Sex Game
Autoras: Dani e Ana
Status: Em Andamento
Revisada por: Juh
Categoria: Hot Fics
Sub-Categoria: Comédia Romantica, Sobrenatural. - LongFic
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Prólogo
Já não sabíamos mais se queríamos parar de jogar ou não. O jogo parecia tão perigoso e tão tentador ao mesmo tempo. Poderíamos nos arrepender no fim, mas já não importava mais. Cada toque, cada beijo, tudo fazia mais sentido à medida que o jogo ia avançando e quando nos demos conta, estávamos presos a ele mais do que apenas fisicamente.
Ch. 1
Andando pelas ruas nessa época do ano era possível perceber o tumulto gerado pelas compras de natal. Pessoas iam e vinham esbarrando-se umas nas outras carregando grandes sacolas de diferentes cores e tamanhos enquanto entravam e saíam das lojas que dominavam toda a rua de ponta à ponta. Coloquei minhas próprias sacolas no chão para apertar meu sobretudo cinza chumbo ao corpo, e ajeitei meu cachecol junto ao pescoço para bloquear o frio que fazia devido ao vento gélido da primeira geada do inverno. Olhei para o relógio, estava atrasada de novo. Não fui feita para esse tipo de trabalho. Fato. Tirei minha lista de compras do bolso e conferi o que estava faltando. O último item era a primeira edição do homem aranha número um. Que ótimo! Só faltava ele querer uma bola quadrada também! Bufei, já estava na rua fazendo compras desde cedo e meus pés já estavam doendo, não via a hora de terminar. Olhei ao redor, lojas de roupas caras de marca cheias de madames que sorriam falsas umas para as outras e passavam o dia torrando os cartões de crédito dos seus maridos podres de ricos; lojas coloridas que vendiam CDs, com o som alto bombando, abarrotada de jovens de 15 anos mascando seus estúpidos chicletes sem parar que ouviam o último CD da moda; lojas de brinquedos, lojas de eletrônicos, lojas de calçados... Coloquei minhas mãos na cabeça, conforme o desespero ia subindo, se eu não comprasse tudo que precisava, eles iam me demitir! Embora eu não amasse aquele emprego, eu ganhava bem e o aluguel em Londres pode ser bem caro às vezes, o que não me dá o luxo de jogar tudo pro alto e fugir pras Bahamas. Minha última opção era ligar pro Neil, meu anjo, meu salva-vidas, e meu rato de internet preferido. Precisava desesperadamente descobrir onde eu ia encontrar a primeira edição do primeiro homem aranha pra comprar faltando apenas uma semana pro Natal.
Procurei um lugar onde poderia me sentar para encontrar meu BlackBerry que estava perdido dentro da minha bolsa, afinal, que bolsa de mulher não é uma calamidade? Acabei encontrando um banco de madeira antiga que ficava em uma ruazinha bem estreita e sem saída paralela a grande avenida cara de lojas enormes em que me encontrava. Assim que me sentei, meus pés que latejavam furiosamente por me aguentar o dia inteiro, cantaram de felicidade, e eu comecei a revirar a minha bolsa em busca do BlackBerry perdido. Não sei porque tinham que me dar um celular tão problemático, quero dizer, eu tento, mas não sou o que se possa chamar de gênio da tecnologia, mas como eu ganhei de graça, eu não ia reclamar não é mesmo? Após ter tirado tudo que havia dentro da minha bolsa branca, contando um copinho que abre e fecha porque eu odeio colocar a boca naqueles bebedores nojentos, meio pacote de bolacha que foi meu almoço de hoje graças à batalha das compras de natal, um molho com trocentas chaves sendo que metade dela eu não sabia pra que serviam, eu finalmente achei meu celular. Encontrei rapidamente o número do Neil na minha agenda, já que era um dos únicos que haviam, uma vez que devido ao meu trabalho, eu quase não tinha tempo para mim mesma e muito menos pra arrumar novos amigos ou namorados. Neil e eu éramos amigos há anos, e dividíamos um apartamento em Londres desde que eu saí do Brasil e vim tentar a vida aqui. Disquei o número salvo na minha agenda e torci pra que ele fosse trabalhar em casa hoje, claro que abri um enorme sorriso quando aquela voz grave e masculina atendeu do outro lado da linha.
- Alô? - Perguntou Neil, com a voz rouca e parecendo um tanto confuso.
- Oiii Gatão! - Respondi, com a voz sedutora me esforçando para não rir.
- Tampiiiiiinha! - Riu ele do outro lado da linha. - A quê devo a honra da sua ligação? - Perguntou, dessa vez com a voz um tanto abafada provavelmente causada por um bocejo. Eita vida mansa! Queria poder trabalhar em casa também pra poder tirar sonecas no meio da tarde assim.
- Preciso de um favorzão seu, gatão! Além de pedir pra você lavar toda a louça e de tomar um banho e colocar uma roupa decente, porque eu espero ser capaz de chegar em casa daqui a pouco e não quero encontrar você andando pelado pela casa de novo! - Ri - Aliás, vou comprar um pijama pra você de natal, precisa se lembrar de que mora com uma dama agora! - Na verdade, eu não ligava de ver o Neil andando pouco vestido pela casa. Mesmo que ele fosse como um irmão pra mim, não deixava de ser o maior gostoso.
- Tampinha, você deveria me agradecer, muitas mulheres dariam a alma pra me ver do jeito que vim ao mundo, tá? E hoje é SEU dia de lavar a louça, não quero nem saber se você tá cansada! Você que quer continuar nessa sua escravidão, já disse que você pode largar esse emprego idiota que eu posso muito bem bancar nosso aluguel até você encontrar outra coisa. - Reclamou Neil. Ele gostava do meu emprego tanto quanto eu. Mas eu não era uma desenvolvedora de softwares famosa igual certas pessoas, que trabalham em casa e podem dormir a tarde toda.
- Neil, você sabe que eu não vou largar meu emprego e viver às suas custas, não foi por isso que eu saí da casa dos meus pais e vim pra cá! - Choraminguei - Eu já to bastante estressada hoje. Não briga comigo não... - Pedi, fazendo bico. Era infalível, ele nunca ia dizer não pra minha voz de pidona.
- Certo... O que você precisa, linda? - Perguntou ele, bufando e desistindo. Eu disse que sempre funciona.
- Preciso que você descubra pra mim onde posso comprar a primeira edição da revistinha do homem aranha número um! - Expliquei. Eu tenho confiança nas habilidades do meu gatão.
- Você sabe que eu te amo, né? Mas eu não vou perder meu tempo procurando isso pra você pequena. Essa revistinha, ainda mais a primeira edição, é item de colecionador. Você não vai encontrar em qualquer biboca por aí - Explicou Neil, paciente.
- Mas eu preciiiiiiiso dela! Questão de vida ou morte! Nenhum dos seus amigos nerds tem uma pra me vender, não?! - Implorei. É, de vez em quanto, eu pareço uma criança mesmo.
- Você precisa porque aqueles riquinhos folgados pediram, né? Na boa , vem pra casa, tá ficando tarde... Neilzão vai fazer uma jantinha esperta pra gente e até vai lavar a louça! Mas não se acostuma não! Não estressa mais, ok? To te esperando! E traz uma garrafa de vinho!
- Uhn... Você pretende me embebedar e me seduzir? - Ri alto dessa vez. Esse garoto sabe como me animar.
- Bem que eu sei que você tá precisando de uma boa noitada! - Riu ele também. Devia estar rindo e coçando a barriga, adoro quando ele faz isso. Sorri.
- Ok. Ok. Levo o vinho, te vejo mais tarde. Beijo gatããão!
- Beijão Tampiiinha! - Gritou ele.
Desliguei o celular e me acomodei no banco. Uns minutos a mais não iam fazer diferença, já estava semi-demitida mesmo. Sem revista do homem aranha, sem emprego. Mesmo fazendo tudo que eu faço, uma falha já é o suficiente pra me mandar embora. Bufei, olhando bem ao redor. Essa sim era uma rua como eu imaginava que uma rua de comércio em Londres deveria ser, lojas pequenas e antigas, juntas umas às outras, com cores diferentes e detalhes talhados em madeira. Todas fechadas, infelizmente. Poucas pessoas deviam vir à essa rua fazer compras desde que a grande avenida havia aberto tantas lojas modernas. Poucas pessoas deviam até saber da existência desse lugar! Uma pena. Levantei-me do banco, pegando todas as minhas coisas, preparada para ir pra casa. Quando notei que a porta de uma daquelas maravilhosas lojinhas havia se aberto. Então, nem todas haviam fechado. Sorte! Virei-me indo em direção à ela, comprar alguma coisa pra mim, pra variar, não faria mal, não é mesmo? E quem sabe, já não encontrava o vinho pra levar pra casa evitando ter que ir ao supermercado e encarar aquelas filas quilométricas formadas pelas pessoas com suas trocentas mil compras de natal.
Passei pela soleira empurrando a porta semi-aberta para entrar sendo saudada pelo barulho de um sininho de aviso. Dentro, a lojinha era mal iluminada e cheirava à uma mescla de madeira de pinho e poeira. As paredes e prateleiras, assim como o chão eram revestidas com a mesma madeira escura que compunha a fachada da loja do lado de fora. No balcão, uma caixa registradora de estilo bastante antigo tornava-se o foco de atenção no espaço, uma vez que as prateleiras estavam vazias e empoeiradas. Pendurei meu casaco no pendurador próximo à porta, estava bem mais quente lá dentro do que do lado de fora.
- Oiii?! Tem alguém aqui? - Chamei. Não queria que pensassem que eu estava invadindo a loja, uma vez que não parecia haver nada lá.
Nada.
- Alooooou? – Insisti.
Nada.
Ótimo, eu já estava me sentindo meio idiota de ficar chamando o nada. Pelo menos eu fiquei feliz de ver uma dessas lojinhas por dentro. Parecia um pouco a lojinha do Sr. Olivaras! Anyway, desisti. Peguei meu casaco que estava pendurado e me preparei para sair da loja quando ouvi um leve pigarro vindo do balcão.
Me virei assustada e me deparei com um senhor que aparentava uns 70 anos que usava uma roupa um tanto estranha, camisa social branca com as mangas dobradas num tamanho ¾, colete e calça sociais marrons de algum tipo de tecido que parecia lã, tweed talvez, com os cabelos brancos um tanto rebeldes e os olhos azuis faiscando na minha direção cobertos por um óculos de aro bem redondo e dourado. De repente me bateu uma idéia que no momento parecia meio absurda, mas enfim, não custava tentar.
- O senhor não teria a edição número um da revistinha do homem-aranha, teria? – Bom, pela cara que ele me fez, devia estar me achando retardada de querer algo de colecionador na sua lojinha. Para meu espanto, o senhor abaixou-se um pouco e tirou de dentro de um baú antigo, um pacotinho transparente, no qual eu pude ver com clareza que era o que eu procurava. Bendito velhinho! Você caiu do céu! Pelo menos pra mim, porque pra quem for pagar essa conta... Agradeci feliz em pensar que a busca impossível pela revistinha havia acabado, paguei o senhor, e guardei a revistinha dentro de uma sacola, com muito cuidado, como se fosse a oitava maravilha do mundo. Olhei meu relógio de pulso, resolvi que levaria as coisas no dia seguinte, porque já estava tarde e o jantar do Neil esfriaria se eu não fosse para casa logo. Virei-me em direção à porta com todas as minhas compras, pegando o meu casaco, pronta para enfrentar o frio do lado de fora.
- Senhorita, espere! – Pronunciou-se o velhinho, acenando com a mão para que eu me aproximasse dele. – Tenho algo aqui que eu sinto que a senhorita irá precisar e vai gostar muito! – Disse, indo aos fundos da loja e voltando com uma caixa nas mãos, sorrindo para mim.
Tá, agora esse velhinho com cara de bonzinho está começando a me assustar e tá com cara de psicopata!
- O que o senhor disse? – perguntei meio assustada.
- Esse jogo! Você tem que levá-lo! – Disse ele colocando a caixa no balcão. Ahá! Te saquei já velhinho, isso é puro marketing! Tá querendo me vender coisa que já ta encalhada aí há séculos!
- Bom, acho que n....
- Esse jogo tem o poder de aproximar as pessoas! Eu tenho o dom de adivinhar o que as pessoas precisam. E você criança, deveria levar esse jogo! Digamos que seja um brinde pela revistinha que você comprou. – Piscou ele.
Acreditam em intuição? Pois eu sim! E acabei por levar aquele jogo, mesmo sem saber o que ele realmente era. Coloquei-o ao restante das coisas compradas, peguei meu casaco e sai da loja indo para casa.
Quando estava perto do apartamento me lembrei do vinho que Neil pediu pra comprar. Acabei passando numa dessas lojinhas 24 horas de um posto qualquer, não havia nenhum vinho bom, mas dava pra quebrar o galho. Peguei um que parecia ser o menos pior e me dirigi ao caixa, por sorte não havia muita gente na fila. Esperando a atendente me dar o troco, dei uma olhada na seção de revistas que ficava próxima ao caixa e vi estampado em um jornal “McFly! Banda do momento! Os garotos perfeitos!”. Ri comigo mesma. Não sabem o que falam.
- Neil! Cheguei! – Entrei jogando tudo no sofá da sala e fui em direção à cozinha – Huum... Que cheiro bom!
- Sou eu tampinha, sou eu! – Disse Neil, que estava vestindo uma bermuda e um avental, fazendo uma pose sexy, enquanto segurava uma colher.
- Só se você cheirar à lasanha! – Respondi rindo, lhe dando um tapa no braço, e me sentando no balcão da cozinha logo depois.
- Ai tampinha! – Neil fez cara de choro, enquanto esfregava o braço. – Agora vai tomar um banho que o jantar tá quase pronto!
- Ok paizão! – Acatei, levantando do balcão num pulo e correndo em direção ao banheiro.
Tomei um banho não muito demorado, logo já estava com meu pijama e minhas pantufas sentada à mesa esperando a lasanha do Neil com o vinho que eu trouxe. O jantar estava seguindo muito bem. Falamos besteiras como de costume, Neil me falava coisas do que havia feito hoje no seu trabalho e que particularmente não entendia quase nada. Já havíamos tomado quase toda a garrafa de vinho e tudo corria bem até que...
- E o McFly? Como eles estão? Eu vi no jornal de hoje que eles são a banda do momento e que todas as garotas desejam os meninos! – Neil falou bebendo o último gole da sua taça de vinho.
- Os garotos estão bem. – Disse com um certo desprezo.
- E o , como está? – Neil perguntou, sorrindo maroto pra mim, enquanto brincava com a taça entre os dedos.
- Neil, por que tem que perguntar sobre ele? – Bufei, fazendo bico, levando a louça pra cozinha.
- Nada não, nada não. – Disse Neil, encostando-se no batente da porta da cozinha. – Mas não entendo esse seu ódio por ele.
- Conviva com ele e verá! – Expliquei, saindo da cozinha. – Ah! E não esqueça que a louça é sua! – Ri e saí correndo, me trancando no meu quarto, antes que ele tivesse tempo para reclamar.
Joguei-me na minha cama, abraçando meu travesseiro, esgotada. No dia seguinte iria ter que ir bem cedo à casa do insuportável do . Fiz careta. O dia havia sido tão puxado, que logo adormeci.
Acordei com o despertador tocando. Como sempre demorei pra desligar e Neil já começou a reclamar do quarto dele. Eu acordei e senti uma sensação estranha, porém era boa de certa forma. Levantei, fiz a minha higiene matinal, abri meu guarda roupa, vesti uma saia preta, bota e uma camisa branca. Coloquei um casaco por cima, pois embora quente aqui dentro do apartamento, lá fora estaria de congelar. Peguei os pacotes no sofá onde havia largado quando chegara ontem à noite, e me lembrei na hora para onde eu estava indo.
- Não venho pro almoço Neil! – Gritei antes de sair do apartamento, mas tenho certeza que na hora do almoço ele iriaai me ligar.
Chamei um táxi e logo já estava na casa onde eu não queria estar. Bom, já estou aqui e esse é meu trabalho, não dá pra ficar reclamando o tempo todo. Mal toquei a campainha e o abriu a porta todo sorridente.
- ! Estávamos à sua espera! Você comprou tudo da lista? – Perguntou, olhando todos os meus pacotes, ansioso para abrir os dele.
- Comprei sim... – Disse. pegou todos os pacotes e seguiu pra dentro da casa.
- Entre, venha, entre, estamos esperando que foi na Starbucks buscar nosso café da manhã!
Entre logo , o que há com vocês pés que não querem me obedecer? Certo, estou na casa agora, é só entregar os presentes e ir embora! Mas por que eu estou tão nervosa assim? Tirei o meu casaco e o pendurei perto da porta.
- ! Finalmente você voltou! Estamos morrendo de fome e... Epa! Não é o ! – disse , descendo as escadas de boxer com um copo de leite na mão. – Oi ! – Cumprimentou ele.
- Oi ! Bom, eu só vim trazer os presentes, já que estão entregues, vou embora! – Virei-me em direção à porta, procurando meu celular na bolsa para chamar um táxi. Não estava encontrando, grande novidade! Quanto antes saísse daquela casa, melhor! Ainda não tive o desprazer de encontrar perambulando pela casa.
- Bom dia... – Uma voz rouca sussurrou no meu ouvido.
Grande boca hein, ? Não podia ter saído logo daí?
- Bom dia. – Respondi ríspida – Agora os senhores me dêem licença que vou trabalhar.
