Radioactive
Autora: Julia Ramos
Status: Em Andamento
Revisada por: Bee
Categoria: McFly fics
Sub-Categoria: Long fic
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Capítulo 1
olhou para seu quarto e não viu mais nada, tudo estava encaixotado ou em malas. Ela ia sentir falta daquele lugar, ainda mais indo para onde ia. Ela conseguia sentir o cheiro do drama que viria.
entrou no quarto e olhou para a amiga.
“Tudo pronto?” perguntou.
“Tudo.” respondeu, “Vou sentir sua falta.”
“Eu também sua boba!” riu e abraçou a amiga. “Nunca vou encontrar outra roommate igual a você”.
olhou mais uma vez para o quarto e saiu.
“Você não vai levar aquela caixa?” perguntou.
“Que caixa?” voltou a olhar para o quarto.
Em cima do guarda-roupa tinha uma caixa rosa, ela respirou fundo, queria esquecer aquilo.
“Ah, não tinha visto ela ali.” Mentiu a garota, foi até lá e a pegou. Antes que mudasse de idéia, jogou a caixa junto com as outras da mudança. “De qualquer forma, acho que não vou precisar dela.”
“Também acho. Você mora aqui há quase quatro anos e eu nunca vi você mexer nela.” riu.
“O pessoal da mudança vai vir pegar essas caixas, eu espero que nada se perca no caminho, e que não demorem pra chegar.” disse para a amiga.
“É melhor começar a rezar então. Você ta indo pro outro lado do oceano, aposto que vai demorar!” disse franzindo a testa.
“Ai! Não fala assim!” resmungou.
“Eu não queria que você fosse. Você se deu tão bem aqui no Brasil, pra que voltar pra Londres depois de tanto tempo?” disse.
“Eu também não queria, mas tenho que ir. Depois do que aconteceu, eu preciso voltar.” respondeu.
“Foi tudo tão rápido, eu sinto muito.”
“Te ligo quando chegar. E vê se vai me visitar!” riu.
As duas se abraçaram e se despediram. entrou no elevador e se olhou no espelho. Não tinha mudado muito. O cabelo estava mais comprido e ela estava um pouco mais morena. De resto era a mesma. Queria ter mudado muito, para que ninguém a reconhecesse.
A garota entrou no táxi, depois no aeroporto, depois no avião. Nada passava por sua cabeça. Ela não tinha percebido o que tinha acontecido. Ela ficou quatro anos longe de sua família e de repente recebe uma ligação falando que seu pai e sua madrasta, Annie, haviam sofrido um acidente. Ela não tinha chorado ou perguntado detalhes. Mas sabia que era hora de voltar.
As onze horas de vôo pareceram mil. não conseguiu dormir, comer, nem ver filmes. Ela passou a maior parte do tempo olhando uma foto antiga que tinha em sua carteira. Era Natal, ela estava com um vestido vermelho, ao lado dela estava , o filho de sua madrasta, na época os dois tinham 18 anos e eram melhores amigos. Entre eles estava Molly, sua irmã, na época com três anos, com um vestidinho branco com flores rosas. Os três riam. Foi o último natal que passou em casa.
Ela tirou outra foto da carteira, dessa vez Annie e seu pai olhavam para ela. Os dois estavam felizes. Muito felizes. Quando ela tinha 10 anos sua mãe se mudou para os Estados Unidos para virar atriz. nunca mais tinha falado com ela. Em compensação seu pai acabou se casando com a mãe do seu melhor amigo e tendo uma filha com ela. Annie era como uma mãe para ela.
Foi o advogado da família quem ligou lhe avisando do acidente, ele contou que o pai e a madrasta haviam deixado a guarda da menina pra ela, desde que ela voltasse a morar em Londres, caso contrário a menina ficaria com . sabia que quem cuidaria da menina seria Naná, a babá e governanta da casa. Mas também sabia que a menina tinha acabado de perder o pai e a mãe, seria melhor se ela estivesse por perto.
Voltar não seria fácil, ela tinha deixado tudo para trás, assim como sua mãe tinha feito. Algumas vezes ligava para o seu pai, mas nunca falou com mais ninguém. No fundo ela sabia que o que tinha feito havia sido melhor para todos, mas voltar agora podia causar muitos problemas. Mas não agüentava mais se esconder do outro lado do oceano.
Quando a garota desceu no aeroporto de Londres, procurou por um rosto familiar, mas tudo que encontrou foi um motorista de terno com uma plaquinha com seu nome.
“Olá senhorita, você deve ser a , seu advogado me mandou para lhe buscar e levar até sua casa.” Disse o alto senhor quando ela se aproximou.
“Isso mesmo, sou eu.”
passou o caminho todo calada, enquanto o motorista falava sem parar sobre os pontos turísticos, o trânsito e o clima. Ela conhecia cada pedaço daquela cidade, se fechasse os olhos, conseguiria dizer onde estava apenas pelo cheiro. Ela tinha sentido falta daquilo, e por um segundo se esqueceu o motivo pelo qual tinha saído dali.
O dia estava nublado e em comparação com o Brasil estava bem frio. O carro foi se aproximando do bairro em que morava, então, encostou-se ao banco do carro e fechou os olhos, alguns daqueles lugares traziam memórias que ela não sabia se queria lembrar.
Quando o carro parou, ela continuou naquela posição até que o motorista quebrar o silêncio:
“Nós chegamos senhorita. Está tudo bem?”
“Sim. Tudo bem.” respondeu respirando fundo e saiu do carro.
Ela olhou para casa, estava igual. Alguns flashes de memórias vieram até ela. Mais uma vez ela sentiu vontade de fechar os olhos e apagar aquilo. Viver ali novamente seria difícil.
O motorista tirou suas malas do carro e colocou-as do lado da garota.
“Você quer que eu toque a campainha?” ele perguntou.
“Não, obrigada, pode ir.” agradeceu.
A garota esperou que o carro partisse. Então deixou que uma lágrima rolasse pelo seu rosto. Respirou fundo mais uma vez. Pegou um espelhinho em sua bolsa e retocou sua maquiagem. Pegou as malas e andou até a porta.
“Você consegue.” Disse para si mesma, “Você tem que conseguir”.
Ela já estava na frente da casa há quase 10 minutos. Chacoalhou a cabeça e tocou a campainha. Ela ouviu passos do outro lado da porta, que logo depois se abriu.
“! Querida, nem acredito que você está aqui! Como você cresceu! Está linda!”
“Oi Naná.” disse a menina enquanto era apertada num abraço forte.
“Eu sinto muito por tudo que aconteceu. Mas fique tranquila, eu não vou deixar nenhum de vocês, vou continuar aqui cuidando da casa, da Molly, do e de você, porque eu espero que você fique por aqui.” disse Naná.
“Obrigada Naná, fico muito feliz em ouvir isso. Senti sua falta.” respondeu entrando na casa e fechando a porta atrás dela.
“Eu fiz as bolachas de nata que você tanto gosta, estão quentinhas.” as duas sorriram.
“Onde está a Molly?” perguntou.
“Está no quarto dela, estudando, acho.” Respondeu a governanta.
“E como ela está?” perguntou, séria.
“Bom, ela sente falta da mãe. Mas, está bem, ela tem muitos amigos, e o tem ficado muito com ela. Vou pegar as bolachas, seu quarto está arrumado, pode subir e se acomodar querida. Estou tão feliz que estão todos aqui, pena que algo como isso precisou acontecer.” ela deu um beijo na testa da menina e saiu para cozinha.
Já havia passado um mês desde o acidente, parecia que tudo estava entrando na rotina de novo. A casa estava exatamente igual, do lado direito uma grande sala, com lareira, televisão, sofás aconchegantes; à frente a escada que levava aos quartos, do lado esquerdo a porta da cozinha, o lavabo, e a porta para a piscina.
subiu as escadas e foi direto para o quarto de Molly. A porta estava aberta, uma garotinha estava deitada na cama pintando um caderno. As paredes eram todas pintadas de rosa bebê. Ao fundo tinham alguns pôsteres, assim que os viu desviou o olhar.
“Oi Molly!” , disse.
“!” A menina abriu um sorriso e correu para abraçar a meia-irmã.
Ela parecia ter menos de sete anos e não tinha certeza se a menina se lembrava dela, afinal quando foi para o Brasil, Molly tinha só três anos. Provavelmente ela escutou muitas histórias que sua mãe e Naná contaram pra ela sobre a irmã mais velha.
“Você está linda! O que está fazendo?” perguntou.
“Vem ver!” Molly puxou para sua cama. “É uma tarefa da escola, eu tenho que fazer um desenho que represente cada palavra”.
olhou para o caderno e viu as palavras escritas em letra de forma pela professora: céu, cachorro, sol, praia, árvore.
“Você vai ficar aqui pra sempre, né?” a menina perguntou olhando para .
“Vou sim.” sorriu e a menina também.
“Molly! Você está pronta para aula?” Naná apareceu na porta do quarto.
“Claro que estou!” A menina respondeu ficando em pé. “Te vejo mais tarde, irmã!” ela deu um beijo em e saiu.
“Ela não fala de outra coisa a não ser da irmã mais velha há dias!” Naná disse rindo “Vou levá-la pra escola, os biscoitos estão em cima da mesa!”
“Ela tem aula de tarde?” perguntou, não estava no ritmo daquela casa, ainda.
“Ah, sim. Ela tem aulas das 14h às 18h30.” Naná respondeu e saiu do quarto.
respirou fundo, não entendia muito o que estava acontecendo, todos pareciam ter se acostumado com a vida sem os dois adultos na casa. Ela tinha ficado longe tempo demais. Ela deveria ter voltado muito antes, talvez se ela estivesse aqui nada teria acontecido. Ela não voltou para os fins de ano em família, nem ligou para dar notícias, não tinha vindo ao enterro e mal reconhecia sua irmã. Mas como ela poderia ter voltado? Será que voltar agora era o certo? Ela podia estar destruindo tudo pelo que lutou esses quatro anos.
saiu correndo do quarto e entrou no quarto da frente, o quarto de seu pai e de Annie. Estava igual. Então, ela sentiu o cheiro de sua família. Abriu o guarda-roupa, mas estava vazio, as roupas já haviam sido doadas ou vendidas. Mesmo assim entrou no armário, se espremeu lá dentro até que conseguisse fechar a porta. Quando era mais nova, sempre que surgia algum problema entrava em um guarda-roupa e ficava lá até que a angústia passasse. O cheiro das roupas era familiar, e isso a acalmava.
Então,lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto. Seu corpo tremia, pela primeira vez em quatro anos ela sentiu saudades e agora nada os traria de volta. Tudo estava errado. Ela nunca deveria ter partido. Porque mesmo ela havia deixado tudo para trás? Ela estava confusa, tudo que tinha feito era pra que todos pudessem ser felizes. ficou lá chorando, até que suas lágrimas pararam de cair, deram lugar a suas pálpebras pesadas e ela adormeceu.
“Se você acha que isso é o certo, eu não vou lhe impedir.” dizia seu pai.
“Se você contasse isso para os garotos eles nunca iriam aceitar, você sabe disso. Se você for embora sem explicação, eles não vão te perdoar.” disse Annie.
“Eu sei disso, mas eu não posso impedir eles de viverem esse sonho. E eu não vou conseguir continuar aqui sem poder estar com eles. Eu prefiro ir.” disse, seus olhos estavam inchados de tanto chorar “Por favor, não digam nada a eles.”
“Nós não vamos dizer filha, se essa é a sua decisão vamos estar do seu lado. Você sabe que pode contar conosco para tudo que precisar.” Respondeu seu pai.
“Tudo que eu quero agora é ficar o mais longe possível disso tudo, esquecer que isso aconteceu.”
acordou assustada. Há muito tempo ela não tinha aquele sonho. Ela estava no seu quarto, em sua cama. Olhou para o lado. estava sentado na poltrona do outro lado do quarto.
“Bom dia, quer dizer, boa noite. Mas não volte a dormir, eu estou com saudades, temos muito para conversar.” Ele disse.
“Quem me trouxe para o quarto?” perguntou confusa.
“Eu. Você sempre se esconde em algum guarda-roupas quando não está bem.” Ele fez uma pausa “Vai passar, foi assim com todos nós nessa casa. A primeira semana foi horrível, agora as coisas estão começando a entrar no eixo.”
“Eu senti sua falta.” disse sentando na cama.
“Você não tem idéia do que foi isso aqui sem você. Ainda mais sem entender o porquê você não estava aqui.” Ele disse sério.
“Eu te falei o motivo.”
“Ah, claro. E você acha que essa história de que ele te fazia infeliz e que você tinha vida própria e não queria passar o resto da vida atrás de uma banda me convenceu?” disse bravo “Você magoou, muito, todos nós. E eu sei que existe alguma coisa por trás disso tudo. Que minha mãe e o seu pai sabiam, mas nunca falaram.”
“, por favor, não vamos falar disso. Eu quero esquecer aquilo, esquecer seus amigos. É o que eu tenho feito há quatro anos.” A menina disse com a voz fraca.
“Meus amigos?!” ele ficou de pé “Eles eram SEUS melhores amigos, eu ERA seu melhor amigo, ele era seu NAMORADO!” Ele estava quase gritando.
apoiou o rosto nas mãos e respirou fundo para que as lágrimas não voltassem a cair.
“Se você esperava nunca mais nos ver, era melhor você ter ficado no Brasil, porque, como você disse, eles são meu amigos, e eles freqüentam essa casa, muito mais que você.” Ele disse e saiu do quarto.
“!” gritou, o garoto olhou pra trás “Não fica bravo comigo.”
“Eu não estou bravo.” ele disse voltando para o quarto “Eu só queria que você confiasse em mim para dizer por que você fez isso. E acabasse com essas mentiras.” Eles se abraçaram.
“O jantar está pronto!” eles ouviram Naná gritar.
“Vem, esquece isso, guarda suas mentiras pra você.” Ele disse sarcástico.
“Não fala assim” respondeu a garota.
“Até você me contar a verdade, você vai ser uma mentirosa. Minha melhor amiga. Mas, mentirosa” ele riu.
“Não tem graça!” Ela disse séria, mas, ele continuou rindo.
“Eu acho que tem muita graça. E aposto que o e o também vão rir.” disse.
“E o ?” Ela perguntou.
“Bom, eu acho que você é a última pessoa que ele quer ver. Mas você vai descobrir o que ele acha disso amanhã, eles vêm pra cá ensaiar”
“O quê?” perguntou incrédula.
“Eu disse que eles freqüentavam essa casa muito mais que você. Mas, a vem junto, você deve estar com saudades dela.”
“A ?”
“É, ela está namorando o , não é incrível?” respondeu.
“Uau! Parece que eu perdi muita coisa.” Ela respirou fundo mais uma vez e desceu para jantar.
Tudo ocorreu bem no jantar. Como Naná tinha dito, Molly tinha muitos amigos, e passou o tempo todo falando de todos eles para . A garota se sentiu aliviada ao ver que a irmãzinha estava bem. passou a maior parte do jantar rindo das coisas que a duas falavam, mas não falou muita coisa.
Mais tarde subiu para o quarto de Molly, ajudou ela a se trocar e a colocou para dormir. Foi para a cozinha e deu boa noite para Naná, que também já estava indo dormir. Pegou as bolachas de nata e levou com ela. Sempre era bom ter alguma coisa para comer, ela sabia que não ia conseguir dormir tão depressa.
entrou no seu quarto e começou a desfazer as malas. Ninguém tinha mexido em um centímetro do quarto. Seus pôsteres continuavam lá, sua escrivaninha, seu computador, até mesmo algumas roupas velhas ainda estavam lá.
“Toc toc” estava na porta “Precisa de ajuda?”
“Eu sempre preciso da sua ajuda” os dois riram.
deitou na cama e começou a comer as bolachas.
“Vou começar te ajudando a comer, ta?” ele riu.
“Nossa! Quanta eficiência!”
“Você só tem duas malas? Em quatro anos?” perguntou olhando a pequena quantidade de coisas.
“Ah! Você nem imagina a quantidade de caixas que estão pra chegar. Elas devem chegar em duas semanas. Essas malas são só algumas roupas para eu ir usando até lá.” respondeu.
“Hmm. Sabe o que é estranho?”
“O quê?” perguntou.
“Você ainda não me perguntou como vai a banda. Você por acaso sabe o quão famosos nós somos? Ouviu nossas músicas?” disse com ar superior.
“Haha! Que banda? Não conheço não.” Ela respondeu sarcástica.
“Aquela que escreveu três milhões de músicas sobre você.” estava sério, agora.
“, sério, eu não quero falar sobre isso.”
“O quê? Você vai continuar culpando a banda por você ter ido embora.” Ele respondeu.
“Eu nunca culpei vocês.” Ela respondeu séria dobrando a última camiseta da primeira mala.
“Você disse que foi embora porque não podia passar o resto da sua vida atrás de uma banda. Ou alguma coisa assim.”
“Eu disse que eu não queria passar o resto da minha vida envolvida nessa máquina do mundo da música que comercializa tudo e faz tudo por dinheiro. Foi isso que eu disse.” Ela olhou para o menino.
“A gente não tá nessa pelo dinheiro. Ajuda. Mas não é só por isso.” disse, sentando na cama.
“Eu sei.” Ela foi até ele “E é por isso que eu gosto tanto de vocês.”
“Eu não tenho certeza disso. Não to vendo nenhum CD nosso nessas suas malas!” Ele riu.
“Besta!” Ela jogou um travesseiro nele. Os dois se olharam.
“É bom ter você de volta.” disse.
“Se eu fosse você não teria tanta certeza disso, eu estou aqui há menos de um dia, você vai ficar de saco cheio de mim depois de uma semana.” respondeu.
“Isso é o que nós veremos!” os dois riram.
“Ah! Sabe com quem eu estava morando no Brasil?” perguntou.
“Com a Gisele? O Ronaldo?”
“Besta de novo! Com aquela amiga minha pra quem você escreveu várias músicas e nunca se declarou.” Ela olhou para o garoto.
“Eu não sei do que você está falando.” fez cara de desentendido “Acho que é melhor eu ir dormir. Boa noite!” Ele saiu do quarto e ficou rindo.
Capítulo 2
acordou cedo, ainda não tinha se acostumado com o fuso horário. Eram seis horas da manhã. Saiu da cama e abriu a janela. Parecia que o sol ia aparecer, coisa difícil de acontecer em Londres. Ela olhou para o jardim e analisou tudo que havia mudado: tinha mais flores enfeitando o gramado e uma mesa enorme. O resto continuava o mesmo. Ela olhou pro fundo do jardim e viu a sala de ensaio dos meninos. Sorriu por um milésimo de segundo, antes de desviar o olhar.
A casa era muito grande, eles não eram ricos, mas dinheiro nunca foi um problema. e sempre tiveram tudo que queriam. O seu quarto também não tinha mudado muito, alguns pôsteres de suas bandas favoritas continuavam lá, outros não. Provavelmente Molly tinha pegado para colocar em seu quarto. Ela abriu a gaveta na mesa de cabeceira, dentro tinha um porta-retratos com uma foto dela e mais cinco pessoas, todos estavam rindo e com taças de champagne na mão. A menina lembrava bem daquele dia, foi o dia em que o McFLY assinou o contrato com a gravadora. Eles estavam comemorando. também estava na foto, as duas acompanhavam os garotos desde sempre. Cresceram juntos.
Ela colocou o porta-retratos de volta na gaveta e foi para o banheiro. Enquanto tomava banho pensou nas coisas que tinha dito na noite anterior. O que os meninos iam achar da volta dela? Desde que tinha decidido voltar sabia que não seria fácil. Mas, não pensou, realmente, em como seria reencontrá-los. Ela queria adiar aquilo, o máximo que pudesse.
Eles se conheciam desde que usavam fraldas. nunca tinha imaginado viver sem nenhum deles, viver sem os cinco tinha sido horrível. , , , , e . Eles eram inseparáveis, todo mundo sabia disso. Não paravam de brigar, rir, fazer as pazes. Tudo era parte da amizade que tinham. E agora ela não sabia o que tinha restado daquela amizade.
Ela saiu do banho, se trocou e voltou para o quarto. Ouviu vozes vindo do jardim, mas antes que pudesse ir até a janela alguém bateu em sua porta. Ela abriu.
“EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ VOLTOU!” entrou no quarto abraçando . “Eu estou muito brava com você. Mas muito feliz de te ver! Senti muito sua falta. Tenho muitas coisas pra te contar!” Ela riu. “E você também deve ter, né? Some assim sem dar motivo e sem dar notícias! Acha bonito? Sabe quantas vezes eu tentei descobrir seu telefone, seu endereço? Zilhões! Seus pais se recusavam a falar qualquer coisa, ah, eu sinto muito por eles.”
riu da amiga, como sempre ela não parava de falar. Estava um pouco mais magra. Mas pelo visto não tinha mudado nada.
“Fica quieta! Me deixa falar!” riu. “Também senti muito sua falta, tipo, a é ótima, mas você é melhor!” As duas riram.
“Pode começar a contar, como foi? Como a está? Aquela ingrata, também nunca dá notícias!” perguntou, e as duas se esparramaram na cama de casal da menina.
“A tá ótima, ela trabalha o tempo todo, eu só via ela à noite, isso quando ela não saía.” respondeu. “Foi legal, normal.”
“Normal?” perguntou fazendo careta.
“Tá, foi chato.” riu. “Eu não conhecia quase ninguém e toda vez que eu conhecia alguém eles não chegavam aos pés de vocês. Eu passei os quatro anos só estudando.” desabafou.
“Você é muito boba mesmo. Tinha que ter me ligado, tinha que ter voltado!” falou e deu de ombros. “Ok, eu juro que não vou entrar nesse assunto de novo e perguntar por que você foi embora, de qualquer forma você não vai me dizer, eu só espero que seja um motivo muito bom!” A amiga disse, brava.
“Obrigada.” respondeu aliviada por não ter que falar no assunto. “Mas me diz, o que mudou por aqui?”
“Bom, pra começar, tudo. Os meninos estão maiores.” as duas riram “E mil vezes mais sexys.” elas riram mais ainda. “Sempre tem gente atrás deles e eles estão com a agenda lotada até o ano 3000! Tem fã-clube até no Brasil! No começo eu achei que você fosse presidente, aí eu e o passamos o dia procurando você nos sites brasileiros deles, mas o máximo que a gente encontrou foi uma que disse que o era tão lindo que ela não conseguia parar de chorar. Enfim, não era você.”
“Foi mal!” fez careta.
“O primeiro ano foi muito estranho.” disse um pouco mais séria. “A gente saía e você não tava, eu ia aos shows e ficava sozinha no backstage, era horrível. O bebia igual um descontrolado e depois chorava igual um bebê, o não podia ouvir seu nome que ficava irritado, o reclamava que ninguém queria sair com ele e dormia com uma fã diferente por dia e o ficou falando que iam acabar virando emos porque as músicas estavam cada vez mais deprimentes.” Como sempre, ela falou tudo de uma vez, sem nenhuma pausa. Demorou alguns segundos para que digerisse toda a informação.
“Uau.” Foi só o que ela conseguiu dizer.
“Uau mesmo. Depois todo mundo começou a seguir em frente, você não dava notícias, e a gente cansou de tentar achar explicação. O começou a namorar a e eu e o começamos...”
“O o quê?!” que estava deitada de barriga pra baixo na cama, sentou num pulo.
“Eu sei, é triste. Mas ela fez o diabo pra ficar com ele. Era insuportável. E mesmo agora que eles estão juntos ela raramente sai com a gente, ninguém agüenta. Pra falar a verdade acho que nem o agüenta.” Ela riu.
levantou, seu estômago revirou, ela não sabia se desmaiava ou vomitava. Ela pôs a mão na cabeça. Como assim ele estava namorando? Não fazia sentido.
“, tudo bem?” Ela ouviu a amiga dizer.
“Eu acho que eu vou vomitar.” Ela correu para o banheiro.
Alguns minutos depois ela voltou para o quarto. estava encostada na parede.
“Você não mudou nada!” As duas riram. sempre vomitava quando ficava nervosa. “Mas, francamente , você esperava o quê? Depois de tudo que você disse pra ele, eu achei que você nem ligasse mais.”
“É claro que eu ligo.” respondeu, séria.
“Eu não entendo você! O que você esperava que fosse acontecer? Que você ia voltar e tudo ia ser como antes?”
“Eu não sei.” Ela balançou a cabeça. Ela realmente não sabia o que ela esperava.
As duas ficaram em silêncio. sentou no chão e se sentou do seu lado.
“Ele não sabe que você voltou.” falou. “Ninguém teve coragem de contar. E ninguém tinha certeza se era verdade ou não.”
O silêncio continuou. Drama, drama, drama. Ela sabia que ia acontecer, mas não sabia que ia ser tão rápido.
“Como está a Molly?” perguntou.
“Bem, ela deve estar dormindo ainda, é cedo, eu nem saí do quarto. Calma. É realmente cedo. O que você ta fazendo aqui tão cedo?” perguntou.
“Nossa, me manda embora mesmo!” riu e fez careta pra amiga. “Os meninos sempre tomam café juntos no sábado, depois sentam no jardim e ficam fazendo brincadeiras sem graça que só eu dou risada, ensaiam, almoçam, ensaiam de novo e saem. Eu vim com o ”.
“Ai Meu Deus! O me contou! Você e ! Como foi isso?” Ela olhou para a amiga.
“Foi lindo.” Ela respondeu com os olhos brilhando “Foi no fim do ano passado. Eu não sei. Eu nunca tinha pensado nele desse jeito. Mas ele fez uma música pra mim.”
“Não acredito!” disse de queixo caído.
“, claro que você acredita, eles escreveram mil músicas pra você.” rolou os olhos.
“Nem todas eram só sobre mim, a maioria era sobre nós duas. Mas quem liga? Ele escreveu uma só pra você!”
“Ele é muito fofo. Acho que eu estou apaixonada.” falou, envergonhada.
“Fico muito feliz por você, vocês dois merecem ser muito felizes.” As duas sorriram e se abraçaram.
Ela estava realmente feliz por , mas não entendia como eles podiam estar namorando.
“Mas as fãs me perseguem, e algumas são tão más!” as duas caíram na gargalhada. “ eu vou morrer de fome, vamos tomar café, os meninos devem estar comendo tudo, não vai sobrar nada.” O estômago de voltou a se revirar, não sabia que ela tinha voltado, provavelmente ele não teria a melhor das reações.
“Acho que é melhor você ir. Vou dar uma olhada na Molly, arrumar umas coisas aqui no quarto. Depois eu vou. Não estou com fome.” Ela mentiu.
As duas levantaram do chão e acompanhou até a porta. “Mas você não vai poder se esconder nesse quarto pra sempre, alguma hora você vai ter que falar com ele”. Ela disse lendo os pensamentos da amiga.
sabia que o lugar mais eficiente para se esconder estava a muitos quilômetros dali, e era outro país, com outra língua, outro tudo. Ela olhou para seu armário e riu. Se esconder no armário não ia ajudar. ia acabar a encontrando. Ela queria poder falar com ele de novo antes de encontrar os outros.
A menina foi até o banheiro e se olhou no espelho. Pensou em ensaiar algumas coisas para dizer quando encontrasse com cada um deles. provavelmente diria algumas coisas bem sentimentais, ia fazer piadas, o , bom, ela já tinha falado com o , mas sabia que ia ter de ganhar a confiança dele de novo. Mas no fundo ela sabia que aos poucos eles voltariam a ser amigos. Mas o , ela não conseguia pensar em nada pra dizer, depois de tudo que ela tinha falado, não tinha nada mais que pudesse ser dito, até a verdade soaria estranho.
Só de pensar no nome do garoto seu estômago embrulhava, ela sentou no chão do banheiro, esperando que o tempo voltasse. Olhou para suas unhas do pé feitas e tentou pensar em outras coisas. Mas a única outra coisa que vinha em sua cabeça era seu pai e Annie. Ela começou a pensar quando a vida dela se tornou tão complicada. Mas ela já sabia essa resposta. Lembrou de Molly dormindo no quarto ao lado. Queria passar mais tempo com a ela. Queria aproveitar o máximo que pudesse. Foi por isso que tinha voltado.
foi até o quarto da irmã, estava escuro, mas a menina estava sentada na cama.
“O que foi Molly?” ela perguntou.
“Eu sonhei com o papai e a mamãe, de novo.” Molly respondeu.
foi até ela e deitou ao seu lado na cama.
“Acontece muito comigo.” Ela disse lembrando do sonho que teve no dia anterior.
“Por que você foi embora?” Molly perguntou. “Eu sei que você não fala sobre isso, minha mãe me disse que você pra estudar, mas eu ouvi o e o conversando, e eles falam que você foi embora por causa deles.”
olhou para irmã, não sabia o que dizer, não podia mentir pra ela.
“O é bobo, não escuta o que ele fala.” Ela disse.
“Então por que foi?” a menina olhava pra nos olhos, ela precisava de uma resposta.
“Sabe aqueles amigos de quem você estava falando ontem no jantar?” começou.
“Sei.”
“Era assim que eu me sentia com os meninos. Na época que eu fui embora eles estavam começando a banda, tinham acabado de lançar o primeiro CD, e eu tive que escolher: ou eu contava pra eles uma coisa que podia estragar tudo e talvez o McFLY não existisse mais ou eu me afastava.” Foi o melhor jeito que ela encontrou pra explicar.
“Que coisa?” Molly estava curiosa.
“Uma coisa!” ela riu. “Eu te conto outro dia.”. respirou fundo esperando que ela não perguntasse mais sobre isso.
“Que bom que você não contou” Molly disse. “Eu não consigo imaginar o sem a banda.” também não conseguia.
As duas ficaram em silêncio por um longo tempo.
“O QUÊ? Você pirou?” perguntou.
“, eu quero estudar lá, essa vida de namorada e amiga de rockstar não é pra mim.” respondeu séria.
“Você quer o caralho! Nunca falou disso antes, e eu nem sei onde é o Brasil!” teve vontade de rir, mas a situação não era engraçada.
“, por favor, não faz cena, eu quero ir e eu vou independente do que você quer.” respondeu fria e seca.
“Fazer cena? Você ta fazendo cena! Essa não é você.” Ele olhou pra ela, desviou o olhar. “Viu, você não consegue nem olhar pra mim. Quer saber, eu não sei quem essa garota que está falando é. Quando ela voltar me avisa.” Ele saiu da sala de ensaio e bateu a porta.
passou a mão no rosto. e estavam sentados em um sofá preto na frente da menina, e estava no fundo da sala, de costas para todos apoiado na parede. sentiu vontade de abraçá-lo.
“Por que você ta fazendo isso?” perguntou.
“É alguma piada?” disse logo em seguida.
“Me desculpem, eu tenho que fazer isso.” Ela olhou para eles esperando que entendessem que não havia outra opção.
“Eu não sei o que está acontecendo, mas no dia que eu descobrir você vai ter que me explicar muita coisa.” falou sério e saiu do quarto, saiu logo em seguida.
“, por favor...” tentou dizer, mas estava sem forças. se virou para ela e antes de sair disse: “Eu sei que tem alguma coisa acontecendo e eu não vou discutir, só espero que você mude de idéia, vai ser impossível sem você.”
sentiu as lágrimas escorrerem assim que a porta da sala fechou.
“Me diz que isso não é verdade.” Ela ouviu a voz atrás dela perguntar.
Ela sentiu um aperto no coração, e muitas lágrimas no caminho. Respirou fundo e enxugou o rosto com as mãos. Então ficou de frente para o menino.
“Eu preciso.” Ela disse. Ele estava com os olhos inchados.
“Não, você não precisa, eu preciso de você aqui.” Ele disse andando em sua direção.
“Esse é o problema, , é sempre você, você, você precisa de mim, e o que eu preciso? Não conta?” Ela começou a repetir o texto que tinha ensaiado milhões de vezes.
“Eu achei que você quisesse isso, foi você que nos ajudou desde o início, essa banda é a sua vida, tudo que a gente faz depende de você!” tinha desespero em sua voz.
“Não, essa banda não é minha vida, minha vida vai começar no momento que eu deixar isso tudo. Eu não agüento mais.” sentiu o estômago embrulhar, ela não sabia quanto tempo ia conseguir continuar com aquilo.
“Eu posso mudar, eu vou fazer o máximo que eu puder pra mudar.” falou chegando mais perto dela.
“Não importa.” Ela disse sem encará-lo.
Algumas lágrimas escorreram no rosto do menino, fazendo se sentir ainda pior.
“Eu achei que você me amasse.” Ele disse depois de um tempo.
“, por favor, já é difícil o bastante assim.” Ela estava sofrendo.
“Pára de me chamar de ! Você nunca me chama de ! O está certo, essa não é você!” o desespero em sua voz estava se transformando em raiva.
“Você pode achar o que você quiser, eu não vou ficar.”
“Por favor, não faz isso comigo. Eu não sei viver sem você. A gente pode ser só amigos, se esse for o problema a gente termina, mas não vai embora.” tocou seu rosto, mas os dois sabiam que eles nunca seriam ‘só amigos’.
“Não tem nada que você possa fazer ou dizer que vai me fazer mudar de idéia.” Ela disse tirando a mão dele de seu rosto e se afastando.
“Você está mentindo. Eu sei que você me ama. Eu te amo, mais do que tudo. Pára com isso, por favor.” Ele implorou, seus olhos estavam cheios de água.
respirou fundo, só uma coisa iria fazê-lo parar. “Eu não te amo.” Ela falou olhando em seus olhos. O menino caiu para trás como se tivesse levado um tiro. Ele ficou ali, sentado no sofá sem se mexer, evitando olhar para garota.
“Então você estava fingindo esse tempo todo.” Ele não escondia mais as lágrimas.
“Eu acho que estava.” respondeu. Nesse momento suas lágrimas também escorreram e eles não conseguiam mais se olhar.
“Vai embora.” Ele falou olhando para o chão. “Vai embora e não volta mais. Desculpa por ter te feito tão infeliz.” sentiu seu corpo todo desmoronar.
“...” ela falou quase num sussurro.
“Eu achei que eu fosse o .” Ele disse seco, sem força.
“! O que está acontecendo? Me diz que é mentira!” entrou correndo na sala. levantou e saiu, enquanto ficou no chão.
“!” A garota abriu os olhos “Você dormiu!” Molly olhou pra ela rindo.
estava suando, sua respiração estava acelerada. Por que ela não parava de ter esses sonhos? Ela tinha se sentido mal o bastante quando fez tudo aquilo, reviver as mesmas cenas toda vez que fechava os olhos não ajudava em nada.
“Tudo bem?” a menina perguntou.
“Só mais um daqueles sonhos.” deu de ombros.
“Vai passar, sempre passa” Molly respondeu passando a mão no cabelo da irmã. sorriu. “Vamos descer?” Ela já tinha tirado o pijama e estava usando uma blusa branca com uma calça rosa claro.
“Só vou lavar meu rosto, posso usar seu banheiro?” perguntou.
“Claro que pode! Que pergunta, irmã!” Molly respondeu.
“Irmã?” riu.
“Desculpa, é que é legal ter uma irmã. Eu gosto de falar ‘irmã’.” Ela ficou vermelha.
“Não tem problema Molly, eu sou sua irmã, é claro que você pode me chamar de irmã.” levantou em direção ao banheiro “Mas você vai ter que chamar o de irmão!” ela riu.
“Ele vai ficar bravo.” Ela falou também rindo.
“Deixa eu te contar uma coisa sobre o , têm duas pessoas com quem ele nunca fica bravo: eu e você!” contou entrando no banheiro.
“Ele nunca ficou bravo com você?” Ela perguntou.
“Pra falar a verdade já, mas é porque eu sou muito chata, não tem como não ficar bravo comigo.”
“Eu não acho você chata.” Molly disse e riu.
As duas desceram as escadas e o coração de disparava a cada passo. Molly parecia não perceber.
“...” ela falou entrando na sala “Você gosta do ?”
“Porque você está perguntando isso?” parou de andar.
“É só porque, não sei, acho que ele não gosta de mim.” Respondeu Molly.
“E como você acha que ele não ia gostar de você?”
“Ele não fala muito comigo, tem vezes que ele nem diz ‘oi’.”
“Ah Molly, não é sua culpa, ele é mal educado mesmo!” riu “Você já falou isso pro ?”
“Já. Ele disse que o tinha trauma com mulheres, disse que ele tinha medo de mim. Mas eu achei essa resposta bem boba.” Ela falou fazendo careta.
“Boba igual a todos eles!” Riu a garota.
Pelo jeito Molly ainda ia fazer muitas perguntas, a melhor coisa que podia fazer era rir da situação, ou ia acabar passando o resto da vida lembrando do passado e chorando pelos cantos.
“Vamos para o jardim, a Naná sempre põe a mesa de café da manhã lá fora nos sábados.” Disse a pequena.
O coração dela voltou a acelerar, será que já não era o bastante ter pesadelos e ter que responder perguntas? Ela ia ter que encarar todos eles? Ela queria poder comer na cozinha, depois voltar para o quarto e continuar nessa rotina para sempre.
Molly correu para o jardim, enquanto respirou fundo.
Capítulo 3
tinha que se lembrar de respirar a cada passo que dava. Seu coração batia com força em sua caixa torácica. Molly tinha chegado ao jardim em menos de três segundos, mas já se passavam cinco minutos e ainda não tinha alcançado nem a metade do caminho. Suas pernas pareciam se mover em câmera lenta, seu corpo parecia estar pesando toneladas.
“Você devia ir até lá de uma vez.” ouviu a voz de Naná ao seu lado.
“Eu sei.” Ela concordou. “É estranho, eu conheço todos eles melhor do que a mim mesma, mas estou com medo de encará-los.”
“Não é estranho, quatro anos se passaram. Eu não sei o que aconteceu com você, mas com eles eu sei. E posso garantir que eles sentiram sua falta.”
“Espero que você esteja certa.” encarou a babá.
“Eu sei que estou. Agora vá, vou pedir para Molly entrar.” Naná falou encorajando a garota.
“Obrigada.” disse sincera.
“Não por isso querida.” Ela respondeu sorrindo.
Quando Naná abriu a grande porta branca deu um passo para o lado encostando-se ao sofá para que ninguém no jardim conseguisse vê-la. Alguns segundos depois Molly estava voltando para dentro da casa reclamando.
“Mas eu não acabei de tomar café, eu não quero fazer a lição agora Naná!”
“Se você fizer toda a lição, direitinho, eu te levo na casa da Vanny pra almoçar!”
As duas subiram a escada passando por como se ela não estivesse ali. A garota se sentou no sofá e ficou fitando a porta que continuava aberta. Piscou algumas vezes, esperando que a cena em sua frente se alterasse. Mas nada mudou. A porta continuava aberta com raios de sol que entrando por ela. se encheu de coragem, limpou sua mente de todos os pensamentos e levantou, caminhando em direção ao jardim.
No segundo que ela apareceu todos se viraram para olhá-la. , , , e , rapidamente e trocaram olhares e então olharam para , que estava branco e parecia não respirar. ficou parada próxima à porta, não sabia o que devia fazer. E então piscou, ela sorriu olhando para o garoto, seus olhos brilhavam, mas sua expressão era confusa.
Antes que ela pudesse ir até a mesa, saiu do jardim. Sem olhar pra ela, ele cruzou o gramado e saiu pelo corredor lateral que levaria para frente da casa. Ela fechou os olhos com força, segurando o nó que se formava em sua garganta. Com muito esforço a garota abriu os olhos, estava em sua frente.
“Eu cuido dele.” Ele disse e saiu correndo atrás do garoto. Ao ouvir o amigo deveria ter ficado mais calma, mas estava usando todas as suas forças para não pesar no que estava acontecendo, ela sabia que no momento em que assimilasse aquela cena, a garota desabaria. Ela finalmente foi até a mesa e esperou que os outros dois também saíssem ou começassem a discutir com ela.
“Ora, ora.” Disse “Quando o me disse que achava que você ia voltar eu não acreditei.”.
“Nem eu.” Falou “Achei que você tinha decidido nos esquecer pra sempre.”.
“Senta .” Disse com a voz leve, encorajando a amiga.
“Oi gente.” Ela disse sorrindo.
Fez-se um silêncio enquanto eles se olhavam. Eles não tinham mudado muito fisicamente, mas com certeza tinham passado muitas horas na academia.
“Então? Você vai contar pra gente o que aconteceu ou vai só ficar admirando minha gostosura?” disse fazendo pose e riu.
“Bom, eu fui pro Brasil, fiz faculdade, mas não tinha mais nada pra fazer e devido aos acontecimentos recentes decidi voltar.”
“Eu sinto muito por isso” Disse .
“Eu também” falou logo em seguida. “Vou sentir falta deles, eram muito legais com todos nós.”
Fizeram-se mais alguns segundos de silêncio em que pensou em Annie, muitas vezes ela pediu que a garota voltasse e contasse toda a verdade, mas sempre achou que seria muito egoísmo.
“Você não vai contar porque foi embora né?” insistiu.
“Não.” respondeu tentando não ser grossa.
“Cara! Faz quatro anos que eu tento descobrir e eu continuo sem ter nenhuma pista!” falou irritado.
“Ela tem um motivo, eu sei que tem.” Disse .
“Eu já disse por que fui embora, não vamos voltar nisso.” tentou mudar de assunto.
