Why enemy, Jones?
Autora: Lêê
Status: Em Andamento
Revisada por: Pamela Leão
Categoria: Danny Fics
Sub-Categoria: Longfic + Suspense
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[UM]
É tão bom sentir o cheiro dele, sentir seu calor. É ótimo ficar ao lado dele. Pergunto-me se talvez ele saiba disso, e logo a resposta surge em minha cabeça. Não.
Porque eu não conto? Talvez pelo fato dele ser, digamos, meu inimigo. Inimigo, palavra dada pelo meu pai a todos aqueles “malditos” Jones. Não qualquer Jones, caso contrário ele teria que odiar quase toda a Inglaterra, Os Jones. Aqueles que sempre davam um jeito de estragar os momentos mais felizes do meu pai, ou seja, os meus momentos também.
Agora você deve estar se perguntando como eu sei do cheiro dele, e como eu sei que é bom ficar ao seu lado. Aí eu simplesmente te respondo com poucas palavras. Jogos de inverno na França.
O que fazemos nos jogos de inverno na França e ainda juntos? Isso não é tão simples assim, mas eu explico brevemente. Danny pratica hockey e foi eleito melhor de nossa cidade, meu pai ficou extremamente bravo e foi aí que eu comecei a jogar hockey, e virei a melhor jogadora no estado. Mas como dizem, a concorrência de Danny era muito mais forte que a minha, ou seja, dizem que Danny joga melhor do que eu. Verdade.
Eu nunca dei muita bola pra essa história de inimigos, mas sempre fui submissa aos meus pais, então nunca os desobedeci. Já o Danny, ele sempre fez questão de me humilhar, fazer algo para me deixar pra baixo e acreditem quando eu digo que ele sempre conseguia. Ele nunca negou a raça Jones.
Estávamos todos sentados em uma roda na grande sala de convenções do hotel, obvio que ninguém ali se atreveria a beber tendo jogo no dia seguinte, mas mesmo assim tinha um povo bem doido naquela sala.
- Você vai pescar, Mark? – Matt perguntou.
- Não, vou pescar. – Mark respondeu.
- Ah, pensei que você ia pescar. – Matt deu os ombros.
Não entendi a piadinha, mas a maioria ali começou a rir sem parar. Vai entender.
- Um segundo gente, porque a Strat não entendeu. – Jones pediu a todos e vários pares de olhos me encararam.
Eu soltei um risinho e abracei as minhas pernas e dei graças a Deus que o treinador entrou na sala.
- Vamos dormir! Amanhã temos um grande jogo. – Os garotos tinham um grande jogo, o time feminino só jogaria à tarde, mas do mesmo jeito seriamos obrigados a dormir.
Eu fui umas das últimas pessoas a sair da sala e a primeira a cair no chão, por sorte não tinha ninguém por perto.
- Não sei por que você tenta se levantar, sendo que seu lugar é no chão. – Danny falou surgindo atrás de mim.
- Boa noite, Alan. – Sai em direção ao meu quarto.
Por que eu o chamo de Alan? Porque chamar o menino que eu mais amo de Jones, machuca... e chamá-lo de Daniel seria íntimo demais.
- Dude, deixa ela em paz. – Ouvi a voz de Mark atrás de mim.
- Não se mete, ok? – Danny praticamente rosnou para Mark, mas eu não fiquei ali para escutar o resto da conversa.
Os meninos ganharam o jogo de manhã. Eu estava me preparando pra entrar quando Mark apareceu no vestuário feminino. As meninas saíram de perto e eu fiquei esperando ele dizer algo.
- Sabe o último ponto do jogo? – Eu sorri e ele continuou falando. – Eu marquei ele pra você. – Mark chegou muito perto de mim.
- Err... Brigada. – Respondi meio insegura e com certeza muito vermelha.
- Você fica linda corada, sabia? – Mark tentou melhorar a situação, mas pra mim piorou e muito.
- O-O-Obrigada, eu acho. – Falei baixo as últimas palavras e sorri mais vermelha do que antes, mordendo meu lábio logo em seguida.
- Nossa, você só sabe falar isso? – Danny parou ao lado de Mark.
- O que você ‘tá fazendo aqui? – Mark perguntou entre dentes, visivelmente irritado.
- Eu tenho o mesmo direito de estar aqui que você. – Danny abriu um sorriso cínico e virei os olhos.
Coloquei a minha luva e fechei meu armário com força. Beijei o rosto de Mark e sai do vestuário deixando os a sós.
Nós também ganhamos nosso jogo, e como prometido nossa recompensa seria rodízio de pizza pago pelo treinador. Diferente do time feminino o masculino comemorou em algum pub que permitia a entrada de garotos com 17 anos. Dormi cedo naquela noite, pois na manhã seguinte teríamos um dia livre.
A dama de Paris ficava perfeitamente linda coberta de neve, mas eu ficava completamente obesa com aqueles dois casacos. Já estava acostumada com o frio, Derby – Inglaterra – consegue ter dias bem piores do que esse, mas a magia de Paris dava ao ambiente um calor especial.
Sorri comigo mesma quando vi Danny caminhar até mim, mas com certeza meu sorriso seria tirado quando ele se aproximasse fazendo algumas das suas brincadeirinhas.
- O treinador está te chamando. – Ele falou sem tirar nenhuma graça pra minha surpresa.
Afinal que tipo de piada era essa? Estávamos todos nos campos que davam para a torre, o treinador já teria chamado todos ali, não somente eu.
- Anda. – Danny falou sério vendo que eu não me mexia.
- ? – Escutei a voz de Mark.
- Oi. – Respondi a ele e Danny revirou os olhos.
- Se você acha melhor contar a ela agora... – Danny parou alguns segundos e voltou a falar. – Só a lembre que o vôo é daqui 2hrs para Derby. – Danny deu os ombros e saiu dali.
Eu olhei confusa para Mark, mas ele apenas pegou a minha mão e me abraçou. Abraçou tão forte que eu senti o coração dele bater através de todos aqueles casacos. O que realmente estava acontecendo para eu ter que voltar para Derby? Será que eu fui desclassificada? Por que Mark não dizia nada? Danny não havia me zoado?
Finalmente a ficha começou a cair alguém deveria ter morrido. Mesmo sem saber se era isso, lágrimas começaram a cair dos meus olhos e então Mark me encarou.
- Quem? – Eu perguntei com a respiração pesada.
- Sua mãe. – Ele voltou a me abraçar e eu o abracei com toda a força que eu pude.
[DOIS]
Seis meses haviam se passado desde a morte de minha mãe e nesses seis meses nunca vimos aquela casa brilhar novamente. Kico e eu tentávamos alegar nosso pai, mas a verdade era que nenhum de nós dois estava bem para alegrá-lo.
Sai do hockey e dediquei mais tempo a Kico, ele precisava mais de mim do que qualquer outro. Às vezes me coloco no lugar dele, como seria pra mim perder a mamãe com 7 anos... Acho que eu morreria.
Nesse meio tempo não vimos nenhum tipo de palhaçada dos Jones. Na escola eu mal via Danny – o que era muito bom. Mark me apoiou muito no começo e ainda apóia, criamos um laço muito forte.
Como de costume toda tarde eu e Kico saiamos para caminhar no parque com a Raia, nossa cachorrinha.
Estendi um tolha no gramado e puxei meu livro de dentro da bolsa, enquanto Kico brincava, eu lia, nossa mãe fazia isso geralmente.
- Kico não vá muito longe! – Berrei vendo ele e a Raia se distanciarem.
- Bancando a mamãe, Strat? – Fazia muito tempo que eu não escutava a voz dele.
Abaixei os óculos até metade do meu nariz olhei por cima deles e os coloquei novamente, fazendo de conta que eu não ligava para o que ele falava.
- Você não se importa, não é? – Danny sentou ao meu lado e mais a frente vi Kico brincando com Vicky, a irmã mais nova de Danny.
Voltei a minha atenção para Romeu e Julieta, meu livro favorito.
- Então... err... Você vai passar direto esse ano? – O que ele estava tentando fazer? Ter uma conversa sociável? Onde ele queria ir com esse papinho?
- Vou. – Continuei o que estava lendo.
- Que bom. Você não vai voltar a jogar hockey? O time feminino andou perdendo os últimos jogos.
- Fala logo Alan, o que você quer?
- Preciso que você faça o Mark sair da equipe. Perdi uma aposta e preciso colocar o Richard na equipe.
