She's Lost Inside
Autora: Gabriela Patrício, (Gabs)
Status: Em Andamento
Revisada por: Juh
Categoria: McFLY Fics
Sub-Categoria: Romace/ Drama - LongFic
Comentários:
01
30 SEGUNDOS PARA ACABAR, VAMOS! DÁ UM GANCHO, ANDA! ELA ESTÁ COM A GUARDA BAIXA! ACABA LOGO COM ELA , FOI PRA ISSO QUE EU TE TREINEI? SUA DESGRAÇADA!
Era só isso que eu ouvia. Só isso que eu conseguia ouvir. E a cada palavra que ele dizia ia me dando mais raiva e eu socava com mais força.
VAI, VOCÊ JÁ DERRUBOU. NOKOUT, NOKOUT! SE VOCÊ PERDER ESSA MERDA DE LUTA EU PARO DE TE TREINAR! – Cris berrava comigo
“Finalmente. Acabou a luta, eu venci, fiz um nokout”. Pensei aliviada, feliz por conseguir cumprir o meu dever. Ouvi o barulho dos pratos tinindo e sorri comigo mesma, chorando de alegria. A vitória mais importante da minha vida. O campeonato mundial de boxe. O público saldava, gritava, aplaudia de pé e eu os olhava com os olhos marejados, sorrindo, até o juiz vir e colocar o cinturão em volta de minha cintura, segurar meu braço e estendê-lo.
- é a vencedora do World Boxe Player – o juiz dizia sorrindo. Eu estendi os braços e dei um berro. Olhei para a multidão ao meu redor sorrindo e me deparei com um par de olhos penetrante e forte sobre mim, um belo sorriso vinha em minha direção. Sorri de volta retribuindo, mas não era um sorriso qualquer, era um sorriso sincero e verdadeiro. Toda a balbúrdia e algazarra se foram, eu não ouvia nem via nada, apenas contemplava aquele sorriso e aquele olhar misterioso. De repente eu sinto Cristopher me abraçar pelas costas, me tirando do transe, seus braços fortes e firmes são inconfundíveis.
- Eu não disse que você ia ganhar, meu amor? – ele me deu um beijinho no pescoço. Urgh, não via a hora de esse inferno acabar. Como ele podia ser tão cínico?
Flashback: 3 semanas atrás
Avril Lavigne – Nobody’s home
- Pára com isso, Cris – eu gritava desesperadamente, me debatendo inutilmente. A cada tapa que levava eu gritava mais ainda. Cristopher era forte e eu não conseguia me desprender dele. Ele me prendeu entre suas pernas me colocando deitada, imóvel no sofá da sala. Eu gritava mentalmente por ajuda, querendo que alguém entrasse pela porta, me arrancasse de lá e me levasse embora para sempre, mas isso não aconteceu. A gente namorava há uma ano e meio e depois de seis meses de namoro ele começou a me agredir e me humilhar.
I couldn't tell you
Why she felt that way
She felt it everyday
I couldn't help her
I just watched her make
The same mistakes again
- É pra você aprender amorzinho. Você só aprende assim. – ele sorria cínico – Me dá um beijo? – eu tinha repulsa, nojo, ódio daquele infeliz, mas fiz o que ele pediu. O beijei e enquanto o beijo fluía, ele ia me desprendendo. Era a minha deixa. Mordi seu lábio inferior com toda a minha força. Senti o gosto do seu sangue. Empurrei-o, enquanto ele se contorcia de dor, saí correndo do apartamento, sem saber pra onde iria.
What's wrong, what's wrong now
Too many, too many problems
Don't know where she belongs
Where she belongs
- Sua vadia! – desci as escadas correndo e ouvi seu grito já distante. Ele viria atrás de mim, mais cedo ou mais tarde. Saí pelas ruas frias e escuras de Londres, não fazia noção do tempo, não sabia que horas eram. Estava descalça, vestindo uma camisola rasgada, pois Cris me dera uma surra e fora estuprada. Meu corpo inteiro doía. Meu rosto, minhas pernas e minha barriga tinham cortes que sangravam e marcas de diversas cores. As pequenas gotas de chuva se transformaram em gotas espessas, limpando o sangue de meus ferimentos expostos. Procurei em vão um lugar para passar a noite, rodei por toda a redondeza. Minha família não iria me abrigar e se abrigasse com certeza me levaria de volta pras mãos de Cris. Eles não acreditavam que eu apanhava dele. Sempre que eu aparecia com algum machucado, Cristopher dizia que era culpa dos treinos de boxe. Meus amigos eram os amigos de Cristopher, que, por sua vez, achavam que ele era um ótimo namorado, ou seja, eu estava sozinha. Totalmente sozinha. Já estava me acostumando com a solidão.
She wants to go home, but nobody's home
That's where she lies, broken inside
With no place to go, no place to go
To dry her eyes, broken inside
Olhei pra cima e vi que o Big Ben marcava 3:47 da manhã. O centro de Londres não é o melhor lugar para você andar sozinha de madrugada. As pessoas estão saindo dos pubs, totalmente bêbadas e muitas vezes acabam cometendo atos inconseqüentes por não estarem sóbrias. Enquanto eu perambulava sem rumo, um grupo de três garotos que gritava, ria e xingava uns aos outros vinha em minha direção. Assim que os vi fiquei atenta e tentei passar despercebida. Falhei. O desespero tomou conta de mim. O que eu iria fazer agora?
