The Lyricist

Autora: Ana Zaroni
Status: Em Andamento
Revisada por: Hata
Categoria: Hot Fics
Sub-Categoria: LongFic - Comédia Romântica
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Capítulo 1

Ser famosa foi uma coisa que nunca me interessou realmente. Só o pensamento de não poder mais andar pelas ruas e falar com as pessoas livremente quando eu quiser, como eu quiser e onde eu quiser, me deixa um pouco assustada. Se eu sou uma cidadã comum? Não, eu até posso dizer que sou famosa. Pois é. Ironia do destino, não? Só que apenas algumas pessoas sabem disso: O presidente da Universal Music; James, o empresário da Phonics e é claro Pete, Mike, Dave e Matt.
Phonics: Esses quatro garotos são tudo na minha vida. Meus melhores amigos, meus irmãos, minhas dores de cabeça, minhas maiores confusões, meus amores. Estamos juntos desde a escola. Matt é o baixista da banda. Viu Matt?! Eu aprendi a te apresentar para as pessoas! Não falo mais “Esse é o Matt, ele toca baixo!”... Pega mal né, dude?! Anyway, Matt tem um estilo que me lembra um pouco o dos skatistas, está sempre usando calça jeans, camiseta, tênis enormes e boné. Ele é meio loiro, mas não aquele loiro aguado de ser, um loiro natural meio puxado para o castanho e que definitivamente não conhece o significado de escova de cabelo, tem os olhos castanhos amendoados e é o mais velho da banda, o mais inteligente. Bom, pelo menos ele pensa que é. Ele é o tipo de cara que tenta ser responsável e cuidar da gente. Claro que no fim, nunca resiste e acaba sendo levado pelos nossos planos infalíveis que sempre falham.
O Mike e o Pete são gêmeos, e assim como eu, temos maravilhosos 20 anos. Aparentemente eles são idênticos. Os dois têm os olhos mais verdes que eu já vi na minha vida. Pete tem um piercing no canto da boca e por algum motivo que eu ainda não entendi, pintou um pedaço do cabelo de loiro e ficou parecendo o filho perdido da Cruella Devil. O Mike tem o cabelo meio avermelhado e só tem uma argola no nariz e alguns brincos nas orelhas. Pete toca guitarra e o Mike, bateria. Os dois são bastante engraçados e gostam de apelar pro tabu dos gêmeos às vezes, sabem? Aquele lance de irmãos gêmeos que são apaixonados um pelo outro, uns fingidos. Conheço os dois desde que éramos crianças, e sempre soube diferenciá-los antes mesmo de eles começarem a ter os cabelos diferentes. O Pete sempre fala mais do que devia e é meio cabeça quente já o Mike é mais tranquilo e quase nunca fica irritado, mas quando ele fica, aí gente tenta nem chegar perto dele por uns 3 dias! Ele fica meio perigoso sabe? Bom, geralmente os dois sempre fazem besteira e grande partes dos problemas em que a gente se mete é culpa deles e do Dave.
David, ou Dave para os mais íntimos, é o vocalista e caçulinha, todo mundo enche o saco dele porque ele é menor e tem carinha de bebê, mas o menino é esperto, ele é calculista e sabe usar bem a carinha de bebê que ele tem, sempre finge ser um fofo mas na verdade é o mais tarado e mulherengo da banda. A mãe dele é descendente de japoneses e o pai o típico americano loiro de olhos claros. Então ele tem aquele tipo de beleza exótica. Olhos puxados e cinzentos. Sempre tentava espiar quando eu trocava de roupa na garagem onde a gente começou, claro que eu descobria e dava uns tapas nele, o Matt me ajudava também. Eles dois são muito apegados, e o Matt é quem sempre dá as maiores broncas nele, vai entender né?...
E eu? Bom, você deve estar querendo saber, e o que é você? É pra você entender a nossa relação, é mais fácil eu contar sobre quando ainda éramos míseros desconhecidos, e como nos juntamos.

FLASHBACK ON:

- E na aula de hoje, quero que vocês escrevam uma poesia para entregar valendo nota! Sem desculpas! – Avisou a senhora Flinch, olhando seriamente em nossos olhos, fechando seu livro grosso e amarelado de literatura já comido pelas traças, indo se sentar na sua cadeira, onde ficaria o resto da aula lendo um romance vagabundo comprado em algum sebo empoeirado qualquer da cidade.
Olhei para a carteira ao lado da minha, Pete estava com a cabeça apoiada em seu livro aberto, os olhos fechados e a boca semi-aberta, mostrando um líquido transparente que começava a escorrer pelo canto dela. Quantas horas por dia essa criatura precisava dormir? Cutuquei o garoto que estava sentado na minha frente, ele virou-se para mim intrigado e me viu apontar para Pete que continuava a dormir serenamente.
- Ele ficou acordado a noite toda de novo jogando vídeo game por acaso? – Perguntei, interessada, apontando meu lápis que iria usar para escrever a poesia.
- Não, estávamos ocupados, tentando escrever uma música nova. – Explicou o garoto, desmontando despreocupadamente uma caneta bic que havia pego em cima da minha mesa.
- Uhn... Espero que essa tenha ficado melhor do que ‘Hoje eu acordei e quis comer panqueca, desci a escada estava só de cueca, pus o dedo no nariz e tirei meleca, meleca na panqueca que eu comi só de cueca’ – Fiz careta ao lembrar da música, agora ela ia ficar na minha cabeça. Dei um longo suspiro, como eu escreveria essa poesia? Tinha ido mal na prova, precisava de nota nessa matéria.
- Idéia daquele idiota ali! – Riu o garoto, apontando para Pete, agora colocando um pedaço de papel dentro da boca e segurando o tubo de bic, com um sorriso malvado estampado no rosto.
- 5 reais se você acertar dentro da boca dele. – Ri também, me distraindo um pouco da minha folha em branco e olhando para ele que se preparava para atirar.
- 3...2...1...Pff!
- AI! COF..COF...PUTA QUE O PARIU! COF...QUEM FOI O FILHO DA PUTA?! – Gritou Pete, levantando da mesa, com a baba ainda escorrendo no canto de sua boca, tossindo por ter engolido o pedacinho de papel.
Claro que ele percebeu que nós dois, estávamos azuis de dar risada. E que a arma do crime continuava nas mãos do culpado.
- Algum problema aí atrás Sr. Miller? – Perguntou a Sra. Flinch, desviando a atenção de seu livro para encarar Pete, severamente.
- Nenhum Sra. Flinch, só estava esticando as pernas um pouco! – Disse, Pete, alongando as pernas e os braços, como se ele realmente tivesse se levantado para fazer isso. Pete, você devia largar essa vida de guitarra e ser ator querido!
- Deixe isso para hora do intervalo! – Ralhou a Sra. Flinch, ajeitando-se novamente em sua cadeira dura de mogno e voltando toda a sua atenção ao romance que lia após ver Pete se sentar.
- Você me paga Mike! – Sussurrou ele, olhando feio para sua própria cópia, o garoto sentado a minha frente que ainda ria disfarçadamente. Ou pelo menos tentava disfarçar. – E nem pense que eu não sei que tem um dedinho seu também nisso senhorita .
- Mas que calúnia! Eu só estou aqui, tentando humildemente escrever uma linda poesia! – Disse, fazendo cara de ofendida e mostrando o papel em branco para o garoto que ainda me encarava. – Aliás, você também deveria tentar começar a sua menino que baba! Tem que entregar e vale nota! – Expliquei, me voltando ao meu papel em branco mais uma vez, esboçando um sorriso ao pensar na expressão confusa que Pete fez ao ser chamado de menino que baba.
Sério, que tipo de poesia eu ia escrever? As férias de verão já tão aí! Eu não consigo pensar em nada além disso. Encarei o relógio pendurado acima do quadro negro mostrando que eu tinha apenas 20 minutos para evitar que ficasse trancada no colégio o verão inteiro tendo aulas extras de literatura. Olhei ao redor e chequei que as expressões dos meus colegas de classe diziam que tinham feito tanto progresso com seus trabalhos quanto eu. Céus, como eu iria escrever esse poema?! O jeito é escrever qualquer coisa e ver no que dá...

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- Hoje, estarei devolvendo as poesias de vocês com as devidas notas! Vocês serão chamados em ordem alfabética. – Anunciou a Sra. Flinch, de pé a frente da classe, segurando todas aquelas folhas que definiriam o futuro de cada indivíduo ali presente. Inclusive o meu próprio. - ! – Chamou ela, olhando em minha direção. Ótimo pai! Muito obrigada! Porque meu nome não podia ser Zambínia ou alguma coisa do tipo? (n/a: Essa parte só vai funcionar se seu nome começar com a letra ‘A’, sorry! ><’) Levantei-me um pouco nervosa e fui andando até a frente da sala, um pouco apreensiva. Peguei a folha das mãos da professora e olhei a letra marcada em vermelho no canto superior da página. B+. Suspirei aliviada.
- Você tirou uma boa nota Srta., porque a construção do poema estava correta. Mas estou muito desapontada com a sua...ahn...motivação. – Censurou a Sra. Flich. – Agora pode voltar para o seu lugar. – Encerrou o pequeno comentário abanando a mão em direção ao meu lugar.
Voltei caminhando lentamente e feliz com um sorriso no rosto, nem ligo que a velha não tenha gostado, eu passei e isso pra mim era o suficiente. Sentei-me novamente em meu lugar esperando ela terminar de devolver os outros trabalhos. Queria saber se o Pete e o Mike também tinham ido bem. Eles eram meus vizinhos e era com eles que eu passava o maior tempo nas férias, aliás, era com eles que eu passava o tempo todo, aqueles lá acham que moram na minha casa. Se eles fossem mal, e tivessem que vir pra escola, eu ficaria sozinha. Meio egoísta pensar assim, eu sei. Mas eu realmente queria que essas férias fossem tão boas quanto a passada. Logo ela chamou Mike, que voltou feliz, para o seu lugar, fazendo um sinal de C com a mão. Chegou a vez do Peter, e era disso que eu tinha mais medo. O Pete não era exatamente o que a gente podia chamar de gênio e ele sempre tinha que chorar nota no fim do ano. Vi ele seguindo pelo corredor devagar, e esticar a mão que tremia para pegar seu poema. Assim que ele olhou para o papel ficou estático por um tempo. Quando voltou a se movimentar, olhou para a Sra. Flinch, olhou para mim e olhou para Mike. Para a minha surpresa e para a de todos na sala, Mike abriu um enorme sorriso, segurou a Sra.Flinch forte pelos ombros e colou seus lábios com força nos dela.
- Eu tirei ‘A’, estou de férias! – Gritou ele, pegando a sua mochila e saindo correndo pela porta da sala, deixando para trás uma Sra. Flinch profundamente corada, muito desconcertada e muitas pessoas dando muita risada.
- Eu sempre disse que o Pete tinha um gosto muito peculiar para mulheres! – Riu Mike, pegando sua mochila e saindo correndo atrás de Mike.
- Gosto peculiar? Eu chamo isso de muito mal gosto, isso sim! – Retruquei, rindo já pegando minhas coisas e indo rapidamente atrás dos dois.

Como sempre, fomos andando juntos para casa. Embora não fosse um bairro de pessoas ricas, nosso bairro era bonito, daquele tipo com as ruas cheias de árvore e gramados verdes. As casas não eram enormes, mas eram o suficiente para famílias de até 4 pessoas, na sua maioria eram brancas, amarelas ou creme, feitas de madeira com bastante janelas. Na metade do caminho eu fiquei cansada (como sempre) e Mike me carregou de cavalinho até chegarmos (como sempre). Olhei para a minha casa, não era a mais chique, nem a maior, mas era definitivamente a mais bonita da rua, toda branca com um jardim bem cuidado e a porta azul. Mike me colocou no chão e nós nos sentamos na calçada em frente as nossas casas para conversar e olhar as pessoas passando, como fazíamos todos os dias desde que nos conhecemos há 12 anos atrás.
- Pete, se você tava tão necessitado assim, podia ter me avisado! Eu convencia a aqui por você! Pode não parecer, mas ela é uma garota! – Riu Mike, lembrando da cena na sala de aula.
- E trocar aquele pedaço de mau caminho que é a Sra. Flinch pela ? Eu hein! Sempre achei que eu era o gêmeo inteligente mesmo! – Desdenhou Pete.
- Tem razão! Os peitos da Sra. Flich me parecem maiores! – Respondeu Mike, olhando na direção dos meus seios. Fiz cara de ofendida. – Acho que você tá certo Pete, toca aqui! Pegou bem! – Riu Mike, estendendo a mão para o irmão bater nela.
- Calem a boca! – Briguei, querendo rir, dando um tapa na cabeça dos dois.
- E além de tudo, é violenta! – Reclamou Pete, passando a mão sobre onde havia apanhado. - Chega né?! – Pedi, fazendo bico e carinha de cão sem dono.
- Desculpa ! Você sabe que a gente te ama né? – Disse Mike me dando um abraço desajeitado.
- Mesmo você tendo peitos menores que o da Sra. Flinch! – Disse Pete, repetindo o gesto do irmão.
- Ninguém merece vocês dois! – Bufei. – Mas vamos falar de algo útil! O que iremos fazer nessas férias?
- O mesmo que fazemos todas as noites! – Respondeu Mike.
- Tentar dominar o mundo! – Completou Pete, esfregando as mãos e fazendo uma cara de psicopata maníaco enquanto eu apenas ria. Esse é o famoso rir pra não chorar, ninguém merece ficar ouvindo uma merda atrás da outra.
- Agora sério , provavelmente a gente vai ficar na sua casa a maior parte do tempo...
- Como sempre! – Comentei.
- Como sempre! – Continuou Pete, sorrindo. – E vamos comer besteiras, e ficar falando bobagem e a noite ir nos barzinhos da vida...
- Ou seja, as mesmas coisas que fazemos sempre! – Reclamei, dobrando os joelhos e escondendo o rosto neles.
- Ah ! O que mais você quer fazer? – Perguntou Mike, fazendo um carinho bom na minha cabeça. Hum... Adoro cafuné.
- Não seei! – Respondi, com a voz abafada.
- Se você quiser, eu posso te ensinar a tocar violão! Assim a gente faz alguma coisa diferente, você pode ajudar com a banda e coloca alguma coisa nesse monte de miojo que você chama de cérebro. – Sugeriu Pete, me encarando, levantei a cabeça indignada e olhei para ele.
- Eu já sei tocar violão Pete, e de que banda que você ta falando? Da sua super banda de clones que só tem dois membros?!
- Tampinha, saber tocar Come As You Are do Nirvana não é saber tocar violão. – Debochou Mike, fazendo com eu mostrasse a língua para ele. Tocar Come As You Are é difícil ta legal?! Humpf.
- E com relação aos outros membros da banda, a gente colocou uns anúncios num lugares. É só questão de tempo. – Explicou Pete, se espreguiçando. – Mas e aí... Vai querer aprender ou não?!
- Tanto faz... - Disse me levantando e passando a mão na parte de trás da sua calça para tirar alguns pedaços de grama. – Vou pra casa agora, to com sono...
- Seu pai vai voltar nessas férias? – Perguntou Pete.
- Não sei, ele ainda não disse nada sobre voltar ainda.
- Ele ta demorando pra caramba dessa vez hein! Faz quanto tempo?! Uns 9 meses?! Onde ele ta mesmo? – Perguntou Mike, me abraçando de lado, esse menino pensa que eu sou apoio de braço, só pode.
- Japão, faz uns... 9, 10 meses... Sei lá! – Contei, sem muito interesse. – Bom meninos, o papo ta muito bom, mas eu to indo! Beijo pra quem fica, fui! – Disse já caminhando em direção a casa de porta azul. - A gente vai passar aí mais tarde! Bons sonhos tampinha! – Gritou Pete. Acenei sem olhar para trás, entrando em casa e fechando a porta com um baque surdo.

