Rich Girls

Autora: A. Poynter, B. Jones, B. Fletcher e M. Judd
Status: Em Andamento
Revisada por: Mady
Categoria: McFly Fics
Sub-Categoria: Comédia/Drama/Romance - Long Fic
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Prólogo

O dia amanhecia mais uma vez na grande Londres. O Sol, enquanto ganhava seu espaço no céu, buscava timidamente um lugar entre as diversas nuvens carregadas que cobriam a cidade. Mais um dia começava e as pessoas já davam sinais nas ruas, no trânsito, abriam as lojas, os adultos se arrumavam para o trabalho e, os mais jovens, se arrastavam da cama para ir à escola. A rotina não era diferente na parte centro-oeste da cidade, mais precisamente em um bairro chamado Notting Hill, onde os moradores abriam as janelas de suas luxuosas casas vitorianas, dando boas vindas a mais um dia que começava. O lugar era conhecido por abrigar um dos melhores colégios da cidade onde, os mais favorecidos, poderiam se preparar devidamente para o futuro e ingressar nas melhores faculdades, o famoso Ealing High. Apesar da boa reputação, o colégio era frequentado por jovens que adotavam um estilo a la Upper East Side inglês de ser e se comportar, com seus carros e roupas luxuosos, levando poucos a realmente irem à escola pensando em seu futuro. No final das contas, era um colégio como outro qualquer, com seus conflitos, desentendimentos, diferenças e cheio de sentimentos reprimidos pelo orgulho.

Capítulo 1.

7:00 AM
acordou com o barulho do despertador. Então era segunda-feira.
Ela tateou a mesa de cabeceira até encontrar seu rádio-relógio e então bateu de leve encima dele. A música que a acordava todas as manhãs finalmente tinha parado de tocar. Levantou-se e esfregou seus olhos, logo indo abrir as janelas de seu quarto. Estava uma manhã cinzenta, não que aquilo fosse novidade em Londres. As nuvens cobriam todo o céu e não tinha nenhum vestígio do Sol por ali. Os vidros das janelas estavam embaçados, provavelmente reflexo de todo o frio que fazia do lado de fora. Tendo consciência daquilo, foi direto para seu closet pegar suas roupas de frio.
Já pronta, a garota tomou um café rápido e foi direto para seu computador, que estava ali perto da cozinha, enquanto esperava por sua carona de sempre.

Dez minutos e nada. olhou para o relógio, que já marcava 7:25 da manhã. Estaria atrasada? Desligou o computador e foi até seu quarto, sentando-se perto da janela, esperando sua carona. Ela olhou distraidamente para a casa do vizinho e a grande janela que ficava de frente para o seu quarto estava aberta. Ela se endireitou no lugar prestando um pouco mais de atenção. Cinco segundos depois, praticamente adivinhando que ela estaria observando, ele estava ali no seu campo de visão. Assim que viu seu vulto só de calças jeans e com uma camiseta na mão, se escondeu rapidamente atrás de uma das cortinas. É claro que ele não poderia vê-la ali.
- Bom dia, . - Ele disse, ainda prestando atenção em sua camiseta, colocando-a em seguida.
"Droga" ela pensou. "Por que eu tentei me esconder mesmo?".
- Hm, oi - disse, tentando parecer o mais desinteressada e antipática possível.
- Sua carona tá atrasada? - ele perguntou, se apoiando em sua janela. Ele provavelmente sabia que nunca se atrasava.
- É, mais ou menos - tratou de sair de trás das cortinas e colocou uma das mãos na cintura.
Ele sorriu.
- Quer carona até a escola? Tenho certeza de que você não vai querer ir andando - seus olhos azuis percorreram o rosto dela.
Ela ficou o encarando por um tempo, só analisando seu olhar. Depois pigarreou, voltando ao seu normal.
- Claro que não, se a não viesse, ela me ligaria ou coisa parecida... - disse, colocando uma mecha de cabelo pra trás da orelha.
- Você que sabe - ele disse rindo e se desapoiou da janela - Bom, eu já tô indo. Te vejo na segunda aula!
- Ah, ha-ha, muito engraçado ? respondeu , afastando-se da janela também.
Ele só a lançou um último olhar divertido e saiu de seu quarto.
Não era a primeira vez que tratava seu vizinho daquela maneira. Eles já se conheciam há muito tempo, sempre estudaram juntos... Mas as coisas nem sempre foram daquele jeito. Já tiveram momentos bons, em que riam, conversavam, não viam a hora do dia amanhecer para poderem se ver de novo. Porém, com os anos, as coisas foram mudando e consequentemente as amizades também. Decidiram que, ao tratarem um ao outro de um jeito, digamos, bem sutil, poderiam esconder que, no fundo, gostariam que as coisas fossem de outro jeito...

fechou sua janela e ficou andando de um lado a outro do seu quarto. Não parava de se perguntar até quando seria indiferente daquele jeito com Danny. Ele definitivamente não merecia aquilo, mesmo ela tendo seus motivos. A menina agradeceu mentalmente quando ouviu a buzina insistente de vinda do andar de baixo, a fazendo interromper todas aquelas perguntas desnecessárias. Desceu as escadas com certa pressa, pegou sua bolsa no sofá e saiu de casa, trancando a porta em seguida.
Andou a passos largos até o carro de , entrando no mesmo.
- Bom dia! - disse um pouco ofegante de toda sua pressa - Você perdeu alguma coisa hoje? Erm, seu relógio? - olhou para ela sarcástica, colocando o cinto.
- Me desculpa. - ela disse, já saindo com o carro do condomínio de - Eu tive uns imprevistos hoje de manhã.
- Como? - ela perguntou, ainda nervosa - Ah, deixa eu adivinhar, você quebrou seu secador de cabelo! - disse, apontando para o cabelo de , um tanto quanto desarrumado.
- Não foi isso... - ela disse já um pouco alterada com as provocações da amiga, arrumando seu cabelo com uma das mãos, enquanto a outra quase se fundia com o volante, tamanha era a sua força.
- Então me explica o porquê de todo esse atraso? Você sabe que minha primeira aula é de Inglês e eu não posso mais faltar! ? disse, aumentando o volume do rádio do carro.
- Tá, eu explico... - disse em uma voz quase inaudível, aparentemente abatida.
- O que aconteceu? ? perguntou a outra, logo abaixando o som que tinha acabado de aumentar.
- Se lembra que eu te disse que eu e o Harry íamos sair ontem? - a amiga respondeu que sim com a cabeça e ela continuou - Bom, nós saímos e tal... Aí ele acabou ficando lá em casa. Só que... Hoje de manhã ele acordou todo estranho e estressado, mal falou comigo e decidiu sair mais cedo, sabe... antes de mim e sem dar satisfação. Aí eu não sabia o que fazer..
- Ah, ! - tocou seu braço - Não fique assim... Você conversa hoje com ele! Você sabe... garotos são assim mesmo, erm, estranhos!
a olhou com lágrimas cintilantes nos olhos.
- O pior é que eu não sei se fiz alguma coisa errada, sabe... - ela franziu os lábios, com as lágrimas já escorrendo por suas bochechas.
- Você com certeza não fez nada de errado! Vai ver que houve algum imprevisto, mas com certeza ele deve ter uma boa explicação. Vai entender... - a menina olhou para suas mãos. Definitivamente não era a melhor pessoa para dar conselhos sobre tal assunto, principalmente quando as pessoas começavam a se debulhar em lágrimas.
- É... Vamos esquecer isso. - ela disse por fim, enxugando o rosto com as costas da mão.
não conseguia entender o porquê dos constantes desentendimentos entre e Harry. Eles se conheciam desde pequenos e já namoravam fazia quatro anos. Sempre pareceram se entender. se lembrava do quanto Harry sofria por querer ser mais do que um amigo de , e ela também sempre gostou dele. Mas agora que finalmente estavam juntos, pareciam sempre brigar ou se desentender por motivos tão pequenos... Porém, nada que eles não pudessem resolver alguns minutos depois.

Ficaram por um tempo em silêncio até que finalmente chegaram ao estacionamento da escola. Ao saírem do carro, as duas apertaram seus casacos contra o corpo, realmente estava ficando cada vez mais frio naquela cidade. Quando estavam perto da entrada da escola, resolveu quebrar o gelo.
- Você parece um pouco inquieta essa manhã, o que aconteceu? - ela perguntou como quem não queria nada.
- Eu? Por que acha isso? - olhou para ela, segurando sua bolsa firmemente.
- Ah, nada... Só pelo fato de que você ficava mexendo nos cabelos insistentemente durante todo o caminho, não parou de mudar de música e não parava de olhar pela janela - a olhou com uma sobrancelha arqueada e a garota a olhou surpresa.
não conseguia esconder nada da amiga. Ela deu um pequeno empurrão em , fazendo-a rir.
- Ah, é por causa do jantar que é nesse fim de semana... Pára de me olhar assim, Judd! - mencionou o nome do namorado de e ela fechou a cara - Me... desculpa.
- Tudo bem, eu provoquei, né... - ela deu de ombros.
Dentro do Ealing High estava tudo como o de costume. Alunos na correria de sempre, pegando seus livros, sempre apressados para não se atrasarem em sua primeira aula. Conversavam, colocavam o assunto em dia, antes que o sinal tocasse e cada um fosse para sua respectiva sala, tendo que enfrentar as cinco e intermináveis aulas. e então, foram até as escadas que as levariam para o corredor do último ano. No caminho, cumprimentavam os vários alunos que conheciam, todos com aquele ar de "só falo oi porque você é popular", tal atitude sempre as fazia rir. Quando finalmente chegaram ao seu corredor, rumaram em direção aos seus armários, que ficavam bem próximos um do outro.
Ao avistar as duas se aproximarem, uma garota alta, de cabelos castanhos caminhou até a direção das amigas com um grande sorriso, atraindo olhares de todos por quem passava. Ela usava um sobretudo marrom por cima de um jeans justo e suas sapatilhas Ferragamo favoritas, e, como em todas as manhãs, parecia estar muito bem humorada. Era .
- Meninas - ela flutuou até onde e estavam, com seu jeito de diva de sempre - Bom dia!
- Oi . - e disseram em coro, não tão animadas como a amiga.
- Então, vocês não se esqueceram que hoje iam me ajudar a comprar roupas depois da aula, certo? - ela perguntou, alargando ainda mais o sorriso.
- Claro que não! - disse, se empolgando um pouco, enquanto abria seu armário e tirava dois grossos livros de seu interior.
- Como eu poderia esquecer... - disse sem ânimo. Não era muito fã de fazer compras com hora marcada.
e sempre gostaram de se vestir bem, servindo de referência muitas vezes para as outras garotas do colégio. Era um costume delas sempre planejar idas ao shopping depois das aulas, para comprar roupas novas. O que na maioria das vezes não agradava muito . Ela só ia para acompanhar as amigas.
- Ah , não faz essa cara! - disse e concordou com a cabeça. - Talvez a gente até te ajude a escolher roupas melhores. ? ela riu debochada.
- Ok, né. - ela fingiu um sorriso.
- Aliás, por que vocês se atrasaram hoje? - perguntou, colocando as mãos nos bolsos de seu casaco.
- Erm, longa história - disse, olhando de canto de olho para .
- É... depois eu te explico. - respondeu, com o olhar distante.
deu de ombros.
- Bom, meninas, eu vou andando... Tenho aula de Biologia! ? ela disse, acenando para as amigas e andando até encontrar seu namorado brutamontes, Charlie, logo adiante.
- , eu já vou indo também... - começou a andar em direção à sua sala.
- Ah, aula do que agora? ? perguntou , fazendo parar para respondê-la.
- Geografia. Bom, a gente se vê no intervalo! - ela sorriu fraco e deu as costas.


Sem ter muita escolha, foi até seu armário para pegar os livros que usaria naquele dia. Abriu-o e olhou para as aulas que teria. Matemática, Inglês, Química...
- - ela ouviu alguém dar um soco de leve no armário do lado, abrindo-o.
Ela tomou um susto e olhou para o lado. Era Daniel e um de seus amigos, o pequeno de cabelos loiros bagunçados e roupas a la Tom Delonge, Dougie. Como há alguns minutos antes, fingiu total desinteresse.
- Ah, você - respondeu, procurando por seus livros dentro do armário.
- Ainda mal-humorada por causa da carona? - Danny pegava seus livros, rindo. Dougie olhava para os dois, já com seus livros em mãos.
- Não... Eu estou aqui, não estou? - olhou para ele, com as sobrancelhas erguidas, segurando a porta do armário.
percebeu que Dougie tentava não rir da conversa. O garoto tinha se acostumado com o jeito "carinhoso" em que tratava o amigo.
Daniel pegou seus livros e fechou o armário, se encostando nele logo depois. Ficou encarando , que conferia atentamente seu horário aos livros que tinha pego para aquele dia. Ela, percebendo que era observada, olhou para Daniel, visivelmente incomodada.
- O que foi? Não tem aula agora não? - ela perguntou, segurando firmemente uma pilha de livros, que se não fossem de capa dura com certeza teriam sido danificados pelo modo com que segurava-os, com as unhas fincadas na capa.
- Tenho... É que eu queria saber se, bom, você vai no jantar da Role Models no sábado. - ele perguntou, sorrindo maroto ainda apoiado em seu armário - Sabe... É sempre bom ter alguém conhecido. Aqueles jantares são geralmente muito chatos.
Role Models era a agência de modelos a qual os pais de , e Danny eram donos, e foi pela mesma que eles conheceram , que entrara a alguns anos para ser modelo. Era a agência mais famosa da cidade, e promovia muitos jantares e festas, as quais também eram muito conhecidas também.
- Ha, deve ser mesmo muito chato sempre pegar todas as modelos em jantares como aquele! - ela se olhou no pequeno espelho que tinha na porta de seu armário fechando-o em seguida e parou, encarando-o.
- Então... É por isso mesmo que eu queria saber. Bom, eu preciso de você lá pra me apresentar algumas... amigas? ? ele piscou pra ela, sabendo que receberia outra resposta sutil. A conhecia muito bem e sabia como provocá-la.
- Mas o quê... - bufou e fez menção de sair dali, visivelmente irritada com a pergunta.
Danny foi mais rápido e se colocou na frente dela, que quase o derrubou no chão ao bater seus braços que carregavam os livros no peito do menino. Receando o toque dele, ela deu um passo para trás rapidamente, olhando-o com uma visível raiva.
- Você ainda não me respondeu! Você vai? - ele sustentava um meio sorriso no rosto ao vê-la mais irritada ainda.
Ela fechou os olhos e deu um longo suspiro, tentando se acalmar. A essa hora Dougie quase não conseguia mais conter seu riso. Danny estava amando aquela situação, ele amava deixá-la irritada daquele jeito.
"Calma", pensou, tentando juntar forças para respondê-lo a altura. Ele então deu um passo em direção a ela, que não reparou tamanho era seu esforço para se focar em uma 'resposta palavruda'.
- Não sei... E também não devo satisfações a você - ela sorriu cínica, empurrando-o levemente para o lado e começando a andar - Se você quiser mesmo saber, vai ter que ir para descobrir - ela finalizou com um sorrisinho irônico a alguns passos de onde ele estava e então se virou, voltando a andar.


O corredor do último ano, cheio de cartazes de eventos escolares, murais com festas badaladas (ou nem tanto), professores sonolentos com seus diários de classe e alunos apressados para suas aulas, ao toque do sinal ficava mais e mais cheio. Entre os alunos, passavam em direção à sala de Biologia e seu namorado, os quais atraiam a atenção de todos os outros por quem passavam. Ela desfilava calmamente pelo corredor, balançando seus cabelos brilhantes, levemente ondulados, enquanto sua mão direita, que possuía uma aliança prateada, era segurada firmemente pela mão de Charlie Burk, um garoto alto, loiro e de músculos bem definidos, que sorria para algumas líderes de torcida encostadas na parede.
Quando chegaram à porta da sala, abandonou o namorado que conversava com algum amigo do time de rugby (que ela não fez questão de saber quem era) e algumas aspirantes a populares e, passando rapidamente por todos, deslizou para o banco livre ao lado de , que estava lendo uma revista com os cotovelos apoiados na bancada.
era brasileira, estudava no Ealing High e era amiga das meninas. Por ter aterrissado há pouco tempo na terra da Rainha, era um pouco deslocada com todas essas coisas de grupos, mesas e turmas. Ainda não tinha pegado o jeito de ser que as amigas eram tão acostumadas, com todas aquelas festas, bebidas, vários amigos e generosas idas ao shopping, mas ela estava se adaptando bem. A garota levantou o rosto de sua revista e sorriu para , sua amiga mais próxima lá e lançou-a um sorriso. Elas iam todos os dias juntas para a escola; o motorista de levava-as para o colégio pontualmente às 8 horas todos os dias.
- Olá girl! ? disse ao se sentar, sorrindo aliviada por fugir daqueles sorrisos falsos e conversas de etiqueta, colocando os livros em cima da mesa.
- Oi! Cadê o seu chiclete? ? perguntou com um sorrisinho irônico se referindo ao namorado da amiga. Era assim que todas se referiam a Charlie, nenhuma delas gostava muito dele, mas era um pouco teimosa com relação à sua vida amorosa. fechou a revista que lia para poder conversar com a garota.
- Ele não é um chiclete! ? Reclamou , olhando feio para ela, ao mesmo tempo em que Charlie entrava na classe acompanhado de alguns amigos e se sentava na bancada ao lado da delas.
Ele jogou os livros em cima da mesa e virou-se para o lado para observar as duas garotas e logo em seguida mandou um beijinho soprado para a namorada. virou para o lado contrário, tentando inutilmente controlar seu riso, e sentiu seu rosto arder de vergonha. Logo olhou feio para , que agora ria descontroladamente, com o rosto afundado nos braços em cima da bancada e com os olhos cheios de lágrimas devido ao riso.
mal teve tempo para zoar a amiga quando conseguiu parar de rir (e chorar), pois logo depois Dougie e Harry entraram na sala extremamente vermelhos e rindo muito alto, atraindo a atenção da sala inteira para eles.
- Escandalosos! ? disse revirando os olhos enquanto ria baixinho da risada deles. não falava com os garotos já há muito tempo, só falava 'oi' e 'tchau' para Harry porque ele era namorado de , ou seja, por pura educação. Mas Dougie, na opinião dela, era ?insuportável, rebelde, nojento e irritante?. Quando se tratava de Dougie, não lhe faltavam "elogios".
Os garotos passaram por elas ainda rindo e se sentaram - leia-se se jogaram - na bancada de trás, despejando os livros em cima da mesma logo depois.
- Qual a graça? ? perguntou se virando para encará-los ainda rindo. Ela era simpática demais com eles, ao contrário das outras garotas. E era curiosa demais também.
- O Tom... O Tom... Ele tava atrasado... Pra aula... Pisou no cadarço... Caiu com tudo... No chão... Foi hilário! ? os dois garotos tentavam explicar ao mesmo tempo em meio a risadas, ficando ainda mais vermelhos de tanto rir. Dougie já segurava sua barriga de tanto rir e Harry batia a mão com força na bancada, rindo cada vez mais.
A situação contada por eles pareceu hilária, principalmente porque seu protagonista era uma constante vítima de brincadeiras de mau gosto por ali. Ao ouvir a história, disfarçou o riso e fechou a cara, desviando os olhos da conversa, visivelmente incomodada com o assunto. Ela era a única das garotas que falava com Tom, um nerd que era amigo de Danny, Harry e Dougie, inclusive fazia parte da banda deles, e fazia aulas de Música com a menina. O achava um garoto tímido, porém sempre o admirara por seu grande talento musical e não se conformava por ele ser tratado daquela maneira pelo resto da escola. Essa era uma das coisas que não apreciava em suas amigas, mas, é claro, mantinha a lei do silêncio quando o assunto era esse.
- Ah , não precisa se preocupar, o supercova continua inteiro, só com o orgulho ferido ? Harry disse olhando a menina e achando graça da cara que ela fez.
Dougie deu uma risada estranha, fazendo olhá-lo assustada. corou de leve, fazendo a amiga olhá-la com curiosidade, não era uma pessoa que revelava muito seus sentimentos.
- Até parece, a e aquele esquisito! ? riu, confiante do aparente absurdo que Harry tinha falado, enquanto pegava uma folha em seu fichário verde limão para fazer as anotações da aula. Não era bem visto que meninas como saíssem com meninos como Tom.
- Não ?tô preocupada com ele! Só fiquei com dó, o Tom é sempre tão atrapalhado, qualquer dia ele vai se machucar sério e vocês vão parar de rir da cara dele! ? se irritou e virou pra frente, tentando se concentrar na explicação da professora de Biologia - que mais parecia uma grande sapa - e copiar o que a mesma passava no quadro negro enquanto o resto da classe fazia coisas aleatórias e ignoravam-na.
- Uau! Belo discurso, amiga! ? ria, pegando sua caneta Stabilo rosa, e a fuzilava, olhando-a pelo canto do olho.
- Ai amigues, eu sei que ele é mara! ? Dougie falava para Harry fazendo uma voz fina e irritante, imitando falando com a amiga, e, em resposta, recebeu um olhar de desprezo dela.
- Eu sei que você me ama, Poynter ? Ela disse voltando-se para frente e fazendo uma de suas típicas caretas para , o que fez as duas rirem. era uma pessoa muito divertida, adorava fazer caretas e piadinhas infames.
- Metida ? Dougie bufou, rabiscando qualquer coisa em seu caderno, sem vontade de prestar atenção na aula.
- Inconveniente ? ela revidou sem nem mesmo se virar para trás. Não iria se irritar com Dougie assim tão facilmente, ainda mais com seu namorado do outro lado do corredor de bancadas.
- Vocês se amam, dude ? Harry ria que nem uma hiena da situação, fazendo um coração com as mãos para os dois. Recebeu o dedo do meio de Dougie em resposta. A garota fez questão de olhar para trás e fazer mais uma de suas caras de nojo que fez todos rirem, menos Dougie.
- Menos, Judd. Mas em uma coisa eu tenho que concordar, eles se merecem! ? completou, fazendo um high five com Harry e deixando e Dougie furiosos com os 'amigos'.
- Poynter, Judd, e , se vocês não fizerem silêncio eu terei que colocar todos vocês pra fora da sala ? a professora ameaçou e toda a classe se virou para olhá-los. Charlie os olhava curioso, sua namorada não era de ficar falando com eles. A garota ao perceber o olhar intrigado do namorado, simplesmente continuou copiando a matéria da lousa, sem levantar o olhar nem uma vez. virou-se para frente, havia perdido a vontade de copiar. Fez uma cara de tédio, típica de aulas de Biologia, e começou a escrever algo em um pequeno caderno. Dougie e Harry se entreolharam, pensando em continuar e sair da aula com classe, mas, por fim, resolveram ficar quietos, mesmo achando que perder a aula de Biologia seria bem mais interessante.


