Sunset - When The Pain Goes Away

Autora: Marcela Goulart
Status: Finalizada
Revisada por: Hata
Categoria: Seriados - The Vampire Diaries
Sub-Categoria: LongFic - Terror/Romance
Nota pelo desafio: 10.
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Capítulo I - "O ódio é uma tendência a aproveitar todas as ocasiões para prejudicar aos demais".


Os cabelos loiros e curtos voaram no vento quando o homem deixou o prédio sofisticado em direção na rua. Seu corpo era oculto por um terno, e em sua mão esquerda estava uma maleta executiva e a direita segurava o telefone celular no ouvido. Apesar dos metros de distância eu conseguia ouvir seus pedidos de desculpa para a mulher da voz fina que conversava com ele pelo outro lado da linha telefônica.
Ainda com o aparelho no ouvido, ele se contorceu e conseguiu apoiá-lo no ombro direito, deixando a mão livre e a levando no bolso para procurar algo. A chave do veículo. O prateado brilhou em meus olhos quando a luz o focalizou e segundos depois foi levado novamente ao bolso. Aproveitei que o homem louro ainda estava entretido com a briga com mulher para contornar o carro e entrar silenciosamente no banco do carona, aguardando o momento que ele entraria.
Ele sequer percebeu minha presença ao seu lado, soltou um longo suspiro cansado e depositou a maleta em meu colo, percebendo, finalmente, a minha presença no carro.
- Eu não irei machucá-lo. – Focalizei seus olhos aos meus e o homem relaxou. Eu preferia o seu desespero, era mais emocionante, mas não poderia chamar atenção em um lugar tão movimentado – Você parece infeliz.
Minha fala foi o suficiente para ele notar que eu era confiável e começar a tagarelar.
- Hoje eu faço dois anos de namoro, isso é tão insignificante para mim. Eu não consigo mais desejar a Lizzie como antes, não dá pra simplesmente ir até ela, transarmos e eu fingir que estou adorando aquilo.
- Achei que homens gostassem de fazer sexo em qualquer circunstância. – Comentei.
- Eu gosto de fazer sexo. – Defendeu-se. Novamente focalizei seus olhos.
- E prefere ainda mais comigo?
- Claro que sim. – Respondeu persuadido.
- Agora você irá me deixar dirigir até a minha casa e te divertir muito.
Ele assentiu, e retirou o cinto, abrindo a porta e contornando a frente do carro. Sorri presunçosa ao vê-lo protagonizar minha ordem, e pulei de um banco para o outro, assumindo a direção do carro assim que o louro entrou.
Deixei a cidade, optando pela auto-estrada para ir até o bairro distante que ficava minha casa. Carros zanzavam de um lado para o outro, a maioria eram viajantes que chegavam ou deixavam a cidade, porém alguns, como eu, optavam ir para os bairros mais longínquos pela estrada, não precisando contornar a cidade e aguentar o movimento de uma sexta à noite em Chicago.
A potência do carro ajudava-me a contornar os veículos lentos pelo caminho e acelerar; eu não estava com paciência para aguentar muitos minutos naquele carro fechado respirando o mesmo ar que um humano delicioso.
Agradeci ao ver a entrada a direita para a minha adorável casa e dei a seta, furando alguns carros e recebendo algumas buzinadas em protesto. Senti-o ao meu lado arquejar, porém eu era profissional para ser tão besta em um acidente assim.
Copas de árvores eram iluminadas pela luz da lua, e seus troncos iluminados pelo farol do carro enquanto eu seguia até minha casa.
- Ainda não sei seu nome. – Disse ao homem, arrancando a última marcha e acelerando o carro na potência máxima.
- Philip Brown, ou apenas Phill. Eu também não sei o seu. – Soltei uma risada nasalada e acariciei a perna de Philip.
- Você não precisará saber meu nome, querido Phill.
O jovem Brown deu de ombros e retornou a fitar a passagem, ele engolia em seco de minuto em minuto e sua testa suava de nervosismo. Sorri discretamente ao perceber isso. Ele era realmente bonito. E delicioso.
A pequena quantidade de casas começou a aparecer, todas possuíam enormes quintais e eram mais próximas da civilização, contornei ao norte e a quantidade começou a se tornar insignificante, umas duas casas por quilômetros, alterando para duas casas por três quilômetros e aumentando conforme os quilômetros se tornavam mais longe. As casas se tornaram escassas e novamente apenas árvores habitavam o caminho deserto. Por apenas mais alguns poucos segundos.