- Hei docinho, tá com pressa? – o mais alto falou rindo. Não respondi, continuei andando rápido.
Open your eyes
And look outside
Find the reason why
You've been rejected
And now you can't find
What you left behind
¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬
- Volta aqui amor, vamos conversar – não consegui ver quem tinha dito, mas quando fui correr um deles me segurou pelo braço, me puxando, fazendo-me ficar colada em seu corpo. Engoli seco e virei meu rosto quando senti seu hálito com cheiro de vodka.
- Peter, a garota também é nossa – o mais alto tornou a falar.
- A garota é minha – ouvi uma voz familiar. Como ele tinha me encontrado ali? Como ele conhecia aqueles homens? Ele veio andando até mim e me olhou de cima a baixo.
Be strong, be strong now
Too many too many problems
Don't know where she belongs
Where she belongs
O homem que me segurava me jogou no chão com força. Cris abaixou pra falar comigo.
- Eu tenho muitos amigos , amigos que você nem imagina - Ele se referia aos 3 homens - Você realmente achava que ia fugir de mim assim, ? – Fiquei calada. - Hein? – ele berrou – Eu estou falando com você, sua piranha!
Her feeling she hides
Her dream she can't find
She's losing her mind
She's falling behind
She can't find her place
She's losing her faith
She's falling from grace
She's all over the place
Eu queria ter a certeza que um dia isso ia acabar. Mas eu não tinha. Senti meu rosto esquentar. Meus olhos começaram a arder e eu senti minhas lágrimas descendo pelo meu rosto. Permaneci quieta. Não queria falar com ele. Cris segurou firme em meu rosto, me machucando. Eu estava com frio, ferida, e minha cabeça começava a doer. A chuva caía forte sobre nós, mas isso não importava mais. Há uma hora eu tinha fugido de Cristopher e agora eu estava em seus braços de novo.
She wants to go home, but nobody's home
That's where she lies, broken inside
With no place to go, no place to go
To dry her eyes broken inside
- Quem você pensa que é? – ele sussurrava em tom de deboche.
- Ah, cala essa porra de boca – Cris cuspiu em mim. Cuspiu em minha boca. A raiva que eu sentia por ele aumentou deliberadamente, meu ódio, rancor, desprezo... Ouvi os três rapazes rindo e cochichando algo que eu não conseguia entender.
- Eu te odeio, seu filho de uma puta! – gritei e levei um tapa na cara em resposta.
- Quem é que te sustenta? Quem é que te treina e te ajuda? QUEM? Sua ingrata! – Cris se levantou e pagou aos homens. Dessa vez resolvi não retrucar. - Vocês já podem ir, obrigado por tê-la encontrado – A voz de Cris era pesada e eu conseguia sentir sua raiva.
Um dos homens sorriu fraco e os três saíram andando na chuva pelas ruas escuras, vazias e frias da grande Londres.
She's lost inside, lost inside
She's lost inside, lost inside
Flashback off
- Já pode parar de fingir Cristopher – tirei suas mãos de minha cintura, me virando pra falar com ele.
- Eu não estou fingindo . Eu to muito feliz por você ter conseguido vencer o campeonato, meu amor – seu falar era calmo e pausado.
- Como quiser – dei os ombros. Desci do ringue e fui para os fundos do estádio, até o camarim. Cris ficou lá na arena falando com o juiz sobre a luta. Tudo o que eu precisava era um banho bem gelado e minha cama bem macia. Assim que eu cheguei à porta do camarim, o homem dos olhos e sorriso hipnotizantes estava lá. Levei um susto ao vê-lo e inconscientemente dei um pulo pra trás.
- Erm... Oi? – ele disse rindo por causa do meu susto. Sua voz era linda e suave.
- Oi – disse simpática com um sorriso estampado no rosto.
- Te assustei? – ele ainda ria. Seus olhos estavam me deixando fora de mim. Eu podia ficar olhando pra eles toda a vida, que não iria me cansar.
- N-não... eu – engoli seco – ta-tava distraída - ele sorriu.
- Me chamo e trabalho em uma revista de esportes. Na verdade, eu sou colunista e gostaria de saber se você poderia me dar uma entrevista – enquanto ele falava, eu me perdi em seus olhos novamente e agora eu atentava para o movimento que sua boca fazia a cada palavra que ele falava. O contorno de seus lábios era lindo e muito bem desenhado. Seus dentes eram branquinhos, parecia ator de comercial de creme dental. - Sra. ,? – ele me tirou do transe.
- Sim? – sorri sem graça.
- Está me ouvindo? – agora quem ria sem graça era ele.
- Estou, claro – Eu não fazia idéia do que ele havia dito.
- Você pode me encontrar na London Station, quarta-feira às 7 da noite – Daniel pegou seu Iphone.
