Rebel Rebel
Autora: Bela Deville
Status: Em Andamento
Revisada por: Juh Claro
Categoria: The Maine
Sub-Categoria: Drama/Romance - LongFic
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Hello World,
I'm your wild girl
O estúdio em que as The R!ot se encontravam era um dos maiores que já haviam estado. As paredes à prova de som não tinham aquele cheiro de mofo impregnado, ou de substâncias narcóticas que os artistas costumavam tomar. Era limpo, espaçoso, e havia mais instrumentos ali que nenhuma das meninas da banda sequer pudessem imaginar.
Por trás de um vidro espelhado, Tim – o empresário – assistia as pupilas do rock n' roll ajeitarem seus instrumentos. Eram quatro delas. era a baterista; uma menina de cabelos curtos e crespos, alisados daquela forma visivelmente forçada. Ainda assim, tinha uma aparência agradável – para uma rockeira, é claro. Seus olhos eram de um mel quase dourado, e a pele pigmentada num bronze impecável. Tinha os braços fortes de tanto tocar a bateria, assim como abdome definido por trás de uma camisa dos Strokes, sua banda favorita. Era hiperativa, e por isso, a alma contagiante do grupo; dificilmente estava deprimida, completamente ao contrário da baixista Alice.
Alice Moore era a mais tímida da banda, e não se importava se os holofotes não estivessem nela. Gostava de tocar seu baixo e ouvir os aplausos no fim de cada música, fazer o back vocal e também de compor as músicas. Ela tinha uma espécie de mágica quando o assunto era originalidade. Tinha os cabelos escuros longos e cacheados, pesados, e olhos pequeninos que mal revelavam a sua cor. O nariz era pequeno e os lábios finos, seu sorriso era uma linha de dentinhos que pareciam ter sido lixados para parecerem todos do mesmo tamanho.
Tinha também a guitarrista Nina. E apesar de seu nome ser de menina, ela era a mais velha da banda, no auge de seus 20 anos, e tinha um rosto expressivo. Era tão agitada quanto , mas não o tempo todo. Permitia-se ficar triste e ouvir músicas melosas até dormir, o que para era uma blasfêmia. Nina Johnson era alta e elegante, um pouco magra demais e tinha um charme levemente mais masculino; com cabelos na altura dos ombros, pintados de vermelho-fogo e sardas no rosto. Vivia de Jeans e camiseta, e se fosse para se vestir muito bem, colocava calças jeans mais escuras e uma blusa de costas nuas que, repentinamente, faziam com que ela parecesse um mulherão.
A última integrante era . Vocalista e guitarra-base, Tim a considerava a cara da banda, assim como Cherie Currie pertenceu às The Runaways; a diferença era que , apesar da rebeldia insana, era controlada no que se dizia a exagero em substâncias ilegais. A menina tinha 18 anos, e não tinha um estilo que se pudesse descrever. Ora se vestia de mocinha, ora era a encarnação do pecado. Difícil saber, difícil entender. tinha um gênio forte, espírito de liderança e era a mais criativa no que se dizia à promoção da banda; fosse em relação às músicas, ou aos shows e aparições.
tinha seus cabelos um pouco mais acima da linha da cintura, extremamente rebeldes e com um corte repicado demais. A cor variava com seu humor, e o empresário Tim nem ao menos sabia qual era a cor inicial de seu cabelo. Era, sem dúvida, a mais bonita do grupo, com seus olhos de gato e sorriso debochado.
Naquele momento, faltava apenas a calma Alice plugar o seu instrumento. As outras a assistiam sem paciência, Alice era calma demais! Como poderia estar calma naquele momento tão importante? Caso a Fearless Records quisesse gravar o CD delas, conseguiriam o patrocínio para o seu primeiro tour – um tour de verdade – pelos Estados Unidos. Para as mais ambiciosas, e , aquilo seria o primeiro passo de uma subida intermitente ao topo, à coroação. Seriam a banda feminina que as The Runaways tentaram ser, teriam a força de vontade dos Rolling Stones, e hits implacáveis como os The Doors. Poderiam ser inesquecíveis como Nirvana, o mal comportamento do AC/DC com um toque da irreverência de Blondie e loucura do David Bowie. Rumo ao estrelato, a vida de mulheres roqueiras, mulheres. Uma banda só de garotas e, diria uma bêbada, 'É o poder da calcinha!'.
Alice estava plugada, e deu o sinal de ok para as meninas e para aqueles do outro lado do vidro. Todas balançaram a cabeça, e falou no microfone:
- Estamos prontas.
- Podem ir – disse um homem do outro lado. Tim soltou um 'legal' com o dedo polegar e sorriu abobado. O dono da Fearless estava lá, assim como seu assistente atrapalhado e uma espectadora que esqueceu que foi apresentada mais cedo.
One, two, three...
O baixo fez um som alto chegar a enrubescer Alice, que jurava poder sentir mil olhares em cima de si mesma. Em seguida a bateria entrou, deixando o som mais leve. Poderia parecer impossível, mas o dono da Fearless Records já estava absorvendo aquele solo de baixo. Quando a guitarra entrou, já estava com os lábios colados ao microfone, tocando a sua guitarra Les Paul vermelha e iniciou a cantoria. parecia à beira de um colapso, mordendo o lábio inferior, mas na verdade só estava empolgada demais. Alice já havia relaxado, e sorria sem nem perceber.
Make me wanna break
Life isn't fair But it's perfection
Don't Take me away
It's just your kiss it's unbelievable
Make me wanna fall
All I can do is take you back to bed
And make you call me yours
tinha uma voz estridente, de arrepiar. Feminina e rouca, estupidamente insana. Ela fazia caras e bocas enquanto cantava, as mesmas caras e bocas que as outras garotas da banda mangavam, e ela dizia que era para o som sair melhor. Bem, musicalmente falando, estava certa, mas olhando bem para seu rosto, não tinha como não rir às vezes. Ela só cantava mais séria em músicas calmas, e "Obey" não era exatamente o tipo de música calma, era rock n' roll. A guitarra era estridente, e o baixo fazia o chão tremer. A bateria era de batidas fortes, porém sincronizadas e controladas.
I can't deny...
You're no fucking good for me
I Take away
The stupid sense of making you stay
And break away
Cuz I can't help a sick revolution
This time I'll make you... obey.
Stay... Away...
(...)
A música foi tocada com extrema maestria, de forma que, mesmo nervosas, as meninas a executaram com uma taxa mínima de erros. forçava a voz para ficar mais rouca, todavia sua garganta estava acostumada com a sua loucura. Assim que a última nota foi tocada, todas elas abaixaram a cabeça sorrindo, tentando ganhar coragem para, até mesmo, respirar. Três minutos se passaram com silêncio e troca de olhares nervosos. O vidro na frente delas era espelhado, por isso não conseguiam enxergar nada do que acontecia lá dentro. Será que tinham ido bem? Será que haviam forçado demais a barra? Será que as acharam umas rebeldes sem causa? Será...
- , venha aqui. – disse Tim pelo microfone da cabine. Por mais corajosa que fosse a menina gelou. Era seu futuro como rockeira. Sabia que as coisas estavam pretas dentro de casa. Ela havia deixado a casa dos pais em Tempe, Arizona, com um aviso de adeus na geladeira; era a segunda vez que saía de casa, isso porque na primeira vez, ela não fugiu, foi expulsa mesmo – ao contrário das outras, que tiveram permissão. não tinha como conseguir dinheiro suficiente para sair da casa dos pais quando eles não a deixavam trabalhar mais do que 6 horas por dia. O emprego na loja de aparatos eletrônicos lhe dava apenas o suficiente para sobreviver, visto que seus pais falhavam na ajuda financeira de modo que lhe alugavam o próprio quarto.
Andou com passos decididos até a cabine, onde encontrou aquelas pessoas que já esperava que estivessem lá. O operador técnico do estúdio, o dono, o Sr. George Wilson, seu assistente e a moça-que-ela-esquecera-o-nome.
Colocou as mãos no bolso de trás do short curto de couro, sentindo a caixa de metal em que guardava os cigarros fazerem volume em sua mão. Estava louca para tragar um e desviar a ansiedade, mas não podia, não naquele momento. Respirou fundo e colocou os cabelos levemente suados para trás, revelando a cor dourada que havia pintado há dois dias.
- E aí? – perguntou, fingindo estar relaxada. Olhou para Tim com seu olhar de matadora, mesmo sabendo que ele já estava acostumado com suas teatralidades.
- A música de vocês é forte, e realmente me recorda as The Runaways, só que modernas. – disse o Senhor Wilson, colocando as mãos rechonchudas dentro dos bolsos internos do paletó. sentiu uma pontada no peito, e Tim fazia o favor de manter uma expressão indecifrável no rosto. – Mas a questão é, serão vocês fracas como elas foram? Será que vocês durarão para contar a história? Vejo potencial, mas é preciso muito mais do que potencial para participar do mundo do rock n' roll, principalmente com a falta do rock clássico hoje em dia. São abreviações demais, e vocês terão de manter esse ritmo para melhor.
- Sei disso, senhor. Nosso rock é parte de nós, não podemos destruí-lo tão facilmente. Eu e as meninas somos muito unidas e, com todo respeito, não entendo porque fui chamada sozinha aqui.
- Você é a líder, . – disse Tim.
- A líder de um grupo, quem serei eu sem elas? São tudo na minha vida. A minha banda é tudo que eu tenho para apresentar ao mundo, tudo mesmo.
- Entendo... – falou o senhor Wilson, tocando a rala barba com os dedos e fazendo caretas. – Chamei-a sozinha porque não quero vê-la como uma Cherie Currie...
- Não precisa querer. Eu sou , prazer. – disse a vocalista, com um ar insolente que todos, menos o senhor Wilson, notaram.
- Quem diria, uma banda de rock só de garotas vindas do Arizona... Gosto da idéia. – sorriu Wilson. Respirou pesado, soltando o ar com força. A tensão rolava no ar, e achava difícil esconder a ansiedade. – Por favor, senhorita , peço então que aceite assinar contrato com a Fearless Records.
- O senhor espera um pouquinho? – disse , recebendo um sinal positivo e voltando ao estúdio na maior calma.
A mulher sem identidade chegou perto de Tim, era baixinha e tinha cabelos louros platina; vestia um terno roxo e saltos negros. Tim a observou de cima, suspirando.
- Você sabe o que virá depois disso, Tim. Não pode administrar as duas bandas ao mesmo tempo, eles são muito diferentes.
- Sue, não temos mais nada a discutir.
- Acho bom você contar pra elas o mais rápido possível. Afinal, se aceitarem, assinarão contrato ainda hoje. E não será você o responsável, não mais.
- Susan está certa, Tim. – disse o senhor Wilson – É melhor que você conte a elas...
Tim suspirou. Sentia uma dor no coração pelo que estava prestes a fazer; mas se não fosse assim, como seria? A banda do seu sobrinho o havia achado primeiro, e eles também eram realmente muito bons! Podia ser que todas da banda entendessem, mas ...
Do outro lado da cabine, andou calmamente até sua guitarra, desplugando-a silenciosamente, cabisbaixa.
- Tenho algo a pedir pra vocês... – falou triste.
- Alice, , não chorem. A gente combinou que ninguém a chorar se não conseguíssemos. – disse Nina, suspirando sem paciência. – É só isso, não é?
- Na verdade, eu queria fazer outro pedido...
Alice, e Nina a encararam confusa.
- , mas...
- Eu preciso, não, eu necessito... – olhava séria para as meninas – Que vocês assinem o nosso CONTRATO COM A FEARLESS RECORDS PORQUE ELES QUEREM GRAVAR NOSSO DISCO PORRA!
O grito foi absurdo, ai dessas paredes se não fossem abafadas! Alice se jogou no chão, gargalhando como uma boboca; Nina se jogou em esquecendo completamente que era grande demais para fazer aquele tipo de coisa. estava em choque, e não conseguia mover um músculo.
- , ACORDA! – Alice ralhou, se jogando em cima da amiga. começou a rir descontrolada.
- BOLINHO, BOLINHO, BOLINHO! – Nina saiu correndo de cima de para se jogar em cima de Alice. "Bolinho" é engraçado, pensava , sempre vi essa brincadeira como "Montinho". Bem, de uma forma ou de outra, se rendeu e se jogou em cima das outras meninas com força, quase matando a pobre por asfixia.
Estavam felizes o suficiente para esquecerem que existiam outras pessoas assistindo. George Wilson riu baixinho enquanto mandava seu assistente aprontar o contrato o mais rápido possível. Eles já tinham um modelo pronto, era só adicionar ou diminuir cláusulas eventuais e boom! The R!ot daria seus primeiros passos para ser reconhecida no mundo inteiro.
Color my life
With the chaos of trouble.
Após assinar contrato com a Fearless Records, estava morta de cansaço, e despediu-se das meninas para procurar algum lugar para dormir. Alice, e Nina se hospedariam na casa de uma tia de Alice. Por ter fugido de casa, estava procurando por lugares em que seus pais não a encontrariam. Já podia imaginar o pai bêbado reclamando que a filha ingrata saíra de casa mais uma vez, sozinho. Com certeza a mãe já teria saído de casa, para evitar que fosse agredida – fosse psicologicamente ou fisicamente. Henry, seu pai, deixou-se levar pela própria tristeza, e sucumbiu a uma depressão a base de alcoolismo e tabagismo. Por obséquio que isso não impediu de fumar e beber, mas ela jamais ficara bêbada ou fumara mais do que uma carteira por dia. Era o seu máximo. Não tinha nenhuma dependência química, apenas curtia o sentimento de prazer que o cigarro lhe dava, e deixava seus estômagos serem tostados mesmo. Quem se importava, afinal?
deu entrada em um Motel qualquer, ela apenas havia pedido ao taxista que a levasse para um que não fosse tão caro e estivesse por perto. A recepcionista, uma mulher loira, encarou-a com um olhar de deboche. Tinha cabelos de blondor, lisos e de franjinha; olhos eram bem azuis, mas não amenizavam a forma como a boca era desproporcional ao rosto e as bochechas ficavam grandes demais. Típica californiana, mantinha bronzeado. Era magra, e vestia o uniforme azul da empresa como se estivesse vestindo um conjunto Chanel. O nome dela estava escrito numa plaquinha, pendurada como um broche no seu peito esquerdo e dizia: Arlene. suspirou antes de falar, já que a tal Arlene a encarava com deboche.
- Quarto de solteira fumante, o mais barato que você tiver.
A mulher rolou os olhos e buscou uma chave atrás de si, onde eram penduradas as chaves dos quartos organizadamente.
- Vão ser 20 dólares. Quarto 312. E tem que ir de escada. – disse a recepcionista.
- Por que de escada?
- Ta achando que ta no Hilton, queridinha? – ela percebeu o trajar de , o couro rasgado de segunda mão e a camisa suja. Ignorando a garota, voltou a fazer qualquer merda que estava fazendo.
Aposto que é mal comida, pensou , encarando o elevador a alguns metros a sua frente. Apesar de ainda ser virgem, sabia que sexo mexia bem com a cabeça das pessoas. O movimento vai-vém era tratamento anti-estresse para qualquer mortal.
já havia se enrolado com um ex-namorado, de modo que não passaram de carícias e sexo oral. Quando, pela primeira vez – e total insistência do outro – tentaram a penetração, sentiu dor demais e simplesmente desistiu. Daquele jeito delicado, mandou o cara conseguir uma boneca inflável porque ela não se importava mais se ele sentia prazer ou não. Com a dor que sentiu naquele dia e o receio em tentar outra vez, deixou que garotos passassem na sua vida sem se importar com sexo; apenas dando a eles o necessário para que ela se sentisse bem. Era uma maneira inteligente de lidar com as coisas, até completar 18 anos e ficar parecendo uma cadela no cio, frustrada. Ela sentia nojo de qualquer um, e finalmente percebeu que teria que encontrar alguém melhor, alguém que se importasse com ela. Até lá, sexo oral, letras de música um pouco pornográficas, e a fama de maníaca sexual entre amigos.
Quando finalmente chegou ao seu quarto, o 312. Era uma porta cinza e sem graça, e o quarto que se viu quando o cartão magnético foi passado mantinha o mesmo tom. suspirou, jogando a mochila na cama mal-forrada. O lugar era mesmo deprimente, parecia quarto de hospital, daqueles que você quer vomitar só de ver. Havia uma infiltração pouco perceptível no canto contrário à cama, e o aquecedor não estava funcionando, o quarto congelava.
Era Janeiro, temporada mais fria em Sunset Beach, CA. Com a noite, a temperatura era de, mais ou menos, 8°C.
pegou o telefone e ligou para a recepcionista.
- Oi, meu nome é , eu estou no quarto 312 e esse não me parece um quarto adequado, está com uma infiltração e acho que o aquecedor não está funcionando.
- Minha querida, você pediu o mais barato.
- É mesmo? Isso aqui por uma noite são 20 dólares?
- Sim.
- E quanto é o mais caro?
- 60 dólares.
pensou. Suas economias estavam indo pro lixo. Se gastasse demais, não teria dinheiro nem para comer. Foda-se, pensou, eu vou assinar contrato com a Fearless Records.
- Eu quero esse aí.
- A senhorita pode pagar por ele?
resmungou baixinho enquanto desligava o telefone na cara da mulher. Pegou a mochila e colocou-a nas costas novamente, emburrada, e desceu as escadas batendo o pé. Sua cabeça doía.
Ela voltou ao saguão, olhou furiosa para a recepcionista loura e tirou do bolso da frente setenta dólares, jogando o dinheiro no balcão.
- O negócio é o seguinte: Quero o quarto mais caro que você tem. Com o troco você vê se começa a poupança para fazer uma plástica nessa cara de cadáver de Barbie. – jogou os cabelos cor de mal bagunçados para trás, a oleosidade do cabelo permitia que sobrevivesse à dieta de tinturas, e ficassem eternamente hidratados e brilhosos. Seus olhos de lince fizeram a pobre Arlene ceder de uma vez.
deu um sorrisinho enquanto pegava o cartão do quarto 505, que tinha uma tarja dourada escrita VIP. Subiu de elevador, e viu que Arlene ainda olhava em sua direção. Deu um tchau de Miss com as mãos, e subiu até seu quarto.
- , você não vai comer nada? – perguntou Alice, preocupada. Estavam no McDonald's, e foi a única que não pediu nada. pensou que talvez tivesse algo a ver com a sempre necessidade de de manter um corpo "decente", mas assim que percebeu as curvas invejáveis da menina, percebeu que aquele argumento era inválido.
- Não estou com fome.
Assim que terminou a frase, seu estômago roncou, entregando-a. Antes que Alice ou qualquer uma das meninas tomassem providência, se levantou.
- Está tudo bem. Não quero que vocês me ajudem. Não preciso que vocês me ajudem. Eu tive um probleminha naquela motelzinho, mas logo estaremos recebendo dinheiro dos shows e eu não vou ter que passar fome.
- Mas, ... – tentou falar alguma coisa, mas Alice olhou para ela com a cara feia. estava coma boca cheia de sanduíche. 'Nojenta', Alice sussurrou.
- Que horas temos que ir para a Fearless? – perguntou, mudando de assunto.
Todas olharam para o pulso, mas apenas Nina tinha relógio. Eram 2:20 PM
- Daqui a quarenta minutos só. Dá tempo...
- Ok.
As meninas terminaram seus lanches, percebendo que tinha atacado as batatas-fritas tão silenciosamente que, quando acharam o saquinho vazio, tomaram um susto.
Era um belo dia em Sunset Beach. As meninas estavam perto do mar, e podiam sentir a brisa salgada tocando em seus rostos quando saíram da McDonald's. Estavam na Warner Avenue, a apenas uma quadra da casa da tia de Alice, onde haviam deixado os instrumentos. A Fearless Records era a seis minutos dali, de táxi. Nina tomou a atitude de chamar um homem barbudo que estava encostado num veículo amarelo, um táxi.
As garotas roqueiras seguiram seu trajeto até a Fearless caladas. Exceto por , que cantava alguma música dos The Strokes baixinho, e bem desafinada. Bem, certas pessoas nascem para usar baquetas, e às vezes apenas para isso.
Assim que chegaram na Fearless, e mais especificamente na sala de espera, encontraram o que parecia ser outra banda, ocupando todo os assentos do lugar. Eram cinco deles, e garotos. Dos oito assentos do lugar, os garotos sentavam em sete – por causa de um alto magrelo que ocupou três bancos deitado -, e o que sobrou estava ocupado com um violão encapado.
bufou, odiava ficar em pé ao esperar. Mas antes que elas começassem a fazer cara feia (ou barraco, no caso de ), Tim Kirch chegou ao recinto, distraindo-as.
- Olá meninas! Chegaram na hora, bom sinal!
- É mesmo, Tim? – perguntou no topo do seu sarcasmo. É, ela definitivamente não estava de bom humor. Tomou posição de líder e ficou na frente das meninas. – Já podemos ler e assinar esse contrato?
- Claro, claro... Mas antes eu gostaria que vocês conhecessem os garotos. – Tim sorriu, parecia muito feliz, o que estranhou. Sempre estranhava qualquer coisa em excesso. – Esses são os The Maine. Garotos, essas são as The R!ot que eu mencionei mais cedo. Vocês farão um tour juntos!
As meninas arquearam as sobrancelhas como se tivessem mandado que fizessem a mesma coisa, no mesmo momento. Mas era apenas a convivência que fazia com que alguns hábitos se tornassem padrão entre elas.
analisou um de cada vez, ao mesmo tempo que Tim os apresentava. Kennedy Brock era guitarra e vocal, e de algum jeito estranho, a menina poderia confundi-lo com o baixista Garrett Nickelsen, apenas por um momento. Ambos eram morenos, mas Kennedy tinha os olhos castanhos, enquanto Garrett tinha um azul vivo colorindo as íris. Jared Monaco era facilmente identificável como o gordinho ruivo, sorriu ao vê-lo, achava que seria maravilhoso abraçá-lo, ela adorava amigos com a aparência de Jared. Ele era o guitarrista da banda.
- Esse é Patrick Kirch, meu irmãozinho. – disse Tim, com um sorriso largo nos lábios. Chegou perto do menino e lhe deu um cascudo, enquanto o outro sorria. Tinha cabelos que batiam nos ombros, lisos e castanhos, e um sorriso realmente bonito. Era baixinho, o que imaginava fazer a altíssima Nina broxar, principalmente por ela adorar homens de cabelos longos. – E, é claro, esse é John O' Callaghan, o vocalista da banda.
Tim se referia ao alto magrelo que estava deitado em três bancos, e se levantou preguiçosamente, jogando o cabelo que caía nos olhos para o lado. John atraiu imediatamente a atenção de , não por ser maravilhosamente lindo com seus olhos verdes e cabelo loiro escuro, mas porque ela o reconhecia de algum lugar...
As quatro garotas cumprimentaram os outros cinco com apertos de mão, sendo extremamente profissionais – mais até do que seus hormônios deixavam que elas fossem. Elas diziam seus primeiros nomes para se identificar.
- Mas Tim, esse meninos tocam que tipo de música? – perguntou , cruzando os braços.
- Nós tocamos um rock alternativo, ou pop punk, como disseram uma vez. – disse John, sorrindo para , sem perceber que ela estava completamente carrancuda. olhou para , procurando por qualquer conforto.
Elas eram uma banda de rock clássico, não seria estranho que fizessem tour com uns caras como eles? sempre pensou que para um tour conjunto, as bandas tinham que se dar bem musicalmente, para não afastar o público. Mas ora, isso era óbvio!
Apesar dos olhares desesperados de para , a menina tinha seus olhos vidrados em John. Ela o conhecia sim.
- Eu te conheço, não? – perguntou ela. – Você por acaso estudou na Tempe Middle School?
- Sim... Há muito tempo atrás. – ele sorriu.
- Eu lembro de você. Você era uma peste, uma coisa infernal. Você pintou meu cabelo de tinta verde na sala de artes, e vivia enchendo meu saco. Era mais loiro na época, though. Se bem me recordo... Eu tinha 10 anos.
John olhou para a menina com os olhos apertados, tentando se recordar da época. Quando sua memória lhe chamou atenção com um flash da infância, ele voltou a encarar . Seria aquela a mesma bochechuda de cabelo lambido que ele costumava tirar sarro? Não podia ser... Não! De jeito nenhum. Essa mulher? ? , a fofa?
- fofona? – John perguntou, já sorrindo e com os olhos brilhando.
- FOFONA O CARALHO!
- Olha, ela aprendeu a xingar! – John riu, riu até não agUentar mais, riu até sentir um tapa na testa.
- John, o mesmo idiota de sempre... Fica quieto.
Enquanto e John se divertiam (mentira, só John se divertia lembrando da infância), os outros presentes encaravam confusos a situação. Tim franziu o cenho.
- Acho melhor eu buscar o contrato. – ele falou, e só os inimigos de infância não ouviram, estavam ocupados demais lembrando a época em que estudaram na mesma classe.
- Não tinha como não zoar de você. Aquele seu cabelo era muito engraçado, e as bochechas ... – John riu alto – Enfim. Nem acredito que a fofona quer virar rockstar.
- Pois é queridinho, o tempo passou, as coisas mudaram...
- Você ficou bonita. – John soltou, parecendo alheio ao impacto que aquele elogio faria em . Ela sorriu de canto de boca, e o olhou de soslaio.
- Obrigada.- disse, parecendo não ser a menina rebelde de sempre.
John olhou para ela, deixando uma risada escapar.
- Sempre soube que você era apaixonada por mim! – ele falou alto, sorrindo maroto – Olha só, está toda coradinha! Oh! fofona!
Antes que conseguisse levantar a mão para lhe dar outro tapa, John beijou-lhe o nariz. Ela podia sentir o cheiro que sua boca emanava, sentir que ele também andou fumando, mas que seu cigarro era um básico L.A. de menta. podia imaginar o gosto dos lábios do seu inimigo de infância, mas não se deu ao trabalho de suspirar.
se afastou brutamente no rapaz, dando-lhe um tapa rápido na cabeça.
- Hum, rebelde! – ele continuou rindo, fazendo careta, do mesmo jeito que fazia há anos atrás. Ele continuava aquela mesma criaturinha sonsa.
- Garotas, dêem uma lida no contrato. Eu sei que vocês confiam em mim, mas acho melhor que leiam os termos. O senhor George está esperando vocês. disse Tim, aparecendo de repente.
- Tim...
- Sim, , nós adicionamos as cláusulas que você pediu. – Tim sorriu, chamando as meninas para a sala do senhor George Wilson.
As garotas The R!ot se retiraram do recinto, despedindo-se do The Maine. Mal elas sabiam o que as aguardava, e o quanto teriam de aturar aqueles garotos. Mal sabia que teria de conviver com John, e que teriam de se apresentar como bons amigos.
Assim que o contrato foi assinado pelas quatro meninas, o nervosismo tomou conta de . Será que as coisas dariam certo? Será que conseguiria fugir de seus pais e velhas responsabilidades durante tanto tempo? Será que teria a vingança rebelde que sempre sonhou? O futuro não se podia prever, mas esperar para que cada coisa acontecesse no momento correto, fossem boas coisas, ou más.
Do you remember?
Will you remember?
Sunset Beach, CA
: Plugged in
Era uma coisa completamente sem nexo que John O' Callaghan renascesse na minha vida. Não tinha como não olhar para aqueles olhos verdes e não querer estrangulá-lo de alguma forma. A cada dia, não tinha jeito, a única coisa que eu pensava era homicídio culposo e qualificado.
Tim havia feito com que as duas bandas passassem um fim de semana juntos, a fim de se conhecerem melhor. Conhecer melhor? Bem, John estava descartado, eu sabia quem ele era: idiota, troglodita, crápula, drogado, estúpido, sem noção e bonito demais para ter tantas virtudes. Fechei os olhos com raiva. Estava sozinha na casa que Tim havia alugado para nós, ali mesmo, em Sunset Beach. O nosso CD ainda estava para ser feito, mas maioria das músicas já estavam compostas e gravadas por nós mesmas. tinha um ótimo equipamento de gravação, que nós usávamos desde o primeiro ano de banda. A verdade é que eu e as meninas, com exceção de Nina, estávamos faltando nas aulas. Ainda estávamos no último ano de colégio, mas a proposta de Tim era inegável. Inegável o suficiente para me fazer desistir dos estudos. Bem, isso vale apenas para mim e para . Alice, aquele projeto de pessoa dotado de inteligência – ou seja, a trully geek in the Pink – já tinha passado em todas as matérias, e fez questão de pedir à diretora que se retirasse nos últimos dias de aula. É claro que a senhora Ross deixou, maior paga pau da Alice. Quem mandou a menina conseguir o único prêmio de ciências em nível internacional para aquele colégio?
Eu e Nina, obviamente, éramos refugiadas da Tempe High School.
Sentei-me em uma das cadeiras do quintal, sentindo uma brisa gelada tocar meu rosto. Era muito cedo, e eu estava com a terrível mania de acordar pouco antes do amanhecer, sem qualquer motivo, afinal, depois que o sol nascia, voltava para a cama e dormia. Uma leve dor de cabeça se alastrava. Estava com meu caderno de letras em mão, era nesses momentos sem sentido que boas letras de música vinham à minha mente. Queria escrever sobre meu momento, colocar para fora minhas intenções homicidas a um certo inimigo de infância. Ele estava lá também, na casa vizinha à nossa. A gravadora havia adiantado a eles um bom dinheiro desde que já haviam gravado metade do álbum. Jared Monaco havia me mostrado algumas das músicas do tal Can't Stop/Won't Stop, e eu custei a dizer que eram realmente boas. Era um tipo de rock alternativo, que seguia a linha de bandas como Paramore, The All-American Rejects e All Time Low. Particularmente, boas bandas. Eu estava impressionada, os malditos eram bons no que faziam.
A verdade era que de maldito mesmo, era apenas o John, porque os outros meninos da banda eram até legais. Por mais que Garrett e Kennedy costumavam defender o Monstro de dois metros de minhas palavras ácidas ou tapas na cabeça. Jared e Pat se tornaram mais amigos de mim, não só por não conseguir defender o amigo porque estavam ocupados rindo demais, mas porque algo naqueles dois me chamava atenção para uma amizade mais, digamos, duradoura. Ou seja, mesmo que aquele tour acabasse, eu não iria querer me afastar dos dois.
Suspirei sozinha, enxergando o primeiro filete de luz aparecer no horizonte. Abri o caderno em uma das poucas páginas que não estavam riscadas, e colei o lápis à página, ainda sem escrever nada. Afinal, o que eu queria dizer?
- Barracuda! – falei baixinho para mim mesma. Era verdade, a maldita música não saia da minha cabeça. Escrevi toda a música no caderno, querendo tirá-la de mim, por mais que soubesse que não ia adiantar muito.
Now wouldn't ya, Barracuda?
Sem que percebesse, flashes do passado me invadiram. Vi-me com o antigo uniforme do colégio, a saia de pregas, o sapato preto e a camisa social branca com o emblema do colégio, e, é claro, as irritantes meias ¾. Meu cabelo estava curto, eu costumava cortá-lo para não parecer com minha mãe, que mantinha os cabelos longos até o cóccix. Principalmente, para não parecer uma crente, porque assim minha mãe era. Não era exatamente como se ela só acreditasse em Deus, mas ela engolia o blábláblá de algum idiota que dizia que mulheres não deveriam cortar o cabelo ou usar calças. Onze anos de idade e eu já era petulante o suficiente para cortar o cabelo escondido com a tesoura sem ponta que era usada nas aulas de Artes. Bem, como a minha própria mãe, Elise, dizia, eu já nascera uma menina rebelde, petulante, intrometida e, custava-lhe dizer, talentosa.
Recordei-me dos fins de semana que eu fazia pequenas apresentações para a minha mãe, com um violão grande demais para uma menina como eu segurar, e cantando Guns n' Roses, Rolling Stones, David Bowie ou Prince. Vez ou outra, eu ainda fazia apresentações de Jazz, o que para minha mãe era difícil entender que Jazz e R&B foram as raízes do rock n' roll. Com a pouca mesada que eu recebia, comprava CDs e mais CDs, de forma que meu quarto, lá para os 15 anos, tinha montanhas de CDs e até LPs. Porém, aos 15, eu já havia me mudado para Phoenix, desde que minha mãe e meu pai voltaram a morar juntos. Isso é, porque antes, ele estava ocupado demais viajando de país em país vendendo suas músicas ou participando de alguma banda idiota. Eu morava com minha mãe numa pequena casa alugada, em Tempe. As poucas vezes que eu via Henry era quando ele lembrava que tinha uma filha e uma mulher e trazia presentes. Eu aceitava de bom grado, pois bem, se não me dá carinho, eu não ligo de receber dinheiro ou presentes caros. Porém, um belo dia, a sua música não vendia mais, e como já dito, ele voltou para casa.
Era uma imagem vívida na minha cabeça, ou melhor, várias imagens. Como um vídeo em sépia; eu via meu pai reclamando que não conseguia mais compor, com um copo de whisky Red Label na mão, e um cigarro na outra. Ele parecia velho demais para quem, naquela época, tinha apenas 39 anos de idade. Minha mãe sempre lhe respondia que ele havia tirado de si mesmo a única coisa que gostava de fazer, desde que perdera a noção do limite. Era sempre uma briga. Sextas à noite, quartas ao meio dia e avulso nos domingos.
Saindo da linha depressiva de pensamento, voltei novamente ao tempo. Dessa vez eu já era capaz de sentir o sol se abrir na minha cara; morno, porém. Lembrei de como era a Middle School, e a vida com o inimigo. Recordo-me do meu cabelo pintado de verde, graças a ele, do jeito em que ele dizia a todo mundo os dias que eu não tomava banho, ou como ele dizia que ainda não sabia se eu era garoto ou garota. Pior, os apelidos: bochecha, fofona, menina-menino, dois sexos, tamanduá, cara de bolacha...
Abri os olhos rapidamente, querendo me livrar das lembranças. Aquilo era bullying! Isso sim. Mas vai dizer se na minha época tinha essa palhaçada de acusar alguém de bullying? Argh!
Eu lembrei, logo, de como ele se parecia quando tinha seus 10 anos. Parecia um palito recém-tirado da caixa de fósforo, alto e estranhamente magro. Sabe-se lá o que Ashley, Lisa, Magali, Bernie, Dina, Lauren, Kity, Wanda, Gi e mais outras cem naquela escola viam naquele projeto de demônio enrustido. Bem, o que eu sei é que eu também via aquele charme maldito e, como cereja no bolo, eu gostava dele - gostava DELE!
Nisso, o maldito me aprontou uma. Claro, ele não poderia deixar a oportunidade passar. Assim que soube da pequena ‘queda' que eu tinha por ele, me convidou como um príncipe para um passeio no parque depois da aula. A parte divertida foi encontrar Billy, o gordo nojento que comia meleca, no lugar dele com uma margarida – minha flor favorita – na mão, dizendo que também sempre me amou, e fazendo questão de me chamar pelo apelido maldito: Fofona.
Levantei-me da cadeira com raiva. Eu tinha sempre que me lembrar dela, da raiva. Um sentimento horrível que como consequência tinha a sede de vingança, sentimento mais horrível ainda, porém, esse era delicioso quando saciado.
Não cheguei a subir as escadas para dormir no quarto. Joguei meu corpo no sofá e me encolhi, fechando os olhos, cansada. Deixei que mais lembranças me invadissem, até o sono derrubá-las a uma escuridão de sonhos dominasse a minha mente.
- ! ACORDA PREGUIÇA, VAMOS, PRAIA, VAMOS!
Cerrei os olhos, abrindo-os vagarosamente. Eles pareciam grudados com chiclete. Quando percebi, a verdade é que estavam cheios de chantilly.
- Filhos de uma vaca sem tetas. – resmunguei, levantando do sofá num pulo. Eu deveria ter ido pra cama, definitivamente. Se existia uma coisa que eu odiava era ser acordada; e pior, ser acordada com um trote.
- VAMOS PRA PRAIA, ! – gritou mais uma vez no meu ouvido. Alguém tinha que tirar a menina da tomada.
Ouvi risadas masculinas e femininas se misturando. Distingui o riso abafado de Alice, o de Pat, Garrett, Nina e Kennedy. Minha cara e minha mão estavam cheios de chantilly, eu até pensei em sentir vergonha, mas fingi não me importar para que se aproximasse e eu melasse a cara dela também.
Saí correndo antes que ela revidasse, ouvindo as risadas altas daqueles ali presentes. Subi as escadas pulando e olhei rapidamente para trás, vendo que corria atrás de mim. Gargalhei, chegando ao quarto onde guardávamos nossas coisas – ou seja, jogávamos nossas malas e pertences -, fechando a porta e trancando-a. Fiquei um tempo parada, com a mão no peito tentando me recompor.
O quarto estava uma bagunça, para variar. Porém, em cada canto, encontrava-se a mala de cada uma de nós. Era um lugar relativamente grande para apenas se usar como depósito, mas não tinha outro jeito. As camas dali estavam sem colchão, já que a minha banda era inseparável demais para se separar no meio e dormir. Os colchões foram levados ao outro quarto, que então se tornara nosso "quarto de dormir". Sinceramente, fazíamos muito lá, menos dormir. Guerra de travesseiros e cantorias (berreiros) eram de praxe. Eu cantava ópera e as meninas encenavam, gravávamos e colocávamos no MySpace.
A casa, portanto, tinha dois quartos situados num andar superior e, no térreo, tinha a cozinha, quintal, sala de estar, sala de jantar, área de serviço e um cômodo em que foi montado uma espécie de estúdio portátil – em caso de idéias brilhantes. A casa ao lado, onde ficavam os meninos do The Maine, era a mesma coisa, apesar de que eu não acho que eles dividiam um quarto só para dormirem todos juntos. Eu só nunca fui lá para provar se existia algum instinto gay entre aqueles cinco.
Suspirei, aproximando-me das minhas coisas e puxando do emaranhado de roupas, um biquíni branco. Peguei uma camisa antiga do The Used e um short de bolinhas completamente nada a ver. Fui no banheiro, tirando então o pijama ridículo que usava e colocando minha roupa de praia. Analisei o corpo que agora possuía, e parei para ver que, realmente, o tempo havia feito um bom trabalho. Meu corpo não era de Miss, e muito menos de modelo, era como um meio termo entre curvas e magreza. Com o biquíni, percebi que – ora, que surpresa – eu tenho peitos! Apalpei meus próprios peitos, orgulhosa. Fazia anos que não colocava um biquíni ou me encarava no espelho para me medir. Terminei vestindo a camisa e short, voltando a parecer eu mesma.
Lavei meu rosto, para parecer gente, e arrumei os longos cabelos num nó. Estava pronta.
- ! – ouvi alguém gritando a batendo na porta do quarto desesperadamente. . – VOCÊ ME PAGA! MAS AGORA VÊ SE ACABA LOGO COM ISSO, ESTÁ TODO MUNDO LÁ EMBAIXO TE ESPERANDO!
- EU TÔ SAINDO, TÔ SAINDO! – gritei de volta, colocando o pijama no saco de roupas sujas e indo destrancar a porta.
estava com um de seus biquínis preferidos, um Amir Slama com estampa de escorpião. Dava para ver mesmo com a saída de banho, um vestido transparente. Seus cabelos estavam presos em uma trança raiz, e o rosto estava com um desejo de vingança escorrendo pelos olhos cor de mel.
- Nem invente de se vingar. Você começou. – disse-lhe, abraçando-a pelos ombros.
- Eu te odeio. – ela resmungou e eu ri.
Descemos juntas as escadas para nos encontrar com os outros e, ironias da vida, John foi o primeiro a nos ver.
- Elas chegaram. – ele disse – Vamos.
Por incrível que pareça, ele não foi me encher o saco, ou dizer que eu estava uma fofinha linda, um docinho de coco ou "pegável". Agradeci a qualquer força invisível e superior por isso. Larguei de lado para abraçar Jared, que já me apareceu com um sorriso enorme no rosto. Ele sim era um fofo, sério, abraçá-lo era uma terapia. Beijei seu rosto e, em sinal de respeito, ele beijou minha testa.
- Pronta para diversão sem limites? – ele perguntou. Ri irônica.
- Por obséquio, Jared. – enlacei seu braço no meu e segui o pessoal que saía pela porta da frente.
O sol estava queimando até neurônios, e eu estou falando sério. Ou, se não fosse por isso, Garrett e Pat não estariam brincando de rolar na areia e ficar "À milanesa", rindo como dois retardados e, ainda por cima, cantando ‘I want to break free', do Queen.
Nina estava de papo íntimo com Kennedy, e os dois pareciam se dar muito bem. Sorri com aquilo. Se bem conhecia Nina, ela estava na sede do sexo e procurando alguém para satisfazê-la. Ela era das minhas. Os "pombinhos" estavam no mar, conversando como amigos de infância.
Jared estava ocupado jogando frescobol com Alice, sem muito sucesso. Os dois eram péssimos naquele jogo, mas também eram insistentes demais para desistir assim tão fácil.
Et Moi? Sentada em cima de uma toalha, na areia, ainda de blusa e short e fumando um cigarro light, com uma coca-cola gelada. Eu estava meio que cuidando dos nossos pertences, por ali jogados, sabe como é. Tá, a verdade: eu estava forever alone. John estava do outro lado da toalha, queimando no sol e fumando um baseado. Ainda nem era meio-dia e ele já estava enterrado na maconha. Sempre soube que não tinha escrúpulos, e ainda era um baita de um hipócrita, já que dizia a Deus e o mundo "não se droguem, blábláblá", e ele mesmo o fazia. Drogas, bebidas e tudo que seu status como vocalista de uma banda de quase-sucesso permitia. Idiota, hipócrita, ridículo, mal-amado... Gostoso.
Sério, eu tentava não perceber isso, mas algo naquele corpo alto e magrelo era extremamente sedutor. E as suas novas tatuagens faziam jus. Bem, eu sabia que o melhor era não pensar nisso. Caso eu quisesse me aproveitar dele, eu o faria, e várias vezes, porque eu sou foda. Sou uma futura rockstar, eu não preciso me preocupar com idiotices como romances. Não mesmo.
Ri com meus próprios pensamentos; eu também estava sendo ridícula.
Sentindo o calor dominar e a coca-cola não dar jeito, apaguei o cigarro e coloquei num lixo improvisado, um saco de papel. Levantei tão de repente, que percebi ter chamado a atenção do John. Olhei para ele, e minha mente fez um comparativo visual daquilo que me era visível naquele momento, e há 7 anos atrás. Ele não mudara muito, continuava bonito e com ar de sacana.
Tirei a blusa, jogando-a em qualquer lugar. Meu busto quase nu estava sendo observado avidamente por dois olhos extremamente verdes, por trás de óculos Ray-Ban. Tirei o short também, mostrando meu corpo de, como diria minha mãe, "mocinha". Olhei de relance para O' Callaghan, e o seu rosto estava completamente virado para o meu corpo, a boca levemente aberta. Cheguei perto dele, tirando o baseado da sua mão e tragando-o com vontade, olhando na direção dos seus olhos. Mordi o lábio, sentindo-me naquele momento diva, bond-girl, Marilyn Monroe e entreguei o baseado de volta em seus dedos e saí, soltando a fumaça e o deixando para trás.
Mergulhei no mar gelado, sentindo minha alma tremer. Eu não deveria ter ido tão rápido, mas precisava continuar a cena de cinema que eu havia montado na minha cabeça e estava representando ali. Logo Pat e Garrett tiraram a tensão do momento, os dois se esforçaram para me pegar no colo e saíram correndo, enquanto eu gritava por clemência.
Ficamos na praia até anoitecer. Lá encontramos um bar/barraca em que todos nos entupimos de comida litorânea e bebida barata – sem contar os baseados muitos. Apenas quando o sol se pôs resolvemos voltar à casa. Os meninos na de lá, nós na de cá, e Nina sugeriu que fizéssemos algo divertido à noite, na nossa casa mesmo. Desta forma, preparou uma pizza caseira e cupcakes, com a minha ajuda. Nina e Alice foram à casa dos meninos chamá-los para a pseudo-festa.
Como era uma coisa caseira, eu e as meninas vestimo-nos como sempre: Eu com jeans e uma baby-look qualquer, Nina com jeans e blusão boyfriend, Alice com um short confortável e top e com jeans e sua blusa favorita dos The Strokes.
Às nove horas da noite, todos chegaram: Nina na cacunda de Kennedy, Alice carregando dois maridos, Garrett e John, e Pat e Jared conversando animadamente. Eu e organizamos a sala de estar, colocando os sofás para o lado e jogando almofadas no chão, ao redor do tapete. A comida preparada por – a cozinheira da banda – resumiu-se à pizza caseira (visivelmente deliciosa), cupcakes, e um bolo de chocolate enorme. Sabe-se lá o motivo do exagero, mas bem, era apenas , acho que afinal esse era o motivo. Responsabilizei-me pelas brincadeiras e para colocar todo mundo pra fazer alguma coisa. Tinha mania de liderar as coisas, com medo de que algo desse errado. Sempre me sentia culpada quando algo dava errado, tanto que eu, às vezes, carregava a banda nas minhas costas quando era necessário.
De um modo ou de outro, os meninos, Nina e Alice, providenciaram bebidas e drogas. Eu consegui fazer as caixas de som do estúdio portátil saírem da sala em que foram montadas e irem para a sala, funcionando com uma playlist feita com o iPod de Alice. Quando o povo chegou, tocava Hollaback Girl, da Gwen Stefani.
Eu e Garrett ajudamos a servir a pizza, que cheirava muito bem e eu estava esfomeada. Colocamos uma mesinha de centro em cima do tapete, e o pessoal sentou em volta, servindo-se. Para começar a noite, escolhi vinho e cerveja, que eram mais leves. O engraçado foi ver que as meninas preferiram o vinho e os meninos, cerveja. Também não era muito fã de cerveja, não via muita graça no gosto azedo. Comemos conversando animadamente, apesar de que eu estava meio calada, observando como as coisas estavam indo bem e como eu estava feliz longe dos meus pais. Sorri abobalhada, olhando pra intimidade excessiva entre Nina e Kennedy, ouvindo a risada gostosa de Pat e Jared ficando vermelho de tanto rir; se vangloriando pela comida deliciosa que havia feito, Alice espremida do lado de John, que fazia gracinhas, já alterado.
Depois de comer também os cupcakes, e – estranhamente – Garrett, tiraram a louça suja e levaram para a cozinha.
Chegou a hora da vodka. Brincamos de Verdade ou Consequência, o velho e incansável jogo que só dava certo com pessoas bêbadas porque, bem, era muito mais difícil de esconder a verdade e as intenções. Eu beijei Jared duas vezes, morrendo de vergonha; ele era muito meu urso, e não um dos meus objetos sexuais. Pat ficou vermelho como pimenta ao ter que morder meu queixo, e também ao ter que, sequer, tocar em Nina. Ela realmente parecia assustadora para os que a conheciam há pouco. John ficou sem beijar ninguém, porque eu estava sendo uma pessoa amável ao burlar as regras e mudar o rumo da garrafa sempre quando ele teria de sofrer uma consequência. Era muito fácil com todo mundo bebendo e sem a capacidade de prestar atenção na minha mão boba.
Não passou nem vinte minutos quando já tinha gente dormindo sentado. Jared e Pat estavam acabados, de modo que deitaram os dois no colo de uma Alice também adormecida, encostada numa parede. Kennedy e Nina estavam sonolentos, mas ainda se acariciavam, segurando mutuamente seus pesos; eles dividiam um cigarro.
Desse modo, sobraram eu, John, Garrett e . Levantamos com alguma dificuldade para o quintal, e sentamos lá, observando as estrelas. e Nickelsen cochichavam coisas que eu não conseguia entender. Minha visão estava altamente embaçada, e eu poderia jurar que todas as estrelas do céu eram cadentes. O' Callaghan estava do meu lado puxando um narguilé, e me ofereceu. Sem jeito, eu peguei, seguindo as instruções que sua voz rouca e bêbada me indicavam. Depois de duas puxadas, eu lhe disse para largar aquilo senão nem amanhã eu estaria sã, e nem ele.
- Por que você fazia aquilo comigo? – perguntei, fechando os olhos.
- Não sei, eu era uma criança. – ele respondeu.
Eu nem devia ter perguntado, mas olha o que acontece com uma pessoa chapada e bêbada: tudo que ela não imaginaria fazer sã. A música parou de tocar, mas eu ainda podia ouvir os cochichos entre Garrett e ; parecia que eles eram os únicos que não tinham exagerado tanto. Fechei os olhos e ouvi uma melodia na voz de John. Uma voz rouca, e um sotaque nítido nas palavras pronunciadas.
- You've got your mother in a whirl. She's not sure if you're a boy or a girl. – sorri, reconhecendo a música. – Essa é sua música.
- Hey baby, your hair is alright. Hey baby, let's go out tonight! – cantou ali perto. Abri os olhos para vê-la, mas era apenas uma imagem embaçada. Sorri para ela também.
Fizemos praticamente um coral, cantando Rebel Rebel, do David Bowie, em minha homenagem. Eu estava aérea demais, e acabei adormecendo antes que a música acabasse. Alguém tinha que me lembrar de não puxar mais narguilés.
"Rebel Rebel, your face is a mess!"
Frank Sinatra uma vez disse: O rock n' roll é a forma de expressão mais brutal, pervertida, devassa e, verdade seja dita, francamente obscena (...) um afrodisíaco de odor nauseante. A trilha sonora de todo delinqüente da superfície da terra.
Los Angeles, Califórnia.
acordou sorrindo no meio da noite. Quatro meses se passaram depois de ter assinado contrato com a Fearless Records e o primeiro álbum estava gravado. Mas não era por isso que sorria, e sim porque estava relembrando de um inimigo de infância que, simplesmente, ficou a babar em suas curvas e no rosto bonito que adquirira. John O' Callaghan, aquele maldito e insano garoto que fez sua vida um inferno. riu sozinha, virando-se na cama.
Estava num Hotel em Los Angeles, onde faria o primeiro show do tour com o The Maine. Sentia-se ansiosa e, às 5 da manhã já não tinha sono, mesmo tendo ido dormir três horas atrás. Virou-se na cama, sem desfazer o sorriso e olhou para , que dividia quarto com ela. As outras duas meninas se alojaram num quarto maior, vizinho ao delas. era engraçada dormindo. A boca semi-aberta, a expressão de quem andava por um campo florido com pôneis, e o cabelo bagunçado. havia mudado seu cabelo, pintado de vermelho escuro, cor de sangue, e tratado, de modo que agora eles estavam ondulados e brilhosos, batendo no meio das costas.
O novo álbum se chamava Lairy, e fazia jus ao nome. O CD tinha 15 faixas de muito Rock n' Roll, ainda com algumas músicas que eram um pouco mais lentas, mas não perdiam o estilo clássico.
se levantou, impaciente, pegou o iTouch recém-comprado com o dinheiro que recebera mais cedo pelo seu contrato e vestiu um moletom para tampar o pijama, mudando apenas o short do baby-doll por um outro short, mais comportado, porém também de um tecido confortável, uma boa malha. Calçou havaianas, sem medo do friozinho que fazia lá fora.
Pegou um daqueles achocolatados em caixinha no frigobar, o cartão para conseguir entrar de novo no quarto, cigarro e isqueiro. Iria assistir o sol nascer, de novo. A menina saiu do quarto e foi para um espaço de varanda do mezanino do Hotel. Era um lugar bonito, onde se encontrava. Perto do centro de L.A., frente a um outro hotel, que era mais baixo. pegou o canudo do achocolatado e furou-o, sugando imediatamente o líquido de gosto artificial de chocolate. Colocou os fones de ouvido e deixou Muse tocar intermitente, bem baixinho. Aos poucos a cidade de Los Angeles ia clareando. O céu mudava de cor; no horizonte uma linha de luz subia, e aos poucos se podia ver a forma do astro-rei. Os olhos da menina tiveram um pouco de dificuldade de se ajustar à claridade.
Quando o achocolatado terminou, ela deixou-o de lado e acendeu um cigarro, tragando-o com vontade. A nicotina reanimava os pulmões e os ânimos. Logo na segunda tragada, sentiu alguém atrás de si, e virou-se sonolenta para ver quem era.
John.
sorriu cínica, e virou a cara, voltando a encarar o horizonte. O garoto se aproximou, ficando ao seu lado.
- Caiu da cama?
- Não.
- Acordou cedo...
- Verdade.
- Como foi o show lá em Phoenix?
- Ótimo.
- Ansiosa para hoje?
Dessa vez nem uma resposta monossilábica se pôs a dar. Olhou de esguelha para ele, percebendo que ele encarava seu perfil. Deu uma puxada no cigarro e virou o rosto, jogando a fumaça na cara de John. Arqueou uma sobrancelha e aumentou o volume da música, que facilmente reconheceu como New Born, ainda olhando prontamente nos olhos verdes do garoto O' Callaghan. Os cabelos dele estavam bagunçados, o nariz vermelho por causa do frio e os lábios finos rosados. Lembrava-se do que aquele menino de olhos verdes aprontava com ela anos atrás. Inimigo, estava estampado no rosto dele. Inimigo.
John sorriu com a seriedade da menina, e tirou os fones do seu ouvido esquerdo sem permissão. Beijou a orelha dela, fazendo estalo com os lábios e a fazendo se arrepiar. odiava que fizessem aquilo, e era uma das coisas que o inimigo fazia quando eram pré-adolescentes; a diferença é que ele não era tão excepcionalmente lindo como era agora e muito menos usava perfume tão agradável.
- Argh John, eu odeio isso! – ela reclamou – Que inferno.
- Você sabe que eu adoro a sua cara quando está irritada. – ele tocou seu queixo, com a maior cara de pedreiro apaixonado.
ficou feliz de vê-lo daquele jeito hipnotizado na sua frente. Sorriu, de modo que John ficou meio vesgo ao encarar o belo sorriso da menina fumante.
- Truth be told – ela suspirou – Eu sinto sua falta.
Ela tragou mais uma vez o cigarro, com mais vontade, e aproximou o rosto do dele. John podia sentir, ainda, o cheiro de chocolate que emanava da sua boca. Ele deixou os olhos semi-abertos, vendo se aproximar cada vez mais. Como poderia ele esperar que a fofona virasse aquela mulher? Aquela à sua frente, de cintura fina, belas coxas, sorriso hipnotizante e cabelo... E um cabelo sedoso e bagunçado de – alguma forma – sensual. Não mais o curtinho cheio de gel e penteados estranhos. Deixou-se levar pelo momento. Uma hora ela teria de ceder aos seus encantos – e quem não cedia? Das fãs aos seus pés ou das pseudo-celebridades que queriam conhecê-lo melhor.
tocou os seus lábios nos dele, sem perder o foco. John sentiu seus lábios serem forçados a abrirem caminho pelos dela, mas ele nada sentiu além disso. soltou fumaça do cigarro dentro de sua boca, e ele sugou todo o ar, querendo beijá-la de uma vez, tocar sua língua na dela. Mas ela se afastou, segurou-o pelos cabelos e guiou a boca até perto de sua orelha direita.
- And truth be told I'm lying! – ela cantarolou, se afastando rapidamente, de modo a deixar John tonto.
Ela pegou a caixinha do achocolatado que havia jogado ali perto, dando as costas para John.
- When you see my face hope it gives you hell, hope it gives you hell. When you walk my way hope it gives you hell, hope it gives you hell. – ela saiu cantando, rebolando nos shorts de malha que faziam o contorno da calcinha, voltando, então, ao seu quarto.
John ficou parado, fazendo cara feia. Deveria ser fácil tê-la, sempre soube que ela era apaixonada por ele, apenas alguns anos se passam e ela o odeia? Claro que deixá-la pensar que ele também gostava dela – e que as brincadeiras de mal-gosto eram provas de seu amor –, ele fora um pouco idiota naquela época, mas ela devia ter superado. John deu de ombros, uma hora ela teria de ceder, fosse no show em L.A. ou em um dos 30 que ainda fariam pelo país inteiro. Até lá, John tinha uma fonte de diversão infalível: infernizar a vida de .
*
Era nove horas da noite e as The R!ot esperavam pacientemente para que o sinal tocasse elas entrassem de uma vez no palco. Estavam no camarim, num silêncio mortal, os corações querendo sair pelas bocas. Era a última música deles, um pedido da multidão – composta principalmente por garotas adolescentes histéricas – para repetir "Girls Do What They Want".
rolou os olhos e levantou, checando mais uma vez o look. Parecia bem. Muito bem. As outras meninas também não ficavam para trás: Nina, Alice e estavam impecáveis, cada uma fazendo jus a seu estilo. Nina, porém, conseguiu trocar o velho jeans ou couro para uma calça estilizada que com certeza fazia bom jus às pernas longas e finas. Alice estava sempre com algo mais anos 60, como o colar de pérolas que usava; resolveu mostrar a barriga porque, segundo ela, o que é bonito é pra se mostrar. Ok, o pior mesmo é que ninguém podia discordar. E bem, só estava com as pernas muito à mostra, e tinha certeza que a meia-calça ia rasgar durante o show; era muito fina.
Enquanto a vocalista e guitarrista ajeitava a maquiagem pela oitava vez, o sinal tocou.
- Eita caralho. – xingou Nina – Fodeu, Fodeu, é agora. Vamos nessa. – ela pegou a guitarra, colocando-a ao redor do corpo e ia andando para a porta, mas a interrompeu.
- Vamos fazer um grito de guerra. – disse-lhe.
- Que porra, , a gente nunca fez isso. – Nina reclamou. Estava uma pilha de nervos, e nisso, estava se benzendo como se estivesse prestes a presenciar um exorcismo.
- Nunca foi assim porque nós nunca nos apresentamos a 8 mil pessoas. – replicou. Alice pegou o seu baixo e colocou a fita ao redor do corpo. – Venha Alice, venha , vamos fazer um grito de guerra.
- , isso não vai dar...
- Vai dar certo sim. Coloquem a mão aqui. – chamou, colocando sua mão com a palma para baixo para frente. As bandmates obedeceram, com as mãos tremidas. se manteve firme, por mais que quisesse gritar e sair correndo.
- WE WILL, WE WILL ROCK YOU! – gritou , causando expressões surpresas.
Alice riu e repetiu com a amiga.
- WE WILL, WE WILL ROCK YOU! – e Nina se entreolharam, e deram de ombros. Abriram um sorriso, e soltaram a voz. – WE WILL, WE WILL ROCK YOU! – levantava e abaixava o amontoado de mãos, e elas entraram no ritmo, cantando em uníssono. – WE WILL, WE WILL ROCK YOU! WE WILL, WE WILL...
- ROCK YOU! – berrou com todos os pulmões, soltando a sua voz estridente e rouca como num show de metal. – Vamos botar esse povo pra enlouquecer!
- Fuck Yes! – gritaram as outras.
- Ei, meninas! – chamou Tim, abrindo a porta do camarim. – Vocês vão entrar agora, o The Maine acabou de sair. Vamos, vamos, vamos!
Tim estava vermelho, suando como um porco e parecendo que ia precisar da camisa de força a qualquer momento. As The R!ot obedeceram, aquelas que ainda não haviam o feito pegaram seus instrumentos e seguiram na saída do camarim, atravessando um enorme corredor para chegar ao palco.
Elas podiam ouvir o burburinho da multidão chegando perto, e não podiam deixar de ficar nervosas. Seria muita gente. E se a combinação The Maine/The R!ot não desse certo? O que elas fariam?
Quando Nina menos percebeu, estava no palco, e as atenções voltaram para ela. Foi a primeira a entrar; com seus passos largos e pelo fato de ser a única que não usava salto. Ouviu alguém dizer que estavam plugadas, e travou. Qual música iriam tocar primeiro?
sentou na bateria e viu o desespero travando o corpo da bandmate Nina. Ela já estava mais calma depois do grito de guerra. Fechou os olhos e deixou fluir qualquer coisa, por mais que não tivesse no roteiro.
Alice e estranharam quando a batida de We Will rock you, do Queen, foi tocada por ; mas logo perceberam o porque quando olharam para uma Nina completamente travada. olhou para a multidão, sentindo as pernas bambearem no enorme salto que usava. "Eu sou foda, eu consigo, eu sou foda.", ela repetia para si mesma, sem muito sucesso.
