense que estará trocando um laço idiota e inútil pela vida das três pessoas que você mais ama. - Harry alisou o antebraço da menina de maneira íntima, chamando atenção dela para suas peles em contato. - Vamos, é fácil.
parou por um momento, seu olhar se perdendo em um ponto fixo e disperso da cama, deixando-a aquém de Harry e do quarto a sua volta. Ela respirou fundo, pesando cuidadosamente os prós e contras do que tinha em mãos. Se aceitasse o que lhe propunham, que garantias tinha de recuperar Damon, a irmã e Stefan inteiros? Ou então, se optasse em jogar tudo para o alto, não estaria assinando o atestado de óbito (definitivo) dos três ainda mais rapidamente? Abaixar a cabeça e aceitar ou erguê-la e lutar? Nenhuma das opções parecia ser a melhor, apenas uma menos pior que a outra.
Harry apoiou o queixo sobre o ombro despido de e deslizou sua cabeça traiçoeira até seus lábios encostarem o pescoço dela. fechou os olhos, respirando calmamente, ela não teria muito mais tempo para pensar, percebeu. Por isso, seguindo apenas o calor do momento, inclinou sua cabeça para trás e escorregou até que se aconchegasse nos travesseiros e almofadas esparramados ao longo da cabeceira da cama. Se fosse para fazer algo de errado, agora ele nunca pareceria tão certo.
Era a coisa certa para salvar sua família. Era a coisa certa para salvar Damon. E aquilo era tudo o que importava.
Damon, Stefan e andavam de um lado para o outro no quarto, agora tão vazio e solitário como se eles estivessem sem uns aos outros. O medo era iminente pelo o que poderia estar acontecendo naquele momento a . Ela, sabiamente, havia blindado sua cabeça e seus pensamentos, portanto eles estavam praticamente no escuro. O sangue de ainda corria pelo corpo de Damon e, mesmo assim, ele nunca se sentira tão distante da amada. Havia feito tanto de errado, mas agora só conseguia pensar no quanto eles eram felizes antes de tudo aquilo acontecer, antes deles brigarem por um homem humano, um humano!
sentou-se na borda da cama, a expressão desolada. Embora tivesse se alimentado há alguns minutos, era como se seu corpo estivesse vazio. Ela, assim como a irmã mais nova, temia por todos eles. Estavam pisando em território inimigo, brincando com fogo, andando às cegas, dentre outras expressões que poderiam descrever aquele momento de agonia. Se quebrasse o laço e pagasse a dívida de sangue (que, verdade seja dita, não era nem dela), como eles poderiam respirar fundo e calmamente sabendo que aquilo lhes serviria de ticket para fora daquela mansão maluca? Ou então, será que eles deveriam dar a Francis o que ele tanto queria, que buscara durante todos aqueles anos? Não se parecia a coisa certa a fazer, mas eles estavam ficando sem opções.
Nenhum dos quatro, mesmo juntos, seria páreo para Francis e Harry, eles eram muito mais velhos e fortes e tinha recursos ilimitados, além de desconhecidos, para combatê-los sem precisar chegar ao contato físico.
- Ahm, pessoal, venham dar uma olhada nisso. - levantou a cabeça e olhou para a direção oposta a que estava, deparando-se com Stefan em pé, em frente a um quadro.
Só que o quadro fora posto de lado e havia algo a mais por baixo. Outra saída para a liberdade? Uma passagem secreta para o suprimento de sangue? A ligação entre o quarto deles e o de ? Ou seria para o de Francis? A cabeça da mais velha Cardigan batucava com todas as ideias possíveis que lhe vinham à mente. Mas quando ela parou ao lado do marido, que tinha Damon em seu outro lado, tudo o que pode fazer foi observar. Atrás do quadro, que continha uma pintura um tanto quanto tosca em relação ao extravagante gosto de Francis, estava um pedaço de pergaminho, mais parecido com pele de animal, fixado à parede com tarraxas douradas.
A visão da pintura pitoresca e levemente desbotada fez o coração dos três congelar. Ela tinha cabelos longos e cacheados que estavam presos a um meio rabo armado e deixava que as mechas lhe escorressem por sobre os ombros. O vestido tinha várias rendas e um decote generoso retangular, as mangas três quartos terminavam por mostrar os braços finos e delicados daquela jovem, tendo as mãos pousadas gentilmente sobre o colo. O sorriso era enigmático, como se naquele tempo, se parecer com a Mona Lisa fosse uma espécie de normalidade, mas os olhos... aqueles olhos eram inconfundíveis. Aqueles olhos chocaram mais do que o resto do quarto, eles eram de uma pureza absurda, embora o brilho de seu sorriso não os atingisse, deixando-os opacos, mas ainda assim belos.
Aquela pessoa no quadro, concluíram eles, só poderia ser a princesa Letizia Yerona, mas por que eles tinham tanta certeza de que ela também poderia ser Cardigan?
Capítulo 16.
- Isso é inacreditável! - murmurou mal contendo o assombro na voz. - É a !
- Não, , essa é a princesa Letizia. - Stefan disse com convicção embora seu semblante estivesse contorcido em puro terror e fascínio, mesclados. - São pessoas completamente diferentes.
- Você quer dizer com personalidades diferentes, - Damon o corrigiu olhando o quadro com saudade nos olhos. O que sua pequena estaria passando naquele momento? - fisicamente são a mesma pessoa.
- Ainda assim, são pessoas diferentes. - Stefan deu de ombros. - O que vamos fazer?
- Sentar e esperar. - afastou-se do quadro com um desconforto na boca do estômago. - Já sabemos que ela tem que romper o laço ou nunca sairemos daqui.
- Você está certa, é a única coisa que podemos fazer no momento. Pelo menos se quisermos continuar vivos. - Damon sentou-se ao lado dela balançando as pernas para cima e para baixo. Ele só estava à espera de sua própria dor.
Harry deslizava seus lábios venenosos pelo corpo de , a qual se deixava afundar cada vez mais sobre a cama. Nunca havia se sentido tão sufocada como o sentia naquele momento. Suas mãos agarravam fortemente os sulcos entalhados na cabeceira de madeira maciça enquanto deixava seu pescoço ao dispor do mais velho, apenas esperando que algo dentro dela despertasse e ela pudesse finalmente trair a si mesma.
Aproveitando que seu rosto estava virado para o teto, ela resolveu ter um último vislumbre de como era sua vida e de como seria dali a alguns minutos. Enquanto passeava os olhos pelo teto sem graça pintado de branco ela alcançou em seu campo ocular as pontas da cabeceira, presentes como duas torres em um castelo. Se pelo menos ela as alcançasse... poderia quebrá-las rapidamente e espetá-las através do coração de Harry. Então tudo estaria acabado e ela não precisaria sacrificar seu laço com Damon.
Sua respiração se acalmou com a nova ideia que lhe surgia e ela endireitou as costas, puxando seu corpo um pouco mais para cima. Harry sequer levantou o olhar do abdômen de que era onde ele se encontrava agora, deixando-a ainda mais radiante com a possibilidade iminente. Seu braço esquerdo ergueu-se até estar completamente esticado e quase estralando as juntas, os dedos envolveram-se no cilindro de madeira e com um movimento que, de tão rápido, foi silencioso, ela tinha a sua própria estaca em mãos. Voltou a deslizar seu corpo para baixo, ficando em uma posição onde seria fácil alcançar o coração de Harry, mesmo adentrando pelas costas...
- Tsc, tsc, tsc. - ele fez com os lábios nos intervalos entre os beijos que depositava em sua pele. - Seu laço idiota por três vidas, se este não for um preço justo então não poderá haver um melhor, só piores. - ele disse de forma fria e dura, fazendo estremecer. Ela deixou o cilindro de madeira escorregar por sua mão, ele rolou até a borda da cama, caindo ao chão com um som abafado pelo carpete.
Harry apertou suas mãos ao redor da mais nova, trazendo-a para mais perto de si e fechou os olhos, sentindo-os arderem. Ela havia falhado, mais uma vez. A boca dele tornou-se muito mais agressiva, deixando vergões avermelhados que rapidamente se curavam sobre a pele excepcionalmente pálida da menina. As mãos grandes e ásperas dele deslizaram agressivamente pelo corpo delicado e frágil de e ela gemeu em protesto quando seguiram para a parte interna de suas coxas, separando-as de maneira brusca.
- Eu... - ela ouviu seus lábios pronunciarem e congelou. Respirou fundo, tomando coragem, pior do que aquilo só se todos eles acabassem mortos, concluiu enquanto pigarreava e se preparava. - Eu... te... amo. - um soluço escapou do fundo de sua garganta e comprimiu os olhos recusando-se a ver a vitória e o escárnio nos olhos e lábios de Harry.
- Inacreditável como é só abrir as pernas que as palavras saem. - debochou ele e o corpo todo da menina se contraiu em um soluço contido, as mãos cerraram-se em punho e ela tentou retomar o fôlego. - Mas não é tão simples assim.
O mais velho sentou-se na cama, ficando entre as pernas de e passou a unha do polegar na base de seu pescoço, abrindo um corte fino, porém fundo o suficiente para que o sangue começasse a escorrer, esguio e silencioso como lágrimas cor de escarlate. Ele inclinou-se sobre seu corpo de forma ameaçadora, fazendo com que o sangue pingasse sobre o queixo de , e subiu até seus lábios firmemente comprimidos.
- Beba. - ele disse deleitado, mantendo o corte aberto com a unha pressionada contra a pele. relutou no começo, mas depois esticou o pescoço e deixou os lábios percorrerem o corte a fim de tirar proveito do sangue que lhe era oferecido. Harry soltou um gemido de satisfação e pegou pela nuca, pressionando-a com toda a força contra seu pescoço, adorando a sensação de vitória.
Ela foi separada de sua pele bruscamente, como se já estivesse ficando acostumada demais para o próprio bem. O corte se fechou diante dos olhos marejados de e Harry voltou a encará-la na mesma altura.
- Agora, é a sua vez. - ele disse com um sorriso malicioso sobre os lábios que mais assustavam do que realmente seduziam.
- Mas como é que... ai! - gemeu ela quando a unha do rapaz lhe atravessou a carne de forma violenta, abrindo um corte na parte mais carnuda de seu pescoço. Harry aproximou-se e bebeu, murmurando de felicidade enquanto deixava seu corpo pesar sobre a cama, não querendo sentir nada além do necessário. Damon estaria sentindo muita dor?
- Damon? - virou-se estupefata ao primeiro gemido do cunhado, quando ele caiu deitado sobre a cama. - Ah meu Deus, Stefan, olhe! - ela observou, aterrorizada, enquanto Damon empalidecia de forma nunca vista antes e enrolava-se em posição fetal, os gritos de dor abafados pelo seu orgulho.
- Ela rompeu o laço. - o mais novo disse com pesar enquanto pressionava a testa do irmão com a palma da mão. - Damon, Damon me escute. - ele virou a cabeça do moreno em sua direção. Damon mordia o próprio lábio com força, abrindo uma fenda bem ao meio dele que não tinha tempo de cicatrizar antes de se abrir novamente. - Isso vai passar, vai passar.
Havia mais do que dor naqueles olhos de um azul profundo e hipnotizante, havia angústia, medo e, talvez o pior de todos eles: abandono. Stefan tentou confortar o irmão e o mesmo fez , tão chocada e temerosa pela dor do mais velho quanto seu próprio irmão estava. Mas apenas uma coisa os confortava: Damon era forte e isso também significava que estavam todos prestes a sair dali. A liberdade praticamente gritava em seus ouvidos e, à parte do sofrimento pela falsa traição de , eles sabiam que tudo estava perto do fim.
- Ah, bem na hora. - ouviram a voz de Francis ecoar atrás deles. Com toda a agonia de Damon, eles sequer haviam notado que o vampiro mais velho adentrara o quarto com seis capatazes. - Pobre Damon. - disse ele em uma voz calculista sem o menor resquício de pena ao atravessar uma agulha de oito centímetros pelo pescoço do moreno que deu uma última guinada antes de cair adormecido.
- O que você pensa que está fazendo? - gritou estupefata. Não, Francis não podia estar tentando dar uma de bonzinho para cima deles. Aquela desculpa não iria colar.
- Colocando-os para dormir. - sentiu uma picada ardida no pescoço e logo perdeu os sentidos. Stefan observou a esposa e o irmão drogados e sendo carregados pelos homens de Francis e trocou um último olhar de terror com o mais velho antes de também ser pego, com uma picada dolorosa na nuca.
- Onde você quer que os coloque, chefe? - o chefe dos seguranças perguntou, cada um segurando um braço de , Damon e Stefan. Francis os observou de cima, arrematou a mão esquerda de Damon e retirou com violência o anel de lápis-lazúli que pendia no dedo médio do rapaz com o brasão dos Salvatore. O mesmo fez com o anel de Stefan e a pulseira de . Sentindo-se satisfeito, olhou para os serviçais e sorriu.
- Para a estufa, logo, logo o sol nascerá. - Francis sabia que era um movimento arriscado, se Harry fosse mais demorado do que o planejado, talvez perdesse sua família e sabe-se lá o que poderia acontecer. Provavelmente, o vampiro pensou, ele poderia até sair no prejuízo. - Mas os deixe no canto, onde o sol nascente não alcance. Precisamos ganhar tempo.
O chefe humano assentiu com a cabeça e eles se retiraram do quarto, carregando-os para baixo. Francis chacoalhou os amuletos em sua mão fechada e olhou com tédio e descaso para o quarto antes de sair e bater a porta atrás de si. A liberdade, concluiu ele, não era assim tão fascinante afinal de contas.
- Pronto? Já acabou? - disse com a voz tremendo, os olhos tinham pintinhas pretas cada vez que ela piscava. Harry havia bebido muito dela, mais do que ela mesma bebera dele.
- É claro que não. - ele sorriu, provavelmente achando graça de seu sofrimento. - Precisamos consumar o amor que você diz ter por mim.
fechou os olhos e tentou retomar a respiração, bem lá no fundo, seu peito doía. Ela sabia que era por causa de Damon, sua cabeça girava ao redor dele, mas nada captava. O mesmo acontecia com Stefan e , o que será que estava acontecendo? Um vampiro não poderia morrer pelo simples rompimento de um laço, repetia para si mesma a fim de garantir algum conforto para sua mente perturbada, mas estava ficando cada vez mais difícil. Agora, com a nova imposição de Harry, foi quase impossível para ela conter o urro de raiva, deixando apenas que um grunhido ecoasse no fundo de sua garganta.
Ela jurou ouvir Harry rir antes de despir suas poucas roupas e tirar as próprias. tentou se desligar das sensações, do prazer carnal que rondava sua natureza de vampira, mas era quase impossível. Ela estava ligada a Harry agora e, como acontecia com Damon quando eles tinham um momento íntimo, tudo o que ele sentia, ela sentia também. E aquilo a matava por dentro, matava todo e qualquer resquício de bom senso que lhe sobrara daquela experiência lamentável.
Embora o prazer percorresse suas veias, em conjunto com o sangue de Harry, jurava poder sentir as entranhas arderem como se estivessem em brasa. Era uma luta interna, tão dolorosa e tão forte que a deixava quase desnorteada. O lençol que seus dedos finos e delicados agarravam eram em resposta à dor que implodia dentro de seu próprio corpo imortal. Não era a dor do estupro que sofria, muito menos o peso da culpa que a esmagava, mas apenas o mal estar e o desespero que travavam a batalha, loucos para serem liberados por seu corpo tão frágil e, ao mesmo tempo, tão forte.
As sensações excruciantes foram aplacadas pelo formigamento que varreu seu corpo por completo, pouco antes de Harry cair sobre si, a respiração ofegante. Seu rosto tinha pontos brilhantes de suor e o mesmo sorrisinho debochado ainda dominava seus lábios. Então já havia acabado? Pensou fechando os olhos por breves segundos. Agradecia, mesmo tendo certeza de que não merecia nem pensar na palavra "obrigado", por não ter sentido a violação do vampiro mais velho em seu corpo. O sangue poderia parecer algo íntimo para os vampiros, mas ainda via o contato de seus sexos como o ponto alto da intimidade de um casal. E Harry a havia forçado àquilo. Mesmo concordando para um bem maior, um bem que agora ela não tinha tanta certeza de que se concretizaria, ela se sentia suja e corrompida e água nenhuma poderia lavar aquilo de seu corpo e muito menos de sua própria alma.
Ela não poderia se dar ao luxo de esquecer aquele momento inoportuno, sua memória de imortal carregaria aquela cena para sempre, incrustada em dor e sofrimento. Um momento que desejava desesperadamente poder se esquecer.
- Venha, está na hora. - Harry a agarrou pelo braço e vestiu o robe de qualquer jeito em seu corpo enquanto se deixava levar apenas no modo mecânico. Os vasos sanguíneos ainda formigavam e sua cabeça nunca pareceu tão vazia. Um pouco de sangue e tudo estaria acabado, mas ela levaria consigo para sempre, marcado com ferro em brasa. tinha medo de não conseguir lidar com aquilo.
Capítulo 17.
Desceram os lances de escada em silêncio. Não havia um único criado andando pela casa naquele momento. As janelas estavam escuras, contornadas por um brilho azul anil, indicando que o nascer do sol aconteceria dali a algum tempo. Quanto tempo, entretanto, não sabia. Na verdade ela nem se importava. Deixava-se ser carregada pelo braço por um Harry afobado, porém presunçoso. E aquilo doía muito nela.
Atravessaram o corredor, passando pela cozinha que, mesmo com a luz acesa, estava vazia. Abriram a porta dos fundos da casa e reconheceu o jardim. Pela primeira vez ela não sentiu nada. Observava a paisagem sem realmente vê-la enquanto eles seguiam para um prédio de vidro que ficava mais ao norte da propriedade. Era uma estufa. Ao lado dela, havia um galpão, alto e imponente. Provavelmente Francis estaria lá, esse pensamento cruzou a cabeça de rápido como um raio antes de sumir como se nunca tivesse sequer existido.
Provavelmente ela estava em estado de choque, se é que vampiros podiam ficar assim, mas nada poderia explicar melhor a ausência de humanidade naquele corpo de garota que, há dez anos, sofrera dos mais variados tipos de agressões e, ainda assim, sobrevivera para tornar-se uma bela imortal. Tão bela que os rapazes entornavam os pescoços quando ela passava, tão estonteante que Damon sorria como um bobo ao olhar para ela todos os dias de manhã, tão jovem que seus pais nunca notariam a diferença porque, para eles, continuaria sendo o seu bebê, a sua criança, sua caçula.
A sensação de ter a vida passada diante dos olhos acometeu com tamanha força que seu corpo cambaleou um pouco e ela tropeçou nos próprios pés. O braço de Harry a sustentou pela cintura e eles continuaram a caminhar pela grama muito bem cuidada na direção do prédio de vidro. Quando a porta trabalhada se escancarou, reconheceu os vultos, recolhidos em um canto. Três deitados e um em pé.
- Francis? - ela ouviu Harry chamar pelo vampiro mais velho.
- Oh, foram mais rápidos do que imaginei! - ele juntou as mãos em frente ao peito, sorrindo com maldade.
- O que aconteceu aqui? - agora a voz de Harry havia perdido a cumplicidade. franziu o cenho e fincou os pés no chão, forçando sua mente a focar na realidade a sua volta. Harry havia soado... surpreso? - Não foi esse o combinado. - ele puxou para se aproximarem de Francis e a menina pode ver o que já suspeitava: , Stefan e Damon estavam com as mãos e os pés presos por algemas de plástico e os rostos virados na direção do chão.
- E o que te importa? Você cumpriu a sua parte, agora me deixe fazer a minha. - ele estendeu a mão de forma autoritária na direção de , mas ela foi puxada para trás pela mão firme de Harry.
- Você disse que não ia machucá-los. - ele trincou os dentes, parecendo descontar toda sua raiva sobre o braço da mais nova que ainda mantinha seus olhos fixos na família.
- Ora, mas vejam só. - Francis deu um passo para o lado de forma a deixar , Stefan e Damon, entre Harry, e ele. - Viu o que você fez, sua vadiazinha? - seu olhar raivoso faiscou sobre que o encarou de volta sem medo nenhum. - Você o contaminou com a sua humanidade. - ele cuspiu a última palavra. - Harry, querido, vamos! Me entregue a pestinha e eu e você sairemos daqui antes de o sol nascer.
- Não. - Harry disse com convicção sem afrouxar o aperto no braço de . Ela ainda mantinha seus olhos sobre o mais velho, como se o desafiasse para um duelo.
- Não seja ridículo! Você não tem escolha. - Francis cruzou os braços, desgostoso. Sua expressão não escondia o quanto ele estava surpreso pela relutância do vampiro mais novo.
- Na verdade, eu tenho sim. - mais rápido do que pudesse registrar, seu braço foi solto e Harry tornou-se um borrão que atravessou a estufa.
Logo, Francis era jogado contra uma das bancadas cheia de vasos com flores, provocando um estardalhaço que mais parecia com a explosão de uma bomba. cambaleou para trás, assustando-se com o barulho e seus olhos foram dos dois vampiros que lutavam, para aqueles que mais lhe importavam. Parecendo limitada, ela correu na direção deles em passos humanos, sentindo as lágrimas escorrerem por seus olhos quando os joelhos foram de encontro ao piso frio e sujo de terra.
- Damon? Damon! - ela gritou, a voz saindo falha e num gemido de desespero. - Por favor, acorda, acorda! - as mãos agarraram o tecido da camisa do rapaz e o chacoalhavam sem obter qualquer resposta. - Damon, por favor, não me deixa aqui sozinha, acorda. - sentou-se sobre os pés e os lábios foram de encontro ao bíceps dele, as lágrimas molhando a manga da camiseta.
Ao fundo, os barulhos da luta ainda ecoavam em proporções catastróficas dentro do espaço fechado, fazendo com que ferramentas de jardinagem, terra, húmus e flores voassem para todos os lados. Mas nada afetava , pelo menos não a ponto de tirar sua atenção do amado que ainda permanecia inconsciente. A bochecha descansava sobre a manga da camiseta de Damon, enquanto os olhos piscavam com força em busca de soluções para o que ela não tinha ideia de estar acontecendo.
- Me perdoa, por favor... - implorou ela virando seu rosto contra a pele do mais velho. - mas não me deixa, não me deixa.
Tomada pela dor, ela rompeu com as algemas em um único puxão, virando Damon de barriga para cima. As mãos agarraram novamente a camisa, agora amarrotada, do rapaz enquanto ela o mexia desesperadamente, esperando que ele abrisse os olhos. Pressionou seu rosto contra o peito dele, deixando mais lágrimas caírem, a derrota lentamente a dominando. Não havia volta, estava acabado. Damon estava morto e ela também não se demoraria muito a juntar-se a ele. Era só uma questão de tempo para que Francis acabasse com Harry, sua própria cria, e viesse atrás dela.
Embora tivesse começado a aceitar o destino já reservado a ela, grande parte de seu ser ainda lutava, esbravejava como a menina mimada que ela costumava ser. Ela não poderia desistir assim tão fácil. Observou Harry e Francis novamente, a luta deles apenas um borrão de tão rápida. Ficava difícil, até para os olhos sensíveis de , saber quem estava com a vantagem naquele duelo. Os barulhos eram horríveis, era como se houvesse três vezes mais vampiros lutando do que de fato havia. Mas algo chamou a atenção da mais nova.
Não foi a paisagem destruída, as flores caídas desoladamente sobre o chão frio e duro e muito menos as ferramentas que voavam, ensanguentadas. Mas o céu. O céu que, agora, estava muito mais claro do que ela se lembrava. Começava a se erguer em tons alaranjados, indicando que o sol nasceria dentro de alguns minutos. Ela voltou seu olhar para Damon, a mão esquerda estava vazia. Procurou, então, pela mão direita, não havia nada. Seus olhos desesperados percorreram o pulso da irmã: sem nada; o mesmo aconteceu com Stefan. Até que finalmente ela ergueu as próprias mãos para tocar o pescoço. Sua gargantilha não estava mais lá. O que indicava apenas uma coisa: todos eles morreriam carbonizados.
- Não! - ela gritou, voltando a encarar Damon. Dessa vez ela o chacoalhou mais forte. - Não! Não pode terminar assim! - seus soluços voltaram a ecoar pela estufa, agora tão altos quanto os barulhos da luta. - Não pode acabar assim! - protestou ela mais uma vez, deixando que as mãos prendessem o tecido da camisa de Damon entre os dedos. caiu sentada sobre o chão, uma das mãos lhe tomando a boca que não conseguia mais se fechar. Sabia que seu estado emocional não a ajudaria naquele momento, ela não conseguiria carregar os três para dentro rapidamente evitando que se queimassem.
No meio daquele caos todo, o que mais doía em , o que quase a matava de tanta dor, era saber que Damon nunca mais a ouviria dizer que o amava. Ela nunca mais poderia olhar naqueles olhos azuis e perder o ar quando o ouvisse dizer que também a amava. Seus soluços haviam se transformado em gemidos de dor, em gritos de agonia enquanto ela se encolhia sobre o corpo daquele único ser que ela amara. Ele morreria sem ouvi-la uma última vez, ele morreria sem saber que, mesmo depois do laço ter sido rompido, ela ainda o amava com todas as forças, com todo o seu sangue, com toda a sua alma.
Os primeiros raios de sol surgiam no horizonte e fez o que podia, empurrou os três corpos para o canto extremo da estufa, onde primeiramente o sol não atingiria e continuou agonizando com sua dor, agora lhe tomando até os pensamentos e sentimentos. Tudo era uma bagunça, uma dor só, que apenas aumentava de intensidade. Era como se sua cabeça estivesse prestes a explodir, seu corpo se partir em mil pedaços e o coração ser arrancado do peito. pressionava a cabeça com força, ainda gritando pela dor que os pensamentos lhe infligiam. Era tudo ruim demais, confuso demais, tortuoso demais para parecer verdade.
O sol avançava impiedoso sobre o piso, se encolhia o máximo que podia, mesmo que ele ainda estivesse a, pelo menos, dez metros de distância. Sabia que em apenas minutos eles seriam atingidos e ela sentiria toda a dor. A dor da carne em brasa, a dor que apaziguaria as demais, que faria com que tudo fosse embora. Mas não, ela simplesmente não conseguia aceitar. Porque, embora a dor fosse inimaginável e praticamente enlouquecedora, aquilo indicava que ela estava viva e que, por isso, ainda conseguia pensar e se lembrar, ainda conseguia sentir o coração bater contra o peito (mesmo que despedaçado) e o ar entrar em seus pulmões, embora queimando como ácido.
encolheu-se em posição fetal, os joelhos tocando as costelas de Damon e a cabeça repousada sobre seu peito. As mãos o agarravam pela camisa como se aquilo e apenas aquilo fosse salvar sua vida. O céu estava clareando, agora ela podia ver nitidamente a expressão serena do rapaz à sua frente. E aquilo doía, doía tanto que ela se encolheu ainda mais, soltando uma das mãos para pressionar o peito com o intuito de que a dor parasse. Mas ela não parava. Não parava e ela sabia por quê.
A droga. A droga que fazia seu coração bater ainda circulava em seu organismo rebelado e isso fazia com que seu corpo sucumbisse aos sintomas de um infarte, mas sem deixar que nada acontecesse. Em outras palavras era um sofrimento prolongado pela sua própria imortalidade. O sol nunca parecera tão convidativo quanto estava naquele momento, ele aplacaria toda aquela dor e deixaria e Damon juntos para todo o sempre. Não no plano terreno, é claro, mas em um plano acima, no qual não tinha tempo e nem cabeça para pensar. Ela só queria que se apressasse e que tudo acabasse. Agora, de uma vez por todas.
- Eu te amo, eu te amo, eu te amo... - ela murmurava contra o peito de Damon, balançado a cabeça em negação. Ainda havia uma parte, uma pequena parte dela que não queria acreditar em tudo aquilo. Aquela parte era a que fazia seu coração bater dolorosamente, que fazia com que ela sentisse cada músculo de seu corpo contrair com os espasmos de seus soluços. - Eu te... - ela tossiu, contraindo-se até formar uma bolinha com seu corpo e a cabeça latejou de maneira que a fez gritar. Em seguida relaxou, desmaiada, sobre o amado. Era o fim.
Se havia morrido, ninguém poderia dizer. Tudo o que estava visível e decifrável era que seu corpo, tão pálido quanto os demais, estava inerte. Mas ela era imortal e o único palpite que restava era um desmaio. Um causado muito mais provavelmente por um enfarte, exceto pelo fato de que vampiros não tinham enfartes. Eles só poderiam morrer com uma estaca no coração e aquilo nenhum dos quatro tinha. Portanto, só restava uma única teoria: aquilo não havia terminado.
Capítulo 18.
Harry jogou para o lado o corpo despedaçado de seu criador, o sol felizmente não o incomodava, permitindo-o levantar-se sem maiores problemas, a maioria das feridas da batalha já estavam curadas. Não havia sido fácil vencê-lo, se não fosse pelo sangue de em seu corpo, Harry provavelmente morreria tentando. Mas agora que ele estava em pé novamente, podia ter uma visão do estrago que havia causado. Nunca gostara daquela estufa de qualquer jeito.
Observou o canto oposto ao que estava, onde e a família jaziam. Durante a luta ele se lembrava de ter ouvido alguns gritos ao fundo, ou então havia sido o ranger dos objetos que se quebravam com o impacto de seus golpes para cima do Mestre. Harry percebeu que estava silenciada, caída sobre o peito de Damon, depois seus olhos percorreram o chão iluminado pela luz dourada do sol. Faltavam apenas dois metros até que ela alcançasse a família e eles estavam sem proteção alguma.
Agachou-se para alcançar o bolso da calça de Francis que, agora, caía pelo chão vazia já que seu corpo havia virado cinzas. Tirou de lá os amuletos dos irmãos Salvatore e de , depois remexeu no próprio bolso da calça, a qual vestira de qualquer jeito antes de arrastar para aquele inferno, e retirou a gargantilha da mais nova. Aproximou-se deles em menos de um passo, tão rápido que mal pode acreditar quando, em menos de dois segundos, todos eles estavam com os anéis, a pulseira e a gargantilha de volta nos lugares a que pertenciam.
Pegou-os nos braços, um de cada vez, e os levou de volta para a casa. Agora estavam fora de perigo, todos seguros. Só precisavam de cuidados médicos, já que Harry reconhecia que Francis os havia drogado com o mesmo composto químico que ele lhe dera antes para testar em . A diferença era que agora ele tinha o antídoto e, já que Francis estava morto, o controle da casa e dos criados lhe pertencia.
Depois de deixar o corpo de descansar inerte sobre os degraus da escada principal, Harry reuniu todos os empregados no saguão da casa. Deixou bem claro o que havia acontecido e que, a partir daquele momento, Damon e Stefan Salvatore, e Cardigan seriam tratados como hóspedes normais e deveriam ser cuidados com atenção redobrada. Ele faria o antídoto para que pudesse injetar neles o mais rápido possível ao invés de esperar a química perder o efeito.
Restava, então, o misterioso desmaio de . Ela não fora drogada, Harry bem se lembrava, a única coisa que poderia estar de estranho dentro de seu corpo era o próprio sangue, o qual ele a havia forçado a beber. Ele se sentia um monstro por isso, ter passado aquele tempo todo fazendo o trabalho sujo de Francis sem ao menos parar para contestá-lo sobre o certo e o errado. O justo e o injusto. havia aberto seus olhos, demorara um pouco para ele se dar conta disso, mas ela sem dúvida o ajudara. E ele a havia machucado, fizera com que ela rompesse o laço, o laço que era a coisa mais importante para ela.
Harry a deitou na maca ao lado da de sua irmã e observou seu rosto, estava pálido, cansado e sofrido, embora as sobrancelhas estivessem relaxadas e os lábios em uma linha fina. Os polegares deslizaram pelas bochechas úmidas da mais nova, limpando o rastro de lágrimas. Ele só esperava que ela acordasse logo e, assim, pudesse ver a família acordar também. Eles poderiam, finalmente, ir para casa e continuar com suas vidas. Isso era o mínimo que Harry poderia dar, apesar de não chegar nem perto de se redimir por tudo que lhes havia causado.
- Senhor? - uma das empregadas que costumava ficar no porão, pelo menos quando havia enfermos naquela casa, despertou-o de seus devaneios. - O antídoto está pronto. - ela estendeu três seringas em uma bandeja de aço cirúrgico.
O vampiro mais velho deixou seus olhos passearem mais uma vez pela expressão de até que ele se levantou, embora relutante, da maca onde a garota estava e pegou a primeira seringa. Tirou a tampa e testou um pouco, virando-se para . Respirou fundo e esticou o braço direito dela, que estava dobrado, a mão repousada sobre o abdômen. Buscou pela veia e penetrou a grossa agulha, injetando o composto rapidamente. Retirou e pressionou com o dedo o buraco, esperando o tempo necessário para que cicatrizasse.
Instruiu a jovem humana a ficar de olho na mais velha Cardigan e deixou aquele lado do porão, seguindo para a sala ao lado, onde os irmãos Salvatore se encontravam. Lá, aplicou uma seringa em cada um deles e colocou mais duas empregadas para ficar de olho nos dois. Por fim, voltou ao quarto onde estava e sentou-se na borda da cama, segurando uma das mãos dela, que ficava pequena entre as suas. Estava na hora de jogar todas as peças na mesa e tentar começar a montar o quebra-cabeça. Harry tinha certeza de apenas uma coisa: ela não estava morta.
Vinte longos minutos se passaram até que finalmente acordasse. O quarto ao seu redor estava em silêncio, mas indiscutivelmente claro, o que a fez retesar o corpo em defesa. Olhou para sua direita e sentou-se rapidamente, jogando as pernas para fora da maca. Estava prestes a agarrar Harry pelas costas quando o mesmo se afastou, revelando a irmã caçula deitada sobre a maca. As veias ao redor dos olhos estavam negras, mas ela parecia dormir profundamente.
- Ela está bem? - todo o ódio suprido por Harry transformou-se imediatamente em preocupação por . Sua voz deu uma leve vacilada quando ela se aproximou do outro lado da maca, vendo que havia uma agulha espetada em seu fino braço, por onde o suprimento de sangue humano passava.
- Eu não sei. - a voz dele parecia... cansada. Acabou por pegar desprevenida, deixando claro quando ela deu um sobressalto e seus olhos se arregalaram.
- Onde está Francis? - sua boca ficou com um gosto amargo ao pronunciar o nome do homem.
- Eu o matei. - Harry disse ainda sem desviar o olhar de . A mais velha Cardigan percebeu que ele lhe acariciava os dedos pálidos com calma e desatenção, como se já estivesse fazendo aquilo há horas. - Nunca deveria tê-lo obedecido e agora olhe só, vocês quase morreram por minha falta de bom senso. - ele soltou um suspiro pesado.
- Onde estão os outros? - preferia não ter que entrar naquele assunto, pois se o fizesse, acabaria matando o vampiro mais velho e, naquele momento, ele poderia lhe ser útil para salvar sua irmã seja lá o que ela tivesse.
- Na sala ao lado, devem acordar em breve. - ele disse sem emoção, os olhos desconfortavelmente grudados na mais nova.
- Se importa de me olhar nos olhos quando falar comigo? - o tom de irritação surgiu quase que acidentalmente na voz histérica de . Harry virou-se para encará-la e ela pode finalmente analisá-lo. Não havia deboche, nem malícia e muito menos maldade em seus olhos. Estavam opacos e preocupados. - O que aconteceu com a minha irmã?
- Eu já lhe disse que não sei. - ele suspirou mais uma vez, derrotado. - Sei que sou a última pessoa em quem você confiaria agora, mas, por favor, entenda. Eu só quero ajudar.
- Isso nós discutiremos depois. - disse firme e forçou-se a deixar a sala para sair à procura de Stefan. Não precisou, entretanto, andar muito já que, ao atravessar o batente da porta, Stefan virava para seguir em sua direção.
Eles se olharam por um breve segundo antes de trocarem um longo e aconchegante abraço. Sem perceber, estava aos prantos. Stefan acariciou-lhe os cabelos e ela podia notar, pela proximidade com seu corpo, que ele também se controlava muito, mais para deixá-la calma do que a si mesmo.
- É a , não é? - ele perguntou calmamente, a voz mantendo-se suave com o intuito de aquietar o desespero de .
- Ele não sabe o que aconteceu com ela. - murmurou contra o peito forte e musculoso do marido, abraçando-o com mais força. - Stefan e se tiver acontecido alguma coisa? Nós não estávamos lá para ela. - seu soluço foi tão alto que ecoou por todo o porão. O mais velho suspirou, descansando o queixo sobre o topo da cabeça da garota.
- Harry nos ajudou, , embora você se recuse a acreditar. Ele destruiu Francis para salvar a todos nós e vai cuidar para que possamos ir para casa. - ele disse pausadamente, temendo a reação da esposa. Ela apenas respirou, trêmula, e fungou erguendo a cabeça para olhá-lo.
- Como você sabe? - sua voz saiu rouca e ela fungou mais uma vez.
- Consigo entrar na cabeça dele. - Stefan deu de ombros, mas ao ver a expressão perdida de , prosseguiu. - Desde que ele nos tirou de perigo, abaixou a guarda e, com ela, todas as defesas de seu corpo, incluindo as que bloqueavam seus pensamentos. Tudo em que ele consegue pensar nesse momento é no que aconteceu com a . E em nada mais.
- Você já tentou entrar na cabeça dela? - sabia o quanto a irmã odiava aquilo, por isso havia sido a primeira coisa que ela aprendera a bloquear. Agora, no entanto, ela desejava desesperadamente saber o que se passava lá dentro. Entender como e o que havia acontecido desde que Francis adentrara seu quarto e os drogara.
- Já. - a voz de Stefan ficou sofrida de repente, quase como um gemido.
- E...? - sentiu os joelhos tremerem, mil e uma possibilidades atravessando-lhe a imaginação.
- Não há nada. - o mais velho suspirou, muito mais triste do que frustrado. - E não estou falando de uma barreira que ela possa ter erguido, mas não há nada mesmo. Como se... como se ela estivesse morta. - ele abaixou ainda mais a voz. Desejava não ter que dizer aquelas palavras.
- Mas ela está morta, amor. Todos nós estamos. - disse sem emoção, como se já estivesse cansada de pronunciar aquelas palavras.
- Não é a esse tipo de morte a que me refiro. - Stefan estava sendo duro, porém coerente. Tentava achar uma explicação para o que vira dentro da cabeça de . O maior e mais completo vazio absoluto. - É como se... estivesse em um coma, um momento "fora do ar". Sua mente está vazia justamente porque ela não está lá para pensar.
- Está me dizendo que ela saiu do próprio corpo? - mal pode acreditar até ouvir as palavras saltarem de sua boca.
- Talvez seja isso, mas eu ainda não tenho certeza. - ele coçou o queixo e deixou que se afastasse dele.
- Quando ela vai voltar? - quis saber a menina com um resquício de esperança na voz. Talvez fosse apenas uma situação temporária, como havia sido com ela e só precisaria de um antídoto.
- Difícil dizer... - Stefan respirou ruidosamente, preparando-se para o que diria em seguida. - talvez ela nunca volte.
deixou o corpo escorregar em direção à parede, logo ao lado de Stefan. O que acabara de ouvir era como um tapa na cara. Talvez sua irmã nunca mais voltasse a ser o que era antes, nunca mais falaria, nem sorriria, muito menos viveria ao seu lado.
As lágrimas voltaram a seus olhos com uma força brutal, perder soava ruim demais, ainda mais quando ela sabia que seu corpo não havia morrido, que ela não havia morrido, mas que, de alguma forma, sua alma se ausentara de seu corpo. E sem a previsão de retornar.
- Como você pode saber dessa possibilidade? - perguntou ela com os olhos esbugalhados, quase suplicantes, direcionados na direção do marido.
- Porque Damon está do mesmo jeito. - agora a dor parecia acometê-lo como nunca antes. - Eu vi a mesma coisa quando adentrei sua cabeça. Parece que o laço não foi totalmente quebrado, para onde quer que tenha ido, ela o puxou junto. E agora os dois estão... não estão. - ele concluiu, a cabeça pendendo para a frente em derrota.
Os joelhos de fraquejaram e ela se viu sentada de qualquer jeito sobre o chão de concreto, frio e úmido, daquele porão. e Damon, apesar de não estarem mais com eles, pareciam estar juntos, seja lá onde estivessem. Isso, pelo menos, gerava algum conforto para e Stefan, mas era, ao mesmo tempo, como a dor de tê-los perdido para sempre.
Capítulo 19.
6 meses depois...
moveu o lábio superior devido ao incômodo em suas gengivas. Era algo que coçava, mas que, ao mesmo tempo, parecia desnecessário. Seus membros superiores deram uma leve contração e a mão direita latejou com a perfuração de uma agulha que estava colada às costas de sua mão. Abriu os olhos, finalmente, pesados, porém ávidos e curiosos. Inspirou profundamente e virou a cabeça para o lado direito. estava lá, sentada em uma cadeira com as pernas cruzadas enquanto folheava uma revista. Embora estivesse claramente interessada nas folhas que passavam rapidamente por seus olhos, não se deixou enganar.
Havia olheiras debaixo de seus olhos, as mãos estavam trêmulas, segurando a revista de forma instável, mas fora aquela simples demonstração de que algo estava errado, poderia ser considerada saudável.
- ? - chamou e quase não acreditou na própria voz. Estava falha e rouca, quase não se sobrepôs ao barulho das páginas da revista mudadas de forma quase compassada. O barulho parou imediatamente, desceu o pedaço de papel colorido com os olhos esbugalhados apontando por cima. franziu o cenho, em dúvida se aquilo estava de fato acontecendo ou se era um sonho. Coincidentemente, achava a mesma coisa.