- Pra que a pressa? Sabemos que hoje você não fará nada junto com o Fletch, pois nem aqui em Londres ele está – disse me olhando fixamente com aqueles olhos .
- Não é porque o Fletch não está aqui que eu não tenha o que fazer! – respondi já caminhando para o rumo da porta da sala.
- Opa opa, cuidado ! – disse esbarrando em mim e derrubando café na minha camisa branca. – Desculpa! Não foi intencional! – Disse , olhando sem graça pra mim.
- Tudo bem, não tem problema! – Respondi tentando limpar o que ele havia derramado.
- , me desculpa, por favor! – Continou ele, me entregando um guardanapo, que não estava fazendo nada, além de piorar o estado em que me encontrava. Nesse momento todos foram ver o que acontecia na sala e digamos que comecei a ficar desconfortável com todos eles me olhando. Diga-se de passagem, que a minha camisa não estava nem um pouco transparente.
- É melhor você tirar essa camisa e limpar. Café mancha, sabe?! – disse , não fazendo o mínimo de esforço pra esconder que estava olhando diretamente para os meus peitos. Garoto idiota.
- Bem esperto você, não? – Retruquei.
- Larga a mão de ser mesquinha garota! Só to tentando ajudar! – , já começava a levantar a voz.
- Eu quem sou mesquinha, ? – Perguntei, incrédula.
- Chega vocês dois! – Disse – , leve os presentes para seu quarto e aproveite e dê uma de suas camisetas para vestir enquanto colocamos a camisa dela pra lavar e tirar essa mancha.
lançou um olhar fulminante para “Ele sempre tem que agir como se fosse o mais esperto!” – pensou .
- Vem . - pegou os presentes e começou a subir as escadas, eu logo fui atrás, meio a contra gosto, mas fui.
- Eles vão se matar lá em cima – Comentou .
- Não vão não.
parou em frente à uma porta e a abriu, deixou os pacotes lá dentro. Em seguida abriu a porta do lado.
- Entra. – Não me movi, entrar em território inimigo pela própria vontade? Uhn... Acho que não! - É o meu quarto, vou pegar uma camiseta pra você! – Disse ele, impaciente.
Entrei, dando uma boa olhada no quarto. Era enorme, mas estava bem bagunçado. Típico, não queremos que o garoto de ouro limpe sua própria sujeira. Esperei-o pegá-la, enquanto pensava mais em como a vida era injusta. Estava perdida em pensamentos quando ele colocou a camiseta em minhas mãos. Era azul com um pato estampado nela.
- Vai ficar aí esperando eu me trocar na sua frente, ô palhaço? – Perguntei toda irritada, enquanto ele me encarava.
- Até parece que eu ia querer ver uma duas costas como você! – Respondeu ele, rindo debochado.
- O que você disse? Não fui eu quem estava olhando pra minha blusa transparente lá embaixo, não é? – Sorri, triunfante. Olha bem mesmo, é o mais próximo que você vai chegar deles na sua vida.
- Só estava reparando o quão despeitada você é!
- OLHA AQUI... – A gritaria continuaria se não chegasse no quarto, respirando rápido, provavelmente por ter subido a escada correndo.
- Vocês não conseguem ficar um minuto sozinhos? – Ralhou ele, respirando rapidamente.
- NÃO! – Respondemos os dois juntos, olhando um para o outros logo em seguida e virando o rosto em sentidos opostos, bufando.
- Vou embora! Bom dia para vocês! – Disse, indo para o banheiro do corredor, trocar minha camisa, para poder ir para casa logo em seguida.
Sair daquela casa foi um alívio. Então essa era a sensação estranha a qual tive hoje de manhã! Chamei o primeiro táxi que vi e fui em direção ao meu apartamento. Xinguei milhões de vezes antes no caminho. Nem me lembrava na verdade porque nós começamos a brigar tanto. Mas ele me irritava de uma maneira... tão... tão... irritante! Era inevitável! Entrei no apartamento, jogando as chaves com força dentro do pote de vidro perto do aparador da porta.
- Tampinha?! Você não disse que não viria pra almoçar? – Neil perguntou deitado na sala só de cueca.
- Eu vim trocar de blusa, porque o derramou café na minha! – Respondi já dentro do meu quarto procurando outra camisa pra colocar, não iria vestir a camiseta do o dia todo!
- Você está nervosa. Deixa eu adivinhar... Não me conta! Não me conta! ? – Neil parecia estar se divertindo com essa pergunta.
- Não me fale desse idiota! Falando nisso, quando for lavar suas roupas hoje, lave essa camiseta, por favor! Estou indo pra gravadora, o Fletch não está, então tenho muitas coisas pra fazer! Ah! E Neil, ganhei um jogo ontem, vamos jogar quando eu voltar? – Perguntei fazendo cara de criança, sabia que ele não iria resistir.
- Tudo bem tampinha, nós jogaremos! – Sorriu ele.
- Te amo gatãããão! – Gritei, já saindo de casa.
Após o pequeno incidente do café, eu cheguei ao trabalho. Havia várias coisas pra se fazer, tinha que ligar num pub e ver se o show estava realmente agendado e andando conforme os padrões que pedíamos, tinha que ir atrás de fotógrafos, jornalistas, revistas... Nossa, foi um sufoco! Acabei por sair muito mais tarde do que meu horário, como sempre. Graças a Deus amanhã é sábado e eu não trabalho!
Quando cheguei em casa Neil já estava dormindo, esse aí dorme muito. Havia um bilhete colado na geladeira. Neil me conhecia bem e sabia que eu chegaria com fome em casa e que o primeiro lugar que iria seria a cozinha.
“Tampinha!
Tem pizza no forno e mousse de chocolate na geladeira! Desculpa não te esperar pra jantar, mas tive muito trabalho hoje e estou um pouco cansado! O nosso jogo fica para outro dia! Aliás, onde você o guardou? O procurei e não encontrei!
Beijo, do seu gatão.
Neil.”
Foi aí que um estalo passou por mim! Eu havia deixado o jogo junto com os presentes do McFly! Bom, eu teria que ir entregar a camiseta do , então já aproveito e pego meu jogo de volta!
Acordei tarde no sábado, devia ser umas duas horas da tarde. Fui pra cozinha e novamente não vi Neil, e sim um bilhete na geladeira:
“,
Fui dar um pequeno passeio por aí! Não me espere pro almoço, talvez nem para o jantar ;D
Beijoooooooo do maior gostosão do mundo,
Neil!“
Será que Neil arrumou um encontro? Acho estou ficando para trás... Talvez Neil esteja com razão, eu estou precisando de uma boa noitada! Mas logo meus pensamentos foram tirados desse foco e voltados para uma camiseta lavada e passada em cima da nossa mesa de jantar. Comecei a articular meu plano de não encontrar na casa, qualquer um dos outros garotos seria okay. Então me lembrei que ele saia todos os sábados para caminhar no parque durante a tarde. Era isso! Se eu fosse no momento para lá, com certeza não estaria em casa!
Vesti uma calça preta, uma blusinha regata roxa, meu sobretudo preto e um tênis. Peguei a camiseta e sai rumo à casa dos garotos. Chegando lá, reparei que a casa parecia silenciosa. Não deve ter ninguém ou tá todo mundo dormindo.
Caminhei em direção à porta, hesitei, porém toquei a campainha. Ninguém veio atender. Toquei novamente, e novamente. Quando estava prestes a desistir, abriram a porta. Para a minha felicidade era o .
- ! Que surpresa te ver! – Surpreendeu-se , a dar de cara comigo. – Sinto muito não poder conversar, mas eu estou de saída...
- Só vim devolver a camiseta do – disse a estendendo em sua frente. Estava me virando quando lembrei do jogo – Ah! ! Ontem quando trouxe os presentes, por engano acabei deixando algo meu junto com as suas coisas! E bom, eu gostaria de pegá-lo, mas como você está de saída, outro dia eu pego! Só deixa separado pra mim, okay? – Pedi.
- Que isso ! Você já é de casa! Pode entrar e ir pegar, você lembra o quarto onde deixou, não?
- Lembro sim! Mas você tem de trancar a porta e...
- Não, não, tem mais gente em casa! Pode entrar e pegar sem problemas! Bom, tenho que ir! Estou atrasado! – Despediu-se me entregando a camiseta novamente.
- Ok! Obrigada!
Então, lá estava eu, parada com a porta aberta da casa dos garotos à minha frente e com a camiseta do na mão, querendo o meu jogo de volta.
- Bom, é só entrar rapidinho, em silêncio, pegar o jogo, deixar a camiseta naquele quarto mesmo e sair fora! – Disse pra mim mesma.
Resolvi entrar logo. Caminhei rapidamente para o andar de cima e procurei o quarto onde vi deixar os presentes. Entrei, vasculhei em todas as sacolas, mas onde ele estava? Tenho certeza que não o deixei em casa.
- O que você está fazendo aqui? – Ouvi alguém perguntar, com um tom de bastante curiosidade.
- ?! – Me virei assustada. - Mas que diabos você faz aqui? – Hoje era sábado, o que ele estava fazendo em casa?
- Bom, eu MORO aqui! – Respondeu ele, arqueando as sobrancelhas. - Sou eu quem deveria perguntar isso! E ainda fuçando nos presentes! Sua ladra!
- Não sou ladra nem nada! Vim apenas pegar o que é meu! – Respondi, continuando a revirar as sacolas.
- O que é seu? – Perguntou , encostado no batente da porta. Okay, ele é gostoso, mas não precisa ficar fazendo pose.
- Um jogo! Eu deixei o meu jogo com as coisas de vocês.
pareceu desconfiar. Mas logo sumiu de vista do quarto.
- Vem aqui no meu quarto, seu jogo está aqui! – ouviu-o gritar ao longe.
Caminhei em direção ao seu quarto e novamente uma sensação estranha percorreu todo meu corpo.
- Eu o peguei. Não sabia o que era isso. – Explicou, me entregando.
- A caixa tá toda estragada! – Reclamei. Olhando feio para o garoto parado na minha frente.
- Epa! Não foi eu quem fez isso! Ela já estava assim quando a peguei! Não consegui nem ler o nome do jogo! – me olhou em dúvida. – Ele já devia estar assim, mas você só tá dando piti, porque ele ficou comigo!
- Tá, que seja. Eu não tenho tempo pra ficar discutindo com você – Respondi, revirando os olhos. – Só vim trazer sua camiseta e pegar meu jogo. – Disse estendendo a camiseta para ele. – Obrigada.
- está me agradecendo? Nossa... Milagres acontecem. – Debochou .
- Acontece, que diferente de certas pessoas, eu tenho um pouco de educação. – Levantei as sobrancelhas em tom de desafio.
- Hey, vamos jogar? – Sorriu , ignorando totalmente o rumo da conversa no momento. Garoto estranho.
- O quê? Eu jogar com você? – Definitivamente, ele estava tomando alguma coisa que não estava fazendo bem pra ele.
- Está com medo de perder pra mim? – disse desafiador – Tenho CERTEZA que sou MUITO melhor do que você e é por isso que está com medo! – Disse ele, me olhando diretamente com aqueles olhos , e dando um passo para frente.
- Eu não estou com medo! – Respondi dando um passo para trás.
*Toc! Click*
- O que foi isso? – Perguntei assustada.
- Não sei... – Respondeu ele, dando de ombros.
- , pára de graça!
- Não estou fazendo graça! Você acha que sempre eu estou fazendo graça? Me poupe garota! – me olhou feio.
- Vou embora! – Peguei o jogo e fui em direção à porta. Virei a maçaneta, mas a porta não abriu. Será que a porta estava emperrada? Era só o que me faltava! - , abre essa porta! – Mandei.
- Não fui eu quem a fechou! Deve ter emperrado – Disse ele, tentando abrir a porta, puxando-a com força.
Comecei a entrar em desespero. Ficar trancada num quarto sozinha não era legal, e com junto era menos ainda.
- Socorrooooooo! – Gritei, batendo na porta. Se alguém estivesse em casa, poderia me ajudar.
- Não adianta gritar, não tem ninguém em casa além de mim! Os outros sairam e só chegam à noite! – Explicou , sentando-se na cadeira próxima à escrivaninha.
- O que eu vou fazer? Ficar trancada aqui com você? Esse é meu pior pesadelo! – Disse, colocando as mãos na cabeça, e olhando ao redor, procurando por uma rota de fuga. Não encontrei nenhuma, já que estávamos no segundo andar e seria suicídio tentar sair pela janela.
- Calma aí, não vai achando que pra mim está mil maravilhas também! – Disse , a contragosto.
Certo, respira , respira... Mentaliza... NÃO! ISSO NÃO TÁ ACONTECENDO! VOU ENLOUQUECER!
Meia hora havia se passado e eu e não trocamos mais meias palavras. Foi então que ele se pronunciou.
- Já que estamos aqui sem fazer nada, o jogo está aí, vamos jogar? Vou adorar vencer você! – Pronunciou-se ele, com aquele arzinho de superioridade que eu odeio tanto.
- Melhor jogar do que ficar entediada olhando pra sua cara o dia todo...
- Você não sabe conversar comigo sem dar uma patada, né? – Reclamou ele, olhando torto pra mim.
- E você não consegue dizer nada sem se achar! – Retruquei.
- Enfim, vamos jogar! – Bufou ele - O que é esse jogo?
- Já te disse que não sei como joga! – Revirei os olhos, pegando a caixa amassada, tentando ver se tinha alguma coisa escrita.
- Me dá aqui! - tomou a caixa de minhas mãos, abriu e começou a montar. Embora a caixa estivesse um pouco estragada, por dentro as peças, as cartas, o tabuleiro e os dados estavam intactos.
- Aqui está o manual. – Disse ele, levantando como se fosse um troféu.
- Lê em voz alta, né?
- Espera apressadinha! – Riu, enquanto abria o manual - “O jogo que aproxima as pessoas!” Ui! – Brincou.
- O vendedor da loja me disse isso. – Comentei – Prossiga... – Abanei.
- As regras: “Deve-se jogar ambos os dados e andar o número de casas a qual será a soma dos números obtidos no dado. Cada vez que se parar na casa branca deve-se tirar uma carta do baralho”
- E o que mais? - Perguntei.
- Só tem isso – Disse ele, olhando novamente a folha em suas mãos e a parte de trás, checando se havia mesmo acabado.
- SÓ ISSO?
- Só... Bom, como todo jogo, o objetivo deve ser chegar ao fim do tabuleiro.
- Ele não parece ser tão emocionante assim! – Reclamei.
- Você nem jogou pra saber! Deve estar faltando algum pedaço da regras, mas enfim... Vamos jogar! – Disse ele posicionando dois peões, um com formato de coração e outro com formato de espada, na casa de ínicio.
- Quem começa? – Perguntei. Já segurando os dados.
- Primeiro as damas – Piscou ele, enquanto se sentava no chão, do outro lado do tabuleiro de frente para mim.
Lancei os dados de qualquer maneira, com um pouco de força talvez, pra tentar aliviar o stress. Os dados demoraram um pouco para parar de rolar, esperei paciente. Sorri.
- Uhn... Um quatro e um três... – Disse , analisando o resultado dos dados.
- Isso significa um 7! – Expliquei, pacientemente.
- Eu sei somar 4+3, obrigado. – Retrucou ele. – Anda, logo! Move sua peça pra eu jogar!
Olhei para o tabuleiro pronta para mover minha peça até a casa número 7, mas o engraçadinho já havia feito isso.
- Não fica mandando eu ir logo, se você já fez espertinho. – Reclamei, apontando para as peças.
- Mas eu não fiz nada! – Surpreendeu-se ele, olhando para o tabuleiro.
- Certo... certo... – Falei, não acreditando. Percebi que meu peão estava em uma casa branca, o que era mesmo? – O que significa a casa branca mesmo? – Perguntei, coçando a cabeça.
- Que você tem que pegar uma carta! – Explicou , apontando para o monte de cartas vermelhas, localizadas em um monte ao centro do tabuleiro. Sério, que jogo chato e sem emoção!
Puxei a carta vermelha que ficava no topo do baralho. Li cuidadosamente. Congelei. Li novamente, segurando o ar. Era aquilo mesmo, não tinha erro, mas... AQUELE JOGO NÃO PODIA ESTAR ‘FALANDO’ SÉRIO!
Ch. 2
- Anda , o que está escrito na carta? – Perguntou , me encarando impacientemente.
- Eu não quero mais jogar esse jogo! – Disse com a voz trêmula ignorando totalmente o que havia lido.
- Me dá a carta aqui! Eu quero ler!
aproximou-se de mim e esticou a mão tentando pegar a carta, me afastei dele, levantando e tentando proteger aquele pedaço de papelão estúpido do melhor jeito que eu podia. Ele levantou-se também e me encarou por alguns segundos enquanto eu me encolhia na parede do quarto segurando a carta com força. Certo, . Tudo vai dar certo. Ele não vai fazer nada! Mas por que ele tá me encarando assim? E por que eu estou sentindo minhas orelhas queimarem?! Olhei pro chão sem graça, tentando me acalmar, respirei forte e olhei na direção dele novamente, agora ele começara a caminhar lentamente em minha direção, mas decidido. Era agora, ele ia tirar a carta de mim e eu ia morrer de vergonha por ter um jogo desse tipo em minha posse. Ele vai pensar que eu sou uma tarada que compra jogos eróticos em sex shops! Apertei a carta mais forte em minhas mãos e fechei os olhos. Não tinha pra onde eu correr. Bom, sempre existe a possibilidade de assassinato. Não, eu precisava pensar em um plano. Tentei organizar meu pensamento rapidamente quando senti uma respiração em meu ouvido. Abri os olhos e me deparei sendo encarada de perto por aqueles olhos profundos. Que lindo. Eles sempre foram tão assim?! O que? Mas que desgraça eu to dizendo?! , se concentra! É o , você odeia o , lembra?!