- Boa noite Los Angeles! – ela gritou no microfone, ouvindo a resposta estrondosa da multidão. – Prontos pra pegar fogo?
A resposta foi insana: "FUCK YEA", "HOTNESS", "FUCK ME" foram algumas das expressões que pôde distinguir.
- Eu sou a , e nós somos as The R!ot! – deu um acorde na guitarra. Olhou para trás, e viu que todas as amigas e bandmates estavam postas em seus lugares. Piscou para , que pareceu entender a mensagem telepática que apenas melhores amigas entendem. – And... WE WILL ROCK YOU!
Playin' in the street gonna be a big man some day
You got mud on your face
You big disgrace
Kickin' your can all over the place"
As garotas passaram a tocar o "grito de guerra", a música do Queen. A multidão pareceu adorar, já que faziam o som das batidas com as mãos, de forma a parecer uma orquestra.
- Singing We Will, We Will rock ya! – cantou Nina, saindo do casulo e assumindo sua forma de quase andrógina altamente sexual e perigosa. Fazendo sinal para as outras meninas, ela entrou com o solo de seu single, Love, sex and rock n' roll, e daí em diante, elas foram aplaudidas pelo público que tanto temeram no começo. As doze músicas programadas foram tocadas com maestria, de modo que poucos erros foram cometidos. Por último, foi reservado o medley de covers que haviam programado, as músicas eram Heart – Barracuda, Cherry Bomb – The Runaway, Gives you Hell – All American Rejects e, por último, Pressure – David Bowie ft. Freddie Mercury. Porém, nessa última, uma surpresa: John O' Callaghan apareceu cantando na parte que seria do Freddie Mercury.
- Chipping around, kicking my brains around the floor... – John cantava como se aquilo realmente fosse previsto. olhava para ele assustada, principalmente por temer a reação da amiga. No entanto, nada demais aconteceu, porque vestiu a poker face e cantou com ele, como se fossem amigos de longa data, e não inimigos.
Pushing down on you, no man ask for
Assim que a música acabou, ouviu-se uma risada (altamente falsa, porém não identificável como tal) vinda de . Ela abraçou John de lado, apresentando-o ao público.
- John O' Callaghan, meus caros! Uma salva de palmas! – pediu , enquanto mantinha o abraço com John, e beliscava-o.
O público aplaudiu com vontade. Algumas garotas grudadas na grade chamavam o nome de John desesperadas. deu um tapa na cabeça dele.
- Vai atender as meninas, jerk. – disse ela, e voltou-se a sua banda, chamando as meninas para a frente do palco.
John descera do palco e tirou fotos desesperadas e sem jeito com as garotas que clamavam seu nome, dando autógrafos, e por fim foi escoltado para fora do palco pelo segurança. Mal sabia ele o que a vocalista da banda The R!ot faria mais tarde, quando se encontrassem no hotel depois do show.
- Conheçam a baterista mais gostosa do mundo, . – apresentou a amiga, que lambeu o dedo do meio e passou pelo corpo suado. Deu uma baqueta para uma garota que chorava, e a outra, jogou no meio da multidão. – A baixista mais inteligente, uma amazona! – Alice fez pose de tigre e jogou palhetas para o povo. – E, agora, a guitarrista com os dedos mais rápidos! - riu, e Nina também. Ela tirou a faixa do cabelo ruivo e jogou, vendo pessoas brigarem para ter.
- Não se esqueçam de comprar o nosso álbum Lairy, já disponível no iTunes e em lojas por todo país! - disse Nina, dando 'tchau' com as mãos.
- É isso aí, e usem camisinha! - entrou no quarto de John sem bater, encontrando-a com uma menina loira de cabelos longos que estava prestes a fazer um bom sexo oral no membro do magrelo. – Argh.
tinha tomado banho, e teve que lutar contra si mesma para não cair na cama e dormir, assim como havia feito. Ela vestiu um short jeans e colocou um moletom, e saiu à procura do bezerro desmamado – também conhecido como John O' Callaghan.
O quarto de John era igual ao dela, apesar de que o dele tinha uma cama de casal, ao invés de duas de solteiro. Mas aquilo era opção de , que gostava de dormir com alguém.
- Você não sabe bater na porta?
- Você não consegue não interromper o show alheio? – ela perguntou irritada.
John percebeu ao que a menina se referia, e dispensou a loira, que saiu xingando baixinho.
- Eu te ligo depois, Heather. – disse John, e viu a menina revirar os olhos ao sair, se esbarrando propositalmente nela. ignorou. Não tinha paciência para o que, na cabeça dela, seria categorizado como uma "putinha".
- Comer as fãs, John, isso é tão last week. Mostra o quanto você é incapaz de conquistar alguém. – disse petulante, cruzando os braços e se encostando em uma das paredes do quarto.
John levantou, ajeitando a camisa listrada e fechando o zíper da bermuda jeans.
- Na verdade, isso mostra que eu consigo conquistá-las sem nem conhecê-las. – ele replicou, colocando o cabelo que caía no rosto para trás.
- Argh, ridículo. Eu não te chamei para cantar Under Pressure comigo. Freddie Mercury deve ter se revirado no caixão depois dessa.
- Bem, o público amou. – ele deu de ombros, e procurou sua mala, que estava aberta no canto do quarto. Pegou um saquinho com algumas pílulas coloridas: LSD. – E aí, nós vamos transar ou não?
- Você deveria perguntar isso a uma noiva-cadáver, porque só ela para fazer sexo com um esqueleto ambulante, e que ainda canta.
- You can call me Jack. – ele riu, colocando duas pílulas para dentro da boca. Fez uma cara de gozo que estranhou, e sorriu de leve, tomando a velha pose em segundos.
- Você vive enfiando essas merdas no seu organismo. Eu nem preciso querer te matar quando você faz isso diariamente. – resmungou, dando as costas. – Chama a loirinha de volta e, da próxima vez que você atrapalhar meu show, eu vou acabar com sua vidinha de merda, magrelo.
John a segurou pelo braço antes que saísse, fazendo-a cambalear.
- Me solta. – ela pediu com voz de possuída, mantendo o olhar fixo no dele. Sentiu os pêlos do braço se arrepiarem.
- Você é muito grossa. – ele a puxou para perto de si, e por mais que ela tentasse se soltar, sua força não era suficiente. – Toma.
John tocou os lábios nos da menina à força, mas ela já havia cansado de lutar e resolveu retribuir o beijo. A língua dele era áspera e tinha um gosto levemente azedo por causa do fumo excessivo. Ela não ligava, sua boca devia ter o mesmo gosto, só que talvez misturado com pasta de dente, já que havia escovado-os mais cedo. Os braços dele apertaram-na com mais força contra o seu corpo, e ela deixou-se levar de tal forma a encaixar-se no abraço, como uma peça de quebra-cabeça encaixa-se na outra: perfeitamente.
Foi ele que se afastou primeiro, e quando os lábios se soltaram, percebeu um objeto estranho na sua boca. Era uma das pílulas que John havia – pelo jeito – fingido engolir. Ela sentiu os pedaços dissolverem em sua boca.
estava um pouco revoltada e confusa. Não queria ceder, de jeito algum, e não era mais porque ele era seu inimigo de infância, mas porque ele era um completo idiota. Alguma parte da menina, todavia, lutava para que ela desistisse de pensar e desse a ele mais um beijo. Não, ela teria que fazer como deveria ser, usando lógica. O que aquilo lhe traria de positivo? O que ela ganharia?
John sorriu, parecia que tinha conseguido o que queria ao ver a cara confusa da menina, que tinha os olhos vidrados nos seus, mas não parecia enxergá-lo.
- Mantenha-se longe de...
não conseguiu terminar a frase. A visão ficou embaçada, as cores mais vivas... O ácido estava fazendo efeito. Não tinha mais noção de tempo ou espaço, o corpo formigava. Sentiu ser carregada para um lado, e depois pro outro, e ouviu o som da voz de John com alguns respingos de água, se é que aquilo era possível. A sinestesia lhe possuía. Era como rodar sem parar, e seu corpo parecia esquentar mais e mais. sentiu ser carregada mais uma vez, e ouviu o som da própria risada. Não tinha mais controle sobre si mesma. Uma forte sensação de ecstasy a invadiu, como um orgasmo, uma sensação de felicidade pura e extrema. Estava drogada.
A última lembrança que lhe atingiu, foi de um John sem camisa em cima de seu corpo, beijando-lhe o pescoço. Mas, bem, poderia apenas ser uma mera alucinação.
Shit Happens
acordou num susto, como sempre acordava. Seus olhos abriam brutamente, e o corpo parecia carregado de uma energia sobrenatural: hiperatividade. Ajeitou os cabelos vermelhos numa trança raiz, puxando-o sem jeito. Percebeu que estava apenas com as roupas íntimas, e que seus braços pareciam ter sido deslocados e recolocados no lugar a marteladas. Primeiro dia do tour e ela estava morta, dores excruciantes em seus músculos e cabeça.
A baterista foi ao banheiro, se contorcendo para encontrar uma posição em que sua coluna não quisesse quebrar no meio. Devia se lembrar também de comer, coisa que não fazia, com certeza, há mais de 12 horas. Ela lavou o rosto, tentando despertar, encarando um rosto com um bronzeado que esvaia-se, deixando-a pálida. Fez a sua higiene matinal – ou talvez não fosse mais manhã, enfim -, e tomou uma ducha apenas para sentir a água tocar o corpo. Vestiu o de sempre: shorts e qualquer blusa velha, deu mais uma checada no espelho e notou, finalmente, que a melhor amiga não estava na cama; e pior, que sua cama estava arrumada, como se a menina jamais tivesse dormido ali. fez cara de quem viu sexo entre elefantes, e saiu correndo do quarto para avisar às outras que havia sumido.
- NINA, ALICE, ABRAM ESSA PORTA JÁ! – gritou ela, batendo na porta como louca. Nenhuma resposta. Ela olhou pelo feixe da porta e percebeu que as luzes estavam apagadas e o aquecedor parecia desligado.
desceu no Hotel, enfim chegando ao restaurante onde tomaria café. Ali o porquê de ninguém ter atendido a porta: Estavam todos ocupados comendo. Divididos por uma linha invisível, The R!ot e The Maine sentavam numa mesma mesa. Garrett se apoiava em um dos braços e por pouco não batia de cara com o próprio prato de ovo mexido. Ele parecia ter sido arrastado para fora do quarto. Afora o menino Nickelsen, o resto do pessoal conversava sem grandes animações.
- Gente, gente – se aproximou – vocês viram a ?
Todos se entreolharam – exceto Garrett que estava ocupado colocado um pouco de ovo na boca. Nenhuma resposta. John, porém, deu um sorriso sem graça que alardeou ; se estava sumida por causa de algo que se ligasse (mesmo muito superficialmente) a John, bem, problemas estavam definitivamente presentes.
- O’ Callaghan, você não vai se pronunciar? – perguntou . Os olhares se voltaram para ele, que tirou um pouco a franja do rosto para encarar uma séria. Até que ele é bonitinho, pensou, mas precisa urgentemente de um corte de cabelo.
- está na minha cama. – ele sorriu largo, mordendo o lábio e começando a soltar aquela vibe de cafetão que fez as pessoas arregalarem os olhos. Não pela vibe de cafetão dele, mas pelo fato de que estavam também falando da . Sim, ela, a rebelde que há alguns anos não se sabia se era homem ou mulher. Ela, a garota que, se tivesse oportunidade, tinha bancado a Jigsaw e torturado John, por pura vingança. Era dessa que eles estavam falando.
- O que você fez, John? – perguntou Alice, com seus olhos pequenos assustados – Eu lembro de tê-la visto sair como um dragão ontem à noite.
John continuava sorrindo, e tomou um gole de seu café-com-leite.
- O’ Callaghan, não me diga que você a drogou! – Jared se manifestou, colocando a mão no ombro magro do amigo.
John parou, e pressionou os lábios um contra o outro na maior cara de culpado possível. Silêncio.
Silêncio tenso.
De repente, uma nervosa começou a bater pé na direção contrária, indo então ao quarto de John. Nina e Alice tomaram a mesma posição. Kennedy, usando um pouco da sua massa cinzenta, pegou o cartão do quarto de John com o mesmo, antes de sair correndo atrás das meninas. Jared, John e Pat se entreolharam.
- Porra, por que as coisas legais só acontecem quando eu mal estou acordado? – perguntou Garrett, deixando a colher com ovo mexido no prato e se levantando, arrastando-se em alta velocidade para saber o que diabos havia acontecido no quarto de John.
Os três restantes acompanharam então, John em passos lentos e ainda carregando a caneca de café-com-leite; o seu sorriso, é claro, estampado e cheio de malícia.
- Amado seja Mick Jagger, o que diabos aconteceu aqui? – perguntou Nina, enquanto tentava andar pelo quarto bagunçado.
- John aconteceu aqui. – respondeu Jared – Ele não é das pessoas mais organizadas.
O quarto em que John se hospedava não deveria ser considerado habitat humano. Roupas, drogas, cigarros e garrafas de bebidas alcoólicas faziam do lugar um verdadeiro chiqueiro. Talvez ele não fosse assim tão desorganizado, talvez aquilo fosse apenas, hum, o resultado da noite passada.
- Dessa vez ele se superou. – Pat disse, tirando uma camiseta suja do chão.
O cômodo era bem simples. Tinha uma televisão de 29’, uma cama de casal, dois criados-mudos e um armário improvisado. E, nessa cama de casal, se estendia ocupando-a por inteiro. A menina, deitada de bruços, vestia apenas uma calcinha com estampa de Chewbacca e sutiã de algodão; tinha seus cabelos bagunçados quase como uma escultura e parecia ter sido nocauteada por um trem. O único movimento na cama é o que a respiração descompassada de fazia, afora isso, poderiam achar que estava morta.
- Well well well my Darling droog... – começou Nina, já rindo da situação, bancando a Alex deLarge.
- Alguém me arranja uma camisa para essa... Coisa? – pediu , olhando para os meninos.
Incrivelmente, fora John que tirou a camisa que usava e jogou para . E, antes que ela perguntasse qualquer coisa...
- Comigo desse jeito ela vai lembrar melhor da noite passada. – ele alisou o abdômen magro e definido.
Jared rolou os olhos, John era maluco, com certeza.
- Meninas, tirem aqueles de sexo masculino daqui. – ordenou , como uma capitã de nave espacial.
Nina empurrou Kenny e Garrett do caminho, enquanto eles resmungavam que ela não tinha provas que eles eram do sexo masculino; e ela ria descontroladamente. Alice encarnou a Samara Morgan e apenas com um olhar botou os outros três para fora.
- Nina, vigia a porta. – pediu , se aproximando da figura lúgubre e lúdica que era deitada naquela cama. Nina obedeceu, e Alice se encarregou da missão quase impossível que era achar as roupas de naquela bagunça.
- . Kinky bitch, você tá viva? – perguntou , balançando o corpo da amiga irritantemente. Ela sabia que odiava quando faziam isso.
- John... – resmungou , virando a cabeça para o outro lado. Sinal de vida!
Nina olhou para Alice, que olhou para , que voltou o olhar para Nina. John!?
Será que ela havia cedido assim tão fácil? Não era há um dia que se odiavam insanamente?
- Cadê John... – continuou a resmungar, e as amigas seguravam o riso. Ah, se os outros tivessem presentes - Aquele filho de uma puta.
Assim que a frase foi terminada, Nina não aguentou e começou a rir como uma hiena, acabando por acordar a vocalista num susto e, desse modo, ela acabou por bater a cabeça na cama. Alice soltou uma risadinha, e num instante o quarto todo era apenas risadas. Os garotos entraram – arrobaram – no lugar, e se não fosse pelo bom reflexo de em jogar a camisa de John no corpo de , ela acabaria passando vergonha com os seios praticamente à mostra. Se bem que seus seios não eram de fazer vergonha. De qualquer forma, logo percebeu que estava seminua e pôs a blusa sobre o corpo.
- O que aconteceu noite passada? – perguntou quem não devia, a própria .
- Ué, você não lembra? – perguntou Pat, preocupado, sentando ao seu lado e tentando colocar os fios de cabelo rebelde para fora do rosto.
- Eu lembro até a parte que aquele filho de uma mula – apontou para John – me drogou com aquelas malditas pílulas, e depois eu viajei...
- Entendo. – disse Pat, alisando seu rosto. – Está melhor agora?
- Sim. – respondeu ela, sem demonstrar mais nenhuma raiva. Suspirou e levantou da cama, vestindo a blusa de John devidamente. A peça lhe serviu como um mini-vestido.
deu de ombros e andou com dificuldade pelo quarto até a porta de saída sem dizer uma palavra sequer. Sua cabeça não estava baixa, pelo contrário, erguia-se como a de uma modelo na passarela. Quando enfim a menina alcançou a porta, abriu-a e olhou para trás, olhou para onde os olhos de John estavam.
Sorriu.
Apenas sorriu, mas com tamanho desdém a ponto de assustar todos os presentes.
Ela deu as costas e saiu em seus passos – como sempre – decididos.
- John... – chamou , com um sorriso enorme no rosto de pele perfeita. Nina e Alice também sorriam, e os outros integrantes do The Maine estavam assim como John, com cara de quem viu a brisa passar – Você está oficialmente fodido.
Tim Kirch sentia-se derrotado. Susan teria que começar a assumir seu posto, e com razão. Talvez por isso ele se sentisse tão mal, porque não havia um argumento que pudesse mantê-lo. Ele andava pelo corredor em que se situava o quarto das ‘crianças’, como ele os chamava; de brincadeira, é claro, Tim era pouco mais velho que os outros. Um jovem na área que atuava; bonito, estatura mediana, braços fortes e bom de papo. Tim seguiu primeiramente para o quarto de John, o único que teve que ficar sozinho. Tomou um susto quando viu que quase todas as crianças estavam lá, com exceção da menina , a vocalista das The R!ot que tinhas as pernas mais bonitas que o agente já havia visto. Respeito à namorada Aubrey, é claro.
- Tim! – gritou Alice com a voz fina, indo abraçá-lo. Ali era baixa e magra, e se portava como uma pluma, ou seja, pulando nos outros como se ela não pesasse uma grama.
O mais velho dos Kirch quase caiu com o abraço exagerado da pequena Ali.
- O que vocês deram para essa menina?
- Não queria saber... – riu Pat. – Diga aí, Timmy, quando partiremos?
- Logo. Eu vim lhes pedir para arrumar as malas e se vestir devidamente – Tim passou os olhos por um John sem camisa. – Vou apresentá-los a algumas pessoas, e tenho uma notícia para dar.
- Ok. – respondeu Ali, afastando-se de Tim e dando-lhe um tapa no ombro. Os outros concordaram com movimentos de cabeça e murmúrios.
- E alguém faça o favor de avisar a – ele disse, dando passos para trás. – Quero todo mundo no salão do mezanino, aquele perto da piscina, daqui a quarenta minutos, sem atrasos!
John plugged in
Desci mais cedo que os outros. Apesar da baderna do meu quarto de hotel, foi fácil colocar tudo em “ordem”. Praticamente era tudo lixo, então tudo que precisei foi pegar um saco plástico e dar uma geral. Bem, pelo menos para que a camareira não me delatasse para o hotel como, sei lá, um desordeiro.
Desordem é coisa para a .
Desordem mental é a que me refiro. Eu senti minhas pernas magras tremerem quando ela me mandou aquele olhar, senti como se estivesse sendo caçado. E, pra falar a verdade, eu acho que finalmente consegui provocá-la o suficiente para fazê-la me procurar, nem que fosse para me dar uma surra. Ela bem poderia me dar uma surra de sexo, isso sim.
Eu usava meu jeans favorito com uma camisa quadriculada de mangas dobradas. Simples, básico, sexy. Sentei em um dos sofás do salão do mezanino, ocupado por poucos turistas devido à baixa estação. O salão era onde era possível ser feito o check-in no hotel; por isso, ao lado ficam vários lugares para se sentar e descansar com as malas até que o transporte chegue.
Peguei meus fones de ouvido e o Ipod, mas antes que pudesse tocar play, ouvi um som de piano tocando, forte. Uma música completamente estranha aos meus ouvidos.
- Nossa, que talento! – ouvi uma voz masculina dizer perto de mim. Logo, um aglomerado de pessoas estava em um dos cantos do salão, e a música continuava cada vez mais rápida.
Eram pessoas de todas as idades, turistas, jovens, crianças; aproximavam-se do piano para ver alguém tocar. Tinha que admitir, era incrível mesmo. Para que aquele som saísse, quem quer que tivesse tocando o piano teria que ter dedos rápidos, mãos extremamente treinadas.
- John? – ouvi uma voz conhecida. Era Garrett. Ele sentou ao meu lado, colocando as malas perto das minhas.
- Oi Gary. – sorri fraco.
- Tá desanimado?
- Não, só um pouco cansado. E você, o que acha que Tim tem de tão importante para falar com a gente?
- Bem, eu só espero que não sejam más notícias. – suspirei, e Gary, em reflexo, fez o mesmo.
Aos poucos foram chegando outras pessoas, ou melhor, todos eles, menos – ora, adivinha quem? – .
Tim chegou com suas malas e uma moça em traje roxo e saltos enormes, cabelos platina; com certeza a sua namorada não ia gostar muito de uma companhia daquela. Mas quem sou eu? Um túmulo, é claro.
- Onde está ? – perguntou ele, com cara de quem carregava o mundo nas costas.
- Ela saiu bem cedo do quarto. – disse – Arrumou as malas e desceu.
Todos nos entreolhamos, onde diabos aquela roqueira caipira havia se metido?
- Gente, vocês não estão ouvindo? – Nina franziu o cenho.
Tentei captar algum som, mas apenas havia o piano de fundo, pessoas falando alto demais, outras rindo...
- Só pode ser ela. – disse Ali com um sorriso enorme no rosto.
- Ela disse que não ia fazer isso... – comentou.
- Dá pra vocês três pararem com a linguagem secreta e falar algo que faça sentido? – Tim pediu irritado. Pat pôs a mão em seu ombro, como um estímulo para se acalmar, mas eu tenho certeza que nem a erva mais forte que eu conseguisse arranjar iria fazê-lo acalmar-se.
As garotas se entreolharam entre um susto e sorrisos cúmplices. Essas coisas de, sei lá, Clube das Meninas Superpoderosas. As The R!ot, na minha opinião e na de qualquer homem de bom gosto, estavam mais para supergostosas do que superpoderosas. JUST SAYING.
- Olha a ali, ela está no piano. Essa música é irritante demais para nós esquecermos... – Nina disse, apontando para o canto do piano.
Eu não conseguia ver muita coisa, por estar sentado, mas vi nitidamente quando ela levantou do piano e recebeu aplausos dos presentes. Dos maiores mistérios da vida os quais já dei de testa, ela era um deles. Como diabos aquela criança de cabelo de gel e roupa de freira (sei lá que porra ela usava, mas a deixava mais quadrada que o próprio quadrado), se tornava aquilo que eu via naquele momento? Por isso ela me era tão interessante, e quando eu a tivesse, ia ser uma foda maravilhosa em que eu teria feito parte daquilo, daquele mistério da natureza; daquela aberração de beleza, e charme, e curvas...
vestia uma calça jeans colada nas pernas torneadas, de cós baixo, e uma camisa que deixava sua barriga chapada à mostra (vide). Sabe-se lá como seu corpo se definia assim, mas eu garanto que a imagem era sensacional. O cabelo estava bem parecido com o jeito que usava quando era criança, digo, penteado para trás e de aparência molhada; a diferença é que as bochechas já não eram tão grandes, pelo contrário, o rosto havia se tornado fino.
- E aí gente! – sorriu , cumprimentando todos com um beijo na testa. Bem, quase todos, ela apenas olhou para mim como quem tem pena. E, sinceramente, era a pior coisa que poderia fazer. Quem te viu quem te vê, fofona.
- Ótimo, então estamos todos aqui, certo?
- Sim! – respondemos fora de ritmo.
- Peguem suas malas, tem algo nos esperando lá fora.
Quando enfim chegamos na frente do Hotel, um automóvel enorme tomava conta da rua. Era um veículo preto, brilhante, algo que parecia um... Tour bus.
- TOUR BUS! PORRA, NÓS TEMOS UM TOUR BUS! PORRA, TIM, EU TE AMO! – gritei louco, afogando Tim num abraço.
- É NOSSO?
Gritaria.
Muita gritaria.
Abraços conjuntos. E montinho, digo, segundo Ali aquilo era ‘bolinho’, mas vai entender a cabeça da nerd.
Das meninas, foi a única que chegou a me abraçar devidamente, subindo nas minhas costas achando que meu corpo magro aguentaria o dela, musculoso demais. Sério, eu jamais faria uma queda de braços com ; a não ser que quisesse passar vergonha.
Mesmo assim, me puxou na frente para entrar no ônibus, sem se importar com minha incapacidade de carregá-la. Quando entramos no lugar, um susto.
- Tim... Como você conseguiu isso tudo? – perguntei, impressionado com o interior do ônibus.
Todos estavam testando tudo que viam na frente. Pat estava em tamanho choque que ficava ligando e desligando o abajour como um autista. Gary e Kenny pulavam em um sofá – bem, pelo menos até antes de Nina fazê-los cair, puxando a perna de Kenny. Eu me dei por satisfeito sentando em uma das poltronas like a boss.
- Bem, foi com o dinheiro das vendas dos álbuns. Vocês começaram bem... – suspirou. E eu percebi, suspirou triste. – A segunda notícia vai entrar agora por aquela porta.
Assim que Tim disse a última palavra, todos paramos para prestar atenção. Um cara entrou sorrindo, e eu o conhecia como amigo da banda. O nome dele era Michael, e sinceramente eu nunca soube o que exatamente ele fazia da vida. Michael tinha a aparência de um instrutor de arte marcial só que com a cara do Kurt Cobain. É, ele era bem parecido com o Kurt Cobain.
- Gato. – eu ouvi uma voz dizer. Uma conhecida. Olhei pro andar de cima. Era ela. ...
Estava encostada no cercado, olhando para baixo (mais especificamente para Michael) e mordia o lábio inferior.
Michael olhou para cima, e encarou a fofona, sorrindo para ela. Concorrência? De maneira alguma, meu assunto com ela era outro; estava longe de ser um romance ou qualquer coisa parecida.
- Bem, esse é Michael. Ele será o roadie da The R!ot.
Gritos.
Gritos femininos.
Cumprimentos.
- E a gente não vai ter roadie? – perguntou Jared indignado. Fiquei curioso, eu me sentia da mesma forma.
- Ainda não, mas logo. Essa é a terceira e última notícia. – Tim puxou a mulher loira para frente. – Essa é Susan...
- Sue. – a mulher corrigiu.
- Essa é Sue, e ela vai estar comigo como...
- Consultora. – ela completou.
- Sim, consultora. – Tim fez cara feia. – Sue, explica pra mim?
- Por obséquio.
A tal Sue tomou uma pose de chefe de gangue e deu um passo para frente.
- Como vocês sabem, The Maine e The R!ot são bandas de estilos diferentes. The Maine tem uma linha para o POP, enquanto The R!ot se mantém no clássico rock n’ roll. Infelizmente, não dá para Tim ser agente de ambas.
- COMO ASSIM? – eu vi Alice com os olhos já lacrimejando. É, ela chora fácil.
- Um empresário tem que manter um gênero de produção. Apesar de vocês serem duas vertentes do rock, é difícil, ou quase impossível, que o agente mantenha os contatos das duas bandas. No dia que vocês assinaram o contrato, aceitaram que George Wilson mudasse qualquer coisa que atrasasse a banda na venda do álbum, até que vocês alcancem platina.
- ? – Alice já choramingava. É, ela adorava o Tim até demais.
- É verdade. Ali, você é que é a inteligente do grupo, você sabe que é verdade.
- Mas... Eu esperava que alguém... – Nina se aproximou de Ali e a abraçou com os braços magros demais.
- Bem, só que também solicitou no contrato uma cláusula especial.
- Que o Tim fosse nosso agente durante todo o nosso primeiro tour. – a própria completou.
Alice parou de chorar.
- Pelo menos isso. – disse.
- Pois é, era essa a bomba. Eu vou falar com Tim. Michael, se auto-apresente.
Sue foi para o lado do motorista. Não entendi, porém, o por que de Tim estar tão mal por causa daquilo. Digo, ele provavelmente sabia disso desde o começo. Bem, de qualquer forma, eu conversaria com ele depois.
- O que vocês acham de uma bus party? – perguntou , com um sorriso enorme na boca.
Levantei animado.
- We like to party... – os meninos da banda levantaram, inflamados, enquanto as meninas olhavam assustadas; e Michael, ele também não entendia nada. Eles não conheciam aquilo. A dança, a música, aquilo era nosso.
- We like to party – The Maine em uníssono – We like, we like to party...
- Parece macumba, tipo aqueles que a gente viu em Miami, lembra ? – disse , rindo. Eu rolei os olhos, estava me divertindo ainda.
- We like to party, we like, we like to party. Uôô...
Michael e as meninas riram. Jared plugou o Ipod na caixa de som.
- Let’s party on this shit.
"Let’s dance! Put on your red shoes and dance!"
I predict a riot!
San Francisco, CA
estava sentada no chão do box do banheiro. A água caía morna na sua cabeça, enquanto a menina tinha seus olhos fechados. Era a véspera do show em San Francisco, e ela estava nervosa. Não pelo show, de modo algum, mas sim pelo que havia acontecido na última noite em Los Angeles. A única coisa que ela sabia é que estava de roupas íntimas na cama de John quando acordou depois de uma viagem de ecstasy. E só.
Nua, a garota tocou a própria intimidade, tentando constatar algo diferente. Seu hímen parecia estar no mesmo lugar de sempre. Bem, mas ela só saberia se fosse a) A uma ginecologista qualquer b) Perguntar a John.
Ir à ginecologista estava fora de cogitação. Ela odiava abrir as pernas daquele jeito, ficar escancarada, pra uma doida qualquer ficar enfiando cotonete no lugar errado. Por outro lado, falar com John parecia pior, mas pelo menos ela não teria que se submeter a nenhum exame físico. Era só perguntar e pronto. E como ela ficaria eternamente fula da vida se soubesse que tinha perdido a virgindade com um idiota...
- Espera. – disse ela, falando consigo mesma – E se...
Não, Não, a idéia tinha que ser descartada. Ela pensava que poderia, sei lá, transar com Michael e, bem, se doer demais ou sair sangue é porque John não fora um completo filho da puta; mas se nada acontecer, afinal de contas, o que ela faria?
desligou o chuveiro e se levantou com dificuldade, as pernas bambas. Enxugou o corpo e vestiu a calcinha e o moletom que havia separado. Quando abriu a porta do banheiro, estava sentada em sua cama, penteando os cabelos sem paciência.
- Você vai acabar arrancando a peruca, Darling.
- Cala a boca. – cortou , rolando os olhos e tirando os muitos fios avermelhados presos no pente. – Sabe uma coisa que eu odeio de pintar o cabelo de vermelho?
- O quê? – procurava pela sua escova gigante dentro da mala bagunçada.
- É que essas porras dessas tintas não duram! – resmungou – É sempre a mesma coisa. Primeiros dias, o vermelho perfeito, na segunda semana avermelhado; na terceira semana já está laranja.
riu, achando sua escova e penteando os cabelos em três escovadas, jogando-os para trás por puro costume.
- O que há com você, fofa? – perguntou , frisando o apelido. a encarou com olhar de assassina, deitando em sua cama e abraçando o travesseiro.
- Não sei do que você está falando.
- Ah, sabe sim. Sou sua melhor amiga há 5 anos, somos bandmates e eu te suporto todos os dias. Sei quando tem algo estranho, . – suspirou , deixando o pente de lado e enrolando o cabelo para o lado, deitando também. – Tem algo a ver com sua família?
- Nope.
- Com a banda?
- Nope.
- Com... O Tim?
- Nope.
- Com... – cerrou os olhos – O John?
- Mais ou menos.
- Ahá! A fofona e o magrelo, eu sabia! Eu sabia! – comemorou a ruiva, jogando uma almofada na cara da outra, que revidou sorrindo sem graça.
- Não, eu não tenho nada com ele. É só que, na última noite em LA, aconteceu algo, algo que eu simplesmente não consigo me lembrar o que foi.
- Vocês transaram?
- Não sei. É isso, eu não sei!
- Mas , você é virgem, é claro que você vai saber se o negoço aí rompeu. – disse ine, tentando confortar a amiga. tinha o cenho franzido, e seu coração batia mais forte que o normal. Se descobrissem que a suposta “deusa do rock n’ roll” era virgem, estava tudo acabado. Toda a reputação de fodona que ela criou por anos, estava tudo acabado. E, principalmente, a máscara que ela usava com John, de ter evoluído de fofona para femme fatale.
- Eu não sei o que aconteceu. Eu não sentiria, e como sentiria? Estava completamente drogada. Aquela porra era das boas!
- Complicado.
- É, complicado.
- Você pode perguntar ao John. – disse , sorrindo, como se aquela fosse a melhor solução do mundo.
bufou, e enfiou a cara no travesseiro, gritando como senão houvesse amanhã. Quando enfim a menina parou de agir como louca, desabafando o rosto do travesseiro e inspirando bem fundo o ar, já estava com um cigarro na mão e um short na outra, oferecendo.
- Vista o short, pode pegar minhas sandálias, e vá no quarto do magrelo. Seja como você sempre é, curta e grossa, e qualquer coisa você usa da sensualidade pra sacanear com ele também. – sorriu, vitoriosa.
- Bitch, eu te amo. – beijou a bochecha da amiga, deixando os shorts de lado e apenas pegando o cigarro para um trago – Mas eu acho que tenho uma idéia mais divertida.
Sorriso diabólico, olhares cúmplices... Coisa boa é que não era!
30 minutos restantes para o show, backstage no The Fillmore¹.
Tim abriu furioso a porta do backstage das meninas, seu rosto vermelho e irritado; quase em colapso nervoso. Naquele cômodo, as roqueiras ainda vestiam roupões e ajeitavam cabelo e maquiagem nos espelhos. O roadie, Michael, estava sentado em um dos sofás, afinando a guitarra de Nina com cuidado.
- Alguém sabe me dizer onde está o O’ Callaghan?
Todos olharam para Tim quando ele falou tão rudemente e tão seriamente. Bem, alguém não conseguiu se segurar por muito tempo. riu abafado, quase borrando os lábios que pintava de um vinho quase preto. Todos olharam para ela, curiosos.
- , você tem algo a dizer? – perguntou Tim sério.
A menina deu mais uma risadinha antes de gargalhar como uma bruxa malvada. As outras meninas riam baixinho, afinal, elas meio que tinham ajudado em seu plano maligno.
- Você pode achá-lo no almoxarifado... – disse tentando segurar a risada.
- Como The Maine vai se apresentar sem a porra do vocalista? – reclamou Tim, fechando a porta do cômodo e partindo enraivecido pelos corredores do The Fillmore.
sentiu um pouco de arrependimento por ter aprontado com o magrelo; não por causa dele, mas por ter dado trabalho a Tim. Mas veja bem, de qualquer forma, o mal feito estava feito.
Tim passava como um vulto até o almoxarifado. Os outros quatro integrantes da banda The Maine estavam prontos à sua espera, e também à espera do vocalista da banda. Tim passou a mão na testa suada, sentindo um pouco de desespero, até mais do que o recomendado. As outras meninas iam ouvir e muito depois que o show acabasse, ah se iam! Agora conseguia entender um pouco do que Sue lhe dizia, sobre a junção das duas bandas num tour. Era algo além do estilo diferente das bandas, tinha a ver também com a personalidade deles, e com o fato de serem cinco garotos músicos ainda recém-adolescentes, e quatro meninas decididamente rebeldes; todos loucos.
O empresário suspirou ao encarar a porta do almoxarifado. Com o mesmo tom do batom que passava há pouco lá no backstage, estava escrito na porta com letras garrafais: WHAT GOES AROUND... COMES BACK AROUND!
- Justin Timberlake? – perguntou-se Tim em voz alta. Franziu o cenho, balançou a cabeça negativamente, e enfim abriu a porta do cômodo.
Tinha muita coisa naquele lugar. Instrumentos musicais, papéis, material de limpeza, mais instrumentos... E John O’ Callaghan. Tim teve que conter o riso para a figura à sua frente. John estava vestindo apenas uma calçola bege, bem do tipo que uma bisavó usaria. O garoto estava encostado em uma das paredes, completamente adormecido. Tinha os cabelos lisos penteados com gel para trás, o que lembraria algo que Tim não saberia comparar: o cabelo de quando ela tinha seus 10 anos de idade. No peito do garoto, os escritos de batom: R!ot, e um smile feliz.
- John! – chamou Tim, tentando não tocar na obra à sua frente. Não conseguiu mais controlar o riso, e deixou escapar abafado. “Foco, Kirch, Foco”, pensou.
- O’ CALLAGHAN! ACORDA, PORRA! – Tim deu tapinhas na cara desacordada de John, que apenas se mexia como um João-bobo; para o lado e para o outro. – Drogado. Você está drogado, fucking douchebag. Argh! Pra puta que pariu! E agora?
Tim tentava se controlar, pensar em alguma coisa, decidir alguma coisa, mas a única coisa que lhe vinha a sua cabeça era uma voz que dizia “desespere-se, fodeu tudo”. Mas foi nesse exato momento que uma mão fina e longa tocou o seu ombro. Sue estava ao seu lado, com um balde de gelo na mão. Vestia aquele terninho roxo de sempre, dessa vez com calças e não uma saia longa. Seu cabelo louro platinado estava solto e rebelde, digno de uma empresária das The R!ot. Ela suspirou e afastou Tim em silêncio. Agachou-se perto de John, afastou um pouco a calçola que ele vestia, virou o rosto e jogou todo o gelo ali na intimidade do garoto.
- O que você está fazendo? – perguntou Tim, preocupado.
Sue olhou para o relógio de pulso, e pareceu cronometrar algo. Tim tinha seu cenho franzido, estava confuso e até um pouco perdido.
- Dois minutos. – disse Sue, com a voz firme. – Eu sabia que isso ia acontecer.
- Isso o quê? E afinal, que porra é essa?
- se vingou do menino magro. – disse Sue, olhando fixamente para o relógio. – O que ele fez foi um absurdo mesmo, eu pensei que ia encontrá-lo enforcado numa árvore.
- O que ele fez?
Sue não respondeu. Deu um chute leve na perna magra e escancarada de John, apenas para ver se ele tinha alguma reação. Nada.
- Aperta aí. – disse Sue, apontando para John com os olhos.
- Ta falando comigo? – perguntou Tim confuso e furioso.
- Sim, sim... Era pra o gelo tê-lo acordado já. Dê uma apertada aí.
- Como assim uma apertada “aí”? Aí onde?
- No gelo, acho que essa... Hum... essa peça que ele está usando não ta dando para sentir o gelo.
Tim riu, sarcástico.
- Eu não toco nisso nem por ouro.
- Nem eu. – disse Sue, convicta. Tim a olhou estranho. – Sou gay – ela sorriu com uma cara de desprezo.
Enquanto Tim estava em choque porque uma das mulheres mais bonitas que já conhecera simplesmente não jogava no seu time, Sue ajeitou os cabelos para trás e se equilibrou num pé só. Projetou o pé esquerdo para frente, tocando o salto no bagulho de gelo que estava na área restrita de John. Foi preciso apenas um toque para que o garoto pulasse do sono profundo em desespero, tentando tirar aquilo que congelava seu membro e tudo ao redor. Susan assistia à cena com cara de tédio, e Tim estava furioso demais para lembrar quão hilária estava a cena de um John de calçola bege e melado de batom.
- AH! AAAH! – gritava John desesperado, tentando se livrar de todos os cubos de gelo, atordoado e desequilibrado. Foi de repente quando os companheiros de banda chegaram ouvindo os gritos, e pioraram a situação rindo como hienas e apontando para o vocalista de calçola. – Que porra é essa? Cadê... Cadê aquela fofona de merda? Cadê? Ela me paga!
Ninguém ouvia o que ele dizia, todos estavam preocupados demais em dar risada, ou, no caso de Tim, preocupado em assassiná-lo com os olhos. Susan deu um tapinha no ombro de Tim e saiu de fininho.
- Hey, hey! – Tim chamou a atenção dos presentes, que calaram a boca ao perceber quão vermelho estava o rosto do empresário. – Quero vocês – apontou para Jared, Pat, Kennedy e Garrett – ajudando John a se arrumar. Além do John, está tudo OK? Os instrumentos estão afinados?
- Sim... – disse um Pat sem graça de tanto rir, colocando uma mecha do cabelo para trás. – Michael ajudou com tudo.
- Ele está doido para ganhar um extra... – disse Tim, pensando alto. – Tirem esse maldito da minha frente, e... John!
John olhou para Tim com vergonha. Ele se sentia terrível, não apenas por ser vítima de um riot, mas também por ainda ter recebido gelo nas intimidades e por ter sido visto daquele jeito por todos os seus amigos.
- Sim?
- Não pense que isso vai sair barato para você ou para a . Depois do show quero conversar com os dois, eu durmo no bus tour, então me encontrem lá.
- Ok... – disse John, de cabeça baixa.
Kennedy se separou dos meninos e se juntou a John, ajudando-o a andar, já que o magrelo estava ainda tonto por causa das drogas ingeridas.
John não sabia o que pensar direito, mas uma coisa era certa: O jogo só havia começado.
Not sure if you’re a boy or a girl
Portland, OR
Nina’s plugged in
Eu não estava nos meus melhores momentos, para começo de conversa. Nem sei o por que dessa maldita vontade de me masturbar no banheiro, sozinha, a mercê dos meus pensamentos sujos e luxuriosos. Aliás, bem... Essa sou eu, não? Intuitiva.
Em San Francisco, enquanto os outros iam a after parties ou levavam bronca (como John e levaram), well, eu estava passeando sem rumo pela cidade, com pessoas desconhecidas e um pouco bêbada, admito. O que aconteceu foi termos parado numa SexShop, onde eu comprei esse brinquedinho que agora está na minha mão, e eu nem sei ao menos como usar direito.
Mas, veja bem, tudo tem uma primeira vez, certo?
Certo.
Sentei na banheira seca e tirei a boxer roubada de algum ex-namorado e agora usava como roupa íntima. Abri as pernas e respirei fundo, sem conseguir o clima certo. Fechei os olhos e posicionei e pênis de plástico na entrada da vagina, comecei a cantar uma música qualquer mentalmente. Fiquei extasiada pelo ritmo que subia à minha cabeça e tomava o meu corpo, e de repente eu me vi fazendo movimentos frenéticos e repetitivos com a mão que segurava o brinquedinho. A sensação chegava a ser tão boa quanto o próprio sexo, se não fosse melhor. Eu me posicionava e posicionava o pênis do jeito que quisesse, proporcionando a mim mesma um prazer sensacional.
Foi de repente quando alguém bateu na porta do banheiro. Eu dividia quarto com todas as outras três meninas da banda, então só poderia ser uma delas.
- PORRA NINA, EU TO AFIM DE FAZER XIXI, SERÁ QUE DÁ PRA ABRIR ESSA PORRA? – ouvi os gritos de Ali. Aliviei por não ser nenhum dos garotos.
Sim, eu realmente não gostava de dividir o precioso tour com os garotos. Não que eu não gostasse do The Maine, mas achava-os um pouco caretas. Eram todos relativamente normais, prováveis geeks no high school que fizeram uma banda e ganharam a vida.
Imagine só se um deles me pegam me masturbando num banheiro de hotel com um pênis de plástico um pouco grande demais? Talvez fosse demais para eles... Coitadinhos.
Nem mesmo meu querido Kenny; não acho que ele saberia lidar com uma situação dessas, principalmente porque eu meio que tinha o eleito para me satisfazer. Mas é como eu disse, eles eram geeks aprendendo o mundo do rock n’ roll, e eu havia nascido filha do rock.
- NINA KATHLEEN JOHNSON, DÁ PRA SAIR DESSE BANHEIRO? EU VOU MIJAR NA SUA GUITARRA, SUA PUNHET... – Ali interrompeu a frase, realmente me assustando.
Com relutância, tirei o brinquedo de dentro de mim. Ali me pagaria, eu já estava quase lá!
Levantei com alguma dificuldade da banheira, minhas pernas bambas ainda, e fui meio corcunda destrancar a porta. Peguei uma toalha antes e enrolei no corpo.
Ali entrou num vulto, usando vestido de alcinha, preto e de paetês, com botas legais. Jogou a bolsa marrom de maquiagem sobre a pia e encostou a porta, depois olhando para mim com uma sobrancelha levantada. Juro que ela fazia aquela sobrancelha melhor que o 50 cent, e eu me senti meio desprezível com aquele olhar.
Ela abriu a boca para falar, mas eu não lhe dei tempo suficiente.
- Me deixa em paz. – resmunguei, voltando para a banheira e abrindo a torneira, aproveitando para esconder a caixa e o meu brinquedinho que estava exposto.
- Eu só não entendo que tipo de pessoa resolve se masturbar à essa hora da manhã. – ouvi ela resmungar, enquanto guardava minhas coisas rapidamente.
- Ali, não estamos na manhã, estamos no começo da madrugada. – respondi calmamente.
- How-the-fuck-ever. Isso é nojento.
Rolei os olhos. Com certeza Alicinha jamais teve um orgasmo. Poor her.
Esperei a banheira encher em silêncio; quando acabou, tirei a toalha e deixei meu corpo magro deliciar-se com a água calma. Ainda sentia arder um pouco lá embaixo, devido ao atrito que me submeti há pouco, todavia o prazer – mesmo que sentido pela metade – permanecia mais forte. Fechei os olhos. Sexo era a melhor droga que eu já havia experimentado. Melhor do que qualquer baseado, ou carreira de coca; sexo era a definição do ecstasy, e se masturbar apesar de ser solitário, para mim era simplesmente relaxante. Também era, obviamente, um jeito de eu conhecer melhor o meu corpo.
- Como está sua relação com Kennedy? – perguntou Ali de repente, enquanto maquiava o olho com zelo, passando aquele pequeno pincel como se estivesse pintando uma obra de arte.
- Estamos bem, se é que estamos numa relação.
- Eu não te entendo, Nina. Você e ele parecem como unha e carne quando estão juntos, vocês trocam carícias como se namorassem há dois mil anos, e depois você vem me dizer que acha que não estão numa relação? Isso é muito complicado para mim.
Suspirei fundo, e submergi um pouco mais.
- Isso porque você não entende.
- De relações? Eu já namorei, já tive longos relacionamentos, já...
- Eu sei disso, little little – interrompi, tentando amenizar a grosseria chamando-a pelo apelido inventado - mas você não entende meu ponto de vista sobre esse tipo de coisa.
- E qual, afinal, é o seu ponto de vista? – perguntou ela. Olhei em sua direção, e a vi me encarando com aqueles seus pequenos olhos confusos, debaixo de uma maquiagem leve e perfeita.
- Ali... Você é tão inocente, tão ingênua... – não a deixei sequer abrir a boca, e a encarei com mais precisão, mais consistência, pedindo a palavra. – Eu não sou uma garota.
- Ah claro... – ela gargalhou – E eu sou um gnomo.
Rolei os olhos, respirando fundo. Era tão difícil explicar aquilo! A única pessoa que entendia perfeitamente era , que tinha uma mente aberta para o mundo, e às vezes se portava como eu. não se importava com aquele tipo de coisa, era a mais fechada da banda no que se dizia a expressar sentimentos; ela era intuitiva e divertida, uma alma saltitante.
- Eu não sou uma garota, sou uma andrógina. Sou um menino-menina, não tenho definição. Eu não sei me portar como completamente como uma garota, mais sentimentalista e sonhadora, mas também não sei ser completamente um garoto, bruto e mais instintivo. Eu sou metade-metade.
Alice franziu o cenho.
Levantei-me da banheira, ficando nua em sua frente, o que para nós era normal. Éramos como irmãs, todas nós da banda.
- Veja, nem mesmo meu corpo consegue se decidir. – mostrei-lhe, apontando para um corpo magro e sem curvas, de peitos pequeninos e mãos grandes e masculinas. – E eu sou bissexual. Eu gosto dos dois.
Alice mordeu o lábio, parecendo ainda mais confusa. Seu olhar já não se fixava em mim, mas em um ponto inexistente em minha direção. Era um olhar vago, de quem tentava juntar as peças do quebra-cabeça; e o quebra-cabeça era eu.
Peguei um sabão e voltei à banheira, passando-o pelo corpo com paciência. Eu preferia cheirar a sabão do que a perfume. O melhor é que também tirava o cheiro forte de cigarro que sempre impregnava em minha pele. Devo admitir que não é um dos melhores cheiros do mundo, mas não tinha jeito. Desde que toquei meus lábios num cigarro pela primeira vez, foi difícil não querer fazer de novo. E o mesmo aconteceu com todas as garotas da banda, incluindo a pequena Alice.
- Eu acho que entendo. – respondeu Ali, finalmente. – Bem... Tente não machucar o Kenny com isso que você faz. Pelo menos até acabar esse tour.
- Você fala isso como se ele estivesse apaixonado por mim. – ri, passando shampoo no cabelo.
- O jeito em que ele olha para você... – disse ela, passando um batom de tom rosado nos lábios finos.
- Como quem está imaginando coisas, divertidas e libidinosas. – completei a frase, mergulhando na água para tirar o shampoo, e esfregando a cabeça com vontade.
Quando enfim emergi, vi que Ali não estava mais lá. Suspirei, puxando a toalha novamente e enxugando o corpo.
Saí do banheiro, encontrando Ali arrumada mexendo na bolsa, assobiando uma música que eu não consegui reconhecer.
Fui em direção à minha mala, em dúvida sobre que roupa vestir.
- Pra onde você está indo, toda bem arrumada?
- After-party de 30 Seconds to Mars.
- Legal. Nós fomos convidadas?
- Na verdade não. ligou pro quarto há pouco, avisando que ia, e que era para nós irmos.
- E você nem me avisou? – reclamei, um pouco irritada.
- Qual é Nina! Hoje cedo você reclamou que estava com dor de barriga, então eu pensei que quando você entrou no banheiro era para, você sabe... Hum... – ela corou – Liberar o intestino. Mas aí eu comecei a ouvir respirações e gemidos e... Bem, você sabe.
Esbocei um sorriso.
- Entendo, entendo. Well, pelo menos me espere me arrumar. Você sabe que eu sou rápida.
Ela sorriu, e puxou um prendedor de cabelo do pulso.
- Solto ou preso?
Foi uma questão de dez minutos para que eu e Alice estivéssemos e prontas. Eu trajava um vestido bandage cheio de estampas e meu blazer rosa do House of Holland; saltos coloridos e uma boa meia-calça.
Alice, ao meu pedido, deixou os cabelos soltos. Ela os havia alisado, então estavam realmente lindos e vistosos; longos e femininos.
Dei uma última checada em meu visual no espelho. Era verdade, eu precisava mudar aquele maldito cabelo. Cansara completamente do vermelho, que já havia perdido a parte “fogo” que havia na embalagem.
- Ali, antes de irmos... O que você acha de meu cabelo platinado, como o de Sue, só que bem curtinho e repicado?
- Acho que ficaria legal. Eu também estava querendo clarear meu cabelo, e deixá-lo liso. – ela disse, mexendo nas madeixas.
- Eu gosto dos seus cachos.
- Estou enjoada dos meus cachos, sempre os tive assim. – ela suspirou, pegando uma bolsa de lado e colocando-a sobre o corpo.
Ouvimos um bater de porta cuidadoso. . Coloquei algum dinheiro dentro do sutiã e peguei a carteira de cigarros e isqueiro. Dei minha identidade para Ali guardar, para qualquer eventualidade.
Quando abrimos a porta, uma estonteante estava a nossa frente.
- Cadê ? – perguntei, percebendo a ausência da stroke-girl.
- Dormindo como uma pedra. Não quis acordá-la, sabe como é esse lance dela com a hiperatividade. Uma vez acordada, para dormir é um inferno. – respondeu com tranquilidade.
Ela usava vestido preto colado no corpo, com um pouco de renda, e ankle boots. O cabelo estava preso num coque mal-feito e os olhos, como sempre, bem pintados.
- Tá gatinha, . Qual o objetivo da produção toda?
- Jared Leto, é claro. Vocês acham que eu perderia uma oportunidade dessas?
Rimos.
Alice fechou o quarto, dando início à nossa andada pelo corredor do Hotel até o elevador. estava estranha, apesar de bem vestida e parecendo estar desfilando por uma passarela. Eu desconfiei. Tanto eu como Ali não sabíamos o que afinal havia acontecido no dia em que John a drogou, ou até mesmo no payback, quando ela nos chamou para ajudar a despi-lo e fazer um pequeno – e divertido – riot.
Nós não sabíamos se ele havia se aproveitado dela, realmente, ou o que ela havia feito para deixá-lo inconsciente, ou seja, para drogá-lo tão facilmente, sem ter que se submeter a qualquer tipo de droga também.
- , posso te perguntar uma coisa?
- Diga, Nina. – ela disse calma, olhando para mim de soslaio.
- John se aproveitou de você? – ela arregalou os olhos – Digo, sexualmente.
Ali também ficou tensa, esperando ansiosa a resposta. suspirou, incrivelmente calma.
- Nope.
- Então por que mesmo aquele barraco todo?
- Bem... Na verdade eu não sabia se ele tinha feito a merda ou não. Estava mais drogada que a Amy Winehouse em fim de festa. Eu tinha que descobrir, e que melhor forma de uma pessoa dizer a verdade senão entorpecida, para não mentir?
Parei para pensar no que ela disse.
Era verdade. É como descer a máscara que todos carregamos. Bem, se fizessem isso com uma pessoa como , que raramente pensa antes de falar, não ia adiantar muito.
- E como você fez? – perguntou Ali.
Percebi que chegamos ao elevador e apertei o botão para chamá-lo. A conversa era divertida.
- Eu poderia lhes contar detalhe por detalhe, mas acho melhor fazer isso amanhã. – eu fiz bico e careta – Sério... Vai ser mais divertido quando eu contar detalhe por detalhe. Vocês nunca mais vão conseguir olhar para a cara daquele bastardo magrelo sem rir.
Fiquei curiosa, mas não adiantar insistir. Ali estava do mesmo jeito, mas ambas sabíamos que insistência não funcionava com .
Suspirei, desistente.
- Ok, ok... Mas, falando no The Maine, eles vão para a after party?
- Não sei, Nina mia. Não me import... – antes que acabasse a frase, a porta dos elevadores se abriu e John, Kennedy e Jared estavam lá, bem vestidos e cheirosos. É, eu podia sentir muito bem aquele cheiro de colônia masculina e desodorante. Era uma das coisas que eu mais apreciava em homens. Tinha também uma garota morena baixinha que estava agarrada a John como se fosse, sei lá, uma polly pocket. Provavelmente uma fã. – Acho que sua pergunta foi respondida, Darling.
Dava para sentir a tensão entre os dois vocalistas de longe, a raios de quilômetros de distância – seja lá o que isso realmente significa. Dei de ombros, um dia eles iam acabar como uma família feliz com três filhos e uma casa na Austrália, e iam se lembrar desse momento como um passado divertido... Ou não.
De qualquer forma, algo dentro de mim dizia que aquela relação ia dar o que falar no que se dizia a nossa fama de rockstars.
Entrei no elevador like a boss, beijei Kennedy rapidamente e cumprimentei John e Jared com um high five. Alice fez praticamente o mesmo, a diferença é que ela não beijou Kenny e teve dificuldade de fazer high-five com John, porque ele era muito alto e estava com a fã-parasita muito agarrada ao seu corpo. , por sua vez, entrou com um sorriso daqueles que tiraria qualquer homem – ou mulher de tendências lésbicas – do sério. Deu as costas aos outros e permaneceu em silêncio, até a porta do elevador fechar e nós iniciássemos nossa jornada até o mezanino.
Eu, Ali e rachamos um táxi para ir à festa. Estávamos meio frios com os The Maine desde o incidente com John. Acho que eles não gostaram muito do que aconteceu. Eu e Kennedy não marcamos nada, despedimo-nos com um amasso rápido – logo interrompido por uma Alice sem graça, quando o táxi estava apenas me esperando para irmos. Assim que nós nos separamos dos meninos The Maine, a conversa voltou a fluir entre nós. O caminho foi calmo e curto até o local, um espaço de uma antiga discoteca.
Não havia nada na frente do local que indicasse que ali era o lugar certo, a não ser uma população considerável de fãs de 30 Seconds To Mars, seguranças imensos mantendo as portas fechadas e carros legais estacionados por perto. Dava para ouvir, ainda, que o DJ estava entretendo com remixes das melhores músicas do álbum Beautiful Lie, lançado e de muito sucesso.
Be broken
Get tired or wasted
Surrender to nothing
Meu coração começou bater forte dentro do peito. A animação me dominava. Eu amava festas, amava!
- Só quero saber como diabos a gente vai entrar – perguntou Ali, com os olhinhos fixos na janela fumê, observando que a fila de pessoas que queriam estar lá dentro era realmente imensa.
- Nós somos The R!ot, Darling. Um piscar de olhos e um mexer de quadris e nós estamos dentro. – respondeu uma convicta .
- E se não der certo? – Ali perguntou insegura.
- Não se preocupe. – disse com um sorriso – Sue está à nossa espera.
A map of the world
A map of the world
From yesterdaaay...
Descemos do táxi na expectativa, e como era de se esperar, Sue estava de bons papos com o segurança. Hoje ela havia tirado o terninho roxo para usar um vestido roxo bandage, que me fez perceber pela primeira vez que ela tinha um belo corpo. Kennedy, John e Jared já tinham chegado antes de nós, e pareciam barganhar conversa com o outro segurança, um latino de dois metros, que não estava muito acreditando neles.
Fomos direto à Sue, cumprimentamos à ela e ao segurança que havia dito que nossas músicas eram muito boas, e que eu era uma excelente guitarrista. Tell me something I don’t know, cherie.
Autografei em um pedaço de papel para ele, e assim também fizeram Ali e . Entramos na festa sem problemas, e qualquer medinho de ser barrada sumiu na hora que o orgulho de ter entrado se fez em mim.
O lugar não era exatamente imenso, como eu imaginava. Apesar disso, estava muito bem decorado, com muitos jogos de luzes e gente bonita. Eu não sabia direito para onde olhar, se era para os homens fortes, magrelos lindos e punks ou se era para as mulheres com vestidos colados demais ao corpo e rostos de boneca.
Foi então que eu a vi.
Cabelos cheios pretos, e curtos; corpo alto e vestidinho curto demais. As pernas dela estavam cobertas por uma meia-calça vermelha, e nos seus pés usava saltos imensos.
Sorri na hora, mordendo o lábio inferior. Ainda podia sentir a presença das outras meninas ao meu lado, e a mão de uma Alice insegura que segurava meu antebraço com força. Mas eram apenas coisas embaçadas, secundárias. Meus olhos finalmente alcançaram os daquela mulher deslumbrante, e ela sorriu para mim, passando os olhos pelo meu corpo e alma.
Teria que atravessar uma certa multidão que dançava na pista para chegar até ela, mas fui esperta o suficiente para arrodear. Alice ainda estava no meu pé, e eu supunha que também, mas meu olhar estava fixo no daquela mulher.
Oh, Deus, como você é bom comigo, dando-me um presente desses logo no começo da festa.
Ajeitei meus fios para trás, e respirei fundo. Tinha que falar com ela, mas por que diabos me faltava fôlego?
What I wanted stays the same
And I know what I should do
It's time set myself on fire
Seus olhos escuros viraram para o seu lado, e só assim eu finalmente percebi que ela não estava sozinha; mas será que poderia arranjar alguém melhor para estar acompanhada? Ou, melhor dizendo, alguém pior?
O homem que estava ao seu lado era ninguém mais, ninguém menos do que Jared Leto. Dava para reconhecer de longe: aqueles cabelos tingidos preto com pontas vermelhas, os olhos azuis e redondos, a barba delineando um maxilar perfeito, e o corpo magro de estatura mediana. Ele usava jeans escuros, camisa e uma jaqueta fantástica. Sim, agora eu entendia perfeitamente a pseudo-histeria de ao vir altamente produzida para essa festa. Não que eu duvidasse da minha bandmate, mas acho que tanto eu quanto ela tivemos nossas expectativas fodidas... Talvez por ter chegado tarde demais.