Depois de seis meses velando o corpo da irmã mais nova, trocando sacos e mais sacos de sangue humano, bebendo sua dose de cada dia e mantendo-se acordada por quase vinte quatro horas por dia, ela mal podia acreditar em seus olhos naquele momento. É claro que seis meses, para um vampiro, não deveriam parecer nem seis horas, mas a dor e a agonia com a possibilidade de e Damon nunca mais acordarem, havia tornado aquele tempo todo em um lento e aterrorizante pesadelo.
- ? - ela respondeu com outra pergunta. A mais nova logo identificou o tom de choro e procurou sentar-se. Foi ajudada pela irmã que, logo em seguida, a abraçou com força, finalmente deixando-se chorar copiosamente. - Você está viva! Você acordou! Ah meu Deus, eu não posso acreditar! - ela dizia rapidamente, falando entre soluços e tomadas de fôlego, deixando as palavras soarem trôpegas.
- O que... o que aconteceu? - franziu a testa e se separou da irmã, retirando a agulha que lhe fornecia o sangue humano e, assim, retraindo os caninos e deixando as veias de seus olhos sumirem.
- Você... você dormiu por seis meses. - disse com a voz lenta, porém beirando a histeria, de um modo bom. - Na verdade, eu diria que você hibernou. - riu da própria piada enquanto pegava as mãos da irmã caçula e as colocava nas próprias bochechas, sentindo a maciez de seus dedos pequeninos e delicados. - Eu senti tanto a sua falta.
- Seis meses? - perguntou enquanto sentia o rosto de se esconder no espaço entre seu pescoço e a clavícula. As lágrimas dela molhavam sua pele levemente descoberta pela camisola que vestia.
- Seis longos meses. - se afastou rapidamente, fungando enquanto passava as mãos embaixo dos olhos, como se estivesse envergonhada por estar chorando.
- , você não vai acreditar, é o... - Stefan parou na porta da sala, os olhares intercalando entre e . Logo atrás de si, Damon aparecia, olhando por sobre o ombro do irmão mais novo, tão em choque quanto as outras duas meninas.
- Damon! - comemorou, correndo de encontro ao cunhado e agarrando seu pescoço. - Ah Stefan, eles voltaram! - depois ela seguiu para o marido e os dois se abraçaram.
os observou, era incrível como até em cansaço eles se pareciam. Logo em seguida seus olhos focalizaram Damon, ele também a olhava. Não era como se fossem estranhos um ao outro, mas algo parecia travado dentro da garota. Algo que ela não conseguia expressar em palavras ao vê-lo ali, tão vivo quanto ela bem se lembrava. Não como da última vez, entretanto, em que ela chorara sobre seu peito inerte. Mas aquele era o seu Damon, aquele que ela sempre amou e continuaria amando enquanto seus olhos pudessem abrir e encarar os azuis dele.
De repente, a vida de pareceu ter o 'play' pressionado, pois foi só o moreno ir de encontro a ela, sentando-se na borda da cama e a abraçando com força que tudo pareceu voltar. Inclusive a dor e o sofrimento por tudo o que havia acontecido anteriormente. começou a chorar de encontro ao ombro direito do amado enquanto suas mãos se enterravam em suas largas costas, por cima da camiseta preta que vestia. Era como ter a sua vida de volta, depois de um longo tempo em stand by. Mas ela não imaginaria que seria tão bom e, ao mesmo tempo, tão doloroso vê-lo novamente. Na verdade, por um momento, ela ficou realmente sem saber o que pensar logo depois que abriu seus olhos e recebeu a notícia de que estivera inconsciente por seis meses. Agora, entretanto, parecia mais como se ela ainda estivesse dentro daquela estufa.
Damon, por outro lado, estava radiante, deleitado por ter sua menina em seus braços novamente. Ele sentia-se completo agora e estava demonstrando tudo aquilo através do simples toque de seus corpos. Mas o calor e a alegria cessaram tão logo que ele percebeu que não chorava de felicidade, mas sim de dor e sofrimento. Seu peito afundou sentindo os espasmos dos longos e profundos soluços que a menina soltava enquanto o choro ecoava alto e claro por toda a sala. Seu corpo frágil tremia enquanto ela gemia de dor, uma dor que ele não podia ver e muito menos sentir, mas que sabia apenas que estava lá. E a atormentava.
e Stefan haviam se retirado com o intuito de dar ao casal mais privacidade, mas haviam parado logo depois da porta, no corredor. Stefan trouxe para perto de si enquanto escorava-se na parede fria. O choro de era tão alto e tão sofrido que também os atingia em cheio. Era como o inferno na Terra, o caos completo. E ela chorava, chorava, chorava. Stefan, mesmo com a mente da garota livre para poder ser examinada, não ousou adentrá-la, pois tinha medo, medo do que poderia encontrar lá.
O choro se seguiu por horas a fio, engasgava-se nos próprios soluços, os gritos ficavam cada vez mais insuportáveis e assustadores, era como um bebê desmamado ou uma criança sendo torturada. Ninguém nunca ouvira aquilo antes. Damon continuava a abraçá-la, seu corpo se movimentando junto ao da amada com os espasmos de seus soluços. Uma de suas bochechas descansava sobre o cabelo amarfanhado e longo da menina enquanto as lágrimas de seus olhos desfocados desciam até alcançar o couro cabeludo dela. Ele sabia o que se passava dentro de , pior do que qualquer dor física poderia parecer, a dor que sua menina enfrentava era meramente psicológica. Um trauma tão profundo que ela carregara por todo aquele tempo em que estiveram naquela mesma casa e que ela só conseguia descarregar ali e agora. Entretanto, parecia não ter fim.
A mais velha Cardigan chorava ao ouvir a irmã sofrer em alto e bom som, seu corpo era sustentado pelo de Stefan enquanto ela mesma já não parecia se aguentar mais. Sua cabeça latejava, latejava com as dúvidas sobre o que estaria se passando com . Ela não ouvia a irmã inconsolável daquele jeito desde que... bem, desde que ela quebrara o braço certa vez tentando andar de skate com Jace. Ela chorara por tanto tempo que os médicos a haviam sedado e depois, já não mais estava apavorada. Mas agora a circunstância era outra, tinha certeza disso. E as palavras de Stefan só confirmaram o que ela vinha pensando durante todo aquele tempo em que estivera ouvindo a irmã chorar.
- Essa dor que a acomete é puramente psicológica, - ele disse, a voz também um pouco balançada. - está se libertando de todo o sofrimento que passou dentro dessa casa.
- Eu tenho medo que ela não pare, - soluçou, procurando aconchego nos ombros do marido. - que ela fique remoendo essa dor pelo resto da eternidade. Eu não sei se aguento, Stefan. Ela não merece tudo isso.
- Eu sei que não, sei que não. - Stefan tentou acalmá-la, em vão. parecia cada vez mais histérica, tendo momentos em que os murmúrios e os gemidos baixavam a meros sussurros. - Uma hora ela vai se sentir melhor, mais leve.
- E se ela não se sentir? - encarou o nada, a cabeça descansando sobre o ombro de Stefan enquanto a camiseta se encharcava com suas lágrimas.
- Então vamos ter que tomar seu sofrimento. - ele suspirou ouvindo outro soluço alto da mais nova. - Vamos ter que pedir a Harry que apague suas memórias.
Dentro do quarto, Damon não se permitia dizer uma palavra que fosse. Sabia que conversaria quando estivesse pronta, disposta a compartilhar suas mágoas e sua dor que parecia não ter fim. Enquanto aquele momento não chegava, ele apenas a ninava em seus braços, deixando que a própria dor em vê-la sofrer se esvaísse nas tímidas lágrimas que borravam seus olhos azuis. Ele conseguia ouvir que e Stefan ainda estavam por perto e ambos também sofriam. Ele nunca havia visto sua menina tão perturbada, tão sensível a ponto de estender as crises de choro por mais horas do que ele podia contar.
Seus braços não doíam por apertá-la contra seu peito, suas pernas não estavam dormentes pelo peso de que se debruçava sobre elas, suas costas não incomodavam pelos arranhões deixados pelas unhas da menina que cravavam cada vez mais fundo, mas seu peito, esse sim parecia dolorido e sofrido enquanto tentava equilibrar sua dor com a dela. Tudo parecia ocorrer em câmera lenta e nada estava perto de acalmar a mente confusa e desesperada de . Nada, pelo menos, até que alguém interviesse.
Stefan deixou descansar sobre o chão do porão e resolveu subir para a mansão. Embora estivesse à procura de Harry, também estava à procura de um tempo para pensar, colocar os fatos em ordem e tentar perceber qual seria a melhor solução para . Era de noite, as janelas estava emolduradas com o brilho do azul escuro, pontilhado de estrelas e iluminadas fracamente pela lua crescente. O mais novo Salvatore sinceramente não sabia por onde começar a procurá-lo, por isso começou a divagar pelos corredores da casa, esperando pelo momento em que encontraria algum criado que o levasse até Harry. Então ele se lembrou de que uma de suas habilidades como vampiro dizia respeito a poder rastrear outros e, assim, ele ligou seu próprio radar, marchando à procura do novo dono daquela casa.
Harry apareceu no topo da escada que levava ao terceiro piso, vestia um singelo jeans escuro e uma camiseta cinza de gola redonda. Nos pés tinha coturnos que quase não transpareciam em contraste com o carpete vermelho vinho que estava, também, escurecido pela noite. Seu rosto explicitava exatamente o que se passava em sua mente, embora o porão ficasse a muitos níveis abaixo do lugar onde eles estavam, a audição peculiar de um vampiro ainda conseguia captar o choro de que ecoava como um grito de socorro de alguém que estivesse trancafiado em uma masmorra.
- Ela ainda não se acalmou? - ele perguntou ao terminar de descer os degraus, parando em frente a Stefan.
- Não. - ele disse observando o gesto de Harry para que continuassem a descer. - E duvido que isso esteja perto de acontecer.
- Era o que eu temia. - Harry soltou um suspiro cansado. Não demorou muito para que chegassem até o térreo, onde os gritos ficavam mais altos. - Você quer que eu apague a memória dela, não é? - seus olhos analisaram a expressão de Stefan por um momento, mas ele não pareceu surpreso. Parecia justo que Harry adentrasse a sua mente, já que Stefan viera bisbilhotando a dele.
- Você é mais velho do que nós, tem maiores poderes. não pode continuar desse jeito ou enlouquecerá. - Harry balançou a cabeça, apreensivo. Ele sabia o que se passava com a mais nova tanto quanto Stefan, Damon e . E, embora parecesse um quebra-cabeça, a melhor e mais consciente solução era livrá-la de todo aquele sofrimento, eliminando-o pela raiz: a memória.
- Vejamos o que poderei fazer, estarei disposto a ajudá-los no que for preciso, mas entenda que eu respeitarei a decisão de .
- É claro, afinal de contas nós só queremos o bem dela e nada mais. - concordaram cordialmente e se separaram.
Harry seguiu para a cozinha, ele tinha quase certeza de que se recusaria a ter suas memórias apagadas, por isso precisaria ter uma carta na manga. Enquanto o chá calmante era cuidadosamente preparado, ele resolveu se focalizar no que acontecia no andar de baixo. ainda estava traumatizada, tão traumatizada que, desde que acordara, ela e Damon não haviam trocado uma palavra sequer.
O vampiro mais velho não havia comentado com ninguém, mas ele sentira que o seu laço com se rompera no momento em que ela dissera ao namorado que o amava, pouco tempo antes dela desmaiar na estufa. Ele havia sentido um pouco de dor, mas nada além de um pequeno incômodo no peito. Fora isso que o despertara para ajudá-los a recuperar suas vidas. Ele percebera o quanto seu elo forçado com a mais nova era frágil, tão frágil que se assemelhava a um graveto fino e retorcido.
Embora sempre sonhara com um laço daquela força, Harry se perguntava se algum dia encontraria outro tão intenso quanto o de Cardigan e Damon Salvatore. Na verdade, os laços que envolviam aquela estranha família, duas irmãs e dois irmãos, jamais poderiam ser superados por qualquer outro vampiro que Harry pudesse chegar a conhecer. Chegava a ser... fascinante.
Capítulo 20.
A chaleira apitou indicando que a água estava no ponto certo. Harry derramou-a em uma grande xícara junto com uma mistura de jasmin, melissa, camomila e verbena, essa última em quantidade quase ínfima apenas para que pudesse acalmar sem machucá-la. Adoçou e juntou algumas bolachinhas em uma bandeja, descendo calmamente pela escada que o levaria ao porão.
A situação lá embaixo, sem dúvida alguma, estava o maior e mais completo caos. Vampiros não podiam perder a voz e muito menos ficar roucos, o que explicava a potência com que os soluços e gritos de soavam, como se ela tivesse acabado de começar a chorar. Harry cumprimentou e Stefan que estavam do lado de fora da sala, ambos tão abatidos e calados que não surpreenderam ao vampiro mais velho. Ele continuou caminhando e adentrou a sala onde e Damon se encontravam, ela agarrada a ele de forma quase animalesca.
O vampiro sênior colocou a bandeja sobre uma mesinha de cabeceira e aproximou-se do casal, os ouvidos retumbando com os grunhidos de de forma incômoda. Ele tocou o ombro de Damon que apenas virou a cabeça em sua direção. Como deveria dizer a ele?
- Eu preciso conversar com ela. - resolveu dizer diretamente, sem rodeios, pois a situação não permitia perda de tempo. Ela já havia sofrido demais para um dia.
- Tudo bem. - ao contrário do que Harry esperava, Damon deu de ombros, mas não se separou de .
- Eu gostaria que fosse a sós, se não tiver muito problema. - então a relutância se apossou de todo o corpo do moreno, deixando-o em estado de alerta. - Não se preocupe, ela vai ficar bem. - ele direcionou seu olhar para a porta onde o irmão estava parado e balançava a cabeça de modo afirmativo. Ele respondeu com um aceno e alcançou as mãos de em suas costas.
Pensando que, se dissesse alguma coisa, poderia piorar, Damon se afastou da mais nova sem dizer uma única palavra. aceitou bem o fato, mas a imagem que tiveram não foi das mais agradáveis, seus braços finos caíram pesadamente ao seu lado na maca e ela parecia mais desolada do que nunca. Suas costas estavam curvadas e a cabeça pendia para frente enquanto seu peito inflava e se retraía com os soluços. Damon, embora ainda relutante, deixou a sala, parando à porta ao lado de . Os três trocaram um olhar duvidoso, mas resolveram esperar e observar o que Harry estava prestes a fazer.
- . - ele a chamou em uma voz aveludada, sentando-se de frente para a garota, tentando buscar seu olhar. - sou eu, o Harry, você pode olhar para mim?
havia abaixado seus sonoros soluços para meros grunhidos e gemidos desolados, às vezes os espasmos eram tão fortes que ela acabava engasgando. Foi preciso muita paciência para esperar que ela endireitasse as costas e erguesse o queixo, um pouco hesitante, na direção de Harry. Ele sorriu, respirando calmamente e mantendo a voz em um tom contínuo e relaxante.
- Como está se sentindo? - quis saber Harry. parecia estranhamente... calma. Era a primeira vez em horas que a sala ficava em um quase silêncio. Quase, porque ela ainda balbuciava e gemia conforme os espasmos de sua respiração descompassada permitiam.
- Mal... - ela gemeu desviando o olhar do dele. Aquilo, Harry concluiu, não seria nada fácil. - Você os salvou para mim. - olhou de relance na direção de , Stefan e Damon e sua face se contorceu em choro, mas dava para ver que ela lutava bravamente para se manter calma.
- É, eu os salvei. - Harry sorriu tocando-lhe a pontinha do queixo, erguendo-o em sua direção. Limpou delicadamente o rastro das lágrimas enquanto tentava focalizar as pupilas de nas suas. - O que te atormenta, ? - perguntou ele, apenas para fazer um teste sobre seu poder de persuasão. É claro que compulsão para humanos e vampiros eram completamente diferentes e exigiam muito mais habilidade e energia, mas não custava nada fazer um teste inocente antes de, finalmente, apagar as memórias de .
A mais nova pareceu parar de respirar por um momento enquanto seus olhos entravam em sintonia com os de Harry, era quase como ver um boneco abrir os olhos e observar o mundo ao seu redor sem realmente vê-lo. Os espasmos cessaram, o silêncio agora era absoluto. Os irmãos Salvatore e observavam a cena com cuidado, blindando seus pensamentos caóticos para não assustar . Estavam certos de que, embora fosse injusto apagar suas memórias, eles já haviam tido provas suficientes de que apenas aquele poderia ser o caminho mais seguro. Ou então nunca mais seria a mesma.
- Do que você se lembra, ? - tentou Harry, mais uma vez, ao ver que ela relutara em responder sua pergunta anterior. Estava pisando em gelo fino, um território nunca antes explorado. Se ela fosse humana, provavelmente o serviço já estaria terminado, mas com um gênio tão forte quanto o dela, a energia oscilava perigosamente entre hipnotizador e hipnotizado.
De repente, o corpo de se retesou completamente, ela esbugalhou os olhos, piscando-os rapidamente e movimentando a cabeça de modo a se livrar do toque de Harry. Ela olhou para o colchão à sua frente e depois de volta para o vampiro.
- O que está fazendo? - perguntou ela, a voz beirando a histeria e a descrença. Era o fim, Harry pensou derrotado, ele nunca conseguiria dominá-la novamente. - Está tentando entrar na minha cabeça? - ela virou-se para a família, mas o olhar acusador acometeu o vampiro mais velho como navalhas afiadas. - É a minha cabeça, minhas memórias e minha dor. - disse agressivamente, encolhendo-se contra a cabeceira da maca como um animal assustado.
- Está bem, está bem, me desculpe. - Harry se apressou em dizer antes que ela colocasse o quarto abaixo com sua nova onda de energia. - Olhe, eu trouxe chá e bolachas, vai te ajudar a melhorar, a reidratar. - ele evitou dizer a palavra acalmar para que ela não pensasse que ele estaria tentando drogá-la. - Vamos, senão vai esfriar. Espero que goste de camomila. - ele sorriu por fim colocando a bandeja na frente de .
No início ela relutou, analisando a xícara com olhos desconfiados, quase selvagens, mas depois que ela colocou o primeiro sequilho de leite na boca e mastigou, seu corpo relaxou e ela passou a intercalar os sequilhos com longos goles de chá. Harry se afastou da maca e gesticulou para que os outros três o seguissem para fora da sala. Pararam no corredor mesmo, o porquê, Harry explicaria em seguida.
- Não há nada que eu possa fazer. - ele disse com pesar. - Eu disse a Stefan que respeitaria a decisão de e ela não quer que as memórias sejam apagadas. - ele olhou para a porta, onde sabia que não poderia ouvir. - Esse chá que eu dei a ela tem jasmin, melissa, camomila e uma minúscula quantidade de verbena. Vai ajudar a acalmá-la e talvez ela até consiga dormir um pouco. Se quiserem, posso ensinar como dosar a verbena e a misturar com as outras ervas. É o que posso fazer para aquietá-la, pelo menos até ela conseguir lidar com tudo isso.
- Está me dizendo que a única solução é drogá-la? - disse impaciente, seu corpo balançava para frente e para trás, a cabeça se virando na direção da porta de cinco em cinco segundos.
- Até passar esse estado de histeria, é o melhor que vocês podem fazer. Minha compulsão não funcionou, talvez eu precise treinar mais. Enquanto isso, sugiro que dêem esse chá a ela pelo menos uma vez por dia. Se precisarem de mim ou acharem que ela está pronta para aceitar a compulsão, me liguem. Eu irei no mesmo instante. - Harry disse de maneira séria. Há pouco tempo, Stefan e Damon custariam a acreditar que Harry poderia parecer um vampiro civilizado e sério, quase como um professor ou médico entendido.
Não restando muitas escolhas, eles concordaram em aprender como fazer o chá e a anotar os telefones por onde eles poderiam encontrar Harry em algum caso de emergência. Surpreendentemente, havia pegado no sono pouco antes deles se prepararem para finalmente deixar a mansão. Uma SUV preta os levaria de volta para casa e, depois de agradecer a Harry pelos últimos meses de hospitalidade (à parte, é claro, do tempo de sofrimento), eles seguiram o caminho que há muito haviam deixado de acreditar que um dia voltariam a tomar: o de casa.
Duas semanas depois... sentou-se na borda da cama e apoiou os pés no piso frio. Deu uma olhada por cima de ombro e observou por um breve segundo a figura de Damon esparramada sobre a cama, o lençol lhe cobrindo até a cintura. Levantou-se da forma mais silenciosa que conseguiu e caminhou até a porta, girando a maçaneta delicadamente. Parou em um dos armários do corredor e tirou de lá uma manta comprida e marrom, além de grossa, seguindo para a escada principal em seguida. A chuva caía do lado de fora sorrateiramente, deixando o chão forrado de folhas úmidas e barro.
Ela destrancou a porta da frente e saiu na chuva gelada, observando de vez em quando o céu cinzento que jazia acima de sua cabeça. Ainda caminhava com os pés afundando na terra molhada e nas folhas, formando uma pasta nojenta, quando avistou uma frondosa árvore. Havia tantas folhas em seus galhos que embaixo dela o chão estava praticamente seco. estendeu a manta sobre o chão dobrada ao meio e deitou-se entre as duas partes, cobrindo-se até quase a orelha. As lágrimas quentes tomavam-lhe os olhos.
As últimas duas semanas haviam sido difíceis. Ela não conseguia mais dormir uma noite sequer, mesmo que Damon estivesse ao seu lado e, pode acreditar, aquilo lhe dava uma paz inexplicável. Mas não conseguia apagar da memória seus últimos momentos ao lado daqueles que amava, do quão impotente ela havia parecido ajoelhada diante de seus corpos inertes. Depois de toda a tortura a que fora submetida naquela mansão, tudo o que ela mais queria era encontrar uma explicação para aquela loucura toda. É claro que tudo não havia sido apenas porque ela era a duplicata de uma princesa, aquilo mais parecia, agora, história para boi dormir. O que estava por detrás daquilo parecia ser tão sombrio que só agora acometia de forma violenta em forma de dúvida e sofrimento.
Desde que acordara em sua própria casa, ela parecia ser assombrada pelas perguntas não respondidas sobre o que ocorrera naquela casa, com aqueles dois vampiros. A dúvida lhe corroia de tal forma que ela não conseguia mais beber sangue sem cuspir tudo de volta, lembrando-se do que acontecera quando Damon o bebera. Ela não conseguia ficar parada em um único lugar sem que as lágrimas lhe tomassem os olhos e seus próprios braços a envolvessem em um abraço de solidão e loucura. Na maioria das vezes ela deixava a casa para caminhar pela floresta e sempre terminava no mesmo lugar, onde todo aquele pesadelo começara. Às vezes se deitava, o corpo encolhido em uma bolinha, e chorava por horas, remoendo toda aquela dor que parecia não querer apaziguar, por mais que ela quisesse.
Aquilo estava incrustado em sua mente tão profundamente que julgava ser incapaz de esquecer ou de passar despercebido conforme o tempo corria. Então ela se levantava, sacudia as folhas da roupa e voltava para casa, a cabeça sempre cabisbaixa, os olhos sempre vermelhos. Sua irmã, Damon e Stefan quase não conversavam com ela e, as poucas palavras que trocavam, eram como se fossem completos estranhos dentro de um elevador em um dia comum. Eles tinham medo, percebia, medo de tocar em um assunto delicado demais para ela lidar. Então ela apenas se recolhia à dor das próprias memórias de maneira solitária.
Várias vezes encontrara-se agachada, encolhida em um canto escuro da casa onde sabia que não perturbaria seus familiares com mais uma crise de choro e então ou Damon, ou até mesmo Stefan, apareciam. Não diziam nada, só a abraçavam e a ninavam até que aquele momento de recaída fosse embora e ela restaurasse o pouco senso que lhe restava. conseguia ver sua dor espelhada em cada rosto, expressa de maneiras distintas de acordo com cada um deles. costumava chorar junto com ela e às vezes ouvia a irmã conversar com o marido e desabafar o quanto estava com medo de estar perdendo a única irmã que tinha. Damon a abraçava com força, o calor que emanava de seu corpo era o melhor de todos, ele lhe dava beijos, que ficavam molhados ao limpar os rastros das lágrimas, em qualquer lugar que elas passassem. Era uma demonstração de carinho e amor, a qual também interpretava como sendo de questionamento, sobre quando ela voltaria a ser inteiramente dele e apenas dele. Stefan, por outro lado, conseguia ser o mais paternal e aconchegante de todos, ele geralmente a pegava no colo e sentavam-se sobre a confortável cadeira reclinável de couro que havia na sala de leitura da casa dos Salvatore. Ele a lembrava muito de seu pai, de quando era pequena e ela chorava por outras bobagens no colo do mais velho e sempre acabava ganhando um presente depois, livrando-a de sua marra. Era a pessoa com quem ela se acalmava mais rápido.
Toda vez que ia até a cozinha e pegava uma bolsa de sangue, respirava fundo antes de entornar o primeiro gole, esperando que daquela vez fosse diferente. Mas não era. Ela tossia, cuspindo todo o líquido escarlate na pia e limpando os lábios com as costas da mão trêmula. Logo em seguida um deles adentrava a cozinha e a amparava, não era nada fácil vê-la recusar-se ao elixir de sua existência. Por isso, estava cada vez mais fraca, ela não dormia, não comia, apenas divagava pelos cômodos da casa sempre chorando ou com a expressão vazia. Sua pele ficava cada vez mais fina, os olhos cada vez mais pretos da fome não correspondida e os membros cada vez mais fracos. Os vasos sanguíneos latejavam com a escassez de sangue, apenas adicionando mais dor ao sofrimento da mais nova. Estava difícil seguir em frente.
Sem que pudesse perceber, Damon havia se juntado a ela sob a árvore e seu rosto estava molhado com os pingos de chuva. Seus olhos, pela primeira vez, não demonstravam cansaço, apenas uma compreensão que só podia captar. Ele não a recriminava por não conseguir mais dormir com ele, não estava chateado por não tê-la mais nos braços da forma como sempre costumavam fazer. Havia apenas uma doce e clemente compreensão brilhando naqueles olhos azuis.
pegou a mão de Damon, que começara a acariciar-lhe as bochechas úmidas, e ela lhe beijou a palma, descendo-a em direção ao seu peito, onde ela a espalmou enquanto respiravam fundo sincronizadamente.
- Essa dor nunca vai embora. - ela disse de forma serena, como se já tivesse aceitado seu destino. Damon ainda a encarou por um longo tempo, contemplando seus traços sofridos enquanto ele pensava no que dizer.
- Eu sei. - resolveu por fim concordar. - Eu posso sentir também. - um sorriso triste habitou seus lábios, contraiu o abdômen em um soluço contido. - Estou aqui para você, não importa quanto tempo durar, eu sempre vou estar aqui.
- Aqui, embaixo da árvore? - uma risada anasalada escapou os lábios trêmulos de quando ela percebeu a piada que acabara de fazer. Damon também sorriu, mas havia um quê de esperança naquele sorriso, esperança de que talvez estivesse voltando ao normal, finalmente.
- Aonde quer que você esteja. - ele respondeu. Seus corpos se aproximaram, mas ele preferiu ficar de fora da manta. Aproximou seus lábios da testa da mais nova e a beijou delicadamente. - Eu te amo. - disse ele.
- Eu também te amo. - respondeu ela aninhando-se na curva de seu pescoço. Ficaram ouvindo a chuva bater nas folhas das árvores até que mais um dia terminasse de nascer.
Epílogo.
fechou a porta de entrada atrás de si deixando para trás o entardecer de mais um dia. As mãos limpavam os rastros de lágrimas, ela havia ido até a floresta novamente, se encolhera sobre o chão onde, tempos atrás, levara o tiro que mudaria sua vida para sempre. A lareira estava acesa, seu brilho bruxuleava pelo hall de entrada, atraindo-a para a sala. Ouvia vozes, parecia uma conversa amigável, desde que eles voltaram para casa nunca mais haviam entrado em contato com outra pessoa, o que atiçava cada vez mais a curiosidade de em descobrir quem estava de passagem naquela casa.
Ela chegou à sala e a conversa cessou de imediato. e Stefan estavam em pé diante das costas do sofá de couro preto onde estava sentado Harry. Ele repousava as mãos calmamente sobre os joelhos, a postura tensa, embora mais por educação do que de fato receio. Damon estava em pé próximo a um dos grandes vitrais que compunham as paredes da antiga sala de estar. A televisão jazia em uma estante a alguns passos de onde estava parada. Todos os olhares estavam voltados para ela, talvez esperando por uma reação.
- Harry. - ela disse, sua voz soando fraca e rouca, como se tornara no último mês pela falta de sangue. A pele que lhe cobria o corpo estava toda enrugada dando-lhe a aparência de uma velha num corpo de estatura jovem.
- Olá . - ele disse quase não se contendo em analisar detalhadamente os traços cansados e envelhecidos da menina. E toda a sua juventude, que ficasse claro, poderia ser recuperada com apenas uma gota de sangue humano. O sangue que não suportava mais beber.
Depois de longos minutos parada em pé embaixo da passagem entre o hall de entrada e a sala, sentiu que precisava se sentar, pois estava muito cansada. Inexplicavelmente ela escolheu por se sentar no sofá, ao lado de Harry, com o corpo virado em sua direção, seus joelhos quase se tocando. Talvez fosse o que todos esperavam que ela fizesse. E, atendendo a pedidos implícitos e silenciosos, o olhou nos olhos, preparando-se para ouvir, seja lá o que ele tivesse a dizer.
- É bom te ver novamente. - disse ela de forma educada, procurava não questionar sua família sobre o que Harry estaria fazendo em sua casa. Se ele estava lá era porque tinha um motivo, tinha de haver.
- Sim. - ele sorriu, mas o gesto não chegou a seus olhos. No momento em que parou para observá-los mais atentamente, percebeu o quanto eram belos. Não havia mais nada ao seu redor de importante, apenas aquelas íris azuis e suas pupilas contrastando enquanto ele sustentava seu olhar. - Me diga, como tem passado? - Harry disse em uma voz lenta, porém aveludada, tão suave que pensou estar sendo acariciada por plumas em seus braços.
- A dor ainda me consome durante o dia e me toma a noite. - ela disse, a voz normal, porém levemente desprovida de qualquer emoção.
- Eu posso ver pelo o que está passando. - Harry se esticou para alcançar algo na mesinha de centro, porém sem deixar seus olhos escorregarem dos de . Quando voltou a se endireitar, estendeu-lhe uma bolsa de sangue. - Por que não bebe um pouco? Vai te ajudar a pensar mais claramente. - ele continuou no mesmo tom reconfortante, não demorando muito a convencer de que aquilo era o certo.
Ela bebeu cinco longos goles e sua pele se rejuvenesceu imediatamente. Seus olhos recuperaram o brilho jovem e astuto, seus lábios voltaram a ser vermelhos e suculentos, as olheiras sumiram e todo o cansaço que sentia se esvaiu como se tivesse puxado o tampo de um ralo. encarou Harry com um sorriso lhe habitando os lábios, ela queria beber mais, mas ele não deixou. Precisava manter o controle sobre a situação, do contrário, ela ficaria muito forte e sua compulsão perderia o efeito.
Damon observava os dois de longe, o peito já não mais tão vazio ao saber que finalmente se livraria de tudo pelo que estivera passando ultimamente. Nada mais o satisfazia do que vê-la feliz e radiante novamente. Felizmente, ele ainda teria a memória de sua menina perturbada, no fundo do poço, praticamente uma múmia que caminhava. Era assim que eles haviam combinado com Harry. Ele, e Stefan conseguiam lidar melhor com a dor dos fatos que vivenciaram do que , a qual testemunhara atrocidades diferentes das deles.
observava fascinada como Harry havia evoluído em seu poder de compulsão. Se bem que sua irmã estava tão fraca que seria capaz até dela mesma ou de um dos Salvatore conseguir compeli-la a esquecer sobre tudo aquilo. Mas não, confiava neles e ela simplesmente não poderia suspeitar do que estava acontecendo naquele momento. Nunca.
- Você vai se esquecer de quem Francis foi, de quem eu, Harry, fui, de tudo o que fizemos a você e sua família desde o momento em que foi pega naquela floresta. Tudo o que aconteceu a partir daquele dia fatídico será apagado de sua memória e você se esquecerá de quem eu sou. - Harry disse sustentando o olhar com satisfação ao ver que aquilo estava funcionando. Manteve a compulsão ao se levantar do sofá, deixando aquém do que aconteceria em seguida. - E vocês também, não se lembrarão de nada do que aconteceu aqui e nem de nada relacionado a mim ou a Francis.
e Stefan olharam um para o outro, confusos. Damon virou-se na direção de e captou seu olhar. Todos estavam se perguntando o que faziam na sala àquela hora da noite, sozinhos e em silêncio. Tentavam se recordar sobre o que havia acontecido antes, mas era apenas um breu em suas mentes. Talvez tivessem acabado de acordar, concluíram, por fim.
- Ok, quem quer cereal? - perguntou virando-se em direção à cozinha.
- Cereal, ? - Stefan a seguiu com um riso brincando nos lábios. - Mas já é de noite! Vamos pedir uma pizza... - sua voz sumiu assim que eles atravessaram a porta da cozinha, deixando-a bater.
Damon sentou-se de frente para com um sorriso apaixonado nos lábios e os olhos ávidos prendendo a atenção da mais nova. desviou o olhar, envergonhada e focalizou-o na bolsa de sangue que jazia sobre a mesinha de centro. Pegou-a, tomou um gole e, se dando conta do quanto estava com sede, entornou todo o resto em questão de segundos. Quando terminou, passou as costas da mão sobre os lábios e reparou que Damon ainda a observava. Riu um pouco sem graça e lhe deu um soco brincalhão no ombro, como se perguntasse o porquê dele estar olhando-a daquele jeito.
Ele pegou suas mãos, juntando-as dentro das suas e seus joelhos se tocaram. ficava cada vez mais envergonhada e curiosa sobre o que Damon estaria aprontando. Ainda mais quando ele grudou suas testas e deixou seus lábios roçarem os dela, a respiração os atingindo fazendo cócegas. riu e roubou-lhe um selinho o qual ele correspondeu com um beijo longo e profundo, não deixando que ela se afastasse quando eles terminaram.
- Eu não sei por que, mas parece que faz tanto tempo que não fazemos isso. - ele disse, os olhos com um brilho jovem brincando. - Casa comigo? - ele perguntou, os olhos subindo dos lábios de até suas doces íris. Ela deixou o queixo cair, a boca formando um O perfeito enquanto ela ria parecendo criança que acabara de ganhar o presente que mais queria.
- Tem certeza? - ela brincou, Damon apenas sorriu em resposta e ela se afastou para que pudesse olhar seus olhos por completo e detalhadamente. - É claro que sim. Com toda a certeza SIM!
n/V: Ah, eu nem acredito que acabou! Gostaram do final? Espero que sim! Embora a fic não tenha tido tantos comentários quanto a outra, sou muito grata a todas que acompanharam a segunda parte, vocês me fizeram ter vontade de continuá-la! Muito obrigada mesmo por todos os comentários e os incentivos. Temo que agora, é adeus definitivamente. Portanto, não se acanhem e, mais do que nunca, comentem, afinal, PUB encerra aqui sua história. Mais uma vez, muito obrigada, a continuação não teria existido sem vocês! xx, Verônica.
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['s P.O.V.]
Sempre tive medo das consequências. Eu não conseguia me decidir a menos que soubesse cem por cento que estava pisando em solo firme. Mas naquela vez eu estava errada. Gostaria que, com o poder da eternidade também tivesse o poder de voltar atrás, afinal, não havia nada que eu desejasse tanto naquele momento quanto voltar a ser humana. Porque sofrimento eterno, definitivamente, não estava nos meus planos.
['s P.O.V.]
O poder de escolha, agora, me assombrava. Eu escolhera me tornar uma vampira, escolhera passar a eternidade ao lado de meu marido. Para sempre com dezessete anos... e casada! Céus, onde eu estava com a cabeça? Nada restava a mim e à minha irmã que não fosse o sofrimento. Eu desejava poder voltar atrás, nos salvar da condenação. Estava tudo perdido; uma à outra era tudo o que tínhamos agora. Mas como eu deveria saber que tudo acabaria assim?
Capítulo 1.
Outro dia anunciava sua chegada, o sol do lado de fora brilhava forte, típico da primavera. Para , era fácil dizer bom dia ao mundo quando, para ela, havia-se parado no tempo. Mal conseguia acreditar que haviam se passado dez anos! Há dez anos não via seus pais, pelo menos não diretamente, mas ela ainda os olhava dormir durante algumas noites e lhes telefonava com a desculpa de estar viajando pelo mundo. É claro que a dor no coração ficava, porque estava mentindo e por se dar conta de que eles não a veriam nunca mais.
Ela não gostava de pensar nisso, sempre que o assunto vinha em mente, tentava rapidamente mudar o rumo. Afinal, quem gostava de pensar que seus pais logo iriam morrer? É claro que o logo, para ela, seria anos e anos para os pais. Tão injusto não poder transformá-los!
- Por que está tão quieta? - fez uma careta; ela sabia que Damon não resistira e que, provavelmente, estaria vasculhando sua mente naquele momento. Ela aprendera a mantê-lo longe, mas tinha de admitir que por vezes ficava tão distraída que, quando se dava conta, já era tarde demais.
- Não é nada. - suspirou colocando o braço por debaixo do travesseiro. O tecido de algodão roçou em seu corpo nu enquanto ela o apertava contra si. Na curva entre o ombro e o pescoço, ela sentiu o queixo duro e firme de Damon se apoiar, roçando sua pele, fazendo-a arrepiar.
- Eu sei o que é esse seu nada. - ele sussurrou segurando o riso e se virou, o encarando séria. - Meu amor, você sabe que não podemos nos expor. - Damon também ficou sério segurando o rosto da menina em suas mãos.
- Sei disso. - se esquivou, odiava ter aquela conversa com Damon. Droga, ela sabia que não poderia viver com eles para sempre! - Eu vou tomar um banho, você vem? - ela sorriu fraco, levantando-se da cama e pegando o robe de seda azul marinho.
- Agora não, vou enrolar mais um pouco aqui na cama. - o mais velho espreguiçou-se e rolou para o meio da cama arrancando um riso da menina.
- Nesse caso, eu vou caçar depois. Te vejo mais tarde. - ela subiu na cama, engatinhando até o rapaz e roubou-lhe um selinho.
- Não vá se perder na floresta! - Damon disse alto e mostrou a língua fechando a porta do banheiro em seguida. Tão logo ele voltava a dormir.
- Stefan, por que precisamos de mais cereal? - ria enquanto o marido colocava colheradas enormes na boca de cereal com leite.
- Porque é gostoso! - ele riu de boca cheia e a garota fez cara de nojo enquanto desviava o olhar para a porta.
- Não é mais gostoso do que sangue humano... - deu de ombros, virando-se para uma das janelas da cozinha.
- ... - Stefan rebateu em tom de alerta.
- Eu sei Stefan, não precisa me lembrar. Apenas sangue de animal, é assim que a natureza funciona. - repetiu ela para si mesma soltando um suspiro em seguida. Mais rápido do que um piscar de olhos, o mais novo Salvatore estava atrás dela, abraçando-a pela cintura.
- Um dia eu prometo que a deixo provar está bem? Mas só quando tiver mais controle. - ele apoiou o queixo sobre o ombro da menina e em seguida beijou-lhe a bochecha, ambos encarando o nascer do sol.
- Está tudo bem Stefan, eu me satisfaço só em estar com você. - disse ela virando-se de frente para ele. O garoto sorriu maroto, ficando entre suas pernas, prensando-a na pia de mármore.
- É mesmo? - ele murmurou enquanto beijava o pescoço de que assentiu fracamente. Ela nunca se cansava da intensidade das emoções que sentia, era tudo bom demais.
Seus lábios colaram-se, dando início a um beijo calmo e carinhoso. Mas não queria ficar apenas naquilo, então pediu passagem à boca de Stefan e os dois aprofundaram o beijo. Ela deu um impulso e sentou-se na bancada de mármore para ficar da mesma altura que o marido. Era tão bom que, mesmo depois do casamento, as coisas ainda esquentassem entre eles. Seriam para sempre como um casal de namorados jovens, com o desejo e a afeição de dois adolescentes. E isso era o que mais agradava a mais velha.
- Apetite sexual na cozinha? Acho que vocês erraram de cômodo. - ouviram soar da porta uma voz divertida e eles rapidamente se separaram, os olhares baixos de vergonha.
- Bom dia . - Stefan disse enquanto a garota já seguia para a porta principal.
- Dia. Vou caçar, volto mais tarde! - anunciou a mais nova acenando com a mão e batendo o pedaço de madeira em seguida.
- Eu acho que ela tem razão. - Stefan voltou a olhar , com um olhar safado, a menina riu e entrelaçou as pernas na cintura do mais velho, deixando-se ser levada até o quarto do casal.
já havia conseguido quatro coelhos e estava atrás de uma raposa, ou talvez um alce. Seus olhos analisavam a imensidão da floresta fazendo-a parecer pequena, todos os cheiros, todos os sons ela captava minuciosamente. Qualquer sinal de movimento poderia ser motivo para um novo banquete.
Ao virar sua cabeça para o norte, notou uma sombra se movendo, não era baixa o bastante para ser outro coelho, como também era muito maior do que um alce. franziu o cenho, mas logo se deu conta do que se tratava: humanos. Seus lábios repuxaram-se sobre os caninos, a sede quase que incontrolável, mas ela se refreou, mantendo os pés firmes no chão.