Embaixo da luz da lua o telhado de minha casa antiga brilhava, e rapidamente o muro alto que contornava a propriedade apareceu com a luz de meus faróis. Tateei minha bolsa no banco ao lado e rapidamente achei o controle que abria automaticamente os portões grossos de ferro.
- Chegamos. – Anunciei, estacionando o carro luxuoso na frente da casa.
Philip a observou por algum tempo, exibindo um sorriso enorme segundos depois.
- Uma bela casa antiga. Você sabe quando foi construída?
- A imobiliária disse que no século XIX, mas estou mais segura que seja no começo dele. A decoração está toda conservada.
- Gostas de coisas antigas? – Questionou. Tomei a dianteira e abri a porta, nem sequer dando-me o trabalho de fechá-la antes de sair.
- Antiguidade me alucina. – Sorri, e o convidei para entrar. Sem nem hesitar Phill entrou no campo minado, não tendo a pequena consciência do perigo que seria esse teto para sua existência – Quer alguma bebida?
Caminhei até a sala, sendo seguida por ele, e me servi de uma boa de dose de whisky, tomando a bebida sem esperar pela sua resposta. A sede começava a me consumir.
- Vou querer um desses também. – Apontou para o meu copo vazio. Enchi novamente o meu, e um para ele, entregando-o e virando o meu em um vasto gole.
- Acho que está na hora de conhecermos meu quarto. Não acha, Philip? – Focalizei seus olhos, retornando a usar minha persuasão.
- Acho uma ótima idéia. – Respondeu. Gargalhei perversamente e segurei em suas mãos, levando-o comigo escada a cima. Tive vontade de correr, mas seus passos humanos não me acompanhariam.
O quarto era iluminado pela luz da lua, seria o suficiente para mim, porém eu não gostava de coisas às escuras. Acendi a luz no interruptor enquanto o observa caminhar para longe de mim, em direção a cama de casal antiga contornada por cortinas finas. Aproveitei seu fascínio pelo móvel para me deslocar em milésimos para trás dele, e beijar seu pescoço.
O sangue pulsou sob a pele, aguçando meus instintos. Rapidamente, senti meu corpo corresponder àquilo e meus dentes afiaram-se em minhas gengivas acompanhados de meus olhos vermelhos. Fazia dois dias que eu não obtinha sangue humano, e não consegui me aguentar mais, cravando meus dentes em sua nuca e ouvindo-o gritar em protesto.
O líquido correu pela minha língua e minha papila gustativa emitiu ao meu cérebro aquele delicioso gosto do ferro em seu sangue. Enquanto mais eu sugava sua vida, menos vontade eu tinha de parar. Reuni minhas poucas forças para conseguir isso e o deixei livre de meus dentes afiados, deixando meu corpo retornar ao normal.
Segurei no braço do homem e o virei de frente a mim, novamente focalizei seus olhos observando o pânico nitidamente explodirem de seus globos azuis celeste.
- Você não tem motivo para ficar com medo de mim. Nada que eu farei a você é para lhe machucar.
E então, em um passe de mágica, todo aquele pânico sumiu e seus olhos voltaram ao normal fitando-me com curiosidade.
Envolvi minha mão sobre o lado de seu pescoço não machucado e o puxei para mim, unindo nossos lábios em um beijo calmo. Aproveitei novamente que ele estava entretido e o levei até a cama, jogando-o com força sobre o colchão. Nem me importei ao puxar minha roupa com força, ouvindo o ranger que denunciava que rasguei o tecido e joguei o que antigamente era uma blusa no chão. Seus olhos perderam-se pelo meu corpo, aquilo era tão comum que eu sequer me importei com o desejo em seus olhos.
Engatinhei por cima de seu corpo e sentei em seu colo, retirando sua roupa com cuidado. Eu não queria algo detalhista, apenas sexo para compensar os dias que estive em falta com humanos. Tirei a parte incô moda de suas vestes e encaixei meu corpo sobre o detalhe principal que havia sido exposto sem a vestimenta. Não precisei de Phill para movimentarmo-nos, apenas tomei o meu papel como sempre, e iniciei meus movimentos extremamente rápidos. Eu sei que aquilo podia ser exagerado ao seu corpo frágil, mas apenas assim conseguia proporcionar o prazer que o meu corpo necessitava. E eu era demasiadamente egoísta para apenas importar-me com seu corpo. Ódio por humanos não definia com precisão esse sentimento, talvez amor-próprio possa ser mais correto.
Ele ofegou quando atingi meu ápice, talvez o orgasmo feminino mais rápido que ele já tivera a chance de provar. E seria o último da sua vida pacata.
