Untitled
Autora: Heterônima
Status: Em Andamento
Revisada por: Duda
Categoria: Danny Fics
Sub-Categoria: Romance/Humor/Drama
Capítulo 1 - O encontro.
Quando o portão finalmente fechou atrás de mim pude respirar aliviada.
Não, não foi um encontro ruim, apenas não foi um encontro bom.
Acho que normal é uma descrição suficiente, afinal, eu esperava bem menos. Acreditava que teria toda uma pressão quanto a estarmos saindo de novo depois de tanto tempo e, pela quantidade de vezes que ele me ligou nas últimas três semanas eu imaginava que ou acabaríamos na cama, ou acabaríamos na igreja.
Eu sei, talvez eu esteja sendo meio melodramática, mas a vida não é nada fácil.
Ao entrar no elevador o celular tocou. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa me encheu de perguntas.
"Como foi seu encontro?" ela perguntou sem respirar. E emendou "Ele é bom o suficiente?"
Respirei fundo antes de responder qualquer coisa. Amo a , mas a sua ansiedade me cansa, ás vezes.
"Você não acha que esse tipo de informação é pessoal demais?" perguntei brincando enquanto procurava a chave na bolsa. "Não", ela respondeu rindo, "Acho que eu tenho todo o direito de saber, já que sou sua melhor amiga".
"Acho que você está completamente equivocada", disse ao abrir a porta. Parei. Aquilo tudo não era normal. "Acho que eu vou ter que te ligar depois", disse desligando o celular logo em seguida, antes que ela tivesse tempo de protestar.
Ali, dentro da minha sala, vi uma silhueta conhecida. Ele estava sentado no meu sofá, no canto esquerdo da sala com o corpo em um ângulo de aproximadamente quarenta e cinco graus, de maneira que seu rosto estivesse voltado completamente para a porta de entrada.
Mesmo no escuro consegui perceber seus ombros encolhidos. Com as mãos cruzadas sobre as pernas seus olhos vieram de encontro aos meus assim que abri a porta. Pude perceber também que ele nada fez além de levantar o olhar. Com a pouca luz que entrava pela porta vinda do corredor comum do prédio vi seus olhos azuis. Num tom de azul mais escuro, como eles costumavam ficar todas as vezes que ele chorava após assistirmos a um filme triste.
"Oi", ele disse com a voz embargada. Se eu não o conhecesse bem poderia até dizer que ele andou chorando.
"Oi", respondi sem me mexer. E nesse momento me percebi ainda parada na porta, com uma das mãos segurando a alça da bolsa que estava em meu ombro e a outra apertando a maçaneta. Uma maneira de me conter. De me manter onde estava.
"Como foi seu encontro?", ele perguntou sério. O ódio tomou conta de mim e, naquele momento, agradeci aos céus por não ter acendido as luzes assim ele não podia ver o vermelho em meu rosto. Como ele se atrevia a me perguntar uma coisa daquelas?
Ao mesmo tempo em que eu tentei encontrar o melhor palavrão para incluí-lo como adjetivo numa frase bem malvada que o faria ir embora com o rabinho entre as pernas, parte de mim ainda queria desesperadamente entender o que ele estava fazendo aqui. E porque ele trouxera aquela cara com ele.
Pronto. Era a hora. Eu estava decidida a dizer um palavrão e mandá-lo embora. Era o único jeito de sair por cima daquela situação.
Vai fala pra ele. Diz algo como: "o que eu faço da minha vida não lhe diz respeito seu merda, saia da minha casa". Ótimo, essa era uma ótima frase. Aí eu apontava o dedo pra fora da porta e assim que ele estivesse do lado de fora, bateria a com força pra que ele escute o tamanho da minha raiva. Isso!
"Normal", respondi. Não acredito que eu não fui capaz de dizer aquilo. Isso é frustrante. Pelo menos eu não disse algo como "nada comparado a você" ou qualquer outra coisa humilhante.
Espera um minuto, como ele sabia que eu tive um encontro? Não que isso seja ruim, afinal, é bom que ele percebesse que eu encontrei vida após ele. Que ele saque desde o começo que eu não sou o tipinho que vai fica chorando pelos cantos a falta que ele faz.
É talvez fosse melhor mesmo que ele soubesse logo de uma vez que eu tava seguindo com a minha vida, porque eu acho que seguir em frente é a melhor maneira de mostrar pra alguém que essa pessoa não significou absolutamente nada na sua vida.
Mas o que é que ele tava fazendo aqui? Ou melhor, como é que ele entrou na minha casa?