- Posso – disse pensativa. Precisava arrumar uma desculpa para dar a Cristopher. Daniel anotou em sua agenda eletrônica o compromisso que havia marcado comigo.
Ele estendeu a mão para me cumprimentar. Eu hesitei devido ao meu suor.
- Não me importo com suor – ele riu simpático e eu apertei sua mão, rindo com ele – A propósito, ótimo luta.
- Obrigada – sorri agradecida.
– Até.
- Até – me despedi. Ele saiu andando e eu fiquei o observando, ansiosa para vê-lo novamente.
02
The Veronicas – Leave Me Alone
Já se passaram 2 dias desde a minha vitória no Word Boxe Player. Daqui a uma semana eu veria de novo e não parava de pensar nisso. Estava um dia de sol lindo e não havia nuvens no céu. Fazia calor e eu vestia apenas um micro short e um sutiã. Queria sair, queria passear, queria ver Londres em um dia tão raro como esse, mas Cris não me deixava sair. Acho que posso dizer que vivo em cativeiro.
- , onde está minha blusa azul listrada? – Cristopher estava no quarto, jogando todas as roupas em cima da cama procurando sua blusa preferida.
- Eu não sei Cris. Vê no cesto de roupas, no banheiro – estava parada na soleira da porta o observando. Sentei-me na ponta da cama, no espaço desocupado.
- Vá procurar agora! – Cris falou com arrogância - Eu quero sair com o Peter e não estou achando a merda da blusa - Cristopher ia sair com o amiguinho idiota dele. Sempre que os dois saem juntos eles vão pra um pub encher a cara e depois para um bordel, comer alguma prostituta. Não que eu me importasse com isso. Na verdade eu adorava quando ele saía e me deixava em paz por pelo menos uma noite.
- Por acaso você só tem aquela blusa? – disse paciente – olha essa cama, Cris. Você tem milhares de blusas.
- Você é surda, cacete? Eu quero a blusa azul listrada – ele disse entre os dentes em tom de ameaça – e você vai encontrá-la pra mim.
- Cristopher, eu to cansada. Arrumei o loft inteiro hoje. E eu não vi sinais de sua blusa. Você deve tê-la deixado na casa de alguém - Ele veio até mim e me segurou firme pelo braço e me levou para fora do quarto.
- Sai daqui, sua vadia inútil – sua voz tinha o tom de desprezo de sempre. Ele me enxotou pra fora do quarto e fechou a porta com força na minha cara. Bufei com raiva. Desci as escadas e me sentei no sofá da sala. Liguei a TV e fiquei zipando os canais até achar um que prestasse. Deixei um canal onde passavam clipes. A voz de Jason Mraz e Colbie Caillat ecoava pelo loft inteiro. Ouvi os barulhos de pegadas descendo as escadas. Não olhei, mas sabia que Cris estava vindo em minha direção. - To saindo – não desviei o olhar da televisão.
- Tchau – disse seca.
- Não vai dar um beijinho de despedida no seu namoradinho não, ? – ele se colocou na minha frente, abaixando um pouco para que pudesse alcançar minha boca. Dei um selinho rápido e me afastei. Cristopher me pegou pelos cabelos e me beijou ferozmente, apertando minha nuca. Queria vomitar nele. Queria espancá-lo por ter encostado em mim. Ele separou o beijo, rindo. - Tchau – ele sorria cinicamente. Assim que ele saiu porta a fora eu corri até o banheiro e escovei os dentes com a maior urgência. Minha gengiva chegou a sangrar. Voltei à sala e me joguei no sofá. Continuei assistindo o canal de clipes. Eu ouvia as vozes da The Veronicas cantando ‘leave me alone’. Era impressionante como essa música se encaixava perfeitamente no que eu estava vivendo.
I'm getting tired of you pushing me 'round
Dragging me down
Making a sound because you wanna
I guess that's why I like messing with you
Putting you through
A lesson or two, because I'm gonna
Before I go my own way
I just gotta say
Me encolhi no sofá e abracei minhas pernas. Fiquei apenas ouvindo a letra da música e pensando em como minha vida virou de cabeça para baixo. Eu realmente acreditava que Cristopher era uma boa pessoa, alguém em que eu pudesse confiar. Larguei minha família, amigos, pessoas que realmente me amavam para ficar ao lado dele. Aos poucos ele foi pegando confiança de todas as pessoas que eu era vinculada. Cris mudou da água para o vinho. Todos acreditavam nele e não em mim. Me sinto uma agulha em um palheiro, onde ninguém nunca vai conseguir me achar e me resgatar.
Leave me alone
Get out of my face
I'm tired and low
Feeling so misplaced
Time for you to go
'Cause you know I'm better off on my own, oh
Meus olhos foram invadidos por lágrimas. Eles ardiam e eu sentia calafrios por todo o meu corpo. Não conseguia parar de chorar. Me sentia vazia, sozinha e desprotegida. Sentia que a qualquer momento eu iria desmoronar sob meus pés. Passou um flashback em minha cabeça de como era a minha vida antes de conhecer Cris e no que ela estava virando.