- Você vai me deixar ver a carta ou eu vou ter que tirar de você a força? – Perguntou ele, sério, ainda me encarando.
Paralisei. A única coisa que eu conseguia fazer naquele momento era corar. Diga alguma coisa, sua estúpida! Céus, o que ta acontecendo comigo?!
- Uhn... Então é assim que vai ser, né?! – Disse ele, dando um sorriso malicioso.
- Assim que vai ser o que, ? – Respondi ríspida, olhando feio para ele em resposta ao seu sorriso irritante. Isso , finalmente conseguiu falar alguma coisa! Muito bem garota!
- Bom, você não me deixa outra opção. – Suspirou ele.
Antes que eu pudesse dizer outra coisa em resposta, senti meu corpo sendo prensado com força contra a parede. Minha própria respiração começou a ficar ofegante devido à força com que ele me empurrava contra o concreto frio. Tentei afastá-lo, mas isso só fazia com que ele me prensasse mais forte. Sua respiração quente batia em minha orelha enquanto suas mãos agarravam meus pulsos em protesto e os puxavam para cima, segurando-os acima da minha cabeça com apenas uma das mãos. Eu ainda segurava a carta com força, mas era inútil. Ele me olhou vitorioso, enquanto a única coisa que eu podia fazer no momento era encará-lo com raiva. Com a sua mão livre, ele pegou a carta de minhas mãos e lançou um sorriso sádico.
- Entenda uma coisa ... – sussurrou docemente em meu ouvido - Eu SEMPRE consigo o que eu quero – Disse se afastando em seguida e brincando com a carta entre os dedos.
- Você me paga ! – Disse, derrotada. Fazendo bico. É, eu sou má perdedora.
- Sem ressentimentos , foi uma vitória justa! Agora, vejamos o que tinha de tão horrível nessa carta pra você querer esconder tanto de mim. – Zombou ele, finalmente, lendo o conteúdo da mesma – Abraço! Uhn... Abraço? ABRAÇO? – Olhou-me incrédulo – Você está assim por causa de um A-B-R-A-Ç-O?
Eu simplesmente não respondi. Oras, eu simplesmente não abraçaria de livre e espontânea vontade e muito menos porque um jogo tonto estava mandando! Pelo menos isso era o que eu pensava...
- Anda , me dá logo um abraço pra eu poder continuar o jogo! – Disse , impaciente.
- Para a continuação desse jogo sem graça continuar porque vou ficar entediada só olhando pra sua cara até alguém chegar e nos tirar daqui eu vou te abraçar. Mas isso não significa que eu não estou brava, ou que eu goste de você, ou nada parecido! – Disse, chegando mais perto de . Porém logo hesitei. Eu já estava bastante corada e sabia que era hot, mas não era tão fácil assim abraçar alguém a quem você tem evitado a todo o momento! Não, eu não ia fazer aquilo, esquece. Eu ia dizer pra prosseguirmos com o jogo quando algo muito estranho aconteceu. Como se fossemos dois ímãs, meu corpo simplesmente apressou-se e involuntariamente grudou ao de , dando-lhe um abraço apertado. - ... eu... – Tentei explicar, olhando pro chão, extremamente sem graça.
- Vou jogar os dados... – Ele virou-se rapidamente pegando os dados antes que eu conseguisse ver sua expressão, a única coisa que eu consegui perceber quando levantei os olhos, foram as pontas de suas orelhas. Estavam vermelhas. , o galinha, pegador de mulheres, garanhão... havia corado só por causa de um A-B-R-A-Ç-O! Esbocei um sorriso.
Ele jogou os dados e fiquei esperando para ver o resultado. Mas logo me perdi em meus pensamentos. Por que estava pensando no que havia acabado de acontecer? Os segundos os quais ficamos juntos, foram bons. Estar nos braços de me fez sentir algo que não sentia há muito tempo. Eu realmente precisava sair mais.
- ! – Empurrei-o bruscamente para trás, quando olhei pro lado após perceber o silêncio e ver que o garoto estava muito, mas muito perto do meu rosto. Eu estava confusa, o que estava acontecendo? Olhei em para os dados. 4+6... 10... Isso o levaria a ficar na minha frente. Casa branca. Isso é sinal de carta.
Comecei a olhar em volta e vi uma carta virada em cima da minha. Forcei a minha vista para poder enxergar o que estava escrito nela.
- Hum... não consigo ver... O que estava escrit...
Antes que eu pudesse terminar, minha boca foi interrompida por um beijo inesperado de . Senti seus lábios quentes e macios, minhas pernas vacilaram um pouco e senti como se meu coração fosse explodir. Mas, por que isso? Tentei escapar daquela situação, empurrando-o. Com isso, consegui separar nossos lábios e me afastei. que se preparasse, eu ia gritar tanto com ele que ele ia querer ter nascido sem ouvidos! Quem ele pensa que é pra fazer esse tipo de coisa comigo? Olhei para ele que continuava parado na minha frente como se nada tivesse acontecido, quando percebi que tinha alguma coisa errada com seus olhos. Eles não brilhavam como antes, era como se eles tivessem sem foco.
- ?! – Chamei, incerta. Ele não me respondeu. - ?! O que aconteceu? Ta tudo bem?! – Perguntei, preocupada, chegando mais perto cautelosamente. Será que havia alguma coisa errada?
Erro meu. me segurou dessa vez e colou seus lábios nos meus com força. Tentei gritar, mas ele só aproveitou a chance e deu passagem para sua língua invadir minha boca. Comecei a sentir meu corpo ficar quente enquanto sentia sua língua explorando cada centímetro da minha boca. Seus lábios eram tão quentes e envolventes que sem perceber, já havia começado a responder aos movimentos dele. Quanto mais força ele colocava no beijo com mais força eu respondia. A intensidade já estava me deixando sem ar e meus lábios começavam a doer. Quando finalmente nos separamos, olhei-o e como eu, estava extremamente ofegante e tinha os lábios vermelhos. Encarei-o. Seus olhos pareciam ter voltado ao normal. Pensei no que havia acontecido. Que merda que eu estava fazendo?! O que estava acontecendo comigo?! Será que eu estava me sentindo tão sozinha para ficar assim ao ser beijada por um cara que eu odeio?! Involuntariamente, meus olhos se encheram de lágrimas, fazendo com que ele me olhasse assustado.
- A carta... ela dizia... Beijo... ... Eu... Eu não queria, mas eu não sei! Foi um impulso e ... – tentava me explicar o que havia acontecido, extremamente chocado e confuso. Eu estava mais ainda.
- Acho melhor pararmos esse jogo! – Funguei, secando as lágrimas que ainda não haviam caído.
- Concordo com você, vou guardar o tabuleiro! – levantou-se, ainda abalado e foi tirar o tabuleiro do chão.
- Não quer sair! , NÃO QUER SAIR! – começou a gritar assustado, enquanto tentava tirar o tabuleiro do chão.
- Como assim não quer sair? – Perguntei, me recompondo. Levantei-me e fui até o tabuleiro ajudar a guardá-lo. Puxamos, e puxamos novamente, tudo em vão, o tabuleiro não se moveu.
- Tudo bem, deixe aí no chão mesmo! É só a gente não jogar mais os dados que o jogo não continua! – Conclui depois de inúmeras tentativas fracassadas de tirar o tabuleiro do chão.
sentou-se na cama em silêncio, ele ainda parecia bem abalado, e eu sentei no chão e encostei a minha cabeça na cama não muito diferente dele. Os fatos que acabaram de acontecer não saíam da minha cabeça. Estava perdida em meus pensamentos quando ouvi um barulho e minha atenção voltou a algo realmente inesperado por nós.
- ISSO É IMPOSSIVEL! – Gritamos juntos. Os dados estavam girando sozinhos! Eu estava com medo e estava pálido. Mas que desgraça era aquela?! Eu mato aquele velhinho! Ele deve ter tacado algum tipo de vudu ou macumba pra cima de mim!
- 5+1... 6... Isso leva a OUTRA CASA BRANCA! – Meu coração disparou. E se fosse outro beijo ou algo parecido? Eu não queria mais jogar! Eu não queria! O que estava acontecendo? – ! Tire as peças do tabuleiro! Rápido! – Gritei.
não teve nem tempo de se levantar da cama. A minha peça começou a mover-se sozinha, encaminhando-se para outra casa branca. O medo começou a tomar conta de mim. Eu realmente não queria ver o que estava nessa carta.
- ... – Choraminguei, olhando para o garoto, que ainda encarava fixamente os dados que haviam acabado de se mexer sozinhos. Ele suspirou pesadamente, e esticou as mãos para pegar a carta. – Toma! – Disse ele, me entregando a carta. – Acho que tudo isso não vai parar se a gente não chegar ao fim. – Explicou ele, tentando pensar racionalmente, naquela situação absurda. - Vamos tentar terminar esse jogo estranho logo. É só a gente torcer para não cair em mais nenhuma casa branca, não é? Mesmo que a gente não queira, parece que a gente não tem escolha!– Terminou ele, me dando um tipo de sorriso que eu nunca havia visto, um misto de preocupação, medo, encorajamento e... felicidade? Tentei juntar forças para pegar a carta dele, mas minhas mãos tremiam. Respirei fundo. Se o pode encarar a situação, eu também posso. Parei de tremer e peguei a carta, lendo o conteúdo em voz alta:
Carta da sorte: Você tem uma opção, um dos jogadores, você ou não, de roupas íntimas deve ficar, até que mude a situação
Meus olhos fixavam a carta ainda extremamente surpresos. Olhei para , que olhava de volta para mim. Estávamos apreensivos. O que faríamos agora?
Ch. 3
- E agora? O que a gente faz? – Perguntei, segurando a carta e olhando desesperada para , que parecia pensativo.
- E agora? Bom, não fica olhando pra mim, quem tirou a carta foi você! – Respondeu ele, arqueando a sobrancelha e olhando na minha direção, tentando reprimir um sorriso que teimava se formar em seus lábios.
- Mas eu sou uma garota, você não espera que eu tire minhas roupas, sozinha com você no seu quarto, não é mesmo? – Disse, nervosa, enquanto me segurava para não voar no pescoço de um ser que se chamava e estrangulá-lo até a morte enquanto ele abria um enorme sorriso após ter ouvido minha última frase.
- Posso te garantir que eu não vou te atacar, – Sorriu ele, me medindo dos pés a cabeça. – Não se eu tiver escolha.
- Nem se você quisesse – Respondi, com um tom de superioridade.
- É aí que você se engana queridinha. – Disse, ele sério, olhando diretamente para os meus olhos e chegando perto, quase selando nossos lábios. Eu podia sentir nossa respiração quente se misturando. Vacilei. – Se eu quisesse, você seria minha em menos de uma semana.
- Até parece! – Respondi, dando uma joelhada de leve nas suas partes baixas, fazendo com que mostrasse uma expressão de dor. – E não chega perto de mim de novo! Idiota. – Sussurrei me afastando.
- Por isso que você ta solteira até agora! Sua destruidora de futuros filhos! – Reclamou sentando na cama, ainda parecendo dolorido.
- Como você sabe se eu estou solteira ou não? Eu posso muito bem ter um namorado sem divulgar isso pra meio mundo, – Reclamei, me sentando no chão, tentando tirar os peões do tabuleiro novamente sem sucesso.
- , isso ta na cara. Veja bem, você trabalha pro Fletch. Tempo é uma coisa que você não deve ter de sobra. – Disse distraído, enquanto eu o encarava. tinha alguma noção de que eu trabalho demais por eles. Quem diria. Não é só um playboyzinho que só olha pro próprio umbigo! – E você é meio amarga, então, isso é falta de sexo. Consequentemente... Você não tem namorado. – Concluiu, sorrindo por parecer tão esperto.
- Eu não sou amarga. E pra sua informação, eu tenho um namorado! – Respondi, sendo teimosa. É, às vezes eu sou infantil! Mas não gosto que me chamem de amarga!
- É mesmo?! – Perguntou , dessa vez me encarando de volta, desconfiado. – E como esse seu namorado chama? – Perguntou ele, sorrindo. Como se soubesse que eu estava mentindo.
- Como ele chama? – Ri nervosa. – Chama... Ele chama... Neil! Ele chama Neil! É isso! Meu namorado chama Neil! – Mesmo você não sabendo, te devo uma gatão!
- E nós vamos conhecer esse Neil algum dia? – Perguntou , sério.
- Pra que? – Questionei.
- Pra sabermos se ele tem olhos, nariz, boca... Você sabe né?
- Eu não inventei ele ! Se é isso que você está insinuando. – Resmunguei. Não inventei ele, só que ele é meu namorado também. Mas isso não importa, não é?
- Sei, sei... – me olhava cada vez mais desconfiado, e a minha irritação ia aumentando cada vez mais. Estava preste a responder quando um barulho conhecido me fez fugir totalmente dos meus pensamentos.
- Eu conheço esse som! – fechei os olhos focalizando para ouvir melhor. Então ficou mais claro ainda, eu estava ouvindo All about you tocando! – É O MEU CELULAR! – gritei começando a procurá-lo em tudo quanto é canto do quarto. encontrava-se perdido em seus pensamentos. Eu o encarei, sem nem me dar conta da música que estava tocando em meu celular.
-... ... !
- O que foi ?! – gritou saindo de seu transe
- Dá pra me ajudar a procurar a porcaria do meu celular que eu não sei como, esqueci que estava com ele aqui no quarto? – falei desesperada. levantou-se da cama e começou a olhar pelo quarto também.
- ACHEI! – gritou debaixo da cama. Mas por que causa meu celular estava debaixo da cama?
- Me dá!!! – fui em direção a , mas ele desviou-se e então, com um sorriso maroto nos lábios, levou o celular até a sua orelha.
- Alô? – nesse momento eu estava vermelha de raiva, primeiro, porque eu havia esquecido completamente que sempre carrego comigo meu celular, segundo, atendeu meu celular, ninguém atende meu celular a não ser eu mesma! Já estava preste a voar no pescoço de pela segunda vez, quando meus pensamentos foram cortados.
- Toma, é o Neil, pelo visto ele realmente existe – disse me entregando o celular com desprezo.
- Neil? – atendi indo para perto da janela do quarto, vendo jogar-se na cama.
"- Tampinha! Onde você está? Cheguei em casa e você não estava! Onde você está? Fiquei preocupado, você não deixou nenhum recado, e já está anoitecendo, hoje você não trabalha, não é?"
- Eu estou na casa dos mcguys – olhei para trás e vi me observando como se a conversa o interessasse – À noite te conto tudo, Neil, tenho que resolver um problema aqui, até mais tarde!
– Huuum... Na casa dos guys??? Quero saber MESMO! Até mais tarde Tampinha!
Desliguei o celular, e então caminhei até a cama de .
- Vou ligar pro e pedir para vir me tirar daqui do seu quarto!
- Me passa o celular que eu ligo – disse ríspido. Fala sério, eu realmente quero entender esse ser!
Quando estava discando os números...
*Toc! Click!*
Nós dois olhamos rapidamente para a porta.
- , estou precisando daquele seu creme para barbear, eu tenho um encontro hoje e... ?! – Surpreendeu-se entrando no quarto só de toalhas.
- ! Graças a Deus! – Disse, já correndo para dar um abraço forte no garoto nem ligando para o fato de ele estar só de toalhas. – To indo embora! Beijos! Obrigadaaa! – Gritei, já no meio do corredor da casa. Quanto antes saísse melhor ia ser.
- Disponha... – respondeu mais para si mesmo, ainda parecendo meio perdido, mas logo voltando sua atenção para o amigo – , você vai me explicar o que aconteceu aqui? Você fi...
- NÃO ACONTECEU NADA, TÁ LEGAL? – Disse um alterado, fechando a porta na cara de .
- Grosso! – Gritou do lado de fora do quarto.
Caminhei o mais rápido possível, que loucura foi aquela naquele quarto? Por que subitamente eu pensava nos segundos que passei com meus lábios juntos aos de ? Cheguei em casa ofegante e me joguei no sofá.
- Tampinha! Finalmente você chegou! Agora vai, me conta, por que você estava lá? – Neil me bombardeou de perguntas, não me dando tempo nem mesmo de respirar.
- É uma looooonga historia Neil, te conto enquanto VOCÊ faz o jantar! – disse caminhando para a cozinha, sem olhar para trás, mas tenho certeza de que Neil estava com uma cara de poucos amigos. Não que eu seja preguiçosa, mas a comida do Neil é boa demais e eu estava com fome depois de tanta agitação.
's POV
- NÃO ACONTECEU NADA!
- Grosso! – Ouvi gritando do lado de fora do quarto, parecendo uma velha.
Vou te mostrar quem é o grosso daqui a pouco, , espera pra ver! Mas que loucura é essa que eu passei essa tarde? O que aquela garota tem? Na verdade o que VOCÊ, , tem? E por que ela tem uma musica da MINHA banda como toque de celular? Focaliza, focaliza ! Da onde veio esse jogo do além? Aaaaaah... O jogo!
