Um Anjo em Minha Vida
Autora: Amandita B.
Status: Em Andamento
Revisada por: Juh
Categoria: McFly Fics
Sub-Categoria: Comédia Romântica/Drama - LongFic
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Prólogo
Não posso reclamar da minha vida. Sempre tive tudo o que sonhei. Tenho uma família que me ama, amigos divertidos e fiéis, uma namorada legal e erm... gostosa pra burro! E ah, uma banda no auge da carreira, com vários discos lançados e singles nos topos das paradas do Reino Unido e de vários outros países do mundo. Sem dúvida alguma, não posso reclamar da minha vida. Não podia. Até que o inesperado aconteceu. E tudo aquilo que parecia perfeito, se tornou apenas um detalhe passageiro e que eu temia nunca mais ter de volta. Mas a vida dá voltas e, apesar de tudo, aprendi da forma mais estranha que devemos aproveitar ao máximo tudo o que o cara lá de cima nos deu. Afinal, não sabemos ao certo quando irá ser nosso último dia, não é mesmo?
Capítulo 1
- Ok, próximo! – ouvi uma voz gritar bem ao fundo e então, resolvi abrir os olhos para saber onde eu estava. Aquela claridade imensa quase me cegou no primeiro momento, mas consegui acostumar meus lindos olhos (minha mãe adora dizer isso!) à toda aquela luz. Mas, por um momento, preferi não tê-lo feito. Um lugar extremamente extenso, com uma fila enorme e várias pessoas vestidas de... camisolas? Mas que diabos está acontecendo aqui? Bem em frente à toda aquela gente estava um cara bem alto, cabelos loiros cheios de cachinhos, vestindo a mesma camisola branca que todos vestiam, com uma pasta em uma mão e uma caneta na outra. Tirando a parte da camisola, nada tão anormal. Até que eu reparei em um detalhe um tanto... diferente no cara. Ele tinha asas? Tipo, asas de anjo? Droga, sabia que não deveria ter bebido tanto! Agora fico imaginando anjos à minha volta e...
- Hey, não vai se levantar mesmo? Olha o tamanho da fila! A menos que você queira ir para o andar de baixo, sugiro que pegue a fila antes que eles decidam mandar todo mundo para o inferno, literalmente! – disse uma senhora, trajando a conhecida camisola, ao passar por mim, que fui perceber estar sentado no meio daquela confusão toda e adivinhem? Vestindo aquela bendita camisola! God, eu realmente preciso parar de beber! Agora, o que aquela velha quis dizer com o andar de baixo? Será que isso é uma conferência de pijamas e aqueles que perderem vão parar no andar de baixo? Mas o que será que tem no andar de baixo? Será que é alguma espécie de...
- Senhor, acho que deveria entrar na fila! – disse um homem baixinho, de olhos extremamente verdes me indicando a tal fila.
- Me desculpe. Não sei onde estou e como vim parar aqui. Pode por favor me ajudar? - perguntei olhando para o cara com a esperança de que ele me dissesse tudo o que me atormentava naquele momento. Acho que depois dos esclarecimentos, vou pedir para ele me mostrar o andar de baixo...
No princípio ele me olhou com pena. Depois me disse que tudo seria esclarecido pelo tal cara alto com asas e... espera! Ele também tinha asas! Hey, eu quero uma asa também! Tenho direitos, ok? E lá fui eu pra tal fila. Depois de um tempo perdido nos meus pensamentos, comecei a prestar atenção na conversa atrás de mim. Duas senhoras de mais ou menos 90 anos comentavam entre si sobre o dia de suas mortes. Fala sério! Como elas podem ter tanta certeza da forma como vão morrer? Pelo que entendi, uma teria um ataque cardíaco e a outra um derrame. Típico de velhos. Ok, eu sou o próximo!
- Próximo! – disse o cara das asas. Certo, o que eu pergunto primeiro? Onde estou? Como vim parar aqui? O que tem no andar de baixo? Ou, onde consigo asas iguais a dele?
- Senhor , estou certo? – Tá, isso realmente me assustou! O cara sabe meu nome! Será que ele é um serial killer?
- Isso. – disse simplesmente estranhando toda aquela situação. Então, ele começou a ler algo em sua pasta e o que eu mais temia ouvir em toda a minha vida, foi assoprado como se fossem palavras rotineiras pela boca do tal carinha.
- Certo, vamos aos detalhes. Data da morte: 24 de Agosto de 2010. Causa da morte: acidente de ônibus. Fizemos as contagens de seus pecados e, bom, te aceitaram no purgatório. Você ficará lá por alguns meses e então reavaliaremos sua situação e quem sabe, permitir sua entrada no paraíso. – Disparou o anjo. Agora sim, eu sei que ele é um anjo. Mas, espera... eu morri?
- Olha, isso deve ser um engano! Eu não posso ter morrido! Eu... – começava a tentar argumentar com aquele ser patético à minha frente, mas fui interrompido.
- Primeira reação: negação. Isso é perfeitamente normal, escute meu caro, qual é a última coisa que se lembra? – perguntou-me o anjo. Parei pra pensar e lembrei-me de , , , Fletch, Ant e eu saindo daquele hotel em Glasgow, indo em direção ao nosso ônibus que nos esperava do lado de fora. Falei para o cara. - Uhm... e depois de você ter entrado no ônibus? Do que mais se lembra? – questionou-me e voltei a pensar. Certo, entramos no ônibus, Fletch falava ao telefone, Ant e falavam das garotas que vieram nos visitar no camarim depois do show, estava entretido com seu celular (o Twitter e seus seguidores) e eu e jogávamos videogame. Nada de anormal, mas... espera. Lembro-me de ouvir o motorista do ônibus gritando. Parece que algo mais à frente estava vindo em nossa direção descontroladamente. Outro ônibus? E foi ai que eu vi uma grande luz na minha frente e de repente, tudo doía e ficava cada vez mais escuro. É... acho que eu realmente bati as botas!
- Viu? Não é tão difícil assim aceitar. PRÓXIMO! – o tal anjo me disse e depois gritou no meu ouvido. É, acho que aquelas velhas tinham razão. E foi aí que tudo mudou. Estava já seguindo meu caminho, quando outro carinha com asas veio correndo na direção do anterior, disse algo em seu ouvido apontando pra a minha pessoa. Estranhei, mas continuei meu caminho até que...
- Espera, senhor ! Deram-lhe mais uma chance! Acompanhe o Gabe. Ele te levará ao portal. – Agora que eu não entendi mais nada! Chance? Portal? Que porra é essa? Sorry, pode falar palavrão por aqui?
- Para onde está me levando? – perguntei para o tal de Gabe.
- Conseguiram te reanimar. Você vai voltar. – disse o anjo sorridente.
- Reanimar? E eu vou voltar para onde? – disse já entrando em um elevador parecido com o que Willy Wonka e Charlie entraram na Fantástica Fábrica de Chocolate.
- Para a Terra, oras! E para a sua família! Lembre-se, essa é sua última chance! Aproveite-a! Boa sorte! – dito isso, o anjo fechou a porta e tudo o que vi depois foi um grande borrão preto na minha frente.
Capítulo 2
- Será que ele já acordou?
- Ele está abrindo os olhos!! Olha!
- Olá querido! Bem vindo de volta!
Atualizando: eu estava tendo um sonho surreal, em que eu morria e ao acordar dou de cara com um teto branco, minha mãe e minhas tias à minha volta. O que está acontecendo mesmo?
- Querido, você deve estar se perguntando onde está e o que aconteceu contigo. – essa é a minha mãe! – Vou te explicar. Você e os meninos sofreram um grave acidente de ônibus voltando de Glasgow. Foi um acidente horrível. E desde então, você está aqui!
- E isso faz quanto tempo? – me vi perguntando com a voz falha.
- Hoje faz exatamente 3 meses. – Espera. 3 meses??? 3 MESES? Eu estou 3 meses dormindo? Certo, o que eu perdi?
- E os outros? – perguntei ainda com a voz falha.
- Bom, o motorista morreu, Fletch quebrou duas pernas, Ant deslocou o pescoço, o pessoal da equipe por estar no fundo do ônibus teve apenas ferimentos leves. Quanto aos outros, sofreu traumatismo craniano leve e já está se recuperando em casa, ficou em coma durante 1 mês, mas já está se recuperando também, quanto a ... – ouvi minha mãe hesitar e seus olhos se encherem de lágrimas.
- O que aconteceu com , mãe? Ele morreu? – disse já com a voz embargada.
- Não, querido, mas... Ele perdeu os movimentos das pernas. está paralítico, querido. – ouvi minha mãe dizer aquelas palavras e logo avistei as lágrimas escorrendo de seus olhos e minha vista começando a embaçar.
- Paralítico? ? Não pode ser! - dizia já sentindo as lágrimas escorrendo pelo meu rosto.
- É, meu filho... Mas, ele está bem! E esperançoso que irá voltar a andar! Vem te visitar todos os dias! Ele e os outros. Estavam preocupados com você. Principalmente depois da sua última parada cardíaca. Durante esses 3 meses que você ficou em coma, foi muito difícil para todos eles. Para todos nós. – senti a mão de minha mãe na minha e mais lágrimas.
- Boa tarde! Olha quem resolveu acordar! – ouvi uma voz vinda de um canto do quarto e logo depois a imagem de um homem loiro de olhos castanhos trajando jaleco branco com um estetoscópio em volta do pescoço tomou conta da minha visão. – Sou o Dr. Hoover e estou cuidando do seu caso, meu jovem. Como sua mãe já deve ter lhe explicado, você sofreu um grave acidente e a pancada que levou na cabeça te induziu ao coma. No total foram 3 meses exatos em que você ficou em coma. Nesses 3 meses, você teve 5 paradas cardiorrespiratórias. Essa última foi a mais difícil de te reanimar. Mas você tem amigos e familiares que rezaram muito por você e hoje você está acordado e pronto pra retomar sua vida! – encerrou sorridente o médico.
- Quando vou poder ir pra casa? – me vi perguntando ao médico.
- Calma, meu rapaz. Antes precisamos fazer uma bateria de exames e te observar durante uns dias. Aí sim, você poderá voltar para casa! – após ouvir essas palavras, vi o sorriso da minha mãe crescer e lembrei-me de uma coisa.
- Mãe, e a ? – é minha namorada há quase dois anos.
- Falamos pra ela o que aconteceu, mas você conhece sua namorada, né ? Disse que tinha pavor de hospital e que te visitaria quando estivesse em casa. – finalizou minha mãe torcendo o nariz. Ela nunca gostou de .
- Mas, nesses 3 meses ela não veio nenhuma vez? – é impressão minha ou alguém está ficando puto?
- Ah, querido! Ela tem o trabalho dela! Devia estar ocupada! – tentou amenizar minha mãe.
- Uaaau. Quase morri, tive 5 paradas cardíacas, 3 meses em coma e ela nem se deu ao trabalho de ver se eu estava vivo ou morto. Grande escolha eu fiz! – sentiu minha ironia?
- Você resolve isso depois, . Agora nós vamos fazer uma série de exames e depois você vai voltar a descansar. Sei que deve estar pensando, “mas eu dormi por 3 meses”, mas você realmente precisa descansar. E sua mãe também! – apontou pra minha velha.
- Não eu fico aqui e te esper...
- Não, mãe. Vai pra casa descansar. Amanhã você volta. – disse docemente.
- Isso, faça o que seu filho disse! Ele tem toda razão. – me apoiou o médico.
- Ok! Vou com suas tias para casa. Mas amanhã bem cedinho, eu volto! – disse minha mãe, logo depois depositando um beijo na minha testa.
- Vamos lá, ? Há muito a ser feito! – esses dentes desse cara estão começando a me irritar.
Depois de todos os exames feitos, voltei para o meu quarto e fiquei pensando em tudo o que aconteceu. Em como deve estar se sentindo nesse momento. Até que fui vencido pelo cansaço e acabei desmaiando. Algumas horas depois, acordei com o som de algo caindo dentro do banheiro. Estranho, será que minha mãe já voltou? Impossível, olhei no relógio de cabeceira, 3 horas da manhã. Será que deve ser alguma enfermeira? Acho melhor ver. Fui a passos lentos até a porta do banheiro. Sem barulho algum, abri a porta e me deparei com uma das cenas mais estranhas da minha vida. Uma garota estava caída dentro do boxe. Parecia que tinha tomado um belo tombo. Ela vestia uma saia branca, um corpete também branco com alguns detalhes brilhantes, uma bota (adivinhem?) branca até os joelhos e... ASAS? Ah, não! Esse lance das asas de novo? Espera, tem um circulo iluminado em cima da cabeça dela. Como é o nome disso mesmo? Ah, é auréola! Isso! Seria um tanto sexy, se não fosse tão... Angelical.
- Droga! Vocês insistem em deixar a janela do quarto fechada! Tive que entrar pelo banheiro! Céus, olha meu estado! Maldiçã... – ela ia terminar a palavra, mas ao ouvir um trovão do lado de fora, se calou na hora. Não sabia que estava chovendo. – Ok, foi mal aí em cima! Mas olha o meu estado! Eu estou deplorável! – certo, ela era louca. Estava falando com o teto do banheiro! Quando percebi, ela já havia se levantado e andava até mim com uma cara de dúvida.
- Quem é você? – me perguntou.
- Eu que deveria te perguntar! Você está no meu banheiro!
- Primeiro, querido, essa banheiro não é seu! É do hospital, segundo... – ela ia dizendo e ao mesmo tempo caminhando em direção ao quarto, até que avistou algo na minha ficha e virou com um sorriso enorme na minha direção. Seu eu não estivesse tão confuso, teria sorrido junto com ela. – ?
- Isso. Esse é o meu nome! Quem é você? – há, minha vez de perguntar!
- Olá, ! Por isso que você me vê! – disse animadamente. E dude, a alegria dela contagia! – Sou , mas me chame de ! Meu pai me chamava assim. – disse um pouco mais baixo com um pouco de tristeza no olhar. - Sou seu anjo da guarda! – disse voltando sua animação rapidamente com um sorriso colgate. Espera, anjo da guarda?
Capítulo 3
- Anjo da guarda? – me vi perguntando para a figura na minha frente.
- Isso! Seu anjo da guarda! Parece que você andou aprontando, mas te deram uma nova chance! E eu vim te vigiar! Se você fizer tudo certinho, em pouco tempo estará livre de mim! – observei novamente meu novo anjo da guarda e devo comentar... Tirei a sorte grande!
- Espera, deixa ver se eu entendi direito. Você é meu anjo da guarda e só eu posso te ver? – perguntei um tanto confuso. Aquela história tava me dando arrepios. E aquela garota também.