“Gente, vamos lá! Vocês não estão felizes? É a !” começou. “ você não parava de choramingar que tinha perdido a única pessoa que te levava a sério e , você passou quatro anos elaborando planos de resgate, como se ela tivesse sido seqüestrada por nazistas!” Ela riu.
De repente apareceu no jardim. Ele parecia nervoso e pode ver um leve roxo surgindo em volta do seu olho esquerdo.
“Não vai ter ensaio hoje, eu ligo pra vocês mais tarde.” Ele disse pegando as chaves de um carro em cima da mesa. levantou.
“Agora não, é melhor você ficar.” Ele falou para garota, que voltou a se sentar, muito mais preocupada do que antes.
“, a gente tem que tocar naquele festival amanhã à tarde!” gritou antes que sumisse de vista, mas não houve resposta. “Ótimo, se aquele idiota do ficar fazendo cena a gente não vai conseguir tocar amanhã.”
“É minha culpa, eu sinto muito.” falou sincera.
“Não é sua culpa, o é um idiota com ou sem você.” disse olhando pra garota.
“Bom, ele não era tão idiota há quatro anos.” Ela deu de ombros.
“Ah! Era sim, você que não percebia.” disse rindo e todos riram, mas logo voltou a olhar para as mãos.
“, não é sua culpa. Tudo bem que você foi embora quando a gente mais queria você aqui e disse umas coisas bem pesadas, principalmente pra ele.” abriu a boca para falar, mas continuou. “Mas, por mais que você diga o contrário, está na cara que você não quis dizer nada daquilo. A gente sabe disso...” Ele olhou para , que confirmou com a cabeça. “O sabe disso e ele gosta de frisar que você é uma mentirosa descarada sempre que pode...” Eles riram, uma grande lágrima começava a se formar nos olhos da menina. “E o , no fundo ele também sabe, mas ele é muito orgulhoso pra admitir. Ele nunca deixou de te amar.”
O nó em sua garganta agora parecia uma almôndega gigante. A lágrima que estava segurando rolou por suas bochechas, mas foi uma lágrima solitária, ela não queria chorar, tinha que ser forte, por tanto freou todas as outras.
“O está certo” segurou a mão da garota em cima da mesa. “Eu senti sua falta, sabe, é uma merda sair sem você, não tem ninguém pra me impedir de fazer besteiras.” Ele riu.
“Obrigado.” Ela sorriu para eles.
“Vamos sair pra almoçar!” Disse .
“Eles acabaram de tomar café.” olhou pra mesa, que estava bem vazia por sinal.
“Como se eles ligassem.” rolou os olhos.
“É verdade, eu não ligo.” respondeu.
Já era quase meio-dia e eles foram a um restaurante pequeno, não muito longe da casa. O lugar era confortável e poucas pessoas estavam almoçando. Eles ficaram lá por umas duas horas, conversaram sobre muitas coisas, contou sobre o Brasil e eles falaram sobre a banda. Algumas vezes falavam sobre alguma coisa que passaram juntos, mas logo aparecia na história e então eles mudavam de assunto, o que deixava a garota muito agradecida, se pensasse no garoto não conseguiria dar atenção a mais nada.
contou que a gravadora queria lançar um novo álbum antes do fim do ano, mas eles não conseguiam escrever nada.
“Eles querem que a gente faça o mesmo tipo de música, sem nenhuma alteração. Mas nós queremos arriscar, tentar uma coisa mais séria.” contou.
“É, mas eles não vão lançar o que a gente quer, e a gente não consegue compor nada no estilo que eles querem.” Continuou . “Eles vão nos mandar embora.”
.
Mais tarde contou a que eles não escreviam nada há um ano.
“O e o não fazem nada, ensaiam as músicas antigas como se estivessem assistindo um filme muito chato. O e o até tentam, mas a gravadora não aceita nada que eles fazem.”
Quando chegou a sua casa, Molly não estava. Tinha ido almoçar na casa de uma amiga. O carro de estava na garagem, mas ele não estava em casa. Naná disse que saiu com no carro do e que deveria voltar antes do jantar.
Ela andou a casa toda, ligou e desligou a televisão várias vezes. Tentava não pensar no que e estavam fazendo, mas quando menos esperava estava criando possibilidade. Não sabia como ia fazer entender o retorno da garota. Ligou e desligou a televisão mais uma vez. E então pensou numa coisa que a distrairia, pelo menos um pouco.
A garota subiu as escadas em direção ao seu quarto. Ligou o laptop.
“,
E ai amiga? Como vão as coisas no país verde e amarelo?
A viagem foi boa, não que ficar onze horas dentro de um avião seja confortável, mas foi suportável.
Por aqui está tudo bem, a te mandou um beijo e disse que está com saudades. Você devia vir nos visitar um dia desses, você pode ficar aqui em casa, o ia adorar. Desconfio que ele ainda tenha uma paixão secreta por você, e como eu acho que você sempre foi secretamente apaixonada por ele, acho que você também ia gostar (HAHAHA).
Minhas coisas ainda não chegaram. Mas eu não esperava que elas fossem chegar tão rápido. Devem chegar semana que vem, ou na próxima.
Já estou com saudades. Mande-me notícias e novidades.
Beijos,
.”
Era um email curto, mas hoje em dia, ninguém lê nada se for muito comprido, então achou que estava bom. Apertou ‘send’ e ficou olhando para tela do computador, então se lembrou de outra pessoa.
“!!
Adivinha quem voltou?? EU!
To morrendo de saudades suas, sério mesmo, fazem uns 5 anos que a gente não se vê! Vamos combinar de sair um dia desses!
Como está seu irmão? A Molly me disse que eles estão na mesma sala.
Você tem visto o alguém do colégio? Já terminou a faculdade? Direito né?
Manda noticias!
Beijos,
.”
Era tudo, ela não tinha mais para quem escrever.
Pensou em voltar para televisão, mas ficou com medo de estragá-la de tanto liga e desliga. Por volta das seis horas Naná avisou que estava indo buscar Molly.
“E também vou passar no supermercado, posso demorar um pouco. Você quer alguma coisa?”
“Hum, acho que não. Quer dizer, eu preciso de um celular, se você passar por alguma loja no caminho poderia dar uma olhada pra mim? Nada muito caro, desde que faça ligações pra mim já está bom.” Ela disse.
“Claro, vou procurar alguma coisa.”
E então ela saiu, deixando sozinha em casa.
Dez minutos depois da saída de Naná, ouviu a porta de entrada abrir e correu para sala.
“!” Ela correu para o garoto e lhe deu um abraço.
“Oiiiii, ai calma, você vai me matar.”
“O que aconteceu?” Ela o largou, e então viu que seu olho esquerdo estava mesmo roxo. “O que aconteceu com seu olho?” Ela perguntou preocupada.
“Ah, isso...calma, já explico, eu preciso sentar.” Ele foi até o sofá, enquanto isso correu para cozinha e pegou um pouco de gelo para ele colocar no olho.
“Obrigado.” Disse ele pegando o saco de gelo da mão dela.
“Então...o que aconteceu?” Ela perguntou se sentando ao lado dele.
“Bom, eu fui atrás do e ele me deu um soco, disse que eu devia ter contato que você tinha voltado, que eu tinha agido pelas costas dele. Falou um monte de merda. Ai, quando ele finalmente parou de me xingar eu expliquei pra ele que não tinha certeza que você ia voltar e tudo mais, não adiantou muito, mas ele se arrependeu de ter me socado. Falou que ia embora e não ia voltar pra minha casa enquanto você estivesse aqui. Ele foi bem dramático. Achei melhor levar ele em casa, se ele fosse dirigindo ia acabar fazendo uma besteira. E então eu fiquei com ele até agora, ouvindo ele chorar as pitangas.”
“Ele me odeia.” disse olhando para o chão.
“Sem querer ser chato, esse não é o maior problema, no dia que você falar a verdade ele pára de te odiar.” Ele falou analisando o gelo que começava a derreter.
“Nossa, obrigado.”
“Caramba , eu não quis te irritar. Não estou te culpando nem nada, mas é que as coisas estão bem complicadas, ele falou que não vai a nenhum lugar que você estiver. Como eu disse, ele está sendo bem dramático.”
“Às vezes eu queria que você mentisse pra mim sabe, pra eu não me sentir tão mal.” Ela falou.
“Provavelmente seria muito melhor, mas acho que já tem mentiras de mais nessa história.” Ele olhou pra ela, mas a garota desviou o olhar. “Sabe, eu não faço a mínima idéia do que vai acontecer. Eu fico imaginando porque você fez tudo isso, eu vejo que você está sofrendo, eu não acredito que você tenha passado quatro anos longe, não parece que fez bem algum a você essa viagem, você parece muito confusa. Eu queria poder ajudar, mas você não deixa e agora eu estou ficando confuso.” Ele estava falando olhando para o teto e a garota estava chorando em silêncio. “Eu queria que você confiasse em mim, confiasse em nós quatro. Não importa o que aconteceu, você sabe que a gente vai entender, mas sério, você não pode nos deixar fora disso e ainda querer que a gente entenda.”
“Eu confio em você.” Ela resmungou. “Mas eu não tenho tanta certeza que você iria entender.”
“Você só vai saber se tentar. Por mais que eu tente, eu não consigo ficar bravo com você, sei que existe alguma coisa por trás disso tudo. Você é a minha melhor amiga, e mesmo depois de quatro anos sem te ver, eu ainda olho pra você e vejo a mesma menina. Não me deixa de fora da sua vida.” Ele havia tirado o gelo do olho, segurou a mão da menina. “Confia em mim.”
“Eu fiz isso por vocês.” Ela não estava olhando para ele. “Eu tive que escolher entre ter a vida de sempre ou abrir mão de tudo por vocês.” E então ela olhou pra ele, que a encarava confuso. “Acho que você sabe o que eu escolhi.”
“Você continua culpando a banda.” Ele riu.
“Eu não estou culpando ninguém, a escolha foi minha.”
“Que seja. Se algum dia você estiver pronta pra contar, eu vou estar aqui.” Ele sorriu.
se deitou bem cedo aquela noite, mas não conseguia dormir. Se sentia mal por tudo que tinha acontecido. E se não quisesse mais tocar? Ele não podia fazer isso. A banda não podia acabar nunca. Ela iria lutar por eles. Pegou o celular novo na mesa de cabeceira e discou o número que ainda sabia de cor.
“Alô?” Uma voz cansada atendeu.
“A gente precisa conversar.” Ela falou tentando parecer calma. Ninguém respondeu. “Você não vai poder sair correndo toda vez que eu entrar em algum lugar, nem dar socos em todo mundo que fala comigo.” esperou uma resposta, mas não recebeu nenhuma. “Eu estou indo pro lago.” Ela achou desnecessário acrescentar que ele deveria encontrá-la lá, afinal, estava implícito.
Desceu as escadas em silêncio, com medo de acordar , ele provavelmente a impediria de sair. Pegou o casaco na entrada da casa e saiu. A noite estava fria, e as ruas escuras. Ela só percebeu que estava de pijama quando chegou à metade do caminho. Olhou pra trás, mas não valia a pena votar.
“Eu sou tão idiota!” Disse para si mesma.
Continuou andando, por um milagre sua cabeça estava vazia.
Passados quinze minutos a garota virou numa viela, estava coberta de mato, e qualquer pessoa teria dito que aquilo era um beco sem saída, provavelmente muito perigoso. Mas ela continuou. O mato começou a diminuir até virar uma grama verde que mais a frente se misturava com areia grossa, a viela não era mais uma viela e sim um largo terreno que terminava num lago. O fundo das casas, que deveriam ter vista para aquele lugar, eram refreados por um paredão de árvores.
sorriu, esse era um dos lugares que ela mais tinha sentido falta. Ela foi até o lago e se sentou em um grande aglomerado de rochas no canto direito. Estava espantada com a súbita coragem que estava tomando conta dela.
“O que você quer?” ouviu a voz de . Virou-se devagar, ele estava parado na saída da viela, próximo as árvores, usava uma calça jeans larga e moletom. Seu coração disparou e, apesar da situação não ser boa, ela sentiu uma corrente de felicidade passando pelo seu corpo, como se a simples sensação de olhar para o garoto fosse a melhor que experimentava em anos. Se ele tinha vindo a seu encontro, já era um bom sinal.
“O que você quer?” Ele repetiu.
“Obrigada por vir.” Ela disse descendo da rocha e indo em direção a ele.
“Você disse que precisava falar comigo, fala logo.” disse sério. Olhando mais de perto podia ver que seus olhos estavam vermelhos e inchados, como no dia em que eles se falaram pela última vez.
“Desculpa, por tudo que aconteceu, eu espero que um dia você entenda.” Ela falou ainda se aproximando, mas o garoto estava se afastando, como se não quisesse que ela chegasse mais perto.
“Entender? Como você quer que eu entenda?” Ele disse nervoso.
“Você não sabe como foi difícil fazer o que eu fiz.” Ela tentou se justificar.
“‘Difícil’? Você nem sabe o que isso significa.” Ele balançou a cabeça “Você nunca ligou, você não deu à mínima. Você não sabe o que é ter que parecer feliz na frente de mil pessoas quando tudo que você quer é sumir do mundo. Quando você se olha no espelho e sabe que você é culpado, mas não sabe o que fez de errado. Você não sabe o que é escrever músicas que todo mundo ouve, mas a única pessoa que você queria que ouvisse não esta lá para ouvir. Eu passei quatro anos vivendo uma fantasia, vivendo a vida dos sonhos de qualquer pessoa, mas pra mim era um pesadelo.” Sua voz tremia e ele falava muito alto. “Eu enxergo você em todos os lugares e já se passaram quatro anos! Já se passaram quatro anos e eu não consigo te esquecer! Minha vida acabou quando você foi embora, agora eu sou só um idiota que se acha e trata mal as pessoas.” não conseguia conter as lágrimas, queria confessar tudo para que ele parasse de acusá-la, para que ele entendesse.
“E o que você quer que eu faça agora?” ela perguntou, também estava gritando. “Eu não posso mudar o passado.”
“Você nunca deveria ter voltado, eu te disse para nunca mais voltar.” Uma lágrima corria pela sua bochecha e ele olhava para com uma expressão de dor.
“Caso você não tenha percebido, eu não voltei por você. Caso você não tenha percebido meu pai está morto.” Ela disse calma, mas com mais lágrimas do que nunca saindo dos seus olhos. teve a impressão de que iria abraçá-la, e torceu para que o garoto o fizesse, mas ele recuou.
“Eu só quero que você não mude.” Ela disse “Os meninos não tem culpa pelo que eu te fiz, você sabe o quanto vocês lutaram por essa banda. O não tem culpa de ser meu irmão, e você não pode impedi-los de falar comigo. Nós não precisamos falar um com o outro, mas você vai ter que aprender a conviver comigo. Você diz que sua vida acabou, pois a minha também acabou há muito tempo, então não vamos acabar com a vida de mais ninguém.” Ela olhou para o garoto que estava pálido e a encarava com lágrimas pelo rosto. tinha certeza que sua aparência não estava muito diferente, tudo que ela queria era abraçá-lo e fazer a dor passar, queria abrir os olhos e acordar há quatro anos e descobrir que tudo não passou de um pesadelo. Ela olhou para ele uma última vez e saiu pela viela.
Viu o carro do garoto estacionado na rua e passou correndo por ele, correu até sua casa, parou na porta enxugando as lágrimas na manga do pijama. Entrou em silêncio até seu quarto. Deitou na cama, mas uma mistura de dor, nervosismo e angustia tomavam conta dela. Ela se sentiu enjoada, chorou em silêncio por longos minutos, o sol começava a nascer quando seus olhos relutantes finalmente se fecharam.
Capítulo 4
“Falou com meu pai?” Ela ouviu alguém dizer. estava fechando a porta atrás dela.
“Isso foi idéia sua, não foi?” ela perguntou olhando pra garota sentada no sofá.
“Imagina!” A garota respondeu com sarcasmo na voz. “Eu posso ter dito alguma coisa.” Ela riu.
“Você é ridícula.” estava em choque, não sabia o que iria fazer.
“Fica tranqüila, eu sei que você vai fazer a coisa certa, .” A garota falou ficando em pé.
“A coisa certa, , é eu contar a verdade pros meninos!” falou, um pouco mais alto do que deveria.
“Ah! Mas você não pode fazer isso, não é mesmo? Eles desistiriam da banda, e você seria a única culpada.” continuava rindo.
“O que você quer com isso? Eles nunca vão gostar de você! O nunca vai gostar de você!”
“Mas pelo menos eles não vão estar com você.”
“Eu não posso terminar com ele pai, eu não consigo.” falava entre um soluço e outro.
“Querida, você tem que dizer a verdade!” Annie falou “Eu não acredito que estão fazendo isso com você!”
“Eles estão certos.”
“Certos?” Seu pai disse “Isso não tem nada certo”
“Eu vou me mudar, pai, você falou que eu podia estudar no Brasil, lembra?” perguntou.
“Foi em uma circunstância completamente diferente.”
“Eu preciso ir, por favor pai, eu amo esses garotos, eu amo essa banda, eu quero que dê certo.”
“! Eles têm a vida toda! Isso pode dar certo outra hora, com você do lado deles!” Annie falou.
“Eu quero que dê certo agora, por favor, confia em mim. Eu sei que vai dar certo.”
“, isso é um erro.” Seu pai falou.
“Mas é meu erro.” já não chorava mais.
acordou assustada, mais um pesadelo.
“Eu acho que nunca mais vou dormir.” Falou para si mesma, era o único jeito de fazer suas memórias pararem de perseguí-la.
Neste momento a garota se lembrou da noite anterior, não havia adiantado nada, eles só brigaram mais ainda. fechou os olhos e desejou que esquecesse o que tinha acontecido, que entrasse pela porta do seu quarto rindo e falando coisas inapropriadas, pulasse em sua cama e lhe desse um abraço. Um abraço que só ele podia dar.
ligou o computador.
“,
Está tudo ótimo! Já estou com saudades de você! Acho que vou fazer uma visita em breve! Hahaha! Mas não por causa desse seu irmão que não toma banho – eu nunca gostei dele! Não inventa! Mas quero ver as meninas, lembrar da cidade, faz falta. O Brasil é ótimo, mas está quente pra burro! Haha!
Um beijo,
.”
clicou em responder:
“Querida amiga mentirosa (você ama meu irmãozinho, e ele é bem cheiroso por sinal, lol),
Vem sim! Quem sabe você não chega antes das minhas malas! Haha!
Beijos,
.”
Tinha outro email na caixa de entrada:
“Amigaaaaaa!
Não creio que você voltou e não me comunicou nada! A gente tem que sair! Me chama no walk-pink-talk (hahahha, lembra?) acho que ainda funciona!
Eu larguei a faculdade de direito! Muita informação pra mim, estou fazendo jornalismo...
Saudades,
Xx
.”
Alguém bateu na porta, fechou o laptop e perguntou:
“Quem é?”
“Sou eu.” A garota ouviu a voz do do outro lado da porta. “Posso entrar?” Ele perguntou abrindo a porta e colocando a cabeça dentro do quarto.
“Claro!” Ela riu.
“Onde está?” Ele perguntou olhando para os lados.
“Onde está o que?” se sentou na cama.
“Nosso xadrez de bruxo, oras bolas! Fazem quatro anos que o melhor aluno da Grifinória, eu, não enfrenta a preferida do Lord das Trevas, você!” Ele disse fazendo poses. gargalhou.
A garota correu até o armário e tirou de lá um tabuleiro enorme. Em cada canto do tabuleiro existia o brasão de uma casa de Hogwarts, as peças eram perfeitas miniaturas das peças que apareciam no filme Potter e a Pedra Filosofal.
correu até o tabuleiro e se sentou no chão de frente para .
“Pegue sua varinha!” Ele falou.
Os dois esticaram a mão e cada um pegou uma varinha, que estavam postas no meio do tabuleiro. ria sem parar, e parecia estar falando realmente sério.
Os dois começaram o jogo, os peões quebravam no meio quando morriam, as torres se mexiam quando alguma varinha chegava perto delas graças a um imã, os cavalos relinchavam, os bispos e as rainhas se iluminavam quando eram tocados e o rei da garota emitiu um forte som de cacos de vidro quando foi morto pela rainha do . Ele riu.
“Eu sabia que eu continuava sendo o melhor!”
“Eu te amo sua criança!” não conseguia parar de rir, tinha se esquecido completamente dos pensamentos que há pouco tempo lhe incomodavam. Os dois se abraçaram.
“Eu realmente senti sua falta.” A garota falou. sorriu enquanto re-encaixava os peões que tinha desmontado ao meio.
Os dois arrumaram o tabuleiro e o devolveram ao armário em silêncio. voltou a se sentar na cama, se deitou do seu lado, deixando os pés calçados balançando para fora da cama.
“Ele foi pra minha casa.” disse de repente.
“O que?” olhou para ele.
“O .” prendeu a respiração. “Ontem, depois que vocês conversaram, ou brigaram, não sei bem o que foi aquilo, ele foi pra minha casa. Me contou o que aconteceu.” fitou o teto. “Ele vai te perdoar, você tinha que ver, quanto ele acabou de me contar, tudo que ele conseguia dizer era o quanto ele ainda te amava e o quão sozinha e triste você parecia.” O coração da garota disparou, mas ela ainda não conseguia falar. “Ele queria vir correndo pra cá te pedir desculpas por ter gritado. Mas eu não deixei, vocês dois precisavam de um tempo pra pensar. Vocês são extremamente impulsivos. Duas crianças.” olhou pra ele indignada, há dois segundos atrás ele estava fingindo ser Potter! Quem era a criança mesmo?
“Eu nunca achei que ele fosse ficar tão mal por eu ter ido embora.” Ela finalmente falou.
“Acho que só seria pior se a banda acabasse.” falou num suspiro.
“Foi o que eu pensei.” Mas a garota falou tão baixo que ninguém poderia ter ouvido.
“?” entrou no quarto. “Ah, você está aqui. Estou pronto.” Ele olhou para os lados e seus olhos pararam no armário aberto. “Ahh!! Pelo amor de Deus! Não vai me dizer que vocês dois estavam jogando aquela porcaria de xadrez!” Ele balançava a cabeça.
“! Ele não é uma porcaria! Foi bem caro, e é muito legal.” respondeu.
“Muito legal!” concordou.
“É, mas você não é a Hermione. E , você nunca recebeu a carta de Hogwarts e já passou dos onze anos a muito tempo, eles não te escolheram amigo, sinto muito, você é um trouxa igual a mim.” Ele sorriu.
“Ei! Eles só estão atrasados, a coruja com minha carta de admissão vai chegar a qualquer momento!” fez uma cara séria ficando em pé olhando a janela.
“E eu nunca seria a Hermione, eu sou da Sonserina seu babaca!” também ficou de pé.
Então os três caíram na gargalhada. chegou a derramar algumas lágrimas de tanto rir. E se sentiu com 17 anos de novo.
e saíram para tocar no festival, tomou banho, se arrumou e passou a manhã inteira brincando com Molly. No começo foi difícil se concentrar na irmã mais nova, tudo que ela queria era correr para o festival e ver os meninos tocarem, ela estava morrendo por dentro. E ficou mais difícil quando o telefone tocou.
“Posso saber por que merda de motivo você não esta aqui?”
“Oi .” respondeu.
“Depois de quatro anos você não tem a mínima vontade de ver a gente tocar, caramba! Você é muito chata!”
“, você não está bravo de verdade.” riu.
“Tá, você me descobriu.” Ele riu desapontado. “Mas você devia estar aqui, é sério, a gente manda o embora, você é muito mais legal, e não vem com a a tira colo.”
“Cala a boca .” riu mais ainda.
“Te vejo mais tarde e a gente vai encher a cara!” disse e desligou.
Ela queria estar lá.
A garota se concentrou ao máximo em esquecer seus pesadelos e suas esperanças, mas de dez em dez minutos ela ouvia Molly chamá-la: “! ! Você me ouviu?”
Elas conversaram, almoçaram, ou melhor, Molly almoçou, estava sem fome, ajudaram Naná na cozinha e assistiram A Bela e a Fera, filme preferido de Molly. Quando o filme terminou a garotinha tinha caído no sono.
“O que está te incomodando?” Naná perguntou.
“Eu não sei, tudo, eu magoei meu pai, eu magoei Annie, fiz coisas com as quais eles não concordavam.” não queria falar, mas confiava em Naná.
“Eles te amavam , e onde eles estiverem sei que ainda te amam. E vocês se falavam o tempo todo, eles nunca ficaram magoados, não com você.” Nana defendeu.
“Eu queria ter voltado antes, ter visto eles uma última vez.”
“Todo mundo queria, querida, todo mundo queria.”
Quando finalmente ouviu o barulho dos carros chegando já eram mais de cinco horas da tarde. Naná entrou correndo na sala para levar a menina ao quarto.
“Pode deixar.” disse pegando a irmã no colo.
Naná ficou olhando a garota subir as escadas, quando estava no último degrau ela ouviu a porta abrir, e vozes invadirem a casa. se apressou para por Molly na cama, felizmente, o sono da irmã mais nova era tão pesado que ela não acordou.
olhou para a irmã dormindo, ela estava tão calma, a respiração tão leve e pausada, enquanto a sua estava acelerada e ela estava começando a suar de nervoso. Será que tinha vindo?
E se ele tivesse vindo, como seria? Seu coração disparou, e a garota correu para seu quarto com medo de que as fortes batidas do seu coração acordassem Molly.
entrou em seu quarto correndo.
“Oi!” Alguém disse enquanto fechava a porta do quarto.
A garota se virou rapidamente e, encostada na parede, estava .
“Eu precisava ver com os meus olhos, você voltou mesmo.” olhava para .
“O que você está fazendo aqui?”
“O que VOCÊ está fazendo aqui?” perguntou séria “Achei que tínhamos um trato.”
“Eu tinha um trato com o seu pai, não com você.” respondeu, sua respiração mais acelerada do que nunca.
“Dá na mesma.”
“Eu não vim roubar seu namorado se você está preocupada com isso, mas talvez eu volte a acompanhar os meninos, eles gostam da minha companhia e eu gosto da deles.”
“Claro que você não vai roubar meu namorado! Temos um tra-to.” falou.
“Eu acho que você e seu pai o quebraram no momento em que você começou a namorá-lo.” olhou séria para garota.
“De qualquer forma, o te odeia agora.” deu de ombros.
“Eu não me importo, eu não voltei por ele.”
“Ah! Você perdeu o papai e mamãe...é verdade, há quanto tempo você não os via?” disse com um sorriso sarcástico “Porque você não voltou antes, em? Ninguém te impediu, o trato não mandava você mudar de cidade.”
“Vai se fuder!” gritou e colocou a garota para fora, que saiu aos risos.
Aquelas palavras atingiam como uma faca, pois eram verdadeiras. Ela não precisava ter se mudado, mas como não? Como ela poderia viver no mesmo lugar que sem estar ao seu lado? De qualquer forma, era verdade, ela não via seus pais a muito tempo, e agora, nunca mais veria.
começou a se sentir enjoada, foi em direção ao banheiro mas lembrou que não tinha comido nada o dia todo.
O quarto inteiro começou a embaçar, não conseguia enxergar nada, seus joelhos estavam tremendo. Ela ouviu uma conversa ao longe.
“Você viu a ?”
“Não, não vi não. Vem comigo amor.”
“Não me chama de amor, eu já pedi.”
Ela não conseguia raciocinar o suficiente para dar nomes aos donos das vozes. Ela estava quase no chão quando a porta do seu quarto se abriu e alguém a segurou. Mas quando isso aconteceu, já estava caindo e o peso derrubou não só ela, mas outra pessoa.
“!” foi a última coisa que a garota ouviu.
Capitulo 5
“Ela não está comendo nada! Eu sabia que isso ia acontecer, ela anda tão triste!” ouviu a voz de Naná.
A garota estava fraca e não lembrava o que tinha acontecido, manteve os olhos fechados. ‘’, pensou, e seu estomago se contorceu. tentou se acalmar, não podia ficar nervosa, estava fazendo uma cena, e a última coisa que ela queria era todas as atenções voltadas para ela.
“Tudo bem, deixa esses pãezinhos aqui, eu vou fazer ela comer. E, Naná, por favor, não comenta com ninguém, fala que eu não estou me sentindo bem e estou no banheiro e que ela está dormindo com a Molly ou alguma coisa assim.” podia jurar que palavras como essas seriam do , mas não era a voz dele.
“Está bem.” Naná respondeu, e ela ouviu a porta do quarto fechando.
Ainda de olhos fechados, analisou a situação, estava deitada em sua cama, abriu levemente os olhos, mas os fechou rapidamente, não por causa da claridade, mas por causa do dono da voz. . Ele estava sentado no pé da cama, olhando para ela. Ela estava com medo de que no momento que abrisse os olhos os dois tivessem outra discussão. Drama, drama, drama.
Ela abriu os olhos lentamente.
“Oi.” disse sorrindo torto.
“Desculpa...eu não queria...”
“Desmaiar?” interrompeu
“Eu ia dizer incomodar.” sentou na cama.
“A Naná acha que é por que você não comeu.” Ele riu “Eu te conheço, não comer é só um agravante. O que deixou você tão nervosa?” Ele perguntou.
“Eu não fiquei nervosa.” respondeu desviando o olhar.
“, você nunca passa mal, você nunca fica doente. A não ser que fique nervosa, então você corre pro banheiro, se tiver comido, ou desmaia, se estiver de jejum.”
Os dois se olharam durante algum tempo, e pela primeira vez, em muito tempo, o que ela sempre conheceu estava ali.
“Você não vai me contar, não é?” abaixou a cabeça “Nada, nem uma palavra.” Ele não estava bravo, estava apenas triste.
“Eu tenho que te pedir desculpas por ontem.” voltou a olhar para a garota.
“Não, você não fez nada errado.” defendeu.
“Sabe, todos esses anos, eu te culpei. Mas, não pode ser verdade, tem que haver uma razão. Eu não consegui dormir a noite toda, lembrando de tudo que nós passamos, eu sei que foi real, você nunca faria o que fez sem um motivo.”
parou de falar, dando espaço para responder alguma coisa, mas a garota não conseguia dizer nada. Então ele continuou.
“Eu não vou forçar, se você não quer falar, eu não quero que fale.” Ele falava olhando para as mãos e para alternadamente “Eu quero poder falar com você de novo, eu quero poder te abraçar, eu quero ter você do meu lado, como minha amiga. Isso você não pode me negar.”
Uma lágrima escorreu no rosto da garota.
“Porque você está chorando? Porque você está tão magoada? O que ta te deixando nervosa? Deus! Eu queria poder ajudar.” ficou de pé, e sabia que aquela última parte ele tinha perguntado para ele mesmo.
estava encarando a porta do armário, de costas para a garota. Ela saiu da cama, e encarou a nuca do garoto.
“Obrigada.” Ela disse e ele se virou “Por entender. Eu nunca quis te machucar.”
“Se eu fosse menos cabeça dura, eu teria entendido antes.” Ele passou a mão no rosto da garota.
Os olhos dos dois estavam cheios de lágrima e sem mais palavras eles se abraçaram, como se um imã estivesse obrigando seus corpos a se encontrarem.
Foi um abraço forte, chegava a doer, mas nenhum dos dois ligava. Com os olhos fechados eles ficaram ali. com a mão na cintura da garota, sentindo sua mão tocar a nuca do garoto e o cabelo, depois de tanto tempo.
sabia o que deveria vir depois, eles deveriam se beijar e viver felizes para sempre. Mas há muito tempo ela não acreditava em contos de fada. estava apenas deixando o que aconteceu para trás, mas não havia esquecido, nada seria como antes enquanto ele não soubesse a verdade. Mas contar, poderia destruir muita coisa que ele havia conquistado nesses quatro anos.
Quando se afastaram os dois sorriam.
“Sem brigas?” perguntou estendendo a mão.
“Sem brigas.” apertou a mão da garota. “Mas você tem que me fazer um favor.” Ele disse.
“Qualquer coisa.” disse e olhou para ela com um sorriso torto. “Quer dizer, nem tudo.” Ela riu.
“Você tem que contar os seus segredos para alguém, qualquer pessoa. Porque guardar isso dentro de você está te fazendo mal.”
“, eu não sei.” falou sem encará-lo.
“Me promete.”
“Prometo.” A garota respondeu após um tempo, sem ter certeza do que aquilo significava.
“Bom, é melhor a gente descer.” falou olhando para porta.
“Vai na frente.”
ficou andando de um lado pro outro do quarto, sem saber o que pensar, sem conseguir parar de sorrir e ao mesmo tempo preocupada com toda a situação.
“O que é que o tava fazendo no seu quarto?” entrou correndo.
“Você viu? Quem mais viu?” foi até a porta e a fechou.
“Ninguém, eu vim te procurar e ele estava saindo.” Ela explicou. “Pode me contar tudo!”
“Quer saber?” pensou na promessa que fez. “Eu vou contar tudo mesmo! Eu preciso de ajuda, e só tem três pessoas que podem me ajudar...”
“As Super Garotas!” interrompeu. “Meu walk-talk ainda funciona!” ela riu.
“O da também, falei com ela hoje de manhã. Espera até de noite, eu faço o chamado.”
“Certo! Vou ligar pra , falar pra ela ficar atenta, mas e a ?” perguntou.
“Pra isso que serve a tacnologia! Webcam!” riu.
“Você vai contar tudo mesmo?” A amiga perguntou desconfiada.
“Eu fiz uma promessa a uma pessoa, e eu não posso falhar.”
Quando desceu para o jardim, onde todos estavam, logo estava falando com que veio correndo com uma garrafa de cerveja na mão.
“Onde você estava? Mais um pouco e não ia sobrar cerveja pra você!” Ele riu.
“Seu bêbado!” disse pegando a garrafa da mão do garoto.
“Pega leve ai maninha, não deixa esse cara te influenciar.” brincou.
“Mesmo que ele quisesse, nunca conseguiria!”
“Ta duvidando da minha capacidade?” arregalou os olhos. “Eu pratiquei muito meu poder de influencia nesses quatro anos, você nem imagina!”
“Quero só ver!” riu.
continuou com e enquanto conversavam sem parar, mas estava ouvindo outra conversa. Perto da piscina e conversavam, cutucou , e logo as duas estavam empenhadas em escutar a conversa.
“Porque você a trouxe aqui? Você não disse que ia terminar com ela?” perguntou.
“Cara, eu não sei como terminar com alguém, nunca fiz isso antes, e não sei se eu deveria.”
“Como assim ‘não sei se eu deveria’ e a ?”
“Nós somos amigos, não namorados, eu não tenho que terminar com a por isso.” abaixou a cabeça.
“Eu não acredito em você!” balançou a cabeça. “Você está com medo que a suma outra vez, não é?”
“Claro que estou! Ela não é a mesma, você não percebe? Tem muita coisa mal entendida nessa história!”
“Então porque você a desculpou?”
“Eu não desculpei, eu estou supondo que existe uma razão acima de nossas vontades para tudo que aconteceu. Ela está sofrendo, e o único jeito de mudar isso é estando do lado dela, quem sabe assim ela não volta a ser a de antes. Eu não quero vê-la sofrendo, eu amei essa garota, eu amo essa garota. Mas isso não muda o que aconteceu. Mas eu nunca quero ter que sentir de novo o que eu senti quando ela foi embora.”
“! Você não gosta dessa , ela é um saco.”
“Mas foi ela que ficou do meu lado esse tempo todo.” terminou o assunto.
“Nós vamos arrumar essa bagunça, hoje a noite.” resmungou no ouvido de .
“Cadê ela agora?” perguntou.
“O Matt veio buscá-la, eles têm um jantar de família ou alguma coisa assim.”
Matt era o irmão mais velho de , sempre foi muito simpático, mas nunca andou no mesmo grupo deles.
“Como ele está?” perguntou.
“Drogado, como sempre.” respondeu.
“Não fala assim! Ele é legal.”
“Sei lá.” deu de ombros.
Duas horas depois todos já tinham bebido demais, estavam deitados na grama, olhando para o céu, resmungando coisas sem sentido.
“Tenho que ir” disse.
“Eu te levo.” levantou.
“, Super Garotas mais tarde, em? Não esquece!” A amiga se despediu.
“Super Garotas?” riu.
“Vocês ainda fazem isso?” perguntou.
“Só em ocasiões especiais.” respondeu.
“Nós devíamos fazer o Super Garotos um dia desses, tipo, O Retorno.” disse sério.
“Cara, o Super Garotos virou McFly, não sei se eu ia aguentar gastar mais horas da minha vida com vocês.” falou irônico.
“Valeu a consideração!” respondeu.
“Disponha.”
“?” chamou depois de vários minutos em silêncio, já estava dormindo.
“Hum?” resmungou, abrindo os olhos que estavam fechados.
“Você devia vir com a gente no próximo show.” Ele disse calmo.
“Tem certeza?”
“Aham, vai ser legal ter você por perto.”
“Eu não sei se ainda sei como funcionam essas coisas.” riu.
“Funciona o que? Um show?” perguntou. “Trem um palco, a gente sobe e toca, depois desce e vai embora, não é tão complicado.”
“Vou fingir que não ouvi isso.” rolou os olhos “Mas eu nunca vi vocês fazendo um show grande, e agora vocês só fazem shows enormes, vai ser estranho.”
“Você não quer vir, é isso?”
“Ela não conhece nossas músicas novas, cara. Tá com medo de ficar perdida.” falou.
virou a cabeça olhando para o garoto.
“Eu reconheceria uma musica escrita por vocês mesmo que eu nunca tivesse ouvido e outras pessoas estivessem tocando. Eu conheço o McFly de trás pra frente.” falou olhando para .
“Será? Isso foi há quatro anos.” olhou para ela. sabia que ele estava simplesmente provocando-a.
Ela se levantou e olhou para .
“Pode por meu nome na lista, no próximo show, eu estarei lá.” A garota disse e saiu, não sem antes fazer uma careta para que riu.
Quando estava entrando na casa, ouviu perguntar:
“Ela não conhece as músicas mesmo?”
“Não sei, talvez não.” respondeu.
“Eu sabia.” Ele bufou. “Mas sabe, no fundo eu tinha esperança que ela tivesse ouvindo, se ela tivesse ouvido ela teria entendido o recado.”
“Que recado? O nosso ou o seu?” perguntou.
“Os dois.”
“Seus recados eram bem depressivos, , se ela está mal agora, imagina se ela tivesse ouvido as músicas?” disse “É melhor assim.”
“Eu estou confuso. Eu não sei o que fazer.” se sentou.
assistia a cena escondida atrás da cortina da sala.
“Nem ela, meu amigo, nem ela. Eu não sei o que a gente fez, mas a gente bagunçou a vida dela pra caramba.” dava palmadinhas no ombro do amigo.
“Pra caramba.” repetiu.
Os dois levantaram e correu para o quarto, antes que fosse pega.
“I never meant the things I said to make you cry can I say I’m sorry?” (“Nunca quis dizer as coisas que eu disse para fazer você chorar, posso dizer que sinto muito?”) cantarolou baixinho em seu quarto “Ah, se vocês soubessem.” Balançou a cabeça e sorriu fraco.
Capitulo 6
ficou deitada em sua cama até as duas horas da madrugada, seus olhos estavam fechados, mas ela estava se controlando para não dormir. A garota tentou não pensar em nada, quanto mais ela pensasse, mais chances existiam de desistir de contar a verdade para as amigas.
Quando saiu da cama a casa estava em total silêncio, ela pegou o laptop em cima de sua escrivaninha, sua bolsa, um casaco e de dentro da primeira gaveta de sua cômoda um walk-talk cor de rosa.
“Super Garotas na escuta?” perguntou no walk-talk, rindo e se sentindo ridícula.
“Finalmente!” A voz de respondeu.
“Onde vai ser?” perguntou.
“No lugar de sempre, em 15 minutos.” falou “Câmbio desligo.”
A garota não conseguia parar de rir com a situação. As Super Garotas era o grupo que , , e tinham formado. Toda vez que alguém fazia um chamado no walk-talk era por que precisava de ajuda. Em contrapartida , , e formaram os Super Garotos que não durou muito, já que pouco tempo depois eles formaram o McFly.
atravessou andou até o final da rua e entrou em um parquinho, que estava deserto. A garota andou até uma árvore de tronco grosso, olhou para cima e viu a casa da árvore onde elas sempre se encontravam. Jogou sua bolsa para dentro e subiu a escada, em seguida começou a ligar o computador.
“Será que vai conectar?” perguntou subindo a escada e entrando na casinha de madeira.
“Espero que sim, vou tentar entrar pela rede de alguma casa próxima.” respondeu.
“Cadê a ? Ela sabe fazer essas coisas.”
“Chamaram-me?” perguntou subindo com dificuldade para dentro da casinha. “Isso está meio apertado.” Ela riu tentando ficar em pé, mas era impossível.
“A gente quer chamar a na webcam.” falou enquanto e se cumprimentavam.
“Deixa-me ver.” puxou o laptop para ela.
Alguns minutos depois falou “Pronto! ? Ta conseguindo nos ver?”
“Sim! Tudo certo! Mas, pra que isso? Super Garotas? Nem lembro a última vez que nós fizemos isso!” viu falar na tela do computador.
“Bom,” falou “eu já vou explicar, mas antes as formalidades.”
