Without You

Autora: Isabella Caiaffo
Status: Em Andamento
Revisada por: Isa
Categoria: McFly Fics
Sub-Categoria: Drama/Romance - LongFic
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Prologue –
É bem difícil você sentir que perdeu a única coisa que realmente te faz querer viver. Mais difícil ainda, tê-lo tão perto, tão próximo, e estar tão longe. Tudo agora parece que se esclareceu para algumas... Pessoas. Pra mim tudo continua piorando como sempre.
Dizem que a vida sempre tem altos de baixos, mas a minhas é geralmente feita de baixos. E eu tento entender, como uma coisa tão superficial pode querer tudo exatamente e basicamente de um jeito? Eu também quero as coisas de um jeito específico, mas isso significa que sou superficial? Depende do ponto de vista.

Chapter 01 –
É bem difícil ter que acordar cedo depois de não ter dormido bem, assim se segue todas as minhas noites e manhãs. Faz alguns anos que tenho insônia, mas só piora. Não ligo, contanto que se passe rápido, melhor ainda pra mim, do que ter que encarar aquela face por muito tempo. Eu não queria que nada disso acontecesse, mas aconteceu, e aqui estou eu com o coração apertado, pronta pra entrar na sala de aula mais detestável do planeta.
Era como um meteoro, toda vez que olho para ele, tudo se ilumina. Tem fogo, tem paixão, o céu deixa de ser nublado e passa a ser de um azul completamente perfeito e único. E pensar que um dia já tivemos uma história, que por acaso daria um belo romance... Se não fosse por nossos pais. Eles são as pessoas mais frias que já conheci, digo meu pai e a mãe dele. Minha mãe morreu no meu parto, o que já faz eu me odiar por completo, e acho que meu pai também me odeia, só não é confirmado, pelo menos não pela minha mente. O pai dele tinha abandonado eles quando tinha apenas cinco anos, e a mãe dele, bom, ela nunca foi boa o bastante para ter um filho como aquele. Pronto, a junção perfeita de duas pessoas completamente sofridas e frias, eles são o pior inverno dos tempos, e o que mais me magoa é: eles não pensam em nós. Não como aqueles que só querem ver seu filho feliz, não esses pais, eles para terminar de nos destruir, vão se casar, o que me torna meia-irmã da única pessoa que ocupa minha mente, isso será difícil, não faço ideia de como agüentarei. E eles iram casar, assim, simples pra eles, difícil pra mim. Principalmente quando sei que um grande e maior motivo dessa palhaçada toda é só por sociedade. Meu pai e a mãe dele são algumas dessas pessoas importantes, onde só pensam em dinheiro e mais dinheiro. Se eles se amassem realmente, e mais do que eu amo , eu acho que ficaria com a consciência mais limpa e até me mudaria. Mas não tem nada disso, só futilidade, e é por isso que só tenho uma pessoa próxima: , que agora começou a conversar comigo.
- Como você está? – Ele perguntou visivelmente preocupado.
- Confusa e com ódio. – Respondi sem emoção alguma.
- Imaginei, então, quando é o “tão esperado” casamento? – Perguntou fazendo uma careta.
- Acho que já é mês que vem, e meu pai veio com um papo de que quer muito que eu seja madrinha, e advinha com quem entrarei? – Perguntei e ele logo entendeu.
- Não acredito isso já está indo longe demais, mas você consegue. – Ele falou e segurou minha mão.
- Conseguirei, com você sempre do meu lado para me apoiar. – Falei sorrindo e ele retribuiu.
- Então iremos encher a cara no casamento até esquecermos nossos nomes. – falou rindo.
- Com certeza, tudo para não olhar para o “casal feliz”. – Falei me levantando, a aula tinha acabado, anunciando o intervalo.

Estava andando abraçada com andando em direção ao refeitório, pensando se iria cruzar com ou não. Entramos e logo uma enxurrada de conversas invadiu meus ouvidos, nada interessante naquilo, e eu não tinha a menor fome.
- Vai pegar seu almoço que eu estou sem fome, tá pimpolho? – Perguntei.
- , qual a última vez que você comeu? – Ele perguntou preocupado.
- Ontem, você sabe que eu não tomo café-da-manhã. – Falei rindo, mas ele permaneceu sério.
- Você tem que parar com isso, mas como eu não sou mulher, isso deve ser fase... – Ele falou e foi andando para a fila, enquanto eu achava uma mesa e esperei distraidamente.
passou por mim e deixou um bilhete, que sinceramente, estou com medo de ler. E se for algo rude? Digo, eu não estou preparada para encarar a rejeição dele, ou a aceitação dele. Eu estou confusa, como sempre, mas dessa vez, nem o que pensar eu sei.
voltou e sentou com seu almoço, me olhando seriamente, e começou a falar comigo:
- Já leu? – Ele perguntou e depois começou a comer, bufei.
- Não. – Respondi simplesmente.
- Por quê? Sério, não deve ser algo pior que o casamento, te certifico. – Falou e deu uma risadinha.
- Não vou ler pronto. – Falei e ele me olhou seriamente.
- Ou você ler, ou eu irei ler, resolva. – Ele falou simplesmente e voltou a comer.
- Então lê você. – Respondi e perdi meu olhar entre as mesas.
- Só espere eu terminar de comer... – Ele disse e eu esperei, quando terminou, lhe entreguei o bilhete.
- Preciso falar com você, a sós, . – Ele leu e meu coração pulou.
- E você disse que não poderia ficar pior. – Falei e procurei entre as pessoas.
Quando meu olhar se cruzou com o dele, ele estava me encarando, com a sobrancelha arqueada, como se perguntasse por que eu não li o bilhete e sim o . Na verdade tem vários motivos, se fosse outras pessoas com quem eu conversasse sobre isso, não me entenderiam. Só me entende, é como uma conexão, ele é meu anjo protetor e conselheiro. Chega até a ser engraçado, considerando que muitas pessoas pensavam que tínhamos no mínimo uma “amizade colorida”. Doce ilusão, só tenho olhos pra uma pessoa faz tempo, e eu nem sei se ele tem esses mesmos sentimentos por mim, ele me deixa completamente insegura. Um dos motivos para eu evitá-lo, é que quando eu estou com ele, sou totalmente tola e vulnerável, posso até chegar a ser influenciada, por ele.
Sempre me disseram que tenho uma personalidade forte e marcante, mas faz meu trono desmoronar em questão de somente um olhar. Admito meus erros, não tenho medo de estar errada, eu só preciso de alguém que me entenda, essa sou eu. Agora, só não sei o que ele quer conversar comigo, poderia até fazer idéia, mas não faço.