- Uma mãe diria que não devemos brincar com a comida. – Sussurrei, retornando a engatinhar até alcançar sua boca e beijá-la novamente – Mas nunca tive uma mãe para me dizer isto.
Novamente senti minhas gengivas doerem expondo minha arma para a sobrevivência e a investi no outro lado de seu pescoço, o que não estava machucado. Desta vez não houve gritos por sua parte, ele estava hipnotizado e não sentiria isso como deveria.
Suguei seu sangue o máximo, o suficiente para deixá-lo escasso para bombear corretamente por seu corpo. Satisfeita, sentei-me ereta sobre seu colo e limpei minha boca com minha mão, chupando meu dedo ensaguentado em seguida.
- Delicioso. Como eu imaginava.
Sorri ao corpo sem vida sobre a minha cama, sentindo apenas a satisfação ao me alimentar. O vesti com seu terno intacto e o deixei ali. Tinha uma idéia para o que fazer desta vez.
Abandonei o quarto e segui até o outro cômodo da casa, o que eu guardava minhas roupas. Uma casa tão grande com tantos cômodos seria um desperdício se guardasse tudo no mesmo lugar. Vesti-me novamente com uma calça jeans e uma blusa mais justa e vermelha. Eu gostava dessa cor, era a minha preferida. Calcei meus saltos e desci as escadas. Em breve Philip teria companhia.
Seu carro estava parado na frente da casa, e minha bolsa ainda estava sobre o banco do carona. Abri o portão enquanto acelerava o carro, aumentando a velocidade ao tomar a estrada. Sem humanos eu chegaria ao meu destino muito mais rápido.
Como era esperado, paradas no acostamento da auto-estrada estavam duas prostitutas trajando pedaços de panos quase inexistentes. Parei o carro na frente delas e buzinei, elas rapidamente entraram em uma batalha para ver quem viria até o carro de luxo esperando por uma delas. A escolhida foi a morena, que contornou o carro e parou de frente a janela do motorista que já estava abaixada esperando-a. Ela inclinou-se, apoiando suas mãos sobre o vidro abaixado e eu detectei o esmalte vermelho já descascado em suas unhas, ela mascava um chiclete futilmente, fazendo-se referente ao nome baixo na qual era chamada; seu cenho franziu ao ver que era uma mulher quem dirigira.
- Desculpe. – Antes que ela dissesse algo a mais eu a vetei.
- Pago o triplo por seus serviços. Mas se preferir, eu pago para a sua amiga.
Dando-se por vencida, ela retornou a contornar o carro e entrou, sentando-se no banco do passageiro. Ao sair da auto-estrada voltei a acelerar o carro, na madrugada de sexta não tinha movimento nas ruas então eu podia abusar da alta velocidade sem persuadir ninguém.
Um minuto foi o suficiente para eu chegar até o portão de ferro e abri-lo, estacionando o carro no mesmo lugar de antes. A prostituta me seguiu para dentro de casa, acompanhando-me até o meu quarto no andar superior.
Seu coração acelerou ao ver o corpo desacordado sobre a minha cama.
- Ele está bem? – Disse ela, correndo até Phill e mexendo em seu corpo. Seus olhos pararam sobre as marcas de dentes em sua nuca e a ouvi ofegar. O dente era o suficiente para denunciar o que eu sou.
- Devia se preocupar mais com seu bem estar, senhorita.
Em um latejar de seu coração eu já estava atrás dela. Seu corpo virou rapidamente a mim, as lágrimas vazando de seus olhos.
Mulheres não são meu tipo preferido, na verdade preferia um whisky a elas, só que essa eu me via obrigada a experimentar seu sangue, a abstinência durante estes dois dias havia feito meu corpo chegar ao limite. Novamente todos os indícios de meu eu vampiro apareceram e eu cravei meus dentes em seu pulso, sugando-o por alguns segundos apenas para ouvi-la gritar e se debater.
- Adeus putinha de estrada. – Despedi-me cordialmente, e levei minhas mãos até o seu pescoço, destroncando-o.
O corpo caiu desacordado no chão e eu sorri com aquele prazer em fazer a maldade. Não satisfeita com destroncar apenas uma pessoa, fui para o outro corpo em cima da cama e tirei o pescoço do homem também do lugar.
Faltavam poucas horas para o sol nascer, e eu havia que me livrar desses dois. Levei-os para o carro e os deixei no banco de trás, enquanto tomava o outro caminho para ir até a cidade, já que essa hora teria menos movimento.
