Wandering

Autora: Vê Inamonico
Status: Finalizada
Revisada por: Vê Inamonico
Categoria: Free Fics
Sub-Categoria: Romance
Nota pelo Desafio: 9,5
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Capítulo 1.

Sentada de frente para o grande lago da propriedade, enquanto o sol se debruçava sobre o horizonte, onde a brisa morna tocava as bochechas dela em mais um dia de primavera. Por um momento ela se esquecia de que estavam quase no meio do deserto. A região do Texas era realmente seca, mas nada parecia impedir que o gramado de sua casa estivesse sempre verde. Era assim que funcionava na propriedade dos Griffiths.
Não se podia dizer que a cidade era grande, como também não era pequena, mas definitivamente não poderia ser chamada de pacata. Há algum tempo ela se revelara como detentora de eventos ligados ao sobrenatural. Mais precisamente, logo depois da pequena Griffiths ter nascido.
- , venha, já está quase na hora do jantar. - Griffiths. A única e preciosa filha do senhor Felix Griffiths, o financiador da cidade. Não era como mais uma daquelas garotas mimadas, na verdade, não se importava com a riqueza que a cercava. As pessoas na rua abriam caminho para ela passar, a tratavam como se fosse uma espécie de divindade, uma princesa. tinha pena delas, elas realmente não sabiam o significado de ser divino.
- Já estou indo Philis. - gritou a menina de volta enquanto se levantava e batia a grama que havia grudado em seu jeans. Algumas mechas de cabelo voaram para seus olhos e ela as afastou para ver o resto do sol se pôr no horizonte. Sempre caminhava até lá para pensar, refletir. Deu um leve sorriso ao sentir outra lufada de ar, mas virou-se para encarar a jovem que estava logo à sua frente com uma expressão nada contente. - Eu disse que já estava indo.
A garota à sua frente tinha longos cabelos negros com mechas azuis se destacando, seus olhos verdes emoldurados por linhas grossas de lápis preto. Muitos poderiam jurar que ela era sua irmã. Ela cruzou os braços enquanto parecia se divertir.
- Sabe que não sou eu quem faz as regras não é? - arqueou uma sobrancelha. concordou com a cabeça, abaixando os olhos e passando a seguir a moça de volta à casa. Na porta, um rapaz de estatura mediana, cabelos castanhos escuros jogados sobre os olhos incrivelmente verdes e de braços cruzados as esperava.
- A tempo para o jantar. - saudou ele com seu sorriso incrivelmente branco.
- Isso porque eu tive de buscá-la, se dependesse de você ela chegaria atrasada. - esbravejou a menina. e o rapaz riram.
- Espero que meu pai não os veja brigando. - a mais nova saiu andando em direção ao hall sendo seguida pelos dois. - Já posso até ouvi-lo dizendo: "Se vocês não podem se entender entre si como esperam protegê-la caso surja algum mal-entendido?" - imitou ela na voz do pai, fazendo os dois rir.
- É o que sempre digo a Philadelphia. - o rapaz deu uma leve cotovelada na menina que bufou.
- Eu vou deixá-los se entendendo. Volto em cinco minutos. - dito isso ela fechou a porta branca que separava seu quarto do corredor, onde os dois permaneceram.
suspirou dentro do cômodo, balançando a cabeça e rindo consigo mesma. Desde pequena eles estavam lá para ela. Philadelphia e seu irmão gêmeo Cian desfrutavam da jovialidade, entretanto, invejavam a pequena , a qual haviam assistido crescer e tomar forma durante todos aqueles anos. Eles eram vampiros e contratados do Sr. Griffiths para cuidar da sua única filha. Philis e Cian eram os imortais guarda-costas de .
Há dezesseis anos, eles estavam em uma floresta, dentro da propriedade dos Griffiths, caçando animais para se alimentarem quando ouviram o choro de um bebê. Aproximando-se, sentiram um forte cheiro de sangue que vinha de uma mulher, a qual jazia no chão, de bruços. Ela estava abraçada a um delicado cesto, de onde o choro vinha. Cian o pegou nos braços enquanto Philis checava pela mais velha. Definitivamente estava morta, um golpe certeiro no pescoço havia rompido a jugular e ela sangrara até a morte.
Pela primeira vez em muito tempo os irmãos conseguiram resistir à tentação que o sangue lhes representava. Estavam mais preocupados com a pequena bebê que chorava inconsolável nos braços do rapaz. Eles a levaram até a casa principal e, grato pelo ato, o Sr. Felix os acolhera com a condição de jamais deixar a filha sozinha.
E desde então os três eram inseparáveis, os irmãos nunca haviam escondido da mais nova o que realmente eram, assim como todos os outros da cidade também o sabiam. Ninguém realmente se importava, respeitavam e isso era o mais importante de tudo. Mas nunca comentavam sobre a circunstância em que eles a haviam encontrado, era quase que um assunto proibido. Os gêmeos a amavam, a protegiam e, ainda, formavam uma família.
abriu a porta com uma calça skinny preta, ankle boots pretas com detalhes em dourado, uma blusa cinza com detalhes em roxo e uma jaqueta preta com detalhes também em dourado. Pelo sorriso no rosto dos gêmeos, sabia que havia feito a escolha certa. Seguiram todos para a sala de jantar dos Griffiths onde Felix já os esperava, na ponta da grande mesa, alisando o guardanapo que pendia na gola de sua camisa social branca, as mangas dobradas até os cotovelos.
Philis e Cian se afastaram para a majestosa lareira que havia no cômodo, como sempre faziam para dar mais privacidade à família; era o momento que e Felix tinham para conversar sobre o dia que haviam tido. Um digno momento de pai e filha. Após a morte brutal da esposa, Felix dedicara todo o seu tempo livre à pequena, não a deixando sozinha em nenhum momento. Felizmente seus fiéis seguranças a tratavam como própria irmã e isso o deixava mais tranquilo, entretanto, sem livrá-lo dos direitos e deveres de pai.
- Como foi o seu dia hoje? - eles começavam mais uma das conversas corriqueiras que podiam seguir os rumos mais diversos, sempre acabando em boas risadas. , por um momento, lembrara-se de que aquele era o último dia de seu feriado prolongado e, portanto, deveria voltar ao colégio no dia seguinte. Com isso, também se lembrou de que haveria uma house party na casa de um dos jogadores do time de futebol do colégio. Não desprezava o tempo que passava com seu pai, é verdade, mas teria de contar com a ajuda de Philis e Cian se quisesse chegar a tempo para aquela festa.
Com um sorriso fino e simpático encostou-se à cadeira ouvindo mais uma das histórias de seu pai, definitivamente sua noite seria cheia.