“Você só pode estar me zuando!” riu.
“Se a gente vai fazer isso temos que fazer direito, !” falou.
As três sentaram em roda, entre e estava o Computador com o rosto de .
“Eu sei que todo mundo está com saudade, e que temos um monte de conversa pra por em dia. A foi para o Brasil há seis anos atrás, pouco a pouco perdemos o contato com a , e a está voltando agora de uma viagem de quatro anos.” disse. “Nós fomos chamadas aqui pela , e vamos fazer o que for possível para ajudá-la, dentro das regras que ela impor.”
“Obrigada .” respondeu. “Eu sei que parece ridículo fazer isso depois de tanto tempo e ainda mais quando nós não temos o contato que tínhamos antes, mas não existe ninguém que possa me ajudar se não vocês três.” A garota sorriu olhando para as amigas. “Eu preciso que vocês saibam que tudo que for dito aqui não pode ser repassado a ninguém, ninguém mesmo.”
Ela fez silêncio e as três amigas concordaram com a cabeça.
“Eu estou prestes a contar por que eu fui para o Brasil. As únicas pessoas que sabiam eram meu pai e a Annie, e eles não estão mais aqui. Eu preciso confiar em alguém, e sei que posso confiar em vocês.”
“Eu poderia jurar que você confiaria no pra uma coisa dessas.” falou.
“O , os garotos, eles não podem saber disso nunca.” respondeu “Antes deles assinarem com a gravadora, o Dennys, pai da e dono da gravadora me chamou para uma reunião. Eu não entendi e fui. Quando eu cheguei lá ele me falou que queria contratar o McFly, mas que tinha um problema, eu era muito próxima da banda. Ele disse que a banda teria muito mais apelo e faria muito mais sucesso se todos fossem solteiros, ele pediu pra que eu terminasse com o , ou que nós namorássemos escondidos. Falou que eu poderia assistir aos shows, mas não no backstage, nem acompanhá-los no camarim, ele me daria os melhores ingressos do show, mas nos primeiros anos eu ia ter que me passar por uma amiga distante da banda, a irmã postiça do baterista. E depois quando a banda já estivesse fazendo sucesso tudo voltaria ao normal.” começou a contar, atropelando as palavras antes que se arrependesse. “Sabe, talvez ele estivesse certo, principalmente nos primeiros anos, todas as fãs queriam casar com eles, se eles tivessem namoradas e tudo mais, talvez eles não tivessem feito tanto sucesso. Mas eu sabia que se contasse alguma coisa disso para qualquer um deles, eles desistiriam do contrato. Então eu decidi terminar com o , mas eu não consegui. Terminar com ele e continuar convivendo com ele, vendo ele toda semana, eu não ia conseguir. Todo mundo sabe que nós nunca fomos só amigos, você são minhas amigas, o , o , o são meus amigos. Mas o , é o .” engoliu as lágrimas. “Eu contei para os meus pais, eles falaram que eu devia contar a verdade, mas então eu iria conviver com a culpa de que estraguei o contrato com a gravadora. Então eu tive essa idéia, talvez, se eu fosse fazer intercâmbio, tudo isso pudesse ser evitado. Eu falei pro que estava pensando em fazer a viagem, ele não gostou da idéia, mas falou que se era o que eu queria, ele ia me apoiar, ia me visitar sempre que pudesse e ia ser o melhor namorado à distância que alguém pode ter. Não era o que eu tinha em mente. Então, vocês sabem o que eu fiz. Briguei com todos para que eles me esquecessem.” Ela não conseguia mais falar, as lágrimas escorreram e ela fitou o chão de madeira da casa, desviando o olhar das amigas.
Ninguém falou nada. começou a achar que as amigas não tinham ouvido.
“Que merda de história é essa?” disse.
“Eu não acredito ! Se você tivesse contato é claro que nós teríamos dado um jeito! Você não precisava ter mudado de país por que não podia namorar o ! Isso foi estúpido!” falou.
“Eu sei, mas eu me precipitei, fiquei desesperada, vocês sabem como eu sou dramática.” ainda não olhava para as amigas. “Mas quando eu percebi a besteira que tinha feito eu já estava no Brasil, se eu voltasse e contasse a verdade eles iam brigar comigo, iam brigar com a gravadora e ia ser pior.”
“Eu não acredito que você fez isso por causa da banda, tipo, você sofreu aqui por quatro anos, eu juro que achei que você tinha desenvolvido algum tipo de depressão, eu não sei o que dizer, eu não acredito, só isso.” falou.
“Mas o tá com a e a tá com o . Eles podem namorar agora?” falou.
“A banda já faz sucesso, não faz diferença agora.”
“Isso está muito estranho.” balançou a cabeça. “É claro que está, não é toda a verdade.” falou séria e olhou para ela. “Eu achei que você tinha nos chamado aqui pra falar a verdade, mas acho que perdi meu tempo.”
“, eu acabei de contar.”
“Você contou o que contou para os seus pais, mas não a verdade. Você pode ser dramática, mas se esse fosse o problema você teria dado um jeito. Você sempre deu um jeito pra tudo, desde que pudesse estar perto da banda. Tem mais coisa nessa história. E eu acho que eu sei o nome dessa coisa.”
olhou para a amiga, o coração apertado, as lágrimas caindo.
“.” falou e fechou os olhos, tentando impedir as lágrimas de continuarem caindo. “Agora tudo faz sentido. Quando a começou a sair com o eu ouvi uma conversa dela com o Matt, ‘Você fez isso de propósito, não foi? Eu tenho medo de você, você acabou com a vida da garota pra ficar com ele’, ele disse para ela. Eu não entendi, achei que uma coisa não tivesse a ver com a outra, mas isso ficou guardado na minha memória. E quando eu comecei a namorar o , o Matt me disse ‘Sabe, minha irmã sabe fazer a cabeça do meu pai direitinho, você tem sorte de gostar desse aí e não do ’. Eu achei que ele estava chapado, que não estava falando coisa com coisa, mas ele sabia muito bem o que estava dizendo. A fez o pai colocar essa regra ridícula deles não poderem namorar, depois fez o pai tirar essa regra quando você já estava longe para poder ficar com o . Mas no meio disso ela falou com você não foi? Ela te obrigou!”
estava na frente da casa de Matt, esperando o garoto trazer um livro que ela tinha emprestado para ele.
“Já decidiu o que vai fazer?” perguntou saindo da casa.
“Sim, namorar escondido pode ser bem legal, sabe, apimenta a relação.” respondeu.
“Eu não gosto dessa decisão.”
“Você não tem que gostar de nada.” falou.
“Acho que tenho sim, sabe, meu pai muda de idéia muito fácil. Se eu falar pra ele que não gosto desses garotos, que eles me tratam mal, esse tipo de coisa, ele muda de idéia e não contrata ninguém” riu.
“Você não faria isso.” balançou a cabeça incrédula.
“Não farei, se você sumir daqui. Sei lá vai pro Cazaquistão! Eu quero você longe do , o mais longe possível, ou meu pai vai ter que mudar de idéia.” voltou para dentro da casa.
demorou para entender, ela não podia estar falando sério.
“Está aqui!” Matt saiu com o livro na mão. “O que foi?”
“Matt, seu pai mudaria de idéia por que sua irmã quer?” perguntou.
“Meu pai? Ele mudaria de nome se minha irmã quisesse.”
abriu os olhos, essa lembrança era apenas a primeira conversa que tinha tido com sobre o assunto, depois desse dia, sua vida virou um inferno.
“Ela me perseguiu.” começou a falar. “Ela disse coisas horríveis sobre eu achar que todo mundo gostava de mim, sobre como a banda nunca assinaria contrato, sobre minha mãe. A voz dela me perseguia dia e noite, muitas vezes eu acreditei nas coisas que ela disse e me senti uma pessoa horrível. E então ela não precisou forçar muito. Eu realmente acreditei que não estava ajudando os garotos em nada ficando aqui.”
“E você não ia contar isso?” perguntou, dessa vez, com a voz calma.
não respondeu.
“Eu não tinha que ter ido embora , a decisão foi minha, a pode ter feito qualquer coisa, mas no final, eu que fui embora, não tive coragem de encarar a situação. Fiz o que minha mãe fez.”
“, você não é a sua mãe!” falou séria, mas ficou em silêncio.
“Deixa eu ver se eu entendi,” falou “O Dennys falou com você, você decidiu namorar escondido. Antes de conseguir falar com os meninos a te chantageou. Como você não conseguia terminar com o inventou a história do intercâmbio, falou pro e ele continuou querendo ficar com você. Aí então, você fez aquele barraco.”
“Resumindo.” respondeu.
“Essa garota precisa aprender algumas coisas.” falou.
“Com certeza.” respondeu. “Acho que vou visitar vocês, amigas.”
“A gente vai arrumar um jeito de contar a verdade , sem atrapalhar a banda, fica tranqüila.” falou.
“Obrigada gente.” olhou para todas.
“, quando você consegue vir pra cá?” perguntou.
“Preciso de pelo menos 10 dias.”
“Tudo bem, em dez dias a gente se encontra aqui para falar sobre o assunto, tragam seus planos!”
“Estou me sentindo diabólica!” falou e todas riram, menos .
“O que foi?” perguntou.
“Eu não sei, não sei se é certo.”
“! A garota fez da sua vida um inferno! O mínimo que a gente pode fazer, é o mesmo com a vida dela! Agora você realmente está sendo dramática! Pode parar, é hora da gente se divertir!” respondeu.
“É uma regra!” falou. “Todas as Super Garotas que voltarem aqui em 10 dias tem que se divertir, nem mais uma lágrima!”
“Certo?” perguntou.
“Certo!” respondeu sorrindo.
Depois contou todas as conversas que teve com os meninos e principalmente com e desde que tinha voltado, contou da aparição de no seu quarto e dos seus sonhos.
“O está tão mal,” começou “ele não é a mesma pessoa, vocês nem reconheceriam.” Ela falou para e .
“Sabe, eu acho que as coisas nunca vão ser iguais. Eu fico dizendo que ainda o amo e todo mundo diz que ele ainda gosta de mim. Mas nós não nos conhecemos mais.” falou, finalmente aceitando a situação. “Eu tenho que parar de me culpar, por mais que eu tenha ido embora por que quis, por mais que eu tenha mentido, por mais que eu tenha escondido a verdade de todo mundo, eu fiz isso por eles. De um jeito maluco, mas fiz.”
“Você realmente fez, quem sabe onde a banda estaria se você tivesse ficado. O que passou, passou.” disse.
“E todo mundo sempre soube que você era maluca .” falou “Lembra daquele dia no lago? Eu achei que você fosse ficar pelada!” Todas riram, e lembrou muito bem da cena.
Era um dia de sol, fazia mais calor do que o normal. , , e estavam deitadas em baixo de uma árvore. De repente quatro garotos surgiram correndo pela viela, passaram correndo e não as viram. assobiou alto. e viraram enquanto e continuaram correndo tiraram as camisetas e mergulharam no lago.
Eles estavam com mais ou menos 15 anos. segurava um cigarro e virou assustado para olhar quem havia assobiado.
“Ah, são vocês.” falou voltando a tirar o sapato e a camiseta.
“Era pra você estar na aula irmãozinho.” falou olhando pra , que estava vermelho.
“Ele está fumando? Aí, meu, não digo que ele é fedido!” disse rindo para .
“Você também tinha que estar na aula.” falou jogando o cigarro fora, ainda mais envergonhado.
“Vem pra cá !” gritou do lago.
“Vocês também deviam vir.” gritou para as garotas.
“E o que eu ganho com isso?” perguntou ficando em pé.
“Você?” olhou para garota mordendo os lábios “Qualquer coisa.”
“Nem pensa nisso , a gente está sem biquíni.” falou.
fitou as amigas.
“Não, , por favor.” falou.
sorriu e começou a tirar a roupa ficando só de calcinha e sutiã.
“E aí vai ela.” balançou a cabeça e colocou os óculos escuros.
“Essa é minha garota!” gritou do lago.
“Ela é só minha, .” respondeu.
saiu correndo e mergulhou no lago. Em um segundo estava abraçada a .
“Eu quero mil beijos.” Disse para o garoto.
“Só?” sorriu.
passou a mão pelo rosto molhado do garoto “Senti sua falta.”
“A gente não se vê há 16 horas!” disse olhando o relógio “É uma eternidade.” Disse sarcástico.
“É melhor você começar a me beijar se não vou arrumar um namorado mais presente.” olhou de lado para .
“Ele nunca te amaria como eu amo.” disse e seus lábios se encontraram num beijo macio e leve.
“!!! Alô??? Está aqui?” estalava os dedos no rosto da garota.
“Ai, desculpa, eu estava lembrando daquele dia.” Ela sorriu.
O sol estava quase nascendo quando chegou em casa, ela entrou no seu quarto mas não quis ficar ali, parecia vazio. Foi para o quarto de Molly. Pela primeira vez a garota realmente enxergou o quarto da irmã, ela nunca tinha parado para reparar os detalhes. Os móveis estavam colocados nos mesmos lugares que os de , as paredes estavam cheias de pôsteres do McFly. Mesmo no escuro ela conseguiu ver o rosto dos amigos e sorriu.
Molly estava dormindo profundamente, deitou na cama com cuidado para não acordá-la e então, pela primeira vez não teve pesadelos, não teve sonhos, simplesmente dormiu.
Capitulo 7
No dia seguinte suas malas chegaram e ela passou a manhã arrumando todas as suas coisas com e .
“O que é isso?” perguntou apontando para a caixa rosa.
“Nada.” respondeu e correu até a caixa, mas quando a alcançou já estava abrindo-a.
“Eu sabia!” gritou.
“Você tem problemas.” falou.
“Ela não tem problemas, eu tenho uma igual!” falou e as três riram.
“Não conta pra eles, tá?” Pediu .
“Por que não?” perguntou.
“Quando nós tivermos um plano, a gente decide o que vai fazer, antes disso, não.”
“?” bateu a porta do quarto.
“Entra !” disse e entrou com .
“Ah, são vocês, achei que a tava falando sozinha.” falou.
“Besta.” riu.
“Vocês querem sair? A gente ta pensando em almoçar no Thunders.” perguntou.
“Claro!” falou. “Vou ligar pro .”
“ você lembra da ?” perguntou.
“Claro! A gente...”
“Se encontrou esses dias, ahn, no parque! Eu tava brincando com meu irmão e nos encontramos.” disse.
“O que é que você estava fazendo no parque?” perguntou para .
“Sabe que eu não sei!" respondeu.
“Naná, vamos almoçar fora! Cadê a Molly?” perguntou entrando na cozinha.
“Ela está no parquinho brincando.” Naná respondeu.
“Tudo bem então, fala que a gente deixou um beijo, e que à noite jantamos com ela.” pediu.
“Aviso sim. Comam direito!” Naná disse, olhando mais pra do que pra qualquer outro.
“Vamos sim.” sorriu “Ah! Naná, depois eu acabo de arrumar minhas coisas, não se preocupe com a bagunça!” Falou saindo da casa.
“O vai nos encontrar lá.” disse entrando no carro.
“O também.” disse.
“Como foi o Super Garotas?” perguntou.
“Fizemos algum progresso.” respondeu piscando pra .
“, vamos no meu carro.” falou.
“Tá.” respondeu saindo do carro do , onde tinha acabado de entrar, sem entender.
“A gente se vê lá, cara!” Ele falou pro e seguiu para garagem com .
“O que foi?” perguntou.
“Você contou pra elas.” Ele parou de andar e olhou pra a garota.
“Contei o que?” perguntou sem acreditar.
“Por que você foi embora.” Ele disse. “Você acordou bem mais tranquila, quer dizer que não teve pesadelos.”
“Que?”
“‘Que?’ Pára com isso. Você sabe o que eu estou falando.” Ele bufou.
“Eu confio em você, . Mais do que eu confio em qualquer outra pessoa.” disse séria olhando para o garoto.
“Então porque você não me conta?”
“, qualquer que seja o motivo, você tem que entender que não é porque eu não confie em você. Você é meu melhor amigo. Não são quatro anos que vão mudar isso.”
“Jura? Jura que você ainda é a mesma?” perguntou.
“Eu não sou a mesma , mas eu juro que entre a gente, não mudou nada.” sorriu.
abraçou a garota.
“A gente vai achar um jeito de por tudo no lugar, de ser como antes.” Ele falou.
“! Eu estou com fome!” falou rindo e os dois entraram no carro. “Eu tenho duas coisas pra te contar, melhor amigo.”
“O que?” olhou para o lado.
“Eu tive uma conversa com o . Ele vai me aturar.”
“Como ele vai fazer isso? Você é a maior chata!”
“Besta.” riu.
“‘Besta’” imitou a menina e os dois riram. “Qual a segunda coisa?”
“A vai passar um tempo aqui.”
“Aqui onde?” Ele perguntou assustado.
“Aqui, aqui. Na nossa casa.” olhou para o garoto esperando alguma reação.
“Tá, tá, tá, tudo bem, você tem que falar com a Naná organizar tudo.” O garoto falou ficando vermelho.
“E tem mais uma coisa.”
“O que?” olhou para o lado.
“Ela vai dormir no seu quarto.”
“O que?” pisou com força no freio e, se não fosse pelo cinto de segurança teria voado para frente. “Como assim? Você não pode fazer isso!”
“Calma! É brincadeira!” falou rindo, mas de olhos arregalados.
“Você é louca! Eu podia ter batido o carro!” falou sério.
“Eu não falei nada demais.”
“Que seja.” desconversou.
Eles chegaram ao restaurante pouco tempo depois. ainda não estava lá, mas estava sentado esperando os amigos.
“Hey!” Disse quando os outros se aproximaram.
Todos cumprimentaram o garoto e se sentaram.
“O que ele queria?” perguntou baixinho para .
“Ele sabe que eu contei.”
“Ele ficou chateado?” perguntou entrando na conversa.
“Espero que não.” A garota respondeu com sinceridade.
“Que saco!” chegou irritado.
“Eles não gostaram?” perguntou.
“Não! Eu não sei mais o que fazer, eles não gostam de nada!”
e se entreolharam.
“Desculpa cara, eu sei que a gente não está ajudando muito.” falou.
“O problema não é esse, eles não iam gostar de nada que vocês escrevessem também. Eles querem que a gente tenha 17 anos de novo, e escreva o mesmo tipo de música.” falou.
“A gravadora, o foi em uma reunião, apresentar uma demo.” cochichou para e .
“?” alguém chamou.
olhou para o lado, um garoto bronzeado e com olhos claros olhava para ela.
“Matt!” levantou e abraçou o garoto.
“Eu não acredito. Você, aqui! Você está linda!”
“Idiota.” cochichou.
“Oi pra vocês.” Matt falou olhando para as pessoas na mesa.
“Como você está?” perguntou.
“Ah, tudo bem. Vamos combinar de sair, fazer alguma coisa.”
“Claro!” A garota sorriu.
“, você vai almoçar?” perguntou, sério.
“Tenho que ir.” Falou para Matt.
“Eu sei, anota meu celular.” O garoto falou o número e anotou.
“Quanta educação!” Falou voltando a sentar.
“Ele é um babaca.” disse fazendo careta.
“Ele é muito legal, vocês que nunca deram chance pra ele.”
“E nem vamos dar.” respondeu.
“Grossos.” cruzou os braços.
“Não é grosseria, mas nós gostamos de selecionar melhor nossas amizades.” olhou para a garota sorrindo irônico.
“Sua seleção deve ser muito boa mesmo, você namora a .” respondeu.
teve um ataque de tosse, e disfarçaram uma risada e ficou mudo.
“Ela está certa, cara.” falou dando tapinhas no ombro do amigo.
“Um a zero. , você perdeu.” riu.
“Cala a boca, .” disse sério.
“Você não precisava ter dito aquilo.” falou só para quando estavam saindo do restaurante.
“Ele disse que nós seríamos amigos, eu não vou ficar medindo as palavras. Eu nunca fiz isso. Só estou sendo eu mesma.”
“Você é má, muito má!” riu.
“Quem vai com quem?” perguntou.
“Ah, você pode me dar uma carona ?” perguntou.
“Claro! Vamos!” Antes que alguém pudesse dizer alguma coisa os dois já estavam dentro do carro e indo embora.
“Eles estão se pegando, né?” perguntou.
“Certeza.” respondeu.
“Vamos, amor?” disse.
“'Vamos, amor?' Quanta melação!” riu.
“Vai ver se eu estou na esquina, !” rolou os olhos “Tchau amiga, tchau !”
“Vamos?” olhou para .
“Na verdade eu tenho que dar uma passada numa loja, preciso comprar umas coisas. Mas o vai pra casa, não vai?” Ele olhou para o amigo.
“Ahn, vou, eu vou usar o estúdio, tive umas ideias. Pode vir comigo se quiser.”
“Tudo bem.” respondeu sem graça.
Era estranho estar ali, sentada a alguns centímetros de . Dentro do carro dele, com o cheiro dele. Em total silêncio. Há alguns dias eles mal conseguiam se olhar. 'Como as coisas mudam rápido', pensou. Ela não estava se sentindo mal de estar ali, mas ainda faltava alguma coisa. Qualquer um que olhasse aquele carro perceberia o quanto eles estavam desconfortáveis.
“Pode ligar o rádio se quiser.” falou.
“Ah, não, tudo bem, não precisa.” respondeu sem jeito. “Desculpa pelo que eu falei no restaurante, eu devia ter pensado antes de falar.”
“Pensar antes de falar?” riu. “O que eu mais gosto em você é que você fala tudo que você sente. Eu não fiquei chateado.” E então ele segurou a mão da garota, que estava apoiada no banco.
“O que é isso, ?” falou puxando sua mão. “O que você está fazendo?”
“Desculpa, eu não devia...”
“Você está namorando. Você deixou claro que me queria como amiga, que não confiava em mim.”
“Eu não disse que não confiava em você.” falou depressa.
“Não disse pra mim. , todo mundo sabe. Por mais que a gente queira, não dá pra fingir que nada aconteceu. Nós mudamos, você mudou. Eu mudei.”
“Que confusão.” falou e os dois ficaram em silêncio.
“Você acha que a gente ainda combina. Quer dizer, eu ainda te amo, mas eu amo o que você era. Você acha que hoje, a gente ainda daria certo?” perguntou.
“Eu não sei. Uma vez eu li que quando um casal fica muito tempo afastado, quando voltam a se encontrar eles sentem necessidade de ficar juntos, mas que pouco tempo depois aquilo acaba, a vontade acaba e vai cada um pro seu lado.”
“Eu não quero que você vá pra um lado diferente do meu.” falou.
“É por isso que nós vamos ser só amigos, não é?” perguntou.
“Acho que sim.” respondeu. “Mas nós somos péssimos nisso, olha só, a gente já está discutindo a relação!” Os dois riram.
Eles chegaram em casa e foi direto pro estúdio, procurou Molly e Naná pela casa, mas ninguém estava. Então foi para o seu quarto, terminar de arrumar suas coisas. Uma hora e meia depois terminou de arrumar o quarto, uma chuva horrivelmente forte caia do lado de fora da janela. Seu celular tocou.
“Alô?”
“? É a Naná, está chovendo muito, não vou voltar com a Molly agora, a estrada está perigosa. Estamos na casa de uma amiguinha dela. Ela vai jantar aqui.”
“Ah, tudo bem. É melhor, voltem quando a chuva passar!”
“Tem comida na geladeira se você quiser jantar!”
“Tudo bem Naná! Obrigada!” desligou e ligou para .
“? Onde você está?”
“Oi querida, parei na casa do , a rua alagou, não tem como passar!”
“Jura? Nossa!” ficou preocupada.
“O ainda está ai?” perguntou.
“Acho que sim.” olhou para o estúdio, no fundo do jardim, pela janela do quarto.
“Manda ele sair do estúdio! A porta é eletrônica, se acabar a energia ele vai ficar preso lá dentro.”
“Ok, vou fazer isso.” desligou e desceu as escadas.
“Saco!” Falou olhando para o jardim, a chuva estava enorme.
procurou em alguns lugares, mas não conseguiu encontrar nenhum guarda-chuva. Decidiu correr. Abriu a porta e correu para o estúdio. A garota estava descalça e ela podia sentir a grama molhada, as gotas grossas caiam mas não chagavam a machucar, e ela podia sentir seu cabelo ficando cada vez mais molhado.
“! !” bateu na porta.
A porta abriu e entrou correndo e rindo.
“Nossa! O que foi isso?” Ele falou olhando para a garota toda molhada.
“O falou pra você entrar, está caindo o mundo e se acabar a energia você fica preso aqui!”
“Por que você não me ligou?” perguntou rindo.
“Droga! Nem pensei nisso” se sentiu estúpida.
O barulho de um grande trovão interrompeu a conversa.
“Vamos, se não nós dois vamos ficar presos!” falou. “Quer minha blusa?”
“! O que é um casaco pra que já está molhada?” Ela riu.
“No três eu abro a porta e a gente corre.”
“Calma! Você gravou alguma coisa?” perguntou.
“Aham.”
“Eu quero ouvir.” Ela olhou para o garoto.
“Não é muito bom.” Ele balançou a cabeça.
“Por favor?” pediu.
“Eu levo e você ouve lá dentro, pode ser?” Ele falou pegando o CD e colocando no bolso.
“Tudo bem.” sorriu.
“No três” começou. “Um, dois, três!” Ele abriu a porta e os dois saíram correndo.
estava ao lado da garota, os dois riam, mas, de repente, parou de correr.
“O que foi?” perguntou rindo e olhando para trás.
“Qual o objetivo de correr? Não adianta nada, estamos encharcados.”
“Agora nós estamos, você parou de correr, e me fez parar!” riu.
estava olhando para garota sorrindo, ele estava encharcado, a jaqueta estava pesada, por baixo a camiseta branca estava transparente e seu tênis estava todo sujo. O garoto tirou a jaqueta e jogou no chão, depois tirou a camiseta, o tênis e a calça jeans.
“! O que você está fazendo?” gritou.
Ele estava de samba-canção azul, listrada de branco. Olhou para a garota, saiu correndo e pulou na piscina.
Outro trovão.
“! A gente tem que entrar!” gritou de novo.
saiu da piscina e foi até a garota, a cada passo que ele dava o coração da garota disparava mais, ele estava maravilhoso. De cueca na chuva.
“...” Ela tentou falar.
“Você tem que entrar.” O garoto falou, tão perto que podia sentir sua respiração. “Na piscina.” Ele sorriu e pôs a mão na cintura da garota, a mão escorregou para debaixo da blusa e ele a levantou, tirando-a.
“, e se depois disso tudo acabar?”
“A gente finge que isso nunca aconteceu, que foi um sonho, mas eu preciso de você.”
não esperou mais, seu corpo estava falando e ela deixou que ele a controlasse. Seus lábios encontraram os do garoto num beijo firme. puxou a garota pra perto e intensificou o beijo enquanto desabotoava a calça da garota. A calça caiu. quebrou o beijo e pegou a garota no colo. Os dois entraram na casa.
“Achei que a gente ia pra piscina.” riu voltando a beijar o garoto.
“A gente já está molhado.” respondeu num sussurro.
Os dois iam se beijando e subindo as escadas, sem ligar para a casa, que ficava toda molhada. Quando chegaram ao quarto deitou na cama.
Mais um trovão. A energia acabou e o quarto ficou iluminado por uma leve iluminação que entrava pela janela. beijou os pés da garota, a perna, subindo por todo seu corpo.
Os dois se beijavam intensamente, arranhava as costas do garoto. As roupas de baixo estavam caídas no chão.
Capitulo 8
estava enxugando o chão da sala e todo o caminho que seguia até seu quarto enquanto estava no jardim recolhendo as roupas que haviam ficado no chão. A chuva tinha passado, Naná estava voltando para casa.
“Onde eu ponho?” entrou na casa com as roupas na mão.
“Põe na lavanderia.” respondeu terminando de enxugar o chão e arremessando o pano para o garoto. “Coloca esse lá também.”
“Folgada.” respondeu balançando a cabeça e riu.
voltou para o quarto e começou a arrumar a cama, ela estava vestida com um shorts e uma camiseta, roupa de ficar em casa. entrou no quarto, o garoto ainda vestia só a samba canção.
“Está arrumando por quê? A gente ainda vai usar!” O garoto falou puxando a garota pra perto dele.
“, o está chegando, a Molly está chegando, a Naná está chegando, você tem que ir.”
“Me deixa ficar?” fez bico.
“A gente não pode deixar que isso fique sério, eu não quero te perder.” falou dando um selinho no garoto.
“, eu já tenho uma namorada...” fez careta. “Você é minha amante!” A garota riu irônica.
“Promete que você vai estar sempre aqui, nem que seja como amigo?” perguntou.
“Eu sempre estou aqui, é você quem fica mentindo e fugindo de mim.” Ele olhou nos olhos da garota. “E eu só posso ser seu amigo se isso significar que eu posso te beijar sempre que eu quiser.” beijou de leve a orelha da garota.
Os dois se abraçaram.
“Me deixa ouvir a música?” perguntou lembrando do motivo pelo qual o garoto veio pra sua casa.
“...”
“!”
O garoto rolou os olhos e foi até o computador da garota.
“Calma, tem que ligar.” falou, sentou no colo do garoto e os dois se beijaram intensamente.
“Uau!” O garoto suspirou.
“Põe logo isso!” riu.
“Não adianta falar que está ruim, você sabe que eu sou péssimo pra escrever, pra gravar e pra tocar.” se defendeu colocando o CD no computador.
“Besta.” balançou a cabeça.
A música começou a tocar, fitava a tela do computador e olhava para o rosto da garota esperando qualquer tipo de reação. Era uma música lenta, apenas voz e violão, com uma gravação bem caseira, afinal, foi gravada nos fundos da casa da garota. A letra fez sorrir:
“Do you love me? (Você me ama?)
Do you need a little time? (Você precisa de algum tempo?)
Do you want me, to hold you when you cry? (Você quer que eu, te abrace quando você chorar?)
Do you love me? (Você me ama?)
Don't want to hear you say maybe (Não quero ouvir ‘talvez’)
Won't you tell me do you love me? (Você não vai dizer se me ama?)
I need to know (Eu preciso saber)
I'm making a list (Estou fazendo uma lista)
Of the things that I missed (Das coisas que eu senti falta)
When you left me behind (Quando você me deixa)
The way that you kiss (O jeito que você beija)
The taste of your lips (O gosto dos seus lábios)
I'm telling you from the heart (Estou falando de coração)
I really need to know (Eu realmente preciso saber)
Do you love me? (Você me ama?)
Do you feel it in your bones? (Você está sentindo nos seus ossos?)
Do you dream about me, when you're sleeping on your own? (Você sonha comigo, quando dorme sozinha?)
So, do you love me? (Então, você me ama?)
I need to know (Eu preciso saber).”
A música acabou e olhou para o garoto.
“Eu sei que não está boa, mas eu queria ajudar, o e o não estão ficando cada vez mais desanimados com a gravadora rejeitando todas as nossas músicas.” Ele falou, sem olhar diretamente para a garota. “Mas, vou mostrar pra eles e então a gente faz as alterações na letra e na melodia, não sei...” Ele olhou pra garota “É pra você, é sempre pra você.”
“Acho que podia ser um pouco mais animada.” falou olhando para o computador.
“Por quê?” olhou pra menina.
“Porque você já sabe a resposta.” respondeu.
“Eu sei?” Ele perguntou e os dois trocaram olhares.
“Sabe.”
“Quando você foi embora você disse que não me amava e se você me amasse não teria me deixado.” olhou para a garota.
“Eu te amo, e por isso eu fui embora, não duvida disso, tá?” falou e abraçou forte o garoto.
“Eu odeio essa conversa.” falou e envolveu a garota em seus braços.
O barulho de carro assustou , os dois pularam da cadeira.
“Saco!” murmurou.
“Eu preciso de roupas.” falou rindo.
“Seu carro não está na frente de casa, não é?” perguntou pensando em todos as brechas.
“Não, eu coloquei ele na rua de trás como você pediu, inclusive uma velhinha ficou gritando comigo, falando que eu devia ser preso por andar só de cueca.”
“!”
“O que foi? Minha roupa está encharcada!”
ouviu a porta da sala abrir.
“Direto pro banho Molly!” Naná gritou pra menina que já ia subindo a escada.
“Entra no banheiro!” empurrou o garoto. “Shhhh!” fez quando ele abriu a boca para falar.
entrou no banheiro e fechou a porta.
“Oi !” Molly entrou no quarto.
“Oi Molly! Como foi seu dia?” sentou na cama com a irmã de costas para a porta do banheiro.
“Foi bom, mas que chuva, em?!” Molly olhou para a irmã.
“Verdade.” riu da menina que fazia cara de gente grande.
“Molly! Banho!” Naná entrou no quarto “Oi querida, tudo certo por aqui?” Falou para .
“Tudo sim.”
Um barulho enorme de coisas caindo veio do banheiro. fechou os olhos apertados ouvindo o barulho.
“Mas o que foi isso?” Naná foi até o banheiro.
“É um marimbondo gigante que entrou pela janela!” correu impedindo que ela abrisse a porta. “Não consegui matá-lo, fechei a porta pra ele não vir pro quarto, depois eu vejo se tem veneno lá em baixo.”
“Marimbondo?” Naná perguntou. “Estranho, vou mandar o jardineiro ver se tem algum casulo em algum lugar perto da sua janela, estranho.”
“Ah! Ótimo.” não saiu de frente da porta do banheiro.
“Tem veneno na dispensa.”
“Ok, obrigada, vou pegar.” ficou parada.
“O não vai vir pra casa, me ligou e avisou que vai ter uma reunião e depois vai dormir na casa do . Você já jantou?”
“Ahn, não.”
“Vou pedir uma pizza, pode ser? Eu e a Molly já comemos.”
“Pode ser sim.” concordou.
“Vem Molly, já está tarde, banho e cama!”
“Ai, que saco.” Molly reclamou.
“Boa noite Molly!” deu um beijo na irmã.
As duas saíram do quarto.
A porta do banheiro se abriu.
“Eu também quero pizza! Estou morto de fome!” sussurrou.
“Fecha essa porta!”
“Naná!” saiu do quarto.
“Oi!” Naná estava na porta do quarto de Molly.
“Pode ir descansar se quiser, pode deixar que eu peço a pizza!”
“Tem certeza?” Naná perguntou.
“Tenho sim, obrigada.” sorriu.
“Tudo bem então, o dia foi cansativo, estou mesmo precisando dormir. Tem dinheiro na gaveta da cozinha.”
“Obrigada.” agradeceu
“Boa noite querida.”
“Boa noite.”
entrou no quarto e fechou a porta. Abriu a porta do banheiro e chamou .
“Vou poder ficar?” sorriu.
“Mas vai ter que falar baixo!” falou para o garoto que fez cara de anjo. “O que é que aconteceu aqui dentro?” A garota entrou no banheiro, mas a puxou para fora.
“Nada, nada, já arrumei.”
“Arrumou o que?” tentou entrar mas fechou a porta.
Vinte minutos depois, desceu para pegar a pizza. A arrumou com guardanapos em uma bandeja e voltou para o quarto.
“Eba!” pulou da cama e ajudou a garota com a bandeja.
“Que reunião é essa que o foi?” perguntou começando a comer.
“Não faço a mínima idéia, achei estranho também.”
“Vocês costumavam ir todos juntos nessas reuniões.” comentou.
“Eu sei.” limpou a boca com o guardanapo. “Mas está todo mundo tão desanimado que ninguém mais se importa.”
“Vocês não deviam estar assim, vocês estão realizando um sonho.”
“Que sonho é esse que a gente tem que fazer o que os outro querem?”
“Pelo menos vocês estão juntos.” disse
Os dois continuaram conversando sobre a banda, continuava dizendo que eles estavam cansados da gravadora, e que estava cada vez mais chato tocar as mesmas músicas.
“Se nós pudéssemos tocar músicas novas ia ser até divertido tocar as antigas, mas ficar tocando só as antigas não faz sentido.” O garoto reclamou.
entendia o que o garoto queria dizer, mas estava ficando preocupada, pois, não só , mas todos eles, estavam tão desanimados. A garota tinha medo que eles estragassem tudo.
“De qualquer forma, as músicas são lindas.” falou mordendo o último pedaço da pizza.
“Como se você conhecesse.” fez careta.
“É a única coisa que eu ouço em quatro anos.”
“Você não está falando sério.”
“Está bem, não é a única coisa que eu ouvi, mas que eu ouvi bastante, ouvi.” riu.
“Ah é? Então qual a sua favorita?” provocou.
“Todas que você escreveu.” falou séria.
“Como você sabe quais eu escrevi sozinho e quais eu tive ajuda?”
“Nas que você escreveu sozinho fica bem claro o quanto você me odeia.” riu, ficou sério.
“, eu não quis dizer aquelas coisas, viu, por isso que não queremos tocar essas músicas.”
“Claro que você quis dizer , e eu não estou brava, você escreveu o que estava sentindo e ficou lindo. Você devia sentir orgulho.” olhou fundo nos olhos do garoto. “Sabe, acho que foi até bom eu ter ido embora, essas músicas não existiriam se eu estivesse aqui.”
“Você faz tanto drama que eu aposto que existiriam!” riu.
“Eu faço drama? Você que faz!” fez careta e riu ainda mais.
levou a bandeja de volta para a cozinha, no caminho de volta sentiu um aperto no peito e uma tontura, por alguns segundos achou que não fosse conseguir subir as escadas. Chegou ao quarto, estava deitado na cama.
“Nossa, eu estava realmente com fome.” falou, não respondeu. “O que você tem?” Ele olhou pra garota.
“Não sei.” balançou a cabeça “Eu não estou me sentindo bem, como se alguma coisa ruim fosse acontecer.”
“O que mais pode acontecer com a gente? Acho que já sofremos tudo que tínhamos pra sofrer por uma vida.” chamou a garota para cama, ela deitou e encostou a cabeça no peito do garoto.
“Eu não estou falando de nós, apesar de não achar que está tudo bem.”
“O que você quer dizer com ‘apesar de não achar que está tudo bem’?” fez careta.
“, eu sei que você não me perdoou.”
Os dois ficaram em silêncio por alguns minutos. A respiração da garota começou a ficar cada vez mais acelerada, e começou a ficar preocupado.
“, você está bem?”
“Não, tem alguma coisa acontecendo , eu tenho certeza.” se virou para olhar o garoto.
“O que? O que você está sentindo?”
“Não sei, uma angústia.” Uma lágrima rolou pelos olhos da garota.
abraçou forte a garota.
“Eu estou aqui e nada vai acontecer. Nada.” continuou abraçando a garota. “Eu vou pegar um copo de água pra você.”
“Não!” puxou o garoto de volta. “Fica aqui comigo.”
olhou para a garota preocupado. Passou a mão pelo rosto dela enxugando as lágrimas. Os dois deitaram na cama, ficou de costas para , que a abraçou.
“Eu não vou a lugar nenhum.” falou no ouvido da menina e beijou levemente seu pescoço.
A respiração da garota foi ficando cada vez mais lenta, e ela adormeceu.
Capitulo 9
abriu os olhos, o sol já entrava pela janela e iluminava um garoto sentado na ponta da cama. Ele estava com o rosto apoiado nas mãos, e foi até ele. Passou a mão nas costas do garoto até chegar na nuca e então no cabelo. Ele se virou.
“Bom dia.” Ele disse sorrindo falsamente, seus olhos estavam vermelhos.
“O que aconteceu?” perguntou preocupada.
“Fica tranqüila, eu já vou embora, o ainda não voltou e eu tranquei a porta de chave no caso de alguém tentar entrar, mas eu já vou.”
“, eu não pedi pra você ir embora. O que aconteceu?”
O garoto abaixou a cabeça. o puxou para o centro da cama e sentou-se de frente para ele.
“Conversa comigo.” Ela falou levantando o rosto do garoto com as mãos.
“Ontem, quando você estava se sentindo mal, alguma coisa estava acontecendo.” Ele falou baixinho. “O McFLY acabou.”
“O quê?” olhou nos olhos do garoto sem entender.
“Aquela reunião que eles foram, parece que a gravadora está passando por problemas, e eles precisavam que nós lançássemos um CD o mais rápido possível. Como a gente não tem nenhum material novo...”
“Mas vocês têm! Eles que não querem usar!” interrompeu.
“Dá na mesma. Então, eles decidiram que iam lançar um Greatest Hits, com os nossos singles.”
“Isso é ridículo, vocês são muito novos, só têm três CDs, não têm como lançar um Greatest Hits.”
“Foi o que o disse quando falou que não ia fazer.” continuou. “Eles falaram que se nós não fizéssemos estaríamos fora. E o jogou tudo pro alto, se irritou, falou um monte, e disse que não ia fazer de jeito nenhum. O nem conseguiu falar, eles nos mandaram embora assim, num estalar de dedos.”
“Eles não podem fazer isso.” balançava a cabeça.
“Parece que eles podem, nosso contrato diz que todos os direitos da banda são da gravadora, então se eles falarem que o McFLY acabou, acabou.”
“No que o estava pensando?” deixou cair uma lágrima.
“Eu não sei, mas todos nós estávamos cansados dessa história.”
“Mas tem que haver outro jeito.”
“Não tem, , não tem.” olhou para a garota sério.