Finalmente férias. Encostei a cabeça na porta fechada assim que entrei em casa, olhando ao redor. A casa estava definitivamente uma bagunça. Aquele par de clones ia ter que vir aqui depois me ajudar com a faxina, já que parte da bagunça era deles também. Isso que dá deixar aquelas pragas ficarem aqui o tempo que querem e quando querem. Subi as escadas em direção ao meu quarto no segundo andar. O Pete vive falando que parece que ele tá pegando fogo, mas o Pete é um idiota, nada do que ele fala presta. Na verdade, meu quarto é meu cômodo preferido na casa depois da cozinha (A cozinha armazena comida, existe lugar melhor?) já que tem meu computador, em que eu passo grande parte do tempo e minha cama. Ah minha cama! Que saudade de você! Corri para ela e me deitei, abraçando meu travesseiro. Olhei para frente e encarei o porta-retrato ao lado do computador. Uma foto de uma garotinha de uns 4 anos fazendo careta sentada nos ombros de um homem muito bonito. Eu precisava ligar pro meu pai, aquele velho desnaturado. Nós dois temos um ótimo relacionamento, veja bem, mas meu pai é do tipo meio avoado e confia muito em mim, sabe aquele tipo de pai idiota que aparece nos desenhos? Foram baseados no meu pai, então ele ás vezes se esquece de ligar e não se preocupa muito, bom, notícia ruim chega depressa, é o que ele diz. Ele trabalhava com sistemas de computadores, várias empresas importantes e bancos de todos os lugares do mundo o contratam para fazer seus sistemas ou sei lá o que. Esse era um dos motivos para eu estar morando aqui, sozinha na maior parte do tempo. Minha mãe foi embora quando eu ainda era um bebê sabe-se lá por que, talvez porque ela e meu pai eram muito jovens, ambos com 16 anos. Meu pai não fala muito sobre isso e eu também não pergunto, não me importo e também não quero saber. Não acho que eu seja tão legal a ponto de me importar com alguém que não dá a mínima pra mim. De qualquer forma, eu precisava levantar para pegar o telefone na base. Mas o sono me venceu antes, fechei os olhos e dormi rápido e profundamente.

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- ! ACORDA! ACORDAAA! – Gritava Mike, pulando em cima da minha cama. Onde eu ainda estava deitada.
- Que é? – Perguntei, afundando o rosto no travesseiro, de mau humor. Sério, eu tinha acabado de dormir! O que esse garoto quer?! Lembrete pessoal: Trocar a fechadura de casa e não dar cópias pra esses clones.
- O Pete chegou em casa, e mostrou todo feliz o primeiro "A" em anos dele! – Explicou Mike, parando de pular na cama e sentando ao lado da onde eu ainda estava deitada de olhos fechados. – Aí, minha mãe, toda orgulhosa, colocou a poesia dele na geladeira! – Continuava o garoto animado.
- Ahn... E daí? Acabou?! Ótimo! Tchau! – Disse, já empurrando ele para fora da minha cama.
- Aí é que ta! Você PRECISA ler a poesia que ele escreveu! – Terminou ele, tirando um papel do bolso e estendendo na minha direção.
- Se eu ler você promete que vai embora e não volta tão cedo? – Perguntei, tirando meu rosto amassado do travesseiro e segurando a folha da poesia nas minhas mãos.
- Palavra de escoteiro! – Prometeu ele, fazendo o sinal dos escoteiros com a mão.
- Mike... Você não é escoteiro...- Censurei.
- Tanto faz! – Exclamou ele feliz – O que vale é a intenção! Lê aí vai!
- MIKE! CADE MINHA POESIA? – Perguntou Pete, entrando correndo no quarto, usando só uma calça jeans pulando em cima de Mike, que consequentemente caiu em cima de mim. Pois é, adeus sossego. – DEVOLVE!
- Ai! Desinfetem da minha cama AGORA! – Gritei, com a voz meio abafada pelo embolado que era de e gêmeos na cama. Uma deitada meio sufocada, um tentando se desvencilhar do outro que tentava desesperadamente procurar seus pertences até dentro das calças do individuo. – Ai! Vocês tão me machucando! AAAAIIIIIIIIIII! SEUS CLONES ASSASSINOS! – Gritei, após levar um soco no braço.
- ONDE VOCÊ ESCONDEU? – Gritava Pete, ainda tentando arrancar as calças de Mike, pra checar se não estava escondida lá dentro.
- Eu não peguei! Eu juro! – Dizia Mike, meio rindo, meio tentando se desvencilhar de irmão, ainda em cima de mim. – E Pete, pára de tentar me tarar! Eu sei que eu sou gato, mas sou seu irmão, incesto é pecado, você sabe!
- Eu...to...ficando....sem........ar... - Sussurei
- Ai meu Deus! ! Você ta aí? – Perguntou Pete, saindo de cima do irmão e o puxando para que saíssem de cima de mim. – Ta tudo bem?! Você ta viva? Ta respirando?! – Continuava perguntando, preocupado, sentando ao lado da onde eu estava deitada, ainda meio vermelha por ter sido esmagada.
- Ela ta bem Peter, agora dá um espaço pra ela respirar! – Disse Mike, ainda com as calças no joelho se sentando ao meu lado também. - Você ta legal ?
- Vou sobreviver! Eu acho... – Respondi, tentando me acalmar. – E ta aqui a sua poesia! – Disse, entregando um dos muitos papéis que haviam sido amassados em cima da minha cama por causa da “briga”. – Eu não li, não sei por que o alvoroço mas não quero mais ler também.
- Isso porque você não tinha pego né? – Reclamou Pete, mostrando o dedo para o irmão mais velho.
- Eu tava te fazendo um grande favor irmãozinho. – Respondeu o gêmeo, repetindo o sinal com um sorriso para o outro.
- Sério... Toda essa algazarra por causa de uma poesia! Olha o estado do meu quarto agora! – Reclamei, mostrando todas as minhas coisas jogadas, inclusive minha mochila da escola que estava próxima a cama, toda revirada.
- Desculpa . – Responderam os dois, com caras de arrependido ao mesmo tempo.
Respirei fundo, olhando para os dois. Eu taquei pedra na cruz, só pode. E desde quando esse clones dos infernos ficaram... tão... ahn... gostosos?! Sério, eu preciso sair mais. Um barulho na porta do meu quarto fez eu me distrair da barriga definida do Pete. Olhei pra trás. E lá estava meu pai. Segurando duas malas na mão, ainda de casaco, com uma cara de perplexidade olhando para dentro do meu quarto. Pausa para a situação. Meu pai chega em casa, depois de 9 meses no exterior e encontra sua filhinha, vermelha e descabelada, ainda com a respiração um pouco descompassada, e dois garotos, um sem camiseta, e um com as calças pelo joelhos também com o cabelo desarrumado, sentados na cama, que parecia bem revirada. Merda.
- Ahn... Oi pai! – Sorri. - Não é nada do que você ta pensando ta?! – Tentei me explicar rapidamente, ainda tensa com a surpresa inesperada.
- , O QUE VOCÊ ESTÁ ACONTECENDO AQUI?! POR QUE SEU QUARTO ESTÁ NESSE ESTADO?! E O QUE OS FILHOS DOS MILLER ESTÃO FAZENDO QUASE PELADOS NA SUA CAMA?!

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- Bom... – Comecei. Céus, como eu ia explicar aquilo? – Existe uma explicação razoável para tudo isso...

As falas a seguir, acontecem todas ao mesmo tempo:

- EU TAVA DORMINDO E ESSES DOIS IDIOTAS ENTRARAM AQUI, PRIMEIRO UM ENTROU PULANDO NA MINHA CAMA TIPO ‘, ACORDA!’ VOCÊ TEM QUE LER ISSO E EU TIPO ‘AHN?! SAI DAQUI, EU QUERO DORMIR!’ AI EU RESOLVI CONCORDAR E LER A PORCARIA DO PAPEL AÍ OUTRO O OUTRO IDIOTA ENTROU CORRENDO AQUI E PULOU EM CIMA DO MIKE E ELE CAIU EM CIMA DE MIM, E AÍ ELE COMEÇOU A PUXAR AS CALÇAS E O OUTRO RIR E EU FIQUEI SEM AR! SEM AR! POR ISSO QUE EU TO MEIO VERMELHA, OU SEJA, EU SÓ TIVE A INFELICIDADE DE ESTAR NO MEIO...’
- SR. , É TUDO CULPA DO MICHAEL! ELE ROUBOU A MINHA POESIA E EU SÓ VI QUANDO EU TAVA INDO TOMAR BANHO, E VEJA BEM, EU SABIA QUE ESSE IDIOTA TINHA TRAZIDO ELA AQUI PRA LER E EU NEM TIVE TEMPO DE PEGAR UMA CAMISETA, AÍ SAÍ CORRENDO FEITO UM RAIO PRA EVITAR QUE ACONTECESSE UMA CATÁSTROFRE, AÍ CHEGUEI AQUI E ELE DISSE QUE NÃO TAVA COM ELE E É CLARO QUE TAVA COM ELE, EU TINHA CERTEZA, ELE DEVIA TER ESCONDIDO, E QUANDO ELE ESCONDE AS COISAS, ELE ESCONDE EM LUGARES SUSPEITOS, TINHA CERTEZA QUE TAVA DENTRO DA CALÇA DELE, AÍ EU TAVA PUXANDO, MAS EU NÃO SABIA QUE A TAVA EMBAIXO, AÍ ELA TAVA SEM AR, MAS FOI SEM QUERER! EU NUNCA IA MACHUCAR A ! RESUMINDO, TUDO CULPA DO MICHAEL...
- SE O PETER NÃO FOSSE TÃO VIOLENTO, ISSO NUNCA TERIA ACONTECIDO, EU TAVA FAZENDO UM FAVOR PRA ELE, MAS ELE ENTRA AQUI, QUANDO EU TO FALANDO COM A TAMPINHA E PULA EM CIMA DE MIM E COMEÇA A TENTAR ARRANCAR MINHAS CALÇAS! QUE TIPO DE IDIOTA ACHA QUE AS PESSOAS ESCONDEM AS COISAS DENTRO DA CALÇA?! CÉUS, AÍ ELE PULOU EM CIMA DE MIM, E EU CAÍ, EU SENTI ALGUMA COISA EMBAIXO DE MIM, MAS A ADRENALIDA ERA TANTA QUE EU ESQUECI DA ! AÍ DEPOIS OU OUVI ELA DIZER QUE TAVA SEM AR E NA HORA NÓS LEVANTAMOS, NO FIM, NÃO ACONTECEU NADA DEMAIS! E NÓS VAMOS AJUDAR A ARRUMAR TUDO! VAMOS SIM...
- Chega! Chega! Já entendi! – Disse meu pai, largando as malas com uma expressão aliviada e tirando o casaco. – Vocês três não mudam mesmo. – Sorriu ele. – Vem me dar um abraço pequena! Tava com saudade! – Terminou meu pai, abrindo os braços, esperando que eu corresse para abraçá-lo.
Corri para os braços do homem que tinha me criado sozinho desde pequena e dei um lhe dei um abraço apertado. Estava realmente com saudade dele. Aquele cheiro familiar que só ele tinha, de sabonete misturado com cigarros. Mas me lembrei de algumas coisas, e lhe dei um tapa de leve atrás da cabeça e o encarei brava.
- Ai filhota! Por que isso?! – Reclamou ele, me olhando confuso.
- Caso você não saiba, já faz 3 meses que você não me liga! E nem me avisou que você tava voltando! Você já tem 33 anos! Seja mais responsável pelo amor de Deus! Eu sei me virar bem sozinha, mas eu sei que você não sabe e se tivesse acontecido alguma coisa com você?! – Bufei, terminando meu sermão.
- Desculpa filha, eu queria fazer surpresa da volta, e você sabe, eu tenho muito serviço, aí não dá tempo de ficar ligando... – Explicou-se meu pai, com cara de pedinte.
- Não vem me fazendo essa cara! Eu sei muito bem que você deve ter esquecido de ligar! Seu velho desnaturado... – Censurei.
- Poxa filha, dá um desconto... Só dessa vez... Por favor? – Pediu meu pai, puxando a barra da minha blusa.
- Mike, você não acha que os papéis tão meio invertidos aqui?! – Sussurou Pete para o irmão que apenas segurou a risada.
- Okay, é só mais um idiota pra eu dar conta mesmo... – Reclamei, com a voz baixa. Meu pai sorriu e me abraçou de novo.
- Tenho tantas coisas pra te contar! O Japão é tão diferente! E eu te trouxe vários presentes! E... Aqueles gêmeos vão ficar aqui encarando a gente mesmo? – Perguntou meu pai, olhando para os dois que continuavam a admirar a cena de pai e filha em que nos encontrávamos.
- A gente não se incomoda não, podem continuar... – Riu Pete, sendo atingido por um olhar de raiva lançado pelo meu pai. Não sei por que, mas meu pai nunca gostou muito dos gêmeos. E ele gosta de todo mundo!
- Erm... Estamos indo! Até mais tarde ! – Disse Mike, levando o irmão junto. – Sr. ...
- Só pra que você saiba Michael! Eu não vou abrir mão dela tão cedo. – Disse meu pai, encarando Mike que ainda segurava Peter, o puxando pra fora.
- Veremos. – Respondeu Mike, sorrindo em resposta, puxando um Peter confuso para fora.

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Após o episódio com os gêmeos, eu e meu pai fomos para a sala, onde ele me contou todo o tipo de história que havia acontecido com ele durante o tempo em que ele ficou no Japão. Ganhei alguns presentes legais inclusive um kit para fazer comida japonesa e uma panela de arroz. Contei para meu pai da escola, das férias, das coisas idiotas que os gêmeos haviam aprontado. E no final da tarde, após jogarmos algumas partidas de vídeo game, pedimos uma pizza e nos sentamos no sofá para assistir ‘O Estranho Mundo de Jack’ pela enésima vez. Era bom ter ele em casa pra variar, eu não tinha percebido como ele me fazia falta, mesmo sendo um pai idiota, ele era meu pai e eu o amava. Mas o fato de ele ter deixado as malas quase do jeito que estavam me deixava inquieta, sabia que ele iria partir de novo em breve e embora eu estivesse evitando durante o dia todo fazer essa pergunta, eu precisava saber a resposta.
- Pai...
- Uhn?! – Resmungou ele, prestando bastante atenção no filme que estávamos assistindo, mesmo já até sabendo todas as falas.
- Quanto tempo você vai ficar por aqui dessa vez? – Perguntei, tentando não mostrar meu desespero por mais um tempo com ele na voz.
- Na verdade pequena... – Disse ele, desviando o olhar do filme e olhando para mim – Eu vou ficar só uma semana, fui contratado por uma empresa indiana quando ainda estava no Japão, e eles precisam que eu vá pra lá o mais rápido possível. Desculpe – Pediu, vendo minha cara de decepção que eu fazia o melhor para esconder. – Mas depois dessa, faço questão de tirar umas férias e passar alguns meses com você, exclusividade total ok? – Perguntou, sorrindo aliviado ao me ver concordar.
- Bom, se eu aguentei até agora, aguento mais um tempinho... – Sorri para ele.
- Ahn, filha, aproveitando a conversa... Eu queria falar sobre um assunto importante com você – Começou ele, meio apreensivo.
- Ai meu Deus! Não vai falar que você engravidou uma japonesa e agora vai ter que assumir a responsabilidade! – Perguntei, preocupada. Céus, era difícil ter um pai novo e bonito.
- Não, não! – Riu ele. – Lembra que eu comentei que encontrei um amigo meu do colégio que havia se casado com uma mulher japonesa e estava morando no Japão há vários anos?
- Lembro... Que tem ele? – Se não tinha mulher grávida na parada, eu podia ficar mais calma.
- Então, acontece que ele tem um filho. Mas ele me disse que o garoto é mais novo que você aliás. E o Richard, meu amigo, queria muito que ele estudasse aqui na Inglaterra por um tempo, só que...
- Só que...?! – Perguntei severa. Eu já estava desconfiando onde essa conversa iria levar.
- Eles não tem parentes aqui e eu ofereci a nossa casa pra ele ficar por uns tempos. – Disse meu pai, rapidamente, fechando os olhos e esperando eu me pronunciar, com medo da minha reação.
- Uhn... – Comecei, parecendo ponderar a situação. – Okay.
- Okay?! – Meu pai tentou confirmar a reposta, ainda desacreditando.
- Okay. A casa ainda é sua afinal de contas. – Expliquei. – E tem muito espaço aqui, não vejo problema nenhum. Contanto que eu não tenha que servir de babá... Afinal, que idade tem esse moleque?
- Ah, deve ter uns 13 anos. Não sei! Então, ele chega semana que vem, você pode buscar ele no aeroporto não é? Pode levar aquelas aberrações de circo com você. – Sugeriu.
- Fechado. Mas se ele for um pé no saco, você já sabe o que te aguarda quando você voltar não é?! – Perguntei, olhando ameaçadoramente para o homem que se encolhia de medo no canto do sofá.
- Aposto que vocês vão se dar super bem!
- Assim espero... – Disse, voltando minha atenção para o filme.