- Ah vamos, será divertido. - olhava para os dois guarda-costas à sua frente, sérios. - Philis, George estará lá junto com o time de basquete. - ela sabia que a mais velha tinha uma queda pelo garoto então precisaria apelar para a chantagem emocional. viu Cian cerrar os punhos, ciumento. - E Cian, Demetria também estará lá com o time inteiro de cheerleaders.
- Acho que não há problema de... outch! - gemeu ele ao tomar um soco da irmã.
- Sabe o que o Sr. Griffiths pensa sobre essas festas. – a vampira cruzou os braços, extremamente séria.
- Mas não vejo nenhum problema desde que estejamos lá com ela. - Cian virou-se para Philadelphia. - Vamos Philis, será divertido! - ele começou a fazer uma dança ridícula ali mesmo, no corredor da casa, e o acompanhou, tentando animar a única que não parecia achar graça.
- Está certo, mas eu vou decepá-los se algo der errado. - Cian e se entreolharam, numa falsa expressão de medo, e depois caíram na risada desfazendo o mau-humor de Philis. Saíram pela porta da frente indo de encontro ao Saleen S7 azul de Griffiths, Cian tomou as chaves da mão da mais nova indicando o banco do carona para o qual ela seguiu com um bico forçado. A verdade era que poucas vezes eles a haviam deixado dirigi-lo, tudo isso para agradar ao chefe.
- Por que vocês sempre fazem isso comigo? - Philadelphia parou do lado de fora enquanto puxava a porta para que fechasse. Infelizmente o carro só comportava duas pessoas e um dos dois sempre tinha de ir a pé, no caso, Philis.
- Todos sabemos que eu sou o melhor motorista... - Cian se exibiu provocando risos em , mas, ao ver a cara insatisfeita da irmã, correu acrescentar: - E você corre mais rápido, maninha, vai estar lá antes de nós!
- Está bem.
- Você sabe onde é a casa do Jean, não é? - certificou-se recebendo um aceno afirmativo de cabeça da garota antes que a mesma sumisse da vista de ambos, em alta velocidade.
- É melhor não demorarmos ou ela dá piti. - Cian brincou e também arrancou com o carro.
Dez minutos depois e estavam os três parados na calçada, voltados para a enorme casa branca apinhada de adolescentes de todos os lados. A música alta fazia com que tudo ao redor tremesse, inclusive os vidros dos carros. começou a andar, deixando os vampiros para trás, como sempre faziam. Cumprimentava uma ou outra pessoa que encontrava pelo caminho até que finalmente atravessou a porta, parando no hall de entrada, em dúvida para onde seguiria primeiro. Cian e Philis não tiveram problemas em atravessar o batente já que já haviam sido convidados anteriormente a entrar pelo dono da casa em uma festa passada.
A sala, adaptada para abrigar uma pista de dança chamava por , como se laços invisíveis a envolvessem ao som dançante de Timbaland. Vendo que Philis já estava próxima ao bar, onde os garotos do grupo atlético de seu colégio se encontravam e Cian seguia para o grupinho de cheerleaders, ela se viu sem opção a não ser se entregar à música.
Seus cabelos balançavam enquanto ela mexia a cabeça conforme a batida de Morning After Dark, as pessoas ao seu redor a notavam, algumas muito mais do que deveriam. Garotas a invejavam, rapazes a desejavam, mas procurava não se importar com isso. Em uma cidade tão pequena, tinha praticamente certeza de que 90% daquelas pessoas estavam de olho em seu patrimônio e não se ela era bonita, gentil ou inteligente. Por vezes isso a irritava, não havia um garoto sequer que já quisera ficar com ela sem almejar a fortuna de seu pai. Era, no mínimo, fútil.
Em dado momento, percebeu que os olhares não mais a seguiam conforme seus movimentos, havia algo (ou alguém) que chamava mais atenção do que ela. Resistiu à tentação de se virar também, e observar o que todos pareciam encantados em ver, e permaneceu de costas tentando não parecer fuxiqueira. De repente quando ergueu seu olhar novamente, todos estavam olhando novamente em sua direção. Piscou franzindo a sobrancelha, estaria ficando louca? Foi quando ela sentiu um braço forte a envolver por trás e uma corrente elétrica percorrer seu corpo em tal velocidade que até deixou-a meio zonza.
Suas mãos seguraram na grande e masculina que aproximava seu corpo de um pouco maior que o seu e mais forte também. Deveria ser mais uma daquelas brincadeirinhas sem graça dos jogadores de futebol quando bebiam por demasiado.
- Posso ter a honra dessa dança? - ouviu-se sussurrar em seu ouvido uma voz completamente diferente daquelas com as quais já estava acostumada, que fez os pelos de sua nuca arrepiar. olhou para frente e, subitamente, ninguém mais a encarava, pareciam todos muito distraídos com qualquer outra coisa. Franziu o cenho.
Virou-se de frente para o rapaz, a fim de acabar com o suspense, e quando seus olhos subiram de encontro aos do mais velho, seu mundo pareceu parar de girar por um longo momento. Ele não deveria ter mais do que dezenove anos, os cabelos bagunçados e molhados, olhos profundos e hipnotizantes, corpo escultural escondido por debaixo de uma camisa branca com gola em "V" e, por cima, uma camisa xadrez inteirinha aberta. Jeans largos e botas pretas completavam o look meio adolescente, meio bad boy. Agora ela entendia porque todos o observavam antes, era impossível não olhá-lo sem se perder nos detalhes de seu rosto perfeito.
Aparentemente, ele ainda esperava por uma resposta a sua pergunta. balançou a cabeça, voltando à realidade e, consequentemente, lembrando-se da pergunta. Ele parecia se divertir com a repentina confusão da mais nova. Griffiths tentou disfarçar com o seu melhor sorriso e o envolveu no pescoço com seus braços. O rapaz misterioso entendeu aquilo como um sim e introduziram-se no ritmo da música, mexendo-se com os corpos colados. Assim se seguiu pelo resto da música.
e o rapaz se soltaram e a menina virou-se, mas voltando a aproximar-se dele, já se sentia mais solta. Era como uma ligação entre eles, seus corpos se movimentavam em perfeita harmonia e, para o alívio de , ninguém parecia os notar ainda.

Capítulo 2.

- Por que não vamos a um lugar mais calmo? - ela virou-se quando a música mudou, surpresa por um momento ao se ver fazendo a pergunta que tantas vezes os rapazes lhe haviam feito.
- É claro. - ele sorriu. Não se sabe por quanto tempo ela se perdeu em seu sorriso, mas ele resolveu pegá-la pela mão e puxá-la para longe da pista de dança. Subiram as escadas da casa onde o som alto quase não os alcançava. No terceiro andar estava tudo em um quase silêncio, não fosse pelos murmúrios que deixavam as portas fechadas dos quartos.
fez uma careta enquanto seguiam para o final do corredor, onde havia uma única porta aberta. Ele a puxou para dentro e fechou a porta em seguida, ainda trocando o mesmo sorriso com ela. A cama estava feita o que indicava que nenhum casal havia passado por lá. Deu-se conta de que não sabia o nome dele, por isso, a expressão tranquila passou a ser de incerteza. Ele pareceu acompanhar a mudança com certa curiosidade, puxou-a pela mão para se sentar à borda da cama, um de frente para o outro.
- Desculpe, mas... eu não sei o seu nome. - resolveu quebrar o silêncio que já se tornava desconfortável.
- Sem nomes hoje. - disse ele em um tom sedutor enquanto jogava os cabelos de para trás, tocando seu rosto e aproximando-o do seu. O beijo foi inevitável.

- Hey, você viu ? - Philis cutucou o irmão, no ombro, que se divertia com as cheerleaders, contando piadinhas. Imediatamente o garoto se pôs em pé ao lado da irmã.
- Como assim você a perdeu de vista? - ele olhou ao redor da casa sem notar o mínimo sinal da menina.
- Como assim você a perdeu de vista? - repetiu a menina em um tom irritado que ultrapassava o som da casa, mas que apenas o irmão conseguia ouvir.
- Achei que ela estivesse na pista de dança. - deu de ombros, mas com a inquietação crescente dentro de si.
- Pois é, ela estava. Não está mais. Agora se puder ser um pouco menos babaca e me ajudar a procurá-la, Felix ficaria feliz em saber que trouxemos a filha dele inteira de volta para casa.
- Está bem, está bem. - dando as costas às líderes de torcida, Cian e Philis seguiram por cada canto da casa, perguntando a cada pessoa que lhes parecia suspeita. Mas ninguém a havia visto.
- Tente o terceiro andar, é lá que ficam os casais. - Gregory, o nerd do mesmo ano de , sugeriu quando a dupla já chegava ao segundo andar da casa sem obter sucesso algum. Philis e Cian se entreolharam começando a subir a escada com cautela, qualquer que fosse a situação da mais nova, eles não ansiavam em interrompê-la.