- Nina? – ouvi a voz de , materializando-se dos meus pensamentos.
Suspirei.
- Olhe só aquela morena do lado do Leto. – apontei – Era exatamente o que eu precisava hoje.
- Bonitinha. – disse uma com desdém notável, mas eu sabia por que ela não admitia: Jared Leto. – Mas e o Kennedy?
- Argh – rolei os olhos – Você também? Pra puta que pariu, eu não namoro o Kennedy.
- E o que há entre vocês? – ela perguntou confusa.
- Troca de favores sexuais.
- Sei... Hm...
- Fale o que você ia falar. – virei-me para a minha amiga. Alice estava do seu lado, com uma cara de “eu te disse!”.
- O que eu ia falar?
- Sobre eu e Kennedy.
- Só acho que ele está levando meio a sério. – ela disse, dando de ombros.
- Eu falei isso à ela, ele olha...
Cortei Alice com um olhar de assassina. Eu gostava de ser livre! Era essa a maravilha de ser uma rockstar, ou uma aspirante a rockstar, tanto faz.
Limpei a mente rapidamente, e voltei o meu olhar à morena que eu desejava.
- E então, meninas, vamos à caça? Eu tenho um peixe grande pra pescar. – disse , jogando os longos cabelos claros para trás e já deixando um sorriso sexy dominar seus lábios. Fiz praticamente o mesmo, com a diferença de que eu não tinha aquele sorriso sexy, e sim um projeto de.
- Eu acho que vou encontrar o Jerry e ficar pongada nele. - Alice falou, mas ambas eu e já não prestávamos mais atenção. Alice poderia ter falado que ia ali matar alguém e voltava já.
Andei em passos firmes com ao meu lado, e paramos em frente a um atônito e meio bêbado Jared Leto, com minha morena ao seu encalço, sorrindo para mim. Isso, querida, faça isso, sorria, e no final da noite você estará dando o mesmo sorriso, mas por motivos diferentes.
“Today I’m a boy”
Seduction leads to destruction
Quando os olhos azuis e redondos de Jared Leto finalmente pararam nos de , um arrepio percorreu a espinha da mais nova, fazendo-a puxar o ar rapidamente para manter-se em pé. E agora? O que fazer para impressioná-lo? Tudo parecia tão mais difícil naquele exato momento em que postava em sua frente, encarando-o. “Seja uma atriz”, disse a si mesma, “finja ser maravilhosa”. Bowie a havia ensinado a ser “cool”. Ou seja, ela poderia estar vendo alguém muito maior que Leto ali, quem sabe o Keith Richards ou a maravilhosa Debbie Harry: A ideia era permanecer como uma pessoa normal, e não a histérica que provavelmente ela seria colocando todos os sentimentos que explodiam dentro do peito, para fora.
- Gostei da jaqueta. – disse ela como quem não quer nada, tocando o colarinho da sensacional jaqueta de couro.
- Obrigado... Você é a...?
não podia negar que a voz dele era extraordinária. Madura, rouca e não tão grossa quanto ela imaginara; mas ainda assim, no ponto certo para impressionar. Ela sorriu, tentando se acalmar. Uma gafe e tudo ia por água abaixo.
- Sou uma grande fã... – não dava para finalizar a frase, porque ele sorrira. Ela queria dizer que cantava e tocava, que tinha uma banda, que estava em tour...
- Oh! – ele riu – É a primeira vez que uma fã não me cumprimenta tão calmamente.
- Não é tão difícil quanto parece.
- É mesmo? – ele cruzou os braços, querendo ouvir a história toda.
- Claro, - deu de ombros – é só fingir que você é uma pessoa normal.
Risadas. A partir daquele momento, o engate da conversa estava feito, e não mais precisava pensar no que falar ou se fazer aquilo ou isso seria comprometedor. Estava apenas sendo ela mesma, e com sucesso atraindo pessoas que ela admirava. Nina, por sua vez, apareceu apenas uma rápida visão de , quando pareceu sussurrar algo no ouvido da morena que tanto desejava e se afastou para algum lugar mais reservado da festa.
Além dos outros integrantes da banda 30 Seconds to Mars, conheceu um fotógrafo de quem ela já havia ouvido falar, mas nunca tinha realmente se interessado pelo trabalho. O nome dele era Terry Richardson, e ele costumava fotografar ícones da moda e do show business em geral. Com sua incrível Canon na mão, ele mostrou a alguns dos seus cliques, e ela acabou ficando impressionada com seu trabalho, aproveitando para finalmente falar sobre si. Estavam sentados numa mesa perto do bar , Jared Leto, Shannon Leto e Terry Richardson. Cada um tinha seu copo de bebida ao lado, e no meio da mesa encontrava-se um prato com delicioso prato com petiscos.
- Eu tenho uma banda! – disse de repente, quando o assunto na mesa era o excesso de bundas no clipe Disco Inferno do 50 Cent.
- Hã? – perguntou Shannon, meio avoado.
- Tenho uma banda. – sorriu, enfim atraindo a atenção dos presentes. – O nome é The R!ot. Nós estamos em tour, passando por Portland. Não sou daqui...
- Isso eu já percebi – resmungou Shannon, com seu jeito de Matrix. Ele usava um sobretudo preto e óculos escuros, e era difícil saber se ele era realmente desse mundo. – Você tem um sotaque diferente.
- Sou do Arizona. – disse com um sorriso.
- Sua banda toda é de lá? – perguntou um curioso Jared, que a encarava sem perceber o quanto aquilo a fazia sentir desconfortável.
- Sim. Somos quatro. Eu, a extrovertida , pequena Alice e andrógina Nina.
- Estilo?
- Rock n’ roll, Jared. – respondeu – Como vocês, porém um pouco mais voltado para o clássico.
- Só garotas? – Terry ficou curioso, percebendo que todos os nomes que tinha citado eram geralmente femininos.
- Sim!
- E quem está cuidando de vocês? – perguntou Shannon.
- Tim Kirch.
- Não conheço – Shannon fez cara feia, cruzando os braços.
- Ele não é do estilo. É mais pop, menos punk. – suspirou, lembrando que logo Tim não seria mais o empresário das the R!ot. – Mas nós estamos passando por uma transição. Quem também está cuidando da gente, e cuidará depois do primeiro tour, é a Sue Levin.
- Susan! Cadê aquela barbie assassina? – brincou Shannon, lembrando da velha amiga. Sue e seus bons contatos, isso ninguém podia negar.
- Ela veio nos colocar pra dentro da festa – disse a mais nova um pouco tímida, afinal, era penetra – Mas depois não a vi mais.
- Uma pena, realmente queria vê-la. – disse Shannon.
- E quem mais veio com você? – perguntou Jared.
- Duas meninas da banda, Alice e Nina. Elas estão por aí.
- E a outra garota?
- Ela é hiperativa... – tomou um gole do vinho à sua frente – Daí quando ela dorme, a gente evita acordar, pra depois ela não ficar super cansada.
- Sei como é – disse Terry, apontando a lente da sua máquina para o lado em que Jared e sentavam. – a minha tia também era assim. Quando dormia era uma múmia, mas se acordasse tinha a força de um exército, mesmo estando cansada.
- É exatamente isso que acontece com . – disse – Ei, o que você está fazendo com essa coisa apontada pra cá?
- Diga Whisky!
Terry rapidamente tirou uma foto dos dois, e apesar de não ter percebido, Jared fez pose ao seu lado, sorrindo encantador. Ela tomou mais um gole do vinho, encerrando a taça, e antes que pudesse enchê-la novamente, uma mão grande e masculina a impediu.
- Vamos buscar algo mais interessante no bar. – Jared disse, calmamente.
Com dois beijinhos em cada bochecha, se despediu do irmão Leto mais velho e do fotógrafo, que aproveitou para lhe dar seu cartão de visitas. Ela tinha certeza de que agora estava no caminho certo para conquistar Leto de uma vez. Ah, e como ia se gabar!
Andaram meio tontos pelo lugar apinhado de gente. já tinha ouvido por aí que Jared não bebia, fumava ou se drogava, mas pelo menos a primeira parte já se revelara lorota. Ele já estava perdendo o equilíbrio sobre as pernas, e sorria demais.
Entre os muitos rostos que se passavam pela visão embaçada da vocalista da The R!ot, um chamou a sua atenção. Olhos verdes, rosto longo e nariz avantajado; e um perfeito sorriso apontado para ela. O’ Callaghan. Todo dia desde que aquele tour começou ela se perguntava porque aquele demônio em forma de gente não morria de uma vez, não se jogava de uma ponte ou algo assim. Ou por que diabos não aparecia um Mark David Chapman para matá-lo, simplesmente. Seria muito menos (potencialmente, magistralmente) perda para a humanidade do que a morte de John Lennon, seguindo o exemplo.
Alice estava perto de John, porém agarrada a outro carinha que tinha rosto de anjo. soltou um joinha para ela, que viu e começou a acenar exageradamente. Antes que chamassem mais atenção, puxou Leto para o outro lado, e eles acabaram de frente ao bar.
- Quer saber?
- Hum?
- Eu não quero nada aqui. – resmungou o mais velho, fazendo bico e dando as costas para o bar.
- Eu quero. – rapidamente chamou o barman. – Uma água, por favor.
Todo aquele vinho havia lhe dado sede. E, é claro, muita vontade de tragar um cigarro.
- Vamos dar uma volta, Jack? – perguntou , com um estranho ar inocente. Mas aquele olhar, aquele jeitinho, Jared conhecia. E também não era à toa que ela havia o chamado de Jack. É claro que não esquecera seu nome.
- É claro, Wendy, minha querida. – respondeu ele com um ar psicopático. Não poderia deixar de perceber que aquela referência feita por era ao filme O Iluminado, o mesmo que serviu de inspiração para o clipe de uma de suas músicas, The Kill.
Ele estava adorando aquela garota, quase como um pedófilo.
Eles saíram da festa para se aventurar pelas ruas de Portland, iluminadas pela madrugada. Estava um pouco escuro e deserto, mas não parecia perigoso. Ou, talvez, quisessem correr o perigo.
A cidade Portland era conhecida pelas flores, e pelos muitos e extensos campos verdes. Era uma cidade limpa, organizada e supostamente segura. Jared e pararam numa pracinha, sentando num banco qualquer. Ainda dava para ver, de longe, as luzes da boate em que se fazia a After Party. Ambos estavam um pouco bêbados; ora, que tipo de pessoa sairia de madrugada pelas ruas de uma cidade desconhecida com risco de fãs os encontrarem e um ataque começar? Não, eles não estavam um pouco bêbados, mas estavam suficientemente bêbados para fazer uma loucura dessas.
pegou na bolsa sua carteira de cigarros, que na verdade era uma pequena caixa metálica com uma estampa de raios do Ziggy Stardust; puxou dali um cigarro e colocou na boca. Antes que pudesse pegar o isqueiro, Jared tirou o cigarro da sua boca e jogou longe.
- Uma moça bonita como você não deveria fumar.
- Finalmente você pareceu mais velho do que aparenta, Leto. – ela riu, um pouco descontrolada por causa do álcool. – Não fuma, tio?
- Não... Também não costumo beber, mas hoje foi uma exceção.
Ela sorriu, sem graça, e virou seu olhar para ele. Demorou um pouco para que ele também a encarasse.
- Nem umzinho?
Jared riu.
- No começo da carreira, vários, mas aí você percebe que esse tipo de coisa só fode com sua vida.
Jared falou mais alguma coisa, mas já estava se concentrando no movimento dos seus lábios, e não no que ele dizia.
- The Kill. – ela disse, do nada.
- Hã?
- Quando eu fui falar com você, e você achou que eu era uma fã qualquer, perguntou-me qual seria a melhor música do álbum. Para mim é The Kill.
- Hum... Por quê?
- Primeiramente pelo clipe. Eu amo O Iluminado, como já deu para perceber, e para mim ainda não há ator para se comparar a Jack Nicholson. – ela sorriu – “Look in my eyes, you’re killing me, killing me!” – cantou um trecho da música, e por mais que estivesse afetada pelo álcool, sua voz saiu no tom certo para surpreender Jared.
- “All I wanted was you” – ele cantou num susurro, aproximando-se da garota.
- Acho que poderíamos iniciar uma conversa com letras de música. – mordeu o lábio inferior, encarando Jared com intensidade. Ele sorriu com o canto da boca. – “Do you wanna touch me?”
Jared não respondeu, colocou a mão pela cintura da menina e a puxou bruscamente para perto de si. Beijou seus lábios depressa, apenas provando o gosto de bebida com brilho labial de morango.
- I’ll attack. – o homem sussurrou no ouvido da mais nova, fazendo-a se arrepiar. Suas mãos de dedos calejados tocaram o pescoço da menina, alisando-o, e seus olhos azuis analisavam a pele fina e jovem. Era assim que ele gostava, de uma pele que parecia virgem, ainda.
havia deixado bem claro que tipo de garota ela era: rebelde, sem escrúpulos e pouco romântica. Quando Shannon perguntou-lhe sobre seus futuros planos sua resposta foi simples: “Não tenho planos futuros. Só quero continuar com minha banda de rock, cantando por aí, aproveitando o máximo da vida.”
Se fosse outra garota, provavelmente diria um sonho romântico, como ter uma vida estável, filhos... Ou ainda, sequer pensar naquele tipo de coisa.
Não havia como negar, ela era o sonho de qualquer cara.
- Afinal, quantos anos você tem, menina ?
- O suficiente. – respondeu, voltando a selar seus lábios nos dele.
Os braços dela arrodearam o pescoço de Leto, trazendo-o para mais perto de si. Era estranho beijar um homem com barba, certamente era a primeira vez que ela beijava um. Fazia cócegas; era diferente, mas ela estava gostando bastante.
Uma das mãos do mais velho foi parar em sua coxa esquerda, apalpando-a.
- Easy, bad boy. – disse-lhe se afastando abruptamente.
Ele não quis discutir, estava com fome dos lábios da garota. Beijou-a novamente, e então colocou as pernas macias dela sobre as suas, deixando-a virada para si. Para Jared, apesar de ela ser uma garota incrível e tudo mais, era apenas mais uma. Claro que seu beijo era sensacional, e que o vai e vém das suas mãos finas de dedos calejados por cordas de guitarra eram sincronizados, ao invés de amadores; mas não haveria nada depois daquilo que a prendesse a ele. Claro que não, ela já havia explicado, era livre como um animal selvagem. De certa forma, aquilo não parecia tão divertido quando ela não estava presa a ele.
O beijo intensificava-se a cada segundo, e as mãos iam ficando cada vez mais inquietas. O pulsar de corações acelerados era impossível de não se aperceber, a excitação era evidente em cada ação praticada por ambos garota e homem.
puxava o cabelo de Jared de modo a quase arrancá-lo, apenas para guiá-lo, mantê-lo numa rédea enquanto mantinha os movimentos com a boca, língua e corpo. Todavia, mantinha o processo em mantê-lo na linha, e não deixa-lo controlar. Ele era mais velho, mais experiente e sem dúvidas mais forte, e eles estavam sozinhos. tinha que ser esperta. Não poderia deixar nada além de amassos acontecerem ali. Além do mais, aquilo era tudo que ela tinha em mente para Jared Leto... Ainda.
Entre beijos e conversas sussurradas, os dois se deixaram levar pelo cansaço. Assim que o primeiro raio de sol iluminou o dia, foram em passos preguiçosos de volta ao local da festa, onde se despediram e pegou um táxi de volta ao hotel onde se hospedava. Sabia que teria um turbilhão de perguntas a responder quando voltasse, mas fez um pacto consigo mesma: ia manter voto de silêncio até que descansasse o suficiente para ter paciência e responder tudo. E foi exatamente isso que fez.
Chegando ao quarto do hotel, tirou a roupa, mantendo apenas a calcinha, e colocou uma camisa de algodão qualquer. Deu graças a qualquer divindade que pudesse existir que ainda estivesse no décimo oitavo sono, e realmente parecia uma múmia em sua tumba. se jogou na confortável cama e apagou completamente.
- Bom dia, bom dia, boooooom dia! – ouviu a voz de acordá-la, no nível máximo da irritância. O vinho do dia anterior havia feito-a sentir-se com um pouco de ressaca. A cabeça doía levemente, e o corpo parecia quebrado. Arrependeu-se de usar saltos no dia anterior. Os músculos da panturrilha doíam, quase como se tivessem dado nó.
- Porra, que horas são? – resmungou , colocando o travesseiro sobre a cabeça.
- São 11 horas, minha divina . E hoje é dia de acordar com minha preferida... – colocou seu iPod nano, recém-lançado, no iLuv compartilhado.
(right on time.) Old-Fashion men always want a mistress
(You were right,) Modern girls always get their way
A música era Post Modern Girls, dos Strokes com Regina Spektor. Sempre quando fazia isso, de colocar uma música para “acordar”, a música ficava na cabeça o dia todo e as duas não paravam nunca de cantarolar.
- Porra, , só mais cinco minutinhos! – resmungou mais uma vez, enrolando-se ainda mais aos lençóis.
- Bem, eu estou quase pronta. Você está um caco e nós vamos sair pra almoçar e depois fazer checagem de som. – deu de ombros, cantarolando a música que tocava e voltando a se arrumar.
estava de bom humor. Tinha seus cabelos alisados, não usava maquiagem e vestia um bom jeans. Na parte de cima vestia apenas o sutiã, e parecia estar em dúvida entre a blusa de alcinha preta e a bordô. Logo houveram batidas na porta, e Alice e Nina entraram animadas no quarto. Era impossível para ter seus cinco minutinhos a mais. Principalmente depois que Alice, a pluma, começou a pular na cama para que acordasse, e Nina não parasse de tagarelar sobre a noite anterior.
levantou com ódio de tudo e todos. Esfregou os olhos com força, tentando tirar resquícios de remela e ajeitar os cabelos (ou seria juba?) para trás. Respirou fundo e olho para as meninas, irritada.
- Nem cinco minutos. – procurou uma calcinha e sutiã na grande mala preta – é insuportável.
- Ihh... Tá de bode! – riu Nina.
- Vai se foder. – resmungou , trancando-se no banheiro.
Olhou o próprio reflexo no espelho, notando algumas olheiras pelas poucas horas de sono. Despiu-se rapidamente para tomar uma ducha. Aos poucos sua mente voltava a funcionar, e tudo que acontecera na noite anterior era passado em flashes de imagens retorcidas. Jared Leto. Ela conseguira. Fisgara-o. Um sorriso lançou-se em seus lábios.
(I'm your son) Everyone has the same opinion
(Won't you please) Your time is almost over
(Don't be mean.) We won't get the chance to do this over.
(That's alright.) That's alright
O banho foi delicioso. Não porque a água estava na temperatura certa, ou porque o sabonete do hotel eram realmente cheiroso e bem generoso, mas porque os pensamentos de naquele momento iam e vinham em apenas um homem, que nada tinha de ordinário. Leto. O sensacional e lindíssimo Leto.
Ao finalizar o banho, vestiu-se com as roupas íntimas que havia reservado. Escovou os dentes e passou um rápido adstringente no rosto para limpar resquícios de maquiagem. Saiu do banheiro com um sorriso que suas amigas e companheiras de banda não tardaram a reconhecer.
- Conte tudo e não esconda nada! – disse Alice, apontando para como se ela fosse culpada por um crime hediondo.
riu, pegando em sua mala um vestidinho branco de pano mole, que na frente tinha os dizeres “I fucked Mick Jagger”.
- Conseguir falar com Jared, foi fácil. – disse , vestindo-se.
- Como foi? – perguntou uma curiosa – Conte os detalhes, kinky!
- Disse ser uma fã, mas me portei bem cool. Sabe, fazendo piadinha. Daqui a pouco eu estava, simplesmente, amiguinha dele, do Shannon, e até daquele fotógrafo legal, o Terry Richardson.
- Para tudo! – interrompeu Nina – Você conheceu o Terry?
- Sim.
- Vê se morre, sortuda. – a andrógina mostrou o dedo do meio.
- Ele é bem legal. E até me deu o cartão dele. – foi até o bolo de roupas do dia anterior, jogados em algum canto do quarto. Pegou a bolsa e mostrou o cartão às meninas.
- Muito bem, senhorita , fazendo contatos. Gostei de ver. – disse Nina, aprovando o cartão de Terry Richardson.
As meninas da banda trocaram experiências do dia anterior. Alice disse que no final das contas acabou como enfermeira, tendo que ajudar Kennedy e Jared (o Mônaco) que ficaram bêbados demais. Nina falhou na conquista da morena gostosona, mas ao menos descobriu seu nome – Heather – e conseguiu trocar telefones. Só não ficou sozinha porque encontrou Ali e Kennedy de última hora, e conseguiu dar uns amassos antes que ele ficasse bêbado demais.
Depois da troca de experiências e de e estarem prontas, as The R!ot saíram do quarto à procura de Tim, Sue e do The Maine. Já era meio-dia e meia.
Andaram meio sem rumo pelo Hotel, até encontrar todo mundo na área da piscina, arrumados para sair. Por algum motivo desconhecido, Jared e John portavam violões em capas pretas e postos nas costas. Cumprimentos foram feitos rapidamente, e uma animada Sue fez questão de perguntar à , Ali e Nina, como foi na festa do dia anterior.
- Maravilhoso, Sue! – disse , que agora já estava acordada e mais alegre.
- Maravilhoso para ela que não levou um toco e ainda pegou o Jared Leto. – disse Nina fazendo bico.
- VOCÊ O QUÊ?! – ouviram-se várias vozes perguntando a mesma coisa, mas não sabia-se distinguir quem falou alguma coisa e quem simplesmente arregalou os olhos.
deu de ombros com um sorrisinho nos lábios.
- Não foi nada demais. Só nos pegamos rapidamente. E... – deu uma pausa – Sue, Shannon disse que você era uma barbie assassina e que ele estava louco para te cumprimentar.
- Foda-se o Shannon, aquele Sobrancelha Maldita. VOCÊ PEGOU O JARED, MENINA? – Sue estava realmente impressionada, aquele era um troféu e tanto que exibia.
- Sim – sorriu descarada a vocalista da The R!ot. Ela procurava nos rostos próximos as reações boquiabertas. Porém, o que não esperava é que aquela pessoa, exatamente aquela pessoa, não estivesse sequer surpresa. John tinha suas expressões faciais relaxadas, e olhava para ela com certa reprovação, como quem dizia “Isso é tão previsível vindo de você”.
Aquela era a reação mais sem cabimento que já presenciara. Ora bolas, era tinha ficado com o esplêndido Jared Leto! Será que John não poderia se portar como uma pessoa normal?
O que ninguém realmente esperava era que John estava premeditando o futuro, aquilo seria previsível... Espera. Não podemos chegar a esse ponto da história tão rápido. Voltaremos ao que está acontecendo: Estão todos realmente assustados com a capacidade de sedução de . Isso porque, apesar de não estar ciente, no dia anterior John havia mostrado a foto da turma da 5ª série, e uma pequena de cabelo de gel, uniforme bem passado e rosto de bochechas enormes - estava de braços cruzados ao lado do professor. O que as pessoas – Tim, Kennedy, Jared, Pat e Garrett – se impressionavam, é que aquela garota havia se tornado uma conquistadora.
Além do mais, Jared Leto era conhecido também pelas suas namoradas realmente adoráveis: Cameron Diaz, Scarlett Johansson, Britney Spears... Eram nomes de peso. Se alguém, naquele momento oportuno, tivesse tirado uma foto e feito um pouco de pesquisa, o nome de pularia de revista em revista e logo ela seria conhecida, e a banda ia ganhando espaço também. Seria um golpe feito sem querer. Isso porque não foi com essa intenção que foi atrás de Leto, ela apenas queria o desafio de conquistá-lo, e, é claro, uma boa companhia.
- Você é foda, amiga, sabe disso né? – disse postando-se ao lado de , colocando uma mão sobre seu ombro.
- Sempre soube. – Ela sorriu, e tirou a mão da amiga de seu ombro imperceptivelmente.
- Ok cambada, hora de almoçar. Vamos comer num restaurante por quilo aqui perto mesmo, vamos andando!
Resmungos.
atrasou o passo e esperou todos passassem. John era o último, o mais lento, e parecia cansado. Ele usava jeans e uma camiseta colorida, mostrando os braços magros porém de bons músculos.
- Você não pareceu surpreso... – ela comentou um pouco tímida. A altura dele era intimidadora, agora ela percebia.
- Eu sabia que você arranjaria um jeito de fazer ciúmes em mim. – ele sorriu convencido, dando de ombros.
- Isso só funcionaria se houvesse sentimento entre nós dois. – ela piscou, acelerando o passo.
Ele a acompanhou. Já estavam no saguão do hotel, quase no portão de saída.
- E não há? – ele perguntou com certa malícia.
- Não.
Ele a puxou pelo braço, com força, fazendo-a encarar seu rosto. John usava óculos escuros wayfarer, que eram perfeitos para o formato do seu rosto.
- Você é desprezível, John Oh. – riu com deboche – Eu te odeio. Odeio.
- E olha aí, um sentimento realmente adorável! – John se abaixou um pouco para chegar perto do ouvido da garota roqueira e sussurrou - Queria ver todo esse ódio na cama.
- Vou te por na minha lista. Quem sabe na próxima encarnação você consegue alguma coisa comigo, magrelo.
Ele a soltou, e um silêncio permaneceu. Os outros já haviam se afastado. Voltaram a andar com passos mais rápidos saindo do Hotel e avistando os outros já caminhando pelas ruas de Portland.
- Um dia você vai ficar velha, e não terá esse poder de sedução. E isso tudo vai apenas te destruir.
sabia que o que John havia comentado era verdade, mas deu de ombros. Ela era uma roqueira, tinha de viver o agora sem pensar no amanhã. Seize the day, diria o Avenged Sevenfold. Mas não estava dando a mínima, não naquele momento. Naquele momento ela ainda estava ventilando, e o toque de Jared Leto ainda era sentido na sua pele clara.
- A música é The Way We Talk. E a garota é você. – disse John por fim, afastando-se.
, é claro, não entendera nada do que ele dissera naquele momento, e deu de ombros.
O grupo almoçou entre conversas animadas, cigarros e risadas exageradas. Mais tarde voltaram para o hotel, se arrumaram, e partiram para o local do show. A checagem de som do The Maine foi a primeira, e as garotas sentaram-se no chão de onde seria a “pista”. Estavam vestidas normalmente, na verdade, nem trocaram a roupa que foram almoçar mais cedo. Portanto, estava com seu vestido de algodão claro, que aderia a suas curvas, e uma jaqueta de couro bege. Fumava um cigarro e conversava besteiras com as meninas ao seu lado.
O The Maine estava no palco, já haviam passado algumas músicas. Houve uma parada em que John pegou o violão e Pat foi descansar um pouco. Era uma acústica, coisa que eles não tinham feito nos shows anteriores.
- This song is called The Way we Talk. – avisou John ao microfone, pedindo para aumentá-lo um pouco mais.
O nome da música chamou a atenção de , que ignorou a tagarelice das bandmates para prestar atenção na pessoa à sua frente. John olhava diretamente para ela, com um olhar que parecia rasgá-la no meio. Era um magrelo de força extraordinária nos olhos. Ele olhou para Kennedy e Garrett, e Jared deu a batida para começar.
She'll be the death of you,
Seduction leads to destruction.
She's fresh to death,
She'll be the death of me,
She's fresh, she's fresh, but not so clean.
Sedução leva à destruição. repetiu a frase na sua mente duas vezes, mas a única destruição que poderia remeter-se não era aquela que John mencionara, e sim a destruição que ela causaria em um ambiente. Não. Talvez seu ego estivesse inflado demais.
She's got em' in a craze,
Yeah I think he's going crazy.
When she speaks it makes me grind my teeth,
Yet he still thinks she's amazing.
And she's been playing games
, Ever since 98'
“Quando ela fala me faz ranger os dentes.”, processava os versos... Aquela música foi feita para ela? Será que ele tinha se dado ao trabalho? E olha só, até agora só falava bem. foi a primeira a notar algo diferente rolando, e deu uma cotovelada em . Mas ela estava aérea, e completamente focada nos versos daquela música.
Some people never change.
She's so fine,
She's thinks she's so damn fine.
She might be fine,
But she ain't worth a second of your time.
- Como assim não valho? Eu faço valer a pena cada décimo de segundo! – deixou escapar o comentário. As suas bandmates perceberam na hora. Aquela era a música de John para .
And you're as weak as the hearts you break.
You're as fake as the moans you make,
So just give us.
Give us a little break.
C'mon give me a break
- Eu já entendi tudo. – disse Alice baixinho.
- Nós também. – disseram Nina e em uníssono.
continuava focada, e não tirava os olhos do palco.
And your sex cells make all the lost boys drool.
Cause you're a dime,
But they'll have to wait in line,
Until one of them makes it two of you.
Cute face slim waist,
You still got em' in a craze,
Yeah I think I'm going crazy.
I have a long list of things to say,
But I'll leave it at,
You amaze me.
{...}
- Eu quero que ele se foda, isso sim. – resmungou . – Vai ter volta.
É claro que teria volta, ou a música não existiria. Mas não pretendia criar algo para John... Não, ela não se rebaixaria. Jamais ia perder tempo com um cara que dizia que "she ain’t worth a second of your time". Ele era quem não valia nada. E ela já tinha em mente qual seria música-resposta.
O que seria dos sentimentos sem a música? O que seria da música sem os sentimentos? O que seria da vingança, sem trilha sonora?
Rebel Girl, you are the queen of my world
Amanheceu um belo dia em Portland enquanto o tour bus partia, com integrantes de duas bandas completamente nocauteados pelo cansaço, ainda dois empresários e um não tão simpático motorista.
Os adolescentes estavam espalhados pelos beliches, cada um aparentando pior do que o outro. Para aquele ponto da viagem, não haveria como arranjar um fisioterapeuta para curar todas as dores nos corpos jovens, então a teoria era se drogar até sentir o corpo formigar. E era exatamente isso o que eles haviam feito na noite passada, durante e depois do show. Também tinha a dor que vinha de unhas afiadas de fãs fincando em suas peles, desesperadas, tudo para conseguir sua atenção. Além das espalmadas de mãos, apertos, abraços exagerados. Eles estavam começando a crescer, de verdade.
Os dois empresários, porém, ainda estavam acordados. Acordar as "crianças" tinha dado trabalho suficiente para que acabassem sentindo-se despertos demais para voltar a dormir. Sue Levin e Tim Kirch liam em silêncio, cada um em seu colchão, extremamente reservados.
Ela lia "Bowie", a biografia por Marc Spitz. Ele, por sua vez, lia a última edição da Rolling Stone.
- Qual você acha que vai ser o futuro deles? – perguntou Tim, de repente, irrompendo o silêncio. – Às vezes acho que jamais conseguirei colocar eles numa capa dessas.
Tim mostrou a capa da revista, que mostrava a cantora pop Rihanna.
- Você está falando de quem? The Maine ou The R!ot? – perguntou Sue, arqueando uma das sobrancelhas claras.
- As duas bandas.
- As meninas nasceram pra isso. – afirmou Sue, com uma certeza irrevogável. – Quanto a eles... Bem, talvez consigam ser bem conhecidos no estilo que tocam, mas acho difícil que, por exemplo, estampem uma capa. Talvez consigam uma matéria no auge do sucesso.
Sue estava extremamente convicta de suas palavras, quase como estivesse ditando uma profecia. Mas Tim tinha suas dúvidas.
- Eu concordo, também vejo muito futuro nas meninas, mas... Mas não sei se elas são fortes emocionalmente. Não o suficiente.
Sue pareceu pensar por um minuto. Suspirou e deu de ombros.
- Talvez, mas eu estou apostando minha carreira nelas. Elas sabem o que querem.
- É. – suspirou Tim – Mas os garotos... Eles tem uma energia positiva, uma alegria contagiante.
- E muito americana. Não acho que é isso que as pessoas estão procurando no mundo da música. Eles querem algo internacional.
- E desde quando The R!ot seria internacional?
- Desde quando sexo é internacional, poder feminino é internacional, e inteligência é irrevogavelmente internacional. E isso, meu caro, isso é The R!ot.
Tim rolou os olhos. Sue valorizava demais aquelas meninas rebeldes e meio maltrapilhas. Não que ele as tivesse desvalorizando, mas tinha certeza que um colapso psicológico em qualquer uma delas acabaria com a banda; coisa que jamais aconteceria com o The Maine. A verdade era que ambas as bandas eram extremamente talentosas, e apesar de diferentes, poderiam assegurar um bom futuro... Mas será que o mercado tinha lugar para as duas?
O silêncio voltou a prevalecer. Tim e Sue não queriam mais discutir em algo que não chegaria em lugar algum. Apenas o tempo saberia dizer qual a banda que realmente teria "O sucesso". Aquele sucesso que todos os empresários desejam para os grupos que investiam.
No tour bus havia apenas o som de páginas sendo viradas, do remexer das coisas devido à velocidade do transporte ou de um buraco na pista; às vezes ouvia-se um ronco, um rosnado ou palavras resmungadas, mais além, o mais belo tipo de música: silêncio.
Seattle, WA
’s plugged in
Eu acordei clamando por aspirina. E a nota mental borbulhava na minha cabeça: Não se drogue até não sentir mais nada, depois você sente tudo.
A verdade é essa: Não tem nada que você faça que não venha com alguma consequência.
O resultado da quantidade de maconha que eu e os outros fumamos ontem, mais a cocaína que Michael nos arranjara – e eu sei que ele vai pedir algo em troca hoje, e para mim – ontem, acabou nocauteando até mesmo a girafa mor do John. Estávamos destruídos, mas pelo menos o bagulho era do bom. Nós nunca nos arriscávamos em drogas mais pesadas do que essas, até mais porque a ideia era deixar de usá-las assim que percebêssemos que não éramos feitos do mesmo material que Keith Richards.
Ninguém tinha dormido praticamente nada depois de termos sido jogados no ônibus. Fora apenas uma soneca. No relógio do pequeno microondas na pseudo-cozinha, apontavam 7 horas da manhã. Eu só ouvia vozes femininas pelo ônibus. Os garotos talvez resmungavam muito baixo por não terem conseguido dormir, ou estavam se estirando pelos cantos.
A viagem de Portland para Seattle era de mais ou menos 3 horas, contando com trânsito. Talvez meia hora a mais... ou a menos. Tudo dependia do trânsito na I-5 Sul.
Sue parecia estar preparada para tudo, porque quando eu abri a boca pra dizer alguma coisa, ela jogou uma aspirina na minha cabeça e disse pra eu tomar logo e vir conversar com ela. É, ela realmente estava começando a tomar as rédeas da coisa, por mais que Tim ainda estivesse presente. Era como se fosse um tour com dois empresários e duas bandas, algo completamente sem noção, se você for do ramo musical. Mas tinha que ser assim para nós. Sue tinha os melhores contatos para a The R!ot, e Tim conseguia tudo para os certinhos do The Maine.
Eu tomei meu remédio rapidamente, e então voltei para Sue. Ela estava sentada no sofá do andar de cima, e parecia que eu era a única faltando para a pequena reunião prestes a acontecer. Alice, Nina e estavam sentadas perto de Sue, com seus pijamas engraçadinhos. Fiquei no exato espaço entre Nina e , preferindo apoiar minha cabeça cansada no ombro de , apesar de ela se mexer mais; Nina era meio ossuda, não era muito confortável. . – pedi, tentando me ajeitar no seu ombro.
- Ah! Não consigo, não consigo, não consigo... – ela disse rápido demais – Acho melhor você deitar no meu colo, ma friend.
- Opa vocês duas! – Sue chamou nossa atenção, com um ar autoritário – Fiquem sentadas e quietas, pelo amor de Deus. Preciso comunicar e perguntar algumas coisas a vocês.
- Boo! – reclamei, sentando do pior jeito possível. As meninas riam da minha cara, eu realmente deveria estar um caco.
- Então, temos alguns assuntos a tratar. O primeiro é com a banda toda: Vocês precisam aumentar a setlist. Estão tocando apenas 13 músicas. Ou seja, é bom que comecem a compor mais, até lá, aumentem a setlist com covers e Medleys.
Todas concordaram com a cabeça, e assim iniciou-se uma pequena reunião. Sue tinha um pequeno bloco de notas na mão, e por ali parecia se guiar em diversos e muitos tópicos. Ela tinha realmente prestado atenção em nós, e ao nosso estilo. Reconhecia o nosso poder no palco, o sentimento nas músicas, e até o jeito às vezes muito adolescente de ser. Mas ela sabia, do fundo do coração, que roqueiras como nós dificilmente deixaríamos de ser terrivelmente infantis e brincalhonas. No entanto, ela não tardou a puxar nossas orelhas.
- Sei que vocês acham legal, mas eu não vou me divertir tirando pirralha da prisão por porte ilegal de drogas. Então sejam sempre discretas.
- Como assim discretas? – perguntou , indignada – Você quer que a gente finja que não está viajando, é isso?
- Não, mongoloide. – Alice bateu na testa dela, fazendo eu, Nina e Sue rirmos. – Ela quer que a gente não mencione que a gente usa para os outros.
- Obrigada, meu Pai, alguém inteligente na banda. – disse Sue, agradecendo aos céus como uma crente maluca. Ri baixinho.
- É isso mesmo, sou a mais inteligente. – Alice jogou os cabelos.
- A inteligente que mais fode os neurônios com erva! – rebateu.
- Aí fala a aberração da natureza – brincou Ali –, que queima os neurônios que não existem.
Nós cinco caímos na risada, até mesmo , porque ela achava graça das outras. Na verdade, não era burra, e sim tapada. Ela tinha déficit de atenção e hiperatividade, então demorava muito para que processasse uma informação. No entanto, tinham certas coisas que era o cúmulo da sabedoria. Por exemplo, ela era amante do cinema e cultura inútil. Você podia perguntar qual o primeiro filme do Alfred Hitchcock e ela saberia te dizer quem atuou no filme, quando ele foi lançado e como foi recebido pelo público. A gente não pode dizer que uma pessoa dessas é burra, só pode ser tapada mesmo!
- Alice hoje tá demais – disse Nina rindo ainda –, saiu do casulo.
- Sou uma borboleta agora! – Alice fez gracinha. Eu me mantive em silêncio, apenas assistindo-as. Minha cabeça ainda doía, e eu ainda sentia sono e muito cansaço.
- Borboleta desgrenhada. – bagunçou o cabelo da pequena Ali, mas antes começassem uma briga/brincadeira, Sue se jogou entre elas rindo.
- Vamos parar por aqui que eu tenho um último tópico, e esse é tenso.
- Fodeu. – deixei minha voz um pouco rouca escapar. Sue olhou pra mim e fez uma careta estranha. Ela estava deitada, até então, entre Alice e . Levantou-se e afastou as meninas, sentando-se ao meu lado.
- Na verdade, são duas coisas. – disse Sue, num suspiro – A primeira é que sim, eu vou puxar e muito a orelha de vocês. Se o que esperavam com essa carreira era liberdade, vocês só vão ter em certa parte, pelo menos até o momento em que eu as faça verdadeiras deusas do rock. – um sorriso iluminou os lábios das meninas, incluindo os meus. Se realmente conseguíssemos essa façanha... – Até aí, vocês precisam estar de acordo. Ao final desse tour assinarão contrato comigo, ou poderão escolher outra pessoa.
- O Tim? – perguntou uma Alice esperançosa, que para o meu gosto tinha amor demais para o mais velho dos Kirch.
- Suponho que de acordo com o contrato assinado, ou vocês me teriam ou poderiam escolher outra pessoa de acordo também com os termos da Fearless. Afinal, eles investiram em vocês, querem que vocês consigam o máximo possível de fãs e...
- ... E de dinheiro. – completei, rolando os olhos.
- Sim, , de dinheiro também. Mas eu quero lhes dizer de antemão que não vai ser tão fácil assim, a jornada até o sucesso.
- Blábláblá – cortou Nina, agoniada – Fala logo o que você quer dizer.
- Bem... Não é nada demais. – Sue colocou uma mecha do cabelo platinado para trás. – Na verdade, eu só preciso saber mais sobre vocês, digo, sobre sua vida pessoal. Família, amigos, essas coisas...
- Tempo. – respondi, levantando, mas logo sendo puxada pela sua mão pequena de volta para baixo. – Eu não vou parar agora e lhe dizer sobre minha vida, você vai descobrir com o tempo.
- Então você vai acabar se tornando uma rockstar quando tiver quarentona, ou cinquentona, quem sabe! Tempo é algo que nós não temos.
Tanto eu quanto , Nina e Alice estávamos confusas. Como assim garotas de 17 a 20 anos de idade não tem tempo? A gente tem quase uma eternidade!
- Esperem aqui. – disse Susan, levantando-se e indo até o local onde dormia, para procurar algo na sua bolsa violeta. Eu podia vê-la de longe, e tentava, com sua imagem na cabeça, descobrir o que diabos se passava em sua mente. Que porra Susan estava pensando? Será que não já era demais ela simplesmente tomar o posto de nosso empresário e começar a dizer que vai mandar na gente até odiá-la? Que seria árduo, difícil, tudo isso nós já sabíamos.
O primeiro olhar que encontrei foi o de . A garota na banda com quem eu era mais próxima, a que sabia de todos os meus segredos, a que sabia da minha vida inteira de um jeito que Nina e Alice ainda não puderam descobrir. Isso porque, para Nina e Ali, eu prefiro manter uma outra pose, essa um pouco menos destruída por dentro que a minha verdadeira. mantinha os olhos cor de mel impassíveis, e confusos. Ela mordeu o lábio inferior, mostrando dúvida, e eu fiz o mesmo em resposta. Logo depois, passei o meu olhar a Nina, que roía as unhas de cenho franzido e com o olhar distante. Suspirei e encarei Alice, que parecia estar procurando os meus olhos há tempos, ela era quem mais sofria com a mudança Tim – Susan. Tim era muito mais relapso, e jamais quis saber sobre nossa vida pessoal, ou de coisinhas como o tamanho da setlist. Também, e pra que ele iria querer saber esses problemas diminutos? Produzíamos boa música e isso era o que importava... Não era?
- Voltei. – disse Susan, sentando ao meu lado. Dei de ombros para Alice, fazendo que não entendia também o que estava acontecendo.
Susan tinha nas mãos um caderno violeta (pra variar) com os escritos "The R!ot rise". Quando ela finalmente o abriu, o número de anotações me assustou. Tinham coisas anexadas, papéis, recortes, números, gráficos... Eu nunca tinha visto nada assim. Ela tinha programado o mundo para nós.
Enquanto Susan virava as páginas, sem dizer uma palavra, eu e as meninas compartilhávamos olhares surpresos e ao mesmo tempo ansiosos. Aquilo parecia maravilhoso!
- Aqui, vamos achar o tour com o The Maine. – Susan passou rápido as páginas, até onde um folheto da passagem das duas bandas em Los Angeles estava anexado com um clipe.
No folheto, a cara de John estava riscada, com um círculo na sua cara e uma seta que apontava para uma pequena anotação: ’s?
- O que porra meu nome tá fazendo com a cara do John? – perguntei já rangendo os dentes.
Ninguém sequer protestou. Susan apenas sorriu e passou a página, mostrando mais de suas anotações. Havia coisas sobre redes sociais, sobre o que devíamos construir, sobre as imagens que deveríamos passar ao público. Sue passava as páginas devagar, enquanto eu e as meninas surtávamos com algumas das expectativas que ela tinha sobre nós. Especialmente quando, de repente, quando uma página abriu como um álbum. Tinha uma foto de cada uma de nós da banda recortada e colada com durex fajuto. Ao lado, definições.
- Pode ler? – perguntou a Sue, que assentiu com a cabeça.
- Nina Johnson. – soou a voz de , arrastada e risonha – Andrógina, sensual, poderosa. Poison Ivy. Traiçoeira no amor e leal apenas à sua guitarra.
Gargalhamos. Era quase como se fôssemos produtos a serem vendidos, aliás, éramos produtos naquele caso, e aquele era o slogan de cada integrante da banda.
- Alice Moore – continuou – A mais inteligente escondida sob pele de anjo. Sensitiva, hipnotizante. Ange et Démon.
- Como você sabe que sou a mais inteligente? – perguntou Alice a Sue.
- Você é a única na banda que pensa antes de falar.
- EI! – exclamei – eu penso também.
- Só quando quer se vingar, mas nunca as coisas acontecem como planejado, certo? – respondeu Sue com uma pergunta, numa calma impassível.
Eu arregalei os olhos.
- Você sabe mais de mim do que eu. – disse assustada - Mas ainda assim sustento a afirmação de que penso antes de falar, e penso até demais.
- Talvez você pense, , mas só nas consequências superficiais. Você enxerga as coisas de um modo geral ou muito exagerado. – antes que eu pudesse resmungar, Sue completou seu pensamento – Mas eu gosto muito disso em você. Te faz mais selvagem e...
- Porra , ce tá fodendo com a ordem das coisas. – disse uma irritada, tomando o caderno de Sue para si. – Wolf.
Dei um risinho baixo, ficando enfim quieta.
- Wolf. – repetiu , gostando da sonoridade do seu nome. – Eletricidade. O abdômen mais bonito visto na face terrestre, e ela não consegue parar de batucar um minuto. Ela é a bateria da The R!ot, literalmente.
Enquanto eu, Alice e Nina suprimíamos risos, suspirou.
- Sou foda. – afirmou. – Vocês não são nada sem mim.
- Poderíamos te vender no mercado negro. Seríamos ricas, pelo menos. – riu Nina, ridicularizando.
fez-se de ofendida, fazendo um bico enorme.
- Não te trocaríamos pela fortuna do mais rico homem da Terra, , não precisa fazer bico. – eu disse, arqueando uma sobrancelha.
- Tá, tá. Chatas, malditas, não sei como vou aguentar vocês até me tornar uma milionária com dois maridos. – resmungou , enquanto ríamos, e antes que uma de nós revidasse, ela leu meu nome. – .
- Espera! – interrompeu Nina – essa eu sei. – limpou a garganta, enquanto nós olhávamos atenciosas para ela. – Super bitch, amante do John O' Callaghan, bochechuda da mamãe. Tem taras por microfones, o que dá pra perceber quando ela começa a mexer demais a língua durante a apresentação. Sinceramente, tomando voz – , born to be bad. Olhos de gata e voz que mais parecem garras. Um trunfo rebelde das The R!ot. A líder, sedutora e misteriosa.
- Own Sue, amei nossas definições. – disse Alice, abraçando-a de repente.
- Que bom. Agora eu espero que vocês façam essas definições valerem. – respondeu Sue.
- Ou seja, vou fazer mais abdominais. – disse se levantando e mostrando o abdômen definido. – Mas antes disso, eu estou com fome.
- Você acabou de comer, ! – disse Alice, indignada, e se levantando também.
- Pensar me dá fome, vou procurar biscoito.
Logo todas nos dispersamos, de forma que eu acabei voltando para a cama com o meu violão, Jack, e dedilhando coisas sem sentido. Susan pareceu não querer tocar no assunto "vida pessoal" pelo resto do dia, e também se fechou um pouco em seu mundinho. No máximo conversava um pouco com um dos meninos – Jared era o seu favorito – ou com , que a animava. Aliás, animava todo mundo.
Peguei a minha caderneta de letras, e pouco saía da minha mente.
Rebeldia. Era isso que eu passava para os outros: rebeldia e sensualidade. Eu tinha que passar isso. Mas era tão ridículo, como se cada pessoa quisesse algo diferente de mim. As meninas demandavam originalidade, Sue a rebeldia, meus pais a responsabilidade... Eu não conseguia conciliar aquilo tudo. E John, eu precisava cantar-lhe a música que viera a minha cabeça quando ele me dedicara The Way We Talk. O que eu tinha pensado? Na música de uma cantora canadense chamada Avril Lavigne, Unwanted. O refrão da música era perfeito, mas todo o resto não conseguia ir ao meu favor.
You won’t talk to me
It hurts.
Não, não, de maneira alguma. Não doía, se doesse ele estava certo e eu sentia algo por ele. Não podia cantar Unwanted. Joguei Jack, o violão – e sim, ele tem nome, é quase gente e foi o meu primeiro violão – ao meu lado na cama e cruzei as pernas, colocando a caderneta sobre um dos joelhos.
O ritmo vinha à minha cabeça como algo que começava e parava. Fechei os olhos, puxando a caneta, e levando à caderneta sem sequer olhar para o papel; e escrevi. Logo abri os olhos e percebi que o brainstorming não parava, eu não conseguia pará-lo de maneira alguma. Nada mais existia, só eu, a caderneta, e Jack ao meu lado, para encontrar os acordes certos. Li diversas vezes as lyrics, e eu estava descumprindo uma promessa interna, de não escrever uma música em resposta para John. Por mais que não fosse de forma TÃO direta assim. Antes que eu pudesse sequer revisar o que havia escrito e repassar tudo com Jack, o ônibus pareceu diminuir a velocidade, fazendo uma curva, e enfim parando. Guardei Jack na capa e vesti uma roupa decente. Se não havíamos chegado, iríamos aproveitar a parada para almoçar. E eu me lembrava, só agora, que não havia comido nada. Meu estômago roncava.
Desci no tour bus, e vi os outros saindo em fila indiana.
- ! Eu percebi que você estava compondo e não te chamei... – disse , saindo da fila para me abraçar de lado. Abracei-a de volta, bagunçando seus cabelos.
- É, eu quero mostrar depois o que eu fiz, tá ficando fodástico.
- Bombástico. – disse rindo.
Saímos do tour bus. À frente, Alice e Nina se misturavam ao The Maine, e Sue e Tim guiavam o grupo até a loja de conveniência. Percebi que estávamos num posto de gasolina. O ônibus, atrás de nós, estava sendo abastecido, e todos haviam saído de lá. Até mesmo o nada simpático Senhor Diggins, que era um velho maldito muito bom no volante e amante dos Guns N' Roses.
- O que vamos jantar hoje? Comida congelada ou sanduíche? – perguntei desanimada, enquanto entrava na pequena Loja de Conveniências.
- Vida de rockstar pobre é foda, vou te dizer...
estava no mesmo desânimo que eu. Ambas estávamos irritadas com a falta de uma comida decente. Mas assim seria durante todo o tour, e nos próximos também. Sempre seria assim, comida ruim, aliás, pelo menos até quando fôssemos ricas o suficiente para ter uma cozinha que se preze no tour bus. Porque a do nosso só dava pra lavar objetos pequenos na pia e guardar biscoitos, petiscos e guloseimas nos armários. O frigobar só tinha bebida alcóolica e água. Nada além disso... A não ser que comprássemos numa loja de conveniência, como essa que acabamos de entrar. Pelo menos tinha lugar para alguma coisa, e nós poderíamos viajar fazendo alguma coisa.
Como esperado, eu e acabamos por escolher comida congelada como almoço, uma lasanha, coisa que a gente sempre comia. Os outros preferiam sanduíches, hot-dogs ou, no caso de Alice, Cup Noodles. Ela era apaixonada por aquela coisa nojenta.
Peguei também mais petiscos para levar, na verdade pra comer no Hotel, e Sue nos conseguiu mais bebidas. Apenas ela e Tim eram maiores de 21. Nina tinha 20, era a mais velha; Jared, John, eu, Kennedy e tínhamos 18; e Pat, Garrett e Alice tinham completado seus 17 anos. E Michael, é claro, tinha 19. Muito novinhos para tanto rock n' roll, mas quem se importa? Isso era parte do rock n' roll. Imaturidade, jovialidade, excesso.
Assisti aos meninos colocarem camisinhas nas suas sacolas de compras, não deixando de rir baixinho e fazer comentários maldosos com .
- Eles devem usar isso pra se proteger da chuva. – brinquei. – Pat mesmo deve ser virgem... – aumentei o tom de voz – Não é Pat?
- Hã!? – Pat disse, enquanto passava suas compras. Eu fiz cara pra ele não me desmentir. – É verdade, é verdade.
Pat respondeu sem nem ao mesmo saberm do que estava falando. E eu era a virgem mais troll de toda a face terrestre. Afinal, eu ridicularizava os meus iguais. E que ridículo era dizer isso! Lista de coisas a fazer: Romper o hímen.
gargalhava ao meu lado, e logo fora a nossa vez de passarmos nossas compras. Peguei do mostruário uma camisinha também, e coloquei. Antes que falasse qualquer coisa, eu resmunguei algo como "em caso de emergência" e apontei para John. Sério, vai que ele resolve me drogar de novo? Bem, eu sabia que isso não iria acontecer, mas era bom usar essa desculpa e me fingir de vítima. Uma vítima que se vingou por algo que não aconteceu – que ele me drogou era verdade, mas sobre ter se aproveitado... Não foi exatamente como eu imaginei.
Reunimos todos novamente no tour bus, ficando todos no andar de baixo onde tinha sofás suficientes para todos sentarmos. Espalhamos as compras pela mesa, e sons de garrafas se abrindo, talheres e copos se tocando logo começaram. Também aquela coisa de "almoço de família" em que todo mundo resolve não calar a boca. Vi quando Tim se afastou e colocou um CD para tocar no estéreo, algo bem relaxante, na verdade; um pouco do velho e bom Jazz & Blues no vocal clássico da Billie Holliday. Música de qualidade impecável. Bati palmas e dei gritinhos para comemorar o bom gosto.
Blue moon, you saw me standing alone
Without a dream in my heart
Without a love of my own
Entrei na fila para esquentar minha lasanha no microondas. Apenas alguns de nós já haviam esquentado suas respectivas refeições no micro-ondas da Loja de Conveniências.
Blue moon, you knew just what i was there for
You heard me saying a prayer for
Someone i really could care for
Logo se passou o tempo e eu consegui finalmente esquentar minha querida Lasanha. Tomei com uma boa Heineken e água.
- Que horas são? – perguntou Jared de boca cheia, do outro lado da mesa.
- São... – Sue olhou no seu relógio espalhafatoso – Onze horas e trinta minutos.
- E nós ainda não chegamos? – perguntou Garrett assustado, limpando a boca com um guardanapo.
- Já, digo, estamos nos arredores da cidade. Vocês não olharam lá fora o maldito trânsito nessa estrada? – disse Tim.
Apressei-me em encontrar uma janela para dar uma olhada. Era verdade, os automóveis andavam muito devagar.
- Qual é o problema? – perguntei.
- Não tenho a mínima ideia. – Susan deu de ombros.
Um silêncio breve pousou entre nós. O barulho diminuíra, e dava pra ouvir direitinho o som de Billie Holliday no fundo.
- ! – gritou Alice das trevas, sentada no lado completamente oposto ao meu. Arregalei os olhos.
- O que foi, diabo? – dei a última garfada em minha lasanha, catando os restos.
- COOOOOONTA! – Alice exclamou feliz demais, fazendo com que todas as atenções se virassem para mim.
Peguei um guardanapo e limpei a boca com classe.
- Contar o que?
- Ora, contar o quê, não se faça de sonsa! – Alice me deu língua. – Sua história de vida aí com o John Ohh. Estamos todos curiosos.
Arqueei uma sobrancelha desafiadora. What the fuck...?
Olhei para os outros, e todos concordaram com as cabeças e sussurros audíveis de "sim, é verdade" e "queremos saber mais".
- O magrelo não contou nada a vocês?
- Só mostrou um pouco de como vocês eram no passado. – disse Jared. – Mesmo antes de eu conhecê-lo.
- Ele mostrou o cabelo espetado dele também? – perguntei, recebendo um "não" coletivo como resposta. – Eu poderia ter feito bullying com ele naquela época, mas infelizmente cabelo espetado era moda, e bochechas grandes nunca foram.
Suspirei.
- O que vocês querem saber, exatamente?
- O que aconteceu no dia que ele te drogou. – disse Alice, com os pequenos olhos saltados.
- O' Callaghan, nada querido colega, diga-lhes o que se passou naquele dia. Você com certeza tem mais lembranças do que eu. – disse eu a John, que virou o seu rosto anguloso e fino para mim num total momento de discórdia. Fiquei séria, encarando seus olhos estupidamente verdes até que ele finalmente percebesse que não tinha escolha a não ser ele mesmo contar o que acontecera.
- Bem, no meio de toda a pirraça da fofona comigo, eu acabei por me aproveitar da proximidade. Sabe, pessoas bonitas não podem ficar muito perto de mim, por mais que a pessoa seja insuportável quando abre a boca pra falar qualquer coisa.
Levantei o dedo do meio para ele, fazendo cara de assassina. Ele sorriu sacana e me ignorou.
- Ela foi quem tinha interrompido meu momento de glória pra reclamar que eu tinha cantado Under Pressure com a banda sem avisar. Blábláblá... Eu estava com uma fã no meu quarto, vocês sabem, recebendo...
As pessoas presentes arquearam sobrancelhas e concordaram com a cabeça.
- Blowjob. – Michael disse, vindo do nada e sentando ao meu lado.
- Exatamente. Não queria assustar as crianças... – John disse, apontando para Alice que se aprontou e mandar o dedo do meio pra ele também, que sorriu. – Essa doida aparece no meu quarto gritando, e aí eu vi uma oportunidade. Mas não vou mentir pra vocês, eu não sabia que uma pílula ia deixa-lá tão zonza.
- Isso porque eu não sou como você e fico me drogando todos os dias. - resmunguei baixo, mas apenas Michael e , que estavam do meu lado, ouviram.
- A menina se desligou nos meus braços, e o efeito ainda nem tinha se feito em mim. Foi aí que eu aproveitei para assustá-la um pouquinho. Tirei suas roupas e a joguei na cama. Toda vez que ela ainda abria os olhos, eu ficava perto o suficiente para que ela pensasse que nós estávamos fazendo sexo.
- Você se aproveitou do meu corpo, seu magrelo maldito, esqueleto de merda. – resmunguei baixinho de novo, mas dessa vez mais gente ouviu e riu.
- Tirei minha camisa também, para melhorar a cena, mas logo a droga fez efeito e eu comecei a viagem ao seu lado. E o resto... O resto vocês já sabem.
- A pergunta que fica, John, é por quê?- eu perguntei, deixando-o sem reação. – É meus caros, a verdade é que John Ohh não consegue resistir a mim.
- E nem você a ele – provocou Alice.
- Eu não consigo resistir a uma chance de vingança, é diferente, mon ami. – suspirei – Agora vamos à melhor parte da história.
#Flashback
- Nina está com gel, pente e a calçola? – perguntei, vendo Nina levantar as cordas pra mim. – Alice, o batom? – ela concordou com a cabeça – , conseguiu aquilo que te pedi com o Michael?
- Sim – respondeu – Mas ele disse que você está em grande dívida com ele.
Dei de ombros.
- Eu só espero que ele seja idiota o suficiente para aparecer. – disse por fim, escondendo-me mais ainda entre as estantes do Depósito do The Fillmore.
E ficamos ali escondidas, em silêncio, esperando John aparecer. Eu havia lhe escrito num guardanapo uma promessa de sexo. "Vá ao Depósito às 18, a Deusa do Sexo (e do rock) te aguarda. X"
Em quem mais ele pensaria como deusa do sexo e do rock, senão eu? Agora estava tudo preparado para um dos Riots mais memoráveis daquele tour. Ele ia aprender a não brincar comigo, e eu finalmente me vingaria de anos de bullying... Isso é, se existiu melhor momento do que a cara de tacho dele ao perceber que a fofona havia perdido toda e qualquer fofura, quando nos revemos depois de tantos anos.
Ouvimos a porta abrir, e o idiota estava realmente caindo na brincadeira.
- Oi? Alguém aí?
- – sussurrei – passe-me a droga.
Ela me passou com cuidado o pequeno saquinho com quatro comprimidos. O suficiente para fazer um elefante entrar numa viagem muito louca, com certeza derrubaria a girafa do John. Levantei com cuidado, ajeitando a pouca roupa que usava. Na verdade, era o meu outfit para o show, que não passava de um sutiã de couro com uma calça vermelha de veludo. Usava bons e altos saltos nas botas, e uma maquiagem que se limitava a pouco delineador, pele de porcelana e batom vinho. O meu andar já pulsava sensualidade.