Respirou fundo, recolhendo as presas e quando se certificou de que estava de volta ao normal, correu (um pouco rápido demais, diga-se de passagem) e logo estava algumas árvores atrás do humano que havia farejado. Era um rapaz alto, de ombros largos e braços musculosos, levava uma mochila pesada nas costas e tinha uma bússola em uma das mãos.
Um viajante perdido. Pensou consigo mesma, mas dessa vez teve certeza de que mantivera , Stefan e Damon longe de sua cabeça, ou então eles acabariam com a festa. Não foi preciso mais do que três passos para que ela ficasse a menos de um metro do rapaz, é claro que ela não o morderia de imediato, tinha certeza de que ele gritaria. Preferia que ele a achasse, então puxaria uma conversa amigável e o levaria para dentro da densa floresta sem que ele sequer notasse.
- Oh, olá! - enquanto arquitetava seu plano, pôde vê-lo se virar lentamente enquanto olhava para o céu. Talvez tentasse descobrir quanto tempo ainda tinha. - Está perdida também? - ela arqueou uma sobrancelha, sentiu-se como uma criança.
- Não, mas eu posso te ajudar. - ela sorriu inclinando a cabeça levemente para o lado.
- E uma moça tão bonita sabe como andar nessa floresta? - ele perguntou em tom levemente debochado, dando dois passos em direção à menina. Seu cheiro era inebriante, o coração bombeando enormes quantidades de sangue para o resto do corpo. Ele era quente.
Controle-se. Disse uma voz em sua cabeça e seu corpo enrijeceu, não agüentaria por muito tempo.
- Não só sei como venho te seguindo há algum tempo. Você só está penetrando ainda mais na mata. - cruzou os braços. Era mentira, é claro, logo ele se aproximaria do rio que havia ali perto e, então, ficaria bem mais fácil de se localizar e seguir para algum lugar.
- Ótimo. - esbravejou ele, aparentemente com a bússola que tinha em mãos. - Pode me tirar daqui, por favor?
- Não sem antes saber o seu nome. - ela sorriu dengosa, adorava usar seu charme nas pessoas.
- Antony. - ele disse sorrindo galanteador. - E qual o seu, senhorita?
- . - ela se aproximou dele, beijando-o demoradamente na bochecha, sentindo-o estremecer.
Atirada ou não, oferecida ou não, por que ela deveria ligar? Logo ele nem se lembraria dela mesmo... Talvez ela devesse investir mais, pensou enquanto caminhavam lado a lado em silêncio. Ela sorriu consigo mesma e soltou um olhar para Antony o qual ele devolveu sorrindo. Longos minutos de caminhada se seguiram, ela estava mesmo o levando para o centro da floresta, onde apenas ela saberia sair. Vários olhares foram trocados e já começava a se sentir como uma idiota, afinal, qual era o problema dele? Era gay por um acaso?
lançava mais um olhar, tentando esconder a irritação e o tédio crescentes dentro de si pela falta de resposta do rapaz, quando finalmente sentiu uma mão quente fechar em seu pulso e puxá-la para trás. Ele a colocou de costas para uma árvore e seus olhares se cruzaram, sua respiração ofegante batia contra as bochechas pálidas de , ela precisava encenar o susto que supostamente deveria sentir.
- O que você pretende? - perguntou ele urgente, como se estivesse se martirizando todo aquele tempo por uma resposta.
- Tirar você daqui. - esquivou-se inocentemente. Antony balançou a cabeça.
- E o que mais? - sorriu, finalmente ele estava entendendo!
- Tem certeza de que não sabe? Até eu sei o que você quer. - ela inclinou seu corpo para frente enquanto suas mãos ainda estavam presas pelo rapaz contra a árvore.
- O que eu quero, então? - seu tom de voz mudou para um desafiador, ele umedeceu os lábios aproximando seu rosto ainda mais do de . O cheiro invadindo suas narinas era tão bom, e ela estava tão faminta...
Damon levantou e já passava das onze horas da manhã, tomou uma ducha fria e colocou uma roupa folgada. Nada como um jeans surrado, botas e uma camiseta preta básica. Deu uma checada pela casa e sugeriu que encontraria seu irmão e a cunhada na cama. Riu consigo mesmo seguindo para a porta principal. Com sorte ainda pegaria caçando e então eles poderiam se alimentar juntos, ele sabia que o apetite da namorada era quase insaciável.
Com a capacidade de rastreamento, ele seguiu para o meio da floresta correndo rapidamente, passando pelas árvores como uma brisa violenta antes da tempestade. Mas quando percebeu que estava perto de alcançá-la, diminuiu o passo, queria dar-lhe um susto.
Entretanto, quem acabou levando o susto foi ele mesmo; sua namorada estava enroscada entre uma árvore e um humano, aos beijos. Damon sentiu a raiva começar a circular pelo seu corpo, porque, afinal, não era forçado. tinha força suficiente para repeli-lo e ele sabia disso. Era proposital. Por quê? Era a pergunta que ecoava em sua cabeça enquanto ele se controlava para não empurrar a árvore sobre a qual se apoiava, para cima dos dois.
Suspirou tentando se controlar, não havia nada a se fazer, então virou as costas e correu de volta para casa. O que poderia esperar que lhe explicasse? Nada mais do que as explicações clichês que ele já conhecia de cor de todos os filmes românticos melosos. Mas ele pensaria nisso depois.
- Por que nós não saímos logo daqui e vamos para a minha casa? - sugeriu Antony enquanto lhe beijava o pescoço. Sua respiração entrecortada e o suor que lhe escorria pelo corpo davam uma ideia do quanto ele precisava daquilo. lamentou por ele por um instante, depois se separou para poder olhá-lo.
- Porque eu não quero nada com você. - disse simplesmente enquanto o puxava pelo cabelo, fazendo sua cabeça tombar para o lado, deixando seu pescoço carnudo à mostra. Tão logo ela lhe cravou as presas enquanto o rapaz gritava e se debatia, mas não era páreo para sua força sobrenatural. Nem de longe.
Quando se deu conta de que o estava matando, lutou contra sua natureza para deixá-lo viver. Não saberia como lidar com um corpo e ela não poderia pedir ajuda a ninguém. Saiu de cima do rapaz, agora pálido e trêmulo, mas antes de se virar de costas, aproximou-se mais uma vez, o que o fez se encolher de medo.
- Você não sabe quem eu sou e nada aconteceu aqui. Você caiu em cima de um galho que havia no chão. - ela disse captando o olhar do rapaz e fazendo dele o seu olhar. Ele repetiu calmamente a frase e ela sorriu satisfeita, finalmente sumindo pela floresta.
Agora se sentia cheia o suficiente e cada parte de seu corpo latejava de força e poder. Sentia que poderia saltar tão alto que alcançaria a Lua. A casa se aproximou e tão logo se viu atravessando a porta. O silêncio prevalecia, provavelmente e Stefan estariam no quarto fazendo algo que se recusava a pensar no momento; mas e quanto a Damon? Será que ele não havia se levantado ainda?
Correu escada acima animada pela possibilidade de poder acordá-lo, mas seu sorriso murchou ao ver a cama vazia assim que ela abriu a porta. Provavelmente ele havia saído para caçar ou, então, fazer compras no supermercado. De qualquer forma ela precisava descansar, poupar as energias que havia drenado daquele delicioso rapaz. A porta bateu e ela seguiu para o biombo onde havia vários espelhos bem ao lado e começou a se despir. Em um dos espelhos, entretanto, viu uma sombra e ela logo se virou, assustada, mas pronta para o ataque.
- Como foi a caçada, meu amor?
Capítulo 2.
Agachada, as presas se destacavam em seus lábios repuxados, uma posição típica de defesa, pronta para o contra ataque. relaxou quando percebeu que era apenas Damon, parado em pé no canto do quarto, os braços cruzados e a expressão séria.
- Amor, você me assustou. - ela já estava de frente para ele, pronta para beijá-lo, mas ele se desviou.
- Precisa ficar mais alerta, não demora mais do que isso para que um vampiro mais forte te pegue. - ele continuou caminhando de costas para ela.
- Eu sei Damon, eu sempre fico alerta, posso sentir quando um está se aproximando. - justificou-se , a expressão nada feliz.
- Você só o detecta se ele quiser. - continuou no mesmo tom frio que usara desde o começo. se colocou à sua frente.
- Eu sei amor, por que está me dizendo tudo isso? - ela procurou por seus olhos azuis, que não a corresponderam.
- Só para checar. - ele sorriu fraco e desviou-se novamente, agora para se sentar na cama. Quando se deu conta, estava por cima, segurando-o pelo pescoço.
- Não é só isso. - disse ela intrigada. - Vamos, me diga o que aconteceu. - Damon inverteu as posições.
- O que você estava fazendo na floresta com aquele homem? - perguntou ele, os olhos fixos nos de . Ela se desvencilhou de seus braços e se pôs em pé, de costas para Damon.
- Me alimentando? - deu de ombros, mas viu-se encurralada, o mais velho estava diante dela agora.
- Isso é o que você deve ter feito depois que fui embora, mas antes parecia que estava bem longe disso. Sentindo falta de lábios humanos, é? - provocou ele, furioso. bufou.
- Não seja idiota! Faz parte da minha armadilha. - justificou-se elevando o tom de voz. - E se você quer mesmo trazer este assunto, por que não me conta, Damon, com quantas mulheres você já transou só para dar uma mordida, hein? Quantas, antes de mim, Damon? - ela havia se descontrolado, seu peito doía; ela definitivamente não queria saber o número de mulheres que já haviam estado com o seu Damon. Não pôde deixar de se sentir frágil naquele momento, como uma humana.
Sentou-se na cama, por fim, a cabeça escondida entre as mãos trêmulas, agora que havia tocado no assunto, as imagens não saíam de sua cabeça. Estava a ponto de chorar e ela sentia isso cada vez que ouvia seu coração bater, ou pelo menos pensava que ele batia. Não houve palavras, não houve gestos, apenas o bater furioso da porta, e a mais nova se encontrava sozinha no quarto. encolheu-se na cama, abraçando os joelhos e seu rosto se contorceu, deixando que lágrimas rolassem pelas bochechas.
Stefan e enrolavam na cama, haviam tido uma manhã agitada e agora ansiavam por um almoço normal. Era estranho que eles ainda cozinhassem, embora não precisassem disso para comer, mas eles gostavam e se divertiam aprimorando os dotes culinários. Quando saíram do quarto, não foi preciso de muito esforço para escutar a discussão que vinha do quarto de Damon e . suspirou ao ouvir as palavras raivosas da irmã e abraçou Stefan, resolvendo chegarem à cozinha o mais rápido possível. De lá, ouviram Damon deixar o quarto e, em seguida, a casa.
- Vai dar tudo certo. - Stefan disse casualmente. Mas ela sabia que era só uma questão de cordialidade, estava chorando no quarto.
- Às vezes penso que um dia eles ainda vão acabar se batendo. - murmurou distraída arrancando risos do esposo.
- E o que a minha mulher faria para impedi-los? - Stefan a abraçou por trás e rapidamente virou-se de frente.
- Não sou sua mulher Stefan. - ela disse séria e pôde ver os olhos verdes do rapaz se arregalarem levemente. Ela riu consigo mesma. - Sou muito jovem para ser tratada assim. - gabou-se ela e teve seu cabelo bagunçado pelo rapaz que a beijou.
- Eu sei disso, minha linda. - esfregou seu nariz no dela e continuaram a preparar o almoço.
Basta. Foi o que disse a si mesma, enxugando as lágrimas que deixavam traços em sua bochecha. Levantou-se da cama e foi lavar o rosto, ela era uma vampira, forte e independente, não precisava ficar o dia todo chorando com a cara no travesseiro como uma adolescente qualquer. Ela não era uma adolescente qualquer.
Desceu as escadas e se obrigou a parar por um momento para saborear o doce aroma que saía da cozinha. Precisava admitir que a irmã havia melhorado muito na cozinha e tudo isso graças a Stefan. Seu pensamento parou em Stefan... será que ele teria algo terrível em seu passado assim como Damon? Balançou a cabeça livrando-se dos questionamentos. Só porque ela estava triste, não quer dizer que deveria deixar a irmã triste também. Deu as costas às risadas e ao aroma saboroso da cozinha e deixou a casa. Se estava triste, então pelo menos precisava gastar a energia que havia garantido com a caçada daquela manhã.
Optou por seguir para o leste, havia muitas flores naquela época do ano e ela se sentiria melhor acompanhada, do que por um monte de folhas verdes e troncos marrons. Não se preocupou em correr com a super velocidade, foi apenas caminhando, adentrando cada vez mais. A cabeça estava oca, não havia nada em que ela pudesse pensar ali e também não queria. Suas indagações sobre o relacionamento de e Stefan haviam sido deixados para trás, Damon havia sido deixado para trás. Ela tinha vontade de fugir, se afastar daquilo tudo, pular de um penhasco, quem sabe. Enquanto pensava nas maneiras mais grotescas de se matar (como um humano, é claro), mal percebeu o campo de flores que atravessava e o perfume que delas exalava.
Chegou a uma clareira e fechou os olhos, recomeçando a andar. Tudo estava se saindo muito bem, ela sabia quando se esquivar de árvores, galhos e afins. Até que sua sensibilidade espacial não estava tão ruim! Ela não queria se concentrar nos barulhos da floresta porque sabia que seria atraída para a caça, mas em dado momento ficou praticamente impossível de se ignorar uma voz feminina que vinha de algum lugar ali perto. caminhou apressada, a garota parecia murmurar palavras ininteligíveis, o que apenas a deixava mais curiosa.
Esgueirou-se entre duas grandes árvores e inclinou-se levemente para o lado, assim poderia ver o que a moça murmurava. Estava a uma distância segura, é claro, pois não queria ser flagrada. Entretanto, assim que pôs os olhos na cena, desejou que não o tivesse feito. Talvez fosse só um reflexo da cena que ela havia feito mais cedo, mas a dor era inimaginável, excruciante. Uma de suas mãos foi à boca enquanto a outra subia para o peito, em chamas.
Qualquer que fosse o número de mulheres com quem Damon havia dormido, aquela era mais uma para a sua coleção. Ele prensava a garota loira contra uma das árvores, seu corpo cobrindo totalmente o dela. Embora estivessem vestidos, o modo como se beijavam e grunhiam, dava outra impressão.
- Espionando? - ouviu uma voz atrás de si e se virou rapidamente, os olhos arregalados.
- Ai meu Deus você me assustou! - ela sorriu para o rapaz que estava diante dela. Ele era alto, muito magro, o cabelo loiro estava penteado para trás, modelado com gel. Vestia uma regata branca, dando para ver seus braços desenvolvidos, a calça jeans escura entrava em contraste contra sua pele extremamente pálida. Nos pés, um all star surrado completava o look despojado e adolescente; ele realmente não parecia muito mais velho do que ela.
- Pensei que tivesse me ouvido chegar. - ele manteve-se no mesmo lugar, as pernas levemente abertas e os braços para trás. - Não foi isso que o seu namorado disse hoje? Sempre alerta?
- Perdão? - sorriu com a testa franzida, deixando clara sua confusão.
- Você falhou . - ele disse em um tom sério e a menina ficava cada vez mais confusa.
- Não sei do que está falando. - ela tentou dar um passo para trás, mas estava encurralada pela árvore.
- Eu acho que sabe. - ele apontou-lhe um revólver calibre 40 e sentiu seu sorriso murchar, as mãos pareceram congelar e as pernas vacilaram. Não havia nada mais no mundo, apenas ela, o estranho rapaz e a arma. Ele podia muito bem estar blefando, com balas normais, mas pelo seu rosto, as balas eram de madeira. E elas machucavam, sabia que sim. - Não vai dizer nada? Porque não adianta correr, eu sempre estarei na sua cola. - seus dentes trincaram; estava petrificada, chamar ou não chamar Damon? Ah que se dane, concluiu ela, não precisava de ninguém para se defender!
- Olha, você deve estar me confundindo com outra pessoa, eu... - ela deu um passo para frente e a arma automaticamente disparou. Seu corpo de um solavanco, inclinando-se para frente e logo ela caía no chão forrado de folhas. Como ela havia imaginado: balas de madeira. Seu mundo rodou, a dor era insuportável, tentava gritar, mas não achava sua voz para isso.
O rapaz perverso se aproximou dela depois de guardar a arma, pelo seu olhar, Damon e a humana haviam corrido com o barulho, mas não para a direção certa.
- Chame pelo Mestre quando achar que for a hora. - e logo em seguida ele sumiu. tentou raciocinar, tentou se levantar, mas foi em vão. A bala penetrara de tal forma em seu abdômen que ela mal conseguia manter-se sentada. Não viu outra opção senão rastejar. Rastejou sob o sol por longos metros e, mesmo assim, parecia não estar chegando a lugar algum. As lágrimas escorriam livremente por seu rosto enquanto o lugar onde a bala se alojara ardia feito ferro em brasa.
Quem seria aquele homem? Ou seria um vampiro? Ele parecia saber muitas coisas sobre ela e, pior, sobre Damon. Mas o que mais ele poderia saber sobre Damon, afinal? Não dava para continuar pensando. Sua cabeça era uma bagunça completa, como um vórtice agitado. Ela não sabia por mais quanto tempo conseguiria rastejar, era como se seu corpo estivesse se desfazendo em mil pedaços. Tocou a gargantilha em seu pescoço, a qual levava uma pedra lápis-lazúli e o feitiço que a deixava andar no sol. Até aquilo pareceu queimar seus dedos.
Por que Damon havia corrido para a direção oposta? Como ele não a havia sentido? Por que ele não estava lá para ela agora? Essas dúvidas corroíam sua sensatez tanto quanto a bala parecia corroer seus músculos. Ela soltou um grito desesperado que apenas ecoou pela floresta, voltou a encarar o chão e resolveu dar uma olhada atrás de si, não havia nada mais do que uma trilha de sangue por onde ela havia rastejado.
Sentia-se como em um deserto escaldante, perdida e sedenta. Ou então como a sobrevivente de algum acidente terrível, quando toda e qualquer parte de seu corpo estava presa a ferragens. deitou-se de barriga para cima, ofegando desesperada. Estava sozinha e ferida, não havia quem a salvasse. Encarando as folhas verdes que a circundava, o frescor da brisa que a acometia se viu sem opção a não ser fazer uma última tentativa.
...
Capítulo 3.
largou o prato na pia de forma bruta, fazendo-o se espatifar em cacos. Seu olhar focalizou a janela do lado de fora, perdendo-se imediatamente. Ela ouvira a voz da irmã em sua cabeça, uma voz urgente, dolorida e, pior, desesperada.
- . - murmurou ela saindo em disparada da casa, sem nem dar tempo para Stefan pensar em segui-la. Ela não era guiada por nada mais além do instinto, sentia a pulsação irregular da irmã e, através dela, percorria a floresta em alta velocidade. Não sentia medo, apenas raiva. Raiva de quem quisera machucar sua irmã. Sim, ela sabia que estava ferida, conseguia sentir a dor latejando em suas veias. A ligação entre elas era muito forte.
havia perdido a conta de quanto tempo estivera deitada sob o sol latejante, a dor tornando-se cada vez pior, os soluços eram contidos para tentar amenizá-la, mas nada funcionava. Será que chegaria? Antes mesmo que pensasse em voltar a se arrastar, ouviu um flutuar de folhas próximo e alguém tapou o sol que batia em seus olhos. A mais nova sorriu aliviada, mas sua expressão saiu destorcida pela dor e pelo choro.
- De novo não. - ela ouviu a voz agoniada da irmã que a fez se lembrar de quando ela e haviam sido baleadas no quintal da própria casa. Agora ela podia comparar as dores e concluir que nada superaria a dor que uma bala de madeira proporcionava. Seu corpo foi elevado do solo forrado de folhas e rapidamente ela foi levada. A respiração entrecortada foi suprida pelo vento que batia em seu rosto, ela só desejava chegar logo em casa e remover o projétil.
Stefan estava tão concentrado em recolher os cacos do prato que quebrara que mal havia percebido a sua volta. Foi só quando um grito ecoou vindo da sala de estar que ele se pôs estático na porta do cômodo. estava ajoelhada ao lado de um dos sofás enquanto deitava em um deles, debatendo-se contra a mais velha.
- , eu preciso olhar esse ferimento. - ela dizia calmamente enquanto rasgava a blusa da irmã e, ao mesmo tempo, driblava os tapas que a mesma lhe dava.
- O que aconteceu? - Stefan se colocou ao lado da menina olhando para o abdômen intacto de , exceto por um hematoma preto enorme ao centro, próximo ao umbigo.
- Ela levou um tiro, mas eu acho que a bala penetrou. - alisava a barriga da mais nova o que a fazia espernear.
- Vamos ter que abrir então. Mas eu preciso dela calma, vamos drogá-la. - Stefan levantou-se, mas o segurou pela mão.
- O quê? Abrir? Não, de jeito nenhum! E como diabos se droga um vampiro? - ela tropeçou nas palavras balançando a cabeça, como se assim as ideias fossem se organizar.
- Verbena. - foi tudo o que Stefan disse.
- Eu já volto, meu amor. - passou a mão sobre o cabelo desgrenhado de que concordou trêmula. Ela não tinha mais forças para gritar, não tinha forças para quase nada. A dor era tudo o que lhe restava, o que indicava que ainda estava viva. Mesmo que fosse de forma cruel.
Damon pisou porta adentro e foi tomado pelo cheiro enjoativo da verbena, depois de tanto correr ao ouvir aquele disparo, e depois de drenar parte da jovem que havia encontrado apanhando algumas flores, o que ele menos queria era se sentir enfraquecido. Sua visão apresentava pontos coloridos cada vez que ele piscava e notou que a luz da sala estava acesa, e que de lá vinham gritos... Ele entrou no cômodo e paralisou. Stefan possuía um bisturi em mãos e atravessava a pele do abdômen de enquanto a menina gritava desesperadamente. segurava uma toalha úmida em sua testa e também a mantinha imobilizada.
- Está muito fundo, eu não consigo manter o corte aberto. - Stefan analisava, quase derrotado, o abdômen de que curava seu último corte. A pequena faca pingava sangue, deveria ser o vigésimo ou o trigésimo corte, ele não sabia bem ao certo.
- O que estão fazendo? - a voz de Damon saiu falha ao ver a sua menina sofrendo. Fazia tanto tempo que ele não se encontrava em uma situação daquelas. Havia se esquecido do quanto era tortuoso.
- Ela levou um tiro, a bala se alojou no abdômen e eu não consigo removê-la. Fim da história. - o mais novo Salvatore esbravejou mais para si mesmo do que para o irmão.
- Eu vou pegar mais verbena, você não pode ficar sentindo dor meu amor. - disse enquanto levava uma bacia de porcelana de volta à cozinha.
- Vou ver se tenho algo mais preciso do que isso, algo que corte mais fundo. - Stefan se levantou logo em seguida deixando o cômodo.
- Damon... - sussurrou e ele se aproximou de prontidão, sentando-se na borda do sofá e segurando-lhe a mão. - Me desculpe... - ela soluçou seguindo por um gemido alto de dor. - Eu não... eu não deveria ter feito aquilo hoje de manhã. - ela soluçou repetidas vezes, tentando tomar fôlego.
- Eu... - mas ele estava petrificado, a maneira como ela lhe apertava a mão dizia o quanto estava doendo. - Eu também não fui certo, .
- Eu sei... - ela sorriu fraco enquanto lágrimas escorriam de seus olhos. - Eu estava lá e você correu para o outro lado, Damon; quando o tiro ecoou, eu caía no chão e você corria. - disse a voz amargurada e falha.
- Sinto muito. - beijou-lhe as costas da mão e acariciou o cabelo sedoso da namorada. - Eu sinto muito meu amor. - seus olhos encharcaram-se, mas ele engoliu o choro. era sempre a que sofria.
- Pronto, aqui, isso vai te acalmar. - voltou aos tropeços para a sala e tirou a toalha da testa de . Damon não se mexeu, seus olhos fixos na expressão sofrida da amada. Céus onde ele estava com a cabeça ao ter brigado com ela daquela maneira?
- Eu acho que isso deve servir. - Stefan também voltava com um facão de açougueiro e um espaçador de metal. estremeceu, estava fraca e confusa, perdendo o rumo...
- Vocês devem chamar o Mestre. - ela lembrou-se das palavras que o rapaz havia lhe dito e resolveu fazer delas seu último suspiro.
Damon, e Stefan intercalaram olhares franzindo o cenho. No mesmo momento, ouviram batidas na porta. Os caninos se alongaram e todos eles se puseram em posição de defesa. Stefan seguiu para a porta abrindo-a com cautela.
- Boa noite. - ouviu-se uma voz cordial do lado de fora. O homem não deveria ter mais do que trinta anos, cabelos loiros e olhos negros intensos. Stefan ficou parado olhando-o, se perguntando de onde ele surgira. - Creio que me chamaram. - ele pisou dentro da casa de modo irônico, como se mostrasse que ele não precisava ser convidado.
- Ninguém o chamou. - levantou-se, colocando-se na frente do sofá, protegendo a irmã com o corpo.
- Oh, e não foi essa jovem aí que me chamou? - ele desviou seu tronco alguns centímetros para o lado e pôde, então, ver deitada o encarando. Os olhos cada vez mais opacos e a pele ressecada.
- Mestre? - sussurrou ela com a voz carregada de dor.
- Sim, minha querida, sou eu. - ele sorriu cordial e encarou Damon. - Ela me chamou. - apontou com a cabeça para a pequena Cardigan.
- Não estou gostando disso. - Stefan sussurrou baixo o suficiente para que ele, o irmão e a esposa o ouvissem, mas o homem virou-se para ele.
- Você não precisa gostar meu jovem. - Não havia mais dúvidas, o homem que se autodenominava Mestre era um deles. E, pelo jeito, sabia de muitas coisas. - Creio que todos concordam que ela precisa ser salva. - ele apontou para e Damon retorceu a face em fúria.
- Nós conseguimos fazer isso. - rosnou ele e tudo o que o outro fez, foi rir.
- Tem certeza? Parece-me que ela está há um bom tempo com essa bala alojada. - ele cruzou os braços. - Agora vamos, não temos tempo a perder. Você, - ele apontou para Damon. - carregue-a. - ordenou virando-se para a porta.
- Espera, onde estamos indo? - Stefan o segurou pelo braço e o rapaz o olhou de cima.
- Para o meu palácio, é claro. Lá poderemos cuidar dela. - deu de ombros como se fosse óbvio. Stefan olhou para , depois para Damon e, por fim, para no colo do irmão mais velho. Ele suspirou e passou a seguir o estranho.
Todos entraram em uma limusine preta e o silêncio predominou, exceto pelas exclamações sofridas de que ficavam mais fracas a cada minuto que se passava.
- Sinto que não me apresentei de forma correta. - o homem de cabelos loiros cortou o silêncio de forma tranquila e todos o olharam. - Eu sou Francis, tenho mil e oitocentos anos. - ele sorriu parecendo achar graça.
- Damon Salvatore, estes são meu irmão Stefan, a esposa dele e a irmã dela . - Damon manteve a expressão dura e fria, desconfiada.
- Oh, mas como esses nomes combinam! - ele bateu palmas, animado.
- Como nos encontrou? - Stefan abraçava protetoramente como se, a qualquer momento, algo fosse vir em sua direção e machucá-la.
- Através do chamado da pequena, é claro. - ele sorriu, mas isso não desfez as expressões duras dos três.
- Não foi isso o que perguntei. - o mais novo rebateu. - Por que tenho certeza de que foi você quem atirou nela?
- Ora meu jovem, não me acuse só porque quero ajudar! - Francis riu de modo estridente. - E não faço ideia de quem atirou na pobre moça, nos dias de hoje não se pode mais confiar em ninguém. - segredou.
O caminho parecia interminável, Stefan e estavam tensos, Damon segurava com delicadeza, como se ela fosse quebrar a qualquer momento, mas não podia relaxar. Francis estava olhando muito para ela. Era estranho, eles não podiam negar, todos os seus instintos apitavam de forma treslouca, entretanto eles sabiam que era o único jeito para curar . Nada mais importava.
Estariam eles entrando no caminho errado?
- Convidados por aqui, enferma por aqui. - Francis apontou para direções opostas. Os três que ficaram não protestaram, afinal, estavam embasbacados pela imensidão e beleza da casa do vampiro sênior. - Fiquem a vontade, meus queridos, vou pedir para servi-los. - ele disse seguindo para um dos criados e sussurrando algo e depois o jovem se retirar do salão.
- Ela vai ficar bem, não vai? - Damon perguntou tomando consciência de que estavam lá por e nada mais.
- Claro, e por que não ficaria? - Francis sorriu e apontou para um corredor que havia bem ao lado da escada enorme em espiral. - Por favor, vamos para a sala enquanto ela é curada.
Eles o seguiram em silêncio, a sala deveria ser, pelo menos, seis vezes maior que a dos próprios Salvatore e havia vários artefatos espalhados pelo cômodo, dos mais antigos até os mais contemporâneos.
- Harry, querido, sentiu minha falta? - Francis se dirigiu para outra pessoa que se encontrava presente no cômodo. Era um pouco mais alto que Stefan e Damon, tinha cabelos castanhos escuros e curtos, arrepiados em um moicano, o tronco era bem desenvolvido e, no momento em que ele virou, puderam notar seus olhos azuis. Ainda mais azuis que os de Damon.
- Quase nada. Você só saiu por doze horas! - ele disse de modo tranquilo, porém irônico.
- Minhas desculpas. Harry, estes são meus convidados de hoje, Damon e Stefan Salvatore e ... - ele agitou a mão no ar, tentando se lembrar de algo que a menina não havia mencionado.
- Cardigan. - ela completou cautelosa.
- Isso, Cardigan! E a pequena Cardigan, é claro. - ele disse sorrindo, mas parou ao notar que Harry estava com uma sobrancelha erguida. - Oh, está com Renata. - concordou calmamente e depois seguiu para um canto da sala.
Harry segurava um copo de uísque e virou-se para os três, olhando casualmente para cada um, entretanto, demorando-se um pouco mais em . Seu jeito despojado de se vestir não lhe dava mais do que vinte e quatro anos e não podia negar: havia se sentido atraída por ele. Mas ela era fiel ao seu marido e, naquele momento, à sua irmã. Só queria que ela ficasse bem e que eles dessem o fora de lá o mais rápido possível.
Tudo parecia estar longe de acontecer. Horas e horas se passaram, logo já estava de noite, e nada de aparecer...
- Vou pedir que mostrem seus aposentos, sim?
Capítulo 4.
- Aposentos? - Damon arregalou levemente os olhos, tossindo em seguida, desconfortável.
- Sim, para passar a noite aqui. - Francis disse com a expressão inabalável.
- Ah não, nós precisamos ir embora. - Stefan disse rapidamente. - Quando estará pronta?
- Não antes de amanhã. - o rapaz disse despreocupado.
- Para quê tanto tempo? - franziu o cenho.
- Ela precisa se recuperar totalmente, estava bem desgastada quando a vimos pela última vez. - lamentou ele.
- Sendo assim, aceitamos passar a noite, mas pela manhã iremos embora. - Stefan disse olhando da esposa para o irmão que concordaram.
- Certo, certo, como quiserem! Julian? - chamou e um rapaz baixinho e moreno apontou no salão. - Mostre a eles os quartos. - sorriu. - O jantar será servido em seus aposentos. Boa noite. - dizia ele enquanto os hóspedes se levantavam e seguiam o criado para fora.
- Boa noite. - disseram um após o outro.
- Tem certeza de que é essa a garota? - Harry perguntou observando o enorme pátio que havia fora da casa.
- Não poderia estar mais certo! - Francis deu um tapinha no ombro de Harry e os dois brindaram.
acordou e estava em um quarto, um quarto escuro. A dor dilacerante havia ido embora e ela deitava em algo macio e confortável. Ergueu levemente o tronco e viu que estava em um quarto um tanto quanto pequeno, vestindo uma camisola um tanto quanto estranha. Havia uma cama de casal, na qual ela estava deitada, um pouco para a esquerda havia uma parede inteira envidraçada, logo a frente um armário branco embutido e entre as portas, um espelho que ia do teto ao chão. Por debaixo da porta havia uma luz do que parecia ser o corredor. Ela levantou-se, mas antes que chegasse à porta, um clarão lhe chamou a atenção. Quando deu por si, o espelho havia sumido e, agora, parecia mais como um vidro transparente.
Aproximou-se lentamente e viu um ambiente muito parecido com o qual em que estava, havia uma cama como a sua, mas outra pessoa nela. Damon. sorriu grudando no vidro e bateu levemente para chamar a atenção do garoto. Mas nada aconteceu.
- Damon? - ela chamou franzindo o cenho. Mas ele olhava para um ponto fixo, à esquerda, e não para ela. - Damon? - chamou ela novamente e se afastou um pouco para vê-lo melhor. Ele sorria e esticava o braço, mas não era em sua direção.
Então ela viu. Quatro jovens faziam companhia para ele; todas elas lindas e esbeltas, do jeito que nunca seria. sentiu novamente o aperto no peito e encolheu-se até chegar à cama, onde se sentou de olho na vitrine. Era uma espécie de orgia, ele tinha todas as garotas que queria e poderia fazer tudo o que quisesse. E ela estava lá, sozinha, depois de se recuperar de uma bala de madeira, a qual não havia sido fácil. Sua última memória antes de apagar na sala esterilizada, foi a de que um dos criados de Francis a levara até lá.
Seus olhos não conseguiam se desviar da cena que tinha à frente. Ela já os sentia lacrimejar e suas mãos tremiam. nunca havia se sentido tão sufocada quanto estava se sentindo naquele cômodo. A cabeça dava mil voltas, então ela só se encolheu na cama e deixou de olhar. Da última vez que olhara, duas das garotas estavam seminuas e cheias de marcas de mordidas. Estava tendo o seu pior pesadelo e sequer conseguia sair dele. Sentia-se desnorteada, traída, abandonada. A sensação era horrível e ela só queria se desligar dela, desligar-se do mundo.
Uma batida na porta. desviou os olhos rapidamente para a mesma, assustada. Quem poderia ser? Aproximou-se da maçaneta, o corpo esgueirado sobre a madeira e a abriu com cautela. Um rapaz muito bonito, moreno dos olhos verdes, estava parado ali. Seu sorriso branco chegou à como um holofote. Então ela começou a reparar no resto do rapaz. Vestia um roupão felpudo azul marinho e aparentava ser bem forte por debaixo daquilo. A gola não estava exatamente fechada, o que dava a mais nova Cardigan uma ideia de como sua pele era sedosa e brilhava.
- Boa noite , eu fui enviado como cortesia da casa. - ele adentrou o quarto sem mais nem menos, despindo-se como se fosse a coisa mais normal do mundo. deixou seu queixo cair ao vê-lo de costas, apenas com uma boxer preta. O que era aquilo, afinal, um bordel? Mas quando ele virou-se de frente para ela, o sorriso de canto a canto, ela percebeu: as diversas marcas de mordidas já cicatrizadas que estavam espalhadas pelo seu corpo malhado. Ele era a comida naquela casa. - Podemos? - ele a puxou pela mão só então encarando seu corpo, os olhos desejando-a de repente.
Ajoelharam-se na cama, frente a frente, ele insistiu em segurá-la pela cintura enquanto traçava um caminho de sua bochecha até o pescoço da menina. deu uma última olhada na vitrine de seu quarto e sorriu. Agora era a sua vez.
Damon mal podia acreditar que estava se divertindo tanto. Por um momento havia se esquecido do porque estava lá, o sangue daquelas moças estava tão delicioso... mal havia notado o espelho, praticamente transparente, que havia logo de frente à sua cama. E ele mostrava o outro quarto. Duas pessoas em cima da cama, coberta com um lençol vermelho vivo. Eles se beijavam. Damon sorriu enviesado, pelo menos a diversão não parecia se esgotar.
Mas ele passou a prestar atenção, quando o cara alto desceu os lábios para os ombros da moça e ela o acompanhou com o rosto, enquanto ele deslizava as mãos pelas costas, desabotoando a camisola mais do que transparente dela. O cabelo ainda caía sobre o rosto dela, mas quando sua cabeça se inclinou de prazer, ele finalmente pôde ver. Era ela. A sua .
Que raios estava acontecendo? Por que aquele cara estava ali e não ele? Seria uma alucinação? Um sonho? Não, nunca o trairia. Se bem que ela já havia se enroscado com aquele cara na floresta. O sangue do mais velho borbulhou e ele desviou o olhar para as moças, forçando um sorriso. Tiraria essa história a limpo no dia seguinte, decidiu, mas enquanto o mesmo não chegava, por que não aproveitar as mordomias?
- Stefan e ? - uma garota loira e esbelta e um rapaz alto e “bombado” entraram no quarto logo depois de baterem à porta. e Stefan, que estavam deitados lado a lado na cama, conversando, se sentaram assustados.
- Sim? - respondeu o rapaz um pouco desconfiado.
- Francis nos mandou. - a moça disse com naturalidade vazia, ou seja, deveria estar sob coerção. Desamarrou o robe de seda que vestia e se aproximou de Stefan. o olhou de cara feira e o garoto balançou a cabeça. O rapaz também se aproximou de e a menina se viu tentada. Estava exausta e sedenta por sangue, tinha de admitir, então nada lhe restava a não ser cravar as presas sobre a pele reluzente e morena do forte rapaz a sua frente. Stefan ficou algum tempo admirando a esposa se alimentar, como ela era linda até mesmo enquanto atendia aos seus instintos. Virou-se para a jovem à sua frente e também deixou que seus caninos lhe escapassem, perfurando a pele branquinha da menina que sequer gritou.
O rapaz, que dispensara saber o nome, estava sentado na cama com as costas apoiadas desajeitadamente sobre a cabeceira enquanto as pernas esticavam-se a frente do corpo, sustentando o peso da pequena. mantinha-se sentada sobre o colo do mais velho, sugando-lhe lentamente o sangue através de pequenas perfurações no lado esquerdo do pescoço.
- Até que você tem bastante sede para o seu tamanho. - murmurou o rapaz em uma voz mole e sexy.
- As aparências enganam. Você é delicioso. - a menina separou-se do rapaz e o encarou, o sangue escorrendo pelos cantos da boca.
- Hum, obrigado linda. - ele limpou o traço de sangue que se mantinha no queixo de o que a fez sorrir.
- Eu já estou saciada, querido, sinto que agora preciso descansar. - ela saiu de cima do mais velho, ajeitando-se na cama e voltando a vestir a camisola.
- Como quiser meu bem. Durma bem. - ele voltou a vestir o roupão e beijou-lhe na testa, saindo do quarto em seguida.
se aconchegou na cama e adormeceu logo em seguida. Sentia-se leve e saciada, tudo agora estava bem.
- Bom dia meus queridos. - Francis disse amigavelmente, abrindo os braços, sentado da ponta da mesa. Damon, e Stefan estranharam o fato de só ele estar presente, mas resolveram deixar as perguntas para depois. Aceitando ao convite do mais velho, sentaram-se à mesa. - Harry estará se juntando a nós em alguns minutos.
- E onde está ? - Damon não pôde evitar o trincar de dentes ao se lembrar da cena que havia visto noite passada, Francis pareceu se divertir com a sua reação.
- É justamente isso que Harry foi verificar. - ele deu de ombros.
- Mas por que não nos chamou? - perguntou controlando o tom de voz para não sair de acordo com sua irritação.
- Ora, não queria incomodá-los em seu sono. Dormiram bem, por acaso? O que acharam do jantar? - Francis apoiou seu queixo em uma das mãos, mostrando total interesse no assunto.
- A noite foi boa, muito obrigado pela hospitalidade. - Stefan sorriu forçado pegando um pedaço de crossaint da mesa e começando a comer. o olhou horrorizada, como poderiam falar sobre si mesmos enquanto eles sequer haviam visto ?
Harry andava calmamente pelo corredor, cumprimentando um ou outro criado que cruzava seu caminho. A verdade era que ele impunha medo nas pessoas e Francis sempre lhe dissera isso. Bem, talvez fosse realmente verdade. Mas precisaria quebrar o gelo se quisesse atingir , e, melhor ainda, precisaria afastar Damon dela. Não importava como tivesse que fazer isso.
Suas mãos tocaram a maçaneta dourada da porta, tentado a abri-la. Mas simplesmente passou a chave que havia tirado do bolso e deu duas voltas na fechadura, tornando a guardar a peça de ferro no bolso e continuando a caminhar pelo corredor com um sorriso no canto dos lábios. Desceu as longas escadas e seguiu pelo corredor, virando à segunda porta direita, a que dava para o salão de refeições.
- Desculpe a demora. - ele disse sentando-se na ponta oposta a Francis que acenou levemente com a cabeça voltando a se concentrar no que dizia.
- Como ela está? - Damon perguntou rapidamente e Harry precisou se segurar para não sorrir.
- Indisposta eu receio. - mas ele manteve a expressão séria e, até certo ponto, fria. - Preferiu ficar descansando em seus aposentos.
- Oh, vamos deixá-la se recompor, tenho certeza de que aparecerá quando estiver preparada.
- Mas vamos embora ainda antes do meio dia. - Stefan disse como ressaltando algo que havia sido esquecido. E de fato havia; Francis tomou um susto, ou pelo menos fingiu muito bem, quando ouviu a palavra 'embora'.
- Tão cedo? Deixem a pequena se recuperar. Vocês estão em casa, podem fazer o que quiserem aqui. Pensem como se estivessem em uma colônia de férias. - sorriu ele simpático e os Salvatore se olharam.
- Por favor, sinto que já os incomodamos demais. - Stefan insistiu, queria dar o fora dali o mais rápido possível.
- Não será incômodo nenhum, vocês nem terminaram de ver a casa. - Harry deu de ombros enquanto passava um pouco de geleia de morango sobre uma torrada.
- Exato! - Francis disse de súbito, assustando levemente.