“Eu vou achar um.” falou, abraçando o garoto. “quem te avisou?”
“O .” voltou a abaixar a cabeça e o abraçou.
“Você gravaria?” perguntou.
“O que? Um Greatest Hits?”
“É.”
“Não sei, acho que se fosse o único jeito, claro que gravaria, mas não importa. O foi até lá hoje de manhã para conversar com o Dennys, e ele deixou bem claro que não nos quer de volta.”
“Isso é ridículo.” balançou a cabeça. “O não podia ter feito isso sem falar com vocês.”
“Mais cedo ou mais tarde isso ia acontecer.”
“E o que vocês vão fazer?” perguntou.
“Não sei, trabalhar de jardineiro parece uma boa idéia.”
“Besta.”
Alguns minutos depois, a garota foi até o quarto de pegar roupas para , entrou no quarto e pegou o telefone que estava na cabeceira da cama do garoto.
“Alô?”
“Matt?” falou.
“Oi ! E ai? Tudo Bom?”
“Preciso falar com você, urgente.”
“É sobre a banda, não é? Meu pai contou.” Matt falou.
“É.” respondeu.
“Vem aqui pra casa, a gente conversa.”
“E sua irmã?” perguntou.
“Não está, foi dormir na casa de uma amiga. Só volta mais tarde.”
“Tudo bem, estou indo.”
Desligou o telefone e discou outro número.
“?”
“Oi .”
“Já sabe?” perguntou.
“Já, estou aqui com o .”
“Tem mais alguém com vocês?”
“Não, o foi pegar alguma coisa pra beber.” respondeu.
“Põe no viva voz então.”
“Pronto.” falou.
“, , é o seguinte, vocês têm que convencer os meninos a gravar o Greatest Hits. , eu sei que vocês não querem, mas também sei que vocês não querem acabar com a banda. Eu vou dar um jeito, até o fim do dia passo ai.”
“Mas...” começou a falar.
“O .” falou e desligou.
desligou o telefone e voltou para seu quarto.
“Por que você demorou?” perguntou.
“É difícil encontrar roupas no quarto do , sério, caótica a situação.” entregou as roupas para o garoto que começou a vesti-las. “Você vai pra sua casa?”
“Não, pro , a gente vai conversar sobre o que aconteceu, ou melhor, lamentar.”
“Pode me deixar na casa do Matt?”
“O que você vai fazer na casa do Matt?”
“Eu preciso falar com ele.”
“A gente está no meio de uma crise e você precisa falar com a porra daquele garoto!?” falou irritado.
“, eu não vou brigar com você, deixa, eu pego um táxi.” pegou sua bolsa.
“É melhor mesmo, porque eu não vou levar minha namorada pra encontrar um cara que é apaixonado por ela.” olhou nervoso para a garota.
“Eu achei que você já tinha uma namorada.” falou séria. “E só pra constar, eu estou tentando salvar a sua banda.” bateu a porta e saiu do quarto.
“Merda.” murmurou para si mesma saindo da casa.
Começou a andar, estava frio e quanto mais tempo ficasse parada pior seria. As nuvens cobriam o céu completamente e os raios de sol que antes entravam no seu quarto havia se escondido. Seu celular tocou.
“?” falou.
“Oi.”
“A acabou de me ligar, contou o que aconteceu, então eu liguei pra . E ela teve uma idéia. Ela vai explicar tudo depois, tudo que nós precisamos fazer agora é convencer o Dennys a deixar os meninos voltarem pra gravadora e eles gravam o tal Greatest Hits, mas depois disso todos os direitos do McFly tem que ser dos meninos.”
“Ah claro! O cara não quer nem eles de volta e temos que convencê-lo a ceder os direitos da banda. Muito fácil.” bufou.
“! Você tem que conseguir. Tenho que ir, te encontro na casa do mais tarde.” desligou.
“Ótimo!” reclamou.
A garota estava nervosa, parecia impossível conseguir o que a amiga pedia e afinal, qual era o plano da . chegou no final da segunda quadra onde tinha um ponto de táxi. Um único táxi estava estacionado. Ela entrou.
Assim que falou o endereço pro motorista começou a pensar no que fazer, mas nenhuma idéia parecia surgir. Longos dez minutos se passaram até que o carro parasse na frente da casa de Matt.
Matt abriu a porta e sem dizer nada abraçou a garota. Os dois subiram para o quarto do garoto que ficava no sótão, o teto era baixo, o banheiro e o quarto não tinham divisão e diversas poltronas estavam espalhadas pelo quarto.
“Eu tinha esquecido como isso aqui é estranho.” falou observando todo o quarto.
“Você tem inveja do meu quarto, pode falar.” Matt falou sentando-se em uma das poltronas entre sua cama e a escrivaninha.
“Ah, com certeza, você tem tanta privacidade quando vai ao banheiro.” A garota riu se escondendo atrás da cortina do box.
“Todo mundo que é convidado a entrar no meu quarto pode me ver usando o banheiro. Não ligo,”
“Eu prefiro virar de costas.” riu e sentou em outra poltrona, de frente pro garoto.
“Como quiser, mas eu não vou me virar pra você.” Matt olhou para ela pelo canto do olho.
“Besta.” jogou uma almofada no garoto e ele riu.
“Mas me conta, o que passa?” Matt perguntou sério.
olhou para o garoto, pegou o celular no bolso e, antes de começar a falar, mandou uma mensagem para “Vou contar tudo pro Matt”. E foi o que ela fez, contou tudo que aconteceu quando ela foi embora, contou porque ela voltou, como ela estava se sentindo e ainda as conversas que teve com todos, inclusive seu encontro com . Apenas omitiu o fato de ter passado a noite com , falou que o garoto ficou lá por causa da chuva, mas não achou necessário contar esses detalhes.
Matt ouviu tudo com muita calma, sem interromper, e só quando tinha, definitivamente, terminado ele falou.
“Eu já sabia por que você tinha ido embora, não que alguém tenha me contado, mas eu pude imaginar. Conheço minha irmã.” Ele começou “Mas sabe o que eu não entendo? Sua ligação com essa banda. Você saiu do país por eles? Você se sentiu mal quando a banda estava terminando sem nem ao menos saber o que estava acontecendo. Isso é coisa de mãe e filho, sério. É muito estranho.”
“Matt...” ia falar mas o garoto interrompeu.
“Eu sei que um deles é seu irmão, mesmo que não seja de sangue, e eu sei que você gosta muito do , mas eu não entendo. Que tipo de amor é esse que você só sofre?” Matt perguntou.
“Eu não ‘só sofro’.” balançou a cabeça.
“Espero que você esteja certa.”
Os dois se olharam por alguns segundos, Matt tinha olhos tão claros que era possível se perder neles.
“Você vai me ajudar?” perguntou.
“Eu tenho escolha?” Matt sorriu.
“O que você quer dizer?”
“Eu posso não saber o que é esse amor que você sente, mas eu sempre te amei, do meu jeito, você sabe disso.”
“Matt...” tentou interromper, sem sucesso.
“Eu não estou te cobrando nada, eu sei que você não vai ficar comigo, eu entendi isso, há muito tempo atrás.”
“Você é incrível.” sorriu. “E um dia alguém vai te amar como você merece.”
“Tanto faz, estou bem assim.” Ele riu.
“Eu não sei o que a gente pode fazer.” Matt falou. “Se eu pedir ou tentar conversar com meu pai uma coisa dessas, ele vai rir, você sabe que eu nunca me interessei muito por essas coisas. Se minha irmã pedir, ai é outra coisa.”
“Ela não vai pedir, Matt.”
Eles ficaram em silêncio por alguns segundos. O celular da garota vibrou. “! Ele é irmão dela!” dizia a mensagem de .
“Matt, não te incomoda você me ajudar contra sua irmã?” perguntou guardando o celular.
“Eu não estou contra ela, eu estou te ajudando a salvar a banda, não a casar com o garoto.”
“O garoto tem nome.” rolou os olhos.
“Tanto faz.”
“Matt?? Cheguei! Você está ai?” falou entrando no quarto “Uou! O que ela está fazendo aqui?”
“Normalmente sou eu que faço essa pergunta.” falou irônica.
“Ela é minha amiga.” Matt respondeu.
“É por causa do McFLY, não é? Tudo culpa daquele seu irmãozinho estúpido.” reclamou.
“Não é culpa dele se seu pai não aceita que eles façam músicas novas e diferentes.” rebateu.
“Você tentou falar com o papai?” Matt perguntou.
“Pra quê? Eles não vão gravar.”
“E se eles aceitassem gravar?” perguntou.
“Por que eles aceitariam?” cruzou os braços.
“Porque depois que eles gravarem, todos os direitos do McFly ficarão com os meninos e eles podem decidir o que tocar.” explicou.
“E por que meu pai daria todos os direitos pra eles?” riu.
“Porque você vai pedir.” Matt falou.
Os três ficaram se olhando por alguns segundos, esperando que falasse alguma coisa.
“Tudo bem, eu posso tentar, mas tem duas condições.” Ela disse.
“Lá vem.” Matt olhou para .
“Primeiro, eles também fazem uma turnê. Segundo, você pára de sair com o meu namorado.” Ela sorriu.
“Eu não estou saindo com o seu namorado.” ficou imóvel.
“Ele dormiu na sua casa ontem.”
“, dá um desconto, tava a maior chuva!” Matt tentou explicar.
“Então por que ele saiu da casa de samba canção e estacionou o carro na rua de trás? Por que ninguém podia saber que ele estava lá?”
“O que?” Matt olhou para .
“Eu...eu...” não conseguia falar.
“Você ficou vigiando a casa dela?” Matt perguntou para .
“Claro que não, mas eu estava na casa de uma amiga que mora na rua de trás da dela, e eu vi quando o apareceu.” respondeu o irmão. “Então? É pegar ou largar.”
abaixou a cabeça e respirou fundo, ela já tinha chegado até aqui, feito tantas coisas, isso parecia só mais uma parte da grande mentira que sua vida se tornou.
“Tudo bem, eu faço. Vou falar com ele da turnê, e quanto ao , pode ficar tranqüila, a gente não tem nada.” falou fitando a garota.
“Nem escondido, que fique bem claro.”
“Nem escondido.” concordou.
“Então tudo bem! Vou falar com meu pai. Te ligo quando tudo estiver certo. É ótimo fazer negócio com você, amiga!” falou saltitante e saiu do quarto.
“’Negócio’, pra ela é tudo um negócio.” se virou, Matt estava de costas para ela, apoiado na escrivaninha. “De qualquer forma, a banda não vai terminar, conseguimos. Obriga...”
“Não me agradece, eu não quero ter nada haver com suas armações.” Matt interrompeu.
“Matt, o que foi?”
“‘O que foi?’, você vem até aqui dizendo que quer salvar a banda do seu irmão quando na verdade você quer agradar um garoto que, pelo menos oficialmente, namora minha irmã, mas que te fode nas horas vagas! Minha irmã pode ser o que for, mas pelo menos ela não esconde isso.” Matt foi até a porta. “Você já pode ir.”
“Matt...não foi isso, não foi assim. Eu não sei o que aconteceu, eu não estou saindo com ele nem nada parecido, foi só um dia, nós estávamos confusos. E eu só não te contei porque não achei necessário.” tentou se explicar, mas o garoto não olhou pra ela.
“Eu quero ficar sozinho, é melhor você ir.”
Uma lágrima escorreu pelo rosto da garota e ela saiu do quarto, passou pelo resto da casa o mais rápido e silenciosamente que pode, segurando as outras lágrimas que estavam por vir. Chegando a rua, andou o mais rápido que pode até cinco minutos depois, quando encontrou um ponto de táxi.
De olhos fechados, ainda segurando as lágrimas e lutando contra seu estômago, sentiu o carro parar. Pagou o motorista e saiu. A casa de era exatamente como ela lembrava, o tipo de casa que só de olhar você consegue imaginar uma família feliz.
Ela tocou a campainha, abriu a porta.
“Até que enfim, estávamos ficando preocupados, deu certo?” Ele perguntou deixando a garota entrar.
“Me dá um minuto, eu preciso usar o banheiro.” pediu.
“Claro, você sabe onde é.”
passou pela sala impecável, ela tinha certeza que a mãe de tinha calculado até os centímetros entre o tapete e o sofá, e entrou no lavabo à esquerda. Fechou a porta com cuidado e abriu a torneira para que o barulho da água corrente impedisse qualquer pessoa de ouvir quando ela não conseguisse mais lutar contra seu estômago. E então ela chorou.
Capitulo 10
olhou seu reflexo no espelho, piscou algumas vezes, arrumou a postura e abriu a porta. estava parado na porta do banheiro a esperando.
“Você está bem?” Ele perguntou.
“Sim, tudo ótimo.” sorriu falsamente. “Deu certo, eles vão deixar vocês voltarem, tem algumas condições, mas acho que vai dar certo.”
“, você tem certeza disso?” perguntou.
“Como assim se eu tenho certeza? Mas é claro, é do McFly que a gente está falando. , você melhor do que ninguém sabe que não é uma coisa como essas que pode destruir a banda. E outra coisa, se vocês fizerem isso, vão ter todos os direitos do McFly.”
arregalou os olhos por um segundo antes de falar.
“E do que você está abrindo mão pra isso acontecer?” O garoto perguntou, sério.
“O que?” não entendeu.
“A gente sabe o que você fez, por que você foi embora.” falou e ficou muda. “Quando a gente chegou pra reunião, o Dennys falou ‘Ah ! Soube que sua meia-irmã voltou, como ela está? Juro que quando falamos que ela não devia andar tanto com vocês não achamos que ela ia mudar de país’. O resto não foi muito difícil entender.”
“Foi por isso que o não aceitou gravar o Greatest Hits.” deu dois passos pra trás, se sentindo tonta.
“Por que você fez isso? Se a gente soubesse...se você tivesse falado...” olhava para a garota com pena. Os dois se olharam e nenhum dois precisou falar. sabia que teria feito a mesma coisa se estivesse em seu lugar. “Obrigado.” Ele disse com a voz fraca.
“Quem sabe?” perguntou.
“Só eu e o .”
“Onde ele está?”
“No quarto, os meninos estão na sala de TV.” respondeu e os dois começaram a andar em direção as escadas.
Enquanto subiam as escadas em silêncio, os dois fitavam os degraus, perdidos em pensamentos.
“Onde fomos encontrar alguém como você? A gente deve ter feito algo muito bom pra merecer ter você como amiga.” sorriu. “Ninguém faria o que você fez.”
“Você faria.” parou de subir as escadas e olhou para ele, que riu.
“Agora eu entendo porque você não contou. Eu não podia saber, pra não correr o risco de contar pra alguém. O , bom, não era problema, você sabe melhor do que eu como fazer ele concordar com as coisas, mas ele também podia acabar contando pra alguém. Mas o e o , não vão aceitar isso nunca.” balançou a cabeça.
“, não está ajudando.” fez careta.
“Ai, desculpa.”
Os dois continuaram subindo a escada, até chegar numa sala. Dois sofás e uma poltrona estavam dispostos de maneira que todos que se sentassem ficariam confortáveis para assistir a televisão de plasma que estava na parede. De um lado da sala duas portas, do outro uma, eram as portas dos quartos de , de hóspedes e do Sr. e da Sra. .
Assim que colocou os pés na sala parou. estava sentado em um dos sofás ao lado de , o braço da garota envolvia o garoto pela cintura e ele segurava sua mão. sorriu. foi direto até o canto da sala, onde estava em pé, os dois se abraçaram. O clima era pesado, e todos estavam pensativos, mas sabia que amava cada uma das pessoas que estavam ali.
Sozinho na poltrona, com a cabeça apoiada nas mãos, estava . Ele levantou a cabeça para ver quem tinha chegado, no momento em que colocou os olhos na garota ficou em pé num pulo e correu até ela.
“Me desculpa, por favor me desculpa, eu retiro tudo que eu disse, eu sou um idiota.” segurava o rosto da garota com uma expressão de pânico.
“Shhh.” fechou os olhos abraçando o garoto.
Seus braços envolviam o pescoço de e sua mão direita acariciava sua nuca. Ela beijou de leve a orelha do garoto e falou baixinho.
“Não importa o que aconteça, você precisa saber que eu te amo, sempre te amei. Não esquece disso.”
se afastou da garota alguns centímetros, mas ainda segurando sua cintura.
“O que você quer dizer? O que vai acontecer?” Ele perguntou atordoado.
“Shhh.” repetiu, colocando a mão de leve na boca do garoto.
Os dois se olharam, segurou a mão da garota.
“Eu não vou te deixar ir embora dessa vez, vou lutar por você, porque eu também te amo.”
sentia uma corrente de energia passar entre o corpo dos dois, então eles se beijaram de leve e a garota sorriu.
Todos na sala olhavam para os dois, mas quando olhou para eles todos desviaram o olhar.
“Então eu preciso de um favor, você vai gravar um álbum e fazer uma turnê Greatest Hits.” falou, dessa vez com o volume normal de sua voz, para que todos ouvissem claramente.
“Uma turnê?” perguntou.
“, você tem certeza?” , olhou para a garota.
“A gente tá na merda.” balançou a cabeça.
, e falaram juntos, e mal conseguiu entender quem falou o que.
“Depois disso todos os direitos do McFly são de vocês e vocês podem fazer o que quiser.” explicou olhando para todos.
“Como assim, o que quiser?” perguntou.
“Por exemplo, se eles quiserem trocar de gravadora, eles podem.” falou entrando na sala carregando uma mala gigante. “, você deixou a porta aberta, mas eu já fechei.”
Todos ficaram olhando a garota.
“Dá pra alguém me ajudar aqui!” falou quase gritando apontando pra mala que segurava enquanto tentava subir o último degrau.
foi até ela e pegou a mala, colocando-a próxima ao sofá.
“Obrigada, . Bom, faz muito tempo, mas acho que ainda lembro de todo mundo.” falou olhando para cada uma das pessoas na sala e as analisando.
sorriu e correu para abraçá-la.
“O que você está fazendo aqui, por que não me avisou?”
“Não consegui falar com você, mas eu avisei a .” Ela olhou para a amiga. “Mas, anyway, não tinha NINGUÉM me esperando no aeroporto, foi deprimente. Ai, eu liguei pra e ela falou pra pegar um táxi até aqui.”
“Desculpa.” falou indo até as duas e abraçando . “Tem tanta coisa acontecendo que eu esqueci de avisar.”
Em um segundo , e estavam rindo e conversando.
“Alô!! Temos um problema sério aqui!” falou, interrompendo-as.
Ele, e estavam agora sentados no sofá olhando as quatro meninas fofocarem.
“Ai, Deus! , você está tirando meu foco de concentração!” riu.
“Relaxa, já tenho tudo resolvido. Só preciso que eles façam isso que você pediu. Álbum e turnê, não é?” falou.
“Como assim você tem tudo resolvido?” perguntou.
“Não vou contar pra você antes de uma reunião formal com as Super Garotas.” mostrou a língua.
“Que bom, quatro loucas, que acham que são super, vão decidir nossa vida.” falou irônico.
“Cara, eu acho que elas são super.” cochichou.
“Gente!” falou o mais alto que pode e todos olharam pra ela. “E o ?”
e trocaram olhares. O celular de tocou, indicando uma nova mensagem.
Tudo certo. Álbum e turnê Greatest Hits, pode ter uma música nova. E então os direitos são deles. Mas querida, não esquece, fica BEM LONGE do .
.
olhou para todos na sala, parando um pouco mais quando chegou em .
“Vai ficar tudo bem.” falou lendo a mensagem. “Vamos dar um jeito.”
olhou para a amiga e digitou no celular.
O Matt me odeia, a gente consegue consertar isso também?
olhou para , que balançou a cabeça negativamente.
“A gente não pode parar agora, .” segurou a mão da amiga.
“Eu sei.” respondeu decidida.
“Alguém sabe do que elas estão falando?” perguntou no sofá, sentado entre e , mas ninguém respondeu.
“No seu quarto ?” perguntou e concordou com a cabeça.
“Boa sorte com isso, ele está insuportável.” disse enquanto caminhava em direção ao quarto.
parou alguns passos antes da porta e se virou.
“, , posso falar com vocês um instante?” Ela pediu.
Os três se olharam e foram até o quarto de hóspedes, foi o último a entrar e fechou a porta atrás dele.
“Eu acho que é melhor tirar eles daqui de cima.” falou.
“Por quê?” perguntou.
“Talvez o grite, quer dizer, é bem provável.” tentou visualizar a cena e não gostou. “Ele pode acabar falando alguma coisa que eu prefiro que o não ouça, eu já tenho coisas de mais pra resolver.”
“, você tem certeza que vale a pena?” chegou perto da amiga.
“É claro.”
“Você não vai embora de novo, vai?” perguntou.
“Ir embora foi um erro. Mas foi preciso, eu não podia ficar aqui sem estar com vocês, agora eu só preciso ficar longe do .” sentiu seu corpo estremecer.
“Só?” falou irônica.
“, a gente pode arrumar outro jeito.”
“Que outro jeito, ?”
Os três ficaram em silêncio.
“Você é maluca.” balançou a cabeça.
“Faz o que eu pedi, por favor.” saiu do quarto.
Passou pela sala sem realmente olhar para as pessoas e entrou rapidamente no outro quarto.
“Vai embora!” disse de costas para a garota, ele estava com uma mão apoiada na parede, olhando fixamente pela janela.
olhou para o melhor amigo, tudo que ela queria era abraçá-lo. Ela não estava conseguindo ser tão forte como da última vez. Talvez porquê, desta vez, ela soubesse como se sentiria se ficasse longe de . Mas, principalmente porque, agora que sabia toda a verdade, ela não tinha mais como arrumar desculpas ou fugir.
“...” tentou falar.
O garoto virou a cabeça para ela e cerrou os olhos, como se não acreditasse que ela tinha realmente entrado ali. Ele voltou a olhar para fora da janela.
“, por favor, eu preciso muito de você.”
Ele continuou em silêncio.
“Eu sei que eu menti, eu sei que eu devia ter te contado tudo, mas o que teria acontecido? Vocês nunca teriam chegado onde estão. Vocês estavam lutando tanto pra entrar em uma gravadora, eu não podia tirar essa alegria de vocês.” parou para respirar. “Eu sei que não foi a melhor coisa a se fazer, mas foi o que eu consegui fazer naquela época. E agora eu preciso de você. Se você não gravar este CD tudo que eu fiz não vai ter servido pra nada, o que vocês vão fazer afinal? Não podem usar o nome da banda, formar uma banda com nome diferente, sem poder tocar as músicas antigas seria loucura.” continuava sem se mexer.
começou a ficar irritada, o garoto não demonstrava a menor reação a nada que ela falava, seus olhos estavam fixos. A garota pegou um travesseiro em cima da cama e sem pensar duas vezes atirou-a no garoto.
“Dá pra você falar comigo ou pelo menos olhar pra mim?” Ela falou irritada.
sorriu de leve e se virou olhando para a garota.
“Desculpa, , eu não posso fazer isso.” A garota tentou falar, mas continuou. “E eu não vou fazer isso, por você, assim como você foi embora, por nós. Você não percebe não é? Você não entendeu até agora. Você é essa banda. Você nos ajudou desde o começo e se você não tivesse ido embora, metade dessas músicas não existiriam. Eu não posso continuar fazendo isso com você, não posso continuar pensando em mim, no meu sucesso, sabendo que você vai estar se sacrificando.” Ele olhava fundo nos olhos da garota. “Depois de um tempo eu percebi que, não foi surpresa nenhuma essa notícia. Estava óbvio, bem na nossa frente. E no fundo nós todos sabíamos por que você tinha ido embora, nós só não queríamos admitir, porque se admitíssemos, não poderíamos levar isso adiante. E eu não vou me perdoar nunca pelo que fizemos com você. Nunca.”
abraçou o garoto forte.
“Cala a boca!” Ela falou dando um puxão de leve no cabelo em sua nuca.
quebrou o abraço e olhou para o garoto.
“A decisão foi minha, nenhum de vocês tem culpa nenhuma. Vocês teriam escrito músicas incríveis de qualquer jeito. E eu não estou sacrificando nada, no momento eu só tenho que ficar longe do , vamos lá, o é um chato, vai ser ótimo!” brincou. “Esses quatro anos foram uma ótima experiência, eu aprendi uma língua nova, conheci pessoas novas, estudei, me formei, e depois de tudo isso nós continuamos sendo amigos, o que mais eu posso querer?”
“Não está certo, .”
“Como não, ? O que não está certo é você não gravar um CD por causa disso. E depois vocês vão ter os direitos do McFly, eu não sei o que isso significa exatamente, mas a diz ter um plano. Os planos dela costumam funcionar.”
“?” arregalou os olhos.
“É! Ela está aqui. Você não vai decepcionar ela nisso, vai?” riu.
“Agora é a sua vez de calar a boca.” rolou os olhos.
Os dois se olharam.
“Está bem.” falou. “Coloque suas condições.”
“Condições?”
“Pra gravar a porcaria do CD.”
“Eu não vou fazer isso!”
“!” exclamou irritada.
“Está bem, minha condição é que você conte a verdade pro .”
“Só isso?”
“E pro .”
“O que?”
“Faça eles concordarem em gravar esse CD, deixando bem claro que você está sendo chantageada pela e que você não vai poder ficar perto do .”
“!”
“O que foi?” O garoto falou. “Você pediu minhas condições, eu quero que todo mundo saiba a verdade. Inclusive o porquê a te odeia.”
“, eu não quero falar sobre isso.” começou a sentir falta de ar.
“Por que não? , é a verdade. Você tem que parar de dar um jeito em tudo. A partir de agora todo mundo tem que saber a verdade de tudo. E ai, eu gravo o CD.”
“E faz a turnê.” falou indo até a janela em busca de ar.
“Que turnê?”
“O CD e uma turnê, esse é o trato.” explicou.
“Tudo bem, se todo mundo souber de tudo, e concordar, eu faço.”
ficou olhando pela janela, respirando devagar, pensando num jeito de sair daquilo. Então sentiu a mão de em sua cintura.
“Vamos lá garota, eu vou estar do seu lado. Você pode fazer isso.”
fechou os olhos.
“Você está sendo mau, muito mau.” abraçou forte, e ele riu.
Capitulo 11
“Quem vai ser o primeiro?” perguntou.
Ele e estavam na sala de TV da casa de , que agora estava vazia. Todos os outros deviam estar no andar de baixo.
“Não sei.” A garota respondeu. “Com o vai ser divertido, com o vai ser complicado. Não sei o que é melhor fazer primeiro.”
“O não vai gostar de ser o último a saber.” lembrou.
“E o não vai ligar.” respirou fundo. “Entendi.”
Os dois começaram a descer as escadas.
“.” chamou “O Matt me odeia.”
“Pelo amor de Deus, ! Você vai se preocupar com ele, agora?” parou de andar.
“Ele é meu amigo. Eu me preocupo com ele.” falou firme.
“Tanto faz.” bufou.
“Por que é que vocês odeiam tanto ele?”
“Porque ele é estúpido, drogado, idiota, trouxa, ridículo. Quer mais?”
“Ele não é nada disso. Por que você não gosta dele?”
“Vai me dizer que ele não fumava maconha no colégio, e ainda fuma, aposto.”
“! Pára com isso. Se você quer que eu fale a verdade, você tem que começar a me falar a verdade também. Por que vocês não gostam dele?”
olhou a garota durante algum tempo.
“, nós estamos no meio de uma escada, você não quer discutir isso aqui, quer?”
A garota bufou e continuou descendo. Os dois chegaram ao andar de baixo que estava vazio, ainda estava emburrada e seguiu para a cozinha, de onde podia ouvir a voz de , sem olhar para .
Quando entrou na cozinha todos pararam de falar e olharam para ela.
“Então?” perguntou.
apareceu atrás da garota.
“Vou fazer.” Ele sorriu leve.
“Aeeeee!” Vários gritos de comemoração ecoaram pela cozinha.
“Como você fez isso?” perguntou. “Você não quer ir lá em casa convencer minha família de que não é tão perigoso me deixar morar sozinho?”
“Não, , isso seria muito perigoso.” falou e todos riram.
podia ver olhando de canto de olho para , que fingia não dar atenção alguma ao garoto.
Todos começaram a conversar e rir, se aproximou.
“Eu quero te mostrar uma coisa. Podemos sair hoje à noite?” Ele perguntou.
“Podemos, tenho que te contar uma coisa.” Ela falou séria.
“Posso te pegar às oito?”
“Não, deixa que eu vou de táxi.”
“Assim você estraga a surpresa! Me encontra as oito no lago e ai eu te levo até a surpresa!”
“, a gente realmente precisa conver...”
“Pára de ser chata.” Ele falou antes que a garota terminasse e a puxou para perto lhe beijando de leve no rosto. “Te vejo às oito!”
“!” chamou, mas o garoto já estava indo embora.
“Nós também já vamos.” falou.
afastou qualquer pensamento sério de sua cabeça, permitindo a si mesma que se divertisse antes do que teria que fazer a noite.
“Como assim ‘já vamos’?? Vocês nem explicaram pra gente esse romance!” riu.
“É verdade, ! Que história é essa? Eu falei pra você ficar longe do ! Ele não presta!” arregalou os olhos.
“Nem um pouco!” mostrou a língua pro garoto.
“Querida, quando você falou isso pra ela eu já tinha dado o bote!” fez cara de mau.
“Ai como você é irresistível, !” rolou os olhos.
“Vamos!” puxou , mais vermelha do que nunca.
“, se você aprontar com minha amiga você vai sentir muita, muita dor!” gritou enquanto eles saiam.
“Muita dor!” riu.
“Muita, muita dor!” entrou na brincadeira. “Ai, ai, vamos também? Estou cansada.”
“Vamos! Tchau , , qualquer coisa me liguem!” se despediu.
“Temos que marcar um encontro das Super Garotas!” falou curiosa.
“Claro!” sorriu.
Ela, e seguiram em silêncio para o carro. Durante o caminho para casa os dois não trocaram nem uma palavra, e toda vez que tentava puxar algum assunto recebia respostas monossilábicas de uma e um muito envergonhados.
Assim que estacionou puxou a chave do contato, saiu do carro, bateu a porta e fechou o carro com o alarme na chave.
“Vocês não vão sair daí enquanto não começarem a se tratar como pessoas normais, parece até que vocês não se conhecem! Vocês deviam dar pelo menos uns amassos, é bom pra quebrar o gelo!” gritou do lado de fora do carro e a fuzilou com os olhos. “Eu volto em, hmm, uma hora e meia, vou tirar uma soneca.”
E foi o que ela fez saiu da garagem entrou em casa fazendo o mínimo de barulho possível, mas Naná estava na sala.
“Onde é que você estava?” Ela perguntou preocupada.
“Na casa do , desculpa, esqueci de avisar, saí tão cedo.”
“Cadê seu irmão?”
“Foi buscar a no aeroporto, eu vou dormir um pouquinho antes deles chegarem.”
“Está bem.”
subiu até seu quarto e se jogou na cama, colocou o despertador do celular para tocar em uma hora e meia, e então apagou.
Uma hora e meia depois, acordou assustada com o barulho do despertador. Levantou correndo e correu para a garagem, estava sentado no banco de trás e estava dormindo com a cabeça apoiada em seu colo.
abriu a porta e levou um susto.
“Eu te odeio.” O garoto disse para ela fazendo careta.
acordou e em poucos minutos os dois estavam fora do carro, já entrando na casa. levou a amiga até seu quarto.
“E ai, o que aconteceu?” Perguntou sentando na cama.
colocou a mala ao lado dos guarda-roupas e sentou na poltrona de frente para .
“Você tinha razão, ele gosta de mim.” Ela falou.
“E você gosta dele.” riu.
“Bom, eu não tenho certeza, sempre achei ele interessante e tudo mais, mas eu já tinha namorado. Apesar de que a gente nunca realmente se amou, a coisa era mais física.”
“O que? Você nunca namorou quando estava aqui ! Eu lembraria.” balançou a cabeça sem entender.
“Eu namorei, mas escondido.”
“Pelo amor de Deus, como você escondeu de mim?”
“Você não podia saber! Meu namorado gostava de você e se você soubesse que ele estava comigo, ele não teria nenhuma chance, mesmo!”
“E você aceitou isso?” perguntou indignada.
“Eu falei que era uma coisa física. Ele era legal comigo, era loiro, sarado, de olhos claros e, bom, não preciso dar detalhes, né?”
“Calma ai! Você está falando do Matt?” pulou da cama.
“É.” abaixou a cabeça.
“E você não me contou isso antes. Que merda de amiga você em!”
“Ai, ! Não exagera!” rolou os olhos. “Mas o fato é, o viu nós dois juntos um dia, e por isso ele não falava comigo e não gostava do Matt.”
“Ai, como o é estúpido, só por causa disso, totalmente idiota.” balançou a cabeça.
As duas riram e passaram o resto da tarde arrumando as coisas da no quarto de hóspedes. Quando chegou perto das oito horas da noite foi tomar banho e se arrumar.
saiu de casa deixando Molly, Naná, e jantando. Ela vestia um vestido curto, meia calça preta, um sapato de salto e por cima de tudo um sobretudo para se proteger do frio. Assim que saiu da casa lembrou que tinha combinado de encontrar o garoto no lago, e se arrependeu de ter colocado salto-alto.
A garota andou até o lugar combinado, quando chegou estava cansada, mas a adrenalina era maior, ela não fazia idéia o que o queria mostrar e também, não fazia idéia de como contaria a verdade. estava encostado em seu carro, e se sentiu feliz por não ter que atravessar toda a grama e pisar na areia com aquela roupa.
sorriu e abriu a porta do carro para a garota entrar.
“Eu não vou nem te cumprimentar, se eu sentir seu cheiro muito de perto posso te agarrar aqui mesmo!” Ele fez cara de pervertido.
“A gente precisa conversar.” segurou a risada.
“Posso mostrar a surpresa antes?”
“Não , é melhor não, depois que eu te contar, talvez você não queira mais mostrar.” abaixou a cabeça.
O carro estava parado no mesmo lugar, e os dois estavam sentados dentro do carro. olhava fixamente para suas mãos, não conseguia encarar o garoto, uma lágrima escorreu do seu rosto.
“, eu vou agüentar, pode falar.” apertou forte a mão da garota.
“Eu fui embora para vocês poderem assinar com a gravadora. A não queria que eu namorasse você, porque ela queria ficar com você, então ela convenceu o pai dela de que para vocês fazerem parte da gravadora eu não podia aparecer como sua namorada pro público. Eu sei que existiam mil possibilidades, mas só de olhar pra você eu tenho vontade de te abraçar, só de sentir seu cheiro eu tenho vontade de te beijar, e se você tocar minha mão, como agora, eu tenho certeza que quero passar o resto da vida com você. Eu não ia conseguir ficar longe, estando tão perto. Eu precisei ir embora. E agora, é a mesma coisa, a gente não pode ficar junto, pra vocês poderem continuar na gravadora. Foi esse o trato.” tirou a mão de baixo da do garoto.
“Por que você não contou isso antes? Pra gente resolver junto?” perguntou.
“Eu digo pra todo mundo que é porque vocês nunca fariam isso, nunca iam me querer longe, ou fingindo não conhecer vocês, e então não existiria McFly. Mas a verdade é que, se vocês aceitassem isso, acho que eu morreria, saber que vocês não precisam de mim. Então fiz minha escolha, para não precisar fazer com que vocês escolhessem.” ainda não olhava pro garoto.
“Doeu?” perguntou.
“O que?” olhou para o garoto, ele sorria.
“Me contar a verdade.”
“Na verdade não.” riu. “Eu achei que fosse ser muito pior, mas você não está gritando comigo, torna tudo muito mais fácil.”
“É por que eu já sabia, de tudo, de como você se sentiu, o que você passou. Eu não posso gritar com você sabendo tudo isso.”
“Como assim ‘já sabia’?”
“Eu encontrei as cartas.” respondeu.
“Merda.” respirou fundo. “Você mexeu nas minhas coisas, aquele dia no meu quarto.”
“Foi sem querer.”
“Sem querer?” arregalou os olhos.
“Tá, foi por querer. Mas o fato é que quando eu abri aquela caixa rosa quase caí pra trás, estava lotada de recortes de jornal e revista sobre o McFly, CDs, DVDs e milhões de cartas pra nós.”
“Escrever aquilo me fazia sentir perto de vocês, era mais como um diário, o que eu sentia, o que acontecia.”
“E eu te amo por isso.” O garoto olhou nos olhos da menina.
“Eu não devia ter tornado tudo isso tão dramático, não é?” Ela perguntou se sentindo envergonhada.
“Se não fosse dramático, não seria você.” sorriu e passou a mão pelo rosto da garota. “Mas já tivemos drama o bastante, agora vamos pra minha surpresa!”
Tudo o que conseguia pensar era em como tinha sido estúpida, tudo teria sido tão fácil se ela tivesse contado a verdade antes, ela não podia acreditar como estava sendo fácil para lidar com a situação. Ela achou que o garoto fosse repreendê-la e reclamar, mas não, foi muito mais fácil do que com o , talvez ele também devesse ler suas cartas. Cartas que ela escrevia toda noite antes de dormir, durante os quatro anos, onde ela depositava tudo o que estava acontecendo, tudo o que estava sentindo e depois, guardava-as numa caixa rosa junto com tudo que pudesse encontrar com o nome McFly.
Vinte minutos se passaram e a garota não fazia idéia de onde estava a levando. Por vezes tentou persuadi-lo a contar, mas ele não abria a boca. diminuiu a velocidade, era um bairro residencial, com pequenos prédios de cinco ou seis andares, nunca tinha estado ali antes. O garoto parou o carro em uma rua vazia abriu a porta para descer.
Tudo estava quieto e calmo, era como se ninguém morasse naquele lugar. A rua era tão comprida que era impossível ver o resto do bairro. No fim da rua, uma rotatória, onde tinha estacionado e agora tentava reconhecer o lugar, mas ela nunca tinha estado ali antes.
Três prédios estavam dispostos um ao lado do outro. Eram iguais, pintados de branco claro com seis andares e o nome Residencial Casa.
“É aquele ali.” apontou para o prédio da esquerda. “Sexto andar, é um duplex.” Ele continuou. “Não é o que eu queria, eu preferia que você fosse lá em casa, mas sei que você vai ficar nervosa com toda essa história da te vigiar, mas aqui eu duvido que qualquer um nos encontre. Fica a 30 minutos da cidade, é difícil de encontrar e aqui só moram famílias de classe média com filhos e essas coisas, ninguém vai desconfiar.” Ele olhou para a garota esperando uma reação.
“Você comprou um apartamento?” perguntou de olhos arregalados.
“Eu sei que você não gosta de apartamento, mas espera até você ver lá dentro, é super bonitinho, a gente pode arrumar algumas coisas ainda, mas de ontem pra hoje foi o melhor que eu consegui.” olhou para a garota. “Mas se você não gostou a gente devolve, sei lá.”
não acreditava no que estava acontecendo, tinha comprado um apartamento para eles poderem se encontrar, quando foi que ele ficou tão perfeito? fechou os olhos e sorriu, abriu-os lentamente, o garoto estava parado em sua frete a fitando.
“Eu te amo.” Ela falou passando os braços pelo pescoço do garoto e beijando-o levemente.
pegou a mão da garota e a levou para dentro. No elevador os dois se olhavam sorrindo sem dizer nada. Quando abriu a porta do duplex começou a analisar todos os detalhes. Na frente uma pequena sala de TV com uma sacada, do lado esquerdo uma mesa de jantar, a cozinha e a lavanderia, subindo as escadas dois quartos com banheiro. Era pequeno, mas aconchegante, era mais do que eles precisavam.
“Tem mais uma coisa.” O garoto abriu a geladeira e tirou de lá um bolo de chocolate. “Minha mãe que fez.” riu, era o bolo preferido dela.
“Você vai me deixar gorda.”
“Você já é gorda, .” falou colocando a mão na cintura da garota.
“Sou é?” A garota riu.
“Nem um pouco.” sussurrou.
Os dois se beijaram intensamente, rapidamente sentou a garota no balcão da cozinha. podia sentir a respiração quente do garoto enquanto ele dava leves beijos em seu pescoço. passou a mão pela perna da garota.
“Como eu me livro dessa meia?” sorriu pervertido.
“Já esqueceu?” riu.
“Nunca!”
“Mas, eu acho que sim.” olhou para o garoto de canto de olho, desceu do balcão e subiu para o quarto.
entrou no quarto atrás da garota, ela sentou na cama e esticou uma perna para ele. O garoto se ajoelhou no chão e delicadamente tirou os sapatos da garota e beijou seus pés por cima da meia-calça. deslizou até o fundo da cama e deitou. engatinhou por cima da garota e beijando-a abriu o zíper lateral do vestido que segundos depois estava no chão. Lentamente ele começou a tirar a meia-calça da garota, acariciando suas pernas que iam se revelando. O garoto deu pequenos beijos na perna da garota.
“Quer que eu vá mais devagar?” falou olhando irônico para .
“Vai à merda.” riu e foi pra cima do garoto, beijando-o intensamente, tirando suas roupas em tempo recorde.
Nota da autora: Hey! Estão gostando?