entrou em sua sala de aula e logo avistou o lugar em que iria sentar: uma carteira na primeira fileira, que todos faziam questão de deixar sempre vazia, onde os mais geeks sempre participavam da aula e, o principal... era bem distante dos alunos insuportáveis de sua aula de Inglês. A aula mal tinha começado e ela já não via a hora do sinal tocar, odiava aulas sem suas amigas. A garota então deu um longo suspiro antes de finalmente entrar na sala. No caminho ao seu lugar, foi interrompida por uma garota loira, sorridente, com olhos irritantemente azuis e sobrancelhas que quase se encontravam. sabia exatamente quem era... A olhou com certa impaciência, já esperando pelo turbilhão de coisas sem nexo que a garota lhe falava todos os dias.
- Bom dia! - Laureen disse, abrindo ainda mais seu sorriso.
- Hm, oi Laureen - assim como em todos os outros dias, tentou parecer interessada no que ela tinha a dizer, esboçando um projeto de sorriso. Por mais chata que Laureen fosse, não gostava de ser antipática com os outros, Daniel Jones era obviamente sua exceção.
Laureen era o tipo de garota que era conhecida por ser desagradável. Ela tinha todas as características de uma garota popular e até poderia ser uma, mas, ao invés disso, ela preferia perseguir as pessoas, quase que no sentido literal. Ela já estudava naquela escola por muito tempo e, através dos anos, já tinha incomodado muita gente, até mesmo , oferecendo favores, frequentando as mesmas aulas, usando as mesmas roupas, tendo o mesmo corte de cabelo... Um exagero. E parecia que,há algum tempo, sua nova "vítima" era , que diferentemente das outras garotas, odiava esse tipo de atenção.
- Fiquei sabendo que seu pai vai dar outro jantar esse fim de semana! - Laureen disse parecendo mais empolgada que o normal. Um jantar com Laureen era tudo que NÃO precisava.
- É... Como você ficou sabendo? - perguntou um pouco receosa. Não sabia ao certo se Laureen conhecia alguém da empresa de seu pai para chegar a ser convidada.
- Ah... Eu li no seu blog! - Ela disse como se fosse óbvio.
"Puxa saco" pensou, rolando os olhos.
- Estou tão empolgada... Vamos nos divertir muito! - Laureen deu um pulinho histérico e quase engasgou.
- C-como assim "nós"? Ela fez aspas, à olhando incrédula. Estava esperando que Laureen não dissesse um "eu e você!".
- Bom, depois que eu fiquei sabendo do jantar e como eu não conheço ninguém que vá... - Ela disse e se sentiu aliviada por um momento. - e já que eu quero muito ir... eu falei com a ! E, já que ela é modelo, ela me coloca pra dentro do jantar! Ótimo, não?
apertou seus livros contra o corpo, sentindo o sangue borbulhar em suas veias. Falaria com assim que sua aula acabasse e com certeza pensaria duas vezes antes de publicar sua agenda inteira em seu blog. Já estava mais do que comprovado que nem sempre são pessoas legais (ou agradáveis) que o acessam.
- É, claro, a gente... se vê lá. - fez uma careta ao pronunciar as últimas palavras.
Antes que Laureen pudesse falar mais alguma coisa, desviou da menina, indo rapidamente para seu lugar.


A sala de Geografia, cheia de mapas-múndi, globos terrestres e estantes de livros espalhadas, já estava começando a ser ocupada pelos alunos. Entre eles, estava , que chegou ao local com sua bolsa Gucci prata e com alguns livros na mão, já fazendo seu pequeno social com algumas pessoas que conhecia. A garota estava sem sua costumeira animação de todos os dias, realmente estava se esforçando muito para tentar ser simpática com todos que chegavam para falar com ela; não conseguia parar de pensar em Harry. logo procurou pela única pessoa com quem realmente gostava de conversar naquelas aulas (e, somente nelas), Allison, uma garota alta, com o rosto levemente pálido e olhos imensamente castanhos, que a ajudava a se distrair durante os tediosos cinquenta minutos. Sentou na carteira de costume: do lado da janela e em uma das últimas carteiras da fileira. Não era como as outras garotas aspirantes a popular que adoravam ficar na frente exibindo seus novos sapatos Chanel para todos. não precisava disso para chamar a atenção durante as aulas, se preocupava mais com o que acontecia depois delas.
Checou seu celular para ver se não tinha recebido nenhuma mensagem (de Harry, mais especificamente). Na pequena tela de seu Sidekick, não viu nenhuma mensagem interessante, tirando uma de Howard, um garoto gótico - e um tanto perturbado - de sua sala perguntando se ela não queria "descobrir novas fronteiras" com ele. Só de pensar no que aquilo poderia significar, fez uma cara de nojo.
- Que cara é essa? - perguntou Allison, dando uma risada, assim que se sentou na carteira da frente de .
- Ah, mensagem do Howard de novo. Quando é que ele vai se tocar que ele é um doente pervertido!? - deu ênfase nas últimas palavras, olhando diretamente para o garoto com um olhar fatal.
- Esquece isso. - Allison riu de novo - Como estão as coisas entre você e o Harry? Fiquei sabendo que vocês brigaram e tal...
deu um longo suspiro. Odiava isso. Não importava o que ela fazia, no dia seguinte todos na escola sabiam o que tinha acontecido. Fez uma cara de reprovação.
- É, pois é... Mas tudo já se resolveu. - mentiu, para não ter que dar mais explicações para a Allison, que, ao ouvir tais palavras, deixou de encará-la com um olhar curioso.
- Ah, que bom! Vocês formam um casal muito fofo! ? ela disse, sorrindo.
não respondeu mais a amiga. Não podia deixar de concordar com ela, várias pessoas (as que não a invejavam ou a odiavam) falavam bem do casal. Pensar nisso a fez ficar ainda mais triste. Apoiou a cabeça em sua mão e olhou para o nada. Começou a se lembrar do que tinha acontecido naquela manhã...

Flashback

Ao abrir os olhos, logo procurou Harry, que não estava mais dormindo ao seu lado, e logo o viu se vestindo.
- Bom dia, amor! - ela disse se levantando e indo em direção do garoto, que não teve nenhuma reação após a namorada lhe dar um beijo estalado na bochecha.
- O que foi? - perguntou estranhando o humor dele.
- Eu tenho que ir. - disse simplesmente.
- O que aconteceu? Você quer me falar alguma coisa? Precisa de alguma ajuda? A gente não vai para a escola juntos? - perguntava sem ao menos parar para respirar.
Harry se estressou ainda mais com a ação da garota.
- Tchau, . Falo com você na escola. - Harry se apressou saindo do apartamento dos .
observava pela janela seu namorado ir embora sem ao menos dar uma explicação...


Fim do flashback

Voltou seus pensamentos à aula. Olhou para frente e pôde ver a careca de seu professor andando de um lado pro outro da sala, explicando algo sobre minérios. "Nada interessante", pensou. Voltou seu olhar para fora da janela, onde tinha somente a visão das árvores balançando por causa do vento, enquanto ela mexia distraidamente em suas meias vinho 7/8 que resolveu usar junto com sua saia cinza, camisa branca, casaco e sapatos pretos que tinha acabado de comprar na John Galliano.
Os minutos pareciam não passar nunca. Até que o som do sinal tocando fez sua mente voltar ao lugar onde estava e assim, ela se levantou e saiu da sala.
- Vejo você amanhã? Me manda uma mensagem pra gente marcar de almoçar juntas alguma hora... - Allison, como de costume, correu atrás de depois da aula. Ela não sabia o porquê, mas nunca estava a fim de falar com ela fora da aula de Geografia. Talvez por ela ser um tanto estranha com aqueles óculos grandes de grau e seus sapatos de Deus-sabe-que-século... Para isso realmente não fazia diferença, pois fora da aula ela podia falar com suas amigas de verdade.
Saiu andando no meio das pessoas fazendo Allison a perder de vista.


O sinal já tinha tocado e digitava algo em seu celular enquanto esperava seu professor (quase sempre atrasado) de Inglês chegar na sala, onde os alunos ainda faziam barulho e conversavam. O tempo passava e nada do Sr Simpson chegar. "Ótimo", ela pensou, depois de dez minutos de espera. A garota continuava entretida com seu celular quando sentiu uma bolinha de papel bater um sua cabeça, a assustando um pouco. Insistivamente olhou para o meio da sala, onde Danny Jones e alguns outros garotos estavam e os encarou com os olhos semicerrados. Danny, que provavelmente viu o que tinha acontecido, simplesmente olhou para ela e riu, levantando as duas mãos em sinal de "eu não fiz nada", fazendo rolar os olhos e virar para frente.
- Hey . - Ela ouviu uma voz conhecida vinda do fundo da sala e se virou, sorrindo.
Os três garotos estavam lá, no lugar de sempre, cercados de pessoas, principalmente garotas. ainda os olhava esperando por uma resposta e um deles a chamou com o indicador. A garota se levantou, rindo, e foi até o fundo da sala, se sentando em uma carteira na frente deles.
- Então a bolinha de papel foi idéia de vocês, huh? - Ela perguntou olhando para cada um com a sobrancelha arqueada.
- É - Um deles disse, dando um sorriso de lado. Era Donald. - isso foi graças à preguiça do Nick de ir até o seu lugar te chamar - ao falar isso os três, que estavam sentados lado a lado, riram. - e da pontaria do Wade! - ele deu um tapinha no ombro do amigo que estava à sua direita, e ele piscou para ela.
adorava o sempre presente bom humor deles. Donald, Nick e Wade sempre andavam juntos e tinham um jeito único de entreter as pessoas, mesmo sendo mal interpretados algumas vezes. Não era a toa que quase todo o Ensino Médio gostava deles. A garota se sentia completamente confortável na companhia dos três. Talvez o fato deles terem uma banda fosse um fator que colaborasse para essa atenção toda.
- Entendi... - se acomodou mais na cadeira, abraçando as pernas. - Então, o que querem falar comigo?
- Na verdade - Nick começou. - nós queríamos que você viesse sentar aqui com a gente.
- Porque, aliás, você tá lá na frente sozinha, até parece que quer estudar... - Donald riu, passando a mão pelos cabelos, uma de suas manias.
- Ah, eu não sei...
olhou para seu lugar, visivelmente mais silencioso e depois olhou para o fundo da sala, onde vários alunos conversavam, ouviam música alta - antes e durante a aula - e, aonde com certeza não a deixariam prestar atenção nas palavras do professor Simpson. Pobre do Simpson.
Sabendo que os garotos ainda a observavam esperando uma resposta, se levantou de onde estava, foi até seu lugar, pegou seu material e voltou para o fundo da sala. Os outros alunos a observaram durante todo o trajeto, já era típico ?a popular se sentar com os garotos da banda?. tentou ignorar os olhares e se sentou, arrumando suas coisas encima da mesa, mas um olhar ainda a incomodava. Olhou para frente, disposta a encarar quem quer que fosse e seu olhar encontrou os olhos azuis de Danny Jones. Ele a olhava pensativo, parecendo aéreo a qualquer coisa que as pessoas ao seu redor falavam, a encarando com as sobrancelhas um pouco franzidas. Pareceu acordar de seu transe quando finalmente percebeu que ela sustentava seu olhar nele e balançou um pouco a cabeça, em uma tentativa de disfarçar o que tinha feito e voltou a olhar para frente e a conversar com uma garota que estava sentada ao seu lado.
não sabia o que tinha sido aquele olhar, não que fosse muito importante, mas Danny nunca a olhava daquele jeito. Ela sabia que o garoto não gostava de Donald, Nick e Wade, por causa da rivalidade de suas bandas, mas aquilo não era motivo para repreendê-la com o olhar daquela maneira.
Ela ficou conversando com os garotos por um tempo, até que o professor alto, de cabelos longos e bagunçados chegou à sala - finalmente. O Sr. Simpson estava suado e ofegante, mal conseguindo inventar uma de suas típicas desculpas por seu atraso. Ele tratou de agilizar as coisas e tentou colocar ordem na sala. Foi totalmente em vão. Ele deveria saber que era impossível se obter silêncio depois de quase quinze minutos de aula perdida.


O sinal bateu para os alunos de Biologia, que a essa altura já quase babavam em suas carteiras, e eles saíram rapidamente, esvaziando a sala. e não eram excessão, rapidamente juntaram todas as suas folhas e canetas coloridas que jaziam espalhadas por toda a bancada e correram em direção à porta da sala, conversando animadamente. deixara o namorado para trás, estava empolgada conversando sobre viagens para o Brasil com a amiga, elas pretendiam que todas viajassem juntas para lá no verão. Dougie e Harry também se moveram rapidamente para sair da classe, Harry estava um pouco pensativo e Dougie não o questionou. Continuaram andando em silêncio e Dougie olhou de relance para , que estava parada na sua frente, entretida em sua conversa com . Um cheiro doce misturado com cheiro de maçã invadiu suas narinas e ele virou o rosto, tentando fazer o cheiro desaparecer e com ele a imagem de , que sorria, mas parecia que tudo estava agarrado a suas entranhas, algo do qual ele não podia se livrar. As garotas viraram à direita em direção aos seus armários.
- A gente tem que ir à praia! - comentava sorridente. Conhecer as praias brasileiras era um sonho antigo, seus pais já haviam viajado para lá antes dela nascer e a garota se maravilhava com essas fotos antigas. sorriu.
- Elas são realmente maravilhosas. - disse, se lembrando de sua terra natal.
Então as duas se silenciaram, enquanto procuravam seus livros para a próxima aula.
- Vou precisar de biquínis novos! - falou a outra com os olhos brilhando com a perspectiva de fazer compras de verão. Sorriu para a amiga e foi andando em direção à próxima aula. apenas riu da alegria dela e se virou para o outro lado, pegando o livro de álgebra e indo na outra direção.


11:15 AM
andava pelo corredor apenas observando as pessoas ao seu redor e tentando ouvir os comentários que faziam enquanto a garota passava. Chegou aonde seu armário se encontrava e guardou os livros de Geografia, que não seriam mais utilizados no dia. Olhou para baixo e pode ver que alguém estava atrás da porta de seu armário. Pelos jeans surrados e pelo tênis de marca preto e azul, não teve dúvidas de quem era: Harry. Mordeu seu lábio inferior dando um sorriso antes de fechar a porta e se deparar com um Harry muito sorridente. Tirou o sorriso do rosto ao se lembrar do que tinha acontecido anteriormente e começou a bater de leve seu pé direito no chão, como quem espera uma explicação.
- O que foi, amor? - perguntou seu namorado com cara de dúvida, arqueando uma sobrancelha.
- Você pode me dizer o porquê de você sair todo estressado da minha casa hoje? - perguntou sem emoção.
- Ah, certo. - ele mordeu o lábio inferior e procurou as melhores palavras para poder explicá-la o que tinha acontecido - Me desculpe , é que meu pai me ligou bem cedo, soando bem nervoso, perguntando porque eu passava tanto tempo fora de casa. Aí, bom... Começou a falar que eu tenho que ser alguém na vida e que a banda não tem futuro. Você sabe o quanto eu fico nervoso quando escuto isso. Então eu tive que ir pra casa pra falar com ele, esclarecer as coisas, sabe? - ele deu uma pequena pausa antes de continuar - Mas agora está tudo bem. - Harry pegou no queixo de e levantou seu rosto que estava abaixado - Mil desculpas por falar com você daquele jeito todo rude. Não queria ter feito aquilo, só que...
Foi interrompido pela namorada que tapou seus lábios com seu indicador.
- Shh... Não precisa falar mais nada. Eu entendo. - disse sorrindo.
- Mesmo? - ele tentou falar e ela balançou a cabeça em sinal de afirmação - Eu te amo tanto. Prometo nunca mais fazer isso com você, não importa o que aconteça. - disse beijando de leve o dedo da garota que ainda estava em seus lábios, o que a fez sorrir.
- Eu sempre estarei do seu lado para o que você precisar, viu? - disse sincera.
Harry apenas concordou e se aproximou mais de , abraçando-a pela cintura e lhe dando um selinho.
- Ah! - A garota exclamou antes de apoiar sua cabeça no ombro de Harry e sussurrar perto de seu ouvido - Eu também te amo, muito.
Sentiu Harry dar um beijo rápido em seu pescoço e logo virou o rosto para beijar os lábios dele. Pôde perceber que todos ao redor estavam os observando e alguns até tirando fotos com seus celulares. Mas aquilo não importava. Ela estava com o garoto que amava e estava mais feliz do que nunca com sua vida, e nada poderia tirar isso dela.
Sem se preocupar com a movimentação que causaram no corredor, aprofundaram o beijo. Apareceu um leve sorriso no rosto de ao sentir a língua de Harry tocar a sua. O jeito como ele a beijava a fazia sentir de um jeito que ela nunca tinha se sentido com outros garotos. Ela se sentia dele e que ele era seu, somente seu Harry.
mordeu o lábio inferior de Harry antes de terminar o beijo. O sinal tinha acabado de tocar.
- Mas que droga! - Harry resmungou baixo, o que fez rir.
- Tudo bem, amor. A gente se vê depois da aula. Agora eu tenho que ir almoçar se não vou morrer de fome e vai ser culpa sua! - brincou e Harry mostrou a língua.
- Ok, ok... Mas depois a gente se vê, hum? Agora vá comer, menina esfomeada! - mandou um beijo no ar pra namorada antes de sair para o lado oposto ao qual ela se dirigia. Harry tinha que pegar alguns livros antes de ir finalmente almoçar.
sorriu e foi em direção ao refeitório encontrar suas amigas, que tinham passado por ela e Harry alguns minutos antes.

Capítulo 2.

O intervalo para o almoço era definitivamente o horário mais esperado do dia por todos os alunos do Ealing High, pois isso significava poder ficar vinte minutos longe da vista dos professores, ligar seus celulares e, é claro, poder deixar os bilhetinhos e sussurros de lado e conversar mais à vontade. Porém, como em toda grande escola, os alunos tinham que se apressar para poder ao menos conseguir uma mesa para seu almoço, isso é, se você não fosse querido o bastante para poder ter seu lugar garantido todos os dias.
Dougie entrou no grande refeitório, aquele era com certeza o horário mais lotado. O sinal para o intervalo havia tocado a apenas cinco minutos e os lugares estavam quase todos ocupados. Rapidamente, passou pelas mesas e foi para a fila do almoço. Já tinha enfrentado dias piores que aquele e nunca ficou sem uma mesa para almoçar, mesmo ele considerando as escadas um ótimo ambiente para o almoço, nunca ligara para aquela disputa ridícula entre os alunos. A fila andou rápido e o garoto olhou para o cardápio do dia, onde as palavras "carne e batatas" estavam escritas de muita má vontade em uma caligrafia estranha. "Muito original" ele pensou, assim que se serviu. Olhou à sua volta e iniciou finalmente sua busca por uma mesa, avistando uma vazia minutos depois, mais ao fundo no refeitório. Andou rápido, quase correndo, equilibrando sua bandeja e seu refrigerante até chegar à mesa e se sentar.
- Não foi tão difícil assim... - O garoto disse para si orgulhoso, abrindo sua bebida.