- Isso mesmo! Estou aqui para tomar conta de você. Antes de descer, me disseram que você era curioso. Acho que eles estavam certos! – finalizou a garota rindo e mexendo nas minhas coisas. – Não acha que está muito velho para usar boxers de carrinhos? – disse a garota segurando uma das minhas boxers preferidas.
- Se você é um anjo, não deveria usar camisola igual a todos os outros? – perguntei arrancando minha boxer de suas mãos.
- Deveria, sim. Mas sou um anjo moderno. – disse ainda sorrindo. Dude, que sorriso! – Tá legal, sou seu anjo e não posso esconder nada de você. – disse a garota com uma cara derrotada, se sentando na minha cama. É parece que ela já se sente em casa! – Acontece que tem uma garota... quer dizer, um outro anjo. O nome dela é Stancy. Ela é francesa. Já te disse o quanto odeio os franceses? Pois é, não deveria, já que agora sou uma entidade divina. Mas sim, odeio os franceses. E ela é toda gostosona e talz. Quando estavam selecionando nossos protegidos, adivinhe só? Justin Timberlake precisava de um anjo! Eu fiquei super animada, afinal, sempre fui apaixonada por aquele pedaço de mau caminho e... – ela ia falando tudo rapidamente, até ouvir mais um trovão. Deve estar caindo o mundo lá fora. – Ok, sem pedaço de mau caminho. Ele era um homem lindo! Assim está bom? – disse olhando mais uma vez para o teto. Esse sonho está bizarro! – Como ia dizendo, achei que seria o anjo do Justin, mas adivinha? Stancy é o anjo dele! Eu não acreditei! Que droga, eu queria ser o anjo dele! – disse a menina inconformada.
- É tão ruim assim ser meu anjo? – me vi perguntando. – E ainda não entendi o que isso tem a ver com as suas roupas!
- Não, ! Que isso! É uma honra para a minha pessoa ser seu anjo! Mas, era o Justin! Você me entende, né? Quanto à roupa, foi o único modo que consegui de ser melhor que ela. Ela pode ser tudo, mas no quesito vestimentas, eu me saio bem melhor, não acha? – disse dando uma voltinha. Será que anjos podem cometer pecados?
- Sem dúvida! – me vi dizendo, babando no corpo da garota e erm... já começando a ter pensamentos impuros com a “entidade divina”! E foi aí que ela parou de girar e começou a me fuzilar com os olhos. Droga, meu anjo é bipolar?
- Ok, querido, vamos acertar algumas coisas. – disse ainda com aquele olhar vindo em minha direção. – Por ser seu anjo, sei tudo o que você faz, até quando não estou por perto, e... leio os seus pensamentos. Tudo o que você pensa, eu penso também. Tudo o que você sente, eu sinto também. Seja dor, fome, frio, sono... Qualquer coisa. Então, cuidado com o que pensa. Posso ser um anjo diferente do que você está acostumado, mas ainda assim, sou um anjo. – finalizou meu anjo com cara de poucos amigos. Você é um idiota, ! – E não se xingue! É normal ter esse tipo de reação no primeiro momento! Logo você se acostuma! – e o sorriso voltou. Dessa vez, me permiti dar um sorriso tímido também.
- Bom, já que vamos conviver juntos durante algum tempo, posso te fazer algumas perguntas? – perguntei já um pouco mais à vontade.
- Se eu souber a resposta, terei prazer em responder!
- Certo, quando você disse que eu andei aprontando, o que quis dizer com isso? E todo mundo tem um anjo que possa ver? E eu não posso falar com você em público? E... – me vi disparando várias perguntas de uma vez, fazendo–a segurar uma gargalhada.
- Calma! São muitas perguntas! Vou te explicar tudo o que sei, ok? – concordei com a cabeça me sentando ao seu lado na cama. – Todo mundo tem um anjo. Seja a pessoa que for. Boa, ruim, criança, idoso... todos têm um anjo da guarda. Porém, os anjos ficam lá em cima acompanhando a vida de seus protegidos por uma espécie de TV. Cada um tem a sua e, por essa TV, podem controlar toda a vida de seu protegido. Livrar de acidentes, alertar sobre os perigos... Tudo. Porém, quando algum protegido está passando dos limites, o anjo deve descer para a Terra e tomar conta do seu protegido, permitindo que o mesmo o veja. Assim como está acontecendo com você agora.
- Passando dos limites? O que quer dizer com isso? – O que ela está dizendo? Eu sou um bom garoto! Pelo menos o Papai Noel nunca deixou de me dar presentes!
- Pensa um pouquinho. Há quanto tempo você não via sua mãe?
- Alguns meses? – perguntei vendo o olhar dela cair sugestivamente sobre mim. – Certo, 1 ano e pouco. – disse mais baixo. Uaau... fazia tempo que não via minha mãe!
- E o que você anda fazendo ultimamente que não te dá tempo pra visitar sua família?
- Ah, eu ando trabalhando muito. Sabe como é, né? – e lá estava eu coçando minha nuca. Para quem não sabe, isso é meu sinal de nervosismo. Eu estava ficando nervoso com o rumo que aquela conversa estava tomando.
- Não. Você não visita sua família por estar trabalhando muito. No Natal, por exemplo. Você preferiu ir a um Pub com uns desconhecidos, beber até vomitar, do que visitar sua família. Você sabia que sua mãe te esperou a noite toda? Ficou sentada à mesa na esperança de te ver entrar pela porta de casa? – Ela estava começando a pegar pesado. Já sentia meus olhos marejarem. E eu tenho quase certeza de que avisei minha mãe que não iria para o Natal. Eu acho...
- Eles ficaram insistindo e eu terminei indo. – me vi dizendo baixo.
- E suas fãs? Você sabe o que elas fariam por você, não é? Acha certo evitá-las e bufar toda vez que alguma chega perto de você? O seu sucesso só chegou onde está graças a elas. Elas que te deram tudo o que você tem hoje. Não deveria maltratá-las dessa forma.
- É que eu canso às vezes. – ela está quase conseguindo o que quer.
- Mas elas não cansam de te olhar. De te admirar. De enfrentar várias horas de fila só pra ficar 1 hora te vendo tocar. Deveria pensar sobre isso, . E o último e mais importante fator por eu estar aqui hoje. – já sei o que ela vai falar. – Desde quando você precisa de drogas pra ser feliz? Como eu disse, você tem tudo! Isso acaba com a vida de uma pessoa, !
- Os caras ficaram me enchendo. Disseram que ia me sentir melhor! Sua televisão te mostrou o quanto estou mal esses últimos meses também? O quanto eu tenho vontade de largar tudo e me jogar de uma ponte? Hein? Se você é meu anjo, deveria saber o quanto eu quis morrer nesses últimos dias! – comecei a me alterar e gritar com ela. Ah, qual é! Eu sou a vítima nessa história!
- Na verdade, sou seu anjo há pouco tempo. O último desistiu de você exatamente por isso. Cansou de te alertar e você não estar nem aí para nada. Sabe , existem muitas pessoas que não têm metade do que você tem. E não reclamam de nada. Tem gente que está em situações piores que você e é feliz. Quer um exemplo? . Pois é. Amanhã você verá a situação lamentável que se encontra seu melhor amigo. Jovem, rico, lindo, famoso e condenado à uma cadeira de rodas. E sabe o que é o mais impressionante em tudo isso? O sorriso que está estampado no seu rosto. A esperança que ele carrega nos olhos. Isso não fez com que ele perdesse a vontade de viver. A vontade de voltar a andar. E se quer saber, ele vai conseguir. Porque quem tem fé e acredita na vida, alcança seus objetivos. Foi assim quando você era menor. Acreditou no seu sonho e correu atrás para conseguir, e olha onde está hoje! Uma das celebridades mais famosas e bem pagas do mundo, com tão pouca idade. A vida não é só lamento, . , e também passam por momentos difíceis. Todos passam! Mas nenhum deles se entregou para as drogas. Superaram isso e estão cada vez mais fortes. Por isso estou aqui hoje. Vou cuidar de você. Vou fazer você ver que não precisa dessas porcarias para ser feliz, para se sentir bem. Um abraço de alguém que se ama é muito melhor do que a sensação de estar no poder das drogas. Vou vigiar cada um de seus passos e juntos vamos vencer toda essa fase e no final de tudo, você será aquele que todo mundo admira e ama e não esse babaca que faz o que qualquer um diz pra fazer. – finalizou com o mesmo sorriso lindo. E eu já estava me desmanchando em lágrimas. É, ela conseguiu o que queria. Estou arrependido.
- Promete que não vai desistir de mim assim como o outro anjo? Promete que não vai me abandonar? – disse entre soluços.
- Só vou te deixar se você quiser. Tenho certeza que vamos conseguir sair dessa. – disse com um sorriso mais lindo que todos os sorrisos que ela já deu (se isso era possível!) e então, ela se aproximou de mim e começou a fazer carinho na minha cabeça. Não era como se eu estivesse sentindo seus dedos, afinal, nem tocá-la eu podia. Ela era um fantasma. Não tinha como tocar. Mas naquele momento, eu senti ainda mais sua presença. Era como se ela me confirmasse que estaria lá sempre. Eu me sentia protegido. Há tempos não sentia essa sensação. Desde quando era moleque, caía e corria para a minha casa chorando e minha mãe me deitava no sofá e ficava comigo, me confortando até eu me acalmar. Proteção. Era isso que eu sentia. E foi assim que eu comecei a pegar no sono novamente, me esquecendo de toda a loucura que aconteceu na minha vida nas últimas horas. Antes de adormecer por completo, me vi perguntando uma coisa. – , como você morreu? – mas antes de obter a resposta, eu já dormia profundamente.
Capítulo 4
Acordei no dia seguinte com a voz da minha mãe. Ela conversava animadamente com a enfermeira do hospital sobre o último episódio de algum seriado inútil que só pessoas que não tem o que fazer (como a minha mãe!) se preza a assistir. E assim que me viu abrir os olhos, já veio correndo na minha direção.
- Querido, como se sente? – perguntou minha mãe com a voz carinhosa.
- Estou bem. – disse baixo com a voz um pouco rouca devido às horas de sono.
- Dá para perceber! Está com uma carinha ótima! – disse sorrindo. – Agora, vou te ajudar a tomar um bom banho! Seus amigos já devem estar a caminho! – disse ainda sorrindo. Espera, eu ouvi direito? Ela disse que vai me ajudar a tomar banho? Mães deveriam saber que é terminantemente proibido elas ajudarem os filhos a tomar banho depois dos 10 anos de idade.
- Não precisa mãe! Eu sei me virar sozinho! – disse fazendo careta, fazendo a enfermeira rir e minha mãe revirar os olhos. Odeio quando ela faz isso!
- , você acabou de sair de um coma de 3 meses logo depois de sofrer um acidente grave! Não vou deixá-lo sozinho no banheiro! – como se um caminhão fosse me atropelar no chuveiro! Fala sério! Mas, mãe é mãe, não é? Não tem como discutir com elas! E depois dessa pequena “discussão” lá estava eu, tirando minha roupa com a ajuda da minha mãe. Que cena digna de Oscar! Só espero que ela não saia contando este acontecimento para todo mundo.
- Querido, lave bem seu pintinho! Sabe como é, né? 3 meses sem tomar banho, pode ter criado algum tipo de fungo, ou algo parecido, é bom estar bem limp... – foi a gota d'água.
- Mãe! Eu faço isso sozinho, ok? A senhora pode esperar lá fora! – disse um pouco nervoso. Qual é? Estamos falando do Júnior! Com a minha mãe!
- Mas, querido... – ela ia argumentar, mas eu já estava decidido.
- Mãe, lá fora! Já estou saindo! – disse entre os dentes. E assim, ela se retirou, não sem antes gritar já com o corpo fora do banheiro, para eu não me esquecer de lavar o “bumbum”! Mães...
- Que cena linda! Diria épica, se eu tivesse uma câmera em mãos agora! – aquela voz... eu conhecia aquela voz. Eu tive um sonho noite passada em que uma anja vinha no meu quarto e... AHHH!
- Droga! Quer me matar de susto? – disse apavorado olhando a garota dos meus sonhos, no real sentido da palavra, que me observava encostada no parapeito da janela com um sorriso malicioso... Droga, eu estou pelado!
- Hahaha. Não esquenta! Não vou ficar reparando nos seus documentos! Aliás, aquilo ontem à noite, não foi um sonho... A partir de agora, estou na sua cola! Observando cada passo que você dá! – disse a garota do sorriso angelical. Eu jurava que tinha sido um sonho, dude! Ela não pode ser real. - Bom, real eu não sou mesmo... Quero dizer, de carne e osso... Ah, você entendeu! – disse a garota um pouco confusa. Tinha me esquecido que ela podia ler meus pensamentos.
- Certo, mas... como você foi parar aí? – perguntei interessado, já que ela estava sentada em uma janela relativamente alta.
- Eu posso estar em qualquer lugar, ! Qualquer lugar! – disse sorrindo e de repente, sumiu. Isso está ficando assustador! – Olá! – ouvi a sua voz bem próxima ao meu ouvido e, quando me virei, dei de cara com ela! God, como ela faz isso?
- Não faça isso de novo! – disse ainda meio assustado.
- Não se preocupe! E ah! Belo traseiro! – disse a anja naturalmente me fazendo virar um pimentão. Ela sabe como deixar um cara encabulado. – Mas, antes que eu me retire, já que em alguns minutos sua mãe vai voltar, quero te dizer duas coisas. A primeira: seus amigos estão chegando. E estão muito felizes de você estar bem. Receba-os como se fosse a última vez que você os verá. Não que isso seja verdade, mas carinho por aqueles que amamos é sempre bom. E não olhe o com pena. A última coisa que ele precisa é da pena do seu melhor amigo. Ele está animadíssimo com a sua recuperação. E por último, mais tarde você irá receber uma visita. Não vou te falar quem, na hora você saberá. Bom, o negócio é NÃO acredite em hipótese nenhuma no que essa pessoa vai falar. Tudo, exatamente TUDO que ela disser, não será sincero. Não se esqueça disso! – finalizou suas recomendações, me deixando com uma cara de interrogação.
- Ok. Mas... você vai embora? – disse apreensivo. E isso garantiu algumas risadas a .