Demorei séculos pra att, eu sei, mas estava terminando meu TCC ¬¬'...vida de estudante não é fácil! hehe. Bom, espero que gostem... Qualquer coisa só gritar: E-mail, Twitter.
xx
Julia
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olhou para seu quarto e não viu mais nada, tudo estava encaixotado ou em malas. Ela ia sentir falta daquele lugar, ainda mais indo para onde ia. Ela conseguia sentir o cheiro do drama que viria.
entrou no quarto e olhou para a amiga.
“Tudo pronto?” perguntou.
“Tudo.” respondeu, “Vou sentir sua falta.”
“Eu também sua boba!” riu e abraçou a amiga. “Nunca vou encontrar outra roommate igual a você”.
olhou mais uma vez para o quarto e saiu.
“Você não vai levar aquela caixa?” perguntou.
“Que caixa?” voltou a olhar para o quarto.
Em cima do guarda-roupa tinha uma caixa rosa, ela respirou fundo, queria esquecer aquilo.
“Ah, não tinha visto ela ali.” Mentiu a garota, foi até lá e a pegou. Antes que mudasse de idéia, jogou a caixa junto com as outras da mudança. “De qualquer forma, acho que não vou precisar dela.”
“Também acho. Você mora aqui há quase quatro anos e eu nunca vi você mexer nela.” riu.
“O pessoal da mudança vai vir pegar essas caixas, eu espero que nada se perca no caminho, e que não demorem pra chegar.” disse para a amiga.
“É melhor começar a rezar então. Você ta indo pro outro lado do oceano, aposto que vai demorar!” disse franzindo a testa.
“Ai! Não fala assim!” resmungou.
“Eu não queria que você fosse. Você se deu tão bem aqui no Brasil, pra que voltar pra Londres depois de tanto tempo?” disse.
“Eu também não queria, mas tenho que ir. Depois do que aconteceu, eu preciso voltar.” respondeu.
“Foi tudo tão rápido, eu sinto muito.”
“Te ligo quando chegar. E vê se vai me visitar!” riu.
As duas se abraçaram e se despediram. entrou no elevador e se olhou no espelho. Não tinha mudado muito. O cabelo estava mais comprido e ela estava um pouco mais morena. De resto era a mesma. Queria ter mudado muito, para que ninguém a reconhecesse.
A garota entrou no táxi, depois no aeroporto, depois no avião. Nada passava por sua cabeça. Ela não tinha percebido o que tinha acontecido. Ela ficou quatro anos longe de sua família e de repente recebe uma ligação falando que seu pai e sua madrasta, Annie, haviam sofrido um acidente. Ela não tinha chorado ou perguntado detalhes. Mas sabia que era hora de voltar.
As onze horas de vôo pareceram mil. não conseguiu dormir, comer, nem ver filmes. Ela passou a maior parte do tempo olhando uma foto antiga que tinha em sua carteira. Era Natal, ela estava com um vestido vermelho, ao lado dela estava , o filho de sua madrasta, na época os dois tinham 18 anos e eram melhores amigos. Entre eles estava Molly, sua irmã, na época com três anos, com um vestidinho branco com flores rosas. Os três riam. Foi o último natal que passou em casa.
Ela tirou outra foto da carteira, dessa vez Annie e seu pai olhavam para ela. Os dois estavam felizes. Muito felizes. Quando ela tinha 10 anos sua mãe se mudou para os Estados Unidos para virar atriz. nunca mais tinha falado com ela. Em compensação seu pai acabou se casando com a mãe do seu melhor amigo e tendo uma filha com ela. Annie era como uma mãe para ela.
Foi o advogado da família quem ligou lhe avisando do acidente, ele contou que o pai e a madrasta haviam deixado a guarda da menina pra ela, desde que ela voltasse a morar em Londres, caso contrário a menina ficaria com . sabia que quem cuidaria da menina seria Naná, a babá e governanta da casa. Mas também sabia que a menina tinha acabado de perder o pai e a mãe, seria melhor se ela estivesse por perto.
Voltar não seria fácil, ela tinha deixado tudo para trás, assim como sua mãe tinha feito. Algumas vezes ligava para o seu pai, mas nunca falou com mais ninguém. No fundo ela sabia que o que tinha feito havia sido melhor para todos, mas voltar agora podia causar muitos problemas. Mas não agüentava mais se esconder do outro lado do oceano.
Quando a garota desceu no aeroporto de Londres, procurou por um rosto familiar, mas tudo que encontrou foi um motorista de terno com uma plaquinha com seu nome.
“Olá senhorita, você deve ser a , seu advogado me mandou para lhe buscar e levar até sua casa.” Disse o alto senhor quando ela se aproximou.
“Isso mesmo, sou eu.”
passou o caminho todo calada, enquanto o motorista falava sem parar sobre os pontos turísticos, o trânsito e o clima. Ela conhecia cada pedaço daquela cidade, se fechasse os olhos, conseguiria dizer onde estava apenas pelo cheiro. Ela tinha sentido falta daquilo, e por um segundo se esqueceu o motivo pelo qual tinha saído dali.
O dia estava nublado e em comparação com o Brasil estava bem frio. O carro foi se aproximando do bairro em que morava, então, encostou-se ao banco do carro e fechou os olhos, alguns daqueles lugares traziam memórias que ela não sabia se queria lembrar.
Quando o carro parou, ela continuou naquela posição até que o motorista quebrar o silêncio:
“Nós chegamos senhorita. Está tudo bem?”
“Sim. Tudo bem.” respondeu respirando fundo e saiu do carro.
Ela olhou para casa, estava igual. Alguns flashes de memórias vieram até ela. Mais uma vez ela sentiu vontade de fechar os olhos e apagar aquilo. Viver ali novamente seria difícil.
O motorista tirou suas malas do carro e colocou-as do lado da garota.
“Você quer que eu toque a campainha?” ele perguntou.
“Não, obrigada, pode ir.” agradeceu.
A garota esperou que o carro partisse. Então deixou que uma lágrima rolasse pelo seu rosto. Respirou fundo mais uma vez. Pegou um espelhinho em sua bolsa e retocou sua maquiagem. Pegou as malas e andou até a porta.
“Você consegue.” Disse para si mesma, “Você tem que conseguir”.
Ela já estava na frente da casa há quase 10 minutos. Chacoalhou a cabeça e tocou a campainha. Ela ouviu passos do outro lado da porta, que logo depois se abriu.
“! Querida, nem acredito que você está aqui! Como você cresceu! Está linda!”
“Oi Naná.” disse a menina enquanto era apertada num abraço forte.
“Eu sinto muito por tudo que aconteceu. Mas fique tranquila, eu não vou deixar nenhum de vocês, vou continuar aqui cuidando da casa, da Molly, do e de você, porque eu espero que você fique por aqui.” disse Naná.
“Obrigada Naná, fico muito feliz em ouvir isso. Senti sua falta.” respondeu entrando na casa e fechando a porta atrás dela.
“Eu fiz as bolachas de nata que você tanto gosta, estão quentinhas.” as duas sorriram.
“Onde está a Molly?” perguntou.
“Está no quarto dela, estudando, acho.” Respondeu a governanta.
“E como ela está?” perguntou, séria.
“Bom, ela sente falta da mãe. Mas, está bem, ela tem muitos amigos, e o tem ficado muito com ela. Vou pegar as bolachas, seu quarto está arrumado, pode subir e se acomodar querida. Estou tão feliz que estão todos aqui, pena que algo como isso precisou acontecer.” ela deu um beijo na testa da menina e saiu para cozinha.
Já havia passado um mês desde o acidente, parecia que tudo estava entrando na rotina de novo. A casa estava exatamente igual, do lado direito uma grande sala, com lareira, televisão, sofás aconchegantes; à frente a escada que levava aos quartos, do lado esquerdo a porta da cozinha, o lavabo, e a porta para a piscina.
subiu as escadas e foi direto para o quarto de Molly. A porta estava aberta, uma garotinha estava deitada na cama pintando um caderno. As paredes eram todas pintadas de rosa bebê. Ao fundo tinham alguns pôsteres, assim que os viu desviou o olhar.
“Oi Molly!” , disse.
“!” A menina abriu um sorriso e correu para abraçar a meia-irmã.
Ela parecia ter menos de sete anos e não tinha certeza se a menina se lembrava dela, afinal quando foi para o Brasil, Molly tinha só três anos. Provavelmente ela escutou muitas histórias que sua mãe e Naná contaram pra ela sobre a irmã mais velha.
“Você está linda! O que está fazendo?” perguntou.
“Vem ver!” Molly puxou para sua cama. “É uma tarefa da escola, eu tenho que fazer um desenho que represente cada palavra”.
olhou para o caderno e viu as palavras escritas em letra de forma pela professora: céu, cachorro, sol, praia, árvore.
“Você vai ficar aqui pra sempre, né?” a menina perguntou olhando para .
“Vou sim.” sorriu e a menina também.
“Molly! Você está pronta para aula?” Naná apareceu na porta do quarto.
“Claro que estou!” A menina respondeu ficando em pé. “Te vejo mais tarde, irmã!” ela deu um beijo em e saiu.
“Ela não fala de outra coisa a não ser da irmã mais velha há dias!” Naná disse rindo “Vou levá-la pra escola, os biscoitos estão em cima da mesa!”
“Ela tem aula de tarde?” perguntou, não estava no ritmo daquela casa, ainda.
“Ah, sim. Ela tem aulas das 14h às 18h30.” Naná respondeu e saiu do quarto.
respirou fundo, não entendia muito o que estava acontecendo, todos pareciam ter se acostumado com a vida sem os dois adultos na casa. Ela tinha ficado longe tempo demais. Ela deveria ter voltado muito antes, talvez se ela estivesse aqui nada teria acontecido. Ela não voltou para os fins de ano em família, nem ligou para dar notícias, não tinha vindo ao enterro e mal reconhecia sua irmã. Mas como ela poderia ter voltado? Será que voltar agora era o certo? Ela podia estar destruindo tudo pelo que lutou esses quatro anos.
saiu correndo do quarto e entrou no quarto da frente, o quarto de seu pai e de Annie. Estava igual. Então, ela sentiu o cheiro de sua família. Abriu o guarda-roupa, mas estava vazio, as roupas já haviam sido doadas ou vendidas. Mesmo assim entrou no armário, se espremeu lá dentro até que conseguisse fechar a porta. Quando era mais nova, sempre que surgia algum problema entrava em um guarda-roupa e ficava lá até que a angústia passasse. O cheiro das roupas era familiar, e isso a acalmava.
Então,lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto. Seu corpo tremia, pela primeira vez em quatro anos ela sentiu saudades e agora nada os traria de volta. Tudo estava errado. Ela nunca deveria ter partido. Porque mesmo ela havia deixado tudo para trás? Ela estava confusa, tudo que tinha feito era pra que todos pudessem ser felizes. ficou lá chorando, até que suas lágrimas pararam de cair, deram lugar a suas pálpebras pesadas e ela adormeceu.
“Se você acha que isso é o certo, eu não vou lhe impedir.” dizia seu pai.
“Se você contasse isso para os garotos eles nunca iriam aceitar, você sabe disso. Se você for embora sem explicação, eles não vão te perdoar.” disse Annie.
“Eu sei disso, mas eu não posso impedir eles de viverem esse sonho. E eu não vou conseguir continuar aqui sem poder estar com eles. Eu prefiro ir.” disse, seus olhos estavam inchados de tanto chorar “Por favor, não digam nada a eles.”
“Nós não vamos dizer filha, se essa é a sua decisão vamos estar do seu lado. Você sabe que pode contar conosco para tudo que precisar.” Respondeu seu pai.
“Tudo que eu quero agora é ficar o mais longe possível disso tudo, esquecer que isso aconteceu.”
acordou assustada. Há muito tempo ela não tinha aquele sonho. Ela estava no seu quarto, em sua cama. Olhou para o lado. estava sentado na poltrona do outro lado do quarto.
“Bom dia, quer dizer, boa noite. Mas não volte a dormir, eu estou com saudades, temos muito para conversar.” Ele disse.
“Quem me trouxe para o quarto?” perguntou confusa.
“Eu. Você sempre se esconde em algum guarda-roupas quando não está bem.” Ele fez uma pausa “Vai passar, foi assim com todos nós nessa casa. A primeira semana foi horrível, agora as coisas estão começando a entrar no eixo.”
“Eu senti sua falta.” disse sentando na cama.
“Você não tem idéia do que foi isso aqui sem você. Ainda mais sem entender o porquê você não estava aqui.” Ele disse sério.
“Eu te falei o motivo.”
“Ah, claro. E você acha que essa história de que ele te fazia infeliz e que você tinha vida própria e não queria passar o resto da vida atrás de uma banda me convenceu?” disse bravo “Você magoou, muito, todos nós. E eu sei que existe alguma coisa por trás disso tudo. Que minha mãe e o seu pai sabiam, mas nunca falaram.”
“, por favor, não vamos falar disso. Eu quero esquecer aquilo, esquecer seus amigos. É o que eu tenho feito há quatro anos.” A menina disse com a voz fraca.
“Meus amigos?!” ele ficou de pé “Eles eram SEUS melhores amigos, eu ERA seu melhor amigo, ele era seu NAMORADO!” Ele estava quase gritando.
apoiou o rosto nas mãos e respirou fundo para que as lágrimas não voltassem a cair.
“Se você esperava nunca mais nos ver, era melhor você ter ficado no Brasil, porque, como você disse, eles são meu amigos, e eles freqüentam essa casa, muito mais que você.” Ele disse e saiu do quarto.
“!” gritou, o garoto olhou pra trás “Não fica bravo comigo.”
“Eu não estou bravo.” ele disse voltando para o quarto “Eu só queria que você confiasse em mim para dizer por que você fez isso. E acabasse com essas mentiras.” Eles se abraçaram.
“O jantar está pronto!” eles ouviram Naná gritar.
“Vem, esquece isso, guarda suas mentiras pra você.” Ele disse sarcástico.
“Não fala assim” respondeu a garota.
“Até você me contar a verdade, você vai ser uma mentirosa. Minha melhor amiga. Mas, mentirosa” ele riu.
“Não tem graça!” Ela disse séria, mas, ele continuou rindo.
“Eu acho que tem muita graça. E aposto que o e o também vão rir.” disse.
“E o ?” Ela perguntou.
“Bom, eu acho que você é a última pessoa que ele quer ver. Mas você vai descobrir o que ele acha disso amanhã, eles vêm pra cá ensaiar”
“O quê?” perguntou incrédula.
“Eu disse que eles freqüentavam essa casa muito mais que você. Mas, a vem junto, você deve estar com saudades dela.”
“A ?”
“É, ela está namorando o , não é incrível?” respondeu.
“Uau! Parece que eu perdi muita coisa.” Ela respirou fundo mais uma vez e desceu para jantar.
Tudo ocorreu bem no jantar. Como Naná tinha dito, Molly tinha muitos amigos, e passou o tempo todo falando de todos eles para . A garota se sentiu aliviada ao ver que a irmãzinha estava bem. passou a maior parte do jantar rindo das coisas que a duas falavam, mas não falou muita coisa.
Mais tarde subiu para o quarto de Molly, ajudou ela a se trocar e a colocou para dormir. Foi para a cozinha e deu boa noite para Naná, que também já estava indo dormir. Pegou as bolachas de nata e levou com ela. Sempre era bom ter alguma coisa para comer, ela sabia que não ia conseguir dormir tão depressa.
entrou no seu quarto e começou a desfazer as malas. Ninguém tinha mexido em um centímetro do quarto. Seus pôsteres continuavam lá, sua escrivaninha, seu computador, até mesmo algumas roupas velhas ainda estavam lá.
“Toc toc” estava na porta “Precisa de ajuda?”
“Eu sempre preciso da sua ajuda” os dois riram.
deitou na cama e começou a comer as bolachas.
“Vou começar te ajudando a comer, ta?” ele riu.
“Nossa! Quanta eficiência!”
“Você só tem duas malas? Em quatro anos?” perguntou olhando a pequena quantidade de coisas.
“Ah! Você nem imagina a quantidade de caixas que estão pra chegar. Elas devem chegar em duas semanas. Essas malas são só algumas roupas para eu ir usando até lá.” respondeu.
“Hmm. Sabe o que é estranho?”
“O quê?” perguntou.
“Você ainda não me perguntou como vai a banda. Você por acaso sabe o quão famosos nós somos? Ouviu nossas músicas?” disse com ar superior.
“Haha! Que banda? Não conheço não.” Ela respondeu sarcástica.
“Aquela que escreveu três milhões de músicas sobre você.” estava sério, agora.
“, sério, eu não quero falar sobre isso.”
“O quê? Você vai continuar culpando a banda por você ter ido embora.” Ele respondeu.
“Eu nunca culpei vocês.” Ela respondeu séria dobrando a última camiseta da primeira mala.
“Você disse que foi embora porque não podia passar o resto da sua vida atrás de uma banda. Ou alguma coisa assim.”
“Eu disse que eu não queria passar o resto da minha vida envolvida nessa máquina do mundo da música que comercializa tudo e faz tudo por dinheiro. Foi isso que eu disse.” Ela olhou para o menino.
“A gente não tá nessa pelo dinheiro. Ajuda. Mas não é só por isso.” disse, sentando na cama.
“Eu sei.” Ela foi até ele “E é por isso que eu gosto tanto de vocês.”
“Eu não tenho certeza disso. Não to vendo nenhum CD nosso nessas suas malas!” Ele riu.
“Besta!” Ela jogou um travesseiro nele. Os dois se olharam.
“É bom ter você de volta.” disse.
“Se eu fosse você não teria tanta certeza disso, eu estou aqui há menos de um dia, você vai ficar de saco cheio de mim depois de uma semana.” respondeu.
“Isso é o que nós veremos!” os dois riram.
“Ah! Sabe com quem eu estava morando no Brasil?” perguntou.
“Com a Gisele? O Ronaldo?”
“Besta de novo! Com aquela amiga minha pra quem você escreveu várias músicas e nunca se declarou.” Ela olhou para o garoto.
“Eu não sei do que você está falando.” fez cara de desentendido “Acho que é melhor eu ir dormir. Boa noite!” Ele saiu do quarto e ficou rindo.
Capítulo 2
acordou cedo, ainda não tinha se acostumado com o fuso horário. Eram seis horas da manhã. Saiu da cama e abriu a janela. Parecia que o sol ia aparecer, coisa difícil de acontecer em Londres. Ela olhou para o jardim e analisou tudo que havia mudado: tinha mais flores enfeitando o gramado e uma mesa enorme. O resto continuava o mesmo. Ela olhou pro fundo do jardim e viu a sala de ensaio dos meninos. Sorriu por um milésimo de segundo, antes de desviar o olhar.
A casa era muito grande, eles não eram ricos, mas dinheiro nunca foi um problema. e sempre tiveram tudo que queriam. O seu quarto também não tinha mudado muito, alguns pôsteres de suas bandas favoritas continuavam lá, outros não. Provavelmente Molly tinha pegado para colocar em seu quarto. Ela abriu a gaveta na mesa de cabeceira, dentro tinha um porta-retratos com uma foto dela e mais cinco pessoas, todos estavam rindo e com taças de champagne na mão. A menina lembrava bem daquele dia, foi o dia em que o McFLY assinou o contrato com a gravadora. Eles estavam comemorando. também estava na foto, as duas acompanhavam os garotos desde sempre. Cresceram juntos.
Ela colocou o porta-retratos de volta na gaveta e foi para o banheiro. Enquanto tomava banho pensou nas coisas que tinha dito na noite anterior. O que os meninos iam achar da volta dela? Desde que tinha decidido voltar sabia que não seria fácil. Mas, não pensou, realmente, em como seria reencontrá-los. Ela queria adiar aquilo, o máximo que pudesse.
Eles se conheciam desde que usavam fraldas. nunca tinha imaginado viver sem nenhum deles, viver sem os cinco tinha sido horrível. , , , , e . Eles eram inseparáveis, todo mundo sabia disso. Não paravam de brigar, rir, fazer as pazes. Tudo era parte da amizade que tinham. E agora ela não sabia o que tinha restado daquela amizade.
Ela saiu do banho, se trocou e voltou para o quarto. Ouviu vozes vindo do jardim, mas antes que pudesse ir até a janela alguém bateu em sua porta. Ela abriu.
“EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ VOLTOU!” entrou no quarto abraçando . “Eu estou muito brava com você. Mas muito feliz de te ver! Senti muito sua falta. Tenho muitas coisas pra te contar!” Ela riu. “E você também deve ter, né? Some assim sem dar motivo e sem dar notícias! Acha bonito? Sabe quantas vezes eu tentei descobrir seu telefone, seu endereço? Zilhões! Seus pais se recusavam a falar qualquer coisa, ah, eu sinto muito por eles.”
riu da amiga, como sempre ela não parava de falar. Estava um pouco mais magra. Mas pelo visto não tinha mudado nada.
“Fica quieta! Me deixa falar!” riu. “Também senti muito sua falta, tipo, a é ótima, mas você é melhor!” As duas riram.
“Pode começar a contar, como foi? Como a está? Aquela ingrata, também nunca dá notícias!” perguntou, e as duas se esparramaram na cama de casal da menina.
“A tá ótima, ela trabalha o tempo todo, eu só via ela à noite, isso quando ela não saía.” respondeu. “Foi legal, normal.”
“Normal?” perguntou fazendo careta.
“Tá, foi chato.” riu. “Eu não conhecia quase ninguém e toda vez que eu conhecia alguém eles não chegavam aos pés de vocês. Eu passei os quatro anos só estudando.” desabafou.
“Você é muito boba mesmo. Tinha que ter me ligado, tinha que ter voltado!” falou e deu de ombros. “Ok, eu juro que não vou entrar nesse assunto de novo e perguntar por que você foi embora, de qualquer forma você não vai me dizer, eu só espero que seja um motivo muito bom!” A amiga disse, brava.
“Obrigada.” respondeu aliviada por não ter que falar no assunto. “Mas me diz, o que mudou por aqui?”
“Bom, pra começar, tudo. Os meninos estão maiores.” as duas riram “E mil vezes mais sexys.” elas riram mais ainda. “Sempre tem gente atrás deles e eles estão com a agenda lotada até o ano 3000! Tem fã-clube até no Brasil! No começo eu achei que você fosse presidente, aí eu e o passamos o dia procurando você nos sites brasileiros deles, mas o máximo que a gente encontrou foi uma que disse que o era tão lindo que ela não conseguia parar de chorar. Enfim, não era você.”
“Foi mal!” fez careta.
“O primeiro ano foi muito estranho.” disse um pouco mais séria. “A gente saía e você não tava, eu ia aos shows e ficava sozinha no backstage, era horrível. O bebia igual um descontrolado e depois chorava igual um bebê, o não podia ouvir seu nome que ficava irritado, o reclamava que ninguém queria sair com ele e dormia com uma fã diferente por dia e o ficou falando que iam acabar virando emos porque as músicas estavam cada vez mais deprimentes.” Como sempre, ela falou tudo de uma vez, sem nenhuma pausa. Demorou alguns segundos para que digerisse toda a informação.
“Uau.” Foi só o que ela conseguiu dizer.
“Uau mesmo. Depois todo mundo começou a seguir em frente, você não dava notícias, e a gente cansou de tentar achar explicação. O começou a namorar a e eu e o começamos...”
“O o quê?!” que estava deitada de barriga pra baixo na cama, sentou num pulo.
“Eu sei, é triste. Mas ela fez o diabo pra ficar com ele. Era insuportável. E mesmo agora que eles estão juntos ela raramente sai com a gente, ninguém agüenta. Pra falar a verdade acho que nem o agüenta.” Ela riu.
levantou, seu estômago revirou, ela não sabia se desmaiava ou vomitava. Ela pôs a mão na cabeça. Como assim ele estava namorando? Não fazia sentido.
“, tudo bem?” Ela ouviu a amiga dizer.
“Eu acho que eu vou vomitar.” Ela correu para o banheiro.
Alguns minutos depois ela voltou para o quarto. estava encostada na parede.
“Você não mudou nada!” As duas riram. sempre vomitava quando ficava nervosa. “Mas, francamente , você esperava o quê? Depois de tudo que você disse pra ele, eu achei que você nem ligasse mais.”
“É claro que eu ligo.” respondeu, séria.
“Eu não entendo você! O que você esperava que fosse acontecer? Que você ia voltar e tudo ia ser como antes?”
“Eu não sei.” Ela balançou a cabeça. Ela realmente não sabia o que ela esperava.
As duas ficaram em silêncio. sentou no chão e se sentou do seu lado.
“Ele não sabe que você voltou.” falou. “Ninguém teve coragem de contar. E ninguém tinha certeza se era verdade ou não.”
O silêncio continuou. Drama, drama, drama. Ela sabia que ia acontecer, mas não sabia que ia ser tão rápido.
“Como está a Molly?” perguntou.
“Bem, ela deve estar dormindo ainda, é cedo, eu nem saí do quarto. Calma. É realmente cedo. O que você ta fazendo aqui tão cedo?” perguntou.
“Nossa, me manda embora mesmo!” riu e fez careta pra amiga. “Os meninos sempre tomam café juntos no sábado, depois sentam no jardim e ficam fazendo brincadeiras sem graça que só eu dou risada, ensaiam, almoçam, ensaiam de novo e saem. Eu vim com o ”.
“Ai Meu Deus! O me contou! Você e ! Como foi isso?” Ela olhou para a amiga.
“Foi lindo.” Ela respondeu com os olhos brilhando “Foi no fim do ano passado. Eu não sei. Eu nunca tinha pensado nele desse jeito. Mas ele fez uma música pra mim.”
“Não acredito!” disse de queixo caído.
“, claro que você acredita, eles escreveram mil músicas pra você.” rolou os olhos.
“Nem todas eram só sobre mim, a maioria era sobre nós duas. Mas quem liga? Ele escreveu uma só pra você!”
“Ele é muito fofo. Acho que eu estou apaixonada.” falou, envergonhada.
“Fico muito feliz por você, vocês dois merecem ser muito felizes.” As duas sorriram e se abraçaram.
Ela estava realmente feliz por , mas não entendia como eles podiam estar namorando.
“Mas as fãs me perseguem, e algumas são tão más!” as duas caíram na gargalhada. “ eu vou morrer de fome, vamos tomar café, os meninos devem estar comendo tudo, não vai sobrar nada.” O estômago de voltou a se revirar, não sabia que ela tinha voltado, provavelmente ele não teria a melhor das reações.
“Acho que é melhor você ir. Vou dar uma olhada na Molly, arrumar umas coisas aqui no quarto. Depois eu vou. Não estou com fome.” Ela mentiu.
As duas levantaram do chão e acompanhou até a porta. “Mas você não vai poder se esconder nesse quarto pra sempre, alguma hora você vai ter que falar com ele”. Ela disse lendo os pensamentos da amiga.
sabia que o lugar mais eficiente para se esconder estava a muitos quilômetros dali, e era outro país, com outra língua, outro tudo. Ela olhou para seu armário e riu. Se esconder no armário não ia ajudar. ia acabar a encontrando. Ela queria poder falar com ele de novo antes de encontrar os outros.
A menina foi até o banheiro e se olhou no espelho. Pensou em ensaiar algumas coisas para dizer quando encontrasse com cada um deles. provavelmente diria algumas coisas bem sentimentais, ia fazer piadas, o , bom, ela já tinha falado com o , mas sabia que ia ter de ganhar a confiança dele de novo. Mas no fundo ela sabia que aos poucos eles voltariam a ser amigos. Mas o , ela não conseguia pensar em nada pra dizer, depois de tudo que ela tinha falado, não tinha nada mais que pudesse ser dito, até a verdade soaria estranho.
Só de pensar no nome do garoto seu estômago embrulhava, ela sentou no chão do banheiro, esperando que o tempo voltasse. Olhou para suas unhas do pé feitas e tentou pensar em outras coisas. Mas a única outra coisa que vinha em sua cabeça era seu pai e Annie. Ela começou a pensar quando a vida dela se tornou tão complicada. Mas ela já sabia essa resposta. Lembrou de Molly dormindo no quarto ao lado. Queria passar mais tempo com a ela. Queria aproveitar o máximo que pudesse. Foi por isso que tinha voltado.
foi até o quarto da irmã, estava escuro, mas a menina estava sentada na cama.
“O que foi Molly?” ela perguntou.
“Eu sonhei com o papai e a mamãe, de novo.” Molly respondeu.
foi até ela e deitou ao seu lado na cama.
“Acontece muito comigo.” Ela disse lembrando do sonho que teve no dia anterior.
“Por que você foi embora?” Molly perguntou. “Eu sei que você não fala sobre isso, minha mãe me disse que você pra estudar, mas eu ouvi o e o conversando, e eles falam que você foi embora por causa deles.”
olhou para irmã, não sabia o que dizer, não podia mentir pra ela.
“O é bobo, não escuta o que ele fala.” Ela disse.
“Então por que foi?” a menina olhava pra nos olhos, ela precisava de uma resposta.
“Sabe aqueles amigos de quem você estava falando ontem no jantar?” começou.
“Sei.”
“Era assim que eu me sentia com os meninos. Na época que eu fui embora eles estavam começando a banda, tinham acabado de lançar o primeiro CD, e eu tive que escolher: ou eu contava pra eles uma coisa que podia estragar tudo e talvez o McFLY não existisse mais ou eu me afastava.” Foi o melhor jeito que ela encontrou pra explicar.
“Que coisa?” Molly estava curiosa.
“Uma coisa!” ela riu. “Eu te conto outro dia.”. respirou fundo esperando que ela não perguntasse mais sobre isso.
“Que bom que você não contou” Molly disse. “Eu não consigo imaginar o sem a banda.” também não conseguia.
As duas ficaram em silêncio por um longo tempo.
“O QUÊ? Você pirou?” perguntou.
“, eu quero estudar lá, essa vida de namorada e amiga de rockstar não é pra mim.” respondeu séria.
“Você quer o caralho! Nunca falou disso antes, e eu nem sei onde é o Brasil!” teve vontade de rir, mas a situação não era engraçada.
“, por favor, não faz cena, eu quero ir e eu vou independente do que você quer.” respondeu fria e seca.
“Fazer cena? Você ta fazendo cena! Essa não é você.” Ele olhou pra ela, desviou o olhar. “Viu, você não consegue nem olhar pra mim. Quer saber, eu não sei quem essa garota que está falando é. Quando ela voltar me avisa.” Ele saiu da sala de ensaio e bateu a porta.
passou a mão no rosto. e estavam sentados em um sofá preto na frente da menina, e estava no fundo da sala, de costas para todos apoiado na parede. sentiu vontade de abraçá-lo.
“Por que você ta fazendo isso?” perguntou.
“É alguma piada?” disse logo em seguida.
“Me desculpem, eu tenho que fazer isso.” Ela olhou para eles esperando que entendessem que não havia outra opção.
“Eu não sei o que está acontecendo, mas no dia que eu descobrir você vai ter que me explicar muita coisa.” falou sério e saiu do quarto, saiu logo em seguida.
“, por favor...” tentou dizer, mas estava sem forças. se virou para ela e antes de sair disse: “Eu sei que tem alguma coisa acontecendo e eu não vou discutir, só espero que você mude de idéia, vai ser impossível sem você.”
sentiu as lágrimas escorrerem assim que a porta da sala fechou.
“Me diz que isso não é verdade.” Ela ouviu a voz atrás dela perguntar.
Ela sentiu um aperto no coração, e muitas lágrimas no caminho. Respirou fundo e enxugou o rosto com as mãos. Então ficou de frente para o menino.
“Eu preciso.” Ela disse. Ele estava com os olhos inchados.
“Não, você não precisa, eu preciso de você aqui.” Ele disse andando em sua direção.
“Esse é o problema, , é sempre você, você, você precisa de mim, e o que eu preciso? Não conta?” Ela começou a repetir o texto que tinha ensaiado milhões de vezes.
“Eu achei que você quisesse isso, foi você que nos ajudou desde o início, essa banda é a sua vida, tudo que a gente faz depende de você!” tinha desespero em sua voz.
“Não, essa banda não é minha vida, minha vida vai começar no momento que eu deixar isso tudo. Eu não agüento mais.” sentiu o estômago embrulhar, ela não sabia quanto tempo ia conseguir continuar com aquilo.
“Eu posso mudar, eu vou fazer o máximo que eu puder pra mudar.” falou chegando mais perto dela.
“Não importa.” Ela disse sem encará-lo.
Algumas lágrimas escorreram no rosto do menino, fazendo se sentir ainda pior.
“Eu achei que você me amasse.” Ele disse depois de um tempo.
“, por favor, já é difícil o bastante assim.” Ela estava sofrendo.
“Pára de me chamar de ! Você nunca me chama de ! O está certo, essa não é você!” o desespero em sua voz estava se transformando em raiva.
“Você pode achar o que você quiser, eu não vou ficar.”
“Por favor, não faz isso comigo. Eu não sei viver sem você. A gente pode ser só amigos, se esse for o problema a gente termina, mas não vai embora.” tocou seu rosto, mas os dois sabiam que eles nunca seriam ‘só amigos’.
“Não tem nada que você possa fazer ou dizer que vai me fazer mudar de idéia.” Ela disse tirando a mão dele de seu rosto e se afastando.
“Você está mentindo. Eu sei que você me ama. Eu te amo, mais do que tudo. Pára com isso, por favor.” Ele implorou, seus olhos estavam cheios de água.
respirou fundo, só uma coisa iria fazê-lo parar. “Eu não te amo.” Ela falou olhando em seus olhos. O menino caiu para trás como se tivesse levado um tiro. Ele ficou ali, sentado no sofá sem se mexer, evitando olhar para garota.
“Então você estava fingindo esse tempo todo.” Ele não escondia mais as lágrimas.
“Eu acho que estava.” respondeu. Nesse momento suas lágrimas também escorreram e eles não conseguiam mais se olhar.
“Vai embora.” Ele falou olhando para o chão. “Vai embora e não volta mais. Desculpa por ter te feito tão infeliz.” sentiu seu corpo todo desmoronar.
“...” ela falou quase num sussurro.
“Eu achei que eu fosse o .” Ele disse seco, sem força.
“! O que está acontecendo? Me diz que é mentira!” entrou correndo na sala. levantou e saiu, enquanto ficou no chão.
“!” A garota abriu os olhos “Você dormiu!” Molly olhou pra ela rindo.
estava suando, sua respiração estava acelerada. Por que ela não parava de ter esses sonhos? Ela tinha se sentido mal o bastante quando fez tudo aquilo, reviver as mesmas cenas toda vez que fechava os olhos não ajudava em nada.
“Tudo bem?” a menina perguntou.
“Só mais um daqueles sonhos.” deu de ombros.
“Vai passar, sempre passa” Molly respondeu passando a mão no cabelo da irmã. sorriu. “Vamos descer?” Ela já tinha tirado o pijama e estava usando uma blusa branca com uma calça rosa claro.
“Só vou lavar meu rosto, posso usar seu banheiro?” perguntou.
“Claro que pode! Que pergunta, irmã!” Molly respondeu.
“Irmã?” riu.
“Desculpa, é que é legal ter uma irmã. Eu gosto de falar ‘irmã’.” Ela ficou vermelha.
“Não tem problema Molly, eu sou sua irmã, é claro que você pode me chamar de irmã.” levantou em direção ao banheiro “Mas você vai ter que chamar o de irmão!” ela riu.
“Ele vai ficar bravo.” Ela falou também rindo.
“Deixa eu te contar uma coisa sobre o , têm duas pessoas com quem ele nunca fica bravo: eu e você!” contou entrando no banheiro.
“Ele nunca ficou bravo com você?” Ela perguntou.
“Pra falar a verdade já, mas é porque eu sou muito chata, não tem como não ficar bravo comigo.”
“Eu não acho você chata.” Molly disse e riu.
As duas desceram as escadas e o coração de disparava a cada passo. Molly parecia não perceber.
“...” ela falou entrando na sala “Você gosta do ?”
“Porque você está perguntando isso?” parou de andar.
“É só porque, não sei, acho que ele não gosta de mim.” Respondeu Molly.
“E como você acha que ele não ia gostar de você?”
“Ele não fala muito comigo, tem vezes que ele nem diz ‘oi’.”
“Ah Molly, não é sua culpa, ele é mal educado mesmo!” riu “Você já falou isso pro ?”
“Já. Ele disse que o tinha trauma com mulheres, disse que ele tinha medo de mim. Mas eu achei essa resposta bem boba.” Ela falou fazendo careta.
“Boba igual a todos eles!” Riu a garota.
Pelo jeito Molly ainda ia fazer muitas perguntas, a melhor coisa que podia fazer era rir da situação, ou ia acabar passando o resto da vida lembrando do passado e chorando pelos cantos.
“Vamos para o jardim, a Naná sempre põe a mesa de café da manhã lá fora nos sábados.” Disse a pequena.
O coração dela voltou a acelerar, será que já não era o bastante ter pesadelos e ter que responder perguntas? Ela ia ter que encarar todos eles? Ela queria poder comer na cozinha, depois voltar para o quarto e continuar nessa rotina para sempre.
Molly correu para o jardim, enquanto respirou fundo.
Capítulo 3
tinha que se lembrar de respirar a cada passo que dava. Seu coração batia com força em sua caixa torácica. Molly tinha chegado ao jardim em menos de três segundos, mas já se passavam cinco minutos e ainda não tinha alcançado nem a metade do caminho. Suas pernas pareciam se mover em câmera lenta, seu corpo parecia estar pesando toneladas.
“Você devia ir até lá de uma vez.” ouviu a voz de Naná ao seu lado.
“Eu sei.” Ela concordou. “É estranho, eu conheço todos eles melhor do que a mim mesma, mas estou com medo de encará-los.”
“Não é estranho, quatro anos se passaram. Eu não sei o que aconteceu com você, mas com eles eu sei. E posso garantir que eles sentiram sua falta.”
“Espero que você esteja certa.” encarou a babá.
“Eu sei que estou. Agora vá, vou pedir para Molly entrar.” Naná falou encorajando a garota.
“Obrigada.” disse sincera.
“Não por isso querida.” Ela respondeu sorrindo.
Quando Naná abriu a grande porta branca deu um passo para o lado encostando-se ao sofá para que ninguém no jardim conseguisse vê-la. Alguns segundos depois Molly estava voltando para dentro da casa reclamando.
“Mas eu não acabei de tomar café, eu não quero fazer a lição agora Naná!”
“Se você fizer toda a lição, direitinho, eu te levo na casa da Vanny pra almoçar!”
As duas subiram a escada passando por como se ela não estivesse ali. A garota se sentou no sofá e ficou fitando a porta que continuava aberta. Piscou algumas vezes, esperando que a cena em sua frente se alterasse. Mas nada mudou. A porta continuava aberta com raios de sol que entrando por ela. se encheu de coragem, limpou sua mente de todos os pensamentos e levantou, caminhando em direção ao jardim.
No segundo que ela apareceu todos se viraram para olhá-la. , , , e , rapidamente e trocaram olhares e então olharam para , que estava branco e parecia não respirar. ficou parada próxima à porta, não sabia o que devia fazer. E então piscou, ela sorriu olhando para o garoto, seus olhos brilhavam, mas sua expressão era confusa.
Antes que ela pudesse ir até a mesa, saiu do jardim. Sem olhar pra ela, ele cruzou o gramado e saiu pelo corredor lateral que levaria para frente da casa. Ela fechou os olhos com força, segurando o nó que se formava em sua garganta. Com muito esforço a garota abriu os olhos, estava em sua frente.
“Eu cuido dele.” Ele disse e saiu correndo atrás do garoto. Ao ouvir o amigo deveria ter ficado mais calma, mas estava usando todas as suas forças para não pesar no que estava acontecendo, ela sabia que no momento em que assimilasse aquela cena, a garota desabaria. Ela finalmente foi até a mesa e esperou que os outros dois também saíssem ou começassem a discutir com ela.
“Ora, ora.” Disse “Quando o me disse que achava que você ia voltar eu não acreditei.”.
“Nem eu.” Falou “Achei que você tinha decidido nos esquecer pra sempre.”.
“Senta .” Disse com a voz leve, encorajando a amiga.
“Oi gente.” Ela disse sorrindo.
Fez-se um silêncio enquanto eles se olhavam. Eles não tinham mudado muito fisicamente, mas com certeza tinham passado muitas horas na academia.
“Então? Você vai contar pra gente o que aconteceu ou vai só ficar admirando minha gostosura?” disse fazendo pose e riu.
“Bom, eu fui pro Brasil, fiz faculdade, mas não tinha mais nada pra fazer e devido aos acontecimentos recentes decidi voltar.”
“Eu sinto muito por isso” Disse .
“Eu também” falou logo em seguida. “Vou sentir falta deles, eram muito legais com todos nós.”
Fizeram-se mais alguns segundos de silêncio em que pensou em Annie, muitas vezes ela pediu que a garota voltasse e contasse toda a verdade, mas sempre achou que seria muito egoísmo.
“Você não vai contar porque foi embora né?” insistiu.
“Não.” respondeu tentando não ser grossa.
“Cara! Faz quatro anos que eu tento descobrir e eu continuo sem ter nenhuma pista!” falou irritado.
“Ela tem um motivo, eu sei que tem.” Disse .
“Eu já disse por que fui embora, não vamos voltar nisso.” tentou mudar de assunto.