Danny e Tom se encontraram no corredor e seguiram juntos até o refeitório. Chegando ao lugar, começaram a procurar por Dougie e por Harry, já que os dois tinham combinado de tentar guardar um lugar bom para eles almoçarem, pelo menos dessa vez. Depois de dois séculos procurando eles avistaram Dougie de longe e então rumaram até a fila, que há essa hora já estava maior.
- Carne e batatas? Por que não tem banana? - Danny comentava inconformado.
- Dude, têm batatas, adoro batatas! - Tom comentou olhando animado para seu prato e recebeu um olhar de 'eca-é-a-comida-da-escola-e-não-têm-bananas' de Danny. - O quê? Deviam servir batatas até no café da manhã!
Danny revirou os olhos ao ouvir o comentário desnecessário.
Já servidos, os dois carregavam suas bandejas, torcendo para que nada caísse, pois teriam uma longa jornada até o ótimo lugar que Dougie tinha escolhido. Por que uma mesa tão longe mesmo? Ah é, eles não eram populares.
Durante o caminho, Danny e Tom podiam observar todos os grupinhos que ocupavam as mesas mais próximas da entrada. Era tão inútil tentar entender porque aquelas pessoas ganhavam tanto prestígio enquanto os outros tinham que se matar para poder ao menos almoçar em paz. Reparavam em cada mesa... Grêmio Estudantil, jogadores de basquete, jogadores de rugby e suas líderes de torcida - ao passar ao lado deles, Tom pôde jurar que uma batata tinha sido arremessada em seu cabelo - pessoal da banda e suas groupies, garotas populares...
Os dois deram maior atenção a esse grupo. Mesmo que dissessem que não viam a mínima graça naquelas garotas, algo nelas sempre prendia sua atenção.
- ...Mas não tenho dúvida entre um nerd e um cara como ele! - Eles ouviram alguém comentar na mesa delas.
Tom identificou a voz de .
Depois de terem ouvido tal comentário, continuaram andando em silêncio. Danny não tinha conseguido ouvir sobre o que elas estavam conversando e também não deu muita importância para aquilo. Somente depois de perceber que Tom parecia um tanto quanto incomodado, resolveu perguntar.
- Dude, você conseguiu ouvir alguma coisa? - Danny perguntou ao amigo em um sussurro.
- Shiu - Tom sibilou em resposta, fazendo um movimento com a cabeça para que ele continuasse andando. Até parece que Danny não sabia que o nerd de todas as conversas era o garoto que estava ao seu lado.
Eles então continuaram passando por entre os diversos estudantes. Geeks, clube de teatro, góticos...
- Nossa mesa deve estar por perto. - Tom riu levemente, observando o "nível de popularidade" cair entre as pessoas ao redor, fazendo Danny gargalhar.
- Finalmente! - Dougie exclamou com a boca cheia de carne.
Eles se sentaram. Dougie definitivamente deveria estar sem escolha aquele dia. A mesa em que eles estavam sentados era praticamente grudada na parede dos fundos do refeitório, ao lado de um grupo de plantadores de maconha e na frente da mesa onde as garotas virgens e amantes da natureza choravam suas mágoas.
- Você não era o amante das batatas? - Danny debochou ao ver a cara feia que Tom fez quando experimentou o almoço.
- Eu gosto, mas não sei, hoje elas não estão muito boas! - ele respondeu empurrando a comida para um canto do prato.
- Então você preferia bananas? - Dougie disse e gargalhou da cara de pavor que o amigo fez.
- Pelo amor de Deus, tudo menos bananas! - Ele tapou a boca, enjoado.
- Brincadeiras à parte, cadê o Harry? - Dougie de repente reparou que só haviam três pessoas ali.
Danny e Tom se entreolharam com uma cara engraçada e disseram juntos:
- !
- Hmm, quem tá falando da aí? - Harry apareceu no mesmo instante.
- Ninguém, Harry, magina! - Danny riu debochado e Harry o olhou desconfiado.
- Que seja, então, vamos ensaiar hoje? - O garoto se sentou, logo se esticando na cadeira. - Na casa do Danny, como o combinado?
- Não posso, aula de música! - Tom explicou. - Mas posso ir pra lá depois.
- Isso aí, a gente fica badernando até você chegar. - Dougie piscou para os amigos.
- Vai encontrar a , hmmm! - Danny riu, encarando Tom com um olhar malicioso.
- Só porque a é a única garota daquela aula, não quer dizer que eu só a frenquento para me encontrar com ela... - Tom se irritava fácil quando o assunto era ele e . - Além do mais, eu mal falo oi pra ela!
- Mas deveria! Você anda meio encalhado, dude... - Harry disse, mas foi interrompido.
- Será que nós podemos mudar de assunto? - Tom estava cansado daquela conversa.
- Então vamos falar do Harry e da ! - Danny ia dizendo, mas o sinal tocou.
- Ah, que chato, vamos ter que deixar pra próxima... - Harry fingiu decepção e riu, levantando-se, a caminho de sua aula de História, sendo acompanhado por Tom.
Danny, enquanto isso terminava sua refeição rápido, pois estava animado para a aula de Educação Física e Dougie estava esperando o amigo, mesmo já tendo terminado de comer, pois sua próxima aula era Física, que ele visivelmente adorava.


Depois de mais duas entediantes aulas, chegou o tão esperado horário do almoço. e Charlie brigaram por que a garota não quis passar o almoço na mesa dele, optando pela mesa de suas amigas, porém dois minutos depois eles já se agarravam em um canto, chamando à atenção de todos, só para variar.
- Se aquela mulher passasse mais um slide de sexo de sapos, eu ia surtar! ? gargalhava com sua bandeja na mão enquanto ela e sentavam-se à mesa bem no centro do refeitório ? Mas você perdeu a e o Poynter discutindo, foi hilário! ? ria mais ainda enquanto contava seu dia para e comia as batatinhas que tinha comprado de almoço.
- Um dia o Charlie vai saber disso e não vai gostar nada, nada... ? comentou apontando para o casal que ainda se agarrava, enquanto abria seu suco.
- Não que ele vá fazer muita falta mesmo ? comentou despreocupada ? Ele só fala de troféus, Rugby e líderes de torcida! ? fazia cara de desprezo. fechou os olhos, lembrando do ano anterior, as líderes de torcida já tinham feito derrubar muitas lágrimas. Abriu os olhos de novo, parecia pensativa.
- Vai me dizer que você prefere um nerd? ? riu cínica, erguendo uma sobrancelha ao encarar a amiga.
- Mas não tenho dúvida entre um nerd e um cara como ele! ? disse sem sombra de dúvida. "Um nerd não seria nem um quarto tão ruim quanto esse ogro", ela balançou a cabeça, certa de seu pensamento.
- Ai , credo! Só por que você gamou naquele garoto da aula de música, né? ? disse sem se importar ao fazer sua típica cara de ?nerds-são-estranhos?.
- Ei! Eu não gamei em ninguém, tá legal? ? disse fechando a cara para a amiga ? Não sei onde a mente fértil de vocês tira esse tipo de coisa! ? Ela riu incrédula, enquanto se levantava ? Vou buscar um frappuccino.
A garota andou até o balcão, onde uma mulher um pouco atrapalhada e com uma touca na cabeça a encarava, esperando por seu pedido. Pediu um frappuccino simples, pagou-a e esperou por seu pedido, que não demorou muito a vir. No caminho de volta, fez questão de passar por e Charlie. Adorava provocar os dois.
- Toma vergonha na cara, menina! ? Ela cutucou que riu envergonhada, ao mesmo tempo em que recebeu um olhar assassino de Charlie ? Relaxa, grandão! ? Ela saiu saltitante e voltou para a mesa onde já terminava seu suco.
As duas ficaram algum tempo em silêncio e logo avistaram , que já tinha se separado de Charlie e finalmente decidido se juntar às amigas. O que elas não perceberam, foi que Nick Ackerman, ao ver que estava sozinha, andou em sua direção, chegando perigosamente perto de sua orelha.
- Oi, cherry ? a garota sorriu com os cantos da boca ao ouvi-lo, disfarçando em seguida ? Amanhã, às quatro, não se atrase ? ela mordeu o lábio inferior, o medo de ser dedurada ou descoberta era muito grande, mas assentiu levemente, voltando seus olhos para a mesa onde as amigas estavam. Será que alguém teria percebido a conversa deles?
- Cadê a ? ? perguntou enquanto chegava e se sentava do lado oposto ao de e . As duas se olharam com cara de ?é óbvio?.
- Harry! ? elas disseram juntas como se fosse ensaiado.
- Acho que ouvi o meu nome! ? ria ao se sentar ao lado de .
- É, você ouviu mesmo ? respondeu mau-humorada e apoiando o cotovelo na mesa.
- Pelo jeito alguém fez as pazes com o namorado... ? lançou um olhar divertido para e apertou as bochechas da amiga.
- Hm, pelo jeito sim ? ela sorriu, dando um tapinha na mão de e as três riram.
- Aliás, o que aconteceu, dona ? ? cortava suas batatas com delicadeza.
- Então... ele me procurou agora no corredor e me explicou tudo. ? A menina corou.
- E? ? arqueou uma sobrancelha.
Ela explicou o que Harry tinha a contado minutos antes.
- Que bom que no fim deu tudo certo ? ficou feliz pela amiga.
- Bem que a tinha dito que garotos eram estranhos! ? cutucou a amiga de leve e só o que recebeu foi um sorriso fraco.
- Nossa! O que foi que eu fiz que eu não?tô lembrando? ? a garota se assustou com a reação da amiga, que tinha ficado desanimada do nada.
- Eu acho que não é com você - disse, apontando com o queixo depois de ver o olhar fuzilante de sobre a mesma.
- Não mesmo! Você poderia me explicar por que você vai colocar a insuportável da Laureen pra dentro do jantar no fim de semana, ? ? se irritou, descontando tudo na amiga.
- Eu? Ela veio me pedir, mas eu não disse que era certeza! ? tentou se defender rapidamente ? E ela não é tããão chata assim, vai ? Era visível que ela tinha ficado com pena da menina só pela cara dela de ?fiz-minha-boa-ação-do-dia?.
- Ha, você é boazinha demais com essa garota , aquela menina é um TOTAL encosto! ? disse, tentando fazer com que compreendesse que Laureen não era a melhor pessoa para ela treinar suas lições de escoteira.
- Aquela garota é a futilidade em pessoa... ? completou, concordando com as amigas.
- Vocês deveriam dar uma chance pra ela! ? disse não muito convencida.
- Tudo bem, tudo bem... ? disse, então olhou para , com cara de quem tinha um plano. ? Sabe o que vamos fazer hoje à noite, Pink?
- O que vamos fazer hoje à noite, Cérebro? ? A outra entrou na brincadeira.
- O que fazemos todas as noites, Pink. Tentar dominar o mundo! ? finalizou imitando o desenho e fazendo todas as garotas rirem alto.


se dirigiu até a quadra de esportes e foi se trocar para fazer a aula de Educação Física. A escola não permitia que os alunos fizessem a aula com suas roupas normais, tinham de usar o uniforme. Chegando ao vestiário feminino, que já estava lotado, ela foi até uma das cabines e colocou seu shorts preto e seu Nike, prendeu o cabelo em um rabo de cavalo alto e saiu do vestiário, indo até a quadra. Já que nenhuma de suas amigas costumavam a acompanhar nessas aulas, logo procurou por alguém mais próximo, mas como sempre, Nick e Wade, que eram seus conhecidos - e uma das únicas pessoas apresentáveis - na aula de Educação Física, tinham matado aula. Já prevendo que teria que ficar sozinha, foi se sentar em um dos grandes bancos que ficavam espalhados pelos quatro cantos da quadra. Olhou para o lado e viu Laureen passando maquiagem com um espelhinho na mão, já com seu uniforme, o qual ela tinha encurtado o shorts ao máximo. ?Péssimo? pensou , dando graças a Deus por não ser da mesma turma de Educação Física que ela. A garota estava tão desanimada observando a cena que não percebeu quando alguém se aproximou.
- Já tem dupla, ? ? Danny perguntou, parecendo tão animado para a aula quanto a menina.
- Ainda não, e você? ? Ela tentou ser simpática e sorrir. Impossível, ela odiava aquela aula, era assim desde que se dava por gente.
- Também não... ? Ele olhou pro lado, esperando que ela tomasse a atitude.
- Quer ser minha dupla, então?
- Pode ser ? Ele riu, se perdendo em pensamentos logo depois, olhando para o horizonte.
- Aconteceu alguma coisa? Você tá longe ? comentou observando o garoto olhar o outro lado da quadra.
- Bem, eu não devia te falar isso ? Ele parecia receoso ? mas eu vou falar! ? Ele resolveu, virando para a garota repentinamente ? É o Tom, ele ouviu alguma coisa que você e a estavam falando na hora do almoço.
- E daí? ? a garota tentava se lembrar da conversa com a amiga.
- E daí que, ele não me disse nada, mas sei lá, alguma coisa estranha aconteceu, ele ficou meio estranho ? Danny falava um pouco desconfortável por expor o amigo assim.
- Ah, eu mal falo com ele Jones, certeza que não tem nada a ver comigo! ? Ela ainda não conseguia se lembrar da conversa.
- Que seja. Vamos jogar! ? Ele disse dando de ombros e encerrando o assunto enquanto eles andavam até o centro da quadra, passando pela arquibancada.
Perto dali, Charlie, o namorado de , só observava os dois. Achou estranho o fato de ter se juntado a Danny Jones, mesmo que aquela aula fosse de Educação Física e ela só fizesse aquilo para ganhar nota. Não pensou duas vezes antes de começar a provocar o garoto.
- Olha só, o senhor ?eu-tenho-sardas? vai jogar com a ! ? Charlie, que estava perto das arquibancadas, riu com seus amigos brutamontes, apontando para os dois.
- Vai à merda, babaca! ? Danny gritou para eles, fazendo um sinal obsceno ? Só porque a não tá aqui... já que eu ia adorar fazer dupla com a sua namoradinha também ? Danny falou sorrindo cínico, mostrando todos os dentes, para Charlie que começava a ficar irritado, adotando uma cor avermelhada.
- Melhor fazer dupla com ele do que com qualquer um de vocês! ? tentou ajudar o menino, que estava fazendo um favor a ela, já que ela não tinha dupla e provavelmente teria que fazer dupla com um geek estranho se ele não estivesse ali.
Os dois encararam Charlie e seus amigos, ambos furiosos com seus comentários desnecessários. O som do apito da professora os acordou para a realidade e então ambos os lados decidiram que era melhor deixar a briga para depois da aula. A Sra. Keeley, uma professora morena, atlética e (na opinião dos garotos) muito bonita para ser uma professora, pediu para os alunos formarem duplas, como de costume. Assim que e Danny se posicionaram lado a lado, puderam ouvir algumas risadas vindas do grupo de Charlie, mas tentaram engolir as provocações. Alguns minutos depois, todas as duplas estavam com uma bola de futebol, treinando alguns passes e fazendo alguns exercícios aleatórios que a professora bolava.
No final da aula, depois que Danny já tinha entregado o material para a professora, foi até ele para agradecer.
- Hm, Danny? - Ela cutucou o garoto, que tomava um pouco de água.
- A aula já acabou, não precisa mais falar comigo... - Ele disse um pouco surpreso.
- Eu só queria te agradecer... - Ela sorriu, um pouco sem graça. - Eu sei que eu e minhas amigas não falamos muito com o grupo de vocês... - Danny deu uma risada irônica - mas mesmo assim você se ofereceu pra ser minha dupla e... mesmo isso não tendo muita importância, obrigada mesmo, Jones.
- Só me ofereci pra você não ter que formar dupla com aqueles idiotas ali! - Danny apontou para o grupo de amigos de Charlie e os dois riram.
Distraídos com aquela conversa, e Daniel tinham se esquecido que tinham um assunto pendente com alguém. Charlie viu que os dois gargalhavam alto em um canto da quadra e não perdeu a oportunidade. Cutucou um de seus amigos e então foram até onde os dois estavam.
- Além do nerd agora você tá com o caipira também, brasileirinha? ? Charlie insinuou, ficando de frente para eles e cruzando os braços.
- Quem você pensa que é pra falar assim com ela? ? Danny apertou os punhos, pronto para uma briga com um dos brutamontes.
- Não, não estou com nenhum dos dois, se você quer mesmo saber, mas não vejo nenhum problema se eu estivesse ? olhou-o com todo o ódio que conseguiu reunir. Ele até podia ser namorado de sua melhor amiga, mas ela sempre deixou claro que odiava algumas de suas atitudes.
- Nossa, e eu que pensei que você estivesse pegando a ! Mas as duas? Que garanhão! ? Charlie fazia de tudo para provocá-lo, e ele sabia como. Danny então gritou partindo para cima de Charlie, porém este foi mais rápido e acertou-o em cheio no nariz.
- Não! Pára! Ah meu Deus, seu nariz! Ai, cacete! Seus bunda-moles, vocês podem parar de olhar e separá-los?! ? gritava desesperada para os amigos de Charlie que assistiam a tudo enquanto Danny deixava Charlie com um olho roxo.
- Todos para a diretoria! ? gritou a professora depois que os dois foram separados ? Mas passem na enfermaria antes ? disse por fim analisando os dois garotos sujos e machucados.


- Aonde você estava, garota? Procuramos você por toda a escola! ? exclamou quando ela e avistaram carregando uma pilha de livros (leia-se: avistaram os livros andando e os pezinhos de embaixo).
- Diretoria! ? ela respondeu empolgada se aproximando das amigas, que a esperavam na frente do grande portão principal da escola.
- O que aconteceu? ? tentou não parecer muito preocupada ao ver Danny vindo atrás de com um curativo no nariz e um saquinho de gelo na cabeça.
- O Jones e eu brigamos com o Charlie na Educação Física e os dois saíram na porrada ? resumiu as coisas de uma maneira tão rápida que as outras garotas demoraram um tempo pra conseguir raciocinar ? Ué, cadê a ?
- Foi atrás do Charlie ? respondeu ainda um pouco chocada e virou de lado, tentando inutilmente ignorar a presença de um Danny acidentado.
- O que foi? ? Tom perguntou, chegando junto com Harry e Dougie.
- Briga ? Danny respondeu desanimado enquanto tentava frustradamente diminuir os estragos que Charlie havia feito nele.
- Com quem? ? perguntou Harry, que abraçava , com o queixo apoiado em seu ombro, erguendo uma sobrancelha em sinal de curiosidade.
- Charlie... ? respondeu com cara de desprezo se lembrando do acontecido ? Mas foi... divertido! ? concluiu a frase, sorrindo como uma criança que aprontou.
- Bem que eu reparei que estava faltando alguém sem muito cérebro ? Dougie comentou como quem não quer nada, olhando para os lados.
- Que seja, eu ainda tenho que trocar de roupa! ? a garota se deu conta, olhando para o uniforme suado que estava vestindo e que não tinha tido tempo de tirar para a aula que teria à tarde ? Segura isso, Thomas ? e entregou os livros de Danny para Tom que ela estava carregando até agora, virando-se para suas amigas depois ? Girls, não vou poder sair com vocês hoje, aula de música ? concluiu inclinando a cabeça para o lado ? Beijinhos amores ? disse mandando beijos para as amigas e saindo saltitante para o vestiário.
- O que deu nela? ? perguntou espantada, acompanhando a menina com o olhar.
- e suas mudanças de humor repentinas! ? riu de leve.
- Bom, eu tô indo... ? disse Tom olhando a sua volta meio perdido - guardar os livros do Danny. Isso aí, fui! ? e saiu rápido, indo em direção aos armários.
- Esses dois estão muito estranhos hoje... ? Dougie comentou, achando graça do amigo e pensando em algum plano para descobrir o que estava acontecendo com ele.
- Bom, o papo tá ótimo, mas a gente tem que ir encontrar a , . Não podemos perder tempo! ? se lembrou, empolgada com a perspectiva de ir fazer
compras. - Aonde vocês vão? ? Harry perguntou à namorada, curioso.
- Shopping! ? ela disse, levantando os braços ? Tô mesmo precisando de umas roupas novas... ? fez uma cara pensativa.
- Não sabia que você gostava de fazer compras, ... ? Daniel a olhou sedutor. Ele sabia que ela não era tão patricinha como e , mesmo que tivesse dinheiro para isso.
- Não gosto muito mesmo, ? a garota sorriu amarelo por ser chamada de volta a conversa por ele ? mas não tenho nada melhor pra fazer. ? disse e deu de ombros depois.
- Nesse caso, eu posso te dar uma carona... ? ele disse, colocando as mãos nos bolsos. Ele provavelmente já saberia a resposta dela.
- Nesse caso, eu ainda prefiro o shopping, obrigada. ? ela sorriu cínica, fazendo os outros rirem e Danny a olhar feio ? Bom, chega de despedidas! ? ela disse puxando , que até um segundo atrás se agarrava com Harry, falando coisas melosas.


Depois que os garotos foram embora, Tom foi até o armário buscar seu caderno de música e o livro de cifras. Quando conseguiu desenterrá-los do meio da bagunça que estava por ali, ele caminhou em direção à sala do segundo andar. A escola estava praticamente vazia, tirando alguns nerds na biblioteca e as líderes de torcida que ensaiavam a sua extravagante coreografia. Tom não era um nerd vidrado em livros e fórmulas, ele só era inteligente e prestava atenção nas aulas, o que era raro por ali.
Ao chegar na sala, viu que estava um pouco atrasado e que os dois únicos lugares vagos eram ao lado de ou ao lado da violinista de aparelho que cuspia quando falava - este estava totalmente fora de cogitação. Ao caminhar pela sala em direção a , a outra garota deu-lhe um sorriso metálico, assustando-o e fazendo-o virar o rosto para o outro lado e andar mais rápido até perto de .
- Hey, ! ? Tom sentou-se não muito empolgado e um pouco envergonhado na carteira ao lado da dela. Ele odiava iniciar conversas.
- Oi, Fletcher, vem sempre aqui? ? Ela tentou ser engraçada, mas se arrependeu ao lembrar que Tom não era uma de suas amigas.
- Só toda segunda e sexta. ? Ele tentou continuar, sendo que o que mais queria era mudar de assunto.
- Legal. ? Ela disse sorrindo amarelo e pela primeira vez na vida agradeceu a presença da senhora Thompson.
- Boa Tarde. ? A professora descabelada disse mal humorada.
A professora Thompson era uma solteirona com seus 50 e poucos anos, que só por que ensinava música achava que podia fazer tudo de um jeito que ela chamava de alternativo, e os alunos de estranho.
- Como ela consegue deixar o cabelo dela desse jeito? Nem ficando sem secar nem pentear o meu não fica assim! - sussurrou fazendo Tom soltar uma risada escandalosa.
- Ela deve ter técnicas milenares! - Ele cochichou no ouvido dela fazendo se arrepiar e soltar uma gargalhada gostosa.
- Fletcher e , vocês poderiam dividir a piada com o resto da classe? - A professora perguntou de mau-humor.
- Não vai dar, vocês não tem pré-requisito suficiente para entender as piadas do Fletcher! - riu sapeca.
- Então talvez o diretor tenha pré-requisito suficiente, podem ir contar a ele a piada.
e Tom se levantaram e saíram carregando seus materiais.