- Olá John. – sorri-lhe mais falsa que nota de dois dólares.
- Fofona. – ele sorriu lindamente, e eu tive raiva do adjetivo que usei para descrever seu sorriso. – Então... Resolveu ceder aos meus encantos?
- Na verdade, eu não vejo porque brigarmos. Eu sei o que você quer, e eu concordo que seria uma boa coisa a fazer. – aproximei-me dele, segurando seu queixo com uma das mãos e trazendo-o mais para perto.
Dei passos cada vez maiores e mais decididos para fazê-lo se encostar à única parede do lugar que não abrigava uma estante. Ele seguia perfeitamente, apesar de que era difícil me concentrar naquilo quando seus olhos estavam tão vidrados nos meus. Quando finalmente consegui fazer o que queria, deixá-lo entre a parede e o meu corpo, beijei-lhe os lábios repentinamente, esperando até que seus olhos fechassem de verdade e ele cedesse de uma vez. Suas mãos enormes logo envolveram minha cintura e fizeram com que meu corpo colasse ao seu de uma forma assustadora.
Eu não poderia ceder ao prazer, tive que fazer minha memória voltar a funcionar e me lembrar quem era aquela pessoa que me beijava com tanta vontade. John. John. John, o filho da puta. John, que brincou com meus sentimentos. John, que me xingava. John, o filho de uma vaca sem tetas. No meio daqueles pensamentos, peguei o saquinho que tinha guardado na parte traseira da calça e com uma mão só - tendo que gemer baixinho para que ele não percebesse o som do saquinho se abrindo – coloquei o conteúdo na palma da minha mão. Separei-me dele apenas o suficiente para que nossas línguas não mais se tocassem. Os lábios roçavam. Ele estava melado de batom.
- Não abra os olhos, John, apenas ouça. – disse eu com voz de vítima. Actress skills: needed for life. – Só pode ter sido o destino para nos juntar novamente, você deveria saber disso. – ajustei as pílulas para as pontas dos dedos, e separei nossos lábios, unindo nossos rostos pelo nariz.
John estava com a respiração acelerada, e eu também, tinha que admitir. Mas não havia me aproveitado daquele beijo ainda, não como ele fizera e nem como ele tinha o feito. Suas mãos desceram para o bolso traseiro da minha calça, e eu jurei ter ouvido risadinhas das minhas bandmates.
- Você se tornou um belo de um rapaz. – coloquei as pílulas sobre o lábio inferior com cuidado, depois virando a mão para alisar os lábios finos e macios dele. Passei a mão pelo seu braço muito magro e ainda assim com bons músculos. – Mas só há lugar para um de nós nessa história.
Beijei-lhe tão rapidamente e tão ferozmente que não deu tempo de ele sequer processar a última frase. As pílulas dissolveram rápido em contato com sua saliva, exatamente como prometido por Michael. Separei-me dele assim que senti seu corpo ficar leve demais.
- , eu te... – Já era tarde demais caso ele quisesse pronunciar qualquer palavra. A droga fizera efeito, e seus olhos começaram a abrir e fechar de modo estranho e irregular.
- Tarde demais para dizer que me odeia, mas não se esqueça de o sentimento é recíproco.
Ajeitei-o para encostar as costas na parede.
- Meninas!
, Alice e Nina vieram correndo entre gargalhadas cada vez mais altas.
- Seu batom está todo borrado, cê tá parecendo uma travesti. – riu .
- Ai meu Deus, ele ia te dizer que te ama, . – disse Alice, coitada, sonhadora.
- Ele ama qualquer coisa com peitos, bunda, vagina e se mexe. Agora sério, , me ajuda. – disse-lhe meio desesperada – Vamos tirar a blusa dele.
As meninas ajudaram, entre gargalhadas enquanto eu pedia silêncio para não chamar muita atenção. Alice foi quem escreveu "R!ot" no peito de John e o smile feliz.
- Espera, como vamos colocar a calçola dele sem ver o... Johnzinho?! – perguntou Alice assustada.
Eu também me assustei, mas não quis admitir. Todas olharam para Nina.
- Bando de fresca, parece que nunca viram pinto na vida. - Nina colocou a calçola no ombro e se agachou para tirar o último elemento de roupa que faltava. Vi Alice virar o rosto, enquanto eu e esperávamos ansiosamente pelo o que apareceria quando a boxer cinza dele fosse tirada. – Temos um grande amigo aqui! Opa! É girafa até aqui embaixo, gente, vem ver isso!
Nina estava impressionada. Eu e estávamos em Mind fuck e Alice ainda estava se recusando a olhar.
- Alice, vire pra ver! – chamou Nina, e Ali virou em câmera lenta.
De repente, John se mexeu, e todas nos assustamos.
- Devíamos tê-lo amarrado – concluí. – Que merda, era pra ele ter pinto pequeno.
- Eu queria concordar com você, , mas... – suspirou Nina – A visão me agrada.
- Ai meu Deus – Ali olhou rapidamente para o John nu – Alguém pelo amor de Deus veste esse menino, oh dear...
Nina, eu e gargalhamos, e assim Nina finalmente vestiu a calçola que eu havia comprado para a ocasião. Era a calçola digna de uma velha gorda e feia que cria gatos e vive resmungando. E era bege. Penteamos o seu cabelo exatamente como era o meu aos 11, só que de lado, e colocamos muito gel. A situação de John, quando enfim vestido, era deplorável e hilária.
Eu e as meninas saímos do depósito rindo como hienas. Mas antes, peguei o batom da mão de Alice e escrevi na porta do cômodo: What goes around... Comes back around. Justin Timberlake era o filósofo do momento.
#Flashback
Gargalhadas. O tour bus se resumia a muitas gargalhadas.
- Com a participação especial minha, da Alice e da Nina gente, olha os créditos! – gritou .
Os meninos do The Maine riam tanto, mas tanto, que era possível que se risse das risadas deles ao invés da própria situação. John estava vermelho, e olhava pra baixo com vergonha. Aquele era o meu momento de glória, e eu sorria como uma diva do cinema recebendo um Oscar. Sue batia palmas e Tim, ao lembrar da situação que encontrara John, já não tinha voz para rir.
- Obrigada, muito obrigada. – eu disse, tomando o resto da minha cerveja e levantando da mesa. – Satisfeitos agora, meus amigos?
- Muito bom, muito bom. Você está livre agora, . – Alice disse, e eu me levantei a fim de me retirar.
- Vai ter volta. – eu ouvi John dizer enquanto saía e subia para os beliches.
Logo chegamos ao hotel em que estaríamos hospedados em Seattle. Subimos felizes para o quarto onde ficaríamos, e dessa vez, soubemos, íamos ficar todas juntas num quarto só. Eram duas camas de casal, então não teria muito problema, mas a divisão foi feita diferente. quis ficar com Alice, e então eu dividi minha cama com Nina. O show seria naquele mesmo dia, só que mais tarde. Enquanto as outras se arrumavam, eu, que já tinha separado tudo, peguei Jack, o violão, e fui para o terraço, até dar a hora de se arrumar para sair.
Passou-se apenas dez minutos que estava trabalhando na música nova, e percebi que não estava sozinha. Michael aparecera de repente pedindo para sentar ao meu lado.
- Fique à vontade. – disse-lhe, dando de ombros.
Passaram-se uns dois minutos de silêncio, em que eu dedilhava a música no violão olhando para o nada.
- Eu não estou satisfeito, . – Michael disse do nada, assustando-me.
- O quê? – perguntei sem entender porra nenhuma.
- Você perguntou, mais cedo, se todos estavam satisfeitos. Eu não estou. Você esqueceu de mim nessa história toda. – ele me disse convicto. Seus olhos azuis escuros apontavam para mim como uma arma apontava para o alvo.
Não tinha como dizer que não, Michael era atraente demais. Seus cabelos louros eram um pouco maiores do que o do Kurt Cobain em sua melhor época, mas ele mantinha aquele mesmo maxilar quadrado e barba mal feita.
- Alguém já te disse que você parece muito com o Kurt Cobain?
- Sim... Muitas vezes. Mas não saia do assunto.
- Que assunto?
- Você me deve alguns favores.
- Pelas drogas? – ele respondeu que sim com a cabeça – Eu não posso pagar com dinheiro?
- Tem formas melhores de você me pagar. – ele disse com uma expressão tarada.
- E você quer o quê, sexo no terraço? – ri irônica.
- Parece-me uma excelente ideia.
Eu me assustei um pouco, mas logo uma onda de pensamentos muito tarados invadiram minha cabeça. Ativar operação romper o hímen? E agora, era uma onda de medo. Deus, por que eu tinha que ser tão menininha?
Olhei para Michael, que tinha seus olhos vidrados nos meus, quase que me comendo naquela linha de olhar mesmo. Eu estava so fucking scared. Falar era tão fácil, porque fazer se tornava tão difícil tarefa?
- We could be lovers, just for one day... – cantei um pouco da música Heroes, do Bowie, que me pareceu perfeita para a situação.
- And you, you could be mean.
Uma coisa muito legal sobre andar com gente do rock, é que elas não te decepcionam quando o assunto é referência. Bowie era referência, mas apenas poucos da minha geração sabiam dele e da sua genialidade.
- Eu vou pensar no seu caso. – disse-lhe por fim.
- E eu vou te dar um prazo: Até o fim do show. Você sabe onde eu fico. – Michael falou, afastando uma mecha do meu cabelo do rosto. Senti seus dedos rudes tocar minha pele fina, e todo o meu corpo se arrepiou com a ideia do que aconteceria caso eu aceitasse.
- E se eu não aceitar?
- Tudo tem sua consequência. – suspirou ele, aproximando seu rosto do meu e tocando o polegar nos meus lábios. – Mas você sabe que não tem nada a perder com isso, não é mesmo?
Concordei com a cabeça, meio em pânico. Se não fosse por Jack em meu colo, eu estava perdida. Jack me acalmava.
- Eu espero te ver, . Espero te provar, e provar sua fama também. – ele se afastou, levantando-se e saindo à francesa, enquanto eu ainda processava pensamentos.
Conseguiria provar muita coisa até o momento em que ele fosse me dar prazer. Se os dedos dele fossem fortes demais contra mim, com certeza haveria sangue e ele não teria coragem de terminar o trabalho. E eu não queria isso, eu queria o sexo bruto, eu queria deixar de ser menininha. Também tinha medo do que ele faria caso eu não aceitasse, algo me dizia que ele sabia algo sobre mim, algo que eu não contava a ninguém.
Eu tinha até o fim do show em Seattle para conseguir uma solução, isso é, se o medo que me assolava não fodesse com minha inteligência de uma vez. Até o fim do show...
Highway to Hell
Quando acabou de se arrumar, olhou para seu reflexo no espelho e sentiu um breve arrepio na espinha. Ela estava com medo do que poderia acontecer depois do show, ainda não havia decidido o que faria. Na verdade, parte de si, a não medrosa, já gritava: vai logo, não perde a oportunidade com o cover do Kurt Cobain! Mas então, a parte medrosa (e realmente maioria), fala repetidamente em seu subconsciente: Fuja, fuja, fuja, fuja... Você nunca será o suficiente.
A menina fechou os olhos com força, engolindo em seco. Tomou um gole do seu chá, preparado por Sue para melhorar o desempenho de suas cordas vocais, e fez careta ao sentir o gosto amargo. As bandmates estavam atrás dela, fazendo barulho, andando de um lado para o outro, mas nada podia tirá-la daquele momento de terror. Isso é... supostamente.
- Garotas! – gritou Sue, entrando de repente no recinto. – Podem receber alguns fãs? – perguntou ela com cara de cachorro molhado.
Alice, Nina e deram de ombros, olhando para uma que ainda tinha semblante aterrorizado.
- Sem problemas, manda entrar. – disse ela, voltando ao planeta Terra e desistindo de pensar nos seus problemas. adorava receber fãs, via-os como criaturas sensacionais por serem fãs dela. Isso, se pensar bem, era muito amor próprio, e não amor pelos fãs.
De qualquer forma, entraram então as sete pessoas esperadas. Olhos brilhantes esperando o encontro com os ídolos. As meninas da The R!ot pareciam tão cool aos olhos daqueles fãs, tão diferentes, tão acima de qualquer adjetivo. Das pessoas que entraram, eram quatro meninas e três meninos. Todos beiravam a faixa etária de 16 a 20 anos, e tinham reações diferentes ao ver as quatro riots. , , Alice e Nina sorriram largamente e tomaram a atitude de os cumprimentar.
- Olá, como você está? – disse à garota mais perto, uma menina baixinha e gordinha de cabelos coloridos. Ela parecia ter perdido a fala. – Um abraço? – perguntou à menina, abrindo os braços. A garota logo tratou de por seus braços gordinhos ao redor do corpo fino de , abraçando-a com toda força.
- Você é tão mais linda de perto. – disse a fã, quase num sussurro.
- Obrigada – afastou o abraço, e colocou uma mecha do cabelo colorido da fã para trás da orelha. Os olhos dela eram extremamente claros, e estavam à beira de um choro. – Como é seu nome?
- G-Gwen.
- Foi um prazer conhecê-la. – disse calmamente, virando-se para a próxima pessoa.
E assim se passaram os cumprimentos, um por um. Os garotos eram menos desesperados, e mais cool. Um deles tinha o corpo exposto quase todo tatuado, e silhueta magra, um pouco anoréxica. Pareceu se dar muito bem com Nina, já que eles não paravam de tagarelar. Os outros dois eram roqueiros clássicos, bem modernos. Calças jeans, camisetas e jaquetas; um deles usava couro legítimo, e logo percebeu. Ela passou a conversar com os dois mais ativamente, sobre alguma coisa cult que não entendia.
As meninas eram bem diferentes entre si. Além da gordinha baixinha Gwen, tinha uma alta de coxas grossas com uma calça jeans toda rasgada e cabelos curtos, uma de altura mediana e cabelos rosas e outra, de cabelo preto chanel e roupas legais, como o macacão listrado que usava. Alice e ficaram juntas a conversar com as garotas. Gwen ainda tinha os olhos lacrimejando e ficava ao lado de , segurando seu braço como quem não quer deixar ir embora. Tiraram algumas fotos com o grupo dividido, e ao final, Sue chamou Michael para tirar uma foto de todos juntos. Michael era muito bom com uma câmera na mão, e raramente tremia. Sue anunciou mais cinco minutos, e os fãs aproveitaram para pegar autógrafos. Gwen era a única com seu CD Lairy em mãos, e ainda três tipos de caneta para assinar. Além das quatro garotas assinando seu CD, ela ainda pediu que autografassem em seu rosto também. riu.
- Sabe que é muito perigoso você pedir para que assinem em seu rosto... – disse , tirando a tampa da canetinha.
- Por quê? – perguntou uma inocente Gwen.
- Porque você não poderá ver o que escreverei aqui. – riscou a testa de Gwen com os dizeres “badass! Luv, E.D.”
- O que você escreveu? – Gwen estava assustada. riu mais uma vez.
- Você verá depois.
- É, eu confio em você.
- Por quê? – deixou a pergunta escapar.
- Porque você é tudo que eu queria ser. – Gwen sorriu. sentiu seu coração parar dentro do peito, com aquela declaração. Ela nunca ouvira isso com tamanha sinceridade. Abraçou a fã de repente, de modo a assustá-la com a surpresa.
- Obrigada, Gwen. Ninguém nunca me disse algo assim. Obrigada. – beijou-lhe a bochecha com gosto.
- Vamos minha gente, tá na hora! – alarmou Sue, abrindo a porta. Todos despediram-se rapidamente, e Michael ajudava a guiar os fãs para a porta de saída do camarim.
- Essa foi uma surpresa. – disse Alice de repente.
- A vinda dos fãs? – perguntou Nina – com certeza. Eu nem sabia que receberíamos fãs hoje. Poderíamos recebê-los sempre!
- Com certeza – disse – nós temos ótimos fãs. – sorriu maliciosa.
- Epa! Relação com os fãs só com camisinha! – avisou Sue de repente. – Não quero saber de gravidez precoce aqui, hein?
- Eita Sue, calma! Eu ainda nem estava pensando nisso. – fez bico.
Todos no recinto olharam para ela sérios, inclusive Michael.
- Really bitch? – perguntou .
- Não... na verdade eu tava pensando muita coisa. Menos gravidez. – riu , voltando-se para o espelho e ajeitando os cabelos novamente no rabo de cavalo.
deu um olhar de relance para Michael, que sentavo em um dos sofás do camarim, cansado. Ele era realmente charmoso, por que diabos estava pensando duas vezes? Lembrou-se como a menina Gwen a idolatrava; ela realmente devia parecer ser uma bomba, uma roqueira e tanto. E como roqueira, sua decisão já deveria estar feita.
Devon andou em direção à Sue, séria e direta. Ela ia fazê-lo, mas do jeito dela.
- Sue, tem como você me arranjar dinheiro?
- Pra quê?
- Umas pílulas.
- Michael não te dá de graça?
- Não, ele só adia o pagamento pra mim e pras meninas.
- E quanto você precisa? – perguntou Sue, cruzando os braços. sorriu. Michael que a aguardasse. Depois do show. Como prometido.
O local do show estava lotado. Lotado de um jeito que ninguém poderia imaginar que acontecer, afinal, era apenas seu terceiro show no tour. tocou o microfone como quem toca uma arma pronta para atirar. Queria poder acender um cigarro ali mesmo, mas uma das muitas coisas negativas em fazer tour com uma banda como o The Maine era que a classificação do show era para maiores de 14 anos, e segundo as regras, ninguém podia usar substâncias narcóticas durante a apresentação. Aliás, muitas casas de show proibiam aquilo, mas para , tudo era culpa do The Maine. Ela podia amá-los (com exceção de John), mas a fusão, pra ela, não dava certo. Sendo assim, ela suspirou, e deu o primeiro acorde de My Medicine na guitarra.
I don’t know what I’m on
Somebody mixed my medicine...
coçou a garganta do mesmo jeito que fez na gravação da música, e puxou ar para continuar. Sua voz naquele dia estava sensacional, e todas as meninas da banda tinham percebido isso. Provavelmente o chá de Sue fizera efeito.
And you sleep where you lie
Now you're in deep and
now you're gonna cry
You got a woman to your left
And a boy to your right
Start to sweat so hold me tight
Era ótima a sensação de estar no palco. Para , era uma forma de ganhar poder. Ela se sentia dona daquela pequena multidão que cantava com ela, ou simplesmente mexia a cabeça ou o corpo. Aquela garota, sua fã que cumprimentara mais cedo, estava certa; ser como ela deveria ser algo realmente desejável.
Somebody’s in my head again
Again, Again, Again!
Nina se aproximou de , trazendo sua guitarra. Elas ficaram de costas uma para outra, roçando e dançando enquanto a multidão delirava à sua frente. Nada que um pouco de dança homoafetiva entre bandmates não pudesse fazer por fãs já conduzidos pelo som estridente do rock n’ roll. Eles gritaram, aprovando e cantavam a música, deixando apenas um verso para antes do bridge.
Assim que Nina se separou de , a vocalista deu um tapa em seu bumbum magro, e as duas voltaram sorrindo aos seus devidos lugares, continuando ao meio e Nina à direita, começando a fazer um rápido solo. Atrás, fazia caras e bocas, além de certo malabarismo com as baquetas. Ela tocava com uma energia inigualável, a energia de uma hiperativa. Alice vivia seu próprio mundinho, e corria de um lado para outro com seu baixo, impressionava que ainda tocasse as notas certas com tanta movimentação.
Somebody’s in my head again, again...
virou o microfone para o público.
- AGAIN! – eles gritaram, felicíssimos, e o último acorde da música foi dado. O último acorde da primeira música que tocariam naquele dia.
- BOA NOITE SEATTLE! – Nina gritou ao microfone, e a multidão deu outro grito em resposta. – Parece que alguém mexeu na droga de vocês, que energia insana é essa?
- É assim que eu gosto. – disse , rindo para a amiga. – É de insanidade que se faz o rock n’ roll! - mais gritos – Obrigada. Estamos todas muito felizes de estar aqui hoje, fazendo esse show, e sentindo essa vibração foda vindo de vocês. Nem acredito que suportaram um show do The Maine antes.
As meninas riram, e a multidão também pareceu levar na brincadeira.
- A tá brincando, ela ama os meninos.
- Verdade – disse Alice, do outro lado – A música preferida dela é The Way We Talk.
sentiu as bochechas rubescerem, mas não deixou que aquilo afetasse sua pose. Viu que Michael pedia a sua guitarra, já que não precisaria tocá-la na próxima música, e deu a ele rapidamente, sem olhar nos seus olhos. Deu uma risada sarcástica, e voltou a tocar os lábios no microfone.
- Essas garotas adoram brincar com fogo. – riu mais uma vez - A próxima música se chama Goin’ Down. – virou de costas para o público, e esperou fazer a contagem.
One, two, three, four...
Com muita conversa e um bis o show das The R!ot terminou. Nina, e Ali jogaram suas palhetas para o público, e , sem querer lhes dar suas baquetas favoritas, tirou a camisa suja e jogou o mais longe que pode. Deu pra ver uma pequena briga para quem iria ficar com a blusa suada da menina, que saiu do palco de sutiã e deixando alguns caras de queixo caído – e mulheres também (e não só as que colavam um velcro de vez em quando).
sentiu o peito apertar assim que saiu do palco. Olhou de longe para Michael, que corria de um lado para o outro ajudando com os instrumentos, e pediu à própria mente uma ideia genial para se livrar dele. Isso é... Pensando bem... Do que exatamente ela estava tentando se livrar?
A banda caminhou de volta ao backstage, suadas e cansadas, e procuraram toalhas para se enxugarem rapidamente, antes de subir na van de novo. Se bem que geralmente, na saída do local do show, alguns fãs chamavam para um hang out em um bar local. As meninas seguiram, e como esperado, tinha gente esperando por autógrafo, foto, e um convite a ser aceito. Passaram-se mais ou menos meia hora de encontro com fãs, até que chamou as outras riots para uma saída com aqueles mesmos dois garotos que haviam conhecido mais cedo, no backstage, pois eles traziam amigos e chamavam para algo bem perto do Hotel. Entraram na van, e seguiram para o tão dito bar. sentou no banco da frente com Sue e o motorista, e não parecia querer muita conversa.
- , trouxe-lhe o que me pediu. Escrevi um cheque, já que não tinha como sacar dinheiro a essa hora, espero que não se importe; ou, melhor dizendo, que... – Sue baixou a voz – Michael não se importe.
- Obrigada, Sue, vai servir. – disse , pegando o cheque sorrateiramente da mão de Sue e colocando-o no bolso da sua jaqueta.
- Disponha, minha jovem.
sorriu para a empresária, voltando a encarar a paisagem escura da cidade de Seattle. As poucas luzes se faziam como apenas clarões na imagem embaçada que adquiria da paisagem. Seus olhos estavam cerrados, pensativos. Ela não tinha que fugir de Michael, não precisava disso; o que, afinal, tinha a esconder? Seu pai, o grande compositor que se tornara alcóolatra? Sua mãe, que nem ao menos tentou ligar para o seu celular uma única vez desde que fugira de casa? Sua virgindade? Se esse último fosse o caso, seria a palavra de Michael contra a de , e Michael nada mais era do que um roadie – dos bonitos e legais, tinha que admitir – mas nada além de um roadie. Ela poderia brincar com isso caso Michael vazasse tal informação.
Onde, afinal, ela havia colocado a petulante menina ?
sorriu, tendo um plano em mente.
- , você tá muito antissocial hoje! – disse , fazendo com que os outros na van prestassem atenção na reação de . Ela simplesmente rolou os olhos.
- Estou cansada, não sou como você que tem uma pilha no lugar do cérebro.
Os outros riram, em concordância. É claro que , que geralmente gostava de rir alto e soltar seu humor negro junto às amigas da banda e convidados depois do show, estava realmente muito quieta. Porém, ninguém mais interveio em sua quietude, nem mesmo quando ela abriu o vidro, de onde saía um ar gélido, para acender um cigarro.
O pessoal acabou descendo na esquina antes da rua do Hotel, e seguiu com a desculpa de “estou muito cansada, deixa pra próxima.”. , a melhor amiga, obviamente desconfiou, mas permitiu-se dar de ombros e perguntar depois, já que tinha dois belos partidos ao seu encalço, e com jaquetas de couro!
No Hotel, subiu direto ao seu quarto, sem falar uma palavra com quem tivesse por perto. Tomou um rápido banho e escolheu a melhor roupa íntima que tinha, sutiã e calcinha de renda preta. Vestiu-se em sua lingerie e passou seu perfume favorito, o que só usava em ocasiões especiais; apenas quando sentiu que estava infestando o local, voltou à mala para escolher uma roupa decente. Ela tinha tão poucas roupas naquela mala; a mala que havia se tornado seu guarda-roupa desde que fugira de casa. Vestiu o velho jeans, que já precisava de uma lavagem, e sua camisa dos Sex Pistols, que era um dos primeiros lugares na competição para camiseta mais surrada. calçou confortáveis sandálias nos pés e pegou um casaco, vestindo-o rapidamente. Guardou o cartão do quarto e o cheque que Susan lhe dera mais cedo, guardando no bolso do jeans. Desligou as luzes, olhando para o quarto vazio tentando lembrar se esquecera de alguma coisa. fechou os olhos e respirou fundo, abrindo-os novamente e fechando a porta do quarto.
Desceu todo o corredor com passos lentos e decididos, até o elevador. Michael estaria, provavelmente, arrumando as coisas no tour bus. A jovem roqueira sentiu o coração bater mais rápido sob o peito, mas nem por isso deu um passo para trás. A porta estava aberta. Ela entrou ouvindo a sua respiração descompassada e o som de algo se mexendo dentro do ônibus, como objetos sendo organizados.
- Michael? – perguntou ela, antes de virar-se e ver o roadie ajeitando a bateria de na capa. – Oi.
- Oi... – respondeu Michael com um sorriso no rosto. – Não achei que você viria.
- Mesmo me chantageando? – disse ela, sentando em uma poltrona perto de onde ele estava.
- Bem, considerando que você acha que nada pode te atingir, realmente não achei que viria. – Michael deu de ombros, terminando de ajeitar o instrumento.
- Pouco me importo com o que você acha. – disse , pegando o cheque no bolso do short jeans. – Eu vou lhe pagar pelas drogas. Aqui está.
entregou o cheque a um confuso Michael. Ele franzia as sobrancelhas louras, tentando entender o que diabos a menina fazia. Ele queria sexo, e não dinheiro!
- Isso não é o que eu quero.
- Você acha mesmo que eu ia...
- Está cheirosa. – disse Michael – e aposto que vestiu algo interessante debaixo dessa blusa, e dos shorts.
Michael aproximou-se de , deixando de lado o que fazia antes. Tocou-lhe os cabelos, que ainda estavam molhados, e colocou-os para trás.
- Você é mesmo uma bela de uma rebelde. – disse Michael, com um sorriso sedutor.
- E você realmente quer me foder. – ela sorriu de volta – Mas não vai ser por causa de uma chantagem, ou de uma dívida. Além do mais, que diabos você sabe sobre mim?
Os olhos de pareciam como os de um animal selvagem pronto para atacar. Michael não pode evitar se sentir intimidado por aquela menina e sua personalidade.
- Eu só... Deixe pra lá. – desistiu ele, quando achou que ela bateria naquela tecla até deixa-lo louco. Ele sabia tão pouco sobre ela, na verdade. Apenas descobrira há pouco que o pai da menina era nada mais, nada menos do que James , um dos melhores compositores de que já ouvira falar. E ela não usava a fama do seu pai, o que para Michael era peculiar. Se ele tivesse um nome de peso em sua família se aproveitaria ao máximo disso. – Seu pai é James .
- É. – respondeu , entediada. – E de que isso importa?
Ele não suportava mais aquela petulância. Esqueceu-se até mesmo de que alguém dormia no andar de cima do tour bus, e aproximou os lábios dos dela. Michael podia sentir a respiração pesada da garota, e o jeito em que ela congelou completamente quando sentiu o hálito dele, de cigarro e chiclete de menta. Tocou os lábios secos nos dela, e mordeu-lhe o lábio inferior.
empurrou Michael pelo peito com cuidado, levantando-se de onde estava sentada. Segurou-o pela camisa e o guiou até o sofá mais próximo, olhando-o nos olhos como quem come com o olhar. Empurrou-o novamente, fazendo-o sentar, e então colocou suas pernas ao redor dele, sentando-se em seu colo. Michael a puxou pelos cabelos e a beijou com força e maestria. Enquanto uma das mãos do roadie estava nos cabelos molhados de , a outra já alisava uma das pernas macias e torneadas dela.
Fora quem primeiramente tirou o próprio casaco, revelando a camisa surrada dos Sex Pistols.
- Sem chantagens, Michael, não é tão mais fácil? – disse ela ao seu ouvido, logo depois puxando a camisa cinza dele para cima, e deixando um belo peitoral à mostra, assim como um abdômen definido. Michael tinha corpo de quem costumava pegar peso, ou que ao menos fez algum tipo de esporte que envolvia bastante malhação. Ali, sem camisa, Michael deixava de ser como o Kurt Cobain e revelava-se como um loiro malhado e extremamente sexy. Ele tinha umas tatuagens que cobriam o peito esquerdo e fechavam o braço. não pôde ver muito, mas tinha quase certeza que vira um enorme dragão, e fogo. Bem, fogo era o que estava queimando dentro da menina. Seus hormônios a deixavam insana, e era impossível parar de beijar Michael como se fosse matá-lo por asfixia a qualquer momento.
Os dedos calejados de percorreram o tórax de Michael, deixando-o se arrepiar pelo simples ato. Ele separou o beijo, e passou a acariciar o pescoço da jovem com os lábios, beijando, chupando, mordendo. fechou os olhos para aproveitar a sensação com mais precisão. Sentia-se sugada, e por que diabos o ambiente ficava tão quente? Ela suava, e sentia algo molhado em sua calcinha... Mas já?
tinha certeza que dessa vez iria até o final, e o seu corpo já tomava as providências para isso.
Michael tocou a bainha da camisa dela, levantando-a com avidez e observando, enfim, os belos seios da menina por trás daquele simples pedaço de algodão e renda negra que os escondiam. Enterrou a cabeça ali, beijando-os por fora, molhando aqueles seios tão infantis com sua saliva. deixou a cabeça pender para trás, e segurou nos cabelos louros do homem, entrelaçando seus dedos ali. Michael, esperto, já deslizava as mãos para as costas da menina, procurando o feche do sutiã. rapidamente percebeu, e o puxou para longe de si – ou o mais longe que pôde. Fez que não com o dedo indicador e o empurrou para deitar no sofá, ajeitando também o seu peso por cima dele.
Sua intimidade úmida tocou a dele, e ela percebeu que ele ainda não estava completamente ereto, não do jeito que ela gostaria que já estivesse. Tirou por si mesma o sutiã, deitando sobre Michael e roçando a sua intimidade na dele. Ela parecia uma expert no assunto, e não uma half-virgin com sede de sexo.
Michael a puxou para mais um beijo, sedento, e logo ele estava completamente excitado. Os seios dela também roçavam em seu peitoral, e aquilo tudo, a situação, deixava-o fora do sério. Ele levantou o tronco, levando-a consigo, e começou desabotoar o short dela. Naquele momento, sim, finalmente sentiu uma ponta de insegurança. Mas ela tinha que esquecer isso, ela tinha que se mostrar como ele achava que ela era – uma demolidora, uma roqueira petulante. Tentou encontrar o máximo de concentração que pôde, e então deixou uma música tocar em sua cabeça; uma música para fazê-la continuar sem mais inseguranças.
Season ticket, on a one, way ride
Asking nothing, leave me be
Taking everything in my stride
Agora sim, era tão mais fácil quando AC/DC tocou na sua mente. Ajudou Michael a tirar seu short, e quando feito, ela fez que ia voltar a sentar nele, mas o mesmo a impediu de imediato.
- Você acha mesmo que vou te deixar por cima? – riu ele – Vamos ver quão petulante você consegue ser debaixo de mim.
gargalhou, enquanto ele a abraçava e colocava-a deitada no sofá. Seu riso foi interrompido quando os lábios famintos do roadie tocaram os seus novamente, e sua língua invadir cada ponto antes vazio.
Ain't nothing I would rather do
Going down, party time
My friends are gonna be there too
As mãos de Michael podiam escorregar facilmente pelo corpo seminu dela – ainda por causa da calcinha, que permanecia lá -, já que ela estava suada, como se não tivesse acabado de tomar banho minutos atrás.
Seus olhos borbulhavam em luxúria, ela estava insana para os finalmentes, é claro, porém Michael ainda tinha outros planos. Ele desceu com uma das mãos para a intimidade úmida dela, enquanto a beijava, e afastou a calcinha para o lado, enfim tocando-lhe apenas por cima, alisando o clitóris. sorriu, mordendo-lhe o lábio inferior e sussurrando um “continue”.
Ele colocou um dedo, e fez o movimento circular, ainda sem penetrar muito. Colocou o segundo, e assim deixou penetrar completamente. Mas ele percebeu que era bem apertado ali dentro, de um modo estranho, um modo... Virgem. Porém, se fosse assim, por que diabos ela tinha dito para continuar?
Michael continuou com os movimentos, e enquanto isso, tinha em sua cabeça um conflito. De um lado, Highway to Hell, e do outro, sua própria voz rezando para que não houvesse nenhum sangramento. A sensação era boa, mas a dor não viria a tardar.
Ela fingia gemidos, quando na verdade sentia dor e certa ardência. Virou uma puta de uma masoquista apenas para sustentar seu orgulho. Isso sim é que é ser roqueira.
On the highway to hell
Highway to hell
I'm on the highway to hell
No stop signs, speedin' limit
Nobody's gonna slow me down
Like a wheel, gonna spin it
Nobody's gonna mess me 'round
- Eu quero você dentro de mim, Michael, venha. – suplicou entre um gemido forçado e outro. - Agora.
Michael sorriu, convencido; para ele, ela estava desesperada porque ele havia deixado-a insana com os dedos. Antes fosse.
O garoto tirou do bolso da calça a sua carteira, e dali uma camisinha. Era sempre precavido para esses momentos. pegou a camisinha da sua mão, abrindo-a, e enquanto isso ele tirava a calça e a boxer rapidamente. Fora ela quem o vestiu, sem medo, seguindo as instruções que mil vezes lhe foram repetidas e cantando mentalmente para afastar a insegurança. “Segure na ponta e arraste para baixo, vestindo todo o pênis.”
Michael não era do tipo Phd (Pretty Huge Dick), mas também não ficava para trás no quesito. A verdade era que não se importava, só queria terminar com aquilo o mais rápido que pudesse.
Ele deitou sobre a jovem, e ajeitou o seu membro com a mão livre. Beijou-lhe os lábios já doloridos de tanto serem sugados, e deixou o seu rosto ali próximo ao dela, sentindo sua respiração pesada e descompassada. Naquele momento, para , a música parou e seu coração batia tão forte contra o peito que parecia que ia explodir a qualquer momento. Michael então finalmente penetrou-a, com força e precisão, e a dor se tornou uma só. Talvez pelo fato de ele ter usado os dedos antes, não fora como a última vez que tentara perder a virgindade. A dor fora suportável. Ou talvez, ela estava excitada o suficiente, ou disposta o suficiente para suportar aquilo.
As investidas continuaram, rápidas e insistentes. Para , a ardência continuava, e aquela não estava sendo exatamente a melhor experiência de sua vida. Mas então ela fechou os olhos, e voltou a cantar mentalmente.
Playin' in a rockin' band
Hey mama! Look at me
I'm on my way to the promise land
E de repente, a música que ela escolhera de forma tão aleatória começou a fazer sentido. A primeira experiência, ela ouvira tantas vezes, que podia não ser perfeita, mas era o início para algo sensacional. Quem sabe depois que essa parte acabasse, ela poderia mostrar a Michael o que já sabia, como um bom blowjob, do tipo que faz garotos gozarem em pouquíssimos minutos. E aí, quando ela visse a cara de orgasmo dele, quem sabe conseguiria melhores resultados do que uma intimidade em total ardência.
Highway to hell
I'm on the highway to hell
Highway to hell
Don't stop me!
Michael não iria parar tão cedo, mas enfim a menina parecia estar gostando da sensação. Talvez porque agora sentia o misto de prazer e dor de que tanto falavam. Sentiu os lábios de Michael tocarem seu pescoço de forma intermitente, devido à movimentação dos seus quadris. Ela o puxou pelo cabelo e o beijou apaixonada, não por ele – é claro – pelo sexo que ele estava proporcionando, isso sim.
sentiu algo dentro de si, e então Michael parou com os movimentos. Ele deu um gemido alto e longo que logo fora traduzido por como um “Gozei”. O corpo pesado do garoto caiu sobre o dela, e ela o abraçou. Com cuidado, tirou o membro dele de dentro de si, e ao colocar a mão lá em baixo, percebeu que seus dedos se sujaram. Não de gozo, nem de lubrificação da sua parte, mas de sangue. Puta que pariu, pensou.
Michael olhou para a menina, que tinha a expressão assustada a encarar o que pra ele era o nada, mas na verdade eram os dedos de sangue.
- ? Você ta bem?
- Estou ótima... Ótima. – disse ela, enquanto pensava dizer “SANGUE! TEM SANGUE! MELOU O SOFÁ, FODEU!”
- Foi bom pra você? Eu sou grande o suficiente para a tão falada ? – perguntou ele com a voz rouca e arrastada, do jeito que poderia derreter qualquer menininha. Mas não era mais menininha, não mais.
Ela respirou fundo antes de responder, se continuasse com a mentira, como diabos esconderia que havia sangrado. Ia dizer o que a ele? “Ah, eu menstruei?” Não, que coisa nojenta, respondeu aos seus próprios pensamentos.
- Grande o suficiente. – disse por fim, suspirando e mostrando os seus dedos sujos.
A boca de Michael abriu-se em um O perfeito.
- O que diabos...?
- Nada, eu só queria me livrar dessa maldita virgindade que me assombra. Agora, eu acho melhor você sair de cima de mim para ver se melou o sofá. – disse ela arrogante.
Michael olhou para , sentindo-se completamente perdido. Era a primeira vez dela, não podia ser assim!
- Supostamente... – ele levantou-se de cima dela com dificuldade, os músculos cansados. – A primeira vez deve ser especial.
- E foi especial – disse ela, levantando-se com cuidado e sem tocar a intimidade mais no sofá.
Haviam apenas duas pequenas gotas ali depositadas, não daria muito trabalho para limpar.
- Especial do tipo, com alguém que você realmente gosta.
- Por acaso você fez isso na sua primeira vez?
Michael ficou quieto. A primeira vez dele fora com uma prostituta.
- Então não enche meu saco. Foi só uma transa, que inferno, até parece que acabamos de conceber um filho. – ela rolou os olhos, saindo nua em pelo à procura de material de limpeza. Michael preferiu vestir a boxer logo, e ficou a encarar as duas gotas de sangue no sofá sem entender o por que aquela garota havia feito aquilo daquele jeito.
John’s plugged in
Acordei me sentindo meio estranho. Onde diabos eu estava? Tateei o local onde me deitava, e percebi que parecia o beliche do tour bus. Beliche? Tour Bus?
De repente tudo me veio como um flash: Eu tive uma bad trip com as pílulas. Lembro de Tim implorando para alguém ficar comigo, e lembro da cabeleira loura de Michael me levar a algum lugar. “Leve-o para algum lugar onde você pode prestar atenção nele”, a voz de Tim lembrou-me de mais algo. Então eu estava no tour bus, então por que diabos ouvia também a perturbadora voz de ?
Levantei-me com certa dificuldade, cambaleando. As luzes estavam ligadas.
- O que diabos...?
- Nada, eu só queria me livrar dessa maldita virgindade que me assombra. Agora, eu acho melhor você sair de cima de mim para ver se melou o sofá.
Virgindade? What the fuck...
Olhei para baixo com cuidado, para que eles não me vissem. Estavam ambos nus, e eu realmente estava tentando entender onde a palavra virgindade se encaixava na mesma frase em que Michael e .
- Supostamente a primeira vez tem que ser especial. – vi Michael dizer. Pude jurar que naquele momento ele ia olhar pra cima, e me escondi de novo, só ouvindo a conversa.
Parecia uma conversa entre um Michael que procurava romantismo onde só havia arrogância para o lado de . E pelo amor de Deus, ela perdeu a virgindade com ele? Era o roadie da banda, e não objeto sexual. Não sei dizer se eu estava irritado com isso ou com o fato de os dois terem transado, mas sentia certa fúria por aquilo ter acontecido. Era estranho que me sentisse protetor quanto a , quando ela me queria queimando no inferno.
- Então não enche meu saco. Foi só uma transa, que inferno, até parece que acabamos de conceber um filho. – ouvi a voz dela dizer, e a própria sair nua à procura de alguma coisa. Devo observar, portanto, que a visão era muito mais do que agradável. Seu corpo era puro rock n’ roll, e suas pernas mais longas do que eu me lembrava. Tinha uma bunda nada mal, e os seios realmente desafiavam a gravidade, a ponto de me fazer sorrir com sua imagem.
Voltei o meu olhar para Michael, que agora vestia as boxers – graças a Deus – e parecia mais perdido que um pinto no meio de patos. Ele levantou a almofada do sofá que estava melada e virou ao contrário, deixando a parte limpa visível, num gesto inteligente que eu custei a acreditar que tinha vindo dele, e não dela. chegou revoltada com um pano e algum tipo de produto de limpeza nas mãos.
- Ei! Cadê o sujo? – perguntou ela, como uma diarista tarada (ela estava nua, oras!).
- Eu virei a almofada. – disse Michael – Relaxe.
Eles se olharam por alguns segundos e então, para a minha tristeza, resolveu se vestir. Acompanhei cada gesto dela, com atenção tamanha a ponto de me esquecer que não podia ser visto. Quando ela acabou de se vestir e eu olhei para o lado de Michael, ele me encarava sério. Rapidamente, escondi-me, e voltei a apenas escutar a conversa.
- Podemos fazer isso mais vezes. – disse ela.
- Sim, é claro, quantas vezes você quiser.
Ouvi o som de um beijo, e segundos depois a porta do tour bus se fechando.
- JOHN! – ouvi Michael me chamar.
- Sou eu. – apareci para ele, sorrindo como um desgraçado.
- Não sei até onde você viu ou ouviu, mas não conte a ninguém.
- E o que você vai me dar em troca?
- Eu? – perguntou ele, rindo – Eu não vou dar nada. Se você contar, eu só saio ganhando. Estou pedindo por .
- Então ela me deve um favor.
- Bem, veja isso como quiser. – ele deu de ombros, e voltou a organizar a bateria de .
Ponto pra mim.
But I don’t wanna get burn”
"What did you say?"
"I don’t wanna hear, I don’t wanna know"
estava deitada em uma das espreguiçadeiras da área da piscina. Usava trajes um pouco maltrapilhos, na verdade meio masculinos, e fumava um cigarro de um jeito meio cansado. Na cabeça, um boné no maior estilo caminhoneiro. Era noite depois do show em Boise, ID, onde nada demais acontecera. O show foi terrific, é claro, mas não houve mais nada além de olhares depois de sua noite com Michael.
Ok, ela tinha de admitir que os olhares dele eram realmente de devastar qualquer sanidade feminina, mas de alguma forma, ela não se sentira tentada a ir aos aposentos do roadie afim de provar mais do seu sexo. A jovem deixou os belos olhos tocarem o céu estrelado. Suspirou, sentindo um vazio em sua imaginação. Era até meio estranho que logo ela, a líder da banda, ficasse ali meio excluída enquanto os outros festejavam. Mentira, todas as meninas estavam dormindo, e ela era a única acordada. A culpa, na verdade, era do seu cérebro, que não parava de falar enquanto ela tentava dormir. Ali, mesmo deitada, sentia que não ia conseguir descansar a mente tão cedo. Pegou o seu iPod e os fones de ouvido, e deixou-se levar por qualquer que fosse a melodia que estava tocando.
Pat estava do outro lado da piscina, e observava a líder das The R!iot descansar as pálpebras enquanto acendia um próximo cigarro. Ele não era do tipo que gostava daquilo, de fumar, mas quando aquela jovem roqueira tragava o seu cigarro, ele poderia sentir algo sexy diante de cada soprar da fumaça tóxica. A verdade é que aquele era o poder de . De fazer coisas ruins parecerem maravilhosas.
O baterista tomou um susto quando de repente uma mão grande lhe tocou um dos ombros magros.
- Ela parece bonita até mesmo vestindo roupas folgadas demais e fumando mais cigarros do que devia, não é?
Atrás de Pat, vindo de uma noitada com fãs e amigos, vinha Jared. Seus cabelos laranjas, de um tom meio loiro, estavam bagunçados e jogados de lado. Os olhos do guitarrista, que eram como os de um gato, verdes e atentos, assustaram Pat ao estarem vermelhos e irritados.
- Porra Jared, que susto. – Pat colocou a mão no peito, tentando aliviar o seu coração que bateu muito rápido de supetão. – Cara, você parece destruído.
- Michael trouxe uma maconha daquelas, nem eu resisti.
- John?
- Está semi-morto jogado na cama. Deixei-o lá, mas acho a que deveria ter prendido ele à cama. Acredita que da última vez que dividimos o quarto, ele praticamente aparatou em cima do tapete, parecendo uma girafa morta? Cara, eu fiquei assustado!
Pat riu, lembrando do amigo John, que costumava aparecer sempre mais bêbado e engraçado depois dos shows. Pelo jeito, com a maconha ele cedeu mais rápido e foi dormir. Era melhor assim, para a banda. Afinal, Pat Kirch era o membro do The Maine que mais se importava com a banda e principalmente com os fãs.
- Espera, ele... aparatou?
- Sim. Ah, sei lá, estou com um vocabulário estranho desde que uma fã me fez assistir Harry Potter. – resmungou Jared, cruzando os braços e suspirando.
- Acha que devemos comentar o que John Ohh está espalhando por aí? Eu tenho quase certeza de que ela não sabe de nada, ou não estaria assim tão calma.
- É o nosso dever.
Depois de alguns segundos de consentimento mútuo em silêncio, os dois jovens seguiram em direção a uma avoada . Ela já tinha o cigarro na boca, sem nem ao menos tirar para soprar a fumaça dos pulmões, e cantarolava Polly, do Nirvana, do jeito mais desafinado possível – de olhos fechados.
Have a seed
Let me clip
Dirty wings
Let me take a ride
Cut yourself
- ACORDA POLLY! – Jared deu-lhe um susto, mexendo o corpo da menina como assaltante que chacoalha a vítima.
pulou com o susto, derrubando o cigarro da boca e acabando por deixá-lo cair aceso em suas roupas. Rapidamente afastou-o para não se queimar.
- PUTA QUE PARIU, JARRY, VOCÊ QUER ME MATAR DE SUSTO? – a menina quase gritou, de olhos esbugalhados e um olhar sério no rosto. Jared riu.
- Foi mal, pequena. – disse o ruivo, abraçando-a.
- Eu não sou pequena, porra! – resmungou , odiava aquele maldito apelido que davam a meninas queridas. Era como se ela fosse frágil, e isso era praticamente ridículo se tratando dela especificamente.
- Pequenininha. Tiny, tiny, tiny!
- Eu te odeio, Jared. – deu um leve tapa no ombro de Jared, que quase não sentiu a mão da menina em seu braço forte.
- Eu também.
riu, e abraçou Jared forte. Assim que finalmente percebeu a presença de Pat também, abraçou-o com vontade. Pat era como se fosse o mascote do The Maine, do mesmo jeito que Alice era mascote das The R!ot. Os dois eram pequenos, fofinhos, e tinham gostos estranhos. Assim como Pat gostava de se vestir de mulher no Halloween, Alice tinha o estranho hábito de fazer pinturas no rosto, e de zumbis. Alice era fascinada por zumbis.
- Pet! – disse , enquanto entrelaçava os dedos pelos cabelos de Pat. – Pat de estimação. Pet.
já brincava, quase se esquecendo de que quase se queimara com o susto que Jared lhe deu. Sem contar no que ela estava pensando minutos antes de levar um susto, que era a sua família, e o que deixou para trás quando fugiu de casa.
- Então, qual foi o motivo do incômodo? – perguntou , com um sorriso nos lábios. Ela se amarrara em Pat de tal jeito que ele realmente parecia um bicho de estimação, levando carinho naquele cabelo macio que lhe tocava os ombros.
- Jared queria te falar uma coisa. – disse Pat.
- Ei, você também queria falar. Não é como se eu estivesse dedurando! Digo, eu sozinho... Você tá comigo nessa, Kirch.
- Detalhes. – o menino Kirch resmungou, fechando os olhos ao sentir um carinho delicioso no seu coro cabeludo.
- Bem, enfim, é que está correndo um boato. – disse Jared, obtendo então atenção dos olhos brilhantes de . Brilhantes e cerrados, sérios.
- Que boato?
- Sobre você...
- Jared, sem enrolação. Que boato? – se separou de Pat, parando de acariciá-lo. Estava extremamente ansiosa com o que Jared estava para dizer.
- Bem... O John...
- Não quero nem ouvir, não preciso ouvir.
- Mas , é importante... Digo, você-
- Nada do que se diz respeito ao O’ Callaghan merece minha atenção, a não ser se alguém tiver atropelado ele ou algo assim. Por acaso isso aconteceu? – interrompeu a menina enraivada.
- Não... – replicou um Pat sem graça.
- Então deixem o merdinha de lado. – ela suspirou, apagando o cigarro.
- Não fique com raiva, , não era nossa intenção... – Jared abraçou , que tinha os braços cruzados e um bico enorme.
Ela rapidamente cedeu ao cheiro bom e estranho que emanava de Jared. Ele era realmente uma figura abraçável, como um enorme urso panda.
- De um jeito ou de outro você vai acabar sabendo, mas não diga que nós não tentamos avisá-la. Depois você vai difamando o The Maine inteiro só por causa dos seus probleminhas com o John.
- Fuck John. – resmungou – Eu jamais “difamaria" um grupo pelo erro de um, Jared. – ela falou séria.
Jared suspirou, e roubou o lugar de na espreguiçadeira. Depois de receber alguns tapinhas, ela acabou por deitar perto dele e encostar a cabeça em seu peito. Deixou os cigarros de lado. Pat puxou outra espreguiçadeira, do outro lado da piscina e colocou ali perto, e sentou abraçando as pernas finas. Ele realmente parecia uma criança que não crescia nunca, o tal Patrick. Seu rosto parecia de um adolescente de catorze anos, e não de um jovem de dezessete que faria aniversário no mês seguinte. Ok que as sobrancelhas eram grossas, mas barba? Nem pensar. E aquilo que garotos têm quando crescem, que ficam com uma feição mais madura... Bem, Pat não tinha isso. Na cabeça dele, ele jamais conquistaria alguém como por exemplo. Uma garota como ela só queria homens mais velhos, ou que ao menos tivessem pinta de mais velho. Aliás, praticamente todas as garotas eram assim. A vida de Pat obviamente mudou depois da banda, quando garotas meio desesperadas vinham ao seu encontro. No entanto, ele era sempre o Maine mais fofo, mais bonitinho, mais meigo até.
O menino Pat suspirou diante de sua situação. Olhou para o amigo Jared e , que estavam aninhados numa espreguiçadeira que mal cabiam os dois. Jared era alto e pesado, e tinha um corpo longo, mas que parecia muito maleável, visto que ela se ajeitou de tal forma ao lado de Jarry que os dois couberam, mesmo apertadinhos. Pat queria poder abraçar uma menina como Jared estava abraçando Bela, daquela forma meio paternal. É, ele queria, mas nada podia fazer sobre aquilo. Então o jeito era se aceitar como mascote, e pedir a qualquer força superior que existissem garotas loucas por mascotes como ele. Fofinhos.
Patrick deu de ombros, e dali puxou um assunto qualquer. Como a situação escorregadia do palco no último show que quase fez com que Alice caísse de bunda no chão. Risadas, e o esquecimento do que quer que John estivesse espalhando sobre . Seria sobre sua virgindade? Mas como ele haveria de saber sobre tal? Não, ela estava ficando paranóica com isso. Tinha que esquecer. Esquecer a dor que sentiu, a sua própria loucura por ter feito aquilo sem se importar com nada. Esquecer tudo, é isso que tinha que fazer.
Kennedy Brock acordou com uma leve dor de cabeça, e tateou o móvel ao seu lado à procura do seu relógio ali jogado. O horário era 11:30 AM. Levantou-se preguiçosamente, sabia que estaria viajando para o próximo local de show depois do almoço.
Dessa vez ele dividia o quarto com Garrett, que já estava acordado lendo um HQ, silenciosamente. As malas dele já estavam arrumadas.
- Que horas você acordou, dude? – perguntou Kennedy, esfregando os olhos.
- Umas dez. – disse Garrett, com seus olhos azuis completamente vidrados no que lia.
Kennedy deu de ombros para o amigo geek, e tentou arranjar uma camisa e jeans no meio da bagunça. Acabou por optar por uma calça estilo pescador, havaianas e uma camisa sem mangas. Não estava muito frio lá fora. Era outono, e o clima em Boise era temperado; nem frio como no inverno, nem quente como no verão. Era o meio termo.
- Pra onde vamos agora? – perguntou Kenny, pseudo-arrumando suas coisas na mala. Isso é, jogando tudo e embolando o que pudesse para caber ali.
- Acho que é Salt Lake.
- Faz tempo que não vamos lá.
- É verdade... – Garrett suspirou, e abaixou a revistinha, olhando sério para Kennedy.
- O que foi? – perguntou Brock desconfiado.
- Cara, você não lembra de nada sobre ontem?
- Ontem? – o moreno se pôs a pensar – Não, não muito. Por quê? Aconteceu alguma coisa que eu deveria lembrar?
- Nina?
- O que tem minha Nina?
- “Minha Nina?” – parafraseou Garrett, com um sorriso debochado nos lábios. – Pra mim você ia acordar com vontade de estrangular ela. Ou talvez nunca mais vê-la na vida.
- E por que diabos eu ia pensar assim? – Kennedy perguntou assustado, sentando na cama do amigo. A pior parte de “viajar” era que ele sempre esquecia do que acontecia depois, principalmente quando misturava as pílulas com bebida.
- Ih! Eu não queria ser a pessoa a te lembrar disso...
- Garrett. – Kennedy disse sério, olhando para a cara do amigo como quem estava prestes a ter um ataque cardíaco. O que diabos Nina tinha feito de tão grave a ponto de ele ter vontade de estrangulá-la, ou deixar de vê-la?
O relacionamento entre Kennedy e Nina sempre fora um enigma, mas o que estava sempre óbvio era que ele gostava mais dela do que o contrário. Nina era reservada e ao mesmo tempo muito selvagem para abster-se de sua liberdade. Mas Kennedy não enxergava isso – e que apaixonado enxergaria?
- Que tal eu apenas te ajudar a lembrar e você vai juntando as peças?
- Ok.
- Então... Estávamos eu, você, John e Jared com o Michael no bar de ontem à noite. Nina e também estavam lá. estava acompanhada com um cara ruivo estranho, e Nina...
- Nina estava com outra pessoa?
- Bem... Até aí nós pensávamos que ela estava com uma amiga... muito gata, por acaso.
De repente todas as imagens – cortadas e embaçadas – do dia anterior invadiram a mente de Kennedy, deixando-o com olhos arregalados apontando para o horizonte. Ele se lembrava, agora ele se lembrava de tudo. Nina o havia traído com uma mulher. E uma mulher linda, pelo que ele bem se recordava... Mas de que isso importa se era bonita ou não? Ela o havia traído! Com uma mulher!
Brock se sentiu destruído, e de repente pareceu que o mundo parou para que sua dor se alastrasse pelo corpo. Era uma sensação de vazio, de impotência. Como ele pôde deixar aquilo acontecer? Como ela pôde ter feito aquilo com ele?
- Gary, você pode hm... Levar minhas coisas lá pra baixo? Digo, é só essa mala preta, eu já estou levando minha mochila e a guitarra.
- Sem problemas, cara. Você vai conversar com ela?
- Ainda estou decidindo se converso, grito, ou simplesmente choro desesperadamente na frente dela, como uma criança.
- Exclua a possibilidade de chorar, ou ela vai achar que você é uma bicha. Não que você não seja, mas devia disfarçar, né?
Kenny riu, pegando a revistinha do colo de Garrett.
- Devolve a revista!
O mais velho pôs a revista no local mais alto que encontrou.
- Pega você, nanico! – riu Kennedy, pegando sua guitarra e mochila e saindo rapidamente do quarto, enquanto Garrett fazia cara feia para suas costas.
- Poor Kenny – Gary suspirou, realmente sentido pelo coração partido do amigo. Ele sabia que a guitarrista das The Riot não iria aliviar, por simplesmente não entender o que era aquele sentimento que Kennedy havia nutrido por ela. Para Garrett, já estava mais do que óbvio que aquelas meninas não tinham coração, por mais lindas e talentosas que fossem. Pelo menos, fora assim que se explicou para a namorada Rachael quando perguntado sobre sua relação com as riots: “puramente profissional, só nos divertimos como amigos, nada mais”.
Bem, era verdade, quem em plena consciência ia pensar em relacionamentos sérios com meninas selvagens?
Nina estava na frente do espelho há uns 30 minutos, e mechas do seu cabelo estavam jogadas por todo o chão. Ela havia picado, digo, cortado suas madeixas que tinham uma cor alaranjada devido ao desgaste da tinta. Agora o corte era no estilo boyfriend. Até que para um corte caseiro ela havia feito boa coisa, se bem que Ali a havia ajudado a cortar a parte de trás e a passar a máquina. Estava um pouco torto para um bom observador, mas Nina estava extremamente satisfeita com o resultado.
A jovem fechou a porta do banheiro antes de começar a tirar as roupas para tomar um banho. Preocuparia-se em limpar a bagunça depois.
O banho fora ligeiramente demorado, mas logo Nina colocou a toalha sobre o corpo e saiu do banheiro, molhando tudo por onde andava por não ter se enxugado direito. Assim que ela pôs os olhos no quarto, não foi uma Alice dorminhoca que encontrou, e sim Kennedy Brock sentado na sua cama.
- Alice me deixou entrar. – disse ele, meio afoito – Ela disse que voltava já.
- E o que você está fazendo aqui?
Kennedy precisou olhar duas vezes para perceber que a menina tinha cortado o cabelo de forma tão rebelde. Olhou para o chão do banheiro ali perto, e viu as mechas ali jogadas.
- Eu... – Kennedy engoliu em seco. Não conseguia se sentir muito potente na presença da andrógina e exuberante Nina. – Eu lembrei o que aconteceu ontem à noite.
- E...? – perguntou ela, arqueando uma das sobrancelhas.
- Você estava com outra garota.
Nina sorriu, com orgulho de si mesma. Era belíssima a jovem com quem ela tinha se emaranhado na noite anterior. Além de ter uma conversa inteligente, coisa que Nina apreciava muito.
- É verdade, eu estava. – disse ela, dando de ombros e procurando uma roupa em sua mala, que era até organizada. Puxou uma calcinha, jogando a toalha na cama do lado de Kennedy, e se vestindo ali mesmo, na frente dele. Bem, do jeito que já haviam transado tantas vezes, por que diabos ela iria se privar de mostrar a ele o seu corpo magro? Para Nina, tanto faz quanto tanto fez.
- Eu pensava que a gente tinha um relacionamento, Nina, é só isso. Por que você tem sempre que ser difícil e imponente? Por que você faz isso? Por que você ficou com aquela garota estando comigo?
Kennedy desabafou tão rapidamente que Nina demorou um pouco para processar cada palavra que ele havia dito.
A andrógina suspirou, vestindo então uma camisa qualquer e sentando ao lado dele.
- Não é o bastante. – ela explicou com a voz baixa e cautelosa.
- O que não é o bastante? – perguntou Kennedy, com seus olhos castanho-esverdeados brilhando quase como se dali fosse cair uma lágrima. Ele realmente estava devastado, e engolia o choro para realmente não parecer uma bicha, como Garrett havia dito. – Eu não sou o bastante para você? É isso?
- É. – respondeu a menina, fria como um iceberg. – Você não é o bastante para mim. Não é o suficiente. Eu quero mais.