- Vou estar ao seu lado o tempo todo. Só que se eu falar com você, você automaticamente irá me responder. E não queremos que seus amigos achem que além de cabeça-oca, você é louco, não é mesmo? – disse com AQUELE sorriso. Deus, por que não me mandou um anjo gordo e nojento? Espera, ela me chamou de cabeça-oca? - Tenho que ir... sua mãe está na porta. – Disse isso e sumiu... como se tivesse descido pelo ralo do chuveiro. E logo em seguida, minha mãe entrou no banheiro novamente.
- Terminou querido? – ela acabou de sair do banheiro, dude! Não sou The Flash!
- Não, mãe! Me dá mais 5 minutos! – gritei dentro do Box. Depois do banho, coloquei um pijama que minha mãe havia separado para mim e voltei a deitar na cama. Menos de cinco minutos depois, ouvi vozes altas e gargalhadas. Dude, como eu senti falta disso!
- Olha quem resolveu acordar! Bom dia, bela adormecida! – disse assim que entrou no quarto e me viu. Logo abri um sorriso enorme. Ele estava mais magro. Seu cabelo estava curto. Nada parecido com o gostosão. Mas o humor era o mesmo.
- Hey, dude! Que saudades! – disse assim que meu amigo me abraçou. Ele ergueu as sobrancelhas com uma cara duvidosa.
- Dormiu demais e ficou gay, ? – disse em tom divertido. Nem me dei ao trabalho de responder, pois já estava ao meu lado me abraçando. Ele estava quase careca. E tinha uma cicatriz enorme na testa próxima a sobrancelha.
- Também sentimos saudades, dude! – disse com um sorriso enorme. É o que eu sempre digo. Se eu fosse fã de McFly, meu favorito seria o . Ele é o ídolo perfeito! E o amigo perfeito! Por falar em amigo perfeito, logo que eu e terminamos de nos cumprimentar, olhei para a porta e vi o meu amigo perfeito. Meu melhor amigo. Ele estava sentado na cadeira de rodas de cabeça baixa. Parecia encabulado. Lembrei do que me disse. Eu não vou decepcioná-la. Foi aí, que eu pensei. Aquele cara que está sentando naquela cadeira de rodas, ainda é meu melhor amigo! É o de sempre!
- Hey, dude! Arranjou uma forma de ganhar da gente na corrida para o banheiro depois do show, é? Isso é injusto! Quero uma dessas também! – disse em tom divertido e o que eu vi a seguir, me deu uma sensação de alegria imensa. Se eu não tivesse tanta certeza sobre minha sexualidade, naquele momento, teria me apaixonado pelo meu melhor amigo! Ele deu um sorriso enorme e se aproximou da cama. Eu levantei e o abracei. O abracei tão forte que pensei ter quebrado algum osso do coitado. O abracei como se fosse a última coisa que faria, assim como minha anja tinha me dito mais cedo. Ele estava ali. Eu tinha meu melhor amigo de volta.
- Eu te empresto de vez em quando, se quiser. – disse também divertido. – Como você está? – perguntou ainda sorrindo.
- Bem, eu acho. Com uma sensação esquisita de ter dormido uns 3 meses! – disse arrancando risada de todos. – Mas acho que vou ficar legal. É só uma questão de tempo para que eu me recupere e possamos voltar à rotina! – disse feliz. Meus amigos também se animaram. Voltar para os palcos era o maior desejo de todos ali, tenho certeza. – E o Fletch? Soube que ele quebrou as duas pernas?
- Verdade! Ele está pior que o ! – disse apontando para . – Pelo menos ele tem esse carrinho para ir para todo lugar! Fletch está de cama com as duas pernas penduradas no teto! – disse rindo. – Vai ficar assim mais 3 meses!
- Coitado! Deve estar super impaciente! Ele não parava quieto! – disse imaginando a situação do meu empresário. - E os fãs? Como reagiram ao acidente?
- Nós recebemos cartas quilométricas todos os dias. Mensagens de apoio e tudo mais. Eles querem que a gente melhore logo para voltar a ação! – disse animado. - Eu não vejo a hora também! Não aguento mais ficar em casa assistindo TV! – finalizou com uma careta.
- E eu não aguento mais dormir! – disse fazendo todos darem risada.
- Já sabe quando vai sair daqui? – perguntou .
- O médico disse que dentro de alguns dias, se tudo der certo, recebo alta. – disse não escondendo minha felicidade em voltar para casa. - Mas acho que podemos ir adiantando um pouco do trabalho enquanto estou aqui! – eu realmente estava ansioso para voltar à rotina.
- Tenho certeza que sim! – disse igualmente animado. – Dude, preciso de um café. Minha cabeça vai explodir se não tomar um café agora. – disse meu amigo viciado em cafeína.
- Isso porque o médico o mandou cortar a cafeína! – disse – Vamos, ... Eu vou com você até a lanchonete! Já voltamos, garotas! – disse divertido. E logo os dois saíram deixando apenas eu e no quarto. Minha mãe saíra logo após os garotos chegarem.
- Como está se sentindo? – perguntei ao meu amigo. Precisa ter certeza de que ele realmente estava bem.
- Estou bem. No começo fiquei bem puto. Não achei justo, sabe. Não é fácil ser um cara da minha idade com uma longa vida pela frente condenado a uma cadeira de rodas. Mas depois de um tempo, percebi que isso não se passa de uma barreira. Tipo, um desafio que eu tenho que cumprir. Os médicos estão esperançosos e acreditam que em pouco tempo, já poderei estar andando de novo. Eu estou frequentando as aulas de fisioterapia todos os dias. A médica é bem gostosa! – finalizou fazendo uma cara de safado. Esse é o que eu conheço. – É extremamente excitante vê-la exercitando minhas pernas! Cara, eu fico deitado, e ela se debruça sobre mim! Tipo, dá uma bela visão dos peitões dela! Eu amo a fisioterapia!
- Seu tarado! Você vai para fisioterapia ficar olhando os peitos da médica? – disse rindo.
- Ah dude. Eu estou aleijado mas não estou morto! – disse divertido, mas me deu uma sensação ruim quando ele pronunciou a palavra aleijado. – Minhas pernas não funcionam, mas outras partes te garanto que estão melhores do que nunca! E além do mais, quem resiste aos meus olhos! – filho da puta convencido! Eu amo o , cara!
- Ah, se eu tivesse um corpo. – disse uma voz ao meu lado. Quando olhei na direção da voz, vi a sentada ao meu lado na cama olhando, quer dizer, babando no ! Alô! Eu sou o protegido aqui! – Dava tudo para ser essa fisioterapeuta! – disse baixinho e logo ouvimos um trovão.
- Nossa, acho que vai chover! – disse indo em direção à janela.
- Esqueceu que você é uma entidade divina? Não fique tendo pensamentos pervertidos com o meu melhor amigo. – disse baixo para que não escutasse.
- Disse alguma coisa, ? – questionou depois de constatar que o raio não indicava chuva nenhuma. Que anjo eu fui arrumar, hein?
- Não... só estava pensando alto. Não vejo a hora de sair desse lugar. – disse suspirando.
- Vai ser mais rápido do que você pensa. Logo, logo voltaremos a fazer barulho no estúdio da casa do ! – disse meu amigo confiante. – Dude, posso usar o banheiro? – perguntou com uma careta.
- Claro! Precisa de ajuda? – questionei meio incerto.
- Não vai ser dessa vez que você terá a oportunidade de ver o Júnior, ! Eu sei me virar sozinho! Depois de 3 meses nessa situação, damos jeito para tudo. Não poderia ficar pedindo ajuda para qualquer um toda hora que eu precisasse ir ao banheiro, não é mesmo? – disse indo em direção ao banheiro.
- Eu posso ajudá-lo, se ele quiser! – disse indo em direção à porta do banheiro.
- Hey, você ouviu! Nada de ajuda! Volta aqui, ! – disse vendo a garota atravessar metade do corpo pela porta de madeira. Isso foi um pouco assustador.
- Uaau, , você deveria ver isso! Seu amigo realmente tem sorte! Nossa! É bem maior que o seu! E que bundinha... – ia dizendo com ainda metade do corpo atravessado na porta.
- Você tinha dito que não estava reparando nas minhas partes aquela hora! Além do mais, você me pegou desprevenido! - disse nervoso. Fala sério! Ela está me comparando ao ! Eu sempre peguei mais mulheres que ele! – Sai daí agora, anjo pervertido!
- Você fica uma graça nervoso, sabia? – disse fazendo uma cara fofa. Onde é que eles fazem a seleção pra anjos, meu Deus? - Mas, antes que o volte, preciso te contar o que eu acabei de ver lá em cima! – disse empolgada dando pulinhos.
- O quê?
- O... Paul McCartney! O Paul McCartney!!! – disse super feliz. Mas, espera...o Paul McCartney lá em “cima”?
- Como? Ele não morreu! – disse questionando-a.
- Aí que você pensa! Ele morreu sim! Foi o primeiro Beatle a morrer! – disse a garota convencida. Não é possível...
- , acho que você se enganou! O Paul não morreu! Ele está vivo até hoje! – disse convicto.
- Não! Ele morreu em 1969. Quem está no lugar dele é um sósia! O único Beatle vivo é o Ringo! – disse a garota.
- Você acredita nesse boato? Isso tudo é mentira, . O cara não morreu! – Qual é? Sou britânico e fã dos Beatles! Saberia se um integrante tivesse morrido de verdade!
- Quer mais provas do que o do cd Abbey Road? E da música “A Day in The Life”? Estou te falando ! O cara morreu! Encontrei com ele lá em cima! Eu disse: “God! Paul McCartney!” E ele falou: “Oh, mais uma Beatle maníaca!” Idiota. Nunca gostei dele! Meu preferido sempre foi o Ringo! – devo confessar que os argumentos e a cara que ela fazia para tentar me convencer estavam engraçados! E fofos!
- Voltei! – disse saindo do banheiro. – Perdi alguma coisa? – Você nem sabe o quanto, dude!
- , você acha que Paul McCartney realmente morreu em 1969? – só falta ele acreditar nessa besteira também.
- Não é besteira, ok? Eu realmente o vi! E ele falou comigo! E minha cara não é fofa! – disse a garota revoltada. Tinha me esquecido que ela pode ler pensamentos.
- Sei lá, dude. Essa é uma história muito bizarra! Ainda não sei no que exatamente acreditar. Mas não me importo muito. Meu Beatle preferido sempre foi o Ringo mesmo. – disse dando de ombros. – Mas por que você está me perguntando isso?
- God, por que não sou anjo do mesmo? – disse olhando para o teto.
- Nada não. Esquece. – e fechei a cara. Essa anja que me arrumaram é muita abusadinha. E não estou falando no bom sentido!
- Chegamos, queridas! – disse ao adentrar o quarto com um pacote de chips na mão.
- Sentiram nossa falta? – perguntou .
- , o que você acha sobre a morte de Paul McCartney? – disparou . Pensei que ele iria esquecer essa história!
- O Paul NÃO morreu, ! Não acredite no que as pessoas dizem! Elas têm inveja do sucesso do cara! Ninguém entende que o Paul não morreu! – disse um pouco exaltado. E ninguém melhor para falar dos Beatles do que o .
- Isso porque ele não o viu no andar de cima! Ingleses idiotas! Vocês são cegos! Estou dizendo, o cara morreu! Pereceu! Passou dessa para uma melhor! – disse ainda revoltada. Sério, se os dois estivessem um de frente para o outro agora, tenho certeza que iria rolar um fight épico.
- Calma, dude! Só fiz uma pergunta! – disse se defendendo.
- Erm... vamos mudar de assunto? – questionou . E depois disso começamos um papo animado sobre algo inútil. E a , sumiu. Acho que ela ficou bem puta por eu não ter acreditado na história do Paul. Espero que ela me desculpe mais tarde. Afinal, ela é meu anjo, né? Tem que me perdoar. Bom, estávamos conversando animadamente, quando bateram na porta. Pensei que era minha mãe e mandei entrar. Enganei-me completamente...
- ? – disse com somente a cabeça dentro do quarto. – Posso entrar? - disse com aquele sorriso que me deixa meio tonto.
- Claro!- disse com um sorriso. Já até tinha me esquecido que ela nunca veio me visitar enquanto estava em coma.
- Bom, acho melhor irmos, não é? – disse sem graça. Que estranho. Ele gostava da !
- É... voltamos amanhã, ok ? – disse igualmente. O que estava acontecendo com eles? É só a !
- Se cuida, dude! – disse acenando a caminho da porta. Eles saíram e NENHUM deles nem sequer olharam para a minha namorada. O que deu nesses caras?
- E aí... como você está? – disse se aproximando meio hesitante da cama.
- Bem melhor. – disse baixo. – , por que você não veio me visitar enquanto estava em coma? – eu tinha que perguntar, certo?
- Ah, . Você sabe como eu tenho pavor de hospitais! E eu tinha certeza que você iria se recuperar! Achei melhor vir quando isso acontecesse! E por isso, estou aqui! – finalizou sorridente. Uma voz conhecida veio na minha cabeça me dizendo que não deveria acreditar no que ela estava falando. Será que era dela que a estava falando mais cedo? Não é possível! A não mentiria pra mim! Ou mentiria? - Você me perdoa, né? – disse passando os lábios bem perto do meu ouvido. Droga, a não pode estar falando dela! E então, ela apareceu. E eu consegui ler em seus lábios. "Eu te avisei, ". O que está acontecendo aqui, meu deus?
Capítulo 5
Depois de conversarmos um pouco, quer dizer, da falar muito, ela disse que precisava ir embora e assim como chegou, desapareceu. Por algum tempo ainda fiquei pensando na atitude dos meus amigos e no que me dissera. O que será que estava acontecendo? nunca me deu motivos para desconfiar. Aí tem! Cadê meu anjo quando eu preciso dele, hein? Será que se eu chamá-la, ela vem? Bom, podemos tentar.
- ! ... ! Hey, anjo pervertido, preciso falar com você! Droga apare... – eu já gritava em alto e bom som, quando a porta do quarto se abriu.
- Precisa de alguma coisa, senhor Poynter? – Pode trazer meu anjo de volta, por favor? Acho que andei gritando demais.
- Não... Erm... Quer dizer, sabe onde está minha mãe? – perguntei a primeira coisa que veio na cabeça. Ela deve achar que estou louco.
- Ela disse que iria tomar um café e logo mais voltaria. – Sorriu simpaticamente a mulher.
- Ok, obrigado. – agradeci, vi a mesma assentindo e fechando a porta do quarto. Ah, mas quando aquele anjo aparecer eu...
- Você o quê, bobão? Hein? - apareceu meu anjo de repente me olhando ameaçadoramente. – Não estou à sua disposição, meu querido! Bom, na verdade eu estou, mas... você não sabe o que eu acabei de descobrir! – disse extremamente animada. Bipolar...