- Eu nunca faria nada do tipo. Por que você não sai? – Eu estava brava, como alguém poderia me pedir isso? Seria uma imensa traição.
- Vamos Lê, eu...
- Não me chame assim. – O repreendi.
- Olha, se você tirar ele da equipe eu saio com você um dia desses. – O QUE? Como ele sabe? Meu deus eu preciso respirar! – O que acha? – Ele perguntou com aquela cara cretina dele.
Respirei fundo olhei a minha volta e soltei um risinho, pra disfarçar meu nervosismo.
- Por mais que seja tentador, não! – Levantei e acenei para Kico, não agüentaria ficar mais um segundo ali.
Ele levantou também e parou a minha frente.
- Mesmo sendo um pouco tarde, meus pêsames. Meu pai já tinha me pedido pra passar isso pro seu pai há algum tempo, mas nunca tive humildade suficiente pra te dizer isso. – Olhei incrédula para ele, não deveria estar escutando bem.
- Mana, deixa eu brincar mais um pouco com a Vicky? – Kico perguntou e logo eu vi a garotinha de cabelos cacheados vindo atrás, me lembrei de quando conheci Danny, diferentemente dessa chapinha oleosa que mantém, ele tinha perfeitos cachinhos. Sorri comigo mesma e mordi os lábios.
- Amanhã quem sabe, amor. – Respondi com delicadeza.
- Mas o papai nunca me deixa chegar perto da casa dos Jones, como vou brincar com ela? – Essa carinha dele me mata, como posso dizer não a ele?
- Ok, mas só 15 minutinhos. – Danny respondeu por mim.
Uma parte de mim gostava desse novo Danny outra estranhava tanto que eu sentia uma certa vontade de vomitar com essa mudança.
- Bem, eu devo presumir então que você e o Mark estejam namorando, certo? – Danny olhava para os pés enquanto falava comigo.
- Não, nós não estamos namorando. – Revirei meus olhos, como não tinha percebido todo o joguinho dele.
- Eu acho que você não vai fazer ele desistir, não é?
- Não.
- E novamente eu toco na mesma frase de sempre... Você sabe falar isso? – Mordi meus lábios numa forma de reprovação à pergunta dele.
Mas logo sorri quando vi o Mark vindo em nossa direção.
- Você pode falar com ele agora. – Sorri de um jeito irônico e recebi um abraço de Mark.
- Falar o que, Lê? – Mark perguntou.
- Fala Alan... ele está aqui, agora! – Não me segurei e soltei um risinho com a cara que o Danny fez depois do que eu falei.
- Ele te fez alguma coisa, Lê? – Mark perguntou confuso e fofo.
- Não fiz nada com ela. – Danny falou bravo. – Ainda. – Sussurrou tão baixo que eu demorei pra entender. Aquilo era uma ameaça?
- Eu estava pensando em ir à sorveteria com vocês dois. – Mark ignorava a presença de Danny. – Estou com o carro, podemos deixar a Raia em casa e ir. O que você acha?
- Perfeito. – Sorri e fui em direção ao Kico.
Quando voltei vi Danny indo em direção a Vicky e o Mark acabando de dobrar a toalha que usava para deitar na grama.
Deixamos Raia em casa e o Kico já com sono também quis ficar com o pai.
- Poderíamos ir comer um hambúrguer, né? Está frio e eu não quero que você pegue um resfriado.
- Por mim pode ser! – Sorri de um jeito gostoso e ele me acompanhou.
Ligamos o som e ficamos cantando “A Kind of Magic” do Queen e rindo ao mesmo tempo.
Chegamos na lanchonete sentamos numa mesa mais a fundo e fizemos os pedidos.
- Então o que o Danny queria contigo? – Sabia que mais cedo ou mais tarde Mark iria me perguntar isso.
- Ele queria que eu te fizesse desistir do time de hockey para o Richard entrar no seu lugar. – Tomei um gole da Coca dele. Criamos o costume de pedir dois refrigerantes de sabores diferentes e dividir.
- Richard? O Richard que vende...
- Eu não sei. Não conheço nenhum Richard. – Sorri de volta, mas Mark pareceu mais intrigado do que eu.
- Lê, o Richard é aquele cara alto que entra sempre acompanho de dois guris... Você, realmente, não sabe quem é? – Fiz que não com a cabeça e ele continuou. – Ele está sempre com um casacão e faz cara de mal para qualquer pessoa que a encare.
- Um que está sempre numa mesa no canto do refeitório?
- Esse mesmo! – Ele falou tão empolgado que me assustou. – Então, esse cara vende drogas na escola.
- Vende? – Agora sim eu estava assustada.
Minha mente foi a mil aquela noite. Será que o Danny poderia estar envolvido com as drogas, ou será que ele está vendendo drogas? Mas mesmo assim eu me esforçava para pensar que está tudo bem. Que ele só havia perdido algum joguinho e teria que pagar algum tipo de aposta.
Não consegui dormir, tinha que tirar aquela história a limpo, mas como? Não posso simplesmente chegar e perguntar: Danny você é usuário de drogas? Seria ridículo e ele com certeza negaria.
[TRÊS]
Matt saiu da equipe de hockey na semana seguinte, mesmo não sendo o Mark, Danny havia conseguido o que ele queria.
Ainda sabendo que ele não precisava mais de mim eu fui falar com ele. Sabem o que ele fez? Ele virou a cara e fez de conta que eu não existia. Já estava acostumada com isso. Bem que o Mark me avisou pra não me meter e se querem saber eu não tinha o porquê pra me meter. Ele não merecia nada, nada, nada, de mim.
Liguei o som do meu carro e fui em direção da escola de Kico, era sexta feira e sempre saímos juntos. Quando eu cheguei lá vi Danny segurando a mão de Vicky e na outra a de Kico.
Fiquei assustada de como ele podia ser tão falso até para uma criança inocente. Andei apressada até eles e quando ele percebeu que eu estava perto abriu um longo sorriso.
- ! Querida. Como você está? – Ele falou alto tirando a atenção de alguns pais para nós.
- Danny, solta o meu irmão! – Pedi entre dentes.
- Ah mana, para de ser boba. O Danny prometeu que ia levar a gente pra comer um hambúrguer maior que o meu rosto. – Kico falou feliz. Mas eu não estava feliz. Não mesmo, eu estava sentindo meu sangue estrangular minha cabeça. Queria bater no Danny ali mesmo.
Ele ia levar meu irmão para algum lugar e sem pedir autorização de ninguém. E pior ainda o comprou com comida.
- Quer ir junto? – Vicky perguntou doce para mim.
- Não. – Me segurei pra não responder grossamente, afinal ela não tinha nada haver com isso. Espero.
- Então vamos, crianças. – Danny apertou o alarme do carro dele.
- O Kico vai pra casa comigo! – Falei seria suficiente para o Kico não tentar revidar. – E você Jones, me deve muitas respostas. – Era rara as vezes que eu o chamava de Jones.
- Estou esperando pelas perguntas. – Danny falou sorrindo. – Anda , deixa os dois. A Vicky está me pedindo desde o parque para sair com o Kico, deixa eu levar os dois para uma lanchonete.
- Não! – Falei brava. – Kico entra no carro, agora. – Desliguei o alarme e o Kico entrou e fechou a porta com um beiço gigante.
- Acho melhor você também entrar no carro, Vicky. – Danny abriu a porta do seu carro para a irmã e a fechou me encarando. – Preciso falar com você, acho que isso responde algumas das suas perguntas. – Ele tirou os óculos de sol que antes estava preso na camiseta e os vestiu.
- Não pode só chegar e falar isso? Precisa envolver meu irmão? – Continuei com a postura rude.
- Dude, não dá pra falar isso na escola... – Ele hesitou.
- Continua.
- Vamos almoçar, pode ser? A gente vai até uma lanchonete no norte da cidade, lá tem um monte de brinquedos, enquanto as crianças brincam e te conto, fora que a comida é fenomenal. – Danny colocou a mão no bolso da calça e sorriu levemente.
- Não, Alan! Sinceramente não me interessa saber nada da sua vida, só não meta meu irmão e eu nos seus planinhos, okay? – Caminhei em direção ao meu carro e antes que eu pudesse entrar nele ele me puxou pelo meu braço de uma forma muita grosseira.