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Uma semana havia se passado desde o dia que meu pai havia chegado e 2 dias desde que ele havia partido. Foi divertido ver ele e os gêmeos brigando o tempo todo. Não sei pra que tanto ciúme daqueles clones. Enfim, contando os dias, já era dia de buscar o pequeno Xing Ling no aeroporto. Pedi para os gêmeos irem comigo, todos nós já tínhamos carta de motorista, mas de acordo com o Mike, o Pete era muito lesado no volante e se perdia o tempo todo, e eu dirigia rápido demais, e ele tinha amor à vida, então, ele mesmo iria dirigindo. Pegamos o carro que os gêmeos haviam ganhado de 16 anos. Um camaro amarelo bem velho e fomos buscar o pequeno garoto que moraria comigo no próximo ano. Chegamos rápido no aeroporto, e ele não estava muito cheio. Olhamos no painel de avisos e para nossa felicidade o vôo vindo de Tokyo estava no horário, não teríamos que esperar muito e o portão em que ele desembarcaria não era muito longe. Mas como você já deve ter percebido lendo até aqui, eu sou uma pessoa muito preguiçosa. Então entrei com o Pete em um daqueles carrinhos legais para malas que tem nos aeroportos e o Mike empurrou a gente, quase atropelando muitas pessoas até o segurança ameaçar colocar a gente pra fora se não parássemos. Quem é o motorista ruim agora hein Mike?! Enfim, lá estamos nós, no portão certo, na hora certa, Pete abriu uma plaquinha que ele tinha feito com o nome do garoto escrito em grandes letras de forma com vários desenhos que o ele dizia serem dinossauros, e que para mim parecia um bando de ornitorrincos deformados o que, aliás, deixava a leitura do nome quase impossível. Peter quase fez um escândalo quando eu falei pra ele desistir da placa, mas no fim ele concordou que não ia prestar pra nada. Não nos importamos em não ter placa, não eram muitos os garotos de 13 anos viajando sozinho, pelo menos, nós esperávamos que não fossem muitos. Quando o avião finalmente chegou, as pessoas mão demoraram para começar a sair. Crianças japonesas eram tão fofas, mas tão medrosas! Um garotinho de uns 5 anos saiu correndo e chorando para os braços da mãe que me olhou feio. Tipo, eu não estava encarando aquela cópia do Russel, com cara de psicótica que quer morder bochechas de crianças japonesas indefesas, eu espero. Meus olhos então se desviaram do pequeno Russel para um garoto que saía pelo portão de embarque. O garoto era asiático com os olhos cinzentos e aparentava ter a nossa idade, um pouco mais novo talvez, parecia estar meio perdido. Ele parou próximo a nós três. Seus olhos se dirigiram na minha direção e ele deu uma risada discreta. Merda, ele percebeu que eu estava olhando. Disfarça , disfarça. Eu estava tão envolvida em meu mundinho tentando disfarçar que tomei um susto quando Pete me cutucou e olhou pra mim, derrotado.
- , acho que seu pai se enganou, não to vendo nenhum garoto de 13 anos sair do avião.
- Não, é esse mesmo. Eu ainda liguei pra confirmar hoje antes da gente sair. – Respondi, olhando para Pete. – Anotei o dia, horário e número do vôo aqui em algum lugar... Tem até o celular do garoto! – Disse, revirando minha bolsa. Onde diabos eu tinha colocado aquele pedaço de papel estúpido?! Sentei no chão mesmo e virei todo o conteúdo da minha bolsa no chão, procurando em meio a milhões de coisas, o papelzinho.
- Erm... ?! – Mike me cutucou nas costas.
- Que é? – Perguntei, mal humorada, ainda remexendo nas tralhas da minha bolsa, sentada em posição ‘perna de índio’ no chão.
- Quer ajuda? – Perguntou ele, sentando ao meu lado.
- Pode ser. Abunde-se, sinta-se em casa. – Eu ri, mostrando o chão a minha frente como se fosse o sofá mais confortável do mundo.
- Nossa , você tem muita tralha e papel nessa bolsa aí hein?! – Comentou Peter, admirado com o conteúdo espalhado pelo chão.
- Bolsas femininas rapazes. Coisas que vocês nunca irão entender. – Expliquei, usando um tom de superioridade.
- Ah claro, super feminina! Realmente, uma garota precisa de vários papéis rabiscados, uma colher, uma miniatura do Jack, um pente, um potinho de purpurina, 3 lápis, um brinco sem o par, anti-séptico, dinheiro amassado... – Zombou Peter, enquanto eu mostrava a língua em resposta.
- Sabe o que é isso?! Inveja!
- Pequena criança iludida... – Respondeu Peter com desdém. – Você nunca vai saber o que é ser feminina desse jeito, o Mike vai precisar te dar umas aulas! – Riu o garoto. – Né, Mike?
-...
- Mike?! – Perguntou Peter, encarando o irmão, que olhava vidrado, sorrindo, um dos papéis que tinha pego na minha bolsa. – O que é is...
- ACHEI! – Gritei, com o papelzinho rasgado na mão, levantando-o como se fosse um prêmio e fazendo uma dançinha idiota. Coloquei todos os meus pertences na minha bolsa de volta, feliz.
- E então?! É esse o vôo? Estamos no lugar certo? Ou seu pai te passou o lugar errado achando que seria divertido colocar a gente nessa situação? – Perguntou Mike, guardando o papel que estava lendo no bolso de trás de sua calça jeans.
- Meu pai não me mandaria pro lugar errado de propósito, mas... – Disse, checando o papel em minhas mãos. – Estamos no lugar certo... Que estranho. Será que ele passou e não viu a gente? Bom, vou ligar. – Disse, tirando meu celular do bolso.
Disquei o número, olhando em volta. O garoto asiático continuava de pé com jeito de quem estava perdido. Coitado. No mínimo mandaram algum idiota pra buscar ele que não sabe nem fazer isso direito. Primeiro toque. O garoto asiático começou a remexer nos bolsos. É, ele se vestia bem, blazer preto por cima de um moleton cinza, camiseta branca e jeans. Vou comprar uma roupa igual pro Pete, ele ia ficar bem assim. Segundo toque. Ele pegou o celular, música legal. Agora ele ta olhando em volta, a pessoa que ele vai embora deve ter chegado... Terceiro toque. Ele ta olhando pra cá, será que tem alguém atrás de mim? Espera... Será que... Caminhei em direção a ele ainda com o telefone na orelha, e ele finalmente atendeu.
- David? – Perguntei, em frente a ele, ainda segurando o celular.
O garoto apenas desligou e sorriu em resposta. Finalmente havíamos encontrado e definitivamente, ele não tinha 13 anos.

- MIKE! PETE! VENHAM AQUI! – Gritei para o par de clones, que me olhavam curiosa e encaravam o garoto severamente. Ótimo, eles achavam que eu tava dando em cima dele.
- Algum problema por aqui ? – Perguntou Pete, me abraçando de lado e olhando feio para o garoto que continuava parado, olhando sério para os dois garotos que se aproximaram.
- Mike, Pete. Esse é o David! David, esses são o Mike e o Pete. – Disse apontando para cada um. – E eu sou a .
- Ele não parece ter treze anos. – Comentou Mike.
- Meu pai é um idiota, sem noção de idade. Fato. – Expliquei.
- De qualquer maneira, ta tudo bem David? Posso te chamar de Dave? A gente vai morar junto, acho melhor não sermos tão formais ok? – Perguntei, para o garoto que apenas hesitou por um tempo e apenas sorriu em resposta novamente.
- Parece que ele não ta entendendo nada . – Comentou Pete, rindo. Mas que maravilha, um garoto de uns 15 anos que não fala inglês morando na minha casa. Obrigada pai, muito obrigada. Ironia mode on.
- Bom, Mike, ajuda ele com as malas, por favor. – Pedi. – Nós estamos indo para minha casa ok? – Tentei explicar, fazendo mímica para o garoto que concordou com um aceno de cabeça. – Ótimo, ele parece esperto. – Comentei, pegando também uma das malas menores que estavam no chão.
- Vamos embora logo... To com fome – Reclamou Peter, esfregando a barriga. Me lembrei da cena no meu quarto antes da chegada do meu pai. Um calafrio percorreu minha espinha. Céus, eu realmente precisava sair mais.
- A gente pede uma pizza em casa. Eu pago como agradecimento pela carona e ajuda. – Disse, sorrindo. – E também serve como uma festa de boas vindas para o Dave! – Completei animada.

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O caminho para casa foi tranqüilo. Fiquei surpresa quando Dave tirou um CD da mochila que carregava e estendeu para Mike que estava no banco da frente colocar para tocar no carro. As músicas eram em japonês, mas eu conhecia, havia ganhado o CD dessa banda do meu pai. Pelo menos o garoto tem bom gosto, achei que íamos nos dar bem. Comecei a cantar acompanhando uma das músicas que estavam tocando, distraída, mas logo percebendo o olhar atento do dono do CD sobre mim. Tentei olhar disfarçadamente para ele que percebeu meu movimento e tentou segurar uma risada. Será que eu estava cantando tudo errado? Que vergonha. Após chegarmos em casa, largamos as coisas do Dave na sala porque o Pete voou em direção ao telefone para pedir as pizzas.
- Vocês vão querer pizza do que? – Perguntou Pete, já com o atendente da pizzaria do outro lado da linha.
- Tanto faz, pede o de sempre Pete – Respondi, para o garoto que me olhou confusa.
- Mas você toda semana acha que sua pizza preferida é diferente. – Comentou Mike, rindo.
- Pepperoni. – Disse. Fazendo uma mímica para Dave se sentar.
Após as pizzas chegarem, comemos ouvindo as piadas idiotas do Pete e rindo bastante. Olhei meio preocupada para Dave, que parecia meio entediado. Deve ser difícil vir para um país estranho que você não entende a língua, morar com pessoas estranhas e ser vizinho de clones humanos. Eu realmente precisava comprar um dicionário de japonês urgentemente. Já estava escuro lá fora, e vi Dave bocejar. Certo, hora de expulsar aqueles dois.
- Clones... – Disse, retirando os pratos da mesa. – Ta na hora de ir embora.
- Já vai tarde. – Respondeu Pete, olhando desafiador para mim.
- Gracinha. – Zombei. – É sério, o Dave ta cansado, ele ficou horas dentro de um avião e ta precisando descansar. – Expliquei.
- , você acha sensato morar sozinha com um garoto quase da sua idade? – Perguntou Mike, preocupado olhando de mim para Dave, que prestava atenção.
- Mike, se liga né?
- Não estamos preocupados com ele te atacando! – Explicou Pete. – Estamos preocupados com você atacando ele. – Corei, enquanto Pete ria. Idiota.
- Bom, que ele é bem mais bonito que você Pete, isso é fato. – Provoquei.
- Mas que calúnia! – Respondeu Mike, fazendo cara de ofendido.
- Mais que você não Mike! Você sempre vai ser o primeiro pra mim! – Ri, mandando um beijo no ar, para o garoto que sorriu convencido. – De qualquer maneira, eu não to interessada em garotinhos de 15 anos que parecem mais fracos que eu aliás. – Disse, olhando para Dave de canto de olho, que parecia ainda não entender o que falávamos, mas parecia saber que era dele.
- Certo, certo. – Suspirou Mike. – Estamos indo. Mas qualquer coisa, liga pra gente! – Disse Mike, se levantando da mesa e cutucando o irmão para ele levantar também. Pete, levantou, ainda parecendo contrariado. Levei os dois até a porta, Mike saiu sendo seguido por Pete, que parou no meio do caminho e voltou, olhando pra mim seriamente.
- Sem brincadeiras agora , você não quer que a gente durma aqui pelo menos hoje? – Perguntou Peter, preocupado.
- Não tem problema Pete, é sério. Eu sei me cuidar. – Respondi, sorrindo para o garoto que continuava me encarando. – Ele é filho do amigo do meu pai, não é como se fosse um cara que eu conheci na rua. Pode ir pra casa. A gente se vê amanhã ok?
- Okay então. – Disse Pete, me dando um beijo na bochecha e um abraço apertado. – A gente te ama tampinha. – Sorriu ele. – Até amanhã.
- Amo vocês também! Boa noite. – Respondi, vendo os dois se afastarem conversando e fechando a porta.
Voltei para dentro onde havia deixado o Dave sozinho. Ele continuava sentado em seu lugar na mesa, brincando com um garfo. Aquilo ia ser complicado, morar com uma pessoa que nem fala a mesma língua que você era um grande problema, mas eu me preocuparia com isso pela manhã. Iria mostrar o quarto que havia preparado para ele poder descansar da viagem e assim, eu mesma poderia ir para o meu quarto de uma vez e dormir bastante. Cutuquei o garoto que ainda estava distraído com o garfo, e fiz sinal para que ele me seguisse. Ajudei ele a pegar as malas para levarmos ao seu quarto que seria no segundo andar. Parei diante da porta que ficava ao lado da minha e abri, revelando um quarto, quase totalmente em azul.
- Espero que você goste de azul. – Falei, mesmo sabendo que comigo mesma, colocando as malas que havia carregado ao lado da cama. Ouvi a porta do quarto sendo fechada atrás de mim e um barulho de chave.
- Você deveria dar mais ouvidos aqueles dois sabia? – Ouvi uma voz masculina dizer, chegando cada vez mais perto.
Virei-me, surpresa encarando um David que sorria, mas não o mesmo sorriso doce que ele havia direcionado a mim desde manhã, dessa vez, o tipo de sorriso que estampava seu rosto era um sorriso extremamente malicioso. Merda, eu realmente não deveria ter tanta boa fé nas pessoas. Tentei correr em direção a porta, mas ele foi mais rápido. Agarrou um dos meus pulsos com força e me puxou em direção a ele, me empurrando e me prensando contra a parede de concreto frio, segurando meus pulsos acima da minha cabeça.
- Então você enganou a gente o tempo todo. Você até sabe falar inglês perfeitamente! – Disse, já corada e meio ofegante com a adrenalina, encarando feio o garoto asiático que apenas deu risada da minha fala.
- ... Eu nunca disse que não sabia falar inglês, apenas achei que ia ser engraçado se vocês pensassem assim, e tornaria tudo mais fácil pra mim. Te achei interessante desde o momento em que coloquei meus olhos em você no aeroporto. Foi um joguinho interessante eu confesso, mas achei que você seria mais esperta. Me decepcionou um pouco. – Suspirou David no fim, se aproximando de mim, dando uma mordida de leve no lóbulo da minha orelha esquerda e o sugando depois delicadamente. Senti meu corpo esquentando com o seu toque, mas a situação era absurda. Precisava dar um jeito de me livrar daquilo.
- Desculpa Dave, mas eu não to interessada em garotinhos de... – Comecei a falar debochada, sendo calada rapidamente pelos lábios macios do garoto que foram prensados com força junto aos meus. Tentei gritar, mas ele só se aproveitou do momento e deu passagem para sua língua explorar todos os cantos da minha boca, enquanto eu relutava. Tentei morder seu lábio inferior, mas ele foi mais rápido ao se separar, continuando com o rosto próximo ao meu. Eu podia sentir sua respiração quente se misturando com a minha fazendo com que minhas pernas cedessem um pouco. Por mais que minha mente não quisesse que aquela situação continuasse, meu corpo inconscientemente desejava por aquilo.
- Sinto muito em te decepcionar, mas eu já tenho 17... Não sou mais um garotinho estúpido de 15 anos. – Sorriu ele, e dessa vez, senti sua respiração e a ponta de seu nariz que acariciando o contorno do meu pescoço, enquanto sua mão direita segurava meu queixo de modo que minha cabeça ficasse inclinada, facilitando para que ele fizesse o que queria comigo. Tentei segurar o máximo que pude, mas um suspiro escapou da minha boca quando senti sua língua quente percorrer toda a extensão do meu pescoço e parar próxima a linha da minha clavícula, onde ele deu uma atenção especial, fazendo movimentos delicados com a língua intercalando com leves mordidas. Minha respiração ficou mais pesada, e meu corpo ficava cada vez mais mole. Não tinha mais força para tentar soltar meus pulsos. Ele pareceu perceber meu momento de fraqueza e sugou uma parte do meu pescoço com força, me fazendo soltar um gemido alto dessa vez. Pude perceber que isso fez ele sorrir, mesmo sem ver sua expressão. Contraí o corpo quando senti sua mão gelada deslizar por debaixo da minha blusa, a puxando para cima enquanto acariciava minha barriga e a subia em direção aos meus seios, atacando meu pescoço com cada vez mais desejo. Aquilo não podia estar acontecendo comigo, eu não podia estar gostando daquilo, eu não queria aquilo não é mesmo? Tentei me desvencilhar mais um vez com o resto de força de vontade que ainda tinha, o que só fez Dave me apertar mais contra a parede quase me deixando sem ar devido ao peso dele. Pela nossa proximidade, senti ele pressionar sua ereção na minha intimidade, enquanto puxava meu sutiã para cima, deixando meus seios a mostra. Ele abandonou meu pescoço por um tempo encarando meus seios descobertos. Tentei contrair o corpo, extremamente corada para me esconder em vão, já que meus braços ainda estavam presos com força acima da minha cabeça. Eu estava impotente e envergonhada diante daquela situação, mas ele parecia estar se divertindo, pelo sorriso e olhar malicioso que lançou para mim antes de começar a sugar meus mamilos com vontade me fazendo gemer involuntariamente. Enquanto continuava brincando com meus seios, sua mão se dirigiu ao botão da minha calça jeans, abrindo-a agilmente e baixando o zíper, para abrir caminho a parte de dentro. Senti seus dedos invadirem o interior da minha calça e massagearem hábilmente meu clitóris, ainda por cima das minhas roupas íntimas me fazendo gemer alto. Eu sabia que já estava extremamente molhada e ele sorriu e se afastou um pouco de mim, parando de sugar meus seios e me encarando quando sentiu os fluídos da minha excitação na ponta de seus dedos mesmo sem estar em contato direto com a minha intimidade.
- Para quem lutava contra, você ficou molhada bem fácil não é? – Debochou ele, enquanto me encarava bem de perto, ainda movimentando os dedos, me fazendo gemer baixo. Sádico idiota.
- Eu te odeio Dave... – Sussurei, derrotada, enquanto meus olhos se enchiam de lágrimas. Eu não tinha forças para lutar contra, mas eu realmente não queria aquilo. Ele me olhou assustado, quando viu as lágrimas em meus olhos que agora caiam. Suspirou pesadamente, retirando a mão de dentro da minha calça, apoiando a cabeça nos meus ombros e soltando meus braços.
- Não era assim que era pra ser... – Reclamou ele, com a voz baixa, abaixando minha blusa, enquanto eu apenas chorava e me dando um abraço em seguida.
- Você é um idiota! Me larga! – Tentei me separar do abraço que ele me dava, socando o peito dele com força, mas ele só me abraçou mais apertado com isso.
- Desculpa , eu não queria te fazer chorar... Não desse jeito. – Riu ele.
- Imbecil... – Reclamei, corando, já um pouco mais calma, parando de chorar, mas ainda extremamente furiosa.
- Se eu te soltar agora, você promete me ouvir antes de me bater? – Perguntou ele, inseguro.
- Prometo.
- Ótimo. – Disse, ele me soltando e me colocando sentada na cama, enquanto ficava de pé na minha frente. – O negócio é o seguinte, eu tava louco pra beijar você desde que meu pai me mostrou uma foto sua no Japão e disse que iríamos morar juntos.
- Então no aeroporto você sabia que éramos nós que íamos te buscar e não falou nada quando nos viu! – Reclamei, indignada.
- É, foi bastante engraçado observar vocês. E bom, quando você me olhou de volta e ficou tímida, eu sabia que você tinha gostado de mim. E hoje na janta você disse que eu era mais bonito que o Peter, eu fiquei louco, eu queria você logo, não via a hora daqueles dois irem embora!
- Prossiga. – Disse eu, ainda vermelha e com a cara inchada de choro, ficando impressionada com a preocupação dele em se explicar. O garoto é bipolar... Só pode.
- E então, você fica sozinha comigo e vem no meu quarto de bom grado comigo. E bom, uma garota sozinha no quarto de um cara, é um convite pra que o cara tome uma iniciativa certo? – Concluiu ele. – Mas , eu fiquei fora de mim, me desculpa, eu prometo nunca mais fazer uma coisa dessas.
- Terminou? – Perguntei, me levantando da cama, com cara de poucos amigos.
- Terminei. Você me perdoa? – Perguntou ele, com cara de arrependido.
- Claro. – Respondi, chegando perto do garoto com um sorriso e dando uma joelhada nas suas partes baixas. O garoto deu um grito alto de dor e caiu na cama ainda com os olhos fechados tentando respirar direito. – Agora, regra número um: Encosta em mim de novo, que na próxima você fica sem! – Disse indo em direção a porta. – Boa noite David. – Sorri vitoriosa, saindo do quarto e deixando o garoto sozinho com seus problemas.
Fui até o meu quarto e entrei me trancando lá dentro. Caminhei até a minha cama e me joguei, nela, respirando fundo para assimilar a situação em que tinha me encontrado a poucos minutos. Realmente seria um problema ficar sozinha com David em casa, não sabia se ele seria capaz de se controlar e de se eu seria capaz de manter meu auto-controle novamente. Poderia ligar para os gêmeos e contar o que havia acontecido, mas acho que um caso de homicídio de estrangeiro japonês por clones ingleses pioraria a situação, eu só tinha uma saída nesse caso. Levantei em um pulo, peguei o telefone ao lado do meu computador e disquei um número que não discava há alguns meses. Após alguns toques atenderam ao telefone.
- Alô? – Sorri ao ouvir aquela voz rouca do outro lado da linha. Já fazia tanto tempo, eu estava com saudade.