- O quê? – fiquei curioso, oras!
- Pensa em uma pessoa! – disse animada.
- Ahm?
- Vai! Pensa em alguém! Sei lá! Uma pessoa que você gostaria de conhecer, ou uma que você goste! Vamos! Use a imaginação! E ah, feche os olhos! – disse ainda muito animada. Esse anjos... Bom, fechei os olhos e imaginei a Angelina Jolie. Cara, eu sou homem! E quando abri os olhos não acreditei! A própria estava na minha frente! A Angelina Jolie! Dude, que vontade de chegar mais perto e... Espera, como isso aconteceu? - Viu? Não é demais? Posso ser o Brad Pitt também! Ou você! – disse meu anjo se transformando no cara mais gato do mundo e depois em... Mim? Ok, isso foi estranho.
- Uaau, , parabéns por sua nova aquisição! – disse ironicamente.
- Obrigada! Adorei isso! – disse ainda divertida. – Mas, o que você tanto queria comigo? – questionou voltando a sua forma original. Ufa.
- Eu... Bom... , por que você me mandou não acreditar no que iria me dizer? E por que meus amigos agiram daquela forma? – disparei tudo de uma vez.
- Bom , isso eu não poderei te responder. Você terá que descobrir sozinho. A única coisa que lhe digo é, fique esperto. Nem tudo que pensamos que conhecemos, realmente conhecemos. Pense nisso. Agora preciso ir. Noite de conferência! – disse com uma cara entediada.
- Noite de conferência? – que diabos era aquilo?
- É... Hoje juntamos todos os anjos e nosso superior analisa se estamos fazendo um bom trabalho. Soube que o Michael vai estar lá hoje! Mal posso esperar para conhecê-lo! – disse dando pulinhos animados.
- Michael? – quem?
- É! O Jackson! Sabe... Beat it, Beat it, Beat it... – Cara, meu anjo é demais!
- Diga que mandei lembranças! – disse ainda rindo de sua dancinha à la Michael.
- Pode deixar! Durma comigooo! – disse cantarolando.
- Bem que eu queria... – disse baixinho.
- Entidade divina! Não se esqueça! – disse piscando para mim e sumindo da minha vista.
Depois que meu anjo se foi, fiquei pensando o que fez para que meus amigos e até meu anjo não quisessem saber dela. Está certo que ela me ignorou no período em que fiquei em coma e tal, mas... Alguma coisa me diz que aí tem. E algo me diz também que não será fácil descobrir.
Permaneci no hospital por mais uma semana. Tive que refazer exames e ficar deitado a maior parte do tempo. Meus amigos sempre me visitavam, minha mãe não saia de perto de mim e ... Bom, não voltou mais. Ligou-me uma vez pra dizer que estava de malas prontas para ir pra França. Disse que teria que resolver algo do trabalho por lá. Não questionei do que se tratava. No fundo, não me interessava. Quando cheguei em casa, senti que tudo ficaria bem. E que eu definitivamente queria que dessa vez tudo desse certo! Minha mãe ficaria comigo durante mais alguns dias. Eu não questionava, afinal, quem não gosta de roupas limpas e comida feita pela sua mãe todos os dias? Ao chegar no meu quarto, sentei em minha cama e comecei a pensar em tudo o que passei nos últimos meses...
- Uaau...Quarto legal, hein? – e ela apareceu! Tava demorando! – Sabe, algumas garotas dariam a vida para conhecer esse lugar e posso ser sincera? Não parece um quarto de um rock star famoso! Parece mais o de um... Adolescente de 15 anos! – disse olhando meu quarto e sentada na minha mesa.
- Fico grato pela parte que me toca! – disse ironicamente olhando o anjo. – Mas e aí... Me conta como estão as coisas lá em cima...
- Ahhh, ! Preciso te contar um BABADO! Mas você tem que prometer que não vai contar pra ninguém! É um segredo sagrado, entende? – disse se aproximando de mim e sentando-se ao meu lado.
- Uhm... Prometo. Manda ver. – disse a olhando.
- Certo... Sabe o Paul?
- Paul? Uhm... Que Paul? – quem era Paul? Conheço tantos!
- O Paul McCartney! Ex-Beatles! – disse como se fosse óbvio. E lá vem ela de novo com essa história de Paul McCartney morreu e blá, blá, blá! Ah, se ela fosse anjo do ...
- O que têm o Paul agora, ? – disse entediado.
- Ele vai voltar! – disse animada. Espera. Como assim, voltar?
- Voltar? Mas ele foi pra algum lugar? – disse confuso.
- Já te expliquei que ele morreu! Não vou entrar nesse assunto de novo! Você tem que acreditar em mim! Sou seu anjo, poxa! – disse começando a ficar irritada. E sabe o que eu notei nesse tempo convivendo com ela? Quando fica nervosa ou com muita raiva, suas asas se mechem freneticamente e sua auréola brilha em um tom avermelhado. Legal, né?
- Ok, ... Fale logo, como o Paul vai voltar? – perguntei tentando evitar confusão.
- Ele vai reencarnar! E sabe quem será a mãe? A... – ela ia me contar, mas de repente ficou muda! Tipo, do nada! Ela gritava, movimentava a boca, mas nenhum som era emitido. Mas que porr...
- Olá ! Boa tarde ! – agora eu fiquei sem palavras. Tipo, sabe quem estava na minha frente com roupas brancas e uma asa imeeeeeeeeeensa que eu sinceramente morri de inveja? Ninguém mais, ninguém menos do que...
- Sou Freddie Mercury. Anjo supervisor. Fico lá de cima olhando o trabalho dos anjos aprendizes. Normalmente não tenho muito trabalho com meus anjos, a não ser com essa aí... – disse olhando para que estava de cabeça baixa. – Ela tem um sério problema em falar o que não deve! E se eu não tivesse chego a tempo, ela contaria um segredo hiper sagrado. – disse o Freddie calmamente. Cara, eu jurava que rock stars e ainda mais gays iam para o inferno. Acho que eu tenho salvação! Não que eu seja gay, digo... Estou começando a me enrolar. Eu olhei pro lado e movimentava e gesticulava rapidamente, mas nada se ouvia.
- Acho que ela tem direito à defesa... – disse meio incerto.
- Vou permitir você falar... MAS, não fale o que não deva, ou você ficará sem sua preciosa língua por UM mês! – disse o Freddie nervoso. E então, ele movimentou o braço direito e logo já se ouvia os gritos de pelo quarto.
- Isso não é justo! Por que de todos os anjos, você fica justo no meu pé? E eu não te dou trabalho! Que saco, Freddie! – disse a garota revoltada.
- , aprenda uma coisa. Essa sua fase de transição é passageira. Dependendo do que acontecer aqui você terá ou não uma chance. Agora por favor! Já estou careca de resolver seus problemas! Se comporte, ok? E qualquer coisa, me chame! – disse alisando os cabelos de . Daria tudo para estar no seu lugar. – Boa sorte ! – disse antes de sumir.
- Por que você nunca me disse que seu supervisor era o Freddie Mercury? – perguntei assim que a fumacinha do anjo sumiu por completo.
- Não queria que você desse um ataque de bicha. Sabia que você é fã dele. Ele é legal, sabe, mas... Essa mania de sempre ficar no meu pé! – disse revoltada.
- piraria se te tivesse como anjo e... - eu estava falando com meu anjo, quando minha porta foi aberta e um ser correndo com uma cadeira de rodas entra todo sorridente.
- Hey, Poynter! Falando sozinho? – disse agora na minha frente.
- Diga pra ele que eu adoro homens de xadrez! – disse com um sorriso malicioso. Freddie, poderia vir aqui um instante? Meu anjo está dando mole para o meu melhor amigo!
- Hey ... Só estava pensando alto. E ae, como você tá? – perguntei tentando afastar meus olhos de que agora rodeava a cadeira de o olhando de cima a baixo.
- Bem. E você de volta a sua casa! Que legal, né? Mas não vim aqui pra isso! Preciso te mostrar meu quarto novo! – disse meu amigo todo animado.
- Seu quarto novo? Você o reformou? - perguntei não entendendo nada.
- Tive que reformar tudo, né? Minha casa não era adaptada para um cadeirante. – Outch! Poderia ter dormido sem essa, !
- Certo... Vamos lá. – Me levantei e segui . Eu e ele morávamos em um Flat. Logo, ele morava no andar de cima ao meu. Fomos conversando sobre coisas aleatórias e percebi que tinha sumido. Esse anjo não para quieto! Quando abriu a porta de sua casa, meu queixo caiu. Todos os nossos amigos e meus familiares estavam lá. Na sala tinha uma faixa enorme escrita “Seja Bem Vindo De Volta”. Nem preciso dizer que caí no choro, né? Cara, eu amo todas essas pessoas. E amo ainda mais meus amigos! No fundo da sala, eu a vi. Lá estava, linda como sempre com um sorriso infantil. Olhando-me como se dissesse: “Eu não te falei? Eles são demais” Me lembre de abraçar você quando morrer, !
- Tudo isso é pra mim? – perguntei meio abobado.
- E pra quem mais seria, dude? Bem vindo de volta! – disse me abraçando.
- Obrigado, gente. De verdade! – disse abraçando cada um ali presente a agradecendo por estarem ali. Depois de um tempo, resolvi ir até o banheiro. Chegando lá, fiquei um tempo parado na frente do espelho, me olhando e pensando. Afinal, eu tive que passar por tudo isso para começar a dar valor a todas essas pessoas? Na minha vida? Como eu sou patético. Fiz tudo o que fiz e eles continuam me amando e me apoiando... Eu sou um idiota, fato.
- Você não vai chorar, né? Vai ficar meio gay, sabe... – tava demorando.
- Você sabia, né? Sabia que eles tinham preparado essa festa pra mim? – perguntei vendo meu anjo sentado na pia em que estava encostado.
- Claro que sabia. Nos momentos que não estou de olho em você, estou na cola do seu amigo! – disse com um sorriso malicioso.
- , para com essa obsessão pelo ! Não se esqueça que você está mo... – ia falar, mas algo dentro de mim impediu que eu continuasse...
- Morta? – perguntou-me com as sobrancelhas levantadas.
- Eu não quis dizer isso... – disse com a cabeça baixa.
- Erm... , tá a fim de dar uma volta? – questionou-me , que pela primeira vez estava um pouco, uhm... sem graça?
- Uma volta?
- É... Fecha os olhos. – pediu-me. Devo confessar que fiquei meio apreensivo.
- Uhm... Ok. – e fechei. Senti como se uma rajada de vento passasse por mim, e quando voltei a abrir os olhos, tomei um baita susto. Não estava mais no banheiro da casa do . Eu estava em um quarto. Mas não era o quarto do e muito menos o meu. Era um quarto feminino e muito bonito por sinal. E nele havia uma garota de costas pra mim. Ela colocava algumas roupas em uma mala. Parecia nervosa, irritada, não sei...
- Tá com pressa, né? – disse ao meu lado.
- É... Nossa... Ela é linda. – disse sem pensar muito.
- Obrigado. E olha que nessa época eu ainda estava bem gordinha. – disse com um meio sorriso. Espera! A garota na minha frente era...
- Aquela ali é você? – perguntei um pouco alto.
- É... É meio estranho me olhar por esse ângulo... – disse fazendo uma careta. E aí, uma porta se abriu. Quer dizer, se escancarou! E um homem muito bravo entrou por ela.
- Para de fazer essa mala, ! Eu já disse que você NÃO vai a essa viagem! – gritou o homem e na mesma hora a garota virou assustada.
- Já disse que vou, querendo o senhor ou não! Já sou maior de idade e não preciso de sua autorização! – esbravejou a garota de um jeito que até eu fiquei intimidado. Olhei pra ao meu lado e ela olhava a briga com uma atenção impressionante.
- Não faça isso! Se você sair por aquela porta, não volte nunca mais, está me entendendo? – gritou mais uma vez o homem.
- Não voltarei então. Adeus, pai! – disse a garota com os olhos lacrimejando e saindo pela porta, batendo forte a mesma. E logo depois vi o homem, cair no chão e chorar feito um bebê. God, o que era aquilo? Olhei , novamente pude ver o brilho das lágrimas nos seus olhos. Ela olhava o homem no chão como se fosse a coisa mais importante a se fazer na vida. Aquilo definitivamente estava me assustando.
- Já vi essa cena milhares de vezes e toda vez choro... Patético, não? – disse ainda olhando o homem.
- O que aconteceu aqui? – perguntei me virando pra ela.
- Essa foi a última vez que vi meu pai... Depois disso, eu... – ela ia começar a me contar a história, quando de repente senti mais uma vez aquele vento batendo contra mim, e quando percebi já estava de volta ao banheiro de com alguém esmurrando a porta.
- ? Tá tudo bem ai? – ouvi a voz de do outro lado. Olhei em volta pra ver se encontrava , mas nenhum sinal dela. Fui até a porta e a abri.
- Fala, dude. – disse com uma voz fraca.
- Hey. Pensei que tivesse morrido aí. Ligaram da portaria. Disseram que você tem uma surpresa na sua casa. – disse estranhando. Uma surpresa?
- Que estranho... – disse pensando alto.
- É... Vai até lá ver o que é... – disse meu amigo me dando tapas no ombro e voltando para sala. Olhei mais uma vez o banheiro e não encontrei nada. Resolvi ver o que era a tal surpresa. Me despedi dos meus amigos e fui em direção ao elevador. Quando estava chegando ao meu andar, apareceu ofegante...
- Não se esqueça! Por favor não se esqueça do que eu te disse! – disse rapidamente com um tom desesperado.
- Do que você está fal... – mas não deu tempo de terminar. Ela já havia sumido e o elevador chegado ao meu andar. Fui andando até meu apartamento e abri a porta. Entrei e como havia deixado antes de sair, tudo estava escuro. Fui até meu quarto e quase cai pra trás quando vi aquela cena. estava deitada em minha cama, como uma lingerie extremamente sexy e me olhava com um olhar pervertido. Não disse nada, apenas me chamou com o dedo indicador. Agora sei do que estava falando. OH SHIT!
N/A: Hey! Depois de meses sem atualizar, mais um capítulo do meu xodozinho! =D
Espero que ainda tenha leitoras interessadas nisso aqui!
Enfim, brigadão Ana, Mandy, Gaabs, Jéeh e Pah pelos coments! Vocês são lindas e absolutas, mas sem cross Fox, por favor! =P
Ah, vou avisar a Juh do erro do script, ok? Brigadão pelo toque, Gabbs!