“Gente, vamos lá! Vocês não estão felizes? É a !” começou. “ você não parava de choramingar que tinha perdido a única pessoa que te levava a sério e , você passou quatro anos elaborando planos de resgate, como se ela tivesse sido seqüestrada por nazistas!” Ela riu.
De repente apareceu no jardim. Ele parecia nervoso e pode ver um leve roxo surgindo em volta do seu olho esquerdo.
“Não vai ter ensaio hoje, eu ligo pra vocês mais tarde.” Ele disse pegando as chaves de um carro em cima da mesa. levantou.
“Agora não, é melhor você ficar.” Ele falou para garota, que voltou a se sentar, muito mais preocupada do que antes.
“, a gente tem que tocar naquele festival amanhã à tarde!” gritou antes que sumisse de vista, mas não houve resposta. “Ótimo, se aquele idiota do ficar fazendo cena a gente não vai conseguir tocar amanhã.”
“É minha culpa, eu sinto muito.” falou sincera.
“Não é sua culpa, o é um idiota com ou sem você.” disse olhando pra garota.
“Bom, ele não era tão idiota há quatro anos.” Ela deu de ombros.
“Ah! Era sim, você que não percebia.” disse rindo e todos riram, mas logo voltou a olhar para as mãos.
“, não é sua culpa. Tudo bem que você foi embora quando a gente mais queria você aqui e disse umas coisas bem pesadas, principalmente pra ele.” abriu a boca para falar, mas continuou. “Mas, por mais que você diga o contrário, está na cara que você não quis dizer nada daquilo. A gente sabe disso...” Ele olhou para , que confirmou com a cabeça. “O sabe disso e ele gosta de frisar que você é uma mentirosa descarada sempre que pode...” Eles riram, uma grande lágrima começava a se formar nos olhos da menina. “E o , no fundo ele também sabe, mas ele é muito orgulhoso pra admitir. Ele nunca deixou de te amar.”
O nó em sua garganta agora parecia uma almôndega gigante. A lágrima que estava segurando rolou por suas bochechas, mas foi uma lágrima solitária, ela não queria chorar, tinha que ser forte, por tanto freou todas as outras.
“O está certo” segurou a mão da garota em cima da mesa. “Eu senti sua falta, sabe, é uma merda sair sem você, não tem ninguém pra me impedir de fazer besteiras.” Ele riu.
“Obrigado.” Ela sorriu para eles.
“Vamos sair pra almoçar!” Disse .
“Eles acabaram de tomar café.” olhou pra mesa, que estava bem vazia por sinal.
“Como se eles ligassem.” rolou os olhos.
“É verdade, eu não ligo.” respondeu.
Já era quase meio-dia e eles foram a um restaurante pequeno, não muito longe da casa. O lugar era confortável e poucas pessoas estavam almoçando. Eles ficaram lá por umas duas horas, conversaram sobre muitas coisas, contou sobre o Brasil e eles falaram sobre a banda. Algumas vezes falavam sobre alguma coisa que passaram juntos, mas logo aparecia na história e então eles mudavam de assunto, o que deixava a garota muito agradecida, se pensasse no garoto não conseguiria dar atenção a mais nada.
contou que a gravadora queria lançar um novo álbum antes do fim do ano, mas eles não conseguiam escrever nada.
“Eles querem que a gente faça o mesmo tipo de música, sem nenhuma alteração. Mas nós queremos arriscar, tentar uma coisa mais séria.” contou.
“É, mas eles não vão lançar o que a gente quer, e a gente não consegue compor nada no estilo que eles querem.” Continuou . “Eles vão nos mandar embora.”
.
Mais tarde contou a que eles não escreviam nada há um ano.
“O e o não fazem nada, ensaiam as músicas antigas como se estivessem assistindo um filme muito chato. O e o até tentam, mas a gravadora não aceita nada que eles fazem.”
Quando chegou a sua casa, Molly não estava. Tinha ido almoçar na casa de uma amiga. O carro de estava na garagem, mas ele não estava em casa. Naná disse que saiu com no carro do e que deveria voltar antes do jantar.
Ela andou a casa toda, ligou e desligou a televisão várias vezes. Tentava não pensar no que e estavam fazendo, mas quando menos esperava estava criando possibilidade. Não sabia como ia fazer entender o retorno da garota. Ligou e desligou a televisão mais uma vez. E então pensou numa coisa que a distrairia, pelo menos um pouco.
A garota subiu as escadas em direção ao seu quarto. Ligou o laptop.
“,
E ai amiga? Como vão as coisas no país verde e amarelo?
A viagem foi boa, não que ficar onze horas dentro de um avião seja confortável, mas foi suportável.
Por aqui está tudo bem, a te mandou um beijo e disse que está com saudades. Você devia vir nos visitar um dia desses, você pode ficar aqui em casa, o ia adorar. Desconfio que ele ainda tenha uma paixão secreta por você, e como eu acho que você sempre foi secretamente apaixonada por ele, acho que você também ia gostar (HAHAHA).
Minhas coisas ainda não chegaram. Mas eu não esperava que elas fossem chegar tão rápido. Devem chegar semana que vem, ou na próxima.
Já estou com saudades. Mande-me notícias e novidades.
Beijos,
.”
Era um email curto, mas hoje em dia, ninguém lê nada se for muito comprido, então achou que estava bom. Apertou ‘send’ e ficou olhando para tela do computador, então se lembrou de outra pessoa.
“!!
Adivinha quem voltou?? EU!
To morrendo de saudades suas, sério mesmo, fazem uns 5 anos que a gente não se vê! Vamos combinar de sair um dia desses!
Como está seu irmão? A Molly me disse que eles estão na mesma sala.
Você tem visto o alguém do colégio? Já terminou a faculdade? Direito né?
Manda noticias!
Beijos,
.”
Era tudo, ela não tinha mais para quem escrever.
Pensou em voltar para televisão, mas ficou com medo de estragá-la de tanto liga e desliga. Por volta das seis horas Naná avisou que estava indo buscar Molly.
“E também vou passar no supermercado, posso demorar um pouco. Você quer alguma coisa?”
“Hum, acho que não. Quer dizer, eu preciso de um celular, se você passar por alguma loja no caminho poderia dar uma olhada pra mim? Nada muito caro, desde que faça ligações pra mim já está bom.” Ela disse.
“Claro, vou procurar alguma coisa.”
E então ela saiu, deixando sozinha em casa.
Dez minutos depois da saída de Naná, ouviu a porta de entrada abrir e correu para sala.
“!” Ela correu para o garoto e lhe deu um abraço.
“Oiiiii, ai calma, você vai me matar.”
“O que aconteceu?” Ela o largou, e então viu que seu olho esquerdo estava mesmo roxo. “O que aconteceu com seu olho?” Ela perguntou preocupada.
“Ah, isso...calma, já explico, eu preciso sentar.” Ele foi até o sofá, enquanto isso correu para cozinha e pegou um pouco de gelo para ele colocar no olho.
“Obrigado.” Disse ele pegando o saco de gelo da mão dela.
“Então...o que aconteceu?” Ela perguntou se sentando ao lado dele.
“Bom, eu fui atrás do e ele me deu um soco, disse que eu devia ter contato que você tinha voltado, que eu tinha agido pelas costas dele. Falou um monte de merda. Ai, quando ele finalmente parou de me xingar eu expliquei pra ele que não tinha certeza que você ia voltar e tudo mais, não adiantou muito, mas ele se arrependeu de ter me socado. Falou que ia embora e não ia voltar pra minha casa enquanto você estivesse aqui. Ele foi bem dramático. Achei melhor levar ele em casa, se ele fosse dirigindo ia acabar fazendo uma besteira. E então eu fiquei com ele até agora, ouvindo ele chorar as pitangas.”
“Ele me odeia.” disse olhando para o chão.
“Sem querer ser chato, esse não é o maior problema, no dia que você falar a verdade ele pára de te odiar.” Ele falou analisando o gelo que começava a derreter.
“Nossa, obrigado.”
“Caramba , eu não quis te irritar. Não estou te culpando nem nada, mas é que as coisas estão bem complicadas, ele falou que não vai a nenhum lugar que você estiver. Como eu disse, ele está sendo bem dramático.”
“Às vezes eu queria que você mentisse pra mim sabe, pra eu não me sentir tão mal.” Ela falou.
“Provavelmente seria muito melhor, mas acho que já tem mentiras de mais nessa história.” Ele olhou pra ela, mas a garota desviou o olhar. “Sabe, eu não faço a mínima idéia do que vai acontecer. Eu fico imaginando porque você fez tudo isso, eu vejo que você está sofrendo, eu não acredito que você tenha passado quatro anos longe, não parece que fez bem algum a você essa viagem, você parece muito confusa. Eu queria poder ajudar, mas você não deixa e agora eu estou ficando confuso.” Ele estava falando olhando para o teto e a garota estava chorando em silêncio. “Eu queria que você confiasse em mim, confiasse em nós quatro. Não importa o que aconteceu, você sabe que a gente vai entender, mas sério, você não pode nos deixar fora disso e ainda querer que a gente entenda.”
“Eu confio em você.” Ela resmungou. “Mas eu não tenho tanta certeza que você iria entender.”
“Você só vai saber se tentar. Por mais que eu tente, eu não consigo ficar bravo com você, sei que existe alguma coisa por trás disso tudo. Você é a minha melhor amiga, e mesmo depois de quatro anos sem te ver, eu ainda olho pra você e vejo a mesma menina. Não me deixa de fora da sua vida.” Ele havia tirado o gelo do olho, segurou a mão da menina. “Confia em mim.”
“Eu fiz isso por vocês.” Ela não estava olhando para ele. “Eu tive que escolher entre ter a vida de sempre ou abrir mão de tudo por vocês.” E então ela olhou pra ele, que a encarava confuso. “Acho que você sabe o que eu escolhi.”
“Você continua culpando a banda.” Ele riu.
“Eu não estou culpando ninguém, a escolha foi minha.”
“Que seja. Se algum dia você estiver pronta pra contar, eu vou estar aqui.” Ele sorriu.
se deitou bem cedo aquela noite, mas não conseguia dormir. Se sentia mal por tudo que tinha acontecido. E se não quisesse mais tocar? Ele não podia fazer isso. A banda não podia acabar nunca. Ela iria lutar por eles. Pegou o celular novo na mesa de cabeceira e discou o número que ainda sabia de cor.
“Alô?” Uma voz cansada atendeu.
“A gente precisa conversar.” Ela falou tentando parecer calma. Ninguém respondeu. “Você não vai poder sair correndo toda vez que eu entrar em algum lugar, nem dar socos em todo mundo que fala comigo.” esperou uma resposta, mas não recebeu nenhuma. “Eu estou indo pro lago.” Ela achou desnecessário acrescentar que ele deveria encontrá-la lá, afinal, estava implícito.
Desceu as escadas em silêncio, com medo de acordar , ele provavelmente a impediria de sair. Pegou o casaco na entrada da casa e saiu. A noite estava fria, e as ruas escuras. Ela só percebeu que estava de pijama quando chegou à metade do caminho. Olhou pra trás, mas não valia a pena votar.
“Eu sou tão idiota!” Disse para si mesma.
Continuou andando, por um milagre sua cabeça estava vazia.
Passados quinze minutos a garota virou numa viela, estava coberta de mato, e qualquer pessoa teria dito que aquilo era um beco sem saída, provavelmente muito perigoso. Mas ela continuou. O mato começou a diminuir até virar uma grama verde que mais a frente se misturava com areia grossa, a viela não era mais uma viela e sim um largo terreno que terminava num lago. O fundo das casas, que deveriam ter vista para aquele lugar, eram refreados por um paredão de árvores.
sorriu, esse era um dos lugares que ela mais tinha sentido falta. Ela foi até o lago e se sentou em um grande aglomerado de rochas no canto direito. Estava espantada com a súbita coragem que estava tomando conta dela.
“O que você quer?” ouviu a voz de . Virou-se devagar, ele estava parado na saída da viela, próximo as árvores, usava uma calça jeans larga e moletom. Seu coração disparou e, apesar da situação não ser boa, ela sentiu uma corrente de felicidade passando pelo seu corpo, como se a simples sensação de olhar para o garoto fosse a melhor que experimentava em anos. Se ele tinha vindo a seu encontro, já era um bom sinal.
“O que você quer?” Ele repetiu.
“Obrigada por vir.” Ela disse descendo da rocha e indo em direção a ele.
“Você disse que precisava falar comigo, fala logo.” disse sério. Olhando mais de perto podia ver que seus olhos estavam vermelhos e inchados, como no dia em que eles se falaram pela última vez.
“Desculpa, por tudo que aconteceu, eu espero que um dia você entenda.” Ela falou ainda se aproximando, mas o garoto estava se afastando, como se não quisesse que ela chegasse mais perto.
“Entender? Como você quer que eu entenda?” Ele disse nervoso.
“Você não sabe como foi difícil fazer o que eu fiz.” Ela tentou se justificar.
“‘Difícil’? Você nem sabe o que isso significa.” Ele balançou a cabeça “Você nunca ligou, você não deu à mínima. Você não sabe o que é ter que parecer feliz na frente de mil pessoas quando tudo que você quer é sumir do mundo. Quando você se olha no espelho e sabe que você é culpado, mas não sabe o que fez de errado. Você não sabe o que é escrever músicas que todo mundo ouve, mas a única pessoa que você queria que ouvisse não esta lá para ouvir. Eu passei quatro anos vivendo uma fantasia, vivendo a vida dos sonhos de qualquer pessoa, mas pra mim era um pesadelo.” Sua voz tremia e ele falava muito alto. “Eu enxergo você em todos os lugares e já se passaram quatro anos! Já se passaram quatro anos e eu não consigo te esquecer! Minha vida acabou quando você foi embora, agora eu sou só um idiota que se acha e trata mal as pessoas.” não conseguia conter as lágrimas, queria confessar tudo para que ele parasse de acusá-la, para que ele entendesse.
“E o que você quer que eu faça agora?” ela perguntou, também estava gritando. “Eu não posso mudar o passado.”
“Você nunca deveria ter voltado, eu te disse para nunca mais voltar.” Uma lágrima corria pela sua bochecha e ele olhava para com uma expressão de dor.
“Caso você não tenha percebido, eu não voltei por você. Caso você não tenha percebido meu pai está morto.” Ela disse calma, mas com mais lágrimas do que nunca saindo dos seus olhos. teve a impressão de que iria abraçá-la, e torceu para que o garoto o fizesse, mas ele recuou.
“Eu só quero que você não mude.” Ela disse “Os meninos não tem culpa pelo que eu te fiz, você sabe o quanto vocês lutaram por essa banda. O não tem culpa de ser meu irmão, e você não pode impedi-los de falar comigo. Nós não precisamos falar um com o outro, mas você vai ter que aprender a conviver comigo. Você diz que sua vida acabou, pois a minha também acabou há muito tempo, então não vamos acabar com a vida de mais ninguém.” Ela olhou para o garoto que estava pálido e a encarava com lágrimas pelo rosto. tinha certeza que sua aparência não estava muito diferente, tudo que ela queria era abraçá-lo e fazer a dor passar, queria abrir os olhos e acordar há quatro anos e descobrir que tudo não passou de um pesadelo. Ela olhou para ele uma última vez e saiu pela viela.
Viu o carro do garoto estacionado na rua e passou correndo por ele, correu até sua casa, parou na porta enxugando as lágrimas na manga do pijama. Entrou em silêncio até seu quarto. Deitou na cama, mas uma mistura de dor, nervosismo e angustia tomavam conta dela. Ela se sentiu enjoada, chorou em silêncio por longos minutos, o sol começava a nascer quando seus olhos relutantes finalmente se fecharam.
Capítulo 4
“Falou com meu pai?” Ela ouviu alguém dizer. estava fechando a porta atrás dela.
“Isso foi idéia sua, não foi?” ela perguntou olhando pra garota sentada no sofá.
“Imagina!” A garota respondeu com sarcasmo na voz. “Eu posso ter dito alguma coisa.” Ela riu.
“Você é ridícula.” estava em choque, não sabia o que iria fazer.
“Fica tranqüila, eu sei que você vai fazer a coisa certa, .” A garota falou ficando em pé.
“A coisa certa, , é eu contar a verdade pros meninos!” falou, um pouco mais alto do que deveria.
“Ah! Mas você não pode fazer isso, não é mesmo? Eles desistiriam da banda, e você seria a única culpada.” continuava rindo.
“O que você quer com isso? Eles nunca vão gostar de você! O nunca vai gostar de você!”
“Mas pelo menos eles não vão estar com você.”
“Eu não posso terminar com ele pai, eu não consigo.” falava entre um soluço e outro.
“Querida, você tem que dizer a verdade!” Annie falou “Eu não acredito que estão fazendo isso com você!”
“Eles estão certos.”
“Certos?” Seu pai disse “Isso não tem nada certo”
“Eu vou me mudar, pai, você falou que eu podia estudar no Brasil, lembra?” perguntou.
“Foi em uma circunstância completamente diferente.”
“Eu preciso ir, por favor pai, eu amo esses garotos, eu amo essa banda, eu quero que dê certo.”
“! Eles têm a vida toda! Isso pode dar certo outra hora, com você do lado deles!” Annie falou.
“Eu quero que dê certo agora, por favor, confia em mim. Eu sei que vai dar certo.”
“, isso é um erro.” Seu pai falou.
“Mas é meu erro.” já não chorava mais.
acordou assustada, mais um pesadelo.
“Eu acho que nunca mais vou dormir.” Falou para si mesma, era o único jeito de fazer suas memórias pararem de perseguí-la.
Neste momento a garota se lembrou da noite anterior, não havia adiantado nada, eles só brigaram mais ainda. fechou os olhos e desejou que esquecesse o que tinha acontecido, que entrasse pela porta do seu quarto rindo e falando coisas inapropriadas, pulasse em sua cama e lhe desse um abraço. Um abraço que só ele podia dar.
ligou o computador.
“,
Está tudo ótimo! Já estou com saudades de você! Acho que vou fazer uma visita em breve! Hahaha! Mas não por causa desse seu irmão que não toma banho – eu nunca gostei dele! Não inventa! Mas quero ver as meninas, lembrar da cidade, faz falta. O Brasil é ótimo, mas está quente pra burro! Haha!
Um beijo,
.”
clicou em responder:
“Querida amiga mentirosa (você ama meu irmãozinho, e ele é bem cheiroso por sinal, lol),
Vem sim! Quem sabe você não chega antes das minhas malas! Haha!
Beijos,
.”
Tinha outro email na caixa de entrada:
“Amigaaaaaa!
Não creio que você voltou e não me comunicou nada! A gente tem que sair! Me chama no walk-pink-talk (hahahha, lembra?) acho que ainda funciona!
Eu larguei a faculdade de direito! Muita informação pra mim, estou fazendo jornalismo...
Saudades,
Xx
.”
Alguém bateu na porta, fechou o laptop e perguntou:
“Quem é?”
“Sou eu.” A garota ouviu a voz do do outro lado da porta. “Posso entrar?” Ele perguntou abrindo a porta e colocando a cabeça dentro do quarto.
“Claro!” Ela riu.
“Onde está?” Ele perguntou olhando para os lados.
“Onde está o que?” se sentou na cama.
“Nosso xadrez de bruxo, oras bolas! Fazem quatro anos que o melhor aluno da Grifinória, eu, não enfrenta a preferida do Lord das Trevas, você!” Ele disse fazendo poses. gargalhou.
A garota correu até o armário e tirou de lá um tabuleiro enorme. Em cada canto do tabuleiro existia o brasão de uma casa de Hogwarts, as peças eram perfeitas miniaturas das peças que apareciam no filme Potter e a Pedra Filosofal.
correu até o tabuleiro e se sentou no chão de frente para .
“Pegue sua varinha!” Ele falou.
Os dois esticaram a mão e cada um pegou uma varinha, que estavam postas no meio do tabuleiro. ria sem parar, e parecia estar falando realmente sério.
Os dois começaram o jogo, os peões quebravam no meio quando morriam, as torres se mexiam quando alguma varinha chegava perto delas graças a um imã, os cavalos relinchavam, os bispos e as rainhas se iluminavam quando eram tocados e o rei da garota emitiu um forte som de cacos de vidro quando foi morto pela rainha do . Ele riu.
“Eu sabia que eu continuava sendo o melhor!”
“Eu te amo sua criança!” não conseguia parar de rir, tinha se esquecido completamente dos pensamentos que há pouco tempo lhe incomodavam. Os dois se abraçaram.
“Eu realmente senti sua falta.” A garota falou. sorriu enquanto re-encaixava os peões que tinha desmontado ao meio.
Os dois arrumaram o tabuleiro e o devolveram ao armário em silêncio. voltou a se sentar na cama, se deitou do seu lado, deixando os pés calçados balançando para fora da cama.
“Ele foi pra minha casa.” disse de repente.
“O que?” olhou para ele.
“O .” prendeu a respiração. “Ontem, depois que vocês conversaram, ou brigaram, não sei bem o que foi aquilo, ele foi pra minha casa. Me contou o que aconteceu.” fitou o teto. “Ele vai te perdoar, você tinha que ver, quanto ele acabou de me contar, tudo que ele conseguia dizer era o quanto ele ainda te amava e o quão sozinha e triste você parecia.” O coração da garota disparou, mas ela ainda não conseguia falar. “Ele queria vir correndo pra cá te pedir desculpas por ter gritado. Mas eu não deixei, vocês dois precisavam de um tempo pra pensar. Vocês são extremamente impulsivos. Duas crianças.” olhou pra ele indignada, há dois segundos atrás ele estava fingindo ser Potter! Quem era a criança mesmo?
“Eu nunca achei que ele fosse ficar tão mal por eu ter ido embora.” Ela finalmente falou.
“Acho que só seria pior se a banda acabasse.” falou num suspiro.
“Foi o que eu pensei.” Mas a garota falou tão baixo que ninguém poderia ter ouvido.
“?” entrou no quarto. “Ah, você está aqui. Estou pronto.” Ele olhou para os lados e seus olhos pararam no armário aberto. “Ahh!! Pelo amor de Deus! Não vai me dizer que vocês dois estavam jogando aquela porcaria de xadrez!” Ele balançava a cabeça.
“! Ele não é uma porcaria! Foi bem caro, e é muito legal.” respondeu.
“Muito legal!” concordou.
“É, mas você não é a Hermione. E , você nunca recebeu a carta de Hogwarts e já passou dos onze anos a muito tempo, eles não te escolheram amigo, sinto muito, você é um trouxa igual a mim.” Ele sorriu.
“Ei! Eles só estão atrasados, a coruja com minha carta de admissão vai chegar a qualquer momento!” fez uma cara séria ficando em pé olhando a janela.
“E eu nunca seria a Hermione, eu sou da Sonserina seu babaca!” também ficou de pé.
Então os três caíram na gargalhada. chegou a derramar algumas lágrimas de tanto rir. E se sentiu com 17 anos de novo.
e saíram para tocar no festival, tomou banho, se arrumou e passou a manhã inteira brincando com Molly. No começo foi difícil se concentrar na irmã mais nova, tudo que ela queria era correr para o festival e ver os meninos tocarem, ela estava morrendo por dentro. E ficou mais difícil quando o telefone tocou.
“Posso saber por que merda de motivo você não esta aqui?”
“Oi .” respondeu.
“Depois de quatro anos você não tem a mínima vontade de ver a gente tocar, caramba! Você é muito chata!”
“, você não está bravo de verdade.” riu.
“Tá, você me descobriu.” Ele riu desapontado. “Mas você devia estar aqui, é sério, a gente manda o embora, você é muito mais legal, e não vem com a a tira colo.”
“Cala a boca .” riu mais ainda.
“Te vejo mais tarde e a gente vai encher a cara!” disse e desligou.
Ela queria estar lá.
A garota se concentrou ao máximo em esquecer seus pesadelos e suas esperanças, mas de dez em dez minutos ela ouvia Molly chamá-la: “! ! Você me ouviu?”
Elas conversaram, almoçaram, ou melhor, Molly almoçou, estava sem fome, ajudaram Naná na cozinha e assistiram A Bela e a Fera, filme preferido de Molly. Quando o filme terminou a garotinha tinha caído no sono.
“O que está te incomodando?” Naná perguntou.
“Eu não sei, tudo, eu magoei meu pai, eu magoei Annie, fiz coisas com as quais eles não concordavam.” não queria falar, mas confiava em Naná.
“Eles te amavam , e onde eles estiverem sei que ainda te amam. E vocês se falavam o tempo todo, eles nunca ficaram magoados, não com você.” Nana defendeu.
“Eu queria ter voltado antes, ter visto eles uma última vez.”
“Todo mundo queria, querida, todo mundo queria.”
Quando finalmente ouviu o barulho dos carros chegando já eram mais de cinco horas da tarde. Naná entrou correndo na sala para levar a menina ao quarto.
“Pode deixar.” disse pegando a irmã no colo.
Naná ficou olhando a garota subir as escadas, quando estava no último degrau ela ouviu a porta abrir, e vozes invadirem a casa. se apressou para por Molly na cama, felizmente, o sono da irmã mais nova era tão pesado que ela não acordou.
olhou para a irmã dormindo, ela estava tão calma, a respiração tão leve e pausada, enquanto a sua estava acelerada e ela estava começando a suar de nervoso. Será que tinha vindo?
E se ele tivesse vindo, como seria? Seu coração disparou, e a garota correu para seu quarto com medo de que as fortes batidas do seu coração acordassem Molly.
entrou em seu quarto correndo.
“Oi!” Alguém disse enquanto fechava a porta do quarto.
A garota se virou rapidamente e, encostada na parede, estava .
“Eu precisava ver com os meus olhos, você voltou mesmo.” olhava para .
“O que você está fazendo aqui?”
“O que VOCÊ está fazendo aqui?” perguntou séria “Achei que tínhamos um trato.”
“Eu tinha um trato com o seu pai, não com você.” respondeu, sua respiração mais acelerada do que nunca.
“Dá na mesma.”
“Eu não vim roubar seu namorado se você está preocupada com isso, mas talvez eu volte a acompanhar os meninos, eles gostam da minha companhia e eu gosto da deles.”
“Claro que você não vai roubar meu namorado! Temos um tra-to.” falou.
“Eu acho que você e seu pai o quebraram no momento em que você começou a namorá-lo.” olhou séria para garota.
“De qualquer forma, o te odeia agora.” deu de ombros.
“Eu não me importo, eu não voltei por ele.”
“Ah! Você perdeu o papai e mamãe...é verdade, há quanto tempo você não os via?” disse com um sorriso sarcástico “Porque você não voltou antes, em? Ninguém te impediu, o trato não mandava você mudar de cidade.”
“Vai se fuder!” gritou e colocou a garota para fora, que saiu aos risos.
Aquelas palavras atingiam como uma faca, pois eram verdadeiras. Ela não precisava ter se mudado, mas como não? Como ela poderia viver no mesmo lugar que sem estar ao seu lado? De qualquer forma, era verdade, ela não via seus pais a muito tempo, e agora, nunca mais veria.
começou a se sentir enjoada, foi em direção ao banheiro mas lembrou que não tinha comido nada o dia todo.
O quarto inteiro começou a embaçar, não conseguia enxergar nada, seus joelhos estavam tremendo. Ela ouviu uma conversa ao longe.
“Você viu a ?”
“Não, não vi não. Vem comigo amor.”
“Não me chama de amor, eu já pedi.”
Ela não conseguia raciocinar o suficiente para dar nomes aos donos das vozes. Ela estava quase no chão quando a porta do seu quarto se abriu e alguém a segurou. Mas quando isso aconteceu, já estava caindo e o peso derrubou não só ela, mas outra pessoa.
“!” foi a última coisa que a garota ouviu.
Capitulo 5
“Ela não está comendo nada! Eu sabia que isso ia acontecer, ela anda tão triste!” ouviu a voz de Naná.
A garota estava fraca e não lembrava o que tinha acontecido, manteve os olhos fechados. ‘’, pensou, e seu estomago se contorceu. tentou se acalmar, não podia ficar nervosa, estava fazendo uma cena, e a última coisa que ela queria era todas as atenções voltadas para ela.
“Tudo bem, deixa esses pãezinhos aqui, eu vou fazer ela comer. E, Naná, por favor, não comenta com ninguém, fala que eu não estou me sentindo bem e estou no banheiro e que ela está dormindo com a Molly ou alguma coisa assim.” podia jurar que palavras como essas seriam do , mas não era a voz dele.
“Está bem.” Naná respondeu, e ela ouviu a porta do quarto fechando.
Ainda de olhos fechados, analisou a situação, estava deitada em sua cama, abriu levemente os olhos, mas os fechou rapidamente, não por causa da claridade, mas por causa do dono da voz. . Ele estava sentado no pé da cama, olhando para ela. Ela estava com medo de que no momento que abrisse os olhos os dois tivessem outra discussão. Drama, drama, drama.
Ela abriu os olhos lentamente.
“Oi.” disse sorrindo torto.
“Desculpa...eu não queria...”
“Desmaiar?” interrompeu
“Eu ia dizer incomodar.” sentou na cama.
“A Naná acha que é por que você não comeu.” Ele riu “Eu te conheço, não comer é só um agravante. O que deixou você tão nervosa?” Ele perguntou.
“Eu não fiquei nervosa.” respondeu desviando o olhar.
“, você nunca passa mal, você nunca fica doente. A não ser que fique nervosa, então você corre pro banheiro, se tiver comido, ou desmaia, se estiver de jejum.”
Os dois se olharam durante algum tempo, e pela primeira vez, em muito tempo, o que ela sempre conheceu estava ali.
“Você não vai me contar, não é?” abaixou a cabeça “Nada, nem uma palavra.” Ele não estava bravo, estava apenas triste.
“Eu tenho que te pedir desculpas por ontem.” voltou a olhar para a garota.
“Não, você não fez nada errado.” defendeu.
“Sabe, todos esses anos, eu te culpei. Mas, não pode ser verdade, tem que haver uma razão. Eu não consegui dormir a noite toda, lembrando de tudo que nós passamos, eu sei que foi real, você nunca faria o que fez sem um motivo.”
parou de falar, dando espaço para responder alguma coisa, mas a garota não conseguia dizer nada. Então ele continuou.
“Eu não vou forçar, se você não quer falar, eu não quero que fale.” Ele falava olhando para as mãos e para alternadamente “Eu quero poder falar com você de novo, eu quero poder te abraçar, eu quero ter você do meu lado, como minha amiga. Isso você não pode me negar.”
Uma lágrima escorreu no rosto da garota.
“Porque você está chorando? Porque você está tão magoada? O que ta te deixando nervosa? Deus! Eu queria poder ajudar.” ficou de pé, e sabia que aquela última parte ele tinha perguntado para ele mesmo.
estava encarando a porta do armário, de costas para a garota. Ela saiu da cama, e encarou a nuca do garoto.
“Obrigada.” Ela disse e ele se virou “Por entender. Eu nunca quis te machucar.”
“Se eu fosse menos cabeça dura, eu teria entendido antes.” Ele passou a mão no rosto da garota.
Os olhos dos dois estavam cheios de lágrima e sem mais palavras eles se abraçaram, como se um imã estivesse obrigando seus corpos a se encontrarem.
Foi um abraço forte, chegava a doer, mas nenhum dos dois ligava. Com os olhos fechados eles ficaram ali. com a mão na cintura da garota, sentindo sua mão tocar a nuca do garoto e o cabelo, depois de tanto tempo.
sabia o que deveria vir depois, eles deveriam se beijar e viver felizes para sempre. Mas há muito tempo ela não acreditava em contos de fada. estava apenas deixando o que aconteceu para trás, mas não havia esquecido, nada seria como antes enquanto ele não soubesse a verdade. Mas contar, poderia destruir muita coisa que ele havia conquistado nesses quatro anos.
Quando se afastaram os dois sorriam.
“Sem brigas?” perguntou estendendo a mão.
“Sem brigas.” apertou a mão da garota. “Mas você tem que me fazer um favor.” Ele disse.
“Qualquer coisa.” disse e olhou para ela com um sorriso torto. “Quer dizer, nem tudo.” Ela riu.
“Você tem que contar os seus segredos para alguém, qualquer pessoa. Porque guardar isso dentro de você está te fazendo mal.”
“, eu não sei.” falou sem encará-lo.
“Me promete.”
“Prometo.” A garota respondeu após um tempo, sem ter certeza do que aquilo significava.
“Bom, é melhor a gente descer.” falou olhando para porta.
“Vai na frente.”
ficou andando de um lado pro outro do quarto, sem saber o que pensar, sem conseguir parar de sorrir e ao mesmo tempo preocupada com toda a situação.
“O que é que o tava fazendo no seu quarto?” entrou correndo.
“Você viu? Quem mais viu?” foi até a porta e a fechou.
“Ninguém, eu vim te procurar e ele estava saindo.” Ela explicou. “Pode me contar tudo!”
“Quer saber?” pensou na promessa que fez. “Eu vou contar tudo mesmo! Eu preciso de ajuda, e só tem três pessoas que podem me ajudar...”
“As Super Garotas!” interrompeu. “Meu walk-talk ainda funciona!” ela riu.
“O da também, falei com ela hoje de manhã. Espera até de noite, eu faço o chamado.”
“Certo! Vou ligar pra , falar pra ela ficar atenta, mas e a ?” perguntou.
“Pra isso que serve a tacnologia! Webcam!” riu.
“Você vai contar tudo mesmo?” A amiga perguntou desconfiada.
“Eu fiz uma promessa a uma pessoa, e eu não posso falhar.”
Quando desceu para o jardim, onde todos estavam, logo estava falando com que veio correndo com uma garrafa de cerveja na mão.
“Onde você estava? Mais um pouco e não ia sobrar cerveja pra você!” Ele riu.
“Seu bêbado!” disse pegando a garrafa da mão do garoto.
“Pega leve ai maninha, não deixa esse cara te influenciar.” brincou.
“Mesmo que ele quisesse, nunca conseguiria!”
“Ta duvidando da minha capacidade?” arregalou os olhos. “Eu pratiquei muito meu poder de influencia nesses quatro anos, você nem imagina!”
“Quero só ver!” riu.
continuou com e enquanto conversavam sem parar, mas estava ouvindo outra conversa. Perto da piscina e conversavam, cutucou , e logo as duas estavam empenhadas em escutar a conversa.
“Porque você a trouxe aqui? Você não disse que ia terminar com ela?” perguntou.
“Cara, eu não sei como terminar com alguém, nunca fiz isso antes, e não sei se eu deveria.”
“Como assim ‘não sei se eu deveria’ e a ?”
“Nós somos amigos, não namorados, eu não tenho que terminar com a por isso.” abaixou a cabeça.
“Eu não acredito em você!” balançou a cabeça. “Você está com medo que a suma outra vez, não é?”
“Claro que estou! Ela não é a mesma, você não percebe? Tem muita coisa mal entendida nessa história!”
“Então porque você a desculpou?”
“Eu não desculpei, eu estou supondo que existe uma razão acima de nossas vontades para tudo que aconteceu. Ela está sofrendo, e o único jeito de mudar isso é estando do lado dela, quem sabe assim ela não volta a ser a de antes. Eu não quero vê-la sofrendo, eu amei essa garota, eu amo essa garota. Mas isso não muda o que aconteceu. Mas eu nunca quero ter que sentir de novo o que eu senti quando ela foi embora.”
“! Você não gosta dessa , ela é um saco.”
“Mas foi ela que ficou do meu lado esse tempo todo.” terminou o assunto.
“Nós vamos arrumar essa bagunça, hoje a noite.” resmungou no ouvido de .
“Cadê ela agora?” perguntou.
“O Matt veio buscá-la, eles têm um jantar de família ou alguma coisa assim.”
Matt era o irmão mais velho de , sempre foi muito simpático, mas nunca andou no mesmo grupo deles.
“Como ele está?” perguntou.
“Drogado, como sempre.” respondeu.
“Não fala assim! Ele é legal.”
“Sei lá.” deu de ombros.
Duas horas depois todos já tinham bebido demais, estavam deitados na grama, olhando para o céu, resmungando coisas sem sentido.
“Tenho que ir” disse.
“Eu te levo.” levantou.
“, Super Garotas mais tarde, em? Não esquece!” A amiga se despediu.
“Super Garotas?” riu.
“Vocês ainda fazem isso?” perguntou.
“Só em ocasiões especiais.” respondeu.
“Nós devíamos fazer o Super Garotos um dia desses, tipo, O Retorno.” disse sério.
“Cara, o Super Garotos virou McFly, não sei se eu ia aguentar gastar mais horas da minha vida com vocês.” falou irônico.
“Valeu a consideração!” respondeu.
“Disponha.”
“?” chamou depois de vários minutos em silêncio, já estava dormindo.
“Hum?” resmungou, abrindo os olhos que estavam fechados.
“Você devia vir com a gente no próximo show.” Ele disse calmo.
“Tem certeza?”
“Aham, vai ser legal ter você por perto.”
“Eu não sei se ainda sei como funcionam essas coisas.” riu.
“Funciona o que? Um show?” perguntou. “Trem um palco, a gente sobe e toca, depois desce e vai embora, não é tão complicado.”
“Vou fingir que não ouvi isso.” rolou os olhos “Mas eu nunca vi vocês fazendo um show grande, e agora vocês só fazem shows enormes, vai ser estranho.”
“Você não quer vir, é isso?”
“Ela não conhece nossas músicas novas, cara. Tá com medo de ficar perdida.” falou.
virou a cabeça olhando para o garoto.
“Eu reconheceria uma musica escrita por vocês mesmo que eu nunca tivesse ouvido e outras pessoas estivessem tocando. Eu conheço o McFly de trás pra frente.” falou olhando para .
“Será? Isso foi há quatro anos.” olhou para ela. sabia que ele estava simplesmente provocando-a.
Ela se levantou e olhou para .
“Pode por meu nome na lista, no próximo show, eu estarei lá.” A garota disse e saiu, não sem antes fazer uma careta para que riu.
Quando estava entrando na casa, ouviu perguntar:
“Ela não conhece as músicas mesmo?”
“Não sei, talvez não.” respondeu.
“Eu sabia.” Ele bufou. “Mas sabe, no fundo eu tinha esperança que ela tivesse ouvindo, se ela tivesse ouvido ela teria entendido o recado.”
“Que recado? O nosso ou o seu?” perguntou.
“Os dois.”
“Seus recados eram bem depressivos, , se ela está mal agora, imagina se ela tivesse ouvido as músicas?” disse “É melhor assim.”
“Eu estou confuso. Eu não sei o que fazer.” se sentou.
assistia a cena escondida atrás da cortina da sala.
“Nem ela, meu amigo, nem ela. Eu não sei o que a gente fez, mas a gente bagunçou a vida dela pra caramba.” dava palmadinhas no ombro do amigo.
“Pra caramba.” repetiu.
Os dois levantaram e correu para o quarto, antes que fosse pega.
“I never meant the things I said to make you cry can I say I’m sorry?” (“Nunca quis dizer as coisas que eu disse para fazer você chorar, posso dizer que sinto muito?”) cantarolou baixinho em seu quarto “Ah, se vocês soubessem.” Balançou a cabeça e sorriu fraco.
Capitulo 6
ficou deitada em sua cama até as duas horas da madrugada, seus olhos estavam fechados, mas ela estava se controlando para não dormir. A garota tentou não pensar em nada, quanto mais ela pensasse, mais chances existiam de desistir de contar a verdade para as amigas.
Quando saiu da cama a casa estava em total silêncio, ela pegou o laptop em cima de sua escrivaninha, sua bolsa, um casaco e de dentro da primeira gaveta de sua cômoda um walk-talk cor de rosa.
“Super Garotas na escuta?” perguntou no walk-talk, rindo e se sentindo ridícula.
“Finalmente!” A voz de respondeu.
“Onde vai ser?” perguntou.
“No lugar de sempre, em 15 minutos.” falou “Câmbio desligo.”
A garota não conseguia parar de rir com a situação. As Super Garotas era o grupo que , , e tinham formado. Toda vez que alguém fazia um chamado no walk-talk era por que precisava de ajuda. Em contrapartida , , e formaram os Super Garotos que não durou muito, já que pouco tempo depois eles formaram o McFly.
atravessou andou até o final da rua e entrou em um parquinho, que estava deserto. A garota andou até uma árvore de tronco grosso, olhou para cima e viu a casa da árvore onde elas sempre se encontravam. Jogou sua bolsa para dentro e subiu a escada, em seguida começou a ligar o computador.
“Será que vai conectar?” perguntou subindo a escada e entrando na casinha de madeira.
“Espero que sim, vou tentar entrar pela rede de alguma casa próxima.” respondeu.
“Cadê a ? Ela sabe fazer essas coisas.”
“Chamaram-me?” perguntou subindo com dificuldade para dentro da casinha. “Isso está meio apertado.” Ela riu tentando ficar em pé, mas era impossível.
“A gente quer chamar a na webcam.” falou enquanto e se cumprimentavam.
“Deixa-me ver.” puxou o laptop para ela.
Alguns minutos depois falou “Pronto! ? Ta conseguindo nos ver?”
“Sim! Tudo certo! Mas, pra que isso? Super Garotas? Nem lembro a última vez que nós fizemos isso!” viu falar na tela do computador.
“Bom,” falou “eu já vou explicar, mas antes as formalidades.”
“Você só pode estar me zuando!” riu.