Capítulo 2

Acordei um pouco incomodada com a claridade que vinha da minha janela e me atingia diretamente nos olhos. Olhei para o relógio, já era quase meio dia, eu havia ficado muito tempo pendurada no telefone ontem à noite, dormi demais e agora meu estômago roncava pedindo por comida. Levantei-me devagar, alongando os braços. Olhei para o chuveiro, eu tomaria um banho antes, se não houvesse nada comestível na casa eu teria que sair para comer em outro lugar. Tomei um banho rápido, me enrolando na toalha e indo para o meu quarto para decidir que roupa eu usaria. Queria alguma coisa confortável, então coloquei uma calça jeans surrada, um moletom azul escuro meio desbotado com capuz e um all star que um dia, há muito tempo atrás, havia sido branco. Saí do meu quarto, despreocupada, indo em direção a cozinha no andar de baixo. Adorava minha cozinha, ela era linda. Toda branca com um balcão e alguns banquinhos no centro. Meu pai havia namorado uma arquiteta há uns anos atrás. Por isso nossa casa era tão bem decorada, embora, num estado lastimável com relação à bagunça. Abri a geladeira e me apoiei na porta olhando pra dentro pensativa. Pois é, sou do tipo que para e pensa com a geladeira aberta. Não tinha mais nada que prestava na geladeira, eu precisava ir ao mercado urgentemente. Bom, pelo menos havia uma caixa de pizza com as sobras do dia anterior. Um milagre, aliás, aqueles gêmeos e o Dave parecia que tinham vindo da seca ontem. Três trogloditas, fato. Falando em Dave, será que ele não levantou ainda?

- Booooom Dia! – Ouvi uma voz masculina dizendo alegre, enquanto sentia um peso cair sobre as minhas costas e braços envolverem minha cintura.
- Você não aprendeu nada com os acontecimentos de ontem? – Perguntei me desvencilhando e virando para encarar o garoto que estava usando só uma calça de moletom cinza e estava com o cabelo todo bagunçado. Meu Deus. Te proíbo de babar, ! – Precisa que eu te refresque a memória? – Perguntei, olhando feio.
- Mas que menina amarga! Você acorda de mau humor hein! – Desse ele, mantendo o sorriso. – E pode deixar que eu aprendi minha lição ontem, quero ter filhos um dia ainda, muito obrigado. – Completou, sentando no balcão da cozinha, observando minha atenção voltar pra geladeira. Não queria comer pizza de novo. Bufei fechando a geladeira e olhei pra Dave, que chamou minha atenção. - , eu to com fome. – Resmungou ele fazendo bico e coçando a barriga nua de um jeito fofo, fazendo com que meus olhos focassem nessa região.
Okay, barrigas definidas são meu fraco. Dave percebeu meu olhar e deu um sorriso torto.
– Tarada.
- Não preciso que o maior pervertido do mundo me diga isso, obrigada. – Disse, um pouco envergonhada por ter sido pega no flagra. – E se você se incomoda com isso, coloca uma camiseta da próxima vez. – Respondi, arqueando a sobrancelha, e lhe lançando um olhar de censura.
- Nah... – Sorriu ele, levantando e fazendo pose. – Se for você, pode olhar a vontade. Não me importo. - Sério, o que eles ensinam pra essas crianças no Japão? – Perguntei, rindo das tentativas de poses sexys que Dave agora fazia na cozinha, incluindo uma onde ele agarrava uma cadeira. – Agora pára de palhaçada e vai colocar uma roupa, vamos comer fora. – Mandei, ainda rindo.
- Sim Mãããããe! – Gritou Dave, largando a cadeira e passando correndo por mim, mas voltando, dando-me um beijo estalado na bochecha e se dirigindo ao seu quarto para se arrumar.
Céus, eu sou a maior sortuda do mundo ou a maior azarada?

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Assim que Dave ficou pronto, saímos de casa e atravessamos meu gramado verde. Era estranho, mas depois de a noite passada, David parecia ser uma pessoa totalmente diferente, conversava comigo numa boa, como se fossemos amigos de infância. Garoto bipolar. Às vezes era fofo, às vezes pervertido. É difícil lidar com pessoas assim. Olhei para ele que parecia feliz. Bom, mesmo tendo cara de criança, ele era bonito e se vestia bem. Se eu fosse pensar, Dave era como um lobo em pele de cordeiro. Era como se ele fosse dessa maneira, para atrair meninas que gostam de caras fofos e quando elas menos percebessem. Nhac. Figuradamente falando. Enfim, eu ainda não havia adquirido confiança pra ficar mais tempo sozinha com ele em casa, principalmente depois da noite passada. Bom, não havia problema, afinal, ele prometeu que viria hoje ainda. Sorri, lembrando da nossa conversa ao telefone.
- ? - Perguntou Dave, balançando a mão em frente ao meu rosto. Assustei. – Eu to te chamando a um tempão! Eu sei que você não gosta de mim, mas não me ignora. – Reclamou ele, fazendo bico. Fofo.
- Desculpa, Dave. Eu me distraí, aliás, eu to indo pro lado errado. – Expliquei, dando meia volta. Eu estava fazendo o caminho da escola automaticamente. Bom, faz sentido, uma vez que de manhã, eu sou quase um zumbi, não penso direito.
- Tava pensando em mim sem camisa né? – Perguntou ele, dando um sorriso, mas fechando ao ver meu olhar de censura. – Anyway, aonde estamos indo?
- Estamos chegando – Respondi, entrando em outro gramado.
- Mas a gente ainda ta no seu quarteirão! – Questionou Dave, ainda me seguindo, confuso.
- Exatamente. – Sorri, parando em frente a uma grande casa creme e batendo na porta.
- Ah! – Disse Dave, parecendo entender. – Essa é a casa...
- ! Bom Dia! – Sorriu um Mike, abrindo a porta após eu ter batido na porta impaciente. – O que te trás a minha humilde residência? – Perguntou o garoto, fazendo uma reverência exagerada como se eu fosse alguém da realeza.
- Qual é a única coisa que eu venho fazer aqui? – Perguntei, já entrando na casa.
- Acabou a comida na sua casa?
- Só os idiotas respondem uma pergunta com outra pergunta! – Zombei. – Mas é. Vim almoçar. Cadê o rango?! – Perguntei, me largando no sofá da sala. Não como se eu fosse mal educada nem nada, mas já estávamos acostumados com a relação mi casa, su casa.
- Bom dia! – Disse também Dave, acenando alegre e entrando atrás de mim, deixando um Mike, confuso fechando a porta.
- Agora você fala inglês? – Perguntou o garoto, após trancar a porta, olhando desconfiado para Dave.
- Pois é. A passou a noite toooda me ensinando. Aí, aprendi! – Respondeu ele, com um sorriso provocativo no rosto, envolvendo meus ombros com o braço. Esse garoto não tem medo do perigo ou é impressão minha?
- Como é?! – Exclamou Mike, já parecendo um pouco alterado. Opa, sinal vermelho. Irritar o Mike não é bom. Nada bom. – ! Ele te fez alguma coisa ontem?
Hesitei. Bem que eu queria falar na real o que tinha acontecido no dia anterior, esse garoto tava precisando tomar umas porradas pra aprender a se comportar, mas acho que o aviso de ontem já tinha surtido bastante efeito nele, então eu poderia ser boazinha e deixar passar dessa vez.
- Não me fez nada Mike. Olha pra ele. – Zombei. – Magrelo, cara de criança... Acha que ele ia ter como fazer alguma coisa comigo? – Ri, fazendo com que Mike se acalmasse um pouco e Dave respirasse aliviado, mesmo com uma cara de ofendido pelas coisas que eu havia dito sobre ele. – Cadê seus pais e seu clone?
- Meus pais estão trabalhando, como sempre. – Disse Mike, se jogando no sofá entre David e eu. – E o Pete, ta no quarto dormindo ainda.
- Mas que garoto folgado! – Exclamei, como se eu também não tivesse acordado super tarde. - Enfim, o que tem de almoço? Eu e o Dave estamos com fome!
- Depois o Peter que é o folgado né ?! – Zombou Dave, arqueando a sobrancelha.
- Muito bem pequeno Dave! Você sabe do que fala! – Riu Mike, estendendo a mão para que Dave tocasse nela. Ótimo, agora eles viram amigos e fazem um complô contra mim. Isso é um absurdo! – Mas , temos um problema... Não tem nada pra comer aqui também! - E agora?! – Perguntei, um pouco desesperada.
- A gente pode ir no Joey’s! – Sugeriu Mike. – Você come hambúrguer Dave?! Tipo, vocês japoneses não consideram as vacas sagradas ou alguma coisa assim?
- Esses são os indianos, seu lesado! Os japoneses não comem é carne de porco! – Expliquei, já de pé, com um ar de superioridade irritante.
- Erm... , esses são os judeus! – Explicou Dave, se segurando para não rir da cara broxante que eu havia feito por ter sido corrigida.
- Tanto faz! Esperem aqui que eu vou acordar o Pete! – Disse, emburrada, já indo em direção ao quarto dos gêmeos. Eu disse que era um complô contra mim!