- E o resto da casa seria...? - encorajou ao ver que a conversa morreria ali.
- Oh querida, não posso estragar a surpresa! - Francis deu uma leve piscadela.
- poderá nos acompanhar? - a garota perguntou animada.
- Assim que ela se sentir disposta, não vejo o menor problema. - garantiu Harry e trocou olhares discretos com Francis que sorriu presunçoso.
- Perfeito. Vou guiá-los mais tarde. - o mais velho sorriu largo e passaram a comer em silêncio.
No segundo andar da casa, quase no meio do longo corredor decorado com finos papeis de parede e portas brancas de maçanetas douradas, em um daqueles quartos estava a mais nova Cardigan. despertava lentamente, espreguiçando-se sobre a enorme cama e comprimindo os olhos antes de abri-los. O colchão macio afundava conforme ela rolava seu corpo de um lado para o outro, rindo baixinho por ter dormido tão bem. Foi até o banheiro e lavou o rosto, escovou os cabelos e os arrumou em uma trança. Olhou para baixo e concluiu que não deveria desfilar pela casa de camisola transparente, portanto voltou ao quarto e alcançou um robe de seda lilás que pendia em um cabideiro que havia no canto do cômodo. Seguiu até a maçaneta e deu de cara com a madeira da porta.
Estava trancada.
Capítulo 5.
virou-se para o restante do quarto, um pouco atordoada. Por que a porta estaria trancada? Ela era uma hóspede, certo? Certo. E ontem aquele rapaz entrara por ali, certo? Certo. Andou até a imensa janela que havia na parede oposta à da porta e olhou o vasto jardim, muito bem cuidado, que preenchia de cores a sua visão conforme o sol as atingia. Deu mais uma volta pelo quarto, sentindo-se agitada, olhou para as portas do guarda-roupa embutido e arqueou a sobrancelha. Resolveu dar uma vasculhada pelas portas.
Abriu a primeira sessão e encontrou várias gavetas, de madeira tão branca quanto a que revestia o móvel por completo. Abriu uma delas e deparou-se com um amontoado de tecidos e rendas vermelhas, pegou uma delas na mão, tinha uma etiqueta onde se via, escrito em dourado, Victoria's Secret.
Seu sorriso entortou um pouco, embora a etiqueta mostrasse que a peça era de seu tamanho, estava descrente de que algo tão minúsculo como aquilo serviria nela. Colocou-a de lado e tirou outra peça de lingerie da gaveta, também vermelha, mas um pouco mais escura e discreta. Todas estavam etiquetadas, novas, e não tinham nenhum sinal de terem sido mexidas antes que a pequena Cardigan as tocasse. Jogou as calcinhas dentro da gaveta novamente e partiu para a de baixo, encontrando lingeries, também, só que na cor azul. Vários tons, vários modelos e todas novas.
Ela tinha razão: aquilo só poderia ser um bordel! Quando que um quarto teria tantas roupas íntimas quanto aquele em que ela estava trancada? Abriu o resto do guarda-roupa e tudo o que encontrou foram baby-dolls, robes de todas as cores, meias sete-oitavos, cintas-ligas, espartilhos. Era quase uma sex shop!
As horas se passaram enquanto ela provava os robes e se divertia com os espartilhos; para , não era mais um problema ficar trancada. Se eles a queriam com poucas roupas, só poderia ser entre quatro paredes mesmo.
- Tudo isso está cheirando muito mal. - Damon comentou com Stefan. Francis os havia deixado no salão de jogos e eles tentavam se distrair na mesa de sinuca. , por outro lado, não desgrudava de uma das janelas que ali havia. Ainda não perdera as esperanças de que podia ver sua irmã novamente.
- É, viu o jeito com o qual acham que estão nos enrolando? - Stefan deu uma tacada encaçapando duas bolas.
- Patético, nem parece que eles têm mais de mil anos. - Damon revirou os olhos bufando em seguida. À sua cabeça voltavam flashes da noite anterior quando vira sua pequena nos braços de outro homem. Não era a primeira vez, mas agora que não poderia tirar satisfações com ela, a culpa parecia acometê-lo cada vez mais fortemente.
- Se Katherine ainda estivesse viva, eu poderia jurar que isso é obra dela. - o mais novo Salvatore disse fazendo com que o irmão errasse a tacada e quebrasse o taco no meio. os olhou.
- E se for? - perguntou ela arrancando um riso sarcástico do mais velho.
- A não ser que ela seja uma fênix e renasça das cinzas, por favor, né, ? - Stefan o olhou duro.
- Será que posso me atrever a perguntar o porquê desse seu mau humor? - perguntou o mais novo abraçando a esposa que também olhava para o moreno de olhos azuis, preocupada e curiosa.
- Vi na noite passada. - disse ele com descaso largando os dois pedaços de madeira sobre a mesa aveludada verde. Os olhos se mantinham na bola branca, bem ao centro da mesa.
- Você falou com ela? Como ela está? - se agitou, como Damon havia deixado aquele detalhe passar? Por que ele não havia confrontado Francis para vê-la?
- Nossos quartos têm uma espécie de ligação, uma vitrine. Eu podia vê-la do outro lado... - seu sorriso tornou-se maléfico. - com outro homem.
- Oh Damon... - tapou a boca com uma das mãos enquanto com a outra apertava a de Stefan.
- Vocês precisavam ver o quanto ela estava gostando, vestida naquela camisola de vadia...
- Ok Damon, - Stefan disse em tom repressor. - já entendemos que você está com raiva dela. Mas, irmão, você a ama! E ela te ama, deve ter alguma explicação e...
- Como estão meus hóspedes adoráveis? - Francis irrompeu na sala, deixando-os, de certa forma, assustados. - Se divertindo?
- Claro. - sorriu forçado e Stefan permaneceu com os lábios pressionados em uma linha fina.
- Na verdade eu não estou não, - Damon virou-se para o vampiro e ficou tensa. Que ele não fizesse nenhuma besteira... - esse taco não foi feito para uma força sobrenatural. - brincou ele sem achar graça, ao contrário de Francis que se desmanchou em risos.
- Oh, sei bem o que quer dizer. Infelizmente não tenho nada mais resistente do que isso. - o homem sorriu com a sobrancelha arqueada, chegando a ser irônico.
- Não que isso seja necessário. - em um movimento rápido, Damon pegou uma das partes do taco e o direcionou sobre o peito de Francis que, ainda mais rápido, revidou o golpe, torcendo o braço de Damon e imobilizando-o de costas, com o pedaço de madeira apontado para seu pescoço. estava agarrada ao braço de Stefan, o qual tinha uma expressão tensa no rosto. Como Damon podia ser previsível às vezes!
- Tem talento, Damon Salvatore. - Francis murmurou próximo ao seu ouvido, fazendo o rapaz bufar frustrado. - Mas não o bastante. - soltou-o bruscamente e sorriu para Stefan e . - Que tal se um dia treinarmos? Posso te ensinar algumas coisas. - ele fez uns golpes no ar, animado. Damon ainda ofegava e voltava seu ombro, deslocado, no lugar.
- Mal posso esperar. - disse ele baixo, a voz afetada pelo orgulho esmagado.
- Excelente. - o rapaz sorriu e se retirou.
- Qual é o seu problema? - Stefan parou na frente do irmão que revirou os olhos. - Nos colocou em risco agora a pouco, sabia disso? Poderia tê-lo feito nos expulsar daqui e nunca mais veríamos !
- Eu não me importo, - Damon afastou-se do irmão, seguindo de costas para a porta, mantendo o olhar nos dois. - eu estou fora daqui. - agitou as mãos no ar e deixou a sala.
- Stefan... - o segurou pela mão quando ele ameaçou deixar o quarto. - Deixe-o ir, ele vai voltar. - embora estivesse com a voz firme, por dentro estava tão temerosa quanto Stefan. A verdade era que seria muito mais difícil do que eles pensavam.
- Eu vou dar o fora daqui. - Damon dizia para si mesmo enquanto seguia pelo corredor principal, já podendo ver a porta ao longe. Sua cabeça estava uma bela de uma confusão; a força que usara com Francis era o melhor que poderia fazer, mas ao menos tentara. Pensava se realmente gostaria de ir embora dali tanto quanto ele, seu irmão e .
E se ela estivesse gostando? Pelo menos era melhor do que ele poderia lhe oferecer. É, ela estava bem, não precisava mais dele, poderia ter qualquer homem que quisesse não é mesmo?
- Vai a algum lugar? - ouviu atrás de si e antes mesmo que virasse, Harry colocava-se a sua frente, entre a porta e ele.
- Sim, embora daqui. - o rapaz disse de mau humor aparente, mas tudo o que o outro fez foi sorrir e colocar uma das mãos sobre seu peito.
- Mas não vai mesmo. - empurrou-o de volta para o corredor, dessa vez para a escada que daria acesso ao primeiro andar. Damon ainda tentou se esquivar, afinal, quem diabos ele pensava que era para tocá-lo daquela maneira? - Aproveite a estadia, Damon. - disse Harry sarcástico jogando-o dentro de seu quarto e fechando a porta em seguida.
Damon tentou abri-la, mas estava trancada, tentou socá-la, mas a mesma parecia indestrutível. Gritou com os nervos à flor da pele. Sentou-se à cama e escondeu o rosto nas mãos, os dedos enroscando-se em seu cabelo. Agora que estava trancado, teria um pouco de paz?
- Damon já foi? - Stefan perguntou quando viu Harry apontar na sala de forma despreocupada. notou o sorrisinho disfarçado do rapaz que rapidamente se recompôs para se dirigir a seu marido.
- Ele mudou de ideia, foi descansar no quarto. - respondeu simplesmente causando olhares surpresos entre e Stefan.
- Tem certeza?
- Claro, eu mesmo o redirecionei até lá. - deu de ombros brincando com as bolas de sinuca que ainda restavam sobre a mesa. - Aceita jogar uma partida? - sorriu olhando para Cardigan, entretanto a pergunta havia sido para Stefan.
- Desde que você não quebre o taco. - Stefan deu de ombros, mais uma vez deixando irritada. Como ele podia ficar tão calmo, agora que, tanto irmão quanto a cunhada, estavam perdidos em algum lugar daquela enorme mansão?
cruzou os braços e saiu da sala, deixando os dois rapazes disputando entre si. Homens poderiam ser tão inúteis quando queriam! Andou pelos corredores da mansão sem direção certa, passando por diversas portas, aberta e fechadas, encontrando vários criados que a cumprimentavam com reverências. Queria, no final de tudo, entender como eles haviam ido parar naquela tremenda furada, se era assim que ela poderia chamar o que estava vivenciando. Só que, dessa vez, não era a única a sofrer; ela e Stefan sofriam por não conseguir fazer nada para ajudar a mais nova enquanto Damon também sofria por vê-la com outra pessoa.
E Francis, havia algo a mais naquele vampiro, algo que nenhum deles conseguira descobrir, ao mesmo tempo em que parecia distraído demais, os analisava até o último detalhe. Ele parecia saber muito mais sobre os Salvatore a as Cardigan do que eles mesmos. Quanto a Harry, sentia que ele tinha um interesse particular nela e na irmã, só ainda não sabia bem o porquê. Mas com certeza iria descobrir, pelo seu próprio bem e o da caçula, não podia simplesmente esperar que Stefan e Damon fizessem toda a investigação.
Divagando em pensamentos, planos e possibilidades, mal notou que havia entrado em uma espécie de biblioteca e escritório que, por sinal estava ocupada.
- Oh, desculpe, eu não... - ela não conseguiu terminar a frase tamanha a vergonha que sentia. Encostado à mesa do escritório estava um rapaz alto e sarado, sem camisa e com a calça mostrando mais da metade da cueca, já que estava aberta. Logo à sua frente, encurralando-o na mesa, estava Francis, os lábios sujos de sangue, assim como seus caninos que estavam alongados e as veias negras saltavam de seus olhos.
- , não vá! - ele disse quando a menina virou-se de costas, ameaçando deixar o cômodo com as mãos próximas aos olhos, se censurando. - Por que não prova um pouco? - ofereceu ele sorrindo e só então a garota pôde se concentrar no aroma delicioso de sangue que saía da ferida aberta do rapaz, próxima à jugular.
- Não estou com fome, obrigada. - ela prendeu a respiração, contraindo os caninos que teimavam em sair. Fechou os olhos com força, como Stefan havia lhe ensinado para controlar a sede e, por um momento, achou que não conseguiria.
- Sendo assim, Alex, terminamos depois. - ele disse para o rapaz que sorriu e deixou a sala, fazendo questão de passar rente ao corpo de , que estava rígido. - Muito bem, querida, o que a traz até aqui? - perguntou ele limpando a boca com um lenço branco.
- Estou certa de que tem respostas para as minhas perguntas. - cruzou os braços, sentindo-se um pouco insegura, mas simplesmente não poderia vacilar. Era a vida daqueles que amava que estava em jogo ali.
- Você definitivamente é um bom jogador, tenho de admitir. - Harry sentou-se em uma das poltronas que havia na sala de jogos enquanto observava Stefan guardar seu taco.
- Não foi fácil te derrotar. - Stefan sorriu e sentou-se ao lado do rapaz. - Mas devo dizer que meu irmão é bem melhor. - cutucou ele, mas o outro apenas sorriu perdendo seu olhar em algum canto do cômodo.
- Um dia vou derrotá-los. - Harry sorriu sombriamente. Stefan havia entendido o duplo sentido daquela frase e não pôde deixar de sorrir. Ele estava tão errado!
Capítulo 6.
- E o que a leva a pensar assim? - Francis pareceu não se abater com a pergunta repentina. Terminou de limpar os lábios e sentou-se na cadeira que havia por detrás da mesa. se manteve estática, tinha quase certeza de que o rapaz desviaria do rumo da conversa pelo silêncio que fazia enquanto a encarava com o olhar petulante, como uma criança contrariada.
- Simplesmente sei. Agora preste atenção: quero ver a minha irmã para podermos ir para casa. Pode ser? - passou o peso de um pé para o outro, não estava gostando da atitude de Francis, ela poderia muito bem acabar com ele.
- Não. - respondeu ele simplesmente com um sorriso mostrando todos os dentes. agiu por instinto e, quando viu, pressionava o pescoço de Francis contra uma das paredes cobertas de papel de parede. - Você não me assusta, . - ele inverteu as posições, sussurrando bem próximo ao seu ouvido. O sangue de ferveu, mas ela apenas bufou, era impossível conversar civilizadamente com canalhas como Francis. Ela simplesmente o empurrou para que se sentasse de volta à sua cadeira e deixou o cômodo, enfurecida.
O rapaz colocou os pés sobre a mesa inclinando a cadeira e juntando os dedos das mãos em frente ao rosto, pensativo, mas com um sorriso estampado. Harry precisava agir o mais rápido possível, ele sabia que os Salvatore não eram bobos e fariam de tudo para arrancar-lhes a pequena e preciosa .
Stefan fechou a porta do quarto que dividia com e a observou sentada na cama, de costas para ele. A cabeça estava levemente abaixada e ele conseguia sentir a sua raiva. Era quase como um campo de força ao seu redor, a respiração descompassada e audível dela deixava tudo mais claro. Ele aproximou-se pé ante pé e sentou-se ao seu lado em silêncio, esperando que ela falasse.
- Não será nada fácil, Stefan, eles querem alguma coisa com a minha irmã. - ela suspirou, a voz vacilante. - Eu não posso deixá-la aqui, ela é tão nova...
- , acalme-se. é uma garota forte e independente, ela sabe se defender!
- Stefan, você não entende, - a menina virou-se para o rapaz com os olhos úmidos. - ela não é párea para eles, vão matá-la!
- De onde você tirou essa ideia, ? - perguntou ele, agora sério.
- Eu simplesmente sei. - cruzou os braços voltando seu olhar para a janela do quarto.
- Acho que devemos ver Damon, vamos conseguir passar por isso, juntos. - Stefan a abraçou de lado e beijou-lhe o topo da cabeça. Não fazia ideia de como conseguiriam vencê-los. Mas de uma coisa ele sabia: precisava provar para Harry que ele estava errado.
mexia no nó de seu robe completamente entediada. Já cansara de se aventurar pelas lingeries finas que havia em seu quarto. Provara vários conjuntos e, por fim, optara por ficar com um azul bebê. Andara de um lado para outro, tentara abrir a porta, olhara para todos os lados, cada canto já havia sido decorado por seus olhos ávidos. Agora seu corpo apenas descansava na cama, sem muito o que fazer.
Até que ela ouviu passos no corredor. Eram leves, porém determinados, o tilintar de chaves os acompanhava e pareciam se aproximar de sua porta. Procurou não parecer muito ansiosa caso a porta se abrisse, então, voltou a se concentrar na fita de seda que amarrava o robe, mas mantendo um sorriso no canto dos lábios. Como imaginava, a chave foi colocada na fechadura e, duas voltas depois, a maçaneta era girada e a iluminação do corredor invadia o quarto, já escurecido pela noite.
finalmente virou seu rosto na direção da pessoa que ainda estava parada à soleira da porta, sabe-se lá esperando o quê. Seu sorriso aumentou, transformando-se em uma expressão safada. Hora do jantar. O rapaz era alto e forte, vestia um roupão azul marinho e tinha as pernas nuas, assim como parte do peito que aparecia sob a gola em V da única peça de roupa que parecia vestir.
- Já era hora. - murmurou ela de forma sexy. - Estava me perguntando quando mandariam a próxima refeição.
Ele sorriu também, desamarrando o roupão e o pendurando em um cabideiro que havia no canto do quarto ficando apenas com uma boxer preta, extremamente sexy na opinião da mais nova. Ela ajoelhou-se na cama, de frente para o rapaz que caminhava em sua direção, a luxúria habitando seus olhos incrivelmente azuis. As mãos grandes dele envolveram a cintura de , ainda por cima da peça de seda que vestia e os rostos ficaram a centímetros de distância, ambos sustentando os olhares provocantes.
- Muito prazer , meu nome é Harry. - ele disse com a voz levemente rouca causando arrepios na menina.
- Eu dispensaria apresentações, mas vejo que já sabe o meu nome. - ela se afastou, mantendo a pose. - Melhor assim. - aprovou com o sorriso safado.
- Estou às suas ordens. - Harry manteve o sorriso canalha no rosto e afastou-se mais um pouco para lhe fazer uma pequena reverência. sorriu presunçosa e o pegou pela mão, puxando-o para subir à cama. Com ele, ela não se sentiria culpada em tirar proveito, seu corpo invejável e hálito maravilhoso a deixavam encantada. Ele realmente estava dando aquela atenção toda para ela?
Harry sentou-se à cama, encostando as costas na cabeceira e deixando que subisse em seu colo. Ele gostava da manha que a mais nova fazia, a deixava incrivelmente sexy. Seus braços se estreitaram à cintura dela, trazendo-a para mais perto e ele finalmente pôde desfrutar de seus lábios jovens e sedentos. Ela sabia, não era como beijar o rapaz da noite anterior, Harry tinha mais fervor, parecia realmente decidido a satisfazê-la. As línguas travavam uma batalha realmente urgente, ele lhe explorava as pernas por debaixo do robe de seda, entretido demais para pensar no quão longe estava indo.
, por outro lado, queria testá-lo. É claro que se ele se empolgasse até o sexo, ela não cederia. Mal conhecia o rapaz e, apesar de achá-lo muito gostoso, não cederia ao primeiro desejo que lhe surgisse. Fazia parte de sua natureza se conter. Desviou seus lábios dos dele descendo pelo pescoço e seguindo para o peito definido e musculoso de Harry. Olhou-o e ele mantinha os olhos fechados, a expressão prazerosa estampava-se em sua face facilmente. Então ele era tão fácil assim de se excitar? A menina soltou um risinho baixo e voltou ao pescoço dele, dando leves chupões. A fome lhe batia, iminente, estava pronta para ceder ao seu desejo, mas sentia que precisava provocá-lo um pouco mais.
Deslizou os dedos finos e delicados pelo tronco do rapaz e atiçou-lhe a boca com a própria, fazendo-o soltar um gemido, mesmo que contido. Sorrindo contente com o êxito, deslizou até seu pescoço novamente, mal havia notado que um perfume incrivelmente gostoso de sabonete emanava de sua pele levemente morena. Os caninos coçavam para sair e ela não perdeu mais tempo se restringindo, deixou que eles apontassem e procurou pelo melhor ângulo para morder. Entretanto, quando ameaçou tocar-lhe a pele virgem, ela rapidamente foi arremessada na cama, sendo segura pelo pescoço nas mãos fortes de Harry que, agora, também tinha seus caninos apontados para fora.
Tudo o que a garota fez foi rir, para a surpresa do mais velho. Ele a soltou, ainda com os dentes à mostra e ela finalmente ajeitou-se na cama, tocando-lhe o peitoral provocante.
- Bela tentativa, Harry, mas eu consigo detectar quando um vampiro está por perto. - ela apoiou-se nos cotovelos e o olhou sarcástica. - Ainda assim me pergunto o que faz aqui. Mas vejamos, você tinha as chaves, então penso que é um dos donos da casa, não é? E você também se apresentou, deve ser realmente importante. - Harry caiu sentado na cama, uma expressão de desgosto precariamente disfarçada fez a menina rir. - Não se preocupe, nada disso afetou a sua beleza e virilidade, pelo o que posso perceber. - ela apontou sutilmente para o meio das pernas do rapaz que olhou para baixo e em seguida para ela.
- Agora eu acho que você está com fome de outra coisa. - ele sorriu de canto. retribuiu, sentando-se sobre o rapaz, seus olhos azuis direcionaram-se para ela e a mais nova decidiu brincar. Seus dedos deslizaram pelas bordas do robe, ameaçando abri-lo, enquanto isso ela reparava nos olhos curiosos de Harry seguirem seus dedos para cima e para baixo. Parou as mãos no nó da peça e o desfez lentamente, enquanto isso as mãos do mais velho pousavam em seus joelhos, a encorajando a acelerar. o olhou bem e abriu o robe lentamente, mantendo os dedos firmes no tecido à altura do busto, mostrando primeiro as alças do sutiã e depois o bojo que modelava seus seios. A seda escorregou por seus ombros indo parar nas pernas de Harry, dando-lhe a visão do conjunto completo.
Ela sorriu enviesada e colocou as mãos sobre o abdômen do rapaz, inclinando o tronco levemente para frente enquanto se "oferecia" para ele. Harry respirou fundo enquanto o sorriso se alargava. Sentou-se na cama, deixando seu corpo a centímetros do de . Tocou-lhe os braços subindo até as alças do sutiã e as desceu sutilmente antes de desabotoar o mesmo. O desejo dele refletia nos olhos da pequena Cardigan, interessada em brincar com ele. Talvez apenas naquela vez seria bom abrir uma pequena exceção.
Damon acordou de supetão, tendo seus ombros seguros por e Stefan. Ele os olhou, confuso, e depois direcionou seus olhos para o ambiente ao seu redor. Infelizmente ainda estava trancado no quarto daquela estranha mansão. Mas não entendia como e o irmão haviam adentrado a fortaleza se a mesma estava trancada.
- Ele está com ela, - foi o que o moreno de olhos azuis disse, lembrando-se do sonho que tivera ainda há pouco. - Harry está com .
e Stefan se entreolharam preocupados. Ou Damon já estava começando a delirar ou ele realmente falava a verdade. Em todo o caso, precisavam conversar, não importava com quem estava naquele momento, eles já haviam se conformado de que não poderiam fazer nada, pelo menos temporariamente.
- Como entraram aqui? - Damon sentou-se, bagunçando os cabelos, mas mantendo a cabeça baixa.
- Habilidades espiãs. - apontou para duas pinças que estavam em uma mesinha ao canto do quarto. Damon riu sem humor.
- E por que não fizeram isso com ? - os três se entreolharam, tensos. engoliu seco.
- Não sabemos onde ela está. - ela disse em um fio de voz. Damon socou o colchão ao seu lado.
- Como assim não sabem? Já não lhes disse que a vi noite passada? Ela está no quarto ao lado do meu! - protestou ele.
- Damon, não pode ser! Ao lado do seu quarto há uma porta, mas é uma espécie de closet. Não tem nenhum quarto ali.
- Tem certeza?
- Absoluta, - Stefan interrompeu. - quando seguíamos para o nosso quarto ontem, vimos um dos empregados limpando ali. É só uma espécie de guarda-roupa com muitos casacos.
- Certo. Então estão me chamando de louco? - ele se irritou levantando-se da cama.
- Não é nada disso. - o enfrentou. - Estou lhe dizendo que essa casa é cheia de truques, estão nos manipulando desde que foi baleada! - o tom de sua voz se elevou.
- O que você sugere, então? - ele virou-se para a garota, mas Stefan entrou no meio.
- Eu sugiro que sentemos e conversemos sobre o que vamos fazer. Está claro que eles não são tontos e muito menos nós. Vamos começar a planejar o contra-ataque, se o seu orgulho e amor à permitirem isso. - ele cruzou os braços calmamente, porém sério. Damon revirou os olhos sentindo o peito doer levemente; ele amava , como pudera se esquecer?
O mais velho abaixou a cabeça e voltou a se sentar na cama. suspirou e Stefan a abraçou, também se juntando a ele. Não seria nada fácil, já estavam instáveis e a tendência era só piorar.
Capítulo 7.
se remexeu na cama, estava com preguiça de acordar, mas a dor de cabeça pela falta de sangue já a estava incomodando demais. Respirou fundo, captando um aroma suave no ar e finalmente abrindo os olhos e surpreendendo-se. Um cafuné gostoso nos cabelos desgrenhados a fez sorrir e se apoiar sobre o peito másculo de Harry, o qual lhe servira de travesseiro a noite toda.
- Achei que iria embora logo depois de eu ter dormido. - ela apoiou uma das mãos no queixo e o olhou com um sorrisinho de canto.
- E perder você dormindo? Já te disseram que você parece um filhotinho enquanto dorme? - ele lhe acariciou o rosto, descendo a mão até o ombro da garota.
- Não, mas essa foi a comparação mais estranha que eu já ouvi. - ela riu levemente e se aproximou dele para lhe dar um selinho.
- Eu só sei disso porque passei algum tempo observando os filhotes dormindo perto de suas mamães logo antes de eu atacá-los para comer.
- Hum, e você vai me atacar? - provocou , deixando que Harry ficasse sobre si.
- Vamos ver... - ele beijou-lhe o pescoço enquanto puxava o lençol que cobria o corpo da menina. Em seguida, desceu para seu colo, provocando suspiros na mesma. - Eu acho que não, você foi uma menina muito boazinha. - o vampiro mais velho se levantou da cama e apoiou-se nos cotovelos o observando enquanto ele seguia em busca de seu roupão.
- Estou com fome. - fez biquinho e alcançou o sutiã, caído próximo ao pé da cama, vestindo-o rapidamente.
- Logo será sua refeição, mi hermosa. - estava logo atrás dele quando se virou e o prensou na parede.
- Não me diga que terei de me comportar para ser alimentada, porque eu não estou acostumada a ser obediente. - grudou seu corpo no de Harry e lambeu-lhe o pescoço.
- Quem diria que, há dez anos, aquela garota que dançava na boate se tornaria essa maravilhosa vampira. - Harry tocou-lhe o rosto, analisando-a minuciosamente com seus olhos azuis.
franziu o cenho e se afastou dele; há dez anos? Ele já a conhecia antes de se tornar vampira? Adentrar sua mente foi inevitável, lá ela viu o que se passava na cabeça de Harry naquele momento. Imagens rodavam, como um pequeno filme, ele estava se lembrando. Ele a via dançando na boate, seu corpo se movimentava enquanto Dance In The Dark tocava ao fundo, ela olhou para ele, então decidiu se aproximar. Dançaram juntos, os corpos colados, Harry mordeu-lhe o lóbulo da orelha, sugeriu um novo lugar para irem.
A pequena Cardigan deu mais um passo para trás, a expressão contorcida pelas memórias, agora vistas sob outro ponto de vista. Harry sorriu levemente, agora vinha sua parte preferida. Eles chegaram à casa, conseguiu ver a placa avisando que ela estava condenada, o que ela não havia visto. Se ele sabia, por que não escolhera outro lugar? Quando eles se beijaram, os olhos dele permaneceram abertos e ele analisava a casa logo atrás de .
A estrutura começou a desmoronar, agora as lembranças de se misturavam com as dele. Não era a toa que ele escapara tão rapidamente, enquanto a pequena Cardigan dependia de suas frágeis e trêmulas pernas, Harry estava do outro lado da rua em milésimos de segundo com a sua velocidade sobre-humana.
se encolheu lembrando-se da dor que sentira no momento, ela nunca havia parado e tentado resgatar a sensação, a qual ela acreditava ter esquecido. Harry escorou-se na porta até alcançar a maçaneta e deixou o quarto em silêncio. Ela permaneceu encolhida, escorregando as costas ao pé da cama enquanto seu rosto distorcia conforme a dor lhe tomava conta. Seu corpo estava enfraquecido pela falta de sangue, a dor era enorme, as memórias de Harry se misturavam com as suas, se encaixando numa espécie de quebra-cabeças do horror.
Harry era Rick, ele estava de olho nela todo aquele tempo, talvez até antes mesmo dela conhecer Damon. Damon... será que ele conseguia ler sua mente agora?
Damon sentiu um aperto insuportável no estômago, como se alguém tivesse acabado de socá-lo ali. Virou-se de lado, tentando achar uma posição mais confortável, mas foi em vão. Seus olhos piscaram enquanto ele controlava a respiração, era uma sensação horrível. Em sua mente, memórias nebulosas começavam a aparecer, eram elas que causavam a sua dor.
e Stefan se entreolharam, não entendiam porque, de repente, o mais velho começara a se encolher na cama, os olhos arregalados e assustados. O mais novo Salvatore ousou adentrar a mente do irmão e tomou um susto, respirou fundo e tornou a invadi-la com o propósito de descobrir de onde todas aquelas memórias vinham.
- O que foi? - segurou a mão do marido, aflita, qualquer que fosse os pensamentos de Damon, ela não queria ver.
- É a sua irmã. Damon está dentro da cabeça dela. Por algum motivo, ela está vendo o que aconteceu quando sofreu aquele acidente da casa há dez anos, lembra-se? - a menina concordou. - Estão conectados, ele sente a dor dela, por isso está assim.
- Faça-o parar, pode ser uma armadilha. - segurou a cabeça de Damon, que insistia em se mexer de um lado para o outro.
- Damon, Damon pare com isso. - Stefan começou a chacoalhá-lo pelo ombro, tentando atrair sua atenção. O rapaz tossiu e piscou mais algumas vezes antes de voltar a realmente encará-los, o olhar entristecido.
- Ela sabe. Sabe o que e como aconteceu quando a casa desmoronou. - ele sentou-se, sentindo-se levemente tonto. - Harry, Harry está por trás disso tudo. Ele era o rapaz com quem ela ficou naquela casa, ele planejou tudo, queria matá-la.
- Damon, respira fundo e conta essa história direito. - franziu o cenho e o segurou no rosto, tentando fazer com que ele parasse de falar rapidamente. O rapaz respirou fundo e bufou irritado.
- Quando foi àquela boate ela ficou com um rapaz chamado Rick, que na verdade era o Harry. Eles foram até aquele terreno onde a casa ficava, só que ela não viu que a casa estava condenada, mas ele sim. Quando tudo começou a desabar, ele chegou ao outro lado da rua em questão de segundos porque ele já era um vampiro, e a deixou lá para morrer. Mas nós conseguimos salvá-la e foi isso, fim da história.
- Aquele desgraçado está de olho em nós há tempos. - Stefan levantou-se visivelmente irritado.
- Ela está sem se alimentar há um dia, já está fraca e com esses pensamentos só piorou. - Damon grunhiu para e a menina mordeu o lábio, com pena ao ver o sofrimento nos olhos do cunhado.
- Damon, vai ficar bem, ela só está em choque porque nunca soube da história como realmente aconteceu.
- Até nós estamos chocados. - segurou na mão do mais velho tentando não sair do quarto e bater em Harry por ela mesma. Sabia que não teria chance com ele e, pior, talvez usasse para atingi-la.
- Eu vou falar com Francis. - Damon levantou-se, mas foi seguro por Stefan.
- Você não vai sair desse quarto, temos que montar o ataque.
- Certo, mas precisamos ser rápidos. - o moreno se levantou e encarou a parede branca que tinha logo à frente de sua cama. Era ali que costumava aparecer para ele.
A pequena Cardigan piscou encarando o teto, a cabeça pesada virou-se lentamente no carpete cinza já encharcado pelas suas lágrimas. Ela não queria se levantar, não queria encarar Harry outra vez. Queria apenas sua família de volta, sua vida normal e pacata. Mas isso já não era mais possível, o destino estava mudado para sempre e não havia como voltar atrás. O jeito era encarar tudo de uma vez, porque dali a cem anos ela olharia para trás e veria que tudo o que ela estava passando teria sido apenas uma fase difícil.
Era duro, não tinha sua irmã para lhe livrar dos momentos difíceis, das enrascadas, não tinha Damon para lhe abraçar e dizer o quanto a amava, não tinha Stefan para lhe dizer que tudo ficaria bem.
Decidiu, por fim, em se levantar e seguiu para o banheiro. Encarou-se no espelho e viu a imagem de uma pessoa que acabara de sair da luta. Os olhos forrados com olheiras quase pretas e manchados de vermelho por causa do choro; a face pálida e abatida além do cabelo armado. Estava um caco, e precisava de um banho.
Enrolada na toalha e com o cabelo já seco pelo secador, marchou de volta ao quarto e revirou os olhos lembrando-se que tinha apenas lingerie e robes para vestir. Vasculhou pela gaveta algo maior para vestir por debaixo do robe preto que optara. Escolheu uma calcinha preta modelo fio dental e um corset com detalhes em renda também preto. Fez o nó no robe de seda e calçou uma sandália de salto. Não se lembrava se Harry havia ou não trancado a porta de seu quarto, por isso, tentou girar a maçaneta. A porta se abriu e ela espiou pelo corredor, estava vazio e silencioso. Seguiu à sua direita, onde parecia menor o caminho, e chegou à grande escadaria.
Seus olhos passeavam pela arquitetura do lugar enquanto descia degrau por degrau da escada. Uma das mãos deslizava pelo corrimão e, quando chegou ao meio da escada, não sabia para qual lado seguir. Um aroma irresistível chegou ao seu nariz e a fez andar mais rápido, queria descobrir de onde vinha aquele cheiro de sangue tão delicioso. Seus passos ecoavam no corredor escuro, estava ficando mais forte, os dedos deslizavam pela parede e sua cabeça girava para ver se alguém a seguia. Cinco portas já haviam passado, a próxima estava aberta, levando um facho de luz ao corredor. Aproximando-se, encostou-se à parede, como forma de se precaver caso alguém a esperasse.
O cheiro estava praticamente insuportável de tão forte, ela não aguentaria por muito mais tempo. Teria de deixar o receio de lado e atacar o quanto antes. Adentrou o cômodo, olhando diretamente à sua direita, sem nem se importar com o que estaria às suas costas.
- Oh, pequena , finalmente resolveu deixar o seu quarto! - ela ouviu a voz de Francis soar atrás de si, mas simplesmente não conseguiu desviar os olhos do rapaz que estava sentado em um divã de tecido vermelho com detalhes em dourado. - Vejo que se interessou por Richard. - agora ele já estava logo atrás de si, as mãos pousando em seus ombros e os lábios próximos a seu ouvido. - Deve estar faminta. - acariciou-lhe o rosto, colocando algumas mechas do cabelo atrás da orelha da menina. - Divirta-se.
não precisou ouvir duas vezes antes de aproximar-se do rapaz que sorriu enviesado ao ver tão bela moça logo a sua frente. Ela sentou-se sobre seu colo, deixando uma perna de cada lado e o fez inclinar sua cabeça para que pudesse ter total acesso ao pescoço. Ele não gritou, não demonstrou nenhuma resistência e começou a sugar. Ele soltou um suspiro satisfeito e ajeitou-se sobre o sofá almofadado, trazendo-a para mais perto enquanto suas mãos lhe adentravam o robe.
Ela tentava se controlar, tentava não drená-lo totalmente de uma só vez, precisava aproveitar o sangue já que não sabia qual seria a próxima vez. É claro que sabia que não conseguiria ficar cheia por muito tempo, mas precisava prolongar o quanto pudesse. Não gostava muito de ser observada enquanto se alimentava, mas procurou não se importar com Francis ali, ele não poderia roubar-lhe o sangue. Sentia seu corpo revigorar-se a cada novo gole, o líquido quente descendo pela garganta era prazeroso, mal conseguia notar as mãos pouco decentes do rapaz que desciam sua única peça de roupa pelos ombros naquele momento. Estava absorta demais para pensar se Francis ficaria encarando seu bumbum ou se estaria ocupado demais observando outras coisas.
O carinho estava bom, não negava, deixava o sangue ainda mais gostoso. Ela só não entendia como o rapaz ainda tinha forças, parecia ter sugado mais da metade de seu sangue e ele ainda permanecia firme e forte, com os dedos ágeis passeando por seu corpo apenas vestido com roupas íntimas.
- Francis, tem um minuto? - Damon entrou meio sem jeito no escritório, era apenas parte do plano que ele, e Stefan colocavam em prática naquele momento. O que ele não esperava, entretanto, era interromper o anfitrião em um de seus momentos de voyeur.
Capítulo 8.
O homem parecia entretido com algo que acontecia no canto do cômodo, mas Damon não se incomodou em olhar. Pelo menos não até ele se manifestar.
- Claro Damon; , meu amor, pode nos dar um minuto? - o olhar de Damon se voltou para o canto que Francis encarava com animação contida. Havia um divã, nele estavam sentados um rapaz de apenas calça jeans e em cima, sentada em seu colo, estava a moça com um conjunto de lingerie preto. Agora Damon percebia que era e ela estava se alimentando dele.
Ao ouvir a voz do mais velho, inclinou a cabeça para trás soltando um murmúrio de satisfação, o rapaz deslizou as mãos pelas costas da mais nova e então ela pegou o robe de seda, amarrando-o jeitosamente. Virou-se contendo a surpresa ao ver Damon parado praticamente a alguns passos dela. Olhou para o rapaz um pouco desconfortável e depois se virou para Francis.
- Devo me retirar? - ela perguntou cordialmente. Francis olhou para Damon.
- Sobre o que queria falar mesmo Damon? - ele franziu o cenho, confuso.
- Ahm...er, nada não Francis. Na verdade eu só queria, erm, ver . Mas como ela está aqui agora, receio que seja só isso. - ele colocou as mãos para trás, sem jeito.
- Muito bem. , docinho, por que não acompanha o Sr. Salvatore até o quarto? - arqueou uma sobrancelha. Afinal, o que Francis estava armando com toda aquela falsa polidez?
- Claro Francis. - ela sorriu educada para o homem e depois acenou com a cabeça para Damon que começou a segui-la.
Subiram para o primeiro andar e Damon parou na terceira porta do corredor, tocando a maçaneta.
- Por que parou aqui? - estranhou e o rapaz estranhou ainda mais.
- Este é o meu quarto. - disse como se fosse óbvio.
- Mas não é no segundo andar? - ela insistiu.
- De jeito nenhum! - Damon negou veemente.
- Então não é possível que... Você ficou com quatro moças? - ela sentiu a pontada no peito voltar de súbito.
- Eu nunca faria isso com você . - Damon engoliu seco, fechou sua mente e segurou em sua mão, aproximando-se dela. Mentir não era a melhor forma, e ele sabia disso, mas precisava dela naquele momento. Como ele sentira falta de seu cheiro, da textura de sua pele e de seus lábios. Sem se importar com mais nada, ele a puxou para perto e seus lábios grudaram-se com urgência.
o empurrou para atravessar a porta que estava fechada, mas só depois se deram conta de que a porta era outra. Eles haviam entrado na do lado, no armário de casacos, exatamente como Stefan e haviam dito, observou Damon. Trancaram e a menina foi prensada contra a porta, erguendo uma perna na altura do quadril do mais velho. Ele desceu para o pescoço dela arrancando-lhe suspiros, não importava que eles estivessem em um espaço apertado, importava o contato físico e a proximidade que há tanto haviam deixado de ter.
Com um impulso, envolveu as pernas ao redor do tronco de Damon e ele arrancou-lhe o robe. tirou a camisa dele enquanto ele lhe beijava toda a linha do ombro até o pescoço. O moreno abriu a calça e empurrou a calcinha de de lado, não esperando muito mais para penetrá-la. O desespero era evidente em ambas as partes, eles queriam muito tornar-se um só e o faziam com força e violência, sem se importar com o que (ou quem) estava do lado de fora. Não se preocupavam em abafar os gemidos, não havia limites. A porta em que se apoiava tremia com os movimentos intensos que eles faziam e a temperatura estava perto da ebulição.
murmurava o nome do rapaz, e o fazia cada vez mais alto quando estava pronta para atingir o orgasmo. E não demorou muito até ele se satisfazer. O corpete escorregou do corpo de enquanto ela recuperava a respiração, a calça e as boxers de Damon já estava no chão. O contato entre seus corpos não foi interrompido, então eles escorregaram até o chão. ficou entre as pernas do mais velho, encolhendo-se em posição fetal, com as costas apoiadas no peitoral dele.
- Eu senti falta disso. - disse ele enquanto beijava delicadamente as mãos da menina que sorriu, encantada.
- Também. - ela apoiou a cabeça no ombro de Damon. A verdade era que não queriam sair dali, não queriam se separar. Damon sentia-se completo agora, e não havia sido só por causa do sexo, ter novamente em seus braços era a melhor sensação do mundo.
- Por que ele ainda não voltou? Acha que o pegaram? - murmurou sentada sobre a cama de casal. Na outra ponta, Stefan estava em silêncio, as mãos entrelaçadas sobre a nuca faziam sua cabeça pender para frente.