- A senhorita de novo aqui, ? ? O senhor Stevens perguntou curioso quando eles entraram em sua sala, após baterem à porta.
- Pois é, armaram um complô contra mim hoje, senhor Stevens! - fez cara de vítima e Tom segurou o riso.
- Eu imagino! - O diretor revirou os olhos - E você Fletcher, o que faz por aqui? - disse escarando o garoto que estava ao lado de .
- São as más companhias! - explicou cínica.
- Bom, que seja, eu estou muito ocupado hoje, vão para casa e parem de badernar! - Ele abriu a porta e praticamente os expulsou da sala.


A tarde tinha acabado de começar e um carro incrivelmente vermelho passeava pela estrada despreocupado, enquanto três garotas cantavam animadamente ao som de Wannabe das Spice Girls que tocava bem alto, chamando a atenção da rua inteira para o conversível de . Aquele caminho já era familiar para elas, tinha se tornado praticamente uma rotina ir ao shopping depois das aulas. A música já tinha acabado e elas logo perceberam que estavam chegando. Puderam ver a grande entrada, que possuía uma grande porta de madeira escura com detalhes em dourado, revelando o interior requintado e classudo do shopping. O exterior, um pouco desgastado pelo tempo, ainda era bonito, mas o interior era muito mais extravagante, onde lojas de várias marcas mundialmente famosas atraíam todos os olhares para suas novas coleções de outono/inverno.
entrou na fila de carros e minutos depois elas estavam no estacionamento. Pelo movimento, viram que o lugar não estava nem muito cheio, nem muito vazio. Perfeito para verem, serem vistas e fazer compras. estacionou sua BMW, logo saindo do carro, ajeitando seu cabelo no espelho lateral e prendendo melhor seu lenço que combinavam com seus sapatos pretos. desceu do outro lado, abrindo sua bolsa Versace amarela, tirando seu inseparável Wayfarer de hastes vermelhas, colocando-o e dando a volta no carro para parar ao lado de , enquanto apertava o casaco ao redor do corpo para impedir o vento frio. saltou rapidamente do banco de trás para o lado de fora, arrumando seu sobretudo marrom e depois se virou, ficando nas pontas dos pés para pegar sua bolsa pink.
Ela olhou para e sorriu divertida.
- Combinando com o carro, ? - riu apontando para os óculos da amiga.
- Aw, não fale mal do meu Ray-Ban! - choramingou.
- Vamos lá duas, nossas roupas não se compram sozinhas! - exclamou, puxando as amigas pela mão em direção à entrada do grande shopping.
Dentro do Hill Center Plaza, as três garotas conversavam animadamente enquanto caminhavam pelo piso brilhante de mármore.
- E aí , o chiclete se machucou muito? - Debochou , fazendo rir.
revirou os olhos enquanto pensava em qual das dezenas de lojas elas iriam.
- Você só fala isso porque não tem namorado com quem se preocupar... - A garota concluiu, decidindo pela Saks do andar de cima, andando até o elevador mais próximo.
- Isso não significa que eu não me preocupo com ninguém! - retrucou irritada, apertando o botão do elevador com mais força do que precisava.
- Uh, , você se preocupa com quem então? - perguntou erguendo a sobrancelha, fazendo rir e entrar na brincadeira.
- É, quem é o seu usufrutuário, senhorita ? - Perguntou rindo mais ainda.
Elas continuaram com a brincadeira, até que o elevador chegou. Apertaram o botão do segundo andar e voltaram a conversar.
As três não conseguiam parar de rir, assustando as vendedoras da Saks com suas risadas nem um pouco escandalosas. Começaram então a passar pelas araras buscando pelos vestidos e escolhendo os que mais iriam lhes favorecer e apetecer, pois tinham um importante jantar naquele fim de semana e queriam ser os destaques no meio de tantas modelos esqueléticas.
Três araras de roupas depois, o celular de começou a tocar, fazendo com que Stripper, das Soho Dolls, ecoasse pela loja enquanto a menina procurava o aparelho dentro de sua bolsa.
- Viu Fletcher, não foi tão ruim! - escutou a voz de falar do outro lado da linha quando atendeu o telefone.
- O que não foi tão ruim? Vai dizer que você pegou o nerd do Fletcher de jeito? - riu incrédula.
- A pegou o Fletcher? - perguntou horrorizada, colocando a mão na boca e parou em choque, com a mão a meio caminho do cabide de um vestido D&G verde.
- Claro que não, sua tonta! - respondeu. - É que eu e o Fletcher fomos para a diretoria e o Sr. Stevens nos mandou para casa mais cedo. Como eu não vou perder minha tarde mofando em casa, tô indo praí!
- Não! - sussurrou em resposta para as amigas. - Ela tá vindo pra cá. Disse que ela e o nerd estavam na diretoria. - Concluiu, levando as outras para um canto mais isolado da loja e ligando o viva-voz.
- Meu Deus, levando o Fletcher pro mau caminho! - riu pelo nariz.
- O Fletcher na diretoria? Conte isso direito! - disse, parecendo curiosa.
- Quando eu chegar aí eu explico! Agora, parem de ser tão curiosas! Beijos. - Ela desligou, antes das outras sequer terem a chance de protestar.
- Nossa, a super educada. - revirou os olhos e elas voltaram à procura dos vestidos ideais.

Capítulo 3.

Desde que chegaram na casa de Danny, os garotos se jogaram no sofá da espaçosa sala de estar dos Jones, abriram latinhas de cerveja e já tinham perdido a conta de quantas vezes haviam mudado de canal. Teriam que esperar Tom voltar de sua aula para ensaiarem algumas músicas que tinham escrito e composto, no pequeno estúdio que Danny montara nos fundos de sua casa. Só haviam se passado quinze minutos e os garotos já estavam entediados e... um pouco alegres.
- Dougie, já é sua terceira latinha! A gente ainda tem que ensaiar, seu idiota! - Harry tentou tirar a latinha da mão do amigo, que estava sentado ao seu lado.
- Não mãe, me deixa beber! - O garoto se inclinou no sofá rindo bebadamente, e se afastando de Harry, abriu sua latinha e deu vários goles de uma só vez.
Danny estava deitado no sofá ao lado, com uma mão ocupada comendo um salgadinho qualquer, enquanto a outra segurava o controle remoto, passando rapidamente pelos canais da TV por assinatura. Definitivamente aquele horário não era um dos melhores para tentar se assistir alguma coisa.
Ao ouvir a pequena discussão que começara no sofá ao lado, ele desviou sua atenção da grande tela para olhar os amigos se estapeando infantilmente.
- Vocês dois! - Ele disse um pouco alto para chamar a atenção, porém, nenhum deles olhou para Danny. - Será que o casal pode se separar?
Sentindo que estava falando com as paredes, Daniel pegou alguns dos salgadinhos que comia e jogou neles, tentando apartar a briga. Soltou uma gargalhada quando Dougie e Harry finalmente o olharam, um ainda encima do outro.
- Se você derrubar cerveja no sofá, você vai ter que limpar... - Danny apontou para Dougie e voltou sua atenção para a televisão.
- Que nem da outra vez! - Harry riu, esticando seu braço e tentando inutilmente pegar a Heineken da mão de Dougie.
O garoto bebia rápido todo o conteúdo, praticamente deitando na ponta do sofá, tentando escapar das mãos de Harry.
- ...Pronto! - Ele disse ofegante, jogando a latinha no tapete à sua frente, junto com as outras várias que ele e os amigos já tinham esvaziado, dando um arroto em seguida.
- Bêbado. - Harry saiu de cima do amigo, se endireitou no sofá e arrumou sua blusa que estava um pouco amassada.
Alguns minutos de silêncio se passaram, eles estavam realmente começando a desistir de ensaiar...
- Ei! - Eles ouviram Danny exclamar do sofá ao lado.
Harry olhou para a TV e revirou os olhos.
- Esse filme de novo não! - Disse e afundou nas grandes almofadas brancas.
- Qual filme é? - Dougie apertou os olhos, logo reconhecendo qual era. - Legal! - Ele pegou algumas almofadas, colocou-as no chão e se jogou encima delas, animado.
- O que vocês vêem nesse filme? - Harry bufou, cruzando os braços e fechando os olhos para abrí-los em seguida.
- Dude, é E.T.! - Dougie olhou para ele, balançando os braços de um jeito estranho.
- E?
- E.T. é E.T.! - Danny disse sem tirar os olhos do filme.
- Mas é... chato! - Harry disse de repente, não aguentando assistir o filme por muito tempo. - Não entendo como uma pessoa consegue gostar de um garoto estranho conversando com um ET de mentira estranho!
- QUÊ? - Danny e Dougie exclamaram juntos, olhando para Harry incrédulos.
- O que foi? - Ele os olhou de volta, confuso.
- Ele... não é real? - Danny perguntou estático, se sentando novamente no sofá.
Dougie olhava para Harry esperando por uma resposta. Os dois realmente pareciam que iriam atacá-lo se ele lhes dissese a verdade, que o E.T. era feito de borracha de segunda importada do Paraguai.
- Erm... é claro que ele é real... - Ele disse como se fosse óbvio. - olha só pra ele! - apontou para o filme - Eu confundi que filme era. É que vocês sabem... eu sou péssimo pra essas coisas! - Ele mordeu o lábio inferior, torcendo para os amigos acreditarem naquela desculpa de última hora.
Danny e Dougie suspiraram aliviados. E Harry também.
- Dude, não faz mais isso! Quase morri de susto! - Danny colocou a mão no peito, voltando a se deitar no sofá.
- É, realmente você é péssimo pra essas coisas! - Dougie riu, dando tapinhas no braço de Harry. - Achar que o E.T. não é real! - Ele começou a gargalhar.
- Cala a boca e assiste ao filme! - Ele bufou, sem mais paciência para aquele assunto.

Tom estacionou o Mini Cooper azul de Danny na frente da grande casa branca da família Jones. Estava realmente feliz por chegar mais cedo ao ensaio e sorriu ao pensar no motivo pelo qual aquilo tinha acontecido. Tratou de esquecer daquilo por um momento e logo saiu do carro, pegando sua mochila logo em seguida. Caminhou pelo jardim de entrada, subiu alguns degraus e tocou a campainha. Esperava que os amigos ainda não tivessem começado a ensaiar ou não estivessem dormindo, como acontecia na maioria das vezes que ele chegava atrasado. Caso contrário, ninguém o ouviria e ele ficaria minutos plantado em frente à porta tentando se comunicar com alguém.
Para sua surpresa, - e alívio - alguns minutos depois Danny já estava na porta, o olhando um pouco surpreso.
- Já chegou? - o garoto o encarou com as sobrancelhas erguidas, logo consultado o relógio - Achei que você só chegasse daqui a... uma hora!
- É, eu saí mais cedo da aula... - Tom arrumou sua mochila nas costas, ficando animado de repente - Aliás, foi bem engraçado e...
Eles puderam ouvir um barulho abafado vindo de dentro da casa, seguido por risadas um pouco histéricas de Dougie e Harry.
- Legal... - Danny interrompeu o que Tom estava falando, olhando preocupado para o interior da casa, e deu passagem para o garoto entrar - Entra logo antes que eles destruam minha casa.
Ele riu e balançou a cabeça, logo passando pela porta. Harry e Dougie estavam sentados um ao lado do outro no sofá, vermelhos de tanto rir. Ao verem Tom se aproximar, os dois se levantaram, parando de rir, e o olharam um pouco surpresos, assim como Danny fizera antes.
- Então o Tom anda matando aula? - Dougie perguntou, voltando a rir abobalhado - por essa eu não esperava.
- Não tô matando aula, é só que a professora me mandou para a diretoria junto com a , aí o senhor Stevens nos dispensou mais cedo. - ele falou com naturalidade, assustando os outros.
- Por quê? Vocês aprontaram alguma coisa... juntos? - Harry o olhou com uma sobrancelha arqueada, malicioso.
- Claro, foi isso mesmo, como você sabe? - Tom rolou os olhos, irônico.
- Tá brincando? - Dougie o olhou incrédulo, meio que acreditando.
- Claro que ele tá brincando, você acha mesmo que uma garota como a ia querer fazer alguma coisa com ele? - Danny riu da ingenuidade do amigo e Tom o olhou com cara de bosta.
- Você tá certo... eu ainda não entendo como a consegue gostar do Harry - Dougie disse pensativo - quero dizer... Ela é amiga da e da ! - sua voz tinha um tom de revolta.
- A é amiga delas e conversa com a gente de boa... - Tom concluiu.
- Ei, isso é verdade... hoje ela veio falar comigo na aula de Educação Física, veio me agradecer e tudo mais. - Danny disse pensativo.
- Ela parece ser mesmo a mais simpática, já que ela veio do Brasil e tudo mais... Ela não estava aqui quando as meninas brigaram com a gente. - Dougie se aproximou dos amigos, com as mãos nos bolsos.
- Não precisa lembrar disso, ok? - Danny disse um pouco incomodado - Aliás, elas não são as únicas pessoas que não são simpáticas com a gente, vocês sabem muito bem que todos os alunos do Ealing High são uns idiotas superficiais.
- Ah, de novo esse assunto... - Tom e Dougie reviraram os olhos.
- Que seja! Vamos ensaiar? - Harry perguntou mexendo nos cabelos, já cansado daquela conversa desnecessária.
Eles se entreolharam por um momento e então decidiram que Harry estava certo. Não deveriam nem ter tocado naquele assunto, já estavam cansados de saber que ele se sentia mal ouvindo tudo aquilo de . Harry sabia que as amigas dela não eram as mais simpáticas com eles, mas o casal já tinha superado todas aquelas diferenças.
Os quatro então atravessaram a casa, chegando até uma grande porta de vidro que dava acesso aos fundos. Danny tirou uma pequena chave de seu bolso e logo abriu a porta, dando passagem para os amigos. Caminharam pelo jardim por um caminho de pedra, até chegarem à área de lazer, onde nos fundos tinha uma pequena sala. Abriram primeiramente a porta de madeira e depois a grande porta preta com isolamento acústico. Danny morava em um condomínio, então todo cuidado era pouco para não atormentar os vizinhos. Harry foi imediatamente ajustar sua bateria enquanto Dougie ajudava Danny a ligar os outros instrumentos, como sempre faziam. Tom foi o último a entrar, fechando as portas atrás de si. Adorava quando os amigos combinavam de ensaiar, pois lá ele tinha a liberdade de poder se expressar, opinar sobre novas letras de música e fugir um pouco da constante pressão que ele e os amigos sofriam na escola. Eles não tinham muitas músicas e isso era fato, mas Tom depositava muita esperança na banda.
O estúdio era um dos únicos lugares que os garotos faziam questão de passar o tempo arrumando. Não se permitiam fazer brincadeiras perto dos instrumentos e amplificadores, pois eles eram de grande valor para eles. Assim que decidiram formar a banda, Danny ofereceu sua casa, já que tinha uma sala disponível e espaço suficiente para tocarem sem ser incomodados. Logo encheram as paredes de pôsteres, que iam de New Found Glory até Bruce Springsteen, talvez os incentivando a continuar e não desistir do que tanto queriam. Assim que conseguiram reunir todos os instrumentos, ensaiavam praticamente toda semana depois das aulas.
Tom ficou parado na porta, esperando os amigos terminarem de arrumar as coisas.
- Tem certeza que vai ficar aí parado? - Harry sentou no banquinho da bateria, enquanto girava uma baqueta entre os dedos, olhando para o garoto.
- Ah, é que eu queria mostrar uma coisa pra vocês antes de ensaiar. - Tom colocou as mãos em um dos bolsos da calça.
- O que foi, dude? - Danny tentava com certa dificuldade ligar um fio atrás de um grande amplificador junto à parede.
- Bom... é que no caminho até aqui, eu recebi um flyer. E já que a gente tem uma banda, eu achei que nós poderíamos tentar. - Ele retirou do bolso direito um pedaço de papel dobrado.
Dougie parou o que estava fazendo e foi até Tom, pegando o papel e o levando para perto de Danny e Harry, para todos verem do que se tratava. Leram que o flyer anunciava o Abbey Road Festival, um pequeno festival para bandas independentes de Londres que aconteceria dali a duas semanas.
- Você não pode estar falando sério! - Dougie olhou do papel para Tom.
- E por que não? É a chance que a gente tem! - Ele argumentou, se aproximando deles e gesticulando, animado.
- Mas a gente nem ensaia sério e só temos duas músicas nossas! - Harry o lembrou, não querendo nem cogitar a idéia.
- Além do que, a gente não teria chance alguma com a banda do idiota do Donald e dos amigos dele, que com certeza também vão estar lá, além de várias outras bandas mais preparadas que a nossa! - Danny acabou com todas as esperanças do garoto.
Donald, Nick e Wade formavam juntos o The Roommates, uma banda que estava ficando famosinha entre o pessoal da escola em que estudavam. Os garotos ficaram sabendo que eles estavam ansiosos para tal evento, para sua banda finalmente ganhar público por toda Londres e, para isso, ensaiavam todos os dias, já que estudar não era o forte de nenhum deles.
- E você acha que nós vamos ficar aqui pra sempre, só ensaiando nesse estúdio, sem correr atrás das oportunidades?
- É claro que não! Mas faremos tudo quando for a hora certa... - Danny o olhou um pouco chateado. Sabia que Tom tinha certeza que eles estavam prontos.
- Se nós tivéssemos mais experiência... - Dougie voltou a dobrar o papel.
- E mais músicas... - Harry completou - ...Nós seríamos a melhor banda de Londres!
- Dude, mas música não é um problema. - Falando isso, Tom voltou a pegar o flyer que estava na mão de Dougie - Aqui diz que cada banda tem que preparar três músicas - ele apontou para as pequenas letras impressas no papel - e bom, nós já temos duas.
- Uma - Danny o corrigiu - That Girl ainda não está pronta.
- Mas nós podemos voltar a trabalhar nela, se realmente quisermos participar. Aí nós escolhemos um cover para tocar no final...
- Se bem que não é uma má idéia! - Dougie pensou e Tom o olhou com um sorriso esperançoso.
- É daqui a duas semanas! Nós demoramos pelo menos esse tempo para terminar Obviously! - Harry disse, se referindo à única música que eles já tinham pronta.
- Concordo com ele. - Danny disse por fim e colocou uma de suas mãos no ombro de Tom - Dude, se nós quisermos conquistar o que queremos, temos que fazer isso direito. Não adianta tentar fazer as coisas correndo, nos inscrever no festival e ter uma apresentação péssima. Nós sabemos que se realmente tentarmos, nós vamos conseguir. Mas temos que fazer as coisas direito. Vamos terminar That Girl e então vamos ensaiar bastante até estarmos confiantes o bastante e então vamos começar a participar de festivais como esse.
- Então... nada de festivais por enquanto. - Dougie passou a alça de seu baixo verde-água pelo ombro e então ligou seu amplificador.
- Isso - Harry suspirou - Combinado.
- Tudo bem então... - Tom se dirigiu à sua Les Paul de madeira clara, tocando um acorde qualquer, enquanto Danny parava na frente do microfone com seu violão. Por mais que quisesse que sua banda tentasse, sabia que eles tinham razão.
- Vamos começar com Obviously? - Danny olhou para trás e Harry confirmou com a cabeça.
Três breves batidas vieram das baquetas e então as primeiras notas de Obviously puderam ser ouvidas pelos vizinhos, apesar do isolamento acústico do pequeno estúdio.

Recently I've been
Hopelessly reaching
Out for this girl
Who's out of this world
Believe me

She's got a boyfriend
He drives me round the bend
?Cos he's 23, he's in the marines
He'd kill me

But so many nights now
I find myself thinking about her now(?)


Quando a música chegou ao primeiro refrão, os garotos já estavam mais descontraídos e esqueceram por um momento de todos os problemas que os rodeavam. Pulavam, riam, inventavam dancinhas estranhas enquanto tocavam e faziam o que sabiam de melhor.


