Slow Dancing In A Burning Room - Best Friends Forever

Autora: Annie Archer
Status: Finalizada
Revisada por: Vê Inamonico
Categoria: Hot Fic
Sub-Categoria: ShortFic - Romance, Drama
Comentários:




Conselho da Autora:
Escutem a música que dá título a esta fic enquanto lêem! No primeiro link há a versão de estúdio e no segundo há uma versão ao vivo, que eu particularmente adoro, onde, no final, o John diz uma frase da música do Thom Yorke, que também aparece na fic e que me inspirou:
Slow Dancing in a Burning Room (Studio Version)
Slow Dancing in a Burning Room (Live at Webster Hall)



O céu daquele fim de tarde parecia laranja demais para existir e era digno de ser emoldurado. O contorno das nuvens era de um dourado intenso que fazia os olhos doerem e ele se encontrava de frente para uma das janelas da pequena sala sagrada, observando a brisa dançar com as folhas das pequenas árvores do outro lado do vidro.

Estava em um momento de sua vida que nunca pensara que chegaria. Se lhe perguntassem há poucos anos atrás, no auge de sua carreira no McFLY, ele diria que casar-se era uma babaquice e que ele, provavelmente, nunca o faria, porque a vida ainda tinha muita coisa a lhe oferecer que um casamento podia totalmente impedi-lo de experimentar. Agora, inacreditavelmente e quase surrealmente, sua família e a de sua noiva estavam sentadas nos bancos brancos da igreja, esperando ansiosos que ele e sua futura esposa trocassem alianças.

Fechou as cortinas, andou até a frente do espelho e mediu-se de cima a baixo. Estava tremendo e suando frio, toda aquela roupa estava começando a incomodar. Franziu a testa e a apoiou junto com um punho na face refletora do objeto. Era aquilo mesmo que queria fazer? Por que sua convicção, que estivera sempre consigo desde que pedira em casamento, parecia ter sumido? Por que o casamento parecia uma idéia tão assustadora agora? Talvez porque o dele ocorreria por pura pressão da noiva, da família dela e da família dele - que tinham o inconveniente costume de cutucá-lo sempre, dizendo que ele era o único que não havia se casado ainda - e, por mais que tentasse se enganar, lá no fundo ele sabia que esta era a pura verdade. Só não sabia por que ficara tão suscetível aos comentários dos outros sendo que há algum tempo atrás continuaria não dando a mínima.

Sua mente começou a divagar em marcha ré, em direção ao passado, e parou nos cabelos sedosos e olhos cativantes daquela que possuía todo seu coração, embora não fosse admitir aquilo nunca ou talvez o fizesse tarde demais. Duas batidas na porta o tiraram de seu transe e de repente seus pensamentos pareciam ter se materializado ao ver, através do reflexo do espelho, os mesmos cabelos e o mesmo brilho intenso daquele olhar que só ele desvendava completamente, entrando pela porta. Seu olhar se encontrou com o outro e ele pareceu ter levado um choque.

- Oi. - ela, , disse com sua voz melíflua que sempre o fazia se derreter por dentro, de uma forma que quase não podia compreender. Por que não se sentia da mesma maneira com ?

Ele não conseguiu responder ou reagir. Tudo que parecia conseguir fazer era ficar parado ali - como um nerd daqueles filmes adolescentes e clichês que havia recebido um cumprimento de uma popular bonitona - encarando-a através de sua imagem virtual, num silêncio constrangedor. Ela aparecera como se tivesse ouvido seu chamado silencioso e aquilo fora um pouco assustador.

- Bom, eu só achei que devia... devia... - gaguejou, quebrando o silêncio. - Esqueça. - ela virou-se de frente para a porta, girando a mão na maçaneta redonda.

- Espera. - a voz grave dele soou nos ouvidos dela, que continuava a segurar a maçaneta, fechando os olhos lentamente e suspirando. Ela estava começando a ouvir o que queria.