O lugar escolhido desta vez foi uma estrada próxima a uma boate destinada a garotas nuas dançando em cima de mesas enquanto homens as desejavam e queriam levá-las para um quarto, ou para um carro. O lugar perfeito para a mistura entre desejo e bebidas alcoólicas terminando em um acidente de carro. Coloquei o homem sobre o banco do motorista e deixei seu peso preso de um jeito no acelerador, enquanto a mulher ficou ao seu lado no banco do passageiro e abandonei o carro com a minha velocidade incomparável. Rapidamente, o automóvel desapareceu pelo barranco e o ouvi explodir por ter se chocado com alguma coisa. O cheiro de gasolina preencheu o ambiente e eu sorri.
Havia concluído com sucesso mais uma vez.

Capítulo II - "Assim como o dia começa na noite anterior, a noite termina no dia seguinte."


O sol havia se posto há algumas horas, levando consigo o motivo que me vetava entre as paredes antigas desta casa. Uma massa de ar frio havia se aproximado da cidade hoje, deixando suas temperaturas muito mais baixas do que o normal. Acabei retirando um sobretudo do armário, e o pus sobre o corpete que eu vestia juntamente com a cinta-liga e a meia preta 7/8.
Um post-it na geladeira abastecida de sangue continha o número do ponto de táxi que eu utilizava todas as noites para ir até a cidade, disquei o número e pedi ao homem que atendera vir até meu endereço; todos me conheciam para não ser necessária a minha identificação.
Treze minutos depois da ligação ouvi o motor do táxi de terça-feira pegar a estrada para minha casa, parando alguns minutos depois e buzinando anunciando a sua chegada. Com minha velocidade, aproveitei o breu da noite para ir até o portão sem ser notada. O mesmo homem calvo de terça me esperava com o carro estacionado em frente ao meu portão.
- Boa noite senhorita. – Cumprimentou-me ao entrar – Qual é o destino desta noite?
- O mesmo de sempre. – Ele assentiu. O carro iniciou a andar em uma velocidade calma que me estressava. Rolei os olhos com aquela lerdeza, e liguei o som. Uma música animada tocava na rádio mais badalada da cidade, comecei a tamborilar seu ritmo em minha perna tentando me entreter enquanto os minutos passavam e nós nos aproximávamos do movimento urbano em um sábado à noite.
O fluxo de veículos em Chicago era muito maior hoje, nada comparado ao movimento de ontem. Isso favorecia todos os critérios de uma alimentação bem sucedida. O ponto de táxi no coração da cidade apareceu ao atravessarmos um semáforo, e o carro foi estacionado rente ao meio fio. Puxei o rosto do homem em minha direção e beijei seus lábios, ele não era atraente, porém eu sequer me importava com isso, seu corpo amoleceu no banco como sempre fazia quando eu o beijava.
- Você não irá me pedir pra pagar, irá? – Questionei, fitando seus olhos.
- Não, você nunca precisará pagar.
- Obrigada Jimmy. – Sorri ao homem hipnotizado e deixei o carro.
Grupos de pessoas andavam animados pela rua em conversas indistintas. Não me concentrei em ouvi-las, eu poderia fazer isso com todos que passavam. A noite estava agradável, crimes aconteciam com uma frequência incomparável em dias assim, e isso me ajudava muito. Pesei as opções enquanto eu passeava pelas ruas, medindo todos os lugares a procura do melhor para ser a escolha da noite. Um bar inédito as minhas visitas, chamou-me a atenção. Apesar de ser apenas onze horas ele já estava lotado de pessoas querendo buscar a diversão de Chicago, e eu não era diferente de nenhuma delas. Talvez só um pouco.
Corri meus olhos pelo ambiente enquanto eu entrava lá, e rumei até o balcão, sentando-me em um dos bancos. O barman rapidamente veio até a minha frente.
- Um conhaque, por favor.
Ele sorriu e deixou-me, retornando depois com um copo. O virei sem delongas, pedindo pelo segundo. Os olhos do homem penetravam em mim com tanta intensidade que a cada vez que eu terminava meu copo, ele já o enchia rapidamente.
- Tentando afogar as mágoas? – Questionou uma voz masculina ao meu lado. Abandonei meu flerte com o garçom bonitinho para fitá-lo, não me arrependendo nem um pouco por ter feito isso. Olhos azuis brilharam em minha direção, enquanto os lábios foram puxados em um sorriso torto sedutor.
- Tentando buscar a diversão solitária em um sábado à noite. – Correspondi ao seu sorriso, retornando a atenção ao meu copo e o virando. Apenas o álcool controlaria agora a vontade que eu tinha de provar o sangue deste homem, ele devia ser tão apetitoso quanto seu corpo convidativo.