- , o que você tá fazendo, menina? - olhou para ela enquanto fechava o quebra sol do carro, e tentava ajeitar seu cabelo, rebelde por causa do vento, no espelhinho.
- É, por que você parou o carro do nada, aqui no meio da rua mesmo? - analisava suas unhas pintadas de esmalte Lâncome vermelho, seus prediletos.
- Anda com esse carro! Eu preciso ir ao banheiro! - avisou, com uma careta, e as outras riram.
- Eu até sairia daqui... Se o carro funcionasse! - explicou, apontando para uma grande quantidade de fumaça que saía pela frente do carro e as outras três exclamaram desesperadas.
- E agora? - perguntou e sua voz saiu mais fina do que deveria. - O carro vai explodir? - Ela olhava um pouco assustada.
- Uma oficina seria uma boa... ? fingia que pensava, como se aquilo fosse um tanto óbvio.
- Vamos ter que ir pra uma oficina, com mecânicos gordos, fedidos, suados e tarados! - ia fazendo caras estranhas a cada palavra que pronunciava.
- Ai, que nojo ! - a olhou enjoada só de imaginar a cena desagradável.
- Melhor ligar para o Harry. - pegou seu celular - Eles devem estar ensaiando a essa hora! ? ela digitou os números do celular dele e esperou.
- Espero que ele atenda esse telefone! ? olhava ansiosa para a amiga.
- E o que ele vai poder fazer? ? se arrumou no banco, olhando para que estava sentada na frente dela.
- Pois é. O mínimo que ele vai fazer é vir buscar a gente dentro do caminhão do guincho! ? gargalhou e riu junto.
- Dá pra vocês pararem? A gente aqui no meio da rua, com o carro quebrado e vocês aí rindo? ? se irritou, olhando feio para as duas amigas, que pararam de rir ? E aí , conseguiu? ? ela olhou para a amiga que encarava seu celular.
- Não. Já liguei pra ele duas vezes... ? ela bufou.
- Você tem o telefone de mais algum dos garotos? ? perguntou se aproximando de .
- Eu tenho... Até já tentei ligar pra casa do Danny, mas ele pelo jeito também é surdo.
- E agora? ? perguntou, um pouco receosa.
- Bom, vou tentar ligar pro Dougie, né. ? Ela disse, pegando sua bolsa.
tirou de lá uma pequena agenda de contatos e folheou algumas páginas, até encontrar o que queria.
- Finalmente esse número vai ter alguma utilidade... ? deu um risinho maldoso.
- Shiu! ? disse, enquanto digitava os números e colocava o telefone perto da orelha ? Ah, droga! ? ela disse, olhando para a tela do celular ? a bateria acabou, adoro quando isso acontece!
- Aqui, você pode usar o meu. - tirou seu BlackBerry da bolsa pink e o entregou a , que a olhou agradecida.
- , enquanto você tenta ligar pro Dougie, eu vou ligar pra seguradora do carro, ok? ? perguntou, já com seu iPhone em mãos ? Pra agilizar as coisas. - sorriu sincera.
- Boa idéia, . ? sorriu, logo tirando um papelzinho do porta-luvas do carro e entregando para a amiga ? tá tudo aí, eu acho.
Depois de digitar mais uma vez o número do garoto, agora no celular de , guardou rapidamente seu celular e sua agenda dentro da bolsa, colocando-a em um canto do carro.
- Dougie? - ela perguntou assim que ouviu um "alô" do outro lado da linha.
- Oi, quem é? ? Ele respondeu falando um pouco alto, devido ao som excessivo dos instrumentos ao fundo.
- É a , será que você pode passar pro Harry? - ela não se preocupou em ser muito simpática, a situação não ajudava.
- Tá, peraí. ? ele disse algo do outro lado da linha e o barulho ensurdecedor da bateria cessou.
- Oi ! O que aconteceu, amor? - Harry estranhou. O som dos instrumentos parou também e só se ouvia um zumbido baixo dos amplificadores.
- Nós estávamos voltando do shopping e o meu carro parou do nada! ? ela disse, com a voz embargada ? queria saber se você não podia vir nos buscar aqui...
- Hm, espera aí.
Ela conseguiu ouvir alguns murmúrios vindos do outro lado e depois de alguns minutos Harry estava de volta.
- Então, em quantas vocês estão aí?
- Em quatro ué... Eu, a , a e a ! ? ela olhou, com algumas lágrimas de desespero se formando em seus olhos, para as amigas e estas a olharam desanimadas.
- Ok... Peraí.
- Harold! ? estava ficando impaciente com aquela enrolação toda. Uma lágrima cintilou no canto de seu olho.
Ela percebeu que eles estavam no meio de uma pequena discussão e Harry aparentemente tentava convencer os amigos a ajudá-lo. Enxugou a pequena gota brilhante em seu olho para prestar atenção na conversa dos garotos do outro lado da linha.
- Eu dirijo um Holden Ute... se eu for com o meu carro, as garotas vão ter que ir na caçamba! - ela reconheceu a voz de Harry.
- ...Se você for com o meu carro, eu quero ir junto! ? a voz de Danny pareceu mais alta do que o normal e bem próxima do telefone.
- Dude, mas elas estão em quatro no carro! Se eu e você formos, um vai ter que sentar encima do outro!
- Você quer ir buscá-las ou não? ? Danny perguntou ? Quero garantir que nenhuma delas vai querer furar meu banco ou coisa parecida ? ouviu os garotos rindo ao fundo.
- Que saco... E o que eu falo pra ela?
- Fala que eu e você estamos indo... E pergunta onde elas estão! ? a voz de Danny pareceu se afastar.
- ? ? Harry perguntou receoso.
- Fala ? ela respondeu com uma voz de poucos amigos.
- Hm... Você ouviu né?
- Você precisa falar pro Danny ser mais discreto.
- Bom, mas nós já estamos indo. Aonde vocês estão?
- Hmmm... ? ela olhou para os lados e encontrou uma placa azul com o nome da rua ? Jaybird Street, perto do... ? a garota olhou a sua volta, tentando se localizar ? Starbucks!
- Ok então, beijos. ? e ele desligou.
finalizou a ligação e entregou o BlackBerry à , sem olhar para ela.
- O que aconteceu, hon? ? tendo ouvido a conversa toda, queria saber o que tinha irritado tanto a amiga.
- O Danny estava fazendo doce pra emprestar o carro... ? ela respondeu sem emoção.
- Ah, novidade ? riu. Sabia que Daniel tratava seu carro como se fosse algo precioso.
- E aí o Harry e o Danny vêm nos buscar ? completou, com um pouco de raiva na voz.
- Como assim? ? pareceu indignada, se aproximando dos bancos da frente e finalmente encarando as amigas ? Ele quer mesmo que nós quatro - a garota apontou para as amigas e para si - caibamos no banco de trás daquele chaveiro que ele dirige?
- Ele disse que tinha que nos supervisionar, caso a gente quisesse danificar o carro dele e blábláblá.
- Mas ele me deu reais motivos pra querer estragar o carro dele agora! ? ainda estava irritada, ficando com o rosto vermelho.
- Calma, ... ? tentou tranquilizá-la ? A gente se esmaga um pouco no carro ué, qual o problema? Melhor do que ter que ir a pé ou pagar um táxi... Agradeça pelo Jones ao menos vir nos buscar...
- É, você tem razão... ? Ela encostou-se ao banco traseiro, fechou os olhos e deixou que o vento bagunçasse seus cabelos, ficando um pouco mais calma.
- E você, , conseguiu? ? olhou para trás assim que viu que ela desligou seu celular.
- Aham, eles vão mandar alguém daqui a pouco.

O carro da seguradora não demorou a chegar. De longe, elas puderam avistar um grande guincho com uma aparência de ferro velho virando a esquina. O automóvel estacionou a alguns metros da onde o carro estava e de dentro dele saiu um homem gordo e careca. Ele era baixinho e usava uma camiseta regata manchada de gordura e óleo, acompanhada com sua calça jeans rasgada e suas botinas gastas e cheias de terra. As meninas o olharam receosas, realmente havia ?previsto o futuro?.
- É esse o carro pra guinchar, gracinha? - ele perguntou, limpando o suor da testa com as costas das mãos e olhando malicioso para .
As outras meninas se entreolharam com as mãos tapando suas bocas, em uma tentativa em vão de abafar suas risadas. , por sua vez, estava em estado de choque, abria e fechava a boca com uma careta que expressava uma mistura de nojo e medo.
- É esse sim, moço! - conseguiu dizer em meio a risadas.
Ele sorriu para ela, mostrando há quanto tempo ele não frequentava o dentista. olhou a cena horrorizada e correu para o lado de , bem longe do homem. Quinze minutos depois, o conversível vermelho já estava no guincho, enquanto conversava com seu pai no celular de . O homem estava apoiado em seu caminhão, dando pequenos sorrisinhos para e , que estavam sentadas no acostamento com os cotovelos apoiados nas pernas, entediadas.
Um Mini Cooper pôde ser visto virando a esquina, e estacionando atrás do caminhão do guincho.
- Finalmente! - exclamou e levantou de onde estava puxando pela mão.
- Você já pode ir, meu pai vai direto para a seguradora... - disse ao homem assim que desligou seu celular. Harry se aproximou segurando sua mão logo que viu o olhar pervertido que ele lançava para sua namorada.
- Beleza! - ele subiu no caminhão e deu uma buzinada antes de sair.
- Graças a Deus! - abraçou o namorado.
- Vamos logo, eu preciso tomar um banho de desinfetante. Que cara nojento! - fez cara de nojo e todos seguiram até o carro.
- Acho que não vai caber... - olhou para o interior do Mini Cooper e para as outra quatro pessoas que entrariam nele com ela, além de Danny que já se encontrava sentado com os braços apoiados no volante.
As outras três olharam com certo desânimo para o lugar onde teriam que se espremer. Harry lançou um último olhar de ?eu não tenho nada a ver com isso? para a namorada antes de entrar no carro e se sentar no banco do passageiro. Danny se virou para trás para encarar as meninas que estavam de pé, à porta do carro, do lado de fora.
- Estão esperando o que pra entrar no carro, miladies? ? Ele sorriu debochado. - Um convite por escrito?
- Fica quieto aí Jones, estamos tentando pensar em um jeito de entrar nesse casulo ? retribuiu o sorriso e olhou para as amigas. ? Então?
- Bom, você, a e a entram no carro ? começou ? e aí eu sento no colo de alguém...
- Uh, é assim que a gente gosta... ? Danny deu uma risadinha, enquanto dava um tapinha no braço de Harry, que tentou esconder o riso.
o olhou com os olhos semicerrados diante de tal comentário. Seu rosto fitando-o sem o menor traço de riso.
- Eu acho melhor vocês três entrarem primeiro ? apontou para as amigas, retomando o assunto ? porque além de eu ser a mais baixinha e a mais leve ? ela passou as mãos pelos cabelos, convencida ? a minha casa está mais perto, por isso vou ser a primeira a sair.
As outras três se entreolharam por um momento.
- Então, vocês vão demorar mais ou o quê? ? Danny sustentava seu tom debochado na voz e recebeu quatro olhares furiosos em resposta.
Lugares já decididos, , e entraram no carro primeiro, sendo seguidas por , que mesmo com toda a história de ?eu sou a baixinha?, teve que se curvar para não bater a cabeça no teto do carro.
Capítulo 4.

desceu do carro junto com , já que elas moravam próximas e não andaria mais que uma quadra para chegar até sua casa. Ela se despediu da amiga com um beijo no rosto e começou seu caminho. Imediatamente, tirou seu iPod da bolsa e colocou delicadamente os fones de ouvido. Ela cantarolava a música baixinho enquanto andava, se equilibrando na guia da calçada. Tentava andar o mais devagar que conseguia, não queria chegar em casa. Porém, estava a apenas algumas quadras de distância, e, menos de dez minutos depois ela já se encontrava parada em frente à tão conhecida porta branca de madeira.
Enquanto procurava sua chave, ela pôde observar pelas grandes janelas da sala que seu pai estava sentado no sofá com uma garrafa na mão, provavelmente assistindo a um jogo qualquer que passava na televisão, como de costume. "Ah, não..." ela gemeu baixinho e colocou a chave na fechadura, tentando fazer o possível para não emitir nenhum som com seu ato. Mas o clank na hora que a chave girou e abriu a porta foi inevitável. Seu pai imediatamente virou a cabeça em direção à porta, com um olhar vago. entrou em casa rapidamente, sem se preocupar mais com o barulho.
- ? - seu pai a chamou, com a voz um pouco embargada.
Ela não respondeu. Seu nervosismo era tanto que suas mãos suavam e ela não conseguia encaixar a chave na fechadura novamente.
- ! - ele chamou mais uma vez, um pouco mais alto. Ela em um impulso fechou a porta e passou pela sala de cabeça baixa, indo em direção a escada que levava para os quartos. - Venha aqui! - seu pai gritou, começando a se levantar desajeitadamente do sofá. A garota entrou em pânico, subiu as escadas correndo e pulou os últimos degraus, entrando na segunda porta à esquerda do longo corredor.
No momento em que entrou em seu quarto, rapidamente trancou a porta e uma fina lágrima escorreu solitária por sua bochecha. Limpou-a rapidamente, colocou a bolsa em cima de uma espécie de poltrona e, jogando as sapatilhas para o lado, deitou em sua cama, abraçando os joelhos.
Seu quarto era pintado de rosa antigo, sua mobília inteira branca com detalhes em dourado e a grande janela iluminavam todo o ambiente. Possuía uma cama de casal encostada à parede do lado esquerdo e do lado direito havia uma escrivaninha simples, com alguns livros e uma luminária. Uma porta branca separava o quarto do closet e do banheiro, ao lado dela havia uma penteadeira no estilo vitoriano com vários perfumes coloridos e estojos de maquiagens, que eram refletidos pelo espelho. Um quarto com um estilo clássico, se não fosse pelo brilhante piso negro ladrilhado e alguns eletrônicos espalhados, como o Mac de estimação da garota.
O pai de era alcoólatra já havia algum tempo. Ela tinha muito medo quando ele bebia; em outras ocasiões ele até já havia agredido sua irmã mais nova, Annie, e ela própria. Sua mãe, porém, nada fazia para impedi-lo de beber; ela era uma socialite e não passava muito tempo em casa. gostava muito de seu pai, mas quando ele bebia ficava muito violento. Quando isso acontecia, ela ia para o lugar mais seguro da casa inteira: seu quarto. Um lugar onde ela poderia trancar a porta, ligar o rádio no volume máximo e desenhar, um de seus passatempos preferidos.
- Saia daí! Ou eu vou arrombar essa porta! - seu pai gritou e sua voz saiu um pouco abafada. Do outro lado, se levantou de sua cama ao ouvir o barulho na porta e ligou o rádio bem alto, se sentando no parapeito da janela, que ficava de frente para a rua. De olhos fechados, ela respirou lentamente, tentando fazer seus pensamentos serem levados com a brisa fraca que passava por ali. Quando achava que já estava um pouco melhor, ela se levantou e andou calmamente até sua escrivaninha, abrindo uma gaveta e tirando seu lápis de desenho, seus lápis de cor e folhas brancas. Começou a rabiscar, e o tempo começou a passar lentamente...

O Mini Cooper azul andava rapidamente pelas ruas, desviando impacientemente de motocicletas e táxis que pareciam não ter pressa alguma. Aquele não era um dos melhores horários para se andar de carro, aliás, todas as manhãs, tardes e noites pareciam ser insuportáveis para circular nas ruas daquele bairro. Daniel mantinha suas duas mãos no volante, quase o arrancando do lugar, tentando se concentrar em algo que não fosse a única pessoa que ainda restava no carro, não percebendo que talvez estivesse dirigindo um pouco rápido demais. Já estava acostumado em dar caronas para , mas sempre teve a companhia de algum amigo quando isso acontecia, pois odiava o silêncio e o clima nada agradável que ela fazia questão de manter entre eles. Os olhos do garoto constantemente se desviavam do retrovisor, sempre que ele se pegava olhando para o banco de trás. Por que ela o incomodava tanto? Talvez fosse o sentimento de revolta e incompreensão que ele ainda guardava mesmo alguns anos depois do que aconteceu entre os dois... 'Concentre-se Daniel... somente a ignore, assim como ela sempre faz com você. Até que não é tão difícil assim...' ele pensou, assim que percebeu que passou tempo demais olhando para a garota. Ele balançou de leve a cabeça, desviando seu olhar de uma que analisava pacientemente suas unhas e estava com as pernas cruzadas no banco traseiro.
O silêncio permaneceu por alguns instantes e então os dois reconheceram o familiar caminho até o condomínio onde moravam. Daniel suspirou aliviado e começou a se ajeitar no banco, arrumando suas coisas e já se aprontando para sair dali. De repente, o carro deu uma freada brusca, fazendo com que a garota segurasse com toda sua força no banco da frente.
- O que foi isso? - Ela perguntou um tanto quanto assustada, ainda segurando firmemente no banco.
- Você tá bem? - Daniel olhou para trás um pouco preocupado.
- Estou... Acho que se não fosse por esse banco eu teria atravessado o vidro da frente, mas tudo bem... - tratou de desgrudar do banco do passageiro, arrumando seus cabelos e checando se suas coisas não tinham caído no chão. - Então, o que aconteceu?
- Não sei! O carro estava andando e do nada... parou! - Ele disse, movimentando um pouco os braços, dando ênfase na última palavra - Isso nunca aconteceu antes...
- Talvez fosse porque você estava dirigindo feito louco até agora? - O tom na voz dela era um tanto sarcástico.
Daniel virou para trás com a testa franzida.
- Isso não tem nada a ver... pode ter sido só uma falha do motor repentina ou... - Ele levou a mão ao queixo, tentando raciocinar o que poderia ter acontecido, não percebendo o sarcasmo de .
- Ou tenha sido o fato de que esse mini carro simplesmente não aguente uma velocidade exagerada como aquela! - A garota cruzou os braços, encostando-se no banco.
- Dá pra você parar? Se não fosse por esse "mini" carro - ele fez aspas - você não estaria voltando para casa!
- Se não fosse pela sua pressa, nós não teríamos parado a duas quadras do nosso condomínio! - semicerrou os olhos - Aliás, eu poderia muito bem ter pegado um táxi e o motorista teria sido muito mais prestativo do que você, Jones.
Daniel abriu e fechou a boca algumas vezes, mas não encontrou palavras para continuar com aquela discussão desnecessária. Fechou os olhos com força e bufou pesadamente; odiava quando era chamado pelo sobrenome, principalmente por ela. Ele virou para frente e colocou as duas mãos com uma vagareza desnecessária encima do volante, tentando se acalmar e acabar logo com aquilo.
- Se você não fosse tão irritante, talvez eu até pudesse dirigir com menos pressa. - Danny disse baixinho, ligando o rádio.
- Como é que é? - se aproximou de onde ele estava, ficando com o rosto entre os dois bancos da frente.
- Nada... - Ele não olhou para ela e tentou segurar o riso.
- Nossa, você continua o mesmo, Jones... até quando vai continuar sendo tão... - ela tentou procurar uma palavra conveniente para o momento - infantil?
- Infantil? Eu? - Danny voltou a olhar para ela. Queria ver até onde ela chegaria com aquilo.
- Sim, você!
O garoto olhou para , que estava um pouco nervosa e o encarando com uma expressão indiferente, enquanto esperava por uma resposta dele. Hesitou por um momento, tinha tantas coisas que gostaria de falar, mas não sabia se aquele era o momento certo. Brigas daquele tipo sempre eram evitadas pelos dois. Ele abaixou o olhar, respirou fundo e começou a falar com o tom de voz mais calmo que conseguiu.
- Por acaso sou eu quem trata mal as pessoas? - Danny apontou para si, ainda não olhando para ela - Por acaso sou eu quem magoa as pessoas ao redor? Por acaso sou eu quem se acha superior e acha que tem o direito de reclamar dos favores que os outros fazem pra mim quando eu preciso? - nesse momento, sentiu que ia falar alguma coisa e logo olhou para ela, tratando de impedi-la de pronunciar qualquer palavra - ...então não diga que eu sou o infantil aqui.
A garota o olhou meio que não acreditando no que ouvia. Não sabia ao certo se tudo o que ele tinha dito fazia sentido ou não, só soube que no momento sentiu seu corpo esquentar de raiva a cada palavra que ele pronunciava. Sendo ele Daniel ou não, ou sendo ele uma pessoa que realmente fizesse a diferença em sua vida, nunca é bom ter que encarar a realidade daquela maneira.

Daniel permaneceu em silêncio, na mesma posição desde que começara a discutir com , só a encarando. Fitava cada traço em seu rosto, cada movimento de sua boca, que às vezes se abria, não só por tentar dizer alguma coisa, mas também por simplesmente não ter o que dizer. Por mais que ele não quisesse, a conhecia melhor do que qualquer pessoa e sabia que ela teria essa reação. A garota não era boa em lidar com certas "verdades". Prestou atenção no jeito como as sobrancelhas dela se uniam cada vez que seus olhares se encontravam e em como ela mexia em seu cabelo e colocava sua franja para trás. Os segundos foram se passando e ele acordou de seu devaneio repentino pelo barulho da porta de trás sendo aberta. Ele só foi se dar conta do que estava acontecendo quando se esticou para pegar sua bolsa e o vento do lado de fora bagunçou seus cabelos.
- O que você está fazendo?
- Você acha mesmo que eu vou ficar aqui com você? - colocou uma de suas pernas para fora do carro, enquanto pegava seus óculos escuros.
- Entra aí que eu te levo pra casa... a gente já tá chegando mesmo e... - ele foi interrompido pelo barulho da porta sendo fechada.
Derrotado, ele se virou para frente e largou seu peso no banco do motorista, deslizando as mãos pelos cabelos. Se era daquele jeito que ela levaria as coisas, ótimo, ele não queria se importar. Já tinha aguentado tantos anos daquela indiferença, daqueles olhares que ele não conseguia entender e estava cansado principalmente daqueles nomes que ela o chamava. O enigma que era e todas as perguntas que rodeavam sua cabeça já por tanto tempo teriam que ter um fim, tudo aquilo teria que acabar um dia. Tateou a lateral do carro, procurando pela chave que ainda estava na ignição e torceu para o carro ligar, queria ir logo para casa. Para sua sorte, nenhum problema ocorreu e ele logo estava de volta às ruas, dessa vez dirigindo um pouco mais devagar. Quando chegou a seu condomínio, ao parar na fila de carros, viu conversando com o porteiro, que mexia em alguns controles e logo abriu a porta lateral do grande portão cinza para a garota entrar. A viu deslizar para dentro, fechando a porta logo em seguida e andando rapidamente a caminho de sua casa.

Depois de duas folhas jogadas no lixo, três desenhos inacabados e um que ela classificou como 'aceitável', levantou-se, indo até o criado-mudo e pegando o telefone.
Seu pai tinha desistido de arrombar a porta de seu quarto, e agora gritava com a televisão no andar de baixo. Annie ainda não tinha chegado da escola, e provavelmente quando ela chegasse, ele já estaria dormindo, vencido pelo álcool. "Pelo menos ela não precisa ter que aturar isso também", tentava proteger sua irmã de seu pai. Apertou os botões do telefone e, alguns segundos depois, pôde-se ou vir um 'Alô?' do outro lado da linha.
- ... É a . - ela começou a conversar com a amiga, as duas contavam sobre suas tardes monótonas e um pouco trágicas. Vinte minutos depois, elas desligaram o telefone. se levantou de sua cama, indo em direção ao banheiro com seu pijama na mão. Olhou-se no espelho do banheiro e sua feição era de extremo cansaço, as olheiras bem fundas, os olhos inchados e o nariz um pouco vermelho. Entrou no chuveiro e fechou os olhos, deixando as gotas de água escorrerem desde o topo de sua cabeça até as pontas de seu cabelo.