Tornou a ficar de frente para ele, ainda de olhos fechados. Quando os abriu, percebeu que ele havia se aproximado e sentiu um conhecido frêmito percorrer sua espinha. Aquele que ela sempre sentia quando ele estava perto demais, quando a provocava, quando a olhava de outra maneira, ou sorria verdadeiramente para ela, e só para ela.

- Eu achei que, como sua melhor amiga, devia vir até aqui te de desejar boa sorte antes de tudo. - disse e o encarou, comprimindo os lábios.

Ele inclinou a cabeça para baixo e riu roucamente, deixando os dentes que quase cegavam qualquer um, aparecerem. Ela detestava saber que ele acordaria e os exibiria para outra.

- Eu sei e você também sabe que você não veio aqui só para dizer isso. - ele provocou, umedecendo os lábios e encostando a ponta da língua no dente canino, fazendo-a querer amarrar os próprios braços para controlar seu impulso de agarrá-lo ali mesmo. Por que ele amava torturá-la daquela maneira? Aquilo era algo que ela estava habituada a fazer.

Ele estudou-a profundamente, esperando que reagisse. Estava começando a sentir uma dor pungente e aguda no peito ao começar a perceber o quão próximo estava dela. Ao senti-la aproximando-se mais rapidamente, abraçando-o por baixo dos ombros e acomodando sua cabeça sobre a curvatura de seu pescoço, assustou-se. Não soube direito o que fazer, então decidiu por abraçá-la pela cintura e afagar seus cabelos que tanto gostava.

- Eu não quero te deixar ir, . - ela começou, com a voz embargada. - Eu não posso te entregar assim, você sabe que eu não posso!

Ele tinha que dizer algo e rápido. Mas o que ela estava esperando que ele dissesse? Iria se casar em menos de uma hora!

- Eu... Você não vai me perder, , nunca. - ele sussurrou carinhosamente no ouvido dela, provocando mais uma reação nos pêlos de sua nuca. - Nós seremos melhores amigos para sempre, se lembra?

afastou seu rosto do colo dele e o encarou, com os lábios perigosamente próximos ao dele, colocando uma de suas mãos em sua face.

- Você sabe que eu já não quero ser só sua melhor amiga há anos. Você sempre soube... - ela sorriu tristemente; a mágoa retida em seus olhos marejados era visível. - Eu só não sei por que sempre insiste em fingir que não sabe.

- E eu já te disse que nos nunca daríamos certo. - retorquiu seriamente, tentando não soar ríspido.

não sabia por que diabos ainda se sentia indignada, ultrajada e extremamente ferida ao ouvi-lo dizer aquela frase e suas variações. Já devia ter se acostumado, devia ter se conformado. Ainda estava tentando entender por quais motivos entrara naquela sala; será que era algum tipo de masoquista e não sabia?

Era evidente que ela estava prestes a perdê-lo para outra, definitivamente desta vez. E deixá-lo ir fingindo que tudo estava bem parecia muito mais doloroso do que deixá-lo ir lembrando-o de que ela sempre estivera ali e nunca seria besteira maior do que o compromisso no qual ele estava prestes a se envolver. Admitia para si mesma que queria fazê-lo viver com algum tipo de culpa e pelo menos uma parte da dor que sentia. Queria que cada vez que ele acordasse ao lado de , sentisse remorso e desejasse que fosse ela ali. Queria que o senso de humor insosso de passasse a fazer menos sentido do que jamais fizera para ele.

Ao mesmo tempo em que sentia toda a agonia existente querendo se apoderar cada vez mais de seu corpo, ela se sentia aliviada por saber que a noiva dele nunca seria capaz de provocá-lo da forma como ela o fazia; sentia-se aliviada por ter certeza de que os dois, juntos, nunca teriam a ligação quase sobrenatural que ela tinha com há muitos anos; sentia-se alegre por saber que eles nunca vibrariam na mesma sintonia. Entendia muito bem o gosto de vingança que sentia em sua boca ao estar convicta da idéia de que, por mais que ou até mesmo se esforçassem, nunca seriam o que ela e ele eram juntos. Eles nunca seriam - nem em outra reencarnação, se quisessem - e .