Chapter 02 –
Estava prestes a ir pra casa, e ainda não sabia onde e como iria falar com . Não sabia se ele me ligaria, ou se ao menos realmente conversaria comigo. Nunca pareceu tão difícil andar por esse corredor, em qualquer momento poderia vê-lo, e pior, ter que falar com ele. Estou me perguntando por que todo esse drama só por conversar, deve ser porque tenho medo de que fique pior e me machuque mais. Encontrei e fui conversar com ele, afinal, ele que me leva para casa todo dia depois da escola.
- Hoje você não vai comigo. – Ele falou assim que cheguei ao lado dele, e arregalei os olhos.
- Como? E posso saber o motivo disso? – Perguntei exaltada, cada vez mais ficando confusa.
- Porque hoje, você vai dar uma volta com o . – Ele falou e eu gelei, meu coração disparou.
- , não faça isso comigo. – Implorei pegando seu rosto entre minhas mãos e ele pegou meus pulsos.
- , não vai acontecer nada de ruim, ele está te esperando, vai lá. – Ele falou e em seguida beijou minha testa, e foi embora pro seu carro.

Fiquei parada ainda absorvendo tudo aquilo, não podia ser possível, minha mente não quer acreditar. Então eu o senti, atrás de mim, eu sabia que era ele. não falou nada, apenas segurou minha mão e me levou delicadamente até seu carro, enquanto algumas pessoas olhavam o que me fez corar, odeio esses olhares que surgem por causa de qualquer coisa. Mas não é qualquer coisa, e eu e todo o colégio sabemos disso.
Ele parecia, no mínimo, triste, tristeza que veio como um baque pra mim. Eu o encarava com tanto cuidado que nem sabia se ele sentia meu olhar sobre ele. Sinto-me completa só de sentir a presença dele.
Ele parou no que me parecia um parque. Mas não era só um parque, eu conheço muito bem aquele parque, tive momentos mais que incríveis com ele ali, quando tudo era simples, era o nosso parque repleto das mais maravilhosas lembranças. Descemos e seguimos até um carrinho de sorvete, e ele pediu dois, os nossos favoritos. Ele me entregou o meu e fomos até a árvore que costumávamos ficar debaixo, e sentamos, e eu não fazia a menor idéia do que falar.
- Como você está? – me perguntou e sustentou meu olhar, soltei um suspiro cansado.
- Como você acha que eu estou? – Perguntei abaixando meu olhar e me ocupando com o sorvete.
- Do jeito que eu estou. – Ele respondeu baixo e eu o olhei.
- E como você está? – Perguntei, tomando coragem.
- Perdido, quebrado, confuso... – Ele sussurrou, mas sabia que eu poderia ouvir.
- Então acho que nós estamos quites, eu só não entendo. – Falei e voltei a me distrair com o sorvete.
- O que você não entende? – Ele perguntou e segurou minha mão.
- Por que me trouxe aqui? – Perguntei e o olhei nos olhos, que no instante estavam indecifráveis.
- Porque eu não agüento mais ficar longe de você, e eu quero que saiba que mesmo que eles se casem, estarei sempre lá, para tudo que você precisar. – Ele falou e depois ficamos calados, apenas sentindo a presença um do outro.

Passamos uma boa parte da tarde ali. Chegou certo ponto, que me senti cansada e encostei-me a ele, que ficou acariciando meu cabelo e sussurrando que iria ficar tudo bem.
Depois ele me deixou em casa, não sem antes me dar aquele abraço de que tanto estava precisando. Um abraço puro, que só ele tem. Abraço do qual pude naturalmente inalar todo seu cheiro para guardar comigo, mesmo sabendo que isso iria me fazer sofrer mais. Mas ele é como um vício pra mim, e pode passar o que for, e não me cansarei dele. Mas eu me cansei de mim mesma, dessa minha imagem frágil e idiota, eu não agüento mais só... Perder. Cansa depois de certo tempo, e em tanto tempo assim você muda completamente seu ponto de vista. Ver mais claro, ver melhor, e também pode se enganar muito mais.
Minha casa não tinha ninguém, só os empregados, e como sempre estava tudo em silêncio, tanto que já me acostumei com ele e eu gosto, é bom pelo menos poder pensar sem ouvir meu pai reclamando disso ou daquilo, porque ele só faz isso. Subi diretamente pro meu quarto, meu refúgio. Não estava com fome, não tenho fome ultimamente, estou vazia, com só uma coisa que me restou. Então me pergunto: por que eu não posso mudar? Ser sempre a mesma de sempre, cansa, queria mudar, tomar atitudes. É, parece que as pessoas se enganaram a respeito da minha “personalidade forte”, eu sou, provavelmente, a pessoa mais fraca que conheci. sempre me elogiou, falava que eu sou incrível, que ele tem sorte por me conhecer e me ter ao lado dele. Simplesmente não compreendo, digo, ele que é o forte, que me faz sentir menos franca do que como de costume. Meu pai? Bem, ele não liga muito pros meus sentimentos, ou para qualquer coisa que se relacione comigo, ele só é mais um cafajeste no mundo, e sim, é meu pai.