Subi as escadas da casa dos gêmeos, já que o quarto dos dois ficava no segundo andar. A casa deles era definitivamente maior que a minha, já que também, a família deles era maior. Além deles dois, os pais tinham mais dois filhos, ambos mais velhos, mas já não moravam mais junto com aqui há alguns anos. Neil já estava na faculdade onde fazia engenharia e morava com alguns amigos e John, o mais velho, era médico e trabalhava na América por ter conseguido residência em um dos hospitais mais chiques da Califórnia. Deu pra perceber que todo o QI da família ficou para os dois primeiros filhos não é? Andei por um corredor onde já percebia o aumento do nível de coisas jogadas pelos cantos e finalmente parei em frente à porta do quarto dos gêmeos, não sei por que eles ainda dividiam um quarto se cada um já poderia ter o seu próprio, deve ser coisas de amor pelo seu clone ou algo parecido. Enfim, abri a porte silenciosamente e entrei no quarto escuro, tateando a procura da escada para subir até a cama onde Pete dormia. Finalmente parei ao lado dele, que dormia profundamente. Sorri maldosa, me abaixando um pouco e parando bem próxima ao rosto do garoto.
- Peteeer... – Disse, delicadamente, me segurando com todas as forças para não dar risada quando o garoto resmungou ainda adormecido em resposta. - Imagina que o dia está lindo. O sol brilha, não há nenhuma nuvem no céu. E você está saltitando feito uma gazela pela praia mais linda que você já viu. – Continuei com meu plano, ainda sussurrando docemente no ouvido do garoto que agora além de babar, sorria. – Olha lá, que mar mais azul! Você está com tanto calor hoje! Quer muito mergulhar não é? – Ri baixo, quando o garoto concordou com um resmungo. – Ta, vai lá. Entra na água. Ahhh... Tá boa né? Você agora ta nadando no mar, despreocupado. Mas a correnteza ta muito forte hoje sabia?! Ela ta te puxando pro fundo, nada Peter, nada Peter! – Prossegui, dramatizando um pouco, vendo a expressão do garoto ficar séria, um pouco agoniada. – Você continua nadando, mas a correnteza ainda te puxa pro fundo. Entããão... Você se afoga! – Concluí, apertando delicadamente o nariz do garoto que levantou dando um grito, me fazendo até chorar de dar risada.
- Você me paga ! Isso foi golpe baixo! – Reclamou Peter, ainda com os olhos cerrados por causa do sono, puxando-me para a cama e ficando em cima de mim, me prendendo com as pernas e fazendo cócegas em mim. – Agora, você que vai ficar sem ar, de tanto rir!
- Não Pete!... hahahaha... Pára!... haha... Páááára!... haha... Desculpa! – Eu ria, tentando escapar do garoto que me ainda me segurava com força.
- Então fala que eu sou seu mestre, o maior gostosão do mundo e que você sente muito por ter me acordado de maneira tão rude. – Disse Peter, parando com as cócegas, sorrindo de canto para mim, que ainda sorria e respirava ofegantemente.
- O quê?! NUNCA! – Respondi, indignada. Fazendo com que Peter voltasse a fazer cócegas em mim. – hahaha... tá... haha... okay!... eu falo!... haha... EU FALO! PáRAAAA!– Gritei, fazendo com que ele parasse e olhasse para mim, com superioridade. – Mas que você saiba que ISSO foi golpe baixo!
- Tá, para de choramingar e fala logo! – Apresou-me Peter.
- Você é o mestre, maioooor gostosão do mundo e eu sinto muitississississiiiiiiiimo por ter te acordado de maneira tão rude. – Disse, a contra gosto. – Pronto! Agora, me solta. – Disse, fazendo bico.
- O acordo era que eu não faria mais cócegas! Nunca disse nada sobre te soltar! – Riu Peter, maldoso.
- Por favooor Petee! Vai... – Supliquei. – Eu to com fome, só vim te chamar aqui pra gente ir almoçar. Eu podia ter te largado aqui sozinho, dormindo. Mas até vim aqui te chamar pra você vir com a gente.
- Como você é boazinha, ! – Desdenhou o garoto.
- Eu sou! Um doce de pessoa! – Disse, sorrindo, olhando para o garoto que me encarava da mesma maneira.
- Muito modesta também né?! – Perguntou ele, arqueando a sobrancelha
- Sempre! – Respondi, dando uma risada gostosa. Sendo encarada de um jeito fofo.
- ... – Disse Pete, suavemente com um pouco de receio na voz, se aproximando um pouco. Será que eu tava com alguma coisa no rosto?
- Pete... – Respondi, da mesma maneira, o encarando curiosa.
- Eu...
- AI MEU DEUS! VOCÊS TÃO SE COMENDO? É ISSO MESMO QUE EU TO SACANDO?! – Gritou um Mike, parado a porta, olhando surpreso para nós dois, com um Dave parado ao lado encarando Pete de um jeito não muito amigável.
- Claro que não! Como você é idiota! – Respondeu Pete, saindo rapidamente de cima de mim, extremamente corado. Enquanto eu apenas ria, após me levantar, indo em direção a porta.
- Ta, então vai tomar um banho e se arrumar pra gente ir almoçar no Joey’s. Mas vai logo que eu to com fome! – Mandou Mike.
- To indo! – Acatou o garoto, parecendo contrariado, pegando uma calça jeans e uma camiseta jogadas no canto, indo correndo para o banheiro e se fechando lá dentro.
- Quando eu tento ela me chuta, quando ele tenta, ela ri. O que ele tem que eu não tenho? – Resmungou Dave, voltando para sala.
- Como?! – Perguntou Mike, sem entender.
- Não é nada Mike! Vamos pra sala, jogar vídeo game enquanto a gente espera o Pete ok?! – Disse, empurrando o garoto confuso para fora do quarto.

---

Quando Pete finalmente apareceu na sala pronto para sair, expliquei sobre nosso mal entendido sobre Dave não saber falar inglês e após a compreensão total da situação, que gerou pequenas discussões sem sentido, finalmente entramos no carro dos gêmeos prontos para ir almoçar. O Joey's era um pub que funcionava como lanchonete durante o dia e ficava a uns 7 minutos indo de carro. O dono do Joey’s ao contrário do que todos pensavam, chamava James e era um amigo de anos do meu pai, então, ir até lá para almoçar, beber e derivados já era comum. Entramos no restaurante e nos dirigimos até o bar, onde James que estava usando uma camisa xadrez vermelha e calça jeans preta, polia um copo despreocupadamente com um pedaço de pano que me fez torcer o nariz ao olhar. James, ou Jimmy, como eu costumava chamar, era o que se devia chamar de um solteirão convicto. Sabe aqueles caras que eram os bonitões na época da escola e mesmo assim eram super simpáticos com todos? Esse era ele. E embora com a mesma idade do meu pai, 33 anos, ele continuava sendo desejado por metade das mulheres solteiras e até algumas casadas da cidade. Eu também acho o Tio Jimmy bonitão mesmo agora, mas é como se ele fosse família e eu só tenho 18 anos. Eeew! Não tenha idéias erradas! Fomos andando até ele depressa, meu estômago já estava começando a fazer barulhos constrangedores.

- Oi tio Jimmy! – Disse, me esticando no balcão para dar um beijo no homem mais velho.
- Tampiinha! Que saudade! E não me chama de tio, me sinto muito velho.– Reclamou James, recebendo o beijo, sorrindo feliz pra mim, enquanto olhava para os garotos que se acomodavam em banquinhos próximos. – Pete! Mike! – Dizia ele, cumprimentando os gêmeos e parando na frente de Dave. – Uhn... Vejo rostos novos. Você deve ser o David! O Richard me falou sobre você. – Explicou, largando o pano e estendendo a mão para o garoto que o cumprimentou simpático.
- Meu pai passou por aqui então antes de ir embora... – Afirmei.
- Pois é. Aquele seu pai não muda nunca. Continua um idiota! – Comentou ele, pegando os menus e entregando-os para cada um de nós, enquanto eu concordava. – Suponho que vocês tenham vindo para almoçar.
- Bingo! – Disseram juntos os gêmeos, já abrindo o menu para escolher o que comer. Fazendo todos nós rirmos.
- Tampinha, entra aqui e pega alguma coisa pra vocês beberem, enquanto eu vou anotar os pedidos daquela mesa ali ok? – Pediu Jimmy, passando pelo balcão e me dando passagem para que eu entrasse.
- Muito bem... O que vão querer beber hoje rapazes? – Perguntei, colocando um pano de prato sobre meu ombro e fazendo pose.
- Eu quero um Cuba Libre! – Exlamou Mike, animado.
- Eu quero um... Hi-fi! – Gritou Pete, levantando as duas mãos, me fazendo rir.
- Aqui estão senhores! – Disse, colocando uma lata na frente de cada um.
- Mas , não foi isso que eu pedi! – Reclamou Mike – Isso é coca!
- É! E ta muito cedo pra beber! Seus bêbados. – Respondi, mostrando a língua.

Logo Jimmy voltou, e nós pedimos nosso almoço. Todo mundo estava com muita fome, então pedimos os maiores sanduíches do cardápio acompanhados por batata frita. Os lanches do Joey’s eram definitivamente os melhores, meus olhos até brilharam quando tio Jimmy colocou aquele hambúrguer enorme com um monte de fatias de bacon e queijo derretido na minha frente.
- Coloquei bacon extra nesse lanche pra você – Piscou James para mim.
- Jimmy, eu já disse que te amo mais que tudo hoje? – Perguntei feliz, já com a boca cheia.
- E ela ainda se diz uma garota! – Disse Pete, para Dave que riu. Eu ouvi! E desde quando eles tinham virado amigos? Homens. Impossível entender.
- O que tem uma garota gostar de bacon? – Perguntei emburrada, colocando uma batata na boca.
- , garotas geralmente não pedem o maior lanche do cardápio, nem declaram seu amor por ganhar bacon extra! – Riu Pete, enquanto explicava como se para uma criança.
- E também não falam de boca cheia! – Completou Dave.
- Jiiiimmy! Me defende! – Choraminguei para o homem que ria da cena em que nos encontrávamos. - , eu acho que ele estão certos. Você tem que tentar ser um pouco mais feminina. Nós todos te amamos do jeito que você é. Mas logo logo, você vai querer arrumar um namorado e aí? – Perguntou Jimmy, me olhando piedoso.
- Não tem problema, eu não preciso de um! – Respondi indiferente. Não reparando nas expressões de Dave e Pete que pareciam que tinham tomado um soco do estômago. – Se eu não arrumar um, vou casar com o Mike! – Expliquei.
- Com o Mike? – Perguntou Pete, parecendo se esforçar pra permanecer sério. Ele tava estranho. – Por que o Mike?
- Quando a gente era criança, a sua mãe deu banho na gente junto uma vez pra poupar tempo de ir em algum lugar. – Expliquei. – Então, ele tem que arcar com a responsabilidade de ter me visto nua se ninguém quiser casar comigo!
- Valeu mãe. – Reclamou Pete, irônico.
- ! – Disse Mike, incrédulo. – A gente só tinha 6 anos! Não é como se eu tivesse tarado você ou alguma coisa do tipo!
- Você não quer casar comigo Mike? É isso? Você me odeia? – Choraminguei, fazendo bico, para o garoto que corou. Há, eu sou má.
- Não é isso ! É que...
- Se ninguém quiser casar com você, eu caso! – Disse Dave, se intrometendo.
- Por que você?! – Perguntou Pete, olhando Dave de cima abaixo.
- Por que eu?! Você tá insinuando o que? Que deveria ser com você?! – Desdenhou Dave, arqueando a sobrancelha.
- Você acha que eu não sou bom o suficiente?! Pois saiba que eu sou muito melhor que você!
- Jimmy, essas batatas tão diferentes hoje, o que você colocou nelas? – Perguntei, tranqüila, para James que assistia a discussão.
- , você não deveria fazer eles pararem? – Perguntou Jimmy, um pouco receoso olhando Pete e Dave que ainda discutiam para saber quem era melhor do quem. O assunto inicial havia sido esquecido.
- Não, garotas não devem se meter em discussões de homem. – Respondi. Infantil, eu sei. Mas poxa, eles haviam machucado meu ego. Eu tinha um pouco de orgulho ainda!
- De qualquer maneira, só não deixa eles começarem a brigar e começarem a quebrar meu pub! – Suplicou Jimmy, correndo para atende o telefone que tocava nos fundos.
- , vai falar com eles, eu não quero me estressar pedindo pra eles pararem. Por favor. – Pediu Mike, olhando sério para mim.
- Tá booom. – Bufei, indo na direção dos dois e dando um tapa na cabeça de cada um, fazendo com que olhassem para mim assustados pela intervenção. Os dois eram maiores que eu, mas pareciam estar com medo do que eu ia falar. Garotos estranhos. – Certo. Chega! Vocês tão passando vergonha agindo assim. Sejam machos e parem de discutir um com o outro igual duas garotinhas! Agora apertem as mãos e peçam desculpas! – Ralhei, colocando as mãos na cintura. Ver a mãe dos gêmeos separar as brigas deles tantas vezes havia valido pra alguma coisa. Os dois se olharam feio, mas apertaram as mãos a contra gosto. Sorri. – Ótimo, agora, terminem de comer logo pra gente fazer alguma coisa divertida ok?
- Okay – Responderam os dois juntos.

Sentamos todos de volta em nossos lugares e terminamos nossos lanches, enquanto assistíamos ao Top Of The Pops que passava na televisão do pub. Uma banda nova estava sendo entrevistada, chamava McFly. Hum... Se pelo menos não tivessem talento, pareciam simpáticos e eram bonitos. Mas esse negócio de ter uma banda com certeza deveria ser estressante. Veja bem, eles ficariam famosos e não poderiam mais fazer as coisas que faziam antes sem ser abordados por milhares de fãs ou papparazis, além do que, não conseguiriam mais escrever músicas sobre uma garota que eles conheceram no trem por exemplo, porque eles não teriam mais experiências simples para isso. Todas as músicas de amor teriam que ser sobre situações hipotéticas o que acabaria por deixar a música sem sentimento. Bom, pelo menos era essa a minha opinião de sobre quase todas as bandas que escreviam suas próprias músicas. Claro que haviam exceções, mas era geralmente assim: Começam bem, se tornam regulares com o tempo e no fim, viram pessoas esnobes que só pensam em continuar famosas e não tem mais nenhuma música boa de verdade. Eu ficaria mais um tempo admirando os garotos bonitos na televisão se tio Jimmy não voltasse bufando com uma cara preocupada para perto de nós.
- Que foi Jimmy? - Perguntei preocupada. – Aconteceu alguma coisa grave?
- Nada grave, . – Explicou ele, sentando-se num banquinho do lado de dentro do balcão. – Sabe a banda que toca aqui todas as noites?
- Sei! – Exclamei.
- Eu gosto bastante deles. – Comentou Mike. – Tocam bem.
- Não sei, não vou muito com a cara daquele guitarrista. – Resmungou Peter.
- Por que não? – Interessou-se David.
- Porque ele ficava dando em cima da o tempo inteiro! Ele não se mancava!
- Ele não dava em cima de mim! – Aleguei, me surpreendendo.
- Dava sim, ... – Contou Mike, rindo.
- Jura? Como eu nunca percebi?! Por que vocês não me contaram? – Reclamei, indignada, recebendo um olhar de censura dos gêmeos. – Que burra! Ele era um gato! – Concluí, escondendo o rosto com as mãos. Sério, às vezes eu sou muito tapada.
- Enfim... - Continuou James – Parece que eles brigaram e a banda acabou. Eu tentei ligar pra outras duas bandas que eu tinha o contato mas todos já tem compromisso pra hoje. Sem música ao vivo, eu corro o risco de perder vários clientes. – Bufou, agora passando as mãos pelo cabelos.
- Ah Jimmy, eu não conheço ninguém que... – Disse, pensativa. – Espera... Eu conheço alguém que pode quebrar um galho. – Lembrei, dando um sorriso enorme para James, que me olhava esperançoso. - Quem, ?! – Perguntou Mike, interessado.
- To olhando pra eles. – Respondi, olhando para os gêmeos que me encaravam meio assustados.
- Uma banda de duas pessoas ? – Zombou Dave. – Acho melhor perder alguns clientes por não ter banda do que perder todos!
- É aí que você entra pequeno Dave. – Expliquei, sorrindo para o garoto que me olhava com cara de interrogação. – Bom, o Pete toca guitarra e o Mike bateria, falta alguém pra cantar. Sua voz parece boa, então, você pode cantar!
- E a gente cantaria o que, ? A única música que a gente tem é uma música sobre panquecas! E você não gostou dela nem um pouco. – Disse Pete.
- Vocês podem cantar uns covers e... – Comecei a explicar, sendo interrompida por Mike.
- A gente tem uma música! – Exclamou ele.
- Tem? – Perguntei, supresa.
- É! Tem? – Pensou Pete em voz alta, tentando se lembrar da tal música.
- Tem! Nós vamos lá pra casa agora pra eu ensinar pra eles! – Disse Pete, levantando da cadeira e puxando um Dave e um Pete confusos. – Voltamos daqui a umas duas horas!
- Desde quando eu concordei com essa loucura? – Perguntou Dave, sendo arrastado para fora por um Mike animado.
- Bom, parece que eu não tenho mais que me preocupar com isso então! – Riu, James, ainda um pouco assustado com o rumo das coisas.
- Tio Jimmy! Descuuuulpa! – Pedi. – A gente ficou falando e nem perguntou pra você se tudo bem... Que vacilo. – Terminei, escondendo o rosto com as mãos, um pouco envergonhada.
- Não tem problema, tampinha. É uma grande ajuda.
- Grande ajuda eu vou te dar agora, te ajudo a servir as mesas até eles voltarem. Se eles forem muito ruins pelo menos eu reponho o prejuízo trabalhando! – Ri.
- Nossa, isso seria uma boa! Pode levar os pedidos da mesa 8 pra mim? – Pediu James, estendendo dois pratos de salada para mim.
- É pra já!
O horário de almoço e eu estávamos acabados. Trabalhar numa lanchonete/pub era cansativo, vou começar a valorizar mais as garçonetes principalmente as que usam patins de agora em diante. Enfim, já haviam se passado quase 4 horas desde que eles haviam saído. Já estava escuro lá fora e logo menos as pessoas saindo dos trabalhos iam passar aqui para o happy hour diário. Pensei em dar um toque no celular dos gêmeos, mas havia deixado o meu em casa, e eu não consigo decorar números por mais que eu tentasse, ou seja, nada de tentar uma carreira como contadora ou algo do gênero no futuro. O jeito era esperar. Me sentei em um dos banquinhos vazios do bar e me apoiei no balcão. Logo logo eles deveriam chegar. Eu estava tão cansada. Quando menos percebi, o sono me venceu e eu adormeci.