- Interessa sim. Aliás, deixa pra lá, talvez você nem quer realmente saber como a sua mãe morreu. – Danny soltou meu braço e paralisei. Não ia entrar no joguinho dele, mas algo me deixava com um pé atrás.
Entrei no carro mandei Kico colocar o cinto e sai daquela escola muito intrigada.
Deixei Kico em casa e fui ate a biblioteca.
Todo esse tempo só soube que a minha mãe morreu em um acidente de carro, não quis perguntar para papai, pois não queria o deixar mal, mas eu realmente não sabia que tipo de acidente tinha sido aquele. No caixão não deixaram a gente ver o rosto dela, porque disseram que tinha sido um acidente feio, mas que tipo de acidente feio? Se realmente foi um acidente feio deve ter saído em algum jornal e a biblioteca publica tinha guardado todos os jornais, provavelmente deveria ter algo lá.
“Mãe de dois filhos morre nessa sexta.
Com o carro sem controle, a mulher de 39 anos entra em baixo de um caminhão. Especialistas dizem que ela dirigia sem óculos nessa sexta chuvosa, mas a pericia desconfia de um homicídio. Os únicos inimigos que esta senhora possuía era uma família Jones do sul de Londres, mas o marido dela afirma que o Sr. Jones não seria capaz disso, diz até que a esposa era querida por muita gente e que não queria pensar que sua morte fora planejada...”
Meus olhos se encheram de lágrimas, mas revolvi continuar. Estava na hora de eu saber toda a verdade.
Peguei outro jornal da semana seguinte.
“A morte da sra. Strat foi declarado pelas pericias como culposo, só nós resta saber quem foram os culpados. Entre a lista de suspeitos estão Alan Jones, Purplly Lathy, Jackson Jonffing...”
Então era por isso que o Danny estava querendo saber da morte de minha mãe? Era óbvio que ele não estava fazendo isso por caridade. Que tipo monstro era aquele garoto? Por que meu pai nunca tinha falado sobre isso?
Meu coração batia tão rápido, senti novamente a dor de perdê-la pela segunda vez.
Quando vi já tinha ligado para o Mark, em segundos ele já estava ali me abraçando e me apoiando.
Cheguei em casa arrasada, destruída. Caminhei ate o banheiro e tomei um banho bem gelado, teria que conversar com o meu pai, já deveria ter feito isso.
[QUATRO]
Sai do banho e Kico estava me esperado deitado na minha cama. Deitei ao seu lado aninhando ele.
- Você está bem? – Ele sentou-se ao meu lado.
- Vou ficar melhor se você me der um abraço bem apertado. – Eu disse tentando disfarçar a minha voz.
Ele me abraçou com toda força que podia e eu o abracei de volta.
- Mana, você não vai ficar mais braba comigo, não é? – Ele falou ‘braba’ tão fofinho que eu me derreti toda e ate deixei de lado toda a angustia que estava vivendo por dentro.
- Só quando você fizer alguma coisa errada. – Me sentei na cama e peguei na pequena mão dele, que dava quase três da minha. – Kico eu quero te pedir um favor muito grande e que a mamãe e o papai sempre falaram pra gente.
- O que?
- Não quero você envolvido com nenhum dos Jones, nem a Vicky e muito menos o Daniel. – Ele tentou me interromper, mas eu fui mais rápida. – Escuta, assim que a mana resolver os problemas com o Danny você pode voltar a falar com eles, mas antes disso, não. – Falei seria o bastante pra ele me entender bem. – Não vai demorar muito, okay?
- Tá, mas depois eu vou poder brincar com a Vicky, né? – Ele começou a brincar com as mãos e eu concordei. – O Mark está lá em baixo, vocês estão namorando? – Kico fez uma cara nojenta e eu ri.
- Não, não. – Sorri sem jeito pra ele e então ele saiu da minha cama.
- Tô de olho em vocês. – Ele espremeu os olhos igual meu pai fazia com o meu antigo namorado. Realmente só o Kico pra me arrancar um sorriso.
Desci as escadas e vi meu pai conversando com o Mark.
- Vou deixar vocês a sós. – Meu pai me deu um beijo na testa e foi para cozinha levando a Raia em seu colo.
- Você está melhor? – Mark perguntou quando eu me sentei ao seu lado.
- Mais ou menos. Vou ter que conversar com o meu pai, mas só amanhã. – Disse destruída e cansada. – Você quer dormir aqui? Já esta tarde. – Vi no relógio que já marcava perto das 23 hrs.
- Não vai dar, amanhã é aniversário da minha mãe e ainda não acabamos de arrumar as coisas pra festa. – Havia me esquecido totalmente da festa de aniversário da mãe dele. Não estava com cabeça para isso, não mesmo.
- Tudo bem. – Eu disse me ajeitando no sofá. – Mark, obrigada por tudo que você tem feito por mim, não sei o que seria de mim sem você. – Abracei-o com toda a minha força e ele puxou meu queixo pra cima fazendo meu olhar se encontrar com o seu.
- Tudo o que eu faço é pra te ver feliz, queria fazer mais, mas não sei... – Eu o beijei, colei nossos lábios com delicadeza e suavidade, não havia porque prolongar mais este momento. Ele lentamente foi colocando a sua mão no meu rosto e foi pedindo licença com língua, delicadamente fui abrindo a boca e coloquei minhas mãos na sua nuca. Ele separou as nossas bocas com vários selinhos e em seguida eu o abracei fortemente.
Respirei profundamente sentido o cheiro dele.
- Nossa. – Ele falou no meu ouvido. – Você beija muito bem. Não sabe quanto tempo eu esperei por isso.
- Você está me deixando envergonhada. – Separei o abraço e mordi o lábio.
- Que nojo. – Escutei a voz de Kico. – Uiii, vocês estavam trocando saliva. – Meu pai saiu da cozinha.
- FRANCISCO STRAT! Vem pra cá, agora. – Meu pai berrou e eu só vi o Kico caminhando de cabeça baixa para cozinha.
- Acho melhor você ir pra casa já esta tarde demais e com essa chuva só piora. – Me levantei do sofá e logo Mark levantou também.
- Boa noite. – Ele me deu um selinho e eu fechei a porta e abri um sorriso involuntário.
Mark me fazia bem e eu não podia negar isso. Caminhei lentamente ate a cozinha e vi Kico me encarar furiosamente.
- Você me falou que não estava namorando ele. – Ele fez beiço e cruzou os braços.
- Vocês se entenderam? – Meu pai veio ate a mim e segurou minha mão.
- Entenderam? Nunca brigamos...
- Você chegou em casa chorando, então pensei que vocês tinham brigado.
- Ah, não foi por isso que eu cheguei em casa chorando, Mark nunca me faria mal algum. Foi por outro motivo, mas não quero falar disso agora. – Sorri amarelo e ele concordou.
- Fiz vitamina, você também quer?
- Claro. – Olhei para o lado e Kico girava na cadeira do balcão. É, eu acho que ele tinha me perdoado.
Acordei com o cheiro de churrasco e com o Kico dormindo ao meu lado. Contorci a minha boca e peguei meu celular para ver que horas eram, havia três mensagens nela.
“Sei que você provavelmente não esteja bem, mas quero reforçar o meu pedido... Quer vir pra festa da minha mãe?” – Mark às 3hrs
“Nossa, eu aqui te mandando mensagens a essa hora, desculpa. Boa noite, qualquer coisa me liga.” – Mark às 3:30hrs
“Estou pouco me lixando se você vai ou não querer falar comigo. Vou passar às 17hrs pra te pegar. Danny” – Desconhecido às 10hrs
Reli a última mensagem umas três vezes, mas resolvi não respondê-la.
Troquei de roupa, escovei meus dentes e aproveitei que Kico estava dormindo para falar com o meu pai. Se depois de seis meses ninguém havia descoberto nada sobre a morte da minha provavelmente não descobririam mais, mas eu não ia desistir ate achar o culpado.
- Bom dia, querida. Dormiu bem? – Meu pai tomava uma cerveja quando veio me cumprimentar.
- Dormi pai. – Ele voltou a mexer na carne e respirei fundo. – Precisamos conversar.
- Pode falar, querida. – Ele continuou a mexer na carne.
- É sobre a mamãe. – Seu olhar pairou sobre mim com um ar sem vida e sem tom. – Quero saber como ela morreu.
- Você já sabe, num acidente de carro. – Ele engoliu seco e eu tranquei a minha respiração.