O rapaz estava sobre , com o peso sendo sustentado por um de seus braços enquanto com o outro, a mão deslizava por debaixo da blusa da menina que tinha as mãos enroscadas em sua nuca e seu cabelo. A respiração descompassada de tornou-se audível quando ele separou-se de seus lábios para traçar uma trilha de beijos até o pescoço dela e, em seguida, para o colo levemente despido pela gola "V" de sua blusa.
Então o ar não parecia mais suficiente, era como se, subitamente, seu corpo estivesse no vácuo. Estava pesado, dolorido, cansado. estreitou os olhos, a cabeça estava pesada e a visão, embaçada. O que estava acontecendo? Suas mãos tentaram agarrar a blusa do misterioso rapaz, mas ela parecia fechar as mãos no ar. Ele separou-se dela e encarou seus olhos semi-abertos não parecendo surpreso. A menina ainda tentou murmurar um pedido de ajuda, mas sua voz se perdeu em algum lugar dentro da garganta. Em poucos segundos ela deixava o mundo para o seu inconsciente, embora tivesse tentado lutar, perdera.
Ele a olhou já um pouco mais afastado e deixou que seu corpo inerte descansasse sobre o colchão. Um arrepio lhe percorreu o corpo, ela era a certa. Ajeitou a camisa e deu largas passadas até a porta, abrindo-a e fechando logo em seguida, tendo como última visão. Do lado de fora, deu de encontro com dois adolescentes irritados.
- Onde ela está? - intimou Cian para o rapaz que acabava de deixar o quarto. Como se um campo de força se erguesse ao redor do mesmo, rapidamente o corpo do vampiro era arremessado contra a parede, onde ele se manteve, prensado por forças invisíveis. Philis foi ao auxílio do irmão, ambos já tinham as presas apontadas, mas o rapaz não parecia se assustar.
- Eu acho que ela está indisposta no momento. - sorriu ele de canto, petulante. Deu alguns passos na direção dos gêmeos colocando as mãos nos bolsos, descontraidamente.
- Ora, quem você pensa que é garoto? - Philis iria avançar contra o rapaz, quando um grito do irmão a desconcentrou.
- Philadelphia não toque nele! - a garota voltou para o lado do irmão o olhando confusa.
- Então você já sabe o que eu sou. - seu sorriso se alargou, agora parecendo demoníaco.
- Eu não sei o que você é, mas posso sentir. - Cian disse, também irritado. - Fique longe de ! - ordenou, mas o rapaz apenas riu alto. Apontou o dedo indicador na direção do vampiro que se encolheu, com medo de seu toque.
- Vou entender isso como um convite. - e seguiu seu caminho pelo corredor sendo acompanhado pelos olhares confusos e, ao mesmo tempo, furiosos dos gêmeos.
- O que ele é? - perguntou Philis quando a raiva já apaziguava e os caninos já não lhe pareciam mais necessários.
- Não sei, mas vou descobrir. Enquanto isso, precisamos manter longe dele.
- O quarto! - lembrou-lhe a irmã e eles rapidamente escancararam a porta do cômodo dando de cara com desacordada.
- ? acorde! - Philis estava ao lado da garota em questão de milésimos de segundo, balançando-a pelos ombros sem obter nenhuma resposta. - O que ele fez com ela? - virou-se para o irmão realmente desesperada. Era melhor que eles resolvessem antes de voltar para casa, do contrário, seriam punidos por Felix pelo descuido imperdoável.
- Eu não sei Philadelphia! Dê seu sangue a ela! - explodiu o rapaz enquanto caminhava de um lado para outro do quarto, passando e repassando a cena que havia acontecido há pouco em sua cabeça.
Philis rasgou o pulso, trêmula, e o colocou na boca de , fazendo-a beber o líquido viscoso que saía do corte. Segundos se passaram sem que nada acontecesse, a tensão no quarto aumentava.
- Pegue-a, vamos para casa. - usando da velocidade sobre-humana, Philis e o irmão gêmeo correram para fora da casa com no colo, passando desapercebidos pelos outros humanos. A menina entrou com a mais nova no colo enquanto o irmão dava a volta para entrar do lado do motorista e assim arrancaram de volta para casa.
Entrando na mansão, correram para o quarto da mais nova procurando não serem vistos, do contrário estariam em sérios problemas.
- Ela não acordou. O que faremos? - Philis, depois de deixar sobre a cama, esbravejou com o irmão que também estava inquieto. - Se não tivéssemos ido para lados opostos...
- Pare de se lamentar, ela não está morta, só está desacordada. - Cian segurou a irmã pelos ombros e a sacudiu violentamente. - Precisamos nos concentrar em descobrir o que ele é.
- Alguma ideia? - ela retirou as mãos do irmão de si e virou-se para .
- Não. - murmurou ele tornando a pensar.
Quinze minutos se passaram, tempo de extrema agonia e curiosidade para os gêmeos que dividiam sua atenção entre a mais nova e os questionamentos que surgiam em sua cabeça diante do misterioso rapaz que lhes cruzara o caminho. Inspirando fortemente, como se emergisse de grandes profundidades, rompeu com o silêncio do quarto e também com o desespero de seus guardiões.
- , olhe para mim. Calma. Você está em casa. - Cian pôs-se de frente para a menina, segurando o rosto enquanto observava seus olhos. Pareciam normais a seu ver exceto pelo cansaço aparente.
- Cadê ele? - perguntou ela em um fio de voz.
- Já foi embora, está tudo bem. - Philis colocou-se a seu outro lado.
- Me sinto cansada. - murmurou com a testa levemente franzida. - É como se eu tivesse sido atropelada ou coisa parecida. Tudo dói.
- Vai ficar tudo bem. Por que não descansa? Amanhã você tem aula e tenho certeza de que acordará disposta. - a gêmea sorriu fraco ajeitando a mais nova na cama enquanto a mesma se livrava das roupas incômodas de maneira lenta e esforçada.
- Nos vemos amanhã, qualquer coisa é só nos chamar. - Cian disse já da porta, mas já havia caído no sono mais profundo. Agora eles tinham o tempo de que precisavam para pesquisar.