O caminho por dentro do condomínio não demorou mais do que dois minutos e logo Danny estava abrindo a garagem de sua casa. Tinha passado por no meio do caminho, mas a garota fez questão de ignorá-lo completamente, mantendo seus olhos fixos no caminho a sua frente. Concluiu que logo ela também estaria em casa, tudo aquilo estaria finalmente acabado e as coisas voltariam a ser as mesmas. Tentando por um momento sequer não pensar mais sobre o ocorrido, ele estacionou seu carro em uma das três vagas na garagem e viu que sua mãe já estava em casa... isso significava que o jantar logo estaria pronto. Deu uma risada e saiu do Mini Cooper, indo até a porta que daria acesso à sua casa. Subiu as escadas e pôde ouvir algumas vozes vindas do andar de cima. Visitas, talvez? Poderia ser um dos amigos da família, poderia ser até a Rainha, mas ele não estava a fim de fazer social com ninguém naquele momento. Só queria ir para seu quarto, tomar um banho e depois passar a noite inteira tocando algo aleatório em seu violão. E só.
Com isso em mente, ele primeiro passou na cozinha para pegar um copo de água e em seguida foi andando até seu quarto. Para sua surpresa, sua mãe o viu passar pela sala e chamou sua atenção.
- Olá querido... - Ela disse carinhosamente, fazendo com que Danny parasse de andar, ainda de costas para a grande mesa em que sua mãe estava.
- Hm, oi mãe... - Ele finalmente se virou, bebendo um gole de sua água. Ficou surpreso ao ver quem era a companhia da senhora Jones naquela tarde. - Senhora ... Boa tarde - Ele sorriu.
A mãe de deu uma risada antes de falar com ele.
- Daniel, já te disse que é pra você me chamar de Alicia! - Ela olhou para Kathy e as duas riram - Me chamar assim me faz sentir mais velha, não posso! [n/a: minha mãe que escolheu o nome dela pra essa parte, haha!].
Danny riu do jeito como ela falou e se aproximou da onde elas estavam.
- Aonde você estava? - Sua mãe perguntou despreocupadamente. Aquela era uma pergunta que ele realmente queria evitar.
As duas mulheres ficaram o encarando por um momento, ainda sustentando seus sorrisos para ele. O garoto primeiramente hesitou, mas ao ver o jeito em que elas o olhavam, deu de ombros e preferiu contar de uma vez o ocorrido.
- Hm, a ligou pro Harry essa tarde, o carro dela tinha quebrado - Ele disse enquanto batia os dedos em seu copo e conseguiu ouvir a mãe de dar um suspiro preocupado. - Aí nós dois fomos até lá para buscar as garotas.
- Mas está tudo bem? - Alicia perguntou, com uma voz tensa.
- Sim, claro, só foi uma falha no carro, ele já foi pro concerto... - Danny olhou para ela e sorriu despreocupado.
- Ah, menos mal... - Ela suspirou aliviada e logo voltou ao seu tom de voz normal. - Aquele carro da sempre dá problema, nunca vi!
- Talvez se ela tivesse um carro popular daria menos problema. - Kathy disse em um tom divertido e os três riram.
- Ou talvez um Mini Cooper! - Danny piscou para elas, entrando na brincadeira. - Bom, eu vou para o meu quarto - ele disse por fim, já se afastando da mesa - boa tarde pra vocês.
- Tchau Danny - Alicia disse, sorrindo também - e ah, obrigada por ter ido ajudar as garotas hoje.
Daniel parou por um momento e olhou para ela. Deu um pequeno sorriso e acenou com a cabeça, logo indo até as escadas em direção ao seu quarto. Realmente, nenhuma das garotas tinha o agradecido pelo que ele tinha feito naquela tarde e ficou feliz por pelo menos alguém ter apreciado seu ato. Riu com o fato de a senhora sempre o tratar da mesma maneira, sempre com aquele bom humor característico, desde que era pequeno. 'Pelo menos alguém...' ele disse para si, assim que fechou a porta de seu quarto e se jogou em sua cama, passando a encarar suas paredes laranjas.

Capítulo 5.

Já passavam das 3:00 PM, as garotas tinham saído da escola e resolveram passar a tarde juntas. O Audi Q7 de estacionou na frente da residência dos . Era uma luxuosa casa amarela de dois andares e com um grande jardim muito bem planejado na entrada, uma das paixões da Sra. . Tinha várias janelas por toda sua extensão e uma grande porta cor marfim bem ao centro, onde se era possível chegar por um caminho de pedra e subir os degraus que ficavam entre dois grandes pilares.
As pessoas que ali moravam passavam pouco tempo em casa. O pai de era um executivo sempre muito ocupado com suas reuniões e convenções, sua mãe estava sempre pesquisando fatos e procurando novas fontes para seus livros de História e seu irmão mais velho, Bruno, cursava Engenharia Química na Universidade de Oxford - sua pele bronzeada e seu corpo escultural faziam sucesso com as garotas, especialmente com as amigas de sua irmã caçula. passava boa parte do dia no colégio e na casa de suas amigas. Era uma tradicional família brasileira com seus costumes que chamavam atenção dos vizinhos.

- Obrigada, Alfred! ? disse educada para seu motorista, antes de fechar a porta e seguir as amigas que já entravam na casa.
- Bem vindas à minha humilde residência! ? falou imitando um mordomo, fazendo as amigas rirem e se jogarem no sofá preto.
- Oi, pivete! ? Bruno apareceu na sala apenas de bermuda e comendo algo não identificado em uma panela. Ele estava falando em português, deixando assim as três garotas inglesas com cara de ?hãn??.
- O que é isso? ? perguntou apontando a panela na mão do garoto.
- Isso? ? ele levantou a colher que segurava e ela concordou com a cabeça - Brigadeiro! ? ele respondeu com a boca cheia.
- Que seria? ? rolou os olhos.
- O melhor doce que existe! ? arrancou a colher da mão do irmão.
- E que por sinal só existe no Brasil! ? ele sorriu mostrando seus dentes brancos e brilhantes. Ele falava agora em inglês, para que todos compreendessem. - Querem um pouco?
, e não faziam idéia do que se tratava, mas se isso significava passar mais alguns minutos só analisando a perfeição de Bruno, elas não perderiam a chance. As três então aceitaram o convite, lançando olhares simultâneos ao garoto.
- Vamos à cozinha então! ? entendeu o recado e saiu saltitante, sendo seguida pelos outros quatro.
Depois de muito brigadeiro, Bruno saiu e as garotas foram para o quarto de .
- Wow! , você colocou mais quantos pôsteres desde a última vez que eu vim aqui? ? olhava para as três paredes verdes cheias de fotos e recortes.
- Nunca vi tanto homem junto! ? ria enquanto apontava pra um homem fazendo uma pose estranha em uma das diversas fotos.
- Ah, a mandou umas revistas brasileiras pra mim semana passada! ? ela riu mostrando algumas revistas cortadas na escrivaninha.
era uma das melhores amigas de no Brasil, e elas mantinham contato mesmo depois que ela foi para a terra da Rainha.
- Hum, esses brasileiros não são nada mal, hein? ? girou pelo quarto analisando as fotos.
- Mas vamos parar com esses olhos tarados pra cima dos meus homens e falar sobre coisas mais próximas. ? riu e se jogou na poltrona reclinável ligando a TV em um canal qualquer. Depois de vários minutos de silêncio prestando atenção na televisão, alguém resolveu se pronunciar.
- Então, vocês ouviram falar que o Sr. Simpson e a professora de Educação Física estão tendo um caso? - comentou abismada.
- Nossa, que horror! - fez uma careta de reprovação ? Ele e a careca dele são nojentos. - completou mostrando a língua.
- E eu achava que aquela Srta. Stuart gostava de pegar alunos do último ano, e não professores! - disse pensativa, e tratou de corrigir o que tinha falado assim que viu o olhar de poucos amigos de , que tinha seu namorado no último ano, mesmo ano que elas. - Não todos, claro! - ela sorriu amarelo. ? Alguns do time, acho. ? ela visivelmente tentou disfarçar. - Ninguém específico.
- Bem, eu já vou indo, tá quase na hora da minha aula de baixo! - pegou sua bolsa e seu fichário sem se importar com o comentário que visivelmente atacava seu namorado esportista e a acompanhou até a porta.
- Não que eu não penso que garotos como o Charlie peguem mesmo a Srta. Stuart, mas eu não ia falar isso pra ! - ela continuou quando voltou pro quarto.
- Eu até já desisti de falar pra que ele não é a melhor opção! - cruzou os braços.
- Imagina se o Harry fosse cafajeste que nem o Burk? Que horror! - riu não muito feliz com os comentários, afinal, ela era a única comprometida do grupo que se importava com o namorado.


O sol brilhava alto e era totalmente refletido, espalhando claridade para toda a rua. andava pela calçada com a bolsa roxa pendurada em seu ombro direito, seu cabelo brilhando ao sol enquanto ela ajeitava seus óculos escuros. Caminhava um pouco apressada, conferindo sempre o horário em um fino e delicado relógio de pulso prateado que tinha ganhado de seus pais; ele sempre estava esperando-a exatamente no horário. Seus pés já sabiam o caminho de cor, sua casa era apenas a dois quarteirões dali, e então ela virou à esquerda, onde no final da rua havia uma pequena casa com um letreiro branco e escritos em verde que diziam 'Music Me Do - Escola de Música'. A garota apressou o passo, chegando rapidamente até o local e entrando pela porta aberta sem ser notada. Caminhou por um corredor escuro, passando por várias portas fechadas. Diferentes instrumentos recheavam o ar com uma melodia estranha e descordenada e se dirigia para uma porta entreaberta do lado direito do corredor. Entrou esperando encontrar um rosto familiar sentado na cadeira preta e gasta, mas não havia ninguém na sala. O baixo caramelo jazia em seu apoio, ao lado do amplificador, e as duas cadeiras no centro da sala estavam completamente vazias. estava parada na porta, olhando para dentro como se tentasse identificar alguém usando uma capa de invisibilidade. O som de passos chegou ao seu ouvido, e antes que ela pudesse se virar e fechar a porta um perfume masculino havia invadido suas narinas. Olhos azuis passaram a analisá-la; uma de suas mãos estava apoiada no batente da porta e a outra segurava a alça de uma bag que pendia em suas costas. logo o reconheceu. Apesar de insistir para si que não era de reparar muito em pessoas inconvenientes, ela não pôde negar que conhecia muito bem aquele olhar.
- E então, vamos começar a aula? - ele sorriu de lado, olhando a menina que continuava parada sem reação, encarando-o.
- Mas... Cadê o Nick? - perguntou um pouco assustada. O que Dougie Poynter estava fazendo na sua aula?
- Ele não vai poder dar mais aulas a você, então eu sou seu novo professor, . - ele parecia que se controlava para não rir da cara de surpresa da menina. Dougie passou por ela e depositou a bag no chão. Ela continuava a encará-lo da porta, sem se mexer. - Você não vai entrar?
- Mas... - ela murmurava para si, incrédula.
Nick Ackerman era seu professor de contrabaixo há um ano e meio e entre eles havia mais que um contrato financeiro pelas suas aulas. tinha uma imagem na escola a zelar, e não podia ser vista entrando em escolas de música repletas de roqueiros, punks e 'seres alternativos', como ela gostava de chamá-los. Então Nick ajudava-a, mantendo seu segredo por um contrato amoroso. Agora com sua ida inesperada ela teria que confiar no garoto à sua frente. Mas ele não aparentava ser nem um pouco confiável. A começar pelo desgosto que um tinha pelo outro.
- Hm... vai mudar o preço? - ela perguntou um pouco receosa. De todos os professores que ela poderia ter ela tinha que ter ficado justo com o Poynter.
- Ah, eu acho que não, vai continuar sendo 70 libras por mês, mas acho que dinheiro não é problema pra você - ele disse de costas para a porta e ela fez uma careta; não queria ter de refazer seu antigo contrato com seu novo professor. 'Ele é nojento', seus pensamentos concluíram. Dougie começou a abrir o zíper da bag e tirou de lá um baixo amarelo berrante. olhou atônita, 'Isso não pode estar mesmo acontecendo...', ela andou até a cadeira preta, finalmente entrando na sala, e sentando-se ao mesmo tempo que colocava a bolsa no chão ao seu lado. Ela se limitou em somente observá-lo, enquanto ele colocava seu baixo extravagante no colo e conectava o cabo, ligando o amplificador.
- Você sabe guardar segredos, não sabe, Poynter? - questionou, reunindo toda sua determinação para não soar desesperada. Ele levantou os olhos azuis das cordas para encará-la, tentando lê-la, descobrir qual era o seu segredo; pela cara da garota não seria tão difcíl de lê-la, e então ele sorriu; um sorriso que de singelo passou para maroto em menos de um segundo. Voltou sua atenção para as cordas, fazendo um solinho e puxando uma das cordas com o dedo em uma nota final. Olhou novamente para a garota, que permanecia sentada na cadeira observando sua agilidade no instrumento. Seus olhos azuis vasculhavam o interior dos profundos olhos castanhos dela.
- Depende do segredo... - ele sussurrou para ela por cima de seu baixo amarelo, sorrindo malicioso ao ver a cara de desgosto da garota. ? se ele me beneficiar... talvez eu saiba. - ele completou, se virando e entregando o baixo caramelo que estava ao seu lado para a garota que ainda possuía um olhar mortal.
Depois dessa conversa eles nada falaram a não ser poucas perguntas sobre como ela devia segurar a corda ou como ele conseguia fazer aquele slide. A aula se arrastou lentamente e mais silenciosa do que deveria. Quando o relógio no pulso de Dougie apitou 5:00 PM, colocou rapidamente o baixo que usava na aula de lado, pegou sua bolsa e ajeitou-a no ombro. Olhou para ele, um olhar frio e ao mesmo tempo intenso, cheio de significados incompreensíveis para eles. Ficaram assim por vários segundos, até ela romper o contato visual, piscando os olhos rapidamente. Segurou firmemente a bolsa a saiu apressada da sala, deixando um Dougie atordoado encarando a porta com um baixo de cor berrante nas mãos.

Os dias da semana passaram rápido até que sexta-feira chegou. Aulas e mais aulas fizeram parte dos dias dos queridos alunos do Ealing High, tomando grande parte de seus horários, como já estavam acostumados. Cansados, todos estavam animados para que as aulas da semana acabassem e assim pudessem se preocupar com outras coisas ? uma delas seria o jantar tão esperado, que seria no dia seguinte. A manhã passou mais rápido do que esperado, mesmo que a ansiedade de sair daquele lugar os fizesse achar que o tempo não pudesse passar mais devagar. O sinal tocou e os alunos da escola pareciam desesperados para sair e aproveitar o dia que estava apenas começando. Entravam em seus carros luxuosos ? a maioria presentes de seus pais por nenhum motivo em especial ? e agradeciam mentalmente pela semana ter finalmente acabado para que pudessem viver suas vidas superficiais.

e Harry se encontraram na frente do prédio onde os moravam, assim como faziam toda sexta-feira. Ela sempre tinha que estudar e Harry se ocupava na maior parte dos dias com assuntos da banda, então o telefone era uma das únicas maneiras de se comunicar durante a tarde, depois de se despedirem todas as manhãs nos portões da escola. Decidiram que aquele dia seria tirado toda a semana para terem um tempo juntos.
- Meus pais devem estar em casa hoje. Quer ir a outro lugar enquanto eles não saem de lá? ? perguntou, tirando seu Chapstick de blueberry da bolsa e passando em seus lábios.
- Claro. Para onde podemos ir? ? Harry perguntou distraído com a cena da namorada.
- Sei lá. ? disse simplesmente já andando em uma direção qualquer.
Harry colocou-se ao lado de e entrelaçou seus dedos com os dela, fazendo com que ela desse um sorriso involuntariamente.
Após alguns minutos de caminhada, Harry pôde ver que tinham chegado a um parque. A tarde não estava muito ensolarada, porém haviam várias garotas com tops e mini-shorts sentadas perto da fonte que se encontrava no meio da praça, além da multidão de patinadores, skatistas e jogadores de cricket. Sentaram-se embaixo de uma árvore um pouco afastada daquela multidão e encostaram-se no tronco. ficou encarando um vendedor de sorvetes que passava com seu carrinho ali por perto desejando ter um sorvete naquele momento. No mesmo instante, Harry, que pareceu ter lido seus pensamentos, foi até o vendedor e comprou dois sorvetes. sorriu com aquilo. Adorava quando Harry simplesmente adivinhava suas vontades, sem ela ter que dizer uma palavra sequer.
De repente seu sorriso se desfez ao ver uma das garotas do primeiro ano de sua escola conversando com o namorado, que estava agora de costas para ela, apenas a alguns metros da onde estava. não conseguia lembrar o nome dela. Jess? Judy? Jane? ?Tanto faz. Não que eu me importe mesmo...?, pensou. Logo se levantou e foi andando até onde os dois conversavam. Como quem não queria nada, parou a mais ou menos um metro de distância deles para escutar a conversa.
- A gente não se fala muito na escola. Na verdade você provavelmente nem sabia que eu existia ? ?Vaca?, pensou. ? Mas sabe, bem que a gente poderia marcar de se sair um dia desses... O que acha?
já tinha se cansado da garota. Chegou ao lado de Harry, o abraçando pela cintura.
- Hey, pentelha! Você não quer saber o que eu acho disso? ? perguntou, dando um sorriso sarcástico.
- Na verdade não. Estou falando com ele se você não percebeu. ? Engoliu em seco.
A garota na verdade não sabia muito o que responder. Sabia que tinha moral o bastante para acabar com ela, mas continuou a discussão mesmo assim.
- Duende de jardim, nos faça um favor e saia daqui, entendeu? Você não precisa perder o seu tempo tentando chamar a atenção de todos aqui porque você não vai conseguir. Então nos faça um favor e vai passear, ou então vai brincar de soltar pipa, não sei, qualquer coisa que seja bem longe daqui, ok? Aliás, esses sapatos Chanel coleção passada não enganam a ninguém.
A menina saiu andando com a cabeça baixa e sorriu com isso. Não que gostasse de fazer garotinhas chorar, mas às vezes era bom falar umas verdades a elas.
- Outch! ? Harry disse, abraçando pelos ombros enquanto voltavam para onde estavam, encostando-se na árvore novamente.

Já era sexta feira e, consequentemente, dia de aulas de música para . Ela achava as aulas um tanto quanto tediosas, pois o tipo de música que ensinavam ali não tinha muito a ver com o que ela chamava de ?música de verdade?. Mesmo assim, gostava de aprender coisas diferentes, afinal, não era sempre que havia uma oportunidade de mostrar seus dotes musicais. sabia tocar bateria desde seus sete anos, já que seu irmão mais velho, que sempre gostara desse tipo de coisa, era uma forte influência para ela. Nada que suas amigas inglesas pudessem imaginar e que ela fizesse questão de exibir, afinal, como elas diziam, bateria não era coisa para garotas. Entrou na sala no momento em que o sinal tocou, pois não estava nem um pouco a fim de ficar ouvindo as fofocas que alguns desocupados faziam sobre ela e suas amigas e nem de encarar os olhares invejosos da garota de aparelho que era apaixonada secretamente por Tom, seu único colega decente e com quem ela tinha algum tipo de contato. Infelizmente, ao entrar na sala, ela notou que só havia um lugar vago na classe e era entre um nerd harpista e uma menina que fazia as aulas de vocal e canto parecerem não surtir efeito. Sem muita - ou nenhuma - opção, caminhou para a carteira e se jogou na mesma, colocando sua bolsa dourada no chão e seu fichário estampado encima da carteira. Avistou Tom olhando para o nada algumas fileiras à frente, e logo viu a senhora Thompson entrar na sala.
- Boa tarde, jovenzinhos! ? ela falou, colocando seu material na mesa e sorrindo. A professora estava de bom humor, e isso indicava que algo de assustador estava para acontecer. ? Gostaria de avisar aos senhores Fletcher e que, como não estavam presentes na última aula e não participaram da escolha das duplas para o trabalho, irão fazê-lo juntos. Vocês têm de escrever uma música, com melodia e o tema é despedidas. O trabalho tem de ser feito em um mês e será apresentado aqui na sala. ? ela sorriu vitoriosa e Tom automaticamente olhou para onde estava. O tema era ridículo e o fato de terem que se apresentar em público mais ainda, porém, ambos concordavam que qualquer outra dupla estava fora de cogitação. Ela sorriu e ele retribuiu, virando para frente e pensando no que ia dar com eles dois desenvolvendo um tema como aquele.