- Isso eu já sei. O que eu não sabia era que alguém tinha provocado o acidente dela. – Vi lagrimas formarem nos olhos de meu pai, mas eu tinha que ser forte. – Quero saber se o senhor sabe de alguma coisa.
- Filha... – Ele me puxou e sentamos na mesa de madeira que havia no quintal. – Realmente esse é um assunto que eu não gostaria de tocar, mas acho que eu não posso esconder isso de você. – Ele parou de falar alguns segundos e enxugou as lagrimas.
Me explicou passo por passo de como estava o processo, os policiais tinham quase certeza que era os Jones, mas não podiam dar caso fechado sem antes terem uma prova convincente. Almoçamos em silencio, liguei para o Mark pedindo desculpas e falei que não iria na festa da mãe dele. Fiquei alguns minutos jogada no sofá e vi o ponteiro marcar 16:30 levantei do sofá, peguei a agenda telefônica e disquei o numero proibido naquela casa.
- Casa dos Jones. – Escutei a voz que parecia ser da mãe do Danny.
- Quero falar com o Daniel, por favor. – Pedi, torcendo que ele já não tivesse saído de casa.
- Só um pouco. – Ouvi alguns passos e um “pra você” distante.
- Alô? – Ele atendeu o telefone.
- O que você pensa que vai fazer as 17hrs? Vai chegar na minha casa e me arrastar com você para algum lugar? E por quê? – Perguntei brava fechando a porta do meu quarto pra ninguém ouvir.
- Preciso conversar com você. – Ele disse quando eu dei uma pausa.
- Vai falar que você ajudou na morte da minha mãe? Ou vai se fazer de inocente? EU NÃO SOU IDIOTA, JONES! – Berrei realmente brava.
- Eu sou inocente, não dá pra gente conversar? – Danny pediu com a voz baixa.
- Se você fosse inocente, Daniel, estaria fazendo igual a todos os outros anos... você estaria me ignorando e fazendo algo para me deixar para baixo! – Andava de um lado para o outro.
- Calma, eu preciso conversar com você, vamos eu passo ai pra te pegar as 17hrs. – Danny falava como se nada tivesse acontecido.
- PORRA!!! Eu não quero falar com você. E EU NÃO TE QUERO PERTO DO MEU IRMÃO. – Desliguei o telefone assim quer acabei de falar.
Joguei-me na cama. Mesmo sabendo que os Jones eram os principais suspeitos não podia simplesmente chegar e esquecer os outros. Iria atrás dos outros suspeitos essa semana.
Não iria deixar o assassino da minha mãe a solta. Não mesmo.
[CINCO]
O final de semana foi-se e eu nem acreditava que depois de tanta coisa ainda teria que ir para aula, mas ainda bem que só faltavam duas semanas para acabar o ano.
Tomei café de pijamas e depois subi para quarto e me arrumei. Quando estava descendo recebi uma mensagem de Mark, ele estaria me esperando. Sorri agradecendo, não estava afim de dirigir hoje. - Bom dia. – Desejei assim que eu entrei no carro.
- Bom dia. – Ele me deu um selinho e eu retribui. Ainda era estranho estar beijando um amigo de tanto tempo, mas ao mesmo tempo que era estranho era bom. Me sentia segura.
Não vi a cara do Jones a amanhã inteira, sinal de que ele havia entendido o que eu disse.
Depois da aula fomos para minha casa, Mark iria me ajudar a descobrir mais sobre os outros suspeitos.
Fiz um almoço rápido – batata douradas com carne –, e logo subimos para o meu quarto. Dei o notebook do meu pai para o Mark e eu fiquei no PC. Passamos a tarde toda procurando dados e informações úteis sobre os outros suspeitos. Tudo que conseguimos foram o endereço de uns e o telefone de outros.
Apesar de serem cinco suspeitos os que mais me chamavam a atenção eram: os Jones, a Srt. Purplly Lathy que trabalhou com minha mãe e Jackson Jonffing um antigo funcionário da empresa Jonks, que minha mãe o demitira. É claro que não eu podia esquecer dos outros dois, mas os motivos de acusações que a policia apresentava não era uma coisa que batia muito com o perfil da minha mãe e muito menos com os dos acusados, afinal, eu os conhecia.
Os últimos dias de aulas para o ensino médio foram chegando e o Danny não apareceu em nenhum dos dias. Me sentia culpada. Culpada sobre que, eu não sabia, mas algo me dizia que eu não deveria ter acusado ele sem provas.
Finamente o ultimo dia de aula chegou. Mark deu uma pequena festa em sua casa e mesmo eu não querendo ir eu sabia que não poderia dizer não novamente pra ele.
Me arrumei com roupas simples, uma calça jeans skiny e meio rasgada com uma blusa azul escura comprida e justa onde só tinha um laço no canto direito. Deixei meus cabelos soltos e fiz uma maquiagem preta, mas leve. Me sentia bem daquele jeito.
Em minutos cheguei na casa do Mark, era obvio que a casa dele era maior que a minha. Bem maior, sem duvidas. Toquei a campainha na tentativa frustrada de alguém me escutar, mas com aquele som – que dava pra escutar desde o inicio da rua – estava mais que claro que ninguém viria atender. Abri a porta e a fechei, não sabia que era possível o som ficar ainda mais alto do que já estava.
Mark assim que me viu veio na minha direção, me fazendo dar um sorriso envergonhado.
- Pensei que você não vinha. – Ele falou no meu ouvido e mesmo assim eu mal entendi por causa do som.
Juro que tive vontade de dizer “eu também”, mas já que eu estava ali era melhor eu começar a me divertir ou pegar uma bebida no bar, esperar dar 1hr e ir embora falando que estava com dor de cabeça. Adivinhem qual dos dois eu faria? Podem apostar que me divertir numa festas dessas estava bem longe da minha natureza.
- Falei que eu vinha, não? – Berrei na sua orelha e sorri depois com o seu abraço.
Começamos um beijo calmo e logo senti sua mão na minha coxa, levei minhas mãos ate sua nuca e comecei dar leve puxões no seu cabelo, senti ele dar alguns gemidos e levemente fui mordiscando seu lábio para parar o beijo.
- Dude, o Matt esta brigando com Josh. – Algum cara começou a berrar do nosso lado e logo senti o Mark me deixando.
Ele berrou um “já volto” e saiu.
Revolvi levar o plano em frente, caminhei por toda casa e finalmente achei o bar. Tinha poucas pessoas sentadas nas cadeiras, agradeci por isso. Sentei em uma e logo pedi uma batida. Estava dirigindo então não iria beber nada forte.
A musica ali era um pouco mais fraca, em compensação ali era mais frio, batia uma brisa que entrava pelas grandes portas de vidro que davam para o jardim. Vi dali o Mark separando o Matt do Josh. A festa mal tinha começado e já tinha gente caindo pelos cantos. Deprimente.
- Sabia que iria te encontrar aqui. – Escutei uma voz conhecida.
Fiz menção de levantar, mas ele puxou meu braço para baixo com uma delicadeza que eu desconhecia.
- O que você quer? – Perguntei participando da boa educação dele.
- Falar contigo. – Danny olhou para baixo e depois para os lados e voltou a falar. – Lembra quando você me perguntou sobre o que eu estava fazendo com o Richard, então eu...
- ! Finalmente te achei. – Mark parou atrás de mim se dando conta de que Danny estava ao meu lado. – O que você está fazendo aqui? – Ele perguntou se dirigindo ao Danny.
- A festa é pra todos da turma, pelo menos foi o que eu recebi no meu email. – Danny deu os ombros.
Mark fez uma cara de preocupação e logo a desfez arqueando as sobrancelhas.
- Você não é bem vindo na minha casa, Jones.
- Tudo bem, eu já estava de saída. – Danny bebeu tudo que estava no seu copo, levantou da cadeira e foi em direção a porta.
- Ele te fez alguma coisa? – Mark perguntou passando a mão no meu rosto.
- Não, ele até que estava sendo gentil. – Nem eu mesma acreditava no que estava falando.
- Cuidado com os joguinhos dele. – Mark me puxou para dançar.
O que será que o Danny queria me falar sobre o Richard, por que aquilo era tão importante?
Fui pra casa com aquela duvida, dormi com ela e acordei com ela.
E mesmo pensando no que tinha acontecido em um mês pra cá, não conseguia achar uma resposta coerente.