- Bom dia, como está se sentindo? - Philis sorriu para a mais nova quando esta irrompeu na sala de café.
- Eu estou bem melhor, obrigada. Agora, vocês é que não parecem muito bem. - riu beijando as bochechas dos gêmeos e pegando uma xícara para si completando-a com café fumegante. Os vampiros bebiam o mesmo. - O que aconteceu? - intimou com a sobrancelha arqueada.
- Preocupação. - Cian sorriu tranquilamente. - Ansiosa para voltar ao colégio? - mudou rapidamente de assunto. A verdade era que a busca da noite anterior havia sido um fracasso. Eles não conseguiram encontrar nenhum arquivo possível sobre o novo rapaz. Era como se ele não existisse.
- Você sabe que eu nunca estou, vão fazer do meu dia o melhor de todos, suponho. - tomou o último gole da xícara deixando-a para trás enquanto levantava e seguia de volta ao hall onde sua bolsa lhe esperava. Philis e Cian trocaram olhares exaustos e a seguiram.
- Claro, por que não? - sorriram e seguiram para o carro esporte do Sr. Griffiths, sempre com sentada no banco de trás.
Os corredores da Angellus High School sempre viravam um inferno poucos minutos antes das aulas começarem, o que fazia do seu trânsito por ele quase que impossível. Por sorte, tinha dois guarda-costas fortes o suficiente para que ninguém esbarrasse nela mais do que o necessário. Melhor, eles nem chegavam a encostá-la.
Finalmente ela alcançava seu armário, colocou os livros de que precisaria dentro da bolsa e os cadernos equilibrava em um dos braços enquanto arranjava um tempo para verificar seu cabelo no espelho. Enquanto isso, Philis e Cian olhavam os arredores, como perfeitos guardiões. Faltava apenas dois minutos para o segundo sinal, de um total de três, tocar e os corredores começarem a se esvaziar. gostava de ser uma das últimas a entrar na sala, os lugares que sobravam eram sempre os mais aleatórios e ela não corria o risco de se sentar apenas na frente ou apenas no fundo. Era uma aluna exemplar, por isso os professores não implicavam com ela.
- Ora, ora se não são os cãezinhos adestrados. - , ainda de frente para o armário, ouviu logo às suas costas. Fechou a porta, mas não conseguiu ver quem falava com os gêmeos, já que eles haviam formado uma espécie de barreira entre a pessoa e a garota.
- Circulando garoto. - Cian disse raivoso. Algumas pessoas paravam para olhar.
- Como, se estão obstruindo minha passagem? A secretaria do colégio designou a Srta. Griffiths para ser minha guia. Sabe como é, sou novato. - ele fez a maior falsa cara de inocente, fazendo o sangue de Philis arder.
- Não se preocupe garoto, perdido você não vai ficar, eu te levo pessoalmente à saída. - ela esticou o braço para agarrá-lo, mas parou na metade do caminho lembrando-se de que não poderia tocá-lo.
- Eu acho que você não vai me levar a lugar algum. Agora, se me derem licença, eu e temos aula de Filosofia juntos. - ele sorriu presunçoso esperando que os guardiões abrissem espaço para a pequena aparecer.
- Philis, Cian, já chega. - ela disse firme olhando para os lados e encarando os olhares curiosos de seus colegas. - E você... - sua voz morreu ao lembrar-se de que não sabia o nome daquele rapaz.
- , . Mas para você eu sou apenas . - sorriu ele da forma mais cafajeste que conseguiu.
- Certo, Sr. , a sala de Filosofia é logo ali, ao lado do banheiro, tenho certeza de que tem todos os números das salas em sua grade e que também há placas suficientes pelo colégio para o Sr. não se perder. Agora, se me der licença, senão vou me atrasar. - ela abraçou os cadernos com força e desviou dos três seguindo pelo corredor com a cabeça baixa.
cerrou os punhos acompanhando-a com o olhar e sentiu Philis e Cian se aproximarem dele com risos contidos.
- Acho que terminamos por aqui, garanhão . - Philadelphia disse bem próxima ao rosto do rapaz, vitoriosa.
- Acredite, minha cara, isso é só o começo. - sorriu ele sem deixar a compostura e também se virou para seguir o mesmo caminho que havia feito há pouco, sendo escoltado pelos dois vampiros e por mais olhares curiosos.

Capítulo 3.

passou todas as aulas de cabeça baixa, os olhos grudados no caderno e na lousa, ignorando a sensação de que estava sendo observada. É claro que ela sabia que a olhava descaradamente, sentia como se uma corrente elétrica atravessasse seu corpo toda vez que ela cedia à curiosidade e tinha seu olhar cruzado com o dele. Já perdera o número de vezes que o pegara com o mesmo olhar instigador, como se quisesse arrancar algo dela que nem ela mesma sabia.
- Vamos embora daqui. - disse apressada aos gêmeos quando o último sinal tocou e ela atravessou a porta da sala de aula.
- Você está bem? - Cian a segurou por um dos braços quando ela colocou a mão na cabeça, fechando os olhos. Naquele momento, atravessava a porta colocando a mochila despreocupadamente sobre o ombro.
- Estou, foi só uma tontura. - sorriu tornando a abrir os olhos. - Deve ser fome. - ela abraçou Cian pela cintura e apoiou a cabeça no ombro do mais velho enquanto se dirigiam à saída. Ao passar pelo portão da escola, aventurou-se mais uma vez e olhou para trás dando de cara com a poucos passos deles. Estava de óculos escuros, mas ela tinha certeza de que ele a encarava; ficou mais do que claro quando ela percebeu aquele estranho arrepio percorrer-lhe o corpo. Estreitou o abraço com Cian e seguiram para o carro o mais rápido possível.

- Philadelphia, Cian, a que devo a presença de vocês? - Felix pousou os óculos de leitura sobre a mesa forrada de documentos de seu escritório e encarou os vampiros à sua frente, sério.
- Senhor, acho que temos um problema. - Philis engoliu seco, odiava levar conversas sérias com o chefe.
- Ora, minha querida, não há problema sem solução não é mesmo? - o Sr. Griffiths relaxou um pouco, mas os jovens continuaram tensos.
- Receio que ainda não tenhamos conseguido chegar a uma solução, senhor. - Cian pigarreou, a expressão do mais velho tornou a ficar séria. - E corre perigo.
- Mas vocês podem protegê-la, não? - ele levantou-se e os jovens deram um passo para trás.
- Senhor Felix, por favor, entenda. Por enquanto é algo fora de nosso alcance, mais poderoso.
- De que diabos estamos falando aqui? - a voz do homem se exaltou um pouco.
- Não sabemos ainda, mas estivemos pesquisando. É uma entidade sobrenatural, aparentemente letal para nós, vampiros.
- E para a minha preciosa?
- Não apresenta risco fatal, mas pode fazê-la desmaiar e provocar tonturas. Estamos trabalhando nisso, mas ele parece obcecado em tê-la por perto.
- Quanto tempo vocês acham que levarão até ter alguma pista sobre essa criatura? Devo manter em casa? Cancelar a festa de caridade?
- Felix, acalme-se, não podemos tomar medidas drásticas. - Philis se ouviu dizendo. - No colégio ele não representa risco, viemos o observando durante todo o dia e, apesar dele estar em todas as aulas de , não tentou nada com ela.
- Até agora. - completou Cian recebendo um olhar mortal da irmã.
- Como eu ia dizendo, - Philis chamou a atenção do empresário para si novamente. - estou certa de que não convidá-lo para a festa de caridade já será de grande efeito. Afinal, na festa não teremos tanto controle sobre como temos no colégio.
- Está bem, que assim seja. - ele fez algumas anotações e os gêmeos se entreolharam satisfeitos.
- Desculpe papai, mas eu tenho de intervir. - adentrou o escritório de supetão, pisando duro e com a expressão nada feliz.
- Preciosa, estamos decidindo o que é melhor para você. - o pai acalmou a voz.
- Não, papai, você está impedindo um civil de entrar na festa que é aberta para todos da cidade. Não percebe? O senhor já é tido como neurótico por designar dois vampiros como meus seguranças. Como ficaremos depois que você impedir que entre em nossa casa em uma festa para todos?
- , na festa não poderemos estar de olho em você o tempo todo, é muito arriscado. - Cian interviu com a expressão calma.
- Como vocês mesmos disseram, ele não é fatal. Portanto, não estou correndo perigo. Papai, não temos argumentos sólidos para impedi-lo de entrar na propriedade. Ouça o que estou lhe dizendo, deixe-o vir à festa, eu vou ficar bem.
- Está bem, querida, como quiser. - Felix sorriu por fim e rabiscou suas anotações.
- Mas senhor... - Philis virou-se para o chefe, indignada.
- Philadelphia, você e seu irmão farão vista grossa sobre esse garoto. Não quero que nada saia errado nessa festa. Entendido?
- Sim senhor. - responderam em uníssono.
Os três deixaram a sala em silêncio e seguiu para seus aposentos logo em seguida. Ela não sabia o porquê de ter enfrentado seus amigos e seu pai, ela só sentia que precisava fazê-lo. não era uma ameaça, ela só precisava descobrir o que ele queria.