Aquela história de que devia se sentir feliz por quem amava nem sempre valia para ela, que não sentia um pingo de culpa por pensar daquele jeito. Quem era o ser humano não-hipócrita que se sentia feliz ao ver a pessoa que amava casando-se com outra? Se ela não soubesse que pertencia a ela, enquanto fazia vista grossa para isso e ainda por cima simulava descaradamente não saber que ela também pertencia a ele da mesma maneira e com a mesma intensidade, talvez fosse diferente.

soltou-se de seu abraço por completo e elevou o tom de voz ao se dirigir a ele:

- E como é que você sabe? Você nem ao menos se deu o direito de tentar!

- Eu simplesmente sei, , eu sei.

Ele, na verdade, não sabia. Aliás, nem sabia o porquê de dizer que sabia. Somente queria aparentar ter um pouco de dignidade e ser convincente diante da situação, o que parecia não estar adiantando, já que ela não se dava por vencida.

- Você, por acaso, é onisciente, talvez algum tipo de gênio, ? Não tente me fazer de idiota - ela se reaproximou, com o dedo em riste apontando na direção de seu nariz. -, porque eu não sou nenhuma dessas sonsas com que você está acostumado a lidar. E você sabe que seu estilinho ‘amo songas-mongas’ me deixa puta. A garota por quem você vai esperar no altar me deixa puta e eu sempre odiei ter que me fazer de amiguinha dela, você sempre soube. - ela crispou os lábios e respirou fundo antes de continuar. - Do que é que você tem medo, ?

abriu a boca para responder, mas mais uma vez ela havia o deixado sem reação. Também queria descobrir por que se sentia muito mais confortável em se casar com uma pessoa como , que era muito fácil de agradar, embora ele não a amasse tanto assim, do que admitir um relacionamento com , que era uma garota difícil e que sabia tudo sobre ele, principalmente que ele escondia a amar mais do que sua própria noiva.

- Vamos, eu quero saber, o que você pretende inventar agora?

Ele passou os dedos entre os cabelos, despenteando-os, e aproveitou a oportunidade que ela dera para falar mais alto também:

- Eu tenho os meus motivos, ! Você também sempre...

- Que motivos? - ela se exaltou, interrompendo-o. - Que diabos de motivos fúteis são esses? Comodidade, por seus pais amarem a , por ela ser um amor de menina e me detestarem porque sou petulante demais? O que seus pais, os dela ou qualquer otário sem importância lá fora pensam, querem ou falam de você? A pressão da sua noiva de merda ou daquela família insuportável dela, de quem eu sempre tenho que ouvir você reclamar? Você já pensou no que você quer uma vez na sua vida ou você realmente acha que tudo isso vale mais do que a gente passou, do que eu sinto por você e do que eu sei que você sente por mim?

- Eu não sinto nada além de um amor super amistoso por você e você sabe disso. - ele mentiu descaradamente, encarando-a friamente, para que ela acabasse com tudo aquilo o mais rápido possível. A verdade que ele não queria admitir para si mesmo sempre estivera à tona.

- Seu cínico, seu hipócrita, sujo! - ela o xingou, entre dentes, sentando-se em um sofá que ficava no canto da sala.

- , vamos acabar logo com isso, tá bem? Nós já estamos bem crescidos pra tomarmos as nossas próprias decisões - ela riu em sinal de deboche. -, fomos muito bem criados até onde eu sei, e estamos em um lugar sagrado. E você também vai borrar a maquiagem que eu sei que levou horas para fazer, se começar a chorar. – ele notara os olhos marejados dela.

É claro que estava muito bem maquiada, tinha que lembrá-lo também de que era muito mais bonita do que a garota de véu.

Poderia ter sorrido ao notar o deslize dele ao dizer aquela última frase em um tom mais carinhoso e cheio de cuidado se não estivesse tão machucada.

- Aaah, você virou um garoto de Deus agora, assim, de uma hora para outra? Porque você se importa se o tal Deus está vendo ou não, deveras! - ela retorquiu, irônica, arqueando uma sobrancelha, gesto que o tirava completamente do sério.