- E o seu “mais” é transar com tudo que anda, então? Se foder, Nina! – ele levantou da cama, completamente revoltado com aquela situação. Aquela seria uma discussão de casal normal se não fosse ela quem queria ser livre para fazer o que quiser, e ele insano para ficar num relacionamento monógamo com a garota que ele julgava perfeita. Os papéis estavam invertidos.
- Foda-se você, Kennedy! – Nina alterou o tom da voz, ficando realmente séria. – Nós sequer temos um relacionamento, só ficamos de vez em quando. Você não tem o direito de cobrar fidelidade de mim, ninguém tem. A única coisa que eu sou fiel na vida é as The Riot, e não a um menino que conheci no meu primeiro tour depois de assinar contrato. Porque é isso que você é, apenas um menino! Aliás, todos nessa sua bandinha medíocre são. Todos meninos que, em alguns casos, podem ter uma aparência de homem, mas não passam de meninos. Agora faça o favor de sair do meu quarto porque eu já estou puta com essa sua carinha de merda!
- Você está cometendo um erro, Johnson. Você mal me conhece para me chamar de menino, e o mesmo para os integrantes da minha banda. A única coisa que você pensa é sexo, drogas e na sua banda de aranhas. – Kennedy falou com um tom de voz mais grosso que o normal, assustando Nina.
Ela fechou a cara e cruzou os braços.
- Vai embora. E seja lá o que tínhamos, acabou. E acabou porque você é um idiota.
- Acabou porque você não sabe se controlar! – Kennedy se dirigiu à porta, antes virando para encarar a menina que estava séria, só de camisa e calcinha, fitando-o. – Eu não sei como pude me apaixonar por você.
Ele saiu batendo a porta, e Nina deixou-se desabar na cama, jogando seu corpo no colchão um pouco duro do quarto de hotel. Quando aquele tour maldito iria terminar? Ela já não aguentava mais. Havia uma óbvia incompatibilidade entre as The Riot e o The Maine. Estava tão óbvio! Além de e seus problemas com John, agora ela não queria mais sequer olhar na cara de Kennedy. Faltava apenas Alice e para desenvolver algum tipo de relacionamento repulsivo com os outros maines, e a merda estaria fedida de uma vez.
Ou talvez, apenas talvez, ela havia sido intransigente com Kenny, e nem ao menos se deixou perceber... Não, não. Ele era um idiota de não ter percebido que ela era selvagem. Ela era a garota born to be wild, pilotando uma Harley-Davidson numa estrada deserta com uma gangue de motoqueiros. Nada iria mudar o que ela era, mesmo um garoto completamente apaixonado que faria qualquer uma derreter. Nada mudaria Wild Nina.
Michael colocava as últimas malas dentro do porta-malas do tour bus. As duas bandas já estavam no ônibus, um pouco silenciosos demais. Apenas Alice e Garrett que acabaram de descobrir o amor em comum pelos zumbis não paravam de tagarelar. Kennedy estava sentado em um canto, com headphones potentes tocando alguma música definitivamente depressiva. Nina estava do lado oposto a Kennedy, e arrumava o cabelo de numa trança-raiz, cantarolando Steppenwolf. Pat e Jared estavam deitados nos beliches, dormindo como se não houvesse amanhã; eles quase viraram a noite, e estavam completamente exaustos. John tinha seus olhos escorregadios para o lado em que estava, ele lia um livro de Jean Paul Sartre calmamente, e disfarçava os seus olhares colocando o livro na frente do rosto. O que aquele magrelo aprontava, ninguém sabia dizer.
saiu do tour bus para apressar Michael, a pedidos de Tim. Acabou por ajudá-lo um pouco e começar a tagarelar sem parar sobre um assunto qualquer. Mesmo sabendo que era que estava pegando Michael, ela não podia deixar de se sentir atraída pelo aspecto Kurt Cobain dele. Fora ele quem lhe ofereceu um cigarro antes de entrar no ônibus, e os dois trocaram sorrisos maliciosos antes de embarcar para a próxima cidade: Salt Lake City.
Sue avisou ao motorista, Sr. Diggins, que já poderiam sair, o velho deu partida no ônibus para mais uma jornada.
O tempo passava arrastado, eram cinco horas de viagem para que chegassem em Salt Lake. A falta do que fazer tornava inevitável o tédio, e com quatro pessoas que mal se encaravam, o clima ficava difícil. Foi então que Tim recebeu um telefonema, no qual ele se comunicou animadamente, com um sorriso no rosto. Os garotos pensavam que era a namorada, mas assim que ele desligou o celular e olhou alegre para os integrantes do The Maine que estavam acordados, percebeu-se que não havia sido a namorada que o deixara tão atônito.
- Adivinhem só quem nós vamos encontrar em Salt Lake? – disse Tim com um largo sorriso, sentando onde estavam John e Garrett. Tim ia chamar Kennedy, mas viu que ele havia adormecido ouvindo música alta demais.
- Sua namorada? – perguntou Garrett.
- Não... Ah, já estou sem vê-la faz tanto tempo! Mas não, não é ela.
- É alguém que conhecemos? – perguntou John, curioso.
- Óbvio, ou eu não estaria comentando com vocês.
John e Garrett se entreolharam, e Alice surgiu do nada ao lado deles.
- Vocês estão conversando sobre o que? Está todo mundo me ignorando hoje. – ela fez bico. Garrett bagunçou os cabelos da menina, e ela deu-lhe um peteleco no braço. Oh, só Garrett sabia o quanto aqueles petelecos doíam.
- Chega pra cá, miúda. – disse Garrett, puxando a menina mais pra perto. John sorriu cordial para ela. É, ele definitivamente tinha colocado a culpa pelo riot que as meninas deram nele em . Ele sabia que fora Alice quem trouxe o batom para rabiscar seu corpo, mas também sabia que aquilo tudo era influência maléfica de . A culpa era toda dela.
- Nós estamos tentando descobrir quem Tim desse que iríamos encontrar em Salt Lake. – explicou John.
- Espera, eu acho que sei essa!
- Sabe? – perguntaram os outros três em uníssono.
- Ué, é o All Time Low, né? Eu sei que eu fui a antissocial ontem e fiquei na Lan House do hotel conversando com os fãs no Twitter, mas eu estou por dentro de tudo! All Time Low vai estar em Salt Lake para show único. E... Bem, vocês são amigos deles, né?
Tim, John e Garrett olharam para Alice assustados.
- Era para eles adivinharem. – disse Tim cerrando os olhos, e logo depois sorrindo. Sorrindo o sorriso que Alice adorava ver nele. – É, os caras do ATL mesmo. Acabei de conversar com o Nano. Nós já estamos pensando em juntar vocês no próximo tour.
- Os Maines e o ATL? – perguntou Alice. Tim respondeu que sim com a cabeça. – Legal! Agora deixe-me contar a novidade para as meninas!
Alice, a pluma, rapidamente levantou do sofá em que estava com os meninos para ir pro outro lado do ônibus com cuidado para não cair, mas ainda assim com muita habilidade. Alice era extremamente ágil.
Obviamente que quando Alice contou a , e Nina que se encontrariam com o All Time Low na cidade em que estavam indo, as garotas adoraram. Primeiramente, não pela música, mas pela beleza dos artistas.
- O Zack é meu e fim de papo! – disse , como que batendo o martelo.
- Porra , deixe de ser gulosa. Você já tem o Michael! – reclamou .
- Mas... Mas o Zack é tão...
- Ah gente, eu não acredito que vocês vão ficar babando no Zack. Ele só é estupidamente bonito e gostoso. Ninguém aqui parou para ouvir a voz e a fofura do Alex? – perguntou Alice com uma carinha apaixonada.
- Se for pra pegar alguém, eu quero pegar um homem. Rian é homem. E tem braços de baterista – Nina sorriu maliciosa.
- Nós somos ridículas. – riu . – Espera, mas ninguém vai querer ficar com o Jack?
As meninas fizeram careta, e gargalhou.
- Ok, ok... Entendi. , eu vou aliviar pra você, não vou seduzir o Zack. Mas se ele bater na minha porta...
- Baixa a bola, bitch, com uma gostosa como eu no encaixe dele pra que diabos ele vai querer você?
riu de novo, fazendo um troféu joinha com as mãos. Do outro lado da sala, os garotos ouviam a conversa ao mesmo tempo que desaprovavam a atitude nas meninas.
- Mulheres... – Tim deu de ombros e rolou os olhos, e foi procurar saber de Sue, que sentava com o motorista, se eles já estavam perto de chegar.
I guess I’ll go home now
Se alguém colocasse " " no Google, os primeiros resultados já podiam dar a menina algum crédito. Já havia uma página da Wikipédia para ela – que apenas indicava a sua data de nascimento e envolvimento com uma banda de rock all female, o MySpace da banda, o Twitter da banda e algumas respostas do Yahoo. Na busca de imagens, havia cinco fotos em destaque. A primeira era do photoshoot da banda para divulgação do primeiro single, My Medicine, onde ela aparecia com uma cara de perdida e alucinada e na mão um potinho que dizia “Lucy in the Sky with Diamonds”. Cada uma da banda fez a mesma foto, só que em posições diferentes. A segunda foto era uma tirada em um dos shows, em que ela estava brincando de pole dance no traste do microfone, com um sorriso nos lábios. Havia duas fotos com a banda, em que as quatro estavam divertidas e sérias respectivamente, e por último, uma foto de má qualidade em que ela e John O’ Callaghan cantavam no palco olhando um para o outro – provavelmente tirada no dia do incidente com Under Pressure. A foto estava tremida, e se alguém clicasse nela, apareceria uma postagem em um blog de uma garota estranha com o título “ and John O’ Callaghan: a couple?”
Provavelmente a menina estranha que redigia o blog não tinha noção do que acontecia entre aqueles dois. Na postagem havia vários outros vídeos em que os dois conversavam cordialmente – e falsamente – na frente de fãs, além de uns vídeos meio doentes com fotos dos dois como se eles fossem o casal do momento.
A sorte era que jamais colocara seu nome no Google para ver aquilo. As poucas vezes em que procurava por si mesma lá, era pelo nome das The R!ot, em que ela lia algumas críticas de shows feitas por sites especializados ou por fãs. Aliás, ela adorava ler tudo que os fãs escreviam. E nem sempre era para amaciar seu ego, na verdade, ela gostava de saber mais sobre as pessoas que curtiam a sua música.
A primeira noite em Salt Lake City era livre, e o show do All Time Low aconteceria também na mesma noite, marcado para às 21 horas.
O tour bus The Maine/The R!ot chegou à cidade por volta das seis, o que não deu aos passageiros muito tempo para fazer alguma coisa. A maioria tinha adormecido durante a viagem, o que os fez sair do ônibus com caras cadavéricas. Alguns fãs, os mais dedicados, já estavam à espera no hotel em que as bandas estariam hospedadas. Havia muito mais garotas do que garotos, e o estranho foi ver que a maioria estava à procura das riots, e não dos maines. Seria muito mais aceitável que as garotas viessem ver a boyband, mas eles estavam no segundo plano. Além das obviamente bissexuais ou homo, que procuravam nas riots one night stand ou talvez um amor pela eternidade, outras queriam copiar o estilo, aprender alguma coisa. Elas queriam cavar na história de cada riot, queriam saber tudo, beijar-lhe os lábios, abraçar forte, conseguir uma boa foto e um vídeo engraçado para postar no YouTube.
Entre uma dessas garotas estava Wanda, ex-colega de na Tempe Middle School. Ela, que na época era apaixonada pelo O’ Callaghan e uma das que adoravam um bullying na estranha , estava boquiaberta quando a viu ali, fazendo um tour com o The Maine. Wanda, aliás, estudou com John até a formação do The Maine, e conseguiu acompanhar os primeiros passos. Era bem possível que John ainda lembrasse o nome dela por ter saído para uma cerveja com a jovem e suas amigas, eternas fãs do The Maine. Ele estava com Halvo, seu melhor amigo, naquele dia.
Foi até bem rápido que John reconheceu Wanda e seus cabelos muito e naturalmente loiros, e puxasse conversa com ela.
- Aquela ali é a fofona? – perguntou Wanda, apontando para uma distraída que tirava foto com uma fã enquanto um garoto puxava seu braço para outra foto,
- Sim. – respondeu John monossilábico, mas com um sorriso nos lábios. – Quem diria, né?
- Não consigo acreditar! Será que ela fez lipo nas bochechas? – disse Wanda debochando.
- As pessoas crescem, Wanda. – disse John, ignorando o deboche.
- É verdade... – sorriu ela, esquecendo o pequeno corte que John lhe dera para tentar uma de galante.
As outras fãs ali perto, que checavam se as fotos ficaram boas ou admiravam os autógrafos em seus corpos ou CD’s, ouviram a conversa e trocaram sorrisos maliciosos. Uma baixinha de óculos e olhos apertados puxou o braço de John, chamando sua atenção.
- Você e se conheciam de antes do tour? – ela perguntou como quem não quer nada, com seus olhos apertados transparecendo ingenuidade.
- Nos conhecemos da Middle School. – disse ele, sem querer se aprofundar para não acabar soltando um “eu era o inferno na vida dela e ela me odeia até hoje”. Isso acabaria com seus planos.
Antes que a baixinha pudesse perguntar algo mais específico, Tim já batia palmas e chamava a atenção dos presentes.
- Vamos gente? Temos que ir. Amanhã antes do show eles vão estar aí para conversar com vocês. Vamos, vamos, vamos!
- É, vocês também, meninas. – disse Sue, e as riots se reuniram perto dela para conseguirem, finalmente, subir no Hotel. O problema é que alguns fãs eram hóspedes, o que fazia com que fosse extremamente difícil se livrar deles. Mas nada que um pouco de tato não resolvesse.
- Até amanhã! – disse , se livrando do garoto de sardas e jaqueta de couro.
- Vocês vão no All Time Low hoje? – perguntou o menino sardento, curioso.
- Talvez... – respondeu com um sorriso galante. Era exatamente aquilo que fazia com que os garotos caíssem por ela: o mistério.
É claro que ela iria, e jamais perderia um show dos All Time Low; mas ela adorava deixar a dúvida.
Sue deu ordens para um calado Michael que assistia a cena, pedindo para que não levasse todas as malas sozinho e pedisse ajuda para os carregadores do hotel.
Todos foram descansar em seus respectivos quartos antes do show do ATL, menos as garotas, que tinham que procurar por roupas que não estivessem sujas ou sem passar nas malas. Em tour, elas tinham que escolher um guarda-roupa pequeno e que pudesse dar a elas diferentes combinações. Às vezes, era possível que se usasse um mesmo jeans em três ou quatro shows, só que em cidades diferentes. era de longe a mais desorganizada, e faltava até mesmo calcinha nas suas coisas, o que a fazia usar partes de baixo de seu bíquini para não ficar sem.
Nina saiu para um salão perto do Hotel para ajustar seu corte novo, e aproveitou para descolorir e pintar de um loiro quase cinza, quase branco. a acompanhou, mas ainda sem intenções de pintar seu cabelo, por mais que ele já apresentasse as raízes escuras fazendo contraste com o dourado que pintara da última vez, há dois meses. Ela preferia deixar para fazer aquilo depois, num salão melhor, que não fosse foder com seu cabelo que já era bem destruído de química, no entanto a cabeleira sobrevivia devido à oleosidade e aos cuidados que vez ou outra a jovem tinha.
Eram exatas sete horas e vinte e sete minutos quando e Nina voltaram para o quarto de hotel. Dessa vez, elas ficaram juntas no mesmo quarto, então não houveram muitas reclamações de Alice, por exemplo, que queria estar pronta no horário, pelo menos não naquele exato momento.
e Nina começaram a se arrumar rapidamente, tendo que tomar banho juntas para adiantar. Menos de dois minutos depois de saírem do box, Alice já começava a bater na porta desesperadamente.
- Já estão prontas? Vamos! Está todo mundo pronto!
Nina colocou a toalha ao redor do corpo e foi atender a porta, onde Alice e se encontravam arrumadas e afobadas.
- Mas já? – olhou no relógio do celular – Ainda são sete e trinta e seis!
- Ué, nós vamos pro backstage antes. Temos que sair daqui antes das oito, pelo menos! – disse , enquanto jogava seu peso em uma das camas de solteiro do quarto.
- Legal! – disse Nina, enquanto procurava a roupa que tinha separado para sair. Era uma mistura muito louca de estilos, e realmente muito andrógino, mas que no corpo de Nina parecia cair perfeitamente. Sua roupa era a sua cara.
também se apressou a vestir sua roupa, que pelo jeito foi a mais punk de todas. Ela também era a única que vestia shorts, já que as outras meninas da banda estavam todas de calças. Mas quem se importava?
A maquiagem de Nina e foi no estilo The Flash. As duas eram boas com pincéis e sabiam exatamente o que colocar no rosto para parecerem potencialmente mais bonitas. Assim que saíram do quarto, Michael estava com uma câmera na mão as filmando.
- Que porra é essa? – perguntou , que quase bateu a testa na câmera que Michael segurava.
O jovem de cabelos dourados sorriu encantador.
- Susan pediu-me para ser câmera man também. Estou ganhando a mais por isso. – ele desligou a câmera para responder. Era um belo de um aparelho, uma Canon profissional nova em folha com capacidade para filmar no escuro e em alta definição.
se aproximou de Michael para dar uma olhada na câmera.
- , vem ver. Era dessas que você queria, né? – perguntou ela, pouco se importando com o olhar em buraco negro que Michael lhe dera.
- Está bonita hoje, . – ele comentou baixinho, e teve um “Thank you” sussurrado da parte da vocalista.
se aproximou da câmera, e quando percebeu o aparelho que segurava em mãos, quase teve um surto.
- É essa! É essa sim! – disse animada – Como Sue conseguiu uma dessas? Seria perfeita para filmar meus documentários!
Depois de rockstar o maior sonho de era ser uma cineasta. Também, com a quantidade de cultura inútil que seu cérebro armazenava, a profissão de cineasta lhe cairia como uma luva.
- Susan também disse que era para eu filmá-las em alguns momentos, que ela contratou uma menina aí para editar os vídeos e começar o canal de YouTube de vocês.
- Mas e o MySpace? – perguntou Nina, sem entender muito das tecnologias.
- MySpace is over, Nina. – respondeu Alice – Estava mesmo na hora de começarmos nosso canal do YouTube. E também de fazer página no Facebook. Aliás, precisamos muito nos atualizar nas redes.
- E a gente tem que fazer isso durante o tour? – perguntou Nina, com uma voz preguiçosa.
- Não há motivos para não fazer. Iria melhorar as vendas de ingressos, sem dúvidas. Aliás, eu nem sei como estamos conseguindo vender todos os ingressos de shows nessas cidades.
- Por causa do The Maine? – perguntou .
- Talvez... – disse Ali.
- Talvez o quê, Alice? Eu acho é que nós somos fodas e que as pessoas estão descobrindo isso no boca-a-boca mesmo.- resmungou , que não aceitava estar na sombra do The Maine. Nem em começo de carreira. – Vocês não viram hoje mais cedo quando chegamos, quantas pessoas estavam à nossa procura?
- Bem, , você pode estar certa, mas se ainda quisermos ser rockstars, temos que conquistar o mundo. – Alice falou de um jeito certamente um pouco superior. Como uma professora que ensina os alunos.
- Isso não será problema. – disse , num suspiro. – Agora, vem cá, nós não estávamos atrasadíssimas?
- Sim, sim! É verdade! – disse , voltando a ser a hiperativa de sempre, e começando a empurrar todo mundo para onde estava o elevador. Michael voltou a ligar a câmera no elevador, onde as meninas começavam a brincar de fazer coisas idiotas. Em certo momento, cada uma estava fazendo o som de um animal diferente, chorando de tanto rir, e a porta do elevador se abriu revelando um grupo de idosos.
Todos eles seguraram risadas até se afastar do grupo de idosos que entrava no elevador olhando chocados para os jovens que além de usar aquelas roupas estranhas, ainda imitavam animais dentro do elevador.
Michael abriu a porta da van para as meninas, sempre cavalheiro, e esperou até que todas entrassem para entrar também. No automóvel, os meninos do The Maine já estavam acomodados e barulhentos. Pouco menos de um minuto depois, Susan e Tim entraram na van, a loira rapidamente pedindo ao motorista para que desse partida.
No meio do caminho foi que percebeu que Michael sentara ao seu lado, e que uma de suas mãos tocava em sua coxa sem querer. Na verdade, ele estava apenas com a mão no banco, mas a proximidade entre os dois e as manobras que a van fazia acabava por deixar que a mão dele sempre tocasse um pouco da coxa de . Naquele exato momento em que ela se apercebeu, olhou para Michael, que tinha um sorriso no rosto e o olhar atravessando a janela. A jovem sorriu também, e não conseguiu evitar provocá-lo um pouco. Deixou que a sua mão escorregasse por cima da dele, e esperou que ele olhasse para que ela pudesse simplesmente sorrir maliciosa, e depois voltar à posição normal.
- Always just a little tease. – disse ele quase tão baixo que poderia ser inaudível, caso os dois não estivessem tão próximos.
- Later. – ela disse-lhe apenas, depois entrando na conversa entre Nina e Jared sobre a superioridade dos Rolling Stones.
Ali perto John, que estava na segunda fileira de bancos, assistia tudo com uma cara nada feliz. Ele definitivamente não gostava do jeito em que provocava Michael. Talvez porque aquele era exatamente o jeito que ele gostaria que ela o provocasse, mas no meio em que andavam as coisas entre os dois era bem possível que a única coisa que ela provocasse seria a sua morte. Mas no fundo, John não se importava, ele sabia a carta que tinha na manga.
Assim que chegaram ao local do show, as duas bandas seguiram seus empresários até o backstage, onde receberam credenciais e logo entraram no camarim do All Time Low.
Os garotos do The Maine entraram primeiro, já velhos conhecidos do ATL. As duas bandas já haviam feito um tour juntas, e mantinham uma amizade realmente adorável. As riots entraram no local meio tímidas, e na verdade, as outras três empurravam na frente. Quando ela reclamou, sussurrou algo como “você é a líder”.
Era meio estranho se apresentar aos caras do All Time Low quando eles estavam em extrema intimidade como meninos do The Maine. As garotas se sentiam intrusas. Mas, naquele momento, Zack Merrick – o baixista da banda – olhou para o grupo de meninas que ali estava meio acuado, guiados pela jovem de cabelos tingidos de louro. Ele sorriu, já as reconhecendo como a girlband de quem Alex havia se referido mais cedo, e que estava em tour com o The Maine. Zack deu passos decididos em direção a elas, e provavelmente cumprimentaria que estava na frente, mas ressurgiu das trevas quando percebeu a situação, e se colocou na frente de , sorrindo para Zack de um jeito cordial e meio malicioso ao mesmo tempo.
- Eu sou Wolf. – ela disse meio afobada, o coração meio que querendo pular do peito. Ela não era o tipo de garota com muita atitude para conquistar rapazes, mas o fato de que pensava em competir com ela, fez com que tomasse vergonha na cara e fosse falar com o tal quem ela estava interessada.
- Zack Merrick. – ele estendeu a mão para um cumprimento. o cumprimentou assim como a amiga havia lhe instruído há anos atrás, quando ela deixava de ficar com os garotos por simplesmente ter vergonha de fazer alguma besteira. A ruiva olhou-o nos olhos, fitando sem parcimônia.
- Essas são minhas bandmates. – apresentou as garotas, mas nem se apercebeu que já não estava mais lá. Então Alice, ao também cumprimentar Zack com um aperto de mão, só que de um jeito muito mais tímido, mostrou que já cumprimentava Rian Dawson com dois beijinhos, e passava para um Jack Barakat que quase se ajoelhava aos seus pés.
- E aquela é . Mas ela prefere ser chamada de . – disse Alice, baixinho, como boa garota tímida socialmente que era.
- Vou cumprimentá-la mais tarde, ela me parece ocupada. – disse Zack, com um sorriso encantador. podia sentir suas pernas tremerem e coração acelerar. Seus olhos cor de âmbar passaram pelos braços de Zack, que estavam descobertos, e ela realmente achou que ia ter uma infarto ou coisa parecida. Sua imaginação fértil já fazia o favor de deixá-la pensando sobre como seria o sexo com um cara como Zack, com aqueles braços.
Do outro lado, já parecia bem à vontade, apesar de por dentro estar acuada e com medo de falar besteira. Por último ela havia cumprimentado Alex Gaskarth, que realmente tinha um jeito adorável, assim como Alice havia comentado. Ela sentiu que ele o olhava de um jeito diferente, mas resolveu não se importar muito. Ele não era o tipo de cara em que costumava se interessar. Logo voltou para onde sua banda estava concentrada, como se fosse uma espécie de proteção. Agora eram pelo menos treze garotos versus cinco garotas. Um pouco intimidador quando todos eles se conheciam, e elas não tinham qualquer intimidade. Nina reclamava que Sue não a deixava fumar, e reclamava mais ainda que todos aqueles garotos não fumavam, apenas bebiam como boêmios. Nina amava fumar, não fazia apenas parte da sua pose, mas também da sua criação. Seus pais eram fumantes, seus avós também, era toda uma tradição. Mas os malditos médicos e cientistas alertaram: fumar faz mal à saúde. O que Nina queria fazer era gritar para todo mundo ouvir: “Foda-se!”. Mas naquele momento ela teve que se abster do Malboro que guardava no bolso da blusa quadriculada, e continuar a reclamar baixinho.
Depois de os maines colocarem o assunto em dia com Zack, Alex, Jack e Rian, as meninas já estavam começando a se familiarizar. Não que aqueles caras fizessem muito o estilo de música delas, mas eles tinham um bom humor para dar e vender. Havia o bromance de Jack e Alex, que era a coisa mais engraçada do mundo, e mesmo a tímida Alice não conseguia deixar de dar uma boa gargalhada. Aos poucos as meninas deixaram seu estado de tartarugas ninjas em defesa para começar a se soltar, e aproveitando também a amizade com os maines para fazer parte de toda aquela conversa.
Os empresários ali presentes se dirigiram a um canto do cômodo em que puderam abrir um vinho e tomar seus drinks sem preocupações, discutindo o que eles mais gostavam de discutir: música, oportunidades e fofoca.
O tempo passou rapidamente, e logo Matt Flyzik, o tour manager do ATL, apareceu de repente com o aviso de “dez minutos”. Num instante a preparação foi feita, os convidados praticamente expulsos, e só dava para ouvir Alex, Jack e Zack fazendo sons com a garganta e Rian batucando qualquer coisa que visse na frente. As meninas se retiraram deixando beijos em bochechas ásperas, e foram procurar lugar onde ficariam, atrás do palco.
Dali em diante foi esperar para as luzes apagarem, a multidão começar a gritar, calcinhas, bichos de pelúcia e cartas serem jogados no palco assim que os quatro jovens entraram para começar o show. A primeira música fora Six Feet Under Stars.
Nina aproveitou o momento para acender seu cigarro e sentar ali perto, assistindo a tudo com uma cara um pouco entediada. Ela não conhecia todas as músicas da banda, apenas as mais famosas, como “Dear Maria, count me in” e “Damned If I Do Ya (Damned If I Don't)”. Até que aquelas músicas fossem tocadas, ela permaneceria ali, com a expressão de quem comeu e não gostou, fumando seu precioso cigarro.
Alice estava animadinha, mas sem soltar charme para ninguém, apesar de que Jack a achou a coisa mais linda na face terrestre, e ele até chegou a dizer isso a ela, mas a menina não levou muito a sério. Ela sabia a música e cantava no tempo certo.
Fingerprints sold me out
But our footprints washed away
From the docks downtown
teve uma bebida oferecida por Jared, que estava ao seu lado, e tomava enquanto mexia a cabeça para um lado e para o outro, no ritmo da música, vez ou outra cantando um pouco do que sabia.
And I feel myself deserving of a little time off
We can kick it, hang for hours
And just mouth off about the world
And how we know it's going straight to hell
olhava para Zack como se ele fosse algum tipo de Deus. Ela estava do outro lado do palco, e por isso vez ou outra olhava para ela e mexia os lábios mandando uma mensagem “A baba tá caindo”, e rindo.
The Jaeger's so sweet
But if it keeps you around, then I'm down
O palco em que o All Time Low se apresentava era bem maior do que qualquer um dos que as riots ou os maines já estiveram. Eles, o ATL, já estavam em um patamar diferente.
A música seguiu com aplausos e sutiãs caindo no palco, Jack os colecionando e colocando-os sobre a traste de seu microfone. Ele sempre fazia aquilo, era até previsível!
O show não podia ser definido em outra palavra que não fosse “maravilhoso”. Os fãs de All Time Low eram realmente muito apaixonados, e os próprios alegravam e davam esperança à platéia de que eles estavam sempre por perto.
Antes de sair do palco, os meninos do ATL fizeram uma surpresa ao chamar seus convidados para o palco. Como já estava todo mundo meio alterado pela quantidade de bebidas alcoólicas no backstage, a entrada deles foi meio bagunça. John pegou o microfone de Alex, colocando o braço ao redor do pescoço do amigo, e falou qualquer besteira que fez alguns fãs pirarem. foi convidada a falar no microfone também pelo Jack, que fez questão de fazer piadinha.
- Hey, Alex, o meu partido é muito melhor do que o seu! – disse Jack, fazendo colocar o braço ao redor do seu pescoço assim como John havia feito com Alex. O público riu, enquanto ele desajeitadamente abraçava uma risonha.
- Jack, olha esse abdômen. Eu aposto como seu partido não tem um igual! – Alex replicou, subindo a camisa do John e alisando o seu abdômen, enquanto o outro gargalhava.
- Meu partido tem peitos! – Alex apontou para os seios de – Sem mais!
Acabando com o bate e rebate de Alex e Jack, Zack finalmente falou algo ao microfone.
- Esses são The Maine e The R!ot, que estão fazendo um tour juntos e vão se apresentar amanhã aqui em Salt Lake City! Um grito para eles!
- Onde vocês irão se apresentar, ? – perguntou Alex, que se desvencilhava de John e sua animação exagerada.
- No In The Venue, às 19 horas. Vem gente, vai ter... – puxou o ar para gritar ao microfone, com sua voz rouca – ROCK N’ ROLL!
A multidão também gritou animada, impressionados com a voz estridente de .
- Essa menina é foda. – disse Jack, dando um beijinho molhado de suor na bochecha de , que fazia cara de nojo, só de brincadeira.
- É isso gente, temos que ir, mas esse não é o fim! Vamos tocar mais uma para vocês e esperamos que nossos convidados nos ajudem.
Num instante os assistentes de palco vindos das trevas deram microfones a John e . Num instante a música começou, e ambos John e reconheceram na hora. Enquanto isso, os outros bandmates andavam de um lado para o outro, ficando na beirada do palco às vezes para assinar nos fãs ou deixá-los tirar fotos loucas.
I'm coming with you
Dear Maria, count me in
olhou para Alex de um jeito sugestivo antes de interrompê-lo e cantar o restinho da introdução.
And I'm the pen
Alex não pode deixar de se arrepiar com a voz da menina, que era realmente sensacional. Uma ideia rapidamente surgiu em sua mente, e ele finalmente havia encontrado a pessoa perfeita pra fazer o que ele queria fazer.
I wanna watch the way you
Take the stage by storm
The way you wrap those boys around your finger
Go on and play the leader
'Cause you know it's what you're good at
The low road for the fast track
Make every second last
John fez o backvocal na música ao mesmo tempo que percebia que a letra falava um pouco sobre . Na verdade, conseguia traduzir muitas coisas sobre a jovem com aspiração a rockstar.
I'm coming with you
Dear Maria, count me in
There's a story at the bottom of this bottle
And I'm the pen
Make it count when I'm the one
Who's selling you out
'Cause it feels like stealing hearts
Calling your name from the crowd
(...)
Depois do show, aconteceu o que já era previsto. As três bandas se reuniram para um hang out, e acabaram todos no lobby do hotel em que The Maine e The R!ot estavam hospedados. Nina parecia finalmente ter se entrosado, principalmente quando trouxe seu violão, um Gibson de doze cordas, para cantar músicas aleatórias. também já tinha providenciado o que ela fazia de melhor: comida, e parecia que Zack amara essa sua habilidade. Alice estava morta de sono, e estava deitada no colo de Garrett que lhe fazia carinho na cabeça, sem quaisquer segundas intenções. Kennedy tentava não olhar muito para Nina, mas ainda assim cantava ao som das músicas que ela e Jared tocavam. , por sua vez, estava sentada do lado de seu querido Jared, que também tinha um violão em mãos e acompanhava Nina nas batidas. Pat estava sentado ao seu lado, comendo o doce de e cantando baixinho, já cansado. Ele tinha sua cabeça encostada no ombro de , como um cachorrinho pedindo carinho.
Foi de repente quando Alex saiu da roda e voltou com um violão em mãos, indo em direção à de um jeito decidido.
- . – chamou ele, meio sem graça.
- Oi. – ela disse com um sorriso fraco.
- Será que eu posso te mostrar uma coisa?
mexeu a cabeça positivamente, e afastou a cabeça de Pat do seu ombro, beijando-lhe a testa. “Volto já”, ela disse, “Cuide das minhas meninas, e não deixe Michael vir aqui vendendo aquelas coisas.”
Pat assentiu com o pedido, e suspirou ao ter que ficar sentado sem nada a se encostar, principalmente o corpo cheiroso de .
Alex e seguiram para um local mais reservado, em que houvesse menos barulho. Acabaram por sentar num tipo de varanda do lobby do Hotel. Alex puxou um papel meio amassado do bolso do seu jeans e mostrou a .
- É uma música que eu escrevi. – ele disse com uma expressão adorável e insegura no rosto – Só que precisa de uma voz feminina. Aqui, no final, está vendo? Eu coloquei de caneta vermelha.
deu uma olhada no papel e leu toda a letra pacientemente. Era quase como se ela pudesse sentir as palavras que ele havia escrito. Até mesmo na sua grafia, o sentimento estava presente. Ao fundo, Alex tocava a melodia da música, uma melodia perfeita, uma harmonia sensacional.
- Ouça... – ele disse, e voltou a tocar a música do começo.
Started making his way past
Two in the morning
He hasn't been sober for days
Leaning now into the breeze
Remembering Sunday, he falls to his knees
They had breakfast together
But two eggs don't last
Like the feeling of what he needs
fechou os olhos, ela queria ouvir a música em toda a sua sensação. Fechar os olhos, para ouvir com o coração.
She pulled on his hand with a devilish grin
She led him upstairs
She led him upstairs
Left him dying to get in
Forgive me, I'm trying to find my calling
I'm calling at night
I don't mean to be a bother
But have you seen this girl?
She's been running through my dreams
And it's driving me crazy, it seems
I'm gonna ask her to marry me
- É linda... - ela comentou baixinho e Alex sorriu com seu comentário, não deixando, portanto, de cantar a música.
He's determined to call her bluff
Who could deny these butterflies?
They're filling his gut
Waking the neighbors, unfamiliar faces
He pleads though he tries
But he's only denied
Now he's dying to get inside
Forgive me, I'm trying to find my calling
I'm calling at night
I don't mean to be a bother
But have you seen this girl?
She's been running through my dreams
And it's driving me crazy, it seems
I'm gonna ask her to marry me
estava em mind blown. Como esse mesmo cara, que tinha feito aquele show que ela acabara de presenciar, fizera uma música tão excepcionalmente romântica como aquela que ela estava ouvindo agora? A jovem olhou mais uma vez para o papel que ele lhe dera: “Remembering Sunday”, era como se chamava a canção.
Funny how it rained all day
I didn't think much of it then
But it's starting to all make sense
Oh, I can see now that all of these clouds
Are following me in my desperate endeavor
To find my whoever, wherever she may be
- Essa seria sua parte. Eu estava pensando em duas vozes ao mesmo tempo, ou seja, uma voz de frente e outra meio que gritando no back.
- E depois a do back iria tomar conta.
- Sim! Como você soube? – perguntou Alex confuso.
- Tá escrito aqui. – ela disse sorrindo.
Ele riu, bagunçando o cabelo.
E eles ficaram ali, testando a música, tentando aprender a cantar e vez ou outra eles riam de alguma piada interna. Podia ser cedo para dizer, mas tinha uma óbvia queda por vocalistas.
- Essa é a última vez. Eu prometo que não vou errar. – disse .
- Ok, ok... Vamos só nessa parte então.
Antes que Alex pudesse dar o primeiro acorde, um animado John apareceu de repente. Alex riu do jeito em que o magrelo andava, sem muita coordenação, e pediu para que ele se sentasse ali, para ouvir a música que ele escrevera em dueto com . Quando ela começou a cantar, um arrepio percorreu John, quase como se tivesse passado um espírito pelo seu corpo.
I've done something so terrible
I'm terrified to speak
But you'd expect that from me
I'm mixed up, I'll be blunt
Now the rain is just washing you out of my hair
And out of my mind
Keeping an eye on the world
From so many thousands of feet off the ground
I'm over you now
I'm at home in the clouds, towering over your head
Era a primeira vez que ela havia cantado sem errar, e Alex sorriu largo para a menina que parecia ter corrido uma maratona. Seu coração bateu forte de repente, porque ela finalmente havia internado aquelas palavras que tinha acabado de cantar. Elas saíam da sua alma para fora, e seus olhos não puderam deixar de marejar.
- ? – Alex tentou chamar sua atenção, mas ela pediu um tempo com a mão, e procurou qualquer lugar para esconder o rosto.
A camisa quadriculada de um confuso John ao seu lado foi a primeira coisa que ela encontrou, e ali afundou o rosto para limpar as lágrimas que insistiam em cair. Na verdade, alguns trechos daquela música lhe lembravam seu pai, e sua relação com sua família. “I’m not coming back”, seria dela para seus pais. “I did something so terrible”, diria o seu pai para ela e sua mãe, e assim por diante. Também lembrava-se de relacionamentos passados, e ao mesmo tempo havia uma história de ficção sobre aquelas duas pessoas apaixonadas as quais Gaskarth havia escrito sobre. É claro que a intenção de Alex com aquela música era meramente romântica, e na verdade, se ele lhes contasse a inspiração, aquilo se tornaria ainda mais sem noção.
Alex observou a cena, e via que John passava a mão pela cabeça de de um jeito carinhoso, suspeito. Então, o que ele lera ao por o nome de no Google era verdade? Eles eram um casal? Sem intenção de ofender o amigo John, mas era um desperdício que uma garota como ela não estava disponível. Ela era linda, talentosa, extremamente inteligente – tudo isso aos olhos de Gaskarth.
Na mente de John, ele conseguiu o que queria mesmo sem querer. Podia ver que Alex já pensava que eles eram um casal, e que provavelmente tinha visto algo no blog da menina esquisita o qual ele mandou uma mensagem anônima inventando o próprio boato de que os dois estariam juntos secretamente. Era mesmo um golpe de mestre. Quando a notícia estivesse suficiente espalhada, ele jogaria sua outra carta na manga, o segredo de sobre sua virgindade. Ah, ela odiaria que todos soubessem que a “super fodona” não passava de uma virgem há alguns dias atrás. E então ele finalmente poderia desfrutar do seu brinde: uma fofona roqueira, de corpo divino, e cheia de amor (ou ódio, tanto faz) para dar.
finalmente tirou o rosto da camisa de John, que estava agora um pouco molhada de lágrimas.
- Foi um cisco que caiu no meu olho. – ela disse séria, fungando um pouco ainda. – Essa música é linda, Alex. Eu sei que é uma comparação meio infame, mas é quase como More Than Words e Extreme. Sei lá, eu jamais imaginava que você seria capaz de compor algo assim.
Alex sorriu, sentindo-se lisonjeado.
- Obrigada, . Isso quer dizer que você vai gravá-la?
- É óbvio! Vamos falar com Sue amanhã, eu espero que ela goste da ideia.
E aquele era o momento em que, se a cena fosse um filme, a câmera se afastava progressivamente até filmar todos em suas situações. Jared e Nina tocando violão, Kennedy comendo os restos de comida, Jack dançando só de boxers e minutos depois fugindo do segurança; Zack e já num canto, beijando-se como se fosse a última coisa que fariam na vida. Alice dormindo, Pat dormindo, Garrett dormindo. Rian acabando com os últimos goles de cerveja da última garrafa. , John e Alex dando risadas como se fossem velhos amigos, e o raiar de um novo dia surgindo no horizonte.
“Viva Las Vegas”
Quem está no ramo do show business, seja como artista, produtor, ou empresário, bem sabe que a imagem é essencial para a construção de uma estrela. É claro que nos dias de hoje as coisas estão diferentes; as pessoas estão supervalorizando a imagem de modo a fazer apresentações cada vez mais superficiais. Há uns trinta anos, não existia artista que não sabia fazer ao vivo; mas, ao mesmo tempo, eles criavam um estilo visual para seus fãs. Com ou sem supervalorização, a imagem é simplesmente indispensável. Os caras do Kiss, em sua “era dourada” bem aprenderam a lição. Depois de tirarem suas maquiagens loucas e as roupas de drag, eles eram apenas caras normais, e não mais o super Kiss. Pelo menos eles deixaram um carimbo na História do Rock; quem poderá esquecer de um ao vivo de Rock 'n' Roll all night com aquela banda de insanos, ou o tamanho da língua do baixista?
O Kiss se tornou uma lenda pelas roupas que usavam, e não especificamente pela música que faziam.
Existe o outro caso, o do David Bowie, que é bastante peculiar. Bowie – o maior ídolo de – é conhecido como o “camaleão Bowie”, por sempre mudar de estilo. Ele criou diferentes alter-egos para cada época de sua música, e se reinventou sempre. Não existe um álbum do Bowie que seja sequer parecido com outro. São todos diferentes, todos coisa nova, e o mesmo acontece com seus looks. Ziggy Stardust, The Thin White Duck, ou o Bowie moderno de Heathen; novos penteados, novo guardarroupa, novo tudo.
Sue bem sabia disso, e queria dar às R!ots um estilo próprio. Elas já queriam ser deusas do rock 'n' roll, mas precisavam demonstrar isso no jeito em que se vestiam. Obviamente, durante o tour, não dava pra fazer muita coisa, principalmente com o dinheiro que haviam ganhado. Ainda não era suficiente para fazer uma extreme makeover, mas o bastante para levar as garotas a um excelente salão em Las Vegas para lhes dar um look tão selvagem quanto elas mesmas.
O tour bus já estava na estrada novamente, dessa vez em direção à Vegas, e Sue Levin estava mais do que acordada remexendo seus planos para as meninas. Ela já estava tomando as rédeas do negócio, e Tim pouco interferia em suas decisões. Na verdade, Tim estava já começando a tentar salvar as riots do punho de ferro dela. Como no dia anterior – que na verdade era a madrugada do mesmo dia -, em que Tim encontrara os jovens do The Maine, The R!ot e All Time Low jogados pelo terraço do hotel, a maioria adormecidos. Sendo ainda que dois deles, Zack e , estavam praticamente sem roupas e enroscados como se estivessem tentando a fusão antes de cair de sono. e Alex eram os únicos acordados, ambos fumando um cigarro e assistindo o sol nascer. Tudo fedia a bebida, cigarro, e gente que não toma banho. Até mesmo a fofa Alice estava abraçada a uma garrafa de Heinekein enquanto usava a bunda de Garrett, deitado de bruço, como travesseiro.
Uma bagunça.
Por mais que Tim tivesse acobertado, e dito que eles eram “jovens e precisavam aproveitar a vida”, Susan não ficou muito feliz. “Beber sim, mas não até cair, pelo amor de Deus. Se uma pessoa aparecesse aqui nesse terraço e achasse vocês quatro com esse bando de marmanjos, iam achar que rolou a maior suruba!”, disse Sue em contrapartida, mas ao invés de repreender, acabou arrancando boas risadas de todos presentes.
Depois da cena, foi preciso jogar água na cara de muita gente para conseguir que eles se arrumassem para sair. Naquele dia, Michael parecia ter dormido a noite toda, porque estava com humor impecável. As meninas, quando finalmente aconchegadas em seus beliches no tour bus, passaram a chamá-lo de “Anjo Michael”. , aproveitando a oportunidade, fez questão de dizer que ele era o seu anjo. Ela não durou muito tempo para ver como Michael estava mais do que lisonjeado, e deixou um bilhete dentro da capa de seu violão.
O movimentar do ônibus deixava John enjoado. Ele sequer conseguia dormir direito, sua cabeça parecia estar numa montanha-russa apenas de loops. Ele levantou da cama, acabando por bater a cabeça na beliche de cima, onde Pat dormia tranquilamente, como uma princesa. Esfregou o que poderia ser um galo no topo da cabeça, e levantou cambaleando. As lembranças da noite anterior eram tão embaçadas que ele duvidava se realmente estava acordado naqueles momentos, ou se eram apenas fruto da sua imaginação. Foi então que ele se lembrou da canção, Remembering Sunday. Não tinha certeza se era verdade que havia chorado, mas a música ele lembrava perfeitamente no contraste entre a voz de Alex Gaskarth e fofona .
John não se apercebeu quando começou a cantarolar enquanto fazia um café para acordar de uma vez.
O cheiro de café era como doce para Sue se ela fosse uma formiguinha. Foi automático que ela entrasse como um zumbi de bagunçados cabelos platinados na cozinha, assustando John que acabou batendo a cabeça mais uma vez na dispensa.
- Porra! – resmungou John, esfregando o que agora era realmente um pequeno galo em sua cabeça.
- Desculpe, magrelo, não era minha intenção. Senti o cheiro do café.
- Argh.
- E essa ressaca toda? – Sue puxou conversa enquanto roubava mais da metade do café que John havia feito numa enorme caneca que dizia “Lust”.
- Ah, eu bebi demais. Sabe como é...
- Na verdade eu não sei. – Sue suspirou, e John arregalou os olhos.
- Você nunca ficou de porre?
Susan riu.
- Sim, é claro. Mas faz tanto tempo que eu não lembro qual é a sensação.
- Por quê? – perguntou John, enchendo também sua caneca negra.
- Por que o quê?
- Por que não bebe mais?
- Eu bebo, cher, eu só não exagero. Não é bom para os negócios.
- E quando você tá triste... O que você faz?
Sue colocou açúcar em seu café de modo exagerado, ao mesmo tempo que segurava uma risada.
- Eu sou mulher, cher. Tenho chocolate em minha vida.
John riu. Susan até que era uma pessoa legal. Até aquele momento, Sue para ele era uma supervixen; isso é, uma megera. Mas não... Ela só era incrivelmente decidida. E bonita. Mas não era lá o tipo de John. Susan também provavelmente já havia passado dos trinta, e talvez dos trinta e cinco anos. Era madura, decidida e muito intensa... Poucos se sentiam à sua altura, por mais que no caso dela, apenas mulheres deveriam se interessar, levando em conta que a moça era homossexual assumida.
Os dois ainda chegaram a fazer mais café e misturar um pouco de chocolate para ficar mais gostoso. Depois de um tempo, Tim e Michael entraram no recinto conversando animadamente.
John imediatamente se fechou. Michael. Como ele conseguiu conquistar a fofona, afinal? Aquele jeito de instrutor de academia misturado com o visual de Kurt Cobain, talvez. Mas desde quando aquilo poderia ser interessante quando ela poderia ter a ele, o bonitão O’ Callaghan?
Pouco John sabia que a conquista não fora exatamente de Michael, e sim de , e que tudo ocorreu por causa de uma aposta boba. Mas o jovem O’ Callaghan sabia o que deveria fazer, só tinha medo de que desse tudo errado.
- A gente tá indo pra onde mesmo? – perguntou o magrelo, com o olhar fixo na janela do tour bus que mostrava um deserto imenso. – Isso é Nevada?
- Sim. – disse Sue.
- Estamos indo à Las Vegas, baby. – disse Tim do modo mais gay possível.
Susan e Michael riram, enquanto John permaneceu com os olhos no horizonte; “é como dizem por aí, em Vegas, tudo pode acontecer.”
Duas horas e trinta e sete da tarde e as riots entraram no Salão de Beleza Six Beauty. O local era grande demais para um salão de beleza, e modelos e algumas pessoas importantes passavam na sua frente ou reclamavam de suas vidas para as manicures e cabeleleiros. Sue falou algo que nenhuma das roqueiras entendeu para a recepcionista, e logo então a mesma chamou o nome de alguém... Ou talvez fora apenas o número seis gritado de seus lábios roxos.
- SIX!
A figura que apareceu a seguir parecia ter saído de um filme de drags, como Velvet Goldmine. É, ele poderia ser facilmente confundido como um dos seguidores Brian Slade, que no filme é interpretado por ninguém menos que Jonathan Rhys-Meyers.
Alice imediatamente sentiu-se intimidada pela quantidade de brilho que poderia ser encontrada na roupa do tal Six, e no tamanho do salto de suas botas de cor púrpura.
- Susan. Sempre um prazer, barbie assassina. – disse Six arrancando um selinho de Sue, que pareceu não se incomodar nem um pouco com aquele tipo de cumprimento.
Já era a segunda vez que ouvia Susan ser chamada de “barbie assassina”, ou melhor dizendo, “ killer barbie”. Claro que de primeira pensou que isso tinha a ver com os cabelos platinados e a obsessão por roxo de Sue, mas logo a dúvida surgiu: O que Sue havia feito antes de virar empresária das Riots?
- Olá Six! E aí, como vão as coisas por aqui?
- Excelentes.
- Vejo que você aumentou o espaço...
- Acho que as pessoas finalmente perceberam meu talento nato. – Six puxou o braço de Sue, levando-a salão adentro. – Sabe como é Sue, eu nasci pra isso, é meu maior sonho.
- Sei que sim, Sixie. Mas você sabe aquele favor que te pedi por telefone?
- Hum... Algo sobre transformar meninas do interior em rockstars?
- Exatamente. – Sue sorriu para as riots, que tinham uma expressão beirando entre assustadas e felizes.
- Vamos ver o que você me traz. – Six chamou uma das moças que passavam ali perto com o uniforme colorido do salão. – Tá vazio lá em cima?
- Bem...
- Não quero saber. Vou usar agora. Suba lá e expulse quem tiver, traga-os para baixo.
- Mas são clientes importantes.
- Que nível de importância? – perguntou Six de um jeito intimidador à mulher.
- Show Business.
- Traga pra baixo. Já sei de quem você está falando e eu já disse que não é pra trata-los com tanta importância. AGORA!
A moça apressou os passos escadas acima. Em dois minutos alguns insatisfeitos desciam as escadas, seguidos da moça que os empurrava para fazê-los ir.
- Malditos sejam. Ficam fazendo showzinhos de quinta e se acham os pops. – disse Six ao mesmo tempo que dava um olhar de desprezo para o grupo de clientes insatisfeitos. – Vamos, minhas queridas, eu vou fazê-las deusas!
Um pouco acanhadas, porém sem demonstrar muito, as garotas e Sue atravessaram o salão atrás de Six para subir as escadas. A parte de cima do local era realmente sensacional. Parecia uma boite transformada em salão, com três cadeiras enfileiradas em frente a espelhos com luzes ao redor deles, como aqueles que se via no passado. As paredes eram pintadas de azul e uma tinta esbranquiçada fazia desenhos ornamentais, que na falta de luz tinham um brilho sensacional.
- Isso nem parece um salão de beleza. – comentou baixinho com , que sorriu.
- Isso é Vegas, baby.
A atenção das duas logo foi chamada quando Six perguntou quem seria a primeira, e outros funcionários entravam na sala.
- Eu vou primeiro. – disse Nina, suspirando. Tirou a touca que usava escondendo os cabelos mal cortados com restos de tinta vermelha e sentou na cadeira em que Six apontava. – Eu queria...
- Vamos deixar seu cabelo platinado e cortar essa franja horrível. – disse Six antes que a menina pudesse sequer terminar sua frase. Ela se assustou, mas por gostar do que ele dizia deixou-o continuar. - Nem pense em descolorir essas sobrancelhas também. São lindas, e te dão um aspecto selvagem. – Nina estava adorando o que aquela bicha dizia – Deixe-me ver as unhas.
Nina estendeu as mãos.
- Urgh, menina, o que você faz nisso aqui?
As outras riots riram. Sabiam que Nina era carniceira no que se tratava em roer as unhas. Ela só parava quando sangrava.
- Você é o quê na banda, coisinha?
- Guitarrista.
Six chamou uma das manicures que aguardava ali perto.
- Apenas lixe e dê uma polida. Aproveite e bote aquele esmalte para roedores de unha. – a manicure fez que sim com a cabeça e chamou Nina para a outra cadeira.
- Próxima! – pediu Six.
respirou fundo e sentou na cadeira. Seus cabelos estavam naquele laranja estranho, já mal-tratados e sem chapinha, de modo que se enrolavam.
- Que porra você faz nisso aqui, queridinha?
- Pinto de vermelho. Costumava hidratar, mas sabe... Fica difícil em tour.
Six olhava as pontas do cabelo longo, que apresentava pontas triplas e quadruplas. Era assustador como aquela menina não percebia que o cabelo não estava suportando a tinta vermelha. Ele observou bem a cor da pele, que apesar de ser naturalmente bronzeada apresentava um tom extremamente amarelado. No entanto, era pele bem cuidada.
- Vou te livrar do vermelho.
- Mas eu...
- Shh... Amiga, eu estou te salvando da desgraça, pense assim. – as outras riots riram, inclusive Nina que já estava tendo seu cabelo umidificado e as unhas lixadas. – Vai ficar loira. Dourado. Com a raiz escura, porque é sexy. – ele sorriu – E vamos raspar o lado. Escolha seu esmalte queridinha, faça o que quiser com isso que você chama de unhas.
- Mas...
- Próxima!
saiu batendo os pés. Quem disse que ela queria que raspassem seu cabelo? Tanto tempo que demorava pra crescer e agora aquela bicha queria raspar?
Um garoto de não mais de 24 anos, visivelmente latino, puxou-a para uma cadeira ali perto e lhe mostrou o catálogo de esmaltes.
- Mario! – o garoto olhou pra Six - E hidrate o cabelo dela com aquele produto novo.
- Sim, señor. – disse o tal Mario.
Na cadeira de Six agora sentava Alice.
- Que cabelo lindo! Ah, esses cachos, perfeitos! É virgem, né?
- Eu? – perguntou Alice, sem entender.
Six gargalhou.
- Seu cabelo, amorzinho, nunca recebeu química, né?
- É. – respondeu Alice, insegura.
- E aí, qual vai ser? Posso desvirginar?
- Eu queria que ele fosse liso, e que tivesse mechas... Eu fico parecendo uma hippie com essa juba! – Alice falou de um jeito engraçado, reclamão, e arrancou risadas dos presentes.
- Ai, que pena que dá de desvirginar um cabelo desse. A gente podia dar um corte e tal... – Alice fechou a cara e cruzou os braços, em desavença. – Ok, ok. Pintem de loiro escuro e façam californianas bem de leve, só pra fazer contraste mesmo. Se quiser, tem uma progressiva maravilhosa aí. Ai! Eu gosto desse jeitinho meigo dela. Eu mesmo farei a maquiagem.
Alice sorriu largo e levantou-se da cadeira satisfeita, sendo acompanhada por uma moça baixinha com o cabelo preso num coque.
- E você? Ficou por último porque tá com medo? – perguntou Six a .
- É bom deixar o melhor por último. – disse , arqueando as sobrancelhas e sorrindo como uma megera.
- Ai, vocalistas, uma arrogância realmente adorável. – Six rolou os olhos. – Vamos ver o que há com sua cabeleira.
Six jogou o cabelo de prum lado, depois pro outro, bagunçou um pouco e tentou ver como eles ficariam curtos em um Chanel. - Quantas vezes você já pintou o cabelo?
- Perdi a conta. Mas já foi azul, castanho, preto nas pontas, vermelho cor-de-terra, rosa...
- Eu não sei de que macumba você tá participando, mas seu cabelo não aparenta os estragos. No entanto, eu devo lhe avisar que um dia ele não aguentará mais.
- Qualquer coisa eu corto como o da Nina ou viro uma careca sexy.
- Ok... Então, temos praticamente três loiras e meia na banda. Vamos então escurecer o seu?
- Whatever.
- Mas você vai chamar menos atenção.
- Posso fazer o show pelada pra chamar atenção então. – disse, e Sue por pouco acreditou que ela falava sério, até a menina gargalhar.- Pode escurecer...
- Ou... A gente pode descolorir mais para ficar...
- Escureça. Mas não me faça parecida com Amy Lee nem algo do tipo. Não quero ficar gótica. Não é meu estilo.
- Gosto da sua atitude. As meninas roqueiras que vem aqui geralmente preferem ficar como Debbie Harry ou Cherie Currie.
- Sabe, eu sempre fui mais fã da Joan Jett. – sorriu. Six ainda decidiu que as unhas da menina deviam ser café com rebu, e que sua maquiagem deveria focar nos olhos.
E então a transformação começou. O andar de cima da Six Saloon tornou-se uma ida e vinda insana de pessoal para lá e pra cá, transformando as unhas roídas de Nina em coisa de gente normal, a cabeleira estupidamente loira de em um mar castanho, os cachos de Alice em fios chapados e raspando um lado do cabelo de uma emburrada .
(...)
Três anos depois daquele momento ali no Six Saloon, Vivianne Madison, uma grande jornalista do mundo da música, escreveria uma das maiores biografias das The Riot: “O homem que mudou a concepção das riots pela primeira vez chamava-se Thomas Ferg, mundialmente conhecido apenas como Six, um hairstylist de Las Vegas. Ele as transformou em uma primeira essência de rock clássico e beleza feminina. As riots deveram muito do seu sucesso aos seus pais pelos bons genes, e a Six pelas mãos mágicas; a beleza de cada uma delas era única e irrefutavelmente atraente. Mulheres naquela época viviam no oito ou oitenta: sexy demais ou rígida demais, isso sem considerar aquelas outras que se encaixam o grupo ordinário. A rebeldia do cabelo curtíssimo de uma andrógina como Nina do lado dos cabelos belíssimos de Alice eram uma coisa nova. Obviamente que como vocalista se sobrepunha, mas o fato de ser a única de cabelos escuros na banda naquela época fez com que o foco pudesse ser dividido. The Riot não era como, por exemplo, o Guns n’ Roses se tornou apenas Axl Rose ou como outra banda da época, o Paramore, era centrado na vocalista Hayley Williams. The Riot era o grupo inteiro, mais ou menos como os Beatles foram em sua época (...)”
Olhando ao espelho quando tudo terminou, imaginou exatamente se um dia falariam sobre sua primeira makeover, se as riots sobreviveriam para contar a história. Ali estavam elas. As quatro. Deslumbrantes.
Até mesmo estava gostando de seu cabelo raspado de um lado, e do modo como haviam ajeitado seus crespos para que eles pudessem ser, mesmo assim, lindos.
- O trabalho de vocês agora é arranjar uma identidade. Criar novos seres a partir da essência de cada uma. Eu sei que vocês são diferentes, e preciso que coloquem isso pra fora. É assim que as pessoas vão simpatizar, vão querer ser como vocês. – disse Sue Levin, abraçando por trás enquanto puxava pelo braço. – Isso é marketing.
- Eu gosto desse tipo de marketing. – disse Alice do outro lado, com os cabelos lisos e mais claros, brilhosos como quando se passa óleo na pele.
As outras sorriram satisfeitas, e resolveram dar um abraço conjunto em Six, que mal sabia como reagir. Ele não era do tipo que abraça, mas gostou da sensação; por mais que pra ele seria melhor que fossem quatro gogo-boys sarados a quatro roqueiras bonitonas.
- Ok, ok! Podem me soltar! – disse Six. – Não se esqueçam de tomar os cuidados com os seus cabelos novos. E também não se esqueçam de mencionar a mim quando estiverem sendo entrevistadas numa Rolling Stone da vida.
Animadas, as meninas deram gritinhos e cumprimentaram toda a equipe de Six com beijos molhados na bochecha e abraços do tipo que poderiam matar de tão apertados.
- Elas são bem intensas, Su. – disse Six, aparecendo ao lado de uma sorridente Sue.
- Intensidade é a palavra perfeita para as minhas meninas.
- Hmm... Você tá quase uma mamãe cuidando dessas quatro.