Voltei a minha atenção para o chão onde aquele tabuleiro estava lá caído com cara de inocente. Cara de inocente, ? Se liga!
- O QUE? – Gritei incrédulo quando percebi! Não era possível! As peças, as cartas, o tabuleiro... Estava tudo guardado novamente na caixa! Como se esse jogo tivesse vida própria! Eu é quem não vou deixá-lo aqui no meu quarto!
Coloquei a tampa na caixa e desci as escadas, segurando aquela coisa da mesma maneira que você seguraria uma fralda suja.
- O que é isso aí? – Perguntou , chegando de sua caminhada.
- É um jogo, mas aconselho a não mexer, ok? – disse colocando-o em cima do armário da sala.
- Por quê? - , o enxerido, perguntou mais interessado no vídeo game, do que na própria pergunta.
- Nem queira saber! – Respondi ríspido! Não vou explicar para eles o porquê, pois vão achar que eu enlouqueci ou virei viado!
- Você comeu bife de cavalo hoje no almoço, é? Só ta dando patada! Achei que ficar com a no quarto ia servir pra te amaciar um pouquinho. O famoso pisa que amacia conhece? – Debochou , descendo as escadas com aquela cara de sou fodão comedor de mulher.
- Não enche! – Reclamei, já tentando subir para o meu quarto, para evitar mais perguntas do tipo. Esses caras cismam comigo e com a .
- O que ele tem? – perguntou.
- esteve aqui hoje – explicou.
- Ah sim, encontrei com ela hoje, ela veio entregar a camiseta do ! - Quando eu fui no quarto dele, estavam os dois sozinhos e ela saiu correndo de lá!
- Hum... – Assentiu , dando um sorrisinho de canto, olhando pro alto da escada por onde o amigo havia acabado de passar.
Desde que horas esses merdas estavam em casa? Por que não vieram me procurar? Sim, estou irritado, ok? Olhei para a minha cama e vi algo que não era meu, um sobretudo preto. Isso deve ser da . Além de lunática tem amnésia.
- ? – abriu a porta receoso, mas parecia estar se divertindo com tudo.
- Entra.
- O que você tem, cara? – perguntou chegando perto da cama onde eu me encontrava com o sobretudo de no meu colo.
- Nada, não tenho nada. Toma, isso é da , ela esqueceu aqui hoje. – disse entregando em suas mãos o sobretudo.
- Por que eu quem tenho que ficar com ele? – perguntou me devolvendo-o
- Porque EU não vou devolver! – Respondi com cara de que isso fosse óbvio!
Nossa pequena discussão sobre o sobretudo teve que ser adiada quando o celular de tocou. É serio, esses celulares hoje estão me tirando do sério!
- Alô? ! Sim, sim, seu sobretudo ficou aqui em casa! Não, que isso, imagina, amanhã é o nosso dia de folga, o leva ele pra você! Não precisa se preocupar! Não! Sem nenhum MAS! Não mesmo! Até mais !
- , VOCÊ ESTÁ MALUCO? – perguntei incrédulo me segurando para não voar em seu pescoço!
- Calma ! Eu sei que você vai me agradecer! – disse saindo correndo do quarto rindo um pouco mais do que eu gostaria – O endereço dela você já sabe! – Gritou do lado de fora.
Não é possível! Parece que o mundo conspira contra mim! Ok, ok, é só ir amanhã rapidinho, entrego o sobretudo, e vou embora! Ah e devolvo também aquele jogo esquisito, vai que aquilo é amaldiçoado!
Mas esse me paga. Ah, se me paga...
's POV off
- Alô? !!! Meu sobretudo ficou aí na sua casa? Ah, então amanhã posso ir aí buscar rapidinho? O QUE? , não precisa! Eu busco! É sério! Eu busco, não precisa fazer ninguém trazer aqui pra mim! Mas ... Aff, já vi que não adianta discutir com você, não é? Até mais!
Como assim o vem aqui amanhã? Isso não vai dar certo, estou pressentindo. Mas amanhã é domingo, e o Neil nunca sai de casa, então não tem problema algum! É melhor eu dormir logo, porque amanhã o dia vai ser longo!
Fui até meu quarto e enfiei meu rosto em minhas almofadas, pensativa. Bom, o jeito é eu pedir pro Neil atender a porta quando chegar e falar que eu não estou. É, até que é uma boa idéia, eu poderia trabalhar melhor nisso amanhã, o sono falava mais alto que a vontade de não encontrar o depois desse dia estranho.
Parecia que eu tinha apenas piscado quando senti o sol invadir meu quarto por uma fresta pequena na janela e atingir meu rosto. Xinguei o sol mentalmente e me levantei, um pouco de mal humor indo em direção à cozinha ainda de pijama tomar meu café da manhã. Abri a geladeira distraída e olhei para o relógio de vaquinha que ficava acima da porta da cozinha, me surpreendi ao ver que já eram mais de 10 horas, eu deveria estar bastante cansada esse final de semana, geralmente eu acordo antes do despertador tocar às 6 da manhã com medo de me atrasar para o trabalho. Dei de ombros, pegando a caixa de suco de laranja e fechando a geladeira. Me deparei com um post-it grudado na geladeira que não havia percebido antes. Era de Neil. Que ótimo! Ele havia saído DE NOVO e bem no dia que eu mais precisava dele! Aliás, esse Neil anda bem saidinho ultimamente, o que será que ele anda aprontando por aí? Fui interrompida dos meus pensamentos sobre onde Neil andava se enfiando pela campainha que tocava incessantemente. Bufei, indo em direção à porta, eu estava com fome e de mal humor. Bom, essa hora, não deveria ser o , esse aí não deve ser do tipo que acorda antes da uma da tarde num domingo, no mínimo era o zelador do prédio reclamando de alguma coisa que a gente não fez, como sempre, esse aí não gosta da gente por algum motivo que só Deus sabe. Passei pelo espelho que ficava próximo a porta, mas nem me importei em arrumar o cabelo, apenas abri a porta com cara de fala-o-que-você-quer-logo-e-vai-embora.
- Que é? – Perguntei, no mesmo instante em que girei a maçaneta e abri uma fresta da porta.
- Isso são modos de tratar as visitas ? – Perguntou , apoiado no batente da porta, segurando meu sobretudo e uma sacola, com um sorriso curioso.
- Ah, é você . – Disse, parecendo desinteressada, abrindo a porta por inteiro. Merda, ele estava gostoso. Calça jeans escura e camiseta branca com um blazer preto por cima. Enquanto eu estava com um conjunto velho de moletom cinza que eu costumava usar para dormir e o cabelo todo desgrenhado. Não que eu me importe com isso. Afinal, é só o . – Obrigada por trazer meu casaco. – Agradeci a contra gosto esticando o braço para pegar a blusa que estava pendurada nos braços dele, mas ele foi mais rápido, tirando-a do meu alcance.
- Poxa , eu vim lá da minha casa só pra te trazer o seu casaco e você nem me convida pra entrar? – Zombou ele, enquanto eu apenas o encarava sem paciência.
- Exato, você deve ter coisas melhores pra fazer num domingo do que ficar aqui na minha casa. – Expliquei, com um sorriso extremamente falso, que ele, claro, percebeu.
- Não, não tenho. – Sorriu ele, passando por mim, sem ser convidado e entrando na minha casa, sentando-se no sofá, parecendo o dono da sala. Garoto folgado.
- Pois bem , faça o que quiser. – Desisti, fechando a porta e voltando pra cozinha, ignorando o ser que estava sentado no meu sofá, olhando ao redor com curiosidade.
- Esse apartamento é bem grande até, acho que você deve estar ganhando bem. – Comentou ele da sala, enquanto eu servia suco de laranja em dois copos na cozinha e ia em direção a sala logo depois, me sentando na poltrona à direita do sofá. Porque eu tinha pego suco para o também? Ah, deve ser costume de trazer as coisas pro Neil, aquele outro folgado.
- Não tão bem quanto você, pode apostar. – Retruquei, estendendo o copo na direção dele, que o olhou assustado. – Eu não coloquei veneno aí, para a sua informação. – Expliquei, arqueando a sobrancelha. Embora a idéia me pareça bastante interessante.
- Ah... – Disse ele, como se despertasse de um transe, pegando o copo em minhas mãos. – Obrigado. Foi só a falta de costume com a boa cortesia.
- Eu tenho boa educação, . Diferente de outros que gostam de invadir casas alheias. – Reclamei, tomando um gole do meu suco, vendo sorrir de canto pelo meu comentário.
- Você não deixa passar uma oportunidade, não é? – Perguntou ele, me encarando.
- , olha, eu acabei de acordar, quero tomar meu café da manhã com calma, um banho e sei lá, aproveitar o resto do meu final de semana... Será que dá pra você falar logo o que você quer e ir embora? – Pedi, paciente. Para o garoto que apenas revirou os olhos.
- Sério, eu te incomodo tanto assim? – Perguntou o garoto, bufando e apoiando a cabeça no encosto do sofá.
- Bom... Se eu tivesse que decidir agora... – Parei, pensativa. – É... Acho que sim. – Respondi sincera, vendo ele dar risada sozinho após minha resposta. Sério, dessa vez o pirou.
- Fazia tempo que não me diziam isso assim, tão diretamente. – Explicou ele, respirando com um pouco de dificuldade por ter rido com tanta vontade. – Mas, outch, isso foi maldade. Ainda mais depois de ontem.
Parei por alguns instantes. Ontem. Aquele jogo estranho havia me feito beijar o . Sério, eu sou mais tapada do que eu pensava. Psicologicamente acho que eu explicaria que devido ao trauma meu cérebro tinha bloqueado a experiência do dia anterior. Oh my god, eu estava TÃO sem graça. Estranho, lembrando do dia anterior eu acabei sentindo uma sensação diferente, como eu poderia explicar? Era uma sensação tão... Tão... Molhada? E gelada! Espera... MOLHADA? O choque havia me despertado dos meus pensamentos e pelo que pude perceber, me olhava estranho e o suco de laranja que estava em um copo na minha mão, agora escorria pela minha perna.
- Merda! – Exclamei, enquanto levantava em um movimento rápido, mais embaraçada do que nunca. – Me distraí.
- Percebi. – Disse ele rindo olhando para minha calça, me fazendo fechar a cara na direção dele.
- Espera um pouco que eu vou tomar um banho e trocar de roupa.
- Quer ajuda? – Perguntou , sorrindo malicioso. Sério, se eu não trabalhasse com ele, já tinha mandado praquele lugar, mas ao invés disso, apenas lancei-lhe um olhar de censura.
- Não se mexa e nem toque em nada! - Mandei, indo em direção ao meu quarto.
- Quer que eu não respire também? – Perguntou irônico.
- Se for possível. – Respondi com o mesmo tom, já saindo da vista dele, ouvindo um "Francamente" abafado vindo da sala.
's POV on:
Eu realmente não entendo essa garota. , vocalista do McFly na sala da casa dela e ela querendo ficar sozinha. Aliás, ela parece ter um problema comigo em especial. O e o acham ela gente boa e o só falta anunciar que está completamente apaixonado! E ela nem tem nada demais... Okay, ela é gostosa, mas é desequilibrada. Mulheres já são seres que são difíceis de lidar, e eu digo, é o problema em pessoa. Ela é mal humorada, distraída, desleixada e grossa! Confesso em que há momentos em que eu provoco, mas pelo amor de Deus, essa garota parece estar de TPM 365 dias por ano, sem contar o dia a mais no ano bissexto! Trabalhar com a gente não deve ser tão estressante assim... Aposto que ela não é assim com o tal namorado dela, fico imaginando que tipo de cara ele deve ser... Eu tenho duas opções em mente: ou o cara é feio e gordo e não se importa em ter uma namorada bonita e lunática ou o cara é bonito, mas é extremamente maluco igual a ela, não que isso seja problema meu na verdade e não que eu me importe também. E isso não tem futuro também, não é? Ela trabalha pra nós agora, isso exige muito tempo dela, o cara logo vai cansar de ter que cancelar encontros por ela ter que trabalhar aos sábados com quatro caras altamente cobiçados e logo vai acabar. Mas espera, ontem, quando ela estava no telefone, parecia que o cara estava aqui e já era tarde, o que significa que... Que... Eles estão morando JUNTOS? Hahaha, não é possível. Imagina um cara morando com a doida da , essa eu queria ver, o cara já ia ter saído correndo assustado há muito tempo. Uhn... Isso não me incomoda, mas eu estou na casa deles! Posso dar uma olhada, descobrir tudo e voltar aqui antes de ela voltar. E se eu descobrir que o cara é mais feio que o Batoré ainda tenho mais um motivo pra pegar no pé dela e deixar ela toda irritadinha. Agora vejamos? Eu poderia começar pelo quarto. Onde é o quarto dessa garota?
Caminhei pelo corredor o mais silenciosamente que consegui, a ordem para eu não sair do lugar havia sido clara, eu estava em território inimigo e ela tinha certas vantagens sobre mim aqui. Se pegasse uma faca na cozinha pra acabar comigo, eu não ia saber pra onde correr e aí adeus . Havia poucas portas distribuídas no corredor, mas eu sorri a encarar a última delas. Aquela só podia ser a porta dela. Cheia de adesivos, maluca igual a dona. Coloquei a mão na maçaneta e percebi que estava tremendo um pouco e me sentia nervoso. Qual é ? É só o quarto da . Nada demais. Girei a maçaneta e entrei, fechando a porta atrás de mim. Era aqui. Eu estava certo.
- Uhn... - Suspirei olhando ao redor. – Esperava alguma coisa mais inacreditável, esse quarto é até que bastante comum.
Olhei para o armário um tanto mais curioso do que eu gostaria, podia ouvir o barulho do chuveiro, vindo do banheiro dela, mas isso não me impediria, afinal, uma olhadinha rápida não ia fazer mal, ia? Abri o armário o mais silenciosamente o possível e me deparei com alguns poucos pares de roupas, roupas bonitas, mas poucas... Ela não estava ganhando mal, não me diga que não conseguia tempo para fazer compras para si mesma? É, acho que ela precisa de umas férias mesmo, quem sabe ela não fica menos chata depois disso... Que mais temos aqui? Alguns perfumes... Uhn... Cheirosos! É, a é cheirosa... Espera , desde quando você diz coisas como a é cheirosa? Bom... Por pior que seja, ela é mesmo, é um fato, não dá pra negar... Okay, que mais? Um álbum de fotos! Vou ver, espero que tenham coisas bem intimidantes aqui dentro pra eu poder usar contra ela depois, pensei, pegando o álbum de fotos preto e pesado de dentro do armário e indo me sentar na beirada da cama.
"Meu primeiro ano em Londres." Era o título do álbum. Abri-o com cuidado, e comecei a ver fotos de uma garota sorridente no aeroporto abraçando um café da Starbucks como se fosse a coisa mais importante da vida dela. Então não foi o stress que deixou ela doida, ela sempre foi assim. Dei uma risadinha silenciosa, ao ver a próxima foto, onde fazia uma pose engraçada ao lado de um dos soldados do palácio de Buckingham. Virei a página ansioso por mais, quando meu estômago deu uma contraída estranha ao ver as fotos que se seguiam de um marcador de páginas com a seguinte legenda: "Eu e meu gatão: Neil" O cara devia ter a nossa idade e apesar de não aparentar ser famoso, conseguiria fácil uma carreira como modelo. Ele estava em todas aquelas fotos ao lado de uma sorridente, mas não era qualquer tipo de sorriso, já tinha sorrido muito para mim, mas era sempre aquele educado, aquele de deboche ou aquele pra evitar me dar um tiro, esse era um sorriso eu nunca havia visto e isso me incomodava profundamente. Eu era , do McFly! Todas as garotas deviam sorrir para mim daquele jeito! Por que ela nunca sorria assim para mim e por que isso estava me fazendo sentir tão incomodado e patético? Tirei uma daquelas fotos sorridentes do álbum e coloquei no bolso do casaco me sentindo o maior perdedor do mundo por estar roubando fotos do quarto da assistente do meu produtor, mas eu já não sabia o que fazer e aquilo pareceu aliviar um pouco a sensação de soco no estômago que parecia estar tomando conta de mim. Coloquei o álbum de lado e me larguei na cama, tinha acordado cedo para vir pra cá e estava cansado, senti meus olhos ficando pesados, uns 5 minutos de sono não faria mal a ninguém agora, se não fosse pelo grito agudo que me despertou do meu estado de sonolência.
- document.write((Jones).toUpperCase())! O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO NO MEU QUARTO?! – Gritou , com aquela voz forte e aguda, ainda enrolada em uma toalha, com os cabelos escorrendo, molhados, me lançando um olhar de fúria , pior do que os que eu já estava acostumado.
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N/A (Ana): Olá lindocas, voltemos! Na verdade esse cap. estava pronto há algum tempo, mas eu estava com preguiça de scriptar, prontofalei. Sorry por demorar tanto tempo pra att. O que na verdade, só fizemos graças aos comentários fofos que vocês tem deixado, obrigadaaaa! Não abandonaremos a fic, mas somos lentas, é normal... haha Caso vocês queiram att mais rápidas, estamos aceitando idéias, só colocar nos comentários. =] Obrigada de novo por lerem. Beijos. o/
N/A (Dani): Oii Meninas!!! Peço desculpas por demorar tanto a ter att da fic! Mas aí está uma att até que grandinha!!! Agradeço a todas que leram e espero que continuem lendo! Eu e a Ana vamos tentar escrever com mais frequência! Aguardem as novas cartas!!! O que será que esse jogo nos revelará? HAUHAUHAUAHAUA
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Já não sabíamos mais se queríamos parar de jogar ou não. O jogo parecia tão perigoso e tão tentador ao mesmo tempo. Poderíamos nos arrepender no fim, mas já não importava mais. Cada toque, cada beijo, tudo fazia mais sentido à medida que o jogo ia avançando e quando nos demos conta, estávamos presos a ele mais do que apenas fisicamente.