se ofereceu descaradamente pra vir dormir aqui comigo, não recusei, tudo que mais preciso agora é do abraço reconfortante dele. Talvez a única pessoa que ligue para mim, talvez a única que me ame.
- , eu não entendo, vocês ficaram calados, foi isso? – Ele perguntou olhando os filmes que tenho.
- Isso mesmo, conversamos só um pouco, depois só ficamos calados e quietos. – Falei olhando o teto.
- Acho que vocês deveriam conversar mais, o que aconteceu? – Perguntou ainda olhando os filmes.
- Não sei, acho que fiquei com medo de magoá-lo e de me magoar. – Falei baixo sentindo meus olhos marejados.
- Isso não aconteceria, vocês se amam, é tão óbvio! – Ele exclamou e veio me abraçar.
- Eu não sei se ele me ama , e sinceramente, prefiro ficar sem saber. – Desabafei e o abracei mais.

Conversamos mais um pouco, vimos filmes, comemos besteiras... Tudo que eu precisava. Mesmo tendo o melhor amigo de todos os tempos, não me sinto completa. Estou vazia, estou realmente mal, e ninguém desconfia da minha depressão, só e Jéssica sabem. Ah, sim! Minha terrível depressão, bom, é difícil aceitar isso, machuca muito saber que tem algo errado comigo, de como não posso ser feliz. Nessas condições? Realmente não posso.
A ficha ainda não caiu, meu pai vai se casar, e com a mãe do menino que eu amo. Não faço idéia de como será o casamento, estou por fora, só sei que meu pai quer que eu seja a madrinha, óbvio. E acho que também será, mas meus pensamentos não querem se ocupar com o casamento. Queria ter algo ótimo em que pensar, enquanto ria escandalosamente do meu lado de um filme, do qual esqueci o nome. Nossa, rir, eu preciso disso. Odeio me lamentar, até em pensamentos estou cansada de mim.

Alguma luz batia em meu rosto, o que estava me incomodando intensamente. Logo abri os olhos e me levantei, para fechar a cortina. dormia feito pedra, bufei entediada. Fui usar o computador, não tinha nada mais produtivo para fazer. Olhei tudo, não tinha mais nada, nem internet consegue matar esse meu cansaço. Fui então, olhar minhas fotos, mais especificamente fotos minhas com , e sem que eu percebesse, já estava chorando sufocadamente.

Chapter 03 –
Uma semana, exatamente uma semana desde meu encontro com . Desde então, não nos falamos, mas sempre nossos olhares se encontravam, parecíamos imas. Hoje mesmo teria prova de roupa, para o casamento, junto com a , mãe do e outras pessoas que serão “importantes” no casamento. Não faria a mínima diferença em nada na minha vida.
Hoje meu dia está lotado praticamente para coisas do casamento, como: aulas de dança, ensaios, instruções... Cansativo. Não sei se verei por lá, quero e não quero ao mesmo tempo, confusa.
Estava um dia lindo, tinha um pouco de sol, e Londres estava em um clima totalmente perfeito. E eu sendo levada a prova de vestido. Já tinha escolhido o meu nada muito extravagante como a maioria, algo normal, do meu jeito. Entrei no espaço onde estava vendo a prova e logo fui recebida por duas pessoas que me arrastaram diretamente para o provador. Depois que coloquei o vestido, me colocaram em cima de um daqueles negócios onde as noivas sobem para fazerem ajustes no vestido. Sinceramente? Estava me sentindo uma boneca, nem me mexia, e me fizeram usar um corpete por baixo do vestido, o bom: não sufocava tanto. Senti-me como se estivesse sendo observada e levantei meu rosto, encontrando os olhos de , agora não mais vazios e cheios de brilho, olhando para mim, com um dos sorrisos mais belos que já o vi dar. Fiquei envergonhada e ele veio ao “banco” do meu lado, só então notei que ele estava em um terno que parecia ter feito no corpo dele, de tão perfeito. Era um tipo de cinza, discreto e que fazia um contraste perfeito com seus olhos, que ganhavam destaque.

Fomos para a aula de dança, por Deus, por que precisamos disso? Como somos filhos de quem somos, sabemos dançar e muito bem. Mas claro tinha dedo do meu pai e da nisso tudo, típico.
Logo foram formando nossos pares, então, como se tudo conspirasse contra mim, era meu par, o padrinho que entraria e dançaria comigo. Quando ele me pegou em seus braços, eu sorri, e ele ainda sorria, não tinha parado. Começamos a dançar e ele começou a dialogar comigo.
- Você estava maravilhosa, sério. – Ele sussurrou no meu ouvido, me arrepiei.
- Obrigada, acho... – Falei incerta, anestesiada com seu cheiro.
- Não há de quê, afinal, como se sente hoje? – Ele questionou.
- Melhor que no outro dia, mas ainda mal. – Falei sentindo um nó em minha garganta seca.
- Por favor, melhore, não quero te ver mal – Ele disse acariciando minha mão, que ele segurava.
- Tentarei, mas me promete uma coisa, por favor? – Pedi olhando em seus olhos.
- Qualquer coisa. – Ele disse.
- Apesar de qualquer coisa que acontecer me prometa, por favor! – Pedi mais uma vez.
- Diga meu amor. – Ele falou carinhosamente, e segurei meu choro.
- Por favor, apesar de qualquer coisa não me abandone, promete? – Perguntei.
- Eu prometo, te juro, nunca vou te deixar. – Ele falou finalmente, sorrindo um pouco.
- Obrigada. – Agradeci e encostei a cabeça em seu ombro.
- Você é tudo que me resta. – Ele disse em meu ouvido, a voz carregando certa agonia.