- Eu me importo com você, caramba! - ele berrou, nervoso, esperando que ninguém, absolutamente, pudesse ouvi-los do outro lado. - Eu... Me importo, . Eu me importo muito.

- Se importa? Então por que não foi homem o suficiente para me escolher? - ela indagou enquanto afundava o rosto nas mãos. - Eu sempre te dei todas as oportunidades, todas as deixas, você tinha escolha, ! Por que me provocou esse tempo todo se era para me jogar no lixo, se era pra fingir que nada a mais rolava entre nós, se não ia desistir da tola da ?

Cada palavra que dizia era uma punhalada no peito de . Sentia seu corpo em chamas e cada frase o acertava como uma pedra. Teria que tirá-la dali antes de tudo ficar ainda mais grave. Ela levantou o rosto encharcado de lágrimas e o fitou. Não queria vê-la chorar, não queria fazê-la chorar. E agora que parava para pensar, quantas vezes lágrimas com seu reflexo e estampadas com o seu nome já não haviam escorrido pelo delicado rosto dela?

- Por que você nunca nos deu uma chance? - se levantou e aproximou-se dele. Até demais, ele pensou. - Eu não quero que você viva os seus sonhos, todos os nossos adolescentes que ainda não vivemos juntos, ao lado dela. Não quero que você ouça nossas músicas especiais ao lado dela, porque elas são somente nossas. - ela aproximou mais seu rosto do dele, se é que era possível, quase encostando seus lábios nos dele, podendo sentir a respiração do mesmo contra sua pele ficando cada vez mais pesada. - Não quero que você a leve aos nossos lugares favoritos - ela pôs uma das mãos na nuca dele. -, eu não quero que ela possua seus olhos , seu olhar de deboche, ou o divertido. - ela disse e beijou cada uma das pálpebras que ele havia cerrado. - Não quero que você a acorde a qualquer hora do dia, com seu sussurro rouco ao pé do ouvido. - disse baixinho, encostando seus lábios no lóbulo da orelha dele. - Não quero que ela desvende seu cheiro como só eu fiz. - murmurou, inalando fortemente o perfume cítrico misturado com o cheiro característico dele ao aproximar suas narinas de seu pomo-de-adão, começando a deixá-lo mais tonto e ensandecido. - Não quero que ela morda a ponta gelada do seu nariz como eu farei agora.

Certo, ela estava começando a dominá-lo. No fundo, sabia que ela sempre o dominaria.

Estava o deixando louco de tesão ao mesmo tempo em que seu perfume docemente inebriante deixava suas pernas bambas. Não podia ceder. devia estar absolutamente bela e radiante em seu vestido – talvez não tanto quanto ficaria, ele pensou -, quase pronta, e ele estava quase beijando o que era para ser, pelo menos naquele momento, nada mais do que sua melhor amiga lhe desejando boa sorte. Bem que sua mãe lhe avisara que amizades muito íntimas entre garotos e garotas raramente permaneciam só como amizades.

- Não quero que você a abrace como está me abraçando agora, não quero que você a ame como sei que me ama, nunca. - enfatizou, passando as mãos pelos braços dele, que sentiu cada um dos pêlos dos mesmos e de sua nuca se arrepiarem.

Céus, aquilo estava ficando perigoso demais. Como poderia escapar? Aliás, ele queria mesmo escapar?

- E eu não quero que ela te beije da forma que eu farei agora, jamais.

Tarde demais.

No momento em que ela encostou seus lábios nos dele, a dúvida de deixar aquilo acontecer ou não, o assolou só por mais alguns centésimos de segundo e ele quase que imediatamente começou a corresponder ao beijo com toda a intensidade que pôde, dando passagem para a língua sedenta dela.