Se o Jones queria me matar de curiosidade, devo um Oscar para ele. Por que ele havia conseguido.
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É tão bom sentir o cheiro dele, sentir seu calor. É ótimo ficar ao lado dele. Pergunto-me se talvez ele saiba disso, e logo a resposta surge em minha cabeça. Não.
Porque eu não conto? Talvez pelo fato dele ser, digamos, meu inimigo. Inimigo, palavra dada pelo meu pai a todos aqueles “malditos” Jones. Não qualquer Jones, caso contrário ele teria que odiar quase toda a Inglaterra, Os Jones. Aqueles que sempre davam um jeito de estragar os momentos mais felizes do meu pai, ou seja, os meus momentos também.
Agora você deve estar se perguntando como eu sei do cheiro dele, e como eu sei que é bom ficar ao seu lado. Aí eu simplesmente te respondo com poucas palavras. Jogos de inverno na França.
O que fazemos nos jogos de inverno na França e ainda juntos? Isso não é tão simples assim, mas eu explico brevemente. Danny pratica hockey e foi eleito melhor de nossa cidade, meu pai ficou extremamente bravo e foi aí que eu comecei a jogar hockey, e virei a melhor jogadora no estado. Mas como dizem, a concorrência de Danny era muito mais forte que a minha, ou seja, dizem que Danny joga melhor do que eu. Verdade.
Eu nunca dei muita bola pra essa história de inimigos, mas sempre fui submissa aos meus pais, então nunca os desobedeci. Já o Danny, ele sempre fez questão de me humilhar, fazer algo para me deixar pra baixo e acreditem quando eu digo que ele sempre conseguia. Ele nunca negou a raça Jones.
Estávamos todos sentados em uma roda na grande sala de convenções do hotel, obvio que ninguém ali se atreveria a beber tendo jogo no dia seguinte, mas mesmo assim tinha um povo bem doido naquela sala.
- Você vai pescar, Mark? – Matt perguntou.
- Não, vou pescar. – Mark respondeu.
- Ah, pensei que você ia pescar. – Matt deu os ombros.
Não entendi a piadinha, mas a maioria ali começou a rir sem parar. Vai entender.
- Um segundo gente, porque a Strat não entendeu. – Jones pediu a todos e vários pares de olhos me encararam.
Eu soltei um risinho e abracei as minhas pernas e dei graças a Deus que o treinador entrou na sala.
- Vamos dormir! Amanhã temos um grande jogo. – Os garotos tinham um grande jogo, o time feminino só jogaria à tarde, mas do mesmo jeito seriamos obrigados a dormir.
Eu fui umas das últimas pessoas a sair da sala e a primeira a cair no chão, por sorte não tinha ninguém por perto.
- Não sei por que você tenta se levantar, sendo que seu lugar é no chão. – Danny falou surgindo atrás de mim.
- Boa noite, Alan. – Sai em direção ao meu quarto.
Por que eu o chamo de Alan? Porque chamar o menino que eu mais amo de Jones, machuca... e chamá-lo de Daniel seria íntimo demais.
- Dude, deixa ela em paz. – Ouvi a voz de Mark atrás de mim.
- Não se mete, ok? – Danny praticamente rosnou para Mark, mas eu não fiquei ali para escutar o resto da conversa.
Os meninos ganharam o jogo de manhã. Eu estava me preparando pra entrar quando Mark apareceu no vestuário feminino. As meninas saíram de perto e eu fiquei esperando ele dizer algo.
- Sabe o último ponto do jogo? – Eu sorri e ele continuou falando. – Eu marquei ele pra você. – Mark chegou muito perto de mim.
- Err... Brigada. – Respondi meio insegura e com certeza muito vermelha.
- Você fica linda corada, sabia? – Mark tentou melhorar a situação, mas pra mim piorou e muito.
- O-O-Obrigada, eu acho. – Falei baixo as últimas palavras e sorri mais vermelha do que antes, mordendo meu lábio logo em seguida.
- Nossa, você só sabe falar isso? – Danny parou ao lado de Mark.
- O que você ‘tá fazendo aqui? – Mark perguntou entre dentes, visivelmente irritado.
- Eu tenho o mesmo direito de estar aqui que você. – Danny abriu um sorriso cínico e virei os olhos.
Coloquei a minha luva e fechei meu armário com força. Beijei o rosto de Mark e sai do vestuário deixando os a sós.
Nós também ganhamos nosso jogo, e como prometido nossa recompensa seria rodízio de pizza pago pelo treinador. Diferente do time feminino o masculino comemorou em algum pub que permitia a entrada de garotos com 17 anos. Dormi cedo naquela noite, pois na manhã seguinte teríamos um dia livre.
A dama de Paris ficava perfeitamente linda coberta de neve, mas eu ficava completamente obesa com aqueles dois casacos. Já estava acostumada com o frio, Derby – Inglaterra – consegue ter dias bem piores do que esse, mas a magia de Paris dava ao ambiente um calor especial.
Sorri comigo mesma quando vi Danny caminhar até mim, mas com certeza meu sorriso seria tirado quando ele se aproximasse fazendo algumas das suas brincadeirinhas.
- O treinador está te chamando. – Ele falou sem tirar nenhuma graça pra minha surpresa.
Afinal que tipo de piada era essa? Estávamos todos nos campos que davam para a torre, o treinador já teria chamado todos ali, não somente eu.
- Anda. – Danny falou sério vendo que eu não me mexia.
- ? – Escutei a voz de Mark.
- Oi. – Respondi a ele e Danny revirou os olhos.
- Se você acha melhor contar a ela agora... – Danny parou alguns segundos e voltou a falar. – Só a lembre que o vôo é daqui 2hrs para Derby. – Danny deu os ombros e saiu dali.
Eu olhei confusa para Mark, mas ele apenas pegou a minha mão e me abraçou. Abraçou tão forte que eu senti o coração dele bater através de todos aqueles casacos. O que realmente estava acontecendo para eu ter que voltar para Derby? Será que eu fui desclassificada? Por que Mark não dizia nada? Danny não havia me zoado?
Finalmente a ficha começou a cair alguém deveria ter morrido. Mesmo sem saber se era isso, lágrimas começaram a cair dos meus olhos e então Mark me encarou.
- Quem? – Eu perguntei com a respiração pesada.
- Sua mãe. – Ele voltou a me abraçar e eu o abracei com toda a força que eu pude.
[DOIS]
Seis meses haviam se passado desde a morte de minha mãe e nesses seis meses nunca vimos aquela casa brilhar novamente. Kico e eu tentávamos alegar nosso pai, mas a verdade era que nenhum de nós dois estava bem para alegrá-lo.
Sai do hockey e dediquei mais tempo a Kico, ele precisava mais de mim do que qualquer outro. Às vezes me coloco no lugar dele, como seria pra mim perder a mamãe com 7 anos... Acho que eu morreria.
Nesse meio tempo não vimos nenhum tipo de palhaçada dos Jones. Na escola eu mal via Danny – o que era muito bom. Mark me apoiou muito no começo e ainda apóia, criamos um laço muito forte.
Como de costume toda tarde eu e Kico saiamos para caminhar no parque com a Raia, nossa cachorrinha.
Estendi um tolha no gramado e puxei meu livro de dentro da bolsa, enquanto Kico brincava, eu lia, nossa mãe fazia isso geralmente.
- Kico não vá muito longe! – Berrei vendo ele e a Raia se distanciarem.
- Bancando a mamãe, Strat? – Fazia muito tempo que eu não escutava a voz dele.
Abaixei os óculos até metade do meu nariz olhei por cima deles e os coloquei novamente, fazendo de conta que eu não ligava para o que ele falava.
- Você não se importa, não é? – Danny sentou ao meu lado e mais a frente vi Kico brincando com Vicky, a irmã mais nova de Danny.
Voltei a minha atenção para Romeu e Julieta, meu livro favorito.
- Então... err... Você vai passar direto esse ano? – O que ele estava tentando fazer? Ter uma conversa sociável? Onde ele queria ir com esse papinho?
- Vou. – Continuei o que estava lendo.
- Que bom. Você não vai voltar a jogar hockey? O time feminino andou perdendo os últimos jogos.
- Fala logo Alan, o que você quer?
- Preciso que você faça o Mark sair da equipe. Perdi uma aposta e preciso colocar o Richard na equipe.