Leave me alone
This isn't gonna work
Don't call me on the phone
Because I'm all out of words
I'll face the unknown
Thinking about all the ways that I've grown
É preciso ser grande. Ser forte, inteligente, isso se quisermos sobreviver. Por enquanto não há escapatória, tudo ficará como está. Sou uma escrava. Uma serva que precisa obedecer a seu amo.
There was the time I thought you were the one
Having some fun
Getting it done
What an illusion
'Cause you were trying to take control of me
That couldn't be, I need to be free of this confusion
Don't give me a guilt trip, because I'm so over it
Eu achava que Cristopher era o meu príncipe encantado, mas meu tão sonhado príncipe virou um sapo. Minhas lágrimas não queriam cessar. Minha cabeça já doía e eu começara a ficar sonolenta. Deixei a melodia da música me embalar e me levar para um sono profundo, onde eu podia sonhar que estava em uma vida melhor.
03
Estava deitada no sofá assistindo a reprise de Britain’s Got Talent. Era impressionante como Simon Cowell era petulante, arrogante e grosso. No intervalo do programa fui até a janela para observar o movimento da rua. O dia estava frio e é impressionante como o clima daqui muda repentinamente. A neve caía sobre as calçadas da rua e molhava algumas pessoas menos prevenidas. Enquanto eu observava o movimento das pessoas andando pra lá e pra cá, absortas em seus pensamentos, suas vidas, suas preocupações, Cris chegou em casa gritando pelo meu nome. Meu coração acelerou, mas não de alegria como era quando eu pensava em , mas sim de medo e angústia. Sabia que ele estava bêbado e o resto do dia não seria nada fácil para mim.
- ! – ele gritava com a voz embolada e cambaleava até conseguir chegar ao sofá. Eu o olhava com pena. Como alguém como Cris se deixara chegar aquele ponto? Ele era bonito, inteligente e influente, não precisava levar essa vida que levava, nem fazer o que fazia comigo. Fiquei parada onde estava. Não dei um passo em direção a ele para ajudá-lo ou para atender o seu chamado. - ! To te chamando meu amor – Cris me olhava fixamente e me chamava para sentar ao lado dele.
- Cris, você não está em seu estado normal. Acho melhor você ir dormir – fui até o sofá e peguei sua mão para levá-lo ao quarto.
- Me larga – ele soltou-se com força – , eu quero você – ele me puxou, fazendo-me cair em seu colo. - Eu te amo meu amor – seu hálito tinha cheiro de álcool e eu me senti enjoada quando respirei e o cheiro entrou pelas minhas narinas. Ele me pegou pela nuca e tentou me beijar, pedindo a passagem de sua língua, mas não permiti. – Que foi minha flor? Você não quer me beijar? – ele sussurrou em meu ouvido.
- Cris, me deixa em paz, por favor – eu me levantei de seu colo e ele me puxou de volta.
- Você não vai escapar de mim amorzinho. Não hoje – ele estava bêbado de mais e eu sabia o que ele queria, mas não queria ceder – Hoje você é minha. Só minha, tá?
- Cristopher, eu não estou me sentindo bem – fiz uma cara de dor, que no mínimo seria convincente, mas não pra ele.
- Você vai ser toda minha , eu vou te curar – ele ria abobalhado.
- Eu não estou bem Cris – repeti calmamente.
- Cala a boca, sua piranha de merda – ele me deu um tapa na cara com uma força surreal e me pegou pelo braço, me jogando no sofá – eu disse que hoje você era minha e somente minha. – ele falou entre os dentes, ficando por cima de mim. Cris era pesado e estava me machucando. As lágrimas já escorriam pelo meu rosto, parando em minha boca. Esta cena já se repetira várias vezes e eu não tinha como impedir. Cristopher começou a me beijar sem nenhuma delicadeza. O beijo era afobado e sem nenhuma emoção. Ele passava a mão por baixo da minha blusa, acariciando minhas costas e tentando abrir o fecho do meu sutiã. Eu estava com nojo de mim mesma por estar permitindo essa situação. Cris tirou minha blusa desesperadamente, distribuindo beijos em meu pescoço, indo e voltando até meu colo. Ele ‘arrancou’ meu sutiã, jogou-o em algum canto da sala e começou a beijar meus seios. Não sentia prazer algum, tudo o que eu conseguia sentir era ódio. Ele voltou a beijar minha boca, com uma mão em minha nuca e a outra apertando minha coxa. Cristopher partiu o beijo e novamente tocou seus lábios em meus seios, mas dessa vez ele descia os beijos pela minha barriga. Eu pedia mentalmente para que ele desistisse, mesmo sabendo que isso não iria acontecer. Cristopher estava tão afobado para tirar meu short de lycra que o rasgou, tirando logo em seguida minha calcinha que também foi rasgada. Ele me pediu para que tirasse suas calças e eu neguei, recebendo em resposta um soco nas costas. Sabia que se eu recusasse mais, eu receberia uma surra. Cris se pôs de pé e eu me sentei no sofá de frente para ele. Fiz o que ele me pedira, com as lágrimas ainda caindo de meus olhos. Parei e o olhei fixamente, com os olhos implorando misericórdia.