- Elas me dão esperança. Eu estava cansada daqueles meninos de pseudo-punk que mal sabiam sobre o próprio estilo de música. Elas sabem o que querem.
- E você também. – disse Six – Mas você não está pensando em se envolver com nenhuma delas, né?
Sue riu, desconfortável com a pergunta.
- Elas são apenas adolescentes. Suponho que já passei dessa fase. – riu a empresária, logo depois recebendo um abraço conjunto das roqueiras animadas.
- Sue! Sue! – chamou Alice – Pode dizer, eu fiquei uma gata, não é? – ela deu uma voltinha mexendo os cabelos pros dois lados.
- Ficou, Ali.
- Ah Sue, você só elogia a Ali! – reclamou emburrada.
- Vocês estão todas um triunfo. Quero só ver a cara daqueles maines e do Tim quando vir vocês.
- E roupas, Sue? – perguntou . – Eu não acho que minhas roupas estejam adequadas ao novo visual.
- Infelizmente não dá pra comprar hoje. Amanhã temos metade do dia livre. Nada de festejar hoje à noite, amanhã saímos cedo para as compras. Só dois looks para cada.
- Woohoo! – comemoraram as garotas. Aquilo era tudo que precisavam para ficarem tentadas a cometer loucuras no palco à noite.
No soundcheck as garotas fizeram questão de serem as primeiras e saírem antes que os maines as vissem. havia sugerido que fizesse uma surpresa, e por isso todas usaram, ainda por cima, toucas bregas por cima dos cabelos novos. Só dava para ver a maquiagem esplêndida de cada uma, mas a única pessoa que percebeu foi Tim, já que ele assistia ao soundcheck e ajudava os caras a melhorar o som das meninas.
No camarim, mais ou menos uma hora depois, Michael recebeu a incumbência de levar as mochilas das garotas do Hotel para lá. Isso é, todas as malas com as roupas das riots. Elas jogaram tudo em cima de uma mesa e decidiram misturar, de modo a conseguir novos looks com as próprias roupas.
- Que porra, Nina! Como é que meus quadris vão caber nessa saia maldita? – perguntou , tentando passar a saia de couro de Nina pelos seus quadris sem sucesso. Nina era muito estreita, e tinha um corpo que, apesar de magro, era volumoso se comparado ao das outras.
A gargalhada de Alice veio do outro lado da sala.
- Socorro, fiquei presa no... HAHAHA... No vestido! – Ali havia escolhido o vestido vinho de renda de , mas não sabia que havia um rasgo nele e que caso ela colocasse um dos braços lá, seria muito difícil de sair.
- Ai, Ali! Esse vestido não! – riu da situação da amiga. Deixou a saia de couro de Nina de lado e foi ajudar Alice a sair do vestido.
- Parabéns, , você tem peitos. – disse Nina de repente. Ela usava um top de latéx de , que agora se matava de rir ainda seminua por não encontrar a roupa perfeita. O top ficara folgado na parte dos seios quase inexistentes de Nina, quase como uma coisa broxada.
- A gente vai ter que rasgar. – disse , rasgando o próprio vestido para que Alice pudesse sair dele.
- Ai! Puxou minha pele! – resmungou Ali.
- Isso não tá dando certo... – Nina comentou o óbvio. Seus corpos eram diferentes demais. Nina era magra e alta demais, Ali era baixinha e depois de ficar presa no vestido vinho, já não queria vestir roupa de ninguém. tinha um busto maior se comparado ao de Nina e um gosto estranho para roupas; e só queria que as roupas coubessem no seu corpo de quadris menos estreitos e cintura finíssima.
- É... Acho que vamos ter que vestir nossas próprias roupas mesmo. – Alice deu de ombros, procurando seu vestidinho branco preferido no meio da bagunça.
- Isso é tão broxante... – resmungou . – Eu queria vestir algo diferente.
Um silêncio permaneceu entre as quatro naquele momento, e parecia que todas elas, menos a desistente Alice que vestia sua roupa quieta, pensavam numa solução.
19h10. Elas entrariam no palco dali a 50 minutos. Dava para ouvir, de longe, o som do The Maine e da galera que cantava e curtia o show deles.
Girls do what they want, boys do what they can…
Fazer algo diferente, pensava. Garotas fazem o que quiserem.
Era isso!
Quem disse que elas precisavam de roupas?
- EU TENHO UMA IDÉIA! – disse ela, dando um susto nas presentes. – Vamos sem roupas!
As outras gargalharam.
- Ai meu Deus, acho que ela tava realmente falando sério sobre chamar atenção nua no palco. – colocou a mão na cabeça, num falso gesto de preocupação.
- Não, suas tapadas! Vamos de lingerie. E pra não passar frio no começo, vamos de lingerie e casaco.
- Olha, eu não sei vocês, mas o que eu uso como “lingerie” são calcinhas sem costura e sutiã de bojo com, no máximo, uma renda. – disse Alice.
- O que eu tenho é muito bitchie, disse .
- Eu tenho boxers. – disse Nina, dando de ombros.
Na cabeça de , boxers não eram uma má ideia, mas ela tinha algo bem maior rolando na sua cabeça.
- Vocês esqueceram de uma coisa: Nós estamos em Vegas. – dizia, no meio do camarim, de modo tão certo que dava até medo. – E isso é um teatro. Se é um teatro, com certeza tem uma salinha onde eles guardam as fantasias. Eu tenho certeza que vamos achar algo interessante por lá.
Elas se entreolharam, concordando com expressões de “É, isso pode dar certo”.
- Mas temos que ser rápidas. – disse , e então rapidamente elas vestiram algo por cima de suas roupas íntimas e saíram correndo apressadas pelos corredores do Teatro, insanas e gargalhando alto, rezando para que Sue não as encontrassem.
20h07. Sue Levin entrou no camarim das The Riot e encontrou tudo vazio. Ninguém sabia onde elas tinham ido. Michael chegou para avisar que os instrumentos estavam já no palco, e que o público estava ansioso. Só faltavam elas, mas onde diabos haviam se metido?
Passaram-se dez minutos e Sue estava em estado de total desespero. Já era hora de ela chamar os seguranças? Ela havia colocado Michael para procura-las, mas ele não ligou avisando com sua voz grossa de que elas estavam ali perto, sei lá, tomando um sorvete. Não. Não havia nada.
Cinco minutos mais, e agora Tim tinha que segurar Sue para que ela não começasse a bater nas paredes. Os Maines também estavam ali, no meio do corredor e na frente do camarim das Riots, loucos de curiosidade. Obviamente que haviam enchido John de perguntas sobre ele ter armado para cima delas com Kennedy, que era outro que tinha motivo para se vingar desde que Nina te deu um chute na bunda.
- Riot! Riot! Riot! – dava para ouvir o público chamar com um entusiasmo de fazer o coração bater mais forte.
O desespero na mente de Susan era tamanho para que fizesse com que ela simplesmente virasse um poço de nervosismo. Dessa vez nem Tim conseguia tocá-la sem receber um tapa, enquanto ela ligava inutilmente pro celular de cada uma das meninas, sem resposta.
- Quando eu encontra-las me lembrem de colocar todas de castigo!
Foi então que algo surgiu no corredor do backstage. Guiadas pela vocalista , as quatro garotas andavam como se estivessem saindo de um filme. Se não fosse pela realidade daquele momento, as riots andariam em câmera lenta, enquanto cada parte dos seus corpos a mostra era filmada do melhor jeito possível. Os passos eram apressados, na verdade, e não havia slow motion, apenas seus músculos e pele de meninas jovens reluzindo mesmo na má iluminação do local.
sorriu culpada ao ver Sue. Seus novos cabelos escuros estavam penteados do jeito mais rebelde possível, e os olhos poderiam entregá-la como uma Cat People. No corpo, um invejável conjunto de latéx contornando seu corpo como se tivesse sido confeccionada no inferno. Meias calça e um casaco felpudo negros também eram usados, assim como luvas vermelhas. Apesar de não usar batom, seus lábios tinham uma coloração avermelhada simplesmente sensacional graças à sua mania de mordê-los e sugá-los quando estava nervosa.
Logo depois, estava essencialmente punk com seu top de tachinhas e calcinha preta. Nos punhos, mais pulseira de tachinha e anéis metálicos. Nos pés, o porquê de ela estar parecendo tão alta: saltos imensos negros. As pernas pareciam ter metros e metros intermináveis, e apenas um pouco da sua barriga perfeita estava à mostra; o suficiente para fazer alguns presentes suspirarem: fosse de inveja ou de desejo. Seu casaco era apenas algo de um plástico transparente, provavelmente ressuscitado nos anos 70.
Alice estava com a menor lingerie, mas em compensação o sobretudo branco e a meia calça preta cobriam-na um pouco mais. Garrett e Pat comentaram baixinho que não esperavam que aquele corpo pertencesse à “pequena Alice”. Seus novos cabelos estavam soltos e levemente bagunçados, e os olhos bem pintados por Six davam ao seu olhar inocente uma sensualidade nova.
Nina, por último, tinha seus cabelos curtos e platinados penteados para cima. Tinha um cigarro nos lábios, e a cara mais badass possível. Pelo jeito ela havia se recusado a usar aquelas lingeries “menininhas”, e preferiu usar sua boxer do superman e combinar com um sutiã meio transparente, nada muito bem pensado. Usava uma jaqueta de couro de algum tipo de personagem faroeste que tornava tudo engraçado e, ao mesmo tempo, sexy.
Maines estavam boquiabertos, assim como Tim e um despreparado Michael que chegou correndo para avisar que não as havia achado – sendo que ele sequer conseguiu completar a frase quando as viu. O makeover era de arrepiar.
- Desculpa a demora, Sue! Nós estávamos nos vestindo.
- De... – Susan tentou se recompor – Essas roupas são suas?
- Não. – respondeu simplesmente. – São do teatro.
- E quem deu... Quem deu autorização? – perguntou Tim, com uma expressão que estava entre amigável e terrível.
estava prestes a responder “Ninguém”, quando Sue a interrompeu com o sorriso mais largo possível. A empresária estava completamente satisfeita com a atitude das garotas, por mais que tenha lhe custado alguns nervos.
- Fui eu.- Susan deu de ombros. – Agora vão, vão logo! O público está ficando doido. Daqui a pouco começam a xingar no Twitter.
Cada uma das meninas satisfeitas deram um beijo apaixonado na bochecha de Sue, e enquanto isso Tim ainda achava anti-ético que elas usassem as roupas do teatro. Será que aquelas meninas jamais iriam aprender a se comportar? E ainda mais, estavam parecendo que iam a uma convenção de prostitutas roqueiras, por mais que estivessem simplesmente estonteantes naquelas roupas.
John foi obviamente atingido por aquela imagem de nas roupas sensuais, ou melhor dizendo, na falta de roupas. Agora ele tinha mais do que certeza que devia fazer o que estava planejando há dias. Estava na hora de conquistá-la de uma vez, ele só precisava agora que uma fã fizesse o favor de passar a ela a informação que ele estava passando há algum tempo.
O pobre Kennedy quis chorar quando viu Nina naqueles trajes explícitos. Ele se lembrava dos bons tempos em que aquele corpo magro e lindo dela pertencia a ele. Bem, talvez não pertencia a ele, mas ele fazia muito bom proveito, obrigado. Jared, percebendo a cara do amigo, passou a mão pelo seu ombro.
- É só uma questão de tempo, dude. – disse o ruivo. O que Kennedy não soube diferenciar era se era uma questão de tempo para que ele a esquecesse, ou se era para que ele a tivesse de volta. Antes que pudesse tirar a dúvida, Jared já estava andando em direção ao palco junto com os outros maines.
- Essa eu não perco por nada. – Kenny ouviu John dizer. O jovem guitarrista ficou hesitante entre ficar observando Nina se apresentar ou se abster disso para não se machucar. Ao final das contas, ele decidiu por assistir ao show, pelo menos com isso ele conseguiria imagens para ajudá-lo numa possível emergência no banheiro.
- RIOT, RIOT, RIOT, RIOT! – a multidão clamava pelas The R!ot de um jeito insano, num coro de arrepiar.
sorriu para as companheiras que pegavam seus instrumentos, e deu um beijo na bochecha de uma desavisada , que agradeceu pelo gesto de carinho.
- Vai dar tudo certo.
- Eu só estou nervosa... – replicou .
- Você não é você hoje. Você não é ... Hm, que tal ser Rita?
- Rita? Porra, , que tipo de nome é esse?
- Rita é legal. Rita, a punk. Rita domina o palco. Daí você deixa nervosa de lado e bota pra foder! – sorriu encorajando a amiga. Foi então que as luzes baixaram, e o show ia começar. Dava pra ver, ainda, o setlist cuidadosamente colado perto dos pedais de Nina e do lado da bateria de . Aliás, já era hora da baterista entrar para começar o show.
Michael se aproximou das duas naquele momento para entregar a guitarra de . Ele estava silencioso, estupidamente calmo, e seus olhos falavam por ele. Aqueles olhos azuis, tão perfeitamente bonitos contrastando com seu cabelo loiro mal cuidado. não sorriu para ele, apenas se encostou sorrateiramente em seu ouvido:
- Eu li o seu bilhete.
Michael a encarou com uma cara de “E...?”. Ela sorriu, e aproximou-se perigosamente do seu rosto, dando-lhe um rápido beijo no canto dos lábios.
- Você pode considerar isso como um sim. – ela disse quando começou a ouvir o som da bateria de (ou Rita, quem quer que ela estivesse sendo naquele momento) soando alto junto à emoção do público. Eles haviam percebido a mudança em , em seu visual, mas com certeza não esperavam o que estava para acontecer a seguir.
Nina, Alice e entraram no palco fazendo tumulto. foi direta ao pegar o microfone e gritou algo como “wow!”, tirando suas luvas e as deixando presas no microfone para jogá-las mais tarde ao público.
- WE’RE IN FUCKING VEGAS! – a multidão colocou os braços para cima, entregando-se. – O que vocês acharam de nossos novos visuais?
- Não precisa dizer, eu sei que to linda. – disse Alice ao microfone, fazendo alguns rirem.
Algumas das pessoas ali naquele show estava vendo as riots pela primeira vez, e provavelmente não sabiam que aquela Alice de cabelos loiro escuros lisos foi uma vez uma Alice de cabelos quase negros e encaracolados. Mas mesmo assim, era divertido ver as reações de quem já as tinha visto.
riu ao microfone, seduzindo qualquer ser à sua frente que tivesse já minimamente atraído por ela. John, ali do lado do palco, era uma dessas pessoas que gostava até mesmo da sua risada ao microfone. Assim como Jared, ao seu lado, que não pode deixar de comentar como soava bem.
Pela primeira vez em todo o tour, não foi “My Medicine” que se seguiu depois da entrada de bateria de . Nem “We will rock you”, como no primeiro show. Era Miss Nothing, a quinta faixa do Lairy.
- Ch-ch-changes! – cantarolou , rindo em seguida e dando sinal para que a música começasse.
Miss nowhere
I’m in the bottom of me.
Miss Androgyny
apontou para Nina ao cantar o verso.
I am Misused
I don’t wanna do
Be not your slave
Nina tocava de costas e rebolava no ritmo da música com sua boxer de superman, mesmo sabendo que muita gente assistindo ao show carregava máquinas fotográficas e câmeras para registrar a cena de seu bumbum magro pra lá e pra cá.
Alice estava possuída. Bem, essa podia ser apenas uma explicação decente para o fato de que ela ficava pra lá e pra cá com seu baixo, movimentando seus novos cabelos como se estivesse num show de hard rock nos anos oitenta.
levou a sério ser Rita, e não tinha nem fantasma de nervosismo perto dela. Suas batidas eram sérias, precisas e ao mesmo tempo sexies.
I’m missin’ the train
continuava com aquele ar de praticamente fazer pole dance com o microfone, e era uma fonte sedutora – e morena – de todo o público. Aproveitou o momento em que não precisava tocar sua guitarra para fazer manobras interessantes com o seu corpo voluptuoso e aquelas vestimentas de, como diria Tim, prostituta do rock n’ roll.
And I don’t know what I’m into
And I don’t know what I’ve done to me
And as I watch you disappear into the ground
My one mistake was that I couldn't let you down
John não esperava que no momento daquele verso apontasse para ele como quem diz “essa é pra você”, logo depois mandando o dedo do meio pra ele e voltando sua atenção para o insano público que a assistia.
And I'll burn my mind
I'm miss nothing
I’m miss everything
O show continuou com o que um crítico poderia dizer ser uma “explosão de sexualidade e rebeldia em pleno século XXI”, ou talvez, “uma volta aos clássicos punks e roqueiros das antigas” ou ainda “quatro vadias fazendo rock n roll”. Elas tocaram os mesmos covers e as mesmas músicas dos outros shows, com a diferença de “Rebel Girl” do Bikini Kill ao final e um pedido de bis de “Miss Nothing”. Seria até algo esperado daquelas roqueiras de lingerie se ao final de tudo elas não tivessem aproveitado para fazer Nina tirar o sutiã e jogá-lo ao público. Obviamente que ela o fez escondidinho (por mais que não se importasse de mostrar seus poucos seios) e fechou o casaco de cowgirl. Rita, digo, se jogou na plateia duas vezes e de alguma maneira miraculosa, voltou viva nos dois momentos.
tirou suas cintas ligas e deu para a única deficiente assistindo ao show, uma menina com síndrome de Down que tinha seus cabelos estupidamente lisos num moicano rosa. O por que de ela conseguir ter os cabelos assim mesmo sendo “especial” era o seu pai bem ali do lado, um roqueiro careca com a cabeça tatuada. Preconceitos à parte, ele parecia cuidar muito melhor da sua menina do que muitos engravatados e engomados por aí.
Quando o show acabou, e depois de todas as loucuras cometidas e o sucesso dos novos penteados, as riots voltaram mais do que alegres para o backstage, com Sue paparicando.
- Sensacionais! – disse Sue, sendo abraçada por uma suada Nina, que graças à sua altura ao passar o braço por Sue, simplesmente tinha a cabeça da empresária batendo na altura dos seus seios.
- Aprendemos com a melhor. – Disse Nina, dando um cascudo amigável em Sue, que ria.
- Não. Isso é nato! Ah, vocês me orgulham!
- Eu sinceramente acho que foi um pouco exagerado, mas gostei. – disse Tim aparecendo de repente e logo sendo abraçado por uma Alice louca e suada.
- Deixe de cu doce, Tim! Foi o melhor show que elas já fizeram. E vão fazer muitos, muitos mais se depender de mim. – disse Sue numa convicção invejável – Espera... Depende de mim! – fez-se de surpresa, fazendo as riots rirem.
Entraram todos então no backstage, rindo como hienas. A alegria não conseguia ser disfarçada. Os Maines logo também entraram lá e foram cumprimentar as garotas, parabenizar ou, no caso de Jared, dizer como todas estavam excepcionalmente hots.
John, sempre esperto, conseguiu a oportunidade de se aproximar de já com o velho (e lindo) sorriso sacana nos lábios.
- Devo parabenizá-la também? – perguntou John, e a sua voz sexy automaticamente já irritava .
- Vá pra merda.
- Não fique nervosa assim, amor. Aliás, falando em amor, você já está sabendo de seu novo status?
estava a um segundo de dar as costas ao garoto quando ele tocou em cheio na sua curiosidade. “Novo status?”
- Hã? – perguntou ela, cruzando os braços e franzindo o cenho. Ela olhava nos olhos dele como se aquele verde intenso não tivesse praticando sexo com a sua imagem.
- Você é próxima dos seus fãs. Eles sabem mais do que eu. – John sorriu torto, do melhor jeito para fazer com que uma mulher de pé ficasse de quatro em segundos. E então, assim como ele veio, simplesmente saiu, e a única coisa que restou foi curiosidade.
Michael foi o próximo a aparecer, mas ele não precisava apelar para sorriso tortos e olhos intensos e sedentos para chamar atenção da libido de . Seu look no estilo Cobain era o suficiente.
- E então, vai ser no meu ou no seu? – ele perguntou como quem não quer nada.
ainda estava em transe antes de responder, mas assim que pôs os olhos nele, sorriu calmamente.
- Qual o meu novo status?
- Hã?
- Meu novo status. John disse que eu estou com um novo status entre os fãs. Será que estão sabendo sobre eu e você? – ela queria perguntar também se sabiam sobre a sua V, mas preferiu sequer tocar no assunto. Aliás, ela ia tratar esse assunto como se ele jamais existisse. Poderia ter se considerado não-virgem desde seu nascimento, já que... Nem, já que nasceu -rebelde-.
- Não sei de nada sobre isso. – Michael deu de ombros.
- Você poderia descobrir pra mim? Eu acho que os fãs estão muito histéricos hoje, e preciso voltar inteira pro hotel. – pediu com um olhar de cachorro sem dono. Mesmo que ela pedisse com autoridade e do jeito mais grosseiro possível, Michael o faria.
- Claro. Quando a gente chegar no hotel eu te digo o que é.
- Well done, Holmes. – disse com um sorriso, e mais uma vez depositando um beijo nos lábios de Michael. Dessa vez ela demorou um pouco mais do que devia e ele aproveitou para puxá-la para mais perto e deixar que o corpo seminu dela tocasse o seu. A jovem roqueira sorriu durante o beijo, e ele ainda lambeu o seu lábio inferior com um pedido de luxúria. A boca do roadie era um misto de cigarro e Trident de canela, algo que para era simplesmente delicioso.
Relutante, ela se separou dele e os dois trocaram sorrisos cheios de má intenção.
Do outro lado do cômodo, John observava com desgosto. “Roadie maldito”, ele pensava. John jamais admitiria que havia errado com no passado e que era totalmente ridículo que ele a quisesse tanto agora. Para ele, o ridículo era ela não ter caído na dele desde a primeira vez que eles se reviram na Fearless Records.
- Eu sei o que você está pensando. – disse, aparecendo repentinamente ao seu lado.
- O quê? – John arqueou uma sobrancelha, não conseguindo passar sua pose desafiadora para , que agora tinha uma expressão de negação em seu rosto.
- Não importa o que você faça, só não a machuque de novo. Não seja idiota o suficiente pra isso. Você não a conhece.
- Conheço há mais tempo que você. – resmungou John. Ele era muito mais alto que , e o fato de os dois estarem pseudo discutindo fazia uma imagem engraçada. Um ser do tamanho de , toda punk, arranjando coisa com o altíssimo e alternativo John O’ Callaghan. Obviamente que eles não estavam brigando, mas a imagem era essa para quem passava e via de relance.
- Você conheceu a fofona. Eu conheço . E é a fofona pós você, pós o idiota do pai dela e pós todos os problemas que ela deu a volta por cima. – falava calma, mas suas palavras ardiam. – Se você quer ficar com ela, não acho que seja ruim. Mas comece tudo com um “desculpe”.
- Eu jamais vou me desculpar. Não fiz nada de errado!
- Por favor, não me conte piadas. Eu estou falando sério.
John bufou.
- Você não disse que ela deu a volta por cima? – afirmou com a cabeça – Então não tem como eu machucá-la.
- Você sabe que tem. Mas depois não diga que eu não avisei... – começou a se afastar – Tente não comentar sobre nossa conversinha com . Ela não gosta quando me meto nos problemas dela.
E então e seu visual Rita Punk saíram de cena para deixar um John que estava decidindo entre ficar atordoado por ainda ter o poder de machucá-la ou simplesmente don't give a fuck.
Ele preferiu a segunda opção.
No hotel em Vegas as quatro meninas estavam dormindo no mesmo quarto. Desse modo, quando todas chegaram para dormir, o lugar não era muito menos do que uma bagunça e muito barulho. Depois do incrível show, elas pareciam estar ligadas no 220V.
Ainda assim, Alice conseguiu ouvir batidas na porta, e foi atender esperando que fosse algum funcionário do hotel reclamando do barulho.
- Oi Ali. – Era Michael, sem camisa e com calça de pijamas. Alice sorriu pra ele, meiga, mas não deixando de observar os músculos de seu abdômen, peito e braços.
- Já sei. Vou chamar a . – ela disse para Michael, então se virando pra trás e gritando pela amiga. – , TEM ENCOMENDA PRA VOCÊ AQUI NA PORTA!
Michael não pode deixar de rir, tornando-se ainda mais encantador aos olhos da pequena Ali. não veio sozinha, todas as outras vieram junto curiosas para o que Ali havia se dirigido como “encomenda”.
- Hmmm Michael! – disse afetada. – Você definitivamente deveria usar menos camisa.
- Vocês não estão se drogando aí dentro não, né? – Michael sorriu, e as meninas negaram com a cabeça – Porque seria muito feio se tivessem e não me chamassem.
- Ai Michael, você é tão adorável. – disse mais uma vez.
- É, Mike, por que você não passa a noite com a gente, huh?
Michael procurou o olhar de , que tinha um meio sorriso nos lábios e apenas observava tudo quieta. Ele suspirou, apesar de tudo, aquele era um convite realmente muito bom.
- Seria uma boa ideia, mas antes eu preciso falar com .
- AAAAHHH... – as três garotas reclamaram em uníssono.
- Calma gente, ele vai pedir autorização. – disse Alice rindo logo depois.
ficou com vergonha, e resolveu finalmente falar alguma coisa.
- O que você descobriu, Michael? – perguntou ela, séria.
- Eu posso falar na frente delas?
não pensou duas vezes.
- Fale.
Michael então puxou ar. Ele sabia que depois que falasse aquilo para as quatro garotas que tentavam arranjar espaço na porta aberta do quarto de hotel, uma delas ia ficar extremamente irritada. Garotas irritadas não eram muito a onda de Michael. Na verdade, garotas rebeldes irritadas não eram muito a onda de Michael.
- Eu falei com alguns fãs que estavam nos arredores no teatro. Perguntei a eles sobre o seu novo status e eles me chamaram de poser e disseram que era óbvio que seu status era namorada do John do The Maine. E que isso já era mais do que óbvio há bastante tempo, desde que eles descobriram que vocês eram amigos de infância.
O rosto alegre de logo se fechou numa carranca. As outras meninas trocaram suas expressões felizes e saltitantes para assustadas. fechou o punho com ódio pulsando fervorosamente em suas veias.
- Cara, que filha da putagem! – disse Ali abismada.
- Eu não acredito que nossos fãs acreditaram nessa babaquisse. – Nina acrescentou.
- Segundo corredor à direita, 894. – falou.
- Hã? – Perguntaram Alice, Nina e Michael ao mesmo tempo.
- É o quarto em que John está. E ele está sozinho.
- Como você sabe disso? – perguntou Michael.
- Eu o vi no nosso camarim olhando pra vocês dois. – apontou para Michael e . – Olhando como quem desgosta e tinha aprontado alguma coisa. Eu posso não ser muito inteligente, mas eu sei quando alguém está aprontando uma.
- E o número do quarto, espertinha? – perguntou Nina desconfiada.
- John está do lado do quarto de Sue. Eu fui lá mais cedo agradecer mais uma vez a ela pelo corte e pedir desculpa por ter ficado emburrada na hora de raspar um lado da cabeça.
- Explicado. – Antes de Michael terminasse a frase, já tinha saído dali batendo os pés. Provavelmente ela estava com raiva o suficiente para esquecer que estava usando pijamas transparentes.
Foi uma questão de segundos para que estivesse batendo na porta de John.
- Seu filho de uma puta! Abra essa porra dessa porta!
Ele não demorou a atender, e abriu a porta usando boxers negras e uma toalha branca ao redor do pescoço. Seus cabelos estavam molhados, os olhos mais verdes que o normal e o sorriso impossivelmente sacana estampado no rosto.
- Qual é o seu problema, hein? O que te dá a porra do direito de dizer a Deus e o mundo que eu sou sua vadia, digo, namorada? Eu te odeio, seu caralho de merda. Eu te odeio! Será que você não percebe isso!? Sua presença me enoja.
- Controle seu palavreado, fofona, eu só ouvi xingamento atrás de xingamento.
É, ele queria tirá-la mais do sério do que já havia feito.
- Eu odeio você. Eu odeio! – o rosto dela estava vermelho de raiva.
- Que tal você entrar e me dizer por que? – ele estava calmo demais, o que irritava-a ainda mais.
- Você quer o quê? Uma dissertação sobre isso?
- Pode ser. Mas eu prefiro que não seja no corredor do hotel. Olha, até a camareira tá ali te olhando estranho. – John apontou para o outro lado do corredor, no fim, onde uma mulher saía com um carrinho de limpeza e olhava pra eles realmente assustada. Era a primeira vez dela naquele hotel e o número de “fuck”, “shit”, “bitch” e outros xingamentos que ela ouvira em um dia era muito mais do que havia ouvido durante sua vida inteira.
entrou no quarto de John como um furacão, e sentiu raiva de si mesma por ter sentido o cheiro do perfume dele e ter gostado. Ela sentou na cama dele e cruzou pernas e braços.
- Eu quero que você desfaça essa merda.
- Desfazer merda? Que merda? – ele perguntou cínico. Sabia do que tratava.
- Eu não sou, nunca fui, nem nunca serei sua namorada.
- Por que não?
- Porque eu te odeio!
- Por que você me odeia?
- Porque você é um idiota! Um troglodita! Porque você é magro demais, pronto! Satisfeito?
- Não. Isso não é motivo pra você me odiar do jeito que diz odiar.
Se fosse uma leoa e não uma humana, ela teria rugido de raiva naquele momento.
- VOCÊ NÃO LEMBRA? Eu gostava de você. Oito anos atrás, eu gostava de verdade de você. Por mais que você me maltratasse, me chamasse de um apelido odiável; por mais que você fosse um completo babaca, por mais que você me subjulgasse e zoasse de mim na frente dos seus amigos. Eu gostava de você. Mas você não dava a mínima. E ainda colocou Billy idiota para ir atrás de mim. Billy comia meleca! - ela mal pausava para respirar, cuspindo as palavras - E ainda segurava a porra da minha flor favorita, e só você sabia que era a minha favorita.
- Você não está me dizendo que me julga pelo que eu fiz quando tinha dez anos de idade...
- Estou te dizendo exatamente isso. Na verdade, quando nos revimos na primeira vez naquele dia na Fearless, eu pensei em esquecer tudo. Afinal, eu cresci, você cresceu, éramos duas pessoas diferentes... Supostamente. Isso porque não demorou muito tempo e você atualizou seu contrato com o demônio para infernizar minha vida, não é?
- Eu gostava de você também. – John disse, e a primeira coisa que passou na cabeça de foi “Blefe! Mentira!” – É sério. Ou você acha que eu não lembro aquela vez que eu te encontrei chorando no quintal da sua casa?
- Ah claro. Eu estava ali me descrendo de Deus e você tentando me convencer inutilmente de que ele existia e era bom conosco. John, você não precisa mentir e me dizer que gostava de mim, porque eu sei que é mentira. Você estava com pena da fofona. A verdade de agora é que você me deseja e porque eu sou rancorosa e inteligente, você não pode me ter.
John sentou ao lado de , parecendo derrotado. Ele quis tocar na sua mão, mas ela rapidamente sentou mais pro outro lado e tirou a mão do alcance dele.
- Você pode começar me pedindo desculpas. – ela disse apenas.
- E por que eu faria isso?
- Porque se você não fizer, vai continuar tudo na mesma coisa. Eu vou continuar te odiando, e aliás, eu não sei se sou capaz de deixar de te odiar, mas pense que tudo ficará na mesma intensidade e talvez pior.
- Eu queria te dizer desculpa, mas eu não sei exatamente por...
Ela levantou rapidamente e ia se dirigindo à porta quando o braço dele a puxou com força de volta. Ele capturou os olhos furiosos dela, que estavam prestes a soltar lágrimas, e finalmente deixou soltar.
- Por favor, me desculpa.
- Pelo que?
- Por ser um idiota. Um troglodita. Por ser magro demais. – ela deixou um sorriso surgir no canto dos lábios.
- Parabéns por ter vencido seu orgu...
Antes que pudesse terminar a frase, alguém bateu à porta. Ela não sabia, mas era Michael, que já estava preocupado por ela ter demorado demais.
- Por favor, não saia correndo. – John pediu, então indo abrir a porta. – E aí, Michael!
- está aí? – Michael perguntou sem deixar transparecer quaisquer sentimentos, nem mesmo o desgosto pela babaquisse de John.
- Sim.
- Pode chamar ela pra mim?
apareceu, suspirando. Seus olhos estavam inchados porque ela havia finalmente se deixado chorar. Chorar de raiva, de tristeza, de ódio, de alívio. Eram lágrimas suficientes para se fazer um rio.
- Não se preocupe, Mike. Está tudo bem. Avise às meninas, eu já to indo. – ela sorriu, e Michael apenas concordou com a cabeça quando ela passou a mesma mensagem pelos olhos.
- Ok... Até. Desculpa o incomodo aí, Jhono.
- No problem.
A porta foi fechada, e mais uma vez a tensão bateu no recinto.
- Você vai me desculpar? – John perguntou, no seu melhor olhar de menino abandonado num beco.
não disse nada, apenas o abraçou. Ela não sabia exatamente porque estava fazendo aquilo, mais a agradava.
- Eu não vou te desculpar... – ela disse baixinho - Porque você não merece isso. – ela se separou do abraço para olhar nos olhos dele. – Até você me provar que não é mais o John de dez anos de idade.
A menina rapidamente se recompôs e deu as costas para O’ Callaghan. Abriu a porta, mas antes de sair, não se esqueceu de completar:
- Mas mesmo que eu te desculpe, isso não quer dizer vamos transar ou que eu algum dia serei sua namorada. E quanto aos rumores... Se existe algo bom sobre fofoca é que o único jeito de destruir uma é contar uma melhor.
piscou e enfim saiu do quarto de John. Mas para ele, aquelas últimas palavras entraram pelo ouvido e saíram pelo outro. Isso porque ele havia conseguido a sua maior filha da putagem de todos os tempos, envolvendo os sentimentos da fofona na sua sede por ela. Ele estava brincando com as emoções dela, aproveitando-se dos velhos tempos ao seu favor.
John foi até sua carteira de cigarros e puxou um, acendendo-o prontamente e deliciando-se, orgulhoso de si mesmo. Ele estava se aproximando da sua meta.
>"Here she comes, you better watch your step. She’s gonna break your heart in two."
Foi Michael quem abriu a porta para uma ainda enraivada passar. O som estava alto, tocando TNT, do AC/DC, e as meninas estavam pulando, cantando e dançando. Michael estava com a máquina na mão, o que indicava que ele estava filmando tudo. O computador de , um Dell de quinze polegadas, estava aberto e posto na mesa de centro. A festa ali era grande. Todos pararam quando viram a menina que entrou com aquela cara de assassina da Rua Fleet. Ela simplesmente olhou para cada um dos amigos, e sorriu.
- Não se preocupem. Está tudo resolvido.
- Cala a boca, . Senta e conta tu-do! Começando pelo porque de ter demorado tanto. – disse imediatamente, abaixando o som e sentando na cama.
Os outros tomaram o mesmo rumo, principalmente um preocupado Michael. Ele não queria perder algo que ainda nem teve, pelo menos não oficialmente.
- Eu não acredito que você vai me fazer falar. – disse , sentando na poltrona perto da TV, totalmente derrotada.
- Ela não, nós. – disse Alice séria – Agora mexa essa bundinha sexy e senta aqui.
suspirou, bufou, e enfim se levantou. Teimosa, sentou na ponta da cama, praticamente cruzando os braços e fazendo bico.
- Eu blefei. – disse de uma vez – Ele ficou lá cheio de dedos pro meu lado, disse que não ia fazer nada a respeito. Eu tive uma ideia na hora, mas não tenho a mínima ideia de como executá-la.
As garotas se entreolharam, como se tivessem avaliando se o que acabara de falar era verdade ou mentira. balançou a cabeça e olhou para a vocalista que encarava a situação sem muita expressão. - O que? Vocês acham que to mentindo? – bufou, mas quando tentou se levantar, puxou o seu braço pra baixo.
- Eu sei que ele disse mais alguma coisa que você não está nos dizendo.
As narinas de inflaram, e parecia que ela ia explodir, mas a menina apenas soltou o ar com força.
- Ele tentou se desculpar pelos anos de bullying e por tudo que havia feito.
- E você acreditou? – arregalou os olhos.
- Não, não! For god’s sake! Até parece que eu ia acreditar numa estupidez dessa.
- Ah bom. Pensei!
- Pensou o que, ? Desde quando você pensa? – riu Nina.
- Coisa feia, Nina, não se pode zoar dos intelectualmente não favorecidos. – Alice disse sorrindo.
rolou os olhos. Mais cedo naquela mesma noite, Alice e Nina resolveram notar a expressão facial de ao estar no computador. Ela sempre mantinha a boca entreaberta e um olhar perdido, num estilo meio mongoloide. Como se não bastasse, quando estava concentrada em alguma coisa, era bem difícil chamar-lhe a atenção, e quando Nina lhe deu um susto com uma máscara de Pânico, deu um grito de mongoloide. Ela não gritou “Ah”, e sim “iói”.
Que tipo de pessoa grita “iói” quando leva um susto?
Para Alice, isso era coisa de pessoas intelectualmente desfavorecidas.
- Enfim, vocês estão ajudando a a fugir do assunto. – disse, colocando a mão na cara de Nina para que ela calasse a boca. – , você vai fazer o que agora?
- Não sei... Estou pensando seriamente em não fazer nada. – deu de ombros – Agora dá pra parar de me importunar com esse assunto? Vocês deviam estar tentando me tirar do humor da carranca.
Todos ficaram sérios, menos Michael, que resolveu dar um sorriso, puxou ar para falar alguma coisa mas acabou desistindo. A música havia mudado, e bem de longe dava para ouvir Crying Lightening, dos Arctic Monkeys.
- Nós estávamos pensando em fazer um foursome com o Michael, . Se você quiser participar, podemos tentar o fivesome. – disse Nina como quem não quer nada.
voltou o seu olhar para Michael, que levantou as duas mãos tentando compor inocência, coisa que ela sabia que ele não tinha. Se fosse por Michael, ele teria mesmo ficado com a banda toda. A jovem vocalista suspirou e deitou na cama, deixando então sua cabeça encostada no colo de Michael.
- Eu tenho uma ideia melhor. Que tal eu ficar com o Michael e vocês tentarem coisas novas? – perguntou , recebendo do roadie um carinho bom na cabeça.
- Um threesome de garotas? Nada de pintos? – perguntou – No me gusta.
Os outros riram.
- Pelo amor de Deus, , você só pensa em pintos? – perguntou Alice, fazendo uma cara de nojinho.
- Não tenho culpa se eles me satisfazem.
- Você está subestimando os dedos. – Nina mostrou os dela, longos e magros, com um sorriso diabólico. E lésbico. Um sorriso diabólico e lésbico.
Enquanto a discussão entre as garotas ficava cada vez mais intensa, e Michael passavam por um momento certamente íntimo. As mãos dele já não se seguravam apenas na cabeça dela, e desciam alisando seus braços e perto dos seios. Ela sorriu, satisfeita com as carícias, e ele descia ainda mais uma das mãos, e escorregavam pela barriga da garota - que não previu os dedos calejados e rudes de Michael por sua pele, - e deixou um gemido baixo escapar de seus lábios.
- Senhoritas, eu espero que vocês levem a sério a minha proposta. E se puderem filmar tudo e me mostrar depois... – sorria, levantando do colo de Michael e o puxando pela mão. As outras três olharam para a vocalista que andava em direção à saída.
- Eu não acredito que você vai roubar o Michael da gente. – disse Alice, emburrada.
- É, , compartilhar é uma coisa boa, sabia? – Nina completou, mas a única morena no recinto apenas sorriu furtivamente, e fez um gesto com os dedos e a língua que apenas as assustaram ainda mais.
ainda viu Michael se desculpar apenas mexendo os lábios em um “I’m sorry” e uma tentativa de expressão arrependida.
- Bummer! – disse antes de sair, irritando as três garotas que ficaram a sós naquele quarto.
- E agora, o que a gente faz sem um pinto? – perguntou , cruzando os braços e jogando o seu corpo em uma das camas ali perto.
- Dá pra fazer bastante coisa... – disse Nina, dando de ombros com um sorriso malicioso no rosto.
- Ai que nojo, Nina. Esse seu lesbianismo... – resmungou Ali.
- Bissexualismo, você quer dizer.
- Tanto faz, agora você está pensando em pegar suas bandmates.
- Não vejo nenhum mal nisso. Qual é, vocês duas não tem curiosidade? – Nina parecia realmente indignada. Pra ela, era certeza absoluta que toda mulher tinha curiosidade em ficar com outra. Aquela coisa de se medir demais, e a ajuda na cultura que fazia com que mulheres pudessem ver umas as outras sem roupas naturalmente enquanto homens, na mesma situação, seriam chamados de homossexuais; tudo aquilo fazia com que fosse completamente normal a atração por mulheres. É claro que não era por causa disso que Nina considerava-se bi. Ela era bi por conseguir se apaixonar por ambos os sexos, sem qualquer tipo de discriminação.
- Eu só queria um pinto. – fez bico, fazendo Alice rir. – É melhor irmos dormir. Amanhã estaremos de volta à estrada e precisamos estar vivas para o próximo show. Sabe que eu não fico bem quando não durmo.
- Perfeitamente, . – Nina rolou os olhos – Mas que você devia abrir seus horizontes, devia mesmo. E você também, dona Ali.
bufou, mas Alice acabou por ficar bem presa ao assunto, apesar de não demonstrar. Logo elas começaram a se arrumar para dormir, tirando a bagunça das camas e jogando as garrafas de cerveja no lixo. A noite, para elas, havia acabado; no entanto, para , só havia começado.
No momento em que Michael e colocaram seus pés fora do quarto, um impulso para o riso os invadiu, e os dois então começaram a gargalhar pelo corredor do hotel. Ela corria dele, ele a pegava e carregava como se seu peso fosse semelhante ao de uma pluma. Pareciam pombinhos apaixonados, mas na verdade eram apenas dois seres com seus níveis de excitação estourando termômetros.
O quarto de Michael ficava nos andares inferiores, obviamente por ser um quarto inferior aos outros. Era menor, mas ainda assim possuía climatização adequada e uma TV antiga, mas que funcionava. Nas vezes que o hotel não possuía um quarto para Michael, ele dormia com os empresários, em um colchão encostado em algum canto. No entanto, Vegas tinha lugar para todo mundo.
Quando o elevador chegou para levar e Michael pro que seria um ninho de amor, ou melhor dizendo, ninho de sexo, um Kennedy muito bêbado apareceu junto a uma fã que parecia realmente preocupada com a situação.
- Ei, ei! O que aconteceu, Kenny? – perguntou , fazendo Kennedy olhar pra ela segurando seu queixo.
- Ele bebeu demais... Eu achei melhor leva-lo pra cima antes que acontecesse algo pior. – respondeu a fã, que não apresentava sinais de bebedeira.
- Deixe ele com a gente, nós vamos leva-lo pro quarto. – disse, recusando-se mentalmente a dizer o número do quarto em que Kennedy estava. – Jared, Pat e Gary tão lá em baixo?
- Eu os vi na rua com outros fãs. Só ele mesmo que exagerou... E fica chamando o nome de uma garota toda hora. Ninha, eu acho.
- Nina. – corrigiu – Muito obrigada por trazê-lo. Michael, ajuda aí ele.
Michael ajudou o garoto que tropeçava nos próprios pés. Colocou um dos braços de Kennedy ao redor do seu pescoço, enquanto rapidamente cumprimentava a fã que aproveitou para pedir um autógrafo mesmo mal sabendo quem era ela.
- Vamos leva-lo para o quarto dele.
- Mas John está lá sozinho. Você sabe que se ele está sozinho no quarto é porque bem é que não está, se é que me entende. – Michael disse com um sorriso nada inspirador. Kennedy parecia pesado, o que fez também pegar um dos braços do garoto e colocar sobre seus ombros.
- Ele com certeza está fumando, não duvido disso, mas acho que o cérebro dele funciona o suficiente para parar e ajudar o amigo.
Os dois então seguiram para o quarto 837, e bateu com mais força que o necessário para chamar atenção de John. Quando o vocalista magrelo enfim abriu a porta, revelou-se exatamente como imaginara que estaria: apenas de boxers. O’ Callaghan ainda tinha um baseado preso nos lábios e uma cara despreocupada. O som do quarto revelava alguma música folk que não conseguia distinguir qual era, isso é, imaginando que ela conhecia a música.
- Vocês de novo? – perguntou John, sorrindo como um cafetão ao receber novas putas.
- Man Down. – disse com uma expressão praticamente nula em seu rosto bonito. Ela se livrou do peso de Kennedy nos ombros e empurrou o corpo magro de John para que Michael pudesse passar com o bêbado. – Vê se cuida dele direito. Dê um banho, sei lá.
- Sua bandmate não está aqui pra ajudar? – perguntou John, e fez-se de desentendida – Você sabe, ele só está assim por causa dela. Nina podia ao menos ajudar nas consequências de seus atos.
- As meninas já foram dormir. – disse Michael, cortando a conversa antes que se estendesse demais. Ele bem sabia das intenções de John; ele estava tentando manter ao máximo a presença de ali.
- É. E Nina não tem culpa se Kenny é um coração mole. – disse , beijando o topo da cabeça de Kennedy. Ela totalmente se esquecia que ainda vestia os pijamas um pouco transparentes; não tinha controle sobre sua própria sedução diante daqueles dois. Na verdade, o pijama que vestia não passava de um camisão antigo com estampa de pequenas pistolas.
Michael foi quem abriu a porta da saída e chamou no silêncio do seu olhar malicioso para que voltassem ao que estavam prestes a fazer. A menina, por sua vez, cumprimentou o magrelo com um falso sorriso e andou rebolando em seus pijamas adolescentes até a porta de saída.
- Cuide do seu marujo.
- Não do jeito que você cuida da sua virgindade. – John piscou, chamando a atenção da garota.
- Eu não cuido de algo inexistente. – foi a vez dela de piscar.
- Até semana passada ela ainda existia, não era?
- Pelo amor de Deus, John, agora com esse assunto não. Deixa a gente ir, fica aí cantando Mr. Brightside e dá um banho do Kennedy, antes que ele vomite em si mesmo. – Michael falou com uma voz cansada e arrastada.
sorriu, abraçando Michael e saindo do quarto. John ainda encarando a porta mesmo depois de eles já terem saído. Ele apagou o baseado no cinzeiro e sorriu sacana.
- Uma hora ela vai ter que ceder. – disse em voz alta, mesmo sabendo que ninguém estava ouvindo. Kennedy já estava no décimo oitavo sono, completamente desligado. John olhou enfim para o bandmate e suspirou. Aumentou qualquer que fosse a música que tocava e se preparou para fazer o trabalho de um bom amigo. Porque afinal de contas, John O’ Callaghan não era tão mal assim.
Depois da ida ao quarto onde John estava, o clima ficou meio tenso entre Michael e . Eles seguiam para o mesmo local, com as mesmas intenções, mas havia um pensamento que pairava entre ambos e que podia ser decisivo.
Michael sabia muito bem que se ele falasse o que estava pensando, o chutaria e provavelmente não o veria mais com os olhos que ele gostaria que ela visse. era temperamental, impulsiva, e acima de tudo, estupidamente linda. Isso significava que ela sabia muito bem do que era capaz de provocar nas pessoas, e do que ela estava provocando em Michael. Era com certeza algo muito maior do que uma barraca armada. Ele se sentia orgulhoso de si mesmo por tê-la ao seu lado, e ainda era provocado a cada momento com o pensamento do que ela era capaz na cama. Ela era um mistério, e mistérios atraem curiosos como Michael. A conquista de era algo que tinha de ser feito diariamente, e aquilo se tornava excitante demais; isso se não fosse pelo que ele havia acabado de presenciar.
Quando Michael estava ali, quieto, observando a discussão entre John e , ele podia sentir perfeitamente a tensão sexual que não o envolvia, mas sim ao magrelo alto que discutia com a roqueira de cintura fina. Uma hora ou outra, Mike bem sabia, ela ia ceder, e provavelmente eles teriam a história de paixão ardente que John ansiava.
O roadie olhou para a menina ao seu lado, andando com o olhar decidido e um dos braços envolvendo o seu corpo. Ela estava tão perto. Seu cheiro tão presente, sua beleza o embriagando...
- Eu sei o que você está pensando. – ela disse de repente, virando seus olhos felinos para ele – Eu sei o que é provável, e sei que você acha que vou ceder. – suspirou – Sabe o que eu acho?
- Hm... Não. O que? – Michael disse, meio desconcertado.
- Acho que você deveria pensar num futuro mais próximo e que está com muito mais probabilidade de acontecer... Na sua cama. – a menina sorriu misteriosa, e soltou o braço que o envolvia. Virou-se para ele, os olhos brilhando de luxúria, e o beijou ali mesmo e da maneira mais agressiva possível.
Mike demorou a entender o que se passava, mas quando o fez, logo puxou a menina com mais força contra seu corpo, sentindo os seios quentes dela tocarem no seu tronco. Ele abriu um dos olhos para observar onde estava, e percebia que eles tinham parado ainda a três quartos do seu. Com maestria, ele quebrou o beijo, encarando uma de lábios avermelhados.
- Você vai andando ou quer que eu carregue? – perguntou Michael.
- Eu que pensei que esses seus músculos eram de enfeite. – sorriu ela, desafiadora. Michael não pensou duas vezes quando se agachou e colocou a garota no ombro.
- Ai, pelo menos podia me pegar mais carinhosamente. – reclamou – NÃO TA CONFORTÁVEL AQUI! AI MICHAEL!
- , assim que eu a puser no chão, vou ocupar sua boca por tempo suficiente para que você desista de reclamar. – Michael avisou com um sorriso malicioso, andando calmamente até a porta do seu quarto.
Ele passou o cartão para que a porta se abrisse, e fechou-a com um dos pés. Ligou as luzes calmamente, como se não tivesse carregando uma garota nos ombros, e então finalmente a colocou no chão, logo depois a empurrando para a cama. Ela gargalhou e rolou pela cama, o sorriso ainda estampado.
Quando então quis levantar e parar de rolar, Michael rapidamente apareceu em cima dela sem camisa, segurando-a pelos pulsos e beijando seus lábios como se não houvesse amanhã. O toque de Michael era sempre certeiro, e às vezes um agressivo demais, mas estava disposta a fazer muito mais dessa vez. Ela não queria ser a submissa como fora antes, pelo menos não por completo.
capturou o lábio inferior dele e mordeu de tal jeito a fazê-lo rir. Quando o roadie soltou uma das mãos dela para apalpá-la, ela aproveitou a mão livre para empurrá-lo pelo peito. Foi forçando até conseguir separá-lo do seu corpo o suficiente para que tomasse impulso e o colocasse debaixo de si.
Era engraçada a sensação de sentar exatamente no local crítico de um homem excitado, e mais engraçado ainda que se sentisse tão à vontade naquela posição. Ela aproveitava para roçar sua intimidade na dele, mesmo ambas cobertas, e se deliciava com a expressão um pouco desesperada de tesão que ele tinha no rosto. O sorriso nos lábios de era inevitável.
A jovem procurava satisfazer-se sexualmente com Michael por um motivo que poucos iriam entender. Não era apenas porque ele era lindo e tinha aquele charme Cobain quase irresistível, mas também porque ela precisava se livrar da tensão sexual que sempre teimava em aparecer na presença de um maldito John. É claro que ela amava o sexo em si, amava toda a excitação, o jeito como seu corpo respondia a todas as provocações... Mas naquele momento a transa com Michael era 60% motivada por essa tensão. Ela tinha de se livrar daquele desejo que a consumia, e Michael era a peça perfeita para ela jogar.
Quanto aos outros 40%, podia-se dizer que o corpo sensacional do roadie era simplesmente de encher a boca de saliva. O jeito agressivo como ele a agarrava, como se ela fosse uma presa prestes a fugir, também a excitava mais do que podia admitir. Masoquismo ainda era uma ideia que ela não sabia se queria testar... Isso não contando com a perda da sua virgindade, que se não foi masoquismo, a única outra definição seria “um ato muito rock n’ roll envolvendo dor e prazer”.
Os pensamentos de estavam tão rápidos, tão vultuosos, que tudo que ela fazia naquele momento pareciam lampejos.
Ela parou de beijá-lo para tirar suas roupas, que deixavam de ser convenientes para serem empecilhos realmente irritantes. tirou a própria camisola, revelando os seios nus que logo Michael pôs as mãos, maravilhado em como eles eram macios e cabiam perfeitamente nas palmas de suas mãos. Um sorriso invadiu o rosto de enquanto ela sequer se importava com as carícias em seus seios, observando o abdômen perfeitamente definido de Michael aparecer mais a cada segundo em que ela tentava subir sua camisa. Mike era verdadeiramente pálido, e tinha pequenos sinais cobrindo o seu tronco; ele também praticamente não tinha pelos. Um pouco contrariado, ele teve de parar de acariciar os seios de para que ela conseguisse tirar sua camisa.
- Fique quieto agora. – ela disse em seu ouvido – Está na hora de fazer minha mágica.
Ele riu, e colocou as duas mãos para o alto fazendo-se de rendido. Deixou então a garota descer com beijos pelo seu tronco, sentindo o caminho úmido que se fazia até o local que realmente interessava. Ela tirou seus jeans sujos e observou o membro que se fazia tão excitado que a qualquer momento parecia que ia rasgar as boxers vermelhas. Ela mordeu o lábio inferior, provocante, e alisou o volume como quem faz carinho em um gatinho. Beijou-o por cima do pano da boxer e por fim colocou as mãos como garras para retirar a última peça de roupa sobrando no corpo de Michael.
O pênis dele parecia ainda mais ereto com a liberdade, e Michael o segurou com uma das mãos, já prevendo o que estava por vir. Mas não pensou duas vezes ao tirar a mão dele dali e colocar a sua. Michael sentiu um arrepio pelo seu corpo, uma vontade de extravasar; ele estava adorando o jeito como aquela garota estava tratando o seu sexo.
inclinou a cabeça e começou a lamber o membro de Michael, da base ao topo, sua língua esperta demais fazendo os movimentos certos para deixa-lo nas nuvens. Mike teve de descansar a cabeça para trás, e fechar os olhos para sentir o que aquela garota estava fazendo consigo. A um certo momento, ela sugava com força e o fazia gemer de uma forma incontrolável, um modo em que ele não conseguia ter noção de como estava se segurando para não gozar em sua boca. No entanto, ele mantinha uma necessidade de segurá-la pelos cabelos, e assim o fazia, para que conseguisse segurar o gozo por mais tempo e aproveitar mais daquela sensação.
Para ela fazer um oral era estranho, mas a menina gostava demais da sensação de estar proporcionando tanto prazer. Fazer aquilo em Mike era na verdade fácil, se comparando com como a situação era com um dos seus ex, que tinha um volume pouco mais avantajado que Michael, mas que era muito mais difícil por ser mais largo. Ela não tinha boca nem mandíbula de atriz pornô para conseguir fazer tanta mágica, e muito menos sentia vontade de colocar aquilo garganta abaixo, como ela já assistira tantas vezes essas atrizes fazerem. Filme pornô era obviamente educação sexual, mas era bem seletiva no que escolhia tentar fazer. Com a experiência que tinha, ela sabia como os homens gostavam que fizessem aquilo, mas a sua necessidade de estar por cima naquele momento fazia com que ela fosse um pouquinho mais selvagem.
Ok, não tão pouquinho assim.
Quando Michael enfim deu o primeiro sinal de que iria gozar, tirou a boca de seu membro e passou a masturba-lo até que finalmente o líquido branco saltou e melou os seus seios. O alívio e o ecstasy de Michael vieram ao mesmo tempo, e ele demorou-se um pouco para se recompor. Enquanto isso, limpava a sujeira nos lençóis, sem muita expressão no seu rosto, apenas rolou os olhos uma vez como quem diria: “homens, tão fáceis...”.
Antes que ela pudesse acabar de limpar, Michael levantava o seu queixo para que ela o encarasse. O brilho nos olhos dele era algo inegável, e o jeito como ele a hipnotizara era incrível. não conseguia desplugar seus olhos dos dele; eram tão vívidos.
Ele a deitou na cama, e beijou seus lábios de um jeito que poderia ser até romântico; Mike o fazia devagar, quase parando, absorvendo o gosto dos lábios dela. No entanto, a sua mão descia o corpo da menina rapidamente, fazendo-lhe cócegas que ela notava longinquamente devido à sua concentração no maravilhoso beijo que recebia. Logo a mão rude de Michael chegara ao seu destino. A intimidade de estava úmida o suficiente para molhar os dedos do roadie; ela tinha uma lubrificação incrível e ele nem ao menos havia percebido da primeira vez. Michael tirou sua calcinha com uma das mãos e a própria se livrou da peça com os pés.
Ele não parou de beijá-la quando começou a penetrar seus dedos nela enquanto acariciava o clitóris com o polegar. Michael sabia o que estava fazendo: ele estava devolvendo-lhe a mesma sensação que ela havia lhe provocado. se contorcia, e mordia o lábio de Michael diminuindo e aumentando a força, de acordo com o que acontecia nas suas partes íntimas. A sensação era de invasão; era como se Michael tivesse fazendo cócegas em todos os seus órgãos internos.
Quando ela percebeu que poderia estar machucando demais o lábio inferior dele, rapidamente largou-lhe a boca e segurou os cabelos louros, entrelaçando seus dedos na maciez suja que eram os cabelos de Michael; ela fez com que o pescoço dele ficasse à mostra e ali enterrou suas presas. Isso é, abocanhou-lhe o pescoço e fez uma marca grande demais para alguém que pensava não ter boca de atriz pornô.
Michael tomou um susto e realmente sentiu como se seu sangue estivesse sendo sugado por uma vampira, mas quando fez sinal de parar os movimentos, teve de encarar uma enraivada perguntando-lhe “parou por quê? Eu mandei parar?”. Ele riu e continuou, mas apenas depois de sentar do lado dela, livrando-se dos ataques vampirescos e aproveitando para assistir as diferentes expressões da menina enquanto estava domada pelo prazer.
Logo quando ela estava quase lá, Michael percebeu que já estava excitado novamente, e achou que já era hora. Ele queria que ela chegasse lá não com seus dedos, mas quando ele estivesse fazendo os movimentos com os quadris. Desesperado, procurou a calça jeans onde poderia encontrar sua carteira, e quanto mais rápido ele tentava ser, parecia que mais devagar ia. , esperta, pôs seus dedos de volta à própria intimidade e voltou a acariciar seu clitóris do modo que sabia que a ajudaria a alcançar o seu ápice. “Só mais um pouquinho...” ela dizia para si mesma, e aumentava a velocidade dos próprios dedos.
Quando a jovem roqueira estava já sentindo um tipo de pré-orgasmo, Michael rapidamente deitou sobre ela e puxou suas pernas para cima, colocando-as sobre os ombros. Ele entrou sem pedir permissão, tirando as mãos de dali e a penetrando sem dó. Ela arregalou os olhos, surpresa, e sorriu quando a sensação veio. Michael continuava com os movimentos insanamente sobre ela, mas a garota experimentava o seu ápice e relaxava gradativamente. Michael não se importava, e só pararia quando chegasse novamente no seu orgasmo.
via Michael mover-se sobre ela como se ele fosse um vulto, algo inalcançável. O rosto dele parecia tão perfeitinho de perto; os lábios avermelhados, o nariz tão certinho, os olhos azuis que ainda luxuriosos lhe passavam calma. Ela gostava de observar como aqueles cabelos louros dele iam e vinham com o seu movimento brusco sobre ela, e não se sentia desconfortável com a posição em que ele a colocara. Parecia que com as pernas daquele jeito a sensação era de que seu membro era maior. No entanto, o interior de parecia aos poucos descansar, e mesmo com a atitude de Michael de continuar, o pandemônio de excitação dentro da menina estava calmo. O coração ainda batia forte, a pele transpirava, mas a mente estava relaxada. Ela não pensava em fazer nenhum movimento, a não ser que Mike a forçasse.
Logo ele foi atingido pelo segundo orgasmo da noite, e deixou-se relaxar. Deitou-se ao lado dela, que não moveu um músculo sequer.