“Se a gente vai fazer isso temos que fazer direito, !” falou.
As três sentaram em roda, entre e estava o Computador com o rosto de .
“Eu sei que todo mundo está com saudade, e que temos um monte de conversa pra por em dia. A foi para o Brasil há seis anos atrás, pouco a pouco perdemos o contato com a , e a está voltando agora de uma viagem de quatro anos.” disse. “Nós fomos chamadas aqui pela , e vamos fazer o que for possível para ajudá-la, dentro das regras que ela impor.”
“Obrigada .” respondeu. “Eu sei que parece ridículo fazer isso depois de tanto tempo e ainda mais quando nós não temos o contato que tínhamos antes, mas não existe ninguém que possa me ajudar se não vocês três.” A garota sorriu olhando para as amigas. “Eu preciso que vocês saibam que tudo que for dito aqui não pode ser repassado a ninguém, ninguém mesmo.”
Ela fez silêncio e as três amigas concordaram com a cabeça.
“Eu estou prestes a contar por que eu fui para o Brasil. As únicas pessoas que sabiam eram meu pai e a Annie, e eles não estão mais aqui. Eu preciso confiar em alguém, e sei que posso confiar em vocês.”
“Eu poderia jurar que você confiaria no pra uma coisa dessas.” falou.
“O , os garotos, eles não podem saber disso nunca.” respondeu “Antes deles assinarem com a gravadora, o Dennys, pai da e dono da gravadora me chamou para uma reunião. Eu não entendi e fui. Quando eu cheguei lá ele me falou que queria contratar o McFly, mas que tinha um problema, eu era muito próxima da banda. Ele disse que a banda teria muito mais apelo e faria muito mais sucesso se todos fossem solteiros, ele pediu pra que eu terminasse com o , ou que nós namorássemos escondidos. Falou que eu poderia assistir aos shows, mas não no backstage, nem acompanhá-los no camarim, ele me daria os melhores ingressos do show, mas nos primeiros anos eu ia ter que me passar por uma amiga distante da banda, a irmã postiça do baterista. E depois quando a banda já estivesse fazendo sucesso tudo voltaria ao normal.” começou a contar, atropelando as palavras antes que se arrependesse. “Sabe, talvez ele estivesse certo, principalmente nos primeiros anos, todas as fãs queriam casar com eles, se eles tivessem namoradas e tudo mais, talvez eles não tivessem feito tanto sucesso. Mas eu sabia que se contasse alguma coisa disso para qualquer um deles, eles desistiriam do contrato. Então eu decidi terminar com o , mas eu não consegui. Terminar com ele e continuar convivendo com ele, vendo ele toda semana, eu não ia conseguir. Todo mundo sabe que nós nunca fomos só amigos, você são minhas amigas, o , o , o são meus amigos. Mas o , é o .” engoliu as lágrimas. “Eu contei para os meus pais, eles falaram que eu devia contar a verdade, mas então eu iria conviver com a culpa de que estraguei o contrato com a gravadora. Então eu tive essa idéia, talvez, se eu fosse fazer intercâmbio, tudo isso pudesse ser evitado. Eu falei pro que estava pensando em fazer a viagem, ele não gostou da idéia, mas falou que se era o que eu queria, ele ia me apoiar, ia me visitar sempre que pudesse e ia ser o melhor namorado à distância que alguém pode ter. Não era o que eu tinha em mente. Então, vocês sabem o que eu fiz. Briguei com todos para que eles me esquecessem.” Ela não conseguia mais falar, as lágrimas escorreram e ela fitou o chão de madeira da casa, desviando o olhar das amigas.
Ninguém falou nada. começou a achar que as amigas não tinham ouvido.
“Que merda de história é essa?” disse.
“Eu não acredito ! Se você tivesse contato é claro que nós teríamos dado um jeito! Você não precisava ter mudado de país por que não podia namorar o ! Isso foi estúpido!” falou.
“Eu sei, mas eu me precipitei, fiquei desesperada, vocês sabem como eu sou dramática.” ainda não olhava para as amigas. “Mas quando eu percebi a besteira que tinha feito eu já estava no Brasil, se eu voltasse e contasse a verdade eles iam brigar comigo, iam brigar com a gravadora e ia ser pior.”
“Eu não acredito que você fez isso por causa da banda, tipo, você sofreu aqui por quatro anos, eu juro que achei que você tinha desenvolvido algum tipo de depressão, eu não sei o que dizer, eu não acredito, só isso.” falou.
“Mas o tá com a e a tá com o . Eles podem namorar agora?” falou.
“A banda já faz sucesso, não faz diferença agora.”
“Isso está muito estranho.” balançou a cabeça. “É claro que está, não é toda a verdade.” falou séria e olhou para ela. “Eu achei que você tinha nos chamado aqui pra falar a verdade, mas acho que perdi meu tempo.”
“, eu acabei de contar.”
“Você contou o que contou para os seus pais, mas não a verdade. Você pode ser dramática, mas se esse fosse o problema você teria dado um jeito. Você sempre deu um jeito pra tudo, desde que pudesse estar perto da banda. Tem mais coisa nessa história. E eu acho que eu sei o nome dessa coisa.”
olhou para a amiga, o coração apertado, as lágrimas caindo.
“.” falou e fechou os olhos, tentando impedir as lágrimas de continuarem caindo. “Agora tudo faz sentido. Quando a começou a sair com o eu ouvi uma conversa dela com o Matt, ‘Você fez isso de propósito, não foi? Eu tenho medo de você, você acabou com a vida da garota pra ficar com ele’, ele disse para ela. Eu não entendi, achei que uma coisa não tivesse a ver com a outra, mas isso ficou guardado na minha memória. E quando eu comecei a namorar o , o Matt me disse ‘Sabe, minha irmã sabe fazer a cabeça do meu pai direitinho, você tem sorte de gostar desse aí e não do ’. Eu achei que ele estava chapado, que não estava falando coisa com coisa, mas ele sabia muito bem o que estava dizendo. A fez o pai colocar essa regra ridícula deles não poderem namorar, depois fez o pai tirar essa regra quando você já estava longe para poder ficar com o . Mas no meio disso ela falou com você não foi? Ela te obrigou!”
estava na frente da casa de Matt, esperando o garoto trazer um livro que ela tinha emprestado para ele.
“Já decidiu o que vai fazer?” perguntou saindo da casa.
“Sim, namorar escondido pode ser bem legal, sabe, apimenta a relação.” respondeu.
“Eu não gosto dessa decisão.”
“Você não tem que gostar de nada.” falou.
“Acho que tenho sim, sabe, meu pai muda de idéia muito fácil. Se eu falar pra ele que não gosto desses garotos, que eles me tratam mal, esse tipo de coisa, ele muda de idéia e não contrata ninguém” riu.
“Você não faria isso.” balançou a cabeça incrédula.
“Não farei, se você sumir daqui. Sei lá vai pro Cazaquistão! Eu quero você longe do , o mais longe possível, ou meu pai vai ter que mudar de idéia.” voltou para dentro da casa.
demorou para entender, ela não podia estar falando sério.
“Está aqui!” Matt saiu com o livro na mão. “O que foi?”
“Matt, seu pai mudaria de idéia por que sua irmã quer?” perguntou.
“Meu pai? Ele mudaria de nome se minha irmã quisesse.”
abriu os olhos, essa lembrança era apenas a primeira conversa que tinha tido com sobre o assunto, depois desse dia, sua vida virou um inferno.
“Ela me perseguiu.” começou a falar. “Ela disse coisas horríveis sobre eu achar que todo mundo gostava de mim, sobre como a banda nunca assinaria contrato, sobre minha mãe. A voz dela me perseguia dia e noite, muitas vezes eu acreditei nas coisas que ela disse e me senti uma pessoa horrível. E então ela não precisou forçar muito. Eu realmente acreditei que não estava ajudando os garotos em nada ficando aqui.”
“E você não ia contar isso?” perguntou, dessa vez, com a voz calma.
não respondeu.
“Eu não tinha que ter ido embora , a decisão foi minha, a pode ter feito qualquer coisa, mas no final, eu que fui embora, não tive coragem de encarar a situação. Fiz o que minha mãe fez.”
“, você não é a sua mãe!” falou séria, mas ficou em silêncio.
“Deixa eu ver se eu entendi,” falou “O Dennys falou com você, você decidiu namorar escondido. Antes de conseguir falar com os meninos a te chantageou. Como você não conseguia terminar com o inventou a história do intercâmbio, falou pro e ele continuou querendo ficar com você. Aí então, você fez aquele barraco.”
“Resumindo.” respondeu.
“Essa garota precisa aprender algumas coisas.” falou.
“Com certeza.” respondeu. “Acho que vou visitar vocês, amigas.”
“A gente vai arrumar um jeito de contar a verdade , sem atrapalhar a banda, fica tranqüila.” falou.
“Obrigada gente.” olhou para todas.
“, quando você consegue vir pra cá?” perguntou.
“Preciso de pelo menos 10 dias.”
“Tudo bem, em dez dias a gente se encontra aqui para falar sobre o assunto, tragam seus planos!”
“Estou me sentindo diabólica!” falou e todas riram, menos .
“O que foi?” perguntou.
“Eu não sei, não sei se é certo.”
“! A garota fez da sua vida um inferno! O mínimo que a gente pode fazer, é o mesmo com a vida dela! Agora você realmente está sendo dramática! Pode parar, é hora da gente se divertir!” respondeu.
“É uma regra!” falou. “Todas as Super Garotas que voltarem aqui em 10 dias tem que se divertir, nem mais uma lágrima!”
“Certo?” perguntou.
“Certo!” respondeu sorrindo.
Depois contou todas as conversas que teve com os meninos e principalmente com e desde que tinha voltado, contou da aparição de no seu quarto e dos seus sonhos.
“O está tão mal,” começou “ele não é a mesma pessoa, vocês nem reconheceriam.” Ela falou para e .
“Sabe, eu acho que as coisas nunca vão ser iguais. Eu fico dizendo que ainda o amo e todo mundo diz que ele ainda gosta de mim. Mas nós não nos conhecemos mais.” falou, finalmente aceitando a situação. “Eu tenho que parar de me culpar, por mais que eu tenha ido embora por que quis, por mais que eu tenha mentido, por mais que eu tenha escondido a verdade de todo mundo, eu fiz isso por eles. De um jeito maluco, mas fiz.”
“Você realmente fez, quem sabe onde a banda estaria se você tivesse ficado. O que passou, passou.” disse.
“E todo mundo sempre soube que você era maluca .” falou “Lembra daquele dia no lago? Eu achei que você fosse ficar pelada!” Todas riram, e lembrou muito bem da cena.
Era um dia de sol, fazia mais calor do que o normal. , , e estavam deitadas em baixo de uma árvore. De repente quatro garotos surgiram correndo pela viela, passaram correndo e não as viram. assobiou alto. e viraram enquanto e continuaram correndo tiraram as camisetas e mergulharam no lago.
Eles estavam com mais ou menos 15 anos. segurava um cigarro e virou assustado para olhar quem havia assobiado.
“Ah, são vocês.” falou voltando a tirar o sapato e a camiseta.
“Era pra você estar na aula irmãozinho.” falou olhando pra , que estava vermelho.
“Ele está fumando? Aí, meu, não digo que ele é fedido!” disse rindo para .
“Você também tinha que estar na aula.” falou jogando o cigarro fora, ainda mais envergonhado.
“Vem pra cá !” gritou do lago.
“Vocês também deviam vir.” gritou para as garotas.
“E o que eu ganho com isso?” perguntou ficando em pé.
“Você?” olhou para garota mordendo os lábios “Qualquer coisa.”
“Nem pensa nisso , a gente está sem biquíni.” falou.
fitou as amigas.
“Não, , por favor.” falou.
sorriu e começou a tirar a roupa ficando só de calcinha e sutiã.
“E aí vai ela.” balançou a cabeça e colocou os óculos escuros.
“Essa é minha garota!” gritou do lago.
“Ela é só minha, .” respondeu.
saiu correndo e mergulhou no lago. Em um segundo estava abraçada a .
“Eu quero mil beijos.” Disse para o garoto.
“Só?” sorriu.
passou a mão pelo rosto molhado do garoto “Senti sua falta.”
“A gente não se vê há 16 horas!” disse olhando o relógio “É uma eternidade.” Disse sarcástico.
“É melhor você começar a me beijar se não vou arrumar um namorado mais presente.” olhou de lado para .
“Ele nunca te amaria como eu amo.” disse e seus lábios se encontraram num beijo macio e leve.
“!!! Alô??? Está aqui?” estalava os dedos no rosto da garota.
“Ai, desculpa, eu estava lembrando daquele dia.” Ela sorriu.
O sol estava quase nascendo quando chegou em casa, ela entrou no seu quarto mas não quis ficar ali, parecia vazio. Foi para o quarto de Molly. Pela primeira vez a garota realmente enxergou o quarto da irmã, ela nunca tinha parado para reparar os detalhes. Os móveis estavam colocados nos mesmos lugares que os de , as paredes estavam cheias de pôsteres do McFly. Mesmo no escuro ela conseguiu ver o rosto dos amigos e sorriu.
Molly estava dormindo profundamente, deitou na cama com cuidado para não acordá-la e então, pela primeira vez não teve pesadelos, não teve sonhos, simplesmente dormiu.
Capitulo 7
No dia seguinte suas malas chegaram e ela passou a manhã arrumando todas as suas coisas com e .
“O que é isso?” perguntou apontando para a caixa rosa.
“Nada.” respondeu e correu até a caixa, mas quando a alcançou já estava abrindo-a.
“Eu sabia!” gritou.
“Você tem problemas.” falou.
“Ela não tem problemas, eu tenho uma igual!” falou e as três riram.
“Não conta pra eles, tá?” Pediu .
“Por que não?” perguntou.
“Quando nós tivermos um plano, a gente decide o que vai fazer, antes disso, não.”
“?” bateu a porta do quarto.
“Entra !” disse e entrou com .
“Ah, são vocês, achei que a tava falando sozinha.” falou.
“Besta.” riu.
“Vocês querem sair? A gente ta pensando em almoçar no Thunders.” perguntou.
“Claro!” falou. “Vou ligar pro .”
“ você lembra da ?” perguntou.
“Claro! A gente...”
“Se encontrou esses dias, ahn, no parque! Eu tava brincando com meu irmão e nos encontramos.” disse.
“O que é que você estava fazendo no parque?” perguntou para .
“Sabe que eu não sei!" respondeu.
“Naná, vamos almoçar fora! Cadê a Molly?” perguntou entrando na cozinha.
“Ela está no parquinho brincando.” Naná respondeu.
“Tudo bem então, fala que a gente deixou um beijo, e que à noite jantamos com ela.” pediu.
“Aviso sim. Comam direito!” Naná disse, olhando mais pra do que pra qualquer outro.
“Vamos sim.” sorriu “Ah! Naná, depois eu acabo de arrumar minhas coisas, não se preocupe com a bagunça!” Falou saindo da casa.
“O vai nos encontrar lá.” disse entrando no carro.
“O também.” disse.
“Como foi o Super Garotas?” perguntou.
“Fizemos algum progresso.” respondeu piscando pra .
“, vamos no meu carro.” falou.
“Tá.” respondeu saindo do carro do , onde tinha acabado de entrar, sem entender.
“A gente se vê lá, cara!” Ele falou pro e seguiu para garagem com .
“O que foi?” perguntou.
“Você contou pra elas.” Ele parou de andar e olhou pra a garota.
“Contei o que?” perguntou sem acreditar.
“Por que você foi embora.” Ele disse. “Você acordou bem mais tranquila, quer dizer que não teve pesadelos.”
“Que?”
“‘Que?’ Pára com isso. Você sabe o que eu estou falando.” Ele bufou.
“Eu confio em você, . Mais do que eu confio em qualquer outra pessoa.” disse séria olhando para o garoto.
“Então porque você não me conta?”
“, qualquer que seja o motivo, você tem que entender que não é porque eu não confie em você. Você é meu melhor amigo. Não são quatro anos que vão mudar isso.”
“Jura? Jura que você ainda é a mesma?” perguntou.
“Eu não sou a mesma , mas eu juro que entre a gente, não mudou nada.” sorriu.
abraçou a garota.
“A gente vai achar um jeito de por tudo no lugar, de ser como antes.” Ele falou.
“! Eu estou com fome!” falou rindo e os dois entraram no carro. “Eu tenho duas coisas pra te contar, melhor amigo.”
“O que?” olhou para o lado.
“Eu tive uma conversa com o . Ele vai me aturar.”
“Como ele vai fazer isso? Você é a maior chata!”
“Besta.” riu.
“‘Besta’” imitou a menina e os dois riram. “Qual a segunda coisa?”
“A vai passar um tempo aqui.”
“Aqui onde?” Ele perguntou assustado.
“Aqui, aqui. Na nossa casa.” olhou para o garoto esperando alguma reação.
“Tá, tá, tá, tudo bem, você tem que falar com a Naná organizar tudo.” O garoto falou ficando vermelho.
“E tem mais uma coisa.”
“O que?” olhou para o lado.
“Ela vai dormir no seu quarto.”
“O que?” pisou com força no freio e, se não fosse pelo cinto de segurança teria voado para frente. “Como assim? Você não pode fazer isso!”
“Calma! É brincadeira!” falou rindo, mas de olhos arregalados.
“Você é louca! Eu podia ter batido o carro!” falou sério.
“Eu não falei nada demais.”
“Que seja.” desconversou.
Eles chegaram ao restaurante pouco tempo depois. ainda não estava lá, mas estava sentado esperando os amigos.
“Hey!” Disse quando os outros se aproximaram.
Todos cumprimentaram o garoto e se sentaram.
“O que ele queria?” perguntou baixinho para .
“Ele sabe que eu contei.”
“Ele ficou chateado?” perguntou entrando na conversa.
“Espero que não.” A garota respondeu com sinceridade.
“Que saco!” chegou irritado.
“Eles não gostaram?” perguntou.
“Não! Eu não sei mais o que fazer, eles não gostam de nada!”
e se entreolharam.
“Desculpa cara, eu sei que a gente não está ajudando muito.” falou.
“O problema não é esse, eles não iam gostar de nada que vocês escrevessem também. Eles querem que a gente tenha 17 anos de novo, e escreva o mesmo tipo de música.” falou.
“A gravadora, o foi em uma reunião, apresentar uma demo.” cochichou para e .
“?” alguém chamou.
olhou para o lado, um garoto bronzeado e com olhos claros olhava para ela.
“Matt!” levantou e abraçou o garoto.
“Eu não acredito. Você, aqui! Você está linda!”
“Idiota.” cochichou.
“Oi pra vocês.” Matt falou olhando para as pessoas na mesa.
“Como você está?” perguntou.
“Ah, tudo bem. Vamos combinar de sair, fazer alguma coisa.”
“Claro!” A garota sorriu.
“, você vai almoçar?” perguntou, sério.
“Tenho que ir.” Falou para Matt.
“Eu sei, anota meu celular.” O garoto falou o número e anotou.
“Quanta educação!” Falou voltando a sentar.
“Ele é um babaca.” disse fazendo careta.
“Ele é muito legal, vocês que nunca deram chance pra ele.”
“E nem vamos dar.” respondeu.
“Grossos.” cruzou os braços.
“Não é grosseria, mas nós gostamos de selecionar melhor nossas amizades.” olhou para a garota sorrindo irônico.
“Sua seleção deve ser muito boa mesmo, você namora a .” respondeu.
teve um ataque de tosse, e disfarçaram uma risada e ficou mudo.
“Ela está certa, cara.” falou dando tapinhas no ombro do amigo.
“Um a zero. , você perdeu.” riu.
“Cala a boca, .” disse sério.
“Você não precisava ter dito aquilo.” falou só para quando estavam saindo do restaurante.
“Ele disse que nós seríamos amigos, eu não vou ficar medindo as palavras. Eu nunca fiz isso. Só estou sendo eu mesma.”
“Você é má, muito má!” riu.
“Quem vai com quem?” perguntou.
“Ah, você pode me dar uma carona ?” perguntou.
“Claro! Vamos!” Antes que alguém pudesse dizer alguma coisa os dois já estavam dentro do carro e indo embora.
“Eles estão se pegando, né?” perguntou.
“Certeza.” respondeu.
“Vamos, amor?” disse.
“'Vamos, amor?' Quanta melação!” riu.
“Vai ver se eu estou na esquina, !” rolou os olhos “Tchau amiga, tchau !”
“Vamos?” olhou para .
“Na verdade eu tenho que dar uma passada numa loja, preciso comprar umas coisas. Mas o vai pra casa, não vai?” Ele olhou para o amigo.
“Ahn, vou, eu vou usar o estúdio, tive umas ideias. Pode vir comigo se quiser.”
“Tudo bem.” respondeu sem graça.
Era estranho estar ali, sentada a alguns centímetros de . Dentro do carro dele, com o cheiro dele. Em total silêncio. Há alguns dias eles mal conseguiam se olhar. 'Como as coisas mudam rápido', pensou. Ela não estava se sentindo mal de estar ali, mas ainda faltava alguma coisa. Qualquer um que olhasse aquele carro perceberia o quanto eles estavam desconfortáveis.
“Pode ligar o rádio se quiser.” falou.
“Ah, não, tudo bem, não precisa.” respondeu sem jeito. “Desculpa pelo que eu falei no restaurante, eu devia ter pensado antes de falar.”
“Pensar antes de falar?” riu. “O que eu mais gosto em você é que você fala tudo que você sente. Eu não fiquei chateado.” E então ele segurou a mão da garota, que estava apoiada no banco.
“O que é isso, ?” falou puxando sua mão. “O que você está fazendo?”
“Desculpa, eu não devia...”
“Você está namorando. Você deixou claro que me queria como amiga, que não confiava em mim.”
“Eu não disse que não confiava em você.” falou depressa.
“Não disse pra mim. , todo mundo sabe. Por mais que a gente queira, não dá pra fingir que nada aconteceu. Nós mudamos, você mudou. Eu mudei.”
“Que confusão.” falou e os dois ficaram em silêncio.
“Você acha que a gente ainda combina. Quer dizer, eu ainda te amo, mas eu amo o que você era. Você acha que hoje, a gente ainda daria certo?” perguntou.
“Eu não sei. Uma vez eu li que quando um casal fica muito tempo afastado, quando voltam a se encontrar eles sentem necessidade de ficar juntos, mas que pouco tempo depois aquilo acaba, a vontade acaba e vai cada um pro seu lado.”
“Eu não quero que você vá pra um lado diferente do meu.” falou.
“É por isso que nós vamos ser só amigos, não é?” perguntou.
“Acho que sim.” respondeu. “Mas nós somos péssimos nisso, olha só, a gente já está discutindo a relação!” Os dois riram.
Eles chegaram em casa e foi direto pro estúdio, procurou Molly e Naná pela casa, mas ninguém estava. Então foi para o seu quarto, terminar de arrumar suas coisas. Uma hora e meia depois terminou de arrumar o quarto, uma chuva horrivelmente forte caia do lado de fora da janela. Seu celular tocou.
“Alô?”
“? É a Naná, está chovendo muito, não vou voltar com a Molly agora, a estrada está perigosa. Estamos na casa de uma amiguinha dela. Ela vai jantar aqui.”
“Ah, tudo bem. É melhor, voltem quando a chuva passar!”
“Tem comida na geladeira se você quiser jantar!”
“Tudo bem Naná! Obrigada!” desligou e ligou para .
“? Onde você está?”
“Oi querida, parei na casa do , a rua alagou, não tem como passar!”
“Jura? Nossa!” ficou preocupada.
“O ainda está ai?” perguntou.
“Acho que sim.” olhou para o estúdio, no fundo do jardim, pela janela do quarto.
“Manda ele sair do estúdio! A porta é eletrônica, se acabar a energia ele vai ficar preso lá dentro.”
“Ok, vou fazer isso.” desligou e desceu as escadas.
“Saco!” Falou olhando para o jardim, a chuva estava enorme.
procurou em alguns lugares, mas não conseguiu encontrar nenhum guarda-chuva. Decidiu correr. Abriu a porta e correu para o estúdio. A garota estava descalça e ela podia sentir a grama molhada, as gotas grossas caiam mas não chagavam a machucar, e ela podia sentir seu cabelo ficando cada vez mais molhado.
“! !” bateu na porta.
A porta abriu e entrou correndo e rindo.
“Nossa! O que foi isso?” Ele falou olhando para a garota toda molhada.
“O falou pra você entrar, está caindo o mundo e se acabar a energia você fica preso aqui!”
“Por que você não me ligou?” perguntou rindo.
“Droga! Nem pensei nisso” se sentiu estúpida.
O barulho de um grande trovão interrompeu a conversa.
“Vamos, se não nós dois vamos ficar presos!” falou. “Quer minha blusa?”
“! O que é um casaco pra que já está molhada?” Ela riu.
“No três eu abro a porta e a gente corre.”
“Calma! Você gravou alguma coisa?” perguntou.
“Aham.”
“Eu quero ouvir.” Ela olhou para o garoto.
“Não é muito bom.” Ele balançou a cabeça.
“Por favor?” pediu.
“Eu levo e você ouve lá dentro, pode ser?” Ele falou pegando o CD e colocando no bolso.
“Tudo bem.” sorriu.
“No três” começou. “Um, dois, três!” Ele abriu a porta e os dois saíram correndo.
estava ao lado da garota, os dois riam, mas, de repente, parou de correr.
“O que foi?” perguntou rindo e olhando para trás.
“Qual o objetivo de correr? Não adianta nada, estamos encharcados.”
“Agora nós estamos, você parou de correr, e me fez parar!” riu.
estava olhando para garota sorrindo, ele estava encharcado, a jaqueta estava pesada, por baixo a camiseta branca estava transparente e seu tênis estava todo sujo. O garoto tirou a jaqueta e jogou no chão, depois tirou a camiseta, o tênis e a calça jeans.
“! O que você está fazendo?” gritou.
Ele estava de samba-canção azul, listrada de branco. Olhou para a garota, saiu correndo e pulou na piscina.
Outro trovão.
“! A gente tem que entrar!” gritou de novo.
saiu da piscina e foi até a garota, a cada passo que ele dava o coração da garota disparava mais, ele estava maravilhoso. De cueca na chuva.
“...” Ela tentou falar.
“Você tem que entrar.” O garoto falou, tão perto que podia sentir sua respiração. “Na piscina.” Ele sorriu e pôs a mão na cintura da garota, a mão escorregou para debaixo da blusa e ele a levantou, tirando-a.
“, e se depois disso tudo acabar?”
“A gente finge que isso nunca aconteceu, que foi um sonho, mas eu preciso de você.”
não esperou mais, seu corpo estava falando e ela deixou que ele a controlasse. Seus lábios encontraram os do garoto num beijo firme. puxou a garota pra perto e intensificou o beijo enquanto desabotoava a calça da garota. A calça caiu. quebrou o beijo e pegou a garota no colo. Os dois entraram na casa.
“Achei que a gente ia pra piscina.” riu voltando a beijar o garoto.
“A gente já está molhado.” respondeu num sussurro.
Os dois iam se beijando e subindo as escadas, sem ligar para a casa, que ficava toda molhada. Quando chegaram ao quarto deitou na cama.
Mais um trovão. A energia acabou e o quarto ficou iluminado por uma leve iluminação que entrava pela janela. beijou os pés da garota, a perna, subindo por todo seu corpo.
Os dois se beijavam intensamente, arranhava as costas do garoto. As roupas de baixo estavam caídas no chão.
Capitulo 8
estava enxugando o chão da sala e todo o caminho que seguia até seu quarto enquanto estava no jardim recolhendo as roupas que haviam ficado no chão. A chuva tinha passado, Naná estava voltando para casa.
“Onde eu ponho?” entrou na casa com as roupas na mão.
“Põe na lavanderia.” respondeu terminando de enxugar o chão e arremessando o pano para o garoto. “Coloca esse lá também.”
“Folgada.” respondeu balançando a cabeça e riu.
voltou para o quarto e começou a arrumar a cama, ela estava vestida com um shorts e uma camiseta, roupa de ficar em casa. entrou no quarto, o garoto ainda vestia só a samba canção.
“Está arrumando por quê? A gente ainda vai usar!” O garoto falou puxando a garota pra perto dele.
“, o está chegando, a Molly está chegando, a Naná está chegando, você tem que ir.”
“Me deixa ficar?” fez bico.
“A gente não pode deixar que isso fique sério, eu não quero te perder.” falou dando um selinho no garoto.
“, eu já tenho uma namorada...” fez careta. “Você é minha amante!” A garota riu irônica.
“Promete que você vai estar sempre aqui, nem que seja como amigo?” perguntou.
“Eu sempre estou aqui, é você quem fica mentindo e fugindo de mim.” Ele olhou nos olhos da garota. “E eu só posso ser seu amigo se isso significar que eu posso te beijar sempre que eu quiser.” beijou de leve a orelha da garota.
Os dois se abraçaram.
“Me deixa ouvir a música?” perguntou lembrando do motivo pelo qual o garoto veio pra sua casa.
“...”
“!”
O garoto rolou os olhos e foi até o computador da garota.
“Calma, tem que ligar.” falou, sentou no colo do garoto e os dois se beijaram intensamente.
“Uau!” O garoto suspirou.
“Põe logo isso!” riu.
“Não adianta falar que está ruim, você sabe que eu sou péssimo pra escrever, pra gravar e pra tocar.” se defendeu colocando o CD no computador.
“Besta.” balançou a cabeça.
A música começou a tocar, fitava a tela do computador e olhava para o rosto da garota esperando qualquer tipo de reação. Era uma música lenta, apenas voz e violão, com uma gravação bem caseira, afinal, foi gravada nos fundos da casa da garota. A letra fez sorrir:
“Do you love me? (Você me ama?)
Do you need a little time? (Você precisa de algum tempo?)
Do you want me, to hold you when you cry? (Você quer que eu, te abrace quando você chorar?)
Do you love me? (Você me ama?)
Don't want to hear you say maybe (Não quero ouvir ‘talvez’)
Won't you tell me do you love me? (Você não vai dizer se me ama?)
I need to know (Eu preciso saber)
I'm making a list (Estou fazendo uma lista)
Of the things that I missed (Das coisas que eu senti falta)
When you left me behind (Quando você me deixa)
The way that you kiss (O jeito que você beija)
The taste of your lips (O gosto dos seus lábios)
I'm telling you from the heart (Estou falando de coração)
I really need to know (Eu realmente preciso saber)
Do you love me? (Você me ama?)
Do you feel it in your bones? (Você está sentindo nos seus ossos?)
Do you dream about me, when you're sleeping on your own? (Você sonha comigo, quando dorme sozinha?)
So, do you love me? (Então, você me ama?)
I need to know (Eu preciso saber).”
A música acabou e olhou para o garoto.
“Eu sei que não está boa, mas eu queria ajudar, o e o não estão ficando cada vez mais desanimados com a gravadora rejeitando todas as nossas músicas.” Ele falou, sem olhar diretamente para a garota. “Mas, vou mostrar pra eles e então a gente faz as alterações na letra e na melodia, não sei...” Ele olhou pra garota “É pra você, é sempre pra você.”
“Acho que podia ser um pouco mais animada.” falou olhando para o computador.
“Por quê?” olhou pra menina.
“Porque você já sabe a resposta.” respondeu.
“Eu sei?” Ele perguntou e os dois trocaram olhares.
“Sabe.”
“Quando você foi embora você disse que não me amava e se você me amasse não teria me deixado.” olhou para a garota.
“Eu te amo, e por isso eu fui embora, não duvida disso, tá?” falou e abraçou forte o garoto.
“Eu odeio essa conversa.” falou e envolveu a garota em seus braços.
O barulho de carro assustou , os dois pularam da cadeira.
“Saco!” murmurou.
“Eu preciso de roupas.” falou rindo.
“Seu carro não está na frente de casa, não é?” perguntou pensando em todos as brechas.
“Não, eu coloquei ele na rua de trás como você pediu, inclusive uma velhinha ficou gritando comigo, falando que eu devia ser preso por andar só de cueca.”
“!”
“O que foi? Minha roupa está encharcada!”
ouviu a porta da sala abrir.
“Direto pro banho Molly!” Naná gritou pra menina que já ia subindo a escada.
“Entra no banheiro!” empurrou o garoto. “Shhhh!” fez quando ele abriu a boca para falar.
entrou no banheiro e fechou a porta.
“Oi !” Molly entrou no quarto.
“Oi Molly! Como foi seu dia?” sentou na cama com a irmã de costas para a porta do banheiro.
“Foi bom, mas que chuva, em?!” Molly olhou para a irmã.
“Verdade.” riu da menina que fazia cara de gente grande.
“Molly! Banho!” Naná entrou no quarto “Oi querida, tudo certo por aqui?” Falou para .
“Tudo sim.”
Um barulho enorme de coisas caindo veio do banheiro. fechou os olhos apertados ouvindo o barulho.
“Mas o que foi isso?” Naná foi até o banheiro.
“É um marimbondo gigante que entrou pela janela!” correu impedindo que ela abrisse a porta. “Não consegui matá-lo, fechei a porta pra ele não vir pro quarto, depois eu vejo se tem veneno lá em baixo.”
“Marimbondo?” Naná perguntou. “Estranho, vou mandar o jardineiro ver se tem algum casulo em algum lugar perto da sua janela, estranho.”
“Ah! Ótimo.” não saiu de frente da porta do banheiro.
“Tem veneno na dispensa.”
“Ok, obrigada, vou pegar.” ficou parada.
“O não vai vir pra casa, me ligou e avisou que vai ter uma reunião e depois vai dormir na casa do . Você já jantou?”
“Ahn, não.”
“Vou pedir uma pizza, pode ser? Eu e a Molly já comemos.”
“Pode ser sim.” concordou.
“Vem Molly, já está tarde, banho e cama!”
“Ai, que saco.” Molly reclamou.
“Boa noite Molly!” deu um beijo na irmã.
As duas saíram do quarto.
A porta do banheiro se abriu.
“Eu também quero pizza! Estou morto de fome!” sussurrou.
“Fecha essa porta!”
“Naná!” saiu do quarto.
“Oi!” Naná estava na porta do quarto de Molly.
“Pode ir descansar se quiser, pode deixar que eu peço a pizza!”
“Tem certeza?” Naná perguntou.
“Tenho sim, obrigada.” sorriu.
“Tudo bem então, o dia foi cansativo, estou mesmo precisando dormir. Tem dinheiro na gaveta da cozinha.”
“Obrigada.” agradeceu
“Boa noite querida.”
“Boa noite.”
entrou no quarto e fechou a porta. Abriu a porta do banheiro e chamou .
“Vou poder ficar?” sorriu.
“Mas vai ter que falar baixo!” falou para o garoto que fez cara de anjo. “O que é que aconteceu aqui dentro?” A garota entrou no banheiro, mas a puxou para fora.
“Nada, nada, já arrumei.”
“Arrumou o que?” tentou entrar mas fechou a porta.
Vinte minutos depois, desceu para pegar a pizza. A arrumou com guardanapos em uma bandeja e voltou para o quarto.
“Eba!” pulou da cama e ajudou a garota com a bandeja.
“Que reunião é essa que o foi?” perguntou começando a comer.
“Não faço a mínima idéia, achei estranho também.”
“Vocês costumavam ir todos juntos nessas reuniões.” comentou.
“Eu sei.” limpou a boca com o guardanapo. “Mas está todo mundo tão desanimado que ninguém mais se importa.”
“Vocês não deviam estar assim, vocês estão realizando um sonho.”
“Que sonho é esse que a gente tem que fazer o que os outro querem?”
“Pelo menos vocês estão juntos.” disse
Os dois continuaram conversando sobre a banda, continuava dizendo que eles estavam cansados da gravadora, e que estava cada vez mais chato tocar as mesmas músicas.
“Se nós pudéssemos tocar músicas novas ia ser até divertido tocar as antigas, mas ficar tocando só as antigas não faz sentido.” O garoto reclamou.
entendia o que o garoto queria dizer, mas estava ficando preocupada, pois, não só , mas todos eles, estavam tão desanimados. A garota tinha medo que eles estragassem tudo.
“De qualquer forma, as músicas são lindas.” falou mordendo o último pedaço da pizza.
“Como se você conhecesse.” fez careta.
“É a única coisa que eu ouço em quatro anos.”
“Você não está falando sério.”
“Está bem, não é a única coisa que eu ouvi, mas que eu ouvi bastante, ouvi.” riu.
“Ah é? Então qual a sua favorita?” provocou.
“Todas que você escreveu.” falou séria.
“Como você sabe quais eu escrevi sozinho e quais eu tive ajuda?”
“Nas que você escreveu sozinho fica bem claro o quanto você me odeia.” riu, ficou sério.
“, eu não quis dizer aquelas coisas, viu, por isso que não queremos tocar essas músicas.”
“Claro que você quis dizer , e eu não estou brava, você escreveu o que estava sentindo e ficou lindo. Você devia sentir orgulho.” olhou fundo nos olhos do garoto. “Sabe, acho que foi até bom eu ter ido embora, essas músicas não existiriam se eu estivesse aqui.”
“Você faz tanto drama que eu aposto que existiriam!” riu.
“Eu faço drama? Você que faz!” fez careta e riu ainda mais.
levou a bandeja de volta para a cozinha, no caminho de volta sentiu um aperto no peito e uma tontura, por alguns segundos achou que não fosse conseguir subir as escadas. Chegou ao quarto, estava deitado na cama.
“Nossa, eu estava realmente com fome.” falou, não respondeu. “O que você tem?” Ele olhou pra garota.
“Não sei.” balançou a cabeça “Eu não estou me sentindo bem, como se alguma coisa ruim fosse acontecer.”
“O que mais pode acontecer com a gente? Acho que já sofremos tudo que tínhamos pra sofrer por uma vida.” chamou a garota para cama, ela deitou e encostou a cabeça no peito do garoto.
“Eu não estou falando de nós, apesar de não achar que está tudo bem.”
“O que você quer dizer com ‘apesar de não achar que está tudo bem’?” fez careta.
“, eu sei que você não me perdoou.”
Os dois ficaram em silêncio por alguns minutos. A respiração da garota começou a ficar cada vez mais acelerada, e começou a ficar preocupado.
“, você está bem?”
“Não, tem alguma coisa acontecendo , eu tenho certeza.” se virou para olhar o garoto.
“O que? O que você está sentindo?”
“Não sei, uma angústia.” Uma lágrima rolou pelos olhos da garota.
abraçou forte a garota.
“Eu estou aqui e nada vai acontecer. Nada.” continuou abraçando a garota. “Eu vou pegar um copo de água pra você.”
“Não!” puxou o garoto de volta. “Fica aqui comigo.”
olhou para a garota preocupado. Passou a mão pelo rosto dela enxugando as lágrimas. Os dois deitaram na cama, ficou de costas para , que a abraçou.
“Eu não vou a lugar nenhum.” falou no ouvido da menina e beijou levemente seu pescoço.
A respiração da garota foi ficando cada vez mais lenta, e ela adormeceu.
Capitulo 9
abriu os olhos, o sol já entrava pela janela e iluminava um garoto sentado na ponta da cama. Ele estava com o rosto apoiado nas mãos, e foi até ele. Passou a mão nas costas do garoto até chegar na nuca e então no cabelo. Ele se virou.
“Bom dia.” Ele disse sorrindo falsamente, seus olhos estavam vermelhos.
“O que aconteceu?” perguntou preocupada.
“Fica tranqüila, eu já vou embora, o ainda não voltou e eu tranquei a porta de chave no caso de alguém tentar entrar, mas eu já vou.”
“, eu não pedi pra você ir embora. O que aconteceu?”
O garoto abaixou a cabeça. o puxou para o centro da cama e sentou-se de frente para ele.
“Conversa comigo.” Ela falou levantando o rosto do garoto com as mãos.
“Ontem, quando você estava se sentindo mal, alguma coisa estava acontecendo.” Ele falou baixinho. “O McFLY acabou.”
“O quê?” olhou nos olhos do garoto sem entender.
“Aquela reunião que eles foram, parece que a gravadora está passando por problemas, e eles precisavam que nós lançássemos um CD o mais rápido possível. Como a gente não tem nenhum material novo...”
“Mas vocês têm! Eles que não querem usar!” interrompeu.
“Dá na mesma. Então, eles decidiram que iam lançar um Greatest Hits, com os nossos singles.”
“Isso é ridículo, vocês são muito novos, só têm três CDs, não têm como lançar um Greatest Hits.”
“Foi o que o disse quando falou que não ia fazer.” continuou. “Eles falaram que se nós não fizéssemos estaríamos fora. E o jogou tudo pro alto, se irritou, falou um monte, e disse que não ia fazer de jeito nenhum. O nem conseguiu falar, eles nos mandaram embora assim, num estalar de dedos.”
“Eles não podem fazer isso.” balançava a cabeça.
“Parece que eles podem, nosso contrato diz que todos os direitos da banda são da gravadora, então se eles falarem que o McFLY acabou, acabou.”
“No que o estava pensando?” deixou cair uma lágrima.
“Eu não sei, mas todos nós estávamos cansados dessa história.”
“Mas tem que haver outro jeito.”
“Não tem, , não tem.” olhou para a garota sério.
“Eu vou achar um.” falou, abraçando o garoto. “quem te avisou?”