- Eu nunca faria nada do tipo. Por que você não sai? – Eu estava brava, como alguém poderia me pedir isso? Seria uma imensa traição.
- Vamos Lê, eu...
- Não me chame assim. – O repreendi.
- Olha, se você tirar ele da equipe eu saio com você um dia desses. – O QUE? Como ele sabe? Meu deus eu preciso respirar! – O que acha? – Ele perguntou com aquela cara cretina dele.
Respirei fundo olhei a minha volta e soltei um risinho, pra disfarçar meu nervosismo.
- Por mais que seja tentador, não! – Levantei e acenei para Kico, não agüentaria ficar mais um segundo ali.
Ele levantou também e parou a minha frente.
- Mesmo sendo um pouco tarde, meus pêsames. Meu pai já tinha me pedido pra passar isso pro seu pai há algum tempo, mas nunca tive humildade suficiente pra te dizer isso. – Olhei incrédula para ele, não deveria estar escutando bem.
- Mana, deixa eu brincar mais um pouco com a Vicky? – Kico perguntou e logo eu vi a garotinha de cabelos cacheados vindo atrás, me lembrei de quando conheci Danny, diferentemente dessa chapinha oleosa que mantém, ele tinha perfeitos cachinhos. Sorri comigo mesma e mordi os lábios.
- Amanhã quem sabe, amor. – Respondi com delicadeza.
- Mas o papai nunca me deixa chegar perto da casa dos Jones, como vou brincar com ela? – Essa carinha dele me mata, como posso dizer não a ele?
- Ok, mas só 15 minutinhos. – Danny respondeu por mim.
Uma parte de mim gostava desse novo Danny outra estranhava tanto que eu sentia uma certa vontade de vomitar com essa mudança.
- Bem, eu devo presumir então que você e o Mark estejam namorando, certo? – Danny olhava para os pés enquanto falava comigo.
- Não, nós não estamos namorando. – Revirei meus olhos, como não tinha percebido todo o joguinho dele.
- Eu acho que você não vai fazer ele desistir, não é?
- Não.
- E novamente eu toco na mesma frase de sempre... Você sabe falar isso? – Mordi meus lábios numa forma de reprovação à pergunta dele.
Mas logo sorri quando vi o Mark vindo em nossa direção.
- Você pode falar com ele agora. – Sorri de um jeito irônico e recebi um abraço de Mark.
- Falar o que, Lê? – Mark perguntou.
- Fala Alan... ele está aqui, agora! – Não me segurei e soltei um risinho com a cara que o Danny fez depois do que eu falei.
- Ele te fez alguma coisa, Lê? – Mark perguntou confuso e fofo.
- Não fiz nada com ela. – Danny falou bravo. – Ainda. – Sussurrou tão baixo que eu demorei pra entender. Aquilo era uma ameaça?
- Eu estava pensando em ir à sorveteria com vocês dois. – Mark ignorava a presença de Danny. – Estou com o carro, podemos deixar a Raia em casa e ir. O que você acha?
- Perfeito. – Sorri e fui em direção ao Kico.
Quando voltei vi Danny indo em direção a Vicky e o Mark acabando de dobrar a toalha que usava para deitar na grama.
Deixamos Raia em casa e o Kico já com sono também quis ficar com o pai.
- Poderíamos ir comer um hambúrguer, né? Está frio e eu não quero que você pegue um resfriado.
- Por mim pode ser! – Sorri de um jeito gostoso e ele me acompanhou.
Ligamos o som e ficamos cantando “A Kind of Magic” do Queen e rindo ao mesmo tempo.
Chegamos na lanchonete sentamos numa mesa mais a fundo e fizemos os pedidos.
- Então o que o Danny queria contigo? – Sabia que mais cedo ou mais tarde Mark iria me perguntar isso.
- Ele queria que eu te fizesse desistir do time de hockey para o Richard entrar no seu lugar. – Tomei um gole da Coca dele. Criamos o costume de pedir dois refrigerantes de sabores diferentes e dividir.
- Richard? O Richard que vende...
- Eu não sei. Não conheço nenhum Richard. – Sorri de volta, mas Mark pareceu mais intrigado do que eu.
- Lê, o Richard é aquele cara alto que entra sempre acompanho de dois guris... Você, realmente, não sabe quem é? – Fiz que não com a cabeça e ele continuou. – Ele está sempre com um casacão e faz cara de mal para qualquer pessoa que a encare.
- Um que está sempre numa mesa no canto do refeitório?
- Esse mesmo! – Ele falou tão empolgado que me assustou. – Então, esse cara vende drogas na escola.
- Vende? – Agora sim eu estava assustada.
Minha mente foi a mil aquela noite. Será que o Danny poderia estar envolvido com as drogas, ou será que ele está vendendo drogas? Mas mesmo assim eu me esforçava para pensar que está tudo bem. Que ele só havia perdido algum joguinho e teria que pagar algum tipo de aposta.
Não consegui dormir, tinha que tirar aquela história a limpo, mas como? Não posso simplesmente chegar e perguntar: Danny você é usuário de drogas? Seria ridículo e ele com certeza negaria.
[TRÊS]
Matt saiu da equipe de hockey na semana seguinte, mesmo não sendo o Mark, Danny havia conseguido o que ele queria.
Ainda sabendo que ele não precisava mais de mim eu fui falar com ele. Sabem o que ele fez? Ele virou a cara e fez de conta que eu não existia. Já estava acostumada com isso. Bem que o Mark me avisou pra não me meter e se querem saber eu não tinha o porquê pra me meter. Ele não merecia nada, nada, nada, de mim.
Liguei o som do meu carro e fui em direção da escola de Kico, era sexta feira e sempre saímos juntos. Quando eu cheguei lá vi Danny segurando a mão de Vicky e na outra a de Kico.
Fiquei assustada de como ele podia ser tão falso até para uma criança inocente. Andei apressada até eles e quando ele percebeu que eu estava perto abriu um longo sorriso.
- ! Querida. Como você está? – Ele falou alto tirando a atenção de alguns pais para nós.
- Danny, solta o meu irmão! – Pedi entre dentes.
- Ah mana, para de ser boba. O Danny prometeu que ia levar a gente pra comer um hambúrguer maior que o meu rosto. – Kico falou feliz. Mas eu não estava feliz. Não mesmo, eu estava sentindo meu sangue estrangular minha cabeça. Queria bater no Danny ali mesmo.
Ele ia levar meu irmão para algum lugar e sem pedir autorização de ninguém. E pior ainda o comprou com comida.
- Quer ir junto? – Vicky perguntou doce para mim.
- Não. – Me segurei pra não responder grossamente, afinal ela não tinha nada haver com isso. Espero.
- Então vamos, crianças. – Danny apertou o alarme do carro dele.
- O Kico vai pra casa comigo! – Falei seria suficiente para o Kico não tentar revidar. – E você Jones, me deve muitas respostas. – Era rara as vezes que eu o chamava de Jones.
- Estou esperando pelas perguntas. – Danny falou sorrindo. – Anda , deixa os dois. A Vicky está me pedindo desde o parque para sair com o Kico, deixa eu levar os dois para uma lanchonete.
- Não! – Falei brava. – Kico entra no carro, agora. – Desliguei o alarme e o Kico entrou e fechou a porta com um beiço gigante.
- Acho melhor você também entrar no carro, Vicky. – Danny abriu a porta do seu carro para a irmã e a fechou me encarando. – Preciso falar com você, acho que isso responde algumas das suas perguntas. – Ele tirou os óculos de sol que antes estava preso na camiseta e os vestiu.
- Não pode só chegar e falar isso? Precisa envolver meu irmão? – Continuei com a postura rude.
- Dude, não dá pra falar isso na escola... – Ele hesitou.
- Continua.
- Vamos almoçar, pode ser? A gente vai até uma lanchonete no norte da cidade, lá tem um monte de brinquedos, enquanto as crianças brincam e te conto, fora que a comida é fenomenal. – Danny colocou a mão no bolso da calça e sorriu levemente.
- Não, Alan! Sinceramente não me interessa saber nada da sua vida, só não meta meu irmão e eu nos seus planinhos, okay? – Caminhei em direção ao meu carro e antes que eu pudesse entrar nele ele me puxou pelo meu braço de uma forma muita grosseira.
- Interessa sim. Aliás, deixa pra lá, talvez você nem quer realmente saber como a sua mãe morreu. – Danny soltou meu braço e paralisei. Não ia entrar no joguinho dele, mas algo me deixava com um pé atrás.