- Continua – sua voz era ríspida. Fiz novamente o que ele mandara. Quando parei, fui empurrada para trás e lentamente o senti dentro de mim. Seus movimentos eram bruscos e sem cautela. Ele não se importava se eu estava sentindo dor. Ele fazia um movimento contínuo e suas mãos exploravam toda a extensão do meu corpo, apertando-o contra si. Suas mãos eram grandes e fortes e eu sabia que no dia seguinte apareceriam muitos hematomas. Cristopher conseguiu o que queria e meu corpo latejava de dor. Ele se levantou, colocou suas roupas e me deixou estirada no sofá.
- Sua vadia. Essa foi a pior transa da minha vida – ele falou com desprezo. Dito isso, se levantou e saiu porta à fora. Suas palavras não me atingiram. Mas eu chorava, soluçando com a respiração descompassada. Levantei-me com dificuldade e fui tomar um banho. Talvez a água quente relaxasse meus músculos e minha dor e cessasse.
04
Terça-feira. Amanhã era o dia tão esperado por mim. Eu reencontraria aquele lindo par de olhos . Era uma coisa estritamente profissional, sem nenhum vínculo além do esporte, mas eu estava ansiosa. Uma ansiedade que eu nunca sentira na vida. Eu iria para a academia hoje treinar, treinar, treinar. Minha vida se resumia a isso: boxe. Cris fora resolver alguns papéis da minha próxima luta, que seria daqui a dois meses. Eu já tinha ganhado o World Boxe Player, o campeonato mais importante de boxe que existe em todo o mundo. Eu já conquistara uma reputação, mas eu precisava urgentemente de um novo treinador, para me livrar de uma vez por todas de Cris. Só que isso não era tão fácil assim. Hoje em dia, ainda há um preconceito enorme em relação a mulheres lutando boxe. Então eu precisava de tempo para arranjar um novo técnico. Enquanto isso, eu infelizmente necessitava de Cristopher.
Antes de sair de casa deixei um bilhete para Cris, avisando-o que eu iria para a academia e que ele me encontraria no celular. Prendi o papel a porta da geladeira com um ímã.
O dia estava chuvoso e frio. A rua ainda estava com neve nas calçadas, mas elas já derretiam. Minha academia ficava a quatro quadras do meu apartamento. Resolvi ir a pé.
A academia tinha paredes de vidro, que davam para a rua, o que em minha opinião é muito desconcertante, as pessoas ficarem te observando enquanto você treina. Mas tudo bem.
- Oi gente – com um sorriso no rosto, cumprimentei as pessoas que lá estavam e fui direto ao vestiário me trocar. Quando voltava, um amigo de Cris me surpreendeu, parando em minha frente, impedindo meu caminho.
- Oi – ele sorria malicioso. Eu detestava Peter, ele me cantava descaradamente e se dizia amigo do Cristopher.
- Que você quer Pet? – disse impaciente, rolando os olhos.
- Nada ué... só te cumprimentei – sua voz era enjoativa de se ouvir.
- E eu lhe respondi. Agora me deixa treinar? – tentei passar por ele, mas fui impedida – Que saco Peter, me deixa passar – falei alto, sem me importar se as pessoas ouviriam.
- Essa academia não é lugar para uma mulher tão bonita como você – meu rosto ferveu de ódio. Eu odiava mesmo o Pet. Sem pensar eu esmurrei sua cara, fazendo-o virar o rosto com meu soco.
- E essa academia não é lugar pra gente tão canalha como você – Peter colocou a mão no rosto, onde provavelmente estava sangrando e finalmente me deixou passar. Ouvi seu xingamento, mas não liguei. Antes de entrar no tatame, apoiei minha mochila em uma mureta para poder colocar minhas luvas e o protetor bucal. Os homens que ali estavam riam do rapaz que eu esmurrei. Entrei no tatame e comecei a dar ‘ganchos’ no saco de areia. Os caras – eu era a única mulher - me olhavam rindo e alguns com reprovação. Não liguei. Apenas me concentrei em meu treino.
Já estava exausta após uma hora de treinamento, mas eu não podia parar, eu não devia parar, precisava retomar o ritmo que eu havia perdido.
- Hei , cadê o Cris? – ouvi uma voz masculina perguntar. Como eu queria que ele tivesse morrido esmagado por um trem! Ri sozinha com a possibilidade de isso acontecer.
- Foi resolver alguns papéis da minha próxima luta – não me virei pra ver quem havia me chamado, continuei com a sequência de jeb-direto que eu dava no saco.
- Sabe se ele aparece por aqui hoje? – dessa vez eu parei para olhar o homem. Nunca o vira antes. Ele estava vestido socialmente. Terno, gravata, calça social e um sapato muito bem engraxado. Achei muito estranho um homem daqueles estar à procura de Cristopher. Franzi o cenho tentando imaginar quem era aquele cara e que tipo de vínculo ele tinha com Cris.
- Não, não sei – disse pausadamente.