"Ótimo", ele disse abaixando o olhar, "fico feliz por você", ele completou enquanto coçava o nariz.
Ele mentira, eu sabia que ele estava mentindo. Ele sempre coça o nariz do mesmo jeito quando mente. Não que ele só coce o nariz quando está falando alguma mentira, mas o jeito de coçar o nariz é diferente do que quando ele coça por simples coceira.
Na verdade, tudo nele envolve aquele nariz. Quando ele mente coça o nariz de um jeito. Quando ele não está confortável, coça de outro. Até depois do sexo ele coça o nariz.
Acho que aquele nariz é algum ponto de fortalecimento, sabe?
Deus, como eu adoro aquele nariz!
Capítulo 2 - O começo.
Com certeza se você estivesse lá naquele dia teria pulado no colo dele e pedido que ele lhe fizesse a mulher mais feliz do mundo apenas posando pra uma foto. Todas se tornavam as mulheres mais felizes do mundo ao lado dele.
A verdade é que eu também era a mulher mais feliz do mundo quando estava ao lado dele, em cima dele, embaixo dele, ou até mesmo apenas no mesmo continente que ele, mas isso já é uma outra história.
Nos conhecemos num desses supermercados de esquina. Nada grande, apenas uma vendinha de alguns indianos conhecidos onde todas as coisas são baratas e as pessoas entram apressadas e pagam o valor exato da etiqueta porque os donos não vão conseguir se comunicar caso haja algum problema com o troco.
Naquele dia eu tinha acordado extremamente atrasada, por isso apenas troquei de roupa e escovei os dentes. Nada desse negócio de pentear cabelo ou de passar maquiagem. Se não estou enganada, nem mesmo xixi eu tive tempo de fazer antes de sair de casa. Mas de uma coisa eu tinha certeza, não importava quão atrasada eu estivesse, eu precisava fumar aquele primeiro cigarro da manhã. O doce sabor de um vício sendo sanado enchia minha boca de saliva evidenciando o meu desejo.
Entrei correndo na pequena vendinha contando as moedinhas que eu sempre deixo jogadas dentro da minha bolsa. Parei no balcão sem olhar pra cima e logo pedi. "Um pacote de Marlboro Light, por favor", ainda procurando as moedinhas dentro da bolsa. Levantei o olhar só quando tive certeza que o moço do outro lado do caixa estava tentando se comunicar, sem sucesso, com a minha pessoa. Olhei pra ele com o meu melhor olhar "desculpe-me senhor mais não entendo uma vírgula do que você está dizendo" e ele continuou tentando fazendo qualquer tipo de sinal com as mãos.
"Acho que ele quer dizer que acabaram os Light", uma voz disse atrás de mim. Meu coração quase saiu pela boca quando, rapidamente, virei minha cabeça na direção da voz e meus olhos encontraram aqueles olhos azuis.
"Meu Deus", lembro de ter pensado, "onde é que fizeram essas íris? Ninguém no mundo tem olhos tão lindos". Foi preciso que o homem atrás do balcão voltasse a balbuciar o que é que ele tentava dizer pra que eu saísse do transe.
"Acho que ele quer dizer que eu comprei o último", disse o dono dos olhos azuis brilhantes atrás de mim. Concordei com a cabeça ainda olhando para o dono da venda e bati em retirada, ignorando completamente o rapaz dos olhos azuis que tinha dado uma de intérprete na conversa surreal que se estabelecera.
Acho que naquela hora eu fui embora por dois motivos: um, eu estava descabelada, louca e morrendo de vergonha de não ter sido capaz de entender uma simples sentença como "acabaram os light" e dois, bom, na verdade nem eu sabia o segundo motivo. Tudo o que eu sabia era que tomara uma atitude extremamente rude, afinal, o rapaz estava tentando ser simpático e eu, bom, eu não.
De qualquer forma eu não imaginava que o veria de novo quando cheguei no ponto do ônibus. Mas, como que por uma coincidência do destino o carro do rapaz estava estacionado, de maneira irregular, é claro, bem em frente ao ponto.
Lembro bem de ter virado o olhar e segurando alguns dos fios rebeldes que insistiam em ficar ainda mais em pé quando o vento batia.
"Desculpe", ele disse se aproximando, enquanto eu ainda fingia que não estava vendo, "Mas você gostaria de um cigarro?". "Não, obrigada", respondi sem entender o porque, "Acho que vou parar de fumar".
E foi assim que eu conheci Danny Jones. Não foi assim que eu me apaixonei por ele, mas foi assim que ele sorrateiramente entrou na minha vida.