Entrei no carro mandei Kico colocar o cinto e sai daquela escola muito intrigada.
Deixei Kico em casa e fui ate a biblioteca.
Todo esse tempo só soube que a minha mãe morreu em um acidente de carro, não quis perguntar para papai, pois não queria o deixar mal, mas eu realmente não sabia que tipo de acidente tinha sido aquele. No caixão não deixaram a gente ver o rosto dela, porque disseram que tinha sido um acidente feio, mas que tipo de acidente feio? Se realmente foi um acidente feio deve ter saído em algum jornal e a biblioteca publica tinha guardado todos os jornais, provavelmente deveria ter algo lá.
“Mãe de dois filhos morre nessa sexta.
Com o carro sem controle, a mulher de 39 anos entra em baixo de um caminhão. Especialistas dizem que ela dirigia sem óculos nessa sexta chuvosa, mas a pericia desconfia de um homicídio. Os únicos inimigos que esta senhora possuía era uma família Jones do sul de Londres, mas o marido dela afirma que o Sr. Jones não seria capaz disso, diz até que a esposa era querida por muita gente e que não queria pensar que sua morte fora planejada...”
Meus olhos se encheram de lágrimas, mas revolvi continuar. Estava na hora de eu saber toda a verdade.
Peguei outro jornal da semana seguinte.
“A morte da sra. Strat foi declarado pelas pericias como culposo, só nós resta saber quem foram os culpados. Entre a lista de suspeitos estão Alan Jones, Purplly Lathy, Jackson Jonffing...”
Então era por isso que o Danny estava querendo saber da morte de minha mãe? Era óbvio que ele não estava fazendo isso por caridade. Que tipo monstro era aquele garoto? Por que meu pai nunca tinha falado sobre isso?
Meu coração batia tão rápido, senti novamente a dor de perdê-la pela segunda vez.
Quando vi já tinha ligado para o Mark, em segundos ele já estava ali me abraçando e me apoiando.
Cheguei em casa arrasada, destruída. Caminhei ate o banheiro e tomei um banho bem gelado, teria que conversar com o meu pai, já deveria ter feito isso.
[QUATRO]
Sai do banho e Kico estava me esperado deitado na minha cama. Deitei ao seu lado aninhando ele.
- Você está bem? – Ele sentou-se ao meu lado.
- Vou ficar melhor se você me der um abraço bem apertado. – Eu disse tentando disfarçar a minha voz.
Ele me abraçou com toda força que podia e eu o abracei de volta.
- Mana, você não vai ficar mais braba comigo, não é? – Ele falou ‘braba’ tão fofinho que eu me derreti toda e ate deixei de lado toda a angustia que estava vivendo por dentro.
- Só quando você fizer alguma coisa errada. – Me sentei na cama e peguei na pequena mão dele, que dava quase três da minha. – Kico eu quero te pedir um favor muito grande e que a mamãe e o papai sempre falaram pra gente.
- O que?
- Não quero você envolvido com nenhum dos Jones, nem a Vicky e muito menos o Daniel. – Ele tentou me interromper, mas eu fui mais rápida. – Escuta, assim que a mana resolver os problemas com o Danny você pode voltar a falar com eles, mas antes disso, não. – Falei seria o bastante pra ele me entender bem. – Não vai demorar muito, okay?
- Tá, mas depois eu vou poder brincar com a Vicky, né? – Ele começou a brincar com as mãos e eu concordei. – O Mark está lá em baixo, vocês estão namorando? – Kico fez uma cara nojenta e eu ri.
- Não, não. – Sorri sem jeito pra ele e então ele saiu da minha cama.
- Tô de olho em vocês. – Ele espremeu os olhos igual meu pai fazia com o meu antigo namorado. Realmente só o Kico pra me arrancar um sorriso.
Desci as escadas e vi meu pai conversando com o Mark.
- Vou deixar vocês a sós. – Meu pai me deu um beijo na testa e foi para cozinha levando a Raia em seu colo.
- Você está melhor? – Mark perguntou quando eu me sentei ao seu lado.
- Mais ou menos. Vou ter que conversar com o meu pai, mas só amanhã. – Disse destruída e cansada. – Você quer dormir aqui? Já esta tarde. – Vi no relógio que já marcava perto das 23 hrs.
- Não vai dar, amanhã é aniversário da minha mãe e ainda não acabamos de arrumar as coisas pra festa. – Havia me esquecido totalmente da festa de aniversário da mãe dele. Não estava com cabeça para isso, não mesmo.
- Tudo bem. – Eu disse me ajeitando no sofá. – Mark, obrigada por tudo que você tem feito por mim, não sei o que seria de mim sem você. – Abracei-o com toda a minha força e ele puxou meu queixo pra cima fazendo meu olhar se encontrar com o seu.
- Tudo o que eu faço é pra te ver feliz, queria fazer mais, mas não sei... – Eu o beijei, colei nossos lábios com delicadeza e suavidade, não havia porque prolongar mais este momento. Ele lentamente foi colocando a sua mão no meu rosto e foi pedindo licença com língua, delicadamente fui abrindo a boca e coloquei minhas mãos na sua nuca. Ele separou as nossas bocas com vários selinhos e em seguida eu o abracei fortemente.
Respirei profundamente sentido o cheiro dele.
- Nossa. – Ele falou no meu ouvido. – Você beija muito bem. Não sabe quanto tempo eu esperei por isso.
- Você está me deixando envergonhada. – Separei o abraço e mordi o lábio.
- Que nojo. – Escutei a voz de Kico. – Uiii, vocês estavam trocando saliva. – Meu pai saiu da cozinha.
- FRANCISCO STRAT! Vem pra cá, agora. – Meu pai berrou e eu só vi o Kico caminhando de cabeça baixa para cozinha.
- Acho melhor você ir pra casa já esta tarde demais e com essa chuva só piora. – Me levantei do sofá e logo Mark levantou também.
- Boa noite. – Ele me deu um selinho e eu fechei a porta e abri um sorriso involuntário.
Mark me fazia bem e eu não podia negar isso. Caminhei lentamente ate a cozinha e vi Kico me encarar furiosamente.
- Você me falou que não estava namorando ele. – Ele fez beiço e cruzou os braços.
- Vocês se entenderam? – Meu pai veio ate a mim e segurou minha mão.
- Entenderam? Nunca brigamos...
- Você chegou em casa chorando, então pensei que vocês tinham brigado.
- Ah, não foi por isso que eu cheguei em casa chorando, Mark nunca me faria mal algum. Foi por outro motivo, mas não quero falar disso agora. – Sorri amarelo e ele concordou.
- Fiz vitamina, você também quer?
- Claro. – Olhei para o lado e Kico girava na cadeira do balcão. É, eu acho que ele tinha me perdoado.
Acordei com o cheiro de churrasco e com o Kico dormindo ao meu lado. Contorci a minha boca e peguei meu celular para ver que horas eram, havia três mensagens nela.
“Sei que você provavelmente não esteja bem, mas quero reforçar o meu pedido... Quer vir pra festa da minha mãe?” – Mark às 3hrs
“Nossa, eu aqui te mandando mensagens a essa hora, desculpa. Boa noite, qualquer coisa me liga.” – Mark às 3:30hrs
“Estou pouco me lixando se você vai ou não querer falar comigo. Vou passar às 17hrs pra te pegar. Danny” – Desconhecido às 10hrs
Reli a última mensagem umas três vezes, mas resolvi não respondê-la.
Troquei de roupa, escovei meus dentes e aproveitei que Kico estava dormindo para falar com o meu pai. Se depois de seis meses ninguém havia descoberto nada sobre a morte da minha provavelmente não descobririam mais, mas eu não ia desistir ate achar o culpado.
- Bom dia, querida. Dormiu bem? – Meu pai tomava uma cerveja quando veio me cumprimentar.
- Dormi pai. – Ele voltou a mexer na carne e respirei fundo. – Precisamos conversar.
- Pode falar, querida. – Ele continuou a mexer na carne.
- É sobre a mamãe. – Seu olhar pairou sobre mim com um ar sem vida e sem tom. – Quero saber como ela morreu.
- Você já sabe, num acidente de carro. – Ele engoliu seco e eu tranquei a minha respiração.