--

Abri os olhos e olhei ao redor. O pub já estava lotado. Estranho...Me lembro apenas de ter fechado os olhos para descansar por dois segundos. Levantei-me da cadeira onde estava sentada, esfregando os olhos ainda sonolentos e me espreguiçando. Onde raios estava o tio Jimmy? Como ele pode me largar dormindo sozinha apoiada num balcão de pub cheio de caras assíduos por sexo em volta? Corri até o banheiro para que a água gelada da torneira levasse meu sono e minha cara amassada embora e após me sentir mais desperta, comecei a caça ao homem mais velho. Passei tropeçando por alguns grupos barulhentos de homens e mulheres que bebiam, cantavam e gritavam e avistei rostos conhecidos em uma mesa próxima ao palco. Bufei aliviada. Finalmente eles haviam chegado! E nem pra me acordarem! Bando de gente imprestável. Pete, Dave e Mike estavam conversando animados sobre alguma coisa enquanto bebiam enormes canecas de cerveja. Muito bem tio Jimmy, deixa esse bando de pirralho beber no seu pub mesmo! Se eu não fizesse o mesmo já teria te denunciado há tempos... Caminhei em direção a mesa para ralhar com os três por não terem me avisado que já estavam aqui, mas me distrai ao notar uma quarta figura que ria com eles, era estranho, ele estava de costas, mas me parecia tão familiar... Mike notou minha aproximação e acenou com a mão pra mim abrindo um enorme sorriso.

- Olha o que nós encontramos sentado na sarjeta na frente da sua casa! – Contou Mike, esticando os braços para o garoto desconhecido como se tivesse fazendo a demonstração de algum produto que promete milagres da TV a cabo ignorando minha cara de poucos amigos.
E foi aí que ele se virou sorrindo na minha direção.
E foi aí que eu caí.
Literalmente. Caí.
Feito uma jaca podre no chão. Empurrada por um brutamontes qualquer que passava sem a menor delicadeza. Ploft!
- Pequeeeeeena! Você tá bem? – Perguntou preocupado o garoto, correndo na minha direção e se abaixando para me ajudar a me levantar, enquanto os outros três patetas apenas riam.
- Minha perna tá doendo! Acho que vai ter que amputar! – Respondi, chorosa, nos braços de quem me conhecia desde bebê. Havia algum tempo que não o via. Finalmente ele estava aqui, aquele em que eu mais confiava desde pequena. Meu porto seguro. Meu primo, Matt.
- Sempre dramática, não? – Zombou ele. Puxando meus braços para que eu ficasse de pé e me dando um abraço apertado que eu retribui com a mesma intensidade, inspirando aquele perfume amadeirado que me era tão familiar. – Consegue andar?
- Consigo! – Respondi, agora sorrindo abertamente para ele que fechava a cara pra mim. – Que foi? – Perguntei assustada.
- Ta ficando tapada igual o tio Rick agora é? Quem me ligou ontem pedindo “Por favoooor Mattzito! Vem pra Manchester ficar uns dias comigo! Me sinto tão sozinha! Mimimi...” foi você! – Disse ele, fazendo a voz fininha numa tentativa extremamente falha de me imitar. Pois é. Eu não falo assim parecendo uma gralha! Fiz cara de ofendida. - E eu disse que vinha! E o que você me faz? Sai de casa! E não me deixa um bilhete e nem nada! Ainda bem que eu vi o Pete e o Mike que estavam com o Dave passar por lá bem na hora que eu cheguei! Você precisa ter mais responsabilidade, pequena! – Concluiu Matt o mini-sermão enquanto eu apenas fazia bico.
- Desculpinha Matt, eu pensei que você só vinha mais a noite. E...
- Tudo bem, pequena. – Suspirou ele, fazendo um cafuné na minha cabeça enquanto me dava mais um abraço e depois me encaminhava para mesa. Onde todos abriram um espaço para que eu pudesse sentar. Bom, eu teria que lidar com o tio Jimmy depois.
- Poxa, . – Comentou Mike, ainda meio vermelho de rir. – Você realmente sabe como fazer uma grande entrada!
- Eu devia ter filmado para as horas de depressão! – Riu Mike, acompanhando o embalo do irmão. - EU FILMEI! – Exclamou Dave, jogando os braços pra cima, mostrando um celular como se fosse um troféu, arrancando mais risadas dos três e alguns gritos de viva.
- Isso! Dêem bastante risada mesmo! Vai ter volta depois... – Resmunguei, com a cara amarrada, recebendo um olhar piedoso de Matt.
- Eles te amam ! Só estão querendo chamar sua atenção. – Explicou Matt, como se tudo fosse muito óbvio. – Mas e aí? Como você está? Engordou hein! – Riu ele.
- Engordei nada! – Respondi, como quem não ligava para se fosse verdade ou não. – E estou bem, tirando essa dupla sertaneja paraguaia e esse refugiado japonês que insistem em tentar me enlouquecer. – Disse, apontando para o trio que ainda se acabava de dar risada, revendo o vídeo da minha queda no celular, fazendo Matt rir e me olhar de um jeito estranho.
- . Você é tão tapada!
- Que?! – Perguntei, indignada. – Por quê?
- Você não percebe que eles... – Começou Matt sendo interrompido, por um James que se aproximou de nossa mesa, parecendo bastante cansado e ofegando bastante.
- E aí garotos? Vocês estão prontos? Tá todo mundo perguntando cadê a banda! – Explicou tio Jimmy, já puxando Mike pelo braço e o levando em direção ao pequeno palco do pub, fazendo com que Pete e Dave fossem atrás.
- E então? – Perguntei, após a interrupção. – O que você tava dizendo?
- Depois a gente conversa pequena. Vamos ver o show? – Pediu Matt, fazendo bico.
- Eu preferia poupar meus ouvidos. Mas como eu dei a idéia, acho que eu tenho a obrigação de aguentar. – Respondi, já me levantando e seguindo para frente do palco.
--- (Coloquem essa música para carregar) O palco do Joey’s não era lá essas coisas, mas até que era bem equipado pra um palquinho improvisado de um pub. Tio Jimmy havia instalado um jogo de luzes e comprado alguns bons instrumentos para que não fosse preciso os músicos trazerem seus próprios até o local, a não ser que fosse extremamente necessário ou o cara fosse extremamente fresco. A pista estava lotada uma vez que a casa estava cheia, vi os garotos entrarem no palco parecendo um pouco nervosos. Normal, pensando que hoje foi a primeira vez que eles ensaiavam todos juntos, se bem que os gêmeos já faziam isso regularmente e até que o Pete quebrava um galho ao cantar, mesmo as letras sendo terríveis. Vi Mike sentar na bateria e girar as baquetas entre os dedos enquanto arrumava a altura do seu banquinho com a outra mão. Pete tentava ajeitar um tanto nervoso a correia da guitarra deixando escapar umas duas vezes antes de prendê-la firmemente, o que me fez soltar uma risadinha debochada. Okay, eu sou um pouco sádica, mas é normal, quem não é? Então Dave subiu no palco. Para um cara baixinho e com carinha de criança ele tinha bastante presença de palco e inspirava confiança, abaixou um pouco o microfone para que ficasse da sua altura fazendo com que alguns caras ao meu lado soltassem uma risadinha e fizessem comentários em voz baixa me fazendo encará-los de um jeito feio. Só eu podia fazer aquele tipo de coisa. Quem eles pensam que são? Isso não abalou Dave, que apenas olhou pra trás sorrindo em confirmação para que eles começassem.
- Boa noite pessoal! Nós somos a banda Phonics. E se tiver algum produtor presente aqui hoje a noite é melhor assinar um contrato agora conosco porque vai ser muito mais barato do que se vocês esperarem! - Disse Dave, sorrindo, fazendo com que muitos dos presentes dessem risadas e prestassem mais atenção na banda que acabara de subir no palco.
- Phonics? – Perguntou Matt, pra mim, esperando que eu explicasse o motivo do nome.
- Como se eu soubesse! – Exclamei, dando de ombros. – Aposto que foi idéia do idiota do Pete, nomezinho ruim. – Conclui fazendo Matt rir e me abraçar de lado.
- Chatinha.

Eles começaram a noite com uma música do Green Day, seguido por alguns covers de Blink 182, Sum 41, All Time Low e até Kasabian! Dave cantava melhor do que eu esperava, muito melhor aliás. A voz dele era suave e ao mesmo tempo energética. Pete e Mike também não fizeram feio, aliás, eles poderiam até chegar em algum lugar, tinham o talento necessário e a aparência também ajudava bastante, olhando no geral eles podiam se tornar um sucesso de um dia para o outro. Talentosos, bonitos e carismáticos. Acho que eu tinha jeito pra coisa, devia me tornar caça talentos ou algo do tipo. Okay, vou parar de me gabar antes que eu fique muito metida. E eu não parecia ser a única a gostar do show que meus amigos faziam, as pessoas que no começo pareciam meio apreensivas agora já cantavam junto e algumas até dançavam. Se bem que as que dançavam já pareciam estar mais alegres que o normal. Enfim, eles já estavam no palco havia quase uma hora, já era tempo de eles encerrarem, tio Jimmy também devia ter percebido o cansaço deles, porque o vi fazendo sinal da mesa de som para que eles encerrassem o pequeno show com uma cara satisfeita. Dave se aproximou do microfone para falar mais uma vez.
- Antes que nós encerremos por hoje... – Disse Dave, recebendo reclamações da platéia o que fez os três abrirem enormes sorrisos, e eu também. – Queríamos tocar uma última música. Mas essa é original. Espero que gostem. – Concluiu ele, fazendo com que Mike iniciasse a contagem.
(coloquem a música para tocar agora) What if nobody likes me? (E se ninguém gostar de mim?)
What if I don't succeed? (E se eu não tiver sucesso?)
What if I give it all that I've got (E se eu der tudo o que tenho)
and I still don't got what they need? (E ainda não ter o que eles precisam?)
What if I don't get anywhere at all? (E se eu não chegar a lugar nenhum?)
Will I consider myself a failure? (Eu me considerarei um fracasso?)
Will I be that small? (Eu serei tão pequeno?)

Espera. Eu conheço essa letra... Onde foi que eu ouvi antes? Oh meu Deus. É A MINHA POESIA! Eu não acredito que eles fizeram isso! Como eles pegaram ela de mim? Eu não me lembro de ter concordado com isso! Senti alguém cutucar meu ombro delicadamente, e olhei para Matt, que me encarava apreensivo.

- Pequena, ta tudo bem? Você tava toda feliz e de repente fechou a cara, tá se sentindo mal? Quer que eu pegue alguma coisa pra você beber? – Perguntou Matt preocupado, enquanto eu apenas negava com a cabeça ainda inexpressiva. Como eu deveria me sentir com isso? Feliz? Triste? Zangada?

What if she doesn't like me? (E se ela não gostar de mim?)
What if I'm not her type? (E se eu não for o tipo dela?)
What if all the girls that ever like me (E se todas as garotas que gostarem de mim)
Are not the kind of girls that I like? (Não forem o tipo de garotas que eu gosto?)
What if I meet the right one and screw it up? (E se eu encontrar a garota certa e estragar tudo?)
Will I consider myself a failure? (Eu me considerarei um fracasso?)
Will I give up? (Eu desistirei?)

Pelo menos eles adaptaram a letra. É, eu não sou lésbica não. Nada contra quem é claro... Mas como são caras de pau! Eles roubam minha letra e ainda mudam! Se bem que ficou legal assim. E não era uma letra , você tá aceitando isso muito rápido!

- Legal essa música, não? – Ouvi um casal do meu lado comentar. Claro que é legal. Eu que escrevi! Mas tenho que concordar que a melodia ficou muito legal também. Sabe, acho que posso viver com isso. Resolvi ficar feliz e deixar pra questionar depois do show. Abri um sorriso para Matt que sorriu aliviado a ver minha alegria voltar. Comecei a cantar junto com Dave, era engraçado cantar uma coisa que eu mesma havia escrito.

I'm gonna keep trying (Eu vou continuar tentando)
Getting denied just makes me want it more (Fracassar só me faz querer mais)
I'll keep trying and each time push harder than before (Eu vou continuar tentando e cada vez mais forte do que antes)
I can't live my life always worried about “what if?” (Eu não posso viver minha vida sempre preocupado com “e se...?”)
'Cause what if I die tomorrow (Por que se eu morrer amanhã)
Then I never even lived (Então eu não vou nem ter vivido)

Enquanto tocava, percebi que Pete me deu uma olhada de canto para checar a minha reação. Fingi uma cara indignada pra deixar ele com medo. Yeah, eu sou dumal baby! E para o meu espanto realmente funcionou, fazendo com que ele errasse uma nota ou duas puramente por ter se desconcentrado. Não aguentei e dei uma risada gostosa, fazendo com que ele percebesse e sorrisse feliz na minha direção. Mandei um joinha e um beijinho no ar em retribuição.

What if they don't like me? (E se eles não gostarem de mim?)
What if they think I'm a joke? (E se eles acharem que sou uma piada?)
What if they act nice to my face (E se eles forem legais na minha cara)
But they hate me and I don't even know? (Mas me odeiam e eu nem sei?)
What if they end up stabbing me in the back (E se eles terminarem me apunhalando pelas costas?)
Will I consider myself a failure or will I fight back? (Eu vou me considerar um fracasso ou vou brigar de volta?)