- Em todo o caso, diz que o Lucas McGuire precisa urgentemente falar com ele. – no mesmo instante que esse tal Lucas terminou sua frase, Cris adentrou a academia cumprimentando seus amigos que lá estavam. Quando ele bateu os olhos em Lucas conversando comigo sua expressão se transformou, mas não continha ciúmes ou raiva em seus olhos, mas sim susto e medo. Lucas percebeu que eu olhava alguma coisa as suas costas e se virou para olhar também. - Meu caro Cristopher, quanto tempo, amigão – Lucas se dirigiu a Cris com um sorriso que parecia no mínimo falso. Cris sorriu amarelo e lhe estendeu a mão. Os dois saíram da academia conversando, Lucas falava animadamente e Cristopher sorria um sorriso mentiroso de vez em quando. Antes de eu voltar para o meu treino, um dos amigos de Cris chamou minha atenção.
- , quem era aquele homem? – Jason era o cara mais fofoqueiro daqui. Isso é coisa de mulher, talvez ele seja gay, mas tudo o que acontecia aqui nessa academia Jason sabia.
- Boa pergunta – respondi indiferente, fitando a porta pela qual ambos saíram.
Voltei minha atenção ao meu treino, mais tarde eu iria investigar sobre esse cara estranho. Fiquei treinando até tarde e nem percebi a academia se esvaziar, já anoitecia, e eu não sentia a mínima vontade de ir pra casa. Cris não voltou para me supervisionar, coisa que ele sempre fazia.
- Acho que vou ficar por aqui mais um tempo – falei pra mim mesma, olhando em volta. Fui até a parede de vidro, a rua estava maravilhosa. Londres estava realmente linda, toda iluminada, voltara a nevar. Encostei minha cabeça no vidro e fiquei um tempo observando a neve que caía na calçada, soltei um bafo de ar no vidro da academia e fiz desenhos bobos, como corações e estrelas. Entrei em um pequeno transe, imaginando como seria o dia de amanhã, imaginando que roupa eu usaria, claro, eu iria deslumbrante, mesmo que só fosse uma entrevista profissional.
- Pára de ficar imaginando coisas, – soltei um suspiro pesado e balancei a cabeça pra ver se me despertava dos meus pensamentos. Fui ao vestiário trocar de roupa, me despi, fiquei apenas de calcinha e sutiã. O vestiário estava vazio, assim como a academia e havia um espelho enorme em uma das paredes do local. Olhei para a imagem refletida no espelho. Minha aparência era de uma mulher cansada, não acabada, mas cansada, e eu realmente estava. Eu era bonita e sabia disso, os homens me olhavam com desejo. Meu corpo era natural, tinha seios e bumbum na medida certa, tinha coxas grossas, proporcionais ao resto de meu corpo. Minhas pernas eram torneadas e malhadas, assim como meus braços, eu não parecia um homem com muitas boxeadoras pareciam, minhas pernas, braços e barriga eram enxutos, sem flacidez. Sorri comigo mesma, admirando meu corpo. Por fim, tirei a lingerie que ainda cobria meu corpo, entrei no box e girei o registro. A água quente definitivamente relaxou meus músculos doloridos. Demorei bastante tempo debaixo do chuveiro e finalmente juntei forças para desligá-lo. Saí do box, me enxuguei e coloquei minhas roupas de frio para poder ir embora.
Já estava do lado de fora da academia, estava tarde, 10:20 PM. A neve caía de leve sobre as calçadas, as ruas iluminadas pelos letreiros, o trânsito costumeiro da grande Londres, as buzinas soando, pessoas conversando... Até parecia música para meus ouvidos, e não é mentira, eu gostava da movimentação da cidade, me deixava feliz, não sei por qual motivo. Sorri comigo mesma ao pensar, me achando uma idiota. Quem gosta de barulho e movimentação?
- Oi Sr. Smith – cumprimentei o porteiro com sorriso. O Sr. Smith era um cara legal e simpático até, mas às vezes ele era muito rabugento, coitado, um velhote que mora sozinho nos fundos do prédio. Entrei no apartamento e não havia sinais de Cristopher. Isso era no mínimo estranho, com certeza ele ainda estava com Lucas. Mas fazendo o que? E onde? E pra quê? Eu teria em breve as respostas dessas perguntas. Ah, se teria!
05
Finalmente, quarta-feira. Acordei sozinha na cama, Cris até agora não havia chegado. Se quer saber, eu realmente não liguei. Ele podia ter morrido que eu não sentiria falta. No mesmo instante que esse pensamento veio à minha mente, Cris adentrou o apartamento.
- ? – Cristopher me chamava do andar de baixo.
- Começou o inferno – resmunguei para mim mesma, colocando os pés para fora cama, sentindo um arrepio no mesmo instante por conta do chão frio. Desci as escadas e fui direto ao banheiro fazer minha higiene matinal. Ao sair do cômodo, Cris me surpreende, arrancando-me um beijo.
- Bom dia, amor – suspirei pesadamente.
- Bom dia – falei seca. – Onde você estava? – minha expressão era séria.
- Por aí, com o Lucas – ele sorriu nervoso. Boa coisa não era.