- Eu não faço ideia. Por enquanto temos que manter a calma. Ele vai se sair bem. - o mais novo virou a cabeça, observando a esposa por cima do ombro com um sorriso frio, nada esperançoso.
- Maldita hora em que aceitamos a ajuda de um estranho. Já dizia a minha mãe para não fazermos isso. - sentiu um nó na garganta ao lembrar-se de sua mãe. Ela deveria estar preocupada, afinal, já fazia algum tempo que nem ela muito menos a irmã davam notícias.
- , entenda, se não aceitássemos ela morreria.
- Ela não morreria, Stefan. O tiro acertou no abdômen e não no coração. Nós fomos fracos, fracos. - esbravejou ela, passando a mão pelos olhos já úmidos. Recusava-se a cair em prantos mais uma vez.
- Pode até ser que ela não morresse, mas definharia até virar uma múmia. É isso que você queria para a sua irmã? Que ela sofresse, que ficasse com dor até não poder mais falar nem se mexer? Pelo amor de Deus, , não seja egoísta!
- EU NÃO ESTOU SENDO EGOÍSTA! - gritou ela. - Só estou dizendo que se eu soubesse que nossa vida viraria tal inferno eu nunca teria concordado em vivê-la para sempre.
- Você se arrepende, então? - Stefan se sentiu incomodado. Sabia que a menina só estava irritada, mas temeu que estivesse desabafando algo que, anteriormente, ela não quisera compartilhar. A mais velha Cardigan virou-se de frente para ele, se dando conta do que havia dito. Viu o medo e a incerteza nos olhos do rapaz fazendo-a cair em si. Havia dito uma besteira imensa.
- Não, eu... - como se explicaria? Ela adorava ser imortal, permanecer para sempre jovem e ao lado do rapaz que amava. Mas agora parecia que não era aquilo que Stefan gostaria de ouvir. - Stefan me desculpe, eu só... eu estou tão cansada de ver sofrer. É sempre ela e eu acabo por sofrer junto. Eu não quero essa vida para nós.
- Eu sei, eu sei. - ele a puxou para um abraço, suspirando aliviado. - Me desculpe, eu não deveria tê-la atormentado, sei o quanto está preocupada e estressada. Mas você tem que dar um pouco de crédito a Damon. Ele também ama à sua irmã e vai fazer de tudo para tê-la de volta.
- Tomara. - escondeu o rosto na fenda entre o ombro e o pescoço de Stefan, tentando se acalmar com o perfume que tanto lhe fazia bem.
- Você realmente ficou com aquelas quatro moças, não foi? - interrompeu o silêncio dentro do closet de súbito, em um tom firme. Mas logo depois disso, não se ouvia mais nada a não ser pela respiração dos dois. Foi o suficiente, a menina se levantou irritada e começou a se vestir rapidamente, alcançando a porta. Porém, Damon foi mais rápido e a segurou, impedindo-a de abrir e deixá-lo.
A respiração de estava descompassada, o sangue borbulhando em suas veias. Ela sentia lufadas de ar a atingirem na nuca, indicando que Damon estava mais próximo a ela do que poderia imaginar.
- Me desculpe. - ele sussurrou, se virou o fuzilando com o olhar.
- Não. - disse fria, adiantando-se a completar: - Entendeu, é por isso que não confio em você Damon. Você não consegue parar de mentir, não é mesmo?
- E você, que se engraçou com aqueles dois rapazes e depois com Harry? - contra-atacou ele, irritado enquanto a pressionava contra a porta.
- Em momento algum eu neguei o que tinha feito! - rebateu ela, inconformada. - Ao contrário de você, que insiste em mentir para mim.
- O que está fazendo? - Damon franziu a testa, confuso. - Por que está agindo assim?
- Francamente, Damon, você é tão ingênuo. - o empurrou pelos ombros, revirando os olhos. - Estou apenas jogando conforme o jogo deles porque, caso não tenha percebido, é o único jeito para sairmos daqui. - ela girou a maçaneta, mas antes de abrir a porta, virou-se novamente para ele. - A não ser que queira ficar, é claro. - e deixou o pequeno e abafado cômodo com as lágrimas já lhe umedecendo os olhos.
Correu pelos corredores da mansão até achar uma porta que a levasse para o lado de fora. O jardim era imenso e tudo o que a mais nova queria era se afastar da casa e, achando um banco próximo a uma fonte, ali se sentou, abraçando-se enquanto encolhia-se. No que estava se tornando?
Damon juntou as mãos à cabeça chutando o fundo do closet. Juntou as roupas e correu entrar em seu quarto. Como podia ter sido tão idiota? Agora achava que ele não confiava nela, que tudo o que ele havia dito não passava de mentiras. Seu crédito com a namorada (se é que ainda poderia chamá-la assim) estava esgotado. Vestiu a boxer e a calça jeans e aproximou-se da imensa janela que havia em seu quarto. Lá longe, a alguns metros de distância, ele conseguia vê-la, sentada de costas em um banco.
Andando na direção do pequeno jardim que contava com uma fonte e quatro bancos, o mais velho Salvatore avistou Harry. Ele vestia uma calça jeans clara e camiseta branca, em um dos braços estava com vários braceletes marrons que mais pareciam pequenas bolinhas.
Gay. pensou o vampiro cerrando os punhos. Não demorou muito para que ele se aproximasse de e pedisse por um espaço no banco.
- Hey, o que houve? - Harry viu-se de frente para a menina que mantinha os joelhos dobrados e os soluços abafados. - Por que está chorando? - sentou-se na borda do banco, com o corpo virado para ela. permaneceu em silêncio, não queria compartilhar nada com Harry, principalmente depois do que ele havia compartilhado com ela. - Não vai me contar, não é mesmo?
Ela negou com a cabeça, apoiando o queixo sobre os joelhos dobrados, evitando ao máximo contato com seus olhos azuis e hipnotizantes. O rapaz suspirou, mas não parecia irritado, encostou-se no banco deixando as pernas relaxadas e abertas, as mãos juntas sobre uma das coxas. Sua cabeça virou-se na direção da garota que ainda não o encarou.
- Venha cá. - ele abriu os braços e a pegou delicadamente, puxando-a para apoiar-se em seu peito. apoiou as pernas no encosto do banco enquanto encostava-se no peito do mais velho, deixando que ele apoiasse o queixo no topo de sua cabeça.
Harry remexeu no bolso da calça discretamente tirando de lá o motivo pelo qual realmente viera em sua busca. Em um gesto sutil e silencioso, golpeou a mais nova no abdômen, anestesiando-a de imediato.
- Shhh, está tudo bem. - ele murmurou acariciando-lhe os longos cabelos enquanto a menina murmurava, paralisada. Depois que terminou de injetar tudo, jogou a seringa no gramado mesmo e a abraçou, olhando para baixo e vendo que seus olhos já se fechavam. - Você tem sido uma menina muito desobediente. - ele olhou por cima do ombro, olhando de esguelha na direção onde sabia que Damon os observava.
A cabeça da menina pendeu para trás enquanto o mais velho a ajeitava em seu colo, pronto para seguir de volta à casa. Virando-se, ele fez questão de encarar a janela pela qual o rosto de Damon estava franzido e sorriu.
- Perdeu. - balbuciou ele para que o rapaz entendesse. Logo em seguida, Salvatore desaparecia da janela, furioso.
Capítulo 9.
Harry deitou sobre a cama e deixou o quarto trancando a porta, entretanto, antes que pudesse dar qualquer passo, seu corpo foi puxado para a parede oposta com violência. Ele sorriu com escárnio ao ver quem era.
- O que você fez com ela? - rugiu Damon imobilizando-o pelo pescoço. Não foi preciso muito esforço para que Harry tomasse o controle da situação segurando Damon pelo pescoço e tirando-lhe os pés do chão.
- Por que você se preocupa? Ela não precisa de você, eu tenho tudo o que ela precisa e adivinhe só? Eu não traio. - antes que Harry pudesse soltá-lo, Damon lhe deu um soco no queixo, fazendo-o cair para trás. Enquanto Harry se levantava, o moreno avançou contra ele, imobilizando-o com seu corpo e dando um soco atrás do outro na maçã do rosto ou onde seus punhos furiosos conseguissem acertar.
Era evidente que Harry era mais velho e, portanto, mais forte, por isso foi uma questão de tempo para que a situação se invertesse e Damon não tivesse escapatória. Pensava, entretanto, que merecia todos os socos e pontapés que estava recebendo; era a garota que ele amava e não poderia ficar com ela se não pagasse pelos erros que cometera. Em dado momento, sentiu o peso de Harry ser tirado de cima de si, seus olhos não conseguiam mais focar a paisagem à sua volta. A boca tinha gosto de sangue e o lábio superior ardia. Era preciso muita força para deixá-lo machucado a ponto de não conseguir se curar rapidamente. Ele só se perguntava o que havia acontecido para os socos e pontapés cessarem com tamanha rapidez.
- Você ficou louco? - ouviu pouco depois dos ruídos em seu ouvido cessarem. Um de seus braços foi passado ao redor de algo musculoso e duro e o corpo foi erguido com um pouco de dificuldade. - Ele poderia ter te matado.
- Não seria nada além do que eu mereço. - murmurou ele tossindo em seguida com o sangue que havia se acumulado em sua boca.
- Não seja bobo. - ouviu outra voz do seu outro lado.
- Eu menti para ela. - suspirou ele, os joelhos vacilaram por um momento.
- O que você fez? - a voz de ficou mais distante. Damon piscou os olhos e percebeu que ela havia entrado no banheiro de seu quarto.
- Nós transamos no armário de casacos e ela me perguntou se eu havia ficado com quatro jovens. Elas apareceram no meu quarto no primeiro dia e eu aceitei. Só que não tive coragem de dizer isso a ela e percebeu que eu estava mentindo. - Stefan levantou o tronco do irmão ajeitando-o sobre uma pilha de almofadas.
- Damon, por que você fez isso? Era evidente que ela descobriria, vocês se conhecem há onze anos! - uma toalha úmida foi de encontro ao corte no lábio de Damon fazendo-o gemer.
- Eu só a queria de volta. - murmurou ele fechando os olhos.
- Nós vamos conseguir sair daqui Damon, enquanto isso, por favor, não faça mais nenhuma besteira. - Stefan puxou um de seus braços e o torceu de forma dolorosa, só então o mais velho percebeu que seu ombro estava, agora, no lugar.
- Pode deixar. - sussurrou ele. - Harry a tem agora, ele a drogou logo depois dela me deixar no armário. Precisamos sair daqui o quanto antes ou vai acabar nos matando.
- Sabemos disso. - deu a última palavra e Damon se permitiu sucumbir à luta interna que travava, apagando.
Uma semana depois...
abriu os olhos lentamente, quase os sentia grudados, tamanho foi o esforço para abri-los. Virou a cabeça e percebeu que estava no quarto, as mãos repousadas sobre a barriga que subia e descia lentamente. Sua cabeça estava pesada, há quanto tempo estava naquela mesma posição desacordada? A última pessoa que vira fora Harry e ele não havia sido a melhor das opções, visto que a drogara.
- Pelo menos teve a humildade de me trazer para cá. - murmurou consigo mesma, colocando os pés para fora da cama para se levantar. Seus ouvidos captaram um ruído a mais naquele quarto. Ela não estava sozinha.
Sentou-se rapidamente na cama e não foi preciso passear os olhos pelo cômodo, dando de cara com uma garotinha encolhida no canto, entre seu espelho e o armário. Os olhos esbugalhados e a respiração acelerada a denunciaram de imediato: estava assustada. se aproximou da menina em questão em milésimos de segundo, ajoelhou-se à sua frente e procurou por seus olhos, dando início a hipnose.
- Por que está aqui, criança? - ela perguntou em uma voz suave, porém determinada.
- Os moços me disseram para vir aqui enquanto meus pais e eles conversavam no andar de baixo. - não foi preciso muito para que ligasse os pontos rapidamente: os pais daquela menininha eram o jantar de Harry e Francis. Naquele momento, seu estômago se contraiu de forma dolorosa fazendo-a franzir o cenho. Seus dedos foram até a bochecha relativamente carnuda da menina e a alisaram com cautela.
- Não precisa ter medo. - disse de forma tranquila com um sorriso amigável no rosto. - Você quer ver os seus pais, não quer? - a menina concordou lentamente, quase que de forma mecânica. - Tudo bem, eu prometo que não vai doer. - rapidamente cravou as presas no pescoço da pequena garota sugando todo o seu sangue em segundos.
Deixou o corpo pender para o lado ao se levantar e resolveu tomar um banho. Tantos dias sem uma gota de sangue e parecia que aquela menina não havia preenchido nada. Assim que saiu do banheiro, ignorou o corpo já pálido da garota e seguiu para o seu guarda-roupa. Torceu o nariz para as lingeries, optando por uma camisola longa de seda branca, alças finas e decote em "V" e saiu do quarto a procura de mais comida.
Resolveu seguir pelo caminho oposto ao que estava acostumada pelo corredor e, antes de dobrar à direita para adentrar uma parte completamente nova da casa, o cheiro de sangue a atraiu violentamente. Quase não conseguindo se controlar, adentrou o quarto, de onde vinha o cheiro, de forma silenciosa, quase predadora. Só então viu que se tratava do quarto de Harry, o grande e majestoso cômodo decorado sem maiores exageros, mas ainda assim com classe, deixaria para ser apreciado depois. Ao que parecia, estava acontecendo uma pequena festinha ali. Não havia música, mas as risadas das jovens apenas de conjuntos íntimos e dos rapazes de boxers eram quase como que uma melodia.
Passando despercebida pelo anfitrião, começou a brincar com os humanos, correndo tão rápido por entre eles que mal notavam sua presença, a não ser pela leve ardência que sentiam em seu pescoço. A pequena Cardigan começou a contar, dez, doze, catorze moças já haviam servido de alimento para ela e agora faltavam os rapazes. Harry ainda parecia entretido com um casal, o qual ele mantinha no canto do cômodo, próximo à janela. A fome de era tamanha que chegou a passar até três vezes pela mesma pessoa. Não tinha controle sobre seu instinto, mas se viu anunciada quando os jovens começaram a cair desmaiados sobre o carpete. Antes mesmo que pudesse partir para outra presa, sentiu seu braço ser agarrado por trás.
Virou-se de súbito e deu de cara com um Harry a olhando de forma divertida. Do canto de seus lábios escorria uma leve quantidade de sangue, que teve seu caminho alterado quando ele sorriu. retribuiu o sorriso de forma nada inocente e se aproximou dele. Tinha vontade de arrancar-lhe a cabeça por tê-la dopado, mas sabia que a força de nada adiantaria. Mesmo com todo o sangue recém-consumido, Harry era muito mais velho e experiente, a imobilizaria antes mesmo de pensar no que fazer. Resolveu, então, acanhá-lo.
- Obrigada pelo aperitivo, como adivinhou que eu acordaria faminta? - ela tocou-lhe o peito másculo e ele não perdeu tempo em envolvê-la pela cintura.
- Tenho lá meus instintos. - ele sorriu, com o rosto a milímetros do dela.
- Mas como pode ver, - ela o fez olhar ao redor no quarto. - ainda não estou satisfeita. - negou com a cabeça, desgostosa.
- O que acha de mais um aperitivo? - sussurrou ele ao pé de seu ouvido, deslizando os lábios até o pescoço de , obrigando-a a incliná-lo.
- Se acha que pode selar a minha refeição, então eu topo. - disse ela em meio a suspiros enquanto o mais velho lhe beijada todo o colo, terminando na ponta de seu queixo.
- Não vai precisar de mais nada depois disso. - ele arqueou uma das sobrancelhas com o sorriso enviesado e em seguida puxou a camisola de com força, rasgando-a ao meio.
riu e grudou suas mãos na nuca do rapaz, beijando-o ferozmente. Harry a empurrou na direção da cama, onde eles praticamente se jogaram, disputando para ver quem ficava por cima. Não teriam muito trabalho pela frente, visto que restava apenas a calcinha dela e a boxer dele entre eles. Harry investia nos lábios ágeis que passeavam pelo corpo de , ela, por sua vez, não hesitava em abrir levemente os lábios para anunciar que estava gostando.
- Eu me recuso a parar dessa vez. - ele ofegou já tirando a lingerie de , referindo-se à última vez que haviam se beijado, quando o barrara de despi-la completamente. A garota soltou um riso satisfeito e livrou-lhe das boxers, já um tanto apertadas.
Com uma das mãos, o mais velho passou a alisar a lateral do corpo de , começando a partir do pescoço e descendo, o polegar apontado para dentro arrancou um gemido da menina quando este delineou detalhadamente seu seio direito. Continuou a descer até agarrar-lhe a coxa, trazendo-a consigo até a altura de seu quadril. Harry não hesitou mais e a penetrou.
estava com Stefan, eles estavam chegando à estufa para relaxar e nadar um pouco. Mas a piscina já estava ocupada. Um vulto estava mais para o canto e eles se separaram com a aproximação do casal. estava prensada à borda da piscina e à sua frente estava Harry. Ela estava envergonhada e isso podia perceber. Nadou até a borda da piscina e começou a subir a escada lentamente. O que viu deixou-a chocada. O corpo da irmã, que vestia um pequeno biquíni vermelho, estava repleto de marcas de mordidas. Ela olhou para Stefan que também estava chocado e depois voltou a olhar a irmã. Ela não estava mais lá.
Por mais que os dois quisessem acabar logo com aquilo, também queriam que durasse o maior tempo possível. Harry se movimentava sobre a garota de forma ritmada arrancando gemidos e suspiros da menina. o agarrava pelos bíceps desenvolvidos enquanto seus lábios roçavam devido à rapidez com que se movimentavam. Viu que o mais velho desviou em direção ao seu pescoço e sorriu, soltando mais um gemido quando ele diminuiu os movimentos, tornando-os quase que uma dança lenta.
Se não fosse o prazer jorrando em suas veias, tinha certeza de que ficaria muito irritada. Mas estava bom, ele a mantinha entretida enquanto seu momento não chegava. Sentiu a língua quente do rapaz sobre sua pele já suada e quase tão quente quanto a dele. Mas o que sentiu logo em seguida, teria sido um desastre se não estivesse tão excitada. Lentamente, os caninos de Harry lhe perfuraram a pele do pescoço e começaram a sugar seu sangue; ao mesmo tempo, ele segurou mais firme em sua coxa e retomou os movimentos intensos fazendo-a gemer de satisfação e esquecer a dor latejante no pescoço.
acordou assustada, que pesadelo horrível tivera! Olhou para o lado e Stefan dormia tranquilamente, resolveu checar a irmã, já fazia, no mínimo, seis dias que ela havia sido drogada segundo o que Damon lhe dissera. Talvez já estivesse na hora dela acordar e voltar. Subiu ao segundo andar e, como havia vindo por trás e não pela escadaria principal, parou logo à primeira porta.
De acordo com Damon, seu quarto ficava do outro lado do corredor, mas algo a fez parar ali. Ouvindo murmúrios e agitação dentro do cômodo, resolveu entrar sem bater. Escancarou a porta e seus olhos foram direto para a cama e para quem se encontrava sobre ela.
Capítulo 10.
O maior choque de não foi ver Harry sobre sua irmã, mas sim quando o viu tirar o rosto do pescoço da mais nova e ver seus lábios cheios de sangue. Pensou ainda estar sonhando, mas quando viu a expressão surpresa da irmã, logo se recompôs e o choque deu lugar à fúria.
- Eu quero conversar com você agora. - disse de maneira entrecortada e dura. olhou para Harry e o rapaz saiu de cima da menina, rapidamente se cobrindo com o lençol. Sussurrou que havia um roupão para ela ao pé da cama e a garota rapidamente o vestiu.
Surpreendentemente, não havia deixado o cômodo e tampouco se sentia constrangida ao ver a irmã e o anfitrião em cena tão gritante. Assim que a mais nova passou ao seu lado, agarrou-lhe o braço e deu uma última olhada para Harry que a devolveu com escárnio. Saiu batendo a porta do quarto e levando a menina para o seu. Stefan precisava saber daquilo.
- Eu não acredito no que você está fazendo . - disse à irmã assim que adentraram o quarto. Stefan acordou de supetão, sentando-se na cama. empurrou a menina para dentro, fazendo-a parar no meio do cômodo, de frente para a cama onde o mais velho estava. - Perdeu o juízo foi? - aproximou-se dela e descaradamente estapeou-lhe o rosto de maneira tão forte que a caçula caiu de joelhos, apoiando-se na cama.
- ! - Stefan a repreendeu. apoiou-se trêmula no colchão e, com muito esforço, conseguiu se reerguer. Sentia-se fraca.
- Não sei nem por onde começar! - a mais velha deu as costas e passou a caminhar pelo quarto. trocou um olhar discreto com Stefan. - Acha que dormindo com o dono da casa é a única solução? Pensa que ele gosta de você, que se importa com você?
- , o que aconteceu? - Stefan ainda estava perdido, foi quando a esposa aproximou-se da mais nova e escancarou-lhe a gola do roupão, deixando à mostra a marca da mordida que Harry havia dado em .
- Isso Stefan, foi isso o que aconteceu. Ela deixou que Harry a mordesse enquanto os dois transavam feito dois animais no cio. - praguejou a menina, voltando a virar-se de costas para ambos. tornou a fechar o roupão e deixou a mão próxima ao peito, inquieta. - Enquanto estamos tentando fazer algo para te tirar daqui, você parece estar se divertindo muito na cama do inimigo. - a mais nova permaneceu em silêncio, cabisbaixa. Stefan intercalava os olhares entre as duas irmãs Cardigan, esperando que revidasse. - Tem ideia do quanto eu e Damon estamos sofrendo por sua causa? Ele até brigou com o Harry outro dia, logo depois que ele te envenenou. Quase ficou sem o nariz e demorou dias para se curar. É assim que você nos agradece?
se afastava lentamente enquanto as palavras de a atingiam como balas de madeira, como aquela que a pusera naquela casa. Mas havia ainda algo pior que acontecia dentro de seu corpo. Era como se toda a energia estivesse sendo sugada, os músculos doíam a ponto de parecerem necrosados. Apenas Stefan notou quando ela caiu junto ao chão, o corpo se remexendo em uma convulsão.
- ! - Stefan a interrompeu no meio de seu sermão, o que a deixou furiosa.
- O QUE É? JÁ CHEGA? JÁ NÃO AGUENTA...? - ela tapou a boca de imediato quando viu o marido agachado ao lado da irmã mais nova, mantendo seu corpo deitado de lado embora ele se debatesse de forma violenta. Os olhos de se reviravam na órbita, parecendo enlouquecidos, de sua boca escorria uma espuma negra. Nem Stefan nem haviam visto aquilo antes.
Por um momento eles ficaram petrificados, sem saber o que fazer, mas ao verem os pés e mãos de tornarem-se tão pretos quanto o líquido que saía de sua boca, o mais novo Salvatore resolveu agir.
- Rápido, vá buscar ajuda. - ele disse à mulher que tinha lágrimas nos olhos. - Ande , qualquer pessoa, qualquer um dessa casa! - disse ele desesperado. - Está apodrecendo... - fez uma observação para si mesmo.
- ALGUÉM ME AJUDE, AJUDE POR FAVOR! - a mais velha Cardigan saiu correndo no corredor gritando, não demorou muito até que Stefan ouvisse passos. Mas era apenas Damon, que chegava para ver o que acontecia.
- O que está acontecendo? - perguntou ele de súbito ao ver a amada se revirando no chão.
- Harry a mordeu, você se lembra do que Katherine nos dizia não é? Os mais antigos têm veneno em suas presas, capaz até de necrosar um vampiro. É o que está acontecendo com ela, este é o veneno agindo em seu corpo. - a fala de Stefan ficou no ar enquanto os dois encaravam a mais nova sem saber o que fazer.
A mente de Damon ficou aquém de tudo o que aconteceu em seguida, ele não viu quando os criados de Francis adentraram o quarto e colocaram a menina em uma maca, prendendo-a com cintas elásticas enquanto ela ainda se debatia ferozmente. Não viu que Harry estava parado à porta, acompanhando toda a remoção de , assim como também não viu quando a agitação na porta do quarto cessou e se recolheu aos prantos.
Minutos se passaram e eles escutaram batidas na porta. Não conseguiram se mexer, estavam tensos em saber quem poderia ser. O alívio não veio de imediato quando uma das empregadas adentrou o quarto, hesitante.
- Srta. , sua irmã está chamando por você. - o coração de disparou e ela levantou-se da cama tropeçando pouco antes de chegar à porta. Olhou para Stefan e Damon, ambos a encorajando a descer, e deixou o quarto acompanhando a moça.
Desceram para uma espécie de porão, só que estava todo pintado de branco, com azulejos pintados à mão e várias macas, além de aparelhos hospitalares. O que quer que funcionasse ali, poderia muito bem ser confundido com um hospital. A algumas macas de distância, avistou a irmã, ela conversava baixo com uma das aparentes enfermeiras. Aproximando-se ainda mais, percebeu que seus pés e mãos estavam mergulhados em bacias metálicas com sangue para que pudessem se recuperar da necrose. O nó na garganta da mais velha se apertava conforme ela conseguia visualizar melhor a irmã caçula, se ela não tivesse sido tão dura...
- ... - ela murmurou sorrindo fraco. entendia que o veneno também havia prejudicado suas cordas vocais, exigindo dela grande esforço para conseguir falar. - Nos dão licença por um minuto? - ela referiu-se às empregadas que concordaram cabisbaixas e se retiraram cochichando entre si.
- , eu sinto muito... - ela começou, apoiando-se na maca ao lado para que não desmoronasse.
- , não temos muito tempo, por favor, me escute. - a mais velha concordou reprimindo o choro. - Quero que você me prometa que vai pegar Damon e Stefan e sumir daqui o mais rápido possível. Vão embora desta casa enquanto ainda é tempo.
- Mas ... - tentou protestar, mas caiu aos prantos logo em seguida.
- Você não entende, ? É a mim que eles querem. Não farão nada para me machucar, vocês podem ir embora, se salvem dessa enrascada. Quando eu descobrir o que querem eu também vou poder voltar para casa e me juntar a vocês.
- Não, você está errada irmã, eles vão matá-la quando tiverem chance. Eu não posso, não conseguiria viver com essa culpa. - soluçou.
- Acalme-se, - sorriu serena, levando a um momento de inquietação. Eles a haviam drogado? - veja, eu estou bem! Se me quisessem morta eu estaria apodrecendo no andar de cima.
- Eu... me desculpe pelo o que disse... só quero você de volta, a nossa vida de volta. - espremeu-se na beirada da maca.
- Não se preocupe, apenas me prometa que vão sair daqui ainda hoje. - a olhou urgente e a mais velha concordou mordendo o lábio inferior.
- Eu te amo irmãzinha, só quero que fique bem. - beijou-lhe a testa e se afastou um pouco para ouvi-la falar.
- Eu também te amo, , cuide bem deles ok? Se cuide. - ela despediu-se e voltou a recostar-se sobre o travesseiro acompanhando a saída da mais velha com o olhar. Não estava sendo nada fácil, mas precisava sacrificar-se para manter a família, que tanto amava, viva.
- O que ela disse? O que ela queria? - Stefan repetia as mesmas perguntas desde que atravessara a porta, fechando-a em seguida e escorregando até o chão. As lágrimas deixavam seus olhos em uma correnteza, deixando ele e o irmão ainda mais inquietos.
- Ela quer que nós deixemos a casa ainda hoje. - suspirou, os dedos entrelaçados no cabelo e o olhar distante.
- O quê? - Damon olhou para Stefan e em seguida para a cunhada. - Ela só pode estar louca, não vamos deixar a casa se ela não for conosco.
- Não temos escolha, temos que sair daqui enquanto tivermos tempo. Ela me garantiu que não vão machucá-la.
- E como você pode acreditar? Eles sequer nos deixam vê-la, Harry já a drogou, a mordeu. Quem garante que na próxima vez não irá matá-la? - foi a vez de Stefan protestar.
- Você não pode acreditar no que ela disse. - Damon se aproximou de . - Ela está com medo por nós, é verdade, mas também não podemos simplesmente dar as costas e salvar nossas próprias peles. Somos uma família e não deixamos ninguém para trás.
- Ela te traiu Damon, desde que chegaram aqui vocês brigaram e se separaram. Como pode querer salvá-la ainda? - negou com a cabeça inclinando-a para trás.
- Isso se chamar amor, . Eu amo a sua irmã mais do que a minha raiva por tê-la magoado, mais do que minha decepção por saber que ela estava dormindo com o Harry. Eu sou um cego apaixonado e só a quero de volta porque sei que a nossa história é inegável.
- Ah Damon, - o abraçou com força. - como consegue?
- Eu sei que você também consegue, , só precisa despertar a coragem que está aí dentro. - ele apontou para o peito da menina que sorriu entre as lágrimas.
- Muito bem, - Stefan os interrompeu com um pigarro de alívio. - então qual será o plano?
Harry adentrou a sala de recuperação com a expressão séria. estava de olhos fechados, as mãos agora completamente curadas e os pés de volta ao normal. Parou ao seu lado e fechou os olhos adentrando a sua mente. Dela, conseguiu extrair a conversa que ela tivera com e a possibilidade dela e dos dois rapazes escaparem. Ele saiu pisando duro da sala e pediu aos empregados que mantivessem o olho na família Salvatore apenas por precaução. Em seguida, seguiu para os aposentos de Francis.
- Ela os instruiu a deixar a casa. - disse ele colocando as mãos no bolso. Francis estava sentado de costas para ele, observando o jardim do lado de fora.
- Qual foi o êxito na droga que você injetou na caçula? - Harry odiava quando o mais velho mudava completamente o rumo da conversa, parecia que ele não o ouvia nunca.
- Sete dias, exatamente. - pelo reflexo que havia no espelho ele concluiu que Francis sorria.
- Muito bem, então está tudo resolvido.
- Você não entendeu o que eu disse primeiro? - Harry bateu na mesa, furioso, mas o vampiro apenas sorriu debochado.
- Acha mesmo que eles vão deixar a preciosa deles para trás? Ah querido Harry, como você é ingênuo. - ele riu, inclinando-se para trás entrelaçando as mãos atrás da cabeça. - Eles não tentarão nada enquanto tivermos a pequena, apenas relaxe e faça o seu trabalho.
Harry concordou cabisbaixo e se retirou da sala. Francis estava certo, ele precisava se focar em seu trabalho e nada mais. Tudo tinha que estar perfeito, erros não seriam admitidos. Não mais.
Capítulo 11.
Harry estava por cima de , seus corpos se friccionavam sobre a cama enquanto trocavam as posições freneticamente. Ele finalmente conseguiu ficar por cima e desceu até seu pescoço, a respiração entrecortada chegando ao ouvido de . Ela inclinou a cabeça para trás e o arranhou nas costas, era praticamente impossível não sentir a excitação correndo por suas veias.
- Diga que me ama. - ouviu-o sussurrar bem próximo ao seu ouvido e continuar beijando-lhe a carne do pescoço como se, por um momento, não tivesse dito nada. encarou o teto, confusa, era mesmo Harry quem estava acima dela? Ou seria Damon?
acordou de supetão, sentando-se rapidamente. Estava devidamente vestida e em seu quarto na casa de Francis. A última memória que tinha era a de ter adormecido logo depois que sua irmã a deixou na sala de cuidados da casa... aos prantos. Colocou os pés no chão e enrolou-se em um robe verde água antes de sair, caminhando com passos rápidos, descendo até o andar de baixo. Seguiu até o quarto onde Damon uma vez lhe dissera que era dele e abriu a porta. A cama estava arrumada e não havia nenhum sinal de ocupação recente; saiu e andou mais algumas portas, lembrando-se de onde a irmã lhe trouxera pouco antes de passar mal, e também abriu a porta. Não havia ninguém.
O alívio e a angústia disputavam espaço em seu coração naquele momento, colocou uma das mãos sobre o peito e deu passos para trás até encostar as costas na parede do corredor. Escorregou ao chão e sentiu as lágrimas escorrerem por seu rosto, embora não sentisse a garganta apertar em um nó. A dor mesmo se concentrava em seu peito. Estava completamente sozinha, mas desse jeito era melhor, ninguém mais sairia machucado. Damon, e Stefan estavam a salvo, a única família que ela tinha.
Desejava poder voltar atrás, antes de sair na floresta naquele dia, antes de toda a sua briga com Damon. Ele a amava e ela o amava tanto quanto. Mas não era o que tinha demonstrado, deitando-se com o dono da casa. Era nojento e desleal. Poderia ser apenas a namorada do Salvatore mais velho, mas também era a sua amiga, sua companheira. Tantas vezes ele havia a procurado, enquanto ainda era humana, para lhe pedir desculpas, para que pudessem ficar juntos.
Sua mente divagou para a primeira vez em que ficaram de fato juntos, não havia sido uma ida ao cinema e muito menos o baile do colégio como aqueles filmes clichês mostravam. Damon Salvatore não era clichê. Ele era um vampiro. era uma vampira. Tudo para ficar ao lado dele para todo o sempre, sem envelhecer, adoecer ou morrer. Eles haviam feito o voto da eternidade e tudo o que ela fizera havia estragado todo e qualquer momento que eles ainda poderiam ter.
Talvez nunca mais fosse vê-lo novamente, ou porque estaria morta ou porque ele simplesmente não gostaria de vê-la. Ela só desejava poder ter-lhe dito o quanto o amava e o quanto sentia muito. Como sempre, ela era a causa de tudo. Sempre se machucando, bebendo, se encrencando. E quem a salvava de tudo? A sua irmã. não se esquecia do ódio e da amargura presentes no rosto da irmã, sem contar o nojo e o desgosto quando ela a flagrara na cama com Harry. Não era para menos, no que estava se tornando? O tapa que recebera, ela havia merecido, todas as broncas, os gritos... podia tê-la matado. Ela não se importaria.
E quando soube que Damon havia brigado por ela? Seu coração parecia afundar no peito enquanto encolhia-se naquele corredor vazio. Ele só estava tentando protegê-la e acabou machucado. Não só fisicamente como lá dentro, em seu coração. Havia enfrentado Harry, com o risco de acabar morto, tudo porque a amava e porque queria, tanto quanto ela, sair dali. Ela o havia retribuído com um golpe, uma decepção ao traí-lo de forma tão descarada. Sentia-se suja, imunda.
As palavras de Harry a invadiram com força, ela tapou os ouvidos e escondeu a cabeça entre os joelhos murmurando negações. Ouviu passos no corredor e reuniu forças para se levantar e sair correndo. Desceu pelas escadas e correu o mais rápido que pode, sem fazer uso da super velocidade, e chegou à porta principal. Sua mão tocou a fechadura dourada e ela apertou o botão logo acima para abrir a porta. Ansiava por colocar os pés do lado de fora da casa, atravessar os portões de sua propriedade e sentir-se livre finalmente. Livre para ter a sua vida de volta ao normal, com as pessoas a quem ela realmente pertencia.
- Aonde você pensa que vai? - ouviu uma voz masculina vir da porta, mas ela não conseguia enxergar seu rosto, pois o sol batia em seus olhos. Ela caminhou para trás conforme o outro homem caminhava em sua direção. Parou assim que sentiu o corrimão bater em suas costas.
- Algum problema aqui? - Harry apareceu no corredor, a expressão confusa. o olhou, assustada, não havia mais chances dela driblar o homem que parava na porta e correr para a sua liberdade.
- Nenhum. - ela disse com a voz trêmula e o olhou de esguelha.
- Chuck? - perguntou ao rapaz com ar sério e autoritário.
- Problema nenhum, senhor. - respondeu ele e fechou a porta logo em seguida levando com a luz do sol, todas as oportunidades de fugir.
Damon, e Stefan estavam em silêncio havia algumas horas. Não fazia muito tempo que a mais nova havia parado de chorar o que lhe proporcionava espasmos ainda, deixando-a com uma vontade tentadora de se debulhar em lágrimas novamente.
- Ainda não entendo por que pediram para que nós mudássemos de quarto. - Stefan ponderava. Agora eles estavam em uma suíte maior, com uma cama de casal de um lado e uma de solteiro do outro. Pelo visto, eles não ficariam mais separados o que, por um lado, era bom. Daria-lhes mais tempo para pensar em algo.
- Acha que ela pensa que fomos embora? - Damon observou os coturnos que vestia e puxou a barra da calça jeans escura até não conseguir mais. Não queria rasgar seu único jeans.
- Talvez, será melhor para ela se for assim. - suspirou.
- E se fôssemos falar com Francis? - Stefan disse do nada, os olhando com esperança. - Podemos arrancar a verdade dele se estivermos lá, todos nós, usando nossos poderes.
- Está louco Stefan. - Damon bateu com o punho no colchão e levantou-se. - Ele é mais velho do que nós, tudo o que pode fazer é nos hipnotizar e isso nós não podemos permitir.
O silêncio voltou a se instalar e a nostalgia os abateu de maneiras diferentes, tornando-se quase insuportável para .
- Acha que eles estão tentando realizar alguma profecia? - Stefan novamente interrompia a calma (ou nem tanto assim) do quarto.
- Por Deus, Stefan, chega dessas teorias que não nos levarão a lugar algum! - Damon explodiu.
Stefan preferiu não discutir, afinal, sua teoria poderia estar certa como também não poderia. O melhor que tinha a fazer era não levantar falsas esperanças, eles caminhavam por um momento delicado.
- Está tudo bem mesmo, ? Você parece perturbada. - ela e Harry ainda estavam parados no mesmo lugar, a diferença era que as mãos de tremiam e a sua visão estava ficando turva.
- Eu acho que eu preciso... - a voz dela falhou, ela se desequilibrou do último degrau da escada, aonde tinha subido para voltar a seu quarto.
- ? - a voz de Harry estava carregada de preocupação. A menina sentia os degraus sob suas costas, já que havia se sentado e agora deitava-se, o peito doendo.
- Isso não é possível. - sussurrou ela sentindo as têmporas pulsando. A visão se distorcia em uma espiral e cada vez que ela piscava havia pontos pretos que dificultavam ainda mais para ela enxergar.
- O que foi? O que está acontecendo? - Harry ajoelhou-se ao lado dela na escada e ergueu a cabeça de que sustentava um olhar cada vez mais assustado.
- Eu acho que... - gemeu ela, deixando a cabeça pender para trás. - eu acho que estou tendo um infarto. - a confusão no rosto do mais velho praticamente refletia a da menina. Aquilo era impossível, estava morta, não podia estar tendo um ataque do coração. Ou, pelo menos, não deveria.
- Damon! - disse alarmada, ao ver o rapaz cair de costas na cama enquanto segundos atrás mexia nas botas com indiferença. - Damon, o que aconteceu? - ela aproximou-se dele, uma das veias do pescoço saltava enquanto ele respirava acelerado.
- Meu peito... - murmurou ele piscando os olhos com força.
- Stefan, o que está acontecendo com ele? - a voz de saiu falha enquanto ela verificava a temperatura do cunhado e procurava por qualquer ferimento no corpo, mas não havia nada. Nada.
- Eu não sei... - o irmão mais novo o analisou com a testa franzida, uma das mãos do moreno repousava sobre o peito agarrando a camiseta enquanto um urro de dor teimava em deixar seus lábios.
- Espera... - estendeu as mãos para afastar o marido do irmão. - ele está tendo... um infarto?
- É impossível, nós estamos mortos.
- Mas olhe para ele, está com dor no peito e ofegante.
Era difícil imaginar, mas o que nem se passava pela cabeça deles era que no andar de baixo, mais especificamente ao pé da escada, estava na mesma situação sendo amparada por Harry que não sabia o que fazer.
- Quando essa dor vai parar? - gaguejou a menina quase sem conseguir respirar. Será que não seria Harry quem estava pressionando o seu peito e ela estava sendo hipnotizada? - Eu quero a minha irmã... - suplicou. Harry suspirou, complacente, não poderia negar isso à menina.
- Vem, eu te levo até ela. - pegou-a no colo e subiu as escadas. Bem no meio do corredor, abriu uma porta que, num primeiro momento, não estava visível. Fazia muito bem parte da parede e passaria despercebida.
- O que você quer aqui? - disse amarga, mas logo soltou um grunhido desesperado.
- Eu a encontrei no pé da escada. - mentiu Harry depositando a mais nova na cama de casal. - Ela acha que está tendo um infarto. - paralisou, seria algum truque sem graça de Harry? Não parecia pela maneira como a irmã gemia na cama, encarando o teto com os olhos marejados.
- Está tudo bem agora Harry, pode sair. - Stefan dirigiu o rapaz até a porta e fechou na cara dele antes que pudesse protestar ou qualquer coisa parecida.
- Stefan, traga o Damon aqui. - pediu com a voz embargada. Rapidamente Stefan pegou o irmão, apoiando-o em seus ombros e o deitou ao lado de . A menina virou o rosto para encará-lo, as lágrimas lhe tomando as bochechas e aumentando a pressão dolorosa sobre o seu peito.
- O que está acontecendo? - Damon perguntou também se virando para olhar a amada tão ruim quanto ele.
- Eu acho que é a droga... - sussurrou a mais nova fechando os olhos com força.
- Que droga, ? - Stefan sentou-se sobre uma das pernas na cama.
- Ouvi Francis dizendo para uma das enfermeiras lá embaixo, parece que faz o coração voltar a bater. - soluçou embora tenha sentido o peso de seu peito aumentar.
- Eu te disse, é uma profecia! - Stefan disse radiante, mas recebeu um olhar feio de . - Não percebe? Agora fica muito mais fácil descobrir o que eles estão tramando!
- Mas o Damon não tomou nada! - retrucou apontando para o cunhado com as palmas da mão viradas para cima.