“O .” voltou a abaixar a cabeça e o abraçou.
“Você gravaria?” perguntou.
“O que? Um Greatest Hits?”
“É.”
“Não sei, acho que se fosse o único jeito, claro que gravaria, mas não importa. O foi até lá hoje de manhã para conversar com o Dennys, e ele deixou bem claro que não nos quer de volta.”
“Isso é ridículo.” balançou a cabeça. “O não podia ter feito isso sem falar com vocês.”
“Mais cedo ou mais tarde isso ia acontecer.”
“E o que vocês vão fazer?” perguntou.
“Não sei, trabalhar de jardineiro parece uma boa idéia.”
“Besta.”
Alguns minutos depois, a garota foi até o quarto de pegar roupas para , entrou no quarto e pegou o telefone que estava na cabeceira da cama do garoto.
“Alô?”
“Matt?” falou.
“Oi ! E ai? Tudo Bom?”
“Preciso falar com você, urgente.”
“É sobre a banda, não é? Meu pai contou.” Matt falou.
“É.” respondeu.
“Vem aqui pra casa, a gente conversa.”
“E sua irmã?” perguntou.
“Não está, foi dormir na casa de uma amiga. Só volta mais tarde.”
“Tudo bem, estou indo.”
Desligou o telefone e discou outro número.
“?”
“Oi .”
“Já sabe?” perguntou.
“Já, estou aqui com o .”
“Tem mais alguém com vocês?”
“Não, o foi pegar alguma coisa pra beber.” respondeu.
“Põe no viva voz então.”
“Pronto.” falou.
“, , é o seguinte, vocês têm que convencer os meninos a gravar o Greatest Hits. , eu sei que vocês não querem, mas também sei que vocês não querem acabar com a banda. Eu vou dar um jeito, até o fim do dia passo ai.”
“Mas...” começou a falar.
“O .” falou e desligou.
desligou o telefone e voltou para seu quarto.
“Por que você demorou?” perguntou.
“É difícil encontrar roupas no quarto do , sério, caótica a situação.” entregou as roupas para o garoto que começou a vesti-las. “Você vai pra sua casa?”
“Não, pro , a gente vai conversar sobre o que aconteceu, ou melhor, lamentar.”
“Pode me deixar na casa do Matt?”
“O que você vai fazer na casa do Matt?”
“Eu preciso falar com ele.”
“A gente está no meio de uma crise e você precisa falar com a porra daquele garoto!?” falou irritado.
“, eu não vou brigar com você, deixa, eu pego um táxi.” pegou sua bolsa.
“É melhor mesmo, porque eu não vou levar minha namorada pra encontrar um cara que é apaixonado por ela.” olhou nervoso para a garota.
“Eu achei que você já tinha uma namorada.” falou séria. “E só pra constar, eu estou tentando salvar a sua banda.” bateu a porta e saiu do quarto.
“Merda.” murmurou para si mesma saindo da casa.
Começou a andar, estava frio e quanto mais tempo ficasse parada pior seria. As nuvens cobriam o céu completamente e os raios de sol que antes entravam no seu quarto havia se escondido. Seu celular tocou.
“?” falou.
“Oi.”
“A acabou de me ligar, contou o que aconteceu, então eu liguei pra . E ela teve uma idéia. Ela vai explicar tudo depois, tudo que nós precisamos fazer agora é convencer o Dennys a deixar os meninos voltarem pra gravadora e eles gravam o tal Greatest Hits, mas depois disso todos os direitos do McFly tem que ser dos meninos.”
“Ah claro! O cara não quer nem eles de volta e temos que convencê-lo a ceder os direitos da banda. Muito fácil.” bufou.
“! Você tem que conseguir. Tenho que ir, te encontro na casa do mais tarde.” desligou.
“Ótimo!” reclamou.
A garota estava nervosa, parecia impossível conseguir o que a amiga pedia e afinal, qual era o plano da . chegou no final da segunda quadra onde tinha um ponto de táxi. Um único táxi estava estacionado. Ela entrou.
Assim que falou o endereço pro motorista começou a pensar no que fazer, mas nenhuma idéia parecia surgir. Longos dez minutos se passaram até que o carro parasse na frente da casa de Matt.
Matt abriu a porta e sem dizer nada abraçou a garota. Os dois subiram para o quarto do garoto que ficava no sótão, o teto era baixo, o banheiro e o quarto não tinham divisão e diversas poltronas estavam espalhadas pelo quarto.
“Eu tinha esquecido como isso aqui é estranho.” falou observando todo o quarto.
“Você tem inveja do meu quarto, pode falar.” Matt falou sentando-se em uma das poltronas entre sua cama e a escrivaninha.
“Ah, com certeza, você tem tanta privacidade quando vai ao banheiro.” A garota riu se escondendo atrás da cortina do box.
“Todo mundo que é convidado a entrar no meu quarto pode me ver usando o banheiro. Não ligo,”
“Eu prefiro virar de costas.” riu e sentou em outra poltrona, de frente pro garoto.
“Como quiser, mas eu não vou me virar pra você.” Matt olhou para ela pelo canto do olho.
“Besta.” jogou uma almofada no garoto e ele riu.
“Mas me conta, o que passa?” Matt perguntou sério.
olhou para o garoto, pegou o celular no bolso e, antes de começar a falar, mandou uma mensagem para “Vou contar tudo pro Matt”. E foi o que ela fez, contou tudo que aconteceu quando ela foi embora, contou porque ela voltou, como ela estava se sentindo e ainda as conversas que teve com todos, inclusive seu encontro com . Apenas omitiu o fato de ter passado a noite com , falou que o garoto ficou lá por causa da chuva, mas não achou necessário contar esses detalhes.
Matt ouviu tudo com muita calma, sem interromper, e só quando tinha, definitivamente, terminado ele falou.
“Eu já sabia por que você tinha ido embora, não que alguém tenha me contado, mas eu pude imaginar. Conheço minha irmã.” Ele começou “Mas sabe o que eu não entendo? Sua ligação com essa banda. Você saiu do país por eles? Você se sentiu mal quando a banda estava terminando sem nem ao menos saber o que estava acontecendo. Isso é coisa de mãe e filho, sério. É muito estranho.”
“Matt...” ia falar mas o garoto interrompeu.
“Eu sei que um deles é seu irmão, mesmo que não seja de sangue, e eu sei que você gosta muito do , mas eu não entendo. Que tipo de amor é esse que você só sofre?” Matt perguntou.
“Eu não ‘só sofro’.” balançou a cabeça.
“Espero que você esteja certa.”
Os dois se olharam por alguns segundos, Matt tinha olhos tão claros que era possível se perder neles.
“Você vai me ajudar?” perguntou.
“Eu tenho escolha?” Matt sorriu.
“O que você quer dizer?”
“Eu posso não saber o que é esse amor que você sente, mas eu sempre te amei, do meu jeito, você sabe disso.”
“Matt...” tentou interromper, sem sucesso.
“Eu não estou te cobrando nada, eu sei que você não vai ficar comigo, eu entendi isso, há muito tempo atrás.”
“Você é incrível.” sorriu. “E um dia alguém vai te amar como você merece.”
“Tanto faz, estou bem assim.” Ele riu.
“Eu não sei o que a gente pode fazer.” Matt falou. “Se eu pedir ou tentar conversar com meu pai uma coisa dessas, ele vai rir, você sabe que eu nunca me interessei muito por essas coisas. Se minha irmã pedir, ai é outra coisa.”
“Ela não vai pedir, Matt.”
Eles ficaram em silêncio por alguns segundos. O celular da garota vibrou. “! Ele é irmão dela!” dizia a mensagem de .
“Matt, não te incomoda você me ajudar contra sua irmã?” perguntou guardando o celular.
“Eu não estou contra ela, eu estou te ajudando a salvar a banda, não a casar com o garoto.”
“O garoto tem nome.” rolou os olhos.
“Tanto faz.”
“Matt?? Cheguei! Você está ai?” falou entrando no quarto “Uou! O que ela está fazendo aqui?”
“Normalmente sou eu que faço essa pergunta.” falou irônica.
“Ela é minha amiga.” Matt respondeu.
“É por causa do McFLY, não é? Tudo culpa daquele seu irmãozinho estúpido.” reclamou.
“Não é culpa dele se seu pai não aceita que eles façam músicas novas e diferentes.” rebateu.
“Você tentou falar com o papai?” Matt perguntou.
“Pra quê? Eles não vão gravar.”
“E se eles aceitassem gravar?” perguntou.
“Por que eles aceitariam?” cruzou os braços.
“Porque depois que eles gravarem, todos os direitos do McFly ficarão com os meninos e eles podem decidir o que tocar.” explicou.
“E por que meu pai daria todos os direitos pra eles?” riu.
“Porque você vai pedir.” Matt falou.
Os três ficaram se olhando por alguns segundos, esperando que falasse alguma coisa.
“Tudo bem, eu posso tentar, mas tem duas condições.” Ela disse.
“Lá vem.” Matt olhou para .
“Primeiro, eles também fazem uma turnê. Segundo, você pára de sair com o meu namorado.” Ela sorriu.
“Eu não estou saindo com o seu namorado.” ficou imóvel.
“Ele dormiu na sua casa ontem.”
“, dá um desconto, tava a maior chuva!” Matt tentou explicar.
“Então por que ele saiu da casa de samba canção e estacionou o carro na rua de trás? Por que ninguém podia saber que ele estava lá?”
“O que?” Matt olhou para .
“Eu...eu...” não conseguia falar.
“Você ficou vigiando a casa dela?” Matt perguntou para .
“Claro que não, mas eu estava na casa de uma amiga que mora na rua de trás da dela, e eu vi quando o apareceu.” respondeu o irmão. “Então? É pegar ou largar.”
abaixou a cabeça e respirou fundo, ela já tinha chegado até aqui, feito tantas coisas, isso parecia só mais uma parte da grande mentira que sua vida se tornou.
“Tudo bem, eu faço. Vou falar com ele da turnê, e quanto ao , pode ficar tranqüila, a gente não tem nada.” falou fitando a garota.
“Nem escondido, que fique bem claro.”
“Nem escondido.” concordou.
“Então tudo bem! Vou falar com meu pai. Te ligo quando tudo estiver certo. É ótimo fazer negócio com você, amiga!” falou saltitante e saiu do quarto.
“’Negócio’, pra ela é tudo um negócio.” se virou, Matt estava de costas para ela, apoiado na escrivaninha. “De qualquer forma, a banda não vai terminar, conseguimos. Obriga...”
“Não me agradece, eu não quero ter nada haver com suas armações.” Matt interrompeu.
“Matt, o que foi?”
“‘O que foi?’, você vem até aqui dizendo que quer salvar a banda do seu irmão quando na verdade você quer agradar um garoto que, pelo menos oficialmente, namora minha irmã, mas que te fode nas horas vagas! Minha irmã pode ser o que for, mas pelo menos ela não esconde isso.” Matt foi até a porta. “Você já pode ir.”
“Matt...não foi isso, não foi assim. Eu não sei o que aconteceu, eu não estou saindo com ele nem nada parecido, foi só um dia, nós estávamos confusos. E eu só não te contei porque não achei necessário.” tentou se explicar, mas o garoto não olhou pra ela.
“Eu quero ficar sozinho, é melhor você ir.”
Uma lágrima escorreu pelo rosto da garota e ela saiu do quarto, passou pelo resto da casa o mais rápido e silenciosamente que pode, segurando as outras lágrimas que estavam por vir. Chegando a rua, andou o mais rápido que pode até cinco minutos depois, quando encontrou um ponto de táxi.
De olhos fechados, ainda segurando as lágrimas e lutando contra seu estômago, sentiu o carro parar. Pagou o motorista e saiu. A casa de era exatamente como ela lembrava, o tipo de casa que só de olhar você consegue imaginar uma família feliz.
Ela tocou a campainha, abriu a porta.
“Até que enfim, estávamos ficando preocupados, deu certo?” Ele perguntou deixando a garota entrar.
“Me dá um minuto, eu preciso usar o banheiro.” pediu.
“Claro, você sabe onde é.”
passou pela sala impecável, ela tinha certeza que a mãe de tinha calculado até os centímetros entre o tapete e o sofá, e entrou no lavabo à esquerda. Fechou a porta com cuidado e abriu a torneira para que o barulho da água corrente impedisse qualquer pessoa de ouvir quando ela não conseguisse mais lutar contra seu estômago. E então ela chorou.
Capitulo 10
olhou seu reflexo no espelho, piscou algumas vezes, arrumou a postura e abriu a porta. estava parado na porta do banheiro a esperando.
“Você está bem?” Ele perguntou.
“Sim, tudo ótimo.” sorriu falsamente. “Deu certo, eles vão deixar vocês voltarem, tem algumas condições, mas acho que vai dar certo.”
“, você tem certeza disso?” perguntou.
“Como assim se eu tenho certeza? Mas é claro, é do McFly que a gente está falando. , você melhor do que ninguém sabe que não é uma coisa como essas que pode destruir a banda. E outra coisa, se vocês fizerem isso, vão ter todos os direitos do McFly.”
arregalou os olhos por um segundo antes de falar.
“E do que você está abrindo mão pra isso acontecer?” O garoto perguntou, sério.
“O que?” não entendeu.
“A gente sabe o que você fez, por que você foi embora.” falou e ficou muda. “Quando a gente chegou pra reunião, o Dennys falou ‘Ah ! Soube que sua meia-irmã voltou, como ela está? Juro que quando falamos que ela não devia andar tanto com vocês não achamos que ela ia mudar de país’. O resto não foi muito difícil entender.”
“Foi por isso que o não aceitou gravar o Greatest Hits.” deu dois passos pra trás, se sentindo tonta.
“Por que você fez isso? Se a gente soubesse...se você tivesse falado...” olhava para a garota com pena. Os dois se olharam e nenhum dois precisou falar. sabia que teria feito a mesma coisa se estivesse em seu lugar. “Obrigado.” Ele disse com a voz fraca.
“Quem sabe?” perguntou.
“Só eu e o .”
“Onde ele está?”
“No quarto, os meninos estão na sala de TV.” respondeu e os dois começaram a andar em direção as escadas.
Enquanto subiam as escadas em silêncio, os dois fitavam os degraus, perdidos em pensamentos.
“Onde fomos encontrar alguém como você? A gente deve ter feito algo muito bom pra merecer ter você como amiga.” sorriu. “Ninguém faria o que você fez.”
“Você faria.” parou de subir as escadas e olhou para ele, que riu.
“Agora eu entendo porque você não contou. Eu não podia saber, pra não correr o risco de contar pra alguém. O , bom, não era problema, você sabe melhor do que eu como fazer ele concordar com as coisas, mas ele também podia acabar contando pra alguém. Mas o e o , não vão aceitar isso nunca.” balançou a cabeça.
“, não está ajudando.” fez careta.
“Ai, desculpa.”
Os dois continuaram subindo a escada, até chegar numa sala. Dois sofás e uma poltrona estavam dispostos de maneira que todos que se sentassem ficariam confortáveis para assistir a televisão de plasma que estava na parede. De um lado da sala duas portas, do outro uma, eram as portas dos quartos de , de hóspedes e do Sr. e da Sra. .
Assim que colocou os pés na sala parou. estava sentado em um dos sofás ao lado de , o braço da garota envolvia o garoto pela cintura e ele segurava sua mão. sorriu. foi direto até o canto da sala, onde estava em pé, os dois se abraçaram. O clima era pesado, e todos estavam pensativos, mas sabia que amava cada uma das pessoas que estavam ali.
Sozinho na poltrona, com a cabeça apoiada nas mãos, estava . Ele levantou a cabeça para ver quem tinha chegado, no momento em que colocou os olhos na garota ficou em pé num pulo e correu até ela.
“Me desculpa, por favor me desculpa, eu retiro tudo que eu disse, eu sou um idiota.” segurava o rosto da garota com uma expressão de pânico.
“Shhh.” fechou os olhos abraçando o garoto.
Seus braços envolviam o pescoço de e sua mão direita acariciava sua nuca. Ela beijou de leve a orelha do garoto e falou baixinho.
“Não importa o que aconteça, você precisa saber que eu te amo, sempre te amei. Não esquece disso.”
se afastou da garota alguns centímetros, mas ainda segurando sua cintura.
“O que você quer dizer? O que vai acontecer?” Ele perguntou atordoado.
“Shhh.” repetiu, colocando a mão de leve na boca do garoto.
Os dois se olharam, segurou a mão da garota.
“Eu não vou te deixar ir embora dessa vez, vou lutar por você, porque eu também te amo.”
sentia uma corrente de energia passar entre o corpo dos dois, então eles se beijaram de leve e a garota sorriu.
Todos na sala olhavam para os dois, mas quando olhou para eles todos desviaram o olhar.
“Então eu preciso de um favor, você vai gravar um álbum e fazer uma turnê Greatest Hits.” falou, dessa vez com o volume normal de sua voz, para que todos ouvissem claramente.
“Uma turnê?” perguntou.
“, você tem certeza?” , olhou para a garota.
“A gente tá na merda.” balançou a cabeça.
, e falaram juntos, e mal conseguiu entender quem falou o que.
“Depois disso todos os direitos do McFly são de vocês e vocês podem fazer o que quiser.” explicou olhando para todos.
“Como assim, o que quiser?” perguntou.
“Por exemplo, se eles quiserem trocar de gravadora, eles podem.” falou entrando na sala carregando uma mala gigante. “, você deixou a porta aberta, mas eu já fechei.”
Todos ficaram olhando a garota.
“Dá pra alguém me ajudar aqui!” falou quase gritando apontando pra mala que segurava enquanto tentava subir o último degrau.
foi até ela e pegou a mala, colocando-a próxima ao sofá.
“Obrigada, . Bom, faz muito tempo, mas acho que ainda lembro de todo mundo.” falou olhando para cada uma das pessoas na sala e as analisando.
sorriu e correu para abraçá-la.
“O que você está fazendo aqui, por que não me avisou?”
“Não consegui falar com você, mas eu avisei a .” Ela olhou para a amiga. “Mas, anyway, não tinha NINGUÉM me esperando no aeroporto, foi deprimente. Ai, eu liguei pra e ela falou pra pegar um táxi até aqui.”
“Desculpa.” falou indo até as duas e abraçando . “Tem tanta coisa acontecendo que eu esqueci de avisar.”
Em um segundo , e estavam rindo e conversando.
“Alô!! Temos um problema sério aqui!” falou, interrompendo-as.
Ele, e estavam agora sentados no sofá olhando as quatro meninas fofocarem.
“Ai, Deus! , você está tirando meu foco de concentração!” riu.
“Relaxa, já tenho tudo resolvido. Só preciso que eles façam isso que você pediu. Álbum e turnê, não é?” falou.
“Como assim você tem tudo resolvido?” perguntou.
“Não vou contar pra você antes de uma reunião formal com as Super Garotas.” mostrou a língua.
“Que bom, quatro loucas, que acham que são super, vão decidir nossa vida.” falou irônico.
“Cara, eu acho que elas são super.” cochichou.
“Gente!” falou o mais alto que pode e todos olharam pra ela. “E o ?”
e trocaram olhares. O celular de tocou, indicando uma nova mensagem.
Tudo certo. Álbum e turnê Greatest Hits, pode ter uma música nova. E então os direitos são deles. Mas querida, não esquece, fica BEM LONGE do .
.
olhou para todos na sala, parando um pouco mais quando chegou em .
“Vai ficar tudo bem.” falou lendo a mensagem. “Vamos dar um jeito.”
olhou para a amiga e digitou no celular.
O Matt me odeia, a gente consegue consertar isso também?
olhou para , que balançou a cabeça negativamente.
“A gente não pode parar agora, .” segurou a mão da amiga.
“Eu sei.” respondeu decidida.
“Alguém sabe do que elas estão falando?” perguntou no sofá, sentado entre e , mas ninguém respondeu.
“No seu quarto ?” perguntou e concordou com a cabeça.
“Boa sorte com isso, ele está insuportável.” disse enquanto caminhava em direção ao quarto.
parou alguns passos antes da porta e se virou.
“, , posso falar com vocês um instante?” Ela pediu.
Os três se olharam e foram até o quarto de hóspedes, foi o último a entrar e fechou a porta atrás dele.
“Eu acho que é melhor tirar eles daqui de cima.” falou.
“Por quê?” perguntou.
“Talvez o grite, quer dizer, é bem provável.” tentou visualizar a cena e não gostou. “Ele pode acabar falando alguma coisa que eu prefiro que o não ouça, eu já tenho coisas de mais pra resolver.”
“, você tem certeza que vale a pena?” chegou perto da amiga.
“É claro.”
“Você não vai embora de novo, vai?” perguntou.
“Ir embora foi um erro. Mas foi preciso, eu não podia ficar aqui sem estar com vocês, agora eu só preciso ficar longe do .” sentiu seu corpo estremecer.
“Só?” falou irônica.
“, a gente pode arrumar outro jeito.”
“Que outro jeito, ?”
Os três ficaram em silêncio.
“Você é maluca.” balançou a cabeça.
“Faz o que eu pedi, por favor.” saiu do quarto.
Passou pela sala sem realmente olhar para as pessoas e entrou rapidamente no outro quarto.
“Vai embora!” disse de costas para a garota, ele estava com uma mão apoiada na parede, olhando fixamente pela janela.
olhou para o melhor amigo, tudo que ela queria era abraçá-lo. Ela não estava conseguindo ser tão forte como da última vez. Talvez porquê, desta vez, ela soubesse como se sentiria se ficasse longe de . Mas, principalmente porque, agora que sabia toda a verdade, ela não tinha mais como arrumar desculpas ou fugir.
“...” tentou falar.
O garoto virou a cabeça para ela e cerrou os olhos, como se não acreditasse que ela tinha realmente entrado ali. Ele voltou a olhar para fora da janela.
“, por favor, eu preciso muito de você.”
Ele continuou em silêncio.
“Eu sei que eu menti, eu sei que eu devia ter te contado tudo, mas o que teria acontecido? Vocês nunca teriam chegado onde estão. Vocês estavam lutando tanto pra entrar em uma gravadora, eu não podia tirar essa alegria de vocês.” parou para respirar. “Eu sei que não foi a melhor coisa a se fazer, mas foi o que eu consegui fazer naquela época. E agora eu preciso de você. Se você não gravar este CD tudo que eu fiz não vai ter servido pra nada, o que vocês vão fazer afinal? Não podem usar o nome da banda, formar uma banda com nome diferente, sem poder tocar as músicas antigas seria loucura.” continuava sem se mexer.
começou a ficar irritada, o garoto não demonstrava a menor reação a nada que ela falava, seus olhos estavam fixos. A garota pegou um travesseiro em cima da cama e sem pensar duas vezes atirou-a no garoto.
“Dá pra você falar comigo ou pelo menos olhar pra mim?” Ela falou irritada.
sorriu de leve e se virou olhando para a garota.
“Desculpa, , eu não posso fazer isso.” A garota tentou falar, mas continuou. “E eu não vou fazer isso, por você, assim como você foi embora, por nós. Você não percebe não é? Você não entendeu até agora. Você é essa banda. Você nos ajudou desde o começo e se você não tivesse ido embora, metade dessas músicas não existiriam. Eu não posso continuar fazendo isso com você, não posso continuar pensando em mim, no meu sucesso, sabendo que você vai estar se sacrificando.” Ele olhava fundo nos olhos da garota. “Depois de um tempo eu percebi que, não foi surpresa nenhuma essa notícia. Estava óbvio, bem na nossa frente. E no fundo nós todos sabíamos por que você tinha ido embora, nós só não queríamos admitir, porque se admitíssemos, não poderíamos levar isso adiante. E eu não vou me perdoar nunca pelo que fizemos com você. Nunca.”
abraçou o garoto forte.
“Cala a boca!” Ela falou dando um puxão de leve no cabelo em sua nuca.
quebrou o abraço e olhou para o garoto.
“A decisão foi minha, nenhum de vocês tem culpa nenhuma. Vocês teriam escrito músicas incríveis de qualquer jeito. E eu não estou sacrificando nada, no momento eu só tenho que ficar longe do , vamos lá, o é um chato, vai ser ótimo!” brincou. “Esses quatro anos foram uma ótima experiência, eu aprendi uma língua nova, conheci pessoas novas, estudei, me formei, e depois de tudo isso nós continuamos sendo amigos, o que mais eu posso querer?”
“Não está certo, .”
“Como não, ? O que não está certo é você não gravar um CD por causa disso. E depois vocês vão ter os direitos do McFly, eu não sei o que isso significa exatamente, mas a diz ter um plano. Os planos dela costumam funcionar.”
“?” arregalou os olhos.
“É! Ela está aqui. Você não vai decepcionar ela nisso, vai?” riu.
“Agora é a sua vez de calar a boca.” rolou os olhos.
Os dois se olharam.
“Está bem.” falou. “Coloque suas condições.”
“Condições?”
“Pra gravar a porcaria do CD.”
“Eu não vou fazer isso!”
“!” exclamou irritada.
“Está bem, minha condição é que você conte a verdade pro .”
“Só isso?”
“E pro .”
“O que?”
“Faça eles concordarem em gravar esse CD, deixando bem claro que você está sendo chantageada pela e que você não vai poder ficar perto do .”
“!”
“O que foi?” O garoto falou. “Você pediu minhas condições, eu quero que todo mundo saiba a verdade. Inclusive o porquê a te odeia.”
“, eu não quero falar sobre isso.” começou a sentir falta de ar.
“Por que não? , é a verdade. Você tem que parar de dar um jeito em tudo. A partir de agora todo mundo tem que saber a verdade de tudo. E ai, eu gravo o CD.”
“E faz a turnê.” falou indo até a janela em busca de ar.
“Que turnê?”
“O CD e uma turnê, esse é o trato.” explicou.
“Tudo bem, se todo mundo souber de tudo, e concordar, eu faço.”
ficou olhando pela janela, respirando devagar, pensando num jeito de sair daquilo. Então sentiu a mão de em sua cintura.
“Vamos lá garota, eu vou estar do seu lado. Você pode fazer isso.”
fechou os olhos.
“Você está sendo mau, muito mau.” abraçou forte, e ele riu.
Capitulo 11
“Quem vai ser o primeiro?” perguntou.
Ele e estavam na sala de TV da casa de , que agora estava vazia. Todos os outros deviam estar no andar de baixo.
“Não sei.” A garota respondeu. “Com o vai ser divertido, com o vai ser complicado. Não sei o que é melhor fazer primeiro.”
“O não vai gostar de ser o último a saber.” lembrou.
“E o não vai ligar.” respirou fundo. “Entendi.”
Os dois começaram a descer as escadas.
“.” chamou “O Matt me odeia.”
“Pelo amor de Deus, ! Você vai se preocupar com ele, agora?” parou de andar.
“Ele é meu amigo. Eu me preocupo com ele.” falou firme.
“Tanto faz.” bufou.
“Por que é que vocês odeiam tanto ele?”
“Porque ele é estúpido, drogado, idiota, trouxa, ridículo. Quer mais?”
“Ele não é nada disso. Por que você não gosta dele?”
“Vai me dizer que ele não fumava maconha no colégio, e ainda fuma, aposto.”
“! Pára com isso. Se você quer que eu fale a verdade, você tem que começar a me falar a verdade também. Por que vocês não gostam dele?”
olhou a garota durante algum tempo.
“, nós estamos no meio de uma escada, você não quer discutir isso aqui, quer?”
A garota bufou e continuou descendo. Os dois chegaram ao andar de baixo que estava vazio, ainda estava emburrada e seguiu para a cozinha, de onde podia ouvir a voz de , sem olhar para .
Quando entrou na cozinha todos pararam de falar e olharam para ela.
“Então?” perguntou.
apareceu atrás da garota.
“Vou fazer.” Ele sorriu leve.
“Aeeeee!” Vários gritos de comemoração ecoaram pela cozinha.
“Como você fez isso?” perguntou. “Você não quer ir lá em casa convencer minha família de que não é tão perigoso me deixar morar sozinho?”
“Não, , isso seria muito perigoso.” falou e todos riram.
podia ver olhando de canto de olho para , que fingia não dar atenção alguma ao garoto.
Todos começaram a conversar e rir, se aproximou.
“Eu quero te mostrar uma coisa. Podemos sair hoje à noite?” Ele perguntou.
“Podemos, tenho que te contar uma coisa.” Ela falou séria.
“Posso te pegar às oito?”
“Não, deixa que eu vou de táxi.”
“Assim você estraga a surpresa! Me encontra as oito no lago e ai eu te levo até a surpresa!”
“, a gente realmente precisa conver...”
“Pára de ser chata.” Ele falou antes que a garota terminasse e a puxou para perto lhe beijando de leve no rosto. “Te vejo às oito!”
“!” chamou, mas o garoto já estava indo embora.
“Nós também já vamos.” falou.
afastou qualquer pensamento sério de sua cabeça, permitindo a si mesma que se divertisse antes do que teria que fazer a noite.
“Como assim ‘já vamos’?? Vocês nem explicaram pra gente esse romance!” riu.
“É verdade, ! Que história é essa? Eu falei pra você ficar longe do ! Ele não presta!” arregalou os olhos.
“Nem um pouco!” mostrou a língua pro garoto.
“Querida, quando você falou isso pra ela eu já tinha dado o bote!” fez cara de mau.
“Ai como você é irresistível, !” rolou os olhos.
“Vamos!” puxou , mais vermelha do que nunca.
“, se você aprontar com minha amiga você vai sentir muita, muita dor!” gritou enquanto eles saiam.
“Muita dor!” riu.
“Muita, muita dor!” entrou na brincadeira. “Ai, ai, vamos também? Estou cansada.”
“Vamos! Tchau , , qualquer coisa me liguem!” se despediu.
“Temos que marcar um encontro das Super Garotas!” falou curiosa.
“Claro!” sorriu.
Ela, e seguiram em silêncio para o carro. Durante o caminho para casa os dois não trocaram nem uma palavra, e toda vez que tentava puxar algum assunto recebia respostas monossilábicas de uma e um muito envergonhados.
Assim que estacionou puxou a chave do contato, saiu do carro, bateu a porta e fechou o carro com o alarme na chave.
“Vocês não vão sair daí enquanto não começarem a se tratar como pessoas normais, parece até que vocês não se conhecem! Vocês deviam dar pelo menos uns amassos, é bom pra quebrar o gelo!” gritou do lado de fora do carro e a fuzilou com os olhos. “Eu volto em, hmm, uma hora e meia, vou tirar uma soneca.”
E foi o que ela fez saiu da garagem entrou em casa fazendo o mínimo de barulho possível, mas Naná estava na sala.
“Onde é que você estava?” Ela perguntou preocupada.
“Na casa do , desculpa, esqueci de avisar, saí tão cedo.”
“Cadê seu irmão?”
“Foi buscar a no aeroporto, eu vou dormir um pouquinho antes deles chegarem.”
“Está bem.”
subiu até seu quarto e se jogou na cama, colocou o despertador do celular para tocar em uma hora e meia, e então apagou.
Uma hora e meia depois, acordou assustada com o barulho do despertador. Levantou correndo e correu para a garagem, estava sentado no banco de trás e estava dormindo com a cabeça apoiada em seu colo.
abriu a porta e levou um susto.
“Eu te odeio.” O garoto disse para ela fazendo careta.
acordou e em poucos minutos os dois estavam fora do carro, já entrando na casa. levou a amiga até seu quarto.
“E ai, o que aconteceu?” Perguntou sentando na cama.
colocou a mala ao lado dos guarda-roupas e sentou na poltrona de frente para .
“Você tinha razão, ele gosta de mim.” Ela falou.
“E você gosta dele.” riu.
“Bom, eu não tenho certeza, sempre achei ele interessante e tudo mais, mas eu já tinha namorado. Apesar de que a gente nunca realmente se amou, a coisa era mais física.”
“O que? Você nunca namorou quando estava aqui ! Eu lembraria.” balançou a cabeça sem entender.
“Eu namorei, mas escondido.”
“Pelo amor de Deus, como você escondeu de mim?”
“Você não podia saber! Meu namorado gostava de você e se você soubesse que ele estava comigo, ele não teria nenhuma chance, mesmo!”
“E você aceitou isso?” perguntou indignada.
“Eu falei que era uma coisa física. Ele era legal comigo, era loiro, sarado, de olhos claros e, bom, não preciso dar detalhes, né?”
“Calma ai! Você está falando do Matt?” pulou da cama.
“É.” abaixou a cabeça.
“E você não me contou isso antes. Que merda de amiga você em!”
“Ai, ! Não exagera!” rolou os olhos. “Mas o fato é, o viu nós dois juntos um dia, e por isso ele não falava comigo e não gostava do Matt.”
“Ai, como o é estúpido, só por causa disso, totalmente idiota.” balançou a cabeça.
As duas riram e passaram o resto da tarde arrumando as coisas da no quarto de hóspedes. Quando chegou perto das oito horas da noite foi tomar banho e se arrumar.
saiu de casa deixando Molly, Naná, e jantando. Ela vestia um vestido curto, meia calça preta, um sapato de salto e por cima de tudo um sobretudo para se proteger do frio. Assim que saiu da casa lembrou que tinha combinado de encontrar o garoto no lago, e se arrependeu de ter colocado salto-alto.
A garota andou até o lugar combinado, quando chegou estava cansada, mas a adrenalina era maior, ela não fazia idéia o que o queria mostrar e também, não fazia idéia de como contaria a verdade. estava encostado em seu carro, e se sentiu feliz por não ter que atravessar toda a grama e pisar na areia com aquela roupa.
sorriu e abriu a porta do carro para a garota entrar.
“Eu não vou nem te cumprimentar, se eu sentir seu cheiro muito de perto posso te agarrar aqui mesmo!” Ele fez cara de pervertido.
“A gente precisa conversar.” segurou a risada.
“Posso mostrar a surpresa antes?”
“Não , é melhor não, depois que eu te contar, talvez você não queira mais mostrar.” abaixou a cabeça.
O carro estava parado no mesmo lugar, e os dois estavam sentados dentro do carro. olhava fixamente para suas mãos, não conseguia encarar o garoto, uma lágrima escorreu do seu rosto.
“, eu vou agüentar, pode falar.” apertou forte a mão da garota.
“Eu fui embora para vocês poderem assinar com a gravadora. A não queria que eu namorasse você, porque ela queria ficar com você, então ela convenceu o pai dela de que para vocês fazerem parte da gravadora eu não podia aparecer como sua namorada pro público. Eu sei que existiam mil possibilidades, mas só de olhar pra você eu tenho vontade de te abraçar, só de sentir seu cheiro eu tenho vontade de te beijar, e se você tocar minha mão, como agora, eu tenho certeza que quero passar o resto da vida com você. Eu não ia conseguir ficar longe, estando tão perto. Eu precisei ir embora. E agora, é a mesma coisa, a gente não pode ficar junto, pra vocês poderem continuar na gravadora. Foi esse o trato.” tirou a mão de baixo da do garoto.
“Por que você não contou isso antes? Pra gente resolver junto?” perguntou.
“Eu digo pra todo mundo que é porque vocês nunca fariam isso, nunca iam me querer longe, ou fingindo não conhecer vocês, e então não existiria McFly. Mas a verdade é que, se vocês aceitassem isso, acho que eu morreria, saber que vocês não precisam de mim. Então fiz minha escolha, para não precisar fazer com que vocês escolhessem.” ainda não olhava pro garoto.
“Doeu?” perguntou.
“O que?” olhou para o garoto, ele sorria.
“Me contar a verdade.”
“Na verdade não.” riu. “Eu achei que fosse ser muito pior, mas você não está gritando comigo, torna tudo muito mais fácil.”
“É por que eu já sabia, de tudo, de como você se sentiu, o que você passou. Eu não posso gritar com você sabendo tudo isso.”
“Como assim ‘já sabia’?”
“Eu encontrei as cartas.” respondeu.
“Merda.” respirou fundo. “Você mexeu nas minhas coisas, aquele dia no meu quarto.”
“Foi sem querer.”
“Sem querer?” arregalou os olhos.
“Tá, foi por querer. Mas o fato é que quando eu abri aquela caixa rosa quase caí pra trás, estava lotada de recortes de jornal e revista sobre o McFly, CDs, DVDs e milhões de cartas pra nós.”
“Escrever aquilo me fazia sentir perto de vocês, era mais como um diário, o que eu sentia, o que acontecia.”
“E eu te amo por isso.” O garoto olhou nos olhos da menina.
“Eu não devia ter tornado tudo isso tão dramático, não é?” Ela perguntou se sentindo envergonhada.
“Se não fosse dramático, não seria você.” sorriu e passou a mão pelo rosto da garota. “Mas já tivemos drama o bastante, agora vamos pra minha surpresa!”
Tudo o que conseguia pensar era em como tinha sido estúpida, tudo teria sido tão fácil se ela tivesse contado a verdade antes, ela não podia acreditar como estava sendo fácil para lidar com a situação. Ela achou que o garoto fosse repreendê-la e reclamar, mas não, foi muito mais fácil do que com o , talvez ele também devesse ler suas cartas. Cartas que ela escrevia toda noite antes de dormir, durante os quatro anos, onde ela depositava tudo o que estava acontecendo, tudo o que estava sentindo e depois, guardava-as numa caixa rosa junto com tudo que pudesse encontrar com o nome McFly.
Vinte minutos se passaram e a garota não fazia idéia de onde estava a levando. Por vezes tentou persuadi-lo a contar, mas ele não abria a boca. diminuiu a velocidade, era um bairro residencial, com pequenos prédios de cinco ou seis andares, nunca tinha estado ali antes. O garoto parou o carro em uma rua vazia abriu a porta para descer.
Tudo estava quieto e calmo, era como se ninguém morasse naquele lugar. A rua era tão comprida que era impossível ver o resto do bairro. No fim da rua, uma rotatória, onde tinha estacionado e agora tentava reconhecer o lugar, mas ela nunca tinha estado ali antes.
Três prédios estavam dispostos um ao lado do outro. Eram iguais, pintados de branco claro com seis andares e o nome Residencial Casa.
“É aquele ali.” apontou para o prédio da esquerda. “Sexto andar, é um duplex.” Ele continuou. “Não é o que eu queria, eu preferia que você fosse lá em casa, mas sei que você vai ficar nervosa com toda essa história da te vigiar, mas aqui eu duvido que qualquer um nos encontre. Fica a 30 minutos da cidade, é difícil de encontrar e aqui só moram famílias de classe média com filhos e essas coisas, ninguém vai desconfiar.” Ele olhou para a garota esperando uma reação.
“Você comprou um apartamento?” perguntou de olhos arregalados.
“Eu sei que você não gosta de apartamento, mas espera até você ver lá dentro, é super bonitinho, a gente pode arrumar algumas coisas ainda, mas de ontem pra hoje foi o melhor que eu consegui.” olhou para a garota. “Mas se você não gostou a gente devolve, sei lá.”
não acreditava no que estava acontecendo, tinha comprado um apartamento para eles poderem se encontrar, quando foi que ele ficou tão perfeito? fechou os olhos e sorriu, abriu-os lentamente, o garoto estava parado em sua frete a fitando.
“Eu te amo.” Ela falou passando os braços pelo pescoço do garoto e beijando-o levemente.
pegou a mão da garota e a levou para dentro. No elevador os dois se olhavam sorrindo sem dizer nada. Quando abriu a porta do duplex começou a analisar todos os detalhes. Na frente uma pequena sala de TV com uma sacada, do lado esquerdo uma mesa de jantar, a cozinha e a lavanderia, subindo as escadas dois quartos com banheiro. Era pequeno, mas aconchegante, era mais do que eles precisavam.
“Tem mais uma coisa.” O garoto abriu a geladeira e tirou de lá um bolo de chocolate. “Minha mãe que fez.” riu, era o bolo preferido dela.
“Você vai me deixar gorda.”
“Você já é gorda, .” falou colocando a mão na cintura da garota.
“Sou é?” A garota riu.
“Nem um pouco.” sussurrou.
Os dois se beijaram intensamente, rapidamente sentou a garota no balcão da cozinha. podia sentir a respiração quente do garoto enquanto ele dava leves beijos em seu pescoço. passou a mão pela perna da garota.
“Como eu me livro dessa meia?” sorriu pervertido.
“Já esqueceu?” riu.
“Nunca!”
“Mas, eu acho que sim.” olhou para o garoto de canto de olho, desceu do balcão e subiu para o quarto.
entrou no quarto atrás da garota, ela sentou na cama e esticou uma perna para ele. O garoto se ajoelhou no chão e delicadamente tirou os sapatos da garota e beijou seus pés por cima da meia-calça. deslizou até o fundo da cama e deitou. engatinhou por cima da garota e beijando-a abriu o zíper lateral do vestido que segundos depois estava no chão. Lentamente ele começou a tirar a meia-calça da garota, acariciando suas pernas que iam se revelando. O garoto deu pequenos beijos na perna da garota.
“Quer que eu vá mais devagar?” falou olhando irônico para .
“Vai à merda.” riu e foi pra cima do garoto, beijando-o intensamente, tirando suas roupas em tempo recorde.
CONTINUA
Demorei séculos pra att, eu sei, mas estava terminando meu TCC ¬¬'...vida de estudante não é fácil! hehe. Bom, espero que gostem... Qualquer coisa só gritar: E-mail, Twitter.
xx
Julia