Agora eu vou assistir o SWU e morrer de nostalgia pq não fui! =(
Vejo vcs na próxima n/a!
Beijos e queijos!
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Não posso reclamar da minha vida. Sempre tive tudo o que sonhei. Tenho uma família que me ama, amigos divertidos e fiéis, uma namorada legal e erm... gostosa pra burro! E ah, uma banda no auge da carreira, com vários discos lançados e singles nos topos das paradas do Reino Unido e de vários outros países do mundo. Sem dúvida alguma, não posso reclamar da minha vida. Não podia. Até que o inesperado aconteceu. E tudo aquilo que parecia perfeito, se tornou apenas um detalhe passageiro e que eu temia nunca mais ter de volta. Mas a vida dá voltas e, apesar de tudo, aprendi da forma mais estranha que devemos aproveitar ao máximo tudo o que o cara lá de cima nos deu. Afinal, não sabemos ao certo quando irá ser nosso último dia, não é mesmo?
Capítulo 1
- Ok, próximo! – ouvi uma voz gritar bem ao fundo e então, resolvi abrir os olhos para saber onde eu estava. Aquela claridade imensa quase me cegou no primeiro momento, mas consegui acostumar meus lindos olhos (minha mãe adora dizer isso!) à toda aquela luz. Mas, por um momento, preferi não tê-lo feito. Um lugar extremamente extenso, com uma fila enorme e várias pessoas vestidas de... camisolas? Mas que diabos está acontecendo aqui? Bem em frente à toda aquela gente estava um cara bem alto, cabelos loiros cheios de cachinhos, vestindo a mesma camisola branca que todos vestiam, com uma pasta em uma mão e uma caneta na outra. Tirando a parte da camisola, nada tão anormal. Até que eu reparei em um detalhe um tanto... diferente no cara. Ele tinha asas? Tipo, asas de anjo? Droga, sabia que não deveria ter bebido tanto! Agora fico imaginando anjos à minha volta e...
- Hey, não vai se levantar mesmo? Olha o tamanho da fila! A menos que você queira ir para o andar de baixo, sugiro que pegue a fila antes que eles decidam mandar todo mundo para o inferno, literalmente! – disse uma senhora, trajando a conhecida camisola, ao passar por mim, que fui perceber estar sentado no meio daquela confusão toda e adivinhem? Vestindo aquela bendita camisola! God, eu realmente preciso parar de beber! Agora, o que aquela velha quis dizer com o andar de baixo? Será que isso é uma conferência de pijamas e aqueles que perderem vão parar no andar de baixo? Mas o que será que tem no andar de baixo? Será que é alguma espécie de...
- Senhor, acho que deveria entrar na fila! – disse um homem baixinho, de olhos extremamente verdes me indicando a tal fila.
- Me desculpe. Não sei onde estou e como vim parar aqui. Pode por favor me ajudar? - perguntei olhando para o cara com a esperança de que ele me dissesse tudo o que me atormentava naquele momento. Acho que depois dos esclarecimentos, vou pedir para ele me mostrar o andar de baixo...
No princípio ele me olhou com pena. Depois me disse que tudo seria esclarecido pelo tal cara alto com asas e... espera! Ele também tinha asas! Hey, eu quero uma asa também! Tenho direitos, ok? E lá fui eu pra tal fila. Depois de um tempo perdido nos meus pensamentos, comecei a prestar atenção na conversa atrás de mim. Duas senhoras de mais ou menos 90 anos comentavam entre si sobre o dia de suas mortes. Fala sério! Como elas podem ter tanta certeza da forma como vão morrer? Pelo que entendi, uma teria um ataque cardíaco e a outra um derrame. Típico de velhos. Ok, eu sou o próximo!
- Próximo! – disse o cara das asas. Certo, o que eu pergunto primeiro? Onde estou? Como vim parar aqui? O que tem no andar de baixo? Ou, onde consigo asas iguais a dele?
- Senhor , estou certo? – Tá, isso realmente me assustou! O cara sabe meu nome! Será que ele é um serial killer?
- Isso. – disse simplesmente estranhando toda aquela situação. Então, ele começou a ler algo em sua pasta e o que eu mais temia ouvir em toda a minha vida, foi assoprado como se fossem palavras rotineiras pela boca do tal carinha.
- Certo, vamos aos detalhes. Data da morte: 24 de Agosto de 2010. Causa da morte: acidente de ônibus. Fizemos as contagens de seus pecados e, bom, te aceitaram no purgatório. Você ficará lá por alguns meses e então reavaliaremos sua situação e quem sabe, permitir sua entrada no paraíso. – Disparou o anjo. Agora sim, eu sei que ele é um anjo. Mas, espera... eu morri?
- Olha, isso deve ser um engano! Eu não posso ter morrido! Eu... – começava a tentar argumentar com aquele ser patético à minha frente, mas fui interrompido.
- Primeira reação: negação. Isso é perfeitamente normal, escute meu caro, qual é a última coisa que se lembra? – perguntou-me o anjo. Parei pra pensar e lembrei-me de , , , Fletch, Ant e eu saindo daquele hotel em Glasgow, indo em direção ao nosso ônibus que nos esperava do lado de fora. Falei para o cara. - Uhm... e depois de você ter entrado no ônibus? Do que mais se lembra? – questionou-me e voltei a pensar. Certo, entramos no ônibus, Fletch falava ao telefone, Ant e falavam das garotas que vieram nos visitar no camarim depois do show, estava entretido com seu celular (o Twitter e seus seguidores) e eu e jogávamos videogame. Nada de anormal, mas... espera. Lembro-me de ouvir o motorista do ônibus gritando. Parece que algo mais à frente estava vindo em nossa direção descontroladamente. Outro ônibus? E foi ai que eu vi uma grande luz na minha frente e de repente, tudo doía e ficava cada vez mais escuro. É... acho que eu realmente bati as botas!
- Viu? Não é tão difícil assim aceitar. PRÓXIMO! – o tal anjo me disse e depois gritou no meu ouvido. É, acho que aquelas velhas tinham razão. E foi aí que tudo mudou. Estava já seguindo meu caminho, quando outro carinha com asas veio correndo na direção do anterior, disse algo em seu ouvido apontando pra a minha pessoa. Estranhei, mas continuei meu caminho até que...
- Espera, senhor ! Deram-lhe mais uma chance! Acompanhe o Gabe. Ele te levará ao portal. – Agora que eu não entendi mais nada! Chance? Portal? Que porra é essa? Sorry, pode falar palavrão por aqui?
- Para onde está me levando? – perguntei para o tal de Gabe.
- Conseguiram te reanimar. Você vai voltar. – disse o anjo sorridente.
- Reanimar? E eu vou voltar para onde? – disse já entrando em um elevador parecido com o que Willy Wonka e Charlie entraram na Fantástica Fábrica de Chocolate.
- Para a Terra, oras! E para a sua família! Lembre-se, essa é sua última chance! Aproveite-a! Boa sorte! – dito isso, o anjo fechou a porta e tudo o que vi depois foi um grande borrão preto na minha frente.
Capítulo 2
- Será que ele já acordou?
- Ele está abrindo os olhos!! Olha!
- Olá querido! Bem vindo de volta!
Atualizando: eu estava tendo um sonho surreal, em que eu morria e ao acordar dou de cara com um teto branco, minha mãe e minhas tias à minha volta. O que está acontecendo mesmo?
- Querido, você deve estar se perguntando onde está e o que aconteceu contigo. – essa é a minha mãe! – Vou te explicar. Você e os meninos sofreram um grave acidente de ônibus voltando de Glasgow. Foi um acidente horrível. E desde então, você está aqui!
- E isso faz quanto tempo? – me vi perguntando com a voz falha.
- Hoje faz exatamente 3 meses. – Espera. 3 meses??? 3 MESES? Eu estou 3 meses dormindo? Certo, o que eu perdi?
- E os outros? – perguntei ainda com a voz falha.
- Bom, o motorista morreu, Fletch quebrou duas pernas, Ant deslocou o pescoço, o pessoal da equipe por estar no fundo do ônibus teve apenas ferimentos leves. Quanto aos outros, sofreu traumatismo craniano leve e já está se recuperando em casa, ficou em coma durante 1 mês, mas já está se recuperando também, quanto a ... – ouvi minha mãe hesitar e seus olhos se encherem de lágrimas.
- O que aconteceu com , mãe? Ele morreu? – disse já com a voz embargada.
- Não, querido, mas... Ele perdeu os movimentos das pernas. está paralítico, querido. – ouvi minha mãe dizer aquelas palavras e logo avistei as lágrimas escorrendo de seus olhos e minha vista começando a embaçar.
- Paralítico? ? Não pode ser! - dizia já sentindo as lágrimas escorrendo pelo meu rosto.
- É, meu filho... Mas, ele está bem! E esperançoso que irá voltar a andar! Vem te visitar todos os dias! Ele e os outros. Estavam preocupados com você. Principalmente depois da sua última parada cardíaca. Durante esses 3 meses que você ficou em coma, foi muito difícil para todos eles. Para todos nós. – senti a mão de minha mãe na minha e mais lágrimas.
- Boa tarde! Olha quem resolveu acordar! – ouvi uma voz vinda de um canto do quarto e logo depois a imagem de um homem loiro de olhos castanhos trajando jaleco branco com um estetoscópio em volta do pescoço tomou conta da minha visão. – Sou o Dr. Hoover e estou cuidando do seu caso, meu jovem. Como sua mãe já deve ter lhe explicado, você sofreu um grave acidente e a pancada que levou na cabeça te induziu ao coma. No total foram 3 meses exatos em que você ficou em coma. Nesses 3 meses, você teve 5 paradas cardiorrespiratórias. Essa última foi a mais difícil de te reanimar. Mas você tem amigos e familiares que rezaram muito por você e hoje você está acordado e pronto pra retomar sua vida! – encerrou sorridente o médico.
- Quando vou poder ir pra casa? – me vi perguntando ao médico.
- Calma, meu rapaz. Antes precisamos fazer uma bateria de exames e te observar durante uns dias. Aí sim, você poderá voltar para casa! – após ouvir essas palavras, vi o sorriso da minha mãe crescer e lembrei-me de uma coisa.
- Mãe, e a ? – é minha namorada há quase dois anos.
- Falamos pra ela o que aconteceu, mas você conhece sua namorada, né ? Disse que tinha pavor de hospital e que te visitaria quando estivesse em casa. – finalizou minha mãe torcendo o nariz. Ela nunca gostou de .
- Mas, nesses 3 meses ela não veio nenhuma vez? – é impressão minha ou alguém está ficando puto?
- Ah, querido! Ela tem o trabalho dela! Devia estar ocupada! – tentou amenizar minha mãe.
- Uaaau. Quase morri, tive 5 paradas cardíacas, 3 meses em coma e ela nem se deu ao trabalho de ver se eu estava vivo ou morto. Grande escolha eu fiz! – sentiu minha ironia?
- Você resolve isso depois, . Agora nós vamos fazer uma série de exames e depois você vai voltar a descansar. Sei que deve estar pensando, “mas eu dormi por 3 meses”, mas você realmente precisa descansar. E sua mãe também! – apontou pra minha velha.
- Não eu fico aqui e te esper...
- Não, mãe. Vai pra casa descansar. Amanhã você volta. – disse docemente.
- Isso, faça o que seu filho disse! Ele tem toda razão. – me apoiou o médico.
- Ok! Vou com suas tias para casa. Mas amanhã bem cedinho, eu volto! – disse minha mãe, logo depois depositando um beijo na minha testa.
- Vamos lá, ? Há muito a ser feito! – esses dentes desse cara estão começando a me irritar.
Depois de todos os exames feitos, voltei para o meu quarto e fiquei pensando em tudo o que aconteceu. Em como deve estar se sentindo nesse momento. Até que fui vencido pelo cansaço e acabei desmaiando. Algumas horas depois, acordei com o som de algo caindo dentro do banheiro. Estranho, será que minha mãe já voltou? Impossível, olhei no relógio de cabeceira, 3 horas da manhã. Será que deve ser alguma enfermeira? Acho melhor ver. Fui a passos lentos até a porta do banheiro. Sem barulho algum, abri a porta e me deparei com uma das cenas mais estranhas da minha vida. Uma garota estava caída dentro do boxe. Parecia que tinha tomado um belo tombo. Ela vestia uma saia branca, um corpete também branco com alguns detalhes brilhantes, uma bota (adivinhem?) branca até os joelhos e... ASAS? Ah, não! Esse lance das asas de novo? Espera, tem um circulo iluminado em cima da cabeça dela. Como é o nome disso mesmo? Ah, é auréola! Isso! Seria um tanto sexy, se não fosse tão... Angelical.
- Droga! Vocês insistem em deixar a janela do quarto fechada! Tive que entrar pelo banheiro! Céus, olha meu estado! Maldiçã... – ela ia terminar a palavra, mas ao ouvir um trovão do lado de fora, se calou na hora. Não sabia que estava chovendo. – Ok, foi mal aí em cima! Mas olha o meu estado! Eu estou deplorável! – certo, ela era louca. Estava falando com o teto do banheiro! Quando percebi, ela já havia se levantado e andava até mim com uma cara de dúvida.
- Quem é você? – me perguntou.
- Eu que deveria te perguntar! Você está no meu banheiro!
- Primeiro, querido, essa banheiro não é seu! É do hospital, segundo... – ela ia dizendo e ao mesmo tempo caminhando em direção ao quarto, até que avistou algo na minha ficha e virou com um sorriso enorme na minha direção. Seu eu não estivesse tão confuso, teria sorrido junto com ela. – ?
- Isso. Esse é o meu nome! Quem é você? – há, minha vez de perguntar!
- Olá, ! Por isso que você me vê! – disse animadamente. E dude, a alegria dela contagia! – Sou , mas me chame de ! Meu pai me chamava assim. – disse um pouco mais baixo com um pouco de tristeza no olhar. - Sou seu anjo da guarda! – disse voltando sua animação rapidamente com um sorriso colgate. Espera, anjo da guarda?
Capítulo 3
- Anjo da guarda? – me vi perguntando para a figura na minha frente.
- Isso! Seu anjo da guarda! Parece que você andou aprontando, mas te deram uma nova chance! E eu vim te vigiar! Se você fizer tudo certinho, em pouco tempo estará livre de mim! – observei novamente meu novo anjo da guarda e devo comentar... Tirei a sorte grande!
- Espera, deixa ver se eu entendi direito. Você é meu anjo da guarda e só eu posso te ver? – perguntei um tanto confuso. Aquela história tava me dando arrepios. E aquela garota também.