- Vou querer o mesmo da senhorita. – Disse ele ao garçom que rolou os olhos ao notar que havia sido abandonado por mim esta noite. Ele sumiu para pegar a bebida e retornou, entregando-a ao homem, que ergueu o copo em um brinde silencioso. Fiz o mesmo com o meu.
Um anel em seu dedo prendeu minha atenção, o tamanho da pedra antiquada e bonita era estranho em dedos masculinos.
- Belo anel. – Admirei a pedra por mais alguns segundos, desviando meu olhar para seus olhos.
- Herança de família. – Esclareceu-me.
- Tentando afogar as mágoas? – Repeti sua pergunta, e um riso escapou de seus lábios.
- É. – Respondeu, bebericando seu conhaque – Mas depois eu vi você e meu sofrimento passou a ser insignificante.
Novamente, o mesmo sorriso torto sedutor foi direcionado a mim e eu me vi obrigada a retornar minha atenção ao álcool para controlar a vontade.
- Amor é uma droga. – Seu murmúrio podia ter sido inaudível para qualquer ouvido humano, mas não era para mim.
- Concordo. – Utilizei seu tom de voz, mas ao notá-lo sorrir percebi que ele também havia escutado. Humano com audição apurada. Interessante.
- Você aí, eu aqui. Isso é tão desproporcional. – Ele deslizou seu banco até alguns centímetros de distância para perto de mim, depositando sua mão sobre minha coxa.
- O que sugere? – Arqueei uma sobrancelha.
- Algo mais físico. – Propôs diretamente. Inclinei-me a frente, sussurrando em seu ouvido:
- Na minha casa ou na sua?
- Prefiro a minha. – Levantou-se, oferecendo sua mão a mim, levei a minha até a sua e seus dedos entrelaçaram-se aos meus. Deixei sobre a bancada algumas notas de dólares e o segui para fora do bar.
Chicago cantou sobre meus ouvidos, a melodia que apenas uma cidade grande tinha. Vozes, carros, músicas, gritos, choros, risos. Tudo misturado e soando perfeitamente a qualquer ouvido sobrenatural. O desconhecido optou pelo lado mais obscuro da cidade, entrando em um beco negro que jaziam alguns lixos e cheiros podres, como de peixe, pelo chão. O final do beco anunciou uma rua deserta, com casas abandonas e prédios podres. Foi uma destas casas que ele foi, não sabendo o quanto aquele lugar era impróprio para sua sobrevivência.
Ele abriu a porta e entrou, tentei segui-lo, mas a barreira invisível me impediu.
- Não irá me convidar pra entrar? – Sorri encantadoramente a minha vítima.
- Que falta de educação a minha. – O homem dos olhos azuis retornou até mim, segurando minha mão – Entre, por favor.
As palavras mágicas foram o suficiente para meus pés serem aceitos no território estranho. Diferente do imaginado, a casa tinha um decoração não tão precária como a fachada da mesma e como a rua denunciavam. Era arrumada, porém simples. Nada que chamasse atenção.
- Quer beber mais alguma coisa? – Indagou a mim.
- Já tenho álcool o suficiente no meu corpo, e quero estar sóbria para me comportar corretamente.
- Você que sabe. – Deu de ombros e rumou até algum cômodo da casa, enquanto eu o esperava parada de frente a porta. Alguns segundos depois ele retornou bebendo whisky – Eu ainda não sei seu nome.
- Eu também não sei o seu. – Rebati.
- Damon Salvatore. – Apresentou-se, curvando seu corpo a mim e beijando minha mão.
- . – O reverenciei flexionando minhas pernas e ele sorriu, puxando-me de encontro com o seu corpo.
- Isso já é o suficiente, senhorita . – Disse antes de beijar meus lábios. Um beijo igual, eu só havia presenciado há muitos anos atrás.
Correspondi ao seu beijo com muito mais fôlego do que ele tinha a me dar, Damon ergueu meu corpo no ar e eu entrelacei minhas pernas em sua cintura. Sem se atrapalhar pelo fato de estar me beijando, ele caminhou comigo às cegas para algum lugar que depois de chocar minhas costas nele notei que era uma parede.
Minhas mãos dedilharam sobre seus músculos cobertos pela camisa, e eu retirei seu blazer preto, jogando-o no chão. Não hesitei em fazer o mesmo com sua camisa, e ela escorregou das minhas mãos que ansiaram para tocar seu abdômen definido. Damon me pôs no chão, e levou suas mãos até os botões de meu sobretudo, sem paciência para abri-los e arrancando-os enquanto fazia isso. Deixei o tecido grosso escorregar pelos meus braços, indo de encontro ao chão e revelando minhas peças íntimas, aquilo foi o suficiente para ele levantar-me novamente e eu entrelacei minhas pernas em seu corpo, retirando meus sapatos com os pés.