- Então, animado com o nosso tema maravilhoso? Certeza que ela deixou esse tema de propósito por que eu sou a única que tenho coragem de falar algumas verdades pra ela. - comentou, se aproximando da carteira de Tom quando a aula terminou e os outros alunos guardavam seus instrumentos e folhas pautadas.
- Nossa, mal posso esperar! ? ele rolou os olhos e ela sorriu com o jeito engraçado e ao mesmo tempo ingênuo dele. ? Ah, e antes que eu esqueça, obrigado por me fazer ir para a diretoria, assim eu não tive que fazer dupla com alguém estranho. Do jeito que eu sou sortudo, ia ter que fazer o trabalho todo sozinho, e ainda passar humilhação pública. Pelo menos com você vai ser divertido! - Tom disse corando de leve, mas sua felicidade de fazer dupla com uma menina que não tirasse meleca do nariz no meio da sala era tanta que ele nem ao menos se sentiu envergonhado de falar a verdade.
- Que bom que você pensa assim, a nossa situação fica um pouco melhor!
- Quer ir lá em casa amanhã à noite pra gente pensar em alguma coisa? - ele ofereceu, pensando que se em um caso remoto ela aceitasse, ele teria que tirar todas as suas boxers coloridas do chão do quarto logo que chegasse em casa.
- Pode ser... As garotas vão estar tão ocupadas se preparando para o jantar da agência que provavelmente nem sentirão minha falta. Mas agora eu tenho que ir, meu irmão já deve estar me esperando. Me passa seu telefone e eu te ligo de noite pra pegar o endereço.
Ele ditou seu número, enquanto ela anotava tudo rapidamente em um bloquinho dourado, que combinava com sua bolsa. Logo acenou se despedindo, passando pela porta da sala e saindo do campo de visão do garoto.

finalmente pegou um dos cones de sorvete enormes que estavam nas mãos de Harry.
? Precisava ser tão má assim? ? O garoto perguntando em um tom divertido.
- Harry, meu bem, escuta ? pegou em seu rosto com sua mão livre e disse séria, o que fez Harry ficar sério também ? você é meu namorado e... ? fez uma pausa ? se alguém tentar tirar você de mim ou der em cima de você, vai ter que arcar com as consequências. ? disse ainda com um olhar sério, tentando agora segurar o riso ? Essas vadiazinhas que tentarem chegar perto de você vão... morrer. ? fechou a mão em um punho, lançando ao namorado seu olhar mais maligno.
Harry, também segurando a risada, não pensou duas vezes e enfiou seu sorvete no meio do nariz da garota, que fechou os olhos em sinal de surpresa. Depois de alguns segundos, e, para sua vingança, pegou seu sorvete e espalhou-o pela nuca dele, fazendo-o arrepiar ao sentir o sorvete escorrer da nuca até seus ombros. Depois de muito sorvete espalhado e derramado, ambos estavam cansados da brincadeira e deitaram um ao lado do outro na grama, ainda rindo.
- Sabe, eu gosto disso... ? Harry disse, olhando para o céu.
- É, eu também. ? olhou para ele.
Ficaram em silêncio por um tempo. Não precisavam de palavras.
Harry de repente virou seu corpo em direção a e limitou-se em apenas observá-la. Às vezes ele não tinha noção da sorte que tinha por estar com uma garota como ela. Ele sorriu ao pensar no quanto as coisas tinham mudado entre eles e no quanto ela o fazia feliz, mesmo com momentos simples como aquele.
- Harry... ? ela ia começar a falar, quando foi interrompida pelos lábios de Harry.
brincava com o cabelo dele entre seus dedos enquanto se beijavam, e pôde sentir que a nuca de Harry continuava melada. Começou a tirar o sorvete de seu pescoço com a boca, fazendo o garoto soltar uma risada abafada que logo foi cortada por sua respiração que ficava mais rápida, logo sentindo-a quente ao apoiar sua cabeça no ombro de e lhe dar um beijo de leve.

Capítulo 6.

Era sábado à noite. Vozes insistentes e o barulho de passos apressados ecoavam nos corredores da casa da família Jones. Então o grande dia havia chegado. Pelo menos era isso o que o casal Alan e Kathy pensava, ao se vestir impecável e formalmente para o que seria a comemoração dos dez anos da agência Role Models, o então orgulho de toda a família.
Não muito longe dali, atrás de uma das portas do largo corredor do segundo andar, um alto garoto se olhava no espelho pela décima vez, ajeitando sua gravata cinza e desamassando seu, nunca usado antes, terno preto. Diferentemente de seus pais e do resto dos familiares que já estavam prontos na sala de visitas, provavelmente o esperando, ele não sustentava a ansiedade e a felicidade por estar indo a tal evento. Poderia ter todos os motivos do mundo para gostar de ir a uma festa cheia de modelos e pessoas interesseiras para esbanjar todo o dinheiro e prestígio que sua família tinha, – e que posteriormente seria seu – mas simplesmente não sentia que queria ter tudo aquilo. Simplesmente não conseguia se imaginar se vestindo daquele jeito todos os dias para comandar com mais duas pessoas o que seria um dos maiores empreendimentos do momento. Percebendo que estava se preocupando demais, tentou esquecer aquilo, porque não era necessário se preocupar com algo que não estava ao seu alcance. Tinha ficado tão absorto em seus pensamentos, que levou um susto quando ouvir a porta de seu quarto ser aberta.
- Daniel? – Sua mãe de repente apareceu, colocando o rosto para dentro do quarto – Vai demorar muito? Já estão todos te esperando lá embaixo!
- Hm, não... Já estou pronto. – Ele deu uma última checada em sua roupa antes de se virar totalmente para sua mãe – E então... Como estou?
Kathy entrou pelo quarto e analisou o filho. Sabia que ele ficaria perfeitamente elegante com as roupas que tinha escolhido para a ocasião. Lançou-lhe um sorriso terno e se aproximou dele, arrumando sua gravata, que estava um pouco torta.
- Está perfeito – Ela sustentou o sorriso. Viu que ele tinha ficado um pouco sem graça com o comentário e decidiu descontrair um pouco – todo esse tempo se arrumando, parecendo uma mulher que vai ao primeiro encontro, valeu a pena!
Danny a olhou com a boca entreaberta, fingindo estar indignado com tal comentário e sua mãe riu, fazendo-o rir junto.
Em meio aquele momento de distração, os dois quase não perceberam que a campainha tinha acabado de tocar.
- Ah, achei que as visitas tinham acabado – ela suspirou um tanto quanto frustrada, aparentemente não agüentando mais atender a porta.
- Deixa que eu atendo agora... – Daniel riu e foi até a porta, recebendo um sorriso de sua mãe. – Pode ser minha companhia.
- Hm, deixe-me adivinhar... Mais uma daquelas modelos desmioladas pra te distrair antes, durante e depois do jantar? – Kathy perguntou, cruzando os braços.
- Não... – Ele respondeu pensativo, se decepcionando por não ter lhe ocorrido àquela idéia antes. Logo olhou para sua mãe, e deu uma risada – É ainda melhor.

Tom ouviu a campainha tocar e já sabia quem era. Ele e tinham marcado de fazer o trabalho naquela tarde, quando eles se falaram no dia anterior. Ainda era muito estranho para os dois essa aproximação repentina, mas eles não tinham muita opção, pois ao invés de comparecer às aulas e terem a chance de escolher alguma pessoa mais próxima para ser sua dupla no trabalho, eles tinham escolhido enfrentar a professora e serem mandados para a diretoria. E, além de tudo, não havia mais ninguém decente naquela classe de nerds tocadores de violoncelos.
- Hey, Tom! – disse assim que a porta foi aberta e ela viu um Tom de bermuda camuflada e camiseta branca do outro lado.
- Oi, , entra aí! – ele disse descontraído dando espaço para que ela passasse, e logo em seguida fechou a porta atrás de si. – Então, tudo bem?
- Tudo e com você? – ela respondeu tímida, observando a sala. O cômodo era grande e espaçoso com alguns sofás marrons e uma grande mesa de vidro. Em cima dela estavam vários papéis em branco além do livro de cifras e do caderno de letras de Tom.
- Tudo. Espera só um segundo que eu vou ao meu quarto buscar a guitarra e já volto. Pode sentar aí.
então se sentou em uma das cadeiras de estofamento de veludo e olhou para o caderno que estava em sua frente, o caderno de letras. Abriu-o depois de ver alguns desenhos não identificados na capa. Obviously era o título escrito no topo da primeira página. Achou a letra criativa, num estilo bem colegial. Viu que várias outras letras ocupavam as próximas páginas do caderno e percebeu que Tom descia as escadas com um grande case em suas mãos.
- Você que escreveu isso? – ela perguntou apontando para o caderno em suas mãos e ele a olhou surpreso.
- Sim, eu e os garotos! Você sabe, né? Nós temos uma banda. Uma banda de garagem, mas ainda assim uma banda.
- Ah, eu já ouvi falar sim. Mas essas letras são ótimas, acho que vamos poder escrever uma música mais animadinha!
- Claro – ele disse com um sorriso, tirando sua guitarra preta do case. - Só quero ter uma idéia, pra gente depois ver no violão, porque o meu ficou na casa do Danny!
- Então vamos lá, começamos pela letra ou pela melodia? - ela disse animada, pegando uma folha pautada da parte de trás do caderno de músicas do garoto.
- Acho que podemos tentar a letra, que vai ser o mais difícil. - ele disse, se sentando ao lado dela, posicionando a guitarra em seu colo.
- Se depender da minha criatividade, nós vamos zerar nesse trabalho! – ela disse depois de alguns minutos pensando, levantando os olhos da folha em branco em suas mãos para o garoto ao seu lado.
- Calma, eu vou te ajudar! Temos que pensar em um começo. O que você faria em uma despedida, ?
- Eu não sei. Mas acho que talvez nós não devêssemos escrever exatamente uma despedida. Até por que esse tema é péssimo. Nós podemos fazer alguma coisa do tipo, uma briga. Algo que poderia terminar em uma despedida... Ou não. - ela disse um pouco pensativa.
- Pode ser... você quem sabe. - ele sorriu.
- Como você acha que a gente deve começar então?
Ele pensou por um momento e olhou para de repente.
- Que tal começar com um pedido de desculpas? É sempre um bom começo. - dizendo isso, o garoto parou para observá-la, fazendo corar levemente.

- Poynter! – Danny abriu a porta e foi recebido com uma cara de “só estou aqui usando essas roupas porque você me obrigou” em resposta.
- E aí? – Dougie entrou na casa do amigo, quando este lhe deu passagem.
Danny fechou a porta e os dois ficaram em silêncio por um momento. Ele reparou que o amigo não estava muito confortável usando sua camisa social preta, junto com seu jeans escuro um pouco justo e sapatos sociais também pretos.
- Que cara é essa? – Dougie finalmente se pronunciou, quando percebeu que o amigo sustentava uma expressão estranha.
Daniel não agüentou e começou a gargalhar.
- O que foi? – Ele perguntou um pouco impaciente.
- Não sei... Nunca imaginei te ver vestido desse jeito! – Ele dizia em meio a risadas – Quero dizer... Você tá sempre com aquelas roupas amassadas e tal.
- É por isso que eu te agradeço todos os dias por ter me apresentado ao mundo da alta costura, Daniel. – ele disse sarcástico, rolando os olhos – Você fala como se suas roupas fossem muito diferentes das minhas.
- Ah, mas isso não vem ao caso no momento... – Ele olhou para o amigo e os dois riram.
Eles ficaram conversando por um tempo, até que a mãe de Danny apareceu no hall da casa e levou Dougie até a sala de visitas, onde o resto da família estava para beberem alguma coisa antes de saírem. Dougie cumprimentou a todos, conhecia praticamente todos os familiares de Danny e se sentia totalmente confortável ao redor deles, mesmo estando vestido com tais roupas e não fazer idéia de como se comportar em jantares como aquele em que iriam.
Passado algum tempo, todos começaram a se arrumar para finalmente saírem. Separaram-se em quatro carros, todos seguindo a Land Rover dos pais de Danny até o centro da cidade, a caminho de um grande e sofisticado salão de festas que os sócios da agência tinham alugado. Aparentemente era um lugar perfeito para tal evento: moderno, requintado e caro.
Não demorou muito e quatro carros estacionavam em frente ao grande salão, com letreiros piscando Chez Queen em dourado. Todos saíram de seus carros observando atentamente cada detalhe do local, que esbanjava sofisticação até mesmo em seu exterior. A grande porta de entrada chamava a atenção com um grande tapete vermelho que se estendia por todo o caminho, dando um ar de grande importância ao evento e a todos os convidados que por ali passariam. O pai de Danny rapidamente foi até um dos seguranças, que imediatamente o reconheceu e deu passagem para toda sua família entrar. Dougie e Danny estavam hipnotizados por toda a decoração e, se surpreenderam mais ainda com tudo o que lhes esperava do lado de dentro.

e se arrumaram na casa de , como de costume. Adoravam opinar nas roupas que usariam e, principalmente, adoravam ajudar uma a outra na escolha da melhor maquiagem. Demoraram um pouco para ficarem prontas, mas assim que desceram as grandes escadas de mármore da casa, foram guiadas até a Mercedes do Sr. , onde os pais de já a esperavam, um pouco impacientes.
Em meio a conversas e diversas risadas, elas nem perceberam que depois de poucos minutos o carro era estacionado na entrada do salão e um motorista já os aguardava, para levá-lo até o estacionamento. Ao mesmo tempo, um simpático choffeir abriu a porta de trás, de onde as três garotas rapidamente saltaram para o lado de fora e foram recebidas por vários flashes de câmeras. Elas sabiam que haveria muitos fotógrafos, por isso arrumaram-se meticulosamente para a ocasião. estava com um vestido branco com faixas pretas e tomara-que-caia, um modelo bem curto que ela usava com uma meia-calça preta. Seus cabelos estavam soltos com cachos largos de babyliss; em seus pés, sapatos envernizados pretos de bico fino. usava um vestido roxo com mangas 3/4 que deslizava até um pouco antes dos joelhos, calçava seu par de anckle boots preto preferido e seus cabelos caíam completamente lisos por suas costas. estava usando uma saia de cintura alta fendi da Dior, um corpete branco, seus sapatos estampados Christian Louboutin e carregava uma bolsa Chanel preta. não pudera ir com a desculpa de ser a última noite de seu irmão em casa e ela teria que sair para um jantar em família, o que não convenceu muito as amigas.
As garotas flutuaram de mãos dadas pelo tapete vermelho, sorrindo abertamente para os paparazzi enquanto os flashes espocavam e capturavam cada centímetro de suas tão planejadas aparências.
Passaram por um arco branco, grande e extremamente iluminado, que servia de portal para o tão comentado jantar, e foram recebidas por uma recepcionista morena que sorriu e, sem nem precisar checar a lista de famosos e convidados, indicou para elas o caminho para o interior do lugar. Entraram e o ambiente era quente, diversas pessoas as observavam atentamente enquanto elas se dirigiam até o bar na esquerda, que era iluminado com luz negra por dentro das pequenas paredes de vidro. Os móveis, que misturavam o estilo vitoriano com um estilo mais moderno, estavam espalhados, sendo muito fácil achar um confortável sofá de veludo vermelho para se sentar e comentar sobre tudo e todos.
- Três Cosmopolitan - pediu, apoiando as mãos no balcão e sorrindo para o barman. Virou-se para frente logo depois, voltando a conversar com suas amigas. Suas bebidas não demoraram a ficar prontas e logo elas bebiam delicadamente do líquido pink. passava os olhos sobre o salão ricamente decorado, tentando reconhecer algum rosto na luz baixa. Viu que sua família, que tinha ido em outro carro, já caminhava até à mesa onde eles ficariam naquela noite. Tentou não se importar ao ver quem cumprimentava seus pais naquele momento.

- Tom, agora eu realmente preciso ir… Tenho que encontrar meus pais no restaurante daqui a exatos quinze minutos e eu nem me arrumei ainda! – checou seu relógio, enquanto andava apressada até a porta.
- Você não precisa se apressar tanto... tá bonita assim. – ele disse espontaneamente, sem ao menos medir as palavras, se xingando mentalmente depois que percebeu o que tinha falado.
o olhou com um sorriso, meio que não sabendo se o agradecia ou não pelo comentário. Ela usava um vestido branco delicado, sapatilhas prata e seu cabelo estava solto e com uma presilha.
- Bom, então eu já vou – ela dizia enquanto passava pela porta que Tom acabava de abrir.
- Você veio de carro? – o garoto olhou para o lado de fora da casa, não encontrando nenhum carro estacionado perto dali.
- Não... vou ligar pro meu irmão, aí ele vem me buscar.
- Erm, se você quiser, eu posso te dar uma carona – ele estava visivelmente sem jeito, enquanto coçava a cabeça propositalmente.
- Não vai incomodar?
- Claro que não. Espera aqui que eu vou buscar a chave do carro. – ele entrou na casa e logo saiu abrindo a garagem e andando em direção ao Alfa Romeo de seu pai.
Eles foram a maior parte do caminho em silêncio, e dessa vez a trilha sonora era The Way You Make Me Feel, do Michael Jackson. Tom cantava batucando no volante sem perceber que o observava. Quando o restaurante estava a algumas quadras, ela resolveu retocar a maquiagem. Logo que o carro estacionou, agradeceu e se despediu do garoto com um beijo em seu rosto, desceu do carro e andou em direção à entrada do restaurante onde seus familiares já a esperavam.

O relógio anunciava que eram dez horas da noite. Como praticamente todos os convidados já se encontravam no local, diversos garçons deslizavam pelo salão, levando bebidas das mais variadas em suas bandejas de prata, enquanto o jantar começava a ser servido. Todos os olhares e atenção se voltavam para uma grande mesa redonda, localizada estrategicamente no meio do salão, onde duas famílias se aproximavam para então preencherem os sete lugares que restavam do aconchegante lugar reservado para os sócios da Role Models. Os Jones receberam os e os com sorrisos no rosto, cumprimentando a todos e iniciando discretas conversas entre si. Dougie foi apresentado a todos como um convidado especial da família Jones, deixando o mesmo um pouco envergonhado com aquela atenção toda. , que chegava algum tempo depois com e , pelo contrário, não precisava de introdução alguma por parte de nenhuma das famílias, pois já tinha ido a jantares anteriores àquele, além de já ter sido fotografada diversas vezes pela agência. Todos se acomodaram no lugar que havia sido reservado para cada um. Os adultos ficaram mais próximos, enquanto os jovens sentavam-se do outro lado da mesa.
Danny e Dougie, que até aquele momento estavam em pé conversando algo que parecia interessante com o Sr. , ao voltarem aos seus respectivos lugares, tiveram que segurar o riso ao ver três garotas com a expressão contrariada sentadas entre eles. e estavam com as plaquinhas que indicavam seus lugares em mãos, concluindo que aqueles eram exatamente os lugares que teriam que ficar até o final da noite e de repente se entreolharam, se decepcionando ao ver que haviam cinco pessoas entre elas. , ao se sentar ao lado de Danny e ao ver os dois garotos ali, sentiu seu coração apertado: lembrara-se na hora de Harry, que poderia muito bem já estar ali, a esperando, rindo com seus amigos e vestido tão formalmente quanto Danny e Dougie, tirando o fôlego de qualquer modelo que olhasse para ele. Como sempre, sua presença fora vetada por seu pai.
Sem trocar uma palavra sequer, os cinco esperaram o jantar ser servido e então comeram em silêncio. Algum tempo depois, após pedirem suas bebidas, eles foram se descontraindo um pouco e engatou uma conversa com o primo de Danny, Joel. A conversa parecia estar tão boa que algum tempo depois as meninas viram os dois aos cochichos. e , assim como os outros meninos, continuaram em silêncio. Foram despertados por um Dougie, que de repente começou a falar de boca cheia.
- Dude – ele cutucou Danny, fazendo uma careta – o que é isso?
- Isso o quê? – o garoto riu da expressão do amigo.
Dougie apontou para uma pequena porção de algo escuro em seu prato.
Danny riu mais ainda antes de responder, e agora Dougie o censurava com os olhos.
- É caviar, ué. Nunca tinha comido?
- Por acaso eu estou com cara de que já comeu uma coisa dessas? – Ele perguntou sarcástico – Isso é nojento! Ok... Eu vou até o banheiro.

conversava com Joel sobre suas últimas férias em Paris, quando de repente sentiu seu celular vibrar dentro da bolsa.
- Só um minuto – ela pediu, olhando para o garoto com um sorriso nos lábios. Abriu sua pequena bolsa e pegou seu BlackBerry, nem olhando para quem estava a ligando. - Alô?
- ? Oi... Aqui é a Laureen.


Capítulo 7.


olhou rapidamente para as amigas, que ainda não tinham visto que ela estava ao telefone. Deixou Laureen do outro lado da linha, somente esperando por uma resposta, que ela visivelmente não sabia como dar.
- Hm, oi... tudo bem? – ela rezava para a garota ter esquecido completamente do jantar e estar a muitos quilômetros dali.
- Tudo ótimo! Então, eu estou aqui na frente do salão, mas o meu nome não está na lista.
- Ah... - tentava não transparecer seu nervosismo - o que disseram pra você?
- Bom, eu disse que conhecia uma das modelos e, é claro, a . Aí um brutamontes me disse que só se vocês viessem aqui e confirmassem o que eu falei, ele me deixaria entrar!
congelou, novamente sem saber o que dizer.
- Ok, nós vamos ver o que fazer. – foram as últimas palavras da menina antes da mesma desligar o celular.
Ela guardou o aparelho em sua bolsa e, discretamente, levantou-se de seu lugar e andou rapidamente até onde estava, a puxando consigo para um dos cantos do salão.
- Posso saber o que tá acontecendo? – perguntou enquanto era arrastada pela amiga.
- A... Laureen... Aqui... – tentava falar, ofegante de toda sua pressa.
- Hã?
- A Laureen está lá fora! – ela disse um pouco mais calma, assim que pararam de andar. – E ela só vai poder entrar aqui se nós formos lá falar com os seguranças!
- E? – Ela respondeu com um tom meio óbvio. Se fosse por , Laureen esperaria sentada pela presença delas.
- E – ela revirou os olhos – nós temos que dar uma resposta a ela.
pensou por um momento e concluiu que já sabia exatamente o que fazer. De repente, saiu andando decidida até a entrada do salão, deixando com uma interrogação no rosto. Ela seguiu a amiga com os olhos por um tempo e por fim deu de ombros. Talvez ela realmente soubesse o que estava fazendo...
Chegando perto da grande porta de entrada, aonde alguns fotógrafos ainda acompanhavam a chegada de alguns poucos convidados atrasados, pôde ver Laureen entre as diversas pessoas que alegavam “conhecer algum convidado importante” ou simplesmente “ter o nome na lista”, inutilmente tentando entrar. Ela rapidamente deslizou até um dos seguranças, logo lhe passando algumas informações, que ele ouviu atentamente e logo voltou sua atenção a todos os penetras que ali estavam.