- Isso mesmo! Estou aqui para tomar conta de você. Antes de descer, me disseram que você era curioso. Acho que eles estavam certos! – finalizou a garota rindo e mexendo nas minhas coisas. – Não acha que está muito velho para usar boxers de carrinhos? – disse a garota segurando uma das minhas boxers preferidas.
- Se você é um anjo, não deveria usar camisola igual a todos os outros? – perguntei arrancando minha boxer de suas mãos.
- Deveria, sim. Mas sou um anjo moderno. – disse ainda sorrindo. Dude, que sorriso! – Tá legal, sou seu anjo e não posso esconder nada de você. – disse a garota com uma cara derrotada, se sentando na minha cama. É parece que ela já se sente em casa! – Acontece que tem uma garota... quer dizer, um outro anjo. O nome dela é Stancy. Ela é francesa. Já te disse o quanto odeio os franceses? Pois é, não deveria, já que agora sou uma entidade divina. Mas sim, odeio os franceses. E ela é toda gostosona e talz. Quando estavam selecionando nossos protegidos, adivinhe só? Justin Timberlake precisava de um anjo! Eu fiquei super animada, afinal, sempre fui apaixonada por aquele pedaço de mau caminho e... – ela ia falando tudo rapidamente, até ouvir mais um trovão. Deve estar caindo o mundo lá fora. – Ok, sem pedaço de mau caminho. Ele era um homem lindo! Assim está bom? – disse olhando mais uma vez para o teto. Esse sonho está bizarro! – Como ia dizendo, achei que seria o anjo do Justin, mas adivinha? Stancy é o anjo dele! Eu não acreditei! Que droga, eu queria ser o anjo dele! – disse a menina inconformada.
- É tão ruim assim ser meu anjo? – me vi perguntando. – E ainda não entendi o que isso tem a ver com as suas roupas!
- Não, ! Que isso! É uma honra para a minha pessoa ser seu anjo! Mas, era o Justin! Você me entende, né? Quanto à roupa, foi o único modo que consegui de ser melhor que ela. Ela pode ser tudo, mas no quesito vestimentas, eu me saio bem melhor, não acha? – disse dando uma voltinha. Será que anjos podem cometer pecados?
- Sem dúvida! – me vi dizendo, babando no corpo da garota e erm... já começando a ter pensamentos impuros com a “entidade divina”! E foi aí que ela parou de girar e começou a me fuzilar com os olhos. Droga, meu anjo é bipolar?
- Ok, querido, vamos acertar algumas coisas. – disse ainda com aquele olhar vindo em minha direção. – Por ser seu anjo, sei tudo o que você faz, até quando não estou por perto, e... leio os seus pensamentos. Tudo o que você pensa, eu penso também. Tudo o que você sente, eu sinto também. Seja dor, fome, frio, sono... Qualquer coisa. Então, cuidado com o que pensa. Posso ser um anjo diferente do que você está acostumado, mas ainda assim, sou um anjo. – finalizou meu anjo com cara de poucos amigos. Você é um idiota, ! – E não se xingue! É normal ter esse tipo de reação no primeiro momento! Logo você se acostuma! – e o sorriso voltou. Dessa vez, me permiti dar um sorriso tímido também.
- Bom, já que vamos conviver juntos durante algum tempo, posso te fazer algumas perguntas? – perguntei já um pouco mais à vontade.
- Se eu souber a resposta, terei prazer em responder!
- Certo, quando você disse que eu andei aprontando, o que quis dizer com isso? E todo mundo tem um anjo que possa ver? E eu não posso falar com você em público? E... – me vi disparando várias perguntas de uma vez, fazendo–a segurar uma gargalhada.
- Calma! São muitas perguntas! Vou te explicar tudo o que sei, ok? – concordei com a cabeça me sentando ao seu lado na cama. – Todo mundo tem um anjo. Seja a pessoa que for. Boa, ruim, criança, idoso... todos têm um anjo da guarda. Porém, os anjos ficam lá em cima acompanhando a vida de seus protegidos por uma espécie de TV. Cada um tem a sua e, por essa TV, podem controlar toda a vida de seu protegido. Livrar de acidentes, alertar sobre os perigos... Tudo. Porém, quando algum protegido está passando dos limites, o anjo deve descer para a Terra e tomar conta do seu protegido, permitindo que o mesmo o veja. Assim como está acontecendo com você agora.
- Passando dos limites? O que quer dizer com isso? – O que ela está dizendo? Eu sou um bom garoto! Pelo menos o Papai Noel nunca deixou de me dar presentes!
- Pensa um pouquinho. Há quanto tempo você não via sua mãe?
- Alguns meses? – perguntei vendo o olhar dela cair sugestivamente sobre mim. – Certo, 1 ano e pouco. – disse mais baixo. Uaau... fazia tempo que não via minha mãe!
- E o que você anda fazendo ultimamente que não te dá tempo pra visitar sua família?
- Ah, eu ando trabalhando muito. Sabe como é, né? – e lá estava eu coçando minha nuca. Para quem não sabe, isso é meu sinal de nervosismo. Eu estava ficando nervoso com o rumo que aquela conversa estava tomando.
- Não. Você não visita sua família por estar trabalhando muito. No Natal, por exemplo. Você preferiu ir a um Pub com uns desconhecidos, beber até vomitar, do que visitar sua família. Você sabia que sua mãe te esperou a noite toda? Ficou sentada à mesa na esperança de te ver entrar pela porta de casa? – Ela estava começando a pegar pesado. Já sentia meus olhos marejarem. E eu tenho quase certeza de que avisei minha mãe que não iria para o Natal. Eu acho...
- Eles ficaram insistindo e eu terminei indo. – me vi dizendo baixo.
- E suas fãs? Você sabe o que elas fariam por você, não é? Acha certo evitá-las e bufar toda vez que alguma chega perto de você? O seu sucesso só chegou onde está graças a elas. Elas que te deram tudo o que você tem hoje. Não deveria maltratá-las dessa forma.
- É que eu canso às vezes. – ela está quase conseguindo o que quer.
- Mas elas não cansam de te olhar. De te admirar. De enfrentar várias horas de fila só pra ficar 1 hora te vendo tocar. Deveria pensar sobre isso, . E o último e mais importante fator por eu estar aqui hoje. – já sei o que ela vai falar. – Desde quando você precisa de drogas pra ser feliz? Como eu disse, você tem tudo! Isso acaba com a vida de uma pessoa, !
- Os caras ficaram me enchendo. Disseram que ia me sentir melhor! Sua televisão te mostrou o quanto estou mal esses últimos meses também? O quanto eu tenho vontade de largar tudo e me jogar de uma ponte? Hein? Se você é meu anjo, deveria saber o quanto eu quis morrer nesses últimos dias! – comecei a me alterar e gritar com ela. Ah, qual é! Eu sou a vítima nessa história!
- Na verdade, sou seu anjo há pouco tempo. O último desistiu de você exatamente por isso. Cansou de te alertar e você não estar nem aí para nada. Sabe , existem muitas pessoas que não têm metade do que você tem. E não reclamam de nada. Tem gente que está em situações piores que você e é feliz. Quer um exemplo? . Pois é. Amanhã você verá a situação lamentável que se encontra seu melhor amigo. Jovem, rico, lindo, famoso e condenado à uma cadeira de rodas. E sabe o que é o mais impressionante em tudo isso? O sorriso que está estampado no seu rosto. A esperança que ele carrega nos olhos. Isso não fez com que ele perdesse a vontade de viver. A vontade de voltar a andar. E se quer saber, ele vai conseguir. Porque quem tem fé e acredita na vida, alcança seus objetivos. Foi assim quando você era menor. Acreditou no seu sonho e correu atrás para conseguir, e olha onde está hoje! Uma das celebridades mais famosas e bem pagas do mundo, com tão pouca idade. A vida não é só lamento, . , e também passam por momentos difíceis. Todos passam! Mas nenhum deles se entregou para as drogas. Superaram isso e estão cada vez mais fortes. Por isso estou aqui hoje. Vou cuidar de você. Vou fazer você ver que não precisa dessas porcarias para ser feliz, para se sentir bem. Um abraço de alguém que se ama é muito melhor do que a sensação de estar no poder das drogas. Vou vigiar cada um de seus passos e juntos vamos vencer toda essa fase e no final de tudo, você será aquele que todo mundo admira e ama e não esse babaca que faz o que qualquer um diz pra fazer. – finalizou com o mesmo sorriso lindo. E eu já estava me desmanchando em lágrimas. É, ela conseguiu o que queria. Estou arrependido.
- Promete que não vai desistir de mim assim como o outro anjo? Promete que não vai me abandonar? – disse entre soluços.
- Só vou te deixar se você quiser. Tenho certeza que vamos conseguir sair dessa. – disse com um sorriso mais lindo que todos os sorrisos que ela já deu (se isso era possível!) e então, ela se aproximou de mim e começou a fazer carinho na minha cabeça. Não era como se eu estivesse sentindo seus dedos, afinal, nem tocá-la eu podia. Ela era um fantasma. Não tinha como tocar. Mas naquele momento, eu senti ainda mais sua presença. Era como se ela me confirmasse que estaria lá sempre. Eu me sentia protegido. Há tempos não sentia essa sensação. Desde quando era moleque, caía e corria para a minha casa chorando e minha mãe me deitava no sofá e ficava comigo, me confortando até eu me acalmar. Proteção. Era isso que eu sentia. E foi assim que eu comecei a pegar no sono novamente, me esquecendo de toda a loucura que aconteceu na minha vida nas últimas horas. Antes de adormecer por completo, me vi perguntando uma coisa. – , como você morreu? – mas antes de obter a resposta, eu já dormia profundamente.
Capítulo 4
Acordei no dia seguinte com a voz da minha mãe. Ela conversava animadamente com a enfermeira do hospital sobre o último episódio de algum seriado inútil que só pessoas que não tem o que fazer (como a minha mãe!) se preza a assistir. E assim que me viu abrir os olhos, já veio correndo na minha direção.
- Querido, como se sente? – perguntou minha mãe com a voz carinhosa.
- Estou bem. – disse baixo com a voz um pouco rouca devido às horas de sono.
- Dá para perceber! Está com uma carinha ótima! – disse sorrindo. – Agora, vou te ajudar a tomar um bom banho! Seus amigos já devem estar a caminho! – disse ainda sorrindo. Espera, eu ouvi direito? Ela disse que vai me ajudar a tomar banho? Mães deveriam saber que é terminantemente proibido elas ajudarem os filhos a tomar banho depois dos 10 anos de idade.
- Não precisa mãe! Eu sei me virar sozinho! – disse fazendo careta, fazendo a enfermeira rir e minha mãe revirar os olhos. Odeio quando ela faz isso!
- , você acabou de sair de um coma de 3 meses logo depois de sofrer um acidente grave! Não vou deixá-lo sozinho no banheiro! – como se um caminhão fosse me atropelar no chuveiro! Fala sério! Mas, mãe é mãe, não é? Não tem como discutir com elas! E depois dessa pequena “discussão” lá estava eu, tirando minha roupa com a ajuda da minha mãe. Que cena digna de Oscar! Só espero que ela não saia contando este acontecimento para todo mundo.
- Querido, lave bem seu pintinho! Sabe como é, né? 3 meses sem tomar banho, pode ter criado algum tipo de fungo, ou algo parecido, é bom estar bem limp... – foi a gota d'água.
- Mãe! Eu faço isso sozinho, ok? A senhora pode esperar lá fora! – disse um pouco nervoso. Qual é? Estamos falando do Júnior! Com a minha mãe!
- Mas, querido... – ela ia argumentar, mas eu já estava decidido.
- Mãe, lá fora! Já estou saindo! – disse entre os dentes. E assim, ela se retirou, não sem antes gritar já com o corpo fora do banheiro, para eu não me esquecer de lavar o “bumbum”! Mães...
- Que cena linda! Diria épica, se eu tivesse uma câmera em mãos agora! – aquela voz... eu conhecia aquela voz. Eu tive um sonho noite passada em que uma anja vinha no meu quarto e... AHHH!
- Droga! Quer me matar de susto? – disse apavorado olhando a garota dos meus sonhos, no real sentido da palavra, que me observava encostada no parapeito da janela com um sorriso malicioso... Droga, eu estou pelado!
- Hahaha. Não esquenta! Não vou ficar reparando nos seus documentos! Aliás, aquilo ontem à noite, não foi um sonho... A partir de agora, estou na sua cola! Observando cada passo que você dá! – disse a garota do sorriso angelical. Eu jurava que tinha sido um sonho, dude! Ela não pode ser real. - Bom, real eu não sou mesmo... Quero dizer, de carne e osso... Ah, você entendeu! – disse a garota um pouco confusa. Tinha me esquecido que ela podia ler meus pensamentos.
- Certo, mas... como você foi parar aí? – perguntei interessado, já que ela estava sentada em uma janela relativamente alta.
- Eu posso estar em qualquer lugar, ! Qualquer lugar! – disse sorrindo e de repente, sumiu. Isso está ficando assustador! – Olá! – ouvi a sua voz bem próxima ao meu ouvido e, quando me virei, dei de cara com ela! God, como ela faz isso?
- Não faça isso de novo! – disse ainda meio assustado.
- Não se preocupe! E ah! Belo traseiro! – disse a anja naturalmente me fazendo virar um pimentão. Ela sabe como deixar um cara encabulado. – Mas, antes que eu me retire, já que em alguns minutos sua mãe vai voltar, quero te dizer duas coisas. A primeira: seus amigos estão chegando. E estão muito felizes de você estar bem. Receba-os como se fosse a última vez que você os verá. Não que isso seja verdade, mas carinho por aqueles que amamos é sempre bom. E não olhe o com pena. A última coisa que ele precisa é da pena do seu melhor amigo. Ele está animadíssimo com a sua recuperação. E por último, mais tarde você irá receber uma visita. Não vou te falar quem, na hora você saberá. Bom, o negócio é NÃO acredite em hipótese nenhuma no que essa pessoa vai falar. Tudo, exatamente TUDO que ela disser, não será sincero. Não se esqueça disso! – finalizou suas recomendações, me deixando com uma cara de interrogação.
- Ok. Mas... você vai embora? – disse apreensivo. E isso garantiu algumas risadas a .
- Vou estar ao seu lado o tempo todo. Só que se eu falar com você, você automaticamente irá me responder. E não queremos que seus amigos achem que além de cabeça-oca, você é louco, não é mesmo? – disse com AQUELE sorriso. Deus, por que não me mandou um anjo gordo e nojento? Espera, ela me chamou de cabeça-oca? - Tenho que ir... sua mãe está na porta. – Disse isso e sumiu... como se tivesse descido pelo ralo do chuveiro. E logo em seguida, minha mãe entrou no banheiro novamente.