Abracei-me mais a ele, sentindo sua presença única. Só isso foi o bastante para que ele entendesse que eu dizia o mesmo: só me resta ele e mais ninguém. Meu porto seguro, minha única esperança. Tudo que me preenche é ele, tenho a certeza que sem ele, seria uma pessoa completamente vazia, e até mesmo fria. Pena que momentos assim acabam rápido, tivemos que encerrar o ensaio, mas meus olhos não acreditavam que meu pai estava ali. Digo, ele odeia qualquer coisa desse tipo, o que ele queria aqui afinal? Esfregar mais na minha cara que ele venceu como sempre? Bom, é isso que saberei já que ele está vindo falar conosco.
- Crianças, eu tenho um convite. – Ele falou e eu o olhei arqueando a sobrancelha, coisa boa não era.
- Diga pai. – Falei, queria logo acabar com isso e ir pro meu quarto, para finalmente poder pensar em paz.
- Quero convidá-los para jantar comigo e com a , o que me dizem? – Meu pai falou e passou o braço por meu ombro.
- Eu aceito, obrigado pelo convite Sr.Campbell. – aceitou e eu não poderia dizer ‘não’.
- Irei, mas posso levar alguém? – Perguntei e me olhou como se questionasse quem eu levaria.
- Claro minha filha, bom agora vamos, se despeça do que estou lhe aguardando no carro. – Meu pai falou e saiu, deixando eu e a sós.
- Quem você vai levar? – Ele perguntou irritado, eu ri.
- Não acredito, está com ciúmes? – Perguntei, ainda rindo.
- Claro que sim, dá pra me falar, sim ou não? – Ele perguntou e eu sorri como ele era bobo.
- Relaxa meu amor, é só o , dele você não tem ciúmes. – Falei acariciando seu rosto e logo ele sorriu.
- Desculpa, eu só tenho medo de te perder. – Ele sussurrou e fechou os olhos, segurando minha mão que estava em seu rosto.
- Isso nunca vai acontecer, porque sem você, eu que estou perdida. – Falei e recebi um caloroso abraço em resposta, momentos assim não se compram.

Estava total e completo silêncio no carro, meu pai conversava com alguém no celular, sobre negócios, pra variar. Não estava entendendo o completo sentido disso, digo, eu sei que nunca jantamos todos juntos, mas teríamos tempo pra isso, afinal, eles vão se casar e vamos passar a conviver juntos. Irritantemente fiquei sem opção do que vestir, isso sempre me acontecia quando ficava nervosa, ficava cega e não enxergava como a grande idiota que sou.
Pelo que conheço do meu pai, seria um restaurante sofisticado e alinhado, então acho que um vestido cairia bem de qualquer maneira, e uma sandália de salto não tão alta. tinha aceitado na hora quando liguei pra ele e o chamei, ele disse que seria divertido ver meu pai e a juntos, disso não discordo. Tinha certeza que e iriam dar um jeito de deixar o jantar engraçado, o que automaticamente formou um sorriso em meu rosto.
Se eu achava que meu pai era extravagante em algumas horas, agora só confirmo essa opinião. Ele colocou desnecessariamente um terno, sinceramente, não precisava, mas ele é... Ele. Bufei e rumei ao carro. Ele não deu uma palavra comigo, dessa vez eu queria que pelo menos fosse para gritar ou reclamar, mas que ele falasse, e não ficasse novamente no celular, e foi o que aconteceu. Agora, eu só quero o meu melhor amigo e o meu , somente.

Chapter 04 –
A voz do meu pai e da só circulavam pela minha cabeça, na verdade eu não estava escutando nada, e aquele jantar estava mais do que na hora de acabar. Porém, era só o começo; o inútil e difícil começo. estava impecável, perfeito como sempre, e o mesmo estava em uma conversa animada com , sobre golfe, esporte que não suporto. Eu apenas bebia o vinho que estava em minha taça, perdida demais para me entreter em alguma conversa. As vezes me sentia muito anti-social, mas não é essa a questão, simplesmente o fato do meu estado de espírito, as pessoas aos meus olhos pareciam tão inutilmente perfeitas. Tudo o que mais desejava agora, era poder estar conversando com , sozinha. Então, como em um baque, me veio o que eu deveria ter visto mas fiquei cega, eu arriscaria tudo por , completamente tudo. Não me importava se meu pai e a mãe dele iriam se casar, eu não ligo pra eles, a única coisa que me importa é , somente ele, o mesmo que eu acho que percebeu isso bem antes de mim, e tentou me mostrar, disso eu tenho toda certeza. Então com um sorriso peguei meu celular, o olhar dele estava sobre mim, talvez se perguntando o motivo de meu sorriso repentino já que eu estava com a cara fechada. Então, enviei uma SMS pra ele, afinal, parece que só assim poderíamos conversar o que queríamos agora:

Me desculpe, eu deveria ter notado antes...

Notado o que, meu amor? -

Eles não vão nos separar, eu não vou deixar.

Eu também não, tudo o que eu quero, o que eu preciso é ficar com você.

Vamos sair hoje? Depois desse estúpido jantar, claro.

Com certeza, então, depois do jantar nós saímos ok? Direto daqui.

Ok amor, beijos.

Beijos, e só mais uma coisa... Eu Te Amo! -

Eu te amo mais, bem mais.