- Espero que essa porta tenha um trinco. - ele riu, nervoso, entre o beijo, causando a mesma reação nela e andou de costas até a porta, puxando-a junto. Após girar a pequena chave, com certa dificuldade, porque não estava olhando, conduziu-a até o sofá e deixou que suas mãos percorressem desesperadamente as curvas de um corpo que ele parecia conhecer extremamente bem em sua mente enquanto os beijos se tornavam cada vez mais eufóricos.

Ele abaixou as alças do vestido dela enquanto a mesma abria rapidamente os botões de sua camisa branca. Alguém deu duas batidas seguidas na porta e tentou não parecer ofegante ao berrar: ‘já estou terminando!’ enquanto ela estava em dúvida entre desafivelar seu cinto ou desabotoar sua calça.

Pressionou seu corpo contra o dela, uma das mãos em seus seios, que logo passaram a ficar irritados por causa das mordidas e apertões que ele dava, fazendo com que ela gemesse um pouco mais alto. E cada gemido mais descontrolado dela ele calava com um beijo.

- Vai negar que me quer agora? - ela arfou no pescoço dele, que pôde sentir seu hálito quente atravessando-lhe a pele.

- Eu te quero. - ele disse, apertando-a mais forte contra si e afundando o rosto em seu pescoço, enquanto os dedos dela estavam perdidos em seus cabelos. - , eu... - ele arfou. - Eu te quero como nunca quis alguém na vida.

Já não importava se estavam dentro de uma igreja, afinal, até onde os dois sabiam, o amor era o sentimento mais bonito e puro do mundo e diziam ter sido inventado por Deus, assim como o sexo.

Enquanto ele ficava indeciso entre descer ou subir cada vez mais o vestido dela, o que era um tanto complicado, já que o mesmo era apertado demais e mais longo do que ele gostaria que fosse, descia também os beijos por toda extensão de sua pele, que tinha o cheiro favorito dele no mundo inteiro. Com um gemido lânguido ela deixou que ele a marcasse ao morder um de seus seios com mais força. Eles nunca haviam chegado ao ponto em que estavam prestes a chegar e aquilo não estava ocorrendo como ela sempre imaginara. Estava sendo muito melhor.

separou seus lábios dos de , um tanto bruscamente, permanecendo com os olhos fechados e os lábios contraídos. Ele a olhou, confuso.

Ela não podia resolver pôr a mão na consciência naquela altura do campeonato, não depois de deixá-lo louco para saber o que evitara por tanto tempo.

- O que aconteceu? - ele meio que se indignou.

Ela apenas sorriu preguiçosamente e em resposta disse:

- Estou tentando armazenar seu gosto na minha boca. - Aquilo foi incentivo suficiente para voltarem a se beijar freneticamente e sem pudor algum.

- Eu não tenho camisinha. – ele interrompeu o beijo, querendo bater em si mesmo por aquilo, e informou a ela, que riu pelo nariz não acreditando no que ele acabara de dizer. Era broxante!

- Que tipo de garota você acha que eu sou? - ela sorriu, denotando ser muito precavida. - Não se preocupe com isso agora. E eu confio muito em você, apesar dos pesares.

Não tinham muito tempo. Após abrir sua calça por completo, abaixá-la até onde apressadamente conseguiu e fazer o mesmo com a calcinha dela, ele a imobilizou-a contra o sofá, fixando seu olhar no dela e fazendo a quantidade de êxtase e adrenalina que corria no sangue de cada um começar a parecer absurda.

- Meu... Deus. - ele disse ofegante e riu da forma que pôde ao perceber a ironia daquela frase.

- Não... Pára... - ela arfou enquanto ele continuava a movimentar-se contra ela incessantemente, sua testa encostando-se à dela, que agora se controlava para não fazer tanto barulho.

E quando ele atingiu o ápice, não parou de se movimentar, para que ela pudesse atingi-lo também. Foi como se tivessem subido ao paraíso mais cedo. Toda aquela vontade de chegar àquele ponto, que tinham reprimido durante anos, os invadira e explodira de uma só vez, fazendo-os tremer e pensar que nada mais no mundo existia além deles mesmos. O que parecera ter durado uma eternidade para ocorrer, durara pouco, mas o suficiente para sanar todas as dúvidas de que aquilo tinha algo errado. Não tinha, não aos olhos deles.