- Eles estão ligados, , pelo sangue. Damon é o seu criador. E eles se amam. - Stefan disse analítico. - Sofrerão juntos até que rompam os laços.
- Como? - o olhou curiosa e preocupada.
- Dizendo que amam outra pessoa. - Stefan suspirou e encarou o casal que, por sua vez, se encarava. A dor refletida em ambos pares de olhos e o desespero tomando conta de seus peitos pesados. O pesadelo nunca terminaria?
Capítulo 12.
- Stefan, como fazemos isso parar? - perguntou enquanto observava a dor nos olhos da irmã e o desespero nos olhos do cunhado.
- A droga faz nosso coração bater diferente do que ele está acostumado quando nos tornamos vampiros. Nossos batimentos são muito intensos e por isso a sensação de infarto. Vamos precisar acalmá-los e assim, lidaremos com a dor. - Stefan explicou pegando no rosto de e o virando para si. - , eu preciso que preste muita atenção. Você vai respirar fundo junto comigo e vai clarear a sua mente ok? Esqueça de tudo e de todos, apenas pense neutramente.
- Mas e Damon? - ela perguntou desviando os olhos o suficiente para vê-lo de soslaio.
- Ele vai parar de sentir dor quando você parar. - Stefan mantinha a voz calma. - Pronta? - ao receber um aceno afirmativo da mais nova ele passou a treinar a respiração lenta com a menina.
Os gemidos de dor de Damon pararam assim que conseguiu controlar seu coração. Os olhos se encheram de lágrimas, mas Stefan logo a distraiu para que, assim, a dor não voltasse e ela não se agitasse ainda mais.
- Estamos juntos, aqui, com você. - sussurrou enquanto deixava que a irmã se mantivesse deitada sobre a cama de casal com Damon ao seu lado.
Ela virou-se de frente para o rapaz e respirou fundo para que não chorasse, ele a abraçou deixando que seu rosto se aninhasse em seu peito e logo ela caiu no sono, exausta.
- Minha menina. - sussurrou o mais velho enquanto a ninava em seus braços. Estava muito feliz em tê-la de volta, depois de todos aqueles sustos.
- Eu acho que está acontecendo alguma coisa. - no outro lado do quarto, Stefan ponderava enquanto observava a janela com insulfilm.
- O quê? - quis saber a esposa enquanto cruzava os braços e olhava de relance para o casal deitado na cama.
- Harry está desistindo. - disse o rapaz com pesar, embora por dentro estivesse confiante.
- Então ele vai nos deixar ir? - quis saber esperançosa.
- Talvez seja difícil, ele ainda é muito influenciado por Francis. Temos que esperar para ver e... - ele suspirou. - aproveitar a nossa pequena enquanto não nos é tirada de novo.
Harry estava apoiado na borda de sua banheira enquanto ouvia a mesma encher de água morna. Olhava os pés sem realmente vê-los, enquanto voltava às cenas daquele dia em sua cabeça. O que estava fazendo? Era notável que e Damon tinham uma ligação extremamente forte, não poderia simplesmente fazê-la quebrar o elo que ele jamais conseguiria estabelecer com qualquer outra pessoa.
Mas Francis já desconfiava, estava com medo que seu peão falhasse e deixasse que o xeque-mate fosse anunciado. Ele simplesmente não podia continuar com esse jogo. Então as imagens voltaram à sua cabeça, quando entrou com nos braços no quarto onde Francis mantinha sua família, não pode deixar de olhar que Damon se encontrava no mesmo estado que ela. Aquilo, de certa forma, havia mexido com ele.
Entrou na banheira, onde a água já estava gelada, e encostou a cabeça para trás. Ao provar de , enquanto transavam, sabia que ela não teria escapatória, era a vampira necessária para quebrar o feitiço. Sabia no que Stefan estava pensando, que eles queriam quebrar uma profecia, ele não estava completamente errado. Agora seus pensamentos voltavam à Salvatore mais nova, se é que ele poderia chamá-la assim; se ele convencesse ou até mesmo induzisse a lhe dizer que o amava então sua vida deixaria de ser a mesma. O elo entre ela e Damon estaria quebrado para sempre.
- Eu estou com fome... - murmurou remexendo-se entre os braços de Damon que havia pegado no sono. - Eu... - seus caninos saltaram em uma estranha e desesperada necessidade dela se alimentar. Empurrou o mais velho pelo ombro sentando-se sobre sua cintura e farejando seu pescoço.
Nele o sangue pulsava, não pode deixar de notar que estava tão pulsante quanto o seu. Era estranho, ela nunca bebera de Damon antes enquanto vampira, mas sentia que era extremamente necessário. Por isso, sem pensar muito, cravou os dentes próximo à base do pescoço do moreno fazendo-o acordar de súbito e arfante, aprisionando um grito de horror.
- Damon! - e Stefan vieram a seu encontro imediatamente, esticando as mãos para agarrar a mais nova e puxá-la pela cintura para longe dele.
- Não... - arfou ele estendendo a mão para que parassem. - deixem-na. - ele ofegou piscando várias vezes enquanto a boca se mantinha entreaberta liberando sua respiração falha.
- Mas irmão, ela não pode... - Stefan foi interrompido pelo mais velho.
- Eu aguento. - garantiu ele tentando esconder a tremedeira em sua voz. Uma de suas mãos foi até a cintura da menina que se mantinha sobre ele enquanto a outra empurrava-lhe o longo e pesado cabelo para o lado, desobstruindo sua visão parcial que tinha do rosto da mais jovem. - Está tudo bem. - garantiu para o casal que o olhava com preocupação.
estava diminuindo o ritmo, conseguia respirar calmamente agora e já sentia uma nova energia deslizar por seu corpo. Piscou os olhos sem realmente enxergar e se afastou do pescoço levemente dilacerado de Damon. A ferida começou a cicatrizar lentamente e o rapaz arfou atraindo a atenção da menina. A mão que a segurava na cintura subiu até seu rosto, tremendo violentamente pela força de suspender o braço. ainda mantinha o olhar sobre seus olhos azuis levemente apagados sem demonstrar expressão nenhuma. Um arrepio atravessou seu corpo quando os dedos gelados e suados de Damon foram de encontro à sua bochecha.
- Melhor agora, meu amor? - ele sussurrou com a voz rouca e falha. Ela concordou em silêncio e observou os próprios lábios que estavam lambuzados do líquido escarlate e doce que era de seu Damon. - Ótimo. - Damon sorriu e deixou o braço cair pesadamente ao seu lado, mas os olhos se mantiveram abertos.
- Eu nunca vi nada assim. - sussurrou para o marido, ainda petrificada. Stefan a abraçou sem deixar de olhar preocupado para que se mantinha de costas para ele. - Exceto quando ela e Harry... - sua voz morreu não precisando completar.
- Existem vários motivos pelos quais um vampiro pode se alimentar de outro. - Stefan explicou, respirando fundo. - Mas não tem o que se preocupar, Damon vai ficar bem.
- Ele está muito fraco. - disse de braços cruzados encolhida de encontro ao marido. Doía ter de admitir, mas estava com medo da irmã.
- Veja pelo lado positivo... - Stefan se interrompeu ao notar o olhar sarcástico da esposa sobre si. Sorriu e continuou. - eles fortaleceram os laços entre si.
suspirou aliviada, pelo menos isso em meio ao caos. Queria tirar a irmã do cunhado, aquela posição já a estava incomodando. Era como se ela estivesse pronta para atacá-lo a qualquer momento.
- Eu preciso de sangue. - murmurou Damon sem tirar os olhos de . Stefan soltou-se de e caminhou até um pequeno frigobar que havia em um canto escondido do quarto. Abriu a porta e suspirou aliviado ao se deparar com algumas bolsas de sangue. Pegou uma delas e virou-se de volta para a cama, mas deparou-se com o olhar irado de .
- Por que não deu isso a ela? - esbravejou em um sussurro contido. O rapaz deu de ombros e estendeu a bolsa na direção do irmão, mas quem a pegou foi .
- Pode deixar. - ela deu um meio sorriso e rasgou uma parte da bolsa com os dentes. Levantou a cabeça de Damon delicadamente apoiando-a em vários travesseiros e colocou a bolsa em seus lábios secos.
Stefan e se afastaram até a outra ponta do enorme quarto e sentaram-se na cama de solteiro onde Damon supostamente deveria ficar e começaram a conversar assuntos aleatórios. Mesmo porque queriam evitar a conversa que Damon e não estavam tendo, embora terem certeza de que ela sairia a qualquer momento.
- Quer um pouco? - Damon perguntou entre um gole na bolsa e outro olhando diretamente nos olhos de . Sentiu uma pontada ao se dar conta de que estavam opacos e vazios, como se ela estivesse hipnotizada ou então fora de si. A menina piscou saindo do transe e seus olhos voltaram ao normal para o alívio do mais velho. Ela analisou seu rosto e percebeu que os olhos haviam ganhado o brilho cintilante azul de volta o que, de certa forma, a tranquilizou.
- Não. - sua voz soou fria, o que gerou reação em Damon.
- O que foi? - ele perguntou preocupado sem parecer rude.
- Eu estou com medo. - ela sussurrou enquanto soltava um longo e cansado suspiro. - Eu precisava de você para me sentir segura. - ela passou os dedos ao redor dos lábios sujos fazendo menção ao sangue que bebera há pouco. - Precisava de você para me sentir viva de novo.
- Vem, - ele fez um gesto com as mãos para que ela se aproximasse. - beba comigo. - ele deu mais um gole na bolsa, mas não o engoliu. segurou na pontinha do queixo do rapaz e aproximou-se para encostarem os lábios.
Não demorou para que ela entreabrisse os lábios e sugasse o sangue que lhe esperava dentro da boca de Damon. Mas ele não deixou que ela sugasse tudo, por isso travaram uma luta com suas línguas. Ela voltou a ficar sobre ele e seus troncos grudaram-se, as mãos do rapaz deslizaram de encontro à cintura de , mas não permaneceram lá, subindo pelas costas e agarrando sua nuca com uma das mãos enquanto com a outra deslizava para a parte de dentro do seu peito, delineando seus seios de maneira incisiva. Damon soltou-se de seus lábios e os lambeu para tirar o rastro do próprio sangue. A garota não pode conter um gemido satisfeito e um sorrisinho que habitou seus lábios. Porém, durou pouco.
Damon empurrou de volta à cama, ficando por cima da garota de forma ameaçadora. As mãos envolveram-lhe o pescoço delicado e os polegares apertaram bem o meio de seu pescoço, esmagando de leve a traqueia. As pernas da menina se remexeram de forma desconfortável, ela tentou tirar as mãos do rapaz, mas não sem antes piscar várias vezes para checar se aquilo tudo não passava de um pesadelo. Um grunhido deixou seus lábios o que fez sua garganta arder mesmo pressionada. Suas pernas se remexeram mais uma vez, fazendo barulho ao cair de encontro ao colchão.
e Stefan viraram para encarar o casal que havia ficado quieto de repente. Viram os pés de se remexendo de maneira desconfortável assim como notaram que as costas de Damon estavam eretas. Franziram o cenho, eles não estavam há pouco se agarrando?
- Meu peito... - ouviram um sussurro suplicante, falho e áspero deixando os lábios de que não teriam sido captados se eles não tivessem tão boa audição. Stefan se levantou aproximando-se lentamente dos dois e moveu seu corpo para o lado para poder encará-los.
- Damon, pare! - ele gritou, sua voz soando grossa e urgente, como nunca vira. Ela andou em passos apressados e logo entendeu a surpresa e o descontentamento do rapaz. Embaixo do mais velho, grunhia desesperada sem conseguir deixar de encará-lo com os olhos esbugalhados, surpresos e magoados.
- Damon você vai matá-la! - gritou já com lágrimas nos olhos tentando empurrá-lo. A cena era pior do que quando ele sugara quase até a morte, aquilo era diferente. Ele estava fazendo porque queria e não porque estava com fome ou descontrolado.
Stefan finalmente conseguiu agarrá-lo pelos ombros e jogá-lo na direção oposta embora não tenha sido fácil. Ele caiu sobre a cama e começou a gemer com a mão pressionando o ombro que batera violentamente na parede.
- Stefan tem algum tubo, qualquer coisa redonda? - subiu na cama onde as mãos de pairavam sobre seu pescoço como asas de um pássaro agitado. - Eu acho que ela está sufocando.
- Ele pressionou com tanta força, deve ter colado um lado ao outro. - Stefan arrancou um tubo que havia na bolsa de sangue e torceu para ser o suficiente. - Toma.
- Me ajude aqui. - a mais velha disse com a voz tentando soar determinada. Ela retirou os travesseiros que estavam sob a cabeça de , deixando sua cabeça na mesma altura que o resto do corpo. Ela debruçou-se e abriu a boca da menina com cuidado, enfiando o tubo por ela.
engasgou e as mãos agarraram o lençol enquanto as lágrimas lhe escorriam. forçou o tubo mais para baixo e ouviu o som que fazia, tentando vomitar. Ignorou a expressão aterrorizada da irmã que provavelmente não deveria ser muito diferente da sua, e continuou a forçar o tubo de modo até sentir a passagem livre. Deixou o tubo ali por um tempo e depois o retirou sob o engasgo falho da menina. Rapidamente Stefan entrou em seu campo de visão.
- Calma, calma, vamos respirar com calma. - ele entrelaçou os dedos na mão da mais nova que tentou dizer algo, mas nada saiu. - Shhhh, já acabou, já está tudo bem. - ele sussurrou. - Vamos respirar com calma, ok? - ele passou a respirar fundo encorajando a mais nova a acompanhá-lo. - Eu estou aqui com você, está tudo bem.
se afastou, já não estava mais histérica e nem preocupada, Stefan estava no controle agora e tudo ficaria bem. Suspirou e largou o tubo na mesinha de cabeceira caminhando até Damon. Agachou-se na borda da cama até encontrar o olhar vazio e culpado do mais velho. Pegou em seu queixo, fazendo-o olhá-la, mas ele lhe estapeou a mão. Não desistindo, pegou com mais rigidez o queixo do rapaz, apertando os dedos em sua bochecha e virou o rosto em sua direção.
- Por que você a asfixiou, Damon? - a voz dura não chegava nem perto do nervosismo que sentia. O olhar vazio do rapaz a focalizou, mas não parecia realmente vê-la. Quem era ele?
Capítulo 13.
- Responda, Damon, por que você fez isso? - perguntou com mais força na voz e a inquisição subiu a seus olhos, antes assustados. Farejou os lábios entreabertos do rapaz, de onde saía um hálito podre. Balançou a cabeça franzindo o nariz, enojada. Andou de volta à cama onde pegou a bolsa de sangue que vazava um pouco sobre o carpete que cercava o móvel. Procurou ignorar e Stefan, mas não pode deixar de ouvir a voz chorosa e assustada de enquanto lhe contava o que havia acontecido. Farejou novamente, desta vez a bolsa que havia em suas mãos e gemeu desgostosa. Não lhe admirava que quando o marido pegara uma dessas bolsas ela não se sentira atraída.
- É o sangue, Stefan, tem alguma coisa de errada com o sangue. - ela lhe estendeu a bolsa e o rapaz a pegou sentindo o cheiro podre que emanava.
- Meu Deus, o que é isso? - ele disse com nojo. deu de ombros.
- Não sei, mas seja lá o que for, provocou aquilo. - apontou para um Damon em transe, observando a janela sem realmente enxergá-la.
- Ele não fez por querer. - sussurrou, pode notar o grosso no fundo de sua garganta que a incomodava ainda.
- Você bebeu um pouco, não foi? - aproximou-se da menina.
- Sim, mas na hora vi que não era boa coisa. - ela colocou a língua para fora em expressão de nojo.
Os três encararam Damon com expressões diferentes, estava assustada e preocupada, Stefan estava irritado e o olhava com pena. Se tivesse provado um pouco do sangue antes.
- Precisamos esperar agora, até o sangue ser completamente absorvido. - Stefan ponderou voltando a encarar . - Enquanto isso, você vai dormir aqui, entre eu e .
- Você vai isolá-lo? - a ideia pareceu chocar de uma maneira tristonha.
- Poderemos protegê-la dele, mas só se ficar entre nós. - reforçou trocando olhares confiantes com o marido.
- Ele vai ficar insano se o ignorarmos. - tentou dizer, mas a voz saiu entre sussurros e tosses.
- Não vamos ignorá-lo, você só vai dormir conosco. - Stefan garantiu. - Pode deixar que eu lido com ele.
- Tome cuidado, ele não é o Damon. - o alertou e trouxe a cabeça da irmã para deitar em seu colo. - Você me deu um susto e tanto. - suspirou ela com um tom mais aliviado.
- Eu não deveria ter bebido dele em primeiro lugar. - lamentou-se a menina.
- Você só seguiu seu instinto, não há nada de errado com isso. - sua voz soou maternal e tranquilizadora. - Agora descanse, eu vou ficar aqui te protegendo.
suspirou e tossiu mais um pouco, fechando os olhos. Não demorou muito para sentir os dedos suaves da irmã mais velha lhe fazendo cafuné nos cabelos. Ao longe ouvia partes da conversa entre Damon e Stefan, mas logo não ouviu mais nada sendo tomada nos braços do sono e mergulhando no profundo inconsciente.
- Damon, - Stefan estava de joelhos, de frente para o irmão, as mãos envolveram o rosto pálido e inexpressivo do mais velho. - Damon eu sei que você está aí em algum lugar. - ele procurava pelos olhos do rapaz que se desviavam cada vez que ele chegava perto. – Damon, não estamos bravos com você, não foi sua culpa o que aconteceu. - Stefan suspirou, não conseguiria nada dele. - Você a ama, irmão, só não se esqueça disso. - ele bateu levemente no rosto do mais velho e direcionou-se para o frigobar.
Não precisou provar, confiou em seu olfato para identificar as bolsas que tinham algo de podre em seu conteúdo, restando apenas duas bolsas "saudáveis". Ainda assim não confiava, por isso foi até o banheiro e as esvaziou na privada, uma após a outra. Encostou-se na parede ao lado da porta enquanto a água voltava a encher a caixa da descarga e suspirou. A vida deles nunca tinha uma trégua.
ouviu um barulho no quarto e rapidamente despertou. À sua frente, encontrou as costas de e logo atrás de si conseguiu ouvir a respiração tranquila de Stefan. A noite adentrava pelo quarto através das janelas, com um leve brilho cálido do luar. Seus olhos piscaram mais algumas vezes e a cabeça ergueu lentamente tentando procurar pela origem do barulho que ainda ecoava em sua mente.
Ouviu movimentação no lado sombrio do quarto e ela encolheu a cabeça atrás do ombro de Stefan, tentando ver alguma coisa. Quem quer que fosse a estava assustando. Quando sentiu seu pé ser puxado lutou para não berrar principalmente porque sua garganta ainda não estava cem por cento. Lutou contra a mão que a segurava fortemente pelo tornozelo gemendo baixinho de desespero. Mas a irmã e o marido pareciam excepcionalmente apagados a seu lado.
- Calma, calma, sou eu. - ouviu a voz familiar de Damon e logo seus olhos o focalizaram. Os olhos azuis do rapaz cintilavam com a pouca iluminação do quarto e ela respirou aliviada. - Desculpe, não queria assustá-la.
- Tudo bem. - ela escorregou até o pé da cama onde o viu sorrir. - Quanto tempo eu dormi? - ela arrumou os cabelos que caíam sobre o rosto recém-desperto.
- Eu não sei, acabei de acordar. - ele deu de ombros com um sorriso inocente e estendeu-lhe a mão para ajudá-la a descer da alta cama.
- Acabou de acordar? Quer dizer que também estava dormindo? - ela perguntou mais para si mesma do que de fato para ele responder.
- É o que parece. - respondeu tranquilo. - Estava com vontade de te ver. - disse.
- Estou aqui agora. - ela sorriu ainda meio em dúvida, estaria ele livre de todo aquele sangue contaminado?
O rapaz não esperou muito mais, puxou-a a seu encontro e tomou-lhe os lábios com os seus. Beijaram-se ferozmente, caminhando às cegas pelo quarto e tomando o cuidado de não acordar seus outros ocupantes.
Comporte-se. ouviu a voz de Damon ecoar em sua cabeça e não pode deixar de rir durante o beijo enquanto ele a prendia entre a parede de janelas do quarto e ele.
Não sei se consigo com você me beijando assim. Murmurou ela de um jeito manhoso de volta já que sua boca estava ocupada. Ela não se preocupava que Stefan e ficassem a par da "conversa", já que ela e Damon haviam descoberto um jeito de torná-las privativas.
Parece que faz tanto tempo que eu não te toco assim. Damon soltou-se da menina brevemente e acariciou as bochechas de com os polegares. Desceu os lábios até seu pescoço e abriu um pouco o robe que ela vestia para que tivesse acesso ao seu colo e começou a partir dali.
Não deixa de ser cada vez melhor, por isso sou obrigada a ser uma menina muito má. Ele riu enquanto ela inclinava a cabeça para trás. subiu sua perna direita na altura da cintura do rapaz, esperando provocá-lo ao esfregá-la em todo o trajeto, mas soltou um suspiro quando ele a pressionou, mantendo-a naquela altura.
Mas agora você vai se comportar direitinho, não vai gemer e nem gritar, embora eu adore quando você faz isso. Vai simplesmente me deixar possuí-la como eu sei que você gosta.
Você sabe de muitas coisas, Damon, acho que depois eu vou ter que te matar. Seu robe de seda deslizou até o chão e ela o obrigou a tirar a camiseta.
Já estou morto, baby. Pense em outro tipo de punição. Provocou Damon puxando a lingerie da amada para baixo, deixando-a cair a seus pés.
Eu sou a sua punição, Damon. Agora, eu sou todinha sua. Ela o puxou pelo cós da calça rapidamente, deixando o trabalho para ele de se livrar dela.
Não vou pegar leve dessa vez. Damon a pegou no colo, pressionando-a contra as janelas com todo o peso de seu corpo enquanto a penetrava de uma só vez.
A mais nova mordeu o lábio inferior com força contendo um suspiro alto. Suas mãos subiram vacilantes das mãos de Damon, que estavam na altura de seu peito, até o antebraço do rapaz por fim alcançando os bíceps desenvolvidos apertando a carne sob as unhas. teve o pescoço invadido pelos lábios possessivos de Damon que ocupavam-se em chupar cada centímetro de pele conforme a intensidade de seus movimentos, não demorando muito para ouvir a respiração pesada da mais nova em seus braços que tinha tremores por todo o corpo.
- Eu não aguento... - ela sussurrou colada ao seu ouvido com a voz trêmula e um pouco atrapalhada. Damon sentia os caninos apontados para fora e as veias saltadas em seu rosto que roçava o dele.
- Você é forte. - encorajou o vampiro mais velho, ele sabia que quando não podia respirar ruidosamente a fim de controlar o prazer que jorrava com muito mais intensidade em suas jovens veias, as presas saltavam com força e os olhos ficavam vermelhos, cheios de veias saltadas ao redor. Era uma sensação desconfortável que, no começo, chegara a causar muitos desmaios na menina. Agora ele entendia o que ela estava tentando dizer e precisavam acabar logo com aquilo.
- Damon, minha cabeça está latejando. - não se pode dizer que foi um sussurro, já que sua voz falhou.
- Eu sei que você consegue, meu amor, você gosta disso não se lembra? - Damon investiu com mais força o que a fez engasgar em sua própria respiração descompassada. franziu o cenho contendo um gemido quando ele lhe lambeu a pele do pescoço que estava suada e escorregadia, assim como o resto de seus corpos.
Damon... está...chegando. implorou mentalmente enquanto intercalava palavras com as pulsações dolorosas em sua cabeça.
- Shh, shhh, olha pra mim. - ele sussurrou ofegante enquanto empurrava o cabelo atrás das orelhas de que grudava com o suor em seu rosto. Assim que a menina o olhou nos olhos eles se beijaram ferozmente, enquanto o orgasmo se aproximava deles.
Salvatore não se importou que ela lhe mordesse o lábio enquanto o corpo relaxava, em êxtase pelo clímax. Movimentou-se mais uma ou duas vezes até que seu prazer também estivesse garantido e então a soltou. A respiração de estava falha e quando ele permitiu que ela descesse de seu colo, suas pernas não aguentaram o peso. Damon a sustentou nos braços respirando fundo com ela para que se acalmasse, logo as presas estavam recolhidas e o rosto e olhos haviam voltado ao normal.
- Ei, ei, está melhor agora? - o moreno procurou chamar sua atenção e ela tirou o cabelo do rosto com as mãos tremendo mais do que os galhos de uma árvore no meio da tempestade.
- Damon, me morde. - ela pediu enquanto o suor pingava por seu rosto e ela tentava lamber os lábios para que não ficassem mais ressecados. - Eu preciso que você beba do meu sangue. - suplicou erguendo a cabeça para deixar o pescoço livre.
- Não, eu não posso fazer isso, você está exausta. Está exausta meu amor, eu não posso. - disse ele rapidamente procurando pelos olhos coléricos da mais nova.
- Minha pressão sanguínea está muito alta, se você não tirar um pouco do meu sangue eu vou começar a ter aquelas palpitações horríveis.
Damon, relutante, perfurou o pescoço de e bebeu um pouco do sangue que jorrava em sua boca parecendo uma correnteza sem controle. Ele sentiu a mais nova tremer em seus braços e decidiu que era hora de parar, mas antes que tivesse a oportunidade de perguntar a ela se estava melhor, seu corpo se arqueou para trás. Salvatore se ajoelhou com o peso, pego de surpresa, e observou a expressão aterrorizada de enquanto seus olhos piscavam descontroladamente.
- ? ? - ele tentava chamá-la, mas ela parecia absorta em um transe. - , fique comigo, não desmaie. Eu não devia ter bebido o seu sangue. - lamentava-se ele enquanto a acomodava em uma das pernas. - Meu amor, consegue me ouvir? , o que está acontecendo? - ele disparava as perguntas sem realmente esperar uma resposta, na verdade bem lá no fundo ele esperava que voltasse ao normal e conversasse com ele.
O suor escorria da testa de até ir de encontro à sua nuca, mas os lábios estavam secos. A boca estava seca a ponto de fazê-la engasgar, sua visão estava turva, mas ela podia distinguir a expressão vazia e desesperada de Damon que a chacoalhava em seus braços. Sua boca se movimentava, mas ela só conseguia ouvir uma espécie de estática que deveria ser a voz dele. Por que estava se sentindo tão estranha? A pressão dentro de sua cabeça havia aliviado, mas seu corpo estava mole como quando desabava de tanto beber. Então era isso, ela estava bêbada? Não era possível, um vampiro não conseguia ficar bêbado a não ser que bebesse sangue de um que já tivesse tomado todas.
Seu corpo foi erguido do chão e logo ela sentiu o lençol da cama em suas costas nuas. Aos poucos sua lingerie voltou ao corpo e o robe foi posto ao pé da cama, onde ela sentiu pelos dedos dos pés. A visão ainda estava confusa, mas a audição mostrava melhoras, então ela seguiu os passos de Damon para dentro do banheiro, ouviu-o abrir a torneira, vasculhar armários, umedecer algo e voltar para perto dela. Seu corpo enrijeceu quando sentiu a tolha encharcada e gelada tocá-la na testa.
- Shhh, tá tudo bem. - ela o ouviu sussurrar depois de colocar os dedos em seu cabelo e acariciá-los com cuidado. A sensação era refrescante e logo estava livre da sensação incômoda do suor.
- Deita...comigo? - sua voz saiu arrastada e completamente rouca. - Damon... - ela quis complementar, mas acabou engasgando. A ardência em sua garganta havia voltado, lembrando-a de sufocar.
Capítulo 14.
sentiu o espaço a seu lado afundar e braços pesados a envolverem. Ela os empurrou veemente pelo peito enquanto gemia. Seus pulsos foram agarrados com delicadeza, mas ela não deixou de se remexer.
- Ei, calma, sou eu. - ela ouviu a voz de Damon, mas nem assim ela se acalmou.
- Você me sufocou. - ela murmurou não deixando que ele a tocasse.
- Não, , eu nunca faria isso. Eu te amo. Eu nunca faria isso com você. - Damon ergueu seu queixo trêmulo para que ela pudesse olhá-lo nos olhos.
- Mas fez. - ela soluçou abafado. - Você tentou me matar. Como daquela vez.
- Eu não posso ter feito isso, eu não... - o moreno parou, respirou fundo e tentou mais uma vez, articulando o que sua cabeça enevoada formava. - Eu estava tão feliz de tê-la nos meus braços, como poderia terminar com a minha alegria dessa maneira?
- Você estava bravo comigo. - choramingou ela escondendo o rosto com as mãos suadas.
- Ah meu amor... - ele a abraçou com força embora relutasse um pouco.
- Você não se lembra. - ela relaxou um pouco, mas não deixou de chorar.
- Me lembrar do quê? Do que eu preciso me lembrar? - puxou as mãos trêmulas de Damon até seu pescoço.
- Aqui. - ela sussurrou.
- Eu te beijei aqui, acho que ficou uma marca arroxeada, mas eu chupei também. - ele se explicou enquanto ela negava com a cabeça.
- Foi aqui que você apertou até minha traquéia se fechar. Ela colou, como um canudo amassado. - Damon alisou a pele manchada por seus chupões com o olhar confuso enquanto ouvia continuar. - Stefan e ouviram minhas súplicas, ele o jogou para essa cama e colocou um tubo em minha garganta até conseguir que voltasse ao normal.
- Por que está me contando tudo isso? É para... é para que eu me sinta culpado? - Damon deitou-a na cama para que descansasse e apoiou-se no cotovelo para que pudesse observá-la.
- Damon, desde que chegamos a esta casa eu tenho sido a cobaia deles, já me drogaram, me morderam. Eles estão brincando conosco. - ela o olhou seriamente. - O que quero lhe dizer, Damon, é que não podemos enfrentá-los com raiva, eles podem nos controlar exatamente como fizeram com você. Eu tenho medo por todos nós.
- Mas você tem medo de mim? - Damon alisou seu rosto com cuidado.
- Não. - ela suspirou. - A culpa foi minha, - sentou-se sentindo o quarto rodar por um momento. Ela sentiu as mãos de Damon espalmadas em suas costas para lhe dar equilíbrio. - eu não deveria ter me alimentado de você, você não deveria ter me deixado. Eu ouvi quando você disse para que eles me deixassem, que você aguentava.
- , você estava faminta. Eu realmente queria que você bebesse. Assim poderíamos ficar mais próximos do que nunca.
- Mas você ficou fraco e nós lhe demos aquele sangue contaminado. E depois... - respirou fundo, deixando suas costas penderem um pouco para trás. - depois você não era mais você, Damon. E eu fiquei com medo.
Damon e ficaram em silêncio, o rapaz lhe ofereceu a mão a qual ela aceitou e entrelaçaram seus dedos. Salvatore a trouxe para se deitar de novo na cama, abraçando-a nos ombros enquanto ela se acomodava sobre seu peito. Não demorou muito para que caísse no sono e logo Damon também divagava no subconsciente.
- Deveríamos acordá-la, ela já está chorando e gemendo há mais de uma hora. - ouviu vozes próximas a si. Seus olhos ainda estavam fechados, mas ela sentia do que eles estavam falando. As bochechas estavam molhadas e quentes e os olhos pareciam grudar com os cílios úmidos. Seu corpo tremia e estava dolorido, mas ela queria não ter que abrir os olhos.
- A médica disse que devemos deixá-la acordar sozinha. É melhor depois da noite que ela teve. - a voz masculina parecia soar tão próxima que pensou sentir a respiração dele em sua orelha.
- Eu sabia que ela não deveria ter ido àquela festa. - suspirou nervosa. É claro que ela estaria lá, pensou , tinha ido parar no hospital mais uma vez depois de uma bebedeira.
- , não foi culpa sua. Colocaram drogas na bebida dela, eu sei que não é de se drogar. - Ah e lá estava ele, seu amigo colorido Jace. É claro que eles nunca haviam transado, mas já haviam tido uns amassos pesados. se sentia bem perto dele, Jace era uma ótima companhia.
O rapaz segurou em sua mão e só então teve conhecimento do quanto seus dedos estavam rígidos, duros e gelados em relação à mão dele. Nem se ela quisesse poderia corresponder ao aperto na mão que o garoto lhe dava. As pálpebras tremularam e ela se viu abrindo os olhos, primeiramente incomodados pela luz fluorescente. Deu-se conta de que estava num leito particular do hospital. Era tão típico!
Em um primeiro momento, eles pareceram não notar que ela estava acordada, por isso deu uma boa observada em seu corpo. Estava coberto por um lençol branco e limpo, os braços se estendiam ao longo de seu corpo, em uma das mãos havia a agulha do soro. As mãos estavam endurecidas feito garras e todos os membros de seu corpo doíam.
- Oi amor, como se sente? - não foi possível reprimir um sorriso ao ouvi-lo chamá-la de "amor". Eles não eram nada oficialmente, mas Jace era lindo demais e ser chamada carinhosamente por ele era quase como se estivessem namorando.
- Um lixo. - ela murmurou com a garganta seca. Parecendo adivinhar seus pensamentos, aproximou-se com um copo d'água.
- Foi uma mistura das bravas. - Jace a ajeitou na cama para que não engasgasse ao engolir o líquido. - Você estava inconsciente quando chegamos, mas gemendo de dor. - seu sorriso foi fraco fazendo o peito de afundar.
- Desculpe. - ela murmurou.
- Não há porque se desculpar, princesa. Sabotaram a sua bebida. - os dedos delicados e macios de Jace deslizaram pelo cabelo de , seus olhos estavam apreensivos e preocupados.
- Para se aproveitar de mim? - a ideia, tinha de admitir, a assustava.
- Não, não meu bem, nada disso aconteceu. - respondeu quando o rapaz ao seu lado hesitou. - Você vai se sentir mal por mais um dia, acho que vai ter que ficar aqui.
- Eu fico com você, mas só se você quiser. - Jace sorriu. Seus olhos azuis brilharam de ansiedade e sorriu.
- É claro que eu quero que você fique.
- Jace. - murmurou e abriu os olhos, percebendo que o que havia tido era apenas uma lembrança de sua vida humana. Ela só tinha quinze anos quando começara a beber e menos ainda quando seu rolo com Jace começou. Observou o cômodo ao seu redor, voltando a sentir a cama abaixo de si aos poucos. estava em um ponto do quarto, parecendo distante de acordo com sua visão periférica. Mas quando ela sentiu as mãos da irmã em sua bochecha, percebeu o quanto ela estava perto.
- Você sonhou com Jace? - perguntou ela preocupada. - o que está acontecendo? - sua expressão era confusa e, até certo ponto, desesperada.
- Do que você está falando? - ela tentou se levantar. Bem, tentou mesmo, mas seu corpo simplesmente não respondeu.
- Você está pálida, minha irmã, tão fraca que eu mal posso senti-la aqui perto de mim. O que foi que aconteceu? - lhe tocou a mão e percebeu que seus dedos estavam suados e doloridos.
- Eu bebi do sangue dela. - ouviu uma voz logo atrás delas, parecendo culpada e arranhada.
- Você fez o quê? - outra voz masculina invadiu seus ouvidos. tentou se sentar novamente, dessa vez tendo a ajuda da irmã. As mãos firmes de pairaram em suas costas enquanto seu corpo, mole feio gelatina, se endireitava na cama de casal.
Estava claro lá fora, Damon estava sentado na cama de solteiro, as pernas firmemente apoiadas no chão. Stefan estava em pé, de braços cruzados e apoiado em uma das paredes. A expressão dura, porém preocupada, se voltava para o irmão mais velho. estava tensa ao seu lado, sentada sobre a cama e sustentando o peso da irmã mais nova com as mãos. olhou para a porta do cômodo, onde outro rapaz pairava de pé, mas seu rosto não expressava nada.
Os olhos estavam completamente vazios, perdidos na imensidão verde de suas íris. Os cabelos desgrenhados e morenos contrastavam com a pele levemente bronzeada do tórax e dos braços desenvolvidos dele. Vestia apenas uma calça jeans larga com as barras dobradas para não arrastarem no chão. O cós estava baixo, mostrando o elástico da cueca branca que vestia. Seus músculos estavam contraídos, ele era incrivelmente lindo.
- É para você. - disse ao perceber que a irmã observava o rapaz. - Harry o mandou só para você. Não pudemos encostar nele nem nos alimentar, parece que ele sabia que você estava fraca. - disse como alguém que vislumbrava um brinquedo novo junto com a criança que o havia acabado de ganhar.
- Traga-o para a cama. - ouviu sua voz sibilar, não percebeu que os caninos apontavam para foram, ansiosos para rasgar a pele daquele rapaz.
- Venha. - Stefan cuspiu a ordem, nada satisfeito. O rapaz sentou-se na cama, ajeitando-se com as costas encostadas na cabeceira. Seus olhos encaravam com adoração.
- Deixa, eu consigo daqui. - ela disse para a irmã enquanto arrastava-se do pé da cama para onde o rapaz se encontrava. Quando ela se aproximou o suficiente, ele estendeu-lhe a mão, ajudando-a a sentar-se em seu colo.
- Agora voltando ao velho assunto. - Stefan aproximou-se do irmão, ainda insatisfeito e provavelmente irritadiço. Por mais que tentassem, não conseguiam evitar se sentirem atraídos pelo cheiro de sangue que exalava da ferida que havia acabado de abrir no pescoço forte do rapaz humano. - Por que você bebeu o sangue dela?
Damon estava com os olhos perdidos na silhueta de que, lentamente, era tomada pelos braços fortes do rapaz que gemia entre suspiros. Ela o segurava pelos cabelos a fim de que ele mantivesse a cabeça inclinada e lhe desse total acesso ao seu pescoço, o qual ela sugava com prazer e fome.
- Porque ela me pediu. - disse simplesmente, desviando o olhar para o irmão e sua esposa. - Nós fizemos sexo ontem à noite, enquanto vocês dormiam. No final ela ficou com a pressão sanguínea tão acelerada que, segundo ela, se eu não consumisse parte de seu sangue as palpitações voltariam e eu também seria atingido.
- Mas como você não tentou acalmá-la de outro jeito? Respirando fundo, por exemplo? - cruzou os braços olhando de relance para a irmã. Ela ainda bebia do rapaz, calma e lentamente. Uma de suas mãos estava pousada sobre o ombro dele enquanto as mãos do mesmo procuravam pelo fecho de seu sutiã, trêmulas.
- Vocês não a viram. Ela estava banhada em suor, os lábios estavam secos e seu corpo tremia. Tive de deitá-la na cama e ficar com uma toalha úmida no rosto dela para que não desmaiasse.
- Eu não entendo o que está acontecendo com ela. - suspirou. - Agora mesmo, antes de acordar, estava sonhando com Jace.
- Quem é Jace? - Stefan franziu o cenho.
- Ele foi um grande amigo nosso, mais do que amigo para a . Logo depois que ela começou a beber, ele andava no grupinho dela. Eram ótimos amigos, às vezes ficavam. - suspirou, sentindo falta por um momento de sua antiga vida. Já fazia tanto tempo... - O mais longe que foram foi ela pagar um boquete nele. - disse parecendo despreocupada. Damon cerrou os punhos, com ciúme.
- E como você sabe disso? Ela não parece, sabe, ser do tipo que conta a você sobre sexo. - Stefan tentou soar delicado, mas sorriu amargurada.
- Não foi preciso, eu os flagrei na sala da nossa casa. Nossos pais haviam saído para um jantar e sempre o chamava nessas ocasiões para fazer companhia a ela.
O silêncio perdurou sobre eles, os olhares se voltando lentamente para . Ela ainda bebia com calma, uma surpresa para eles já que deveria estar faminta. O rapaz ainda estava consciente, mas sua respiração já estava falhando. Ele não conseguira soltar o sutiã de , então agora lhe acariciava as coxas.
- Diga que me ama.
Capítulo 15.
se separou do rapaz com um olhar beirando a loucura e sorriu para ele que a observava com total obsessão. Atrás de ela pode sentir os três vampiros rígidos observando a cena.
- Ah Harry, como você é estúpido. - ela disse enquanto acariciava as maçãs do rosto do rapaz que sorria feito um bobo. - Me diga, humano, o que mais você deve fazer aqui? - suas pupilas se dilataram e contraíram, dando início à compulsão enquanto ela mantinha a cabeça do rapaz pressionada contra a parede, deixando seus olhos na mesma direção.
- Fazer com que você diga que me ama e, assim, romper o laço com seu namorado vampiro. - ele disse em um tom mecânico, a expressão ficando séria de repente.
- E o que mais? Eu vi você na orgia do Harry outro dia, você sabe de mais coisas, não sabe? - intimou ela, seu tom de voz ríspido e frio.
- Você é a duplicata da princesa Letizia Yerona, a qual teve o sangue utilizado para selar um feitiço sobre Francis há seiscentos anos. Há quatrocentos anos ele criou Harry para que pudesse sair em busca da única duplicata, mas o que eles não sabiam é que, conforme elas morriam, novas duplicatas iam sendo criadas, você foi a última delas.
- E eles não conseguiram quebrar a maldição com o sangue das outras duplicatas por quê...? - sua voz tremeu um pouco no final, talvez ela estivesse em um beco sem saída.
- Precisavam que a duplicata fosse transformada na idade certa, as outras ou permaneciam humanas ou eram transformadas tardiamente.
- Muito bem, - incentivou, por dentro, o pavor só aumentava. - e os meus amigos ali, o que vai acontecer com eles?
- No início ele queria matá-los, mas depois Francis mudou de ideia. Vai usá-los para que você rompa o laço e assim ele os libertará.
- Como com o truque do sangue contaminado? - ela chamou de volta a atenção do rapaz que se dirigira para os outros três.
- Exatamente.