Os dias transcorreram ocupados demais para todos na mansão Griffiths, Cian e Philis passavam noites em claro procurando algo sobre , mas o que encontravam eram apenas registros vagos do garoto no colégio e na biblioteca de outros municípios. No final das contas, era uma trilha que levava a lugar nenhum. driblava as tarefas do colégio com os preparativos da festa que seria no final de semana. Havia tanto a ser preparado, embora mão-de-obra voluntária não faltasse, ela gostava de dar o seu toque especial em cada detalhe.
Na escola, todos já comentavam da festa na casa dos Griffiths e esse era a única desculpa que as pessoas tinham para conversar com . Umas perguntavam sobre os trajes enquanto outras questionavam a lista de convidados, havia ainda as que queriam saber do cardápio e, por último, as famílias que leiloariam seus pertences na festa. A pequena Griffiths quase enlouquecia tendo de gerenciar tantos itens, usando todo o seu tempo livre para catalogá-los.
Estava sentada em uma das mesas do refeitório do colégio, concentrada na prancheta que preenchia, com letra de mão impecável, o nome, descrição e número dos itens a serem leiloados. Para isso, obtinha ajuda de seu palmtop onde todas as informações estavam armazenadas. De repente alguém estava ao seu lado, não era um dos gêmeos, ela poderia sentir se eles estivessem à espreita. Além do mais, era impossível que já tivessem se livrado da fila do almoço, eles insistiam que ela comesse mesmo que quase não sobrasse tempo para uma ou duas garfadas.
- Precisa de ajuda? - como a voz dele poderia parecer tão angelical e tão diabólica ao mesmo tempo? Seu corpo todo tremeu, mas ela manteve o lápis firme entre os dedos e continuou a escrever. - Não adianta me ignorar. - ele sentou-se ao seu lado e suspirou, derrotada.
- Não, eu estou bem, obrigada. - ela sorriu forçado e o olhou. Não conseguiu evitar a análise demorada em seu rosto e nos detalhes do mesmo o que o fez sorrir vitorioso.
- Está bem, te vejo na festa então. - ele roubou-lhe um selinho e seguiu seu caminho, deixando a menina intrigada.

Sábado havia chegado em um piscar de olhos. A mansão dos Griffiths estava lotada de empregados, todos empenhados em deixar tudo pronto para a festa que teria início às 16hrs. corria de um lado para outro, verificando se tudo estava sendo executado com cuidado e perfeição, os gêmeos a seguiam avisando que já era quase hora dela se trocar, se quisesse ficar pronta a tempo de receber os convidados. Mas sempre dava a desculpa de que precisava checar só mais uma coisinha.
Eram 15h30min quando a pequena foi praticamente arrastada para o quarto pelos gêmeos e só então pôde se concentrar nela mesma, correndo se arrumar. Optou por um vestido branco tomara-que-caia com uma fita preta em contraste, sandálias pretas, um coração de prata de corrente, sombra lilás e um batom rosa bem clarinho apenas para dar um brilho em seu rosto. Tomou a bolsa prata em mãos e saiu do quarto apressada; o relógio já apontava 15h54min.
- Como estão as coisas? Tudo pronto? - perguntou afobada para Philis, a qual analisou-a de cima a baixo.
- Uau, você está uma gata! - riu ela ajeitando o vestido preto básico que vestia.
- Você também está maravilhosa! - beijou-lhe a bochecha e já saiu em disparada à entrada da casa. Philis olhou o irmão do outro lado do salão e riu com a afobação da mais nova. Os primeiros convidados já apontavam nos portões da propriedade e fez questão de estampar um sorriso na face e cumprimentá-los, como uma boa anfitriã. Seu pai logo, logo se juntaria a ela, assim esperava.
- Alugou os gêmeos para terminar as tarefas da festa de hoje? - Felix surpreendeu a filha, sussurrando em seu ouvido enquanto acenava para alguns convidados.
- De maneira nenhuma papai, por quê? - virou-se para o pai, procurando os irmãos com os olhos.
- Não sei, os achei tão exaustos. - os olhos da mais nova finalmente focalizaram os vampiros no canto oposto do salão e ela pôde notar as olheiras profundas que circundavam seus olhos.
- Deve ser só coisa de vampiro. - deu de ombros, mas ainda preocupada.
- Certo. Espero que estejam de olho em você.
- Eles já estão. - garantiu a menina virando-se novamente para frente e dando de cara com atravessando a porta principal. Completamente diferente das outras vezes que o vira durante toda aquela semana que se passara, o rapaz sustentava um olhar assustado e levemente abatido.
- Você deve ser . - Felix se adiantou, despertando de seu devaneio.
- Sim senhor. - ele estendeu a mão educadamente para o mais velho e olhou de esguelha para .
- Ouvi muito sobre você. - seu sorriso era inflexível, a filha não aprovava aquela expressão e deixou isso bem claro ao interrompê-lo.
- Aproveite a festa, . - seu sorriso pareceu acalmar o rapaz por um momento, mas ela viu a inquietação tomar-lhe conta no momento que ele colocou os olhos no grande salão.

- Srta. Griffiths, há um problema com a fonte no jardim dos fundos. - sentiu uma das empregadas lhe cutucar nas costas enquanto ela andava de um lado para outro do salão verificando se todos estavam confortáveis.
- Não tem ninguém da manutenção para verificar isso? - gemeu ela com o olhar perdido nos convidados e empregados, a procura de qualquer homem que vestisse um macacão marrom, o da manutenção.
- Infelizmente não, , houve um problema com um dos auto-falantes e estão tentando resolver antes do leilão começar. - a criada disse e logo em seguida se retirou. suspirou e seguiu para uma das portas do salão que dava para o jardim. Aproximou-se da fonte, a água transbordava de seu último degrau, era a fonte preferida de seu pai. Deveria estar entupida, pensou, enquanto dava a volta lentamente olhando para dentro procurando pelo dispositivo de escoamento da água.
Quando seu corpo já se virava de frente para a mansão, os olhos ergueram-se da fonte e ela se assustou com a presença repentina de . Ele mantinha as mãos nos bolsos da calça social que vestia e transportava o peso de um pé para outro em seus confortáveis sapatos pretos. A blusa branca estava aberta dois botões, deixando parte de seu peito visível, as mangas dobradas até a metade do antebraço. O conjunto pareceria perfeito se não fosse pela expressão preocupada e abatida do rapaz que agora se dava mais intensamente.
- , você me assustou. - colocou a mão sobre o peito terminando de dar a volta na fonte e ficando de frente para o rapaz.
- Desculpe, não tive a intenção. - Petulância. sentia falta dela em sua voz.
- Você está bem? - tentou parecer simpática, mas sua voz saiu levemente urgente.
- Eu preciso que você venha comigo. - a voz grave e séria de fez o corpo de tremer. Seus olhos deixaram de mirar o gramado para encarar os preocupados da menina.
- O que aconteceu? - ela se aproximou mais alguns passos e tocou-lhe o braço. Rapidamente o rosto do rapaz empalideceu. - , o que você tem? - suas delicadas mãos se direcionaram para as bochechas do rapaz, mas antes que as tocassem ela ouviu atrás deles.
- , fique longe dela! - Era a voz de Cian. não perdeu tempo olhando para trás, segurou pelo pulso e a puxou na direção oposta.
- Eu preciso que você venha comigo. - repetiu ele, agora mais urgente. sentiu ser puxada para trás e gritou, Philis a segurava pelo outro braço.
- Você não vai a lugar algum com ela. - esbravejou a vampira puxando com força para trás. A mão de soltou-se dela e a menina perdeu o equilíbrio, esbarrando no áspero concreto da fonte e ralando o antebraço.

Capítulo 4.