Michael e passaram alguns minutos olhando para o teto e deixando seus corpos se acalmarem. Ambos nus, simplesmente estirados naquela cama pouco confortável; aos poucos o suor evaporava, as respirações normalizavam, e o cansaço se dissipava provocando sono.
- Tem algum cigarro perto? – perguntou, a voz quase falhando.
- Na gaveta do seu lado.
virou-se para abrir a tal gaveta do criado mudo ao seu lado e ali pegou uma caixa de metal que ela supôs ser o porta-cigarros.
- Não pegue os de papel de palha. – avisou Michael.
- Por quê?
- Eles são... Hm... Batizados. – ele deixou um sorriso iluminar seu rosto e virou-se para . Ela sentou-se na cama e correspondeu o sorriso com outro ainda mais largo. Pegou exatamente os cigarros de papel de palha e buscou o isqueiro verde cana que havia visto na mesma gaveta. Acendeu seu cigarrinho e tragou-o cuidadosamente.
- É razoável. – disse ela, fazendo careta e depois rindo e se desmentindo. – É muito forte.
Ele levantou e sentou-se na cama junto à garota, pegando o cigarro de sua mão e tragando também. Ele puxou com todo o ar dos pulmões, e também fez careta, franzindo o cenho.
- É... Acho que exagerei um pouco nesse aqui. – ele riu, mas ainda assim tomou outro trago. - Time takes a cigarrette... Puts in your mouth. – Michael cantou ao devolver o cigarro à colocando-o em sua boca enquanto a encarava de modo perturbadoramente encantador.
- Gosto do seu gosto musical, Mike. – ela disse com um sorriso no canto dos lábios que prendiam o cigarro na boca.
- Sei que sim. – ele disse convencido, voltando a deitar e ajeitando os travesseiros para confortar sua cabeça. Seus cabelos estavam extremamente bagunçados, e aquela cara de me-droguei-a-vida-toda estava estampada ali. Aquele jeito Cobain e ao mesmo tempo, aquele jeito Michael. estava o usando como um passatempo, mas sabia que no final das contas, Mike era especial. Algo como... Um brinquedo favorito. Mas ele não precisava saber disso.
Ela abraçou as pernas e sorriu para ele.
- O que foi? – ele perguntou, sem entender.
- Por que você se tornou roadie? Não acho que essa vida tenha sido seu sonho quando era criança.
- Agora você está querendo me conhecer?
- Gosto de saber com quem estou transando. – ela piscou e tragou um pouco daquele cigarro batizado que a deixava tonta.
- Eu queria ser bombeiro, mas cresci e quis montar uma banda, mas não deu certo.
- E aí?
- E aí o que?
- Por que a banda não deu certo?
- Não sei... Acho que não nasci realmente pra isso.
- Eu também acho que não. Mas não volte à ambição de bombeiro quando isso aqui acabar. – ela desistiu do cigarro e o apagou, então deitando no peito de Michael repentinamente.
- Isso o que?
- Essa vida de carregador de mala e afinador de instrumentos, você sabe.
- Tem a parte divertida...
- Você poderia ser modelo. Poderia fazer cover do Kurt Cobain. – ela levantou a cabeça para olhar nos olhos de Michael – Poderia ser ator pornô. É até mais underground do que ser roadie.
Os dois riram.
- Você sempre fala esse tipo de coisa depois do sexo?
- Você se acostuma... – riu ela – Se ficar comigo por tempo o suficiente pra isso.
Silêncio. O assunto que chegaram era meio tenso. Michael queria um algo a mais, algo para firmar algo entre os dois; mas ao mesmo tempo ele só queria ficar com ela na hora que quisesse. Não precisava exatamente de um rótulo pra isso. Agora ... Ela não queria nada. Simplesmente nada. Era impulsiva, ela queria muito mais o agora do que o futuro... A não ser que esse futuro tivesse a ver com sua carreira. O futuro que pensava era como um astro de rock ‘n’ roll e não como um futuro feliz com alguém que a fizesse feliz. A menina era dura na queda.
- Não precisa ficar tensa. – ele fez carinho em sua cabeça – Eu não vou atrapalhar sua vida. Eu só quero que possamos ficar quando bem quisermos.
- É... Eu não sei o que eu quero. – ela deu de ombros – Que tal não tocarmos nesse assunto e dormir?
Michael concordou com um murmúrio, mas ainda com seu pensamento preso no maldito assunto. Não. Ele não precisava pensar nisso. Poderia trata-la como se fosse qualquer outra, isso se não fosse o fato de que iria conviver com ela pelo próximo mês.
Ele viu a jovem levantar e se vestir em silêncio.
- Você não vai dormir aqui?
Ela riu baixinho.
- Uma noite inteira comigo é demais até pra você, cher. Mas não se preocupe, um dia eu te darei a minha ilustre presença na sua cama durante uma noite inteira. No seu aniversário, quem sabe.
Michael riu e negou com a cabeça; é, ela continuava a mesma. Nada mudou. Nada precisava ser pensado quanto à relação dos dois. A verdade era clara e simples: Ele estava nas mãos dela. O roadie suspirou e virou-se na cama, se enrolando nos lençóis. - Não se esqueça de apagar a luz quando sair. – pediu ele, desligando-se da estranha realidade em que estava para encontrar algo melhor em seus sonhos. Algo que não envolvesse não estar nas mãos de uma roqueira insana que tinha habilidade para o melhor oral que ele já recebeu. É... Qualquer coisa assim.
Alice out of chains
O relógio marcava cinco horas da manhã e Alice ainda não havia conseguido dormir. À sua esquerda, Nina dormia calmamente com um dos braços ao seu redor, enquanto à direita parecia estar morta. Sabendo que não voltaria até o amanhecer, as três decidiram dormir juntas para que nenhuma delas tivesse que ficar sozinha na cama. Ali estava no meio do sanduíche, mas não era o fato de duas marmanjas estarem-na apertando no meio que a incomodava.
O que Nina havia dito mais cedo sobre sua sexualidade havia a tirado do sério. Era muito estresse em sua cabeça.
Alice era sem dúvidas a mais inteligente na banda, a mais preparada para um futuro alternativo em que ela não seria uma rockstar. Seus pais apostavam na carreira médica, e se não fosse pelo aparecimento das garotas na sua vida ela teria com certeza acabado em uma das universidades da Ivy League estudando para ser uma grande cirurgiã. Mas não. Ela estava ali, fazendo o que seu pai diria ser "desperdiçar a inteligência". A pior parte de tudo é que ele estava certo. Quanto mais as garotas tinham sucesso na banda, mais Alice se preocupava secretamente com seu próprio futuro. A jovem sabia muito bem que todas, com exceção de Nina, estavam minimamente preocupadas com isso. tinha seus problemas com falta de confiança em si mesma – nas poucas vezes que ela se abriu para Alice, disse que achava que se a banda falhasse em se tornar uma rockstar, ela não saberia o que fazer: Não estudara direito, não planejara um futuro, e viveu sua vida como se não importasse com nada. dizia que quem fez o que ela fez só se dá bem em filmes. , bem, Ali sabia que ela tinha problemas em casa, mas não tinha a menor ideia do que realmente acontecia.
A jovem suspirou e se encolheu para o lado de Nina, a bandmate de quem era mais próxima. Agora era outra preocupação: sua sexualidade. Era só o que faltava. Logo ela, a única que havia namorado de verdade com alguém – um homem, for the record! – e agora duvidava da sexualidade. Ali olhou para o rosto de Nina, observando-o com bastante atenção. Ela realmente gostava de observá-la, Ali definitivamente apreciava a beleza feminina, mas o que isso dizia da sua sexualidade?
"Nada", Alice respondeu para si mesma, mas ainda assim a dúvida continuava. Ela suspirou, e tentou mudar o rumo da sua discussão metal para outro assunto. Lembrou da sua vida antes da banda. A sua casa simples no centro da cidade, seus pais Paul e Kim, a escola... Era tudo tão simples, tão fácil, tão pacato. Uma parte da menina Alice sentia saudades daquela vida, porém era uma parte muito pequena se comparada à vontade de continuar na nova vida de rockstar. Mas como já foi dito, Alice era inteligente, e sabia muito bem que a probabilidade que The R!ot realmente sucedesse como banda era muito pequena. A indústria da música era não apenas seletiva, como também descartava os artistas muito facilmente. Apesar de acreditar no potencial da banda e na força Rock N’ Roll do Lairy, tudo podia muito bem desmoronar no segundo álbum, como acontece quase sempre com a maioria das bandas. Ou talvez, elas poderiam conseguir emplacar um single, mas não conseguiriam fazer o público gostar do álbum inteiro.
Ali suspirou, e finalmente deixou-se fechar os olhos. Sua imaginação estava a mil, e coisas demais passavam por sua cabeça. Foi então que tomou um susto quando a porta do quarto se abriu sorrateiramente. Ela arregalou os olhos, mas logo tratou de fechá-los e fingir estar dormindo. Uma pequena luz foi acesa, e Ali se permitiu enxergar por uma pequena fresta no olho esquerdo. Era , iluminando o local com um celular e tropeçando em quase tudo pela frente.
- Fuck! – ouviu-se um sussurro na voz da vocalista, e então Alice resolveu se revelar, levantando-se.
olhou para o lado da cama de casal ocupada por três garotas, e tomou um baita susto quando viu a sombra de Alice levantada: os seus pequenos olhos muito concentrados em sua figura e os cabelos – agora lisos - bagunçados.
- Caralho Alice, que susto! – reclamou, com uma das mãos no coração que batia forte.
- Susto tomei eu quando uma louca entra no quarto às cinco da manhã se batendo em tudo. – resmungou Alice, cuidadosamente saindo da cama, procurando não acordar as outras meninas. – Eu pensei que você ia passar a noite fora.
- Eu passaria se eu fosse dormir com Michael, mas minha intenção, pra variar, foi puramente sexual.
- É, pra variar. – Alice finalmente conseguiu sair da cama, e ajeitou os cabelos longos para trás. – Você vai dormir agora?
- De que adianta? Logo logo Sue vai bater na porta avisando que o ônibus já está saindo. – deu de ombros. Usou a lanterna do celular para achar a sua mala escondida debaixo da de .
- E você vai fazer o que?
- Tomar um banho, depois eu não sei. Acho que vou ficar vagando por aí. – suspirou Bela – Você não conseguiu dormir?
Bela revirava as coisas à procura de alguma roupa decente, e acabou se contentando com calças jeans skinny e um moletom grande demais pro seu corpo.
- Eu posso ir com você? – perguntou Alice.
- O quê? – sorriu – Tomar banho comigo?
Ali rolou os olhos e deu um sorriso de canto.
- Não, sua pervertida, vagar por aí.
- Tudo bem. Espera só eu tomar banho.
- Ok, vou trocar de roupa. – Alice disse, dirigindo-se então à sua mala, de longe a mais organizada de todas. Enquanto dirigia-se ao banheiro para suas necessidades – tirar aquele cheiro de sexo que só ela conseguia sentir -, Alice pegou uma blusa preta e casaco de suas coisas. Assim que fechou a porta do banheiro, Ali já tinha o seu iPod na mão para iluminar o local e tirava suas roupas. Não encontrando uma calça decente, roubou a de estampa de zebra nas coisas de . Sabia que ouviria depois, mas não se importou; aquela calça era muito legal pra pertencer à .
Depois de alguns (trinta) minutos de espera pela princesa que demorava demais no banho, as duas garotas finalmente saíram do quarto, aliviadas por não ter que sussurrar mais. Desceram no hotel e andaram sem rumo pelo saguão, enfim parando no bar que parecia não fechar nunca. Havia ali perto uma espécie de mini casino, e dois guardas imensos guardavam o local e barravam a entrada de menores de 21. É, Vegas não era cidade para adolescentes como Alice e . As duas então sentaram em uma das mesas vazias, olhando para todos os lados, observando aqueles que festejavam ao amanhecer. Eram jovens, adultos, pessoas poderosas, ricas, trabalhadoras, tristes e alegres demais; todas juntas em um só local.
Uma garçonete entediada jogou cardápios na mesa. Quando Alice olhou para a moça, tomou um susto com as roupas que vestia. Era uma saia muito curta com um top estranho que deixava uma visão muito exagerada dos seus seios grandes. As pernas ainda estavam cobertas com uma meia calça preta, e os saltos eram tipo de drag queen. Ali arregalou os olhos e antes que comentasse com , a outra já estava sorrindo como quem já entendia a mensagem.
- Vegas, baby. – Bela disse apenas, enquanto Alice ainda não sabia exatamente como se portar ante a figura da garçonete.
A baixista pegou o cardápio e deu uma olhada rápida. Seu estômago estava realmente reclamando da fome, mas já era quase o horário em que o buffet do hotel servia o café da manhã e o pessoal desceria pra comer todo mundo junto.
- Eu quero um suco de morango. – pediu Alice, sem olhar na cara da garçonete. , por outro lado, fez questão de olhar a mulher nos olhos antes de pedir água sem gás. A maquiagem também era no maior estilo drag, mas não disfarçava o cansaço.
- Será que elas não entendem que esse tipo de coisa assusta as pessoas? – perguntou Ali assim que a mulher se afastou levando os cardápios.
- Bem, a ideia é chamar atenção, certo?
- Mesmo assim. Acho que um jeito de chamar atenção aqui é ser normal. – Ali riu – Imagina só como seria se tua mãe entrasse aqui?
soltou uma risada meio tensa, não queria lembrar-se de sua mãe. O que diabos ela fazia que não tentara qualquer comunicação com ela? Será que tinha sido excomungada da vida da própria mãe por ter fugido de casa?
- Seria no mínimo engraçado.
Ali percebeu o desconforto de com o assunto.
- Você está com saudades dela?
- Não! Não! De jeito nenhum. Digo... Não sei bem se isso é saudades. Mas – suspirou – eu queria que ela tivesse ao menos me procurado, sabe?
- Sei... – Ali colocou sua mão sobre a de , procurando dar algum tipo de conforto - E o seu pai? Deu notícias?
- Se ele não morreu com toda a bebedeira, com certeza está bem perto disso. Eu realmente não me importo mais.
- Eu pensei que ele tinha se livrado do alcoolismo naquela clínica...
- Ah Ali, this is bullshit. Ele saiu da clínica antes de sequer chegar ao meio do tratamento. Ficou dizendo que era clínica de maluco, só porque havia também narcóticos internados lá. Depois que eu fui procurar saber a história, soube que ele só ficou uma semana com os narcóticos, depois foi pra o outro prédio da clínica. Sinceramente, ele não quer mais sair dessa. Eu não sei nem se ele quer viver mais.
Alice suspirou. carregava uma baita carga emocional nos ombros. Os pais dela furiosos eram fichinha do lado dos da amiga. Ali passou a mão no cabelo inacreditavelmente sedoso de , e os colocou pra trás da orelha.
- Eu sei que sua família errou com você, mas não se esqueça de que você tem uma nova família. Eu, as meninas, Sue, Tim... Nós somos sua nova família. Nós nunca iremos te abandonar sobre quaisquer circunstâncias. – os olhos de Alice brilhavam a cada palavra dita. A sinceridade transbordava de seus lábios finos. não conteve um largo sorriso.
- Pare de me fazer querer chorar à essa hora. Daqui a pouco nem eu to acreditando que há uma hora eu estava na cama com Michael, sendo feliz.
Ali sorriu e moveu a cabeça em negativa. e seu papo sexual não mudavam! Ela sempre tinha um jeito de colocar sexo em alguma conversa. A garçonete então chegou com os pedidos, e serviu as duas rapidamente, logo saindo de cena com suas roupas espalhafatosas.
- Parece até que a gente tá num bar de bordel, sem brincadeira. – Ali comentou enquanto colocava açúcar em seu suco.
apenas riu e bebeu o copo de água em um virada só.
- Sede, hein amiga? – perguntou Alice impressionada.
- Sexo dá sede. Assuntos emocionais também.
Ali riu.
- Você está gostando do Michael ou...?
- Puramente sexual! – tratou de declarar – Relacionamentos sérios são para pessoas sérias. E eu sou tão séria quanto o palhaço Bozo, então você já pode fazer os cálculos.
- Eu não sou uma pessoa séria e tive um relacionamento sério.
- Existe sempre a exceção à regra. Eu não sei como você aguentou o nerd do Jason por dois fucking anos.
- Amor. – Ali respondeu simplesmente, e finalmente tomou um gole do seu suco. Ela estranhou um gosto meio amargo, mas resolveu continuar bebendo.
- A pior coisa que pode acontecer a uma pessoa, esse tal de amor. – fez careta. Assim que Ali fez menção de dar uma resposta, cortou. – E nem venha me falar coisas bonitas e aquele blablabla. Não já basta a acreditando que o amor é a salvação do mundo. Vamos mudar de assunto. Você e o Garrett estão ficando?
- Quê? – Ali perguntou sem entender o motivo daquela desconfiança.
- Ah, ainda não? – Bela fez cara de decepcionada – Eu pensei que vocês já tinham descoberto as coisas em comum. – Ali ainda estava desentendida – Gary é tipo um nerd só que sem QI de nerd. Não que ele não seja inteligente, mas é claro que não chega ao seu nível. Enfim, já que você não ficou com ele ainda e eu acabei de descobrir que você realmente gosta de relacionamentos sérios, prefira não ficar.
- Por que não? Agora eu fiquei interessada!
- Pra não criar laços com o The Maine. Já basta o amor desafortunado de Kennedy e Nina. Ou melhor, o amor desafortunado de Kennedy para Nina, que não tá nem aí.
- Mas a gente já tem laços com ele. E o maior deles é a relação entre você e o John. – Antes que fizesse qualquer menção de replicar, e principalmente de aumentar o tom, Alice cortou. – Mas esse assunto só te irrita e eu sei que você tá mais do que revoltada. Então vamos ficar quietas.
ainda puxou o ar duas vezes para falar, mas nenhum som saiu da sua boca. É, ela estava revoltada com o assunto John. Estava na hora de ela dar o troco, isso sim.
As duas meninas ficaram em silêncio por um tempo, observando o ambiente ao seu redor. Os caras que iam e vinham, tão arrumados, e trocavam olhares. As mulheres eram esbeltas, também muito arrumadas, quase sempre acompanhadas. Não havia pessoas da idade das meninas, apenas mais velhas, e elas se sentiam um pouco como peixes fora d’água. Foi então que Alice lembrou do assunto que a preocupava mais cedo, sobre sexualidade. Que pessoa seria melhor para perguntar do que , the Queen of Sin?
- ... – Ali chamou meio manhosa, um pouco tímida com o assunto.
- Diz.
- Você é bi, não é?
estranhou a pergunta. Não havia parado pra pensar naquilo e, além do mais, que tipo de pergunta mais sem jeito e sem hora era aquela? A menina franziu o cenho.
- Sei lá.
- Mas... – Ali parou pra pensar. Como assim ela não era bi? E a festa da Holly em 2006? Se ela bem tinha ouvido de Jason, seu namorado na época, tinha se trancado no armário com uma garota brincando de 7 minutos no paraíso. Ele ainda disse que o boato é que a garota era e que elas haviam ficado muito mais do que 7 minutos ali dentro, e o batom de voltou borrado. – Mas , você já ficou com garotas?
- Sim. Digo, me disseram que sim. Eu não estava sóbria, sabe. – deu de ombros – Eu não lembro como foi. Mas eu ficaria de novo se tivesse uma oportunidade. Sinto-me livre com esse assunto. O que importa não é o sexo da pessoa, é o sentimento. Se algum dia eu me apaixonar por alguém e esse alguém for uma garota, a gente se casa e vai viver feliz pra sempre.
- Então você é bi. – concluiu Ali, ainda querendo tocar no assunto de que o amor é tudo e tinha acabado de admitir, porém decidindo se conter.
- Rótulos. – rolou os olhos. – Mas por que você está me perguntando isso agora, assim, do nada?
- Porque eu tô meio confusa. Não é como se de repente eu tivesse uma atração insana por garotas, mas é que pensando bem, eu não me senti completa com os garotos que eu estive.
- Até com o Jason?
- Com o Jason foi diferente. Eu o amava. Ele poderia estar fazendo cocô num banheiro sujo e eu ainda o acharia lindo. Mas depois que o sentimento se foi... Sei lá. Sei lá!
- Você não devia estar perguntando essas coisas pra mim, sabe disso né? Nina é, com muito orgulho, bissexual. Acho que ela vai poder definir melhor e te ajudar. – sorriu .
Ali concordou com a cabeça e suspirou, tomando o resto do seu suco que mais tarde ela percebeu estar misturado com um pouco de vodka. Quando a menina foi reclamar, a garçonete drag respondeu que as únicas bebidas não alcoolicas no bar eram água e refrigerante, e pediu desculpas por não ter avisado previamente. Logo o tempo passou e quando menos esperavam, Ali e já estavam no ônibus à caminho de Denver.
Ali acabou se isolando com seus pensamentos, o que logo foi percebido por Nina. Geralmente Alice ficava pulando de um lado para o outro no ônibus, conversando com todo mundo, mas ela estava muito quieta mesmo se estivesse apenas com sono. Nina sentou do lado da amiga e a abraçou. A diferença de altura entre as duas sempre deixava um cenário engraçado para que as observasse. Nina era longa e fina, e Alice magra e pequena.
- O que foi, geek? O que está se passando nessa cabecinha? – perguntou Nina. Ali deu um sorrisinho sem graça e voltou ao fitar o nada.
- Você lembra quando você me falou sobre você ser um menino-menina?
- Yep.
- E sobre bissexualidade?
Nina já abria um pequeno sorriso no canto dos lábios.
- Yep.
- O que é ser bissexual? Você precisa ser menino-menina? Como você descobre? – Ali soltou as perguntas que mais batiam na sua cabeça, e Nina levou um susto.
- Calma – Nina riu – O que é ser bissexual, essa é simples: É você se apaixonar por pessoas independente do sexo delas. É como se da mesma forma que você se atrai por um menino, você se atrai por uma menina. Como se você fosse hetero e lésbica ao mesmo tempo. – A guitarrista piscou – Você não precisa ser andrógino pra ser bi. Ser andrógino não define sua sexualidade, mas com certeza influência, disso não tenha dúvidas. E quanto ao "como você descobre", a resposta é clichê: você tem que testar.
- Testar?
- É. Você precisar tentar se relacionar com uma pessoa do mesmo sexo que você e ver como seu corpo responde.
- Não sei se me sentiria bem colando um velcro. – Ali riu tensa.
- Oh, pequena Ali, if you never try, you’ll never know! – Nina se levantou – Agora que eu tirei suas dúvidas, venha lá pra frente comigo. Sue tá contando umas histórias muito legais.
Alice se levantou e abraçou Nina de lado, logo depois a soltando para conseguir se equilibrar ao andar no tour bus em movimento. Nada muito difícil para uma pluma, you know.
Denver, CO
Show das The R!ot estava marcado para as 21h. Enquanto isso, estavam todas (e Michael) reunidos no camarim. Alice se maquiava, Nina experimentava colocar laquê no cabelo, conversava com – essa última sentada no colo de Michael, que por sua vez fazia carinho nos braços da jovem – e Sue recebia uma ligação com um sorriso no rosto.
- Acabamos de contratar mais três roadies. Ok, para vocês é só um, mas eu ajudei nos contatos para o The Maine terem seus próprios roadies. É meio chato pra eles terem roadies diferentes a cada show. Parece que eles estão com um fotógrafo, um tal de Dirk. – Sue não parava te tagarelar. – Eu ainda não conversei com ele, mas se o trabalho for bom, podemos contratá-lo para tirar umas fotos de vocês em tour e se apresentando, não é?
- Acho uma boa. – disse. – Como é o nome do novo roadie?
- já está interessada! – riu.
- Aprendi com você, Darling. – disse , fazendo pose de diva. Sue riu.
- O nome dele é Mark. Vamos nos encontrar com ele em Houston. Ou seja, daqui a uma cida- o celular de Sue começou a tocar de repente, a interrompendo. Ela pediu licença com a mão enquanto franzia a testa ao ver quem era.
- Quem deve ser? – perguntou Nina sentando ao lado de , seus cabelos meio arrepiados.
Ninguém soube responder, e deram de ombros, assistindo a Sue falando ao telefone.
- Qual o milagre? Resolveu voltar a me amar? – Sue sorriu – Sei que sim, amor. Mas diga logo o que você precisa... Sim, sempre... Quem? – ela deu uma risada gostosa – Ficou apaixonado?
Susan então tirou o celular do ouvido e o levou até .
- É pra você, querida. – disse Sue com um sorriso de pimentinha. franziu o cenho e colocou o aparelho no ouvido.
- Alô?
A vocalista da The R!ot mal pode acreditar na voz que ouvia, e mesmo quando ele se identificou, ainda estava boquiaberta. Ela se levantou e foi para um canto da sala abraçada ao celular de Sue. Ninguém entendeu nada, mas dava pra ver que estava mais do que feliz com a ligação.
- Sue, quem é? – perguntou Carol, curiosa.
- Jared Leto. – Sue respondeu com um sorriso enquanto e Nina tinham aquela expressão de "I don’t fucking believe it." Michael, por sua vez, tinha no rosto uma expressão que poderia ser definida como ciúmes, mas que ele teimava em esconder. Não podia se apegar. Ele precisava dar um jeito naquilo, de repente se tornava difícil demais pra ele se imaginar na presente situação de estar nas mãos de .
Alice sentou ao lado de Nina e se encostou no ombro da amiga, fechando os olhos recém-pintados.
- Ali, você tá bem? – perguntou Michael, estranhando o comportamento da baixista.
- Só estou com sono, Mike. – disse ela com a maior cara de anjo que poderia ser bem sedutora, se é claro, Michael se interessasse por meninas como ela. Mas um cara que é atraído por dificilmente se sentiria atraído pela pequena Ali. No entanto, Mike gostava da pequena, principalmente porque ela costumava animá-lo e tratava-o sem más intenções. Por isso, ele a chamou para sentar do seu lado e começou a puxar conversa para fazê-la se sentir melhor.
Logo retornava ao grupo com um sorriso imenso nos lábios que, naquela noite, estavam na coloração natural. Sentou-se no chão ao lado de Nina e a abraçou de lado bem apertado.
- Ele vai me ligar mais tarde depois do show, disse que tem algo a me falar. – disse animada. – Nem acredito nisso.
- Não ta acreditando que você vai dar pro Jared Leto? – perguntou Carol, caçoando.
- E num já deu? – Nina caçoou ainda mais, fazendo ficar de bico.
- Parem com isso suas invejosas! – ela cruzou os braços – Vou fazer questão de não contar nada depois, sendo assim.
- Aaaahhh... – As meninas reclamaram em uníssono.
- Tem que detalhar, ! – disse Ali. – Você sabe que nós somos curiosíssimas. – piscou.
esboçou um sorriso, quando de repente a música parou de tocar. Isso é, no palco parecia que o show do The Maine finalmente havia terminado, seria a vez delas depois do break.
- Michael, vá logo ajudar com os instrumentos e a preparação do palco. – Sue pediu, sendo atendida prontamente. – Garotas, vocês estão ligadas que vamos usar a nova setlist, certo? Digo, com Miss Nothing no lugar de My Medicine e vice-versa.
- Sim, estamos lembradas. – respondeu.
- Não se esqueçam de fazer o grito de guerra. Deixa vocês mais animadas no palco... – Sue falou a palavra "animadas" com o olhar focado na pequena Alice.
As garotas então se reuniram rapidamente, ajeitaram mais uma vez cabelo e maquiagem e esperaram que alguém batesse na porta e gritasse "cinco minutos!". Quando isso aconteceu, fizeram o grito de guerra com We Will Rock You e seguiram para o palco onde tudo já estava montado. O show não havia sido vendido completamente, mas havia uma boa quantidade de pessoas na pista e camarote. Alguns pontos vazios, sem dúvidas, mas isso não intimidou as riots que estavam na sede de fazer um bom show.
- One, two, three... – fez a contagem para as batidas de Miss Nothing ecoarem por toda a casa de shows.
Conversa vai, música vem, e depois de uma hora e pouco o show das The R!ot havia terminado. Mais do que cansadas e com reclamando de cãibra, as garotas voltaram para o hotel onde mais uma vez foram divididas em duas duplas para a dormida. e deixaram-se levar pelo sono e cansaço, principalmente porque a segunda não havia dormido nada no dia anterior, mas Alice e Nina permaneceram acordadas para assistir uma reprise da final do American Idol.
Ali continuava trocando poucas palavras e com o olhar vago de quem estava com mil pensamentos por minuto. Ela imaginava se de repente algo provasse que a sexualidade que ela escolheu durante os dezessete anos de sua vida fosse simplesmente contraditória à realidade. Ela simplesmente estava em negação. Aquilo não poderia ser real, por que diabos mesmo estava duvidando de si mesma?
A jovem olhou para a amiga andrógina ao seu lado, vestida apenas com uma peça íntima e uma blusa grande demais para o corpo magro. Os cabelos loiros arrumados para trás, molhados; o rosto tão anguloso com os olhos cor de anil apontados para a tevê. Ela era linda, e Alice pegou a si mesma admirando uma das melhores amigas. Foi então que algo surgiu dentro de si. Tudo bem que a música que tocava ao fundo era "Born to Run", e aquilo era realmente encorajador, mas de repente as palavras simplesmente coçavam a sua língua para serem ditas. Era isso. Ela precisava saber da verdade de uma vez, e não devia se martirizar por não saber; continuar infligindo aquela dúvida a si mesma era estupidez, e Alice não era do tipo que aceitava fazer estupidez. Afinal, ela era a mais inteligente.
Ali puxou com força o ar de seus pulmões e tocou no braço de Nina para chama-la atenção.
- Nina, eu decidi. – disse firme.
- O quê? – a guitarrista franziu o cenho, desentendida.
- Eu quero testar.
Hard to Explain
O celular na cômoda de tocava os sinos do inferno para acordá-la. A menina, quando percebeu que Hells Bells não ia mesmo parar de tocar até que ela atendesse o telefone, revirou-se pela cama e tentou o tato para atender a quem quer que estivesse ligando pra ela. Ao mesmo tempo que dava para ler o horário, 1:40 AM, não reconheceu o número que piscava na tela.
- Atende logo essa porra antes que eu quebre tudo. – resmungou em alguma língua bem parecida com inglês, já que ela mal abriu a boca pra falar, e se virou voltando a dormir.
deu de ombros, apertando o botão verde e colocando o celular no ouvido, logo voltando a se deitar.
- Alô?
- Alô? – perguntou também uma voz masculina.
- Quem é? – tinha sua voz arrastada como uma serpente.
- ? Hm, aqui é o Jared.
- Jared. – repetiu o nome num sussurro, tentando lembrar-se quem era aquele Jared. Ela conhecia tantos! Mas foi então que se lembrou. Leto. Era Jared Leto, como ela pôde confundir a voz? – Ohhh... Eu pensei que seu nome era Jack.
O outro deu uma risada.
- Eu sei, eu sei. Foi infame. Mas eu simplesmente não pude evitar, Mr. Torrance. – ele riu mais uma vez, e a essa hora já tinha um sorriso enorme no rosto e mais nenhum sono. - Enfim, , desculpe-me por ter te acordado. Eu pensei que você estaria acordada.
- Não se preocupe, Jared. Mas me diga, a que devo a honra dessa ligação? – assim que acabou de falar, deu um ronco alto e colocou o travesseiro nos ouvidos.
- Só queria saber se a senhorita estará disponível para um jantar.
- Querido, eu estou em tour, lembra?
- Vamos nos encontrar em Chicago. Sue me disse que vocês chegam em Chicago em três dias.
- Sue te diz tudo, hein? Hm... Pra mim está ótimo. – ótimo era apelido pro adjetivo que gostaria de ter usado naquele momento – Você se encontra comigo depois do show?
- Sim, mas a gente decide isso depois, quando tiver mais perto. Acho que agora eu tenho que ter deixar dormir, rock n roller.
“Como vou dormir agora, meu tio?” quis perguntar , mas se segurou a fim de manter uma boa impressão. Ela não podia dar muito crédito a ele só porque ele era inteligente, lindo, talentoso, lindo, gentil e lindo.
- Bem, já que você insiste eu vou mesmo voltar a dormir. A gente se fala depois, Mr. Torrance.
- Até mais, .
Dava para ouvir o tu-tu-tu de que Jared havia desligado o telefone, mas ainda encarava o seu aparelho como se ele fosse algum tipo de objeto divino. Tratou de salvar o número de Leto na sua agenda e voltou a encarar o teto, procurando sono. É, realmente ela não ia conseguir dormir, não quando seus pensamentos eram apenas diferentes previsões do futuro após a confirmação de que ela conseguiu um encontro com Jared Leto. Pensou diversas vezes sobre o que diabos ele teria visto nela para querer um encontro, afinal, ela era mais nova e provavelmente muito mais imatura. não era do tipo que se achava suficiente; ela sabia que não era. Ainda achava um saco ter que lavar as próprias calcinhas, não conseguia encostar numa louça sem reclamar e seus sonhos eram tão adolescentes que ela realmente achava que seria uma rockstar.
A jovem suspirou pela terceira vez seguida e levantou-se da cama, sentindo-se um pouco tonta. Olhou para a amiga e bandmate , enrolada nos lençóis e com travesseiro em cima de um dos ouvidos, enquanto respirava pesadamente. Se ela tivesse realmente acordado com o som do celular tocando provavelmente não teria voltado a dormir. vestiu um short jeans e pegou qualquer casaco para por em cima do blusão que usava como pijama. Colocou sandálias nos pés, pegou o cartão, celular e saiu do quarto. Ela precisava contar a alguém. Será que Alice e Nina ainda estariam acordadas? Improvável, mas do mesmo jeito foi até o quarto delas e colocou o ouvido bem perto da porta. A televisão estava ligada, e dava para ouvir vozes.
bateu duas vezes e esperou com a testa encostada na porta. Olhou para o celular mais uma vez e colocou a letra “J” na agenda para ver se Jared aparecia, e lá estava ele. Bateu mais duas vezes na porta.
- Eu sei que vocês estão aí!
O clima no quarto de hotel em que Nina e Alice dividiam só tendia a esquentar, e ainda a jovem Ali ainda não havia proferido as palavras que fariam com que tudo pegasse fogo de uma vez. Seu olhar direcionou-se ao da amiga de um jeito definitivamente invasor, era um contato novo aos olhos azuis escuros de Nina.
- Eu quero testar.
O sorriso de Nina foi automático, e seus olhos brilharam por um instante. A pequena Ali... Bem, quem diria que logo ela um dia estaria na frente de uma andrógina insana querendo testar sua sexualidade.
Nina colocou a mão nos cabelos de Alice e os colocou para trás da orelha. Apesar de estar certa sobre sua decisão, Ali estava definitivamente meio assustada com o que estava para acontecer. O jeito em que sua respiração acelerava, sua boca abria e fechava como quem queria falar algo, mas não tinha nada a dizer, seu olhar se perdia no de Nina... O nervosismo tomava conta dela de um modo realmente incontrolável.
- Ali, você precisa saber que o quer que aconteça entre nós, eu não quero que nos afastemos, ou que você pense em mim como alguém que te trouxe para algum tipo de "dark side". – Nina pôs as mãos nos ombros de Ali, e manteve o contato com o olhar. – Eu sou a sua melhor amiga pra tudo, até mesmo pra isso, mas você precisa me dar certeza absoluta.
- Não tenho mais nenhum “mas”, Nina. É isso que eu quero. Eu preciso saber. – Ali olhou repentinamente para a porta do quarto, achando que alguém tinha batido, mas logo depois desistindo. – Não me interessa viver com dúvidas e... Eu confio em você.
As duas viraram os corpos e se encararam. Alice mordeu o lábio inferior enquanto aproximava o seu rosto do de Nina. Era engraçado assistir as pequenas sardas no rosto da amiga tão de perto, e como eram muitas. A mão de Ali tocou a pele do braço de Nina, impressionada com a maciez e até mesmo com a finura do seu braço. Apesar de ter namorado um nerd por muito tempo, nunca foi esse tipo de braço que Ali estava acostumada a tocar; o braço de um homem era definitivamente mais áspero, mais rude, e definitivamente maior. Ainda assim, Alice se sentiu seduzida pela maciez da pele feminina.
A guitarrista tocou o rosto da mais jovem, e aproximou de vez os dois rostos. Ali estava voltando à estaca zero, parecia que ela estava dando o primeiro beijo. Seu coração estava acelerado, e a dúvida do que poderia ser diferente a deixava apreensiva e ansiosa. Logo, os lábios femininos se tocaram gentilmente, em uma troca de experiências. Para Nina, que beijava uma das melhores amigas para ajudá-la; Nina que já beijara tantos lábios, femininos e masculinos, e tentava não passar tanto dessa experiência para aquele beijo. E Alice provava algo pela primeira vez, algo que há alguns anos ela jamais acharia que faria. Mas fez. E uma vez que os lábios se tocaram, foram se descobrindo, um pouco desajeitados no começo, mas logo encontrando um tipo de sincronia.
Os pensamentos na mente de Ali simplesmente desapareceram. Ela desistira de tentar adivinhar porque diabos estava sendo seduzida a ponto de tentar algo que há pouco tempo era tão assustador para ela. Já a andrógina Nina tentava manter a calma, e movimentava-se do jeito mais carinhoso possível. Ela sabia que a qualquer momento Ali podia se separar dela, e até mesmo que a amizade entre as duas poderia nunca mais ser a mesma, mas era quase impossível recusar algo a Ali. Principalmente quando a pequena parecia tão desesperada para encontrar respostas.
Quando as mãos já estavam se movimentando para o descobrir de corpos, duas batidas fortes na porta fizeram as meninas se separarem de supetão.
- Eu sei que vocês estão aí! – ouviu-se a voz de abafada pela porta de madeira.
Alice arregalou os olhos, assustada e olhou para Nina que tinha uma expressão semelhante, porém mais aborrecida.
- Ali! Nina! O que vocês estão aprontando? – mais uma vez a voz de ecoou pelo quarto.
- Vamos fingir que estamos dormindo. - disse Nina em um sussurro.
- Com a televisão ligada? - perguntou Alice - sabe que não consigo dormir com televisão ligada.
- Sacanagem, hein? Vão ficar nesse joguinho, né? – bateu na porta, mas o estrondo foi mais forte, como se ela tivesse batido a cabeça. – Eu só queria contar algo. Mas agora vocês vão ficar sem saber, nananana!
Nina e Alice ainda se olhavam assustadas. Ali percebendo como os lábios de Nina estavam avermelhados, e como os seus provavelmente estavam do mesmo jeito. A menina se sentiu embaraçada, e assistiu Nina deitar na cama com a barriga pra cima, do jeito mais relaxado possível.
- Uma hora ela vai ter que desistir. - Nina susurrou calma.
Do outro lado da porta, já estava sentada no chão e abraçada às pernas. Estava frio demais naquele corredor de hotel e o casaco que deveria estar a esquentando não cobria as longas pernas. Ela podia ouvir muito bem as vozes sussurradas das bandmates com a orelha grudada à porta, e demorou pra perceber porque diabos ela estava sendo tão indesejada. Ainda assim, ela continuou ali sentada perto da porta esperando que seus músculos conseguissem vencer a preguiça. Os olhos precisaram passar mais uma vez pelo visor do celular com uma chamada de Jared Leto, e seus pensamentos mais uma vez voltaram à noite em Portland.
Depois de muito tempo de pensamentos inadequados e suspiros inevitáveis, se levantou e quis se render às cobertas quentes da cama de hotel. Ela andava com passos preguiçosos e tomou um baita susto quando conhecidos seus iam passando por ela.
- Eu não tô bêbado! – reclamou John tentando se soltar de Tim, mas fracassando quando tropeça nos próprios pés e por pouco não cai de cara no chão.
- ! – chamou Tim, e por pouco não fingiu não ter visto nada e saiu andando.
- Oi, to indo dormir, tchau. – disse ela o mais rápido possível, dando um beijo na bochecha de Tim e apressando o passo.
- , pelo amor de Deus, volta aqui e me ajuda. – pediu Tim. deu a meia volta com uma careta estampada do no rosto.
- É, fofinha, volta aqui, ajuda o Tim-Tim. – o John bêbado fez biquinho e , sem paciência, lhe dá um tapinha na cara.
- Eu sei que você não está com sono. – disse Tim sem se importar com a troca de carinhos na sua frente.
- Só frio. – respondeu seca.
- Então me ajuda pelo menos a carregar ele pro quarto. De lá eu me viro. – Tim fez a cara mais pedinte do mundo, e nada conseguiu fazer senão bufar e colocar um dos braços de John ao redor do seu pescoço.
- Onde estão os outros homens num momento desses? – perguntou ela, se esforçando para manter o equilíbrio quando John faz bico pra o seu lado. Tim tenta pegar o maior peso; apesar de John ser uma girafa, seus ossos (e músculos) sem dúvidas pesavam bastante.
- Os meninos que ainda estavam acordados tinham bebido e estavam meio comprometidos. Michael foi dormir desde cedo, então adivinha só quem sobrou?
- Eu. – ela respondeu mal-humorada. Tim olhou-a de canto. – E você.
- E eu. – disse John com um sorriso bêbado.
- Sabe Tim... Se quiser que eu ajude a dá-lo banho, talvez eu finalmente consiga completar minha missão da afogá-lo na banheira. – disse com uma carranca enorme, fazendo Tim rir alto.
Os dois carregaram John até o quarto com certa dificuldade, mas conversando normalmente e dando risadas de vez em quando. Quando o girafa resolvia falar alguma coisa era rapidamente cortado por , e acabava por se calar novamente.
Chegando ao quarto, Tim e entraram tentando fazer o mínimo de barulho, mas John era simplesmente um bêbado difícil de lidar. soltou-se para ligar a luz de um dos abajures que ficavam perto de cada uma das camas. Naquele quarto dormiam Jared, Kennedy e John. Eram então três camas de solteiro emparelhadas, com marmanjos de respirações altas demais dormindo como se não houvesse amanhã. Era sempre assim, eles simplesmente apagavam. E o mesmo aconteceu com John naquele exato momento; se não fosse pelos fortes braços de Tim o segurando ele provavelmente estaria de cara no chão.
- . – Tim chamou, seu rosto expressando o esforço que fazia para manter a girafa em pé – Ajuda.
A menina correu para colocar novamente um dos braços de John ao redor do seu pescoço. Os dois se esforçaram para colocar o bêbado na cama de um modo em que ele não simplesmente quebrasse. achava estranho demais ter John muito perto ao seu corpo. Primeiramente porque ele era definitivamente muito magro, e seus ossos se tocavam; segundo porque mesmo bêbado daquele jeito, ele conseguia cheirar bem, e terceiro e último porque em alguns momentos ela podia jurar que a mão dele descia pelo seu corpo rapidamente, como em um momento de consciência.
- Beijo de boa noite? – ouviu-se John falar praticamente sem abrir a boca. deu uma risadinha e puxou Tim para fora do quarto, antes que ouvisse mais uma daquelas pérolas. Beijo de boa noite, era só o que faltava!
e Tim despediram-se apenas depois de mais meia hora de conversa jogada fora. Ela comentou pelo menos três vezes que iria sentir falta dele como empresário, por mais que amasse Sue, e ele respondeu, em todas as vezes, que sempre estaria com as riots, mesmo quando Sue as roubou dele. Assim, finalmente, foram para os seus respectivos quartos, e deixaram que Morfeu fizesse o seu trabalho.
Checagem de som. Barulho. Som. Música. Era sempre a mesma coisa horas antes do show. Para John, um pouco de uma tortura, já que a aspirina não conseguiu impedir que sua cabeça parasse de latejar, por mais que o fizesse sem dúvidas com menos intensidade. Alice e Nina pareciam mais quietas que o normal, e estranho seria se não estivessem assim. A noite anterior havia sido divertida, mas estranha demais para ser comentada.
Era a vez dos garotos, e as meninas assistiam a tudo da pista, logo depois da pequena barricada naquela casa de shows em Denver. O som alto fazia a adrenalina pulsar em suas veias, mas elas estavam simplesmente acostumadas demais. Sue, com seu terninho roxo e saltos altíssimos, ia de encontro às garotas com sacolas na mão e um sorriso imenso no rosto.
- Hey! Trouxe presentes! – disse a empresária animada, sentando-se junto a elas e entregando uma sacola a cada uma.
- Conta aí, Sue. Qual é a dos presentes? – perguntou enquanto abria a sacola que tinha seu nome escrito.
- Acho que é a melhor forma de nos comunicarmos sem que eu tenha que parecer uma agenda ambulante.
Enquanto Sue começava a tagarelar, as garotas percebiam o que havia dentro das suas respectivas sacolas com brilhos nos olhos. iPhones. Novinhos em folha. Com capas de cores diferentes para cada uma integrante da banda. Azul para Nina, rosa para Alice, branco para e vermelho para .
- A gente ficou rica e eu não soube? – perguntou enquanto ligava o aparelho eletrônico e o tratava como se fosse uma obra de arte única e antiquíssima, do tipo que requer muitos cuidados.
- Não, querida, isso é resultado do seu trabalho. Sabe, George gostou muito de vocês e da atitude em Vegas. Ele disse que recebeu mais telefonemas do que suas secretárias poderiam atender depois daquilo. Temos vários convites para entrevistas, blablabla... Enfim, vocês entenderam. Estou dizendo, minhas queridas, vocês nasceram pro rock n’ roll.
As quatro garotas entreolharam-se com sorrisos imensos nos rostos, e deram gritinhos de alegria. Gritinhos de garotas roqueiras, e não gritinhos gays como poderia se imaginar. Sue explicou como funcionavam os iPhones e como ela atualizaria as informações sobre a agenda. Ali já estavam marcados diversos compromissos, de entrevistas a shows, checagens de som, entradas e saídas de hotel, tudo devidamente marcado. Sue era um absurdo de organização.
A empresária então saiu de repente como chegou, e a seguiu querendo saber mais do que George Wilson havia pensado sobre a atitude delas em Vegas, talvez ainda insegura demais com Rita, seu codinome.
Na rodinha de garotas sentadas ao chão, aproveitou a oportunidade para dizer algo que travava à sua garganta desde que acordara naquele dia. Aproximou-se de Nina e Alice com a cara de uma pedófila pervertida, assustando as duas.
- Vocês não abriram a porta pra mim ontem. – disse séria, e as duas amigas engoliram em seco. Quer dizer, menos Nina, que fazia a melhor poker face do mundo. – Mas tudo bem. Eu sei o segredinho de vocês.
deu uma risadinha que fez Alice tremer nas bases. Ela sabia? Mas como?
- Ah, não se preocupem minhas lindas. Eu sou um túmulo. – levantou-se e ficou entre as duas, beijando-lhes as bochechas. – Sabe como é, um beijinho não faz mal.
- , é sério, mantenha o segredo. É uma coisa nossa. – falou Nina séria e deu de ombros.
- Eu sei. Relaxe. Só queria ver a cara assustada de Ali. Meu deus – riu – Ali, você tá vermelha. Ohhh...
abraçou Ali e fez cócegas até a pequena conseguir finalmente relaxar. A verdade é que aos poucos as pessoas ao redor estavam realmente estranhando o bom humor dela, mas ninguém se atrevia a perguntar o que diabos estava deixando-a tão alegre e saltitante. Ela ainda subiu no palco e abraçou Garrett por trás, clamando ser sua fã e dizendo que queria casar com ele. Isso é, ela imitava uma garota que tinha feito exatamente aquilo em Salt Lake. A diferença é que a fã não havia subido no palco, e sim esperou ele sair do show para abraçá-lo daquela mesma maneira.
- Oh. My. God. Garrett. You’re so fucking hot. Marry me. NOW! – disse abraçada ao garoto que não conseguia parar de rir.
- Pelo amor de Deus, , me solta. Eu não consigo respirar.
- Por que você não quer casar comigo? – ela fez bico, gargalhando logo depois e deixando o garoto respirar. Beijou-lhe a bochecha e saiu para o backstage, saltitando. John olhou para Garrett como quem pergunta “wtf was that?” e o zombie-boy deu de ombros com um sorriso no rosto. Alguma coisa estava definitivamente errada com aquela garota.
Oito e meia da noite. Já era hora das riots entrarem, mas os maines ainda não haviam saído palco. Enquanto isso, cantarolava alguma música e passeava pelos corredores do backstage sem se importar com as pessoas que estavam ao seu redor pra lá e pra cá. Ela tinha fones de ouvido e aproveitava o melhor do seu iPhone. Foi de repente quando uma mão a puxou para um lugar reservado – um depósito escuro – e a mão logo se revelou como Michael, que tinha uma expressão meio engraçada no rosto. Olheiras estavam ao redor de seus olhos claros, indicando que ele não havia dormido. Quando uma luz no meio da pequena sala acendeu-se de repente, suspirou, tirando os fones de ouvido.
- O que foi? – perguntou ela alegre, mas não recebeu resposta. Apenas os lábios famintos de Michael rapidamente atacaram os dela, mas a garota não parecia muito a fim de corresponder à altura. De qualquer forma, as mãos de Michael não pararam de acariciar seu corpo ou bagunçar seus cabelos, e o beijo estava cada vez mais quente, definitivamente.
Não demorou muito, porém, para que os dois se afastassem.
- Você está diferente, . – ele diz, tentando ajeitar o estrago que havia feito no cabelo dela, colocando-o para trás da orelha.
- Estou? Bom, eu mudo todos os dias. – diz ela sem muita emoção.
- Eu percebi isso, mas você está diferente comigo.
- Como assim? – ela perguntou, com um meio sorriso. Ao fundo, parecia que o The Maine finalmente se despedia do palco. Michael precisava sair dali logo para prepará-lo para as riots.
- Você costumava... Corresponder. Desde nossa última vez, você vem me evitando.– ele disse meio confuso. Não queria ter aquele tipo de conversa com quando já sabia no que ia dar. Problema. já havia demonstrado que odiava aquele tipo de conversa. No entanto, para a surpresa de Michael, a garota não vestiu a carranca. – Não sei. Talvez eu esteja delirando.
- Nós seremos felizes enquanto você não fizer tentativas de me controlar. – ela disse calma, dando-lhe um selinho demorado. – Tudo está bem enquanto eu for livre. A free bird, Michael, free bird.
A garota se separou e saiu daquele depósito estranho. Michael suspirou. Não era assim que ele queria as coisas, não era assim que ele imaginava que seriam as coisas. A garota era sem dúvidas born to be wild, mas será que aquilo significava que a qualquer momento ela pudesse te dar um fora e ele sairia com o rabo entre as pernas? Tentando fingir que não estava ficando apaixonado pela garota?
Aquela era a pior desgraça que Michael poderia imaginar para si. Algo estranho demais de explicar, como aquela garota estava o prendendo ao mesmo tempo que ficava cada vez mais longe dele. Ela o fazia como brinquedo e ele estava gostando. Ele precisava tomar uma atitude. Ele era Michael, o roadie, e não Michael, o prostituto da . Ele precisava cometer um erro, e era isso que faria.
I’ve got nothing to lose
Chicago, IL.
havia anunciado animadamente seu encontro com Jared Leto no tour bus. O que para alguns renderam risadas, parabéns e gracinhas sobre a garota ser uma conquistadora, para outros apenas trouxe apreensão. Michael não podia estar mais distante, e John não podia ficar mais calado. Aquela garota estava trazendo a ele um tipo de dor de cabeça simplesmente inexplicável, e ele sentia que podia explodir a qualquer momento. Por que diabos estava sendo tão difícil conquistá-la? Ele tinha que mudar suas regras de combate de uma vez por todas, e finalmente levá-la para a cama e terminar com tudo. Isso é, se quando ele conseguisse o feito, o “tudo” fosse realmente terminar.
A ligação entre John e era forte, mas nenhum deles se dava conta disso. Havia uma mistura de dois sentimentos poderosos, os quais eles só tinham conhecimento de um.
Já no caso Michael... O sentimento era unilateral. Michael sentia-se não apenas atraído pela garota, mas ao mesmo tempo se apaixonava. Enquanto isso, ela apenas se distanciava, a ponto de seus pensamentos estarem dirigidos apenas ao tão dito "encontro com Jared Leto blablabla". Ele se iludia todos os dias no tour esperando que ela voltasse a lhe fazer visitas na madrugada para um sexo casual seguido de um bom baseado, seguido de mais sexo casual.
Mas não acontecia. E eles haviam passado de mais duas cidades e não se importava mais com Michael. Ele se arrependia terrivelmente de ter-lhe falado sobre não corresponder, já que realmente pareceu que ela havia se sentindo ofendida, por mais que tivesse lhe respondido tão calmamente.
era a praga amorosa de todo homem. E estava de encontro marcado.
Estavam todos reunidos na passagem de som daquela casa de shows em Chicago. Dia de sábado, clima ameno, e um espaço que dava para quase três mil pessoas. No entanto, era difícil disfarçar o cansaço do tour: noites mal dormidas, os excessos cometidos, a falta de uma comida decente. Mesmo assim, as duas bandas estavam animadas. Antes de começarem a plugar os instrumentos e começarem com a tal passagem de som, os garotos e garotas foram apresentados aos novos roadies e ao fotógrafo.
- Gente, prestem atenção aqui. – pediu Tim, acenando. – Esses aqui são David, Charlie, Ben e Dirk. David e Charlie são os novos roadies do The Maine, sendo Charlie técnico de som. E Ben estará com as riots, e ele também é técnico de som.
- Que bom. – interrompeu – Quem sabe ele tira aquele maldito ruído da minha bateria.
- , não tem ruído na sua bateria. – disse Nina rolando os olhos.
- Tem sim! Você que não tem o ouvido apurado. – deu língua.
Tim soltou um sorriso e prosseguiu.
- E Dirk Mai, bem, os garotos já o conhecem, mas creio que vocês não, meninas. Ele é fotógrafo, e vai registrar a passagem das duas bandas nesse tour.
- Ele é gatinho – cutucou , que riu baixinho.
Os garotos que Tim apresentava estavam um pouco tímidos, principalmente por causa do olhar das garotas, que tinham aquela terrível mania de analisar de cima a baixo. David foi o primeiro a levantar a mão e cumprimentar um por um das bandas, logo sendo seguido pelos outros. Ele tinha estatura mediana, cabelos loiros e um maxilar perfeito. O segundo, Charlie, era meio gordinho, usava óculos e usava uma camisa do Star Wars que acabou atraindo a atenção de Garrett, grande fã da saga. Ben era um cara bem simples, e parecia ser bem novo; tinha cabelos castanhos raspados e olhos fundos, mas bonitos. Seu corpo era meio magro demais, e ele devia ter a mesma altura de Pat. Dirk Mai, que cumprimentou os maines mais animadamente, poderia ser facilmente confundido com um membro de banda, não fosse a bolsa que carregava contendo sua câmera. Tinha um estilo alternativo, mas não exagerado; usava uma touca na cabeça e mostrava as muitas tatuagens no braço com uma camisa com estampa de Che Guevara.
Depois de muitos cumprimentos e pouco tempo para conversa aleatória, os instrumentos foram plugados e a passagem de som se deu início.
Aos poucos os novos integrantes do tour iam se enturmando, e não era muito difícil quando as duas bandas eram simpáticas e estavam muito felizes em recebê-los. A tarde se passou rápida com a passagem de som, e a chegada da noite foi percebida quando eles começaram a ouvir o som dos fãs já se aglomerando na porta da casa de shows. Era hora de se arrumar.
Corrida até o backstage, vai e vem de instrumentos, um pouco de gritaria e muito de animação; assim foi até que o show do The Maine, como sempre o primeiro, foi anunciado. estava uma pilha de nervos, já que era para depois do show o tal encontro com o dito Jared Leto. Ele já havia lhe mandado mensagem com hora e local, e agora suas mãos suavam enquanto fazia a maquiagem. Ela era a única se maquiando em frente ao espelho, as outras já o haviam feito e esperavam pacientes sentadas nos sofás do pequeno camarim.
Foi estranho para , no entanto, notar uma conversa sussurrada entre e Michael. Uma conversa que vez ou outra rendia olhares para ela que passava o rímel nos longos cílios.
- Eu acho que você tem que sair dessa. não é a única mulher do mundo, sabia disso? Eu sei que ela tem esse poder, mas você precisa sair dessa antes que não tenha mais volta. – sussurrou para o roadie, que encarava o seu rosto à procura de uma resposta.
- E como eu faço isso?
- Encontre outra.
- Fazer ela sentir ciúmes? – perguntou ele com um sorriso nos lábios.
- Não. – fez careta – Estar com outra vai te ajudar a esquecê-la.
Os dois viraram seus olhares para , que naquele exato momento também os encarou pelo espelho, repreendendo qualquer que fosse a conversa entre eles.
A vocalista finalizou sua maquiagem passando o batom de cor escarlate pelos lábios bem desenhados, e então prendeu os cabelos em um rabo de cavalo alto. Virou-se para a melhor amiga e o roadie, que já haviam voltado a conversar e perguntou com a voz decidida:
- Os senhores estavam falando de mim?
- A gente? – perguntou Michael, olhando para de um modo cúmplice. – Que nada, , estávamos só observando você se pintando.
franziu o cenho, estranhando a mentira, mas encobrindo-a. então relaxou, dando de ombros, e voltando a se encarar ao espelho.
A menina puxou o celular do bolso do jeans que usava naquela noite, observando mais uma vez a mensagem enviada por Jared Leto. Foi de repente quando Dirk apareceu atrás dela, filmando o que ela fazia.
- Nervosa para o show, ? – ele perguntou, focando as lentes nos traços selvagens do rosto da vocalista da banda, que abriu um sorriso simpático.
- Esses shows são sempre uma emoção, não é? – disse – Acho que não é exatamente nervosismo que sinto antes de entrar no palco, é ansiedade. Ver todas aquelas pessoas cantando as suas músicas... É algo que eu simplesmente amo. E mal posso esperar. Chicago, we’re coming.
Dirk abriu um sorriso, parando de gravar.
- A câmera gostou de você, . – falou ele com sua voz calma – Sério.
- Tell me something I don’t know, honey. – disse ela, beijando-lhe a bochecha rapidamente e indo em direção ao frigobar, onde haviam bebidas. Serviu-se com uma longneck e acendeu um cigarro, resolvendo que não precisava ficar tão pilhada. Era apenas mais um encontro, e aquele show que faria antes dele apenas a acalmaria. A roupa estava escolhida, os preparativos tomados, os empresários avisados que ela não voltaria tão cedo para o hotel. Não havia com o que se preocupar.
Fim de show e saiu correndo pelo backstage. Pegou um táxi e voltou ao hotel, tinha meia hora pra tomar banho, vestir-se e ficar pronta para Leto, o que não era uma tarefa fácil. O banho não durou mais que 10 minutos, mas ter que lavar o cabelo não a agradou muito. Havia suado demais durante a apresentação, e não havia outra alternativa quando ela queria estar cheirando como uma rosa banhada a champagne para o seu encontro. Saiu do banheiro sem se enxugar direito, molhando todo o piso do quarto sem se importar. Vestiu a roupa que havia programado e sentiu-se satisfeita com o resultado da saia de couro em seu quadril. Tudo bem que nada parecia o suficiente para Jared Leto, mas para ela, aquele conjunto estava ótimo, no ponto certo para a sua personalidade e um pouco de feminilidade.
quase tropeçou no chão molhado do quarto quando ia correndo para o banheiro novamente, procurando maquiagem e ficando revoltada ao não encontrar o que queria. Sua máscara preferida e lápis de olho preto haviam ficado no camarim da casa de shows. Rapidamente ela se virou com o que tinha, usando o delineador líquido de e usando cílios postiços, que por pouco não deram errado. Não encontrando batom, deixou os lábios do jeito natural – isso é, avermelhados por causa do chuveiro quente, e penteou os cabelos para trás. Ela já estava quase se considerando pronta quando seu celular começou a tocar insistentemente. Era ele.
- Alô? – a menina atendeu, com a voz um pouco falha.
- ? Já estou aqui em baixo à espera da madame.
- Me dê três minutos. – disse ela, mesmo sabendo que jamais conseguiria sair do quarto naquele tempo.