Minhas costas foram desencostadas da parede e eu flutuei até a cama, sentido o macio colchão acariciar minhas costas.
- Agradeço pelas mulheres não usarem isso hoje com tanta frequência como antigamente, mas não posso discordar do quão gostosas vocês ficam quando vestem isto. – Murmurou ele, alienado com algum pensamento próprio enquanto corria seus olhos pelo meu busto. Suas mãos seguraram o tecido de meu corpete e o rasgou com brutalidade, livrando-me daquilo.
Seus lábios retornaram a minha boca, deslizando por minha nuca até a cintura e parando sobre o tecido que tampava minha intimidade, rapidamente ele a puxou para baixo, juntamente com a cinta-liga e a meia calça que eu usava.
Não gostava de humanos na vantagem, então empurrei Damon para o espaço ao lado da cama, ficando sobre ele. Abri sua calça com agilidade e a abaixei juntamente com a boxer. Ele me auxiliou a encaixar nossos corpos e correspondeu muito bem a minha velocidade. Aquilo me surpreendeu, pois seria um desperdício matar um homem tão avançado sexualmente como este.
Inclinei para sua nuca, sentindo minha garganta começar a doer devido à sede, eu não aguentaria muito tempo. Meus lábios roçaram a região, não resistindo à hipótese de abrir minha boca e cravar meus dentes na pele; se antes eu não fosse jogada contra a parede.
Ofeguei quando senti meus ossos quebrarem algo, que por sorte, não era madeira. Sobre a cama, Damon estava com a respiração tão acelerada quanto a minha, tentando recuperar-se de seu quase assassinato impossível.
- Acho que fiquei sem jantar. – Murmurei, recompondo-me. Sua gargalhada estrondosa dominou o quarto, enquanto ele levantava e caminhava até mim – Muito avançado para ser um simples humano.
- Pensei que você fosse uma vadia, odeio pagar por elas. – Assumiu, beijando-me os ombros.
- E eu pensei que você fosse o tipo de jantar prático. Uma espécie de macarrão instantâneo. – Empurrei seu corpo, me esquivando para ir me vestir.
- Já vai?
- Você me deixou sem jantar, Damon. – Lembrei-lhe.
- E daí? – Em um piscar de olhos seu corpo já estava junto do meu novamente, acariciando-me – Não vai embora.
- Não confio em vampiros. – Esquivei-me novamente, sem sucesso.
- Acha que eu botaria em perigo minha própria espécie? – Questionou.
- Tenho motivos suficientes para não confiar em vampiros.
- Me conte então. – Pediu, puxando-me novamente para seu corpo. Acabei não resistindo e deixei ele me beijar, avançando suas caricias até que novamente estávamos sobre a cama nos movimentando rapidamente.
Cinco minutos foram o suficiente para concluirmos até o nosso ápice.
Cobri meu corpo com o lençol, aconchegando-me no colchão velho de sua cama. Damon ainda esperava alguma resposta da minha parte.
- Meu namorado foi morto por um. Ele dizia que era nosso amigo, até que falou sobre a nossa existência a alguns humanos que injetaram verbena quando iriam ser o jantar de Dan. Sem a sua força foi o suficiente para matá-lo com uma estaca.
- Há quanto tempo faz isso?
- Oitenta anos atrás, três anos depois de eu ter sido transformada.
- Você o amava?
- O único homem que eu amei na vida. Depois que ele se foi a vida passou a ser insignificante.
- Eu passei por algo parecido, só que há uns cento e cinquenta anos atrás. Eu achei que ela tinha sido morta, na verdade está viva e nunca me procurou. Você não vai querer ouvir. – Encerrou o assunto, deixando-me curiosa.
- O que aconteceu? – Incentivei.
- Eu era apaixonado por ela, Katherine, a mulher mais linda do mundo. Katherine era apaixonada por mim e pelo meu irmão, e então descobriram os vampiros da cidade e ela foi levada para ser morta. Uma bruxa amiga dela fez uma magia e deixou todos os vampiros presos em uma tumba.
- Bruxa?
- Elas existem. – Damon sorriu a mim – E me ajudaram a abrir a tumba de novo, depois desse tempo todo, mas Katherine não estava lá. Ela havia conseguido escapar e não me procurou.
- E estava afogando as mágoas por causa dela? – Não contive novamente a curiosidade.
- Não. Pela Elena, a namorada do meu irmão e descendente de Katherine.