Ch. 1
Andando pelas ruas nessa época do ano era possível perceber o tumulto gerado pelas compras de natal. Pessoas iam e vinham esbarrando-se umas nas outras carregando grandes sacolas de diferentes cores e tamanhos enquanto entravam e saíam das lojas que dominavam toda a rua de ponta à ponta. Coloquei minhas próprias sacolas no chão para apertar meu sobretudo cinza chumbo ao corpo, e ajeitei meu cachecol junto ao pescoço para bloquear o frio que fazia devido ao vento gélido da primeira geada do inverno. Olhei para o relógio, estava atrasada de novo. Não fui feita para esse tipo de trabalho. Fato. Tirei minha lista de compras do bolso e conferi o que estava faltando. O último item era a primeira edição do homem aranha número um. Que ótimo! Só faltava ele querer uma bola quadrada também! Bufei, já estava na rua fazendo compras desde cedo e meus pés já estavam doendo, não via a hora de terminar. Olhei ao redor, lojas de roupas caras de marca cheias de madames que sorriam falsas umas para as outras e passavam o dia torrando os cartões de crédito dos seus maridos podres de ricos; lojas coloridas que vendiam CDs, com o som alto bombando, abarrotada de jovens de 15 anos mascando seus estúpidos chicletes sem parar que ouviam o último CD da moda; lojas de brinquedos, lojas de eletrônicos, lojas de calçados... Coloquei minhas mãos na cabeça, conforme o desespero ia subindo, se eu não comprasse tudo que precisava, eles iam me demitir! Embora eu não amasse aquele emprego, eu ganhava bem e o aluguel em Londres pode ser bem caro às vezes, o que não me dá o luxo de jogar tudo pro alto e fugir pras Bahamas. Minha última opção era ligar pro Neil, meu anjo, meu salva-vidas, e meu rato de internet preferido. Precisava desesperadamente descobrir onde eu ia encontrar a primeira edição do primeiro homem aranha pra comprar faltando apenas uma semana pro Natal.
Procurei um lugar onde poderia me sentar para encontrar meu BlackBerry que estava perdido dentro da minha bolsa, afinal, que bolsa de mulher não é uma calamidade? Acabei encontrando um banco de madeira antiga que ficava em uma ruazinha bem estreita e sem saída paralela a grande avenida cara de lojas enormes em que me encontrava. Assim que me sentei, meus pés que latejavam furiosamente por me aguentar o dia inteiro, cantaram de felicidade, e eu comecei a revirar a minha bolsa em busca do BlackBerry perdido. Não sei porque tinham que me dar um celular tão problemático, quero dizer, eu tento, mas não sou o que se possa chamar de gênio da tecnologia, mas como eu ganhei de graça, eu não ia reclamar não é mesmo? Após ter tirado tudo que havia dentro da minha bolsa branca, contando um copinho que abre e fecha porque eu odeio colocar a boca naqueles bebedores nojentos, meio pacote de bolacha que foi meu almoço de hoje graças à batalha das compras de natal, um molho com trocentas chaves sendo que metade dela eu não sabia pra que serviam, eu finalmente achei meu celular. Encontrei rapidamente o número do Neil na minha agenda, já que era um dos únicos que haviam, uma vez que devido ao meu trabalho, eu quase não tinha tempo para mim mesma e muito menos pra arrumar novos amigos ou namorados. Neil e eu éramos amigos há anos, e dividíamos um apartamento em Londres desde que eu saí do Brasil e vim tentar a vida aqui. Disquei o número salvo na minha agenda e torci pra que ele fosse trabalhar em casa hoje, claro que abri um enorme sorriso quando aquela voz grave e masculina atendeu do outro lado da linha.
- Alô? - Perguntou Neil, com a voz rouca e parecendo um tanto confuso.
- Oiii Gatão! - Respondi, com a voz sedutora me esforçando para não rir.
- Tampiiiiiinha! - Riu ele do outro lado da linha. - A quê devo a honra da sua ligação? - Perguntou, dessa vez com a voz um tanto abafada provavelmente causada por um bocejo. Eita vida mansa! Queria poder trabalhar em casa também pra poder tirar sonecas no meio da tarde assim.
- Preciso de um favorzão seu, gatão! Além de pedir pra você lavar toda a louça e de tomar um banho e colocar uma roupa decente, porque eu espero ser capaz de chegar em casa daqui a pouco e não quero encontrar você andando pelado pela casa de novo! - Ri - Aliás, vou comprar um pijama pra você de natal, precisa se lembrar de que mora com uma dama agora! - Na verdade, eu não ligava de ver o Neil andando pouco vestido pela casa. Mesmo que ele fosse como um irmão pra mim, não deixava de ser o maior gostoso.
- Tampinha, você deveria me agradecer, muitas mulheres dariam a alma pra me ver do jeito que vim ao mundo, tá? E hoje é SEU dia de lavar a louça, não quero nem saber se você tá cansada! Você que quer continuar nessa sua escravidão, já disse que você pode largar esse emprego idiota que eu posso muito bem bancar nosso aluguel até você encontrar outra coisa. - Reclamou Neil. Ele gostava do meu emprego tanto quanto eu. Mas eu não era uma desenvolvedora de softwares famosa igual certas pessoas, que trabalham em casa e podem dormir a tarde toda.
- Neil, você sabe que eu não vou largar meu emprego e viver às suas custas, não foi por isso que eu saí da casa dos meus pais e vim pra cá! - Choraminguei - Eu já to bastante estressada hoje. Não briga comigo não... - Pedi, fazendo bico. Era infalível, ele nunca ia dizer não pra minha voz de pidona.
- Certo... O que você precisa, linda? - Perguntou ele, bufando e desistindo. Eu disse que sempre funciona.
- Preciso que você descubra pra mim onde posso comprar a primeira edição da revistinha do homem aranha número um! - Expliquei. Eu tenho confiança nas habilidades do meu gatão.
- Você sabe que eu te amo, né? Mas eu não vou perder meu tempo procurando isso pra você pequena. Essa revistinha, ainda mais a primeira edição, é item de colecionador. Você não vai encontrar em qualquer biboca por aí - Explicou Neil, paciente.
- Mas eu preciiiiiiiso dela! Questão de vida ou morte! Nenhum dos seus amigos nerds tem uma pra me vender, não?! - Implorei. É, de vez em quanto, eu pareço uma criança mesmo.
- Você precisa porque aqueles riquinhos folgados pediram, né? Na boa , vem pra casa, tá ficando tarde... Neilzão vai fazer uma jantinha esperta pra gente e até vai lavar a louça! Mas não se acostuma não! Não estressa mais, ok? To te esperando! E traz uma garrafa de vinho!
- Uhn... Você pretende me embebedar e me seduzir? - Ri alto dessa vez. Esse garoto sabe como me animar.
- Bem que eu sei que você tá precisando de uma boa noitada! - Riu ele também. Devia estar rindo e coçando a barriga, adoro quando ele faz isso. Sorri.
- Ok. Ok. Levo o vinho, te vejo mais tarde. Beijo gatããão!
- Beijão Tampiiinha! - Gritou ele.
Desliguei o celular e me acomodei no banco. Uns minutos a mais não iam fazer diferença, já estava semi-demitida mesmo. Sem revista do homem aranha, sem emprego. Mesmo fazendo tudo que eu faço, uma falha já é o suficiente pra me mandar embora. Bufei, olhando bem ao redor. Essa sim era uma rua como eu imaginava que uma rua de comércio em Londres deveria ser, lojas pequenas e antigas, juntas umas às outras, com cores diferentes e detalhes talhados em madeira. Todas fechadas, infelizmente. Poucas pessoas deviam vir à essa rua fazer compras desde que a grande avenida havia aberto tantas lojas modernas. Poucas pessoas deviam até saber da existência desse lugar! Uma pena. Levantei-me do banco, pegando todas as minhas coisas, preparada para ir pra casa. Quando notei que a porta de uma daquelas maravilhosas lojinhas havia se aberto. Então, nem todas haviam fechado. Sorte! Virei-me indo em direção à ela, comprar alguma coisa pra mim, pra variar, não faria mal, não é mesmo? E quem sabe, já não encontrava o vinho pra levar pra casa evitando ter que ir ao supermercado e encarar aquelas filas quilométricas formadas pelas pessoas com suas trocentas mil compras de natal.
Passei pela soleira empurrando a porta semi-aberta para entrar sendo saudada pelo barulho de um sininho de aviso. Dentro, a lojinha era mal iluminada e cheirava à uma mescla de madeira de pinho e poeira. As paredes e prateleiras, assim como o chão eram revestidas com a mesma madeira escura que compunha a fachada da loja do lado de fora. No balcão, uma caixa registradora de estilo bastante antigo tornava-se o foco de atenção no espaço, uma vez que as prateleiras estavam vazias e empoeiradas. Pendurei meu casaco no pendurador próximo à porta, estava bem mais quente lá dentro do que do lado de fora.
- Oiii?! Tem alguém aqui? - Chamei. Não queria que pensassem que eu estava invadindo a loja, uma vez que não parecia haver nada lá.
Nada.
- Alooooou? – Insisti.
Nada.
Ótimo, eu já estava me sentindo meio idiota de ficar chamando o nada. Pelo menos eu fiquei feliz de ver uma dessas lojinhas por dentro. Parecia um pouco a lojinha do Sr. Olivaras! Anyway, desisti. Peguei meu casaco que estava pendurado e me preparei para sair da loja quando ouvi um leve pigarro vindo do balcão.
Me virei assustada e me deparei com um senhor que aparentava uns 70 anos que usava uma roupa um tanto estranha, camisa social branca com as mangas dobradas num tamanho ¾, colete e calça sociais marrons de algum tipo de tecido que parecia lã, tweed talvez, com os cabelos brancos um tanto rebeldes e os olhos azuis faiscando na minha direção cobertos por um óculos de aro bem redondo e dourado. De repente me bateu uma idéia que no momento parecia meio absurda, mas enfim, não custava tentar.
- O senhor não teria a edição número um da revistinha do homem-aranha, teria? – Bom, pela cara que ele me fez, devia estar me achando retardada de querer algo de colecionador na sua lojinha. Para meu espanto, o senhor abaixou-se um pouco e tirou de dentro de um baú antigo, um pacotinho transparente, no qual eu pude ver com clareza que era o que eu procurava. Bendito velhinho! Você caiu do céu! Pelo menos pra mim, porque pra quem for pagar essa conta... Agradeci feliz em pensar que a busca impossível pela revistinha havia acabado, paguei o senhor, e guardei a revistinha dentro de uma sacola, com muito cuidado, como se fosse a oitava maravilha do mundo. Olhei meu relógio de pulso, resolvi que levaria as coisas no dia seguinte, porque já estava tarde e o jantar do Neil esfriaria se eu não fosse para casa logo. Virei-me em direção à porta com todas as minhas compras, pegando o meu casaco, pronta para enfrentar o frio do lado de fora.
- Senhorita, espere! – Pronunciou-se o velhinho, acenando com a mão para que eu me aproximasse dele. – Tenho algo aqui que eu sinto que a senhorita irá precisar e vai gostar muito! – Disse, indo aos fundos da loja e voltando com uma caixa nas mãos, sorrindo para mim.
Tá, agora esse velhinho com cara de bonzinho está começando a me assustar e tá com cara de psicopata!
- O que o senhor disse? – perguntei meio assustada.
- Esse jogo! Você tem que levá-lo! – Disse ele colocando a caixa no balcão. Ahá! Te saquei já velhinho, isso é puro marketing! Tá querendo me vender coisa que já ta encalhada aí há séculos!
- Bom, acho que n....
- Esse jogo tem o poder de aproximar as pessoas! Eu tenho o dom de adivinhar o que as pessoas precisam. E você criança, deveria levar esse jogo! Digamos que seja um brinde pela revistinha que você comprou. – Piscou ele.
Acreditam em intuição? Pois eu sim! E acabei por levar aquele jogo, mesmo sem saber o que ele realmente era. Coloquei-o ao restante das coisas compradas, peguei meu casaco e sai da loja indo para casa.
Quando estava perto do apartamento me lembrei do vinho que Neil pediu pra comprar. Acabei passando numa dessas lojinhas 24 horas de um posto qualquer, não havia nenhum vinho bom, mas dava pra quebrar o galho. Peguei um que parecia ser o menos pior e me dirigi ao caixa, por sorte não havia muita gente na fila. Esperando a atendente me dar o troco, dei uma olhada na seção de revistas que ficava próxima ao caixa e vi estampado em um jornal “McFly! Banda do momento! Os garotos perfeitos!”. Ri comigo mesma. Não sabem o que falam.
- Neil! Cheguei! – Entrei jogando tudo no sofá da sala e fui em direção à cozinha – Huum... Que cheiro bom!
- Sou eu tampinha, sou eu! – Disse Neil, que estava vestindo uma bermuda e um avental, fazendo uma pose sexy, enquanto segurava uma colher.
- Só se você cheirar à lasanha! – Respondi rindo, lhe dando um tapa no braço, e me sentando no balcão da cozinha logo depois.
- Ai tampinha! – Neil fez cara de choro, enquanto esfregava o braço. – Agora vai tomar um banho que o jantar tá quase pronto!
- Ok paizão! – Acatei, levantando do balcão num pulo e correndo em direção ao banheiro.
Tomei um banho não muito demorado, logo já estava com meu pijama e minhas pantufas sentada à mesa esperando a lasanha do Neil com o vinho que eu trouxe. O jantar estava seguindo muito bem. Falamos besteiras como de costume, Neil me falava coisas do que havia feito hoje no seu trabalho e que particularmente não entendia quase nada. Já havíamos tomado quase toda a garrafa de vinho e tudo corria bem até que...
- E o McFly? Como eles estão? Eu vi no jornal de hoje que eles são a banda do momento e que todas as garotas desejam os meninos! – Neil falou bebendo o último gole da sua taça de vinho.
- Os garotos estão bem. – Disse com um certo desprezo.
- E o , como está? – Neil perguntou, sorrindo maroto pra mim, enquanto brincava com a taça entre os dedos.
- Neil, por que tem que perguntar sobre ele? – Bufei, fazendo bico, levando a louça pra cozinha.
- Nada não, nada não. – Disse Neil, encostando-se no batente da porta da cozinha. – Mas não entendo esse seu ódio por ele.
- Conviva com ele e verá! – Expliquei, saindo da cozinha. – Ah! E não esqueça que a louça é sua! – Ri e saí correndo, me trancando no meu quarto, antes que ele tivesse tempo para reclamar.
Joguei-me na minha cama, abraçando meu travesseiro, esgotada. No dia seguinte iria ter que ir bem cedo à casa do insuportável do . Fiz careta. O dia havia sido tão puxado, que logo adormeci.
Acordei com o despertador tocando. Como sempre demorei pra desligar e Neil já começou a reclamar do quarto dele. Eu acordei e senti uma sensação estranha, porém era boa de certa forma. Levantei, fiz a minha higiene matinal, abri meu guarda roupa, vesti uma saia preta, bota e uma camisa branca. Coloquei um casaco por cima, pois embora quente aqui dentro do apartamento, lá fora estaria de congelar. Peguei os pacotes no sofá onde havia largado quando chegara ontem à noite, e me lembrei na hora para onde eu estava indo.
- Não venho pro almoço Neil! – Gritei antes de sair do apartamento, mas tenho certeza que na hora do almoço ele iriaai me ligar.
Chamei um táxi e logo já estava na casa onde eu não queria estar. Bom, já estou aqui e esse é meu trabalho, não dá pra ficar reclamando o tempo todo. Mal toquei a campainha e o abriu a porta todo sorridente.
- ! Estávamos à sua espera! Você comprou tudo da lista? – Perguntou, olhando todos os meus pacotes, ansioso para abrir os dele.
- Comprei sim... – Disse. pegou todos os pacotes e seguiu pra dentro da casa.
- Entre, venha, entre, estamos esperando que foi na Starbucks buscar nosso café da manhã!
Entre logo , o que há com vocês pés que não querem me obedecer? Certo, estou na casa agora, é só entregar os presentes e ir embora! Mas por que eu estou tão nervosa assim? Tirei o meu casaco e o pendurei perto da porta.
- ! Finalmente você voltou! Estamos morrendo de fome e... Epa! Não é o ! – disse , descendo as escadas de boxer com um copo de leite na mão. – Oi ! – Cumprimentou ele.
- Oi ! Bom, eu só vim trazer os presentes, já que estão entregues, vou embora! – Virei-me em direção à porta, procurando meu celular na bolsa para chamar um táxi. Não estava encontrando, grande novidade! Quanto antes saísse daquela casa, melhor! Ainda não tive o desprazer de encontrar perambulando pela casa.
- Bom dia... – Uma voz rouca sussurrou no meu ouvido.
Grande boca hein, ? Não podia ter saído logo daí?
- Bom dia. – Respondi ríspida – Agora os senhores me dêem licença que vou trabalhar.