Laureen olhava para a porta constantemente, tentando ver se ou apareceriam ali para finalmente deixarem-na entrar. Estava um pouco ansiosa para que aquilo acontecesse, pois tinha planejado essa noite por muito tempo e se sentia com certa sorte por conhecer as garotas e por elas estarem fazendo tamanho favor a ela. Como toda a garota do Ealing High, Laureen sustentava uma certa inveja por , querendo a todo custo fazer parte da grande seleção de modelos que viajavam o mundo pela Role Models. Em meio a vários flashes vindos do tapete vermelho, ela finalmente reconheceu , que terminava de falar algo com um dos seguranças que haviam vetado sua entrada alguns minutos antes, logo sumindo de vista. Abriu um largo sorriso ao deduzir do que se tratava e caminhou rapidamente até a porta, onde um homem alto a acompanhava com o olhar.
- Então... – ela começou – Agora que você já sabe que eu não estava mentindo – ela fez uma careta – posso finalmente entrar?
O homem a mediu de cima abaixo antes de responder.
- Sinto muito, mas tenho ordens explícitas para não deixá-la entrar neste estabelecimento.
- Mas...
- Agora que já sabe das últimas notícias, que tal dar espaço para quem pode entrar na festa, senhorita? – o segurança disse com a voz firme e decidida.
Algumas pessoas que estavam ali por perto e tentavam alcançar o mesmo objetivo que a garota, seguraram o riso, frente a tal humilhação e, é claro, a expressão nada amigável que ela sustentava no rosto.
Laureen sentia seu peito arder cada vez que enchia seus pulmões de ar, visivelmente tentando se acalmar. Sentia-se enganada, usada... Humilhada. Lembrou-se do momento em que viu desaparecer pelo salão, logo depois de conversar com o mesmo segurança que a impediu pela segunda vez de entrar no jantar. Logo entendeu o que tinha acontecido ali, fazendo com que sua angústia e seu desejo de reverter aquela situação borbulhassem em suas veias. Foi andando lentamente até seu carro, que não estava muito longe dali, e algo brilhou em sua mente. Um sorriso torto e um pouco cruel apareceu em seu rosto e ela prometeu a si que não passaria por aquilo novamente e que teria sua dignidade de volta logo. Avistou seu carro do outro lado da rua, bem a tempo de sentir algumas gotas de chuva escorrendo por seus cabelos extremamente penteados e alisados.


mexia em sua comida sem muita animação. Não estava se sentindo confortável ali e ela sabia muito bem o porquê. Achava tudo muito superficial naquele ambiente e, claro, o jeito que Danny falara com ela naquela semana não era assim tão fácil de esquecer, principalmente com ele assim tão perto. Era óbvio que se aquilo tivesse acontecido na época que eles ainda se falavam seria bem mais difícil de ambos lidarem com tal briga e ela, às vezes, usava isso como desculpa para parar de pensar no assunto.
Ela já estava pensando em alguma desculpa para sair de lá por um tempo e respirar um pouco de ar fresco, quando sentiu uma mão em seu ombro.
- ? – uma garota morena de cabelos longos sorriu para ela e para as outras garotas.
- Megan! – sorriu um pouco surpresa ao olhar para trás e logo se levantou de sua cadeira.
agradeceu mentalmente por Megan ter aparecido e também se levantou, cutucando , para que ela parasse de cochichar com Joel e se levantasse para fazer um social com quem realmente importava.
- Quanto tempo, garotas! Vocês nunca mais passaram lá na agência pra me ver! – Megan piscou seus grandes olhos verdes.
- Ah, bom... – tentou não fazer uma careta. Não gostava de ir para a agência de seu pai e fazia questão de não falar com as modelos de lá. Megan era uma das exceções nessa lista. Ela era uma das poucas garotas que aparentavam ter um pouco mais de massa cefálica por lá.
– Me desculpa mesmo, a escola tem ocupado grande parte do nosso tempo – mentiu.
Elas ficaram conversando por um tempo e Megan contou sobre todos os trabalhos que tinha feito naquela temporada e todas as vantagens e desvantagens de se fotografar e desfilar com roupas das coleções de outono/inverno. Já que não se viam a um bom tempo, as garotas tentaram parecer o mais interessadas possível, sempre acenando com a cabeça, deixando escapar alguns “oh!”, “não acredito!” e às vezes até faziam uma expressão surpresa. No final, concluíram que talvez tivessem se saído ainda melhor do que esperavam pelo sorriso no rosto de Megan e por todos os telefones de contato que a mesma fez questão de anotar no verso de seu cartão, quando o assunto tinha encerrado e elas se despediram.
Daniel e Dougie não deixaram de reparar na amiga de , e , muito menos no sorriso nada discreto que a mesma lançou-lhes antes de voltar para sua mesa, não muito longe dali e... também cheia de modelos aspirantes à Kate Moss.
- Você viu o que eu vi? – Dougie cutucou Danny, um pouco hipnotizado pelo jeito que Megan andava.
- Acho que vi mais que isso, dude... – ele tratou de desgrudar o olhar do vestido curtíssimo que a garota usava.
- Toda vez que você vem aqui é desse jeito? – Dougie perguntou baixinho e de repente virou para seu lado direito, se assustando com a risada alta de .
- Por que você acha que eu não protesto toda vez que tenho que vir aqui? – Danny se endireitou na cadeira e se aproximou do amigo, para que ninguém ouvisse – Tudo o que nós precisamos, é de alguém que as conheça e... pronto! – sorriu maroto.
Dougie logo entendeu o recado e olhou para as garotas ao seu lado. Elas com certeza eram amigas de várias modelos que estavam ali e, já que elas não estavam interessadas neles – o que era óbvio – elas não se importariam em passar algumas informações sobre as amigas e tornar tudo, digamos, mais fácil para eles. Os dois passaram a encarar as três, que estavam aparentemente entediadas, com certo interesse.
foi a primeira a perceber.
- Por que você ta me olhando, posso saber? – ela olhou um pouco incomodada para Dougie, que estava mais próximo dela, e não tirava os olhos da garota.
- Hm... Nada, nada – ele sustentou seu olhar.
- Pelo olhar que o Jones está me lançando, até já sei por quê. E a resposta é não. – disse decidida, olhando para os dois.
- O que eles querem? sussurrou para e a amiga rolou os olhos.
- Se você não fosse tão distraída, teria percebido que esses dois comiam a Megan com os olhos. – ela sussurrou em resposta e logo entendeu tudo.
- Só para a informação de vocês, a Megan prefere homens maduros, experientes, universitários e que possam pagar pelo menos uma bebida a ela. – agora olhava para os garotos. Queria poupar a amiga de tal desgosto.
- Mas isso não é problema, – Daniel, que estava ao lado dela, disse com as sobrancelhas erguidas – e você é muito distraída mesmo ao não perceber que ela retribuiu nossos olhares. – ele piscou para ela e fechou a cara.
- Bom, enquanto vocês ficam aí discutindo quem vai pegar a garota, se algum de vocês conseguir, eu vou pegar mais uma bebida, com licença. – disse, logo se levantando e andando até o bar.


Após achar a bebida que queria, avistou uma mesa vazia um pouco distante da onde estava e se sentou em umas das cadeiras, apenas observando as pessoas ao seu redor. Pensou em pegar seu celular para ver se Harry havia mandado alguma mensagem, mas seus pensamentos foram interrompidos quando um homem desconhecido sentou-se ao seu lado. olhou para ele e pôde ver que ele era alto, tinha olhos verdes e cabelos castanho escuros.
- Oi – o garoto disse animado – Eu sou Charles O’Malley, mas pode me chamar de Chuck. – finalizou com um sorriso no canto de seus lábios.
até pensou em dizer que tinha namorado e que não queria nada com ele, mas ficou tão encantada com o charme de Chuck que resolveu ver o que ele tinha pra falar.
- Olá, sou , mas pode me chamar de . - ela sorriu educada.
- Bom, , não pude deixar de perceber que você estava sozinha, então vim te fazer companhia, tudo bem?
- Claro, sem problemas. - a garota levantou os ombros em sinal de que não se importava com a presença dele ali. – Você é um modelo? – perguntou, simplesmente. O garoto parecia gostar do interesse dela.
- Sim, trabalho na Role Models já faz cinco anos. Sou daqui, mas passei bastante tempo viajando pela Europa para fazer campanhas, e essa, na verdade, é primeira vez que volto pro país depois de dois anos trabalhando fora... – o garoto falava sem parar e ainda em um tom baixo.
, quando percebeu, já estava fechando os olhos de tão cansada que estava daquela conversa – se aquilo realmente pudesse ser considerado uma conversa, pois mais parecia um documentário da vida dele – até que ouviu uma música mais agitada tomar conta do local. LoveGame da Lady GaGa saía das caixas de som e mesmo que poucas pessoas estivessem dançando e que as luzes estivessem claras, a garota não queria perder a oportunidade de dar um fim na conversa com Chuck.
- Ai meu Deus! Eu adoro essa música! Vou dançar, você quer ir também? – nem percebeu que tinha acabado de chamar um cara para dançar. ‘Só vou dançar com ele, não vou fazer nada demais’ pensou, antes de se levantar e ser acompanhada por Chuck até o meio da pista de dança.


Danny e Dougie, já cansados de ficar parados, se levantaram e andaram em direção ao outro lado do salão, mais especificamente até perto da mesa onde Megan estava sentada, junto com algumas amigas. No meio do caminho, seus olhares encontraram três garotas em especial que estavam conversando entre si.
- Dude... você está vendo o que eu estou vendo? – Dougie perguntou para Danny sem tirar os olhos das garotas, e esfregando as mãos.
- Sim, cara. Vamos lá falar com elas! – ele sugeriu animado e o outro hesitou.
- Mas elas são modelos e eu sou... – Dougie disse apontando para si com cara de reprovação.
- Relaxa, nós vamos apenas tentar falar com elas. Olhe e aprenda. – disse com cara de ‘eu-sei-mais-do-que-você’.
E assim foram em direção às três garotas. Danny parou ao lado de uma delas e a abraçou de lado.
- E aí, garotas - ele sustentava uma expressão típica de galã de novela mexicana - percebi que vocês são novas por aqui. Se vocês quiserem, eu posso mostrá-las a melhor atração do jantar... – disse com um tom sedutor.
Mas aparentemente nenhuma delas gostou do comentário dele e simplesmente saíram andando para o outro lado.
Danny pôde perceber a cara de gozação de Dougie e pedia mentalmente para que o amigo não fizesse nenhuma brincadeira com ele. Nem deu tempo para Dougie dizer alguma coisa, pois Megan chegou ao lado dos dois rindo.
- Não acho que essa seja a melhor maneira de conseguir uma dessas garotas, sabe? – Megan disse, ainda rindo e Danny apenas deu um sorriso envergonhado para ela.
- Acho que meu amigo aqui precisa praticar mais. – Dougie disse rindo e recebeu uma cara de reprovação de Danny.
- Bom, se eu soubesse falar com as garotas tão bem quanto eu toco guitarra, isso não seria um problema... – Danny disse dramaticamente.
- Ah, tadinho, você não é tão ruim assim... Você sempre me encanta com suas palavras. – Dougie fez uma cara um tanto gay para o amigo o que fez Megan rir mais uma vez deles, mas não deixou de prestar atenção no que Danny tinha mencionado.
- Você toca guitarra em alguma banda? – perguntou curiosa.
- Sim! Eu, Dougie e mais dois amigos temos uma banda. Sempre estamos nos reunindo para ensaiar, o nosso som até que é bem legal. – Danny disse seguro do que estava falando. Sempre gostou de falar pras pessoas sobre sua banda com os amigos.
- Mas vocês têm músicas próprias?
- Temos algumas e estamos trabalhando em outras. – Dougie disse sorrindo.
- Que legal. Sabe, meu pai é dono de uma gravadora, a Can't Stop Records, vocês conhecem? -ambos concordaram com a cabeça gostando do rumo da conversa. A gravadora do pai de Megan era famosa por lançar grandes bandas. – Enfim, eles estão sempre procurando uma banda nova, que tenha um som diferente. Quem sabe eu não consigo falar com ele pra vocês poderem ir lá na gravadora tocar umas músicas pra ele? Não garanto que ele queira assinar um contrato no mesmo dia, mas... Não custa apresentá-los a ele. O que acham?
Sem saber muito como reagir, eles apenas ficaram parados com sorrisos estampados em seus rostos pensando na grande oportunidade que tinha acabado de surgir. Essa poderia ser a grande chance deles de mostrar o talento da banda para uma gravadora, o que significaria o começo da carreira deles.
- Então, podem responder agora. – Megan disse num tom engraçado.
- Ah, sim, claro. Nós ficaríamos muito gratos mesmo. – Danny disse apressadamente, começando uma conversa animada com Megan sobre a gravadora de seu pai.

Dougie olhou ao seu redor procurando o que fazer. O assunto da gravadora estava realmente muito interessante, porém, ao passar seus olhos pelo salão, avistou conversando animadamente com duas meninas morenas, altas e magras, modelos. Sorriu irônico para si mesmo, tendo encontrado uma ótima oportunidade para conversar com sua mais nova aluna. Andou na direção das três garotas e parou atrás de , colocando seus lábios perto da orelha da menina.
- Não vai me apresentar suas amiguinhas, ? - ele sussurrou, sorrindo para as duas garotas que os observavam. instantaneamente parou de falar quando reconheceu aquela voz, e, principalmente, quando sentiu seu perfume entrar por suas entranhas. Ela se virou lentamente para ele, sorrindo cínica.
- Não - voltou-se para as outras duas, abrindo a boca para voltar a falar, quando o garoto falou novamente, ainda mais próximo de seu ouvido.
- Eu não faria isso se fosse você... - ele disse mais baixo ainda. A garota se calou novamente e o ódio em seus olhos era claramente visível. Os punhos cerrados, tentando se controlar. Então um sorriso que esbanjava ironia e ódio brotou em seu rosto. Ela olhou para ele e voltou lentamente a encarar as garotas.
- Meninas, esse é Dougie Poynter, façam bom proveito. - disse e depois se voltou para o garoto, falando em um tom que só ele poderia ouvir - Se houver algo para aproveitar.
Ela passou por ele, fechando a cara em seguida e indo procurar por suas amigas. Dougie demorou-se observando a garota de costas se afastando, seu vestido se mexia levemente com seu andar e nada parecia abalá-la. Voltou-se para as outras garotas. Três sorrisos não muito inocentes surgiram.


de repente olhou para a bolsa de e viu que havia algo piscando dentro dela. Só poderia ser seu celular tocando. Tirou-o da bolsa e viu no visor que Harry era quem estava ligando. Resolveu atender.
- Alô, Harry?
- ?
- Não, é a ...
- Cadê a ?
ia começar a falar até se lembrar de que não via a amiga a algum tempo.
- Acho que ela foi ao banheiro – mentiu - vou procurá-la.
Harry ficou esperando enquanto olhava pra todos os lados procurando a amiga. Foi até o banheiro, mas também não a encontrou. Quando estava saindo de lá, a avistou, mas estranhou o fato de ela estar dançando com um garoto que ela nunca tinha visto e também não tinha certeza se havia o visto antes da festa.
- ? Está tudo bem? – pôde ouvir a voz de Harry no celular.
Sem saber o que falar, colocou o celular do lado de seu ouvido e voltou a falar com o garoto.
- Então Harry, eu não estou a encontrando, a deve estar conversando com alguma modelo ou algo assim. – ela definitivamente não estava gostando de mentir tão descaradamente para o garoto daquele jeito – Mas eu aviso que você ligou.
- Ok. Tchau. - Harry disse num tom desapontado e um tanto desconfiado e desligou o telefone.
Quando chegou de volta à sua mesa para guardar o celular de , não querendo ver o que a amiga estava prestes a fazer, encontrou e contou o que tinha acabado de presenciar. Elas não podiam deixar a amiga trair o namorado. Não depois de todo esse tempo que passaram juntos. sempre disse amar muito Harry e elas não pareciam acreditar que isso fosse realmente acontecer.
Foram atrás dela para impedir que ela fizesse qualquer coisa de que se arrependeria depois. Porém, nada daquilo foi preciso, pois no meio do caminho elas esbarraram em . Ambas olharam para a garota com cara de desapontadas, mas não disseram nada esperando a garota começar a falar. pareceu não perceber a expressão no rosto das amigas.
- Nossa, vocês não vão acreditar no que aconteceu! – começou a falar em um tom de raiva – Eu conheci um modelo, um tal de Chuck, aí eu comecei a falar com ele e tal. Depois, a gente começou a dançar normalmente até que ele me pega pela cintura e começa a falar um monte de coisa obscenas! – as amigas a olhavam agora com certa dúvida. – Não aguentei e logo o empurrei, disse que tinha um namorado e que era pra ele ficar bem longe de mim! – falava como se estivesse falando com Chuck de novo. – Ai, como eu queria que o Harry estivesse aqui...
esperava uma reação das amigas. Esperava que elas fizessem várias perguntas ou que perguntasse se ela estava bem, mas elas não falaram nada. Apenas se entreolharam, sorriram e suspiraram em sinal de alívio. não entendeu nada.
- Podem me explicar o que está acontecendo? Não me digam que vocês beberam demais, hein?! Seus pais estão aqui! – a garota as olhou – Gente?
- Ah, estamos tão felizes! – disse indo abraçar ao mesmo tempo que . ‘É, deve ter sido a bebida mesmo...’ pensou, e decidiu não argumentar enquanto suas amigas a abraçavam. Mal sabia que mais pessoas viram o que ela estava fazendo e essas prontamente tiraram idéias erradas de tudo aquilo.


- Hello? - atendeu o telefone, já que aparentemente não havia mais ninguém acordado naquela grande casa.
- Pode falar em português, , aqui é a . - a voz da garota saiu do aparelho, seguida de uma risadinha.
- ! - deu um grito tão empolgado e logo tapou a boca ao se lembrar do horário. sabia que se estivesse lá já teria uma pulando feliz em cima dela e lhe dando um abraço de urso como ela costumava fazer. - Quanto tempo que você não me liga, bobinha.
- Você também não me liga mais. Não pode falar muito, pequena . - ela a chamou pelo apelido que elas usavam quando ainda morava no país verde e amarelo. Sentiram saudade de quando elas se viam todos os dias e não se desgrudavam. As duas eram mais que melhores amigas, elas eram praticamente irmãs.
- Que saudade de você, girl. - ela disse sincera e sentiu uma lagrima teimosa de saudades rolar por sua bochecha, indo até seu queixo. - Quando vai vir me visitar, madame?
- Há, você fala como se eu tivesse que atravessar a rua e não o oceano para te visitar. Não é tão simples assim, amiga.- sua voz saía abafada do telefone. - Mas me conte, o que anda fazendo de bom por aí sem mim?
- Hum, o mesmo de sempre. Escola, shopping, aulas de música. Eu passo o resto do tempo na casa das meninas para não ficar sozinha em casa. Você precisa conhecê-las, , elas vão adorar te conhecer!
- Ah, eu tenho certeza disso. - ela disse convencida.
- Modesta. E você e o Gustavo, como andam? - perguntou curiosa.
- Ah, nem sei mais. A gente fica nesse vai não vai, não sei nem se a gente tá namorando, tendo um caso ou só ficando mesmo. - bufou do outro lado da linha, e segurou uma risada.
- Fala com ele, menina, vai ficar assim até quando? - ela tentava dar esperanças à amiga.
- Eu não sei. Vou pensar no que fazer.
- Se eu estivesse aí, isso já estaria resolvido.
- Eu sei, mas você não tá.<í> - disse e o silêncio se instalou entre elas.
- Bom, amore, eu vou desligar que aqui já é bem tarde e amanhã minha mãe vai sair bem cedo pra viajar a trabalho. Te amo, se cuida.
- Se cuida você também, amo você. - disse antes de desligar.
ficou um tempo pensando antes de ir se preparar para dormir. Colocou seu pijama lilás com pequenos desenhos de docinhos, presente de antes de partir para a Inglaterra, tirou a maquiagem e penteou calmamente seus cabelos. Voltou para o quarto e separou a roupa que iria até o aeroporto no dia seguinte, sentindo o sono já não permitir que seus olhos ficassem abertos por muito tempo. Apagou a luz e adormeceu logo depois de se deitar.

- ! - uma voz familiar gritou quando passavam pelo grande portão do desembarque.
- ! - respondeu feliz, largando sua bolsa e sua bagagem de mão e correndo para abraçar a amiga.
- Como eu senti sua falta. - disse e sentiu que as lagrimas de molhavam sua camiseta assim como as dela faziam.
- Também senti sua falta, amiga. - ela disse se separando do abraço. - Como você cresceu. - ela a olhou de cima a baixo.
- Credo, , parece a minha vó falando! - elas gargalharam e ouviram alguém limpar a garganta, querendo se fazer notar.
- Ah, esses são , , , Tom, Dougie, Harry, e o estressadinho é o Danny, meus amigos ingleses. - ela disse apontando um por um e sorrindo. - E essa é , a minha amiga brasileira, de quem eu falei. - ela apontou para a garota que agora segurava sua mão.


despertou ao som de She Loves You, indicando que já passavam das 8, hora de levantar para levar sua mãe ao aeroporto, já que essa viajaria daqui a algumas horas para o Marrocos.
Levantou se para tomar um banho rápido, secou seus cabelos e vestiu uma roupa que tinha separado no dia anterior. Desceu para a sala onde os outros três já tomavam café e se juntou a eles. A realidade ainda era a mesma, mas o sonho não saía de sua mente.

CONTINUA...


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