- Isso eu já sei. O que eu não sabia era que alguém tinha provocado o acidente dela. – Vi lagrimas formarem nos olhos de meu pai, mas eu tinha que ser forte. – Quero saber se o senhor sabe de alguma coisa.
- Filha... – Ele me puxou e sentamos na mesa de madeira que havia no quintal. – Realmente esse é um assunto que eu não gostaria de tocar, mas acho que eu não posso esconder isso de você. – Ele parou de falar alguns segundos e enxugou as lagrimas.
Me explicou passo por passo de como estava o processo, os policiais tinham quase certeza que era os Jones, mas não podiam dar caso fechado sem antes terem uma prova convincente. Almoçamos em silencio, liguei para o Mark pedindo desculpas e falei que não iria na festa da mãe dele. Fiquei alguns minutos jogada no sofá e vi o ponteiro marcar 16:30 levantei do sofá, peguei a agenda telefônica e disquei o numero proibido naquela casa.
- Casa dos Jones. – Escutei a voz que parecia ser da mãe do Danny.
- Quero falar com o Daniel, por favor. – Pedi, torcendo que ele já não tivesse saído de casa.
- Só um pouco. – Ouvi alguns passos e um “pra você” distante.
- Alô? – Ele atendeu o telefone.
- O que você pensa que vai fazer as 17hrs? Vai chegar na minha casa e me arrastar com você para algum lugar? E por quê? – Perguntei brava fechando a porta do meu quarto pra ninguém ouvir.
- Preciso conversar com você. – Ele disse quando eu dei uma pausa.
- Vai falar que você ajudou na morte da minha mãe? Ou vai se fazer de inocente? EU NÃO SOU IDIOTA, JONES! – Berrei realmente brava.
- Eu sou inocente, não dá pra gente conversar? – Danny pediu com a voz baixa.
- Se você fosse inocente, Daniel, estaria fazendo igual a todos os outros anos... você estaria me ignorando e fazendo algo para me deixar para baixo! – Andava de um lado para o outro.
- Calma, eu preciso conversar com você, vamos eu passo ai pra te pegar as 17hrs. – Danny falava como se nada tivesse acontecido.
- PORRA!!! Eu não quero falar com você. E EU NÃO TE QUERO PERTO DO MEU IRMÃO. – Desliguei o telefone assim quer acabei de falar.
Joguei-me na cama. Mesmo sabendo que os Jones eram os principais suspeitos não podia simplesmente chegar e esquecer os outros. Iria atrás dos outros suspeitos essa semana.
Não iria deixar o assassino da minha mãe a solta. Não mesmo.
[CINCO]
O final de semana foi-se e eu nem acreditava que depois de tanta coisa ainda teria que ir para aula, mas ainda bem que só faltavam duas semanas para acabar o ano.
Tomei café de pijamas e depois subi para quarto e me arrumei. Quando estava descendo recebi uma mensagem de Mark, ele estaria me esperando. Sorri agradecendo, não estava afim de dirigir hoje. - Bom dia. – Desejei assim que eu entrei no carro.
- Bom dia. – Ele me deu um selinho e eu retribui. Ainda era estranho estar beijando um amigo de tanto tempo, mas ao mesmo tempo que era estranho era bom. Me sentia segura.
Não vi a cara do Jones a amanhã inteira, sinal de que ele havia entendido o que eu disse.
Depois da aula fomos para minha casa, Mark iria me ajudar a descobrir mais sobre os outros suspeitos.
Fiz um almoço rápido – batata douradas com carne –, e logo subimos para o meu quarto. Dei o notebook do meu pai para o Mark e eu fiquei no PC. Passamos a tarde toda procurando dados e informações úteis sobre os outros suspeitos. Tudo que conseguimos foram o endereço de uns e o telefone de outros.
Apesar de serem cinco suspeitos os que mais me chamavam a atenção eram: os Jones, a Srt. Purplly Lathy que trabalhou com minha mãe e Jackson Jonffing um antigo funcionário da empresa Jonks, que minha mãe o demitira. É claro que não eu podia esquecer dos outros dois, mas os motivos de acusações que a policia apresentava não era uma coisa que batia muito com o perfil da minha mãe e muito menos com os dos acusados, afinal, eu os conhecia.
Os últimos dias de aulas para o ensino médio foram chegando e o Danny não apareceu em nenhum dos dias. Me sentia culpada. Culpada sobre que, eu não sabia, mas algo me dizia que eu não deveria ter acusado ele sem provas.
Finamente o ultimo dia de aula chegou. Mark deu uma pequena festa em sua casa e mesmo eu não querendo ir eu sabia que não poderia dizer não novamente pra ele.
Me arrumei com roupas simples, uma calça jeans skiny e meio rasgada com uma blusa azul escura comprida e justa onde só tinha um laço no canto direito. Deixei meus cabelos soltos e fiz uma maquiagem preta, mas leve. Me sentia bem daquele jeito.
Em minutos cheguei na casa do Mark, era obvio que a casa dele era maior que a minha. Bem maior, sem duvidas. Toquei a campainha na tentativa frustrada de alguém me escutar, mas com aquele som – que dava pra escutar desde o inicio da rua – estava mais que claro que ninguém viria atender. Abri a porta e a fechei, não sabia que era possível o som ficar ainda mais alto do que já estava.
Mark assim que me viu veio na minha direção, me fazendo dar um sorriso envergonhado.
- Pensei que você não vinha. – Ele falou no meu ouvido e mesmo assim eu mal entendi por causa do som.
Juro que tive vontade de dizer “eu também”, mas já que eu estava ali era melhor eu começar a me divertir ou pegar uma bebida no bar, esperar dar 1hr e ir embora falando que estava com dor de cabeça. Adivinhem qual dos dois eu faria? Podem apostar que me divertir numa festas dessas estava bem longe da minha natureza.
- Falei que eu vinha, não? – Berrei na sua orelha e sorri depois com o seu abraço.
Começamos um beijo calmo e logo senti sua mão na minha coxa, levei minhas mãos ate sua nuca e comecei dar leve puxões no seu cabelo, senti ele dar alguns gemidos e levemente fui mordiscando seu lábio para parar o beijo.
- Dude, o Matt esta brigando com Josh. – Algum cara começou a berrar do nosso lado e logo senti o Mark me deixando.
Ele berrou um “já volto” e saiu.
Revolvi levar o plano em frente, caminhei por toda casa e finalmente achei o bar. Tinha poucas pessoas sentadas nas cadeiras, agradeci por isso. Sentei em uma e logo pedi uma batida. Estava dirigindo então não iria beber nada forte.
A musica ali era um pouco mais fraca, em compensação ali era mais frio, batia uma brisa que entrava pelas grandes portas de vidro que davam para o jardim. Vi dali o Mark separando o Matt do Josh. A festa mal tinha começado e já tinha gente caindo pelos cantos. Deprimente.
- Sabia que iria te encontrar aqui. – Escutei uma voz conhecida.
Fiz menção de levantar, mas ele puxou meu braço para baixo com uma delicadeza que eu desconhecia.
- O que você quer? – Perguntei participando da boa educação dele.
- Falar contigo. – Danny olhou para baixo e depois para os lados e voltou a falar. – Lembra quando você me perguntou sobre o que eu estava fazendo com o Richard, então eu...
- ! Finalmente te achei. – Mark parou atrás de mim se dando conta de que Danny estava ao meu lado. – O que você está fazendo aqui? – Ele perguntou se dirigindo ao Danny.
- A festa é pra todos da turma, pelo menos foi o que eu recebi no meu email. – Danny deu os ombros.
Mark fez uma cara de preocupação e logo a desfez arqueando as sobrancelhas.
- Você não é bem vindo na minha casa, Jones.
- Tudo bem, eu já estava de saída. – Danny bebeu tudo que estava no seu copo, levantou da cadeira e foi em direção a porta.
- Ele te fez alguma coisa? – Mark perguntou passando a mão no meu rosto.
- Não, ele até que estava sendo gentil. – Nem eu mesma acreditava no que estava falando.
- Cuidado com os joguinhos dele. – Mark me puxou para dançar.
O que será que o Danny queria me falar sobre o Richard, por que aquilo era tão importante?
Fui pra casa com aquela duvida, dormi com ela e acordei com ela.
E mesmo pensando no que tinha acontecido em um mês pra cá, não conseguia achar uma resposta coerente.
Se o Jones queria me matar de curiosidade, devo um Oscar para ele. Por que ele havia conseguido.
CONTINUA
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