- Terminou querido? – ela acabou de sair do banheiro, dude! Não sou The Flash!
- Não, mãe! Me dá mais 5 minutos! – gritei dentro do Box. Depois do banho, coloquei um pijama que minha mãe havia separado para mim e voltei a deitar na cama. Menos de cinco minutos depois, ouvi vozes altas e gargalhadas. Dude, como eu senti falta disso!
- Olha quem resolveu acordar! Bom dia, bela adormecida! – disse assim que entrou no quarto e me viu. Logo abri um sorriso enorme. Ele estava mais magro. Seu cabelo estava curto. Nada parecido com o gostosão. Mas o humor era o mesmo.
- Hey, dude! Que saudades! – disse assim que meu amigo me abraçou. Ele ergueu as sobrancelhas com uma cara duvidosa.
- Dormiu demais e ficou gay, ? – disse em tom divertido. Nem me dei ao trabalho de responder, pois já estava ao meu lado me abraçando. Ele estava quase careca. E tinha uma cicatriz enorme na testa próxima a sobrancelha.
- Também sentimos saudades, dude! – disse com um sorriso enorme. É o que eu sempre digo. Se eu fosse fã de McFly, meu favorito seria o . Ele é o ídolo perfeito! E o amigo perfeito! Por falar em amigo perfeito, logo que eu e terminamos de nos cumprimentar, olhei para a porta e vi o meu amigo perfeito. Meu melhor amigo. Ele estava sentado na cadeira de rodas de cabeça baixa. Parecia encabulado. Lembrei do que me disse. Eu não vou decepcioná-la. Foi aí, que eu pensei. Aquele cara que está sentando naquela cadeira de rodas, ainda é meu melhor amigo! É o de sempre!
- Hey, dude! Arranjou uma forma de ganhar da gente na corrida para o banheiro depois do show, é? Isso é injusto! Quero uma dessas também! – disse em tom divertido e o que eu vi a seguir, me deu uma sensação de alegria imensa. Se eu não tivesse tanta certeza sobre minha sexualidade, naquele momento, teria me apaixonado pelo meu melhor amigo! Ele deu um sorriso enorme e se aproximou da cama. Eu levantei e o abracei. O abracei tão forte que pensei ter quebrado algum osso do coitado. O abracei como se fosse a última coisa que faria, assim como minha anja tinha me dito mais cedo. Ele estava ali. Eu tinha meu melhor amigo de volta.
- Eu te empresto de vez em quando, se quiser. – disse também divertido. – Como você está? – perguntou ainda sorrindo.
- Bem, eu acho. Com uma sensação esquisita de ter dormido uns 3 meses! – disse arrancando risada de todos. – Mas acho que vou ficar legal. É só uma questão de tempo para que eu me recupere e possamos voltar à rotina! – disse feliz. Meus amigos também se animaram. Voltar para os palcos era o maior desejo de todos ali, tenho certeza. – E o Fletch? Soube que ele quebrou as duas pernas?
- Verdade! Ele está pior que o ! – disse apontando para . – Pelo menos ele tem esse carrinho para ir para todo lugar! Fletch está de cama com as duas pernas penduradas no teto! – disse rindo. – Vai ficar assim mais 3 meses!
- Coitado! Deve estar super impaciente! Ele não parava quieto! – disse imaginando a situação do meu empresário. - E os fãs? Como reagiram ao acidente?
- Nós recebemos cartas quilométricas todos os dias. Mensagens de apoio e tudo mais. Eles querem que a gente melhore logo para voltar a ação! – disse animado. - Eu não vejo a hora também! Não aguento mais ficar em casa assistindo TV! – finalizou com uma careta.
- E eu não aguento mais dormir! – disse fazendo todos darem risada.
- Já sabe quando vai sair daqui? – perguntou .
- O médico disse que dentro de alguns dias, se tudo der certo, recebo alta. – disse não escondendo minha felicidade em voltar para casa. - Mas acho que podemos ir adiantando um pouco do trabalho enquanto estou aqui! – eu realmente estava ansioso para voltar à rotina.
- Tenho certeza que sim! – disse igualmente animado. – Dude, preciso de um café. Minha cabeça vai explodir se não tomar um café agora. – disse meu amigo viciado em cafeína.
- Isso porque o médico o mandou cortar a cafeína! – disse – Vamos, ... Eu vou com você até a lanchonete! Já voltamos, garotas! – disse divertido. E logo os dois saíram deixando apenas eu e no quarto. Minha mãe saíra logo após os garotos chegarem.
- Como está se sentindo? – perguntei ao meu amigo. Precisa ter certeza de que ele realmente estava bem.
- Estou bem. No começo fiquei bem puto. Não achei justo, sabe. Não é fácil ser um cara da minha idade com uma longa vida pela frente condenado a uma cadeira de rodas. Mas depois de um tempo, percebi que isso não se passa de uma barreira. Tipo, um desafio que eu tenho que cumprir. Os médicos estão esperançosos e acreditam que em pouco tempo, já poderei estar andando de novo. Eu estou frequentando as aulas de fisioterapia todos os dias. A médica é bem gostosa! – finalizou fazendo uma cara de safado. Esse é o que eu conheço. – É extremamente excitante vê-la exercitando minhas pernas! Cara, eu fico deitado, e ela se debruça sobre mim! Tipo, dá uma bela visão dos peitões dela! Eu amo a fisioterapia!
- Seu tarado! Você vai para fisioterapia ficar olhando os peitos da médica? – disse rindo.
- Ah dude. Eu estou aleijado mas não estou morto! – disse divertido, mas me deu uma sensação ruim quando ele pronunciou a palavra aleijado. – Minhas pernas não funcionam, mas outras partes te garanto que estão melhores do que nunca! E além do mais, quem resiste aos meus olhos! – filho da puta convencido! Eu amo o , cara!
- Ah, se eu tivesse um corpo. – disse uma voz ao meu lado. Quando olhei na direção da voz, vi a sentada ao meu lado na cama olhando, quer dizer, babando no ! Alô! Eu sou o protegido aqui! – Dava tudo para ser essa fisioterapeuta! – disse baixinho e logo ouvimos um trovão.
- Nossa, acho que vai chover! – disse indo em direção à janela.
- Esqueceu que você é uma entidade divina? Não fique tendo pensamentos pervertidos com o meu melhor amigo. – disse baixo para que não escutasse.
- Disse alguma coisa, ? – questionou depois de constatar que o raio não indicava chuva nenhuma. Que anjo eu fui arrumar, hein?
- Não... só estava pensando alto. Não vejo a hora de sair desse lugar. – disse suspirando.
- Vai ser mais rápido do que você pensa. Logo, logo voltaremos a fazer barulho no estúdio da casa do ! – disse meu amigo confiante. – Dude, posso usar o banheiro? – perguntou com uma careta.
- Claro! Precisa de ajuda? – questionei meio incerto.
- Não vai ser dessa vez que você terá a oportunidade de ver o Júnior, ! Eu sei me virar sozinho! Depois de 3 meses nessa situação, damos jeito para tudo. Não poderia ficar pedindo ajuda para qualquer um toda hora que eu precisasse ir ao banheiro, não é mesmo? – disse indo em direção ao banheiro.
- Eu posso ajudá-lo, se ele quiser! – disse indo em direção à porta do banheiro.
- Hey, você ouviu! Nada de ajuda! Volta aqui, ! – disse vendo a garota atravessar metade do corpo pela porta de madeira. Isso foi um pouco assustador.
- Uaau, , você deveria ver isso! Seu amigo realmente tem sorte! Nossa! É bem maior que o seu! E que bundinha... – ia dizendo com ainda metade do corpo atravessado na porta.
- Você tinha dito que não estava reparando nas minhas partes aquela hora! Além do mais, você me pegou desprevenido! - disse nervoso. Fala sério! Ela está me comparando ao ! Eu sempre peguei mais mulheres que ele! – Sai daí agora, anjo pervertido!
- Você fica uma graça nervoso, sabia? – disse fazendo uma cara fofa. Onde é que eles fazem a seleção pra anjos, meu Deus? - Mas, antes que o volte, preciso te contar o que eu acabei de ver lá em cima! – disse empolgada dando pulinhos.
- O quê?
- O... Paul McCartney! O Paul McCartney!!! – disse super feliz. Mas, espera...o Paul McCartney lá em “cima”?
- Como? Ele não morreu! – disse questionando-a.
- Aí que você pensa! Ele morreu sim! Foi o primeiro Beatle a morrer! – disse a garota convencida. Não é possível...
- , acho que você se enganou! O Paul não morreu! Ele está vivo até hoje! – disse convicto.
- Não! Ele morreu em 1969. Quem está no lugar dele é um sósia! O único Beatle vivo é o Ringo! – disse a garota.
- Você acredita nesse boato? Isso tudo é mentira, . O cara não morreu! – Qual é? Sou britânico e fã dos Beatles! Saberia se um integrante tivesse morrido de verdade!
- Quer mais provas do que o do cd Abbey Road? E da música “A Day in The Life”? Estou te falando ! O cara morreu! Encontrei com ele lá em cima! Eu disse: “God! Paul McCartney!” E ele falou: “Oh, mais uma Beatle maníaca!” Idiota. Nunca gostei dele! Meu preferido sempre foi o Ringo! – devo confessar que os argumentos e a cara que ela fazia para tentar me convencer estavam engraçados! E fofos!
- Voltei! – disse saindo do banheiro. – Perdi alguma coisa? – Você nem sabe o quanto, dude!
- , você acha que Paul McCartney realmente morreu em 1969? – só falta ele acreditar nessa besteira também.
- Não é besteira, ok? Eu realmente o vi! E ele falou comigo! E minha cara não é fofa! – disse a garota revoltada. Tinha me esquecido que ela pode ler pensamentos.
- Sei lá, dude. Essa é uma história muito bizarra! Ainda não sei no que exatamente acreditar. Mas não me importo muito. Meu Beatle preferido sempre foi o Ringo mesmo. – disse dando de ombros. – Mas por que você está me perguntando isso?
- God, por que não sou anjo do mesmo? – disse olhando para o teto.
- Nada não. Esquece. – e fechei a cara. Essa anja que me arrumaram é muita abusadinha. E não estou falando no bom sentido!
- Chegamos, queridas! – disse ao adentrar o quarto com um pacote de chips na mão.
- Sentiram nossa falta? – perguntou .
- , o que você acha sobre a morte de Paul McCartney? – disparou . Pensei que ele iria esquecer essa história!
- O Paul NÃO morreu, ! Não acredite no que as pessoas dizem! Elas têm inveja do sucesso do cara! Ninguém entende que o Paul não morreu! – disse um pouco exaltado. E ninguém melhor para falar dos Beatles do que o .
- Isso porque ele não o viu no andar de cima! Ingleses idiotas! Vocês são cegos! Estou dizendo, o cara morreu! Pereceu! Passou dessa para uma melhor! – disse ainda revoltada. Sério, se os dois estivessem um de frente para o outro agora, tenho certeza que iria rolar um fight épico.
- Calma, dude! Só fiz uma pergunta! – disse se defendendo.
- Erm... vamos mudar de assunto? – questionou . E depois disso começamos um papo animado sobre algo inútil. E a , sumiu. Acho que ela ficou bem puta por eu não ter acreditado na história do Paul. Espero que ela me desculpe mais tarde. Afinal, ela é meu anjo, né? Tem que me perdoar. Bom, estávamos conversando animadamente, quando bateram na porta. Pensei que era minha mãe e mandei entrar. Enganei-me completamente...
- ? – disse com somente a cabeça dentro do quarto. – Posso entrar? - disse com aquele sorriso que me deixa meio tonto.
- Claro!- disse com um sorriso. Já até tinha me esquecido que ela nunca veio me visitar enquanto estava em coma.
- Bom, acho melhor irmos, não é? – disse sem graça. Que estranho. Ele gostava da !
- É... voltamos amanhã, ok ? – disse igualmente. O que estava acontecendo com eles? É só a !
- Se cuida, dude! – disse acenando a caminho da porta. Eles saíram e NENHUM deles nem sequer olharam para a minha namorada. O que deu nesses caras?
- E aí... como você está? – disse se aproximando meio hesitante da cama.
- Bem melhor. – disse baixo. – , por que você não veio me visitar enquanto estava em coma? – eu tinha que perguntar, certo?
- Ah, . Você sabe como eu tenho pavor de hospitais! E eu tinha certeza que você iria se recuperar! Achei melhor vir quando isso acontecesse! E por isso, estou aqui! – finalizou sorridente. Uma voz conhecida veio na minha cabeça me dizendo que não deveria acreditar no que ela estava falando. Será que era dela que a estava falando mais cedo? Não é possível! A não mentiria pra mim! Ou mentiria? - Você me perdoa, né? – disse passando os lábios bem perto do meu ouvido. Droga, a não pode estar falando dela! E então, ela apareceu. E eu consegui ler em seus lábios. "Eu te avisei, ". O que está acontecendo aqui, meu deus?
Capítulo 5
Depois de conversarmos um pouco, quer dizer, da falar muito, ela disse que precisava ir embora e assim como chegou, desapareceu. Por algum tempo ainda fiquei pensando na atitude dos meus amigos e no que me dissera. O que será que estava acontecendo? nunca me deu motivos para desconfiar. Aí tem! Cadê meu anjo quando eu preciso dele, hein? Será que se eu chamá-la, ela vem? Bom, podemos tentar.
- ! ... ! Hey, anjo pervertido, preciso falar com você! Droga apare... – eu já gritava em alto e bom som, quando a porta do quarto se abriu.
- Precisa de alguma coisa, senhor Poynter? – Pode trazer meu anjo de volta, por favor? Acho que andei gritando demais.
- Não... Erm... Quer dizer, sabe onde está minha mãe? – perguntei a primeira coisa que veio na cabeça. Ela deve achar que estou louco.
- Ela disse que iria tomar um café e logo mais voltaria. – Sorriu simpaticamente a mulher.
- Ok, obrigado. – agradeci, vi a mesma assentindo e fechando a porta do quarto. Ah, mas quando aquele anjo aparecer eu...
- Você o quê, bobão? Hein? - apareceu meu anjo de repente me olhando ameaçadoramente. – Não estou à sua disposição, meu querido! Bom, na verdade eu estou, mas... você não sabe o que eu acabei de descobrir! – disse extremamente animada. Bipolar...
- O quê? – fiquei curioso, oras!
- Pensa em uma pessoa! – disse animada.