- Me deixa ver se entendi... – murmurei, sentando-me na cama para olhar pra ele – Você amava Katherine, ela amava você e seu irmão. Você achava que ela morreu, mas ela estava viva. E agora você está apaixonado pela descendente dela e namorada do seu irmão? – Ele assentiu – Nunca vi isso na minha vida. – Assumi.
- Me conte sobre você. – Propôs a mim, e instintivamente eu me encolhi.
- Eu morava no Brasil quando Dan me achou, mas precisamente em um orfanato. Meus pais morreram cedo e quando eu deixei o orfanato Dan esperava por mim, estávamos apaixonados e ele me contou sobre o que era no tempo que ficou fora. Eu pedi para que me transformasse, mas duraram anos para que ele resolvesse aceitar meu pedido. Nós deixamos o Brasil e viemos para os Estados Unidos, naquele tempo era muito mais fácil atravessar pelo México. Morávamos em Seattle quando isso aconteceu, Mark se juntou a nós e conviveu conosco durante meses. Até que um dia estávamos indo caçar durante a noite quando tudo aconteceu. Eu queria ajudar, mas ele me mandou fugir; não tive coragem de abandoná-lo, e quando ele morreu eu tive que correr e escapar de Mark antes que ele me pegasse. Desde então eu moro aqui, com todas as lembranças no peito.
- E você conseguiu superar? – Questionou.
- Não tem como. Sempre vai haver o buraco. Até ele ser suprido.
- E quando ele é suprido?
- Quando o sol se põe e eu posso ser quem eu sou de verdade e me desligar de tudo.
- Tentei isso por um tempo, mas agora não consigo mais. – Damon escondeu seus olhos azuis atrás das pálpebras e eu senti a dor em suas feições. Depositei minha mão sobre a sua e a apertei levemente.
- Eu não posso fazer nada quanto a isso, me desculpe. – Sussurrei, levantado-me e indo vestir minhas roupas, dessa vez sem interrupção. Rasguei um pedaço de sua camisa preta para utilizá-la como cinto e fechar meu sobretudo – Adeus Damon.
Ele continuou paralisado na cama, e eu aproveitei para deixar sua casa tomando o caminho em direção ao beco escuro. Teria mais algumas horas até o raiar do sol para me alimentar e apagar esse sentimento que havia crescido novamente em mim. O sentimento que eu havia fugido durante esses anos todos e vieram à tona com tanta facilidade.

Capítulo III “Paciência e perseverança tem o efeito mágico de fazer as dificuldades desaparecerem e os obstáculos sumirem. “


Monotonamente entediante era a descrição dos dias para mim. Enquanto o sol iluminasse as horas eu teria todos os motivos para detestá-lo. Não conseguia mais ficar escondida entre as paredes da casa enquanto meu coração latejava e doía.
Damon protagonizava a maior parte de meus pensamentos. A sua dor era tão reconfortante, me fazia ver que eu não era a única fraca que agia ridiculamente por sentir o vazio da perda dentro de si. Eu queria sangue, queria sair e matar alguém, descontar todas as minhas frustrações enquanto sugava o sangue e a vida de qualquer pessoa inocente.
Já havia acabado com meu estoque sanguíneo da geladeira, o que me fazia recorrer às inúmeras garrafas alcoólicas que enfeitavam minha sala. A terceira garrafa de Martini acabou e eu a joguei no chão, ouvindo o vidro partir-se em pedaços pequenos e enfeitá-lo como uma arma para os pés.
Ouvi passos aproximaram-se da porta, mas não me importei com isso, estava tão bêbada que devia ser algo da minha cabeça. Também ignorei que alguém estivesse batendo nela. Mesmo sabendo que era uma ilusão, eu levantei e acabei cortando meus pés com os cacos de vidro, tirei-os dos meus pés e retornei a cambalear até a porta, abrindo-a.
O sol brilhou em minha pele, aquela sensação horrível de seus raios cortando-me e queimando-me. Sem forças, caí ao chão e deslizei meu corpo para longe dos raios, ao lado da porta.
- Se você me convidar para entrar eu vou poder fechar a porta. – Damon disse do lado de fora da casa. Tentei me levantar, porém não tive coragem de fazer isso.
- Pode entrar. – Sussurrei. A porta foi fechada e o corpo de Damon parou na minha frente, estendo-me a sua mão para me erguer. Aceitei-a e ele me levantou – Como você consegue?
- Essa belezinha me ajuda. – Ele apontou para o anel em seu dedo e sorriu. Sua mão oculta apareceu e ele me estendeu um buquê de flores. Rosas vermelhas – Para você.
- O que eu te fiz? – Questionei, tentando não demonstrar todo o entusiasmo que eu sentia ao receber flores. A última vez fora há tanto tempo.