Cian e Philadelphia olharam de imediato para a mais nova que segurava o antebraço fazendo pressão. Quando soltou, percebeu o sangue que escorria, apesar de pouco, mas que foi suficiente para atiçar os vampiros sedentos que tinha logo à frente. sabia; as longas noites que haviam passado em claro procurando saber sobre e esqueceram-se de se alimentar.
Aquele lugar não era mais seguro, ela via nos olhos de seus guardiões o quanto eles lutavam contra o instinto para não machucá-la. Ela viu atravessar a distância entre eles em largas passadas e tornar a pegá-la pelo pulso, puxando-a para longe dos vampiros famintos.
- Eu sinto muito. - disse ela para os gêmeos antes de se afastarem completamente. seguia em silêncio, deixava que ele a guiasse por entre as árvores de seu imenso jardim, ele parecia com pressa e ela estava com medo de perguntar. Enquanto ela via a mansão se distanciar, seus olhos se encheram de lágrimas, Cian e Philis nunca se perdoariam por tê-la deixado ir. Em parte ela também se sentia culpada, pensava que deveria ter resistido e exigido saber para onde estavam indo. Mas era como se estivesse no modo automático, em algum lugar lá no fundo, sentia que precisava acompanhar .
Chegaram a uma pequena parede de pedra coberta de trepadeiras verdes e começou a tateá-la um tanto quanto apressado até que bateu em algo oco, empurrou lentamente e deram de cara com uma passagem. O lugar era frio e escuro, apenas um corredor apertado em forma de escadaria que os levaria até onde não conseguia enxergar.
Entraram ambos e fechou a porta, entretanto, não o seguiu nos degraus abaixo. Ele voltou-se e segurou-a no rosto, olhando-a nos olhos. Agora uma fraca iluminação os circundava.
- Você está bem? - foi a vez dele de perguntar, seu olhar preocupado analisava o rosto levemente úmido de . - Por favor, confie em mim, eu explico tudo depois. - foi tudo o que pediu e a menina concordou, mas ainda assim chorando estendeu-lhe o braço arranhado. o olhou e, em seguida segurou provocando um gemido de dor na mais nova, mas que logo sumiu. Soltou-lhe o membro e este estava curado. Não houve tempo para questionamentos, tornou a ser puxada escada abaixo.
Depois de minutos, que mais pareceram horas, de descida, eles finalmente chegaram à outra porta. a abriu e entraram em uma sala sofisticada e levemente mais fria. Pintada de vermelho queimado até o teto com detalhes em dourado, a sala possuía alguns sofás e uma mesa mais ao fundo com três mulheres enterradas no meio de papeis e mais papeis. Ele não se dirigiu a nenhuma delas, apenas puxou a menina para se sentar em um dos sofás e depois de esfregar as mãos, nervoso, olhou-a finalmente.
- , onde estamos? - perguntou ela levemente ofegante. Um filete de fumaça deixou seus lábios mostrando o quão fria a sala estava.
- Entre o céu e o inferno. - franziu a testa tendo uma vontade repentina de rir, mas pela expressão de , ele falava sério. Seria um sonho? Um delírio? pigarreou e começou o que seria um longo discurso. - Há quatro anos, eu, meus pais e minha irmã estávamos viajando de carro quando, em uma curva da estrada da praia, sofremos um acidente. Minha irmã e meu pai sofreram ferimentos leves, minha mãe quebrou algumas costelas, mas eu entrei em coma com a pancada na cabeça.
"Durante dois anos eu fiquei nessa sala, ajudando àquelas mulheres a organizar a papelada. Eu só estava aguardando o meu julgamento, mas eu tinha certeza de que minha vida não poderia terminar ali. Eu ainda tinha tanto a viver! Por isso conversei com Hector, ele é o que chamamos de juiz por aqui. Disse a ele que tinha uma vida inteira pela frente e que ele não poderia me deixar morrer daquele jeito. Ele concordou, achou que eu tinha um bom ponto, carismático, e me colocou em busca de uma pessoa que justificasse o meu desejo de viver.
Há uma semana, quando eu te vi atravessar a porta daquela casa eu sabia que seria você, só precisava ter certeza para não me precipitar. Nós nos beijamos e só então tive a certeza absoluta de que você era a pessoa certa.
No começo eu vi que ninguém me aceitaria, eu me sentiria deslocado, mas precisava continuar lutando. Você tinha seus obstáculos, seus guarda-costas não gostavam de mim o que fazia da minha tarefa ainda mais difícil. Pensei em mil maneiras de conseguir a sua atenção sem parecer o cafajeste que fui durante esses seis dias. Eu não sou assim.
Por fim resolvi que precisaria deixar levar, mas hoje de manhã recebi a notícia de que meu tempo estava acabando, eu precisava trazê-la para cá e provar que ainda tinha minha vida para viver. E essa é a minha história."

olhou do estofado para a menina estupefata e respirou fundo enquanto esperava por uma reação. franziu o cenho inúmeras vezes, inspirou e expirou lentamente, abriu e fechou a boca. Afinal, resolveu se manifestar.
- Mas o que seus pais acharam quando você saiu do coma e veio com essa ideia maluca? - ela se abraçou, estava com frio. riu fracamente.
- , eu não saí do coma.
- Mas como você...? O que você...? - ela não conseguia terminar uma pergunta que fosse, estava confusa. Afinal, que espécie de brincadeira de mau gosto era aquela?
- Sr. , Hector irá vê-lo. - uma das senhoras anunciou interrompendo a linha de raciocínio de . apontou para uma porta atrás das mesas e pegou a menina pela mão, levando-a até a sala. No caminho, começou a explicar.
- Eu sou o que se pode chamar de espírito inquieto. - ele sorriu de canto.
- Você é de verdade, não é um simples fantasma! - protestou a menina.
- Faz parte da minha missão, para procurar por uma pessoa eu precisava me parecer com uma e viver entre os mortais. - ele explicou calmamente. Não era como se explicasse uma história chata, mas também não havia nada de sensacional na maneira como o fazia.
- É por isso que você não pode tocar Cian e Philis?
- Assim como eles não podem entrar em igrejas nem tocar objetos sagrados. - concordou e continuou a explicação. - Eu pertenço à luz e eles, às trevas.
- Mas seu toque pode matá-los. - o comentário da menina arrancou-lhe risos.
- Não chega a tanto, mas posso machucá-los. E muito. - engoliu seco.
- E por que não o fez para chegar a mim? - ela o olhou de esguelha, a porta estava cada vez mais próxima.
- Porque eu não sou egoísta e sei apreciar o amor que você nutre por eles. - sorriu-lhe simpático. - Nunca seria capaz de destruir a ligação entre vocês, isso seria cruel!
Eles haviam chegado à tão esperada porta. respirou fundo tentando deixar o nervosismo de lado, sorriu o encorajando e sua mão se entrelaçou com a dele.
- , espere. - o interrompeu antes que ele sequer tocasse na maçaneta. - E quanto ao desmaio? Foi você?
- É. - ele coçou a nuca. - Mas não foi por mal, eu juro. É só a maneira que eu tinha de me alimentar. Sugamos a energia das pessoas, se estivesse em uma sala lotada de pessoas, como naquela casa ou na classe, você nunca notaria porque eu sugaria um pouco de cada um. Mas no quarto, apenas eu e você, eu não tinha outra fonte. Me desculpe.
- Sem problemas. - e ela finalmente o liberou para girar a maçaneta. Entraram na sala.
- Ora, ora quem temos aqui, o jovem . - ouviram uma voz bem humorada vir de uma tribuna e procurou com os olhos. Pouco acima estava um homem de óculos, fazendo anotações rápidas em um maço de papeis. A expressão tranquila imediatamente levou calma aos jovens que se aproximaram da mesa alta com o mais velho que ainda não havia tirado os olhos do que fazia. - Me parece que me trouxe uma jovem... - ele encarou tirando os óculos e depois sua fala morreu quando avistou . - Mas você é... não é possível! - tornou a olhar o rapaz que dessa vez apresentou um olhar confuso. Entreolhou-se com e ambos voltaram a encarar o velho que se virava na cadeira. - Maleese, venha ver quem está aqui.
continuava com a expressão confusa, mas já havia se acalmado; Maleese era a principal ajudante de Hector e a que mais o ajudara naquele tempo que ele havia passado ali. Uma mulher alta, esbelta e magnífica surgiu de outra porta vestindo um vestido longo e esvoaçante levemente cor-de-rosa. Os cabelos longos caíam sobre as costas em perfeitas ondas. ficou deslumbrada ao ver a linda mulher que se encontrava à sua frente, mas encantada mesmo ficou a mais velha ao olhá-la nos olhos.
- Oh Hector, é ela mesma? - virou-se para o homem que concordou tão maravilhado quanto ela.
- Sim minha querida, é ela. Griffiths. - sua voz tinha um tom de celebração. olhou mais uma vez para o rosto da mulher e a comparação foi inevitável. Era idêntica à da foto que seu pai tinha na sala de relíquias da família; ela era...
- Mamãe? - perguntou a mais nova provocando surpresa em . Maleese sorriu, os olhos rapidamente se enchendo de lágrimas.
- Sim, meu amor, sou eu. - ela abriu os braços. A menina se sentiu receosa, seria ela tão material quanto ou seria apenas um espírito? andou lentamente até ela e primeiro tocou-lhe os dedos da mão. Ao ver que eram reais, rapidamente atirou-se nos braços da mãe.
- É um rapaz de sorte, meu caro . - Hector virou-se para que observava a cena com um sorriso largo.
- Consegui provar o valor de minha vida, Hector. Está bem ali. - ele apontou para .
- Muito bem, muito bem. - ele puxou uma pequena pasta. - Vejo que em breve você poderá voltar a seu corpo meu jovem. Ansioso para rever seus pais?
- Não tem ideia do quanto. - ele sorriu e olhou mais uma vez para que agora ria frente a frente com sua mãe.
- Não poderia ter escolhido melhor rapaz minha filha. é um amor de pessoa.
- Eu sei mamãe. - ela sorriu para ele que se sentiu corar levemente.
- , acho que tenho boas notícias. - Hector interrompeu os devaneios do rapaz, qualquer boa nova seria uma ótima notícia!
- Diga qual é Hector! - Maleese o incentivou.
- Devido ao seu sucesso e grande empenho, tenho o orgulho de lhe designar não só sua vida de volta, como também a maravilha da imortalidade.
- Está falando sério? - começou a rir, animado e bateu palmas. - Mas por quê?
- Acredite, você vai saber... no momento certo. - ele sorriu e terminou de assinar os papeis.
- Acho melhor vocês voltarem, seu pai deve estar ficando preocupado com você. - Maleese atraiu a atenção da filha para si que concordou em um súbito ataque de realidade. Havia se lembrado do pai e, ainda mais, dos gêmeos.
- Ah sim, não queremos encrenca com Felix Griffiths. - brincou Hector.
- Vá em paz minha filha, diga que mandei lembranças a seu pai. - a mulher abraçou a filha e beijou-lhe o rosto. concordou e sentiu-se imediatamente mais leve.
- Obrigado Hector. - apertou a mão do homem e despediram-se do lugar, caminhando para a saída.
e deram-se as mãos e tornaram a subir a longa escada que, agora, parecia muito mais iluminada. O caminho de volta foi bem mais curto, era como se a cada degrau subido equivalesse a dez, eles iam rindo, trocando olhares envergonhados. ainda absorvia os fatos recentes, para ela tudo ainda parecia um sonho.
havia se transformado em outra pessoa diante de seus olhos. De repente ele não era mais o garoto perigoso que ameaçava a sua paz e a de sua família, agora ele era apenas o garoto que gostava dela. E ela se sentia quase que do mesmo jeito.