I'm gonna keep trying (Eu vou continuar tentando)
Getting denied just makes me want it more (Fracassar só me faz querer mais)
I'll keep trying and each time push harder than before (Eu vou continuar tentando e cada vez mais forte do que antes)
I can't live my life always worried about “what if?” (Eu não posso viver minha vida sempre preocupado com “e se...?”)
'Cause what if I die tomorrow (Por que se eu morrer amanhã)
Then I never even lived (Então eu não vou nem ter vivido)

Os garotos da recém formada banda Phonics, então concluíram a música recebendo aplausos e assobios do público e alguns gritos de “Gostoso!” vindos de alguns caras bêbados no canto do bar, o que me fez rir e fez Mike responder rindo no microfone de Dave que sentia muito o inconveniente, mas que hoje não teria sessão de autógrafos na bunda. Quando eles finalmente desceram do palco, mesmo a maioria das pessoas já tendo indo embora, ainda estava um pouco complicado de chegar até eles, algumas das pessoas do local que estavam assistindo o show, se aglomeraram em volta dos garotos para conversar, elogiar e no caso das vadias de saia curta, galinhar. O que eu confesso que não gostei. E não, eu não estou com ciúme. Mas me irrita a hipocrisia sabem? O Pete e o Mike sempre falaram mal desse tipo e agora eram todo sorrisos para aquelas duas. Bleh, fiquei até com vontade de vomitar! Cutuquei o Matt que ainda tentava se aproximar comigo e disse pra ele apressar os garotos enquanto eu esperava do lado de fora, estava cansada e queria ir para casa logo. Fui andando apressada e de mau humor na direção da porta de saída quando topei com o tio Jimmy, que estava distraído e carregando uma bandeja cheia de copos vazios que consequentemente foram para o chão, junto comigo, pela segunda vez no dia. Não podia ser uma das vadias siliconadas né? Nãããão. Tinha que ser eu!
- Outch! – Reclamei, caída, com os olhos cheios de lágrimas e um caco de vidro enorme fincado na palma da mão.
- ! Ai meu Deus! Desculpa! Eu não vi! E... – Disse tio Jimmy, assustado com o ferimento, tentando colocar o pano sujo que estava em seu ombro para estancar o sangue que saía da minha mão esquerda, enquanto eu a desviava.
- Tio Jimmy... Essa pano tá nojento! Não vou deixar você colocar isso no meu machucado! – Ralhei, fazendo um esforço muito forte para conter as lágrimas que teimavam em cair. Senti braços me envolverem e me levantarem do chão. Era Matt.
- O negócio tá feio aí, não pequena?! Você tá gostando de manter contato com o chão hoje hein! – Disse o garoto, rindo um pouco tenso, me carregando para fora do pub. – Vou te levar pra um hospital, acho que vai ter que dar uns pontos aí... James, me empresta seu carro! – Pediu Matt, recebendo a chave do mais velho que ainda olhava preocupado para a minha mão.
- Não quero Matt! Por favor! – Supliquei, enquanto meu primo me encaminhava para fora, tentando me soltar dos braços dele, procurando uma rota de fuga com a mão sangrando e ainda chorando um pouco pela dor causada pelo corte, agora estancado graças a camisa do meu primo, enrolada firmemente. – Você sabe que eu tenho medo de agulha...
- Pequena, entra no carro sem fazer escândalo ok? – Pediu Matt, paciente, abrindo a porta do carona do carro do tio Jimmy, me olhando sério.
- Você promete que não vai me obrigar a costurar a mão? – Perguntei, o encarando, desconfiada. - Prometo! Agora entra! Por favor...
- Okay. – Cedi, entrando no carro preto, indo em direção ao hospital.

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- Outch! – Reclamei, mesmo que por instinto, enquanto um médico que eu vou chamar de médico-primeiro-marido-que-vai-bancar-uma-pensão-bem-gorda-para-os-nossos-quatro-filhos-pós-divorcio, dava um ponto fechando o corte fundo na minha mão esquerda. É, eu reclamava mas havia tomado anestesia local, não sentia nada, o que fazia Matt revirar os olhos a cada resmungo. Aquele mentiroso, ele sabia que mesmo sem me obrigar eu não teria escolha a não ser levar os pontos. E eu achava que a gente podia confiar na família! Humpf.
O quarto em que eu estava era praticamente todo branco, eu estava sentada na cama, com meu futuro marido de seriado americano costurando minha mão e meu primo parado ao meu lado perdendo a paciência com a minha reclamação sem fim sobre como tudo aquilo era injusto comigo. O Dr. Bonitão estava terminando o último ponto quando eu ouvi um barulho enorme e vozes se aproximando. Estamos em um hospital pelo amor de Deus! Que bando de gente sem educação! Ainda bem que eu não tenho nada a ver com iss...
- ! – Gritaram três criaturas entrando no quarto feito um furacão me deixando sem reação. Ótimo, era o que me faltava, queimaram meu filme com o doutor! Como eu ia conseguir a pensão pros meus filhos agora? E afinal, o que eles estavam fazendo ali? Cadê as vadias? Bom, aposto que o Pete broxou, mas você Mike? Que decepção...
- O James avisou que você tinha cortado sua mão. E a gente veio o mais rápido possível assim que conseguimos sair de lá. – Explicou Dave, preocupado, olhando para a minha mão, apreensivo.
- Ui! Você teve que levar pontos! – Disse Mike, fazendo uma careta de estou-sentindo-a-dor-alheia.
- Vai ficar uma cicatriz? Cicatrizes são sexy ! Eu queria ter uma! – Exclamou Mike, parecendo realmente feliz por mim.
- Se você quiser, eu te arrumo uma agora. – Respondi, levantando minha mão para dar um tapa no garoto, mas me arrependendo amargamente depois ao sentir uma dor alucinante. – Aiiiiii!
- ! Não dá pra você ficar mexendo a mão ainda! – Alertou Matt.
- Jura Matt? Ajudou muito essa informação agora! – Respondi, infantilmente, ainda tentando conter as lágrimas nos olhos.
- Não precisa ser grossa comigo, pequena. – Reclamou Matt, fazendo uma cara triste.
- Sorry Mattzito...
- É a TPM dude! Logo passa! – Explicou Pete, como se fosse um grande gênio.
- Cala a boca cara! Não piora a situação. – Aconselhou Mike.
- Ta doendo muito, ? – Perguntou Dave, que tentava não encarar o machucado.
- O que você acha, David? – Ironizei.
- TPM mode on! – Gritou Pete, rindo. Recebendo um pedala de Matt.
- Não piora as coisas, idiota! Realmente, você não mudou nada desde quando a gente era criança. – Suspirou Matt.
- Erm... – Se posicionou pela primeira vez o Dr. Gostosão depois da bagunça instaurada. – Eu já terminei com você mocinha. Matthew, posso pedir pra você me acompanhar? Como único parente presente preciso que você preencha umas fichas pra mim assim eu posso liberá-la, pode ser? – Pediu, já saindo do quarto em direção a porta. – Se cuida mocinha. – Disse ele, parando antes de sair e dando uma piscadinha em minha direção. Há! Sabia! Ele gostou de mim, nossos filhos poderão se chamar 1, 2, 3 e 4, antes do divórcio vamos morar numa casa enooooorme e...
- ? Tá viajando aí pensando em que? – Perguntou Dave, sentando ao meu lado na cama, me fazendo voltar para a cruel realidade.
- Vocês...
- Nós? – Perguntou Dave, surpreso.
- É! – Disse, virando a cara. – Não deviam estar em algum canto escuro com uma das vagabundas que vieram falar com vocês depois do show?
- Nooooosssaaaaa! O show! – Exclamou Pete, extremamente feliz. – Foi muito bom! Não foi, ? Não foi? Você ouviu a última música? Não ficou perfeita? O Mike que mostrou ela pra gente e...
- O que você achou de mim cantando? Mandei bem não foi? O Mike quase teve um treco quando a gente foi pra casa falando que eu tava contratado! – Ria Dave, imitando um garoto desesperado que fingia ser Mike.
- Você não ficou brava né ? Eu vi ela no dia que fomos pegar o David e ela era PERFEITA! Eu já tinha trabalhado em cima dela um pouco, mas poxa, você tem talento garota! E...
- CHEGA! PAREM DE FALAR NA MINHA ORELHA TODOS DE UMA VEZ! EU VOU ENLOUQUECER! – Gritei, tentando tapar os ouvidos com a mão boa e fechando os olhos, fazendo os três me olharem assustados.
- , que você tem? – Perguntou Mike, apreensivo.
- É a...
- Se você terminar essa frase dizendo é a TPM mais uma vez, pode apostar que vai ser a última. – Disse para Pete, o olhando feio.
- Iiiih, não ta mais aqui quem falou.
- Enfim, o negócio é o seguinte! O show foi ótimo! Realmente bom! A música que eu escrevi, poesia, sei lá, ficou maravilhosa. Mas você! Você! E você! – Apontei para cada um deles, ainda com a cara amarrada. – Esqueceram da minha existência no momento que dois pares de silicone ambulantes apareceram na frente! – Reclamei, fazendo bico.
- Tá com ciúme, pequena? – Perguntou Dave.
- Não vamos discutir questões de tamanho vamos David? – Perguntei, medindo o garoto com os olhos que fez cara de ofendido. – E não, eu não estou com ciúme! Só não gosto de me sentir enojada. Obrigada.
- Sei... – Suspirou Mike, rodando os olhos.
- Relaxa , você é muito mais bonita que elas! – Disse Pete, sincero. O que me fez corar furiosamente. Obrigado falta de melanina!
- Querida! Cheguei! – Gritou Matt, voltando para o quarto e pegando minha bolsa, a colocando nos ombros. – Vamos embora?
- Vamos! – Respondi, levantando de um pulo, tentando disfarçar o momento sem graça.
- , nós estamos bem né? – Perguntou Dave, segurando meu braço.
- Estamos. – Respondi. – Mas da próxima vez que vocês quiserem galinhar, me avisem antes pra eu evitar presenciar ok?
- Sim senhora! – Responderam os três, felizes, batendo continência me fazendo dar risada e balançar a cabeça já saindo do quarto.

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Abri a janela do carro mesmo sabendo que o frio do lado de fora não era brincadeira, mas eu gostava de olhar as estrelas em movimento e sentir o vento bater no rosto enquanto bagunçava meu cabelo. Embora eu tivesse um grand canyon na minha mão agora, eu estava feliz. Os garotos conversavam, falando besteiras o que me fazia rir. Estar com eles dessa maneira me fazia sentir tão confortável, como se um balão estivesse inflando dentro de mim. Essas férias poderiam durar pra sempre...
- ... – Chamou Dave, que estava sentado ao meu lado, me cutucando de leve no ombro. – Eu to com frio, você pode fechar a janela?
- Oi? – Me assustei, batendo a testa na parte de cima da janela quando colocava minha cabeça para dentro de novo. – Outch! Sinto que não devia ter levantado da cama hoje.
- Como assim ?! – Perguntou Pete, incrédulo, que estava sentado ao lado de Dave. – Se você não tivesse levantado hoje, a gente não teria ido pro Joey’s e você nunca teria ouvido nossa excelentíssima performance!
- Que faremos questão de repetir toda sexta a noite! – Gritou um Mike feliz, sentado no banco do carona, me fazendo rir.
- Só falta encontrarmos um baixista para alcançarmos o topo! – Concluiu Dave, animando-se também. Bando de crianças iludidas. Acham que tudo é fácil assim... Mas espera, eu me lembrei de uma coisa interessante agora.
- Matt...
- Oi? – Perguntou ele, prestando bastante atenção na rua. Meu primo era um pouco responsável demais e dirigia como uma velha, ou seja, devagar e com muito cuidado como ele sempre me corrigia.
- Você não sabe tocar violoncelo? A Tia Susan não obrigou você a aprender quando era mais novo?
- Eu preferia não comentar sobre essas lembranças dolorosas da infância. – Brincou ele, fazendo uma careta.
- Violoncelo não é como um baixo? Só que em outra posição e usando uma vareta? – Perguntou Dave. Isso Dave, era nesse ponto que eu queria chegar!
- Matt, você já tocou baixo? – Perguntei, inocente.
- , esse não é o tipo de pergunta que uma garota deva fazer pra um cara. – Explicou Pete, dando risada o que me fez entender e ficar vermelha.
- Não coloque pensamentos pervertidos na cabeça da minha prima, Peter! Não vou mais deixar ela ficar andando com vocês! – Brigou Matt. – Mas não , nunca toquei. E faz muito tempo que eu fiz as aulas de violoncelo... Não sei se...
- Cara! Tem um baixo velho lá em casa! Você podia tentar! – Disse Mike, se animando. – Sem compromissos.
- Bom, não vejo problema em tentar, mas não esperem muito de mim... – Riu Matt.
- Isso! Se fecharmos nós quatro na banda, podemos nos destacar, afinal até temos um cara responsável e um anãozinho japonês no vocal! – Disse Pete.
- E um par de clones lunáticos na guitarra e bateria. – Retrucou Dave.
- E temos uma digníssima dama que vai escrever nossas músicas. – Completou Mike.
- O queee?! – Disse me quase me jogando em cima de Dave, para poder alcançar a área da frente do carro e olhar pra Mike. – Eu não me lembro de ter concordado com isso Michael!
- Por que não ? – Questionou Mike. – E sai dessa posição, que eu to conseguindo ver seus peitos. – Riu.
- Idiota. – Respondi, voltando a me sentar no meu lugar. – De qualquer maneira, eu não acho que eu tenha talento pra isso.
- Pequena, você nunca vai saber se não tentar. – Comentou Matt, que estava dirigindo, olhando para mim pelo retrovisor. – Até eu vou entrar nessa loucura!
- Uhn...
- Por favor ! A gente te paga todos os doces que você quiser comer por um mês! – Sugeriu Pete, me olhando com uma cara de criança pidona.
- Eu não sou tão gulosa assim! Pára de tentar me comprar com comida! – Repliquei, olhando para fora da janela, ignorando os olhares de todos no carro. – Uhn... Todos os doces que eu quiser mesmo? – Perguntei, com um bico, virando na direção dos garotos ouvindo uma explosão de risadas tomar conta do carro.
FLASHBACK OFF