- Você mostrou que eu posso ser mais forte do que isso. – Damon retornou a tentar entregar-me as flores e desta vez eu aceitei, pegando o buquê.
- Quer um pouco de conhaque? – Ofereci, indo até a cozinha colocá-las sobre uma jarra de suco não utilizada que serviu como vaso improvisado.
- Já estou alimentado, obrigado.
Dei de ombros e fui até a sala com meu passo rápido, Damon estava sentado no sofá quando eu cheguei lá.
- Eu não estou entendendo o que você quer, Damon. Achei que a parte de eu dizer que não confio em vampiros foi o suficiente pra você não vir me procurar. Aliás, como você achou minha casa?
- Fui atrás de você ontem à noite. Fez um bom trabalho com o ruivo, com certeza nunca irão notar qual foi o verdadeiro motivo da morte dele. – Elogiou-me – Depois eu te segui até aqui e descobri onde você morava, ou melhor, se escondia.
- Você não respondeu minha primeira pergunta. O que você quer?
- , você não nota o quanto podemos ser útil um ao outro? – Damon parou de frente a mim, acariciando meu rosto com sua mão macia – Estamos visivelmente machucados. Você está há oitenta anos sem companhia, e eu preciso de uma companhia agora. E você, você é tão gostosa.
- Seja objetivo.
- Fique comigo.
- Eu não te conheço. – Empurrei-o com força e seu corpo chocou-se contra o sofá. Apressei-me em subir as escadas, jogando-me sobre a cama e ouvindo-a rugir; não pelo meu peso, mas pelo fato dele ter se jogado com força por cima de mim.
- Não se esqueça que eu fui convidado a entrar.
- Isso é uma ameaça?
Ele hesitou, e desprendeu meus braços de suas mãos, se levantado rapidamente e separando-se de mim a alguns passos.
- Eu quero fazer apenas essa dor parar. – Seus olhos estavam marejados quando ele olhou novamente para mim. Damon retornou a usar sua velocidade e ergueu-me da cama, segurando-me pelo pulso enquanto levava minha mão direita até seu coração – Você consegue fazer isso, me provou ontem.
- E como pode confiar tanto em mim, Damon? Você não me conhece. Eu tentei matá-lo. – Relembrei e sua mão apertou com mais força meu pulso.
- Eu preciso disso. Eu não tenho outra escolha, . Primeiro Katherine, agora Elena. Apenas me faça esquecê-las, esquecer essas duas vadias que entraram na minha vida. – Suplicou com tanta esperança que eu não consegui dizer algo negativo, somente assenti e deixei seus lábios grudarem-se aos meus, enquanto eu era jogada novamente contra a cama.
Damon rasgou minha roupa, e eu o senti adentrar-me com tanta força. Apenas Dan havia feito assim, ele havia sido o único vampiro que eu havia pertencido outrora.
A cama denunciava o quanto estava frágil com sua força, quebrando a madeira alguns minutos depois de começarmos.
- Acho que eu estou te devendo uma cama. – Sussurrou contra minha nuca, abafando um riso. Eu estava perplexa olhando para o teto sem nada para dizer.
- Damon... – Tomei coragem de iniciar – Você acha que isso pode dar certo?
Ele olhou para mim, e apenas sorriu, o mesmo sorriso que havia sido destinado a mim quando nos conhecemos.
- Se nós não tentarmos como iremos saber?
Seus lábios uniram-se aos meus carinhosamente, e o beijo foi finalizado com uma mordida nos mesmos.
- Eu posso confiar em você? – Esta era a pergunta que rondava todos os meus pensamentos.
- Sim. Eu estou acreditando em você.
- E se não der certo?
- Pelo menos nós tentarmos esquecer tudo isso – ele novamente me beijou, aprofundando suas caricias pelo meu corpo despido, até parar bruscamente – Só acho que precisamos de uma cama nova para conseguirmos acertar as coisas com mais dedicação.
Um sorriso malicioso estampou seu rosto e refletiu no meu.
- Uma cama nova. – Murmurei, pegando sua mão que continha o anel e erguendo-a para ele observar – Você vai lá comprar enquanto eu espero aqui.
- Eu sabia que podia contar com você, garota. – Damon levantou-se e vestiu suas roupas, acenando a mim antes de deixar o quarto.
Eu esperava que isso desse certo tanto quanto ele.
Por oitenta anos eu precisei de outro motivo para continuar a existir, e não por medo da morte. Talvez o motivo de eu não desistir de minha existência houvesse chegado mais cedo do que o esperado.




FIM


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