Terminei de escrever a última mensagem e sorri, olhei pra e ele também sorria, olhei pra e ele estava com a maior cara de interrogação, soltei um riso e ele me olhou estranho. Claro que ele não estava entendendo nada, mas deixei pra explicar depois.
Meus pensamentos foram interrompidos, como sempre, pelo meu pai que parecia estar querendo propor um brinde.
- Queria propor um brinde, a união dessa nova família. – meu pai falou levantando a taça, todos levantamos a taça também e brindamos.
- Eu gostaria de comunicar uma coisa a vocês, e . – falou dando um sorrisinho, e eu sinceramente temia o que seria essa notícia.
- Eu falo querida... e irão se mudar lá pra casa! – ele falou e eu arregalei meus olhos, como assim?
- Quando? – perguntou olhando sério pro meu pai.
- Bom, acho que vocês já poderiam dormir hoje mesmo lá, e amanhã cuidamos da mudança. – papai falou animado.
- Está certo então, depois do jantar eu vou sair com a e o , então quando voltarmos eu passo em casa para pegar umas roupas, certo mãe? – falou e abriu um lindo sorriso, sorri junto.
- Certo, vocês vão aonde meu filho? – perguntou, bebendo seu vinho.
- Vamos à festa do Dave, no pub Wax. – falei e não menti, Dave realmente nos chamou.
- Ok, mas não cheguem muito tarde, tá bom? – papai falou e eu bufei, como se ele se preocupasse.
- Não iremos chegar tarde, Sr. Campbell. – falou e se levantou, olhei confusa pra ele e se levantou também.
- Bom, está na hora da festa, vamos? – se pronunciou, então eu entendi e me levantei também.
- Vamos sim. Tchau pai, tchau . – me despedi deles, assim como e , e quando saímos do restaurante abri um enorme sorriso... Liberdade!

Estava com no carro dele, que dirigia ao me lado, com uma mão na direção e a outra segurando a minha, e ele tinha um sorriso altamente encantador no rosto. não veio conosco no final das contas, ele disse que ia sair, mas pra outro lugar. E sim, eu e estávamos mesmo indo ao pub, queremos esquecer um pouco de tudo, completamente tudo.
Chegamos ao pub, demos nossos nomes e entramos, eu com a mão agarrada firmemente a cintura de e ele com seu braço por cima dos meus ombros. O pub estava cheio, mas totalmente agradável. Nos dirigimos para o bar e pedimos dois drinks.
- Então, o que te fez decidir tudo isso tão de repente? – perguntou rindo.
- Acho que eu finalmente me toquei, não são nossos pais que vão nos separar, nada vai. – Falei e sorri, já ele não tirava o sorriso do rosto.
- Bom saber disso, e saiba também que eu sou muito, muito ciumento! – falou com um sorriso de canto e tomou um gole da sua bebida.
- Disso eu sei, mas o que tem haver? – Perguntei confusa, realmente não entendi as repentinas palavras dele.
- Tem haver, que tem muitos homens nessa boate te olhando, mas eles não sabem... Que você é só minha! – agora já falava em meu ouvido, e me puxou para um caloroso beijo.
Automaticamente passei meus braços por seus ombros e permiti que ele aprofundasse o beijo, e nada se comparava cm nossa felicidade, a melhor noite de todas, a nossa noite.

Chapter 05 –
Sentia uma respiração de baixo do meu corpo, e uma mão acariciando meu cabelo. Aquele cheiro, o cheiro dele, entrava por minhas narinas, como o melhor aroma, e aquele era o aroma de . Abri os olhos lentamente e encarei um par de olhos me olhando.
- Bom dia meu amor. – falou calmamente, eu abri um imenso sorriso.
- Bom dia... Que horas são? – Perguntei totalmente sonolenta, e sem coragem.
- São 7:00h da manhã, acho que tenho que ir pro meu quarto. – Ele falou e suspirou pesadamente, eu também.
- Tudo bem, te vejo no café da manhã? – Falei enquanto ele se levantava e pegava seus pertences. - Claro que sim, tchau meu amor. – falou vindo até mim e beijou minha testa.
- Tchau, te amo. – Falei e ele já estava saindo silenciosamente do quarto, mas botou a cabeça pra dentro da porta novamente e murmurou um ‘Eu também’, eu ri e me levantei, caminhando para o banheiro.

A água corria por meu corpo, me dando uma ótima sensação, e o sorriso não tirava descanso do meu rosto. Incrivelmente, eu estava feliz, não estava decepcionada e triste como antes, eu estava animada e feliz. Tive uma perfeita noite, e como tive.
As lembranças de ontem à noite vinham na minha mente e eu só conseguia sorrir mais ainda, tudo foi maravilhoso. Parecia que não tínhamos problemas, éramos só eu e ele ontem, sem meu pai ou .
Logo terminei meu banho, me sequei, coloquei a roupa íntima e fui fazer a higiene matinal. Fui para o closet pensando na roupa que usaria, uma simples e normal para ficar em casa, lógico. Decidi-me por um short cinza claro, uma bata azul e uma sandália rasteira. Penteei meus cabelos, passei o perfume favorito de , gloss e rímel. Estava pronta.
Desci as escadas com calma, e podia escutar uma conversa entre meu pai, e , vindo do jardim. Cheguei lá e eles me esperavam na mesa, dei um ‘Bom Dia’ simpático e me sentei ao lado de .
- Então crianças, como foi a festa ontem? – perguntou e eu fiz uma careta pelo ‘crianças’ que ela mencionou, mas isso é típico dela e do meu pai, claro.
- Ótima! – Eu e falamos juntos, e em seguida rimos juntos também. Nossos pais voavam na conversa, ainda bem.
- Que bom, e como vai a escola ? – Papai perguntou com um sorriso, e eles engataram uma conversa sobre faculdades, profissões e o futuro, que pra mim, ainda era incerto.