- Obrigada. - ela sorriu para o rapaz e logo em seguida torceu-lhe o pescoço em um movimento brusco, fazendo-o quebrar.
Levantou-se da cama, sentindo-se completamente disposta e encarou Damon, e Stefan que a observavam com cuidado. Ela apoiou a lateral do corpo em um pilar que ficava bem ao centro do quarto e cruzou os braços na altura do peito. A expressão demoníaca se apaziguava conforme ela se acalmava e o rosto era tomado pelo terror.
- Ok, o que vamos fazer? - ela perguntou, a voz de repente soando ofegante e trêmula. - Ele tem recursos que podem nos dominar.
- Ele é amaldiçoado, é claro que tem. - Damon resmungou voltando a se recostar na cama.
- Querem tomar o resto? - a mais nova apontou com a cabeça o humano desmaiado na cama. - Acho que ainda tem sangue lá. - deu de ombros, seguindo até a janela e parando lá para olhar.
- Você está bem? - Damon aproximou-se dela, apoiando o queixo em seu ombro. - Fiquei preocupado quando acordei e vi que você tinha ido até a cama dos dois.
- Eu fui? - seu rosto se contorceu em surpresa, mas ela não virou para vê-lo. - Não me lembro.
- É claro que não. - o moreno disse com um suspiro. - Eu te achei esparramada no chão, com uma das mãos erguida em direção à cama. - seu tom deu uma leve tremida, hesitante.
- Eu vou salvar todos nós. - ela disse de repente, a respiração controlada e a voz determinada. - Não devem precisar de mim morta, é só um pouco de sangue e poderemos ir para casa.
- Você tem que quebrar o laço para isso. - o moreno a olhou de esguelha, suspirando tristemente. - Um laço enfraquece a essência do sangue.
- Não posso fazer isso! - virou-se para ele, o olhar preocupado. Damon sorriu fracamente acariciando-lhe as bochechas. - Dói, não dói? - seus ombros se encolheram.
Uma vez, ouvira Damon dizer que, quando se rompia um laço amoroso entre dois vampiros, inclusive sendo ele o seu criador, provocava dor. Nenhum deles sabia exatamente como era, mas tinham uma breve noção de que era doloroso e agonizante, mesmo que fosse por alguns poucos minutos.
- Eu não sei. - Damon abaixou os olhos, sério. - Mas se você quer nos salvar, não deve se preocupar comigo, nós reatamos esse laço depois. - ele a encorajou, embora por dentro relutasse veemente.
escorregou até se sentar no chão, as costas escoradas na parede de janelas. Sua cabeça trabalhava arduamente, em busca de respostas para as possíveis opções que lhe restavam. Ela precisaria desfazer seu laço com Damon, um laço tão especial e vital para o relacionamento deles. Desde que Damon a transformara, o laço só se tornara ainda mais forte, assim como o laço de sangue que ela compartilhava com sua irmã, . Mas, ao contrário daquele com o seu namorado, ele nunca poderia ser rompido.
A mais nova estava com medo, medo de que Francis os usasse para que ela se visse sem saída a não ser quebrar o laço. Mas de qualquer forma ela já estava condenada a fazê-lo já que só o sangue puro da duplicata, transformada na idade certa, seria capaz de dar ao vampiro sênior o que ele tanto queria. Ela apenas temia pela família dela, era o mínimo depois de tudo o que estava acontecendo.
e Stefan já haviam terminado com o rapaz morto e o retiravam de cima da cama de casal quando a porta do quarto se abriu. Harry apontou para dentro sendo seguido por três brutamontes, vestidos exatamente como seguranças. Eles carregaram o rapaz e pararam logo depois de atravessarem a porta, no corredor.
- , venha. - ele disse em tom firme e autoritário. A menina se levantou cabisbaixa e começou a seguir na direção do mais velho com passos curtos e contínuos.
Não importa o que acontecer depois que eu sair daqui, eu amo todos vocês. Ela compartilhou seu pensamento urgente, mantendo-o longe de Harry, ao olhar rapidamente para seus entes queridos que confirmaram, cada um à sua maneira.
Chegando ao lado de Harry ele a abraçou pela cintura de maneira possessiva e deixaram o quarto sem mais nada dizer. Damon, Stefan e se entreolharam, era a cartada final.
Estavam de volta ao quarto onde tudo havia começado para naquela mansão. O quarto onde ela tivera o primeiro vislumbre da diversão de Damon, onde ela se envolvera com dois rapazes, um deles o próprio Harry, onde ela passara grande parte do tempo inconsciente e envolta em memórias, onde ela matara uma criança. De repente tudo se apresentava de tal forma que se perguntava se ela não quisera tudo aquilo.
Poderia até pensar que estava ficando louca, já que tanto tempo e tantas novas informações haviam destruído com sua capacidade de julgar o que era normal. Sua vida não estava mais normal. Ela estava presa em uma casa, com dois vampiros muito mais velhos e, aparentemente, alquimistas, capazes de os drogarem de tal forma ser impossível deixar aquela mansão sem que eles concordassem.
- Não sei como você aguentou ficar lá todo aquele tempo, - Harry resmungou jogando-se na cama distraidamente. Embora o quarto estivesse limpo, podia sentir a náusea lhe subir com as lembranças. - tive que mandar um suprimento senão você definharia rápido demais.
- É a minha família, eu morreria por eles. - ela cruzou os braços, parada ao pé da cama, mantendo a expressão séria. - E belo truque com o sangue contaminado, quase fez com que o meu namorado me matasse!
- É mesmo? - Harry parecia lamentar, as sobrancelhas se franzindo de maneira incompreensível. - Não era para ele beber enquanto você estivesse por perto.
- Então eu não teria utilidade morta, teria? - sorriu sarcástica.
- Não, não teria. - o vampiro a encarou de cima a baixo. - Você foi realmente uma menina malcriada por matar Charlie. É claro que antes você tinha que tirar alguma informação dele. - deu de ombros, mas havia incômodo em sua voz. - Agora sabe de tudo, então... o que te impede de tentar me matar? - abriu um sorriso malicioso, apoiando-se nos cotovelos.
- O tempo que levaria para te dominar seria o suficiente para que você matasse minha família, - deu de ombros, caminhando de maneira desconfortável pelo cômodo. - matemática simples, eu sairia no prejuízo.
- Por outro lado, se você romper o laço... - seu sorriso se alargou.
- Acredita mesmo que eu vou romper algo de anos com a única pessoa que eu realmente amei sem nada em troca? Ah Harry, você é tão ingênuo! - riu, sentando-se na borda da cama, ele não perdeu tempo para se aproximar.
- Pense que estará trocando um laço idiota e inútil pela vida das três pessoas que você mais ama. - Harry alisou o antebraço da menina de maneira íntima, chamando atenção dela para suas peles em contato. - Vamos, é fácil.
parou por um momento, seu olhar se perdendo em um ponto fixo e disperso da cama, deixando-a aquém de Harry e do quarto a sua volta. Ela respirou fundo, pesando cuidadosamente os prós e contras do que tinha em mãos. Se aceitasse o que lhe propunham, que garantias tinha de recuperar Damon, a irmã e Stefan inteiros? Ou então, se optasse em jogar tudo para o alto, não estaria assinando o atestado de óbito (definitivo) dos três ainda mais rapidamente? Abaixar a cabeça e aceitar ou erguê-la e lutar? Nenhuma das opções parecia ser a melhor, apenas uma menos pior que a outra.
Harry apoiou o queixo sobre o ombro despido de e deslizou sua cabeça traiçoeira até seus lábios encostarem o pescoço dela. fechou os olhos, respirando calmamente, ela não teria muito mais tempo para pensar, percebeu. Por isso, seguindo apenas o calor do momento, inclinou sua cabeça para trás e escorregou até que se aconchegasse nos travesseiros e almofadas esparramados ao longo da cabeceira da cama. Se fosse para fazer algo de errado, agora ele nunca pareceria tão certo.
Era a coisa certa para salvar sua família. Era a coisa certa para salvar Damon. E aquilo era tudo o que importava.
Damon, Stefan e andavam de um lado para o outro no quarto, agora tão vazio e solitário como se eles estivessem sem uns aos outros. O medo era iminente pelo o que poderia estar acontecendo naquele momento a . Ela, sabiamente, havia blindado sua cabeça e seus pensamentos, portanto eles estavam praticamente no escuro. O sangue de ainda corria pelo corpo de Damon e, mesmo assim, ele nunca se sentira tão distante da amada. Havia feito tanto de errado, mas agora só conseguia pensar no quanto eles eram felizes antes de tudo aquilo acontecer, antes deles brigarem por um homem humano, um humano!
sentou-se na borda da cama, a expressão desolada. Embora tivesse se alimentado há alguns minutos, era como se seu corpo estivesse vazio. Ela, assim como a irmã mais nova, temia por todos eles. Estavam pisando em território inimigo, brincando com fogo, andando às cegas, dentre outras expressões que poderiam descrever aquele momento de agonia. Se quebrasse o laço e pagasse a dívida de sangue (que, verdade seja dita, não era nem dela), como eles poderiam respirar fundo e calmamente sabendo que aquilo lhes serviria de ticket para fora daquela mansão maluca? Ou então, será que eles deveriam dar a Francis o que ele tanto queria, que buscara durante todos aqueles anos? Não se parecia a coisa certa a fazer, mas eles estavam ficando sem opções.
Nenhum dos quatro, mesmo juntos, seria páreo para Francis e Harry, eles eram muito mais velhos e fortes e tinha recursos ilimitados, além de desconhecidos, para combatê-los sem precisar chegar ao contato físico.
- Ahm, pessoal, venham dar uma olhada nisso. - levantou a cabeça e olhou para a direção oposta a que estava, deparando-se com Stefan em pé, em frente a um quadro.
Só que o quadro fora posto de lado e havia algo a mais por baixo. Outra saída para a liberdade? Uma passagem secreta para o suprimento de sangue? A ligação entre o quarto deles e o de ? Ou seria para o de Francis? A cabeça da mais velha Cardigan batucava com todas as ideias possíveis que lhe vinham à mente. Mas quando ela parou ao lado do marido, que tinha Damon em seu outro lado, tudo o que pode fazer foi observar. Atrás do quadro, que continha uma pintura um tanto quanto tosca em relação ao extravagante gosto de Francis, estava um pedaço de pergaminho, mais parecido com pele de animal, fixado à parede com tarraxas douradas.
A visão da pintura pitoresca e levemente desbotada fez o coração dos três congelar. Ela tinha cabelos longos e cacheados que estavam presos a um meio rabo armado e deixava que as mechas lhe escorressem por sobre os ombros. O vestido tinha várias rendas e um decote generoso retangular, as mangas três quartos terminavam por mostrar os braços finos e delicados daquela jovem, tendo as mãos pousadas gentilmente sobre o colo. O sorriso era enigmático, como se naquele tempo, se parecer com a Mona Lisa fosse uma espécie de normalidade, mas os olhos... aqueles olhos eram inconfundíveis. Aqueles olhos chocaram mais do que o resto do quarto, eles eram de uma pureza absurda, embora o brilho de seu sorriso não os atingisse, deixando-os opacos, mas ainda assim belos.
Aquela pessoa no quadro, concluíram eles, só poderia ser a princesa Letizia Yerona, mas por que eles tinham tanta certeza de que ela também poderia ser Cardigan?
Capítulo 16.
- Isso é inacreditável! - murmurou mal contendo o assombro na voz. - É a !
- Não, , essa é a princesa Letizia. - Stefan disse com convicção embora seu semblante estivesse contorcido em puro terror e fascínio, mesclados. - São pessoas completamente diferentes.
- Você quer dizer com personalidades diferentes, - Damon o corrigiu olhando o quadro com saudade nos olhos. O que sua pequena estaria passando naquele momento? - fisicamente são a mesma pessoa.
- Ainda assim, são pessoas diferentes. - Stefan deu de ombros. - O que vamos fazer?
- Sentar e esperar. - afastou-se do quadro com um desconforto na boca do estômago. - Já sabemos que ela tem que romper o laço ou nunca sairemos daqui.
- Você está certa, é a única coisa que podemos fazer no momento. Pelo menos se quisermos continuar vivos. - Damon sentou-se ao lado dela balançando as pernas para cima e para baixo. Ele só estava à espera de sua própria dor.
Harry deslizava seus lábios venenosos pelo corpo de , a qual se deixava afundar cada vez mais sobre a cama. Nunca havia se sentido tão sufocada como o sentia naquele momento. Suas mãos agarravam fortemente os sulcos entalhados na cabeceira de madeira maciça enquanto deixava seu pescoço ao dispor do mais velho, apenas esperando que algo dentro dela despertasse e ela pudesse finalmente trair a si mesma.
Aproveitando que seu rosto estava virado para o teto, ela resolveu ter um último vislumbre de como era sua vida e de como seria dali a alguns minutos. Enquanto passeava os olhos pelo teto sem graça pintado de branco ela alcançou em seu campo ocular as pontas da cabeceira, presentes como duas torres em um castelo. Se pelo menos ela as alcançasse... poderia quebrá-las rapidamente e espetá-las através do coração de Harry. Então tudo estaria acabado e ela não precisaria sacrificar seu laço com Damon.
Sua respiração se acalmou com a nova ideia que lhe surgia e ela endireitou as costas, puxando seu corpo um pouco mais para cima. Harry sequer levantou o olhar do abdômen de que era onde ele se encontrava agora, deixando-a ainda mais radiante com a possibilidade iminente. Seu braço esquerdo ergueu-se até estar completamente esticado e quase estralando as juntas, os dedos envolveram-se no cilindro de madeira e com um movimento que, de tão rápido, foi silencioso, ela tinha a sua própria estaca em mãos. Voltou a deslizar seu corpo para baixo, ficando em uma posição onde seria fácil alcançar o coração de Harry, mesmo adentrando pelas costas...
- Tsc, tsc, tsc. - ele fez com os lábios nos intervalos entre os beijos que depositava em sua pele. - Seu laço idiota por três vidas, se este não for um preço justo então não poderá haver um melhor, só piores. - ele disse de forma fria e dura, fazendo estremecer. Ela deixou o cilindro de madeira escorregar por sua mão, ele rolou até a borda da cama, caindo ao chão com um som abafado pelo carpete.
Harry apertou suas mãos ao redor da mais nova, trazendo-a para mais perto de si e fechou os olhos, sentindo-os arderem. Ela havia falhado, mais uma vez. A boca dele tornou-se muito mais agressiva, deixando vergões avermelhados que rapidamente se curavam sobre a pele excepcionalmente pálida da menina. As mãos grandes e ásperas dele deslizaram agressivamente pelo corpo delicado e frágil de e ela gemeu em protesto quando seguiram para a parte interna de suas coxas, separando-as de maneira brusca.
- Eu... - ela ouviu seus lábios pronunciarem e congelou. Respirou fundo, tomando coragem, pior do que aquilo só se todos eles acabassem mortos, concluiu enquanto pigarreava e se preparava. - Eu... te... amo. - um soluço escapou do fundo de sua garganta e comprimiu os olhos recusando-se a ver a vitória e o escárnio nos olhos e lábios de Harry.
- Inacreditável como é só abrir as pernas que as palavras saem. - debochou ele e o corpo todo da menina se contraiu em um soluço contido, as mãos cerraram-se em punho e ela tentou retomar o fôlego. - Mas não é tão simples assim.
O mais velho sentou-se na cama, ficando entre as pernas de e passou a unha do polegar na base de seu pescoço, abrindo um corte fino, porém fundo o suficiente para que o sangue começasse a escorrer, esguio e silencioso como lágrimas cor de escarlate. Ele inclinou-se sobre seu corpo de forma ameaçadora, fazendo com que o sangue pingasse sobre o queixo de , e subiu até seus lábios firmemente comprimidos.
- Beba. - ele disse deleitado, mantendo o corte aberto com a unha pressionada contra a pele. relutou no começo, mas depois esticou o pescoço e deixou os lábios percorrerem o corte a fim de tirar proveito do sangue que lhe era oferecido. Harry soltou um gemido de satisfação e pegou pela nuca, pressionando-a com toda a força contra seu pescoço, adorando a sensação de vitória.
Ela foi separada de sua pele bruscamente, como se já estivesse ficando acostumada demais para o próprio bem. O corte se fechou diante dos olhos marejados de e Harry voltou a encará-la na mesma altura.
- Agora, é a sua vez. - ele disse com um sorriso malicioso sobre os lábios que mais assustavam do que realmente seduziam.
- Mas como é que... ai! - gemeu ela quando a unha do rapaz lhe atravessou a carne de forma violenta, abrindo um corte na parte mais carnuda de seu pescoço. Harry aproximou-se e bebeu, murmurando de felicidade enquanto deixava seu corpo pesar sobre a cama, não querendo sentir nada além do necessário. Damon estaria sentindo muita dor?
- Damon? - virou-se estupefata ao primeiro gemido do cunhado, quando ele caiu deitado sobre a cama. - Ah meu Deus, Stefan, olhe! - ela observou, aterrorizada, enquanto Damon empalidecia de forma nunca vista antes e enrolava-se em posição fetal, os gritos de dor abafados pelo seu orgulho.
- Ela rompeu o laço. - o mais novo disse com pesar enquanto pressionava a testa do irmão com a palma da mão. - Damon, Damon me escute. - ele virou a cabeça do moreno em sua direção. Damon mordia o próprio lábio com força, abrindo uma fenda bem ao meio dele que não tinha tempo de cicatrizar antes de se abrir novamente. - Isso vai passar, vai passar.
Havia mais do que dor naqueles olhos de um azul profundo e hipnotizante, havia angústia, medo e, talvez o pior de todos eles: abandono. Stefan tentou confortar o irmão e o mesmo fez , tão chocada e temerosa pela dor do mais velho quanto seu próprio irmão estava. Mas apenas uma coisa os confortava: Damon era forte e isso também significava que estavam todos prestes a sair dali. A liberdade praticamente gritava em seus ouvidos e, à parte do sofrimento pela falsa traição de , eles sabiam que tudo estava perto do fim.
- Ah, bem na hora. - ouviram a voz de Francis ecoar atrás deles. Com toda a agonia de Damon, eles sequer haviam notado que o vampiro mais velho adentrara o quarto com seis capatazes. - Pobre Damon. - disse ele em uma voz calculista sem o menor resquício de pena ao atravessar uma agulha de oito centímetros pelo pescoço do moreno que deu uma última guinada antes de cair adormecido.
- O que você pensa que está fazendo? - gritou estupefata. Não, Francis não podia estar tentando dar uma de bonzinho para cima deles. Aquela desculpa não iria colar.
- Colocando-os para dormir. - sentiu uma picada ardida no pescoço e logo perdeu os sentidos. Stefan observou a esposa e o irmão drogados e sendo carregados pelos homens de Francis e trocou um último olhar de terror com o mais velho antes de também ser pego, com uma picada dolorosa na nuca.
- Onde você quer que os coloque, chefe? - o chefe dos seguranças perguntou, cada um segurando um braço de , Damon e Stefan. Francis os observou de cima, arrematou a mão esquerda de Damon e retirou com violência o anel de lápis-lazúli que pendia no dedo médio do rapaz com o brasão dos Salvatore. O mesmo fez com o anel de Stefan e a pulseira de . Sentindo-se satisfeito, olhou para os serviçais e sorriu.
- Para a estufa, logo, logo o sol nascerá. - Francis sabia que era um movimento arriscado, se Harry fosse mais demorado do que o planejado, talvez perdesse sua família e sabe-se lá o que poderia acontecer. Provavelmente, o vampiro pensou, ele poderia até sair no prejuízo. - Mas os deixe no canto, onde o sol nascente não alcance. Precisamos ganhar tempo.
O chefe humano assentiu com a cabeça e eles se retiraram do quarto, carregando-os para baixo. Francis chacoalhou os amuletos em sua mão fechada e olhou com tédio e descaso para o quarto antes de sair e bater a porta atrás de si. A liberdade, concluiu ele, não era assim tão fascinante afinal de contas.
- Pronto? Já acabou? - disse com a voz tremendo, os olhos tinham pintinhas pretas cada vez que ela piscava. Harry havia bebido muito dela, mais do que ela mesma bebera dele.
- É claro que não. - ele sorriu, provavelmente achando graça de seu sofrimento. - Precisamos consumar o amor que você diz ter por mim.
fechou os olhos e tentou retomar a respiração, bem lá no fundo, seu peito doía. Ela sabia que era por causa de Damon, sua cabeça girava ao redor dele, mas nada captava. O mesmo acontecia com Stefan e , o que será que estava acontecendo? Um vampiro não poderia morrer pelo simples rompimento de um laço, repetia para si mesma a fim de garantir algum conforto para sua mente perturbada, mas estava ficando cada vez mais difícil. Agora, com a nova imposição de Harry, foi quase impossível para ela conter o urro de raiva, deixando apenas que um grunhido ecoasse no fundo de sua garganta.
Ela jurou ouvir Harry rir antes de despir suas poucas roupas e tirar as próprias. tentou se desligar das sensações, do prazer carnal que rondava sua natureza de vampira, mas era quase impossível. Ela estava ligada a Harry agora e, como acontecia com Damon quando eles tinham um momento íntimo, tudo o que ele sentia, ela sentia também. E aquilo a matava por dentro, matava todo e qualquer resquício de bom senso que lhe sobrara daquela experiência lamentável.
Embora o prazer percorresse suas veias, em conjunto com o sangue de Harry, jurava poder sentir as entranhas arderem como se estivessem em brasa. Era uma luta interna, tão dolorosa e tão forte que a deixava quase desnorteada. O lençol que seus dedos finos e delicados agarravam eram em resposta à dor que implodia dentro de seu próprio corpo imortal. Não era a dor do estupro que sofria, muito menos o peso da culpa que a esmagava, mas apenas o mal estar e o desespero que travavam a batalha, loucos para serem liberados por seu corpo tão frágil e, ao mesmo tempo, tão forte.
As sensações excruciantes foram aplacadas pelo formigamento que varreu seu corpo por completo, pouco antes de Harry cair sobre si, a respiração ofegante. Seu rosto tinha pontos brilhantes de suor e o mesmo sorrisinho debochado ainda dominava seus lábios. Então já havia acabado? Pensou fechando os olhos por breves segundos. Agradecia, mesmo tendo certeza de que não merecia nem pensar na palavra "obrigado", por não ter sentido a violação do vampiro mais velho em seu corpo. O sangue poderia parecer algo íntimo para os vampiros, mas ainda via o contato de seus sexos como o ponto alto da intimidade de um casal. E Harry a havia forçado àquilo. Mesmo concordando para um bem maior, um bem que agora ela não tinha tanta certeza de que se concretizaria, ela se sentia suja e corrompida e água nenhuma poderia lavar aquilo de seu corpo e muito menos de sua própria alma.
Ela não poderia se dar ao luxo de esquecer aquele momento inoportuno, sua memória de imortal carregaria aquela cena para sempre, incrustada em dor e sofrimento. Um momento que desejava desesperadamente poder se esquecer.
- Venha, está na hora. - Harry a agarrou pelo braço e vestiu o robe de qualquer jeito em seu corpo enquanto se deixava levar apenas no modo mecânico. Os vasos sanguíneos ainda formigavam e sua cabeça nunca pareceu tão vazia. Um pouco de sangue e tudo estaria acabado, mas ela levaria consigo para sempre, marcado com ferro em brasa. tinha medo de não conseguir lidar com aquilo.
Capítulo 17.
Desceram os lances de escada em silêncio. Não havia um único criado andando pela casa naquele momento. As janelas estavam escuras, contornadas por um brilho azul anil, indicando que o nascer do sol aconteceria dali a algum tempo. Quanto tempo, entretanto, não sabia. Na verdade ela nem se importava. Deixava-se ser carregada pelo braço por um Harry afobado, porém presunçoso. E aquilo doía muito nela.
Atravessaram o corredor, passando pela cozinha que, mesmo com a luz acesa, estava vazia. Abriram a porta dos fundos da casa e reconheceu o jardim. Pela primeira vez ela não sentiu nada. Observava a paisagem sem realmente vê-la enquanto eles seguiam para um prédio de vidro que ficava mais ao norte da propriedade. Era uma estufa. Ao lado dela, havia um galpão, alto e imponente. Provavelmente Francis estaria lá, esse pensamento cruzou a cabeça de rápido como um raio antes de sumir como se nunca tivesse sequer existido.
Provavelmente ela estava em estado de choque, se é que vampiros podiam ficar assim, mas nada poderia explicar melhor a ausência de humanidade naquele corpo de garota que, há dez anos, sofrera dos mais variados tipos de agressões e, ainda assim, sobrevivera para tornar-se uma bela imortal. Tão bela que os rapazes entornavam os pescoços quando ela passava, tão estonteante que Damon sorria como um bobo ao olhar para ela todos os dias de manhã, tão jovem que seus pais nunca notariam a diferença porque, para eles, continuaria sendo o seu bebê, a sua criança, sua caçula.
A sensação de ter a vida passada diante dos olhos acometeu com tamanha força que seu corpo cambaleou um pouco e ela tropeçou nos próprios pés. O braço de Harry a sustentou pela cintura e eles continuaram a caminhar pela grama muito bem cuidada na direção do prédio de vidro. Quando a porta trabalhada se escancarou, reconheceu os vultos, recolhidos em um canto. Três deitados e um em pé.
- Francis? - ela ouviu Harry chamar pelo vampiro mais velho.
- Oh, foram mais rápidos do que imaginei! - ele juntou as mãos em frente ao peito, sorrindo com maldade.
- O que aconteceu aqui? - agora a voz de Harry havia perdido a cumplicidade. franziu o cenho e fincou os pés no chão, forçando sua mente a focar na realidade a sua volta. Harry havia soado... surpreso? - Não foi esse o combinado. - ele puxou para se aproximarem de Francis e a menina pode ver o que já suspeitava: , Stefan e Damon estavam com as mãos e os pés presos por algemas de plástico e os rostos virados na direção do chão.
- E o que te importa? Você cumpriu a sua parte, agora me deixe fazer a minha. - ele estendeu a mão de forma autoritária na direção de , mas ela foi puxada para trás pela mão firme de Harry.
- Você disse que não ia machucá-los. - ele trincou os dentes, parecendo descontar toda sua raiva sobre o braço da mais nova que ainda mantinha seus olhos fixos na família.
- Ora, mas vejam só. - Francis deu um passo para o lado de forma a deixar , Stefan e Damon, entre Harry, e ele. - Viu o que você fez, sua vadiazinha? - seu olhar raivoso faiscou sobre que o encarou de volta sem medo nenhum. - Você o contaminou com a sua humanidade. - ele cuspiu a última palavra. - Harry, querido, vamos! Me entregue a pestinha e eu e você sairemos daqui antes de o sol nascer.
- Não. - Harry disse com convicção sem afrouxar o aperto no braço de . Ela ainda mantinha seus olhos sobre o mais velho, como se o desafiasse para um duelo.
- Não seja ridículo! Você não tem escolha. - Francis cruzou os braços, desgostoso. Sua expressão não escondia o quanto ele estava surpreso pela relutância do vampiro mais novo.
- Na verdade, eu tenho sim. - mais rápido do que pudesse registrar, seu braço foi solto e Harry tornou-se um borrão que atravessou a estufa.
Logo, Francis era jogado contra uma das bancadas cheia de vasos com flores, provocando um estardalhaço que mais parecia com a explosão de uma bomba. cambaleou para trás, assustando-se com o barulho e seus olhos foram dos dois vampiros que lutavam, para aqueles que mais lhe importavam. Parecendo limitada, ela correu na direção deles em passos humanos, sentindo as lágrimas escorrerem por seus olhos quando os joelhos foram de encontro ao piso frio e sujo de terra.
- Damon? Damon! - ela gritou, a voz saindo falha e num gemido de desespero. - Por favor, acorda, acorda! - as mãos agarraram o tecido da camisa do rapaz e o chacoalhavam sem obter qualquer resposta. - Damon, por favor, não me deixa aqui sozinha, acorda. - sentou-se sobre os pés e os lábios foram de encontro ao bíceps dele, as lágrimas molhando a manga da camiseta.
Ao fundo, os barulhos da luta ainda ecoavam em proporções catastróficas dentro do espaço fechado, fazendo com que ferramentas de jardinagem, terra, húmus e flores voassem para todos os lados. Mas nada afetava , pelo menos não a ponto de tirar sua atenção do amado que ainda permanecia inconsciente. A bochecha descansava sobre a manga da camiseta de Damon, enquanto os olhos piscavam com força em busca de soluções para o que ela não tinha ideia de estar acontecendo.
- Me perdoa, por favor... - implorou ela virando seu rosto contra a pele do mais velho. - mas não me deixa, não me deixa.
Tomada pela dor, ela rompeu com as algemas em um único puxão, virando Damon de barriga para cima. As mãos agarraram novamente a camisa, agora amarrotada, do rapaz enquanto ela o mexia desesperadamente, esperando que ele abrisse os olhos. Pressionou seu rosto contra o peito dele, deixando mais lágrimas caírem, a derrota lentamente a dominando. Não havia volta, estava acabado. Damon estava morto e ela também não se demoraria muito a juntar-se a ele. Era só uma questão de tempo para que Francis acabasse com Harry, sua própria cria, e viesse atrás dela.
Embora tivesse começado a aceitar o destino já reservado a ela, grande parte de seu ser ainda lutava, esbravejava como a menina mimada que ela costumava ser. Ela não poderia desistir assim tão fácil. Observou Harry e Francis novamente, a luta deles apenas um borrão de tão rápida. Ficava difícil, até para os olhos sensíveis de , saber quem estava com a vantagem naquele duelo. Os barulhos eram horríveis, era como se houvesse três vezes mais vampiros lutando do que de fato havia. Mas algo chamou a atenção da mais nova.
Não foi a paisagem destruída, as flores caídas desoladamente sobre o chão frio e duro e muito menos as ferramentas que voavam, ensanguentadas. Mas o céu. O céu que, agora, estava muito mais claro do que ela se lembrava. Começava a se erguer em tons alaranjados, indicando que o sol nasceria dentro de alguns minutos. Ela voltou seu olhar para Damon, a mão esquerda estava vazia. Procurou, então, pela mão direita, não havia nada. Seus olhos desesperados percorreram o pulso da irmã: sem nada; o mesmo aconteceu com Stefan. Até que finalmente ela ergueu as próprias mãos para tocar o pescoço. Sua gargantilha não estava mais lá. O que indicava apenas uma coisa: todos eles morreriam carbonizados.
- Não! - ela gritou, voltando a encarar Damon. Dessa vez ela o chacoalhou mais forte. - Não! Não pode terminar assim! - seus soluços voltaram a ecoar pela estufa, agora tão altos quanto os barulhos da luta. - Não pode acabar assim! - protestou ela mais uma vez, deixando que as mãos prendessem o tecido da camisa de Damon entre os dedos. caiu sentada sobre o chão, uma das mãos lhe tomando a boca que não conseguia mais se fechar. Sabia que seu estado emocional não a ajudaria naquele momento, ela não conseguiria carregar os três para dentro rapidamente evitando que se queimassem.
No meio daquele caos todo, o que mais doía em , o que quase a matava de tanta dor, era saber que Damon nunca mais a ouviria dizer que o amava. Ela nunca mais poderia olhar naqueles olhos azuis e perder o ar quando o ouvisse dizer que também a amava. Seus soluços haviam se transformado em gemidos de dor, em gritos de agonia enquanto ela se encolhia sobre o corpo daquele único ser que ela amara. Ele morreria sem ouvi-la uma última vez, ele morreria sem saber que, mesmo depois do laço ter sido rompido, ela ainda o amava com todas as forças, com todo o seu sangue, com toda a sua alma.
Os primeiros raios de sol surgiam no horizonte e fez o que podia, empurrou os três corpos para o canto extremo da estufa, onde primeiramente o sol não atingiria e continuou agonizando com sua dor, agora lhe tomando até os pensamentos e sentimentos. Tudo era uma bagunça, uma dor só, que apenas aumentava de intensidade. Era como se sua cabeça estivesse prestes a explodir, seu corpo se partir em mil pedaços e o coração ser arrancado do peito. pressionava a cabeça com força, ainda gritando pela dor que os pensamentos lhe infligiam. Era tudo ruim demais, confuso demais, tortuoso demais para parecer verdade.
O sol avançava impiedoso sobre o piso, se encolhia o máximo que podia, mesmo que ele ainda estivesse a, pelo menos, dez metros de distância. Sabia que em apenas minutos eles seriam atingidos e ela sentiria toda a dor. A dor da carne em brasa, a dor que apaziguaria as demais, que faria com que tudo fosse embora. Mas não, ela simplesmente não conseguia aceitar. Porque, embora a dor fosse inimaginável e praticamente enlouquecedora, aquilo indicava que ela estava viva e que, por isso, ainda conseguia pensar e se lembrar, ainda conseguia sentir o coração bater contra o peito (mesmo que despedaçado) e o ar entrar em seus pulmões, embora queimando como ácido.
encolheu-se em posição fetal, os joelhos tocando as costelas de Damon e a cabeça repousada sobre seu peito. As mãos o agarravam pela camisa como se aquilo e apenas aquilo fosse salvar sua vida. O céu estava clareando, agora ela podia ver nitidamente a expressão serena do rapaz à sua frente. E aquilo doía, doía tanto que ela se encolheu ainda mais, soltando uma das mãos para pressionar o peito com o intuito de que a dor parasse. Mas ela não parava. Não parava e ela sabia por quê.
A droga. A droga que fazia seu coração bater ainda circulava em seu organismo rebelado e isso fazia com que seu corpo sucumbisse aos sintomas de um infarte, mas sem deixar que nada acontecesse. Em outras palavras era um sofrimento prolongado pela sua própria imortalidade. O sol nunca parecera tão convidativo quanto estava naquele momento, ele aplacaria toda aquela dor e deixaria e Damon juntos para todo o sempre. Não no plano terreno, é claro, mas em um plano acima, no qual não tinha tempo e nem cabeça para pensar. Ela só queria que se apressasse e que tudo acabasse. Agora, de uma vez por todas.
- Eu te amo, eu te amo, eu te amo... - ela murmurava contra o peito de Damon, balançado a cabeça em negação. Ainda havia uma parte, uma pequena parte dela que não queria acreditar em tudo aquilo. Aquela parte era a que fazia seu coração bater dolorosamente, que fazia com que ela sentisse cada músculo de seu corpo contrair com os espasmos de seus soluços. - Eu te... - ela tossiu, contraindo-se até formar uma bolinha com seu corpo e a cabeça latejou de maneira que a fez gritar. Em seguida relaxou, desmaiada, sobre o amado. Era o fim.
Se havia morrido, ninguém poderia dizer. Tudo o que estava visível e decifrável era que seu corpo, tão pálido quanto os demais, estava inerte. Mas ela era imortal e o único palpite que restava era um desmaio. Um causado muito mais provavelmente por um enfarte, exceto pelo fato de que vampiros não tinham enfartes. Eles só poderiam morrer com uma estaca no coração e aquilo nenhum dos quatro tinha. Portanto, só restava uma única teoria: aquilo não havia terminado.
Capítulo 18.
Harry jogou para o lado o corpo despedaçado de seu criador, o sol felizmente não o incomodava, permitindo-o levantar-se sem maiores problemas, a maioria das feridas da batalha já estavam curadas. Não havia sido fácil vencê-lo, se não fosse pelo sangue de em seu corpo, Harry provavelmente morreria tentando. Mas agora que ele estava em pé novamente, podia ter uma visão do estrago que havia causado. Nunca gostara daquela estufa de qualquer jeito.
Observou o canto oposto ao que estava, onde e a família jaziam. Durante a luta ele se lembrava de ter ouvido alguns gritos ao fundo, ou então havia sido o ranger dos objetos que se quebravam com o impacto de seus golpes para cima do Mestre. Harry percebeu que estava silenciada, caída sobre o peito de Damon, depois seus olhos percorreram o chão iluminado pela luz dourada do sol. Faltavam apenas dois metros até que ela alcançasse a família e eles estavam sem proteção alguma.
Agachou-se para alcançar o bolso da calça de Francis que, agora, caía pelo chão vazia já que seu corpo havia virado cinzas. Tirou de lá os amuletos dos irmãos Salvatore e de , depois remexeu no próprio bolso da calça, a qual vestira de qualquer jeito antes de arrastar para aquele inferno, e retirou a gargantilha da mais nova. Aproximou-se deles em menos de um passo, tão rápido que mal pode acreditar quando, em menos de dois segundos, todos eles estavam com os anéis, a pulseira e a gargantilha de volta nos lugares a que pertenciam.
Pegou-os nos braços, um de cada vez, e os levou de volta para a casa. Agora estavam fora de perigo, todos seguros. Só precisavam de cuidados médicos, já que Harry reconhecia que Francis os havia drogado com o mesmo composto químico que ele lhe dera antes para testar em . A diferença era que agora ele tinha o antídoto e, já que Francis estava morto, o controle da casa e dos criados lhe pertencia.
Depois de deixar o corpo de descansar inerte sobre os degraus da escada principal, Harry reuniu todos os empregados no saguão da casa. Deixou bem claro o que havia acontecido e que, a partir daquele momento, Damon e Stefan Salvatore, e Cardigan seriam tratados como hóspedes normais e deveriam ser cuidados com atenção redobrada. Ele faria o antídoto para que pudesse injetar neles o mais rápido possível ao invés de esperar a química perder o efeito.
Restava, então, o misterioso desmaio de . Ela não fora drogada, Harry bem se lembrava, a única coisa que poderia estar de estranho dentro de seu corpo era o próprio sangue, o qual ele a havia forçado a beber. Ele se sentia um monstro por isso, ter passado aquele tempo todo fazendo o trabalho sujo de Francis sem ao menos parar para contestá-lo sobre o certo e o errado. O justo e o injusto. havia aberto seus olhos, demorara um pouco para ele se dar conta disso, mas ela sem dúvida o ajudara. E ele a havia machucado, fizera com que ela rompesse o laço, o laço que era a coisa mais importante para ela.
Harry a deitou na maca ao lado da de sua irmã e observou seu rosto, estava pálido, cansado e sofrido, embora as sobrancelhas estivessem relaxadas e os lábios em uma linha fina. Os polegares deslizaram pelas bochechas úmidas da mais nova, limpando o rastro de lágrimas. Ele só esperava que ela acordasse logo e, assim, pudesse ver a família acordar também. Eles poderiam, finalmente, ir para casa e continuar com suas vidas. Isso era o mínimo que Harry poderia dar, apesar de não chegar nem perto de se redimir por tudo que lhes havia causado.
- Senhor? - uma das empregadas que costumava ficar no porão, pelo menos quando havia enfermos naquela casa, despertou-o de seus devaneios. - O antídoto está pronto. - ela estendeu três seringas em uma bandeja de aço cirúrgico.
O vampiro mais velho deixou seus olhos passearem mais uma vez pela expressão de até que ele se levantou, embora relutante, da maca onde a garota estava e pegou a primeira seringa. Tirou a tampa e testou um pouco, virando-se para . Respirou fundo e esticou o braço direito dela, que estava dobrado, a mão repousada sobre o abdômen. Buscou pela veia e penetrou a grossa agulha, injetando o composto rapidamente. Retirou e pressionou com o dedo o buraco, esperando o tempo necessário para que cicatrizasse.
Instruiu a jovem humana a ficar de olho na mais velha Cardigan e deixou aquele lado do porão, seguindo para a sala ao lado, onde os irmãos Salvatore se encontravam. Lá, aplicou uma seringa em cada um deles e colocou mais duas empregadas para ficar de olho nos dois. Por fim, voltou ao quarto onde estava e sentou-se na borda da cama, segurando uma das mãos dela, que ficava pequena entre as suas. Estava na hora de jogar todas as peças na mesa e tentar começar a montar o quebra-cabeça. Harry tinha certeza de apenas uma coisa: ela não estava morta.
Vinte longos minutos se passaram até que finalmente acordasse. O quarto ao seu redor estava em silêncio, mas indiscutivelmente claro, o que a fez retesar o corpo em defesa. Olhou para sua direita e sentou-se rapidamente, jogando as pernas para fora da maca. Estava prestes a agarrar Harry pelas costas quando o mesmo se afastou, revelando a irmã caçula deitada sobre a maca. As veias ao redor dos olhos estavam negras, mas ela parecia dormir profundamente.
- Ela está bem? - todo o ódio suprido por Harry transformou-se imediatamente em preocupação por . Sua voz deu uma leve vacilada quando ela se aproximou do outro lado da maca, vendo que havia uma agulha espetada em seu fino braço, por onde o suprimento de sangue humano passava.
- Eu não sei. - a voz dele parecia... cansada. Acabou por pegar desprevenida, deixando claro quando ela deu um sobressalto e seus olhos se arregalaram.
- Onde está Francis? - sua boca ficou com um gosto amargo ao pronunciar o nome do homem.
- Eu o matei. - Harry disse ainda sem desviar o olhar de . A mais velha Cardigan percebeu que ele lhe acariciava os dedos pálidos com calma e desatenção, como se já estivesse fazendo aquilo há horas. - Nunca deveria tê-lo obedecido e agora olhe só, vocês quase morreram por minha falta de bom senso. - ele soltou um suspiro pesado.
- Onde estão os outros? - preferia não ter que entrar naquele assunto, pois se o fizesse, acabaria matando o vampiro mais velho e, naquele momento, ele poderia lhe ser útil para salvar sua irmã seja lá o que ela tivesse.
- Na sala ao lado, devem acordar em breve. - ele disse sem emoção, os olhos desconfortavelmente grudados na mais nova.
- Se importa de me olhar nos olhos quando falar comigo? - o tom de irritação surgiu quase que acidentalmente na voz histérica de . Harry virou-se para encará-la e ela pode finalmente analisá-lo. Não havia deboche, nem malícia e muito menos maldade em seus olhos. Estavam opacos e preocupados. - O que aconteceu com a minha irmã?