- Pra que a pressa? Sabemos que hoje você não fará nada junto com o Fletch, pois nem aqui em Londres ele está – disse me olhando fixamente com aqueles olhos .
- Não é porque o Fletch não está aqui que eu não tenha o que fazer! – respondi já caminhando para o rumo da porta da sala.
- Opa opa, cuidado ! – disse esbarrando em mim e derrubando café na minha camisa branca. – Desculpa! Não foi intencional! – Disse , olhando sem graça pra mim.
- Tudo bem, não tem problema! – Respondi tentando limpar o que ele havia derramado.
- , me desculpa, por favor! – Continou ele, me entregando um guardanapo, que não estava fazendo nada, além de piorar o estado em que me encontrava. Nesse momento todos foram ver o que acontecia na sala e digamos que comecei a ficar desconfortável com todos eles me olhando. Diga-se de passagem, que a minha camisa não estava nem um pouco transparente.
- É melhor você tirar essa camisa e limpar. Café mancha, sabe?! – disse , não fazendo o mínimo de esforço pra esconder que estava olhando diretamente para os meus peitos. Garoto idiota.
- Bem esperto você, não? – Retruquei.
- Larga a mão de ser mesquinha garota! Só to tentando ajudar! – , já começava a levantar a voz.
- Eu quem sou mesquinha, ? – Perguntei, incrédula.
- Chega vocês dois! – Disse – , leve os presentes para seu quarto e aproveite e dê uma de suas camisetas para vestir enquanto colocamos a camisa dela pra lavar e tirar essa mancha.
lançou um olhar fulminante para “Ele sempre tem que agir como se fosse o mais esperto!” – pensou .
- Vem . - pegou os presentes e começou a subir as escadas, eu logo fui atrás, meio a contra gosto, mas fui.
- Eles vão se matar lá em cima – Comentou .
- Não vão não.
parou em frente à uma porta e a abriu, deixou os pacotes lá dentro. Em seguida abriu a porta do lado.
- Entra. – Não me movi, entrar em território inimigo pela própria vontade? Uhn... Acho que não! - É o meu quarto, vou pegar uma camiseta pra você! – Disse ele, impaciente.
Entrei, dando uma boa olhada no quarto. Era enorme, mas estava bem bagunçado. Típico, não queremos que o garoto de ouro limpe sua própria sujeira. Esperei-o pegá-la, enquanto pensava mais em como a vida era injusta. Estava perdida em pensamentos quando ele colocou a camiseta em minhas mãos. Era azul com um pato estampado nela.
- Vai ficar aí esperando eu me trocar na sua frente, ô palhaço? – Perguntei toda irritada, enquanto ele me encarava.
- Até parece que eu ia querer ver uma duas costas como você! – Respondeu ele, rindo debochado.
- O que você disse? Não fui eu quem estava olhando pra minha blusa transparente lá embaixo, não é? – Sorri, triunfante. Olha bem mesmo, é o mais próximo que você vai chegar deles na sua vida.
- Só estava reparando o quão despeitada você é!
- OLHA AQUI... – A gritaria continuaria se não chegasse no quarto, respirando rápido, provavelmente por ter subido a escada correndo.
- Vocês não conseguem ficar um minuto sozinhos? – Ralhou ele, respirando rapidamente.
- NÃO! – Respondemos os dois juntos, olhando um para o outros logo em seguida e virando o rosto em sentidos opostos, bufando.
- Vou embora! Bom dia para vocês! – Disse, indo para o banheiro do corredor, trocar minha camisa, para poder ir para casa logo em seguida.
Sair daquela casa foi um alívio. Então essa era a sensação estranha a qual tive hoje de manhã! Chamei o primeiro táxi que vi e fui em direção ao meu apartamento. Xinguei milhões de vezes antes no caminho. Nem me lembrava na verdade porque nós começamos a brigar tanto. Mas ele me irritava de uma maneira... tão... tão... irritante! Era inevitável! Entrei no apartamento, jogando as chaves com força dentro do pote de vidro perto do aparador da porta.
- Tampinha?! Você não disse que não viria pra almoçar? – Neil perguntou deitado na sala só de cueca.
- Eu vim trocar de blusa, porque o derramou café na minha! – Respondi já dentro do meu quarto procurando outra camisa pra colocar, não iria vestir a camiseta do o dia todo!
- Você está nervosa. Deixa eu adivinhar... Não me conta! Não me conta! ? – Neil parecia estar se divertindo com essa pergunta.
- Não me fale desse idiota! Falando nisso, quando for lavar suas roupas hoje, lave essa camiseta, por favor! Estou indo pra gravadora, o Fletch não está, então tenho muitas coisas pra fazer! Ah! E Neil, ganhei um jogo ontem, vamos jogar quando eu voltar? – Perguntei fazendo cara de criança, sabia que ele não iria resistir.
- Tudo bem tampinha, nós jogaremos! – Sorriu ele.
- Te amo gatãããão! – Gritei, já saindo de casa.
Após o pequeno incidente do café, eu cheguei ao trabalho. Havia várias coisas pra se fazer, tinha que ligar num pub e ver se o show estava realmente agendado e andando conforme os padrões que pedíamos, tinha que ir atrás de fotógrafos, jornalistas, revistas... Nossa, foi um sufoco! Acabei por sair muito mais tarde do que meu horário, como sempre. Graças a Deus amanhã é sábado e eu não trabalho!
Quando cheguei em casa Neil já estava dormindo, esse aí dorme muito. Havia um bilhete colado na geladeira. Neil me conhecia bem e sabia que eu chegaria com fome em casa e que o primeiro lugar que iria seria a cozinha.
“Tampinha!
Tem pizza no forno e mousse de chocolate na geladeira! Desculpa não te esperar pra jantar, mas tive muito trabalho hoje e estou um pouco cansado! O nosso jogo fica para outro dia! Aliás, onde você o guardou? O procurei e não encontrei!
Beijo, do seu gatão.
Neil.”
Foi aí que um estalo passou por mim! Eu havia deixado o jogo junto com os presentes do McFly! Bom, eu teria que ir entregar a camiseta do , então já aproveito e pego meu jogo de volta!
Acordei tarde no sábado, devia ser umas duas horas da tarde. Fui pra cozinha e novamente não vi Neil, e sim um bilhete na geladeira:
“,
Fui dar um pequeno passeio por aí! Não me espere pro almoço, talvez nem para o jantar ;D
Beijoooooooo do maior gostosão do mundo,
Neil!“
Será que Neil arrumou um encontro? Acho estou ficando para trás... Talvez Neil esteja com razão, eu estou precisando de uma boa noitada! Mas logo meus pensamentos foram tirados desse foco e voltados para uma camiseta lavada e passada em cima da nossa mesa de jantar. Comecei a articular meu plano de não encontrar na casa, qualquer um dos outros garotos seria okay. Então me lembrei que ele saia todos os sábados para caminhar no parque durante a tarde. Era isso! Se eu fosse no momento para lá, com certeza não estaria em casa!
Vesti uma calça preta, uma blusinha regata roxa, meu sobretudo preto e um tênis. Peguei a camiseta e sai rumo à casa dos garotos. Chegando lá, reparei que a casa parecia silenciosa. Não deve ter ninguém ou tá todo mundo dormindo.
Caminhei em direção à porta, hesitei, porém toquei a campainha. Ninguém veio atender. Toquei novamente, e novamente. Quando estava prestes a desistir, abriram a porta. Para a minha felicidade era o .
- ! Que surpresa te ver! – Surpreendeu-se , a dar de cara comigo. – Sinto muito não poder conversar, mas eu estou de saída...
- Só vim devolver a camiseta do – disse a estendendo em sua frente. Estava me virando quando lembrei do jogo – Ah! ! Ontem quando trouxe os presentes, por engano acabei deixando algo meu junto com as suas coisas! E bom, eu gostaria de pegá-lo, mas como você está de saída, outro dia eu pego! Só deixa separado pra mim, okay? – Pedi.
- Que isso ! Você já é de casa! Pode entrar e ir pegar, você lembra o quarto onde deixou, não?
- Lembro sim! Mas você tem de trancar a porta e...
- Não, não, tem mais gente em casa! Pode entrar e pegar sem problemas! Bom, tenho que ir! Estou atrasado! – Despediu-se me entregando a camiseta novamente.
- Ok! Obrigada!
Então, lá estava eu, parada com a porta aberta da casa dos garotos à minha frente e com a camiseta do na mão, querendo o meu jogo de volta.
- Bom, é só entrar rapidinho, em silêncio, pegar o jogo, deixar a camiseta naquele quarto mesmo e sair fora! – Disse pra mim mesma.
Resolvi entrar logo. Caminhei rapidamente para o andar de cima e procurei o quarto onde vi deixar os presentes. Entrei, vasculhei em todas as sacolas, mas onde ele estava? Tenho certeza que não o deixei em casa.
- O que você está fazendo aqui? – Ouvi alguém perguntar, com um tom de bastante curiosidade.
- ?! – Me virei assustada. - Mas que diabos você faz aqui? – Hoje era sábado, o que ele estava fazendo em casa?
- Bom, eu MORO aqui! – Respondeu ele, arqueando as sobrancelhas. - Sou eu quem deveria perguntar isso! E ainda fuçando nos presentes! Sua ladra!
- Não sou ladra nem nada! Vim apenas pegar o que é meu! – Respondi, continuando a revirar as sacolas.
- O que é seu? – Perguntou , encostado no batente da porta. Okay, ele é gostoso, mas não precisa ficar fazendo pose.
- Um jogo! Eu deixei o meu jogo com as coisas de vocês.
pareceu desconfiar. Mas logo sumiu de vista do quarto.
- Vem aqui no meu quarto, seu jogo está aqui! – ouviu-o gritar ao longe.
Caminhei em direção ao seu quarto e novamente uma sensação estranha percorreu todo meu corpo.
- Eu o peguei. Não sabia o que era isso. – Explicou, me entregando.
- A caixa tá toda estragada! – Reclamei. Olhando feio para o garoto parado na minha frente.
- Epa! Não foi eu quem fez isso! Ela já estava assim quando a peguei! Não consegui nem ler o nome do jogo! – me olhou em dúvida. – Ele já devia estar assim, mas você só tá dando piti, porque ele ficou comigo!
- Tá, que seja. Eu não tenho tempo pra ficar discutindo com você – Respondi, revirando os olhos. – Só vim trazer sua camiseta e pegar meu jogo. – Disse estendendo a camiseta para ele. – Obrigada.
- está me agradecendo? Nossa... Milagres acontecem. – Debochou .
- Acontece, que diferente de certas pessoas, eu tenho um pouco de educação. – Levantei as sobrancelhas em tom de desafio.
- Hey, vamos jogar? – Sorriu , ignorando totalmente o rumo da conversa no momento. Garoto estranho.
- O quê? Eu jogar com você? – Definitivamente, ele estava tomando alguma coisa que não estava fazendo bem pra ele.
- Está com medo de perder pra mim? – disse desafiador – Tenho CERTEZA que sou MUITO melhor do que você e é por isso que está com medo! – Disse ele, me olhando diretamente com aqueles olhos , e dando um passo para frente.
- Eu não estou com medo! – Respondi dando um passo para trás.
*Toc! Click*
- O que foi isso? – Perguntei assustada.
- Não sei... – Respondeu ele, dando de ombros.
- , pára de graça!
- Não estou fazendo graça! Você acha que sempre eu estou fazendo graça? Me poupe garota! – me olhou feio.
- Vou embora! – Peguei o jogo e fui em direção à porta. Virei a maçaneta, mas a porta não abriu. Será que a porta estava emperrada? Era só o que me faltava! - , abre essa porta! – Mandei.
- Não fui eu quem a fechou! Deve ter emperrado – Disse ele, tentando abrir a porta, puxando-a com força.
Comecei a entrar em desespero. Ficar trancada num quarto sozinha não era legal, e com junto era menos ainda.
- Socorrooooooo! – Gritei, batendo na porta. Se alguém estivesse em casa, poderia me ajudar.
- Não adianta gritar, não tem ninguém em casa além de mim! Os outros sairam e só chegam à noite! – Explicou , sentando-se na cadeira próxima à escrivaninha.
- O que eu vou fazer? Ficar trancada aqui com você? Esse é meu pior pesadelo! – Disse, colocando as mãos na cabeça, e olhando ao redor, procurando por uma rota de fuga. Não encontrei nenhuma, já que estávamos no segundo andar e seria suicídio tentar sair pela janela.
- Calma aí, não vai achando que pra mim está mil maravilhas também! – Disse , a contragosto.
Certo, respira , respira... Mentaliza... NÃO! ISSO NÃO TÁ ACONTECENDO! VOU ENLOUQUECER!
Meia hora havia se passado e eu e não trocamos mais meias palavras. Foi então que ele se pronunciou.
- Já que estamos aqui sem fazer nada, o jogo está aí, vamos jogar? Vou adorar vencer você! – Pronunciou-se ele, com aquele arzinho de superioridade que eu odeio tanto.
- Melhor jogar do que ficar entediada olhando pra sua cara o dia todo...
- Você não sabe conversar comigo sem dar uma patada, né? – Reclamou ele, olhando torto pra mim.
- E você não consegue dizer nada sem se achar! – Retruquei.
- Enfim, vamos jogar! – Bufou ele - O que é esse jogo?
- Já te disse que não sei como joga! – Revirei os olhos, pegando a caixa amassada, tentando ver se tinha alguma coisa escrita.
- Me dá aqui! - tomou a caixa de minhas mãos, abriu e começou a montar. Embora a caixa estivesse um pouco estragada, por dentro as peças, as cartas, o tabuleiro e os dados estavam intactos.
- Aqui está o manual. – Disse ele, levantando como se fosse um troféu.
- Lê em voz alta, né?
- Espera apressadinha! – Riu, enquanto abria o manual - “O jogo que aproxima as pessoas!” Ui! – Brincou.
- O vendedor da loja me disse isso. – Comentei – Prossiga... – Abanei.
- As regras: “Deve-se jogar ambos os dados e andar o número de casas a qual será a soma dos números obtidos no dado. Cada vez que se parar na casa branca deve-se tirar uma carta do baralho”
- E o que mais? - Perguntei.
- Só tem isso – Disse ele, olhando novamente a folha em suas mãos e a parte de trás, checando se havia mesmo acabado.
- SÓ ISSO?
- Só... Bom, como todo jogo, o objetivo deve ser chegar ao fim do tabuleiro.
- Ele não parece ser tão emocionante assim! – Reclamei.
- Você nem jogou pra saber! Deve estar faltando algum pedaço da regras, mas enfim... Vamos jogar! – Disse ele posicionando dois peões, um com formato de coração e outro com formato de espada, na casa de ínicio.
- Quem começa? – Perguntei. Já segurando os dados.
- Primeiro as damas – Piscou ele, enquanto se sentava no chão, do outro lado do tabuleiro de frente para mim.
Lancei os dados de qualquer maneira, com um pouco de força talvez, pra tentar aliviar o stress. Os dados demoraram um pouco para parar de rolar, esperei paciente. Sorri.
- Uhn... Um quatro e um três... – Disse , analisando o resultado dos dados.
- Isso significa um 7! – Expliquei, pacientemente.
- Eu sei somar 4+3, obrigado. – Retrucou ele. – Anda, logo! Move sua peça pra eu jogar!
Olhei para o tabuleiro pronta para mover minha peça até a casa número 7, mas o engraçadinho já havia feito isso.
- Não fica mandando eu ir logo, se você já fez espertinho. – Reclamei, apontando para as peças.
- Mas eu não fiz nada! – Surpreendeu-se ele, olhando para o tabuleiro.
- Certo... certo... – Falei, não acreditando. Percebi que meu peão estava em uma casa branca, o que era mesmo? – O que significa a casa branca mesmo? – Perguntei, coçando a cabeça.
- Que você tem que pegar uma carta! – Explicou , apontando para o monte de cartas vermelhas, localizadas em um monte ao centro do tabuleiro. Sério, que jogo chato e sem emoção!
Puxei a carta vermelha que ficava no topo do baralho. Li cuidadosamente. Congelei. Li novamente, segurando o ar. Era aquilo mesmo, não tinha erro, mas... AQUELE JOGO NÃO PODIA ESTAR ‘FALANDO’ SÉRIO!
Ch. 2
- Anda , o que está escrito na carta? – Perguntou , me encarando impacientemente.
- Eu não quero mais jogar esse jogo! – Disse com a voz trêmula ignorando totalmente o que havia lido.
- Me dá a carta aqui! Eu quero ler!
aproximou-se de mim e esticou a mão tentando pegar a carta, me afastei dele, levantando e tentando proteger aquele pedaço de papelão estúpido do melhor jeito que eu podia. Ele levantou-se também e me encarou por alguns segundos enquanto eu me encolhia na parede do quarto segurando a carta com força. Certo, . Tudo vai dar certo. Ele não vai fazer nada! Mas por que ele tá me encarando assim? E por que eu estou sentindo minhas orelhas queimarem?! Olhei pro chão sem graça, tentando me acalmar, respirei forte e olhei na direção dele novamente, agora ele começara a caminhar lentamente em minha direção, mas decidido. Era agora, ele ia tirar a carta de mim e eu ia morrer de vergonha por ter um jogo desse tipo em minha posse. Ele vai pensar que eu sou uma tarada que compra jogos eróticos em sex shops! Apertei a carta mais forte em minhas mãos e fechei os olhos. Não tinha pra onde eu correr. Bom, sempre existe a possibilidade de assassinato. Não, eu precisava pensar em um plano. Tentei organizar meu pensamento rapidamente quando senti uma respiração em meu ouvido. Abri os olhos e me deparei sendo encarada de perto por aqueles olhos profundos. Que lindo. Eles sempre foram tão assim?! O que? Mas que desgraça eu to dizendo?! , se concentra! É o , você odeia o , lembra?!