Estava ajudando a arrumar algumas coisas no seu novo quarto que tinham chegado da mudança, ríamos muito, e a todo o momento ele mudava de opinião sobre onde colocar as coisas, uma verdadeira confusão.
- Chega, cansei, depois alguém arruma tudo! – Falei me deitando na sua cama macia, ele deitou ao meu lado rindo.
- Tudo bem, vamos aproveitar enquanto temos tempo. – falou, e quando estava quase me beijando, escutei passos e pulei pra fora da cama, então apareceu na porta.
- Crianças, se arrumem formalmente para o almoço, teremos uma visita especial. – falou observando o quarto do filho.
- Quem é? – Perguntei curiosa, afinal, não esperava e nem sabia sobre ninguém vindo pra minha casa.
- É surpresa, andem, vão se arrumar agora! – Ela exclamou e saiu do quarto, bufei.
- Bom, vou me arrumar, tchau . – Falei com um suspiro, fui até ele, lhe dei um selinho e saí rápida pela porta, me direcionando ao meu quarto.

Odeio me sentir curiosa, principalmente quando sinto que o que vem não é nada bom. Como sempre, meu pai tinha que ter uma visita, e sinceramente, eu não gosto das visitas dele. Mas eu não sabia de nada, e poderia facilmente estar errada, poderia estar me enganando... Só sei que não me sentia confortável com essa situação. Tomei banho, escovei os dentes, me vesti, me maquiei, o de sempre.
Desci vagarosamente e me direcionei pra sala, onde estavam somente e meu pai, me sentei ao lado de .
- Pai, não vai me contar mesmo quem vem nos visitar? – Perguntei encarando-o com a sobrancelha arqueada.
- Bom, eu quero que seja surpresa, você vai amar. Essa pessoa vai ficar aqui até o casamento. – Ele falou e meus olhos se arregalaram. - Quando é o casamento? – perguntou, parecendo ler meus pensamentos.
- Em um mês, decidimos adiantar logo isso tudo. – Papai falou e automaticamente eu prendi a respiração, fiquei automaticamente e totalmente triste, percebeu e acariciou minha mão, sem meu pai ver.
- Acho que nossa visita está chegando, vamos lá pra fora. – falou passando apressadamente pela sala, nos levantamos e fomos pro lado de fora.
Um carro preto entrava pelos grandes portões, e comecei a ficar nervosa. O carro parou perto de nós, a porta se abriu e não acreditei quando vi quem estava descendo.
- Vóvó? – Exclamei sem expressão facial, olhando para a senhora de idade a minha frente, que tinha um sorriso um tanto quanto falso em sua face.
- Oh! minha neta, você está fabulosa! – Ela falou caminhando em minha direção, e me abraçou, retribui ainda chocada.
- Obrigada... – Agradeci e vi-a se virando para meu pai e .
- , você está ótima. Paul, meu filho, senti sua falta, estou tão feliz por esse casamento. – Ela falou alegremente e abraçou meu pai e .
- Obrigada Charlotte! – agradeceu e vi minha avó se virar na direção de .
- , meu rapaz, continua encantador como sempre! – Ela falou e foi dar um abraço em , não entendi o motivo de toda essa seção de abraços de parte da minha avó.
- Obrigado. – Ele agradeceu e olhou de relance pra mim.
A verdade, é que minha avó, Charlotte Campbell, pode ser pior que meu pai em todos os quesitos. Eu a amo, mas sei do que ela é capaz, sei que ela não me daria um sossego. Estava totalmente sem saída.

Chapter 06 –

Deveria saber que iria vir uma tempestade a frente com a chegada de minha avó. Minha mansão estava uma zona completa de preparativos para o casamento, e isso era só o começo. O grande casamento seria em um mês, e na mansão, o que me deixava mais atormentada ainda com esse casamento. Vóvó e tinham se tornado ótimas companheiras em um dia, e ficavam falando todo o tempo sobre o maldito casamento, já não aguentava mais.
Cansada de toda confusão, fui para o meu quarto, saindo pela janela e subindo para o telhado da mansão. Podia muito bem encontrar minha paz ali, era como se fosse único estar em paz na minha casa, já que nunca estava. Escutei um barulho, alguém entrando no meu quarto provavelmente, e logo apareceu no telhado e veio se sentar ao meu lado, me abraçando.
- Bom, percebi que você tem certa queda por telhados. – ele falou e me fez rir um pouco.
- É o lugar mais calmo nesta casa. – respondi e encostei minha cabeça em seu ombro.
- É muito pra você aguentar, eu entendo. – ele disse passando a mão calmamente em meu cabelo.
- Só que, é muita coisa acontecendo de uma vez só, e agora com a chegada da minha avó...
- Mas sua avó é ótima , você não tem com o que se preocupar por parte dela.
- Você que pensa, não conhece Charlotte Campbell como eu conheço.
- Retiro o que eu disse, me explica melhor.
- Não consigo explicar, ela simplesmente não é aquelas vóvós que te colocam pra dormir lendo uma história, nunca foi!
- Sei... Mas esquecendo todos os nossos problemas, o que faremos hoje? Cansei de mofar aqui.
- Não faço idéia, mas quem sabe o não tem alguma coisa para fazermos?
- Quem sabe? Mas eu cansei de conversar...
Dizendo isso, se aproximou mais de mim e encostou nossos lábios delicadamente. O beijo de era simplesmente o melhor do mundo, continha tudo o que amo nele, e eu o amo por completo, inteiramente.