Capítulo 5.

Faltavam poucos degraus, a iluminação que atravessava os vãos da porta estava cada vez mais evidente. diminuiu a velocidade, o sorriso desaparecendo de seu rosto subitamente. distanciou-se quando ela parou na escada, mas logo ela sentia seu corpo próximo ao seu, o olhar preocupado cruzando-se com o seu assustado.
- Tudo bem, ? - perguntou ele segurando seu rosto.
- , eu estou com um mau pressentimento. - ela passou a mão sobre o peito, o qual se encontrava frio e pesado. Era como uma premonição, algo lhe dizia para não sair dali.
- Não há porque se preocupar, estamos seguros agora. - ele sorriu e a levou consigo para o lado de fora. , entretanto, não deixou a expressão assustada e alerta.
O sol estava próximo ao horizonte, o leilão deveria estar no fim, presumiu a menina. O que Cian e Philis deveriam estar fazendo? Será que seu pai já sabia de seu sumiço? Pelo tempo que aparentemente haviam levado no outro mundo, era de se esperar que todos estivessem procurando por ela. Ainda assim, seu peito parecia pesado, as mãos suavam frio. estava feliz e ela não queria atrapalhar sua felicidade. Agora que conhecia sua história dava mais do que razão para ele estar radiante. Finalmente poderia voltar a viver dignamente.
Estavam perto do lago, reparou, por isso deu-lhe a mão e passaram a caminhar por uma das trilhas que havia ao redor. A casa já estava toda iluminada e algumas pessoas encontravam-se no jardim aproveitando a brisa refrescante que estava dando naquele fim de tarde. observava o céu com outros olhos, olhos deslumbrados, como se o vissem pela primeira vez. A pequena Griffiths, pelo contrário, sentia-se cada vez pior. Era como se carregasse um enorme peso às costas, cada passo ficava mais difícil de ser dado.
Resolveu dar uma olhada ao redor, talvez achasse um dos gêmeos. Uma silhueta próxima às árvores lhe chamou a atenção. Vestia calça social, camisa vermelha e gravata preta. Parecia-se muito com a roupa que seu pai estava vestindo para a festa.
Ele se virou na direção dela e de e, pelos raios de sol, o identificou como sendo realmente seu pai, mas a expressão estava séria, até certo ponto furiosa. O olhar não se dirigia a ela e, sim, a . O rapaz não olhava naquela direção, pôde notar quando olhou de esguelha para ele, distraído com o sol. Tornando a olhar o pai, um brilho prata ofuscou de início seus olhos, ela colocou uma das mãos a frente para tentar enxergar algo a mais, mas nada viu. Ao longe, encontrou duas silhuetas correndo na direção do mais velho.
- Felix, pare! - gritavam as vozes de Cian e Philis. - Pare!
O peso tornou-se praticamente insuportável, finalmente podia ver que, o que o pai segurava, era uma de suas pistolas de coleção. Ele a mirava na direção de . Então ele sabia, sabia que o rapaz a havia raptado. Os gêmeos haviam lhe contado. Ela até poderia ver, mandariam prender e ele não viveria mais a vida que por tanto tempo esperara.
Empurrou o rapaz para as suas costas, deixando seu corpo inteiramente virado para o do pai enquanto o mesmo servia de escudo. Foi no momento certo em que o tiro havia sido disparado, virou-se para ver o porquê do estampido ensurdecedor, mas tudo o que viu foi o corpo de dar um solavanco.
Seus braços estenderam-se para receber a amada que levara o tiro, o qual havia sido para ele. O vestido branco de rapidamente era manchado de vermelho, a bala havia penetrado certeiramente sobre seu peito. gritou a plenos pulmões, estava assustado. Caiu de joelhos ainda mantendo a menina em seus braços enquanto ela gemia, respirando descompassadamente.
- Por quê? Por quê? - ele gritava trazendo-a para perto. - Não, eu prometi que não a deixaria sofrer. - repetia para si mesmo enquanto as lágrimas escorriam por seu rosto. - , por favor, fique comigo.
Mas nenhuma palavra deixava os lábios secos da menina. Ela sentia frio, muito frio. Seu corpo começava a formigar e as lágrimas embaçavam a visão que ela tinha de um devastado. Pelo menos ele estava bem, era isso que importava. Seus olhos já insistiam para que fechassem, mas ela precisava vê-lo uma última vez. aproximou seu rosto do dela e fechou os olhos com o intuito de selar seus lábios, mas ela desfaleceu antes que eles chegassem a se tocar. Nem um pedido, um último suspiro, nada. morrera em silêncio.
grudou seus corpos e chorou descontroladamente, vez ou outra gritando desesperado. Como aquilo era possível? Em um momento recuperava a sua vida e no outro o motivo de tê-la recuperado lhe era tirado. Seus olhos focaram o sol que tocava o horizonte, tudo acontecia em câmera lenta. A dor esmagava seu peito, era um sentimento de injustiça tremenda que lhe tomava. Ninguém viera socorrer a sua pequena. Ninguém.
Onde estavam seus guardiões agora? Onde estava seu pai super protetor? Ninguém viera ao socorro de e agora ela se fora. As mãos de estavam manchadas de sangue, sangue ainda quente. Nada o deixava mais desesperado do que vê-la pálida e inerte em seu colo. A brisa os cortava, esfriando rapidamente o corpo de , o qual ele tentava manter aquecido, sem sucesso. As lágrimas não cessavam, pensava que nunca mais poderia viver, sua vida eterna agora não tinha sentido.
O sol desaparecera por completo no horizonte, estava frio, as lágrimas já secas de formavam uma película grossa sobre suas bochechas vermelhas. Os olhos estavam inchados e a garganta não desfazia o nó, por mais que soluçasse. O corpo da mais nova já não levava nenhum resquício de calor, estava frio e pálido, o vestido manchado de vermelho por completo, a grama ao seu redor também levava o mesmo tom cor de ferrugem.
As luzes do jardim começavam a se acender lentamente, ainda chorava inconsolável. Diversos pensamentos já haviam cruzado sua mente, mas ele não tivera forças para se levantar dali. Não queria deixá-la sozinha.
Sentiu um espasmo e olhou para baixo, deveria ser sua perna já reclamando de fadiga, como acontecia com todo humano. Mas quando inspirou num baque surdo, abrindo os olhos de supetão, seu coração quase saiu pela boca. Ela começou a tossir, enquanto se sentava lentamente e o rapaz parecia aterrorizado. Ela tocou o peito, também surpresa e em seguida o olhou. Seus lábios curvaram-se em um sorriso maravilhoso e ela o abraçou.
demorou um tempo ainda para conciliar que aquilo era mesmo real e não um sonho. Envolveu os braços nela e inspirou seu perfume no pescoço que tornava a ficar quente, o sangue pulsando.
- Mas como...? - o nó na garganta não deixou que ele terminasse a frase.
- Eu não sei. - respondeu-lhe a menina e procurou por possíveis falhas no projétil que a acertara. Mas tudo o que encontrou foi um pedaço de pergaminho. Olhou para enquanto pegava-o nas mãos e desdobrou rapidamente, curiosa.