- Ok. Estarei no bar.
não se importou em desligar logo e terminar de se arrumar. Parou para pensar no que estava faltando: roupa, cabelo, maquiagem... Sapatos! procurou os seus saltos preferidos, uma Lita Inspired preta. Colocou-as rapidamente e pegou uma bolsa qualquer para colocar seus pertences. Percebeu suas mãos vazias demais e correu para pegar algum acessório, uma pulseira em cada punho e brincos de pequenas caveiras. Agora sim, ela estava pronta. Isso é, ela se considerou pronta quando saiu do quarto, desceu o elevador e foi até o bar. Até aquele momento ela estava pronta, porque daí em diante ficou psicologicamente instável.
Não era porque aquele cara que ela via em filmes quando mais nova estava a esperando, mas porque tinha alguém indesejado ao lado daquele lindo ser. John O’ Callaghan brindava um whisky com Jared Leto, e os dois estavam conversando animadamente. rangeu os dentes, e fechou as mãos em punhos com força suficiente para fazer suas unhas fincarem na própria. Seria possível que o grande plano de John naquela noite era destruir seu goddamn fucking encontro perfeito?
Respirou fundo antes de dar o primeiro passo. Tentou drenar toda a sua raiva para fora de si, e passou a tentar observar outra coisa que não fosse o olhar sacana de John em sua direção. Parou para avaliar as roupas de Jared. A combinação de calça jeans surrada, tênis adidas, camisa cinza e jaqueta negra. O contraste dos cabelos tingidos de escuro com os olhos azuis redondos que naquele exato momento viraram-se e encontraram os dela. Num instante o seu andar se tornou mais confiante. As pernas longas faziam um trajeto em linha reta até aqueles dois homens que a observavam chegar.
E enfim, se pôs na frente dos marmanjos com um sorriso cínico e perigoso nos lábios.
- Boa noite, cavalheiros.
- Boa noite. – responderam os dois em uníssono.
- E então, Jared, vamos? – perguntou ela, ignorando o olhar intenso de John sobre si.
- Vamos sim, só vou terminar esse copo e partiremos, minha cara. – sorriu Jared, colocando seu braço ao redor da cintura de . – Eu estava conversando com o seu companheiro de tour, John.
- O’ Callaghan? Ah, sim, ele é sempre muito simpático. Exatamente como aparenta. – disse ela em sua maior pose Blair Waldorf, proferindo palavras falsas com um sorrisinho no rosto. Um sorrisinho que dizia: get the fuck off.
- , com sua ironia sempre tão implícita. – disse John, balançando a cabeça negativamente. Jared soltou uma risada, ele gostava daquele jeito de cobra do rock n’ roll adotada por .
- E então, como foi o show hoje? – Jared perguntou, logo tomando um gole generoso do seu whisky.
- Foi ótimo, como sempre. Chicago foi mais animada do que eu imaginava. – comentou sem muita emoção, por mais que pudesse dissertar sobre quão emocionante e inigualável foi o show.- E você, fazendo o que por aqui?
- Em fim de tour. – Jared disse suspirando.
- E você, John? Pensei que ia dar um hang out com os fãs, como sempre faz.
- Não pude deixar de conhecer o seu mais novo pretendente. Você sabe, a oportunidade era única de conhecê-lo. – sorriu ele e engoliu em seco a sua raiva. Pensou bem antes de fazer qualquer coisa, qualquer movimento bruto que indicasse que ela estava pronta para o homicídio de John O’ Callaghan.
- Jared... Será que eu poderia ter uma rápida conversa particular com o John? – perguntou meio hesitante enquanto acariciava o ombro de Jared.
- Claro, sem problemas. – Jared disse calmamente. – É o tempo de terminar meu copo.
esboçou um sorriso e então puxou John pelo braço magro para qualquer lugar um pouco mais distante de Jared.
- Ei, ei! Calma aí com essas unhas no meu braço. – John disse, tirando a mão da garota que estava realmente o apertando com mais força do que devia. – Qual é? To proibido de conversar com as pessoas agora?
O rosto bonito de não estava furioso, mas seus olhos faiscavam seu ódio. Ela respirou calmamente mais uma vez, e enfim conseguiu olhar diretamente para John sem que sua mão não coçasse para lhe dar um belo tapa. A verdade era que olhar nos olhos dele era de alguma forma reconfortante, principalmente quando ele parecia querer confortá-la com aqueles olhos verdes que tanto marcaram sua infância.
- Eu não sou idiota. Eu sei o que você quer, e se você vier destruir a porra do meu encontro, não vai ajudar em nada. Eu pensei que tínhamos uma trégua!
- Trégua? Quem falou em trégua?
- Você e seu maldito pedido de desculpas. – ela cruzou os braços, séria.
- Ah... – ele pareceu pensar – É verdade. Bem, mas eu não estou mais te prejudicando. Aliás, devia me agradecer, falei muito bem de você pra ele.
riu desgostosa.
- Se você ainda quiser alguma coisa, qualquer coisa, o mínimo de amizade ou que eu aceite seu pedido de desculpas, então não vai tentar fazer nenhuma besteira hoje.
- Mas...
- Por favor, John. – disse séria – Aja sabiamente.
fez que ia sair dali, mas John a puxou de volta para sua frente.
- Ele não quer nada com você. – ela o encarou primeiramente com raiva, mas logo transformando sua expressão em curiosidade. - Na verdade, ele só quer o que não conseguiu da primeira vez. – John falou olhando em seus olhos, como quem deseja desarmar. Como diabos a garota saberia que aquele olhar dele, aquele que tão facilmente atravessava o seu, estava por debaixo de tantas más intenções?
Ela balançou a cabeça, e observou Jared Leto de longe tomar o último gole do seu whisky e puxar a carteira do bolso traseiro da calça. Retornou seus olhos felinos a John.
- Eu não tenho nada a perder. – e dessa vez, saiu rapidamente, deixando John O’ Callaghan ali sozinho com seus pensamentos.
John deixou um sorriso no canto dos lábios, ele sabia que estava começando a quebrar as barreiras que criava para se proteger. Sendo aquela mistura de cara legal e filho da puta era muito mais fácil alcançá-la. E ele estava conseguindo, só precisava de paciência.
Apesar de seu plano estar dando certo, John não deixou de sentir aquela pitada de ciúmes quando viu a garota que desejava de braços dados com o frontman de 30 Seconds to Mars. Suspirou fundo, e repetiu para si mesmo que não a deixaria escapar. Não dessa vez.
Era um restaurante/bar muito bem frequentado aquele que Jared Leto havia levado sua jovem acompanhante. Um ambiente definitivamente confortável, um meio termo entre o chique e o simples. não se deixava impressionar pelo bom gosto de Leto. Apesar de não ter tido muita reação, ela tinha prestado muita atenção ao que John havia lhe dito. Seria muito imbecil da parte dele mentir sobre uma coisa daquelas. Ao mesmo tempo que queria se deixar divertir, temia que fosse aquela "mais uma" que realmente não fosse valer nada na vida de Jared. Ela não suportava a ideia de ser "mais uma". queria ser marcante na vida de qualquer um com quem cruzasse, principalmente dos homens.
Seu rosto calmo e decidido, porém, não deixava transparecer qualquer de suas dúvidas internas. Era muito fácil para ela fingir que estava tudo bem quando não estava; afinal, era o que ela havia feito durante toda sua vida.
Eles sentaram numa mesa mais afastada do tumulto de uma pista de dança, onde haviam sofás ao invés de cadeiras normais. O garçom, um garoto jovem com seu moicano penteado para trás, serviu-lhes o cardápio e esperou o pedido com o seu palmtop na mão.
- Ahm... Eu gostaria de um whisky. Johnny Walker 15 anos. – pediu Jared, entregando o cardápio. – E você, ?
- Bourbon com gelo. – disse ela, sorrindo para o garçom.
- Qual é o prato do dia, garçom? – perguntou Jared, colocando seus cotovelos sobre a mesa e juntando as mãos sob o queixo.
Assim que homem começou a citar os diversos pratos da casa, duas garotas apareceram na frente da mesa, olhos aflitos e os sorrisos desesperados. Fãs. foi quem as percebeu primeiro, e deu um breve sorriso, como se aquelas duas que tremiam nas bases fossem pessoas realmente conhecidas. No entanto, não havia nada de conhecido naquelas duas e em seus cabelos coloridos, maquiagens pesadas e roupas estilosas. Isso é, não fosse um colar em uma delas, a de cabelos lilases e curtíssimos, que tinha o pequeno logo das riot e estava bem no centro do seu colo magro.
- ? – perguntou uma das fãs, os olhos brilhando de emoção e ao mesmo tempo tentando se segurar.
- Sou eu. – respondeu , levantando-se para cumprimenta-las. – E aí, tudo bem com vocês?
- Acabamos de chegar do show, assistimos do camarote. Cara, foi muito foda. – disse a de cabelo lilás.
- É verdade, puta que pariu, as músicas são muito boas. A Char – apontou para amiga ao seu lado – me levou sem eu nem conhecer a banda. Na verdade, eu só conhecia algumas músicas do The Maine.
- É, mas você tem que admitir que o show das riots foi melhor do que o daqueles pseudo-pops-punks. Não que o deles foi ruim, mas... Enfim. Vocês entenderam.
riu, e colocou uma das mãos no ombro da tal Char.
- Tudo bem, eu não conto a eles. Esse é o nosso segredinho. – ela disse fingindo sussurro e ponto o dedo indicador nos lábios.
- Cara... Você é muito mais linda pessoalmente. – disse Char.
- Ei, vem cá – a outra pediu que se aproximasse – aquele ali é o, hm, Jared Leto?
olhou para trás, para aquele que agora fazia o pedido do jantar para o garçom. Seu sorriso de canto de boca e aquele olhar malicioso foi o suficiente para fazer a mente de uma das fãs trabalhar bonito a sua imaginação.
- É sim. – finalmente respondeu, como quem dá de ombros mas por dentro está soltando fogos de artifício.
- Você está... Com ele? – perguntou Char, com os olhos curiosíssimos.
- É só um encontro.- disse com um sorriso breve – Bem, não deveria deixá-lo esperando. Eu aguardo vocês na próxima vez que vier aqui.
As duas meninas sorriram, e a amiga de Char passava os olhos amendoados por Leto e como quem ainda não acreditava na capacidade daquela roqueira de sair com ele. Logo ele. Jared fucking Leto. Ela quis pedir uma foto com os dois, ou qualquer coisa assim, mas antes que pudesse abrir a boca pra dizer algo, se despedia e voltava a sentar na mesa, sussurrando algo no ouvido de Jared que o fez rir e acenar para as duas fãs. Com o coração na mão, as duas se retiraram e sentaram-se no bar ali perto, vez ou outra olhando para trás e assistindo um tipo de cumplicidade suspeita entre Jared e .
- Você acha mesmo que eles estão juntos? – perguntou Char à amiga, que parou para pensar. Olhou para trás mais uma vez, Jared tinha seu rosto escondido no pescoço de , provavelmente beijando-o.
- Eles devem estar transando como coelhos. – riu a garota de olhos amendoados, deixando Char boquiaberta. Aquela era uma fofoca e tanto quando se levava em conta que a roqueira de cabelos tingidos em um encontro com Jared Leto supostamente namorava um tal ‘John do The Maine’.
(...)
O Peugeot alugado tinha os vidros embaçados. As respirações ofegantes e palpitantes do casal dentro do automóvel deixavam o local ainda mais abafado. Tudo acontecera rápido demais. O jantar, a troca de sorrisos maliciosos, de tiradas inteligentes, sussurros ao pé de ouvido, beijos nos lugares certos e olhares que despiam até a última peça de roupa. As provocações se estenderam até o derradeiro segundo, quando o gemido rouco de Jared Leto anunciou o seu ápice, e a garota parou o movimento dos quadris contra os dele e sentiu o cansaço apoderar-se de seu corpo.
O preservativo ele mesmo tirou, e apenas abriu uma fresta da janela para jogá-lo fora sem cerimônia.
A vontade de puxar um cigarro no bolso da jaqueta já estava deixando insana. Ela quase podia sentir o toque suave do seu Malboro Red na boca - o inspirar da fumaça tóxica em seus pulmões, o cheiro de nicotina entre os dedos -, tamanha era sua necessidade. Sentiu então a mão pesada de Jared acariciando suas pernas nuas que descansavam sobre as dele.
Seus enormes e esplêndidos globos azuis voltaram-se para ela, analisando minuciosamente os traços do seu rosto, depois os detalhes dos seus ombros magros nus, e os seios de menina jovem que desafiavam agressivamente as leis da gravidade. Assistiu uma gota de suor percorrer o pescoço da garota e descer pelo seu colo e abdômen, então finalmente voltando o seu olhar para o rosto dela que estava tão quieta ali.
- O que houve com aquele brilho nos olhos? – perguntou ele, pondo uma mecha do cabelo tingido de um profundo tom castanho para trás da orelha.
Ela nada respondeu. Poderia dizer a ele que aquela 'falta de brilho nos olhos' era por causa de sua absurda vontade de fumar depois do sexo (hábito adquirido devido aos seus encontros com o roadie Michael), e a impossibilidade de se fazer aquilo naquele exato momento. O carro estava abafado e fechado, era alugado e ela bem sabia como a fumaça produzida pelo tabaco era difícil de desgrudar dos ambientes. não era suficientemente egoísta para fumar ali.
A garota preferiu então deixar que ele pensasse o pior sobre a sua quietude. Aproximou-se do mais velho e beijou-lhe os lábios. Seus dedos calejados devido às cordas de guitarra deslizaram pelo peito suado do homem. Ela apenas deixou de beijá-lo para esconder o seu rosto naquele pescoço perfumado.
- Está na hora de ir, meu caro. – disse com a voz arrastada bem perto do seu ouvido. Procurou memorizar aquele perfume que emanava do pescoço de Jared. Provavelmente não o veria mais, e contanto que conseguisse fazer aquele cheiro inesquecível em sua mente, não seria problema deixá-lo no passado e seguir sem olhar para trás. Havia conseguido o que queria, e se John O’ Callaghan estivesse correto sobre o que Jared queria, bem, ele também havia completado o seu objetivo.
se vestiu rapidamente e passou para o banco da frente.
- Quer que eu dirija? – perguntou ela já no lado do motorista para aquele que agora abotoava o seu jeans. Ele sorriu e deu-lhe as chaves, estava atordoado demais para ficar no volante e queria fazê-la animada novamente.
A menina ligou a ignição e esperou que seu acompanhante se sentasse no banco do carona, ao seu lado.
- Eu comentei que dirijo como uma louca?
Jared arregalou os olhos, e gargalhou. Não deu tempo nem do homem colocar o cinto de segurança. Ela falava sério quando dizia que dirigia como uma louca. O carro acelerado virava curvas bruscamente, e ultrapassava com classe e agressividade qualquer um que se pusesse em seu caminho. O GPS anunciava as direções ao mesmo tempo em que alarmava a velocidade acima do aceitável.
- For god’s sake, ! Está querendo nos matar? – perguntou Jared atordoado quando teve que se segurar firme para não bater com a cabeça na janela ao seu lado.
- Se segura que o sinal tá vermelho, o caminhão babaca parou e a freada vai ser brusca. – Avisou ela com um sorriso perverso nos lábios. Apesar de (um pouco) aterrorizado, Jared também não deixava de estampar um sorriso. Segurou-se na poltrona quando bem avisou sobre a freada.
"Vire a segunda à direita depois da sinaleira"
- Adoro o som do motor roncando. – disse ela acelerando o carro e aproximando-o do fundo do caminhão. – Bote o cinto.
Jared obedeceu rindo abafado. Digo, riu até perceber que a menina tinha soltado o volante e continuou acelerando.
- O que você acha que aconteceria se eu acelerasse agora e soltasse a embreagem? – perguntou ela.
- Espera. – ele franziu o cenho, e ela mordeu o lábio inferior, brincalhona – eu conheço essa cena.
- É claro que você conhece. – riu , voltando a por as mãos no volante. – Infelizmente não posso dizer o nome do filme porque a primeira regra é que eu não posso falar sobre isso.
- The first rule of Fight club is...
- You do not talk about Fight club. – os dois completaram em uníssono, rindo.
O sinal finalmente abriu, e novamente voltou a dirigir insanamente pelas ruas de Chicago.
- Por acaso a senhorita assistiu a todos os filmes que atuei? – perguntou Jared, divertindo-se.
- Não seja bobo. Só assisti os que valem a pena.
- Então assistiu todos.
gargalhou, avistando o hotel em que estava hospedada. Enfim diminuiu a velocidade para não acabar atropelando alguém que passeasse distraído quando fosse parar o carro na porta do seu destino.
Quando finalmente em solo firme, ela encarou Jared com os olhos de "adeus". Soltaram os cintos de segurança ao mesmo tempo e ela tomou a atitude de apertar o freio de mão e subir mais uma vez no colo de Leto. A saída de couro resmungou com a posição a qual foi submetida, e apertou contra as coxas de .
- Acho que esse é o nosso adeus. – ele tocou os lábios da garota com o seu polegar.
- Goodbye, Mr. Torrance. – disse, imitando a voz do imaginário Tom de “O Iluminado”.
Jared a puxou pela nuca e lhe tirou o fôlego com um tórrido beijo, enquanto uma de suas mãos delineava pela provável última vez aquele divertido e voluptuoso corpo. Sem delongas, a garota não esperou para quebrar o beijo por mais que a agradasse intensamente. Bancou a sem coração e abriu a porta do carro, saindo sem dar mais nenhuma palavra. Não esperou, no entanto, que ele a puxasse pelo braço de volta para si.
- Não seja mal criada, pra que sair assim?
- Se eu não for mal criada, não serei inesquecível.
Por mais insolente que soasse, estava certa. Ela precisava de um toque de filha da putagem para não ser um simples objeto sexual. Era muito mais fácil para uma mulher ter fama de puta ao invés de conquistadora. era dominadora, ela só aceitava estar por cima. Queria ser conhecida como vadia sem coração, mas uma vadia desejada e respeitada de uma forma que uma virgem jamais seria. Os homens a desejariam o suficiente para se obrigarem a ser verdadeiros cavalheiros para conquistá-la. Femme Fatale.
Assim que Jared Leto soltou seu braço com um maroto sorriso nos lábios, finalmente pode colocar as mãos no bolso da jaqueta e puxar um cigarro do seu maço, assim como seu isqueiro de Ziggy Stardust. Acendeu o tão desejado cigarro e tragou-o como se fosse a última vez que o faria. Acenou com os dedos um "tchauzinho" para Jared, e deu as costas, andando até um banco na frente do hotel. Não poderia fumar no lobby, então ficou ali mesmo, de pernas cruzadas, assoprando a fumaça tóxica que tanto reanimava seus pulmões e esperando que aquele quem tanto desejou fosse embora.
‘Go away’, ela resmungou mentalmente, ‘Você não tá percebendo quão difícil é te ignorar?’
Ela encarou o ator e vocalista do 30 Seconds to Mars tentando expressar nenhum sentimento, e o fazia com sucesso. Os olhos dele ainda brilharam mais uma vez em sua direção antes dele fechar a porta do carro, passar para o banco do motorista e enfim partir.
Mais um trago. Ela não sabia se deveria se arrepender por ter deixado-o ir; por mais que sua lógica estivesse certa, os prazeres da carne eram latentes para fazê-la querer voltar atrás.
por pouco não se assustou quando John Girafa O’ Callaghan sentou ao seu lado terminando um baseado. Ele parecia estar esperando ela voltar. A garota ficou calada, relaxando com o seu Malboro e ainda sentindo o agradável perfume de Jared em sua jaqueta.
- Me arranja um desses? – pediu John, sua voz naturalmente rouca sendo projetada muito perto do ouvido da garota a fez se arrepiar. Arrepio esse que ela ignorou habilmente, parecendo acostumar-se com aquele tipo de reação do próprio corpo.
puxou mais um cigarro do seu maço e ofereceu sem rodeios.
- Tem fogo? – ele perguntou, fazendo aquela maldita voz soar novamente sexy e perto demais de ouvido da garota.
Ela estendeu mais uma vez a mão, oferecendo então o seu isqueiro. Antes que ele fosse pegar o objeto de sua mão, ela a fechou.
- Deixa que eu acendo – disse, e John estranhou – Tenho ciúmes do meu Ziggy.
John colocou o cigarro na boca e procurou o olhar da garota sem sucesso. Encarou suas pálpebras de maquiagem pouco borrada esperando que ela levantasse os olhos felinos ao seu encontro, mas a garota não deu ousadia. O cigarro aceso, primeiro trago dado, os dois relaxaram sobre aquele banco de madeira.
A noite em Chicago estava estrelada, poucas nuvens no céu e aquele friozinho arrepiante da madrugada. olhava para cima com seus pensamentos sobrevoando mil assuntos ao mesmo tempo.
- Você realmente não me ouve, né? – perguntou John de repente.
franziu o cenho.
- Te ouvir?
- Sim. Eu te avisei diversas vezes sobre essa sua atitude. – olhou para o perfil de John, que tinha uma expressão calma e cínica quando se tratava de esconder as verdadeiras intenções – Quando você não tiver mais essa beleza - ele virou seus olhos verdes para observar a reação no rosto realmente belo da garota –, essa sedução, esse seu apelo físico... Suas atitudes apenas vão afastar todos eles, e você ficará sozinha.
olhava tão intensamente para John que não resistiu ao deixar seus olhos cruzarem com os dele. Os dois tentavam se decifrar mutualmente.
- Ainda bem que vendem pintos na Sex Shop. Eu não preciso de vocês tanto quanto precisam de mim. – piscou ela.
- Sexo? – ele riu – Sexo não tem segredo. Eu estou falando de amor, , ou você já apagou a palavra do seu vocabulário?
A garota ficou imediatamente séria. Tragou mais uma vez seu cigarro e relaxou a cabeça para trás.
- Se fosse para alguém ter apagado essa palavra, esse alguém seria você. – ela disse, entrando em um estado nostálgico que fez sua mente viajar. – Você não se lembra, mas aquele dia foi quase impossível de esquecer.
Antes que começasse a narrar a história, John já estava dois passos à sua frente e interrompeu-a antes que abrisse a boca para falar.
- Um dia de verão e eu encontrei a garota estranha e bochechuda do colégio no quintal da casa vizinha à do meu melhor amigo. – olhou para ele surpresa e curiosa ao mesmo tempo – Caralho, você chorou demais naquele dia.
- Espera... Você se lembra?
- E como me esqueceria, fofona? – John sorriu – Você me disse que tinha quebrado as garrafas de whisky de seu pai, e que ele tinha te xingado de verdade, ficou puto, fora do controle. Sua mãe não fez nada... É. Eu realmente não me esqueci.
- Você também lembra que aquela foi a primeira vez que você me chamou pelo nome?
Ele parou para pensar, disso ele não se recordava. Era um detalhe muito pequeno para que se lembrasse.
- Aquele dia, O’ Callaghan, foi o mais feliz e o mais triste da minha vida. Mesmo depois do incidente com Billy, eu ainda estava com a doença de te ver como o ser mais lindo do mundo. E naquele dia, pela primeira vez, você me tratou bem e me...
- Abracei. E cuidei de você. E tentei te fazer voltar a acreditar em Deus.
- Mas para isso já era tarde demais. – ambos sorriram, cúmplices, como não faziam desde o dia do reencontro.
John estava jogando sujo, realmente fazendo o que não devia: ressuscitando -fofona. Ele não esperava, porém, que estivesse suficientemente esperta para entender o que estava acontecendo. Apesar de sensibilizada, ela duvidou daquele comportamento amigável demais do cara que ela já considerava ser o rei da filha-da-putagem.
- John. – chamou-o, a voz firme. O garoto encarou seus olhos que pela primeira vez estavam vulneráveis, e por pouco não se arrependeu de ter mexido com a fofona que ainda residia naquela roqueira com pose de fodona. – Não mexa com algo que você não conhece e nem ao menos pode lidar.
A jovem apagou o cigarro e se levantou, suspirando, completamente exausta. Não devia ter lembrado daquele dia. Apesar do confortante e único momento com John, a cara furiosa do seu pai gritando todo tipo de xingamento imaginável era um pesadelo que ela não queria reviver. Seu ato de rebeldia daquele dia era a peça chave para fazer dela quem era hoje, e a moldou como uma garota insegura escondida sobre máscara de rockstar. A mesma garota que esnobava homens maravilhosos e arrasava no palco, queria chorar quando lembrava dos problemas em casa.
‘Fuck this shit’, ela resmungou baixo apenas para si mesma.
- Até amanhã, O’ Callaghan.
- Até, fofona. – provocou ele, com um sorriso divertido nos lábios. Ela retribuiu com um sorriso de canto de boca, discreto, e o deixou ali só.
Entrando no hotel, podia ouvir os risos da melhor amiga soando alto pelo lobby. Ela só poderia estar muito bêbada para rir de tal maneira descontrolada. Em passos hesitantes, a jovem foi seguindo o som da voz de .
- Não, Mike, sai! – mais risos – Não! É coisa de amiga.
- Pura viadagem. – ouviu-se a voz de Michael – Ela não se importa. E você mesma disse que eu precisava de alguém.
- Alguém não quer dizer eu! – quase engasgou. Agora havia finalmente os encontrado. Estavam em um canto antes do bar. Michael praticamente emparedava uma baixinha . Seus fortes braços estavam ao redor da baterista, espalmando as mãos na parede. , mesmo com seu look punk e rebelde, ela estava toda encolhida, um sorriso desesperado nos lábios e expressão de estranhamento na testa. – Sinceramente, Michael, se eu não tivesse bêbada as hell, tinha te dado um não mais sonoro.
riu da situação. A tentativa de Michael de lhe fazer ciúmes era simplesmente patética. Ela rolou os olhos, e foi ajudar a amiga a se livrar do roadie.
Aproximou-se dos dois e pôs a mão sobre o ombro de Michael. Com um simples olhar severo, fez o roadie dar dois passos pra trás com uma expressão nada satisfeita.
Logo que se viu livre, abraçou a amiga com toda a força.
- To enjoada. – disse com uma voz quase suplicante. – E juro que foi ele quem começou.
- Como foi o encontro com Leto? – perguntou Michael.
- Foi bom. – respondeu, abraçando de volta como quem protege. – Parece que você finalmente descobriu a histeria de bêbada. Deu muito trabalho pra deixá-la assim?
- Ihh... Acho que – risos – é melhor eu ir. Essa não é minha batata.
colocou as mãos para o alto como quem é inocente, e saiu cambaleando até o elevador, que não era muito longe dali. riu da situação da garota que mal conseguia manter-se em pé ou séria.
- Eu não a embebedei. – Michael disse sério, segurando o braço da vocalista riot.
- Mas a influenciou de alguma forma. – ela tirou a mão de Michael do seu braço, puxando dedo por dedo – E você não precisa admitir pra que eu saiba a verdade. – tirou finalmente o último dedo dele que tocava em seu braço – Não se preocupe, Michael, você pode ficar com quem quiser, até mesmo com ela.
Ela deu tapinhas na bochecha do roadie, e saiu dali antes que a conversa ficasse tensa, ou que ele a resolvesse agarrar.
foi para o quarto desejando apenas três coisas: 1) Banho; 2) Cama; 3) Que aquelas fãs do restaurante fizessem o bom trabalho de espalhar o boato: nunca esteve com John O’ Callaghan. pega o Jared Leto. don’t give a single fuck.
"For reasons unknown"
Os dedos de Pat digitavam animados respostas rápidas para fãs em redes sociais. Deitado e largado sobre um dos sofás do tour bus, sua coluna fazia um “C” perfeito, e o corpo pequeno e magro se contorcia para manter o notebook em equilíbrio no vão entre seus joelhos e o peito. O estéreo do tour bus tocava Steve Miller Band bem baixinho em seu hit “Take the Money and run”. Estava tudo calmo, e a maioria dos presentes estavam dormindo calmamente em seus beliches ou, como no caso de Jared, sentado sobre a poltrona. O tour bus The Maine/The R!ot saía de Chicago em direção a Cleveland, Ohio, e ainda havia uma boa distância a ser percorrida.
O riso baixo de Pat ao escrever mais uma de suas respostas a fãs – que ele tanto adorava -, fez despertar Garrett de sua leitura, sentado no outro canto do ônibus. O baixista deixou o livro que lia de lado e se aproximou do amigo, sentando-se ao seu lado.
- Eu estou morto. – ele disse – e não consigo dormir.
- Normal. – Pat respondeu simplesmente, mais uma vez rindo para a tela do computador. – Olha só isso: “Fui no show do The Maine ontem e ainda não me lavei porque o Pat me abraçou e eu ainda sinto cheiro dele na minha camisa.”- Pat finalmente tirou o olhar do computador e o focou em Garrett – Eu nunca pensei que alguém ia fazer isso por mim. Não é maravilhoso?
- Que tem uma louca que não toma banho pra ficar sentindo seu cheiro?
- Sim.
- Sem dúvidas que é.
Os dois sorriram.
- Tem mais notícia de quem foi ao show de ontem aí? – perguntou Garry.
- A maioria comentou mais sobre as meninas, mas quem falou da gente, falou como verdadeiros fãs.
- Isso é você tentando se convencer de que elas não estão roubando o spotlight.
- Não. – Pat franziu o cenho – Estou sendo sincero. Espero muito que tenhamos sucesso, mas não como elas. Elas são tão...
- Lindas, insanas , vulgares, talentosas...
- Apelonas, talvez - Pat falou baixinho, rindo logo depois – Brincadeira. Eu só não acho que elas tem o mesmo objetivo que a gente. Uma vez eu ouvi dizer que queria conquistar o mundo. Aliás, ela e vivem conspirando sobre isso.
- Pinky & Cérebro.
- Isso. Exatamente assim. E a gente... A gente só quer conseguir o máximo do que estamos fazendo. Isso não significa que queremos ser, sei lá, os Rolling Stones do século XXI.
- Eu sei, mas abaixe aí nos comentários. – disse Garrett, apontando para o computador. Kirch obedeceu, apertando a setinha da barra de rolagem. – “Entrei na casa de show sendo fã de uma banda (The Maine) e saí fã de duas! Aquelas meninas são demais!”
- Mas...
- “Não suportei o show daquelas meninas vadias”, “Aquela tal é uma bitch em forma de gente”, “As Riots sabem fazer rock n roll!”, “Me deixem casar com a Alice Riot!”... – Garrett citava os comentários – Parece que elas fizeram um pacto com o diabo. Tipo aquela ideia de ‘falem mal, mas falem de mim’, sabe?
- Sei. – Pat fez uma careta – E não gosto disso.
- Nem eu, mas eu também não consigo deixar de adorá-las.
Os dois permaneceram em silêncio com seus pensamentos. Pat continuou descendo com a barra de rolagem, descobrindo mais comentários e filtrando sua mente para apenas se importar com aqueles positivos. Ele precisava de um incentivo, alguma forma de saber de que o caminho pelo qual ele estava tomando com sua banda era o certo; afinal de contas, era Patrick Kirch o mais empenhado em fazer aquilo tudo dar certo. Não era o filho da puta do John, aquele que tinha sua cara mais estampada nos trabalhos da banda, era ele, Pat, o baterista, o pequeno e fofo Pat.
Quase imperceptível, Alice Moore sentou-se do lado de Pat e abraçou-o repentinamente. Garrett olhou para ela com aquela cara de interrogação enquanto Kirch ainda tentava entender o que aqueles bracinhos estavam fazendo o envolvendo, e como aquele cheiro de menina de repente invadiu seus pulmões.
- Eu não pude deixar de ouvir vocês comentando. – ela disse baixinho, desculpando-se – Eu juro que não tinha intenção, mas eu estava ali e a curiosidade...
- Tudo bem, Ali... – disse Pat, quase sufocado pelo abraço da menina – Pode soltar agora.
Alice apertou-o ainda mais.
- Eu não queria que acontecesse isso, sabe? Eu amo vocês. Amo mesmo e de verdade; não queria que fosse assim. A gente pode dar um jeito nisso.
- Um jeito em que, Ali? – perguntou Garrett, o cenho franzido.
- Nessa mania da gente de querer ser o centro das atenções. – disse ela, finalmente soltando Pat do forte abraço. – Eu não quero machucar vocês. Quero ver todo mundo feliz! Vocês não tem noção do quanto abomino essa relação de e John também, por mais que me arranque boas gargalhadas. E agora que o boato do namoro acabou se desmentindo, acho que a gente podia aproveitar pra ser mais amigos.
- Alice. – chamou Garrett, sorrindo sem acreditar no que a menina estava fazendo. – Não precisa de tempestade em copo d’água. A gente só tava comentando, só isso. E nem mesmo sabíamos da novidade da relação -John. Na verdade, nós também nos divertimos muito com os dois, por mais que Pat e Jared vivem dizendo que alguém vai sair machucado.
Ali analisou o que Garrett dizia como se estivesse o avaliando num polígrafo interno, analisando se o que ele dizia era verdade ou se só queria deixar pra lá. No final das contas, quando percebeu que os olhos dele eram azuis límpidos demais para omitir alguma coisa, resolveu que ele dizia a verdade. Ela não precisava se preocupar com aquilo, não daquele jeito.
A baixista suspirou e deixou que aquele tímido sorriso tão certinho iluminasse seus lábios finos.
- Vocês que sabem. – ela deu de ombros - Mas qualquer coisa, é só me falar. Eu protejo vocês dessas roqueiras loucas! – disse ela como se excluindo do grupo de roqueiras loucas o qual com certeza fazia parte.
Os dois maines riram, deixando-se descontrair quando Ali começou a puxar uma conversa sem fim. Logo os outros foram acordando; Ben timidamente sentou perto e logo foi chamado para conversa, acordou desanimada por causa de uma ressaca tensa mas logo se animou para enturmar o simples Ben à turma.
De repente, aquela conversa tensa entre Garrett e Pat logo se dissipou, e eles voltavam a ser a turma grande e feliz independente de suas muitas diferenças. Afinal de contas, eram todos amantes de música; e nada melhor pra unir as pessoas do que música.
Cleveland, Ohio
Diferente de quase todos os dias depois do show, Alice não se jogou na cama desesperada por um bom sono. Pelo contrário, ela correu para o banho e se arrumou do jeito mais gracioso possível. Estranhando a situação, Nina sentou na cama enquanto tirava seus fodidos all-stars dos pés e observava o vai e vem de Ali pelo quarto, assim como a quantidade de vezes que ela se olhava no espelho.
- Algum problema, Ali? – perguntou a andrógina, livrando-se também das meias.
- Problema? Não, não... Nenhum. – disse a menina rápido, enquanto tirava a blusa que acabara de colocar pra por outra.
- E você vai pra onde?
- Garrett me chamou para dar uma volta.
- E essa arrumação toda é pra "dar uma volta"?
Quem não conhecesse Nina acharia que ela estava tendo um ataque de ciúmes, mas a verdade é que ela estava legitimamente curiosa. Mesmo depois do beijo entre as duas, as coisas continuaram praticamente as mesmas. Ali realmente era a mais hetero do grupo, já que não sentiu nada quando beijou lábios femininos. Para ela, se fosse pra trocar o doce pelo adocicado, ela preferia continuar na mesma. Nina obviamente não se importou, e deixou de pressionar a pequena ou até mesmo mencionar algo que tivesse a ver com sexualidade.
- Ai Nina, pare de me deixar mais nervosa. Você tem noção de há quanto tempo eu não vou a um encontro?
- Mas você acabou de me dizer que só ia dar uma volta.
- Isso, na língua das pessoas normais, é um encontro. Ou você acha que um cara vai te chamar pra dar uma volta e apenas dar uma volta? – disse Ali, arqueando a sobrancelha – Dã! Eu esperava mais de você, Johnson.
- Ok, ok... Mas por que diabos você ta indo com esse jeans tosco e essa blusa de alça? Ta frio lá fora. – Alice olhou para Nina quase como se estivesse para ter um ataque – Relaxe, eu vou te ajudar.
Nina foi até a mala de Ali e se agachou, procurando por alguma coisa ali. Pegou então uma meia-calça e uma camisa que considerou “cool”. Foi então até sua mala, de onde puxou uma jaqueta de couro oversized e uma de suas botas preferidas. Ela jogou tudo nos braços de Alice com um pedido de “vista isso” e voltou a se deitar na cama ainda suja, tirando aos poucos suas peças de roupa para tomar coragem de tomar banho.
Foi uma questão de pouquíssimos minutos para que Alice voltasse trajada com o que Nina passou para ela. Agora ela parecia realmente uma integrante das The R!ot; agora que sua blusinha de alça havia sido trocada por uma camisa tão grande que lhe servia como um vestido; agora que as meias calças valorizavam suas pernas de um modo que aquele velho jeans jamais faria. Agora ela estava mais sedutora, mais rock n roll.
- É assim que você se veste pra dar uma volta. – disse Nina, aprovando o visual. – Eu só espero que pelo menos uma relação riot-maine que seja mais do que uma amizade funcione.
Nina pareceu suspirar triste ao lembrar-se do seu caso com Kennedy. Talvez no fundo ela realmente se importasse com ele, mas preferia ser a cold blooded bitch. Era algo que sem dúvidas ela compartilhava com a líder das riots, essa preferência por ser vadia sem coração a ter que se importar e sofrer pelos outros.
Depois de terminar de se maquiar, Ali prendeu os cabelos num rabo de cavalo alto e despediu-se rapidamente de Nina. A andrógina por sua vez suspirou, tirando as últimas peças de roupa que a impediam de ficar nua e então entrou no banheiro para tomar um bom banho, vestir outra coisa qualquer e descer no hotel para falar com os fãs e divertir-se.
?
Depois de muito jogo de cintura para despistar os fãs que ficavam na frente do hotel, Alice e Garrett seguiram um caminho não muito seguro para encontrar um bar ou qualquer estabelecimento em que pudessem sentar e conversar. No entanto, a noite em Cleveland estava agitada, e ainda havia bastante gente fora de casa. Estando numa cidade estranha, Ali e Gary tomavam cuidado para não se perder, por mais que a cada minuto estivesse mais longe do hotel e dos outros.
Decidiram por entrar numa Starbucks depois de Ali ter descrito com detalhismo quão delicioso era o frappuccino de doce de leite e como ele combinava bem com pãezinhos de queijo recém saídos do forno. Ambos estavam famintos depois do show, e não pensaram duas vezes quando pediram mais comida do que poderiam ingerir. Aquela filial era pequena e aconchegante, e ainda assim eles preferiram sentar nos últimos sofazinhos, daqueles que ficavam entre a parede do fundo e uma janela que só mostrava tijolos bem posicionados da construção ao lado.
- E então, senhor Nickelsen...
- E então, senhorita Moore...
- Fale-me sobre você. Como você parou com os outros quatro patetas? – perguntou Ali com um sorriso divertido nos lábios. Era Nina que costumava chamar os maines de “Os cinco patetas”, e não ela. Se aquela mesma frase fosse repetida pelos lábios ácidos de ou de Nina, jamais soaria como uma brincadeira, e sim como uma ironia intimidadora.
- Patetas? – perguntou Garrett, fingindo-se de atingido.
- Ah... Bem, eu ando com um bando de roqueiras loucas. Não tem como não adquirir o vocabulário delas. – ela deu de ombros.
- Entendo perfeitamente. Às vezes eu acabo soando como um “pateta” também com a convivência. – ele disse, fazendo-a sorrir.
Era encantador o jeito com que Ali olhava para as pessoas. Os seus olhos pequenos brilhavam em direção a quem quer que lhe dirigisse a palavra; ela prestava atenção no que lhe diziam. Seus lábios raramente não levantavam um breve sorriso, tanto que o momento em que ela estava demasiado pensativa sobre sua sexualidade foi facilmente estranhado pelos outros.
Garrett sentia aquele olhar encantador sobre si e não sabia como reagir direito. Ao mesmo tempo em que se sentia encorajado a criar algo com Ali depois de tanto observá-la silenciosamente, uma pontada de culpa o corroía por ter brigado com a sua namorada, Rachael, por telefone. Aliás, ele nem sabia ao menos se ainda namorava, já que a coisa esfriava mais a cada dia. Ele ainda amava Rach, mas ao mesmo tempo... Ao mesmo tempo as coisas não eram mais as mesmas. Nada era mais o mesmo desde o começo daquele tour. Não havia mais relações estritamente profissionais, e agora isso estava explícito quando ele, por puro impulso, convidou Ali para uma volta e ela apareceu linda, arrumada e cheirosa. E quando Nickelsen olhou para si mesmo, percebeu que também havia se preparado para uma “volta” como se fosse um encontro de verdade.
- Alice! – chamou a mulher no balcão, e Ali foi pegar seu pedido, voltando com uma bandeja cheia. Eles tinham pedido muito mais do que os iniciais frappuccino e pão de queijo. Logo depois o nome de Garrett foi chamado, e ele voltou com uma bandeja mais cheia ainda.
- Estamos parecendo dois famintos das ruas vendo comida pela primeira vez. – Ali comentou, provando o seu bendito frapuccino.
Garrett riu, olhando para a bandeja, indeciso sobre o que comer primeiro.
Em meio a pausas para mordidas ou goles de suas bebidas, Garrett e Ali conversavam sobre tudo. Ele explicava para ela como foi o começo do The Maine, o que ele achava dos integrantes no começo e agora, o que mais o agradava e como ele odiava a escola; ela, por sua vez, explicava também como as riots se reuniram, como ela amava as roqueiras loucas e qual era sua visão do futuro da banda. Eles conversavam sobre seus tempos de infância, o primeiro beijo e como era a vida antes de formarem uma banda.
- Eu não achei que ia dar certo do jeito que deu, por mais que quisesse muito fazer minha vida na música. – explicou Garrett, comendo o último pãozinho da cesta.
- Ah, no meu caso foi diferente. falava com tanta convicção sobre onde estaríamos e o que alcançaríamos que eu realmente achei que ia dar certo, só não sabia que ia ser tão rápido. Digo, já vendemos tantos álbuns, e os shows estão quase sempre lotados!
- Isso! – Garrett disse – Foi meio que uma surpresa.
- É. No fundo, no fundo, achei que poderíamos ser tipo aquela banda de uma música só, sabe? E que floparíamos e eu acabaria voltando pra casa frustrada e sem poder voltar atrás e simplesmente ir pra escola de medicina.
- Escola de Medicina? – perguntou Garrett, abismado. – Você queria ser médica?
Ali sorriu, lembrando-se da época e da pressão de seus pais.
- Sim. Acho que meu QI alto ajudou nisso. Eu era a garota que só tirava nota boa e vivia com um livro debaixo do braço.
- Eu era o garoto que a qualquer momento poderia sumir e ninguém perceberia.
- Ei! Isso é mentira, certo? – acusou Ali, estranhando que aquele garoto fosse do tipo John Doe da classe.
- Em parte é. Mas eu não tirava notas boas nem nada, só me virava do jeito que podia. Escola nunca foi meu forte.
Ali franziu os lábios. Escola era sua vida. Era tão estranho que estivesse se encontrando com alguém tão diferente dela, e aquele pensamento levou a outro; afinal de contas, por que diabos Garrett Nickelsen havia a convidado para aquela “volta”?
Os olhos da garota subiram devagar ao encontro do rosto calmo de Garrett que comia o último pãozinho da sua cesta. Ela analisou os traços do seu rosto, o jeito como sua pele pálida ainda lutava contra a acne, e como os cabelos castanhos claros caíam em seu rosto. Era a primeira vez que ela o observava com tamanha acuidade.
- Garrett. – a voz de Ali chamou, fazendo-o levantar seus olhos até ela. – Seja sincero. Por que você me convidou pra isso aqui? Digo, nós já estamos convivendo há tanto tempo e...
- Eu não sei, Ali. – ela cerrou os olhos, desconfiando – Eu juro. Ainda estou tentando entender. Talvez seja algo que eu queria ter feito desde o primeiro que dia que nos conhecemos, mas só agora tive coragem e a chance de te chamar pra dar uma volta a sós.
Mais uma vez, Ali ligou o seu polígrafo interno para analisar as palavras de Garrett, porém mais uma vez seu polígrafo falhou em encontrar traços de mentira. Ele era sincero, mas ainda assim seu coração lhe dizia que aquele garoto escondia alguma coisa. Pelo menos ela ainda tinha a noite inteira para descobrir.
?
Em um pequeno aglomerado na frente do hotel, riots e maines se reuniam com seus fãs, aproveitando para conversar um pouco, dar autógrafos e tirar fotos. Estavam quase todos os integrantes das duas bandas lá, com exceção óbvia de Garrett e Alice. Conversa vai, conversa vem, foto vai, foto vem e logo já se sentia tonta por causa da quantidade de flashes piscando contra seus olhos. É claro que as quatro doses de tequila que tomou no bar deixaram sua visão comprometida, mas ainda assim ela poderia fechar os olhos e enxergar os flashes contra seu rosto.
A vocalista deu um toque nas outras duas riots sobre seu cansaço, e avisou que ficaria apenas mais um pouco. permanecia uma bateria que nunca terminava, e Nina estava animadíssima já que havia encontrado alguém para conversar sobre quão genial era Alfred Hitchcock. Fãs costumavam ter gostos parecidos com o de seus ídolos; isso é, a não ser que fossem fãs do John O’ Callaghan. Ele era alternativo demais até mesmo para seus fãs.
Naquele exato momento, John fazia uma dancinha estranha enquanto uma garota o filmava com um sorriso imenso nos lábios. Duas coisas que não combinavam era O’ Callaghan e passos de dança. Ele sempre parecia uma garça flutuante, mesmo quando conseguia acertar os passos com perfeição. olhou a cena e riu, o que para o garoto ao seu lado foi estranho. O jeito em que sorria para aquela cena era muito suspeito para quem, a todo momento, procurava um motivo para que aqueles dois estivessem juntos. A maioria dos fãs das riots adoravam o casal, e boa parte das do The Maine (as que não achavam que era uma vadia louca, rebelde e sem coração) também. O garoto que os observava era uma dessas pessoas; fã das duas bandas, ele se sentia em casa naquele momento e mais, sentia-se amigo de todos eles.
- , posso te fazer uma pergunta?
A vocalista olhou para o garoto que perguntava com simpatia e sorriu calmamente. Ele era bem mais baixo que ela, mas não chegava a deixa-la desconfortável, principalmente porque poderia ser pelo menos uns dois anos mais novo.
- Claro. Manda aí!
- Você e o John acabaram mesmo, né? – perguntou ele – Você está com o Leto, certo?
faltou gargalhar alto, mas assumiu uma postura menos espalhafatosa, deixando que apenas um breve sorriso iluminasse os lábios.
- Isso é meio pessoal... – ela viu o menino fazer bico - mas a resposta é não para as duas perguntas. – disse, deixando os olhos dos garoto a brilhar – Eu nunca estive com... – logo no meio da explicação, o celular de começou a vibrar e cantar no bolso da sua jaqueta. Ela puxou o telefone e olhou no visor quem a chamava, e quando leu o número pela terceira vez, seu coração finalmente respondeu ao momento de tensão. Ela sentiu que tudo ao seu redor havia sumido, e que havia apenas ela e o celular que tocava em sua mão. – Querido... Eu preciso atender.
O garoto percebeu como ela havia travado totalmente, e simplesmente deu de ombros.
- Tudo bem.
se afastou rapidamente do aglomerado e, quando foi atender, o telefone havia parado de tocar. Nos segundos em que decidia se devia retornar ou não, ele voltou a tocar e dessa vez ela foi rápida ao apertar a tecla send e por o iPhone contra o ouvido.
- Alô?
- Filha? É você mesmo?
mal podia acreditar que era sua mãe finalmente ligando. Aliás, ela nem sabia como a mulher havia conseguido o seu número. Sua voz não conseguia sair direito da garganta, e seus olhos pareciam cada vez mais opacos. Tinha que ser algo muito importante para que Elise ligasse. Provavelmente alguém havia morrido, alguém próximo dela; ou talvez, a própria Elise poderia ter sofrido um acidente e a quisesse de volta; ou pior, seu pai estava à sua procura.
Não tão alheia quanto poderia estar, viu a melhor amiga num canto com o celular no ouvido, olhos vazios e boca aberta, mesmo sem nenhuma palavra sendo dita. Quis chama-la, mas era muito difícil que o fizesse sem chamar atenção dos fãs para o que poderia ser uma vulnerável . sabia como odiaria que sua máscara de fodona caísse, e preferiu dar o máximo de atenção aos fãs para que eles não percebessem a amiga. A probabilidade, porém, não ajudava muito; era sempre um ímã.
- Mãe? – perguntou , mesmo sabendo que era ela.
- Sou eu, filha!
- Por que você está me ligando? – perguntou , finalmente deixando seu lado vulnerável esvanecer.
- Ora, porque eu to te ligando. Você fugiu de casa. Você sumiu totalmente do mapa por quase um ano, !
- E daí? Eu fiquei os dois primeiros meses com o mesmo número e você não se deu ao trabalho de ligar. Então, diga-me, por que ligar agora?
Um breve silêncio se instalou do outro lado da linha.
- Eu só queria saber quando você vai voltar pra casa.
- Não importa mais. Eu agora participo de uma banda de rock 'n roll. De verdade. Eu to ganhando dinheiro, to realizando meu sonho. Não vou voltar pra casa, não tão cedo. Pelo menos até você aceitar que eu sou quem sou, e que eu não vou mudar pra agradar você ou suas crenças.
Mais um breve silêncio se instalou, porém dessa vez foi um soluço alto que soou o primeiro barulho. Do outro lado da linha, Elise chorava como se não houvesse amanhã.
- Mãe. – chamou, mas a outra não respondia. – Mãe... Mãe...
- Como você pode fazer isso com sua mãe? Como você pode me deixar desse jeito?
- Você estava me sufocando!
- Mas eu sou sua mãe, sua ingrata! Quer saber por que eu não te telefonei antes? Porque eu não podia acreditar que mesmo com toda a criação que eu te dei, você fosse se tornar essa pessoa mesquinha, ingrata e herege que você é!
estava tendo flashbacks de sua vida em casa com a mãe infernizando a vida. Lembrava-se de tudo que Elise te dizia, tudo que ela pregava e a impedia de fazer. Proibições, horários, disciplina ao extremo; igreja aos sábados, participar do coral, ser uma boa estudante. Não era a toa que suas notas eram altas, ela se esforçava e tudo que recebia era mais ordem. Faça isso. Faça aquilo. Ela lembrava exatamente o porquê de ter fugido de casa com apenas um aviso na geladeira.
A garota inspirou o ar bem fundo antes que começasse a gritar. Finalmente deixou-se olhar em volta para ver quem estava por perto, e parecia que um pouco do aglomerado agora estava a cercando aos poucos.
- Por que ligou agora então? Se eu não presto mesmo, se eu não sou nada do que você quis, então por que simplesmente não desistiu de mim?
- Eu tive um sonho com você.
"Ela e esses sonhos...", lembrou. Toda vez que a Sra. tinha uma premonição em seu sonhos, ela ficava quase paranóica, principalmente porque suas premonições quase sempre acertavam em cheio.
- Que sonho?
- Sonhei que você virava uma grande música, mas que você se perdia. Você se machucava do mesmo jeito que seu pai faz. Você se destruía antes que os outros tivessem sequer a chance de fazê-lo. E eu não tinha como impedir. E...
não entendia para onde aquela conversa a estava levando. Percebendo que havia mais pessoas ao seu redor, provavelmente ouvindo sua conversa, ela simplesmente afastou o telefone do ouvido e desligou. Ela não mais devia explicações à sua mãe; pelo menos era assim que pensava. Aliás, se fosse depender de sua decisão, não voltaria a ver Elise até o dia em que conseguisse olhar pra ela sem vê-la como símbolo de uma depressão.
Quando o telefone voltou a tocar, percebia que desligar não era o suficiente. Mesmo assim, voltou a atender.
- O que foi?
- Só não me deixe morrer sozinha. – disse Elise, desligando o telefone.
No modo mais sorrateiro possível, se aproximou de Nina para sussurrar algo em seu ouvido.
- tá com algum problema, vamos nos despedir.
Nina concordou com a cabeça e voltou-se aos fãs com pena de dizer adeus. Trocou e-mails com aquela que considerou mais fã de Hitchcock e saiu de braços dados com . Algumas das pessoas ali ainda deram gritinhos quando elas se afastaram, aquele tipo de gritinho de “eu não acredito que acabamos de conhecê-las”; nada muito escandaloso. As riots se aproximaram de como proteção ao seu redor, perguntando se estava tudo bem – mas não que isso ajudasse muito. Se existia uma coisa que fazia com frequência é dizer que ela estava bem mesmo se sentindo destruída por dentro.
- Está tudo bem. Vocês já vão subir? – como premeditado, disse estar bem. não engoliu nem metade da frase, e Nina faltou bater nela por ficar se fingindo de “bem”.
- Vamos. E você vem junto.
Naquele exato momento, Sue apareceu com aquela cara de “estou cansada, mas minha beleza está impecável” e chamou as garotas com um olhar. Por mais que as meninas tivessem entendido o recado, Sue pediu a Ben, que ainda estava por ali, para afastar os fãs das riots.
- Time to say good-bye! – disse Ben, colocando a mão suavamente sobre o ombro de uma garota que estava querendo tirar a provável quarta foto com as meninas, dessa vez com as três presentes juntas.
Logo só sobraram os maines e seus fãs na frente do hotel, até que eles chamaram alguns poucos para ir a um bar ou coisa assim, conhecer a cidade. Michael, que parecia estar sumido até então, deu as caras e se juntou aos garotos.
?
Garrett e Alice passeavam pelas ruas noturnas de Cleveland lado a lado, jogando conversa fora. Ela já não mais se preocupava com porquês daquele encontro, apenas aproveitava cada momento. Seu sorriso já era tão frequente diante das brincadeiras do Nickelsen que suas bochechas doíam prazerosamente.
- Ai, vamos para de andar. Sério. Minha barriga ta tão cheia que eu acho que só vou chegar no hotel se for levada por um guincho. – disse Ali pondo a mão sobre o estômago quase estufado de tanta comida. Garrett concordou e apontou para um banco numa praça ali perto. No entanto, logo quando foram dirigir-se até a praça, Jared, John, Pat, Kennedy, Michael e mais um pequeno grupo de quatro fãs cruzaram a esquina. Foi então que Garrett alarmou-se. E se eles achassem que ele realmente estava num encontro com Alice Moore? O problema não era exatamente com os caras da banda, e sim com os fãs que seguiam. Depois de quase dois anos de banda, ele já sabia como aqueles seres tão inocentes podiam atrapalhar relacionamentos amorosos com boatos. E se eles tivessem uma câmera? E se Rachael descobrisse e o deixasse para sempre? Não. De maneira alguma. Garrett não podia correr tal risco. Ele começava a se arrepender de ter chamado a menina Moore para aquela volta; afinal, onde estava com a cabeça?
Foi quase automático quando ele puxou Alice pelo braço e entrou com ela na primeira rua à esquerda, um beco escuro e sem saída. Ele a prensou contra a parede e ficou de frente para ela, protegendo ambas identidades. O que o baixista não esperava é que seus olhares se cruzassem com tanta intensidade. O coração de Ali faltou pular para fora do peito ao ver Garrett com seus olhos daquele azul diáfano lutando contra os seus; o corpo dele tão perto do seu; a pele dele tão próxima da sua que o seu perfume poderia sufoca-la de tão delicioso. O cabelo bagunçado e o jeito punk de Garrett Nickelsen não condizia com o cheiro que emanava de seu corpo. Ele era sem dúvidas o mais cheiroso dos cinco patetas, e só agora Ali percebia isso. Agora que estava sendo cercada por ele, agora que os braços dele passavam por cima do seu ombro a deixando totalmente sem saída.
Romântica que era, Alice sentiu dificuldade de respirar e suas pernas bambeavam de modo a fazê-la sentir que poderia desabar a qualquer momento. Ela estava ansiosa para o beijo; se fosse pra acontecer, aquele era o instante perfeito.
Garrett já não tinha controle de suas próprias ações. Alice tinha seus olhos pequeninos e escuros o fitando de tal modo que poderia manipulá-lo do jeito que quisesse. Aquele era um olhar de uma riot.
Aos poucos os rostos foram se aproximando, os lábios desejosos para um toque terno. Borboletas no estômago. Ali não sentiu isso quando beijou uma garota, e aquela era uma das melhores sensações no mundo. A adrenalina corria em suas veias tão loucamente, e tudo isso por causa de um simples beijo.
E então, finalmente, aconteceu. Primeiramente seus lábios se tocaram lentamente, e aos poucos foram aumentando a velocidade, mas nunca se tornando agressivos. Alice era o tipo de garota que gostava de beijar lenta e deliciosamente, e Garrett parecia estar muito bem com essa ideia. Logo as mãos da menina subiram ao seu peito, e as mãos dele desceram para a cintura dela ao mesmo tempo que ele a prensava ainda mais contra a parede de tijolos.
Os dois continuaram ali por alguns poucos minutos, beijando-se sem parar para respirar ou para pensar no que estavam fazendo. Porém, para a infelicidade de Garrett, Alice ouviu uma voz conhecida. Michael e John passavam conversando e rindo com suas garrafas de Stella Artois na mão, provavelmente animados demais por causa da bebida.
- Acho que essa foi a ideia mais absurda que já ouvi! – disse Michael gargalhando. Alice parou de beijar Garrett no mesmo instante. Seu QI elevado a fez pensar numa possibilidade infeliz.
Os olhos pequenos da jovem encararam o rosto pouco iluminado de Garrett com uma desconfiança acelerada.
- Você os viu chegando? – Ali perguntou, olhando de esguelha quando o resto do grupo que passava por ali também muito animados.
Garrett era bom tocando seu baixo, produzindo música, acumulando cultura nerd e fazendo pose de punk; mas ele definitivamente não era bom no quesito mentir. Hesitou por bastante tempo antes de dizer um “não” pouco sonoro.
- Você tem vergonha de ter me chamado pra sair? – Alice tinha a testa franzida e os olhos já expondo toda a sua decepção. Garrett não sabia reagir direito; ele estava tão envergonhado com sua situação... Não bastasse trair a namorada agora tinha que lidar com uma verdade oculta para uma pessoa que ele prezava tanto.
- De maneira alguma, Ali. Eu só não queria... Hm... Eu só não queria estragar nosso encontro. Sabe como eles são espalhafatosos.
Pela terceira vez naquele dia, Ali ligou o polígrafo interno para analisar as palavras de Garrett. E pela primeira vez, seu polígrafo apontava que aquilo poderia ser uma mentira. Mas Alice não queria acreditar que fosse uma mentira. Ela queria que tudo continuasse perfeito, e por isso ignorou a lógica do seu cérebro para seguir o instinto que dizia “beije-o mais uma vez”. Era isso que ela queria, a fine romance.
Deixando a razão de lado, ela simplesmente deu uma risadinha.
- Desculpe, eu pensei que...
Ela não pode continuar falando. Garrett também não queria deixa-la seguir qualquer razão que estivesse querendo parar com aquilo que estavam fazendo. Eram os olhos dela, o jeito como sua boca estava sempre contorcida a abrir um sorriso, a meiguice e beleza da pequena riot que o deixava extasiado. Mas poderia ele imaginar que havia uma garota de intenções nada samaritanas olhando para eles dois ali, enroscados em mais um beijo, tuitando o que havia acabado de ver?
Liza Hanson @lizalovesthemaine Esses dois são a baixista das The R!ot e meu Garrett ou eu tomei mais bebidas que devia? pic.twitter/81201z
Jolene, Jolene, Jolene… Please don’t take him even though you can.”
CONTINUA
Nota da autora: And Rebel Rebel is back!
Eu já tagarelo muito no Facebook então vou nem me dar ao trabalho de ficar tagarelando aqui. Então falem comigo lá e não se esqueçam de seguir o tumblr de Rebel Rebel. Vou postar playlists e imagens e fanarts essas coisas tudo lá. That’s all. COMENTEM!
Xx Bela Deville
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¹Casa de shows
Rebel Rebel é uma música de David Bowie, que é uma das minhas maiores inspirações de vida, e que me ajudaram a montar a personagem principal. E, devo acrescentar, isso é só o começo!
Obs: Os nomes mencionados na história são ficcionais. Não sei quem dirige a Fearless Records e nem mesmo como as coisas são levadas lá. Baseio-me em filmes, livros e pesquisas no Google.
N/r: Qualquer erro, favor me avisarem pelo Twitter ou email, ok?