Passei o gloss pela última vez e estava pronta. Já era noite e tinha acabado de me arrumar para uma festa que tinha me chamado. Consequentemente chamei para ir também, afinal, a festa era da Peggy Abrams, que estudava conosco. Com toda confusão tínhamos esquecido a festa que, sinceramente, não estava com o menor ânimo para ir. Mas quando me implorou não pude dizer um não a ele, nunca conseguia de qualquer maneira. Logo decidi descer e ir logo para a bendita festa.
- , minha neta, você está adorável! – vóvó exclamou quando me viu, e abri um pequeno sorriso.
- Obrigada vóvó, onde está o ? – perguntei querendo sair rapidamente da casa.
- Oh, ele já está no carro lhe esperando, boa festa! – ela disse e eu saí pela porta principal.
Tinha como ficar mais bonito? Achei que não, mas todo dia ele se supera, sem exceção.
- Wow, você está incrível! – ele disse quando entramos no carro, corei rapidamente.
- Você não fica atrás, . – eu disse e ele riu me dando um selinho.
O som estava relativamente alto, o chão chegava a vibrar com o volume. Descemos do carro e entramos na casa com o braço de sobre meu ombro e meu braço direito enlaçado na sua cintura. A mansão da Peggy estava lotada, conhecia a maioria de vista do colégio, mas até agora não tinha visto .
- Vamos pro bar? – me perguntou e assenti com a cabeça, e fomos ao bar.
- Duas vodcas, por favor. – pedi assim que sentei, e o barman que estava atrás do balcão foi buscar nossas bebidas.
- Vai com calma, .
- Não tenho porque ir com calma, aliás, onde está o ?
- Não faço idéia.

A festa estava muito divertida, ria muito com . Imaginava se tinha como a festa estar tão boa quanto está sem ele. A vida estaria boa sem ele?
Cada sorriso, cada traço de seu rosto, era como se ele fosse minha própria alegria, e de certo modo, ele é. Sempre me perguntei como ainda consigo tê-lo comigo, como ele não fica com outra garota, não que eu não acreditasse em sua fidelidade comigo, mas ele foi o único que me fez sentir isso, ainda não tenho nome para definir isso, acho que vai além de amor, será possível?
A vida toda, meu maior objetivo foi ser uma pessoa completamente diferente do meu pai, uma pessoa sensível e principalmente amiga para todas as horas. Acho que consegui, não sou amarga como ele, ou fútil como cada palavra que ele fala. Então uma música me despertou dos meus pensamentos, e a reconheci com um sorriso, era Telephone, da Lady GaGa feat. Beyoncé, e eu idolatro essa música!
- , por favor, por favor, vamos dançar essa música!
- , amor, não sou a Lady GaGa ok?
- Mas você vai dançar sim.
O puxei rapidamente e fomos para o meio da pista de dança. Comecei a dançar deixando só a música na minha cabeça, e quando abri os olhos me deparei com uma das cenas mais engraçadas de todos os tempos: tentando dançar.
Ele era totalmente descoordenado, mas isso o deixava mais lindo ainda. Voltei a dançar normalmente e chegou mais perto de mim, colando nossos corpos, e com o tempo ele foi pegando o jeito da dança. Seus cabelos estavam começando a pregar na sua testa quando ele aproximou seu rosto ainda mais do meu e seu nariz tocava o meu. Então ele colocou sua mão em meu pescoço e juntou nossos lábios urgentemente e logo aprofundando nosso beijo. Seus lábios eram, como sempre, macios sobre os meus, e suas mãos me tocavam delicadamente, como seu eu fosse de porcelana. O melhor de tudo era sentir esse cuidado comigo e esse beijo caloroso misturados, isso já era vício meu e não creio que poderia viver muito tempo sem isso.
Separamos nossos lábios e ele olhou profundamente em meus olhos, me transmitindo a melhor energia de todas. Era como se ele fosse meu sol, clareando o escuro, não era somente , era o meu bem ali na minha frente, dançando comigo e cuidando de mim, era ele e isso bastava.
Algumas vezes é preciso esquecer-se de tudo e se focar na melhor coisa pra você.
Algumas vezes temos que colocar nossa felicidade na frente de outras coisas.
E ali, naquele momento, nada mais era lembrado por mim, nenhuma música ou as pessoas a nossa volta eram presentes, éramos só e , e , juntos e felizes, nada mais importava.
Chapter 07 –
Dor, eu estava com uma terrível dor de cabeça e meu corpo implorava para ficar deitado, mas eu não podia, precisava ir para o colégio, precisava pelo menos tentar subir minhas notas. Abri meus olhos devagar, me espreguicei e finalmente levantei, indo em direção ao banheiro para tomar banho. A água quente batia em meu corpo enquanto eu me lembrava da noite passada, será que alguém do colégio se lembraria do beijo?
Espantei esses pensamentos e saí do chuveiro me enxugando, escovei os dentes, penteei os cabelos e me vesti, depois passei leve maquiagem, em seguida descendo para tomar café da manhã. Como era de se esperar, meu pai, minha avó e estavam sentados na mesa, conversando, e quase dormia em cima do seu prato, me sentei ao seu lado e ele me cumprimentou com um “bom dia” cansado.
Logo que terminamos de comer, fomos para o carro de , afinal, agora eu ia com ele para o colégio. Quando saímos da rua ele me lançou um olhar preocupado, eu sabia o que aquilo significava.
- Acha que alguém viu ou vai lembrar? – me perguntou e segurou em minha mão, segurando o volante com a outra.
- Não sei, e sinceramente estou um pouco preocupada com isso. – respondi respirando fundo e apertando sua mão, estávamos perto do colégio.
- Fique calma, tudo vai ficar bem meu amor. – ele disse e eu sorri, simplesmente amava quando ele me chamava de amor, coisa boba mais muito importante para mim.
Ele virou a esquina e avistei o colégio, tudo ficaria bem, assim espero.