- Ahm?
- Vai! Pensa em alguém! Sei lá! Uma pessoa que você gostaria de conhecer, ou uma que você goste! Vamos! Use a imaginação! E ah, feche os olhos! – disse ainda muito animada. Esse anjos... Bom, fechei os olhos e imaginei a Angelina Jolie. Cara, eu sou homem! E quando abri os olhos não acreditei! A própria estava na minha frente! A Angelina Jolie! Dude, que vontade de chegar mais perto e... Espera, como isso aconteceu? - Viu? Não é demais? Posso ser o Brad Pitt também! Ou você! – disse meu anjo se transformando no cara mais gato do mundo e depois em... Mim? Ok, isso foi estranho.
- Uaau, , parabéns por sua nova aquisição! – disse ironicamente.
- Obrigada! Adorei isso! – disse ainda divertida. – Mas, o que você tanto queria comigo? – questionou voltando a sua forma original. Ufa.
- Eu... Bom... , por que você me mandou não acreditar no que iria me dizer? E por que meus amigos agiram daquela forma? – disparei tudo de uma vez.
- Bom , isso eu não poderei te responder. Você terá que descobrir sozinho. A única coisa que lhe digo é, fique esperto. Nem tudo que pensamos que conhecemos, realmente conhecemos. Pense nisso. Agora preciso ir. Noite de conferência! – disse com uma cara entediada.
- Noite de conferência? – que diabos era aquilo?
- É... Hoje juntamos todos os anjos e nosso superior analisa se estamos fazendo um bom trabalho. Soube que o Michael vai estar lá hoje! Mal posso esperar para conhecê-lo! – disse dando pulinhos animados.
- Michael? – quem?
- É! O Jackson! Sabe... Beat it, Beat it, Beat it... – Cara, meu anjo é demais!
- Diga que mandei lembranças! – disse ainda rindo de sua dancinha à la Michael.
- Pode deixar! Durma comigooo! – disse cantarolando.
- Bem que eu queria... – disse baixinho.
- Entidade divina! Não se esqueça! – disse piscando para mim e sumindo da minha vista.
Depois que meu anjo se foi, fiquei pensando o que fez para que meus amigos e até meu anjo não quisessem saber dela. Está certo que ela me ignorou no período em que fiquei em coma e tal, mas... Alguma coisa me diz que aí tem. E algo me diz também que não será fácil descobrir.
Permaneci no hospital por mais uma semana. Tive que refazer exames e ficar deitado a maior parte do tempo. Meus amigos sempre me visitavam, minha mãe não saia de perto de mim e ... Bom, não voltou mais. Ligou-me uma vez pra dizer que estava de malas prontas para ir pra França. Disse que teria que resolver algo do trabalho por lá. Não questionei do que se tratava. No fundo, não me interessava. Quando cheguei em casa, senti que tudo ficaria bem. E que eu definitivamente queria que dessa vez tudo desse certo! Minha mãe ficaria comigo durante mais alguns dias. Eu não questionava, afinal, quem não gosta de roupas limpas e comida feita pela sua mãe todos os dias? Ao chegar no meu quarto, sentei em minha cama e comecei a pensar em tudo o que passei nos últimos meses...
- Uaau...Quarto legal, hein? – e ela apareceu! Tava demorando! – Sabe, algumas garotas dariam a vida para conhecer esse lugar e posso ser sincera? Não parece um quarto de um rock star famoso! Parece mais o de um... Adolescente de 15 anos! – disse olhando meu quarto e sentada na minha mesa.
- Fico grato pela parte que me toca! – disse ironicamente olhando o anjo. – Mas e aí... Me conta como estão as coisas lá em cima...
- Ahhh, ! Preciso te contar um BABADO! Mas você tem que prometer que não vai contar pra ninguém! É um segredo sagrado, entende? – disse se aproximando de mim e sentando-se ao meu lado.
- Uhm... Prometo. Manda ver. – disse a olhando.
- Certo... Sabe o Paul?
- Paul? Uhm... Que Paul? – quem era Paul? Conheço tantos!
- O Paul McCartney! Ex-Beatles! – disse como se fosse óbvio. E lá vem ela de novo com essa história de Paul McCartney morreu e blá, blá, blá! Ah, se ela fosse anjo do ...
- O que têm o Paul agora, ? – disse entediado.
- Ele vai voltar! – disse animada. Espera. Como assim, voltar?
- Voltar? Mas ele foi pra algum lugar? – disse confuso.
- Já te expliquei que ele morreu! Não vou entrar nesse assunto de novo! Você tem que acreditar em mim! Sou seu anjo, poxa! – disse começando a ficar irritada. E sabe o que eu notei nesse tempo convivendo com ela? Quando fica nervosa ou com muita raiva, suas asas se mechem freneticamente e sua auréola brilha em um tom avermelhado. Legal, né?
- Ok, ... Fale logo, como o Paul vai voltar? – perguntei tentando evitar confusão.
- Ele vai reencarnar! E sabe quem será a mãe? A... – ela ia me contar, mas de repente ficou muda! Tipo, do nada! Ela gritava, movimentava a boca, mas nenhum som era emitido. Mas que porr...
- Olá ! Boa tarde ! – agora eu fiquei sem palavras. Tipo, sabe quem estava na minha frente com roupas brancas e uma asa imeeeeeeeeeensa que eu sinceramente morri de inveja? Ninguém mais, ninguém menos do que...
- Sou Freddie Mercury. Anjo supervisor. Fico lá de cima olhando o trabalho dos anjos aprendizes. Normalmente não tenho muito trabalho com meus anjos, a não ser com essa aí... – disse olhando para que estava de cabeça baixa. – Ela tem um sério problema em falar o que não deve! E se eu não tivesse chego a tempo, ela contaria um segredo hiper sagrado. – disse o Freddie calmamente. Cara, eu jurava que rock stars e ainda mais gays iam para o inferno. Acho que eu tenho salvação! Não que eu seja gay, digo... Estou começando a me enrolar. Eu olhei pro lado e movimentava e gesticulava rapidamente, mas nada se ouvia.
- Acho que ela tem direito à defesa... – disse meio incerto.
- Vou permitir você falar... MAS, não fale o que não deva, ou você ficará sem sua preciosa língua por UM mês! – disse o Freddie nervoso. E então, ele movimentou o braço direito e logo já se ouvia os gritos de pelo quarto.
- Isso não é justo! Por que de todos os anjos, você fica justo no meu pé? E eu não te dou trabalho! Que saco, Freddie! – disse a garota revoltada.
- , aprenda uma coisa. Essa sua fase de transição é passageira. Dependendo do que acontecer aqui você terá ou não uma chance. Agora por favor! Já estou careca de resolver seus problemas! Se comporte, ok? E qualquer coisa, me chame! – disse alisando os cabelos de . Daria tudo para estar no seu lugar. – Boa sorte ! – disse antes de sumir.
- Por que você nunca me disse que seu supervisor era o Freddie Mercury? – perguntei assim que a fumacinha do anjo sumiu por completo.
- Não queria que você desse um ataque de bicha. Sabia que você é fã dele. Ele é legal, sabe, mas... Essa mania de sempre ficar no meu pé! – disse revoltada.
- piraria se te tivesse como anjo e... - eu estava falando com meu anjo, quando minha porta foi aberta e um ser correndo com uma cadeira de rodas entra todo sorridente.
- Hey, Poynter! Falando sozinho? – disse agora na minha frente.
- Diga pra ele que eu adoro homens de xadrez! – disse com um sorriso malicioso. Freddie, poderia vir aqui um instante? Meu anjo está dando mole para o meu melhor amigo!
- Hey ... Só estava pensando alto. E ae, como você tá? – perguntei tentando afastar meus olhos de que agora rodeava a cadeira de o olhando de cima a baixo.
- Bem. E você de volta a sua casa! Que legal, né? Mas não vim aqui pra isso! Preciso te mostrar meu quarto novo! – disse meu amigo todo animado.
- Seu quarto novo? Você o reformou? - perguntei não entendendo nada.
- Tive que reformar tudo, né? Minha casa não era adaptada para um cadeirante. – Outch! Poderia ter dormido sem essa, !
- Certo... Vamos lá. – Me levantei e segui . Eu e ele morávamos em um Flat. Logo, ele morava no andar de cima ao meu. Fomos conversando sobre coisas aleatórias e percebi que tinha sumido. Esse anjo não para quieto! Quando abriu a porta de sua casa, meu queixo caiu. Todos os nossos amigos e meus familiares estavam lá. Na sala tinha uma faixa enorme escrita “Seja Bem Vindo De Volta”. Nem preciso dizer que caí no choro, né? Cara, eu amo todas essas pessoas. E amo ainda mais meus amigos! No fundo da sala, eu a vi. Lá estava, linda como sempre com um sorriso infantil. Olhando-me como se dissesse: “Eu não te falei? Eles são demais” Me lembre de abraçar você quando morrer, !
- Tudo isso é pra mim? – perguntei meio abobado.
- E pra quem mais seria, dude? Bem vindo de volta! – disse me abraçando.
- Obrigado, gente. De verdade! – disse abraçando cada um ali presente a agradecendo por estarem ali. Depois de um tempo, resolvi ir até o banheiro. Chegando lá, fiquei um tempo parado na frente do espelho, me olhando e pensando. Afinal, eu tive que passar por tudo isso para começar a dar valor a todas essas pessoas? Na minha vida? Como eu sou patético. Fiz tudo o que fiz e eles continuam me amando e me apoiando... Eu sou um idiota, fato.
- Você não vai chorar, né? Vai ficar meio gay, sabe... – tava demorando.
- Você sabia, né? Sabia que eles tinham preparado essa festa pra mim? – perguntei vendo meu anjo sentado na pia em que estava encostado.
- Claro que sabia. Nos momentos que não estou de olho em você, estou na cola do seu amigo! – disse com um sorriso malicioso.
- , para com essa obsessão pelo ! Não se esqueça que você está mo... – ia falar, mas algo dentro de mim impediu que eu continuasse...
- Morta? – perguntou-me com as sobrancelhas levantadas.
- Eu não quis dizer isso... – disse com a cabeça baixa.
- Erm... , tá a fim de dar uma volta? – questionou-me , que pela primeira vez estava um pouco, uhm... sem graça?
- Uma volta?
- É... Fecha os olhos. – pediu-me. Devo confessar que fiquei meio apreensivo.
- Uhm... Ok. – e fechei. Senti como se uma rajada de vento passasse por mim, e quando voltei a abrir os olhos, tomei um baita susto. Não estava mais no banheiro da casa do . Eu estava em um quarto. Mas não era o quarto do e muito menos o meu. Era um quarto feminino e muito bonito por sinal. E nele havia uma garota de costas pra mim. Ela colocava algumas roupas em uma mala. Parecia nervosa, irritada, não sei...
- Tá com pressa, né? – disse ao meu lado.
- É... Nossa... Ela é linda. – disse sem pensar muito.
- Obrigado. E olha que nessa época eu ainda estava bem gordinha. – disse com um meio sorriso. Espera! A garota na minha frente era...
- Aquela ali é você? – perguntei um pouco alto.
- É... É meio estranho me olhar por esse ângulo... – disse fazendo uma careta. E aí, uma porta se abriu. Quer dizer, se escancarou! E um homem muito bravo entrou por ela.
- Para de fazer essa mala, ! Eu já disse que você NÃO vai a essa viagem! – gritou o homem e na mesma hora a garota virou assustada.
- Já disse que vou, querendo o senhor ou não! Já sou maior de idade e não preciso de sua autorização! – esbravejou a garota de um jeito que até eu fiquei intimidado. Olhei pra ao meu lado e ela olhava a briga com uma atenção impressionante.
- Não faça isso! Se você sair por aquela porta, não volte nunca mais, está me entendendo? – gritou mais uma vez o homem.
- Não voltarei então. Adeus, pai! – disse a garota com os olhos lacrimejando e saindo pela porta, batendo forte a mesma. E logo depois vi o homem, cair no chão e chorar feito um bebê. God, o que era aquilo? Olhei , novamente pude ver o brilho das lágrimas nos seus olhos. Ela olhava o homem no chão como se fosse a coisa mais importante a se fazer na vida. Aquilo definitivamente estava me assustando.
- Já vi essa cena milhares de vezes e toda vez choro... Patético, não? – disse ainda olhando o homem.
- O que aconteceu aqui? – perguntei me virando pra ela.
- Essa foi a última vez que vi meu pai... Depois disso, eu... – ela ia começar a me contar a história, quando de repente senti mais uma vez aquele vento batendo contra mim, e quando percebi já estava de volta ao banheiro de com alguém esmurrando a porta.
- ? Tá tudo bem ai? – ouvi a voz de do outro lado. Olhei em volta pra ver se encontrava , mas nenhum sinal dela. Fui até a porta e a abri.
- Fala, dude. – disse com uma voz fraca.
- Hey. Pensei que tivesse morrido aí. Ligaram da portaria. Disseram que você tem uma surpresa na sua casa. – disse estranhando. Uma surpresa?
- Que estranho... – disse pensando alto.
- É... Vai até lá ver o que é... – disse meu amigo me dando tapas no ombro e voltando para sala. Olhei mais uma vez o banheiro e não encontrei nada. Resolvi ver o que era a tal surpresa. Me despedi dos meus amigos e fui em direção ao elevador. Quando estava chegando ao meu andar, apareceu ofegante...
- Não se esqueça! Por favor não se esqueça do que eu te disse! – disse rapidamente com um tom desesperado.
- Do que você está fal... – mas não deu tempo de terminar. Ela já havia sumido e o elevador chegado ao meu andar. Fui andando até meu apartamento e abri a porta. Entrei e como havia deixado antes de sair, tudo estava escuro. Fui até meu quarto e quase cai pra trás quando vi aquela cena. estava deitada em minha cama, como uma lingerie extremamente sexy e me olhava com um olhar pervertido. Não disse nada, apenas me chamou com o dedo indicador. Agora sei do que estava falando. OH SHIT!
CONTINUA
N/A: Hey! Depois de meses sem atualizar, mais um capítulo do meu xodozinho! =D
Espero que ainda tenha leitoras interessadas nisso aqui!
Enfim, brigadão Ana, Mandy, Gaabs, Jéeh e Pah pelos coments! Vocês são lindas e absolutas, mas sem cross Fox, por favor! =P
Ah, vou avisar a Juh do erro do script, ok? Brigadão pelo toque, Gabbs!
Agora eu vou assistir o SWU e morrer de nostalgia pq não fui! =(
Vejo vcs na próxima n/a!
Beijos e queijos!