- Quem é esse Lucas, Cristopher?
- Meu amigo – Cris tentava parecer indiferente, mas não conseguia. Preferi não estender a conversa, pois ele era muito bipolar, seu humor muda a cada segundo. Dei ombros, fui preparar meu café da manhã e Cris foi tomar um banho. Peguei a omelete que havia preparado e um suco qualquer de caixinha. Sentei-me no sofá da sala e liguei a TV. Deixei em um canal de esportes. Assisti ao programa até acabar de comer. Coloquei a louça na pia e fui escolher a roupa que usaria hoje à noite, na entrevista que daria a . Abri meu guarda-roupa e nada, absolutamente nada parecia bom o suficiente para a ocasião. Quero dizer, eu queria estar deslumbrante. Eu faria o máximo para poder seduzi-lo, não iria parecer uma idiota que nem eu pareci da primeira vez que falei com ele. Não. Iria aparentar uma mulher madura e segura, por mais que eu não fosse essa tal mulher.
- , o que está fazendo? – Cris adentrava o quarto.
- Tenho uma entrevista hoje, com um colunista da revista ‘Sports News’. Estou escolhendo o que vestir. – Preferi não mentir. Na verdade eu não era uma boa mentirosa e Cris me conhecia bem.
- Que horas?
- Sete da noite – fechei o armário e saí do quarto, ele veio atrás de mim – Vai ficar me seguindo? – perguntei seca.
- Olha como você fala comigo, vadia – rolei os olhos e novamente adentrei o quarto, pegando uma roupa no armário e a vesti na frente de Cris. - Onde você pensa que vai? – a raiva tomou conta de mim. Eu iria comprar alguma roupa que fosse boa o suficiente para a entrevista de hoje.
- Eu vou ao shopping. - Um ato de desespero: Enfrentá-lo. Eu temia pelo que poderia me acontecer.
- Não vai mesmo – ele riu de deboche.
- Ah não? – continha sarcasmo em minha voz – Veremos! – peguei minha bolsa e calcei meus chinelos calmamente.
- , volta aqui! – Cris puxou meu braço com tamanha força, que me fez cair no chão. - Você não vai sair! – ele gritou se aproximando. Levantei-me rapidamente e olhei no fundo de seus olhos.
- Você não vai me impedir de fazer o que eu quero, Cris – Em um ato repentino, ele segurou-me pelo pescoço com força, encostando-me na parede, dificultando minha respiração.
- Você ficará quietinha em casa – sua voz saía em um sussurro. Ele apertou com força, e inutilmente eu me debatia e tentava tirar sua mão de meu pescoço. Meus pulmões gritavam por oxigênio. Meu coração acelerou e meu sangue ferveu pela falta de O² correndo por minhas veias .
Cristopher queria me matar, mas eu fui mais esperta. Novamente. Estava quase perdendo minhas forças, quando minhas pernas obedeceram ao sinal que meu cérebro as enviava. Chutei entre as pernas de Cris e ele berrou de dor, soltando meu pescoço, me permitindo respirar novamente. Massageei o local onde Cris havia apertado, estava dolorido. Peguei a maior quantidade de ar que meus pulmões permitiram. Olhei para ele ao chão, em posição fetal, com as mãos dentre suas pernas.
- Idiota. Você não é tão esperto quanto pensa – dei uma última olhada para ele, fui até a garagem e saí com o carro. Dessa vez Cris não ia me impedir de fazer o que eu queria.
- ? – Uma voz conhecida chamou pelo meu nome. Virei-me para olhar. Meu Deus, quanto tempo que eu não a via.
- ! – Sorri instantaneamente ao vê-la e ela me deu um abraço tão apertado que quase me deixou sem ar - Quanto tempo! – Nós estudávamos juntas no colegial, éramos melhores amigas, mas ela havia saído do país, para estudar música. Me senti muito sozinha, pois ela era a única amiga que eu tinha. – Não sabia que tinha voltado para Inglaterra. Por que você não me ligou, hein? – coloquei as mãos no quadril, fingindo indignação.
– Eu cheguei há uma semana de viagem, minha casa ainda está uma zona. Não tive tempo pra nada.
- O que está fazendo no shopping, em plena quarta feira? – perguntei voltando a caminhar, com em meu encalço.
- Compras – ela riu – Na verdade eu vim comprar o presente de aniversário do meu namorado.
- Namorado? – Meu Deus, fim do mundo. , a menina mais nerd que eu conheci, estava namorando, digo, isso é no mínimo estranho. Ela sempre dizia que namoro era perda de tempo e blábláblá.
- Aham. Ele é lindo. – sorri com ela. – E você, o que faz aqui?
- Vim comprar um vestido para hoje à noite, tenho uma entrevista pra dar.
- Ah, me esqueci que agora você é famosa – paramos na Starbucks do shopping para tomarmos um café.
- Até parece – falei um pouco alto e me olhou de sobre salto e riu comigo.
- Vi umas lutas suas no BBC Sports. Você melhorou muito desde a época do colégio – disse dando um gole em seu Vanilla Ice Blend.