Andava pelo corredor ao lado de que falava sem parar, mas como na maioria das vezes eu não estava prestando atenção, estava mais focada nas pessoas a minha volta. Deveria ser só impressão minha como havia dito, mas não tinha plena certeza sobre isso. Algumas meninas me olhavam com um estranho olhar, como se soubessem de algo, esse algo que eu sabia muito bem o que era, porque eu me lembro muito bem que elas estavam lá.
- , eu tenho certeza que elas sabem! – falei agoniada.
- , se acalme, e daí se elas souberem? Hein?
- Como assim “e daí se elas souberem”? Muita coisa!
- Como o que?
- Como falar para o meu pai, para a minha avó, para a mãe do ...
- Certo, certo, daremos um jeito nisso, se elas realmente sabem de alguma coisa, ok?

Odiava a sensação de ser criticada, me sentia criticada, mesmo ainda não tendo provas, eu senti isso quando as pessoas olhavam pra mim e cochichavam umas para as outras, isso era meio incômodo, bastante incômodo. Então, parada ali em meu armário, eu vi os olhos da pessoa que tanto amo, a pessoa a quem eu daria minha vida para ver seu sorriso, . Ele vinha em minha direção, tinha o olhar preocupado mais um pequeno sorriso calmo, ele sabia exatamente o ponto certo de confiança que devia me dar e do que devia me proteger, ele era meu próprio anjo.
- Não adianta dizer o que eu vejo, as pessoas sabem, certo? – perguntei quando ele se encostou ao meu lado.
- Sim, elas sabem, e ainda não sei como abafar isso aqui. – ele falou e bufou.
- O problema não é que eles tenham visto, o problema é isso chegar aos nossos pais, e a minha avó!
- Então vamos rezar para isso não acontecer, e iremos agir como sempre, sem mudanças, por favor, . – ele falou agora já na minha frente e com os braços cada um de um lado do meu corpo, perto demais.
- Já disse que eu te amo? – falei pra ele sorrindo e olhando o sorriso que se formava em seu rosto.
- Já disse que eu te amo mais do que você me ama? – ele respondeu e me abraçou, o que eu tanto preciso durante todo momento.

Era uma típica tarde de domingo, e estava ainda melhor por estar tendo uma seção de filmes com , sozinhos em casa, sem ninguém para termos que fingir. Eu estava encostada em seu ombro e ele tinha seu braço em volta do meu corpo, e eu sentia seu maravilhoso e único perfume, era o cheiro diferencial dele, o cheiro somente dele, do meu .
Estava pensando em como tudo estava mudando drasticamente, em como eu não tinha o apoio do meu pai uma vez na vida, de como minha avó era controladora, e de como a mãe de agora ocupava o posto de madrasta, quando deveria ser minha sogra, de certa forma ela é, mas não sabe disso.
Comecei a me lembrar de alguns momentos com , eram todos tão únicos e perfeitos...

Flashback On –
- AAAAAAAAAAAH PÁRA! – eu gritava entre minhas crises de riso enquanto me matava de cócegas.
- Só se você prometer...
- Ok, ok, eu prometo para sempre gostar de você, já que você gosta tanto de mim, fazer o que? – falei sarcástica, ele já tinha parado com as cócegas e agora estava ao meu lado deitado na grama do parque.
- Eu não gosto de você ... Eu te amo! – ele exclamou e meus olhos se encheram de lágrimas. disse que me ama! Estava realmente sendo um dia perfeito, eterno.

Flashback Off –

Chapter 08 –
Minhas pernas já imploravam por descanso enquanto eu caminhava com a vóvó, ela tinha um pique inalcançável para mim.
- Vamos minha querida, você parece uma velha enferrujada! – vóvó reclamava enquanto andava um pouco depressa.
- Acho que eu não consigo acompanhar seu pique vóvó. – falei com a voz cansada, quando ela iria finalmente se cansar?
- Claro que não, você não faz nada, passa o dia todo em casa e quando saí é só para farrear por aí! – ela reclamava, como sempre.
- Isso é geralmente o que as pessoas da minha idade fazem... – falei com um tom pouco sarcástico.
- Mas não é o que pessoas de sua classe deveriam fazer. – ela disse com a voz firme.
- O que você quer dizer com isso vóvó? – perguntei e aproveitei para me sentar em um banco que tinha ali, ela se sentou do meu lado.
- Você tem que passar uma imagem intacta agora que seu pai e irão se casar, você não acha?
- Sinceramente? Eu acho isso a maior das idiotices! – disse alterada e saí dali sem esperar sua resposta, seria sempre a mesma coisa.

Eu ganhava de no Guitar Hero, enquanto pegava a pizza que tinha acabado de chegar. Era como uma noite do pijama, só que não de garotas, mas com os dois homens da minha vida, que eu não abandono por nada.
Logo que me sentei no sofá, exausta, senti o cheiro de pizza invadir minhas narinas e fui correndo pra cozinha, pulando nas costas de quando o avistei.
- Wow, você tá engordando , não pode sair por aí desse jeito pulando nas costas das pessoas! – ele disse rindo e me colocando no balcão da cozinha.
- Não, só nas suas, certo? – perguntei alisando seu cabelo e o observando abrir o mais belo dos sorrisos.
- Mais que certa. – ele falou e em seguida grudou seus lábios aos meus, logo pedindo permissão para aprofundar o beijo, o que eu não neguei, óbvio.

A agonia tomava conta do meu corpo, da minha mente, do meu controle. Queria poder gritar, mas não podia, eu só não conseguia pensar em uma solução para acabar com essa chantagem. Depois da noite em que dormiu aqui comigo e com o , fui acordada de madrugada pelo meu celular, era uma mensagem, enviada pela Kim Sanders, que dizia:
Eu vi , sim eu vi você e o na festa, interessante, mais ainda pro seu pai, não é?




CONTINUA


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