Estava demorando demais. Olhei para o grande relógio pendurado em uma das paredes brancas da sala de espera. Não aguentava mais nem ficar sentada, um ataque de nervos não seria uma coisa estranha a esse ponto. Levantei do sofá vermelho em que eu estava sentada, já havia lido todas as Rolling Stones que estavam em cima da mesinha de vidro e tomado diversos copinhos de água, se eles não saírem logo daquela sala, eu vou entrar! Ou talvez não. Me sentei novamente, respirando fundo. Foi tudo tão depressa. Não que eu ache estranho, eles eram realmente talentosos. Até Matt que precisou de algumas aulas para se reajustar com o novo instrumento fazia tudo parecer extremamente simples. Dois anos haviam se passado desde que a Phonics havia começado, os garotos estavam fazendo seus shows em diversos pub’s agora, mas ainda indo ao Joey’s no mínimo uma vez por semana. Até semana passada achávamos que tudo isso não passaria de um hobby, foi um choque recebermos aquela ligação de Londres, que era onde eu estava agora. Longe da minha adorada Manchester, extremamente nervosa sentada num sofazinho vintage na sala de espera da Universal Music. Após mais alguns minutos de espera, o que me pareceram longas horas e me fizeram perder vários pedaços de unha, finalmente os garotos saíram da sala. Eles não pareciam tristes, mas não estavam extremamente felizes como eu esperava. Respirei apreensiva e olhei para Mike preocupada, ele era o único que não estava com uma expressão muito agradável. Congelei. Ah, mas esse diretor sei lá de quê vai se ver comigo, como assim ele enche meus garotos de esperança, faz eles virem até aqui e dá má notícias?!
- , ele quer falar com você. – Disse Mike, sério, me encarando. - Comigo?! – Perguntei surpresa, me levantando do sofá, arqueando a sobrancelha.
- É, vai logo. – Disse Pete, sorrindo e me empurrando pra dentro da porta em que eles haviam acabado de sair, apesar dos meus protestos e perguntas, fechando-a atrás de mim. Okay, o que estava acontecendo?
A sala do diretor da Universal, era do jeito que eu achava que sala de homens poderosos deveriam ser, claro que minha imaginação sobre isso é altamente influenciada por filmes e séries. A sala era toda escura, com as persianas entreabertas, um tapete enorme ocupava quase toda a extensão do chão e havia até uma lareira com fogo falso. Só pra quem pode mesmo... No oposto a porta pela qual eu havia entrado e aonde eu ainda continuava empacada como uma mula, nervosa demais para dar um passo ou dizer qualquer palavra, sentado numa cadeira de couro que parecia extremamente confortável a frente de uma mesa de madeira escura estava um homem muito branco em seus aproximados 50 anos de idade, levando em consideração a calvície que começava a ficar aparente no topo da cabeça, usando um terno cor de chumbo com uma gravata cinza reluzente. Seus cotovelos estavam apoiados na mesa enquanto ele equilibrava sua cabeça nas mãos e me encarava de cima abaixo com seus olhos escuros. Certo, essa é a hora em que eu, a mocinha, deveria sair correndo e gritando certo? Isso tá começando a parecer filme de terror! Enfim, o homem que parecia um vampiro ou alguma coisa do tipo, sorriu pra mim e apontou para a cadeira vazia na frente da mesa.
- Você deve ser a famosa ! – Disse ele, com uma voz um tanto rouca, mas gentil.
- Famosa? – Perguntei, ainda parada a porta, pensando se era seguro me aproximar mais. Eu ainda era jovem e não queria ter meu sangue sugado por um cara estranho desses. Credo.
- Sim, os garotos me falaram bastante de você... – Explicou ele, ainda me encarando e arqueando a sobrancelha com uma expressão confusa. Percebi que ainda tinha a mão na maçaneta, pensando em fugir. Respirei fundo e caminhei até a cadeira que o presidente havia me indicado, me sentando e recebendo um sorriso de aprovação. – Você deve estar se perguntando o porquê de eu a ter chamado aqui. – Continuou ele, enquanto eu apenas balancei a cabeça concordando. – Bom, acho que não deve ser tão difícil de presumir. Eu estou muito interessado na banda dos seus amigos. Acho que eles têm um grande futuro se assinarem um contrato conosco, mas há um problema, eles me disseram que as músicas da banda são todas escritas por você.
- E isso é um problema? – Perguntei, confusa. Eu realmente não estava entendo o rumo daquela conversa.
- Na verdade, sim. – Suspirou ele. – Veja bem , eles são uma banda de garotos que venderão além do talento, a aparência, entende? Não seria bom como estratégia de marketing que as músicas fossem escritas por uma garota. As próprias garotas não iriam gostar e...
- Erm... Desculpa interromper, mas antes da nossa viagem pra cá, nós já discutimos sobre isso. Acho que eles “esqueceram” – Expliquei, fazendo o movimento de aspas com os dedos no ar. – Que eu disse que não queria mais escrever as músicas da banda se eles conseguissem assinar o contrato, claro que eles não estão aceitando bem isso! – Suspirei. - Mas veja bem, isso tudo é muita loucura pra mim! Eu não quero ter uma dessas vidas de gente famosa. – Expliquei, já me sentindo mais a vontade, para o presidente que apenas me olhava como se eu não fosse muito normal e parecia que segurava uma risada durante meu pequeno discurso. – Eu escrevo músicas sobre o cotidiano, coisas simples da vida. Gente famosa não tem esse tipo de experiências. Eu quero ser rica! Óbvio! Mas sei lá, quero ganhar na loteria ou alguma coisa assim! Não quero sair nas revistas de fofoca toda semana e ler que eu estou sei lá, tendo um caso com o Justin Timberlake! – Concluí, respirando fundo pra recuperar o fôlego.
- Justin Timberlake? – Perguntou ele, interessado. – Por que o Justin Timberlake?
- Não sei, só me pareceu uma coisa agradável de se imaginar. – Sorri, mais para mim mesma. Mas quem liga? – Enfim, o senhor não precisa se preocupar que eu tenho tudo sobre controle. O senhor não quer que eu escreva por motivos comerciais e eu não quero escrever por motivos pessoais. Acho que concordamos com alguma coisa!
- Na verdade... – Disse ele, agora rabiscando alguma coisa em um papel que estava em cima de sua mesa. Tentei esticar meu pescoço pra ler mas estava quase impossível de enxergar. Porcaria de sala de vampiro escura. – Eu tinha uma outra coisa em mente...
- Que seria? – Perguntei, mais por perguntar, porque ainda estava tentando ler o que estava escrito na porcaria do papel. É, eu sou curiosa, mas eu não consiiiiigo evitar! Acho que é um problema genético.
- , o que você acha de se tornar um homem aos olhos do público? – Perguntou ele, sério, me encarando.
- Ahn? – Perguntei, distraindo minha atenção do papel pela primeira vez em algum tempo. Homem? Eu? Público? Mas que desgraça esse cara tá dizendo? Sabia que eu deveria ter saído correndo quando eu tinha chance. Burra! Burra! Será que se eu apontar pra janela e sumir daqui rapidinho ele percebe? Uhn... Claro que percebe! Como eu sou idiota...
- Um homem aos olhos do público, . Pensa só, você poderia escrever as músicas como sempre e ao mesmo tempo, ninguém saberia que é você! Todos saímos ganhando!
- Ah claro! E eu faria mais o que? Cortaria o cabelo, pararia de depilar as pernas e andaria com um pepino dentro das minhas calças? – Perguntei, num tom que eu não deveria estar usando com uma pessoa tão importante daquelas. Mas isso é loucura!
- Na verdade não, . – Riu ele. Porque eu não to achando nada engraçado aqui? E eu tenho um bom senso de humor, veja bem. – Você só precisaria assinar as músicas com um pseudônimo masculino. Eu poderia até dizer que um dos garotos que compõe, mas é muito arriscado, eles estariam trabalhando com várias pessoas do meio artístico, e seriam descobertos muito facilmente. E você poderia estar junto com eles tranquilamente, sem suspeitas. Afinal, seu primo é da banda... Poderíamos colocá-la como assistente também e...
- Espera... Você quer que eu MINTA pra milhões de pessoas?! Quero dizer, se forem músicas de amor, por exemplo... As meninas vão ouvir e vão se identificar com a letra e ficar imaginando que queriam que a pessoa que escreveu dedicasse a música a elas, pensando que deve ser um cara lindo, mas que na verdade é uma garota, com pouco sex appeal que conhece esse bando de garotos de banda desde eram um molequinhos remelentos?! – Perguntei, incrédula com a idéia. É quase como obrigar alguém a ser lésbica! E isso deve ser feito apenas conscientemente!
- ... – Disse ele, pegando o papelzinho, em que eu estava totalmente interessada antes da conversa tomar um rumo doido e colocando-o na minha frente dobrado ao meio. – Esse seria seu salário como assistente mais sua remuneração como compositora por pelo menos 1 álbum. Ninguém além de mim, da banda e do empresário deles vai saber de nada. Mas eu não posso te obrigar a aceitar. Eu posso te dar um tempo pra pensar. – Concluiu ele, enquanto eu abria o papelzinho, já pronta pra dizer “não, obrigada meu filho” e sair da sala correndo antes que ele voasse no meu pescoço e acabasse com aquele teatro de “sou um cara legal”. Deixa eu ver... um zero, dois zeros, três zeros, quatro zeros, cinco zeros... Meu Deus, eu não valho tudo isso! Eu não sou ninguém! Respira . Diz não, diz não. Não deixa o vampiro velho te comprar, não deixa! Okay, agora!
- QUANDO QUE EU COMEÇO?! – Perguntei. Eu sou um pouco volúvel e facilmente influenciável às vezes mesmo, fazer o que?
Após conversar sobre o tal plano mais um pouco e cumprimentar o presidente, agradecendo a oportunidade, fui avisada que ele passaria mais algumas informações importantes do nosso plano para o nosso empresário, que por acaso, nós mesmo havíamos escolhido. O James, ou tio Jimmy para os mais íntimos e com menos amor a vida, afinal, só ele mesmo pra que foi escolhido por nós como empresário por ter conseguido administrar um restaurante/pub e encontros com mais da metade das mulheres de Manchester, algumas ao mesmo tempo, eu suponho. Enfim, saí da sala para me encontrar com a mais nova banda contratada da Universal Music. Meus melhores amigos nesses dois anos, Pete, Mike, Dave e Matt, que estavam sentados inquietos no mesmo sofá em que eu os esperava a alguns minutos atrás.

- Oi... – Cumprimentei-os, com muita calma como a de quem fica observando as nuvens. Todos me encararam parecendo ter medo de me perguntar o que tinha acontecido nos últimos minutos dentro do escritório. Vi Dave, abaixar a cabeça e me olhar de canto de olho.
- E aí? O que o vampiro velho disse?! – Perguntou, fazendo todos esperarem ansiosamente pela resposta.
- Noooooossssaaaaaaaa! Ele realmente parece um vampiro velho não é? Ou a gente tá ficando junto tempo demais e tá pensando igual, Dave! – Exclamei, rindo, ao lembrar de mim mesma parada na porta com medo do homem.
- ! Pelo amor de Deus! Concentra no assunto! – Resmungou Matt, sentado ao lado de Dave, o olhando feio por ter distraído meus pensamentos da pergunta.
- Bom, ele me fez uma proposta... – Contei, fazendo mistério. É, eu sou chata. Mas é divertido, o que eu posso fazer?
- Proposta? Que tipo de proposta? – Perguntou Pete, já levantando do sofá e olhando pra mim bem de perto, como se analisasse se eu ainda tinha permanecido intacta, fiquei confusa.
- Senta aqui e fica quieto! – Riu Mike, puxando o irmão gêmeo de volta para o sofá. - É lógico que o velho não tarou a ! Ele é rico, consegue coisa melhor poxa!
- Obrigada pela parte que me toca! – Disse, lhe lançando um olhar de censura. – Enfim, como eu havia dizendo antes de todas as interrupções...
- Causadas também por você... – Resmungou Matt. Isso é TPM gente!
- Bom, eu não posso revelar grandes coisas aqui, é top secret a parada mermão! – Contei, fingindo ser um mano do gueto, fazendo gestos obscenos com as mãos e coçando um saco fictício. – Mas, - Disse, parando de graça. – Continuo com a minha função de antes, além de agora ser assistente da banda, e ganhar por isso, um salário nada modesto diga-se de passagem... E o contrato será enviado para o tio Jimmy mandar para um advogado para alisar antes de assinarmos!
- E é isso? Vai tudo continuar um grande mistério até quando? – Perguntou Dave.
- Até vocês levarem essa menina super bonita, simpática e inteligente para pedir uma pizza das mais caras no nosso hotel. – Respondi, já saindo da sala de espera, sorridente, sendo seguida por garotos curiosos mas extremamente felizes. As coisas estavam definitivamente dando certo.

---

Isso realmente está acontecendo? Pensei, quando saí pelas portas do aeroporto pela segunda vez no mês, dessa vez, puxando uma mala enorme, cheia de desenhos, o que fez o Mike me definir como uma pessoa espalhafatosa, seja lá o que for isso. Todos nós, eu e os garotos, tivemos apenas uma semama, para socarmos o máximo de roupas possível dentro de nossas malas, no caso do Matt, dobrar cuidadosamente cada peça, e empilhá-las do modo que ele diz ser o correto, e que na minha opinião, é uma grande perda de tempo, a não ser que você seja exagerado igual o Pete, taque tudo que tem dentro do seu armário lá dentro e depois tenha que pedir minha ajuda pra pular em cima da mala numa tentativa frustrada para fechar o zíper. Frustrada eu digo, porque quem em sã consciência tenta colocar roupas, um vídeo game, um skate, um rádio portátil e um par de patins dentro de uma mala de tamanho médio?! Enfim, estávamos longe de Manchester, numa cidade mais movimentada, sem conhecer ninguém, mas pelo menos tínhamos um adulto responsável por nós. Quero dizer, nós éramos tecnicamente adultos, pelo menos em alguns países do mundo, mas saber disso não era um grande consolo, como dizia o tio Jimmy, que foi escolhido por nós como empresário por ter conseguido administrar um restaurante/pub e encontros com mais da metade das mulheres de Manchester, algumas ao mesmo tempo, eu suponho.
Quando os 3 mosqueteiros, que na verdade eram 4, vocês sabem, conseguiram pegar suas malas na esteira e se juntar a mim e ao tio Jimmy na saída do aeroporto, pegamos um táxi, e após um período extenso de discussão sobre quem ia no colo de quem, (onde eu consegui me safar de ser amassada no banco traseiro e sentar na frente por ser altamente mais esperta e ter sentado rapidinho no banco do carona quando o táxi chegou e trancado a porta) seguimos direto para o endereço passado a nós pela gravadora, onde passaríamos algum tempo de nossas vidas. Os melhores tempos de nossas vidas, eu esperava.

- Meu Deus! – Exclamei descendo do táxi, enquanto o taxista ia em direção ao porta-malas, com uma expressão meio atordoada no rosto, seguido por Matt e Dave que o ajudariam a carregar a bagagem pra dentro. E poxa, a gente tava quietinho até! - A gente vai morar AQUI?
- É isso aí, tampinha! – Disse Mike, passando seu braço em volta de mim, com um sorriso enorme no rosto encarando nossa nova casa, junto comigo. – Isso porque estamos no começo ainda. Conforme a banda for ficando mais famosa, podemos nos mudar para lugares melhores ainda! E não fica com essa cara de boba! Sua casa não é tão menor assim e é mais bonita do que essa. – Comentou o garoto, me fazendo dar de ombros, pensando que ele realmente tinha razão. Mas essa era a NOSSA casa, sentiu a magia do momento?
- ! Me ajuda aqui! – Disse Dave, segurando um monte de malas. Corri na direção dele, pegando a minha com um pouco de dificuldade. – Sério, o que você ta carregando nessa mala? Chumbo? – Perguntou, sentindo um alivio instantâneo de uma bagagem a menos.
- Claro que não! – Respondi, já indo em direção a porta da nova casa. – Você que é mole! Tem que comer muito arroz e feijão ainda pequeno Dave! – Ri, vendo o garoto fechar a cara e suspirar, balançando a cabeça como se estivesse negando alguma coisa.
- , ... Quando eu te pegar de jeito uma hora, quero ver você me chamar de mole de novo. – Avisou Dave, com um sorriso esperto aparecendo no canto da boca. Passa ano, entra ano e esse garoto não muda. Quero dizer... Ele até que deu uma encorpada... Uhn... É...
Todos paramos na soleira da porta, felizes e sorrindo como uns idiotas uns para os outros, vimos tio Jimmy colocar a chave na fechadura para que pudéssemos entrar e conhecer nossa nova casa. Na minha cabeça eu já havia formulado um plano infalível para não acabar com o menor quarto da casa, que era o que aconteceria se eu vacilasse. Eu deixaria minha mala jogada na sala primeiro e subiria as escadas correndo, entraria em um quarto e me trancaria lá dentro até todos terem desistido de me fazer mudar e pronto! Se bem que ao julgar pelo alongamento e a posição de corrida que o Pete havia feito, eu poderia acreditar que ele tinha tido a mesma idéia que eu. Só que ele esqueceu de um pequeno detalhe, eu sou bem mais esperta. Tio Jimmy virou a chave lentamente e abriu, fazendo com que eu e o Pete disparássemos correndo em direção ao que deveria ser a sala, deixando todos os outros com uma cara de nada, parados com a porta aberta e extremamente confusos. Na minha corrida frenética antes de chegar a sala, empurrei Pete de leve contra a parede, o que fez ele tropeçar e se embolar com sua mala o que me fez rir, e não foi pouco, diga-se de passagem. Continuei correndo distraída até chegar na sala me assustando com o que vi, largando a mala no chão, quando parei de olhar para um Pete embolado e percebendo os quatro garotos com cara de poucos amigos que me encaravam sentados no sofá.




CONTINUA



N/A: Olá dudinhas! Meldeus...finalmente consegui terminar o capítulo! Eu ia fazer uma att dupla, mas não quis demorar mais pra mandar a continuação, o que eu peço desculpas, mas eu to realmente sem criatividade ultimamente e eu to com bem menos tempo do que quando eu comecei. Agora eu to fazendo estágio (Na Avon, se alguém precisar comprar alguma coisa, fala comigo! Haha) e eu to começando a pesquisa do meu TCC + trabalhos do semestre + vida social...ou seja...tá tudo uma loucura! Fato que eu to scriptando agora e já é quase uma da manhã e amanhã e trabalho e estudo! Enfim, se você gostou, deixa um comentário, o dedo não cai não amiga! E se você não gostou, deixa um comentário também! =D
Ah! Eu quero agradecer a todas as meninas que leram e comentaram! Fiquei muito feliz, e vocês podem perceber que sempre que dá eu respondo os coments que vocês fazem! E em especial a Bia Gomes que indicou minha fic pra um monte de gente! Brigada Biaaaa! E quero mandar um beijo pra Xuxa também e um especialmente pra você! Haha...
Minhas outras fics no site:

My Angel (Mcfly/Andamento – Hiatus)
Sex Game (Restritas/Andamento – Em parceria com a Dani)
E em breve, terei uma nova junto com a Amandita, autora de Those Girls!
Claro que vocês sabem que é tudo ali no passinho da tartaruga, mas vamo que vamo! Hehehe...
Beijo de queijo e até logo menos! o/
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