"Minha querida filha,
Vejo que a profecia aconteceu mais cedo do que qualquer
um de nós poderia esperar. Você, ao defender aquele que
ama, despertou a sua imortalidade. Sinto muito por não ter
lhe contado quando nos encontramos, Hector disse que seria
melhor assim e agora eu vejo o porquê. É preciso muita coragem
e, acima de tudo, amor para fazer o que você fez. Estou muito
orgulhosa e espero que você e agora possam viver
juntos a eternidade. Sei que agora deve estar se perguntando
como isso veio a acontecer, bem, há dezesseis anos eu me
sacrificava pela pessoa que significava o meu mundo inteiro.
Quando cheguei aqui, descobri que você havia sido a escolhida
e que poderia viver eternamente se a mesma prova de amor
fosse feita. Você ama a esse rapaz tanto quanto eu lhe amava
e ainda amo. Vocês estão seguros agora, nada os separará.
Estarei sempre ao seu lado, minha menina, olhando por você
e por aqueles que amamos. Fique em paz.
Com todo o meu amor,
Sua mãe."


As lágrimas escorriam pelo rosto de quando ela terminou de ler o texto em voz alta para o rapaz ao seu lado. a mantinha entre suas pernas, uma das mãos entrelaçada à da menina e o queixo apoiado em seu ombro, próximo ao seu perfume que o acalmava. Ela estava viva e seria para sempre dele. Por isso Hector havia lhe dado a imortalidade, para que ele e pudessem viver eternamente juntos.
- É melhor entrarmos, eles precisam ver que eu estou aqui. - fungou enquanto se levantava balançando a terra do vestido. Estendeu a mão à que, sorrindo, aceitou e se levantou também.
Andaram calmamente de volta à silenciosa casa já que, com o tiro, todos os convidados haviam ido embora. Ela o guiou até o escritório de seu pai, tinha certeza de que o homem estaria lá. E, de fato, estava. podia ouvir sua voz arrasada ao conversar com Philadelphia e Cian; ela segurou sua respiração e abriu a porta.
Os três olhares se direcionaram para ela, chocando-se lentamente. A pequena Griffiths nada disse, apenas caminhou na direção do pai, o qual possuía a face avermelhada e umidificada pelas lágrimas, e entregou-lhe o papel com a caligrafia de sua mãe.
- Não espero que entenda. - ela optou por dizer alguma coisa, do contrário, talvez seu pai pensasse que estava ficando louco. - Só quero que acredite e veja que ainda estou aqui, e sempre estarei. - seus dedos tocaram o rosto do pai. - Mamãe pode não ter ficado, mas eu estarei aqui para cuidar de você, pai.
- Me perdoe, . - Felix aproximou o pedaço de papel do peito e abraçou a filha com força. sorriu e apoiou a cabeça sobre o ombro do mais velho, fechando os olhos. - , meu garoto, eu sinto muito tê-lo julgado mal. - ele tirou um dos braços da filha e estendeu ao rapaz que, até então, mantinha-se calado. Logo sentia o calor do corpo de ao lado do seu e estendeu o abraço para alcançá-lo também.
Ficaram por um tempo e depois se soltaram, olhou para os gêmeos; Philis tinha uma das mãos na boca, as lágrimas escorrendo, já Cian mantinha um sorriso bobo no rosto, levemente emocionado. A mais nova correu abraçá-los, um abraço tão forte que eles começaram a rir, os gêmeos a beijaram na bochecha, um de cada lado, e finalmente se soltaram para olharem-se nos olhos.
- Agora sou como vocês. - comemorou ela rindo.
- É bom saber que não vamos ficar sozinhos. - Cian se entreolhou com Philis. - Mas e quanto a ele? - apontou para com a cabeça. - Conseguimos descobrir o que ele era pouco tempo depois de vocês nos deixarem, mas seu pai não quis nos ouvir.
- Ele conseguiu completar sua missão, agora é tão imortal quanto nós. - disse olhando orgulhosa para o rapaz que devolvia seu olhar, apaixonado.
- Parabéns . - Philis sorriu e o cumprimentou com um abraço; seu irmão deu-lhe um aperto de mão. - Agora você também poderá cuidar dela.
- Ah não, mais um? - reclamou, brincalhona, e todos riram. - Falando em cuidar, se nos derem licença, temos uma família para visitar. - ela olhou para que concordou. - Estaremos de volta para o jantar.
- É claro, vão com cuidado. - Felix sorriu e despediu-se deles que, dando-se as mãos, deixaram o cômodo, sentindo-se mais leves.
- Só preciso trocar a roupa. - a menina Griffiths olhou para o vestido manchado de sangue e riu consigo mesma. Entrou no quarto, mas não percebeu que havia entrado logo atrás de si e fechara a porta. Virou-se e tomou um leve susto ao ser surpreendida por seus lábios macios e quentes. Agora ela não se sentia fraca e nem tonta, sentia-se explodindo em felicidade.
- Eu tenho certeza de que Hector está ajeitando algumas coisas sobre o meu paradeiro, temos um tempo livre. - sussurrou a centímetros dos lábios da amada, levemente ofegante. - E eu quero aproveitá-lo com a minha garota.
sorriu segurando nas bochechas de com delicadeza, aproximou seu rosto do dele e novamente colaram os lábios. Dessa vez sentiram um gosto diferente, era doce e suave, os fazia se sentir bem. e logo perceberam: era o gosto do amor que se consolidava entre eles, naquele momento, para durar até... bem, até o infinito.




FIM


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