- Treino – sorri.
- E falar em treino, você ainda namora o Cris? – rolei os olhos e dei um gole no café.
- Namoro – respondi sem emoção e minha amiga riu.
- Toma o meu número novo, e vê se vem me visitar, moro no mesmo lugar de sempre. – me entregou um cartão com seu número telefônico. – Tenho que ir agora. – Ela deu o último gole em seu café e me puxou para um abraço.
- Vou te ligar, prometo – disse assim que nos soltamos.
- Tchau – ela sorriu imensamente e se perdeu no mar de pessoas do shopping.
- Esse! – exclamei para a atendente da loja, apontando para um vestido preto, lindo, que estava pendurado em uma das araras. A vendedora se prontificou, pegou o vestido e entregou em minhas mãos. O experimentei e fiquei deslumbrada com tal peça. Era tudo o que eu estava procurando. Depois de rodar o shopping quase inteiro, finalmente consegui achar a roupa ideal. Paguei o vestido e fui almoçar no Burger King, já se passavam das três horas e eu precisava ir para casa me arrumar. Comi calmamente e feliz por poder tirar uma tarde de sossego, longe de Cristopher. Eu sabia que a minha reação teria uma consequência, mas eu não estava me importando. Quero dizer... Ninguém gosta de apanhar sem poder se defender, mas eu iria mudar minhas atitudes com ele, eu iria me impor; ou pelo menos tentaria. Terminei com meu almoço – quase lanche - nem um pouco nutritivo e fui para casa. O Shopping Center não era tão perto do apartamento que eu vivia e, pior: peguei trânsito, mas fui relaxando no carro ao som de Paramore, Misery Business.
I'm in the business of misery, let's take it from the top
She's got a body like an hourglass that's ticking like a clock
It's a matter of time before we all run out...
When I thought he was mine, she caught him by the mouth
I waited eight long months, she finally set him free
I told him I couldn't lie, he was the only one for me
Two weeks and we had caught on fire
She's got it out for me, but I wear the biggest smile
Eu batucava no volante, conforme o ritmo da música. Essa era uma das minhas preferidas. Realmente, sempre tem uma vadia pra estragar a sua vida. Quando você está amando alguém, sempre tem uma piranha que vem e estraga tudo.
Whoa... Well I never meant to brag
But I got him where I want him now
Whoa... It was never my intention to brag
To steal it all away from you now
But God does it feel so good
'Cause I got him where I want him now
And if you could then you know you would
'Cause God it just feels so...
It just feels so good
Fui ouvindo a mesma estação até chegar em casa. Estacionei o carro na vaga costumeira e subi o elevador carregando as coisas que comprara. Adentrei o apartamento e Cris não estava. Melhor para mim, poderia me arrumar em paz, sem nenhuma intervenção.
Cinco horas da tarde, marcava o ponteiro do relógio da cozinha. Hora do banho. Deixei a roupa estendida em cima da cama, coloquei as sandálias em pé, ao lado do vestido. Peguei um colar prateado, com uma pedra cravejada de diamantes que eu só usava em ocasiões especiais e coloquei em cima do vestido, junto com os brincos pequenos.
Demorei no máximo trinta minutos no banho. Coloquei a lingerie e sentei-me na penteadeira para secar os cabelos. Quando os fios estavam devidamente secos, vesti o vestido e sentei-me novamente na penteadeira para colocar o colar e os brincos, calcei os sapatos Jimmy Choo e comecei a me maquiar. Eu não era muito boa nisso, então usei apenas o básico. Base, corretivo, pó compacto, blush, lápis, rímel e um gloss transparente, apenas para dar um brilho sedutor nos lábios. Passei um óleo corporal nas pernas para dar um brilho. Passei meu perfume meticulosamente escolhido e dei uma última olhada no espelho. Peguei minha bolsa de mão e saí de casa.
Já estava atrasada. Havia marcado com Daniel às sete da noite, já eram seis e cinquenta e quatro.
Hora do Rush, pessoas saindo do trabalho, um inferno total.
Cheguei na London Station, já eram sete e treze e lá estava com seu belo par de olhos , olhando em minha direção, me fazendo perder o ar. Como ele era sexy, meu Deus. Sua roupa era despojada, bem casual, os primeiros botões da blusa quadriculada estavam desabotoados, as mangas compridas estavam dobradas até os cotovelos. Seus cabelos estavam levemente bagunçados. Não era um bagunçado feio, e sim... sexy. Acho que essa palavra o descrevia perfeitamente. Sexy. era um cara sexy, mesmo sem mover um músculo sequer.
O pub não estava cheio, havia apenas algumas pessoas sentadas conversando e tomando um drink. Outras praticamente se comendo sem nenhuma vergonha. A música que tocava era chata. Pelo menos eu achava. Então, assim que ele entrou em meu campo de visão, pude ver seu olhar acompanhar o desenho de meu corpo, enquanto caminhava até sentar-me à mesa junto dele. Sorri vitoriosa ao ver que ele encarava minhas pernas descaradamente e agradeci mentalmente por ter usado o óleo corporal.