- Você vai me deixar ver a carta ou eu vou ter que tirar de você a força? – Perguntou ele, sério, ainda me encarando.
Paralisei. A única coisa que eu conseguia fazer naquele momento era corar. Diga alguma coisa, sua estúpida! Céus, o que ta acontecendo comigo?!
- Uhn... Então é assim que vai ser, né?! – Disse ele, dando um sorriso malicioso.
- Assim que vai ser o que, ? – Respondi ríspida, olhando feio para ele em resposta ao seu sorriso irritante. Isso , finalmente conseguiu falar alguma coisa! Muito bem garota!
- Bom, você não me deixa outra opção. – Suspirou ele.
Antes que eu pudesse dizer outra coisa em resposta, senti meu corpo sendo prensado com força contra a parede. Minha própria respiração começou a ficar ofegante devido à força com que ele me empurrava contra o concreto frio. Tentei afastá-lo, mas isso só fazia com que ele me prensasse mais forte. Sua respiração quente batia em minha orelha enquanto suas mãos agarravam meus pulsos em protesto e os puxavam para cima, segurando-os acima da minha cabeça com apenas uma das mãos. Eu ainda segurava a carta com força, mas era inútil. Ele me olhou vitorioso, enquanto a única coisa que eu podia fazer no momento era encará-lo com raiva. Com a sua mão livre, ele pegou a carta de minhas mãos e lançou um sorriso sádico.
- Entenda uma coisa ... – sussurrou docemente em meu ouvido - Eu SEMPRE consigo o que eu quero – Disse se afastando em seguida e brincando com a carta entre os dedos.
- Você me paga ! – Disse, derrotada. Fazendo bico. É, eu sou má perdedora.
- Sem ressentimentos , foi uma vitória justa! Agora, vejamos o que tinha de tão horrível nessa carta pra você querer esconder tanto de mim. – Zombou ele, finalmente, lendo o conteúdo da mesma – Abraço! Uhn... Abraço? ABRAÇO? – Olhou-me incrédulo – Você está assim por causa de um A-B-R-A-Ç-O?
Eu simplesmente não respondi. Oras, eu simplesmente não abraçaria de livre e espontânea vontade e muito menos porque um jogo tonto estava mandando! Pelo menos isso era o que eu pensava...
- Anda , me dá logo um abraço pra eu poder continuar o jogo! – Disse , impaciente.
- Para a continuação desse jogo sem graça continuar porque vou ficar entediada só olhando pra sua cara até alguém chegar e nos tirar daqui eu vou te abraçar. Mas isso não significa que eu não estou brava, ou que eu goste de você, ou nada parecido! – Disse, chegando mais perto de . Porém logo hesitei. Eu já estava bastante corada e sabia que era hot, mas não era tão fácil assim abraçar alguém a quem você tem evitado a todo o momento! Não, eu não ia fazer aquilo, esquece. Eu ia dizer pra prosseguirmos com o jogo quando algo muito estranho aconteceu. Como se fossemos dois ímãs, meu corpo simplesmente apressou-se e involuntariamente grudou ao de , dando-lhe um abraço apertado. - ... eu... – Tentei explicar, olhando pro chão, extremamente sem graça.
- Vou jogar os dados... – Ele virou-se rapidamente pegando os dados antes que eu conseguisse ver sua expressão, a única coisa que eu consegui perceber quando levantei os olhos, foram as pontas de suas orelhas. Estavam vermelhas. , o galinha, pegador de mulheres, garanhão... havia corado só por causa de um A-B-R-A-Ç-O! Esbocei um sorriso.
Ele jogou os dados e fiquei esperando para ver o resultado. Mas logo me perdi em meus pensamentos. Por que estava pensando no que havia acabado de acontecer? Os segundos os quais ficamos juntos, foram bons. Estar nos braços de me fez sentir algo que não sentia há muito tempo. Eu realmente precisava sair mais.
- ! – Empurrei-o bruscamente para trás, quando olhei pro lado após perceber o silêncio e ver que o garoto estava muito, mas muito perto do meu rosto. Eu estava confusa, o que estava acontecendo? Olhei em para os dados. 4+6... 10... Isso o levaria a ficar na minha frente. Casa branca. Isso é sinal de carta.
Comecei a olhar em volta e vi uma carta virada em cima da minha. Forcei a minha vista para poder enxergar o que estava escrito nela.
- Hum... não consigo ver... O que estava escrit...
Antes que eu pudesse terminar, minha boca foi interrompida por um beijo inesperado de . Senti seus lábios quentes e macios, minhas pernas vacilaram um pouco e senti como se meu coração fosse explodir. Mas, por que isso? Tentei escapar daquela situação, empurrando-o. Com isso, consegui separar nossos lábios e me afastei. que se preparasse, eu ia gritar tanto com ele que ele ia querer ter nascido sem ouvidos! Quem ele pensa que é pra fazer esse tipo de coisa comigo? Olhei para ele que continuava parado na minha frente como se nada tivesse acontecido, quando percebi que tinha alguma coisa errada com seus olhos. Eles não brilhavam como antes, era como se eles tivessem sem foco.
- ?! – Chamei, incerta. Ele não me respondeu. - ?! O que aconteceu? Ta tudo bem?! – Perguntei, preocupada, chegando mais perto cautelosamente. Será que havia alguma coisa errada?
Erro meu. me segurou dessa vez e colou seus lábios nos meus com força. Tentei gritar, mas ele só aproveitou a chance e deu passagem para sua língua invadir minha boca. Comecei a sentir meu corpo ficar quente enquanto sentia sua língua explorando cada centímetro da minha boca. Seus lábios eram tão quentes e envolventes que sem perceber, já havia começado a responder aos movimentos dele. Quanto mais força ele colocava no beijo com mais força eu respondia. A intensidade já estava me deixando sem ar e meus lábios começavam a doer. Quando finalmente nos separamos, olhei-o e como eu, estava extremamente ofegante e tinha os lábios vermelhos. Encarei-o. Seus olhos pareciam ter voltado ao normal. Pensei no que havia acontecido. Que merda que eu estava fazendo?! O que estava acontecendo comigo?! Será que eu estava me sentindo tão sozinha para ficar assim ao ser beijada por um cara que eu odeio?! Involuntariamente, meus olhos se encheram de lágrimas, fazendo com que ele me olhasse assustado.
- A carta... ela dizia... Beijo... ... Eu... Eu não queria, mas eu não sei! Foi um impulso e ... – tentava me explicar o que havia acontecido, extremamente chocado e confuso. Eu estava mais ainda.
- Acho melhor pararmos esse jogo! – Funguei, secando as lágrimas que ainda não haviam caído.
- Concordo com você, vou guardar o tabuleiro! – levantou-se, ainda abalado e foi tirar o tabuleiro do chão.
- Não quer sair! , NÃO QUER SAIR! – começou a gritar assustado, enquanto tentava tirar o tabuleiro do chão.
- Como assim não quer sair? – Perguntei, me recompondo. Levantei-me e fui até o tabuleiro ajudar a guardá-lo. Puxamos, e puxamos novamente, tudo em vão, o tabuleiro não se moveu.
- Tudo bem, deixe aí no chão mesmo! É só a gente não jogar mais os dados que o jogo não continua! – Conclui depois de inúmeras tentativas fracassadas de tirar o tabuleiro do chão.
sentou-se na cama em silêncio, ele ainda parecia bem abalado, e eu sentei no chão e encostei a minha cabeça na cama não muito diferente dele. Os fatos que acabaram de acontecer não saíam da minha cabeça. Estava perdida em meus pensamentos quando ouvi um barulho e minha atenção voltou a algo realmente inesperado por nós.
- ISSO É IMPOSSIVEL! – Gritamos juntos. Os dados estavam girando sozinhos! Eu estava com medo e estava pálido. Mas que desgraça era aquela?! Eu mato aquele velhinho! Ele deve ter tacado algum tipo de vudu ou macumba pra cima de mim!
- 5+1... 6... Isso leva a OUTRA CASA BRANCA! – Meu coração disparou. E se fosse outro beijo ou algo parecido? Eu não queria mais jogar! Eu não queria! O que estava acontecendo? – ! Tire as peças do tabuleiro! Rápido! – Gritei.
não teve nem tempo de se levantar da cama. A minha peça começou a mover-se sozinha, encaminhando-se para outra casa branca. O medo começou a tomar conta de mim. Eu realmente não queria ver o que estava nessa carta.
- ... – Choraminguei, olhando para o garoto, que ainda encarava fixamente os dados que haviam acabado de se mexer sozinhos. Ele suspirou pesadamente, e esticou as mãos para pegar a carta. – Toma! – Disse ele, me entregando a carta. – Acho que tudo isso não vai parar se a gente não chegar ao fim. – Explicou ele, tentando pensar racionalmente, naquela situação absurda. - Vamos tentar terminar esse jogo estranho logo. É só a gente torcer para não cair em mais nenhuma casa branca, não é? Mesmo que a gente não queira, parece que a gente não tem escolha!– Terminou ele, me dando um tipo de sorriso que eu nunca havia visto, um misto de preocupação, medo, encorajamento e... felicidade? Tentei juntar forças para pegar a carta dele, mas minhas mãos tremiam. Respirei fundo. Se o pode encarar a situação, eu também posso. Parei de tremer e peguei a carta, lendo o conteúdo em voz alta:
Carta da sorte: Você tem uma opção, um dos jogadores, você ou não, de roupas íntimas deve ficar, até que mude a situação
Meus olhos fixavam a carta ainda extremamente surpresos. Olhei para , que olhava de volta para mim. Estávamos apreensivos. O que faríamos agora?
Ch. 3
- E agora? O que a gente faz? – Perguntei, segurando a carta e olhando desesperada para , que parecia pensativo.
- E agora? Bom, não fica olhando pra mim, quem tirou a carta foi você! – Respondeu ele, arqueando a sobrancelha e olhando na minha direção, tentando reprimir um sorriso que teimava se formar em seus lábios.
- Mas eu sou uma garota, você não espera que eu tire minhas roupas, sozinha com você no seu quarto, não é mesmo? – Disse, nervosa, enquanto me segurava para não voar no pescoço de um ser que se chamava e estrangulá-lo até a morte enquanto ele abria um enorme sorriso após ter ouvido minha última frase.
- Posso te garantir que eu não vou te atacar, – Sorriu ele, me medindo dos pés a cabeça. – Não se eu tiver escolha.
- Nem se você quisesse – Respondi, com um tom de superioridade.
- É aí que você se engana queridinha. – Disse, ele sério, olhando diretamente para os meus olhos e chegando perto, quase selando nossos lábios. Eu podia sentir nossa respiração quente se misturando. Vacilei. – Se eu quisesse, você seria minha em menos de uma semana.
- Até parece! – Respondi, dando uma joelhada de leve nas suas partes baixas, fazendo com que mostrasse uma expressão de dor. – E não chega perto de mim de novo! Idiota. – Sussurrei me afastando.
- Por isso que você ta solteira até agora! Sua destruidora de futuros filhos! – Reclamou sentando na cama, ainda parecendo dolorido.
- Como você sabe se eu estou solteira ou não? Eu posso muito bem ter um namorado sem divulgar isso pra meio mundo, – Reclamei, me sentando no chão, tentando tirar os peões do tabuleiro novamente sem sucesso.
- , isso ta na cara. Veja bem, você trabalha pro Fletch. Tempo é uma coisa que você não deve ter de sobra. – Disse distraído, enquanto eu o encarava. tinha alguma noção de que eu trabalho demais por eles. Quem diria. Não é só um playboyzinho que só olha pro próprio umbigo! – E você é meio amarga, então, isso é falta de sexo. Consequentemente... Você não tem namorado. – Concluiu, sorrindo por parecer tão esperto.
- Eu não sou amarga. E pra sua informação, eu tenho um namorado! – Respondi, sendo teimosa. É, às vezes eu sou infantil! Mas não gosto que me chamem de amarga!
- É mesmo?! – Perguntou , dessa vez me encarando de volta, desconfiado. – E como esse seu namorado chama? – Perguntou ele, sorrindo. Como se soubesse que eu estava mentindo.
- Como ele chama? – Ri nervosa. – Chama... Ele chama... Neil! Ele chama Neil! É isso! Meu namorado chama Neil! – Mesmo você não sabendo, te devo uma gatão!
- E nós vamos conhecer esse Neil algum dia? – Perguntou , sério.
- Pra que? – Questionei.
- Pra sabermos se ele tem olhos, nariz, boca... Você sabe né?
- Eu não inventei ele ! Se é isso que você está insinuando. – Resmunguei. Não inventei ele, só que ele é meu namorado também. Mas isso não importa, não é?
- Sei, sei... – me olhava cada vez mais desconfiado, e a minha irritação ia aumentando cada vez mais. Estava preste a responder quando um barulho conhecido me fez fugir totalmente dos meus pensamentos.
- Eu conheço esse som! – fechei os olhos focalizando para ouvir melhor. Então ficou mais claro ainda, eu estava ouvindo All about you tocando! – É O MEU CELULAR! – gritei começando a procurá-lo em tudo quanto é canto do quarto. encontrava-se perdido em seus pensamentos. Eu o encarei, sem nem me dar conta da música que estava tocando em meu celular.
-... ... !
- O que foi ?! – gritou saindo de seu transe
- Dá pra me ajudar a procurar a porcaria do meu celular que eu não sei como, esqueci que estava com ele aqui no quarto? – falei desesperada. levantou-se da cama e começou a olhar pelo quarto também.
- ACHEI! – gritou debaixo da cama. Mas por que causa meu celular estava debaixo da cama?
- Me dá!!! – fui em direção a , mas ele desviou-se e então, com um sorriso maroto nos lábios, levou o celular até a sua orelha.
- Alô? – nesse momento eu estava vermelha de raiva, primeiro, porque eu havia esquecido completamente que sempre carrego comigo meu celular, segundo, atendeu meu celular, ninguém atende meu celular a não ser eu mesma! Já estava preste a voar no pescoço de pela segunda vez, quando meus pensamentos foram cortados.
- Toma, é o Neil, pelo visto ele realmente existe – disse me entregando o celular com desprezo.
- Neil? – atendi indo para perto da janela do quarto, vendo jogar-se na cama.
"- Tampinha! Onde você está? Cheguei em casa e você não estava! Onde você está? Fiquei preocupado, você não deixou nenhum recado, e já está anoitecendo, hoje você não trabalha, não é?"
- Eu estou na casa dos mcguys – olhei para trás e vi me observando como se a conversa o interessasse – À noite te conto tudo, Neil, tenho que resolver um problema aqui, até mais tarde!
– Huuum... Na casa dos guys??? Quero saber MESMO! Até mais tarde Tampinha!
Desliguei o celular, e então caminhei até a cama de .
- Vou ligar pro e pedir para vir me tirar daqui do seu quarto!
- Me passa o celular que eu ligo – disse ríspido. Fala sério, eu realmente quero entender esse ser!
Quando estava discando os números...
*Toc! Click!*
Nós dois olhamos rapidamente para a porta.
- , estou precisando daquele seu creme para barbear, eu tenho um encontro hoje e... ?! – Surpreendeu-se entrando no quarto só de toalhas.
- ! Graças a Deus! – Disse, já correndo para dar um abraço forte no garoto nem ligando para o fato de ele estar só de toalhas. – To indo embora! Beijos! Obrigadaaa! – Gritei, já no meio do corredor da casa. Quanto antes saísse melhor ia ser.
- Disponha... – respondeu mais para si mesmo, ainda parecendo meio perdido, mas logo voltando sua atenção para o amigo – , você vai me explicar o que aconteceu aqui? Você fi...
- NÃO ACONTECEU NADA, TÁ LEGAL? – Disse um alterado, fechando a porta na cara de .
- Grosso! – Gritou do lado de fora do quarto.
Caminhei o mais rápido possível, que loucura foi aquela naquele quarto? Por que subitamente eu pensava nos segundos que passei com meus lábios juntos aos de ? Cheguei em casa ofegante e me joguei no sofá.
- Tampinha! Finalmente você chegou! Agora vai, me conta, por que você estava lá? – Neil me bombardeou de perguntas, não me dando tempo nem mesmo de respirar.
- É uma looooonga historia Neil, te conto enquanto VOCÊ faz o jantar! – disse caminhando para a cozinha, sem olhar para trás, mas tenho certeza de que Neil estava com uma cara de poucos amigos. Não que eu seja preguiçosa, mas a comida do Neil é boa demais e eu estava com fome depois de tanta agitação.
's POV
- NÃO ACONTECEU NADA!
- Grosso! – Ouvi gritando do lado de fora do quarto, parecendo uma velha.
Vou te mostrar quem é o grosso daqui a pouco, , espera pra ver! Mas que loucura é essa que eu passei essa tarde? O que aquela garota tem? Na verdade o que VOCÊ, , tem? E por que ela tem uma musica da MINHA banda como toque de celular? Focaliza, focaliza ! Da onde veio esse jogo do além? Aaaaaah... O jogo!
Voltei a minha atenção para o chão onde aquele tabuleiro estava lá caído com cara de inocente. Cara de inocente, ? Se liga!