Ambos sentiram os músculos se relaxarem enquanto recuperavam o ar e sentiam o hálito quente um do outro sobre a pele. Era tão bom poder ouvir a respiração dele daquele jeito e saber que causara aquilo que não queria sair daquela posição nunca. Queria ficar ali, dormir nos braços dele e acordar nos mesmos, pelo resto da vida. Mas a vida parecia injusta demais para deixar que isso acontecesse da forma que lhe parecia mais correta.

- Você tem que ir, . - disse, colocando uma mecha dos cabelos dela que caía sobre sua testa, ligeiramente suada, atrás de sua orelha, e percebia que ela começara a chorar. - Eu não quero que você chore mais, meu amor. - ele passou o polegar por uma lágrima grossa que escorria pela bochecha corada dela. - Por favor, não chora, tá? - ele implorava, agora podendo sentir a mesma dor que ela sentia. - Eu... Peço desculpas por ser tão tolo.

- Não peça desculpas quando você ainda tem alguns poucos minutos para desistir disso tudo. – ela o encarava, angustiada. Alguém teria que sair machucado daquela história e só cabia a ele decidir quem.

esperou, mas parecia não ter uma resposta convicta para sua pergunta.

Ela suspirou e deu um último beijo nele, com um gosto levemente salgado por causa de suas lágrimas. Sabia que ainda o veria, até demais. Só não sabia por quanto tempo mais suportaria vê-lo ao lado de .

Levemente empurrou e ajeitou sua calcinha. Saiu debaixo dele e foi até o espelho. Estava menos desarrumada do que esperava e sua maquiagem talvez ainda pudesse ser rapidamente recuperada se o delineador não resolvesse borrar mais seus olhos sem seu consentimento. Ajeitou ainda mais a calcinha e também o vestido, enquanto também se recompunha da melhor forma que podia; passou os dedos entre os cabelos em uma tentativa de penteá-los e tirou um pouco do rímel levemente borrado debaixo dos olhos com o polegar e o indicador, agradecendo a si mesma por usar maquiagem cara e à prova d'àgua. A desculpa já estava formulada em sua cabeça se perguntassem alguma coisa e ninguém perceberia nada.

Eles não trocaram mais nenhuma palavra, ambos atônitos e incrédulos à sua maneira com o que acabara de acontecer, até ela abrir a porta e olhá-lo como o que era todo seu e tinha o tempo que ela quisesse para dedicar-lhe e dizer:

- Eu te amo.

Antes de sair da sala onde estava, colocou a mão nos bolsos e sentiu uma textura diferente. Quando percebeu que era um papel, puxou-o do bolso e desdobrou-o. A caligrafia redonda de , que ele bem conhecia, estava gravada no pequeno papel e dizia:

‘The more you try to erase me, the more that I appear*.’

Lembre-se das nossas divertidas tardes de air band, quando você ainda não tinha o McFLY pra levar a sério!

You’re the only light I ever saw**,

?. ’

Habilidosamente ela conseguira colocar o bilhete ali. E parecia que o tinha feito só para lembrá-lo de que ela sempre o perseguiria, aonde quer que ele fosse.

Ao ver todos se levantando e entrando de vestido branco e véu, pela porta principal da igreja, as lágrimas que havia voltado a segurar já queriam se ver livres dela novamente. Quando colocou a aliança no dedo de sua noiva e a beijou, depois de lançar-lhe um olhar furtivo, ela não conseguiu mais suportar o nó na garganta e chorou, de tristeza e alegria ao mesmo tempo, por tê-lo tido daquela maneira minutos antes. Chorou da forma mais sincera que já conseguira chorar.

- Mas como você é sensível, ! - exclamou uma amiga que estava ao seu lado e também era madrinha do casal.

deu um meio sorriso e se explicou:

- É que é tão... Estranho ver o se casar...





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FIM

*Quanto mais você tenta me apagar, mais eu apareço.
**Você é a única luz que eu já pude ver.




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