- Eu já lhe disse que não sei. - ele suspirou mais uma vez, derrotado. - Sei que sou a última pessoa em quem você confiaria agora, mas, por favor, entenda. Eu só quero ajudar.
- Isso nós discutiremos depois. - disse firme e forçou-se a deixar a sala para sair à procura de Stefan. Não precisou, entretanto, andar muito já que, ao atravessar o batente da porta, Stefan virava para seguir em sua direção.
Eles se olharam por um breve segundo antes de trocarem um longo e aconchegante abraço. Sem perceber, estava aos prantos. Stefan acariciou-lhe os cabelos e ela podia notar, pela proximidade com seu corpo, que ele também se controlava muito, mais para deixá-la calma do que a si mesmo.
- É a , não é? - ele perguntou calmamente, a voz mantendo-se suave com o intuito de aquietar o desespero de .
- Ele não sabe o que aconteceu com ela. - murmurou contra o peito forte e musculoso do marido, abraçando-o com mais força. - Stefan e se tiver acontecido alguma coisa? Nós não estávamos lá para ela. - seu soluço foi tão alto que ecoou por todo o porão. O mais velho suspirou, descansando o queixo sobre o topo da cabeça da garota.
- Harry nos ajudou, , embora você se recuse a acreditar. Ele destruiu Francis para salvar a todos nós e vai cuidar para que possamos ir para casa. - ele disse pausadamente, temendo a reação da esposa. Ela apenas respirou, trêmula, e fungou erguendo a cabeça para olhá-lo.
- Como você sabe? - sua voz saiu rouca e ela fungou mais uma vez.
- Consigo entrar na cabeça dele. - Stefan deu de ombros, mas ao ver a expressão perdida de , prosseguiu. - Desde que ele nos tirou de perigo, abaixou a guarda e, com ela, todas as defesas de seu corpo, incluindo as que bloqueavam seus pensamentos. Tudo em que ele consegue pensar nesse momento é no que aconteceu com a . E em nada mais.
- Você já tentou entrar na cabeça dela? - sabia o quanto a irmã odiava aquilo, por isso havia sido a primeira coisa que ela aprendera a bloquear. Agora, no entanto, ela desejava desesperadamente saber o que se passava lá dentro. Entender como e o que havia acontecido desde que Francis adentrara seu quarto e os drogara.
- Já. - a voz de Stefan ficou sofrida de repente, quase como um gemido.
- E...? - sentiu os joelhos tremerem, mil e uma possibilidades atravessando-lhe a imaginação.
- Não há nada. - o mais velho suspirou, muito mais triste do que frustrado. - E não estou falando de uma barreira que ela possa ter erguido, mas não há nada mesmo. Como se... como se ela estivesse morta. - ele abaixou ainda mais a voz. Desejava não ter que dizer aquelas palavras.
- Mas ela está morta, amor. Todos nós estamos. - disse sem emoção, como se já estivesse cansada de pronunciar aquelas palavras.
- Não é a esse tipo de morte a que me refiro. - Stefan estava sendo duro, porém coerente. Tentava achar uma explicação para o que vira dentro da cabeça de . O maior e mais completo vazio absoluto. - É como se... estivesse em um coma, um momento "fora do ar". Sua mente está vazia justamente porque ela não está lá para pensar.
- Está me dizendo que ela saiu do próprio corpo? - mal pode acreditar até ouvir as palavras saltarem de sua boca.
- Talvez seja isso, mas eu ainda não tenho certeza. - ele coçou o queixo e deixou que se afastasse dele.
- Quando ela vai voltar? - quis saber a menina com um resquício de esperança na voz. Talvez fosse apenas uma situação temporária, como havia sido com ela e só precisaria de um antídoto.
- Difícil dizer... - Stefan respirou ruidosamente, preparando-se para o que diria em seguida. - talvez ela nunca volte.
deixou o corpo escorregar em direção à parede, logo ao lado de Stefan. O que acabara de ouvir era como um tapa na cara. Talvez sua irmã nunca mais voltasse a ser o que era antes, nunca mais falaria, nem sorriria, muito menos viveria ao seu lado.
As lágrimas voltaram a seus olhos com uma força brutal, perder soava ruim demais, ainda mais quando ela sabia que seu corpo não havia morrido, que ela não havia morrido, mas que, de alguma forma, sua alma se ausentara de seu corpo. E sem a previsão de retornar.
- Como você pode saber dessa possibilidade? - perguntou ela com os olhos esbugalhados, quase suplicantes, direcionados na direção do marido.
- Porque Damon está do mesmo jeito. - agora a dor parecia acometê-lo como nunca antes. - Eu vi a mesma coisa quando adentrei sua cabeça. Parece que o laço não foi totalmente quebrado, para onde quer que tenha ido, ela o puxou junto. E agora os dois estão... não estão. - ele concluiu, a cabeça pendendo para a frente em derrota.
Os joelhos de fraquejaram e ela se viu sentada de qualquer jeito sobre o chão de concreto, frio e úmido, daquele porão. e Damon, apesar de não estarem mais com eles, pareciam estar juntos, seja lá onde estivessem. Isso, pelo menos, gerava algum conforto para e Stefan, mas era, ao mesmo tempo, como a dor de tê-los perdido para sempre.
Capítulo 19.
6 meses depois...
moveu o lábio superior devido ao incômodo em suas gengivas. Era algo que coçava, mas que, ao mesmo tempo, parecia desnecessário. Seus membros superiores deram uma leve contração e a mão direita latejou com a perfuração de uma agulha que estava colada às costas de sua mão. Abriu os olhos, finalmente, pesados, porém ávidos e curiosos. Inspirou profundamente e virou a cabeça para o lado direito. estava lá, sentada em uma cadeira com as pernas cruzadas enquanto folheava uma revista. Embora estivesse claramente interessada nas folhas que passavam rapidamente por seus olhos, não se deixou enganar.
Havia olheiras debaixo de seus olhos, as mãos estavam trêmulas, segurando a revista de forma instável, mas fora aquela simples demonstração de que algo estava errado, poderia ser considerada saudável.
- ? - chamou e quase não acreditou na própria voz. Estava falha e rouca, quase não se sobrepôs ao barulho das páginas da revista mudadas de forma quase compassada. O barulho parou imediatamente, desceu o pedaço de papel colorido com os olhos esbugalhados apontando por cima. franziu o cenho, em dúvida se aquilo estava de fato acontecendo ou se era um sonho. Coincidentemente, achava a mesma coisa.
Depois de seis meses velando o corpo da irmã mais nova, trocando sacos e mais sacos de sangue humano, bebendo sua dose de cada dia e mantendo-se acordada por quase vinte quatro horas por dia, ela mal podia acreditar em seus olhos naquele momento. É claro que seis meses, para um vampiro, não deveriam parecer nem seis horas, mas a dor e a agonia com a possibilidade de e Damon nunca mais acordarem, havia tornado aquele tempo todo em um lento e aterrorizante pesadelo.
- ? - ela respondeu com outra pergunta. A mais nova logo identificou o tom de choro e procurou sentar-se. Foi ajudada pela irmã que, logo em seguida, a abraçou com força, finalmente deixando-se chorar copiosamente. - Você está viva! Você acordou! Ah meu Deus, eu não posso acreditar! - ela dizia rapidamente, falando entre soluços e tomadas de fôlego, deixando as palavras soarem trôpegas.
- O que... o que aconteceu? - franziu a testa e se separou da irmã, retirando a agulha que lhe fornecia o sangue humano e, assim, retraindo os caninos e deixando as veias de seus olhos sumirem.
- Você... você dormiu por seis meses. - disse com a voz lenta, porém beirando a histeria, de um modo bom. - Na verdade, eu diria que você hibernou. - riu da própria piada enquanto pegava as mãos da irmã caçula e as colocava nas próprias bochechas, sentindo a maciez de seus dedos pequeninos e delicados. - Eu senti tanto a sua falta.
- Seis meses? - perguntou enquanto sentia o rosto de se esconder no espaço entre seu pescoço e a clavícula. As lágrimas dela molhavam sua pele levemente descoberta pela camisola que vestia.
- Seis longos meses. - se afastou rapidamente, fungando enquanto passava as mãos embaixo dos olhos, como se estivesse envergonhada por estar chorando.
- , você não vai acreditar, é o... - Stefan parou na porta da sala, os olhares intercalando entre e . Logo atrás de si, Damon aparecia, olhando por sobre o ombro do irmão mais novo, tão em choque quanto as outras duas meninas.
- Damon! - comemorou, correndo de encontro ao cunhado e agarrando seu pescoço. - Ah Stefan, eles voltaram! - depois ela seguiu para o marido e os dois se abraçaram.
os observou, era incrível como até em cansaço eles se pareciam. Logo em seguida seus olhos focalizaram Damon, ele também a olhava. Não era como se fossem estranhos um ao outro, mas algo parecia travado dentro da garota. Algo que ela não conseguia expressar em palavras ao vê-lo ali, tão vivo quanto ela bem se lembrava. Não como da última vez, entretanto, em que ela chorara sobre seu peito inerte. Mas aquele era o seu Damon, aquele que ela sempre amou e continuaria amando enquanto seus olhos pudessem abrir e encarar os azuis dele.
De repente, a vida de pareceu ter o 'play' pressionado, pois foi só o moreno ir de encontro a ela, sentando-se na borda da cama e a abraçando com força que tudo pareceu voltar. Inclusive a dor e o sofrimento por tudo o que havia acontecido anteriormente. começou a chorar de encontro ao ombro direito do amado enquanto suas mãos se enterravam em suas largas costas, por cima da camiseta preta que vestia. Era como ter a sua vida de volta, depois de um longo tempo em stand by. Mas ela não imaginaria que seria tão bom e, ao mesmo tempo, tão doloroso vê-lo novamente. Na verdade, por um momento, ela ficou realmente sem saber o que pensar logo depois que abriu seus olhos e recebeu a notícia de que estivera inconsciente por seis meses. Agora, entretanto, parecia mais como se ela ainda estivesse dentro daquela estufa.
Damon, por outro lado, estava radiante, deleitado por ter sua menina em seus braços novamente. Ele sentia-se completo agora e estava demonstrando tudo aquilo através do simples toque de seus corpos. Mas o calor e a alegria cessaram tão logo que ele percebeu que não chorava de felicidade, mas sim de dor e sofrimento. Seu peito afundou sentindo os espasmos dos longos e profundos soluços que a menina soltava enquanto o choro ecoava alto e claro por toda a sala. Seu corpo frágil tremia enquanto ela gemia de dor, uma dor que ele não podia ver e muito menos sentir, mas que sabia apenas que estava lá. E a atormentava.
e Stefan haviam se retirado com o intuito de dar ao casal mais privacidade, mas haviam parado logo depois da porta, no corredor. Stefan trouxe para perto de si enquanto escorava-se na parede fria. O choro de era tão alto e tão sofrido que também os atingia em cheio. Era como o inferno na Terra, o caos completo. E ela chorava, chorava, chorava. Stefan, mesmo com a mente da garota livre para poder ser examinada, não ousou adentrá-la, pois tinha medo, medo do que poderia encontrar lá.
O choro se seguiu por horas a fio, engasgava-se nos próprios soluços, os gritos ficavam cada vez mais insuportáveis e assustadores, era como um bebê desmamado ou uma criança sendo torturada. Ninguém nunca ouvira aquilo antes. Damon continuava a abraçá-la, seu corpo se movimentando junto ao da amada com os espasmos de seus soluços. Uma de suas bochechas descansava sobre o cabelo amarfanhado e longo da menina enquanto as lágrimas de seus olhos desfocados desciam até alcançar o couro cabeludo dela. Ele sabia o que se passava dentro de , pior do que qualquer dor física poderia parecer, a dor que sua menina enfrentava era meramente psicológica. Um trauma tão profundo que ela carregara por todo aquele tempo em que estiveram naquela mesma casa e que ela só conseguia descarregar ali e agora. Entretanto, parecia não ter fim.
A mais velha Cardigan chorava ao ouvir a irmã sofrer em alto e bom som, seu corpo era sustentado pelo de Stefan enquanto ela mesma já não parecia se aguentar mais. Sua cabeça latejava, latejava com as dúvidas sobre o que estaria se passando com . Ela não ouvia a irmã inconsolável daquele jeito desde que... bem, desde que ela quebrara o braço certa vez tentando andar de skate com Jace. Ela chorara por tanto tempo que os médicos a haviam sedado e depois, já não mais estava apavorada. Mas agora a circunstância era outra, tinha certeza disso. E as palavras de Stefan só confirmaram o que ela vinha pensando durante todo aquele tempo em que estivera ouvindo a irmã chorar.
- Essa dor que a acomete é puramente psicológica, - ele disse, a voz também um pouco balançada. - está se libertando de todo o sofrimento que passou dentro dessa casa.
- Eu tenho medo que ela não pare, - soluçou, procurando aconchego nos ombros do marido. - que ela fique remoendo essa dor pelo resto da eternidade. Eu não sei se aguento, Stefan. Ela não merece tudo isso.
- Eu sei que não, sei que não. - Stefan tentou acalmá-la, em vão. parecia cada vez mais histérica, tendo momentos em que os murmúrios e os gemidos baixavam a meros sussurros. - Uma hora ela vai se sentir melhor, mais leve.
- E se ela não se sentir? - encarou o nada, a cabeça descansando sobre o ombro de Stefan enquanto a camiseta se encharcava com suas lágrimas.
- Então vamos ter que tomar seu sofrimento. - ele suspirou ouvindo outro soluço alto da mais nova. - Vamos ter que pedir a Harry que apague suas memórias.
Dentro do quarto, Damon não se permitia dizer uma palavra que fosse. Sabia que conversaria quando estivesse pronta, disposta a compartilhar suas mágoas e sua dor que parecia não ter fim. Enquanto aquele momento não chegava, ele apenas a ninava em seus braços, deixando que a própria dor em vê-la sofrer se esvaísse nas tímidas lágrimas que borravam seus olhos azuis. Ele conseguia ouvir que e Stefan ainda estavam por perto e ambos também sofriam. Ele nunca havia visto sua menina tão perturbada, tão sensível a ponto de estender as crises de choro por mais horas do que ele podia contar.
Seus braços não doíam por apertá-la contra seu peito, suas pernas não estavam dormentes pelo peso de que se debruçava sobre elas, suas costas não incomodavam pelos arranhões deixados pelas unhas da menina que cravavam cada vez mais fundo, mas seu peito, esse sim parecia dolorido e sofrido enquanto tentava equilibrar sua dor com a dela. Tudo parecia ocorrer em câmera lenta e nada estava perto de acalmar a mente confusa e desesperada de . Nada, pelo menos, até que alguém interviesse.
Stefan deixou descansar sobre o chão do porão e resolveu subir para a mansão. Embora estivesse à procura de Harry, também estava à procura de um tempo para pensar, colocar os fatos em ordem e tentar perceber qual seria a melhor solução para . Era de noite, as janelas estava emolduradas com o brilho do azul escuro, pontilhado de estrelas e iluminadas fracamente pela lua crescente. O mais novo Salvatore sinceramente não sabia por onde começar a procurá-lo, por isso começou a divagar pelos corredores da casa, esperando pelo momento em que encontraria algum criado que o levasse até Harry. Então ele se lembrou de que uma de suas habilidades como vampiro dizia respeito a poder rastrear outros e, assim, ele ligou seu próprio radar, marchando à procura do novo dono daquela casa.
Harry apareceu no topo da escada que levava ao terceiro piso, vestia um singelo jeans escuro e uma camiseta cinza de gola redonda. Nos pés tinha coturnos que quase não transpareciam em contraste com o carpete vermelho vinho que estava, também, escurecido pela noite. Seu rosto explicitava exatamente o que se passava em sua mente, embora o porão ficasse a muitos níveis abaixo do lugar onde eles estavam, a audição peculiar de um vampiro ainda conseguia captar o choro de que ecoava como um grito de socorro de alguém que estivesse trancafiado em uma masmorra.
- Ela ainda não se acalmou? - ele perguntou ao terminar de descer os degraus, parando em frente a Stefan.
- Não. - ele disse observando o gesto de Harry para que continuassem a descer. - E duvido que isso esteja perto de acontecer.
- Era o que eu temia. - Harry soltou um suspiro cansado. Não demorou muito para que chegassem até o térreo, onde os gritos ficavam mais altos. - Você quer que eu apague a memória dela, não é? - seus olhos analisaram a expressão de Stefan por um momento, mas ele não pareceu surpreso. Parecia justo que Harry adentrasse a sua mente, já que Stefan viera bisbilhotando a dele.
- Você é mais velho do que nós, tem maiores poderes. não pode continuar desse jeito ou enlouquecerá. - Harry balançou a cabeça, apreensivo. Ele sabia o que se passava com a mais nova tanto quanto Stefan, Damon e . E, embora parecesse um quebra-cabeça, a melhor e mais consciente solução era livrá-la de todo aquele sofrimento, eliminando-o pela raiz: a memória.
- Vejamos o que poderei fazer, estarei disposto a ajudá-los no que for preciso, mas entenda que eu respeitarei a decisão de .
- É claro, afinal de contas nós só queremos o bem dela e nada mais. - concordaram cordialmente e se separaram.
Harry seguiu para a cozinha, ele tinha quase certeza de que se recusaria a ter suas memórias apagadas, por isso precisaria ter uma carta na manga. Enquanto o chá calmante era cuidadosamente preparado, ele resolveu se focalizar no que acontecia no andar de baixo. ainda estava traumatizada, tão traumatizada que, desde que acordara, ela e Damon não haviam trocado uma palavra sequer.
O vampiro mais velho não havia comentado com ninguém, mas ele sentira que o seu laço com se rompera no momento em que ela dissera ao namorado que o amava, pouco tempo antes dela desmaiar na estufa. Ele havia sentido um pouco de dor, mas nada além de um pequeno incômodo no peito. Fora isso que o despertara para ajudá-los a recuperar suas vidas. Ele percebera o quanto seu elo forçado com a mais nova era frágil, tão frágil que se assemelhava a um graveto fino e retorcido.
Embora sempre sonhara com um laço daquela força, Harry se perguntava se algum dia encontraria outro tão intenso quanto o de Cardigan e Damon Salvatore. Na verdade, os laços que envolviam aquela estranha família, duas irmãs e dois irmãos, jamais poderiam ser superados por qualquer outro vampiro que Harry pudesse chegar a conhecer. Chegava a ser... fascinante.
Capítulo 20.
A chaleira apitou indicando que a água estava no ponto certo. Harry derramou-a em uma grande xícara junto com uma mistura de jasmin, melissa, camomila e verbena, essa última em quantidade quase ínfima apenas para que pudesse acalmar sem machucá-la. Adoçou e juntou algumas bolachinhas em uma bandeja, descendo calmamente pela escada que o levaria ao porão.
A situação lá embaixo, sem dúvida alguma, estava o maior e mais completo caos. Vampiros não podiam perder a voz e muito menos ficar roucos, o que explicava a potência com que os soluços e gritos de soavam, como se ela tivesse acabado de começar a chorar. Harry cumprimentou e Stefan que estavam do lado de fora da sala, ambos tão abatidos e calados que não surpreenderam ao vampiro mais velho. Ele continuou caminhando e adentrou a sala onde e Damon se encontravam, ela agarrada a ele de forma quase animalesca.
O vampiro sênior colocou a bandeja sobre uma mesinha de cabeceira e aproximou-se do casal, os ouvidos retumbando com os grunhidos de de forma incômoda. Ele tocou o ombro de Damon que apenas virou a cabeça em sua direção. Como deveria dizer a ele?
- Eu preciso conversar com ela. - resolveu dizer diretamente, sem rodeios, pois a situação não permitia perda de tempo. Ela já havia sofrido demais para um dia.
- Tudo bem. - ao contrário do que Harry esperava, Damon deu de ombros, mas não se separou de .
- Eu gostaria que fosse a sós, se não tiver muito problema. - então a relutância se apossou de todo o corpo do moreno, deixando-o em estado de alerta. - Não se preocupe, ela vai ficar bem. - ele direcionou seu olhar para a porta onde o irmão estava parado e balançava a cabeça de modo afirmativo. Ele respondeu com um aceno e alcançou as mãos de em suas costas.
Pensando que, se dissesse alguma coisa, poderia piorar, Damon se afastou da mais nova sem dizer uma única palavra. aceitou bem o fato, mas a imagem que tiveram não foi das mais agradáveis, seus braços finos caíram pesadamente ao seu lado na maca e ela parecia mais desolada do que nunca. Suas costas estavam curvadas e a cabeça pendia para frente enquanto seu peito inflava e se retraía com os soluços. Damon, embora ainda relutante, deixou a sala, parando à porta ao lado de . Os três trocaram um olhar duvidoso, mas resolveram esperar e observar o que Harry estava prestes a fazer.
- . - ele a chamou em uma voz aveludada, sentando-se de frente para a garota, tentando buscar seu olhar. - sou eu, o Harry, você pode olhar para mim?
havia abaixado seus sonoros soluços para meros grunhidos e gemidos desolados, às vezes os espasmos eram tão fortes que ela acabava engasgando. Foi preciso muita paciência para esperar que ela endireitasse as costas e erguesse o queixo, um pouco hesitante, na direção de Harry. Ele sorriu, respirando calmamente e mantendo a voz em um tom contínuo e relaxante.
- Como está se sentindo? - quis saber Harry. parecia estranhamente... calma. Era a primeira vez em horas que a sala ficava em um quase silêncio. Quase, porque ela ainda balbuciava e gemia conforme os espasmos de sua respiração descompassada permitiam.
- Mal... - ela gemeu desviando o olhar do dele. Aquilo, Harry concluiu, não seria nada fácil. - Você os salvou para mim. - olhou de relance na direção de , Stefan e Damon e sua face se contorceu em choro, mas dava para ver que ela lutava bravamente para se manter calma.
- É, eu os salvei. - Harry sorriu tocando-lhe a pontinha do queixo, erguendo-o em sua direção. Limpou delicadamente o rastro das lágrimas enquanto tentava focalizar as pupilas de nas suas. - O que te atormenta, ? - perguntou ele, apenas para fazer um teste sobre seu poder de persuasão. É claro que compulsão para humanos e vampiros eram completamente diferentes e exigiam muito mais habilidade e energia, mas não custava nada fazer um teste inocente antes de, finalmente, apagar as memórias de .
A mais nova pareceu parar de respirar por um momento enquanto seus olhos entravam em sintonia com os de Harry, era quase como ver um boneco abrir os olhos e observar o mundo ao seu redor sem realmente vê-lo. Os espasmos cessaram, o silêncio agora era absoluto. Os irmãos Salvatore e observavam a cena com cuidado, blindando seus pensamentos caóticos para não assustar . Estavam certos de que, embora fosse injusto apagar suas memórias, eles já haviam tido provas suficientes de que apenas aquele poderia ser o caminho mais seguro. Ou então nunca mais seria a mesma.
- Do que você se lembra, ? - tentou Harry, mais uma vez, ao ver que ela relutara em responder sua pergunta anterior. Estava pisando em gelo fino, um território nunca antes explorado. Se ela fosse humana, provavelmente o serviço já estaria terminado, mas com um gênio tão forte quanto o dela, a energia oscilava perigosamente entre hipnotizador e hipnotizado.
De repente, o corpo de se retesou completamente, ela esbugalhou os olhos, piscando-os rapidamente e movimentando a cabeça de modo a se livrar do toque de Harry. Ela olhou para o colchão à sua frente e depois de volta para o vampiro.
- O que está fazendo? - perguntou ela, a voz beirando a histeria e a descrença. Era o fim, Harry pensou derrotado, ele nunca conseguiria dominá-la novamente. - Está tentando entrar na minha cabeça? - ela virou-se para a família, mas o olhar acusador acometeu o vampiro mais velho como navalhas afiadas. - É a minha cabeça, minhas memórias e minha dor. - disse agressivamente, encolhendo-se contra a cabeceira da maca como um animal assustado.
- Está bem, está bem, me desculpe. - Harry se apressou em dizer antes que ela colocasse o quarto abaixo com sua nova onda de energia. - Olhe, eu trouxe chá e bolachas, vai te ajudar a melhorar, a reidratar. - ele evitou dizer a palavra acalmar para que ela não pensasse que ele estaria tentando drogá-la. - Vamos, senão vai esfriar. Espero que goste de camomila. - ele sorriu por fim colocando a bandeja na frente de .
No início ela relutou, analisando a xícara com olhos desconfiados, quase selvagens, mas depois que ela colocou o primeiro sequilho de leite na boca e mastigou, seu corpo relaxou e ela passou a intercalar os sequilhos com longos goles de chá. Harry se afastou da maca e gesticulou para que os outros três o seguissem para fora da sala. Pararam no corredor mesmo, o porquê, Harry explicaria em seguida.
- Não há nada que eu possa fazer. - ele disse com pesar. - Eu disse a Stefan que respeitaria a decisão de e ela não quer que as memórias sejam apagadas. - ele olhou para a porta, onde sabia que não poderia ouvir. - Esse chá que eu dei a ela tem jasmin, melissa, camomila e uma minúscula quantidade de verbena. Vai ajudar a acalmá-la e talvez ela até consiga dormir um pouco. Se quiserem, posso ensinar como dosar a verbena e a misturar com as outras ervas. É o que posso fazer para aquietá-la, pelo menos até ela conseguir lidar com tudo isso.
- Está me dizendo que a única solução é drogá-la? - disse impaciente, seu corpo balançava para frente e para trás, a cabeça se virando na direção da porta de cinco em cinco segundos.
- Até passar esse estado de histeria, é o melhor que vocês podem fazer. Minha compulsão não funcionou, talvez eu precise treinar mais. Enquanto isso, sugiro que dêem esse chá a ela pelo menos uma vez por dia. Se precisarem de mim ou acharem que ela está pronta para aceitar a compulsão, me liguem. Eu irei no mesmo instante. - Harry disse de maneira séria. Há pouco tempo, Stefan e Damon custariam a acreditar que Harry poderia parecer um vampiro civilizado e sério, quase como um professor ou médico entendido.
Não restando muitas escolhas, eles concordaram em aprender como fazer o chá e a anotar os telefones por onde eles poderiam encontrar Harry em algum caso de emergência. Surpreendentemente, havia pegado no sono pouco antes deles se prepararem para finalmente deixar a mansão. Uma SUV preta os levaria de volta para casa e, depois de agradecer a Harry pelos últimos meses de hospitalidade (à parte, é claro, do tempo de sofrimento), eles seguiram o caminho que há muito haviam deixado de acreditar que um dia voltariam a tomar: o de casa.
Duas semanas depois... sentou-se na borda da cama e apoiou os pés no piso frio. Deu uma olhada por cima de ombro e observou por um breve segundo a figura de Damon esparramada sobre a cama, o lençol lhe cobrindo até a cintura. Levantou-se da forma mais silenciosa que conseguiu e caminhou até a porta, girando a maçaneta delicadamente. Parou em um dos armários do corredor e tirou de lá uma manta comprida e marrom, além de grossa, seguindo para a escada principal em seguida. A chuva caía do lado de fora sorrateiramente, deixando o chão forrado de folhas úmidas e barro.
Ela destrancou a porta da frente e saiu na chuva gelada, observando de vez em quando o céu cinzento que jazia acima de sua cabeça. Ainda caminhava com os pés afundando na terra molhada e nas folhas, formando uma pasta nojenta, quando avistou uma frondosa árvore. Havia tantas folhas em seus galhos que embaixo dela o chão estava praticamente seco. estendeu a manta sobre o chão dobrada ao meio e deitou-se entre as duas partes, cobrindo-se até quase a orelha. As lágrimas quentes tomavam-lhe os olhos.
As últimas duas semanas haviam sido difíceis. Ela não conseguia mais dormir uma noite sequer, mesmo que Damon estivesse ao seu lado e, pode acreditar, aquilo lhe dava uma paz inexplicável. Mas não conseguia apagar da memória seus últimos momentos ao lado daqueles que amava, do quão impotente ela havia parecido ajoelhada diante de seus corpos inertes. Depois de toda a tortura a que fora submetida naquela mansão, tudo o que ela mais queria era encontrar uma explicação para aquela loucura toda. É claro que tudo não havia sido apenas porque ela era a duplicata de uma princesa, aquilo mais parecia, agora, história para boi dormir. O que estava por detrás daquilo parecia ser tão sombrio que só agora acometia de forma violenta em forma de dúvida e sofrimento.
Desde que acordara em sua própria casa, ela parecia ser assombrada pelas perguntas não respondidas sobre o que ocorrera naquela casa, com aqueles dois vampiros. A dúvida lhe corroia de tal forma que ela não conseguia mais beber sangue sem cuspir tudo de volta, lembrando-se do que acontecera quando Damon o bebera. Ela não conseguia ficar parada em um único lugar sem que as lágrimas lhe tomassem os olhos e seus próprios braços a envolvessem em um abraço de solidão e loucura. Na maioria das vezes ela deixava a casa para caminhar pela floresta e sempre terminava no mesmo lugar, onde todo aquele pesadelo começara. Às vezes se deitava, o corpo encolhido em uma bolinha, e chorava por horas, remoendo toda aquela dor que parecia não querer apaziguar, por mais que ela quisesse.
Aquilo estava incrustado em sua mente tão profundamente que julgava ser incapaz de esquecer ou de passar despercebido conforme o tempo corria. Então ela se levantava, sacudia as folhas da roupa e voltava para casa, a cabeça sempre cabisbaixa, os olhos sempre vermelhos. Sua irmã, Damon e Stefan quase não conversavam com ela e, as poucas palavras que trocavam, eram como se fossem completos estranhos dentro de um elevador em um dia comum. Eles tinham medo, percebia, medo de tocar em um assunto delicado demais para ela lidar. Então ela apenas se recolhia à dor das próprias memórias de maneira solitária.
Várias vezes encontrara-se agachada, encolhida em um canto escuro da casa onde sabia que não perturbaria seus familiares com mais uma crise de choro e então ou Damon, ou até mesmo Stefan, apareciam. Não diziam nada, só a abraçavam e a ninavam até que aquele momento de recaída fosse embora e ela restaurasse o pouco senso que lhe restava. conseguia ver sua dor espelhada em cada rosto, expressa de maneiras distintas de acordo com cada um deles. costumava chorar junto com ela e às vezes ouvia a irmã conversar com o marido e desabafar o quanto estava com medo de estar perdendo a única irmã que tinha. Damon a abraçava com força, o calor que emanava de seu corpo era o melhor de todos, ele lhe dava beijos, que ficavam molhados ao limpar os rastros das lágrimas, em qualquer lugar que elas passassem. Era uma demonstração de carinho e amor, a qual também interpretava como sendo de questionamento, sobre quando ela voltaria a ser inteiramente dele e apenas dele. Stefan, por outro lado, conseguia ser o mais paternal e aconchegante de todos, ele geralmente a pegava no colo e sentavam-se sobre a confortável cadeira reclinável de couro que havia na sala de leitura da casa dos Salvatore. Ele a lembrava muito de seu pai, de quando era pequena e ela chorava por outras bobagens no colo do mais velho e sempre acabava ganhando um presente depois, livrando-a de sua marra. Era a pessoa com quem ela se acalmava mais rápido.
Toda vez que ia até a cozinha e pegava uma bolsa de sangue, respirava fundo antes de entornar o primeiro gole, esperando que daquela vez fosse diferente. Mas não era. Ela tossia, cuspindo todo o líquido escarlate na pia e limpando os lábios com as costas da mão trêmula. Logo em seguida um deles adentrava a cozinha e a amparava, não era nada fácil vê-la recusar-se ao elixir de sua existência. Por isso, estava cada vez mais fraca, ela não dormia, não comia, apenas divagava pelos cômodos da casa sempre chorando ou com a expressão vazia. Sua pele ficava cada vez mais fina, os olhos cada vez mais pretos da fome não correspondida e os membros cada vez mais fracos. Os vasos sanguíneos latejavam com a escassez de sangue, apenas adicionando mais dor ao sofrimento da mais nova. Estava difícil seguir em frente.
Sem que pudesse perceber, Damon havia se juntado a ela sob a árvore e seu rosto estava molhado com os pingos de chuva. Seus olhos, pela primeira vez, não demonstravam cansaço, apenas uma compreensão que só podia captar. Ele não a recriminava por não conseguir mais dormir com ele, não estava chateado por não tê-la mais nos braços da forma como sempre costumavam fazer. Havia apenas uma doce e clemente compreensão brilhando naqueles olhos azuis.
pegou a mão de Damon, que começara a acariciar-lhe as bochechas úmidas, e ela lhe beijou a palma, descendo-a em direção ao seu peito, onde ela a espalmou enquanto respiravam fundo sincronizadamente.
- Essa dor nunca vai embora. - ela disse de forma serena, como se já tivesse aceitado seu destino. Damon ainda a encarou por um longo tempo, contemplando seus traços sofridos enquanto ele pensava no que dizer.
- Eu sei. - resolveu por fim concordar. - Eu posso sentir também. - um sorriso triste habitou seus lábios, contraiu o abdômen em um soluço contido. - Estou aqui para você, não importa quanto tempo durar, eu sempre vou estar aqui.
- Aqui, embaixo da árvore? - uma risada anasalada escapou os lábios trêmulos de quando ela percebeu a piada que acabara de fazer. Damon também sorriu, mas havia um quê de esperança naquele sorriso, esperança de que talvez estivesse voltando ao normal, finalmente.
- Aonde quer que você esteja. - ele respondeu. Seus corpos se aproximaram, mas ele preferiu ficar de fora da manta. Aproximou seus lábios da testa da mais nova e a beijou delicadamente. - Eu te amo. - disse ele.
- Eu também te amo. - respondeu ela aninhando-se na curva de seu pescoço. Ficaram ouvindo a chuva bater nas folhas das árvores até que mais um dia terminasse de nascer.
Epílogo.
fechou a porta de entrada atrás de si deixando para trás o entardecer de mais um dia. As mãos limpavam os rastros de lágrimas, ela havia ido até a floresta novamente, se encolhera sobre o chão onde, tempos atrás, levara o tiro que mudaria sua vida para sempre. A lareira estava acesa, seu brilho bruxuleava pelo hall de entrada, atraindo-a para a sala. Ouvia vozes, parecia uma conversa amigável, desde que eles voltaram para casa nunca mais haviam entrado em contato com outra pessoa, o que atiçava cada vez mais a curiosidade de em descobrir quem estava de passagem naquela casa.
Ela chegou à sala e a conversa cessou de imediato. e Stefan estavam em pé diante das costas do sofá de couro preto onde estava sentado Harry. Ele repousava as mãos calmamente sobre os joelhos, a postura tensa, embora mais por educação do que de fato receio. Damon estava em pé próximo a um dos grandes vitrais que compunham as paredes da antiga sala de estar. A televisão jazia em uma estante a alguns passos de onde estava parada. Todos os olhares estavam voltados para ela, talvez esperando por uma reação.
- Harry. - ela disse, sua voz soando fraca e rouca, como se tornara no último mês pela falta de sangue. A pele que lhe cobria o corpo estava toda enrugada dando-lhe a aparência de uma velha num corpo de estatura jovem.
- Olá . - ele disse quase não se contendo em analisar detalhadamente os traços cansados e envelhecidos da menina. E toda a sua juventude, que ficasse claro, poderia ser recuperada com apenas uma gota de sangue humano. O sangue que não suportava mais beber.
Depois de longos minutos parada em pé embaixo da passagem entre o hall de entrada e a sala, sentiu que precisava se sentar, pois estava muito cansada. Inexplicavelmente ela escolheu por se sentar no sofá, ao lado de Harry, com o corpo virado em sua direção, seus joelhos quase se tocando. Talvez fosse o que todos esperavam que ela fizesse. E, atendendo a pedidos implícitos e silenciosos, o olhou nos olhos, preparando-se para ouvir, seja lá o que ele tivesse a dizer.
- É bom te ver novamente. - disse ela de forma educada, procurava não questionar sua família sobre o que Harry estaria fazendo em sua casa. Se ele estava lá era porque tinha um motivo, tinha de haver.
- Sim. - ele sorriu, mas o gesto não chegou a seus olhos. No momento em que parou para observá-los mais atentamente, percebeu o quanto eram belos. Não havia mais nada ao seu redor de importante, apenas aquelas íris azuis e suas pupilas contrastando enquanto ele sustentava seu olhar. - Me diga, como tem passado? - Harry disse em uma voz lenta, porém aveludada, tão suave que pensou estar sendo acariciada por plumas em seus braços.
- A dor ainda me consome durante o dia e me toma a noite. - ela disse, a voz normal, porém levemente desprovida de qualquer emoção.
- Eu posso ver pelo o que está passando. - Harry se esticou para alcançar algo na mesinha de centro, porém sem deixar seus olhos escorregarem dos de . Quando voltou a se endireitar, estendeu-lhe uma bolsa de sangue. - Por que não bebe um pouco? Vai te ajudar a pensar mais claramente. - ele continuou no mesmo tom reconfortante, não demorando muito a convencer de que aquilo era o certo.
Ela bebeu cinco longos goles e sua pele se rejuvenesceu imediatamente. Seus olhos recuperaram o brilho jovem e astuto, seus lábios voltaram a ser vermelhos e suculentos, as olheiras sumiram e todo o cansaço que sentia se esvaiu como se tivesse puxado o tampo de um ralo. encarou Harry com um sorriso lhe habitando os lábios, ela queria beber mais, mas ele não deixou. Precisava manter o controle sobre a situação, do contrário, ela ficaria muito forte e sua compulsão perderia o efeito.
Damon observava os dois de longe, o peito já não mais tão vazio ao saber que finalmente se livraria de tudo pelo que estivera passando ultimamente. Nada mais o satisfazia do que vê-la feliz e radiante novamente. Felizmente, ele ainda teria a memória de sua menina perturbada, no fundo do poço, praticamente uma múmia que caminhava. Era assim que eles haviam combinado com Harry. Ele, e Stefan conseguiam lidar melhor com a dor dos fatos que vivenciaram do que , a qual testemunhara atrocidades diferentes das deles.
observava fascinada como Harry havia evoluído em seu poder de compulsão. Se bem que sua irmã estava tão fraca que seria capaz até dela mesma ou de um dos Salvatore conseguir compeli-la a esquecer sobre tudo aquilo. Mas não, confiava neles e ela simplesmente não poderia suspeitar do que estava acontecendo naquele momento. Nunca.
- Você vai se esquecer de quem Francis foi, de quem eu, Harry, fui, de tudo o que fizemos a você e sua família desde o momento em que foi pega naquela floresta. Tudo o que aconteceu a partir daquele dia fatídico será apagado de sua memória e você se esquecerá de quem eu sou. - Harry disse sustentando o olhar com satisfação ao ver que aquilo estava funcionando. Manteve a compulsão ao se levantar do sofá, deixando aquém do que aconteceria em seguida. - E vocês também, não se lembrarão de nada do que aconteceu aqui e nem de nada relacionado a mim ou a Francis.
e Stefan olharam um para o outro, confusos. Damon virou-se na direção de e captou seu olhar. Todos estavam se perguntando o que faziam na sala àquela hora da noite, sozinhos e em silêncio. Tentavam se recordar sobre o que havia acontecido antes, mas era apenas um breu em suas mentes. Talvez tivessem acabado de acordar, concluíram, por fim.
- Ok, quem quer cereal? - perguntou virando-se em direção à cozinha.
- Cereal, ? - Stefan a seguiu com um riso brincando nos lábios. - Mas já é de noite! Vamos pedir uma pizza... - sua voz sumiu assim que eles atravessaram a porta da cozinha, deixando-a bater.
Damon sentou-se de frente para com um sorriso apaixonado nos lábios e os olhos ávidos prendendo a atenção da mais nova. desviou o olhar, envergonhada e focalizou-o na bolsa de sangue que jazia sobre a mesinha de centro. Pegou-a, tomou um gole e, se dando conta do quanto estava com sede, entornou todo o resto em questão de segundos. Quando terminou, passou as costas da mão sobre os lábios e reparou que Damon ainda a observava. Riu um pouco sem graça e lhe deu um soco brincalhão no ombro, como se perguntasse o porquê dele estar olhando-a daquele jeito.
Ele pegou suas mãos, juntando-as dentro das suas e seus joelhos se tocaram. ficava cada vez mais envergonhada e curiosa sobre o que Damon estaria aprontando. Ainda mais quando ele grudou suas testas e deixou seus lábios roçarem os dela, a respiração os atingindo fazendo cócegas. riu e roubou-lhe um selinho o qual ele correspondeu com um beijo longo e profundo, não deixando que ela se afastasse quando eles terminaram.
- Eu não sei por que, mas parece que faz tanto tempo que não fazemos isso. - ele disse, os olhos com um brilho jovem brincando. - Casa comigo? - ele perguntou, os olhos subindo dos lábios de até suas doces íris. Ela deixou o queixo cair, a boca formando um O perfeito enquanto ela ria parecendo criança que acabara de ganhar o presente que mais queria.
- Tem certeza? - ela brincou, Damon apenas sorriu em resposta e ela se afastou para que pudesse olhar seus olhos por completo e detalhadamente. - É claro que sim. Com toda a certeza SIM!
FIM
n/V: Ah, eu nem acredito que acabou! Gostaram do final? Espero que sim! Embora a fic não tenha tido tantos comentários quanto a outra, sou muito grata a todas que acompanharam a segunda parte, vocês me fizeram ter vontade de continuá-la! Muito obrigada mesmo por todos os comentários e os incentivos. Temo que agora, é adeus definitivamente. Portanto, não se acanhem e, mais do que nunca, comentem, afinal, PUB encerra aqui sua história. Mais uma vez, muito obrigada, a continuação não teria existido sem vocês! xx, Verônica.
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