- O QUE? – Gritei incrédulo quando percebi! Não era possível! As peças, as cartas, o tabuleiro... Estava tudo guardado novamente na caixa! Como se esse jogo tivesse vida própria! Eu é quem não vou deixá-lo aqui no meu quarto!
Coloquei a tampa na caixa e desci as escadas, segurando aquela coisa da mesma maneira que você seguraria uma fralda suja.
- O que é isso aí? – Perguntou , chegando de sua caminhada.
- É um jogo, mas aconselho a não mexer, ok? – disse colocando-o em cima do armário da sala.
- Por quê? - , o enxerido, perguntou mais interessado no vídeo game, do que na própria pergunta.
- Nem queira saber! – Respondi ríspido! Não vou explicar para eles o porquê, pois vão achar que eu enlouqueci ou virei viado!
- Você comeu bife de cavalo hoje no almoço, é? Só ta dando patada! Achei que ficar com a no quarto ia servir pra te amaciar um pouquinho. O famoso pisa que amacia conhece? – Debochou , descendo as escadas com aquela cara de sou fodão comedor de mulher.
- Não enche! – Reclamei, já tentando subir para o meu quarto, para evitar mais perguntas do tipo. Esses caras cismam comigo e com a .
- O que ele tem? – perguntou.
- esteve aqui hoje – explicou.
- Ah sim, encontrei com ela hoje, ela veio entregar a camiseta do ! - Quando eu fui no quarto dele, estavam os dois sozinhos e ela saiu correndo de lá!
- Hum... – Assentiu , dando um sorrisinho de canto, olhando pro alto da escada por onde o amigo havia acabado de passar.
Desde que horas esses merdas estavam em casa? Por que não vieram me procurar? Sim, estou irritado, ok? Olhei para a minha cama e vi algo que não era meu, um sobretudo preto. Isso deve ser da . Além de lunática tem amnésia.
- ? – abriu a porta receoso, mas parecia estar se divertindo com tudo.
- Entra.
- O que você tem, cara? – perguntou chegando perto da cama onde eu me encontrava com o sobretudo de no meu colo.
- Nada, não tenho nada. Toma, isso é da , ela esqueceu aqui hoje. – disse entregando em suas mãos o sobretudo.
- Por que eu quem tenho que ficar com ele? – perguntou me devolvendo-o
- Porque EU não vou devolver! – Respondi com cara de que isso fosse óbvio!
Nossa pequena discussão sobre o sobretudo teve que ser adiada quando o celular de tocou. É serio, esses celulares hoje estão me tirando do sério!
- Alô? ! Sim, sim, seu sobretudo ficou aqui em casa! Não, que isso, imagina, amanhã é o nosso dia de folga, o leva ele pra você! Não precisa se preocupar! Não! Sem nenhum MAS! Não mesmo! Até mais !
- , VOCÊ ESTÁ MALUCO? – perguntei incrédulo me segurando para não voar em seu pescoço!
- Calma ! Eu sei que você vai me agradecer! – disse saindo correndo do quarto rindo um pouco mais do que eu gostaria – O endereço dela você já sabe! – Gritou do lado de fora.
Não é possível! Parece que o mundo conspira contra mim! Ok, ok, é só ir amanhã rapidinho, entrego o sobretudo, e vou embora! Ah e devolvo também aquele jogo esquisito, vai que aquilo é amaldiçoado!
Mas esse me paga. Ah, se me paga...
's POV off
- Alô? !!! Meu sobretudo ficou aí na sua casa? Ah, então amanhã posso ir aí buscar rapidinho? O QUE? , não precisa! Eu busco! É sério! Eu busco, não precisa fazer ninguém trazer aqui pra mim! Mas ... Aff, já vi que não adianta discutir com você, não é? Até mais!
Como assim o vem aqui amanhã? Isso não vai dar certo, estou pressentindo. Mas amanhã é domingo, e o Neil nunca sai de casa, então não tem problema algum! É melhor eu dormir logo, porque amanhã o dia vai ser longo!
Fui até meu quarto e enfiei meu rosto em minhas almofadas, pensativa. Bom, o jeito é eu pedir pro Neil atender a porta quando chegar e falar que eu não estou. É, até que é uma boa idéia, eu poderia trabalhar melhor nisso amanhã, o sono falava mais alto que a vontade de não encontrar o depois desse dia estranho.
Parecia que eu tinha apenas piscado quando senti o sol invadir meu quarto por uma fresta pequena na janela e atingir meu rosto. Xinguei o sol mentalmente e me levantei, um pouco de mal humor indo em direção à cozinha ainda de pijama tomar meu café da manhã. Abri a geladeira distraída e olhei para o relógio de vaquinha que ficava acima da porta da cozinha, me surpreendi ao ver que já eram mais de 10 horas, eu deveria estar bastante cansada esse final de semana, geralmente eu acordo antes do despertador tocar às 6 da manhã com medo de me atrasar para o trabalho. Dei de ombros, pegando a caixa de suco de laranja e fechando a geladeira. Me deparei com um post-it grudado na geladeira que não havia percebido antes. Era de Neil. Que ótimo! Ele havia saído DE NOVO e bem no dia que eu mais precisava dele! Aliás, esse Neil anda bem saidinho ultimamente, o que será que ele anda aprontando por aí? Fui interrompida dos meus pensamentos sobre onde Neil andava se enfiando pela campainha que tocava incessantemente. Bufei, indo em direção à porta, eu estava com fome e de mal humor. Bom, essa hora, não deveria ser o , esse aí não deve ser do tipo que acorda antes da uma da tarde num domingo, no mínimo era o zelador do prédio reclamando de alguma coisa que a gente não fez, como sempre, esse aí não gosta da gente por algum motivo que só Deus sabe. Passei pelo espelho que ficava próximo a porta, mas nem me importei em arrumar o cabelo, apenas abri a porta com cara de fala-o-que-você-quer-logo-e-vai-embora.
- Que é? – Perguntei, no mesmo instante em que girei a maçaneta e abri uma fresta da porta.
- Isso são modos de tratar as visitas ? – Perguntou , apoiado no batente da porta, segurando meu sobretudo e uma sacola, com um sorriso curioso.
- Ah, é você . – Disse, parecendo desinteressada, abrindo a porta por inteiro. Merda, ele estava gostoso. Calça jeans escura e camiseta branca com um blazer preto por cima. Enquanto eu estava com um conjunto velho de moletom cinza que eu costumava usar para dormir e o cabelo todo desgrenhado. Não que eu me importe com isso. Afinal, é só o . – Obrigada por trazer meu casaco. – Agradeci a contra gosto esticando o braço para pegar a blusa que estava pendurada nos braços dele, mas ele foi mais rápido, tirando-a do meu alcance.
- Poxa , eu vim lá da minha casa só pra te trazer o seu casaco e você nem me convida pra entrar? – Zombou ele, enquanto eu apenas o encarava sem paciência.
- Exato, você deve ter coisas melhores pra fazer num domingo do que ficar aqui na minha casa. – Expliquei, com um sorriso extremamente falso, que ele, claro, percebeu.
- Não, não tenho. – Sorriu ele, passando por mim, sem ser convidado e entrando na minha casa, sentando-se no sofá, parecendo o dono da sala. Garoto folgado.
- Pois bem , faça o que quiser. – Desisti, fechando a porta e voltando pra cozinha, ignorando o ser que estava sentado no meu sofá, olhando ao redor com curiosidade.
- Esse apartamento é bem grande até, acho que você deve estar ganhando bem. – Comentou ele da sala, enquanto eu servia suco de laranja em dois copos na cozinha e ia em direção a sala logo depois, me sentando na poltrona à direita do sofá. Porque eu tinha pego suco para o também? Ah, deve ser costume de trazer as coisas pro Neil, aquele outro folgado.
- Não tão bem quanto você, pode apostar. – Retruquei, estendendo o copo na direção dele, que o olhou assustado. – Eu não coloquei veneno aí, para a sua informação. – Expliquei, arqueando a sobrancelha. Embora a idéia me pareça bastante interessante.
- Ah... – Disse ele, como se despertasse de um transe, pegando o copo em minhas mãos. – Obrigado. Foi só a falta de costume com a boa cortesia.
- Eu tenho boa educação, . Diferente de outros que gostam de invadir casas alheias. – Reclamei, tomando um gole do meu suco, vendo sorrir de canto pelo meu comentário.
- Você não deixa passar uma oportunidade, não é? – Perguntou ele, me encarando.
- , olha, eu acabei de acordar, quero tomar meu café da manhã com calma, um banho e sei lá, aproveitar o resto do meu final de semana... Será que dá pra você falar logo o que você quer e ir embora? – Pedi, paciente. Para o garoto que apenas revirou os olhos.
- Sério, eu te incomodo tanto assim? – Perguntou o garoto, bufando e apoiando a cabeça no encosto do sofá.
- Bom... Se eu tivesse que decidir agora... – Parei, pensativa. – É... Acho que sim. – Respondi sincera, vendo ele dar risada sozinho após minha resposta. Sério, dessa vez o pirou.
- Fazia tempo que não me diziam isso assim, tão diretamente. – Explicou ele, respirando com um pouco de dificuldade por ter rido com tanta vontade. – Mas, outch, isso foi maldade. Ainda mais depois de ontem.
Parei por alguns instantes. Ontem. Aquele jogo estranho havia me feito beijar o . Sério, eu sou mais tapada do que eu pensava. Psicologicamente acho que eu explicaria que devido ao trauma meu cérebro tinha bloqueado a experiência do dia anterior. Oh my god, eu estava TÃO sem graça. Estranho, lembrando do dia anterior eu acabei sentindo uma sensação diferente, como eu poderia explicar? Era uma sensação tão... Tão... Molhada? E gelada! Espera... MOLHADA? O choque havia me despertado dos meus pensamentos e pelo que pude perceber, me olhava estranho e o suco de laranja que estava em um copo na minha mão, agora escorria pela minha perna.
- Merda! – Exclamei, enquanto levantava em um movimento rápido, mais embaraçada do que nunca. – Me distraí.
- Percebi. – Disse ele rindo olhando para minha calça, me fazendo fechar a cara na direção dele.
- Espera um pouco que eu vou tomar um banho e trocar de roupa.
- Quer ajuda? – Perguntou , sorrindo malicioso. Sério, se eu não trabalhasse com ele, já tinha mandado praquele lugar, mas ao invés disso, apenas lancei-lhe um olhar de censura.
- Não se mexa e nem toque em nada! - Mandei, indo em direção ao meu quarto.
- Quer que eu não respire também? – Perguntou irônico.
- Se for possível. – Respondi com o mesmo tom, já saindo da vista dele, ouvindo um "Francamente" abafado vindo da sala.
's POV on:
Eu realmente não entendo essa garota. , vocalista do McFly na sala da casa dela e ela querendo ficar sozinha. Aliás, ela parece ter um problema comigo em especial. O e o acham ela gente boa e o só falta anunciar que está completamente apaixonado! E ela nem tem nada demais... Okay, ela é gostosa, mas é desequilibrada. Mulheres já são seres que são difíceis de lidar, e eu digo, é o problema em pessoa. Ela é mal humorada, distraída, desleixada e grossa! Confesso em que há momentos em que eu provoco, mas pelo amor de Deus, essa garota parece estar de TPM 365 dias por ano, sem contar o dia a mais no ano bissexto! Trabalhar com a gente não deve ser tão estressante assim... Aposto que ela não é assim com o tal namorado dela, fico imaginando que tipo de cara ele deve ser... Eu tenho duas opções em mente: ou o cara é feio e gordo e não se importa em ter uma namorada bonita e lunática ou o cara é bonito, mas é extremamente maluco igual a ela, não que isso seja problema meu na verdade e não que eu me importe também. E isso não tem futuro também, não é? Ela trabalha pra nós agora, isso exige muito tempo dela, o cara logo vai cansar de ter que cancelar encontros por ela ter que trabalhar aos sábados com quatro caras altamente cobiçados e logo vai acabar. Mas espera, ontem, quando ela estava no telefone, parecia que o cara estava aqui e já era tarde, o que significa que... Que... Eles estão morando JUNTOS? Hahaha, não é possível. Imagina um cara morando com a doida da , essa eu queria ver, o cara já ia ter saído correndo assustado há muito tempo. Uhn... Isso não me incomoda, mas eu estou na casa deles! Posso dar uma olhada, descobrir tudo e voltar aqui antes de ela voltar. E se eu descobrir que o cara é mais feio que o Batoré ainda tenho mais um motivo pra pegar no pé dela e deixar ela toda irritadinha. Agora vejamos? Eu poderia começar pelo quarto. Onde é o quarto dessa garota?
Caminhei pelo corredor o mais silenciosamente que consegui, a ordem para eu não sair do lugar havia sido clara, eu estava em território inimigo e ela tinha certas vantagens sobre mim aqui. Se pegasse uma faca na cozinha pra acabar comigo, eu não ia saber pra onde correr e aí adeus . Havia poucas portas distribuídas no corredor, mas eu sorri a encarar a última delas. Aquela só podia ser a porta dela. Cheia de adesivos, maluca igual a dona. Coloquei a mão na maçaneta e percebi que estava tremendo um pouco e me sentia nervoso. Qual é ? É só o quarto da . Nada demais. Girei a maçaneta e entrei, fechando a porta atrás de mim. Era aqui. Eu estava certo.
- Uhn... - Suspirei olhando ao redor. – Esperava alguma coisa mais inacreditável, esse quarto é até que bastante comum.
Olhei para o armário um tanto mais curioso do que eu gostaria, podia ouvir o barulho do chuveiro, vindo do banheiro dela, mas isso não me impediria, afinal, uma olhadinha rápida não ia fazer mal, ia? Abri o armário o mais silenciosamente o possível e me deparei com alguns poucos pares de roupas, roupas bonitas, mas poucas... Ela não estava ganhando mal, não me diga que não conseguia tempo para fazer compras para si mesma? É, acho que ela precisa de umas férias mesmo, quem sabe ela não fica menos chata depois disso... Que mais temos aqui? Alguns perfumes... Uhn... Cheirosos! É, a é cheirosa... Espera , desde quando você diz coisas como a é cheirosa? Bom... Por pior que seja, ela é mesmo, é um fato, não dá pra negar... Okay, que mais? Um álbum de fotos! Vou ver, espero que tenham coisas bem intimidantes aqui dentro pra eu poder usar contra ela depois, pensei, pegando o álbum de fotos preto e pesado de dentro do armário e indo me sentar na beirada da cama.
"Meu primeiro ano em Londres." Era o título do álbum. Abri-o com cuidado, e comecei a ver fotos de uma garota sorridente no aeroporto abraçando um café da Starbucks como se fosse a coisa mais importante da vida dela. Então não foi o stress que deixou ela doida, ela sempre foi assim. Dei uma risadinha silenciosa, ao ver a próxima foto, onde fazia uma pose engraçada ao lado de um dos soldados do palácio de Buckingham. Virei a página ansioso por mais, quando meu estômago deu uma contraída estranha ao ver as fotos que se seguiam de um marcador de páginas com a seguinte legenda: "Eu e meu gatão: Neil" O cara devia ter a nossa idade e apesar de não aparentar ser famoso, conseguiria fácil uma carreira como modelo. Ele estava em todas aquelas fotos ao lado de uma sorridente, mas não era qualquer tipo de sorriso, já tinha sorrido muito para mim, mas era sempre aquele educado, aquele de deboche ou aquele pra evitar me dar um tiro, esse era um sorriso eu nunca havia visto e isso me incomodava profundamente. Eu era , do McFly! Todas as garotas deviam sorrir para mim daquele jeito! Por que ela nunca sorria assim para mim e por que isso estava me fazendo sentir tão incomodado e patético? Tirei uma daquelas fotos sorridentes do álbum e coloquei no bolso do casaco me sentindo o maior perdedor do mundo por estar roubando fotos do quarto da assistente do meu produtor, mas eu já não sabia o que fazer e aquilo pareceu aliviar um pouco a sensação de soco no estômago que parecia estar tomando conta de mim. Coloquei o álbum de lado e me larguei na cama, tinha acordado cedo para vir pra cá e estava cansado, senti meus olhos ficando pesados, uns 5 minutos de sono não faria mal a ninguém agora, se não fosse pelo grito agudo que me despertou do meu estado de sonolência.
- document.write((Jones).toUpperCase())! O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO NO MEU QUARTO?! – Gritou , com aquela voz forte e aguda, ainda enrolada em uma toalha, com os cabelos escorrendo, molhados, me lançando um olhar de fúria , pior do que os que eu já estava acostumado.
CONTINUA
N/A (Ana): Olá lindocas, voltemos! Na verdade esse cap. estava pronto há algum tempo, mas eu estava com preguiça de scriptar, prontofalei. Sorry por demorar tanto tempo pra att. O que na verdade, só fizemos graças aos comentários fofos que vocês tem deixado, obrigadaaaa! Não abandonaremos a fic, mas somos lentas, é normal... haha Caso vocês queiram att mais rápidas, estamos aceitando idéias, só colocar nos comentários. =] Obrigada de novo por lerem. Beijos. o/
N/A (Dani): Oii Meninas!!! Peço desculpas por demorar tanto a ter att da fic! Mas aí está uma att até que grandinha!!! Agradeço a todas que leram e espero que continuem lendo! Eu e a Ana vamos tentar escrever com mais frequência! Aguardem as novas cartas!!! O que será que esse jogo nos revelará? HAUHAUHAUAHAUA

